Leitura e Produção de Texto

Associação Catarinense das Fundações Educacionais - ACAFE

PRESIDENTE ANTÔNIO MILIOLI FILHO Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC VICE–PRESIDENTE PAULO IVO KOEHNTOPP Universidade da Região de Joinville UNIVILLE

CÂMARA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA COORDENAÇÃO SUELY SCHERER Centro Unversitário de Jaraguá Do Sul UNERJ VICE-COORDENAÇÃO ELISA NETTO ZANETTE Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC

Produção do Material Didático: Leitura e Produção de Textos

PROFESSORES AUTORES ALMERINDA TEREZA BIANCA BEZ BATTI DIAS Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC MÁRCIA M. JUNKES Centro Universitário de Brusque - UNIFEBE MARY NEIVA SURDI DA LUZ Universidade Comunitária Regional de Chapecó - UNOCHAPECÓ REGINA BACK CAVASSIN Universidade da Região de Joinville UNIVILLE ROSANA PAZA Centro Universitário de Brusque - UNIFEBE VÍCTOR CÉSAR DA SILVA NUNES Universidade Regional de Blumenau FURB

COORDENAÇÃO GRAZIELA FÁTIMA GIACOMAZZO Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC PROJETO GRÁFICO Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC REVISÃO MARIZA GYRÃO GÓES Conselho Editorial da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC DIAGRAMAÇÃO DIANA COLOMBO PELEGRIN Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC ILUSTRAÇÃO ALAN CICHELA Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC

Instituições do Sistema ACAFE

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRUSQUE – Unifebe site: www.unifebe.edu.br Reitora: Profª Maria de Lourdes Busnardo Tridapalli CENTRO UNIVERSITÁRIO BARRIGA VERDE – UNIBAVE site: www.febave.org.br Reitor: Prof° Celso de Oliveira Souza CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JARAGUÁ DO SUL – UNERJ site: www.unerj.br Reitora: Profª Carla Schreiner UNIVERSIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO ALTO VALE DO ITAJAI – UNIDAVI site: www.unidavi.edu.br Reitor: Prof° Viegand Eger UNIVERSIDADE REGIONAL DE BLUMENAU – FURB site: www.furb.br Reitor: Prof° Eduardo Deschamps UNIVERSIDADE DO PLANALTO CATARINENSE – UNIPLAC site: www.uniplac.net Reitora: Prof° Gilberto Borges de Sá UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE – UNESC site: www.unesc.net Reitor: Prof° Antônio Milioli Filho UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE – UNIVILLE site: www.univille.br Reitor: Paulo Ivo Koehntopp

UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI site: www.univali.br Reitor: Prof° José Roberto Provesi UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA – UNISUL site: www.unisul.br Reitor: Prof° Gerson Luiz Joner da Silveira UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC site: www.udesc.br Reitor: Prof° Anselmo Fábio de Moraes UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UnC (Reitoria) site: www.unc.br Reitor: Prof° Werner José Bertoldi UNIVERSIDADE DO OESTE DE SANTA CATARINA – UNOESC site: www.unoesc.edu.br Reitor: Prof° Aristides Cimadon UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA REGIONAL DE CHAPECÓ - UNOCHAPECÓ site: www.unochapeco.edu.br Reitor: Prof° Gilberto Luiz Agnolin CENTRO UNIVERSITÁRIO MUNICIPAL DE SÃO JOSÉ - USJ site: www.usj.edu.br Reitor: Prof° Telmo Pedro Vieira

Instituições Participantes do Projeto

Universidade Regional de Blumenau – FURB Centro Universitário de Jaraguá do Sul – UNERJ Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajai – UNIDAVI Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE

Universidade do Planalto Catarinense – UNIPLAC Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE Universidade Comunitária Regional de Chapecó – UNOCHAPECÓ Centro Universitário Municipal de São José USJ

Instituições do Sistema ACAFE

UNERJ Suely Scherer UNESC Elisa Netto Zanette /Graziela Fátima Giacomazzo FURB Henriette Damm Friske UDESC Sonia Maria Martins De Melo UNC Gilmar Luis Mazurkievicz/Liamara S. Comassetto UNIBAVE Celso de Oliveira Souza UNIDAVI Marco Aurélio Butzke

UNIFEBE Rogério Santos Pedroso UNIPLAC Tania Mara da Silva Bellato UNISUL Jucimara Roesler UNIVALI Margarete Lazzaris Kleis UNIVILLE Gelta M. J. Pedroso UNOCHAPECÓ Josimar de Aparecido Vieira UNOESC Rosa Maria Pascoali USJ Solange Vitória Alves

Apresentação

Caro acadêmico, seja bem-vindo ! Este é o material didático da disciplina de Leitura e Produção de Textos do sistema ACAFEVirtual. Ele faz parte de um projeto interinstitucional de cooperação e colaboração na autoria e produção de disciplinas da modalidade a distância. A Educação a Distância (EaD) é uma modalidade de ensino que traz uma nova concepção de aprendizagem, já que o acadêmico tem mais autonomia com relação ao tempo e ao espaço, o que requer, de sua parte maior cooperação e responsabilidade nos estudos. São muitas as vantagens da EaD, como a possibilidade de entrar em contato com pessoas de outras regiões, interagindo socialmente, desenvolver a habilidade do uso de novas tecnologias e favorecer uma aprendizagem cooperativa, intensificando o intercâmbio entre professor e alunos. No processo de aprendizagem desta disciplina, você terá a companhia de dois amigos que irão acompanhá-lo nas leituras do material, contribuindo com idéias, sugestões, perguntas e dicas. Eles se chamam Aurélio e Lygia:

Olá! Sou Aurélio, graduado em Letras. Você imagina a origem do meu nome? Acertou! Em homenagem ao nosso querido Aurélio Buarque de Holanda: crítico, ensaísta, tradutor, filólogo, professor de Língua Portuguesa e Literatura, além de um apaixonado pelas palavras da nossa língua, razão pela qual escreveu seu próprio dicionário.
http://www.aureliopositivo.com.br/ aurelio/biografia.asp

Oi! Eu sou a Lygia, colega do Aurélio e, agora, também sua. Conheci o Aurélio na graduação em Letras. Nossa formatura foi inesquecível. Gosto de ler e escrever como a Lygia Fagundes Telles, a quem admiro e na qual busco inspiração. Seu primeiro livro de contos, Porão e Sobrado, é o meu preferido.
http://acervos.ims.uol.com.br/ php/level.php?lang=pt&comp onent=37&item=44

Esperamos, então, que os encontros virtuais que tivermos sejam de aprendizado, pois desejamos participar com você desta caminhada. Este material estará sempre em construção e, por isso, suas sugestões e críticas serão sempre bem-vindas!

Professores autores e coordenação

Sumário

Unidade 1 – Leitura ................................................................. 07 Tema 1 – Leitura em nossa vida ................................................... 08 Tema 2 – Leitura e escrita ........................................................... 13 Tema 3 – Como se lê .................................................................. 22 Tema 4 – Leitura e argumentação ................................................ 28 Tema 5 – A influência do contexto histórico na interpretação ........... 37 Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade ...................... 41 Tema 7 – Leitura de implícitos ..................................................... 53

Unidade 2 – O Gênero Resumo ................................................ 70 Tema 1 – Resumo: o que é e por quê ........................................... 71 Tema 2 – A situação ou o contexto de produção do resumo ............. 80 Tema 3 – Resumo científico ......................................................... 87

Unidade 3 – O Gênero Resenha: um texto acadêmico .............. 93 Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual ........................... 94 Tema 2 – A estrutura da resenha ............................................... 102 Tema 3 – Para elaborar a sua resenha ........................................ 108

Unidade 4 – O Gênero Ensaio................................................. 121 Tema 1 – Ensaio....................................................................... 122 Tema 2 – Estrutura do ensaio na academia.................................. 129 Saiba Mais ............................................................................... 136 Tema 3 – Produzindo o ensaio.................................................... 139

Leitura

Objetivo da Unidade
Ao concluir esta unidade, você deverá ser capaz de: Identificar os diversos tipos de leitura com que nos deparamos no dia-a-dia; Reconhecer as diferentes estratégias utilizadas para compreender o que lemos; Analisar textos e reconhecer os recursos de argumentação utilizados pelos autores.

Unidade 1

Você já parou para pensar sobre o papel da leitura em nossa vida? Pois chegou a hora! Nesta unidade, estudaremos sobre o que e como se lê. Vamos ver que lemos além das palavras escritas. Lemos também o mundo, ou seja, tudo o que está ao nosso redor. Lemos as placas, os gestos, a natureza, os olhares. É na palavra escrita, contudo, que centraremos nossa atenção, pois a leitura das palavras e do que está por trás delas é fundamental para nossa formação acadêmica e humana.

Tema 1 – Leitura em nossa vida

Objetivo
Compreender a importância da leitura na formação humana e acadêmica.

Estamos muito acostumados a pensar no ato de ler como a leitura de textos em livros, jornais, revistas etc., mas as imagens (fotos, ilustrações, desenhos...) também são textos. Isso quer dizer que não lemos somente as palavras. Observe as seguintes imagens:

Ao observar as imagens, você já fez uma leitura.

Aurélio está certo! Até porque a primeira leitura que se faz de qualquer texto é sensorial, ou seja, captamos pelos nossos sentidos os elementos que nos auxiliarão na compreensão dos objetos que nos rodeiam e, assim, construímo-nos como leitores. Aprendemos a ler a realidade que está ao nosso redor e, desde pequenos, aprendemos a identificar e a reagir àquilo que acontece. Aprendemos a reconhecer, ou seja, a ler o universo à nossa volta.
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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 1 – Leitura na nossa Vida

Nós vivemos em sociedades que têm suas regras sociais, culturais e de convivência. E, para que essa convivência funcione, é necessário que aprendamos a ler nosso grupo social para compreendê-lo e para nos relacionarmos com ele. Precisamos, então, ler os gestos, os olhares, os sorrisos e os silêncios.

Agora, olhe ao seu redor e veja o que mais pode ser lido.

Reflita
Se você pode ver pela janela, como está o céu? Leia o que o céu diz. Vai chover? Se você está numa sala cheia de colegas trabalhando, leia seus rostos, seus gestos: estão todos bem?

Tudo que está a sua volta quer dizer alguma coisa e o que está faltando (porque foi retirado ou porque nunca esteve aí) também quer dizer alguma coisa. Paulo Freire (1986, p. 30) diz que "Cada um de nós é um ser no mundo, com o mundo e com os outros. Viver esta constatação tão evidente [...] significa reconhecer nos outros [...] o direito de dizer a sua palavra".
Paulo Freire (www.sergeicartoons.com)

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 1 – Leitura na nossa Vida

Para Freire (1986, p.20), a leitura do mundo é elemento significativo e de maior importância para a compreensão crítica do ato de ler. "[...] a leitura do mundo precede sempre a leitura da palavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele". Ler o mundo é ser capaz de perceber e emitir julgamentos a respeito de tudo aquilo que nos cerca e nos afeta. Exercitamos esse tipo de leitura em quase todos os momentos de nossa vida e a nossa experiência de leitura de mundo afeta também o modo como lemos as palavras.

Atividade
Reflita um pouco, escreva poucas linhas e publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem: O que é ler o mundo? O que é ler a palavra?

O que é ler?

A leitura é importante para que se desenvolva efetivamente a prática de produção de textos, pois o ato de ler nos ajuda a obter uma série de informações sobre os conteúdos que lemos e sobre a forma como os textos se organizam. Para que isso aconteça, é fundamental o contato com textos que se apresentam nos mais diferentes suportes de leitura.
Você sabe o que são suportes de leitura?

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 1 – Leitura na nossa Vida

Os textos podem vir impressos em diferentes suportes: cartaz, embalagem, livro, jornal, folheto em papel, papelão, plástico, tecido etc., de acordo com sua finalidade, para poderem circular e exercer funções reais na sociedade. Veja a tirinha a seguir:

(http://clubedamafalda.blogspot.com/2006_01_01_archive.html)

Mafalda, a menina da tirinha, tem uma concepção de leitura. Para ela, não se pode ler um livro tão grosso daquela forma. Isso porque, para muitas pessoas, ler é decodificar, ou seja, só reconhecer as letras (o código) de uma língua.

Ler não é só decodificar palavras. É, antes de tudo, construir sentidos para o que se lê. É por
isso que, muitas vezes, o "leitor" não consegue obter informações num texto lido. Para obter essas informações e, conseqüentemente, construir sentidos, é preciso considerar os conhecimentos prévios que ele possua sobre o assunto e a interação que seja capaz de fazer com os diferentes tipos de textos que circulam em nossa sociedade.

Isso significa que aprendemos a ler diferentes textos de diferentes gêneros. Os gêneros textuais são classificados de acordo com a sua constituição. Cada gênero é construído a partir de certas condições definidas por convenção. Assim, cada gênero textual é reconhecido por sua estabilidade lingüística, a qual se evidencia em situações recorrentes, pressupondo uma relação entre a linguagem (fatores textuais) e as relações sociais envolvidas (fatores contextuais). Portanto, na hora de ler cada texto, devemos prestar atenção à sua especificidade; e, na produção de um texto, devemos levar em conta as suas características e os seus possíveis leitores (considerando, inclusive, onde vai circular: revista, jornal, Internet...).

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 1 – Leitura na nossa Vida

A tirinha que você leu acima é um gênero textual que tem como característica básica o fato de ser uma piada curta de um, dois, três ou até quatro quadrinhos e, geralmente, envolve personagens fixos: Mafalda, Garfield, Hagar etc.

Resumindo: Segundo Amaral (2007, p. 01), Gênero textual é um nome que se dá às diferentes formas de linguagem que circulam socialmente, sejam mais informais ou mais formais. Um romance é um gênero, um artigo de opinião também, um conto é um outro gênero, uma receita de bolo também é gênero textual, uma aula é gênero, uma palestra ou um debate na televisão também são gêneros textuais. Eles são a forma como a língua se organiza nas inúmeras situações de comunicação que vivemos no dia-a-dia. Gêneros textuais são língua em uso social, seja quando usamos a língua na escola, seja quando usamos a língua fora dela para nossa comunicação, seja quando usamos gêneros escritos, seja quando usamos gêneros orais. Os gêneros são língua em uso, são língua viva, são instrumentos de comunicação.
AMARAL, Heloisa. Como e por que trabalhar com gêneros textuais no Prêmio Escrevendo o Futuro. Disponível em: <http://www.cenpec.org.br/modules/xt_conteudo/index.php?id=262>. Acesso em: 20/04/2007.

Além de termos de aprender a lidar com um universo de textos e a usá-los, quando lemos, sofremos uma série de influências cognitivas. As nossas crenças, nossas opiniões sobre um determinado tema e até mesmo a nossa motivação ou objetivos diferentes influenciam na forma como cada um compreende e constrói os sentidos do que lê. Um exemplo bem simples é imaginarmos como cada um reage quando ouve piadas que fazem referência a raças, classes sociais, profissões ou nacionalidade.
Isso acontece, Aurélio, em função de aspectos de caráter pessoal que influenciam no modo de ler.

Sempre há os que acham graça e os que se ofendem.

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Tema 2 – Leitura e escrita

Objetivo
Refletir sobre as relações entre leitura e escrita e compreender que são empregadas diferentes estratégias de leitura para a compreensão de diferentes textos.

A leitura da palavra está estreitamente relacionada ao exercício da escrita. Veja o que Carlos Drummond de Andrade conta sobre sua experiência com as letras: Como comecei a escrever Carlos Drummond de Andrade Aí por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana, aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau. Papai era assinante da "Gazeta de Notícias", e, antes de aprender a ler, eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar. Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narrar um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras. Daí por diante, as experiências foram-se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a literatura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estava germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e habituei-me a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive a sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever. Então, começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado (pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado), eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.
Disponível em: <http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/prosa14.htm>. Acesso em: 30/03/2007.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

Dica
DICA DE GRAMÁTICA: O caso do e Veja que, nesse texto, o autor utiliza uma vírgula antes do e em vários pontos destacados. Isso deve ser feito quando a segunda oração possui um sujeito diferente da primeira. Não é o caso do último período do texto lido. Observe os exemplos a seguir: “Os soldados ganham as batalhas, e os generais recebem o crédito.” Viajamos durante dois dias e encontramos o lugar tão esperado.

Saiba Mais
Saiba sobre o autor: Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) Nasceu em Itabira (MG), em 1902. Fez os estudos secundários em Belo Horizonte, num colégio interno, onde permaneceu até que um período de doença o levou de novo para Itabira. Voltou para outro internato, desta vez em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Pouco ficaria nessa escola: acusado de "insubordinação mental" – sabe-se lá o que poderia ser isso! –, foi expulso do colégio. Em 1921, passou a colaborar com o Diário de Minas. Em 1925, diplomou-se em farmácia, profissão pela qual demonstrou pouco interesse. Nessa época, já redator do Diário de Minas, tinha contato com os modernistas de São Paulo. Na Revista de Antropofagia, publicou, em 1928, o poema No meio do caminho, que provocaria muitos comentários.

Carlos Drumond de Andrade http://www.copacabana.com/fot os/thumbnails.php?album=3&pa ge=2

Disponível em: <http://www.culturabrasil.org/cda.htm>. Acesso em: 20/04/2007.

Atividade
Você viu como a leitura foi importante na vida do escritor. E na sua? Você lembra como foi seu ingresso no universo da leitura? Conte um pouco sobre isso e publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Como aprendi a ler.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

O que é ser leitor?

Desde que aprendemos a ler, somos chamados de leitores. Mas o que é ser leitor?

Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua, que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. (PCN, 1997, p.36).

Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato, a partir de um trabalho que deve organizar-se em torno da diversidade de textos que circulam socialmente. (PCN, 1997, p.36).

Esses dois trechos foram retirados de um documento chamado Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para o ensino de língua portuguesa e nos ajudam a pensar se cada um de nós pode ser considerado um leitor competente.

Reflita
Qual a sua postura como leitor? Você se utiliza da leitura para resolver problemas do dia-adia? Você seleciona o que lê? Como você tem acesso à leitura? Você lê jornais? Revistas? Visita bibliotecas públicas? Tem sua própria biblioteca? Poderíamos aqui listar uma série de outras perguntas, mas essas aqui já vão ajudá-lo a pensar sobre a importância da leitura em todos os aspectos da nossa vida e na nossa postura como leitores.

Antes de vermos quais são os objetivos que nos movem a ler, pense e responda: Por que eu leio? Em que situações eu faço uso da leitura?

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

Atividade
Vamos discutir nossa postura como leitores. No Ambiente Virtual de Aprendizagem, conte o que você lê no dia-a-dia, por que lê e como seleciona o que vai ler.

Agora que você já refletiu sobre a sua postura como leitor, confira algumas estratégias de leitura que utilizamos para interagir com os textos.

Por que lemos?

Uma coisa é certa: a leitura é fundamental em nossa vida. Lembre-se de que não é só a leitura das palavras. Qualquer coisa expressa significados, e selecionamos o que ler. Não lemos tudo porque a quantidade de informações que o mundo nos oferece é infinita e requer tempo para interpretação. Daí, damos atenção para algumas coisas, fazendo a sua leitura, e nem reparamos outras.

Agora que você está em um curso superior, a leitura tem um papel muito importante para a sua formação.

E, nesta disciplina realizada a distância, você vai vivenciar vários exercícios de leitura.

Precisamos sempre ter em mente que lemos com algum objetivo. Mesmo que você diga que está lendo somente para se distrair um pouco, aí está seu objetivo. Os nossos objetivos determinam a forma de interagirmos com um texto: o fato é que utilizamos diferentes estratégias de leitura segundo nossos objetivos. E quais são

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

esses objetivos? Veja o que Solé (1998) diz:

Ler para obter uma informação precisa
Quando pretendemos localizar algum dado que nos interessa. Esse tipo de leitura se caracteriza pela busca de alguns dados e, concomitantemente, pelo desprezo a outros. Caracteriza-se por ser uma leitura muito seletiva, pois deixa de lado uma grande quantidade de informações como requisito para encontrar a informação necessária. Relembre-se da tirinha da Mafalda que você leu no tópico O que é ler.

Exemplo
Há várias situações nas quais buscamos apenas uma entre várias informações. São exemplos desse tipo de leitura: quando procuramos um número de telefone em uma lista; quando buscamos uma palavra no dicionário. Esses são apenas alguns exemplos dentre as inúmeras vezes em que buscamos apenas uma informação entre outras que não recebem nossa atenção.

Ler para seguir instruções
A leitura é um meio que nos deve permitir fazer algo concreto, como ler as instruções de um jogo. Para simplificar: lemos para saber como fazer.

Exemplo
BOLO DE CENOURA INGREDIENTES: 1/2 xícara (chá) de óleo 3 cenouras médias raladas 4 ovos 2 xícaras (chá) de açúcar 2 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo 1 colher (sopa) de fermento em pó Cobertura 1 colher (sopa) de manteiga 3 colheres (sopa) de chocolate em pó ou Nescau 1 xícara (chá) de açúcar Se desejar uma cobertura molinha, coloque 5 colheres de leite MODO DE PREPARO: Bata tudo no liquidificador: primeiro, a cenoura com os ovos e o óleo; depois, os outros ingredientes misturando tudo, menos o fermento. Esse é misturado lentamente com uma colher. Asse em forno pré-aquecido (l80ºC) por 40 minutos. Para a cobertura: misture todos os ingredientes, leve ao fogo, faça uma calda e coloque por cima do bolo.
Disponível em: http://tudogostoso.uol.com.br/receita/23-bolo-de-cenoura.html. Acesso em: 15 de mar. 2007.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

O gênero textual receita é do tipo instrucional e sua finalidade é permitir que o usuário, seguindo as instruções nela contidas, seja capaz de prepará-la. Entram nesse tipo de material de instruções: manuais de aparelhos eletroeletrônicos; orientações para usar produtos, como tinturas de cabelos; manuais de instruções para a montagem de diversos objetos e produtos como: brinquedos, eletrodomésticos, móveis etc. Lembre-se de que, em muitos desses manuais, a linguagem verbal vem acompanhada de ilustrações que também são uma forma de leitura.

Ler para obter uma informação de caráter geral
Fazemos essa leitura quando queremos saber do que trata determinado texto, saber o que acontece, ver se interessa continuar lendo, ou seja, lemos para obter uma informação geral.

Quando pegamos o jornal, não lemos todos os textos. No caso das notícias, é provável que leiamos a manchete. Essa simples leitura já é suficiente para passarmos para outra notícia. Já em outras ocasiões, a manchete nos parece sugestiva e, então, passamos ao cabeçalho que sintetiza a notícia.

Você sabe o que é uma notícia? A notícia também é um gênero textual.

A notícia é um formato de divulgação de um acontecimento por meios jornalísticos. É a matéria-prima do Jornalismo, normalmente reconhecida como algum dado ou evento cuja relevância social mereça publicação na mídia (jornal, rádio, televisão, Internet...)
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Not%C3%ADcia#Not.C3.ADcia>. Acesso em: 20/04/2007.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

Vale lembrar que o exercício da leitura para localizar informações de caráter geral é essencial para o desenvolvimento da leitura crítica, em que lemos segundo nossos próprios interesses e propósitos e formamos uma impressão sobre o texto.

Ler para aprender
Quando a finalidade de nossa leitura consiste, de forma explícita, em ampliar conhecimentos, lemos para aprender. Esse tipo de leitura possui características bem marcadas: o leitor sente-se imerso em um processo que o leva a se auto-interrogar sobre o que lê, a estabelecer relações com o que já sabe, a rever os novos termos, a efetuar recapitulações e sínteses, a sublinhar, a anotar.

Reflita
Quando precisa estudar para uma prova, o que você faz? Como faz? Como é a leitura para essa situação?

Quando se lê para estudar, é comum e de grande valia elaborar resumos e esquemas sobre o que foi lido, anotar as dúvidas, ler outros textos que possam contribuir. Esses apontamentos, esquemas e anotações são estratégias que permitem a elaboração de significados que nos ajudam a aprender. Ainda nesta unidade, veremos como elaborar um esquema.

Dica
Não revise apenas na véspera ou no dia da prova. Todo mundo já sabe que isso não funciona... Peça ajuda nas dificuldades: professores, pais, orientadores e amigos podem ajudá-lo. Enfrente os desafios e faça o melhor que puder. Não desista tão fácil. Não seja dependente do professor. Pesquise e descubra você mesmo! Relacione os conteúdos de diferentes disciplinas e procure sentir a relação entre as matérias.

Ler para revisar um escrito próprio
É um tipo de leitura muito habitual em determinados grupos que utilizam a escrita como seu instrumento de trabalho. Caracteriza-se por ser uma leitura ou revisão crítica e útil. Deve ser feita algum tempo depois do término da escritura do texto, para que possamos ver os problemas na produção textual.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

Quando leio o que escrevi, sei o que pretendia dizer e posso me pôr simultaneamente em meu lugar e no do futuro leitor. Assim, compreende-se por que alguns textos são tão difíceis de entender: seu autor não se pôs no lugar dos possíveis leitores.

Dica
A auto-revisão das produções escritas é muito útil para se aprender a escrever. Quando lemos o que escrevemos, percebemos se o texto está bom ou tem problemas e aprimoramos nossas habilidades de leitura e escrita!

Ler por prazer
Quantas vezes você já releu aquele livro que considera o melhor de todos? Ou releu as páginas de um livro? Essa situação ocorre quando lemos por prazer. Esse tipo de leitura desencadeia uma experiência emocional. Veja o que acontece:

Conforme Silva (2001, p.01), “Em termos psicológicos, o termo emoção refere-se a um estado de excitação do organismo que pode manifestar-se de três maneiras diferentes: (1) experiência emocional, por exemplo, a pessoa se sente alegre; (2) comportamento emocional, por exemplo, pragueja e ataca quem a maltratar; (3) alterações fisiológicas do corpo, por exemplo, o sangue sobe à cabeça, o coração bate mais forte, etc.” Essa explicação que você acabou de ler é um trecho de um gênero textual: o científico. A leitura de um texto científico exige muito mais atenção do que a de um outro gênero porque nele são utilizados conceitos, teorias, uma linguagem mais complexa e uma ordem de raciocínio com a qual você precisa criar familiaridade, pois, em um curso superior, você terá de ler muitos textos científicos para obter informações e aprender.

Ler para comunicar um texto em voz alta
A finalidade desse tipo de leitura é a socialização de textos. Para tal, o leitor pode fazer uso de uma série de recursos que provocam alguns efeitos na sua platéia: entonação, pausas, ênfases. Esse tipo de leitura ocorre quando há reuniões de pessoas, como em missas, reuniões de trabalho, salas de aula.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 2 – Leitura e Escrita

Reflita
Qual é a estratégia de leitura que você usa quando lê uma bula? Qual é o seu objetivo ao ler uma bula? E ao ler um romance policial? E o cardápio de uma lanchonete? Agora, responda mentalmente às questões abaixo, refletindo sobre a sua postura como leitor: Eu leio para obter uma informação precisa? Eu leio para seguir instruções? Eu leio para obter uma informação de caráter geral? Eu leio para aprender? Eu leio para revisar um escrito próprio? Eu leio por prazer? Eu leio para comunicar textos em voz alta?

Um leitor competente é aquele que consegue desenvolver diferentes estratégias para ler e compreender diferentes textos, em diferentes situações de seu dia-a-dia.

Por isso, é fundamental o nosso contato com textos dos mais variados gêneros.

Saiba Mais
Sugestão de Leitura: O'SAGAE, Peter. Da capa para dentro do livro: estratégias para enredar o leitor na história. Disponível em: <http://www.dobrasdaleitura.com/revisao/index.html>. Acesso em: 15/03/2007.

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Tema 3 – Como se lê

Objetivo
Elaborar esquemas para auxiliar na compreensão da leitura.

Para começar, vejamos o texto abaixo, veiculado na Internet e de autor desconhecido:

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Conseguiu ler? Se não conseguiu, tente novamente. Olhe para o conjunto de letras e não para as letras isoladamente.

Você pôde observar que é possível ler, mesmo que as letras estejam embaralhadas, porque o nosso cérebro não reconhece as letras isoladamente, e sim a palavra como um todo. Isso é bem importante se pensarmos na leitura como uma das ferramentas para a construção de conhecimentos. Quando pensamos na leitura de textos, devemos sempre lembrar que a leitura vai além da capacidade de juntar letras, palavras e orações. Por isso, quando lemos, precisamos compreender as idéias do texto, ultrapassando a leitura superficial. É preciso chegar ao sentido do que se lê. Quando conseguimos desenvolver habilidades de leitura que nos ajudam a compreender os textos que lemos, estamos também desenvolvendo habilidades que nos ajudarão no momento de produzirmos nossos textos. Então, é preciso

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 3 – Como se lê

ler textos bem organizados e observar como eles se estruturam para que isso nos ajude no processo de produção escrita. Quando lemos um texto, é pouco provável que somente com uma leitura consigamos compreendê-lo de forma adequada, ou seja, é necessário que se faça uma leitura mais rigorosa e eficaz que nos ajude a compreender as informações essenciais daquele texto.

Lygia, você sabe como fazer isso?

É isso o que veremos a seguir.

Dica
Para chegar à informação essencial de um texto, você pode fazer o seguinte: localize as palavras ou a seqüência de palavras mais importantes de cada parágrafo; essas palavras representam as palavras-chave ou idéias-chave do texto; usando essas palavras-chave ou idéias-chave, forme um esquema (não um resumo) que lhe dará a noção de como o texto lido está organizado.

O esquema representa o conjunto das idéias que você selecionou como sendo as mais importantes de um texto. É um recurso que podemos utilizar tanto na leitura quanto na produção escrita. Na leitura, usamos o esquema para destacar as idéias que mais interessam aos nossos objetivos. E, na escrita, o esquema nos ajuda a selecionar e organizar bem as próprias idéias. Ao organizar o esquema de um texto, podemos perceber com mais clareza suas principais informações e visualizar a estrutura textual utilizada para apresentá-las. Além disso, ao fazermos um esquema de um texto lido, estamos memorizando a informação obtida, isto é, levando esse conhecimento para a memória de longo prazo, o que nos dará maior possibilidade de não esquecer tal conteúdo. É preciso, contudo, estar ciente de que, para ser possível memorizar, é preciso entender o que se leu.

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Unidade I – Leitura Tema 3 – Como se lê

Agora, mãos à obra! Leia o texto a seguir, e vamos trabalhar na elaboração de um esquema: A arte, a ciência e a tecnologia na educação Olympio de Menezes Neto Compreendida por muitos como a ciência de educar e por outros como a arte de ensinar, ou de cultivar a aprendizagem, a educação reveste-se, atualmente, mais do que nunca, de tecnologia, para poder desempenhar com sucesso o seu papel de agente de transformação e de formação de novos seres, capazes de dominar novos conhecimentos e conviver com novas realidades. Por essas razões, entre tantas outras, o papel dos novos educadores se torna cada dia mais desafiante, diante não apenas de um número crescente de novas ferramentas à disposição dos educandos, como também e principalmente diante de uma questão simples, mas cuja resposta torna-se mais complexa a cada dia: como melhor utilizar essas ferramentas que se encontram disponíveis e a respeito das quais somos cada vez mais cobrados? Ou, ainda: como tornar eficiente o processo de educação, considerando todas as limitações, mas aproveitando todo o potencial existente, tanto nas pessoas, ávidas de inovações e facilidades, quanto nas ferramentas, cada vez mais poderosas e, por que não, maravilhosas? O sonho do aprendizado mágico (sem esforço) e rápido (instantâneo) persegue, desde a Antigüidade, os seres humanos e originou as mais diversas técnicas didáticas e pedagógicas, como se aprender, isto é, modificar o seu próprio comportamento, fosse, em si, um comportamento plenamente contrário à Natureza e, portanto, traumatizante e trabalhoso, como se fosse um castigo, à semelhança da própria noção do trabalho. Esse modelo, ainda que subconsciente e não-declarado por educadores e educandos, de repente passa a ser encarado de forma diferente, porque o uso da tecnologia fascina, cativa e chega mesmo, em alguns casos, a viciar os seus usuários. Neste cenário, o processo de aprender pode transformar-se em uma atividade interessantemente prazerosa, diferente de tudo o que se conhecia até então, em termos de atividades lúdicas aplicadas aos métodos educacionais clássicos. E a pergunta que não quer calar indaga-nos exatamente isto: será que estamos todos sendo vítimas de uma imensa hipnose mercadológica? Como se estivéssemos hipnotizados por um truque de marketing? Ou será que, de fato, a tecnologia da informação possui realmente algo a acrescentar de valor ao mundo da educação contemporânea? Só o tempo nos permitirá confirmar ou rejeitar tais teses. Entretanto a despeito de toda e qualquer digressão filosófica que se possa elaborar sobre a questão de utilizar-se ou não, de forma intensiva, a tecnologia nos processos educacionais, precisamos compreender que esta inserção dos recursos computacionais nos ambientes de ensino e aprendizagem é, hoje, algo irreversível, como em qualquer outra área das atividades humanas de nossos tempos; mas o grande desafio não é amar ou odiar os novos instrumentos de trabalhos, mas sim aprendermos todos, mestres e discípulos, a manipulá-los com maestria, para que se tornem tão úteis quanto foram os lápis e os cadernos para as gerações que nos antecederam. Este é, portanto, o grande desafio desta nova era da educação.
Disponível em: <http://www.profissaomestre.com.br/smu/smu_vmat.php?vm_idmat=783&s=501>. 07/03/2007. Acesso em:

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Unidade I – Leitura Tema 3 – Como se lê

Para montar o esquema do texto, siga estes passos: 1. Marque as idéias principais; 2. Organize-as em tópicos (palavras ou idéias-chave); 3. Procure reduzir ao máximo o tamanho dos tópicos; 4. Veja se, a partir do seu esquema, você é capaz de reproduzir o que considera relevante nesse texto, usando as suas palavras; Em caso de resposta afirmativa, parabéns, você conseguiu fazer um bom esquema; Em caso de resposta negativa, tente novamente. Isso é um indício de que talvez não tenha entendido o que leu. Vamos agora descobrir o texto!

Você observou que, além de presentes no título do texto, as palavras educação e tecnologias são repetidas várias vezes? A palavra educação aparece várias vezes no texto e é retomada por educar, educadores, educandos e educacionais. É uma das palavras que nos chamam atenção. Também ocorre isso com a palavra tecnologia que, além de estar no título, é retomada semanticamente em novas

ferramentas, inovações, tecnologia da informação e recursos computacionais. Esses
recursos de retomada serão vistos mais a fundo no tema 6. Para explicar o papel da tecnologia na educação, veja o que o autor aborda: Idéias-chave 1º parágrafo 2º parágrafo 3º parágrafo 4º parágrafo 5º parágrafo 6º parágrafo Uso da tecnologia na educação para a formação. Educandos e educadores devem descobrir como melhor usar a tecnologia. Como conciliar ferramentas e pessoas para tornar eficiente a educação. Aprender não pode ser traumatizante. A tecnologia pode fascinar, mas é preciso cautela. É preciso aprender a usar as tecnologias de forma eficiente.

