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Fraude contra Credores: Análise Jurídica

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UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA

FACULDADE DE DIREITO

BÁRBARA BATISTA DE CARVALHO


MARIANA GABRIEL
BIANCA TROYACK RIBEIRO TORRES
PATRICIA NEVES
LEANDRO MIRANDA
NÍKE FONTES

ARTIGO SOBRE “FRAUDE CONTRA CREDORES: ANÁLIZSE DOUTINÁRIA E


REPERCUÇÕES NOS TRIBUNAIS”

Rio de Janeiro
2024
BÁRBARA DE CARVALHO

MARIANA GABRIEL

BIANCA TROYACK RIBEIRO TORRES

PATRICIA NEVES

LEANDRO MIRANDA

NÍKE FONTES

ARTIGO SOBRE “FRAUDE CONTRA CREDORES: ANALISE


DOUTRINÁRIA E REPERCUSSÕES NOS TRIBUNAIS"

Atividade avaliativa apresentada ao curso


de Direito da Universidade Veiga de Almeida
realizada pelas alunas Bárbara Carvalho,
Mariana Gabriel, Níne Fontes, Bianca Troyack
Ribeiro Torres, Leandro Miranda e Patrícia
Neves a ser utilizada como meio de avaliação
para o semestre 2024.1 na disciplina de
Negócios Jurídicos.

Rio de Janeiro

2024

Sumário
1. Conceito_____________________________________________________2
2. Natureza do instituto ___________________________________________2
3. Fundamentos_________________________________________________3
4. Requisitos para caracterização___________________________________3
4.1. Eventus damni - elemento objetivo_______________________________4
4.2. Consilium fraudis – elemento subjetivo____________________________4
5. Hipóteses legais_______________________________________________5
6.Ação paulitana_________________________________________________6
7. caso concreto_________________________________________________7
7.1. Fraude contra credores________________________________________8
7.2. Dinâmica dos fatos___________________________________________8
7.2.1. Contexto da Petição Inicial____________________________________8
7.2.2. Dinâmica dos fotos__________________________________________9
7.2.3. Julgamento Antecipado_______________________________________9
7.3. Análise dos Requisitos da Fraude contra Credores___________________9
7.3.1. Anterioridade do Crédito______________________________________9
7.3.2 Consilium Fraudis (Conluio para a Fraude)_______________________10
7.3.3. Eventus Damni (Prejuízo aos Credores)________________________11
7.4. Aplicação da lei_____________________________________________11
1. Conceito
A má fé em desfavor dos credores é um termo que se refere a várias condutas
fraudulentas adotadas por devedores com o intuito de prejudicar, dificultar ou
impedir os direitos dos credores de receberem o que lhes é devido.
Comumente, essas ações são feitas com o intuito de diminuir o patrimônio do
devedor camuflar os bens ou transferi Los para outras pessoas com o objetivo
de evitar quitar as dívidas.

A área jurídica tem se dedicado ao estudo da fraude contra credores ao longo


do tempo, elaborando teorias e diretrizes para detectar e enfrentar essas
práticas fraudulentas. Entre os princípios essenciais que norteiam a fraude
contra credores estão a honestidade objetiva, a manutenção da integridade do
sistema de crédito, a salvaguarda dos interesses dos credores e a suposição
de fraude em situações específicas.

Dentro do âmbito legal as leis em vários países incluem cláusulas específicas


para evitar e combater a fraude contra credores. No caso do Brasil, o código
civil aborda a invalidação dos atos fraudulentos, definindo condições e prazos
para que prejudicados possam buscar a declaração de invalidade desses atos
perante a justiça.

Ademais, a interpretação e implementação das normas sobre fraude contra


credores são impactadas significativamente pela jurisprudência e decisões
judiciais. Os tribunais têm estabelecido critérios para reconhecer casos de
fraude, levando em conta a intenção do devedor, os danos causados aos
credores e a forma como os bens são escondidos ou disfarçados.

Resumindo, a fraude contra credores é um evento jurídico que inclui várias


ações fraudulentas visando proteger os bens do devedor em prejuízo daqueles
que deveriam ser pagos ou renascidos.

