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QUINTA AULA – ESCOLA DE ORAÇÃO

O OFERECIMENTO INICIAL

Como já falamos sobre os dois tipos de oração, gostaria de lembrar-lhes que para que esta oração tenha valor é sumamente importante a intenção posta no início. Se penso dedicar meia hora à oração, começo dizendo a Deus algo assim: “Senhor, quero ficar meia hora em tua presença. Ofereço-te esta meia hora, quero que ela seja só para ti. Ajuda-me a não me distrair, e te peço perdão se me distrair, porém eu te entrego esta meia hora que passarei aqui”. Este simples oferecimento que explicita nossa intenção dá valor de oração a toda a meia hora que segue. Para que a oração tenha mérito não é necessária uma atenção sem interrupções, mas basta, como em todo ato de valor, o poder da primeira intenção para tomar meritória toda a oração. E ainda para que Deus escute uma súplica basta uma atenção inicial, que é a que Deus, antes de tudo, toma em consideração. Porém faltando esta primeira intenção, a oração deixa de ser meritória e eficaz (Isso não é da cabeça do padre, nos falou Santo Tomás de Aquino em sua Summa Teológica. II-2ae., 13. 13).

A ORAÇÃO VOCAL

O que acabamos de dizer vale especialmente para a oração vocal. E nesta oração que costumam ocorrer mais distrações, porque já sabemos de cor as palavras, e podemos recitar 30 ave-marias pensando em qualquer outra coisa. Porém, recordemos aqui o valor da intenção posta no começo. Se dissermos a Deus que queremos oferecer-lhe 30 pai-nossos para que nos ajude a ser melhores, ou pensemos nisso, esses 30 pai-nossos são oração, e tem valor diante de Deus, embora os rezemos distraídos. Por outro lado, santo Tomás esclarece que a atenção mais importante não é a de estar atentos à pronúncia das palavras, nem ao seu sentido, mas a atenção posta em Deus, ainda que esqueçamos as palavras que pronunciamos (Summa, II-2ae., 13,13). Cometemos erro se deixamos a oração vocal por causa das muitas distrações, esperando ter mais tempo para fazer outro tipo de oração mais “profunda”. Assim perdemos a oportunidade de fazer algo muito valioso, embora nos pareça inútil ou de segunda categoria. Além do mais, procedendo assim acabamos deixando completamente a oração esperando algo que nunca chega. Talvez não sintamos tanto gosto numa oração vocal feita distraidamente, porém, isto não lhe tira o valor que tem diante de Deus; e na realidade, o que mais interessa não é o nosso gosto, mas o valor que possui para Deus, uma vez que tivermos posto a intenção inicial. O pai-nosso é oração do Evangelho, saída dos lábios de Cristo. Não há motivo

suficiente para abandoná-la. A oração da manhã e da noite, na qual oferecemos a Deus o dia, continua tendo valor imenso, embora digamos um glória distraídos, O rosário, rezado com amor à Mãe de Jesus e nossa mãe, é elevação de ternura embora não nos concentremos nas palavras. Não se deve ter medo de repetir, ou de usar poucas palavras

e sempre as mesmas. Há palavras que não se gastam, e que têm mais valor quanto mais

se repetem, porque se vão carregando com a vida, com a experiência. Poderíamos falar

a Deus dizendo-lhe somente uma palavra: ‘Pai!’ Podemos repetir milhões de vezes esta

palavra, e enriquecê-la com nosso viver, com nossos sentimentos, com nossas vivências interiores; podemos repeti-la carregando-a cada vez mais de confiança, de ternura, de adoração. “Na dor, podemos repetir ‘faça-se a tua vontade”, até que nos brote do coração. E assim com todas as partes do pai-nosso ou da ave-maria. Por outro lado, embora estejamos distraídos, o que repetimos entra, e pode trabalhar num nível

inconsciente, como as coisas que escutamos quando dormimos. Repetindo, as coisas que dizemos se podem ir assentando no mais profundo da alma, como a gota que cai dia a dia, permanentemente, e com o passar do tempo chega a fazer um furo numa pedra. Quantas vezes pessoas que estão para morrer, recitam com profundo sentimento o pai-nosso. E ninguém pode afirmar que essa oração não tenha valor porque não é “espontânea”. Muitas vezes acontece que a oração que chamamos “espontânea” se torna rotineira, porque acabamos dizendo sempre a mesma coisa, O importante não está que nós inventemos as palavras que dizemos, mas que nos encontremos com Deus, embora não digamos nada. Continuemos repetindo então estas belas orações que aprendemos quando crianças, as orações do povo simples, impregnado de confiança em Deus. Façamos como os namorados, que não precisam de muitas palavras novas para dizer o que sentem. Basta-lhes o clássico te amo”, dito mil vezes, milhões de vezes. Para que mais?