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Unidade I – Leitura Tema 3 – Como se lê

Atividade
Agora é a sua vez! Leia o texto A leitura da imagem, elabore um esquema com as idéias-chave e publique-o no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

A Leitura da Imagem Lucília Helena do Carmo Garcez O mundo contemporâneo faz com que todos nós estejamos imersos em imagens. A competição comercial, própria do capitalismo, associada às facilidades da imprensa, da fotografia, do cinema, da televisão e dos computadores, faz com que sejamos mergulhados em um universo em que o aspecto visual é preponderante. Diante dessa evidência, a escola não pode continuar restrita ao texto verbal escrito, embora ele seja imprescindível. É urgente que a imagem pertença ao contexto escolar, não apenas para que esse ambiente seja mais coerente com o cotidiano do aluno, mas também para educá-lo para a leitura crítica das imagens. Assim como a leitura do texto verbal exige um longo e complexo processo de aquisição e desenvolvimento, para que o leitor possa utilizar as diversas habilidades para a compreensão e a interpretação, o contato com o mundo visual também exige novas competências. Caso o educador adote o pressuposto de que a imagem em si é suficiente para seu adequado entendimento, pode favorecer uma atitude passiva diante das mensagens transmitidas, cada vez de forma mais intensa, por meio audiovisual. Embora a sedução da imagem nos convide a uma certa inércia, ao compararmos a atitude e os procedimentos de um leitor diante de um texto informativo escrito e os de um leitor/espectador maduro diante de uma mensagem visual, como um documentário, por exemplo, observamos que há muitos procedimentos que são comuns às duas atividades, mas há aspectos diferentes. Durante a leitura do texto escrito, o leitor aciona outras funções cognitivas para criar imagens mentais, de acordo com seu repertório de experiências visuais anteriores. Esse "envisionamento" mental é diferenciado de indivíduo para indivíduo, mas contém algo em comum que faz parte da cultura e do imaginário coletivo. Cada pessoa cria, a partir de sua própria imaginação, os cenários, as paisagens, as cenas, os objetos e as fisionomias que um romance registra em palavras. Naturalmente, nesse processo de criação há matrizes comuns, que pertencem à história e à coletividade, mas ninguém imagina de forma semelhante a outra pessoa. Essa construção mental é importantíssima para o desenvolvimento das funções superiores da mente. Aparentemente o texto visual (a propaganda, o desenho animado, os quadrinhos, o filme, a fotografia, a telenovela etc.) já oferece esse aspecto de uma forma mais completa. Entretanto, sob essa camada de significados imediatamente perceptíveis, há muitas outras ligadas ao mundo das idéias, dos comportamentos, das crenças, dos conceitos, das ideologias, que é necessário "ler": compreender, interpretar, criticar, responder, concordar ou discordar. Isso exige diversas habilidades que a escola pode ajudar a desenvolver. São habilidades relacionadas à observação, à atenção, à memória, à associação, à análise, à síntese, à orientação espacial, ao sentido de

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Unidade I – Leitura Tema 3 – Como se lê

A Leitura da Imagem – Continuação ... dimensão, ao pensamento lógico e ao pensamento criativo. Elas nos permitem perceber como os elementos da linguagem visual foram organizados: formas, linhas, cores, luzes, sombras, figuras, paisagens, cenários, perspectivas, pontos de vista, oposições, contrastes, texturas, efeitos especiais etc. E perceber também como esses elementos estão associados a outros, como a música, as idéias, a história, a realidade, por exemplo. Além disso, precisamos também associar tudo o que observamos com outras informações e conceitos provenientes dos conhecimentos acumulados por nós e pela cultura humana através dos tempos. É um jogo em que, às vezes, mergulhamos na emoção e, às vezes, tentamos fazer uma análise crítica por meio do raciocínio, da razão. Enfim, nunca podemos nos entregar passivamente, sem uma participação ativa. Uma atitude de atenção e de crítica é essencial. A sensibilidade, a inteligência e a vontade são os agentes principais dessa atividade, ao mesmo tempo intelectual e emocional. Ou seja, para que a percepção esteja bem afinada, não basta um olhar ingênuo, passivo, submisso, desatento ou distraído. É necessário responder, é preciso ser atuante, participante, ativo. Nesse processo, colocamos as capacidades de nossa mente e de nossa sensibilidade em intensa atividade. Esse trabalho é ao mesmo tempo de indagação, de questionamento (a linguagem visual me propõe perguntas), e de elaboração de múltiplas possíveis respostas (eu tento responder às perguntas que me são propostas).
Disponível em: <http://www.tvebrasil.com.br/SALTO/boletins2002/tedh/tedhtxt3b.htm>. Acesso em: 20/03/2007.

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Tema 4 – Leitura e argumentação

Objetivo
Refletir sobre e reconhecer as diferentes estratégias de argumentação empregadas nos textos escritos.

Quando lemos um texto, podemos identificar nele o posicionamento do autor e o modo como ele constrói a sua argumentação (também chamados de idéias-chave). Segundo Mary (2007, p.1), “a argumentação visa a persuadir o leitor acerca de uma posição. Quanto mais polêmico for o assunto em questão, mais se dará margem à abordagem argumentativa.” Isso acontece quando se defende uma tese ou também se apresentam os aspectos favoráveis e desfavoráveis de um tema. Dias Carneiro (2001) afirma que a argumentação é um processo que apresenta dois aspectos: o primeiro, ligado à razão, supõe ordenar idéias, justificá-las e relacioná-las; o segundo, referente à paixão, busca capturar o ouvinte, seduzi-lo e persuadi-lo (MARY, 2001). Os argumentos devem promover credibilidade. Com a busca de argumentos por autoridade e provas concretas, o texto começa a caminhar para uma direção coerente, precisa e persuasiva. Somente o fato pode fortalecer o texto argumentativo. Não podemos confundir fato e opinião.

O fato faz referência a um acontecimento a partir do qual podemos ter diferentes opiniões:

O FATO É ÚNICO.

A OPINIÃO É VARIÁVEL

Othon M. Garcia (2002) diz que, na argumentação, além de dissertar, procuramos formar a opinião do leitor ou ouvinte, tentando convencê-lo de que a razão está conosco, de que aquilo que apresentamos é a verdade. Argumentar é, em última

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

análise, convencer ou tentar persuadir mediante a apresentação de razões, em face da evidência de provas e à luz de um raciocínio lógico e consistente. Em muitas situações, como discussões na imprensa, nas assembléias ou em conversas cotidianas, a argumentação passa a ser um “bate-papo”. Disso se observa que, sempre que nos comunicamos com outras pessoas, utilizamos nossa linguagem para interagir, trocar idéias e também defender pontos de vista, ou seja, trabalhamos com a argumentação. Quando produzimos textos argumentativos, orais ou escritos, nosso objetivo é convencer nossos interlocutores pelo uso de argumentos. E, quando lemos um texto argumentativo, precisamos estar atentos para o modo como o autor organiza seu texto, a fim de que isso auxilie no entendimento desse texto. O texto argumentativo apresenta três componentes interligados: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas. Nesta unidade, centraremos nossa atenção no terceiro componente. Mas vejamos um pouco sobre cada um deles:

Tese
Também chamada de tema pelos autores, é a idéia que defendemos. Essa idéia tende a ser polêmica, pois a argumentação implica divergência de opiniões.

Argumentos
Os argumentos de um texto correspondem às informações e idéias que dão suporte à tese defendida.

Estratégias
As estratégias argumentativas correspondem a todos os recursos (verbais e nãoverbais) utilizados para convencer o interlocutor sobre a tese defendida.

Fique de olho
Quando lemos um texto argumentativo, em que se defende alguma idéia, precisamos estar atentos para as estratégias utilizadas pelo autor para tentar convencer os outros de sua tese. Aqui é importante não confundir os argumentos com as estratégias.

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

Othon M. Garcia (2002) diz que a argumentação formal se pauta em dois elementos principais: a consistência de raciocínio e a evidência de provas. Nesta unidade, centraremos atenção nas evidências.

1. Consistência de raciocínio
A consistência de raciocínio se apóia nos princípios da lógica, que não se perde em especulações vãs, na esterilidade vazia e sem conteúdo. Ao mesmo tempo, um bom texto argumentativo deve apresentar provas específicas, de acordo com a área, no sentido de reforçar os argumentos.

2. Evidência de provas
Evidência (fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos etc): considerada por Descartes (apud GARCIA, 2002) como critério da verdade. É a certeza manifesta, a certeza a que se chega pelo raciocínio (evidência da razão) ou pela apresentação dos fatos (evidência do fato), independentemente de toda teoria.

São cinco os tipos mais comuns de evidência: os fatos propriamente ditos, os exemplos, as ilustrações, os dados estatísticos (tabelas, números, mapas etc.) e o testemunho: Fatos: constituem-se no elemento mais importante da argumentação. Para alguns, só os fatos provam, só eles convencem, mas nem todos podem ser sempre aceitos. Os fatos estão sujeitos à evolução da ciência, da técnica e dos próprios conceitos ou preconceitos da vida. Os fatos evidentes e notórios, aqueles que, amplamente divulgados e conhecidos, são os que mais provam. Exemplos: são fatos típicos ou representativos de uma determinada situação. Ilustrações: quando o exemplo se alonga em narrativa detalhada e entremeada de descrições, tem-se a ilustração. Há duas espécies de ilustração: I. Ilustração hipotética (invenção, hipótese): narra o que poderia acontecer ou provavelmente aconteceria em determinadas circunstâncias. Deve ter
Verossimilhança,
em linguagem corrente, é o atributo daquilo que parece intuitivamente verdadeiro, isto é, o que é atribuído a uma realidade portadora de uma aparência ou de uma probabilidade de verdade.

verossimilhança, consistência e adequação da idéia que defende. Tem o objetivo de tornar mais viva e impressiva uma argumentação sobre temas abstratos. É de grande valor didático, pois torna mais clara e convincente uma

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

tese ou opinião. II. Ilustração real: descreve ou narra em detalhes um fato verdadeiro. Mais eficaz e mais persuasiva do que a hipotética, ela vale por si como prova. É preciso que seja clara, objetiva, sintomática e relacionada com a proposição. Deve ser explorada a sua feição dramática, sem exageros. Pode fazer referência resumida a episódios históricos ou a obras de ficção. Dados estatísticos: são também fatos, mas fatos específicos. Eles têm grande valor de convicção, constituindo quase sempre prova ou evidência incontestável. Deve-se ter cautela com a sua apresentação ou manipulação, já que a sua validade também é muito relativa: com os mesmos dados estatísticos tanto se pode provar quanto refutar uma tese. Testemunhos: é ou pode ser o fato trazido à colação por intermédio de terceiros. Se autorizado ou fidedigno, seu valor como prova é inegável.

Podemos acrescentar ainda a citação.

Segundo a norma NBR 10520:2002 da Associação Brasileira de Normas Técnicas, citação, numa produção textual, é a "Menção de uma informação extraída de outra fonte", tais como (livros, periódicos, vídeos, sites etc). As citações são empregadas para reforçar uma hipótese, sustentar uma idéia ou ilustrar um raciocínio por alguém considerado autoridade no tema defendido. Costuma-se chamar argumento de autoridade o uso da citação como recurso de argumentação.

Fique de olho
Além de observar como esses recursos aparecem nos textos que você lê, também comece a prestar atenção em como eles podem auxiliá-lo na hora de produzir seu texto.

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

Agora é hora de trabalhar!
O que você acha da idéia de a escola se abrir a profissionais não habilitados? Veja o texto que Gilberto Dimenstein publicou no início de fevereiro de 2007.

Pro dia nascer feliz Gilberto Dimenstein A cidade de Nova York está transformando um enorme problema numa grande solução. Sem conseguir preencher as vagas nas escolas mais violentas e de pior desempenho, a prefeitura cometeu um gesto desesperado: um concurso em que os candidatos a professor não precisariam ter qualquer experiência em sala de aula nem diploma de pedagogia. O salário inicial é de R$ 7,5 mil mensais. Uma vez selecionado, o candidato passaria por uma preparação de três semanas e, enquanto estivesse dando aula, receberia gratuitamente uma especialização para habilitá-lo, se ele quisesse, a ser professor definitivo. O resultado do concurso foi inesperado. O programa atraiu talentos das mais variadas áreas, como marketing, finanças, mídia e artes, muitos dos quais interessados em uma nova experiência profissional ou querendo fazer a diferença em sua comunidade. Entusiasmou especialmente exexecutivos, já aposentados, alguns dos quais de empresas multinacionais. É, enfim, um material humano que dificilmente poderia ser mais bem qualificado e motivado. Esse é apenas um detalhe da reinvenção das escolas públicas de Nova York, embaladas por um inusitado desafio: o prefeito Michael Bloomberg pediu aos eleitores que avaliassem sua administração a partir da nota dos alunos. Se a nota for baixa, ele é que deve ser o reprovado. Entre várias derrotas, críticas e erros, o prefeito está vencendo - e produzindo boas dicas para o Brasil. Os recursos daquela cidade só apareceriam para os brasileiros em sonho. Nova York gasta por ano R$ 35 bilhões para cuidar de 1,1 milhão de estudantes. Compare: a rede municipal paulistana tem o mesmo número de matrículas, mas um orçamento oito vezes menor. Apesar dessas invejáveis cifras, sem contar com mais alguns bilhões de apoio em programas de fundações empresariais e entidades comunitárias, a cidade não estava contente: além do alto nível de evasão, 51% dos alunos exibiam um desempenho de escrita, leitura e matemática abaixo da média nacional.

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

Pro dia nascer feliz – Continuação ... Por isso, o desafio do prefeito tornou-se um suspense tão interessante. Para ele, era um "tudo ou nada", não poderia mudar, no meio do caminho, de prioridade. Apostou que encontraria mais soluções na sua rica vivência de gestão empresarial do que nos escritos acadêmicos. Com a ajuda de empresas, começaram a ser construídas pequenas escolas, na convicção de que, em unidades menores, alunos se sentiriam mais acolhidos, reconhecidos e estimulados. Não seriam invisíveis. Resolveu-se mexer na gestão. Os diretores ganharam autonomia, mas, em contrapartida, passaram a correr o risco de demissão se não atingissem as metas. Estavam à sua disposição mais verbas para inovação curricular, formação de professores e atividades extracurriculares. Resultado: nessas escolas, 78% dos alunos estão acima da média nacional, com impacto em toda a rede. O leitor deve estar, neste momento, pensando que os brasileiros nada têm a tirar de lições de uma cidade que pode gastar tanto - aliás, na semana passada, o prefeito de Nova York destinou mais R$ 5 bilhões às escolas em 2007, sem contar ajuda extra do governo estadual de mais R$ 7 bilhões para os próximos anos. A primeira lição é a mais óbvia: nem sempre excesso de dinheiro significa ganhos de qualidade. A menos óbvia: uma direção motivada, orientada por metas claras compartilhadas com professores, pais e alunos é onde tudo começa. Devido às baixas condições de trabalho, o que vemos, no Brasil, especialmente na periferia das grandes cidades, é uma alta rotatividade de diretores e de professores, além de um excesso de faltas; há diretores que não ficam mais do que um ano à frente de uma escola. Não se premia quem se esforça nem se pune quem demonstra baixo desempenho e, para completar, o envolvimento dos pais é pequeno e o currículo, desinteressante. Até mesmo falar em premiar as escolas de melhor performance é apontado pelos sindicatos como atentado "neoliberal". Aqueles que ultrapassam esses obstáculos (e tenho conhecido vários casos) são, sem nenhum exagero, heróis. O que Nova York nos mostra, em números, é que, nesses termos, a chance de gerarmos talentos em nossas escolas será sempre uma exceção - assim como os heróis.
Disponível em: <http://aprendiz.uol.com.br/content.view.action?uuid=92e250c30af47010003c9c3114278eb2>. Acesso em: 08/03/2007.

Walter Takemoto também leu o texto de Gilberto Dimenstein, e veja o que ele escreveu em resposta aos argumentos apresentados no texto acima:

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

Sobre Nova York, professores e escolas públicas Walter Takemoto O jornal “Folha de S. Paulo” do dia 04 de fevereiro último publicou coluna escrita pelo jornalista Gilberto Dimenstein, em que trata dos problemas das escolas públicas brasileiras tomando como referência experiências em desenvolvimento na América do Norte, mais precisamente em Nova York. Considero importante sua preocupação com as escolas públicas brasileiras, mas não posso deixar de manifestar minha discordância com algumas idéias defendidas pelo jornalista. Apresenta ele experiências nova-yorkinas que certamente deve ter estudado e que diz serem de sucesso, as quais, confesso, não conheço e a leitura da coluna não permite conhecer em detalhes. Dentre essas experiências de qualidade e sucesso, o jornalista destaca a que abre as escolas para qualquer profissional, formado ou não, que queira assumir o lugar de um professor - profissional do magistério, portanto - pelo salário inicial equivalente a R$ 7.500,00 mensais. Contratado, o novo profissional passa por uma “preparação” de três semanas (!!!). Após assumir uma sala de aula, caso queira, poderá fazer gratuitamente um curso de especialização destinado a titulá-lo para que possa ser professor definitivamente. Entusiasmado com a proposta, o jornalista exalta o fato de profissionais liberais e executivos, de grandes empresas, alguns já aposentados, assumirem as salas de aulas no lugar dos professores e, a partir daí, os resultados serem melhores. Gilberto Dimenstein, segundo suas próprias palavras, considera que esses profissionais liberais e executivos representam “um material humano que dificilmente poderia ser mais bem qualificado e motivado”. Ou seja, para o jornalista, esses que se prontificaram a ocupar o lugar de um professor são mais bem qualificados que os professores para ensinar aos alunos! O convite feito na matéria é para examinarmos essas propostas com o propósito de aprender com as medidas implementadas pelo prefeito de Nova York. Para minimizar a comparação entre a cidade dos EUA e as do Brasil, diz o jornalista que o orçamento de Nova York é de 35 bilhões, sem contar recursos de outras fontes, como fundações privadas e o governo estadual. Diz ainda que, por lá, a prefeitura está construindo pequenas escolas, por avaliar que podem acolher melhor os alunos, que passam a se sentir reconhecidos e estimulados. Nessas escolas, segundo a matéria, a equipe escolar conta com recursos para formação continuada, atividades extracurriculares, inovações pedagógicas, entre outras. O diretor tem mais autonomia, mas pode ser demitido caso não alcance as metas estabelecidas pela prefeitura. Escreve o jornalista que o prefeito da cidade apostou que encontraria mais soluções na sua rica vivência de gestão empresarial do que nos escritos acadêmicos. Sem dúvida alguma, as experiências de sucesso e o conhecimento produzido a partir delas devem ser estudados e, sendo possível, adotados onde fizerem sentido para responder a desafios semelhantes aos que lhes deram origem. Entretanto, como bem sabemos, as escolas, as realidades, os problemas, as soluções e as condições contextuais merecem uma análise profunda do que se apresenta como propostas e não a defesa simplória do que seria bom sob quaisquer circunstâncias. Concordo com algumas posições defendidas pelo jornalista em relação aos problemas graves existentes na educação brasileira, como o elevado número de faltas, o corporativismo sindical, a ausência de avaliação de desempenho pautada em indicadores que de fato avaliem o sistema de ensino e o profissional, entre outros.

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Sobre Nova York, professores e escolas públicas – Continuação ... No entanto, não faz o menor sentido que as iniciativas para a suposta solução desses problemas estejam assentadas no inaceitável equívoco de desqualificar os profissionais da educação, responsabilizando-os, única e exclusivamente, pelo fracasso escolar, um problema de grave dimensão social de múltiplas causas. De tempos em tempos, assistimos ao surgimento de propostas milagrosas para elevar a qualidade das escolas públicas e das aprendizagens dos alunos. Da compra de “pacotes educacionais”, produção de livros didáticos e manuais para os professores “ao gosto do cliente”, até os programas televisivos que dispensam a presença de professores, são inúmeras as soluções que empresas, editoras e outras instituições oferecem aos prefeitos e secretários de educação, para resolver os problemas da educação. Por trás dessas propostas, de forma mascarada, o que se propõe é minimizar a importância do professor no processo de ensino e de aprendizagem. Ao se comprar “pacotes educacionais” ou livros didáticos pré-formatados, para a cidade ou região, com o respectivo caderno do professor e atividades préestabelecidas (o que não difere muito dos pacotes), o que se está comprando na verdade é um receituário a ser aplicado pelo docente, que deve seguir à risca o que alguém produziu em algum lugar. A partir da experiência de Nova York, Gilberto Dimenstein nada mais fez do que escancarar o que outros propõem de forma envergonhada: se não podemos tirar o professor da escola, vamos reduzir a sua importância em sala de aula! Se nossos professores “não são os sujeitos brilhantes de Nova York”, apesar de tudo o que a elite fez, em mais de cinco séculos, para inviabilizar a escola pública de qualidade para os mais pobres e excluídos, ainda assim, quem quiser vai descobrir em quase todo o país professores e professoras que teimam em acreditar e fazer acontecer uma escola que garante uma aprendizagem de qualidade a todos os alunos e alunas. São homens e mulheres que demonstram, cotidianamente em suas salas de aula, que a tão sonhada escola pública de qualidade é possível, principalmente quando se oferecerem aos educadores os recursos, o tempo e as condições institucionais que favorecem o protagonismo na construção dessa escola de qualidade para todos, o que significa dizer que também os educadores devem estar à frente da discussão sobre a política educacional necessária para o país, mesmo que assim não queiram os gestores ou os sindicalistas - aqueles que acreditam que conquistar uns 10% ou 15% a mais de reajuste salarial ao ano significa oferecer aos professores a valorização profissional que merecem. Não conheço suficientemente os professores americanos, suas expectativas, seus desejos, frustrações profissionais, compromissos e lutas... mas, do que pude conhecer dos professores brasileiros, posso assegurar que por aqui as soluções são bem outras, diferentes daquelas que o jornalista apresenta em seu artigo. Ousaria afirmar que me parece que por lá também!
Disponível em: < http://carosamigos.terra.com.br/nova/ed119/so_no_site_geral>. Acesso em: 30/03/2007.

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Unidade I – Leitura Tema 4 – Leitura e argumentação

Atividades
Agora, vamos dar uma olhada em alguns pontos dos dois textos. Com base na leitura e análise dos textos, responda às seguintes questões e publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Bom trabalho! a) Que experiências Dimenstein utiliza como exemplos para construir a argumentação de seu texto? Aparecem dados estatísticos? Quais? Qual é a intenção do autor ao fazer uso desses recursos? b) Preste atenção no seguinte enunciado do texto de Dimenstein: “Esse é apenas um detalhe da reinvenção das escolas públicas de Nova York, embaladas por um inusitado desafio...” Qual é o efeito produzido pelo emprego da palavra apenas? O que você compreendeu? c) No penúltimo parágrafo, Dimenstein inicia dizendo: “Devido às baixas condições de trabalho, o que vemos...” e continua com “além de um excesso de faltas...” introduzindo uma série de fatos que ajudam a explicar o fracasso da educação no Brasil. Qual deles é, na sua opinião, o mais grave? Justifique. d) Observe que Takemoto utiliza pontos de exclamação e aspas em seu texto. Identifique os trechos em que esses recursos aparecem e reflita sobre os efeitos desse uso. O que, na sua opinião, eles indicam? Transcreva dois desses trechos. e) Takemoto diz que concorda com algumas posições de Dimenstein, citando-as. Quais são? No parágrafo seguinte, ele inicia com No entanto. O que essa expressão introduz no texto? f) Afinal, qual é a tese (mensagem) defendida pelos autores em cada um dos textos?

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Tema 5 - A influência do contexto histórico na interpretação

Objetivo da aula
Ao encerrarmos este tema, o acadêmico deverá perceber a influência que o conhecimento do contexto histórico no qual o texto foi produzido e/ou que ele resgata exerce sobre a interpretação.

Então, vamos ao conteúdo propriamente dito. Segundo Fiorin e Platão (2001), todo texto assimila as idéias da sociedade e da época em que foi produzido, passando uma visão sobre determinada realidade. Portanto, para entender com eficiência o sentido de um texto, é preciso verificar o contexto histórico da sociedade em que ele foi produzido, a fim de obter informações que auxiliem na interpretação do texto lido. Toda forma de expressão, de algum modo, apresenta a realidade em que a produção textual foi feita. Exemplos disso são os movimentos estudados na literatura brasileira, por exemplo, já que, por meio deles, os artistas (pintores, poetas, escultores etc) mostraram os acontecimentos da época em que viveram e na qual produziram sua arte, materializando-os, dessa maneira. O quadro Operários, de Tarsila do Amaral, é um exemplo disso, pois resgata o contexto político, econômico e social do Brasil nas décadas de 1910-20. A pintora expressa a revolução industrial por meio das chaminés das fábricas como pano de fundo da obra, e as diversas etnias que representavam o trabalhador da época, bem como as suas reivindicações trabalhistas, pois, no referido período, estavam surgindo as primeiras organizações sindicais.

Operários de Tarsila do Amaral (http://revistaescola.abril.uol.com.br/edicoes/0178/aberto /tarsila.shtml)

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 5 –A influência do contexto histórico na interpretação

Passemos, acadêmico, à análise de outro exemplo. A charge, a seguir, resgata contextos históricos de quatro governos passados do nosso país. Quando o personagem (Lula) diz que não fará igual ao Getúlio Vargas, afirma que não se suicidará como este; nem igual ao Jânio Quadros, ou seja, que não renunciará alegando pressão; nem igual ao Jango – João Goulart – que não se exilará. No segundo balão, um personagem oculto aparece: “Se não fizer igual ao governo Collor, já tá bom!”, é necessário saber que este presidente teve seu governo cassado em função de escândalos com desvio de dinheiro público. O entendimento de que o Presidente Lula, segundo a charge, corria risco de a sociedade não o aceitar mais, somente é possível com o resgate histórico da política brasileira.

(Diário Catarinense, 26/08/2005)

Saiba Mais
Charge A charge é um gênero considerado temporal, porque, de forma muitas vezes irônica, trata de temas da atualidade, sempre fazendo uma reflexão sobre questões de política, economia e sociedade que estão na mídia no momento de sua publicação. Para entendê-la, é preciso estar a par desses assuntos. É um texto argumentativo, pois pretende convencer o leitor acerca da opinião do autor sobre o tema abordado.

Com o propósito de vermos gêneros diferentes, examinemos agora uma música composta por Chico Buarque e Francis Hime.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 5 –A influência do contexto histórico na interpretação

Meu caro Amigo Meu caro amigo me perdoe, por favor Se eu não lhe faço uma visita Mas como agora apareceu um portador Mando notícias nessa fita Refrão Muita mutreta pra levar a situação Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça Ninguém segura esse rojão Meu caro amigo eu não pretendo provocar Nem atiçar suas saudades Mas acontece que não posso me furtar A lhe contar as novidades Refrão É pirueta pra cavar o ganha-pão Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro Ninguém segura esse rojão Meu caro amigo eu quis até telefonar Mas a tarifa não tem graça Eu ando aflito pra fazer você ficar A par de tudo que se passa Refrão Muita careta pra engolir a transação E a gente tá engolindo cada sapo no caminho E a gente vai se amando que, também, sem um carinho Ninguém segura esse rojão Meu caro amigo eu bem queria lhe escrever Mas o correio andou arisco Se permitem, vou tentar lhe remeter Notícias frescas nesse disco Refrão A Marieta manda um beijo para os seus Um beijo na família, na Cecília e nas crianças O Francis aproveita pra também mandar lembranças A todo o pessoal Adeus

Aqui na terra tão jogando futebol Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll Uns dias chove, noutros dias bate sol Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Disponível em:<http://chico-buarque.letras.terra.com.br/letras/7584/>. Acesso em: 22.abr.2007.

Dica
O “pra” é uma palavra usada em situações menos formais de comunicação, como a fala, as músicas, os poemas.

Considerando apenas a letra, entendemos que ela trata da saudade de um amigo, a quem ele desejava fazer uma visita, mas não pôde (1ª estrofe). Na segunda estrofe, ele conta que consegue levar a vida porque é teimoso, pois ela está difícil. Ele – o autor - quer colocar o amigo a par das novidades. Também fala que os obstáculos são muitos, então, tem que ter habilidade para continuar. Ele não consegue telefonar, mandar cartas. Apesar das dificuldades, ele continua a viver, continua amando, divertindo-se, bebendo, fumando. Por fim, ele se despede como em uma carta que se manda para um amigo e sua família.
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A expressão a par significa ter conhecimento sobre algo; já ao par é ter paridade monetária, por exemplo: o real não está ao par do dólar, ou seja, não tem o mesmo valor.

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Unidade I – Leitura Tema 5 –A influência do contexto histórico na interpretação

Já a interpretação, levando em conta o contexto histórico, acrescenta informações que influenciam na leitura da música, como a época em que ela foi escrita. Bem, precisamos pensar que, naquele período – durante a ditadura militar –, as pessoas eram exiladas contra a sua vontade, não tinham acesso a informações, tinham seus direitos pessoais transgredidos, enfim, eram vigiadas e tolhidas em seu meio. Passamos, então, a perceber que, na letra da música, há mais informações: como o fato de só ter aparecido um portador e ainda correndo risco de não conseguir transmitir a mensagem (“se permitirem”), ou seja, não foram enviadas notícias por falta de oportunidade, já que não era possível telefonar ou mandar carta, pois havia vigilância, censura, nesses meios de comunicação. As dificuldades tratadas na carta estão ligadas ao regime de governo estabelecido na época, isto é, as pessoas tinham de “concordar” com o que o governo determinava, por isso os autores falam em “mutreta pra levar a situação”, já que não podiam dizer o que pensavam e eram obrigadas a demonstrar concordância com a ditadura. Isso fica claro nos versos: “Muita careta pra engolir a transação. E a gente tá engolindo cada sapo no caminho”. Para finalizar, realmente se trata de uma carta, mas com fim específico de colocar um amigo exilado a par dos acontecimentos da sua cidade e país.

Caro acadêmico, vamos pesquisar um pouco?

Atividade

Pesquisar, em duplas, uma música que contenha uma denúncia e que precise do conhecimento histórico para resgatar o fato que a gerou. Publique-a, na pasta referente ao contexto histórico, juntamente com sua análise (identifique a tese (tema), contexto histórico em que foi produzida e a interpretação concisa dessa música).

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Tema 6 –As relações entre textos: intertextualidade

Objetivo da aula
(Re) Conhecer o uso das relações entre os textos, identificando a importância do outro texto na interpretação de um primeiro.

Na constituição da própria palavra, pode-se observar que intertextualidade significa relação entre textos. Julia Kristeva (1974, p. 64) nos dá um conceito clássico de intertextualidade: “[...] todo texto se constrói como mosaico de citações, todo texto é absorção e transformação de um outro texto”. De acordo com Silva (2002), a intertextualidade é um fenômeno que pode ser expresso por diferentes linguagens no texto.

As relações entre os textos acontecem quando, ao lermos um texto, lembramos de outro.

Lygia está certa! Ao fazermos essa relação, que pode ser explícita ou implícita, compreendemos o texto lido na sua profundidade e, por conseqüência, somos capazes de refletir sobre o recurso adotado pelo autor quando formos compor textos. A nossa compreensão de um texto depende, assim, de nossas experiências de vida, de nossas vivências, de nosso conhecimento de mundo, de nossas leituras. Essa lembrança do outro texto pode ocorrer no que diz respeito à forma ou ao sentido, ou, ainda, resgatando os dois: forma – quando percebemos a imagem, versos, estrutura etc. do texto original – e sentido – a relação, nesse caso, é com o conteúdo da obra resgatada.

Segundo Abaurre, Pontara e Fadel (2000), ao estabelecer uma relação de intertextualidade, o autor provoca uma interação entre o sentido de dois textos, o que permite, por sua vez, a construção de um terceiro sentido para o texto desencadeador da intertextualidade. Esse recurso deixa o texto interessante, pois, além da relação textual existente, mostra o conhecimento de mundo do escritor.

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Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Saiba Mais
Conhecimento do mundo Segundo Koch e Travaglia (1993), compreender o sentido de um texto depende, em grande parte, do conhecimento de seus leitores, ou seja, é preciso haver, pelo menos em parte, correspondência entre os conhecimentos ativados a partir do texto e de seu(s) receptor(es). Então, um texto técnico de Medicina fará sentido (terá coerência) para um leitor que possua conhecimento de tal área. Os autores afirmam que o conhecimento de mundo é como se fosse uma espécie de enciclopédia, arquivada em nossa memória em conjuntos e blocos. Nós podemos adquirir esses conhecimentos, em nosso dia-a-dia, de modo formal (estudo) e informal (com conhecidos, amigos, familiares, pela tevê etc).

A intertextualidade também serve como excelente recurso, tanto na produção dos textos (porque enriquece o seu texto usar informações gerais que possam ligar as idéias defendidas), como na interpretação do que é ouvido/lido. Acadêmico, veremos alguns exemplos práticos a fim de facilitar o entendimento desse conteúdo.

Exemplo 1
A capa da revista, a seguir, tem muito em comum, ou seja, possui relações com o quadro O martírio de São Sebastião na versão do pintor renascentista Andréa Mantegna. Confira:

(Revista Isto é, 25/02/2004)

(http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C 3%A3o_Sebasti%C3%A3o)

Vamos conhecer um pouco da sua história para podermos entender a intertextualidade pretendida pela revista. São Sebastião (256 – 286) foi um mártir e santo cristão. Sebastião era um soldado do exército romano. Diocleciano, imperador romano, ignorando tratar-se de um cristão, designou-o capitão da sua guarda pessoal – a Guarda Pretoriana. A sua conduta branda para com os prisioneiros cristãos levou o imperador a julgá-lo sumariamente como traidor, após tentar em vão convencê-lo a renunciar à fé.

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Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Exemplo 1 - Continuação
Amarrado a uma árvore, teve o corpo atravessado por flechas (que se tornaram o seu símbolo) atiradas por seus antigos companheiros, que o deixaram supostamente morto. Porém, Sebastião não faleceu, foi atirado no rio, pois achavam que ele estava morto. Encontrado muito longe do local em que fora jogado atirado, foi socorrido por uma cristã chamada Irene que cuidou dele. O ex-soldado, indiferente aos pedidos dos cristãos, apresentou-se ao imperador, que o condenou à morte por espancamento. Após a execução, o corpo do santo foi jogado na cloaca de Roma e descoberto por outra mulher, Lucina, a quem pediu em sonho que o sepultasse perto das catacumbas.
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Sebasti%C3%A3o>. Acesso em: 07.abr.2007.