2. Natureza do instituto

A fraude contra credores se configura quando um devedor, de forma intencional


e maliciosa, realiza a dissipação ou transferência de seu patrimônio com o
propósito de evadir-se de suas obrigações perante terceiros.

2
3. Fundamentos

É certo que o referido tema, tem como fonte o princípio da responsabilidade


civil e o Direito das Obrigações. No caso de tais princípios, estão
correlacionados com a fraude contra credores por ser, a aplicação de sanções
relacionadas a ações ou omissões de atos intencionais ou não, cometido por
terceiros.

No caso do princípio da responsabilidade civil, ele se encontra em diversos


artigos do código civil, mas especificamente ligada ao tema, temos a
responsabilidade contratual decorrente da inexecução do contrato feito pelas
partes. Sendo pressuposto; o contrato válido, a inexecução do contrato, o dano
e o nexo causal, previstas nos artigos 402 a 405 do Código Civil.

Sendo assim, entende-se que tal princípio é fundamental e se faz presente na


fraude contra credores, pois há um acordo entre as partes, na qual, um dos
indivíduos causa um dano ao outro, podendo ser por negligência, imprudência
ou imperícia, porém este que lhe causou o dano tem o dever legal da
reparação ao prejuízo.

Já no caso do Direito das Obrigações, presentes nos artigos 233 a 303, visa a
regularização de vínculos jurídicos em que se faz presente o credor e o
devedor por meio de um sujeito passivo na qual assume o cumprimento de
uma prestação de interesse do outro. No caso de tal princípio no ramo civil, fica
vinculado a prestação estabelecida do credor quando o devedor não a cumprir,
onde tem-se direito de punir judicialmente por inadimplemento de suas
obrigações civis.

Portanto, é sabido que os referidos princípios expostos acima são de suma


importância no âmbito do Direito civil, mas especificamente na fraude contra
credores, pois estão interligados e são utilizados constantemente na justiça
para definir a pena e o cumprimento de tal crime.

[Link] para a caracterização

3
Entre os requisitos para a caracterização da fraude contra credores, tem-se
dois elementos fundamentais: o de natureza objetiva, eventus damni, e o de
natureza subjetiva, consolium fraudis.

Parte respeitável da doutrina entende que consolium fraudis – manifesta


intenção de lesar o credor – não é essencial para a caracterização desse vício
social, de maneira que o estado de insolvência do devedor (scientia fraudis)
aliado ao prejuízo causado ao credor seriam suficientes para a caracterização
da fraude. Vejamos os elementos citados:

4.1. Eventus damni – elemento objetivo

Esse elemento é fundamental porque a fraude contra credores é um vício da


vontade que visa a não satisfação do crédito de terceiros. É o tornar-se
insolvente em virtude da alienação do bem de sua propriedade para terceiro. O
estado de insolvência não precisa ser de conhecimento do devedor, é objetivo,
ou seja, existe ou não, independentemente do conhecimento do insolvente

4.2. Consilium fraudis – elemento subjetivo

O termo significa um acordo fraudulento entre o alienante (devedor) e o


adquirente (comprador), onde ambos sabem que prejudicarão o credor ao
alienar bens que deveriam garantir o pagamento da dívida. Eles agem de má-fé
para evitar o cumprimento do negócio, exigindo assim a intervenção judicial. O
consilium fraudis não precisará ser provado, excepcionalmente, em algumas
hipóteses previstas no Código Civil, quando a lei presume a existência de
propósito de fraude.

No entanto, quando se trata de disposição gratuita de bens, ou de remissão de


dívidas (perdão de dívidas), o artigo 158 do Código Civil/2002 dispensa do
elemento subjetivo (consilium fraudis), sendo suficiente o prejuízo ao credor.
Isso ocorre porque a lei permite que esses negócios sejam anulados ainda
quando o adquirente ignore o estado de insolvência.

(citação art.158) “Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de


dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à

4
insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores
quirografários, como lesivos dos seus direitos”

Esses dois requisitos devem ser provados pelo credor para que seu pedido
seja procedente, e assim ser declarada a ineficácia relativa do negócio jurídico
fraudulento firmado entre as partes.