ORAÇÃO VOCAL PAUSADA

Esta oração pode ajudar a enriquecer a oração vocal. Consiste em tomar uma das orações que repetimos sempre, porém dividindo-as por partes, repetindo-as, procurando carregá-las de conteúdo espiritual. Podemos tomar, por exemplo, a ave-maria e repetir durante um tempo uma das frases meditando-a. Assim, repetimos por um tempo ‘cheia de graça”, tentando imaginar como o Espírito Santo entra no interior de Maria quando ela estava no seio de sua mãe, como seu interior está cheio de luz e de amor, como seus olhos irradiam a graça de Deus etc. Em seguida escolhemos outra frase, como “rogai por nós pecadores”, e aqui aproveitamos para apresentar-lhe todas as nossas necessidades vendo como ela as apresenta a Cristo e pede que nos escute. Depois passamos a repetir “agora e na hora de nossa morte”, e recordamos que, às vezes, temos medo da morte, e gostaríamos de morrer em paz, sem pecado, sem angústia, com a confiança em Deus que nos espera; e então pomos nossa confiança em Maria pedindo que nos ajude quando chegar o momento de nossa morte. E como nos vai deixar de ajudar se temos pedido milhares de vezes na ave-maria esta graça.E o mesmo podemos fazer com qualquer outra oração, meditando-a e repetindo-a parte por parte para encontrar nela mais sentido.

A ORAÇÃO CONTÍNUA E AS JACULATÓRIAS

Santo Tomás recorda o ensinamento clássico da oração contínua; isto é, de estar permanentemente em oração, no meio dos trabalhos e ocupações. Essa oração contínua, segundo santo Agostinho, é o desejo de Deus, é deixar que o coração se encha de desejo, de anseio de Deus, de seu amor, de sua presença: “O desejo incessante nos faz rezar continuamente”. Porém, santo Agostinho fala de algumas orações muito breves, que são como “pequenos dardos arremessados ao céu”, que alimentam esse desejo de Deus, essa oração contínua. Por isso ensina santo Tomás que não são necessárias orações muito compridas:

A oração deve durar o tempo conveniente para excitar o fervor do desejo interior. Por isso não se deve prosseguir na oração se ela provocar fastio (Summa, 1I-2ae.,

8314).

Isto nos faz entender o grande valor dessas orações muito breves chamadas “jaculatórias”. São frases curtas que se repetem muitas vezes ao longo do dia, enquanto se trabalha, se viaja, se toma banho; estas orações elevam nosso coração a Deus e nos despertam o desejo espiritual. Tais jaculatórias nos colocam outra vez na presença de

Deus, muitas vezes nos ajudam a não pecar, a nos pacificar, a viver com mais profundidade e alegria. Há algumas clássicas; que sempre rezamos nas nossas orações comunitárias:

“Sagrado Coração de Jesus, confio em vós”, “Bendito seja Deus para sempre” Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre, amém. Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Porém podemos inventá-las nós mesmos, usando palavras nossas: “Senhor, dá- me a paz’; “Jesus, te amo”; “Senhor, estás comigo”. Pode-se escrever uma pela manhã num papelinho, carregá-lo no bolso, ou debaixo da pulseira do relógio, e se repete durante o dia todas as vezes que a pessoa se recorda, ou quando nota que começa a perder a paz, ou quando tem uma dificuldade especial. Às vezes pode ser que encontremos um bilhete com uma frase que nos faz bem e nos motiva. Podemos pô-la em lugar visível para recordá-la e repeti-la em diversos momentos.

OS “MANTRAS CRISTAOS”.

Entre as práticas de algumas religiões orientais, e na chamada “meditação transcendental”, se encontra a repetição dos “mantras”. Consiste em colocar-se numa

postura que facilite a concentração e em repetir alguma palavra que provoca um estado ”

de concentração e relaxamento; como om, om, om

uma harmonia especial com o universo. Outros repetem a invocação a algum deus

pagão, como “hare Krishna, hare Krishna”, embora essas palavras não tenham sentido para quem as pronuncia. Porém, evidentemente possuindo a riqueza do Evangelho, é melhor tomar frases dele que tenham algum significado para nós; ou, melhor ainda, frases que tenham algo a ver com o que vivemos neste momento. Por exemplo, se estou num estado de nervosismo, ou de inquietação, sem saber por

quê, posso repetir a frase de Cristo: “Eu te dou minha paz, eu te dou minha paz

descobrir como aos poucos a paz de cristo vai se insinuando no meu interior. Se me sinto inseguro, frágil, desprotegido, posso repetir as palavras de Cristo: “Eu estou contigo, até o fim do mundo”, ou simplesmente “Eu estou contigo”. Se a vida se me apresenta rotineira, pouco atraente, posso repetir as palavras de Cristo: “Eu vim para que tenhas vida”, ou “Eu te dou vida abundante”. Se me falta amor, posso repetir as palavras que Deus me diz na Bíblia: “Eu te amo

com amor eterno”. Se me sinto frustrado, decepcionado por alguém, posso repetir esta palavra de Deus: “Eu nunca te esquecerei.” É importante notar pouco a pouco que através de minha própria voz, Deus me diz as palavras que eu repito e que lentamente me vão devolvendo a paz, a alegria, a força vital Para facilitar vamos postar uma lista de mantras católicos. Se alguém quiser pode comprar o CD ou então pedir na secretaria paroquial os mp3 para ouvir no computador ou no carro.

Acredita-se que assim se produz

”, e

Por Pe. David Pereira de Jesus Administrador Paroquial

Adaptação do livro: 40 formas de oração pessoal (seminário de crescimento) de Victor Manuel Fernandez pp. 19 – 27 (Editora Paulus)