Além de conhecer a história da própria obra, é preciso saber do contexto histórico em que foi produzida, ou seja, a revista foi publicada na época em que o ministro da casa Civil, José Dirceu, estava supostamente envolvido com escândalos de desvio do dinheiro público, porque seu assessor havia sido denunciado. A imprensa e seus companheiros de partido estavam pedindo explicações sobre o fato, cogitando sua renúncia. Acreditamos que a intertextualidade se deu pelo fato de o então ministro estar se sentindo como São Sebastião, pois seus amigos o estavam abandonando à própria sorte. Além disso, podemos entender que era um aviso, porque, assim como São Sebastião teve uma segunda chance de sobreviver, o político teria outra oportunidade e poderia permanecer no governo, mas, caso ele se envolvesse em outra denúncia, seria cassado do cargo. Isso, meses após a publicação da revista, acabou acontecendo. Portanto, as estratégias utilizadas pela revista foram a intertextualidade e a frase “Aprendendo a ser governo”, que nos remete ao entendimento de que os governantes em questão possivelmente ainda não tivessem maturidade no que tange aos compromissos de ser governo.

Dica
Sempre que você identificar um caso de intertextualidade, é fundamental verificar o sentido do texto original para, em seguida, procurar determinar com que intenção ele foi retomado pelo autor do novo texto. É esse exercício de análise comparativa que vai dar a você a melhor chave de leitura da intertextualidade e levá-lo a interpretar com competência.

Ainda segundo Abaurre, Pontara e Fadel (2000), o sentido do texto é construído a partir do estabelecimento dessa relação. Se você não for capaz de identificá-la, como conseguirá entender o sentido do texto que está lendo? Evidentemente, não podemos ter a pretensão de que o nosso conhecimento de mundo seja tão amplo que possamos interpretar todas as situações intertextuais possíveis, mas podemos ter um perfil investigativo quando nos depararmos com um texto no qual percebemos a

intertextualidade, mas não conseguimos entendê-la. Usemos isso para nos instigar a pesquisar, aumentar nosso conhecimento e ter uma leitura verticalizada da obra lida.
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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Portanto

a relação

estabelecida entre dois

ou mais textos

chama-se

intertextualidade, que consiste na referência de conteúdo e/ou de forma que um texto faz
a outro, permitindo aos leitores reconhecê-la.

Vejamos outro exemplo!

Exemplo 2
Agora, com uma associação com o filme Titanic, história que conta o naufrágio de um navio de grande porte para a época. Na charge, fica clara a intertextualidade tanto na fala de uma das personagens quanto na imagem do Congresso Brasileiro na posição inclinada, sugerindo que os representantes da política brasileira estavam levando o Poder Legislativo para o fundo. O uso da intertextualidade em textos com linguagem não-verbal também é uma prática constante.

(Veiculado pela Internet)

Observe o artigo a seguir, no qual a autora – Cláudia Bergamasco – faz uso de duas intertextualidades. Vejamos a primeira: no título, ela usa um verso da música

Cotidiano, em que Chico Buarque conta a rotina de um casal, em que a esposa vivia em
função do marido todos os dias e isso o estava desmotivando. Leia a letra da música e, a seguir, releia/analise o título/a música/a letra da música com o objetivo de estabelecer a relação com o artigo.

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Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Cotidiano – Chico Buarque
Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar E essas coisas que diz toda mulher Diz que está me esperando pro jantar E me beija com a boca de café Todo dia eu só penso em poder parar Meio dia eu só penso em dizer não Depois penso na vida pra levar E me calo com a boca de feijão Seis da tarde, como era de se esperar Ela pega e me espera no portão Diz que está muito louca prá beijar E me beija com a boca de paixão Toda noite ela diz pra eu não me afastar Meia-noite ela jura eterno amor Me aperta pra eu quase sufocar E me morde com a boca de pavor Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã

Disponível em: <http://chico-buarque.letras.terra.com.br/letras/82001>. Acesso em: 06.abr.2007.

Além dessa canção, a fim de enriquecer a introdução do texto, nos três primeiros parágrafos, a autora cita cenas do filme Groundhog Day, que também trata da questão rotina. O conhecimento prévio dessas obras serve de indicador sobre o assunto do texto, dando pistas sobre o tema. Assim, antes de ler o texto na íntegra, o leitor tem condições de saber do que se trata: o cotidiano dos profissionais. Todo dia ele faz tudo sempre igual... Como evitar que a repetição de tarefas afete a sua capacidade de manter-se motivado no trabalho e os resultados de sua empresa No filme Groundhog Day, comédia dirigida pelo cineasta Harold Ramis, que chegou ao Brasil com tradução de “Feitiço do Tempo” (Columbia Pictures, 1993), o personagem Phill Cannors, vivido pelo ator Bill Murray, é um jornalista que apresenta a previsão do tempo num canal de televisão. Todos os anos, ele é escalado para cobrir o Dia da Marmota, uma estranha festividade realizada em fevereiro em Punxatawney, na Pensilvânia, costa leste dos Estados Unidos, para marcar o fim do período da hibernação do bicho. Não por acaso, a cidade é conhecida como a capital nacional da marmota. Misteriosamente, quando ele chega lá, fica preso no tempo. Os dias tornam-se exatamente iguais, ou seja, tudo acontece como no dia anterior. Ele acorda às 6 horas da manhã, sempre ao som da cantora Cher no despertador e, para seu desespero, percebe que, mais uma vez, é o Dia da Marmota. É claro que Phill quase enlouquece. Na vida real, guardadas as proporções, qualquer empresário tem suas fases de Phill Connors, em que o cotidiano e a repetição das tarefas parecem desafiar a sua capacidade de manter-se motivado no trabalho. Como diz a música “Cotidiano”, do cantor e compositor Chico Buarque, tudo o que você faz parece sempre igual, e os dias tornam-se foscos, sem graça, pesados e modorrentos. Ops!, é hora de acender a luz vermelha. LIVRE-SE DO MEDO - É bem provável que o desânimo provocado pela mesmice se reflita nos negócios. Mas, por mais estranho que pareça, o problema não está fora, mas dentro de você mesmo. “A rotina é uma senhora caluniada”, diz o psiquiatra Paulo Gaudêncio, que há mais de 40 anos atende empresas, empresários e executivos nas áreas de desenvolvimento humano e relacionamento profissional. “Tente fazer as coisas sem rotina e você vai ver o que acontece”.
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Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Todo dia ele faz tudo sempre igual... – Continuação... A grande vilã, na opinião de Gaudêncio, não é a rotina, mas a falta de flexibilidade. O excesso de rigidez, diz o psiquiatra, acaba por minar a criatividade, o entusiasmo e a iniciativa – o oposto do espírito empreendedor. É preciso ser maleável, estar aberto para mudar desde os compromissos de sua agenda profissional até a forma de se organizar no trabalho. “Você deve ter domínio da rotina para, sempre que quiser, ser capaz de sair dela”, diz ele. Gaudêncio lembra uma metáfora do filósofo Platão, segundo a qual o ser humano funciona como uma carruagem, na qual os cavalos representam os impulsos e as emoções; e as rédeas, a vontade. Se o cocheiro não tiver confiança em si próprio, ele vai amarrar as patas do cavalo, em vez de conduzi-lo. Em outras palavras, a insegurança paralisa o cocheiro que perde a vontade de fazer qualquer coisa. A questão é: como desamarrar as patas do cavalo para recuperar o entusiasmo e a energia que você tinha quando abriu a empresa. De acordo com Gaudêncio, você tem que reavaliar os seus medos e as suas emoções, porque é aí que estão as raízes do problema. Afinal, como diz o psicoterapeuta e psiquiatra Luiz Cuschnir em seu livro “Os Bastidores do Amor” (Editora Alegra, 39 reais, 240 págs.), o medo é um dos principais sentimentos que provocam a inércia. PRAZER E PAIXÃO – Segundo Cuschnir, quem não se renova envelhece mais rapidamente – na carne e na alma. É comum, afirma Cuschnir, a gente se defender do novo, apegando-se ao passado e a velhos hábitos. Como sabemos, a luta para abandonar tal comportamento é dura. Abrir-se para o novo não é fácil. Mas o prêmio para quem consegue chegar lá costuma compensar o sacrifício. “Estar aberto à transformação e à mudança é algo mais arriscado”, diz o psicoterapeuta. “Mas é o melhor atalho para a satisfação, o prazer e a paixão”. O advogado Antonio Carlos Teixeira da Silva, que há 30 anos dedica-se ao estudo de comportamentos criativos e é fundador da consultoria Pense Diferente, raciocina de forma semelhante. Silva sugere que você comece a pensar de forma mais criativa. “Não tenha medo de expressar suas idéias, de inovar. Relaxe, ouça sua intuição, seja mais receptivo às idéias dos outros”, diz ele. “Ao sair da zona de conforto, você certamente encontrará soluções melhores para si mesmo e a sua empresa”.
(Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, publicada em agosto de 2004.)

Fique de olho
Observe que, além do nome do autor junto com as citações, é importante também fornecer informações que ajudem a dar maior credibilidade ao argumento, como sua profissão, função ou experiência profissional.

Dica
Todos os títulos, palavras e expressões estrangeiras, ou mesmo palavras de nossa língua usadas no sentido figurado, devem ser escritas entre aspas ou em itálico. Padronize em uma das duas maneiras.

Resgatando o conteúdo anterior, verificamos que as estratégias (comprovações) utilizadas nesse texto para abordar o assunto foram basicamente as citações de

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especialistas (do psiquiatra Paulo Gaudêncio, do psicoterapeuta e psiquiatra Luiz Cuschnir e do advogado Antonio Carlos Teixeira da Silva, que há 30 anos se dedica ao estudo de comportamentos criativos).
Acadêmico, vamos trabalhar um pouco a interpretação, certo? Boa atividade!!!!

Atividades
a) O fôlder abaixo traz a relação com a obra Operários, da pintora modernista Tarsila do Amaral, já estudada no conteúdo Contexto Histórico. Explique o porquê de terem usado tal obra na propaganda distribuída na Praça Nereu Ramos, em Criciúma-SC.

Operários de Tarsila do Amaral (http://revistaescola.abril.uol.com.br/edicoes/01 78/aberto/tarsila.shtml)

b) Leia a crônica a seguir, escrita por Luiz Carlos Prates, e faça o que é solicitado. Boca fechada Albert Einstein, quem diria, também escreveu auto-ajuda. Aliás, auto-ajuda é qualquer palavra de incentivo que digamos a nós mesmos ou a um amigo. É tolice de falsos intelectuais virar a cara para a auto-ajuda; mais cedo ou mais tarde, eles vão precisar dela... e muito. Dia destes, lendo um livro de idéias, frases, pensamentos, essas coisas leves e indispensáveis aos exercícios do espírito, achei uma frase de auto-ajuda de Einstein que se ajusta direitinho ao de que muito precisamos sem nos darmos conta. Aliás, Einstein não foi original, Salomão, filho de Davi, já havia dito a mesma coisa com outras palavras. Sim, sei, a leitora tem curiosidade e demoro-me no dizer o que é, vou dizer. Nessa leitura que fiz de frases e pensamentos, e onde encontrei a tal auto-ajuda de Albert Einstein, relembrei de uma velha verdade de que muito já fiz citação aqui. Ela é indispensável para o sucesso humano. Infelizmente. E já explico por que digo infelizmente. Einstein, nesse tal pensamento de auto-ajuda, rabisca sinais que lembram uma equação do segundo grau, tem x, y, z... a não poder mais. No final, depois que ele soma, diminui, multiplica, faz, pinta e borda com as "incógnitas", termina dizendo que tudo é igual a.... a manter a boca fechada. A equação do Einstein termina com um proverbial: Mantenha a boca fechada.

Toda informação adicional, ou seja, aquela que não faz falta para o entendimento do enunciado, deve estar entre duas vírgulas ou entre dois travessões.

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Atividades – Continuação...
O que quis Einstein dizer? O mesmo que Salomão dissera há muito tempo: Aquele que mantém a boca fechada preserva o coração da angústia, mais ou menos isso. Levado esse conselho para o trabalho, por exemplo, significa que você, leitora, terá imenso poder sobre suas "amigas" se elas souberem pouco de você e você bem mais sobre elas. Muitos de nós, por ingenuidade ou necessidade de desabafo, acabamos confidenciando coisas que mais tarde se voltarão contra nós. Não as coisas em si mesmas, mas a língua sem-caráter dos falsos amigos. Se você for um - mistério - diante dos que a rodeiam no dia a dia, terá desesperadas curiosidades a envolvendo, e a curiosidade, sabe-se, mata. Já, se a pessoa for de língua solta, chegar contando de problemas caseiros, sobre negócios pensados, planos, pretensões, conquistas, o que quer que seja que possa provocar invejas, pronto, perde muito de seu poder e dá poder aos outros. Salomão e Einstein têm razão: boca fechada é grande negócio. Ou você não me vai dizer que nunca foi traída depois de ter feito uma confidência a um amigo, amiga, hein? Infelizmente, como disse Augusto dos Anjos no poema Versos Íntimos: "O homem que nesta terra miserável vive cercado de feras, sente inevitável necessidade de também ser fera". Melhor é calar-se para não precisar ser fera com mais freqüência... (Diário Catarinense, 4/9/2006) A intertextualidade possibilita a formação de uma rede de construções textuais, nas quais se estabelece o parentesco entre os textos e sua relação com os originais. Baseado nesse conceito e nas explicações dadas neste tema, retire da crônica Boca fechada as intertextualidades utilizadas e explique a intenção do cronista ao usá-las no texto como estratégia de convencimento. No início do texto, o autor escreveu “Albert Einstein, quem diria, também escreveu autoajuda. Aliás, auto-ajuda é qualquer palavra de incentivo que digamos a nós mesmos ou a um amigo. É tolice de falsos intelectuais virar a cara para a auto-ajuda; mais cedo ou mais tarde, eles vão precisar dela... e muito”. Há uma mensagem implícita (ou não dita explicitamente) em tal fragmento, a qual é reforçada pelo uso do conectivo também. Diga qual é. Publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem as respostas desses exercícios.

O uso dos dois pontos no texto é para introduzir uma citação – a fala de outra pessoa,que pode ser feita de forma direta, quando está entre aspas, ou indireta, quando é parafraseada, ou ainda para dar ênfase ao que será dito.

Gramática
Saiba Mais sobre crônica
A palavra crônica deriva do latim chronica, que significava relato em ordem cronológica dos acontecimentos. Atualmente, utiliza-se esse gênero para apresentar a visão questionadora de e sobre o mundo do cronista; publica-se em jornais, revistas e sites porque trata de informações atuais, ou seja, temporais. Características da crônica Normalmente, trata-se de um texto curto, narrado em primeira pessoa, como se o cronista estivesse falando diretamente com o leitor, ou em terceira pessoa. A linguagem deve ser simples a fim de que o leitor se identifique com o autor, mas também pode ser emotiva, irônica ou sarcástica, o que dará o tom da crônica. Deve predominar uma história leve, divertida, com final, às vezes, inesperado. Pode utilizar qualquer assunto do dia-a-dia para fazer a reflexão, ou ainda, utilizar algo fictício para chegar à reflexão. O objetivo do cronista é fazer o leitor refletir sobre o tema abordado.

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Atividades – Continuação...
Na crônica, predomina a argumentação, pois se deseja persuadir o leitor a respeito da reflexão pretendida. Então, como todos os textos argumentativos, ela precisa ter, além dos argumentos (idéias desenvolvidas em favor do tema), comprovações (estratégias), as quais auxiliarão o cronista a convencer o leitor. Essas comprovações podem ser: citações, exemplos, testemunhos, estatísticas, comparações, explicações etc.

Saiba Mais sobre coesão
Agora veremos também o estudo sobre coesão. O objetivo é reconhecer as relações semânticas (lógicas) estabelecidas por conectivos, treinar o emprego de conectivos que estabelecem relações lógicas: a coesão textual. Na língua portuguesa, coesão expressa a relação entre as unidades lingüísticas, como a relação entre as palavras em um enunciado. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Coes%C3%A3o. Acesso em: 14.mai.2007. Apoiada em Halliday e Hasan (1976), Koch (1994) aborda a coesão como um conceito semântico que se refere às relações de sentido existentes no interior do texto e que o definem como tal. Ela se realiza na conexão de vários enunciados, fruto das relações de sentido que existem entre eles, expressas por certas categorias de palavras chamadas de conectivos. Existem diferentes estratégias de coesão que dependem das escolhas do autor. Ilustrando, a coesão por substituição consiste em utilizar conectivos ou expressões para sintetizar e retomar substantivos, verbos, expressões e partes do texto já referidas. A coesão referencial realiza-se pela referência a elementos do próprio texto, conforme já visto anteriormente. Geralmente, dão coesão ao texto: as conjunções coordenativas (e, ou, mas, por conseguinte etc.) e subordinativas (porque, que, embora, se etc.), as preposições, os pronomes (este, aquele), os advérbios e locuções adverbiais (geralmente, conseqüentemente etc.), os adjetivos e os numerais cardinais e ordinais (um, primeiro, em primeiro lugar etc.), ou seja, todas as palavras e expressões que possam, dentro de um contexto, ligar as idéias. Acadêmico, que tal aprofundar o seu conhecimento nessa área clicando nos links abaixo sobre: Coesão: conceitos links: http://acd.ufrj.br/~pead/tema09/conceitodecoesao.html.Acesso em 02.jun.07 http://www.pucrs.br/gpt/coesao.php; http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=4&cod=28&prox_x=1. Certos advérbios e expressões adverbiais: link: [PDF] http://acdc.linguateca.pt/aval_conjunta/acetatosAvalon/Avalon03Compostos.pdf Conjunções: links: http://www.ficharionline.com/ExibeConteudo.php5?idconteudo=5606 http://www.portugues.com.br/sintaxe/periodocomp.asp Numerais: link: http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=1&cod=28

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Atividades – Continuação... Saiba Mais sobre o uso dos demonstrativos
Observe que, na crônica Boca Fechada, o cronista utilizou vários pronomes demonstrativos: destes, essas, nesses... É importante saber utilizá-los no texto. Vejamos o seu uso: Com relação ao espaço, usamos o este e suas variações para indicar que o objeto a que nos referimos está perto de quem fala; o esse quando indicarmos que ele está perto daquele com quem falamos, e o aquele quando estiver longe de quem fala e daquele com quem falamos. Exemplos: Esta caneta que tenho comigo é minha. Essa caneta que está na sua mão é azul? Aquela caneta que perdi, você a achou? Com relação ao tempo, usamos o este para indicar tempo presente; o esse para um tempo passado próximo e o aquele para o passado remoto. Preste atenção ao tempo verbal utilizado no enunciado. Exemplos: Esta noite faz calor. Essa noite fez calor. Naquele verão de 1998, eles se conheceram. Com relação ao texto, usamos o esse quando temos apenas uma opção de resgate ou quando desejamos resgatar tudo o que já foi mencionado; quando temos duas ou mais opções e desejamos rever a primeira mencionada no texto usamos o aquele; agora, se desejarmos remeter ao último termo escrito, usamos o este. Exemplos: Eu vi o Adriano na universidade; esse rapaz fez uma excelente apresentação. Raras são as visitas para os idosos do asilo, mas isso já não importa muito para eles serem felizes. Brasil e Argentina jogaram na final da Copa América; aquele foi campeão. Luisão e Adriano fizeram os gols do Brasil na final da Copa América, sendo que este fez o último. Lembre-se de que esses pronomes precisam fazer a concordância de gênero – feminino e masculino – e de número – singular e plural – com os termos aos quais se referem. Retome a crônica lida e analise as situações em que os demonstrativos foram usados e identifique esse uso conforme as explicações acima. Se você quiser aprofundar seu conhecimento sobre coesão, mais especificamente sobre o uso dos pronomes demonstrativos, visite o site: http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/pdemonstrativo.shtml Para fazer um exercício sobre esse conteúdo, visite: http://www1.folha.uol.com.br/folha/interacao/quizfo06.shtml d) A charge a seguir trata de tema esportivo sobre a atual seleção brasileira, envolvendo o jogador Kaká e o técnico Dunga. Há uma intertextualidade na charge, ou seja, ela resgata um texto produzido também no ambiente do esporte brasileiro. Escreva qual é a intertextualidade estabelecida e explique por que ela auxilia na construção da charge.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Atividades – Continuação...

(Diário Catarinense, 04/09/2006)

e) Abaixo está a Canção do Exílio de Gonçalves Dias. Essa obra gerou inúmeras intertextualidades, isto é, foram muitos os poetas que, inspirados nos versos de Gonçalves Dias, escreveram as suas canções do exílio. Pesquise alguns desses textos para seu conhecimento, identifique se a relação entre eles está na forma – mantendo o padrão das estrofes e ritmo dos versos e/ou no sentido – falando sobre a terra natal, que pode ser o Brasil ou a cidade do autor. No referido poema, o autor enaltece a pátria, ou seja, para ele, o Brasil era o melhor lugar do mundo, tudo que aqui havia era melhor, e não desejava morrer em terra estrangeira, queria voltar ao Brasil para ver suas maravilhas, porque ele escreveu o poema quando estava exilado em Coimbra, em função de tratamento médico. Leia o texto e faça o que é solicitado. CANÇÃO DO EXÍLIO Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar sozinho, à noite Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias, poesia. Por Manuel Bandeira. Rio de Janeiro, Agir, 1975. p. 11-2. (Nossos clássicos, 18).

Acadêmico, a proposta é fazer uma mostra virtual, ou seja: você deve escolher o gênero com que mais se identifica (charge, crônica, resenha, poema, música, propaganda etc.) e o tema que tenha de alguma forma a ver com o poema de Gonçalves Dias e usar a intertextualidade como estratégia de convencimento do leitor. Lembre-se de que, dependendo do gênero a ser produzido, você não precisa usar todo o poema. Depois, essa atividade deve ser postada no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 6 – As relações entre textos: intertextualidade

Acadêmico, use o conhecimento de mundo que você possui e utilize-o em suas produções de textos. Isso as deixará mais interessantes. Será mais um item a motivar o leitor.

Desejamos que, de agora em diante, você fique atento aos conhecimentos que aparecem em todo lugar: tv, rádio, jornal, conversa em família, conversa com os amigos etc.

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Tema 7 – Leitura de implícitos

Objetivo
Levar o acadêmico a perceber que, além das informações explicitadas no texto, há outras implícitas, sobre as quais podemos inferir a partir das estratégias utilizadas para convencimento do leitor.

Um importante fator que nos auxilia na interpretação dos textos é a percepção dos implícitos, ou seja, a leitura verticalizada, aquela que está além do explicitado no texto, pois, quando apenas decodificamos as palavras, estamos lendo-as superficialmente. E, para garantir o entendimento proficiente, é preciso, segundo Platão e Fiorin (2001), verificar que o texto pode “dizer” coisas diferentes daquelas que estão propriamente ditas. Ou seja, além das informações nele grafadas, há também aquelas implícitas, isto é, aquelas que estão subentendidas, sobre as quais podemos inferir a partir do que está dito por meio das palavras, imagens, tamanho das letras, cores etc.
Considerando aqui subentendido como sinônimo de implícito.

Saiba que a compreensão de implícitos acontece pelas informações não expressas de forma explícita, ou melhor: escritas de forma evidente no texto, mas por meio daquelas que o leitor ou ouvinte pode perceber a partir de certas palavras, expressões, tom da voz, gestos, imagens contidas no texto etc., garantindo, dessa maneira, os significados importantes e decisivos acerca do que se apresenta.

Segundo Abaurre, Pontara e Fadel (2000, p. 74), “Implícito é algo que está envolvido naquele contexto, mas não é revelado, é deixado subentendido, é apenas sugerido.”

Portanto, o leitor incapaz de identificar as mensagens subentendidas no texto entende apenas o sentido literal do que está escrito e, conseqüentemente, tem sua interpretação limitada.

Vamos aos exemplos...

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Exemplo 1
Acadêmico, convidamos você a analisar a propaganda da Wizard a seguir, veiculada em um outdoor na Avenida Centenário – Criciúma SC, a fim de entendermos na prática o que é leitura de implícito.

(outdoor- Av. Centenário – Criciúma SC) Esse outdoor, que tem como objetivo persuadir o leitor a estudar idiomas na Wizard, explora a idéia implícita de que quem quer ser um vencedor deve estudar nessa escola de idiomas. Logo, a pessoa terá, em sua memória, a imagem de vencedor vinculada à escola Wizard. Tal idéia é reforçada pela figura do jogador de vôlei que foi campeão em sua área de atuação, além de outras estratégias também utilizadas para ajudar no convencimento, como, por exemplo, o sorteio dos veículos.

Exemplo 2
Na propaganda a seguir, a afirmação de que Deus fez o mundo em seis dias e, no sétimo, descansou em tal cidade, leva o leitor à mensagem implícita de que o referido lugar é uma maravilha, pois, se é bom para Deus, certamente também será para os mortais.

Se Deus fez o mundo em seis dias, no sétimo deve ter descansado aqui.

(Diário Catarinense, 23/03/2005)

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Exemplo 3
Outro exemplo que nos mostra como é importante ler os implícitos é o anúncio a seguir, que tem como objetivo persuadir o leitor a levar seu veículo Volkswagen para a revisão na rede autorizada. A mensagem implícita, feita a partir da leitura da frase “Eles são doutores em Volkswagen”, é de que eles são os melhores para revisar, arrumar os carros dessa marca; essa mensagem é reforçada pelo desenho de um médico e do carro como paciente. Além disso, há o uso do conectivo mas também, que adiciona uma qualidade, neste caso, à referida concessionária. Ainda se usa a palavra pressão, sobre a qual podemos inferir que o valor da revisão será acessível ao bolso do proprietário

(Revista Veja, 4/4/07)

Exemplo 4
Veja agora mais um exemplo: uma tira humorística, gênero textual em que, assim como nas propagandas, utilizam-se os implícitos para a construção de sentido, já que as idéias defendidas muitas vezes são apenas sugeridas.

(Jornal Zero Hora) No primeiro quadrinho, Hagar afirma ao seu filho que, além de os chifres serem símbolos importantes para um viking, quanto maiores forem, mais importante é a pessoa que os possuir. Logo, levando em conta esse quadrinho, entendemos que ele seria uma pessoa importante, pois os seus chifres são maiores que os do filho. Essa conclusão é derrubada no segundo quadrinho, quando a personagem Helga aparece com os chifres de seu chapéu bem maiores que os de Hagar. Logo, a mensagem implícita é que ela é a pessoa mais importante entre eles. Profª Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias Profª Mary Neiva Surdi da Luz 55

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Exemplo 5
Examinemos agora outro exemplo de texto, o qual tem como objetivo persuadir o leitor com relação ao fato de o Iraque não ter armas químicas, biológicas ou nucleares. O autor usa como estratégia de convencimento (comprovação) o relatório oficial, produzido por um profissional nomeado pelo próprio governo americano. Além disso, utiliza uma mensagem implícita, no fragmento “ao contrário do que apregoava o presidente americano, George W. Bush”, de que o presidente Bush estava errado, ou seja, não tinha motivos para invadir o Iraque. Iraque não tinha armas proibidas (Evan Vucci – Zero Hora, 7/10/2004) Quando foi invadido pelos EUA, em março de 2003, o Iraque, não tinha – ao contrário do que apregoava o presidente americano, George W. Bush – armas químicas, biológicas ou nucleares. A conclusão consta do relatório oficial, produzido por Charles Duelfer, chefe dos inspetores de armas no Iraque, nomeado pela administração Bush. Desde a guerra do Golfo (1991), o programa nuclear do país árabe estava em decadência.
Observe que, para dar destaque à informação adicional, o autor usou travessões em lugar de vírgulas. .

Bem, acadêmico, vamos para a parte prática, então! A seguir, temos algumas atividades que fazem parte do seu material de estudo. Você deve resolvêlas e conferir a correção no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Atividades
Você deve postar suas atividades no Ambiente Virtual de Aprendizagem. a) Analise a propaganda a seguir, levando em conta as informações verbais e não-verbais, e responda às seguintes questões: Qual é o objetivo (mensagem central ou idéia-controle) do anúncio? Que mensagem implícita podemos deduzir do texto? Quais as estratégias argumentativas utilizadas pelo publicitário para a construção do implícito?

(Revista Veja, em 28/3/07)

McFritas ZERO Trans

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...
b) Acadêmico, leia as tirinhas abaixo e identifique as suas mensagens implícitas, que foram as responsáveis pela construção do humor.

(Zero Hora, 24/08/2005)

(Diário Catarinense, 01/09/2005) c) Na propaganda a seguir, além de outras estratégias utilizadas para tentar despertar o interesse do leitor no veículo, como a imagem do carro e o bônus oferecido, há uma mensagem que podemos subentender na frase “Você leva ele para casa e ele te leva para qualquer lugar”. Que implícito é esse? Aproveitamos, também, para verificar que, na manchete analisada, há um problema com a uniformidade de tratamento, ou seja, para que o texto esteja gramaticalmente correto, é preciso que todas as pessoas do discurso estejam na mesma pessoa gramatical. Então, identifique-as e uniformize-as na terceira pessoa. Se precisar, busque ajuda no Saiba mais sobre uniformidade de tratamento.
A norma padrão não aceita que usemos os pronomes eu, tu,

ele, nós, vós e ele
como complemento da ação do verbo. Então, não fosse uma propaganda, o enunciado deveria ser: você leva o carro, ou você o leva, em vez de “você leva ele”.

(Jornal Diário Catarinense, 28/08/2005)

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...

Gramática
Saiba Mais sobre o uso dos pronomes oblíquos átonos
Ainda sobre coesão referencial, depois de estudarmos os pronomes demonstrativos (p. 52), veremos agora o uso dos pronomes átonos, que substituem alguém já mencionado anteriormente no texto. Olhe o quadro a seguir para ver a correspondência entre tais pronomes e as pessoas gramaticais: Pessoa gramatical Eu Tu Ele (a) Nós Vós Eles (as) Pronome átono me te o, a, lhe, se nos vos os, as, lhes, se

Então, de acordo com a pessoa gramatical, escolhemos o pronome a ser usado. A dúvida que temos é com relação à terceira pessoa, haja vista ser a única que tem mais de uma opção. Veremos agora o uso de cada um deles. O se pode ser reflexivo, ou seja, referir-se ao próprio sujeito da ação ou a uma terceira pessoa. Veja o exemplo: Ele se machucou com a bicicleta. Então, restam ainda as opções de uso do lhe, o e a: Lhe quando o verbo pedir uma preposição antes do termo a ser substituído; nesse caso, podemos utilizar o mesmo pronome tanto para o masculino quanto para feminino. Veja os exemplos: Você disse ao João sobre a prova? Você lhe disse sobre a prova? Você disse à Maria sobre a prova? Você lhe disse sobre a prova? O(s), a(s) quando o verbo não pedir preposição, usamos o ou a, de acordo com o gênero (masculino ou feminino) da palavra que será substituída. Observemos os exemplos: Você viu o João? Substituiremos o João pelo pronome o, já que o verbo ver não precisa da preposição a antes do termo João. Você o viu? Saiba Mais sobre uniformidade de tratamento Para que os textos sejam bem escritos, principalmente aqueles com maior formalidade, devemos observar se estamos respeitando a uniformidade de tratamento, ou seja, se os pronomes estão todos na mesma pessoa, se os verbos estão conjugados com a pessoa gramatical utilizada. Para melhor orientação, a seguir há um quadro com os pronomes. Profª Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias Profª Mary Neiva Surdi da Luz 58

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...
Nas primeiras pessoas (eu, nós), não há confusão, pois temos apenas uma opção; mas, na segunda (tu) e terceira (ele, ela), há mais opções, pois ocorre uma mistura no uso entre a segunda e terceira pessoas do singular. Ou seja: é comum usarmos a segunda pessoa com o verbo conjugado na terceira e os pronomes átonos e possessivos da segunda ou terceira. Por exemplo, em nossa região é comum ouvirmos: “Tu foi ao cinema com o seu namorado?”, em que a pessoa gramatical está na segunda, o verbo e o possessivo estão na terceira. O que precisamos, em situações mais formais de comunicação, é uniformizar, usando o pronome pessoal reto, o verbo, pronomes átonos e possessivos na mesma pessoa do discurso, ficando assim a frase acima: “Tu foste ao cinema com o teu namorado.” ou “ Você foi ao cinema com o seu namorado”.

Pessoas do discurso

Pronomes pessoais retos eu tu ele, ela

Pronomes pessoais oblíquos Átonos me te o, a, lhe, Tônicos mim, comigo ti, contigo ele, ela

Pronomes Possessivos Singular meu, minha teu, tua seu, sua Plural meus, minhas teus, tuas seus, suas

Singular

1a. pessoa 2a. pessoa 3a. pessoa

se Plural 1a. pessoa 2a. pessoa 3a. pessoa nós vós eles, elas nos vos os, as, lhes,

si, consigo nós, conosco vós, convosco eles, elas nosso, nossa nossos, nossas vosso, vossa vossos, vossas seu, sua seus, suas

se Quadro 1: pronomes

si, consigo

No anúncio a seguir, foi usado o você e o te com o propósito de deixar o texto mais próximo dos leitores, haja vista que muitos usam as duas pessoas gramaticais no mesmo enunciado, já que o uso do pronome da terceira pessoa (o) deixaria o texto mais formal.

(Revista Veja, 20/04/2005)

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...
Os escritores e compositores também, muitas vezes, fogem às regras da norma padrão ao comporem seus trabalhos. Tal recurso é permitido àqueles cuja produção artística é realizada por meio da linguagem literária. Um exemplo disso é a música a seguir. Só Hoje (Jota Quest – composição de Fernanda Mello e Rogério Flausino) Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito Nem que seja só pra te levar pra casa Depois de um dia normal Olhar teus olhos de promessas fáceis Te beijar a boca de um jeito que te faça rir Hoje eu preciso te abraçar Sentir teu cheiro de roupa limpa Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria em estar vivo Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar Me dizendo que eu sou causador da tua insônia Que eu faço tudo errado sempre Hoje preciso de você Com qualquer humor, com qualquer sorriso Hoje só tua presença Vai me deixar feliz Só hoje Disponível em: <http://jota-quest.letras.terra.com.br/letras/63462>. Acesso em: 20-042007. Além da melodia, também é usado esse recurso estilístico, ou seja, o uso da segunda e terceira pessoas conjuntamente para garantir uma aproximação com os ouvintes. Esse é o caso da música anterior. Uniformize as pessoas gramaticais, pronomes e verbos na terceira ou segunda pessoa e, em seguida, tente cantá-la. O que aconteceu com a melodia da música? Por quê? d) A compreensão de implícitos é essencial para se garantir um bom nível de leitura. Em várias situações, aquilo que não é dito, mas é apenas sugerido, ou seja, está implícito, importa muito mais do que aquilo que é explicitado. Escreva, então, a mensagem implícita que há no texto a seguir, veiculado na Internet.