5. Hipóteses Legais

O código civil define algumas hipóteses em que um negócio pode ser anulado,
por ser considerado como fraude ou uma tentativa de prejudicar os credores.
No Art. 158, por exemplo, é estipulado que os negócios de transmissão gratuita
de bens ou remissão de dívida realizados por um devedor insolvente podem
ser anulados pelos credores quirografários. Essa medida visa proteger os
direitos dos credores, evitando que o devedor em situação precária prejudique
ainda mais sua capacidade de pagar as dívidas.

Além disso, o código prevê a anulabilidade de contratos onerosos do devedor


insolvente, especialmente quando sua insolvência é notória ou deveria ser
conhecida pelo outro contratante. Isso visa evitar que o devedor se desfaça de
seus bens de forma desvantajosa para os credores.

No caso de venda de bens do devedor insolvente, se o comprador ainda não


tiver pago o preço e este for aproximadamente o valor de mercado, ele pode se
desobrigar depositando o valor em juízo. Essa medida protege os interesses
dos credores, assegurando que o valor dos bens seja preservado para o
pagamento das dívidas.

A ação para anular esses negócios fraudulentos pode ser movida contra o
devedor insolvente, a pessoa que celebrou o contrato fraudulento com ele ou
terceiros que agiram de má-fé. Essas disposições visam garantir a equidade
entre os credores e evitar que alguns sejam prejudicados em detrimento de
outros.

É importante destacar que há certas presunções estabelecidas pelo código,


como a consideração das garantias de dívidas dadas pelo devedor insolvente a
algum credor como fraudadoras dos direitos dos outros credores. No entanto,
5
negócios ordinários necessários para a manutenção do estabelecimento do
devedor ou sua subsistência são presumidos de boa-fé e são válidos.

No caso da anulação dos negócios fraudulentos, a vantagem obtida reverte


para o benefício do conjunto de bens sobre os quais ocorreu a distribuição
entre os credores (Art. 165). Essa disposição visa restaurar a equidade entre
os credores, evitando que alguns se beneficiem injustamente em detrimento de
outros

6. Ação paulitana.

A Ação Pauliana, ou Ação Revocatória, tem suas origens no direito romano, e


foi incorporada ao direito contemporâneo com o objetivo de mitigar e combater
a fraude contra credores.

Esta ação consiste em uma medida jurídica pessoal movida por credores com
a intenção de revogar negócios jurídicos fraudulentos realizados por devedores
insolventes que tem o objetivo de desviar o patrimônio para terceiros para se
desfazer dos bens e assim, afetar os credores. Além do objetivo de conseguir
resgatar o objeto desviado do cabedal do devedor para cessar o crédito pré-
existente, e desfazer atos jurídicos em que pelo entendimento do credor foram
realizados de má-fé.

A Ação Pauliana pode ser ajuizada sem a necessidade de uma ação de


execução anterior. Os requisitos necessários mais comuns para a propositura
de uma Ação Pauliana são o consilium fraudis, o eventus damni e o scientia
fraudis.

● Consilium fraudis (Conluio fraudulento): Se caracteriza pela má-fé, o


intuito malicioso de prejudicar.

● Eventus Damni (Prejuízo ao credor): Consiste na necessidade de que a


prática do negócio jurídico anulável tenha reduzido o patrimônio do devedor o
levando a insolvência

6
● scientia fraudis (Consciência da fraude): Prevista no art.159;CC consiste
no conhecimento, pelo terceiro adquirente, da situação de insolvência do
devedor

No entanto, a jurisprudência tem divergido entre o Consilium fraudis e a


scientia fraudis. Isso porque alguns tribunais têm entendido que não seria
necessária a comprovação dos dois, mas apenas a comprovação da
consciência da fraude pelo devedor e o adquirente.

Tendo isso em vista, vamos analisar a decisão tomada pela quarta turma do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) no caso: REsp nº 1294462/GO, em que o
Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) confirmou a sentença de primeiro grau e
julgou improcedente o pedido de declaração de fraude por não existir provas
concretas do consilium fraudis.

