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Tautograma em A

A Anabela amava agora aquele antigo amigo. Adorava aquela aparência abençoada, a
animação abismal, a amabilidade angelical, algo adolescente. Aquela alegria atraía-a
ardentemente. Abandonava-se, aberta àqueles abraços acidentais. Admitia arrojadamente
arranjar alguém, almejava, ansiava. Agora, astutamente, adaptava-se, aceitava, atraía,
agradava. A adrenalina acendia-lhe a alma abnegada, apimentava-lhe arrojadamente a árida
atuação anual, afastando-a ante aquele acutilante abatimento, aquecia-lhe ardentemente a
ambição, arrancando-a ardilosamente àquele arrefecimento, àquela aspiração asfixiante –
assentar, assegurar as aulas, assumir atividades arrojadas, atingir avaliações auspiciosas,
aumentos astronómicos…
Agradecia a atenção, abastecia-lhe a afetividade, aconchegava-a, acendendo-lhe a adulação
adocicada. Adorava as artimanhas aprendidas artisticamente, aplicadas adequadamente.
Audácia? Arrebatamento? Atração? Aventura?
Apenas aquele adorável amigo adormecido, Anabela amplamente abalada, acanhada ante
alusões a alianças alucinantes, alegadas algemas afetivas, afastou-se, admitindo adversidades
aparentes, abomináveis abismos abissais. Apavorou-se, atrapalhada. Almejara amor,
ambicionara adoração apenas, apegara-se ao apelo amoroso, agora alguém acrescentara
alicerces, amarras, aliciantes ainda.
Adensando a amargura, afligiu-se, ajeitou adereços, as almofadas, aperfeiçoou acessórios, as
alças altas, arranjou algum agasalho. Arranjou-se, alindou-se, aprimorou-se, a amiga aprovaria
a apresentação aprofundada, apropriada. Ágil, ativa, arrasadora abandonou aposentos, a
alcova, afastando-se.
Automaticamente, atravessou azinhagas, avenidas, acompanhando adultos alegres,
adolescentes animados, agitados até à Associação Académica Alemã.
Após almoçar, Anabela afastou-se alheada. Avançou atenta, ansiosa até ao átrio amplo,
alongado. Aguardou airosa, agitada apenas, as atividades agendadas antecipadamente. A
algazarra absorvia a assistência alvoraçada.
Além, abril apressado, adverso, agressivo, apresentava ainda alguns aguaceiros. Abril atirava
ativamente ar, água às alturas, acelerando a atmosfera. Acabava apenas, afirmava-se absoluto,
amadurecido, agoirento.
Acompanhando a Alice, amiga ancestral, andou, atravessou avenidas, aproximou-se ao
aquário. Anoitecia, abeirou-se acalorada às acácias, às açucenas. Atrás algumas alamedas
apresentavam árvores altas, alguns álamos acompanhando alabastros, acrílicos. Algures,
afiguravam-se as arribas agrestes, alaranjadas. Alecrim, alfazema acrescentavam aromas
adocicados. Arriscou apreciar a abundante água azul, aonde afluíam animais – as alforrecas
acinzentadas, aniladas, as anémonas amarelas, as algas avermelhadas.
Altifalantes anónimos antecipavam alaridos, apregoavam acontecimentos, almejando
ambientar artificialmente a antecâmara anexa ao auditório. Apresentavam, anunciando alguma
antestreia anual, alucinante – algo arrebatador aconteceria. Apenas alguma antevisão, anti-
heróis, animais antropomórficos, aparelhos aéreos… agradaria àquele aglomerado apinhado.
Aplausos, amplos aplausos apoiam a animação.
Após apreciarem anfiteatros, armazéns, alpendres… ambas as amigas assombraram-se,
assustaram-se, admiradas, ao averiguarem a adiantada alvorada a acordar abafada. A alva
aproximava-se, afugentando algo alegadamente agressivo. Amainava a amálgama amarga,
ameaçadora. Amanhecer acontecia acolá, acima, afastando alucinações anteriores.
Acomodava-se, agigantava-se.
Aclarava, a manhã acordava.
- Adeus – acenou aliviada.
- Adeus – acudiu a amiga.

Elsa M.

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