Pelo amor de Deus!!! Pense na sua mulher e no seu filho.

,

(Veiculado pela internet)

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...
e) Leia a propaganda a seguir, escreva o implícito e as estratégias utilizadas para a construção da mensagem, conforme estudamos.

(Revista Veja, 30/08/2006) f) Leia a crônica a seguir, de Luiz Carlos Prates, e faça o que é solicitado depois. Vivendo o hoje Acabei de ouvir a Ana Maria Braga falando dela e da vida. Muito interessante. Ela falou para o Roberto Dávila, no programa Conexão, da TV Educativa. Mas, antes de contar do que falou a Ana e do porquê a achei interessante, preciso dar algumas voltas, como sempre. A leitora há de concordar que vivemos ou pensando no passado ou sonhando com o futuro. Esse é o hábito. Só os sábios vivem o hoje, vivem no presente, que é, aliás, o único momento que de fato temos. O sonhado futuro não passa de um momento que um dia será presente, ou a leitora já viveu alguma vez no futuro? Se me disseres que estás agora vivendo o futuro de ontem dirás bem, mas veja, o futuro é sempre um hoje. Claro que é uma obviedade dizer isso, mas o que seria das grandes verdades da vida não fossem as obviedades? Sabes por que dou estas voltas antes de entrar no assunto da Ana Maria? Para deixar bem claro que somos, costumeiramente, uns tontos. Só aprendemos, na maioria, levando cacetadas da vida. Dizem que os sábios são sábios porque não procuram soluções para os problemas, eles os evitam, vivendo bem o hoje. A Ana Maria Braga contou ao Roberto Dávila da essência de sua vida, falou da infância, das dificuldades com o pai, da vida de interna num colégio de freiras, da saída cedo de casa, dos trabalhos, dos sucessos, das dificuldades e, claro, mais do que tudo, da doença. A Ana, a leitora sabe, passou pelo câncer. Ela diz que ainda passa, o câncer deu uma trégua, mas está lá, latente... parece que é assim mesmo, disse ela.

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...
Claro que o Roberto Dávila perguntou a Ana no que o câncer a fez mudar, a ver a vida de modo diferente. E ela falou dessa história do ontem, do hoje e do amanhã, nosso modo habitual de viver. Deu ênfase a esse equívoco existencial humano. Foi nisso que a Ana diz ter mudado. O futuro, para ela, é o hoje, só o hoje, viver plena e conscientemente o agora. Sair da cama pela manhã dando graças a Deus por mais um hoje, ir para a cama à noite agradecendo por mais um hoje vivido. Só o hoje, não mais do que o hoje. Parece tontice dizer isso, mas não é. Só os que tiveram a corda no pescoço sabem disso. A Ana disse mais, disse que diante de um problema, de uma bobagem que a costumava apoquentar no dia a dia, ela hoje pergunta no que isso vai mudar a vida dela, será isso importante daqui a uma semana, um mês? A resposta, disse ela, é não. Então por que desgastar o corpo e fustigar a mente com uma trivialidade? Sábio. Mas essa sabedoria, Ana, só advém depois que a vida nos empurra contra a parede. Viver o hoje e dar pouca atenção aos inconseqüentes problemas da vida é viver sabiamente. Quanto ao futuro, ele não passa de um somatório de hojes... (Diário Catarinense, em 18/5/2006) Acadêmico, a partir da leitura da crônica, responda: Uma das características desse gênero – crônica – é não ir direto ao tema, ou seja, o cronista dá voltas para levar o leitor à reflexão pretendida. Perguntamos, então, qual é a tese (tema) desse texto? Uma das estratégias utilizadas para construção da reflexão pretendida foi a mensagem implícita. Que mensagem é essa? Além do implícito, qual é a outra estratégia fundamental para o desenrolar dessa crônica? Por quê? Identifique e descreva as formas que o autor usou para resgatar Ana Maria Braga, com o objetivo de não deixar o texto cansativo. Se tiver dúvidas sobre esse conteúdo, consulte o Saiba mais sobre coesão referencial. Em nossa sala virtual, há um fórum aberto com o título Dúvidas de Interpretação para que você, em caso de dúvidas com os conteúdos e exercícios vistos até aqui ou, ainda, se desejar compartilhar alguma situação vivenciada, possa socializar conosco. Saiba mais sobre coesão referencial Quando escrevemos um texto, utilizamos várias estratégias, segundo Carneiro (2001), para evitar a repetição de um termo ou uma expressão com o propósito de que o enunciado não fique cansativo e acabe por desmotivar o leitor. Os pronomes demonstrativos e átonos já estudados podem ser opções para evitar a repetição. Veremos, também, outras formas. Observe, no texto a seguir, publicado no jornal Zero Hora, em 12/10/2002, que o autor se valeu de diversas maneiras (Marchezan Junior, tucano, ele, advogado) para se referir a Nelson Marchezan Junior. É importante dar todas as informações no início do texto. Veja que, no primeiro parágrafo, o jornalista informou que ele é advogado, do PSDB e eleito à Câmara dos Deputados. Com isso, foi possível ao autor utilizar-se de várias formas para resgatar Nelson Marchezan Junior. STF deve decidir destino de Marchezan Júnior até dezembro O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá definir antes do dia 19 de dezembro, último dia previsto pela Justiça Eleitoral para a diplomação dos candidatos eleitos, se o advogado Nélson Marchezan Júnior (PSDB) terá direito a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. Há dois meses, o tucano briga na Justiça para ter a filiação partidária e o registro de sua candidatura reconhecidos.

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Atividades – Continuação...
O caso tramita no TSE, que examina o recurso extraordinário movido pela defesa de Marchezan Júnior [...]. O deputado é filho do deputado federal Nélson Marchezan, morto em fevereiro. Apesar de realizar sua campanha sub judice, ele se elegeu a (à) Câmara com 61.068 votos. Caso o Supremo acompanhe as decisões do TER e do TSE, e não reconheça o pedido de registro da candidatura do advogado, os votos poderão ser transferidos à legenda [...]. Vejamos os referentes de Jimmy Carter no texto abaixo: O prêmio Nobel da Paz foi outorgado ontem a Jimmy Carter, 78 anos, que durante sua presidência dos Estados Unidos, obteve grande êxito em favor da paz [...]. O político americano nasceu no dia 1o. de outubro de 1924 em Plains (Geórgia), em uma família de plantadores de amendoins. Ele se graduou na Academia Naval de Annapolis (Maryland) e casou-se com Rosalynn Smith. O negociador da paz teve papel importante no acordo de Camp David em 1978, entre o Egito e Israel, que devia ser um passo fundamental no processo de paz no Oriente Médio. O ex-presidente também concluiu o Tratado Salt II com a União Soviética. Nesta notícia, publicada no jornal Diário Catarinense, em 12/10/02, o autor se utilizou de quase-sinônimos, ou seja, termos que, no referido texto, funcionam como sinônimos de Jimmy Carter (o político americano, o negociador da paz, o ex-presidente) em virtude das informações dadas no primeiro parágrafo.

Como você pode conferir, para escrever bem é preciso organizar o pensamento, definir o que queremos transmitir aos nossos leitores. É preciso conhecer bem as regras gramaticais, ser conciso e dominar bem o idioma. Por isso, além da preparação e estruturação do texto, é necessário também estudar um dos grandes aliados do bom texto: os conectivos.

Conectivos e relações semânticas

Os conectivos são palavras e expressões que servem para ligar partes das orações, ou as próprias orações, em um mesmo período. Ligam também os períodos e os parágrafos, indicando de que maneira uma unidade textual vincula-se a seu contexto. É preciso conhecer o significado desses termos a fim de utilizá-los conforme a idéia que pretendemos expressar. Então, se temos duas idéias: Márcia estudou muito para a prova. Márcia saiu-se bem na prova.

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Para que as idéias se tornem coesas, tanto do ponto de vista de evitar a repetição como na ligação entre elas, podemos uni-las com o conectivo e, haja vista ter duas orações e ter acontecido aquilo que o raciocínio lógico espera: sair-se bem. Ficaria assim o enunciado: Márcia estudou muito e saiu-se bem na prova. Agora, se a estudante não tivesse se saído bem, teríamos de usar um conectivo que tivesse o significado de oposição, ou seja, que contrariasse o raciocínio lógico, como o mas, porém, no entanto etc. Márcia estudou muito, mas não se saiu bem na prova. Assim, cada conectivo tem o seu significado. É preciso que o conheçamos a fim de que isso nos auxilie tanto na escrita quanto na interpretação textual.

Viu como eles são importantes? Vejamos agora alguns exemplos a seguir, os quais podem ajudá-lo a dar mais lógica ao texto, de acordo com o seu significado.

Conectivos que indicam adição de idéia Não só... mas também E Nem Como

Conectivos que indicam contraste entre idéias ou argumentos contrários Entretanto Embora Ainda que No entanto Contudo Apesar de Mesmo que Mas Todavia Não obstante Muito embora Porém A despeito

Conectivos que indicam explicação/constatação/confirmação De fato Com efeito Isto é Ou seja Em outras palavras Na verdade De fato Ou melhor, Que, pois (antes do verbo) Porque Uma vez que

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Conectivos que indicam relações de causa/resultado Como resultado Visto que Por causa de Conseqüentemente Graças

Conectivos que introduzem argumentos, causas, ou justificativas Pois Já que Uma vez que Devido a Como Isso posto Mesmo que Mas Porque Pelo fato de

Conectivos que introduzem conclusões/resumo Em síntese Resumindo Concluindo Portanto Assim Por isso Assim sendo

Exemplo
Acadêmico, vejamos agora alguns exemplos de aplicação dos mecanismos de conexão: Não só está triste, como também chora bastante. Está feliz com a notícia, contudo continua esperando a chegada do filho. Sandra saiu de casa, pois a porta e as janelas estão fechadas. Ora faz frio, ora faz um calor insuportável. Não está com frio, por isso não está usando casaco. Resfriou-se porque brincou na chuva. É tão inteligente quanto o pai. Conforme disse o porta-voz, o Presidente não quis responder às perguntas. Ainda que pareça feliz, minha mãe anda bastante preocupada. Na verdade, soube do assalto quando cheguei ao trabalho. Embora esteja resfriado, insiste em sair à noite. Tratava-se de um governo não apenas racional, mas também desumano, impondo um comportamento opressivo. Muitas pessoas se uniram para combater o fogo, porém sem sucesso. Como resultado, a casa ficou totalmente destruída. “Não posso viver sem você, quero ficar perto de você, (...) você não precisa falar comigo, nem olhar para mim”. (Rubem Fonseca). Mesmo que chova, a festa será realizada. Em síntese, a vida moderna requer o uso do idioma de maneira competente, tanto na fala quanto na escrita. É preciso ter cuidado ao empregar os verbos defectivos, pois, embora sua aplicação pareça fácil, na verdade, está recheada de exceções. Pedro e Sandra foram ao parque, contudo não se encontraram. Amanhã tem aula e ensaio da fanfarra escolar. O professor está olhando, portanto não tente colar.

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Exemplo
Cadê o meu tempo?

Acadêmico, convido-o a vermos alguns exemplos de uso dos conectivos no texto.

Segundo o texto Quem roubou o meu tempo? de Eloi Zanetti, publicado na revista Amanhã, em novembro de 2002, em plena era da evolução tecnológica, as pessoas ainda tentam falar com outras sem ter horário marcado, parecendo que há tempo disponível para elas. E, quando a secretária funciona como uma barreira para selecionar assuntos e encaminhá-los ao profissional certo, os intrusos reclamam. Parece-me um desrespeito às pessoas, quando não marcamos horário e insistimos em sermos recebidos, ou ainda aquela situação em que a hora está agendada, mas o indivíduo chega atrasado, comprometendo toda a programação daquele dia. Penso que as pessoas precisam ser mais conscientes e lembrar que o mundo não gira em torno delas. Ao telefone, também o desperdício de tempo é grande. A sugestão de Eloi Zanetti – conferencista e consultor em marketing e comunicação – é que as pessoas tenham o hábito de ir anotando tudo o que precisam falar antes de fazer a ligação. Essa espécie de memória, que o autor sugere, também serve para encontros, reuniões, até mesmo para sairmos a fim de fazermos compras, ou seja, podemos planejar todos os nossos momentos em que desejamos ganhar tempo. Mas, mesmo com todo o cuidado para não jogar tempo fora, é preciso saber deixar a mente livre para que os insights criativos ocorram, porque, segundo Zanetti, o tédio também é um momento de trabalho do executivo. Além disso, é preciso deixar um tempo livre para o lazer. Agindo assim, será possível administrar a agenda e, automaticamente, a própria vida. Isso é fundamental, porque não devemos transformar até o momento de lazer em um planejamento, é preciso ter bom senso, com o objetivo de sabermos que há hora para tudo: trabalhar, ter lazer e ficar com o pensamento livre para que surjam as idéias ou, simplesmente, para descansar.
Resumo feito por Almerinda Tereza Bianca Bez Batti Dias do texto Quem roubou o meu tempo? de Eloi Zanetti, publicado na revista Amanhã, em novembro de 2002.

Análise lingüística

No primeiro parágrafo, o conectivo segundo indica que as idéias expostas a seguir não são da autora do resumo, e sim de Eloi Zanetti, autor do texto resumido. O e está ligando os dois períodos e indicando ao leitor que as informações seguem na mesma linha de raciocínio. O quando introduz a idéia de tempo, ou seja, “quando os intrusos reclamam”. O para indica a finalidade ou o objetivo de a secretária atuar como barreira. O último e soma duas ações feitas pela secretária. Novamente, no segundo parágrafo, o quando introduz a idéia de tempo por meio do qual as pessoas desrespeitam as pessoas; o e adiciona duas idéias formuladas por aqueles que desrespeitam os demais: não marcam hora e insistem em serem recebidos. O ou dá idéia de acúmulo das suposições (não marcam hora e insistem no recebimento;
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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

quando a hora está marcada, chegam atrasados); o mas introduz uma idéia que contraria a expectativa do leitor, ou seja, se alguém tem hora marcada, espera-se que chegue no horário certo e não depois. O e soma duas ações: ser consciente e lembrar que o mundo não gira em torno de si. O também indica ao leitor que, no novo parágrafo, o autor continuará tratando da mesma idéia: o desperdício de tempo. No quarto parágrafo, o também indica que a memória tem outras utilidades, além das anotações descritas no parágrafo anterior. O

para e o a fim indicam outros objetivos da utilização da memória. O ou seja introduz uma
explicação do que foi dito anteriormente. No quinto parágrafo, o mas anuncia uma oposição à idéia discutida anteriormente: “economizar” o tempo. O mesmo que indica também uma oposição ao fato de jogar o tempo fora. O para introduz a finalidade de ter cuidado. O porque explica o fato de jogar tempo fora também ser interessante, atribuindo o crédito das idéias ao Zanetti por meio do conectivo segundo. Por último, o além disso resgata tudo o que foi mencionado anteriormente e acrescenta uma outra idéia. O e soma a idéia da administração da agenda (vida profissional) e da vida pessoal. O porque introduz uma explicação, o motivo de deixar um tempo livre. Os conectivos com o objetivo de e para indicam a finalidade de saber a hora de trabalho, de lazer e de descanso. O ou introduz uma opção entre as várias alternativas. Observamos, então, que os conectivos ligam termos, idéias, períodos e parágrafos, dando assim unidade ao texto.

Atividade
Agora é a sua vez. Leia o texto abaixo e complete as lacunas com os conetivos que, semanticamente, confirmem as idéias apresentadas no ensaio de Roberto Pompeu de Toledo, publicado na Veja, em 7 de fevereiro de 2007. Publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Triunfo da Mãe Joana Gente fora do lugar, muitos falando ao mesmo tempo, uns sem ouvir os outros: eis a Câmara O que mais fez falta na interminável, tediosa, tola, incongruente e inconseqüente campanha para a presidência da Câmara dos Deputados foi uma menção ao artigo de que aquela casa mais necessita – boas maneiras. Sem elas, nada feito. Não haverá esforço de moralização, reforma política ________reestruturação partidária que dêem certo. Não haverá presidente da mesa, por mais bem-intencionado, que dê jeito nos vícios que atravancam o funcionamento da Casa e lhe proporcionam tão má acolhida junto à opinião pública. Na falta de abordagem da questão por quem deveria fazê-lo, elencam-se a seguir alguns itens a ela relativos:
A norma padrão pede que não usemos os pronomes átonos iniciando a frase, embora no uso coloquial essa seja uma prática constante.

• SENTADOS, POR FAVOR. O ambiente na Câmara é de feira. Muita gente falando ao mesmo tempo, muita gente de pé. Muita gente circulando no largo corredor que separa as cadeiras do lado direito das do lado esquerdo do plenário. Formam-se grupinhos que conversam como em porta de botequim. A maior aglomeração se constitui em torno do chamado microfone de apartes, no ponto em que o corredor central se encontra com o pé do estrado no qual se empoleira a mesa diretora. Ali, o aperto é maior do que o da grande área, antes da cobrança do escanteio, nos jogos de futebol. ________, à semelhança da grande área nessas ocasiões, já houve ali agarra-agarra, empurra-empurra e até troca de sopapos, __________ no episódio que envolveu, não faz muito, os deputados Arlindo Chinaglia e Inocêncio Oliveira. Ora, na Câmara, como nos teatros _______ nas salas de aula, o ambiente é, basicamente, de uma platéia que acompanha a apresentação de uma ou mais pessoas lá na frente. É de todo desaconselhável, no teatro ou nas escolas, que, enquanto transcorre a peça ou a aula, se forme uma aglomeração de gente de pé junto ao palco, ou à mesa do professor, ao mesmo tempo em que outros circulam pela sala. _______grande parte dos deputados, tomada pela doença do bicho-carpinteiro, não consegue ficar sentada, então que se retirem as cadeiras. ___________ há gente na Câmara que gosta de dançar, a adequação do recinto a esse tipo de expansão se completaria. ____________, caso se queira que os trabalhos ocorram com um mínimo de seriedade, muito se terá a ganhar se cada um se mantiver educadamente em seu lugar, só se levantando ou andando pela sala ____________ sua participação na sessão assim o exigir. • QUANDO UM FALA, O OUTRO FICA QUIETO. Eis um preceito que certamente todos ouviram da mãe, ou da primeira professora, mas o lugar em que é menos observado é aquele em que mais deveria sê-lo – a casa onde se fazem (ou melhor, se deveriam fazer) as leis e se discutem (ou melhor, se deveriam discutir) as questões nacionais. Difícil encontrar outro ambiente em que o desrespeito pela palavra alheia seja maior. Enquanto se manifesta o orador, uns lêem o jornal, outros cochicham, uns terceiros cochilam, uns quartos formam rodinha em que se soltam gargalhadas. • QUEIRAM DESLIGAR SEUS CELULARES. A invenção do telefone celular representou um grande avanço tecnológico e um correspondente retrocesso no terreno das boas maneiras. Há decisivas questões irresolvidas. Por exemplo: ________ se caminha na rua, a falar ao celular, e cruza-se com um amigo, que fazer? Ignorá-lo? Apenas acenar_________ continuar andando? Fazer sinal _____________ o amigo espere, até terminar a conversa telefônica, para então cumprimentá-lo adequadamente? Cortar a conversa telefônica, _____________ dar a devida atenção ao amigo? Todas as soluções parecem insatisfatórias. Uma coisa, _________, já foi definida: no teatro, no concerto, no cinema, nas conferências, nos seminários ou na sala de aula, os celulares devem ser desligados. Reina quanto a isso consenso absoluto. Já na Câmara... Na Câmara, entre todos os lugares, neste vasto mundo,

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Unidade I – Leitura Tema 7 – Leitura de implícitos

Triunfo da Mãe Joana – Continuação... os celulares encontraram o locus ideal para uma balbúrdia maior do que a de periquitos voando em bando. • RESPEITO, ESTA É A MESA DIRETORA. Na mesa se concentram a autoridade _____________a expectativa de boa ordem nos trabalhos. Deveria ser respeitada como a tribuna do magistrado ___________ o púlpito do padre. ___________,como respeitá-la, se ela não se respeita? Um dos mais intrigantes espetáculos oferecidos pela Câmara é o passa-passa atrás dos componentes da mesa, ____________transcorre a sessão. Por que aquilo? Que move aquela gente que ali desfila,_____________intrusos infiltrados por detrás dos atores, num teatro? Outros ficam parados nas costas do presidente, na posição abstrusa e lamentável de papagaios de pirata. Outros ainda se põem a falar aos ouvidos dos membros da mesa, que nesse ínterim, _________ estavam fazendo algo de relevante, claro que já perderam o fio da meada. Difícil acreditar que, reinando tal confusão na direção dos trabalhos, se vá produzir algo de conseqüente. ___________ a Câmara é a Casa da Mãe Joana, com aquele monte de gente de pé, muitos falando ao mesmo tempo, uns não prestando atenção nos outros, a mesa é seu epicentro, o quarto da casa reservado às maiores estripulias. Do teatro do absurdo em que consiste a Câmara como um todo, a mesa é o palco onde sobe quem quiser, na hora em que bem entender.

Atividade
Aproveitando, diga também qual o objetivo (tese defendida) no ensaio acima, os argumentos e respectivas estratégias utilizadas para convencer o leitor do objetivo. Objetivo (Tese defendida) Argumentos usados Estratégias utilizadas

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O Gênero Resumo

Objetivo da Unidade
Ao concluir esta unidade, você deverá ser capaz de: (Re)conhecer o conceito, exemplos e onde circula o gênero resumo; (Re)conhecer a situação de produção e as etapas do gênero resumo; (Re)conhecer e produzir um resumo científico.

Unidade 2

Chegou a hora de produzir textos acadêmicos em nossa disciplina. Você já parou para pensar como é fundamental em nossas atividades resumir fatos e idéias? Há muitos textos orais e escritos em circulação, portanto essa ferramenta de selecionar o que é essencial é necessária ao estudo e à memorização das informações. Nesta unidade, estudaremos sobre o que é e como se faz um resumo, do mais simples ao científico. É fundamental, para nossa formação acadêmica e humana, percebermos que o resumo não é um amontoado de frases soltas que você tirou daqui e dali. “A produção de resumos na universidade é uma das maneiras através das quais o estudante, além de registrar sua leitura de textos acadêmicos, manifesta sua compreensão de conceitos e do saber fazer em sua área do conhecimento” (MATENCIO, 2002:109). Um bom resumo permite ao leitor identificar, rápida e precisamente, o conteúdo de um documento, determinar sua pertinência para seus interesses e, assim, decidir se deve ler o trabalho em sua totalidade. Vamos (re) aprender juntos mais esse conteúdo. Bom trabalho!

Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Objetivo
(Re)conhecer o conceito, exemplos e onde circula o gênero resumo.

Dominar a técnica de fazer resumos envolve habilidades de leitura,
Resumos são, igualmente, ferramentas úteis ao estudo e à memorização de textos escritos. Além disso, textos falados também são passíveis de resumo. Anotações de idéias significativas ouvidas no decorrer de uma palestra, por exemplo, podem vir a constituir uma versão resumida de um texto oral, também conhecida como relato. Disponível em: <http://www.pucrs.br/manua lred/resumos.php>. Acesso em: 20/03/2007

análise,

capacidade de síntese,

de seleção

e

hierarquização, ou seja, de sumarização. É fundamental em qualquer atividade intelectual e profissional, pois selecionamos fatos e idéias que são essenciais num texto, seja ele oral ou escrito. Essa seleção é a apresentação, com máxima fidelidade, das idéias ou fatos, de forma clara e objetiva.

Sumarizar um texto é um processo que ocorre durante a leitura, quando mentalmente selecionamos as idéias realmente importantes daquele texto, que pode ser oral ou escrito. É quando ficamos com a essência do texto, retirando dele tudo que é acessório, ou seja, os exemplos, as justificativas de uma afirmação, as expressões e palavras sinônimas – todas as estratégias que ajudam no convencimento da tese defendida, conservando somente o que não é resumível. Acabamos por reformular as informações a partir do nosso conhecimento de mundo.

Olá pessoal! Vamos conhecer alguns conceitos de resumo!

“A produção de resumos na universidade é uma das maneiras através das quais o estudante, além de registrar sua leitura de textos acadêmicos, manifesta sua compreensão de conceitos e do saber fazer em sua área do conhecimento. Essa atividade, que implica

retextualização – ou seja, a produção de um novo texto a partir de um ou mais textos-base –, é, obviamente, essencial ao processo de formação e de ensino/aprendizagem que aí se desenvolve.”

(MATENCIO, 2002:109)

No Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, encontramos: Resumo substantivo masculino: ato ou efeito de resumir(-se); sumário, síntese, sinopse. 1. exposição sintetizada de um acontecimento ou de uma série de acontecimentos, das características básicas de alguma coisa, com a finalidade de transmitir uma idéia geral sobre seu sentido. 1.1 apresentação abreviada do texto ou conteúdo de livro, peça teatral, argumento de filme etc.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Segundo a ABNT, RESUMO é “a apresentação concisa das idéias de um texto”.

Associação Brasileira de Normas Técnicas Norma NBR 6028.

Lygia, você entendeu o que é resumo?

Entendi, mas é melhor perguntar aos colegas e debater num Fórum Virtual.

Atividade
Este é o espaço em que você irá nos dizer onde encontra resumos em seu cotidiano. Pode ser que os textos que você encontre não tenham o nome de “resumo”. Mesmo assim, podem conter uma síntese ou serem uma apresentação concisa de outro texto. Poste no Ambiente Virtual de Aprendizagem um tipo de resumo (por exemplo, de novela, filme etc.) e onde você o encontrou (por exemplo, em um jornal revista etc.); cite também o número da edição, a data da publicação. Lembre-se de não repetir o que algum colega já fez. Para isso, você tem de ler as contribuições de seus colegas. Bom trabalho!

Mas, se eu quiser só fazer um resumo informal?

É muito fácil, Aurélio! Quando não há a exigência de um resumo formal, o texto pode igualmente ser sintetizado de forma mais livre, com variantes na estrutura. Uma maneira é iniciar com uma frase do tipo: "No texto.....,

de ......, publicado em......., o autor apresenta/ discute/ analisa/ critica/ questiona ....... tal tema, posicionando-se .....". Essa forma tem a vantagem de dar ao leitor uma
visão prévia e geral, orientando, assim, a compreensão do que segue. Esse tipo de síntese pode, se for pertinente, vir acompanhado de comentários e julgamentos sobre a posição do autor do texto e até sobre o tema desenvolvido.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Saiba Mais
Como elaborar resumos. Disponível em: <http://www.pucrs.br/manualred/resumos.php>. Acesso: 20/03/2007.

Vamos ver alguns exemplos de resumos...

Exemplo 1
Resumo de um livro A Lista de Alice - Herbert de Souza (Betinho) Era uma vez Bocaiúva e seus habitantes... Esta poderia ser a maneira de ler o livro de Herbert de Souza, o Betinho, que retorna à cidade onde nasceu através de uma lista de nomes preparados a seu pedido pela prima Alice. Só que teríamos de aumentar a frase: Era uma vez Bocaiúva e seus habitantes... que morreram. Os nomes listados dão origem a pequenos necrológios, só que diferentes das notícias de morte publicadas nos jornais que tratam de gente ilustre. Os necrológios de A lista de Alice contam breves e saborosas histórias de vidas de homens e mulheres que habitaram a infância de Betinho na pequena cidade mineira. Uma galeria de figuras ímpares, que inclui o tio colecionador de tudo e chefe do correio local, os casais perfeitos e os imperfeitos, o médico que errava diagnósticos, o primo suicida, os mendigos e os padres, as mulheres avançadas para o seu tempo. E outra galeria: a dos tipos mineiramente chamados de sistemáticos, os loucos internados na casa da própria família, além da mulher opiniática, que toma decisões à revelia do marido, e do apaixonado, o homem desiludido que adoece de frustração. Até o político famoso - José Maria Alkimin - ganha seu necrológio, em que se destaca a capacidade de fazer promessas e nunca cumpri-las. A genealogia familiar comparece em peso: José Maria, o primeiro irmão hemofílico a morrer, a avó Dona Mariquinha - a mãegrande e controladora de todos os movimentos da família -, as tias, a irmã, os irmãos mortos pela AIDS, o pai Henrique e a mãe, Dona Maria, destinatária das famosas cartas para a mãe escritas por Henfil para a imprensa e para a TV nos anos 70. De cada personagem se narra um pedacinho da vida, aquele que melhor define uma fragilidade ou uma grandeza. Afinal, quase todos, antes de morrerem, viveram muito. Fazendo a crônica dos mortos de Bocaiúva, Betinho vai reunindo lembranças: as namoradas encantadas da infância, o quarto de menino tuberculoso nos fundos da casa, a iniciação na militância política ainda na juventude e, ao final, desenha um esboço de auto-retrato. Narrando histórias de cidades do interior, que se repetem em qualquer parte do mundo, Betinho cria uma família literária para si mesmo: a família dos escritores Guimarães Rosa e Gabriel Garcia Marques. Mais do que isso, aprende com Genesco, o grande contador de histórias de Bocaiúva, que é possível avisar às pessoas que se vai morrer, mas que a hora ainda pode demorar a chegar. Enquanto isso há tempo de descobrir a razão de se estar vivo.
SOUZA, Herbert de (Betinho). A lista de Alice. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. Disponível em: <http://www.oportaldosestudantes.com.br/resumos.asp>. Acesso em: 23/03/2007.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Exemplo 2
Resumo de artigo publicado em revista Assinaturas Digitais e Arquivologia de Ernesto Carlos Bodê Resumo O trabalho apresenta a tecnologia fundamental que possibilita a implementação do uso de assinaturas digitais em documentos eletrônicos. É apresentada a fundamentação sobre criptografia, algoritmos criptográficos, chaves criptográficas, a infra-estrutura de chaves públicas além do uso de certificados de assinaturas digitais. O conceito de assinatura e seu correspondente eletrônico e digital é abordado, tanto do ponto de vista tecnológico como do ponto de vista sócio cultural e legal. O uso do documento eletrônico, sua autenticidade e conseqüente utilização como documento arquivístico é analisado. Conclui-se o artigo com possíveis conseqüências para os documentos eletrônicos e a arquivologia.
Se você quiser ler o artigo completo, acesse: <http://www.arquivistica.net/ojs/viewarticle.php?id=51&layout=abstract>. Acesso em: 20/03/2007.

Exemplo 3
Resumo de um livro Desesperados, de Paula Fox (Tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 192 páginas; 35,50 reais) – Aos 83 anos, a americana Paula Fox foi recentemente "redescoberta" em seu país. Livros seus publicados na década de 70 voltaram às livrarias. É o caso de Desesperados, uma arrasadora história de dissolução familiar e social no meio da elite de Nova York. Na introdução que escreveu para o livro, Jonathan Franzen, autor de As Correções, diz que o romance é superior às produções dos contemporâneos mais célebres da autora – John Updike, Saul Bellow e Philip Roth. Exageros à parte, Desesperados é de fato uma narrativa notável no modo como dá significado moral a pequenos gestos: a débâcle* existencial da protagonista, a rica Sophie Bentwood, começa quando ela é mordida por um gato de rua ao qual ofereceu um pires de leite. *Vocabulário: débâcle – ruína, derrota
Disponível em: <http://veja.abril.com.br/140307/veja_recomenda.shtml>. Acesso em: 29/03/2007.

(http://www.biglivros.com.br )

Exemplo 4
Resumo de novela Paraíso Tropical Segunda, 26 de março Antenor cai tentando pular uma janela e obriga Sérgio a levá-lo para o hospital. Iracema debocha por Virgínia não ter conseguido o apartamento. Antenor diz à esposa que foi atropelado. Hugo promete ser generoso com Taís, se o pai acreditar mesmo no namoro dos dois. Fred e Camila se beijam. Jáder ameaça Bebel de mandá-la embora. Heitor aceita a proposta de Fred. Taís finge ir ao aeroporto com Hugo, que embarca com Felipe.

(ww.globo.com)

Disponível em: <http://exclusivo.terra.com.br/ultimas/0,,EI1492-SUM,00.html>. Acesso em: 23/03/2007.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Exemplo 5
Resumo de filme (sinopse) A Era do Gelo II A era glacial está chegando ao fim e, com isso, surge em todo lugar gêiseres e verdadeiros parques aquáticos. O mamute Manfred (Diogo Vilela), o tigre Diego (Márcio Garcia) e o bichopreguiça Sid (Tadeu Melo) logo descobrem que toneladas de gelo estão prestes a derreter, o que inundaria o vale em que vivem. Com isso, o trio de amigos precisa correr para avisar a todos do perigo e ainda encontrar um local em que não corram riscos.
Disponível em: <http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/era-dogelo-2/era-do-gelo-2.asp>. Acesso em: 23/03/2007. (http://www.iceagemovie.com)

Atividades
Levando em conta os três conceitos de resumo (Matencio, Houaiss e ABNT), quais as diferenças que você percebeu nos exemplos apresentados? Esses exemplos estão numerados para facilitar a sua análise. Você pode escrever sua contribuição em tópicos ou construir um parágrafo explicativo. Poste no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

Fique de olho
Você notou que um resumo não é um amontoado de frases soltas que você, autor, tirou daqui e dali. Esse texto deve estar bem estruturado, apresentar as idéias, justificativas e conclusão do texto original, ou seja, ser coerente, ter forma lógica, apresentar idéias relacionadas entre si, isso quer dizer, ser coeso.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Para conseguirmos um texto coerente e coeso, temos que rever os conceitos de coerência e coesão textual. Revise esses conceitos:

Dica
Segundo Kock e Travaglia (1998), a coerência teria a ver com a “boa formação” do texto, mas em um sentido diferente de qualquer idéia assemelhada à noção de gramaticalidade usada no nível da frase, sendo mais ligada, talvez, a uma boa formação em termos da interlocução comunicativa. Portanto, a coerência é algo que se estabelece na interação, na interlocução, em uma situação comunicativa entre dois usuários. Ela é o que faz com que o texto faça sentido para os usuários, devendo ser vista, pois, como um princípio de interpretabilidade do texto. Assim, ela está ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor do texto (que o interpreta para compreendê-lo) tem para calcular o seu sentido. A coerência seria a possibilidade de estabelecer, no texto, alguma forma de unidade ou relação. Essa unidade é sempre apresentada como uma unidade de sentido no texto, o que caracteriza a coerência como global, isto é, referente à totalidade do texto. Em termos práticos, o texto precisa ter todas as partes constituintes em conformidade com a tese defendida. É preciso, também, que não haja contradição entre as estratégias utilizadas para ajudar na persuasão do leitor e os seus argumentos, sempre levando em conta o contexto em que ele está inserido. Observe a propaganda abaixo. Em um primeiro momento, a imagem da mulher de barriga de fora no inverno parece incoerente, mas participando de uma propaganda que visa vender produto de beleza que auxilia na dieta de emagrecimento, deixa a pele mais bonita, diminui a absorção de gorduras, equilibra a função intestinal, enfim, torna a pessoa melhor, faz sentido, mesmo no frio, mostrar a barriga. Então, o texto, aparentemente incoerente, tem sentido ao levarmos a estratégia – mulher com a barriga à mostra e os enunciados – bem como o contexto – propaganda - em conta na análise.