Ao reformar o acordão do TJGO, o relator, desembargador convocado Lázaro


Guimarães, acolheu as considerações feitas pelo ministro Luis Felipe Salomão
em seu voto-vista. De acordo com o relator, a comprovação de fraude contra
credores necessita de quatro requisitos: A anterioridade de crédito; O eventus
damni; Que necessariamente o ato jurídico tenha levado o devedor à
insolvência; e por fim o scientia fraude. Assim, não sendo necessário a
comprovação do conluio fraudulento.

O ministro Salomão frisou que, se prevalecesse o entendimento do TJGO, tal


interpretação dificultaria a identificação da fraude contra credores,
especificamente em relação ao propósito de causar dano.

Segundo Salomão: “O que se exige, de fato, é o conhecimento, pelo terceiro,


do estado de insolvência do devedor, sendo certo que tal conhecimento é
presumido quando essa situação financeira for notória ou houver motivos para
ser conhecida do outro contratante”

Em suma, a Ação Pauliana é uma ferramenta jurídica crucial para garantir a


justiça nas relações de crédito e proteger os interesses dos credores, e cabe a
análise da melhor jurisprudência para cada jurista.

7
8
7. Caso concreto

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

COMARCA DE SANTOS, FORO DE SANTOS

4ª VARA CÍVEL

RUA BITTENCOURT, 144, Santos - SP - CEP 11013-300

_______________________________________________________________

Processo Digital nº: 102210951.2023.8.26.0562

Classe – Assunto: Procedimento Comum Cível - Defeito, nulidade ou


anulação

Requerente: Sicredi Cooperativa de Crédito e Investimento de Livre


Admissão Grandes Lagos do Paraná e Litoral Paulista

Requerido: Marisa Rocha Barreiros e outro

_______________________________________________________________

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Frederico dos Santos Messias

7.1. Fraude contra credores

A seguir analisaremos um clássico exemplo de aplicação da Ação Pauliana,


também conhecida como revocatória, que é utilizada para anular atos
praticados pelo devedor que prejudicam seus credores, movendo bens do seu
patrimônio de forma a torná-lo insolvente ou mais insolvente, prejudicando
assim a satisfação dos créditos existentes.

7.2. Dinâmica dos fatos

7.2.1. Contexto da Petição Inicial

A Sicredi Cooperativa de Crédito e Investimento ajuizou uma Ação Pauliana


contra Marisa Rocha Barreiros (devedora) e sua neta Yasmin, com a intenção
de anular a doação de um imóvel feita por Marisa à Yasmin. A alegação é de
que essa doação foi uma fraude contra credores, pois teria sido realizada para

9
tirar o imóvel do alcance dos credores, sabendo que Marisa tinha dívidas com a
cooperativa.

7.2.2. Defesa e Contestação

Yasmin apresentou sua defesa fora do prazo, o que levou o juiz a considerar a
contestação como intempestiva, ou seja, não válida para o processo. A corré
Marisa, por outro lado, apresentou sua contestação dentro do prazo,
argumentando a inexistência de fraude e sustentando a legalidade da doação.
Além disso argumentou que o imóvel seria um bem de família, portanto, não
poderia ser penhorado.

7.2.3. Julgamento Antecipado

O juiz Frederico dos Santos Messias decidiu que o caso poderia ser julgado
antecipadamente, sem a necessidade de mais provas, com base nos
documentos já fornecidos e os termos do que prevê o artigo 355, inciso I, do
Código de Processo Civil. Ele justificou essa decisão citando jurisprudências
que permitem o julgamento antecipado quando os fatos decisivos do processo
são claros o suficiente para formar um convencimento.

Registre-se, também, que já decidiu o


Supremo Tribunal Federal que a necessidade da produção de prova há
que ficar evidenciada para que o julgamento antecipado da lide implique
em cerceamento de defesa. A antecipação é legítima se os aspectos
decisivos estão suficientemente líquidos para embasar o convencimento
do magistrado (RE 101.171/8-SP).