(Jornal Zero Hora, 05/09/2004)

Para Marcuschi (1983), os fatores de coesão são aqueles que dão conta da seqüenciação superficial do texto, isto é, os mecanismos formais da língua que permitem estabelecer, entre os elementos lingüísticos do texto, relações de sentido.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Dica – Continuação...

Platão e Fiorin (1998) afirmam que a coesão textual é a ligação, a relação, a conexão entre as palavras, expressões ou frases do texto. Segundo esses dois autores, há dois tipos de coesão: - por retomada ou por antecipação de termos, conforme já estudamos em coesão referencial na Unidade Leitura (tema 6); por encadeamento de segmentos textuais ou elementos conectivos. Vamos agora abordar o primeiro tipo (coesão por retomada), tratando dos pronomes relativos que dão coesão às orações. Conheça os pronomes relativos e saiba usá-los bem
DÍLSON CATARINO * especial para o Fovest Online

Os funcionários da empresa que conversei ontem deflagrarão a greve. Eis um exemplo de frase que traz enormes dificuldades aos estudantes brasileiros. O uso dos pronomes relativos (que, quem, qual, onde, quanto e cujo) é extremamente problemático, pois o período deve ser montado, estruturado com o raciocínio, ou seja, o cidadão tem de pensar antes de falar. Comecemos com o pronome "cujo": ele só poderá ser usado quando houver indicação de posse entre dois termos: algo de alguém = alguém cujo algo, ou seja, se houver indicação de posse, coloca-se o pronome cujo entre o elemento possuído e o elemento possuidor. Exemplo CUJO: O pai do garoto = o garoto cujo pai; agora aumentemos o período: O garoto esteve aqui; o pai do garoto viajou. Unindo tudo em um só período, teremos: O garoto cujo pai viajou esteve aqui. O pronome cujo sempre fará a concordância de número (plural – singular) e gênero (feminino – masculino) com o segundo termo a que se refere. Se o verbo posterior ao pronome exigir preposição, referente ao elemento possuído, ela deverá ser colocada antes do pronome. Por exemplo: O garoto esteve aqui; eu me referi ao pai do garoto. Unindo tudo, teremos: O garoto a cujo pai me referi esteve aqui. Mais um detalhe: não se coloca artigo depois do pronome cujo, pois ele já está incluso no próprio pronome: O garoto cuja mãe viajou esteve aqui; O garoto cujos irmãos viajaram esteve aqui; O garoto cujas irmãs viajaram esteve aqui. O pronome "quem" só deve ser usado para pessoas, sem a indicação de posse, evidentemente. Esse pronome, quando houver elemento antecedente, não poderá ser usado sem preposição. Exemplo QUEM Eu encontrei o garoto; você se referiu ao garoto. Perceba que não há indicação de posse, garoto é pessoa e o verbo referir-se exige a preposição "a". Unindo as frases, teremos: Eu encontrei o garoto a quem você se referiu. O pronome relativo "que" pode ser usado tanto para pessoas quanto para coisas, com ou sem preposição, sem a indicação de posse. Exemplo QUE Eu encontrei o garoto a que você se referiu. Outro exemplo: Comprei o computador; você queria o computador. Perceba que não há indicação de posse, computador não é pessoa e o verbo querer não exige preposição. Unindo as frases, teremos: Comprei o computador que você queria. Mais um exemplo: O carro é importado; fala-se tanto do carro. Perceba que não há indicação de posse, carro não é pessoa e o verbo falar exige a preposição "de". Unindo tudo, teremos: O carro de que tanto se fala é importado.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Dica - Continuação...
Um último exemplo: As meninas ganharam a medalha; as meninas são brasileiras. Perceba que não há indicação de posse, meninas são pessoas e o verbo não exige preposição, portanto não poderemos usar o pronome "quem", e sim o pronome "que": As meninas que ganharam a medalha são brasileiras. O pronome "qual" tem de ser usado com artigo anteriormente a ele (o qual, a qual, os quais, as quais) e é pronome substitutivo de "quem" e "que", ou seja, onde se usar "quem" ou "que", pode se usar "qual". O artigo anterior ao pronome concorda com o elemento antecedente. Se houver preposição e ela possuir duas ou mais sílabas, use "qual", preferencialmente. Exemplo QUAL Eu encontrei o garoto ao qual você se referiu. Comprei o computador o qual você queria. O carro do qual tanto se fala é importado. As meninas as quais ganharam a medalha são brasileiras. Agora veja este exemplo: Fui à praia; você falou sobre a praia. Perceba que não há indicação de posse, praia não é pessoa e o verbo exige preposição de duas sílabas, então deveremos usar "a qual", e não "que": Fui à praia sobre a qual você falou. O pronome "onde" só indica lugar e é usado onde puder utilizar "em que". Se a indicação for "a que", usa-se "aonde"; se for "de que", usa-se "donde". Exemplo ONDE A casa onde estou é aquela aonde você veio e donde ela saiu. O pronome "quanto" só poderá ser usado após as palavras "tudo", "todos" ou "todas". Exemplo QUANTO Traga tudo quanto quiser trazer. Coma todos os sanduíches quantos conseguir comer. Voltemos agora à frase apresentada: Não há indicação de posse, portanto não usaremos "cujo"; funcionários são pessoas, então poderemos usar "quem", "que" ou "qual": o verbo "conversar" exige a preposição "com". Teremos, portanto as possíveis frases: Os funcionários da empresa com que conversei ontem deflagrarão a greve. Os funcionários da empresa com quem conversei ontem deflagrarão a greve. Os funcionários da empresa com os quais conversei ontem deflagrarão a greve. Para fazer os exercícios sobre pronomes relativos, visite o site: http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/quiz07.shtml * Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/relativo.shtml. Acesso em 31/03/2007. Sobre o encadeamento de segmentos textuais ou elementos conectivos, trata-se da ligação de termos, idéias, períodos e parágrafos por conectivos – termo genérico usado para designar as palavras e expressões que têm a função de elo. Segundo Fiorin e Savioli (1998), o leitor não se perde entre os enunciados, nem perdemos a noção de conjunto, quando lemos um texto coeso, ou seja, quando as idéias estão interligadas entre si por meio de palavras ou expressões que fazem a ligação entre cada uma das partes do enunciado. Os autores chamam essa conexão interna, isto é, essas relações de sentido entre as proposicões presentes no texto, de coesão textual. Faz-se necessário, portanto, que saibamos os significados dessas “palavras mágicas”, a fim de que a escritura do texto tornese clara, auxiliando-nos, também, na interpretação do que escrevemos.

Donde é uma forma raramente usada na atualidade, substituída por de onde, como em: De onde você tirou essa idéia?

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade II – O Gênero Resumo Tema 1 – Resumo: o que é e por quê

Dica
No mundo acadêmico, ao citar resumidamente as idéias dos autores que você estudou no decorrer da Unidade I, você usou muitos conectivos de conformidade. Vale a pena revê-los: Conectivos de Conformidade Servem para fazer uma referência e estabelecer uma relação de conformidade com essa referência. de acordo com De acordo com a Constituição Federal, o direito à moradia é um direito social que deve ser implementado para erradicar a pobreza e a marginalidade, mediante o desenvolvimento de políticas públicas. conforme Conforme Matencio (2002, pág. 109), a produção de resumos na universidade é uma das maneiras através das quais o estudante, além de registrar sua leitura de textos acadêmicos, manifesta sua compreensão de conceitos e do saber fazer em sua área do conhecimento. segundo Segundo Platão, conhecer é recordar verdades que já existem em nós - teoria que pode ser atestada sempre que nos deixamos guiar pela voz do inconsciente.

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Tema 2 – A situação ou o contexto de produção do resumo

Objetivo
(Re)conhecer a situação de produção e as etapas do gênero resumo.

Pela variedade de RESUMOS aqui exemplificados e postados por você no fórum 1, fica claro que essa diferença se dá porque temos que levar em conta algumas características específicas.

Com certeza, Lygia. Agora, então, analisaremos a situação de produção.

Se você percebeu que há vários tipos de resumos, também percebeu que eles, mesmo que sejam do mesmo tipo, têm características específicas. Todas essas diferenças acontecem, pois a situação ou o contexto de produção de cada resumo é diferente. Essas diferentes escolhas acontecem, quando produzimos um texto oral ou escrito, porque levamos em conta quem somos naquele momento de produção textual, para quem estamos escrevendo, com que objetivo e muito mais. Que tal saber mais sobre isso? Leia atentamente os itens a seguir.

1. Quem escreve
Dependendo do autor, temos mais ou menos informações sobre o texto original. Fica evidente a diferença entre o próprio autor do texto, ao fazer o resumo, como no caso das monografias, teses e dissertações de mestrado, e um outro autor que não o produtor do texto original. Além disso, a função social do autor também é muito importante e resultará em resumos, sobre o mesmo tema, completamente diferentes. Isso acontece, por exemplo, quando um jornalista especializado em cinema escreve um resumo de um filme, que será bem diferente de um professor resumindo o mesmo tema. Você sabe por quê?

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 2 – A Situação ou o contexto de produção do resumo

2. Destinatário
Dependendo do público-alvo, ou seja, para quem escrevemos, fazemos e utilizamos estratégias diferentes para dizermos o que queremos. Escrevemos de modo diferente sobre um filme, por exemplo, quando nosso resumo é para leitores especializados em cinema ou quando é para o professor que tenha pedido esse tipo de trabalho. Você sabe por que isso acontece?

3. Objetivo
Não se faz um resumo por fazer. Todos temos objetivos específicos. Por isso, escrevemos textos diferentes sobre o mesmo tema. Escrevemos de um jeito para vender, impressionar, informar, registrar conhecimentos, facilitar a consulta do original etc. Ainda sobre o contexto de produção, o que você acha que está faltando?

4. Momento da produção
Sabemos que escrever um texto sob pressão, num dia de prova, é muito diferente de escrevermos sobre o mesmo assunto na hora que costumamos estudar, não é mesmo? Além disso, há resumos que são escritos e vêm junto com o trabalho original, como artigos científicos, monografias, e outros são produzidos imediatamente ou muito depois da publicação (circulação do texto original), como livros, filmes etc. Nossa última análise passa por isso: será que o lugar onde o texto será publicado/divulgado mudará minha escrita?

5. Divulgação
Sim, para cada local onde o texto possivelmente circulará, escreveremos de um jeito. Escreve-se diferentemente para um jornal, assim como para um livro que será editado para um público especializado na área. A nossa produção é afetada por sabermos onde nosso texto será publicado.

Atividade
Escolha um resumo e analise os cinco pontos que vimos até agora. Publique seus resultados, junto com o resumo analisado, no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 2 – A Situação ou o contexto de produção do resumo

Fique de olho
E o resumo que os professores pedem na universidade? Veja o que diz Andréa Lourdes Ribeiro no seu artigo Resumo acadêmico: uma tentativa de definição*: “...defino como resumo acadêmico um texto que explicita de forma clara uma compreensão global do texto lido, produzido por um aluno-leitor que tem a função de demonstrar ao professor-avaliador que leu e compreendeu o texto pedido, apropriando-se globalmente do saber institucionalmente valorizado nele contido e das normas às quais o gênero está sujeito. Nessa esfera de circulação, a função do resumo acadêmico é ser um texto autônomo, que recupera de forma concisa o conteúdo do texto lido numa espécie de equivalência informativa que conserva ou não a organização do texto original. Quanto à função, vemos que o resumo no contexto acadêmico serve tanto ao aluno, como eficiente instrumento de estudo dos inúmeros textos teóricos e científicos que tem que ler, quanto ao professor, como instrumento de avaliação que permite verificar a compreensão global do texto lido. Além disso, o resumo acadêmico pode ser considerado um gênero que proporciona ao aluno a inserção nas práticas acadêmicas.”
*Cadernos do Congresso Nacional de Lingüística e Filologia, Volume IX, no.12.

Agora veremos as etapas de um resumo.

Muitos textos, como o resumo, por exemplo, têm uma linguagem, uma estrutura mais ou menos fixa. Mesmo existindo vários tipos de resumo, há etapas pelas quais temos de passar para produzirmos bem esse gênero textual. Conheça-as conosco.

1. Leitura de texto original
Nesse momento, é importante saber o que você está lendo (um artigo de opinião, uma notícia, um ensaio, uma reportagem, um romance, um texto técnico), pois cada gênero tem um tipo de autor, um público-alvo, uma intenção ou objetivo. Além disso, é momento também de ir tentando identificar tudo que parecer significativo à primeira leitura. Você pode fazer isso sublinhando/ assinalando/ transcrevendo palavras, trechos e até parágrafos do original.

2. Análise do vocabulário
Cada palavra tem um sentido no contexto que a envolve. Portanto, é hora de você procurar o significado das palavras que não conhece no vocabulário do texto, se houver, ou em algum dicionário, ou mesmo em livros técnicos que apresentem o significado de termos da área específica. Essa etapa é muito importante para a compreensão, além de servir para ampliar seu vocabulário.

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3. Elaboração do esquema
O esquema é muito pessoal. Você pode usar símbolos, palavras abreviadas, chaves, desenhos, flechas, letras maiúsculas, pois esquematizar é também reelaborar o plano autor, como se fosse o resumo ainda não redigido. Nele, aparece a idéia principal, ou seja, a(s) idéia(s) mestra(s) - argumentos, justificativas ou estratégias e a conclusão a que o autor chegou. O seu esquema pode conter as idéias secundárias (estratégias de convencimento já estudadas) claramente expostas, para você entender o texto original, mas elas não farão parte do resumo final.

4. Escrita do resumo
Esse é o seu momento, é o seu texto. Você escreverá a(s) idéia(s) – argumentos contida(s) na obra que leu, fazendo a reelaboração do texto original. Lembre-se de sempre ser fiel à(s) idéia(s) do autor, mostrando, então, a essência do texto, mas sem precisar transcrever trechos completos do original. O objetivo aqui é mostrar a sua sumarização, a sua “filtragem” das informações. Se for necessário utilizar trechos do original (para reforçar algum ponto de vista, por exemplo), esses devem ser breves e estar referenciados (indicar autor e página).

Fique de olho
Observe a diferença entre informação principal (tese e/ou argumentos) e informações adicionais (estratégias de persuasão)*: Os acadêmicos realizaram a prova final. Nessa informação, existe um fato específico: uma prova realizada por acadêmicos. Veja, agora, como podemos incluir informações adicionais. Para começar, vamos caracterizar os acadêmicos: Os acadêmicos, regularmente matriculados em Direito, realizaram a prova final. Podemos, também, incluir a freqüência com que esse fato ocorre: Como acontece a cada final de semestre, os acadêmicos, regularmente matriculados em Direito, realizaram a prova final. E, se quisermos, podemos acrescentar uma idéia de lugar: Como acontece a cada final de semestre, os acadêmicos, regularmente matriculados em Direito, realizaram, na sala de informática, a prova final. Além disso, podemos explicar a causa dessa ação: Como acontece a cada final de semestre, os acadêmicos, regularmente matriculados em Direito, realizaram, na sala de informática, a prova final, como parte da avaliação no curso. E dar, por último, ainda uma referência de tempo: Como acontece a cada final de semestre, os acadêmicos, regularmente matriculados em Direito, realizaram, ontem pela manhã, na sala de informática, a prova final, como parte da avaliação no curso. Agora, é o processo inverso. Para sumarizar, você deve excluir todas as informações adicionais. Veja: Os acadêmicos realizaram a prova final. * Técnica baseada no material apresentado em Técnicas Básicas de Redação de Branca Granatic.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 2 – A Situação ou o contexto de produção do resumo

Dica
Você notou que usamos as vírgulas para separar termos acessórios ou explicativos. É isso mesmo! Você pode revisar esse conteúdo agora! A vírgula tem três funções principais: 1. Antecipar informações: No último sábado, fomos para a aula. Se tudo estiver certo, poderemos publicar nosso trabalho. 2. Enumerar orações ou itens de uma seqüência: “Vim, vi, venci.” Lemos sobre conteúdo, dicas, partes do resumo e agora faremos o exercício. As pessoas estressadas, sem tempo de descansar, exaustas de trabalho, têm uma vida mais curta. 3. Intercalar explicações ou palavras explicativas: Houve melhoras, nas últimas décadas, no nível de leitura dos brasileiros. O sacerdote, conforme consta nos jornais, não declarou nada sobre o assunto. Na maioria das vezes, no entanto, é proibido realizar esse tipo de visita. O caso do “e” Usamos vírgula antes do e quando ele soma duas orações com sujeitos diferentes ou quando equivale a mas. “Os soldados ganham as batalhas, e os generais recebem o crédito.” Então, quando temos duas orações unidas pelo e com o mesmo sujeito, não usamos vírgula antes dele. Viajamos durante dois dias e encontramos o lugar tão esperado. É proibido o uso da vírgula 1. Para separar sujeito, verbo, complemento – SVC: *A maioria dos candidatos ao último concurso públicox não compareceu à prova. ,
x * Este conteúdo ainda, acaba por me deixar louco.

2. Para separar os nomes e seus determinantes:
x *A busca por melhores condições, de vida tem sido contínua.

* situações não aceitas pela norma padrão

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Saiba Mais
Se você quiser saber mais sobre vírgula, acesse http://www1.folha.uol.com.br/folha/interacao/quizfo17.shtml ou http://www1.folha.uol.com.br/folha/fovest/virgula.shtml. um exercício mais conteúdo em em

Dica
Para fazer um bom resumo, você deve sintetizar com suas palavras as idéias do autor, mas você pode fazê-lo usando vários verbos que explicitam os atos do autor do texto, como define, ressalta, enumera, incita, argumenta, enfatiza, trata de, classifica, inicia, conclui, nega, acredita, afirma, sem precisar, sempre, utilizar somente diz. Além disso, você pode usar os conectivos que dão idéia de conformidade, ou seja, dão o crédito a outra pessoa. São eles: conforme, de acordo, para, como, consoante, em conformidade com.

Atividade
Depois de ler o texto “A redação eletrônica” de Thereza Christina Guerra, elabore um resumo, em até 10 linhas, utilizando os conhecimentos adquiridos até aqui. Poste seu resumo no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

A redação eletrônica por Thereza Cristina Guerra Escrever na Internet não é diferente de redigir no papel. As mudanças ficam mais por conta da forma como se usam esses meios. O resto permanece igual, ou seja, clareza e concisão continuam contando pontos. Escrever bem na era da internet é uma tarefa que exige, pelo menos, um pouco de atenção e cuidado. Com os textos cada vez mais curtos e objetivos, os erros que aparecem são enormes. A desculpa é a rapidez e a digitação. Muitos e-mails são recebidos. Há que se responder a todos. Estamos todos correndo para bater o recorde de quem recebe mais e-mails. E cheios de erros. Ora, também nas home-pages encontramos artigos sem sentido ou aqueles tão longos que nem paramos para ler. As técnicas de redação não mudaram só porque estamos na internet. Pelo contrário, devemos reparar mais no que escrevemos, porque nossa imagem profissional também passa pelo e-mail. Primeiramente, vamos salientar a importância de pensar. Para escrevermos um texto que atinja o leitor, é imprescindível sabermos pensar. O que significa analisar, raciocinar, testar e criar a redação? O texto deve ser lógico, com frases harmoniosas e ligadas entre si. Vejamos algumas características de uma redação clara e precisa na internet: Estrutura do texto: delimitar o objetivo do texto e escolher o tema. Aqui, devem-se evitar detalhes sem importância para o leitor, embora pareçam belos ou pitorescos para o redator.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 2 – A Situação ou o contexto de produção do resumo

A redação eletrônica – Continuação... Introdução: há várias maneiras de começar um texto. Fazer perguntas, montar comparações, contar uma história pessoal ou profissional são algumas delas. Desenvolvimento: nesta parte, vamos contar somente o que realmente interessa, argumentando, sem perder o foco no tema escolhido. Conclusão: aqui, devemos aplicar as mesmas técnicas usadas na introdução. Porém, podemos terminar de maneira contundente, citando uma frase de autor famoso ou até mesmo criando uma especial para o texto. Preste atenção aos 5 Cs Correção: o redator precisa conhecer muito bem sua própria língua. Como escrever bem se não conhecemos a gramática? Às vezes, basta consultar um dicionário ou livros do gênero tira-dúvidas, e muitos erros podem ser eliminados. Coerência: está ligada à maneira pela qual distribuímos as idéias no texto, isto é, a ordem lógica de cada frase. Escrever o que interessa é essencial. Clareza: a escolha correta das palavras e a riqueza do vocabulário são pontos importantes para quem deseja escrever bem e com clareza. Concisão: é expressar um pensamento com o menor número de palavras. Para tal, é importante evitarmos as repetições de idéias, as frases de duplo sentido ou aquelas muito confusas ou difíceis de entender. Conhecimento do assunto: este item talvez seja o mais importante, pois não podemos escrever sobre um assunto sem ao menos conhecê-lo um pouco. Aliás, o que prejudica a maioria dos textos empresariais é escrever sem qualquer domínio do tema, sem conhecer o seu objetivo, resultando numa redação caótica e desestruturada. [...]
Thereza Cristina Guerra é especialista em comunicação empresarial. Disponível em: http://carreiras.empregos.com.br/comunidades/rh/fique_por_dentro/250702-td_redacao_eletronica.shtm. Acesso em: 30/03/2007.

Fique de olho
Não se esqueça de indicar dados sobre o texto resumido, como o autor e título, onde foi publicado e/ou data de publicação, além das ações do autor durante seu texto; por exemplo, o autor aborda, define, esclarece etc.

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Tema 3 – Resumo científico

Objetivo
(Re)conhecer e dar subsídios para a produção do resumo científico.

Já que o resumo pode ter vários públicos-alvo, intenções específicas (objetivos), há também diferentes tipos de resumos. Há de levar-se em conta também o efeito que o autor pretende provocar no leitor desse resumo, pois podemos encontrar um resumo do mesmo livro, por exemplo, totalmente diferente na sua estrutura, como é o caso daquele publicado para alunos de vestibular e o resumo, falando da mesma obra, mas publicado em uma revista de grande circulação.
Vamos conhecer um resumo bem mais acadêmico?

Você com certeza encontrará, na sua vida acadêmica, vários resumos. Além dos resumos de artigos, livros, novelas e filmes, que vimos até agora, há o resumo científico, que é aquele encontrado nas monografias, teses e dissertações, nas pesquisas científicas, nos trabalhos de conclusão de curso (TCCs) etc. O resumo científico serve para ser julgado por uma comissão que seleciona as pesquisas a serem apresentadas em congressos nas mais diversas áreas, como também para o leitor resolver se lerá a sua pesquisa ou não, pois ali devem estar o objetivo, o método, os resultados e a conclusão da pesquisa. Serve, então, de ponto de partida para a pesquisa bibliográfica de outros pesquisadores. Um bom resumo permite ao leitor identificar, rápida e precisamente, o conteúdo de um documento, determinar sua pertinência para seus interesses e, assim, decidir se deve ler o trabalho em sua totalidade.

Fique de olho
O resumo científico serve para responder a duas perguntas básicas: o que o autor do trabalho pretende mostrar e do que trata o texto.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 3 – Resumo Científico

Exemplo 1
Resumo de Artigo Científico
Métodos para avaliação das emissões de gases do efeito-estufa no sistema solo-atmosfera.

A escolha do método para avaliar as emissões de gases do efeito estufa (GEE) é uma etapa importante para o conhecimento e/ou desenvolvimento de práticas agrícolas com potencial de mitigação do aquecimento global. A presente revisão tem por objetivo apresentar vantagens e limitações de métodos utilizados para quantificação dos fluxos de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) no sistema solo-atmosfera. O balanço dos estoques de C orgânico no solo em sistemas conservacionistas de manejo permite avaliar o influxo líquido anual de C-CO2 atmosférico no solo em comparação a sistemas de manejo convencional. Maior sensibilidade na determinação direta das emissões de CO2 in situ pode ser obtida pelo uso de câmaras sobre o solo. Nesse caso, podem ser determinadas taxas diárias com o método da captura do CO2 em solução alcalina e quantificação por titulação, e taxas horárias com o uso de analisadores automáticos de infravermelho ou cromatógrafos a gás. Pelo uso de cromatografia, é possível também a avaliação das emissões de N2O e CH4 os quais apresentam, respectivamente, potencial de aquecimento global 296 e 23 vezes superior ao do CO2. A análise dos três GEE é necessária quando se objetiva avaliar o potencial de um dado sistema de manejo na mitigação do aquecimento global, o qual pode ser expresso em C equivalente. Palavras-chave : aquecimento global; seqüestro de C; absorção de CO2 em soluções alcalinas; analisadores de infravermelho; cromatografia gasosa.
COSTA, Falberni de Souza et al . Métodos para avaliação das emissões de gases do efeito estufa no sistema soloatmosfera. Cienc. Rural., Santa Maria, v. 36, n. 2, 2006. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84782006000200056&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 24 Mar 2007. Pré-publicação. doi: 10.1590/S0103-84782006000200056

Agora vamos conhecer a estrutura de apresentação do resumo científico!

Estrutura de apresentação do resumo científico: referência da obra (exceto quando inserida no próprio documento); resumo do conteúdo; palavras-chave (separadas entre si por ponto) O resumo deverá conter breve introdução sobre o assunto, descrição dos materiais e métodos utilizados, síntese dos resultados (parciais ou finais) e conclusões. E as partes do resumo científico são: objetivos (O quê, para quê –intenção da pesquisa–, qual o ponto de partida?);
Essa não é uma regra, e sim uma sugestão, já que, dependendo do meio de circulação, as palavras-chave são vistas separadas por ponto-e-vírgula e, às vezes, somente por vírgulas.

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 3 – Resumo Científico

métodos (Como? – qual a metodologia utilizada, pode-se apresentar os passos da pesquisa); resultados parciais ou finais (O que o pesquisador encontrou? – o resumo pode se referir às pesquisas em andamento ou em fase inicial, portanto, nesse caso, não apresentará ainda as conclusões); conclusões (Qual o ponto de chegada? Indicativos para um estudo maior? Há relação com os objetivos?). Nos resumos científicos, também podemos inserir informações quanto ao suporte teórico, ou seja, indicar quais os teóricos ou teorias utilizadas como base do trabalho.

Fique de olho
Deve-se evitar o uso de parágrafos no meio do resumo científico, pois esse texto é constituído de um só parágrafo.

Veja um exemplo de um bom resumo, inclusive já identificadas as 4 partes: (A) objetivos; (B) métodos; (C) resultados e (D) conclusões.

Exemplo
ÁLCOOL, VIOLÊNCIA E PERSONALIDADE: SUA RELAÇÃO COM DELITOS DE BAIXO E MÉDIO POTENCIAL OFENSIVO. Edna d’Arc Cavalcanti Santos¹; Marcus Túlio Caldas². ¹Estudante do Curso de Psicologia do Departamento de Psicologia do Centro de Teologia e Ciências Humanas; Bolsista do CNPq E-mail: ednadarc@hotmail.com ²Professor do Departamento de Psicologia do Centro de Teologia e Ciências Humanas. Participante do Grupo de Pesquisa Interação Social e Familiar. E-mail: marcus_tulio@uol.com.br Resumo O projeto tem como (A)objetivo analisar a relação existente entre violência, uso de álcool, personalidade e suas manifestações na prática da criminalidade na cidade do Recife, verificando os delitos de baixo e médio potencial ofensivo cometidos sob o efeito do álcool. Temos como (A)objetivo traçar o perfil psicológico do alcoolista e fornecer o resultado da nossa pesquisa para auxiliar os setores da Justiça no combate à violência e no planejamento de programas em Saúde Pública. (B)Em uma primeira etapa, entramos em contato com os profissionais envolvidos na temática da violência e álcool na Vara Especial de Penas Alternativas (VEPA). (B)Numa segunda etapa, escolhemos, aleatoriamente, os agentes dos delitos de baixo e médio potencial ofensivo para entrevistar e aplicar o teste projetivo da personalidade HTP, entre os que estão em tratamento no Centro de Prevenção, Tratamento e Reabilitação do Alcoolismo (CPTRA). (C)Dentre os resultados, encontramos que metade de nossa amostra não apresentava comportamento agressivo e/ou impulsivo durante a infância, e a outra metade afirma que o álcool potencializou a agitação

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Unidade II – O Gênero Resumo Tema 3 – Resumo Científico

Exemplo – Continuação...
psicomotora já existente. (D)Todos foram unânimes em afirmar que, após o uso de álcool, tornaram-se nervosos e impacientes, confirmando que o efeito desinibidor do álcool seria o principal responsável por seu papel de agente facilitador de delitos de baixo e médio potencial ofensivo. Palavras-chave: Delito. Drogadição. Personalidade. Justiça.
Disponível em: http://www.unicap.br/pesquisa/pibic/download/Resumos_Expandidos_Bolsistas_CNPq_FACEPE.pdf . Acesso em: 30/03/2007. [adaptado]

Atividade
Agora, é a sua vez... Escolha um dos textos a seguir e identifique as quatro partes de um resumo científico. Publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Resumo 1
CARNEIRO, Gabriela Raeder da Silva; MARTINELLI, Selma de Cássia; SISTO, Fermino Fernandes. Autoconceito e dificuldades de aprendizagem na escrita. Psicol. Reflex. Crit., 2003, vol.16, no.3, p.427434. ISSN 0102-7972.

O autoconceito vem sendo considerado na literatura como um constructo multidimensional e um dos aspectos afetivo-emocionais relacionados às dificuldades de aprendizagem. Considerando a importância desse constructo, o objetivo deste estudo foi verificar se haveria diferenças significativas entre níveis de dificuldade de aprendizagem na escrita e o autoconceito geral, escolar, social, familiar e pessoal de crianças do ensino fundamental. Utilizou-se uma escala para avaliar a dificuldade de aprendizagem na escrita e outra para avaliação do autoconceito. A amostra foi composta por 277 estudantes, de ambos os sexos, com idade entre 9 e 10 anos, da 3ª série do ensino fundamental. Os resultados evidenciaram que a dificuldade de aprendizagem na escrita está significativamente relacionada com o autoconceito geral e com o escolar, verificando-se que conforme aumenta o nível de dificuldade de aprendizagem na escrita diminui o autoconceito. Palavras-chave : Dificuldades de aprendizagem; autoconceito; escrita.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S010279722003000300002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 30/03/2007.

Resumo 2
SAWAYA, Sandra Maria. Alfabetização e fracasso escolar: problematizando alguns pressupostos da concepção construtivista. Educ. Pesqui., jan./jun. 2000, vol.26, no.1, p.67-81. ISSN 1517-9702.

O objetivo deste artigo é contribuir com elementos para o debate das questões relativas à alfabetização e ao fracasso escolar das crianças de baixa renda. Parte-se de resultados de uma pesquisa que examina algumas teses que, tendo como uma das suas bases conceituais a teoria construtivista de Emília Ferreiro e Ana Teberosky, vêm norteando as políticas públicas de alfabetização em nosso país desde a década de 1980. Levaram-se também em conta dados de pesquisas anteriores que estudaram a presença dos materiais escritos na cultura popular. Os pressupostos construtivistas acerca do desenvolvimento cognitivo das crianças das camadas populares e suas relações com o texto escrito foram analisados a partir de uma linha de pensamento da História Cultural, que vê a leitura e a escrita como práticas culturais,

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Atividade – Continuação...
ou seja, como forma de expressão do indivíduo na sociedade. As conclusões a que se chegou são: não há marginalidade cultural no sentido de não participação na cultura escrita, pois numa sociedade letrada as práticas de escrita se impõem de diferentes maneiras nas formas de existência social, definindo relações sociais. As relações das crianças de camadas populares com o texto escrito só podem ser compreendidas em toda sua complexidade dentro do contexto e da diversidade das formas culturais da sua produção. Palavras-chave: Fracasso escolar; Alfabetização; Classes populares; Cultura escrita.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S151797022000000100005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em 30/03/2007.

Transcreva as partes onde estão: Objetivo(s) Metodologia Resultado(s) Conclusão(ões)

Título do resumo escolhido:

Para terminar esta unidade... Avalie sempre seu resumo, reveja o seu objetivo ao escrevê-lo, para ver se você chegou aonde queria: demonstrar conhecimento do texto resumido, resumir as idéias para que o leitor/pesquisador encontre os principais pontos, antes de ler a obra completa. Veja se indicou itens importantíssimos do texto resumido: o autor do texto, o título, a data e onde foi publicado.
Enfim, seguem algumas recomendações para a escrita de um bom resumo!

O resumo é formado por uma seqüência de enunciados concisos, preferencialmente na ordem direta, pouco extensa e afirmativa, e não por uma enumeração de tópicos. Tente evitar construir uma frase tão comprida que mais pareça um parágrafo. Isso também dá clareza ao texto. Você tem que pensar no leitor; portanto, use palavras suas, sem

pomposidade. Você deve ser sempre simples, claro e objetivo, o que não lhe impede de usar a terminologia da área específica sem problema.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade II – O Gênero Resumo Tema 3 – Resumo Científico

Recomenda-se usar o verbo na voz ativa e na terceira pessoa do singular ou na primeira pessoal do plural, mas, no caso do autor-produtor do resumo, pode-se usar a primeira pessoa do singular. Isso acontece porque cada área de conhecimento tem um padrão mais pessoalizado ou menos pessoalizado. Alguns autores preferem neutralidade no resumo, como “Este artigo trata...”, “O resumo aborda...”, “O trabalho é sobre...” etc. Os detalhes, exemplos e dados secundários que são somente acessórios não fazem parte do resumo; portanto, a ação de retirá-los o torna breve e conciso. Ao final, lembre-se sempre de revisar o que escreveu, lembre-se das partes, características e linguagem adequadas ao resumo, além de não esquecer as regras gramaticais de concordância, ortografia, acentuação, coesão, já que, depois de publicado, seu resumo não pode ser alterado.

Dica
Na escrita de seu resumo, evite: símbolos e contrações que não sejam de uso corrente; fórmulas, equações, diagramas, a não ser que sejam imprescindíveis; apresentar juízo crítico; a repetição de frases inteiras do original; desrespeitar a ordem em que as idéias ou fatos são apresentados.

Fique de olho
Quanto à extensão*, o resumo científico deve ter: de 50 a 100 palavras para notas e comunicações breves; de 100 a 250 palavras para artigos; de 150 a 500 palavras para TCCs, monografias, relatórios, teses e dissertações. Ou siga as instruções específicas de cada instituição. *Esta não é uma regra, e sim uma sugestão, já que, dependendo do meio de circulação, são pedidas tantas
palavras quanto a Revista ou o Congresso achar pertinentes.

Prof. Víctor César da Silva Nunes

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O Gênero Resenha
Textos acadêmicos são aqueles próprios do meio universitário, quando os estudantes estão em contato com uma linguagem mais elaborada, típica dos textos com finalidade científica. Agora que você já possui as informações necessárias sobre leitura, implícitos, intertextualidade, contextualização histórica e elaboração de resumos, está em condições de produzir os seus textos com mais segurança e melhor desempenho. O que pretendemos aqui é desenvolver a sua competência discursiva, isto é, a sua capacidade de interagir com o outro por meio de seu texto, a partir da sua compreensão sobre um gênero textual específico: a resenha.

Objetivo
O objetivo desta unidade, em relação ao estudo e elaboração de resenhas, é a compreensão da estrutura e das condições exigidas para a sua produção.

Unidade 3

Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Objetivo
Identificar o gênero resenha nos diferentes meios em que circula. .

“Como um gênero textual, uma resenha nada mais é do que um texto em forma de síntese que expressa a opinião do autor sobre um determinado fato cultural, que pode ser um livro, um filme, peças teatrais, exposições, shows etc. O objetivo da resenha é guiar o leitor pelo emaranhado da produção cultural que cresce a cada dia e que tende a confundir até os mais familiarizados com todo esse conteúdo. Como uma síntese, a resenha deve ir direto ao ponto, mesclando momentos de pura descrição com momentos de crítica direta. O resenhista que conseguir equilibrar perfeitamente esses dois pontos terá escrito a resenha ideal.”
Disponível em: < http://www.lendo.org/como-fazer-uma-resenha/>. Acesso em: 02/02/2008

A resenha, bem como outros textos, é produzida segundo normas, valores e práticas instituídas pelo contexto sócio-histórico. Há um contexto cultural construído que determina como elas devem ser elaboradas. Vejamos um exemplo:

Exemplo 1
Leonardo Affonso de Miranda Pereira. Footballmania - Uma História Social do Futebol no Rio de Janeiro, 1902-1938. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2000. por Elio Gaspari Uma beleza de livro, sobre um grande assunto, que a erudição do autor transformou num retrato da sociedade do período. Em pouco mais de 30 anos, um jogo de ingleses e grãfinos brancos transformou-se numa paixão popular, para desgosto de alguns dos seus primeiros admiradores. Dois negros tornaram-se heróis nacionais, numa época em que a Europa via a sacralização do mito ariano. Miranda Pereira começa seu estudo em 1902, quando a bola já tinha chegado ao Brasil. Nesse ano jogou-se no Rio Cricket Club um "match de foot-ball" em homenagem à coroação de Eduardo VII da Inglaterra e, acima de tudo, fundou-se o Fluminense. Anos depois, quando o esporte dos grã-finos começou a ganhar popularidade, começaram as reclamações. Em 1906, em tese defendida na Bahia, um médico reclamava: o "foot-ball" só devia ser praticado pela "mocidade mais preparada". Além disso, percebia-se, ainda em 1910, que aquele jogo de bola estava subvertendo a hierarquia social. Qualquer um podia jogá-lo, mas logo o Club Sportivo dos Liberais, informava que aceitaria um número ilimitado de sócios de todas as nacionalidades, "exceto pessoas de cor". Na outra ponta, o

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Exemplo 1 – Continuação...
Bangu, formado em torno de uma fábrica, tinha operários e negros no seu time. Em 1906 o negro Paulino jogava no Botafogo. Foi Carlos Alberto, do Fluminense, quem deu apelido ao clube. Chamado de "mulato pernóstico" entrou em campo com o rosto empoado. Suou e a pasta derreteu-se. Daí veio o "pó de arroz". Fez-se de tudo para impedir que a choldra jogasse bola na rua, que os negros entrassem em campo. Depois, para mantê-los longe das sedes sociais dos clubes. Criteriosamente ilustrado, o livro do professor Miranda Pereira (Unicamp) é uma exibição de competência. (Ele achou o escritor Coelho Neto, de chapéu, terno branco e bengala, no Fla-Flu de 1917 e resgatou os ataques que Lima Barreto fazia à sua visão plutófila do jogo.) Pesquisou atas de clubes, coleções de jornais e arquivos particulares. Num assunto em que as novidades são quase sempre produto de bibliografias requentadas, ele foi buscar a história da vitória do futebol sobre o preconceito. Tanto o preconceito do andar de cima, que a certa altura quis conter a popularidade do futebol, quanto da esquerda anarquista, que não via com bons olhos a felicidade dos operários que ficavam jogando bola em vez de batalhar pela revolução. Emociona ler a entrada em campo (da história do Brasil, muito mais que do futebol) de Leônidas e Domingos da Guia, a quem o professor dedicou o livro.
Elio Gaspari. Publicado na UOL/ Livros em Português .Sexta-feira, 01 de setembro de 2000. Disponível em: <http://www. unicamp.br/cecult/resenhas2.html>. Acesso em: 04/02/2008

Fique de olho
As resenhas produzidas pela mídia têm como objetivo a divulgação, principalmente de novos lançamentos na área cinematográfica e editorial. Caracterizam-se pela apresentação de um resumo permeado de comentários, procurando instigar o interesse do leitor.

Atividade
O texto sobre Footballmania – Uma História Social do Futebol no Rio de Janeiro, 1902-1938 é uma resenha; portanto, há um resumo e comentários. Identifique os comentários feitos sobre: O livro: ____________________________________________________________________ O autor: ___________________________________________________________________

Fique de olho
Na mídia, as resenhas também são chamadas de resumo crítico ou resenha crítica; muitas vezes, não há indicação do gênero. Para poder identificá-las, é necessário conhecer sua estrutura. Em Portugal, a resenha é chamada de recensão, razão pela qual quem faz uma resenha pode ser designado recensor ou resenhista.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Por que a resenha é um gênero textual?

Há certas características constantes a serem observadas na resenha. É a partir de certos elementos comuns que podemos distingui-la de outros textos e classificá-la como um gênero textual.

Na definição de Bakthin (1997), gêneros textuais são “as estruturas relativamente estáveis” que se apresentam em um texto historicamente construído pelos usuários da língua.

Os gêneros textuais podem ser classificados de acordo com a sua constituição. Cada gênero é construído a partir de certas condições definidas por convenção. Assim, a resenha é reconhecida por uma estabilidade lingüística que se evidencia em situações recorrentes, pressupondo uma relação entre a linguagem (fatores textuais) e as relações sociais envolvidas (fatores contextuais). Portanto, na produção da resenha, devemos levar em conta as suas características e os seus possíveis leitores (considerando, inclusive, onde vai circular: revista, jornal, Internet...).

Dica
A universidade é um espaço de estudo e pesquisa. Como acadêmico, você tem contato freqüente com diversos textos científicos e culturais. Esperamos que seja capaz de compreendê-los e que elabore seus trabalhos de pesquisa de acordo com esses modelos textuais.

A resenha é muito encontrada em seções especializadas de revistas e jornais, apresentando o resumo de uma obra (livro, filme), não apenas com o objetivo de comentá-la, mas avaliando e recomendando ou não a sua leitura. O objetivo desse gênero textual é informar sobre o conteúdo de uma obra, enfatizar seus aspectos positivos e/ou negativos, não perdendo de vista o público-alvo da leitura, que pode não ter domínio avançado de determinados conteúdos. Isso requer a contextualização da obra de modo que o conteúdo da resenha seja acessível.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Fique de olho
Sobre a contextualização histórica, lembre-se de que, na produção de um texto, devemos incluir todas as informações necessárias para a sua compreensão.

Dica
O gênero resenha pode informar/divulgar sobre: livro, filme, revista, poema, quadro, escultura, artigo, objetos... Para você identificar uma resenha, verifique se no texto há, no mínimo, descrição e comentários críticos sobre o objeto resenhado.

Exemplo 2

Vamos a outro exemplo!

RESENHA CRÍTICA DO FILME "O CHEIRO DO RALO" por Rodolfo Lima - Jornalista, ator e crítico de cinema e-mail: dicaspravaler@yahoo.com.br

O CHEIRO DO RALO – (foto Divulgação)

CRÍTICA - O CHEIRO DO RALO - Depois de “A concepção” (2005), O Cheiro do Ralo é o filme nacional mais provocativo e ousado da temporada. Diferente de tudo o que já se viu nas telas nacionais, Heitor Dhalia dirige um filme que conta a história de Lourenço (Selton Mello), homem solitário que trabalha com compra e venda de objetos usados e que mantém uma relação bastante peculiar com seus clientes. Lourenço faz uso do dinheiro para poder se impor sobre as pessoas. “O poder é Afrodisíaco”, diz Lourenço em dado momento, tal frase retrata a força destrutiva que há no dinheiro e no poder.

Dizer que o filme de Dhalia é apenas uma analogia aos homens que detêm o “poder” – e neste caso seja ele qual for – é reducionista. O Cheiro do Ralo é um retrato dos dias atuais. Da fixação do brasileiro por bundas, a miséria que o ser humano está exposto por falta de grana, a obsessão por objetos e a desestrutura familiar. Mutarelli criou um personagem que se faz tão pertinente quanto surreal. Tudo muito bem pontuado pela sagacidade do roteiro escrito por Marçal Aquino. Não é possível acharmos um Lourenço nas ruas, mas suas características estão facilmente distribuídas entre a população. Ácido, cru, debochado, non sense, o filme narra o dia a dia do homem que coisifica tudo, compra tudo e todos e não se importa de humilhar seu semelhante. A platéia ri, porque a sinceridade e aspereza do personagem é tão cortante que chega a ser indigesta. E percebemos que não estamos acostumados com a sinceridade alheia.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Exemplo 2 – Continuação...
A falta de dinheiro, alegada pela produção para a concepção do filme, resultou em algo positivo. O filme tem uma bela direção de arte, figurinos críveis, atores interessantes, poucas e eficientes locações e trilha sonora inquietante. É impressionante como a platéia cria uma empatia com o personagem de Selton Mello, o que faz toda a diferença. Lourenço é antes de tudo um ser solitário, que cria em sua mente doentia uma imagem fragmentada do pai que não conheceu, do amor que não se constrói para ele da forma como imagina e da relação dúbia que há entre dinheiro e poder. O Cheiro do Ralo é antes de tudo uma provocação sadia e bem feita. Ousado e bem acabado como o bom cinema deve ser. Não é a toa que foi escolhido como o melhor filme da Mostra Internacional de Cinema de 2006 (público e crítica), e no Festival do Rio 2006, levou os prêmios de melhor filme da crítica e de ator, além de ter representado o Brasil no Sundance Film Festival. Depois da chatérrima adaptação do clássico de Dostoievski, Crime e Castigo, que resultou em Nina (2004), Dhalia mostra que chegou para fazer diferença no cenário cinematográfico nacional. O Cheiro do Ralo é irresistível, confira. Título Original: O Cheiro do Ralo Gênero: Comédia Duração: 112 min. Ano: Brasil - 2007 Distribuidora: Filmes do Estação Direção: Heitor Dhalia Roteiro: Marçal Aquino e Heitor Dhalia, baseado em livro de Lourenço Mutarelli Site Oficial: www.ocheirodoralo.com.br LIVROS SOBRE CINEMA - CAMISETAS DE FILMES - MINIATURAS COLECIONÁVEIS FILME: Ótimo: Bom: Regular: Crítico: Rodolfo Lima - Jornalista, ator e crítico de cinema - e-mail: dicaspravaler@yahoo.com.br . Disponível em: <http://www.cranik.com/ocheirodoralo.html> Acesso em: 18/01/2008.

Como os acadêmicos precisam de leituras freqüentes que fundamentem seus trabalhos, as resenhas são úteis porque, além de apresentarem um resumo da obra, fornecem uma análise avaliativa. Essa avaliação é importante, pois dá condições de questionar a validade ou não do conteúdo apresentado e a forma como foi apresentado na obra estudada. A partir da leitura de uma resenha, o leitor pode decidir se consulta ou não o original.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Atividade
No exemplo 2, Rodolfo Lima resume e comenta simultaneamente. Copie a resenha sobre o filme O Cheiro do Ralo em um documento Word e coloque em destaque as palavras ou frases que expressam a avaliação do resenhista (usando o Realce amarelo disponível na barra de ferramentas).

Exemplo 3
Uma Sociedade Secreta - O enigma das Figuras Vivas Autor: J Maelick Editora: Scortecci Ano: 2005 Páginas: 188 I.S.B.N.: 85-366-0410-7 Tipo: impresso Preço: R$18.00

Sinopse: O livro trata da Iniciação de uma pessoa comum numa Sociedade Secreta e as implicações para um candidato que é convidado a participar, sem saber exatamente o que vai encontrar. As Ordens Iniciáticas existem, embora poucos saibam como encontrá-las e o que esperar delas. Todos já ouviram falar em Rosa-Cruzes, Maçons, Alquimistas e Hermetistas (ou Ocultistas), cujos princípios esotérico-cristãos são muito parecidos. Esta obra procura mostrar em que se baseiam as obras dessas sociedades e quais são as suas finalidades e, principalmente, quais são as suas propostas e exigências. Uma leitura cativante, em forma de conto, para homens e mulheres que querem saber algo mais a respeito das Ordens Secretas que se escondem sob o manto do sigilo e do mistério.

Disponível em: < http://www.jmaelick.recantodasletras.com.br/livros.php#92>. Acesso em: 21/01/2008.

Atividade
No exemplo 3, sobre o livro Uma Sociedade Secreta - O enigma das Figuras Vivas, o que caracteriza o texto como resenha?

As resenhas se caracterizam por apresentar comentários sobre a obra resenhada. Muitas vezes são chamadas de resenha crítica, o que é redundante, pois a crítica é uma característica desse gênero. Leia o texto a seguir e observe como Marleine Cohen faz sua crítica e comentários com polidez.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Nova Biografia não se Esquiva do "Lado Negro" de Santos-Dumont
Livro da jornalista Marleine Cohen tem erros de informação, mas apresenta visão honesta e imparcial da vida do inventor Salvador Nogueira, do G1, em São Paulo De todos os livros lançados sobre Santos-Dumont, se fosse preciso escolher o que mais rapidamente cativa o leitor na prateleira da livraria, ele teria de ser "Santos-Dumont - Sim, Sou Eu, Alberto". A capa dura atraente, com o conhecido rosto do inventor brasileiro, a exuberância de fotos que se revelam numa simples folheada e o preço acessível (R$ 41) tornam a obra muito sedutora. Com esse nome, não é difícil imaginar do que se trata: é uma biografia do inventor brasileiro. Escrita pela jornalista Marleine Cohen, ela se soma às muitas lançadas nos últimos anos para tentar dar uma noção mais clara de quem foi Santos-Dumont. É impressionante que um personagem com tantos biógrafos diferentes tenha ainda tantos mistérios. E Alberto os têm. A grande virtude do livro de Cohen é justamente mostrar esses mistérios. Com uma visão imparcial, ela aborda todos os aspectos conhecidos e especulados de SantosDumont. Embora destaque seu gênio inventivo e sua generosidade, não hesita em apontar que a fama fez do aeronauta, no auge da fama, um egocêntrico arrogante, ávido por estar no centro das atenções -- algo que poucas biografias têm coragem de fazer. Cohen também apresenta as especulações sobre a sexualidade de Santos-Dumont com a devida isenção. Em vez de tentar provar que Alberto teve muitas namoradas (como fez recentemente Antonio Sodré, em sua biografia do aviador), ou confirmar a hipótese de que ele era gay (como fez o americano Paul Hoffman, em seu "Asas da Loucura"), Cohen faz a coisa sensata: apresenta todos os fatos concretos e deixa o leitor tirar suas próprias conclusões. A autora também é honesta o suficiente para não ignorar os irmãos Wright e apresentar os sucessos de Santos-Dumont com seus aviões sem idolatrá-lo ou tratá-lo como "padroeiro da aviação", problema que assola diversas obras de cunho mais ufanista escritas sobre o inventor. Com esse tipo de atitude, ela oferece o que talvez seja a visão mais honesta e imparcial já produzida sobre a complexa psique desse pequenino gigante do início do século XX. Entretanto, o livro também tem seu lado ruim. A começar pelas fotos. Muitas delas são inéditas em publicações do gênero (saídas diretamente do acervo da família do inventor, que foi recentemente doado à Aeronáutica), o que é uma coisa boa. Mas algumas estão colocadas em locais inapropriados da narrativa (Santos-Dumont envelhece e rejuvesce brutalmente a cada virada de página) e outras tantas têm legendas com informações simplesmente erradas. Algumas delas chegam até mesmo a contradizer o texto principal. É um problema grave, se levarmos em conta que o livro, na prateleira, transmite a falsa sensação de uma obra bem acabada. Um leitor familiarizado com a vida de SantosDumont encontrará vários equívocos, muitos dos quais poderiam ter sido evitados com uma revisão mais atenta. A julgar pelo resultado final, a impressão que fica é a de que a Editora Globo (responsável pelo produto) teve de correr um bocado para levar a obra às livrarias em tempo de celebrar o centenário dos primeiros vôos do 14bis.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 1 – Por que a resenha é um gênero textual

Nova Biografia não se Esquiva do "Lado Negro" de Santos-Dumont – Continuação...
O texto principal é salpicado de declarações do próprio Santos-Dumont, tiradas em sua maior parte de suas autobiografias, e o nível de acerto é maior do que o das legendas das fotos. Entretanto, tem também suas mazelas. Ao falar dos primeiros balões do inventor, por exemplo, a autora salta diretamente do Brasil, seu primeiro aeróstato, para o N° 1, o dirigível pioneiro, pulando o L'Amérique, segundo balão livre do aeronauta. Cohen também parece se confundir às vezes entre o que são aeroplanos e o que são balões -- duas coisas muito diferentes. Esse tipo de falha pode derrubar a credibilidade do livro diante dos pesquisadores mais ávidos do inventor. Mas é bom que se diga que, a despeito desses deslizes, a obra é um bom ponto de partida para que os leigos redescubram Santos-Dumont, agora mais humano e menos mitológico. No fim das contas, o livro é o que é -- mais uma das inúmeras biografias de SantosDumont, com muitas das mesmas informações. Enfim, uma obra sem grandes inovações. Ainda assim, ao apresentar uma narrativa biográfica bem amarrada com o contexto histórico -- o livro dá, por exemplo, uma excelente noção de como era a Paris da Belle Époque, onde o inventor pôde realizar todo o seu potencial criativo --, "SantosDumont - Sim, Sou Eu, Alberto" é um livro que vale a pena ter na prateleira. "Santos-Dumont - Sim, Sou Eu, Alberto" Marleine Cohen Editora Globo 289 páginas R$ 41
Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,AA1347318-5603,00.html>. Acesso em: 03/02/2008.

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Tema 2 – A estrutura da resenha

Objetivo
Reconhecer a estrutura da resenha.

O objeto a ser resenhado pode ser um livro, uma peça de teatro, um CD, uma palestra, uma ou várias pinturas expostas em galeria etc. Conforme a finalidade da resenha, sua estrutura pode variar, principalmente se for veiculada em revistas e jornais, porque o seu objetivo é informar ao público e promover a obra. Aqui nos interessa a resenha de livros com fins acadêmicos. Por isso, vamos nos ater, principalmente, à estrutura desse tipo de obra. Conforme já vimos, há certas características constantes a serem observadas. A resenha pode sofrer variações, dependendo do meio em que vai circular e também da habilidade de redigir do resenhista; porém, em relação à estrutura, há os seguintes tópicos a serem abordados:

1. Dados sobre o objeto resenhado
Apresentar informações suficientes para que o leitor da resenha possa identificar e localizar o objeto resenhado. Para a resenha de livros, é necessária a referência bibliográfica completa: autor(es), título e subtítulo, lugar da publicação, editora, data, número de páginas. Acrescentar também outras informações pertinentes ao objeto. No caso de livros, são dados sobre o(s) autor(es) (chamados de credenciais) indicando o que faz, titulação acadêmica, obras publicadas, ou outros elementos importantes à valorização do objeto resenhado. Seja qual for o objeto resenhado, é importante apresentar seus dados de identificação. Por exemplo, se for uma peça teatral, indicar: título, diretor, atores principais, local da apresentação, duração, dia e horário de exibição, valor da entrada etc.

2. Resumo da obra
Indicar como a obra está dividida, o método empregado, o modelo teórico adotado e as conclusões do autor. O resumo deve abordar os pontos essenciais, exigindo a capacidade de análise e síntese do resenhista. Cuidado! Não se trata de uma cópia dos trechos principais, mas, certamente, pode haver citações de alguns trechos considerados importantes. Caso faça citações, é preciso indicar a referência.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 2 – A estrutura da resenha

Fique de olho
Mas, atenção: Se a resenha for para publicação em periódicos com fins de persuadir o leitor a assistir ou comprar o objeto, o resumo não deve ser completo, isto é, deve apenas instigar o leitor.

3. Apreciação do resenhista
É necessário fazer uma avaliação sobre a obra, sendo essa uma das principais características da resenha acadêmica. Essa avaliação deve, como todo texto argumentativo, estar fundamentada em exemplos, citações, comparações etc. Na apreciação, o resenhista comenta a obra.

Além disso, o resenhista deve indicar a quem a obra se destina, isto é, o públicoalvo ao qual provavelmente a obra possa interessar. Essa indicação pode ser inserida em qualquer uma das partes da resenha, mas é imprescindível. Como um assunto pode ser tratado por diferentes prismas, essa indicação também orienta os leitores sobre as possíveis áreas de interesse do assunto tratado. Por isso, geralmente a indicação já é feita no início da resenha. Geralmente, esses itens são apresentados nessa ordem; entretanto pode haver variações de acordo com as especificidades da obra resenhada, da sua finalidade e dos diferentes leitores que pretende atingir.

Fique de olho
O objetivo da resenha é convencer o leitor a buscar o original. Portanto, trata-se de um texto argumentativo.

Lígia, não entendi muito bem isso que acabamos de ver...

Não se preocupe, Aurélio, pois agora vamos verificar a estrutura da resenha no texto a seguir, e isso vai nos ajudar a entendê-la!

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 2 – A estrutura da resenha

Com o objetivo de verificar as partes de uma resenha, faça a leitura da resenha

A Magia dos Shoppings.

Dica
Use as técnicas de leitura que aprendeu na Unidade I para facilitar a compreensão do texto.

A Magia dos Shoppings
Shoppings do Mundo e o Mundo Pós-Shopping - Resenha

De: Paco Underhill. São Paulo: Elssevier/Campos, 2004. Por: Marcos Kathalian, graduado em Comunicação Social, mestre em Multimeios e professor da FAE Business School – Centro Universitário. e-mail: marcosk@swi.com.br

Nos tempos atuais, de alto consumo e ideologia hedonista, certamente os shopping centers ocupam lugar central numa hierarquia de compras. Simbolizando, para muitos, um templo moderno de conforto e lazer a preencher com compras e entretenimento o vazio existencial de gerações de jovens, para outros o shopping é visto como um local civilizatório, no sentido de marcar um determinado tipo de acesso aos bens materiais. Inegável, contudo, é o poder de sedução exercido por um shopping center e atire a primeira pedra aquele que secretamente nunca sentiu um certo prazer em ir às compras. A Magia dos Shoppings (São Paulo, Elsevier, 2004), do antropólogo urbano norteamericano Paco Underhill, trata desses e de outros assuntos com propriedade. Lançado simultaneamente aqui e nos EUA (em inglês, Call off the Mall, Simon & Schuster), o livro possui um subtítulo bastante explicativo: Como os shoppings atraem e seduzem. Paco Underhill sabe do que está falando. Antropólogo urbano dedicado ao estudo do comportamento de compra do consumidor moderno há mais de 20 anos com sua empresa “Envirosell”, Underhill tornou-se mundialmente conhecido, especialmente no varejo, quando publicou em 1999 o livro “Why We Buy”, em que descrevia as principais conclusões de seus anos de estudo naquilo que passou a chamar uma “ciência do consumo”. A contribuição inovadora de Paco Underhill foi radicalizar o conceito de observação da situação de compra, utilizando métodos etnográficos. Em vez de imaginar o que o consumidor deseja, Underhill dedicou-se a observá-lo, anotando tudo o que via: quanto tempo um consumidor demora-se em uma loja, em uma prateleira, o que olha, o que não olha, qual o seu percurso na loja, onde pára etc. Enfim, a metodologia consiste em registrar continuamente o ato de compras e, a partir daí, tecer hipóteses explicativas de um determinado comportamento, sugerindo, experimentalmente, melhorias no processo de consumo. Famosas são suas milhares de horas de gravação em vídeo de lojas e consumidores em interação com ambientes varejistas e atendentes. O que se aprende, muitas vezes, com uma imagem, vale, como diz o ditado, por um tratado de marketing.

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Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 2 – A estrutura da resenha

A Magia dos Shoppings – Continuação...
SELVA DE CONSUMO No caso de A Magia dos Shoppings, Underhill, que visitou mais de 300 centros de compras em todo o mundo, passa a descrever o resultado de suas observações. O livro tem a forma de uma visita ao shopping começando pela entrada no estacionamento, passando pelos tipos de lojas, pela praça de alimentação até a volta para casa, depois de assistir a um cineminha (e Paco quer o tempo inteiro assistir ao último filme do Jackie Chan). Há até um shopping brasileiro visitado, o Iguatemi em São Paulo, onde, segundo o autor, existe a maior concentração de pessoas bonitas e elegantes por metro quadrado que já presenciou, ou o que ele chama de “coeficiente de moda de um shopping”. Embora, provavelmente, todas as conclusões do livro sejam bem conhecidas e assimiladas pelos bons profissionais de varejo, há no livro um sabor de autenticidade e numerosos exemplos que ratificam os erros e acertos da experiência de consumo em shopping center. Desde o problema de como estacionar o carro (e depois como achá-lo), até os problemas de localização, as zonas de descompressão (isto é, as zonas de baixo impacto de compras), o problema pouco observado e muito enfatizado pelo autor do excesso de bagagem e sacolas que impedem, fisicamente, que a compra continue, até o aspecto de bloco frio e desumano da maioria dos shoppings americanos, parecendo uma caixa disforme, colocada ao lado de uma rodovia. Até mesmo o shopping, como um terror masculino, é abordado pelo autor, que se pergunta: “Algum dia, será que os homens vão gostar de shopping?”. E propõe soluções para como tornar também a experiência de visita ao shopping mais interessante para o homem, e, especialmente, para o marido, retratado como martirizado, procurando alguma coisa que o atraia na selva de consumo que é o shopping, enquanto esposa e filhos não parecem nem um pouco dispostos a deixar mais rápida aquela “visitinha” ao shopping. CALOR HUMANO O interessante é que não se trata de um livro de louvação do shopping, tanto que o autor, de forma surpreendente, afirma que o shopping, tal como o conhecemos hoje, irá desaparecer, está fadado ao fracasso e que mesmo a sua época áurea já passou. O que era diversão, segundo Paco, está virando (ou já virou) monotonia. Ante a impessoalidade do shopping, Underhill sugere a vida ativa dos pequenos centros comerciais de bairro, geralmente, ao ar livre, como circulação heterogênea de pessoas, flores, frutas, e um colorido local, um atendimento mais próximo, um centro de convivência regional, de maior calor humano. Essa situação desoladora de um shopping center pouco atraente para o consumidor moderno ocorre porque, segundo o autor, grande parte dos shoppings nasce de uma mentalidade imobiliária, não de uma mentalidade varejista. Isto é, o empreendedor imobiliário raciocina em termos de locação de espaço e maximização do metro quadrado, quando o mais importante é, de fato, a contínua e qualificada geração de tráfego de pessoas para o empreendimento. Acredito que Paco está certo, pois eu mesmo em minha experiência profissional já fui contratado algumas vezes para solucionar problemas de varejo em shoppings que nasciam, na verdade, de uma concepção imobiliária equivocada. É leitura portanto agradável – e imprescindível – para os profissionais do varejo brasileiro, e diria também para todos os estudantes e profissionais de marketing e administração. Após a leitura de A Magia dos Shoppings, com certeza, a sua visita e visão sobre o que é um shopping não permanecerá a mesma. Apesar de que, quase com certeza, você continuará não lembrando de onde estacionou seu carro.
Disponível em: <http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_fae_business/n11/resenha.pdf.>. Acesso em: 03/02/2008

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 2 – A estrutura da resenha

Observe que nem todos os itens de uma resenha foram contemplados. Não há indicação do número de páginas. Por outro lado, há elementos que podem ser acrescentados como, por exemplo, o formato do livro.

A resenha lida apresenta uma foto da capa, e isso pode ajudar o leitor interessado a identificar mais facilmente o livro nas prateleiras.

Veja também que pode haver certa liberdade na ordem de apresentação, conforme os objetivos do resenhista e as necessidades de contextualização.

Atividades
Para compreender o que lemos, muitas vezes precisamos buscar mais informações, principalmente se vamos explanar algo sobre o que foi lido. a) Pesquise: O que significa “Ideologia hedonista”? b) Quais são os dados apresentados pelo resenhista que lhe dá crédito ao discutir o assunto? c) Identifique o(s) parágrafo(s) que apresenta(m) os seguintes itens: 1. Referência bibliográfica 2. Contextualização da obra 3. Resumo do livro 4. Metodologia da pesquisa 5. Apreciação 6. Recomendação

d) Comente o último parágrafo da resenha.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 2 – A estrutura da resenha

Saiba Mais
Para ler outras resenhas, acesse: http://hermes.ucs.br/cchc/dele/ucs-produtore/pages/resenhas.htm com objetivo de pesquisa e estudo na área da educação, apresenta resenhas de livros sobre a linguagem. http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/530217 para fins de divulgação, apresenta uma resenha sobre o livro As coisas, de Arnaldo Antunes. http://cienciahoje.uol.com.br/materia/view/399 pequenas resenhas sobre lançamentos de livros. com objetivo publicitário apresenta

http://www.educabrasil.com.br/eb/exe/secao.asp?secao=1&Cat=1&ps=5 com fins publicitário, educacional e de pesquisa, apresenta resenhas de livros da área da educação. http://romanoguerra.com.br/resenhas/resenhas.asp arquitetos e engenheiros. apresenta resenhas para

Atividades
a) Faça um levantamento de resenhas em sites na sua área de estudo e poste dois endereços. Siga o mesmo modelo apresentado anteriormente, isto é, apresente o endereço e a(s) área(s) de interesse para que os colegas possam consultar o que você encontrou. b) Selecione uma resenha de um livro. Identifique as suas partes e sublinhe as idéias principais, como foi feito na leitura da resenha anterior. Se faltar algum item na resenha que você escolheu, faça um comentário sobre isso. Também não se esqueça de indicar a fonte. Publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Objetivo
Compreender como o gênero se constitui para elaborar uma resenha.

Abaixo, apresentamos a resenha elaborada por Maria das Graças Targino, doutora em Ciência da Informação na Universidade de Brasília e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Faça uma primeira leitura sublinhando as palavras-chave e fazendo as anotações necessárias para a compreensão.

Resenha da obra Formação & informação ambiental: jornalismo para iniciados e leigos VILAS BOAS, S. (Org.). Formação & informação ambiental: jornalismo para iniciados e leigos. São Paulo: Summus, 2004. 201 p. Em apresentação brilhante, o organizador de Formação & informação ambiental: jornalismo para iniciados e leigos, Sérgio Vilas Boas, chama a atenção para o fato de jornais e jornalistas contribuírem com a degradação ambiental, não apenas com a produção do lixo doméstico, mas muito mais com a não produção de matérias aprofundadas sobre o meio ambiente. E, de fato, ao longo dos capítulos, é evidente que o livro clama por mutações no jornalismo. Um jornalismo em mutação é a exigência maior. Urge uma postura mais educacional, esclarecedora e orientadora do jornalismo especializado em meio ambiente e da imprensa em geral. É a contribuição dos profissionais de comunicação para sensibilizar o grande público da relevância de se combater os danos ambientais, sem alarde e sensacionalismo, distante da postura dos ecoterroristas, para quem manifestações pacíficas ou o processo de conscientização são esforços inúteis. Neste sentido, energia, água, alimentos, ecossistemas, empresas e cidades são tópicos discutidos pelos autores, a partir da premissa básica de que o meio ambiente está intimamente relacionado com valores sociais, culturais, econômicos, políticos e com o estágio de desenvolvimento científico e tecnológico das nações. Assim sendo, o jornalista que cobre meio ambiente necessita conhecimento além do domínio de meras técnicas jornalísticas, qual seja, demanda uma visão ampla de mundo, que lhe permita compreender o todo, sem isolar as partes.

Maria Das Graças Targino http://www.umacoisaeoutra.com.br/cult ura/graca2.htm

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Resenha – Continuação... A responsabilidade direta pela produção dos seis textos é de seis diferentes estudiosos. Dentre eles, todos são, como o organizador, jornalistas respeitados. A única exceção fica por conta de Odo Primavesi, engenheiro agrônomo e pesquisador científico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA Sudeste), além de educador ambiental. A princípio, Roberto Villar Belmonte, com Cidades em mutações, traz à tona os efeitos da violenta degradação ambiental, que combina possíveis benefícios da modernização agrícola e urbano-industrial com a promiscuidade das concentrações populacionais das áreas urbanas, causada por lixões a céu aberto, esgotos in natura em rios e lagos, e engarrafamentos quase infindos. Tudo isto mesmo quando a biofilia afirma que o ser humano, como as demais espécies, sofre graves danos psicológicos se submetido a ambiente menos saudáveis. O autor propõe, com base no conceito de Ignacy Sachs, a desruralização, como tentativa de desinchar as megalópoles, mas incluindo gente. É o combate ao êxodo rural em condições precárias. É o combate pelo direito à cidade para todos, sem que se perca de vista a qualidade de vida. Sem dúvida, trata-se de uma proposta discutível em termos de operacionalização, mas as soluções apresentadas não podem ser simplesmente ignoradas. No momento seguinte, Regina Scharf inicia seu texto, Verde como dinheiro, desafiando repórteres para que façam a distinção entre expressões comuns no nosso cotidiano, como: papel reciclado x papel reciclável; produto vegetariano x produto orgânico e assim sucessivamente. É uma forma bem humorada de denunciar a falta de conhecimento acerca do desenvolvimento econômico sustentável, num país como o nosso, cuja imprensa, paradoxalmente, cobre, com desenvoltura as temáticas econômicas. Em sua visão, a temática ambiental é, quase sempre, folclorizada, esvaziada, reduzida e distorcida, como confirmado em estudos sobre a produção da imprensa à época da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (ECO-92), no Rio de Janeiro. Exemplificando, pesquisa efetivada nos cinco jornais diários de Teresina (Piauí), à época, comprovou que a maioria das matérias veiculadas acerca da ECO-92 tende para o simplismo, o circunstancial, sem a devida acuidade (TARGINO; BARROS, 1996). Assim, Regina disserta sobre os conflitos de interesses, nem sempre explícitos, entre as empresas capitalistas, a legislação ambiental, as certificações internacionais e o custobenefício embutido no esforço do ecologicamente correto e da produção mais limpa. É evidente que investir em meio ambiente significa custos adicionais para o empresariado. Mas, não fazê-lo custa ainda mais, como retratado em filme hollywoodiano bastante comentado, baseado em fato real. Erin Brockovich, vivida nas telas por Julia Roberts, é secretária num escritório de advocacia e decide investigar a fundo, e por conta própria, um caso de poluição ambiental causado por uma empresa estadual de eletricidade, sediada numa pequena cidade norte-americana, resultando numa multa milionária imposta à empresa. O terceiro capítulo é responsabilidade de Eduardo Geraque. Perceber a biodiversidade fazendo jus ao subtítulo – jornalismo e ecossistemas parecem (mas não são) elos perdidos –, discute a vinculação estreita entre diversidade biológica e o seu interior e exterior. Sob esta perspectiva, uma das funções do jornalismo ambiental é
[...] entrar na espiral de relações que a natureza oferece. Na teia de significações. Na história humana. No povo ribeirinho. Nos grandes empresários [...] O cerne da questão ambiental, e de como o jornalismo enxerga o problema, passa pelo preenchimento que existe hoje desse hiato entre o mundo vivo e aquele pedaço de mundo recortado para a página do jornal ou a tela da TV. (GERAQUE, 2004, p. 80).

Água de uma fonte só retrata a experiência concreta vivenciada pela população de Uberaba, Minas Gerais. O descarrilamento, na Ferrovia Centro Atlântica, no ano de 2003, de 18 vagões de uma locomotiva fez com que 13 deles despejassem no córrego Congonhas cerca de 720 toneladas de produtos tóxicos – metanol, cloreto de potássio e octanol. E tudo isto a poucos metros de distância da estação de captação, responsável pelo abastecimento dos quase 260 mil habitantes do município mineiro, causando pânico imediato.

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Resenha – Continuação... A partir deste fato, André Azevedo da Fonseca discorre sobre o problema da água potável como uma questão real, que requer soluções imediatas. No entanto, como tudo que acontece no meio ambiente, constitui uma problemática relacionada com diversas questões sociais, e, por conseguinte, exige estratégias articuladas com outras áreas. No entanto, de forma lúcida, o autor acredita que pode haver certa histeria ambiental e a própria visão apocalíptica da escassez da água pode ser contestada, segundo dados divulgados insistentemente por um estatístico, Bjorn Lomborg. Para esse dinamarquês, muitos dos presságios acerca de um futuro catastrófico para o meio ambiente resultam de “[...] uma interpretação equivocada de estatísticas, além de imprecisões conceituais, preconceitos movidos pela paixão ideológica e, é claro, muita retórica.” (FONSECA, 2004, p. 121). Com o texto Oxigênio para a energia, Carlos Tautz alerta para a urgência de a imprensa entender ela mesma a idéia de um jornalismo para o desenvolvimento: jornalismo que expressa “[...] a variada produção de organizações sociais que em sua práxis buscam elaborar um verdadeiro projeto de país e terminam por gerar muito conhecimento não-acadêmico.” (TAUTZ, 2004, p. 151). A partir desta idéia, discute uma nova forma de fazer jornalismo. Ao dar voz a essas organizações, o jornalismo possibilita discutir novos paradigmas técnicos e éticos no âmbito da agenda do desenvolvimento internacional e, particularmente, do desenvolvimento na América Latina e no Brasil, em torno do modo de produção de energia. Alertando para o fato de que um projeto energético nacional extrapola a questão meramente técnica de geração de eletricidade, para incorporar o risco da dependência tecnológica, o autor detalha a capacidade brasileira de diversificar a matriz energética. Contrapondo-se à alternativa termelétrica, que em sua opinião é injustificável em termos de realidade ambiental, econômica, financeira, energética e de segurança, cita outras opções, como: aproveitamento de biomassa em terras agriculturáveis, captação de raios solares e aproveitamento do potencial eólico. Finalmente, Odo Primavesi apresenta Dilemas da agricultura. Trata-se de um ensaio de extrema lucidez, que expõe uma das contradições do Brasil. Ao mesmo tempo em que a agricultura ocupa cerca de 70% do seu território, os agricultores, em geral, vivenciam uma situação de extrema pobreza e fome, sem terem como pagar pelos produtos que geraram, o que o faz assim sumarizar: “a produção de alimentos colide com o ambiente porque sofre de avareza.” (PRIMAVESI, 2004, p. 177). Numa denúncia consistente, chama a atenção para a realidade das políticas agrícolas, grosso modo, direcionadas para a geração de divisas para produzir aquilo que tem bom preço no mercado, e mais ainda, que atende às exigências de importação, mesmo em detrimento da população brasileira. São paradoxos como estes que a imprensa deve trazer para o grande público, dentro da linha de pensamento do organizador de Formação & informação..., Vilas Boas, para quem “Jornalismo são reportagens especiais (especiais mesmo), perfis, livros-reportagem, documentários audiovisuais, radiofônicos etc. [...] O jornalista deveria ser também um ensaísta, e não um simples transmissor passivo de informações” (FORMAÇÃO & informação ambiental, 2004). De fato, acreditamos que reduzir a informação ambiental à mera descrição, sem aprofundamento e sem postura crítica, representa um risco. Risco para a coletividade, para a ciência e para o processo desenvolvimentista de qualquer nação. Assim sendo, seria interessante (e torcemos para que isto se concretize) que os próximos volumes da coleção Formação & Informação prime pela consistência e atualidade dos temas, como o faz este seu primeiro volume, cuja leitura é imprescindível para todos aqueles que acreditam num JORNALISMO que requer MUTAÇÃO permanente, como todo e qualquer processo social. Afinal, numa época em que tanto falamos sobre qualidade de vida, é bom lembrar que ela consiste, essencialmente em “ [...] colocar o ser humano no centro do

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Resenha – Continuação...
processo de desenvolvimento, criando políticas e instrumentos que assegurem uma distribuição mais eqüitativa dos benefícios do crescimento econômico.” (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO, 1999, p. III). FONTES FORMAÇÃO & informação ambiental. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/ ambienteglobal> Acesso em: 21 ago. 2004. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Relatório sobre o desenvolvimento humano no Brasil: 1999. Brasília: IPEA, 1999. 186 p. TARGINO, Maria das Graças; BARROS, A. T. A informação ambiental no jornalismo piauiense. In: DENCKER, A. de; KUNSCH, M. M. K. (Org.). Comunicação e meio ambiente. São Bernardo do Campo: INTERCOM, 1996. 216p. parte 2, cap. 6, p.71-100.
Disponível em: http://www.portcom.intercom.org.br/index.php?secao=servicos/noticias&pagina=view_news.php&id=170

Vamos ver algumas observações sobre as FONTES:

Também são chamadas de “Referências”. Para a elaboração da resenha, muitas vezes buscamos mais informações em bibliografia complementar para a compreensão e verificação de dados que nos permitam avaliar a obra com mais segurança. Nesse caso, devemos citá-las. Elas podem ser úteis para o leitor que busca mais informações sobre o assunto.

Atividade
É necessária uma segunda leitura. Então, reproduzimos novamente o texto, separando-o em blocos, e introduzimos questões referentes à estrutura e análise lingüística. As questões inseridas na resenha a seguir poderão ser discutidas no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Referência Bibliográfica ________________

Apresentação da obra – contextualização e apresentação do problema que será discutido na obra a partir da apresentação feita pelo organizador a) O que fica implícito no subtítulo do livro? do livro, Sérgio Vilas b) “Sérgio Vilas Boas, chama a atenção para o fato de jornais e jornalistas Boas. contribuírem com a degradação ambiental, não apenas com a produção do lixo

VILAS BOAS, S. (Org.). Formação & informação ambiental: jornalismo para iniciados e leigos. São Paulo: Summus, 2004. 201 p. _____________________________________________________________________ Em apresentação brilhante, o organizador de Formação & informação ambiental: jornalismo para iniciados e leigos, Sérgio Vilas Boas, chama a atenção para o fato de jornais e jornalistas contribuírem com a degradação ambiental, não apenas com a produção do lixo doméstico, mas muito mais com a não produção de matérias aprofundadas sobre o meio ambiente. E, de fato, ao longo dos capítulos, é evidente que o livro clama por mutações no jornalismo.

doméstico, mas muito mais com a não produção de matérias aprofundadas sobre o meio ambiente.” O trecho sublinhado poderia ser substituído por a produção de matérias não aprofundadas sobre o meio ambiente sem que haja alteração de significado? ____________________________________________________________________ Um jornalismo em mutação é a exigência maior. Urge uma postura mais educacional, esclarecedora e orientadora do jornalismo especializado em meio ambiente e da imprensa em geral. É a contribuição dos profissionais de comunicação para sensibilizar o grande público da relevância de se combater os danos ambientais, sem alarde e sensacionalismo, distante da postura dos ecoterroristas, para quem manifestações pacíficas ou o processo de conscientização são esforços inúteis. Neste sentido, energia, água, alimentos, ecossistemas, empresas e cidades são tópicos discutidos pelos autores, a partir da premissa básica de que o meio ambiente está intimamente relacionado com valores sociais, culturais, econômicos, políticos e com o estágio de desenvolvimento científico e tecnológico das nações. Assim sendo, o jornalista que cobre meio ambiente necessita conhecimento além do domínio de meras técnicas jornalísticas, qual seja, demanda uma visão ampla de mundo, que lhe permita compreender o todo, sem isolar as partes. O parágrafo acima resume as idéias principais do livro sobre o jornalismo especializado em meio ambiente. a) O que está implícito em a imprensa em geral? b) Quais são os tópicos que serão discutidos em cada capítulo? c) Quais são os conhecimentos necessários para esse tipo de jornalismo? ____________________________________________________________________ ________________ A responsabilidade direta pela produção dos seis textos é de seis diferentes Apresentação dos autores e de como se estudiosos. Dentre eles, todos são, como o organizador, jornalistas respeitados. A compõe a obra única exceção fica por conta de Odo Primavesi, engenheiro agrônomo e pesquisador científico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA Sudeste), além de educador ambiental a) Que informações apresentadas sobre os jornalistas lhes dão crédito para publicar essa obra? b) O que credencia o engenheiro agrônomo a tratar do assunto nesse livro? ____________________________________________________________________ A princípio, Roberto Villar Belmonte, com Cidades em mutações, traz à tona os efeitos da violenta degradação ambiental, que combina possíveis benefícios da Resumo do 1º capítulo modernização agrícola e urbano-industrial com a promiscuidade das concentrações populacionais das áreas urbanas, causada por lixões a céu aberto, esgotos in natura em rios e lagos, e engarrafamentos quase infindos. Tudo isto mesmo quando a biofilia afirma que o ser humano, como as demais espécies, sofre graves danos psicológicos se submetido a ambientes menos saudáveis. O autor propõe, com base no conceito de Ignacy Sachs, a desruralização, como tentativa de desinchar as megalópoles, mas incluindo gente. É o combate ao êxodo rural em

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condições precárias. É o combate pelo direito à cidade para todos, sem que se perca de vista a qualidade de vida. Sem dúvida, trata-se de uma proposta discutível em termos de operacionalização, mas as soluções apresentadas não podem ser simplesmente ignoradas. a) Qual é o trecho que apresenta a opinião da resenhista sobre a proposta de Roberto Villar Belmonte? Como você reconhece que se trata da opinião da resenhista? b) Por que Ignacy Sachs é citada? _____________________________________________________________________ No momento seguinte, Regina Scharf inicia seu texto, Verde como dinheiro,
Resumo do 2º capítulo desafiando repórteres para que façam a distinção entre expressões comuns no

nosso cotidiano, como: papel reciclado x papel reciclável; produto vegetariano x produto orgânico e assim sucessivamente. É uma forma bem humorada de denunciar a falta de conhecimento acerca do desenvolvimento econômico sustentável, num país como o nosso, cuja imprensa, paradoxalmente, cobre, com desenvoltura as temáticas econômicas. Em sua visão, a temática ambiental é, quase sempre, folclorizada, esvaziada, reduzida e distorcida, como confirmado em estudos sobre a produção da imprensa à época da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (ECO-92), no Rio de Janeiro. Exemplificando, pesquisa efetivada nos cinco jornais diários de Teresina (Piauí), à época, comprovou que a maioria das matérias veiculadas acerca da ECO-92 tende para o simplismo, o circunstancial, sem a devida acuidade (TARGINO; BARROS, 1996). Assim, Regina disserta sobre os conflitos de interesses, nem sempre explícitos, entre as empresas capitalistas, a legislação ambiental, as certificações internacionais e o custo-benefício embutido no esforço do ecologicamente correto e da produção mais limpa. É evidente que investir em meio ambiente significa custos adicionais para o empresariado. Mas, não fazê-lo custa ainda mais, como retratado em filme hollywoodiano bastante comentado, baseado em fato real. Erin Brockovich, vivida nas telas por Julia Roberts, é secretária num escritório de advocacia e decide investigar a fundo, e por conta própria, um caso de poluição ambiental causado por uma empresa estadual de eletricidade, sediada numa pequena cidade norte-americana, resultando numa multa milionária imposta à empresa. a) Regina Scharf compara os textos sobre economia e meio ambiente veiculados pela imprensa. No que eles se distinguem? b) Em que Regina Scharf fundamenta seu próprio texto? c) Por que ela escolheu um filme hollywoodiano como exemplo? ____________________________________________________________________ O terceiro capítulo é responsabilidade de Eduardo Geraque. Perceber a Resumo do 3º capítulo biodiversidade fazendo jus ao subtítulo – jornalismo e ecossistemas parecem (mas não são) elos perdidos –, discute a vinculação estreita entre diversidade biológica e o seu interior e exterior. Sob esta perspectiva, uma das funções do jornalismo ambiental é [...] entrar na espiral de relações que a natureza oferece. Na teia de significações. Na história humana. No povo ribeirinho. Nos grandes empresários [...] O cerne da questão ambiental, e de como o jornalismo enxerga o problema, passa pelo preenchimento que existe hoje desse hiato entre o mundo vivo e aquele pedaço de mundo recortado para a página do jornal ou a tela da TV. (GERAQUE, 2004, p. 80). a) O que Eduardo Geraque quis dizer com hiato ? _____________________________________________________________________ Água de uma fonte só retrata a experiência concreta vivenciada pela população Resumo do 4º capítulo de Uberaba, Minas Gerais. O descarrilamento, na Ferrovia Centro Atlântica, no ano de 2003, de 18 vagões de uma locomotiva fez com que 13 deles despejassem no córrego Congonhas cerca de 720 toneladas de produtos tóxicos – metanol, cloreto

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de potássio e octanol. E tudo isto a poucos metros de distância da estação de captação, responsável pelo abastecimento dos quase 260 mil habitantes do município mineiro, causando pânico imediato. A partir deste fato, André Azevedo da Fonseca discorre sobre o problema da água potável como uma questão real, que requer soluções imediatas. No entanto, como tudo que acontece no meio ambiente, constitui uma problemática relacionada com diversas questões sociais, e, por conseguinte, exige estratégias articuladas com outras áreas. No entanto, de forma lúcida, o autor acredita que pode haver certa histeria ambiental e a própria visão apocalíptica da escassez da água pode ser contestada, segundo dados divulgados insistentemente por um estatístico, Bjorn Lomborg. Para esse dinamarquês, muitos dos presságios acerca de um futuro catastrófico para o meio ambiente resultam de “[...] uma interpretação equivocada de estatísticas, além de imprecisões conceituais, preconceitos movidos pela paixão ideológica e, é claro, muita retórica.” (FONSECA, 2004, p. 121). a) Qual é a opinião de André Azevedo da Fonseca sobre a escassez de água? Por que ele cita Bjorn Lomborg? b) A resenhista gostou da explanação de André Azevedo da Fonseca? Retire do texto uma expressão que comprove sua resposta. _____________________________________________________________________ Com o texto Oxigênio para a energia, Carlos Tautz alerta para a urgência de a Resumo do 5º capítulo imprensa entender ela mesma a idéia de um jornalismo para o desenvolvimento: jornalismo que expressa “[...] a variada produção de organizações sociais que em sua práxis buscam elaborar um verdadeiro projeto de país e terminam por gerar muito conhecimento não-acadêmico.” (TAUTZ, 2004, p. 151). A partir desta idéia, discute uma nova forma de fazer jornalismo. Ao dar voz a essas organizações, o jornalismo possibilita discutir novos paradigmas técnicos e éticos no âmbito da agenda do desenvolvimento internacional e, particularmente, do desenvolvimento na América Latina e no Brasil, em torno do modo de produção de energia. Alertando para o fato de que um projeto energético nacional extrapola a questão meramente técnica de geração de eletricidade, para incorporar o risco da dependência tecnológica, o autor detalha a capacidade brasileira de diversificar a matriz energética. Contrapondo-se à alternativa termelétrica, que em sua opinião é injustificável em termos de realidade ambiental, econômica, financeira, energética e de segurança, cita outras opções, como: aproveitamento de biomassa em terras agriculturáveis, captação de raios solares e aproveitamento do potencial eólico. a) Por que a resenhista faz uma citação de Carlos Tautz? ____________________________________________________________________ Finalmente, Odo Primavesi apresenta Dilemas da agricultura. Trata-se de um Resumo do 6º capítulo ensaio de extrema lucidez, que expõe uma das contradições do Brasil. Ao mesmo tempo em que a agricultura ocupa cerca de 70% do seu território, os agricultores, em geral, vivenciam uma situação de extrema pobreza e fome, sem terem como pagar pelos produtos que geraram, o que o faz assim sumarizar: “a produção de alimentos colide com o ambiente porque sofre de avareza.” (PRIMAVESI, 2004, p. 177). Numa denúncia consistente, chama a atenção para a realidade das políticas agrícolas, grosso modo, direcionadas para a geração de divisas para produzir aquilo que tem bom preço no mercado, e mais ainda, que atende às exigências de importação, mesmo em detrimento da população brasileira. a) Segundo Odo Primavesi, na agricultura há contradições decorrentes das políticas agrícolas. Que contradições são essas? b) Qual é a opinião da resenhista sobre esse capítulo? ____________________________________________________________________ São paradoxos como estes que a imprensa deve trazer para o grande público, dentro da linha de pensamento do organizador de Formação & informação..., Vilas Boas, para quem “Jornalismo são reportagens especiais (especiais mesmo),

________________ Apreciação da obra

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perfis, livros-reportagem, documentários audiovisuais, radiofônicos etc. [...] O jornalista deveria ser também um ensaísta, e não um simples transmissor passivo de informações” (FORMAÇÃO & informação ambiental, 2004). De fato, acreditamos que reduzir a informação ambiental à mera descrição, sem aprofundamento e sem postura crítica, representa um risco. Risco para a coletividade, para a ciência e para o processo desenvolvimentista de qualquer nação. Assim sendo, seria interessante (e torcemos para que isto se concretize) que os próximos volumes da coleção Formação & Informação prime pela consistência e atualidade dos temas, como o faz este seu primeiro volume, cuja leitura é imprescindível para todos aqueles que acreditam num JORNALISMO que requer MUTAÇÃO permanente, como todo e qualquer processo social. Afinal, numa época em que tanto falamos sobre qualidade de vida, é bom lembrar que ela consiste, essencialmente em “ [...] colocar o ser humano no centro do processo de desenvolvimento, criando políticas e instrumentos que assegurem uma distribuição mais eqüitativa dos benefícios do crescimento econômico.” (PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO, 1999, p. III). a) Qual é a frase que resume o livro? b) Identifique as palavras e expressões empregadas pela resenhista para avaliar a obra e recomendar a sua leitura.

Saiba Mais
Observação: sobre a polêmica obra de Bjorn Lamborg, basta acessar: http://www.comciencia.br Lá você encontrará a resenha sobre o seu livro The skeptical environmentalist, elaborada por Roberto Belisário.

Atividade
Discussão a partir da leitura proposta anteriormente. a) A partir da leitura da resenha discuta no fórum: muitos estão preocupados com a a) A partir da leitura da resenha, discuta no fórum: muitos estão preocupados com a situação ambiental atual. Os estudos são cada vez mais divulgados, inclusive há discussão em fóruns internacionais pensando em resolver certas questões antes que possa ser tarde ou muito custoso, quer do ponto de vista econômico, quer do ponto de vista da recuperação ambiental. Há mais palavras do que ações em relação à preservação do meio ambiente. Afinal: se pouca coisa está sendo feita, por que o poder de persuasão das palavras não está sendo eficaz? b) Pesquise na revista Veja uma resenha do seu interesse e identifique a apreciação da obra, isto é, a opinião do resenhista sobre o objeto, se a crítica é positiva e/ou negativa e as estratégias que utilizou para fundamentar sua argumentação. Publique sua pesquisa no Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Vamos praticar a escrita? Para elaborar uma resenha, devemos prestar atenção aos seguintes procedimentos:

I. Leitura: antes de iniciar a escrita de uma resenha, é necessário que você tenha compreendido toda a obra sob enfoque. Deve ter pesquisado as palavras que desconhece e estar convicto dos conceitos apresentados para poder discuti-los. Portanto, as técnicas de leitura são importantes para subsidiar a sua escrita. Se necessário, reveja as técnicas na Unidade de Leitura. II. Organização das suas idéias: para começar, lembre-se dos tópicos indispensáveis à estrutura da resenha e esquematize o que pretende escrever em cada um desses tópicos a partir das anotações que fez durante a leitura.

Lembra-se do que estudou sobre a situação de produção?

Há cinco itens que devem ser considerados em todas as produções textuais. Não os esqueça:

1. Quem escreve
Agora é você; seja o dono do seu texto, escrevendo e reescrevendo de acordo com o seu entendimento.

2. Destinatário
Considere quem receberá as suas informações e respeite o seu público leitor. Leve em consideração os seus possíveis leitores, cuidando do modo como vai transmitir a sua informação. Preocupe-se em saber como receberão a sua informação e saiba que será avaliado em relação ao modo de expressão das idéias redigidas, porque os textos escritos se constroem de acordo com a projeção que o autor faz dos seus possíveis leitores.

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3. Objetivo
Tratando-se de uma resenha, pondere sobre o objetivo desse tipo de texto: convencer o leitor a buscar o original.

4. Momento da produção
Não deixe para fazer no último dia, porque a produção de texto próprio exige tempo e disposição para revê-lo e fazer alterações. Se você se sentir sob pressão, a qualidade das informações pode ficar comprometida.

5. Divulgação
Primeiro, seu texto vai ser divulgado para os colegas e para o professor, mas depois poderá ser divulgado em sites e revistas.

III. Atenção para a qualidade das suas informações: também pode ser que você precise buscar mais informações sobre alguns dados e conceitos. Caso faça isso, não se esqueça de anotar com exatidão as referências para apresentá-las no final do texto. Se fizer citações diretas, use aspas, indique o autor, o ano e a página de onde retirou o trecho que vai reproduzir.

Fique de olho
O seu texto não pode ser uma cópia dos trechos que você considera importantes. Trata-se de um novo texto, o seu!!!

Se não posso simplesmente copiar os trechos que considero importantes, como vou fazer então?

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Bem, Lygia, há alguns procedimentos que podem ser empregados: Paráfrase: consiste em escrever com as próprias palavras o que absorveu do texto já lido e compreendido. Por meio da paráfrase, você tem liberdade para escrever à sua maneira, tornando mais acessíveis as idéias expostas no texto original.

Para Reimas e Courtés* (1989, p. 325) paráfrase “consiste em produzir, no interior de um mesmo discurso, uma unidade discursiva que seja semanticamente equivalente a uma outra unidade produzida anteriormente”. Sendo assim, a paráfrase objetiva “traduzir um texto complexo em linguagem mais acessível” (Medeiros, 2005, p. 145).
*Citado por Medeiros, João Bosco (1997 em A Redação Científica. A Prática de Fichamentos: Resumos e Resenhas. 3. ed. São Paulo: Atlas, p 145.

Como bem observam Reimas e Courtés, você produz um novo texto cujas idéias são equivalentes às da obra resenhada. Não basta retirar informações e usar sinônimos; você tem liberdade para acrescentar informações esclarecedoras, podendo estabelecer relações com outros textos que tratam do mesmo assunto. Como o objetivo é avaliar a obra, a resenha prevê a inserção de críticas, comparações, questionamentos e sugestões, desde que bem fundamentados. Para isso, a leitura de outros textos que ajudem na compreensão ampla da obra em questão pode tornar sua resenha mais rica e interessante. Se fizer isso, no final indique as fontes.

Citações: algumas idéias podem ser transcritas exatamente como se encontram na obra que está sendo resenhada, desde que você seja fiel ao texto original, coloque-as entre aspas e indique a referência. Para ser utilizada, a citação deve ser importante, e você pode empregá-la entremeando-a no seu texto, mas mantendo o fluxo do pensamento. O seu texto precisa ser atraente; por isso, deve haver continuidade entre o seu texto e o texto citado.

IV. Releitura e reescrita do próprio texto: o seu desempenho vai depender da atenção que você der para o seu texto. É preciso praticar, e isso exige o seu envolvimento com aquilo que escreveu, sendo capaz de reler e reescrever várias vezes para deixar nele as suas marcas de escritor.

Profª Regina Back Cavassin

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Dica
Releia seu texto e confira a estrutura, as informações, o seu modo de escrever. Capriche! Você é o escritor do seu texto! Tente! Será uma experiência nova porque, com o suporte do computador, você não precisará ficar “passando a limpo”.

Atividade
Para você aplicar os conteúdos aprendidos até aqui, apresentamos quatro opções, das quais será escolhida uma para a elaboração da sua resenha. Publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem. O que ler 1ª opção: combine com o seu professor a que filme você deve assistir para elaborar uma resenha. Nesse caso, não se esqueça de indicar o diretor do filme, a duração, o ano. 2ª opção: leitura do livro O broto. Trata-se de um livro de imagens (32 páginas), de autoria de Rogério Borges, publicado pela editora Moderna. 3ª opção: a critério do professor, conforme a área de interesse do curso. Como digitar Digitar em documento Word com as seguintes especificações: Margens: superior - 3cm inferior - 2cm esquerda - 3 cm direita - 2cm Fonte: Times New Roman 12 Onde consultar sobre dúvidas gramaticais Preste atenção nos recursos que o documento Word lhe oferece: se estiver sublinhado em vermelho ou verde, reveja o que escreveu. Pode haver erros de escrita ou de gramática para os quais o Word oferece sugestões de alteração. (Observação: nem sempre as sugestões propostas estão corretas.) Se tiver dúvidas, consulte o dicionário, gramáticas ou algum site. Também poderá consultar o seu tutor antes de enviar o texto. Eis alguns endereços para você tirar suas dúvidas: http://www.academia.org.br/ http://ciberduvidas.sapo.pt/ http://www.tvcultura.com.br/aloescola/linguaportuguesa/index.htm Como será avaliado Você fará as alterações necessárias de acordo com instruções que receberá na devolução do seu texto. Isso significa que você será avaliado no processo de construção do seu texto, por meio da produção textual. A sua produção textual será considerada após a reescritura, em que você busca os recursos lingüísticos mais adequados ao nível situacional, apresentando outra versão melhor acabada.

Profª Regina Back Cavassin

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade III – O Gênero Resenha: um texto acadêmico Tema 3 – Para elaborar a sua resenha

Bom trabalho, pessoal!

Seja o dono das suas palavras e fique orgulhoso ao dizer: este texto é meu!

Profª Regina Back Cavassin

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O Gênero Ensaio
Acadêmico, você já viu, nas unidades de Leitura e Produção de Textos, como é importante a palavra escrita. Também já sabe que a escrita é fundamental no processo interlocutivo, sendo a palavra o material privilegiado para a comunicação entre as pessoas. A construção de um texto envolve momentos diferentes. Segundo Fiad e Mayrink-Sabinson, esses momentos são o planejamento, a própria escrita, a leitura do texto pelo autor e as modificações a partir dessa leitura (1993). Assim, nesta unidade, você verá alguns princípios básicos para apresentar informações escritas em forma de um ensaio, de acordo com as condições e critérios que o tema exige. Objetivos Ao concluir esta unidade, você deverá ser capaz de: (Re)conhecer o conceito e exemplos do gênero ensaio. Identificar a estrutura do ensaio. Solucionar dúvidas sobre o padrão da língua escrita. Perceber as relações semânticas (lógicas) estabelecidas por conectivos. Treinar o emprego de conectivos que estabelecem relações lógicas. Redigir um ensaio acadêmico.

Unidade 4

Tema 1 – Ensaio

Objetivo
(Re)conhecer o conceito e exemplos do gênero ensaio.

Opinião de Silviano Santiago sobre Ensaio

O ensaio se apresenta como um texto escorreito, de feição híbrida. Tem algo da escrita artística e também da escrita científica. Por um lado, falta-lhe a liberdade da arte porque o ensaísta é um leitor que trabalha a partir de exemplos concretos, tomados de outros textos e dos meios de comunicação de massa. Por outro, faltam-lhe os princípios disciplinares da ciência, já que o ensaísta é um indivíduo obsessivo que sai em busca do conhecimento multidisciplinar de dada questão. Paradoxalmente, nessa dupla falta, está a redenção do ensaio. O ensaio não concorre com a exposição em forma de "drama", típica da ficção, do teatro ou do cinema. É na obsessão

Silviano Santiago, um dos grandes pensadores da cultura brasileira, retorna a um gênero que o consagrou: o Ensaio. Na entrevista, concedida ao BOLETIM informativo, o ficcionista e crítico literário que recentemente lançou, pela Editora UFMG, a coletânea ensaística: o cosmopolitismo do pobre, explica como reuniu os textos da obra, fala de suas atuais preocupações em relação ao país e comenta temas como o multiculturalismo. O livro recémlançado por Santiago aborda questões como as políticas de globalização e o papel da leitura na formação do cidadão. Por Maurício Guilherme Jr, em BOLETIM Informativo Nº 1472, Ano 31 - 17.2.2005. Disponível em <http://www.ufmg.br/boletim/bol 1472/sexta.shtml > Acesso em 29.abr.2007.

opinativa do ensaísta que está a coerência de uma coletânea de ensaios como O cosmopolitismo do pobre. O ensaio também não concorre com a monografia científica, em que a objetividade oriunda de uma bibliografia deve suplantar o caráter subjetivo da interpretação. O ensaio fala de maneira individual e obsessiva sobre a atualidade e deve dialogar com todo e qualquer cidadão que se interesse pelas questões propostas pela realidade nacional e internacional.

Conceito

O ensaio é um texto literário breve, comum na academia e nos periódicos impressos ou on-line. Tem como maior objetivo expor idéias, críticas e reflexões morais e filosóficas sobre determinados temas.
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Consiste, fundamentalmente, na defesa de um ponto de vista pessoal e subjetivo sobre um tema, seja ele humanístico, filosófico, político, social, cultural, moral, comportamental, literário, entre outros, sem que tenha, obrigatoriamente, como base, documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter científico.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 1 – Ensaio e Gramática Contextualizada

De modo geral, o ensaio é uma forma literária, uma composição em prosa, de pequena extensão e assunto limitado. De início, era uma breve digressão pessoal acerca de pessoas, fatos, paisagens e estados de alma. Situando-se entre o poético e o didático, o ensaio distingue-se pelo manejo, a um tempo, das idéias e do estilo e caracteriza-se por uma estrutura baseada na flexibilidade formal e na subjetividade. Exceptuando-se os casos de utilização indevida do conceito, mantêm-se atuais as frases de Montaigne para definir o que seja ensaio: [1] «Eu sou a matéria do meu livro», na medida em que o ensaísta utiliza a sua liberdade individual e baseia-se na reflexão que faz sobre as matérias de que trata, para sobre elas constituir um pensamento original; e [2] «O que sei eu?», porque, sempre que se faz um ensaio sobre uma dada matéria, é obrigatório proceder-se a uma atualização crítica dos conhecimentos já adquiridos, pelo próprio ou por outrem, sobre essa mesma matéria. No fundo, o ensaio representa sempre, seja qual for a matéria que aborde, um ajuste de contas entre o conhecimento já detido pelo autor e aquilo que ele pretende conhecer.

Quanto à forma, o ensaio assume uma estrutura tradicional, habitualmente dividida em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Dispensa um número específico de páginas, mas, por sua dinâmica de apresentação, normalmente se resume a duas ou três páginas. Nem por isso, dispensa o rigor lógico, pois a coerência de argumentação exige do escritor grande informação cultural e maturidade intelectual.

Os ensaios que circulam na esfera acadêmica apresentam um tom formal e normalmente são solicitados como estratégia de avaliação nas diversas disciplinas.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 1 – Ensaio e Gramática Contextualizada

Depois de estudar várias teorias sobre um mesmo tema ou várias abordagens sobre um determinado fato, é possível ao acadêmico produzir um ensaio para demonstrar seu grau de conhecimento e emitir seu ponto de vista.

Exemplo
Ensaiando a vida! De Mariana Rezende Costa Ensaio. Tentativa, experiência, treino. O “homem da torre” sabia o que estava fazendo. Legou ao mundo textos instigantes e incrivelmente incisivos, encantadoramente leves, subjetivos, pessoais. E a sutileza. A fantástica sutileza com que Montaigne “cutuca”, incomoda, causa impactos. “Mas esses traços, por leves que sejam, bastam a um espírito penetrante para que adivinhe o resto”, segundo Lucrécio. A sagacidade e a perspicácia de Montaigne permitiram que ele alcançasse os objetivos que tinha ao escrever. “Montaigne encoraja-nos a não nos iludirmos, a buscarmos por toda parte a verdade, acatando-a ainda que importuna ou amarga, a sermos sinceros com nós mesmos”, Maurice Weiler, apud Montaigne. Acredito ser essa a característica mais importante de um ensaio, a capacidade de nos arrancar, por instantes, a venda, de transtornar nossa cegueira e alienação, perturbar a mediocridade de nossas vidas, nos empurrando, assim, em direção à verdade. Porque, uma vez que enxergamos, mesmo que através de instantâneos insights, que existe mais do que podemos ver em nosso mecânico cotidiano, a partir desse momento temos a chance de, por nós mesmos, com nossas próprias mãos, retirar a venda e partir em busca do implícito, daquilo que não faz parte do que o sistema nos impõe como única maneira possível, como verdade. Um ensaio pode ser um estalar de dedos diante de nossos olhos, um tapa no rosto, água no ouvido, um soco na boca do estômago. Ensaio de qualidade é o ensaio que incomoda. Que perturba a ordem. Um ensaio pode ser esteticamente belo, estruturalmente bem construído, e pobre de significado. Mas mesmo que seja um texto de qualidade e faça sua parte enquanto transtorno da ordem estabelecida, não creio que possa ser um “ensaio para a vida”, como já ouvi e li anteriormente. Não se ensaia a vida. Vive-se a vida. A primeira representação já é a definitiva, por isso de nada adianta ensaiar já que a vida é uma tragicomédia de improviso, totalmente surpreendente. No momento em que você começa o seu ensaio, já mudaram os propósitos, as situações, o mundo, as pessoas. Bons ensaios têm o incrível poder de nos abrir por um momento os olhos e dar-nos impulso para lutar contra a opressão. Opressão? Opressão. Ou não se sente oprimido? Não te oprimem as guerras, a destruição, o sofrimento? Não te oprime a máquina capitalista? Ou não sabe que, conforme Drummond, “Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra/ e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer./ Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina/ e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras”? Claro que não. Está tudo bem, na realidade. “... a areia é quente, e há um óleo suave” para passar nas costas. E esquecer.
Fonte: Ensaios em arte final. FALE/UFMG. (Faculdade de Letras). Oficina de Produção de Textos em Língua Portuguesa: Ensaios. Organização de Regina Lúcia Péret Dell’Isola. 2002.

Em alguns ensaios que circulam na mídia, o tom não é tão formal. Os escritores sentem-se à vontade para emitir, informalmente, seu ponto de vista sobre outras pessoas (quase sempre representantes políticos, governantes, artistas, escritores, entre outros),

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 1 – Ensaio e Gramática Contextualizada

ou fatos sensacionalistas. E, dependendo da situação, o ensaio, publicado em revistas periódicas, pode até causar revanches entre os escritores. Os exemplos de ensaios a que normalmente se tem mais acesso são os que circulam na mídia impressa. Para começarmos, vejamos, então, um exemplo que segue. Trata-se de um ensaio do colunista Roberto Pompeu de Toledo.
O ensaio apresenta um depoimento pessoal e uma conclusão sobre as relações entre China e o tempo.

Exemplo
Soberana e imperturbável Um depoimento pessoal e uma conclusão sobre as relações entre a China e o tempo "O novo embaixador da China telefonou..." Algumas semanas atrás este autor... (este autor?; não: desta vez esta página contém um depoimento pessoal, então vai na primeira pessoa). Algumas semanas atrás recebi esse recado. Faz tempo que não tinha tratativas com a China, então que quereria comigo o embaixador? A rigor, tive tratativas com a China apenas uma vez, já lá se vão 21 anos, quando fui incumbido por esta revista de fazer uma reportagem sobre o país, então ensaiando os primeiros passos na direção do capitalismo, ou socialismo capitalista, ou "socialismo de mercado", ou seja, lá que nome essa coisa tenha. Passei três semanas na terra então comandada por Deng Xiaoping, e logo ao chegar fui recebido por duas pessoas com quem conviveria largamente naquele período.
A primeira foi o embaixador brasileiro, o inesquecível Italo Zappa, já meu conhecido. Zappa era o desbravador-mor do Itamaraty. Desbravara as relações brasileiras com as antigas colônias portuguesas. Agora estava ajudando a desbravar as relações com a China. "Tudo aqui começa com a política externa", ensinou-me ele. O mastodonte chinês antes escolhe os passos com que se movimentará no meio do mundo, depois aplica as conseqüências disso no dia-a-dia da população. Foi assim que o afastamento da União Soviética, ainda na década de 50, prenunciou a radicalização da Revolução Chinesa. Ou que a retomada das relações com os Estados Unidos, em 1972, executada com tal alarde que incluiu uma visita do presidente Richard Nixon, prenunciou o processo em curso até hoje. Outra lição de Zappa foi que na China não se deve deixar o cão escapar do portão de casa. Seu cãozinho, um vira-lata chamado "Tu", vivia a espreitar a oportunidade de sair, sempre que o portão era aberto para a entrada de alguém. Às vezes conseguia. E então Zappa saía em correria pela rua, no afã de recapturá-lo antes que algum chinês da vizinhança o fizesse. Nesse caso, o destino provável de Tu seria a panela. Chinês gosta de comer cachorro, como se sabe. Aliás, chinês gosta de comer tudo. Um dito da terra apregoa que chinês come tudo o que tenha quatro patas, exceto mesa. A outra pessoa que me recebeu em Pequim foi Chen Duqin, destacado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês para me servir de intérprete. Eram espantosos o domínio que Chen tinha do português, inclusive do português coloquial do Brasil, e o nível de informação que tinha do país. Seu leve sotaque, muito leve, lembrava o do índio Juruna, então em voga. Para mim, era a prova que faltava, irrefutável e indesmentível, de que os índios americanos vieram da Ásia, caminhando pelas geleiras que então cobriam o Estreito de Bering. Chen tinha servido na embaixada chinesa em Brasília. Uma vez, durante nossa estreita convivência, eu o peguei comentando com outro chinês que, no Brasil, se alguém queria ligar de uma cidade para outra, bastava discar uns numerinhos prévios. Na China não havia DDD. Outra vez, ele comentou que quando vivia no Brasil não tinha tempo para nada. Na China lhe sobrava tempo.

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Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 1 – Ensaio e Gramática Contextualizada

Exemplo – Continuação...
A China daquele ano de 1985, embalada pelas reformas de Deng Xiaoping, apregoava como novidades a possibilidade de as pessoas estabelecerem um negócio próprio, desde que modesto, e a de um camponês cultivar seu próprio pedaço de terra, desde que modesto. Quanto às empresas, todas estatais, elas tinham ganho a possibilidade, primeiro, de tomar suas próprias decisões, dentro de um certo limite; segundo, de vender uma parte da produção no mercado, e não para o Estado, dentro de outro limite; e, terceiro, de se associar em joint ventures (as duas palavrinhas eram tão freqüentes nos lábios dos chineses quanto ni hao, a expressão com que se saúdam) com investidores estrangeiros, respeitados outros tantos limites. Com cuidados de mastodonte, a China ensaiava entrar no baile capitalista. Ao mesmo tempo, com calculados beliscões no próprio corpo, tentava despertar de seu milenar sono rural. Talvez fosse a esse sono que Chen se referisse ao dizer que na China lhe sobrava tempo. Mas pode haver outra explicação para o tempo que lá se estica, se expande e se avoluma. Ao contemplar certa vez a multidão de chineses que, num parque, como em todas as manhãs, começavam o dia com os movimentos lentos e ritualísticos do tai chi, veio-me a revelação, como um raio: a China tem parte com a eternidade. Ela é a mais antiga civilização ainda em atividade. Viu muitas outras nascer e morrer. Tem uma experiência sem igual no planeta Terra. Ao responder ao telefonema do novo embaixador chinês, eu me dei conta de que... sim, era o Chen. Meu antigo intérprete e amigo chegou ao topo da carreira. Não sei que China é essa que ele veio representar. O leitor, ao chegar a esta página, já sabe como é a China dos dias que correm, mas eu não li a revista ainda. O que sei é que, comunista ou capitalista, rica ou pobre, a China impõe-se ao mundo, soberana e imperturbável como um deus.
TOLEDO, Roberto Pompeu de. Revista Veja, Editora Abril, edição 1968, publicada em 9 de agosto de 2006.

Origem do Ensaio

Com a publicação de seu livro Les Essais, em 1580, Michel de Montaigne (1533-1592) recebe o crédito pelo termo

ensaio. Representa um gênero literário caracterizado, na sua
origem, por um estilo dialogante, intimista, divagante e não sistematizado, baseado na liberdade individual, na reflexão sobre os negócios do mundo e na busca de um pensamento original. Ao longo dos tempos, resultante dos contributos de Bacon, Locke, Leibniz, Pope, Montesquieu, Voltaire, Lamennais, Taine, Sainte-Beuve, ou, no Brasil, Verney, Ribeiro Sanches ou António Sérgio, o conceito sofreu uma evolução. Entretanto, existe uma grande unanimidade no entendimento de que a obra a que esse conceito melhor se aplica continua a ser a de Montaigne, que tão bem o definiu por meio da divisa «Que sais-je?»
Michel de Montaigne http://www.thelemes.net/index.p hp?ch=biographies&nr=149

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 1 – Ensaio e Gramática Contextualizada

(«O que sei eu?») – mais tarde, curiosamente, utilizada pelas edições «Presses Universitaires de France» (PUF) para designar uma numerosa coleção enciclopédica de pequenos volumes com que se pretende fazer o ponto da situação dos conhecimentos atuais... –, mas, sobretudo, das palavras com que apresentou o seu livro ao leitor:

Eis aqui um livro de boa-fé, leitor. [...] Quero que através dele me vejam na minha feição simples, natural e vulgar, sem contenção ou artifício: porque é a mim que eu pinto. Os meus defeitos aqui se hão-de ler ao vivo, e também a minha forma singela, na medida em que mo permitiu a reverência pública. Tivesse eu estado entre aquelas nações que se diz viverem ainda sob a doce liberdade das primeiras leis da natureza, e asseguro-te que de bom grado eu me teria feito pintar de corpo inteiro, e inteiramente nu. Deste modo, leitor, eu próprio sou a matéria do meu livro.
Por Luiz Fagundes Duarte, disponível em: http://ciberduvidas.sapo.pt/index.php. Acesso em 02. mai. 2007.

Recentemente, o termo ensaio tem-se vulgarizado, sendo utilizado para designar tanto trabalhos científicos de caráter analítico e mesmo descritivo, com o objetivo de apresentar e defender uma idéia ou uma teoria que se julga inovadora (monografias, teses acadêmicas etc.), como os trabalhos preparatórios de quaisquer obras previstas; é por isso que, por exemplo, chama-se ensaio à representação de uma peça de teatro, antes da sua estréia perante o público, com o objetivo de verificar se tudo está como deve ser (dicção do texto, postura dos atores, som, luzes, guarda-roupa, marcações de palco etc.); do mesmo modo, muitos artistas plásticos chamam ensaio a determinadas fases, parciais ou de conjunto, das respectivas obras, antes de as considerarem prontas para exposição.

Atividade
Acadêmico, que tal exercitar um pouco? Pesquise na mídia impressa ou on-line um ensaio como o de Roberto Pompeu de Toledo. Pode ser dele ou de outros ensaístas, como Diogo Mainardi, Lauro Jardim, Geraldo Medeiros, André Domingues, entre outros. Leia o ensaio e publique no Ambiente Virtual de Aprendizagem as seguintes informações: inicialmente, mencione a fonte da pesquisa (onde, quando e quem o escreveu); em seguida, o título do ensaio, o principal assunto abordado e o ponto de vista do autor.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 1 – Ensaio e Gramática Contextualizada

Saiba Mais
Sugestões de Links para leituras: http://vejaonline.abril.com.br/notitia/servlet/newstorm.ns.presentation.NavigationServlet? publicationCode=1 http://portalexame.abril.com.br/ http://www.vocesa.com.br/ http://info.abril.com.br/

Fique de olho
O gênero ensaio consiste em uma produção textual fundamentada na defesa de um ponto de vista. Os ensaios circulam, essencialmente, nas diversas mídias e na academia. Para cada esfera de circulação, exige-se maior ou menor rigor em sua estrutura.

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Tema 2 –Estrutura do ensaio na academia

Objetivo
Identificar a estrutura do ensaio.

O ensaio deve ser bem estruturado, organizado e apresentado de uma forma que o leitor ache fácil e clara a sua seqüência, ou seja, não deve apresentar nenhum obstáculo à leitura. Deve ter um estilo interessante e agradável de ler. Na esfera acadêmica, a produção do ensaio segue uma estrutura mais rígida, ou seja, há passos que organizam a produção textual: sua preparação e estruturação. Na preparação do ensaio, é necessário que se leiam criticamente os textos indicados pelo professor sobre o tema proposto. Nessa leitura, deve-se procurar identificar a tese defendida, os argumentos e estratégias que a sustentam. Deve-se, ainda, procurar assegurar-se de que houve a correta compreensão do que está em causa. Uma boa idéia é discutir os problemas e os argumentos com outras pessoas. Freqüentemente, isso ajudará o aluno a ter uma idéia mais clara da complexidade dos problemas e da força dos argumentos.

Nossa, Lygia, quanta coisa para preparar o ensaio acadêmico!

Pois é, mas isso é fundamental para produzir um ensaio acadêmico, sem falar que, depois dessa etapa, parte-se para a estrutura desse gênero textual!

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 2 –Estrutura do Ensaio na Academia

Organizando a estrutura e os conteúdos do ensaio

Um ensaio geralmente é organizado em três partes ou seções, chamadas de

introdução (princípio), corpo (meio, exposição e argumentação) e conclusão (fim).

1. Introdução
Observações: Dentro do parágrafo introdutório de um ensaio, o autor afirma a idéia central e qualquer informação prévia de que o leitor necessite saber. Geralmente, a idéia (tema) é declarada na segunda ou última sentença do parágrafo introdutório. Assim, lembre-se destes pontos importantes que você deve ressaltar na introdução: Definição do tema; Por que o escolheu; O que será argumentado; Descrição da estrutura do ensaio.

2. Corpo do Ensaio
O corpo do ensaio consiste de vários parágrafos. Cada parágrafo contém os pontos principais, que são necessários para provar ou desenvolver a idéia central. Cada ponto principal pode servir como o tópico do parágrafo. O parágrafo principal geralmente é afirmado no que é chamado de uma sentença-tópico ou argumento. Como cada ponto principal deve ser provado para o leitor, o autor também inclui fatos, razões, exemplos, ou outros detalhes de apoio, com os quais desenvolve cada ponto principal. Resumindo: Analisar e desenvolver o tema escolhido; Estruturar o ensaio de forma que o leitor possa seguir a sua argumentação; Dar exemplos do texto que irá estudar; Mencionar a bibliografia secundária para justificar suas idéias e conclusões; Dividir o ensaio em pequenos capítulos para tornar os argumentos mais compreensíveis; Indicar sempre a origem das suas citações (siga as convenções definidas pela ABNT).

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 2 –Estrutura do Ensaio na Academia

3. Conclusão
A conclusão do ensaio pode ser uma sentença simples, um parágrafo ou, ainda, vários parágrafos. O parágrafo conterá declarações concluintes que reafirmem e apontem a idéia central. As sentenças concluintes podem também resumir os pontos principais do ensaio. O objetivo da sentença concluinte é fazer o fechamento do texto. Assim, as declarações não devem introduzir nenhuma idéia nova. Portanto, lembre-se: Apresente os resultados da sua análise; Deixe clara a conclusão do seu trabalho; Poderá ser introduzido um comentário pessoal ao tema; Poderá ser indicada outra área relacionada com o seu tema, que seria interessante estudar e pesquisar.

4. Bibliografia
Indique, por ordem alfabética, os livros que usou no seu ensaio, de acordo com as normas de citação bibliográfica.

Fique de olho
E, para terminar este tema, vamos lembrar alguns conceitos... Um ensaio é uma composição breve, baseada em uma idéia. A idéia na qual o ensaio está baseado é chamada de idéia central/controle (ou tese defendida). Um ensaio é organizado em três partes ou seções, chamadas de introdução, corpo (argumentação e estratégias de convencimento) e conclusão. Cada parte do ensaio contém um ou mais parágrafos. A idéia central geralmente é afirmada no parágrafo(s) introdutório(s). A idéia central é explicada pelas idéias chamadas de pontos principais. Os pontos principais são explicados no corpo dos parágrafos. Cada corpo de parágrafo está baseado em um tópico. Em muitos casos, o tópico é um ponto principal do ensaio. O tópico de cada corpo do parágrafo é geralmente afirmado em uma sentença-tópico. Os pontos principais são explicados pelos detalhes de apoio. Os detalhes de apoio consistem de exemplos, fatos, razões, ou outras informações específicas que reafirmem o ponto principal. O parágrafo concluinte geralmente contém declarações que reafirmam e apontam a idéia central. As afirmações concluintes podem também resumir os pontos principais do ensaio.

Para você compreender melhor esse conteúdo, vejamos um exemplo de ensaio produzido na esfera acadêmica. Em seguida, observe a sua estrutura.

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LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS

Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 2 –Estrutura do Ensaio na Academia

Exemplo
Da difícil arte da conceituação Por Bruno Gripp Quando Platão separou as obras literárias em gêneros, diferenciou a epopéia da tragédia e expulsou ambas da República. Aristóteles, seu discípulo, distinguiu uma da outra, procurou qualificá-las, conceituá-las, tornando-se o primeiro teórico da história da literatura e também uma referência no estudo literário. Sua Poética tornou-se um paradigma da rotulagem literária, desde então os gêneros diferenciam-se pelo modo da imitação (mimese) e não pelo seu conteúdo ou sua origem, outros métodos de classificação possíveis. Com o posterior desenvolvimento da literatura, outros gêneros, além da epopéia e da tragédia, surgiram, como o romance, o conto, a lírica e o ensaio, estando estas noções tão integradas ao senso comum, a ponto de ser impossível nos dias de hoje estudar literatura sem estudar a teoria dos gêneros. Costuma-se classificar o romance como um texto em prosa de longa-duração temporal; o conto como um texto, também em prosa, de curta duração temporal; a lírica, em verso, com forte presença de um eu central, e o ensaio como um “texto, geralmente em prosa, livre, que versa sobre um determinado assunto sem esgotá-lo, reunindo pequenas dissertações menos definitivas que um tratado”, segundo Houaiss. Quanto ao ensaio, a definição mais usual, encontrada em dicionários e até em alguns teóricos, tende a abarcar mais do que o próprio senso comum reconhece como ensaio. Por exemplo, toda a produção epistolar de Cícero e Sêneca e até, se formos rigorosos, o poema didático De rerum natura de Lucrécio, se encaixa perfeitamente nestas definições, mas ninguém chamaria Lucrécio e Cícero de ensaístas. Onde estaria o que faz reconhecer um ensaio de um “não-ensaio?” Embora descartando de início a tautologia “ensaio é aquilo que nós chamamos de ensaio”, é importante partir do senso comum, “do que nós chamamos de ensaio”, para chegar no que o ensaio é. Procuro a descrição, pois a prescrição mostrou-se ser demasiado problemática. O que faz a Odisséia ou a Divina Comédia serem “não ensaios” já é esclarecido por qualquer classificação encontrada, também é explicada a razão de um conto não poder ser um ensaio – o ensaio mantém um certo caráter dissertativo – e também porque um tratado não é um ensaio – este é mais concludente. Resta ainda a dúvida do que faz com que as epístolas de Cícero não sejam ensaios, pois são livres dissertações curtas sobre determinado assunto, não concludentes, e até bastante individuais. A conclusão só pode ser feita ao analisar a história do ensaio. Pois continua descartada a chance de serem alguns latinos ensaístas. O gênero apareceu pela primeira vez com esse nome no final do século XVI, nos Essais, de Montaigne. Em 1597, antes mesmo da tradução para o inglês, já apareciam os primeiros ensaios ingleses, na pena de Francis Bacon, sem seguir fielmente o modelo do francês, e estes dois pioneiros foram seguidos por muitos outros. Corria então o Renascimento, era de grande produção intelectual, de contato entre o passado medieval e a mentalidade clássica. A maior diferença encontrada entre os modernos e os clássicos é, evidentemente, o tempo. E arriscaria a dizer que é justamente este fator que os diferencia. O ensaio está profundamente ligado ao mundo moderno, algo não facilmente definível e ausente das definições mais sucintas. A individualidade do ensaio é a individualidade do homem moderno. Portanto, Cícero jamais poderia sonhar em ser ensaísta, por mais individual que ele seja, pois esta individualidade é diferente da moderna, é a individualidade clássica, que desconhecia o relativismo que transborda os ensaios de um Montaigne. O ensaio é, então, um gênero literário inseparável do homem moderno. Esta breve investigação acerca da natureza do gênero ensaístico, do porquê de chamarmos certos textos de ensaios, mostra que a conceituação deve ser mais uma tarefa restritiva, de procurar ordenar o já existente do que uma demiurgia. Deve-se também repudiar a crença em uma verdade absoluta, uma entidade platônica, para procurar no senso comum sua própria verdade. A conceituação é, então, um mergulho no senso comum para a descoberta de seus princípios. Referência Bibliográfíca Dicionário Houaiss da língua portuguesa, 2001, p. 1148.
Fonte: Ensaios em arte final. FALE/UFMG. (Faculdade de Letras). Oficina de Produção de Textos em Língua Portuguesa: Ensaios. Organização de Regina Lúcia Péret Dell’Isola. 2002.

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Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 2 –Estrutura do Ensaio na Academia

Aurélio, você conseguiu identificar a estrutura desse ensaio? Acho que consegui, Lygia, mas vamos verificar a seguir!

o problema: “[...] Platão separou as obras literárias em gêneros, diferenciou a epopéia da tragédia e expulsou ambas da República. Aristóteles, seu discípulo, distinguiu uma da outra, procurou qualificá-las, conceituá-las, tornando-se o primeiro teórico da história da literatura e também uma referência no estudo literário”. o objetivo: “[...] Com o posterior desenvolvimento da literatura, outros gêneros, além da epopéia e da tragédia, surgiram, como o romance, o conto, a lírica e o ensaio [...]” a importância: “[...] estando estas noções tão integradas ao senso comum, a ponto de ser impossível nos dias de hoje estudar literatura sem estudar a teoria dos gêneros”. as teses concorrentes: Costuma-se classificar o romance como um texto em prosa de longa-duração temporal; o conto como um texto, também em prosa, de curta duração temporal; a lírica, em verso, com forte presença de um eu central, e o ensaio como um “texto, geralmente em prosa, livre, que versa sobre um determinado assunto sem esgotá-lo, reunindo pequenas dissertações menos definitivas que um tratado” [...] Quanto ao ensaio, a definição mais usual, encontrada em dicionários e até em alguns teóricos, tende a abarcar mais do que o próprio senso comum reconhece como ensaio [...]”. argumentos e estratégias a favor: “Por exemplo, toda a produção epistolar de Cícero e Sêneca e até, se formos rigorosos, o poema didático De rerum natura de Lucrécio, se encaixa perfeitamente nestas definições, [...]. Onde estaria o que faz reconhecer um ensaio de um “não-ensaio?” [...] Embora descartando de início a tautologia “ensaio é aquilo que nós chamamos de ensaio”, é importante partir do senso comum, “do que nós chamamos de ensaio”, para chegar no que o ensaio é. Procuro a descrição, pois a prescrição mostrou-se ser demasiado problemática. [...] O que faz a Odisséia ou a Divina Comédia serem “não ensaios” já é esclarecido [..],
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também é explicada a razão de um conto não poder ser um ensaio – o ensaio mantém um certo caráter dissertativo – e também porque um tratado não é um ensaio – este é mais concludente. [...] O gênero apareceu pela primeira vez com esse nome no final do século XVI, nos Essais, de Montaigne.[...], mentalidade clássica. [...] A maior diferença encontrada entre os modernos e os clássicos é, evidentemente, o tempo. E arriscaria a dizer que é justamente este fator que os diferencia. O ensaio está profundamente ligado ao mundo moderno, algo não facilmente definível e ausente das definições mais sucintas. A individualidade do ensaio é a individualidade do homem moderno. Portanto, Cícero jamais poderia sonhar em ser ensaísta, [...] um gênero literário inseparável do homem moderno”. objeções: “[...] Resta ainda a dúvida do que faz com que as epístolas de Cícero não sejam ensaios, pois são livres dissertações curtas sobre determinado assunto, não concludentes, e até bastante individuais. A conclusão só pode ser feita ao analisar a história do ensaio. Pois continua descartada a chance de serem alguns latinos ensaístas.” conclusões: “Esta breve investigação acerca da natureza do gênero ensaístico, do porquê de chamarmos certos textos de ensaios, mostra que a conceituação deve ser mais uma tarefa restritiva, de procurar ordenar o já existente do que uma demiurgia. Deve-se também [...] no senso comum sua própria verdade. A conceituação é, então, um mergulho no senso comum para a descoberta de seus princípios.”

Fique de olho
A organização estrutural do ensaio produzido na esfera acadêmica deve apresentar: problema, objetivo, tese, posição, objeções e conclusões. Portanto, acadêmico, lembre-se de: Formular o problema. Dizer qual o objetivo (tese defendida) do ensaio. Mostrar a importância do problema. Identificar as principais teses concorrentes. Apresentar a tese que quer defender. Apresentar os argumentos a favor dessa proposição. Apresentar as principais objeções ao que acabou de ser defendido (ou não). Responder às objeções (ou não). Tirar as suas conclusões.

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Atividade
Caro acadêmico, utilizando os conhecimentos adquiridos até aqui, escolha um ensaio qualquer e escreva no esboço abaixo os passos solicitados. Publique seus resultados no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Título do Ensaio: ______________________________________________________________ Idéia Central (objetivo ou tese defendida) ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Ponto Principal (argumento): ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Detalhes de apoio (estratégias utilizadas): ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Ponto Principal (argumento): ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Detalhes de apoio (estratégias utilizadas) : ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Ponto Principal (argumento): ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Detalhes de apoio (estratégias utilizadas): ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ Conclusão: ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________

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Unidade IV – O Gênero Ensaio Saiba Mais

9 SAIBA MAIS: Qualificando a produção escrita do ensaio/gramática aplicada ao texto

Objetivo
Solucionar dúvidas sobre o padrão da língua escrita.

Assim, o que se espera que um acadêmico apresente ao produzir um ensaio?

Inicialmente, espera-se que o aluno domine a técnica de produção textual, demonstre saber relacionar o problema com as teorias e argumentos em causa. Em um ensaio, o acadêmico não pode se limitar a dar a sua opinião. Tem, também, de avançar com argumentos e estratégias (acadêmico, retome o que foi estudado na unidade 1 – leitura sobre as estratégias, comprovações) e responder aos argumentos contrários. Em um segundo momento, espera-se que tenha o domínio da língua escrita padrão, principalmente em relação à coesão, concordância, regência e pontuação. Um bom texto, como você viu nos ensaios exemplificados, transmite uma mensagem. Mas, para isso, é preciso que ele tenha algumas qualidades: clareza, argumentação bem definida, fatos ou dados que ilustrem o assunto e apresentação de novas opiniões. Tudo isso, evidentemente, com rigor gramatical e estilo próprio.

Fique de olho
Fazer a concordância dos nomes e dos verbos, ter clareza sobre a forma correta de grafar as palavras ou como acentuá-las, principalmente nos textos acadêmicos, exige um mínimo de domínio da norma padrão da gramática da Língua Portuguesa.

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Unidade IV – O Gênero Ensaio Saiba Mais

Muitas vezes, algumas personalidades públicas, por cometerem “gafes”, são alvos de severas críticas pela mídia.

Essas gafes acontecem porque é comum os falantes não prestarem muita atenção à norma culta da Língua Portuguesa.

Assim, você mesmo vai ser o seu crítico e procurar monitorar o uso da língua padrão na fala e na escrita, quando esse cuidado for necessário. Para tanto, sugere-se observar alguns exemplos para lembrar os seus conhecimentos.

Dica
Lembrar todas as regras da Gramática da Língua Portuguesa não é tarefa muito fácil, mas você pode resolver muitas situações quando souber onde consultar sobre sua dúvida.

Agora, você fará consultas para resolver os problemas de inadequações à norma padrão. Os links abaixo apresentam exemplos sobre transgressões à norma padrão da língua, registradas do cotidiano de vários indivíduos e das quais provavelmente podemos ter dúvidas ao falar ou escrever.

Confira: São 161 casos diferentes e muito recorrentes. Clicando sobre as sentenças você terá uma explicação sobre a maneira correta de como solucionar os problemas. Em http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=2 acesso 15.mai.07 Muitas dúvidas? Aqui tem muitas respostas! Acesse o link “Mural de Consultas” no site abaixo: http://www.linguabrasil.com.br/ acesso em: 15.mai.07 Vejamos alguns exemplos sobre esses conteúdos que irão qualificar a sua produção textual no link: http://www.cursoderedacao.com/p_c/sub_pag.php?filter=C&cat=7&art_codigo=462, acesso em: 15.mai.07

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Atividade
Acadêmico, para reforçar seu conhecimento, acesse os links abaixo e faça o exercício sugerido. Atenção: clique na categoria referente à nossa aula. http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=exercicios/conc1000/index

Agora, é hora de diversão: Que tal clicar no link: http://guida.querido.net/jo gos/ e divertir-se um pouco com a Língua Portuguesa?

Fique de olho
Conteúdos gramaticais que dão qualidade à produção do ensaio: coesão, regência e concordância.

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Tema 3 – Produzindo o ensaio

Objetivo
Redigir um ensaio acadêmico.

Conforme já abordado no tema 2, o ensaio é basicamente dividido em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Fique de olho
Nos tópicos que estudamos sobre a estrutura do ensaio, naquela aula, as letras a, b e c estão relacionadas à introdução do texto (formulação do problema, objetivo e importância). Enquanto isso, as letras d, e, f, g, h relacionam-se ao desenvolvimento (a identificação das teses, a apresentação da tese (tema e objetivo) que se deseja defender, bem como os argumentos a favor dessa proposição e as objeções ao que se defende). Por último, a letra i diz respeito à conclusão.

Certamente, a introdução é a primeira parte do texto que se lê; porém, é comum ser a última parte a ser escrita, porque facilita a escritura do texto apresentá-la, sobretudo em textos com maior número de páginas, após tê-lo escrito. Logo, podemos afirmar que a ordem de escritura é a seguinte:

1º Desenvolvimento 2º Conclusão 3º Introdução 4º Subtítulo 5º Título

Podemos, portanto, dizer que as partes constituintes de um ensaio normalmente são: título (obrigatório); subtítulo (facultativo);
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Unidade IV – O Gênero Ensaio Tema 3 – Produzindo o Ensaio

introdução (facultativa); desenvolvimento (obrigatório); conclusão (facultativa).

Um ensaio que contenha esses elementos seria o ideal, mas, por questões diversas, como: espaço disponível para publicação, intenção do autor etc., nem sempre se utilizam todos.
Observe, acadêmico, o esquema abaixo, ilustrativo desses elementos.

Contém esclarecimentos sobre o assunto do texto. Por meio dele, apresenta-se o tema (tese) do texto, ou seja, o leitor, ao ler o subtítulo, deverá saber do que tratará o texto. É normalmente escrito com destaque.

Título

Subtítulo

Tem como objetivo chamar a atenção do leitor para que ele o leia. Somente terá algum tipo de pontuação se for realmente necessário (uma oração, por exemplo) ou como estratégia para chamar a atenção, pois geralmente não a utilizamos.

Introdução
São parágrafos que contêm argumentos com suas respectivas estratégias (comparações, citações, pesquisas etc.), a fim de convencer o leitor-ouvinte da tese proposta na introdução e no subtítulo.

Deve apresentar a tese (tema) a ser defendida no texto. Dependendo do objetivo do autor/escritor, poderão ser feitas intertextualidades, a fim de valorizar a introdução.

Desenvolvimento
É o fechamento do texto, momento em que pode ser retomado algo já dito no desenvolvimento, ou apresentar-se uma reflexão acerca da tese defendida, ou, ainda, sugestões.

Conclusão

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O que se avalia na produção de um ensaio

A avaliação que se faz de um ensaio em nada depende do fato de se concordar ou não com a conclusão a que o autor chega sobre o tema em questão. Sempre haverá o respeito pela divergência de idéias. Mais especificamente, ao avaliar um ensaio, é comum seguir as perguntas abaixo: O problema está corretamente formulado? A importância do problema é mostrada? As principais teses concorrentes são apresentadas? A tese que se pretende defender está clara para o leitor? Os argumentos e as respectivas estratégias apresentados são bons e não há falácias evidentes? As principais objeções são apresentadas? As objeções apresentadas são refutadas? As conclusões seguem-se efetivamente das premissas? Além dessas, há mais duas questões que merecem atenção: se o texto é fácil de ler e de compreender e se as idéias são apresentadas de forma pessoal.
“Qualquer enunciado ou raciocínio falso que, entretanto simula a veracidade” Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. “Ponto ou idéia de que se parte para armar um raciocínio” Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

Atividade
Experimente agora, você, acadêmico, desenvolver um texto. Pesquise em diversos meios sobre o assunto doação de órgãos e escreva um ensaio, conforme as observações abaixo, sobre uma das teses (temas), aquela pela qual se sente mais mobilizado, e defenda sua posição. 1. As dificuldades de se conseguir um órgão para ser transplantado são grandes; 2. É grande o sofrimento de quem fica na fila de espera por um transplante; 3. Existe tecnologia para fazer transplante, mas faltam doadores; 4. São muitas as razões que levam as pessoas a se negarem a doar seus órgãos. Lembre-se de que o texto deve ter: título, subtítulo, introdução, desenvolvimento e conclusão, conforme esquema apresentado acima. Lembre-se de que, no desenvolvimento, você deverá escrever um argumento (idéia a ser defendida) por vez, e, para cada argumento, podem ser usadas quantas estratégias (comprovações) você quiser. Lembre-se também de que, se usar citação, pesquisa ou estatística, é preciso indicar a fonte (autor, instituto que coletou os dados, ou periódico que publicou a pesquisa/estatística). Lembre-se de indicar as referências dos livros, caso você as utilize em seu texto, ao final do texto ou em nota de rodapé. O texto deve ser escrito de forma coerente e coesa, conforme estudamos nas unidades anteriores. Lembre-se ainda de conferir a pontuação do texto. Essa produção textual é individual, e tem peso xx e deve ser postada em nossa sala virtual até o dia tal. Postar no Ambiente Virtual de Aprendizagem. Profª Márcia M. Junkes Profª Rosana Paza

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Fique de Olho
Com base nos estudos e tema sugerido, elaborar um ensaio, observando o que se espera que seja contemplado nessa produção.

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Referências

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Referências

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Referências

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Bibliografia Recomendada

GRANATIC, B. Técnicas básicas de redação. 3. ed. Sao Paulo: Scipione, 1995. KÖCHE, V. S.; BOFF, O. M. B.; PAVANI, C. F. Prática textual: atividades de leitura e escrita. Petrópolis/ RJ : Vozes, 2006. MACHADO, A. R.; LOUSADA, E. G.; ABREU-TARDELLI, L.S. Planejar gêneros acadêmicos. São Paulo: Parábola Editorial, 2005 ___________. Planejar gêneros acadêmicos. São Paulo: Parábola, 2005. (Leitura e produção de textos técnicos e acadêmicos, 3). __________. Resumo. São Paulo: Parábola, 2004. (Leitura e produção de textos técnicos acadêmicos, v.1). __________. Revisitando o conceito de resumos. In Gêneros textuais & ensino. DIONÍSIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. 139-150. SILVA, J. Q. G.; MATA, M. A. da. Proposta Tipológica de resumos: um estudo exploratório das práticas de ensino da leitura e da produção de textos acadêmicos. Scripta, vol 6, no. 11. Belo Horizonte: PUC Minas, 2002. p.123- 133.

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