7.3. Análise dos Requisitos da Fraude contra Credores

7.3.1. Anterioridade do Crédito

Foi constatado que a doação do imóvel foi realizada em 09/01/2023 após o


início das dívidas de Marisa em; novembro de 2022, antes da execução judicial
pela cobrança. Que foi constituída formalmente por meio de notificação
extrajudicial em 16/03/2023. Contudo, o crédito da cooperativa era anterior à

10
doação, sendo este celebrado em julho de 2022, atendendo ao requisito de
anterioridade.

O Superior Tribunal Federal já se posicionou nesse sentido:

“RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO


POR DANOSMATERIAIS E MORAIS. GARANTIA HIPOTECÁRIA
DE DÍVIDA [Link]. PERDA DO IMÓVEL.
FRAUDE CONTRA [Link]. VIOLAÇÃO
DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. AÇÃO PAULIANA.
NATUREZA PESSOAL. OFENSA AO ART514 DO CPC. SÚMULA
N. 83/STJ. ANTERIORIDADE DO CRÉ[Link]ÇÃO.
CREDORES FUTUROS. HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS.SÚMULA N. 7/STJ (...) 5. É possível a
relativização da anterioridade do crédito, requisito para o
reconhecimento da fraude contra credores, quando configurada a
fraude predeterminada em detrimento de futuros credores. [Link]-
se a Súmula n. 7 do STJ se o acolhimento da tese defendida no recurso
especial reclamar a análise dos elementos probatórios produzidos ao
longo da demanda. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e
desprovido.” (STJ, REsp1.324.308/PR, 3ª Turma, Rel. Min. João Otávio
de Noronha, j. 18/02/2016).

7.3.2 Consilium Fraudis (Conluio para a Fraude)

O Magistrado considerou que havia má-fé na doação, principalmente devido ao


parentesco próximo (avó para neta) e ao fato de que a doação não alterou a
posse prática do imóvel, uma vez que, Marisa continuou residindo no imóvel.
Isso sugere que a doação tinha a intenção de proteger o imóvel de credores,
levando falsamente o devedor a insolvência.

Nesse sentido:

“AÇÃO PAULIANA. Fraude contra credores. Exegese dos


art. 106 e 107 do CC/1916 vigente à época. Doação de imóvel a filho.
Crédito anterior ao ato de alienação. Insolvência do devedor não
afastada. Ônus probatório que incumbe aos demandados Consilium

11
fraudis que restou suficientemente comprovado Parentesco a gerar
presunção de fraude. Acolhimento do pleito que, contudo, não gera
anulação do ato, mas simples ineficácia dele em relação ao credor Apelo
desprovido, com essa observação.” (TJSP, Apelação0135805-
18.2006.8.26.0000, 9ª Câmara de Direito Privado, Rel. Des. Galdino
Toledo Júnior, j. 20/09/2011)

7.3.3. Eventus Damni (Prejuízo aos Credores)

Embora o texto não detalhe explicitamente este ponto, o entendimento do juiz


indica que a fraude foi efetivamente realizada com a intenção de prejudicar os
credores, caracterizando o prejuízo, pois a doação efetivamente reduziria a
devedora à insolvência.

Nesse sentido:

“Ação Pauliana. Sentença de procedência, anulando-se


o negócio. Requisitos da fraude contra credores que se fazem
presentes nos autos, não merecendo a sentença reparo neste
ponto. Discussão sobre a impenhorabilidade do imóvel, por se
tratar de bem de família, que é irrelevante para a ação Pauliana.
Precedentes deste Tribunal. Sentença parcialmente revista apenas
para reconhecer como consequência da fraude contra credores
sua ineficácia relativa, e não a anulação do negócio. Precedentes
desta Câmara. Recurso do Banco Safra provido. Recurso dos réus
desprovido.” (TJSP, Apelação Cível1006827-28.2022.8.20.0361, 1ª
Câmara de Direito Privado, Rel. Claudio Godoy, j. 20/06/2023).

7.4. Aplicação da lei

O magistrado JULGOU PROCEDENTE o pedido de reconhecimento da


existência de fraude contra credores pleiteada por parte da Cooperativa
Sicredi, em face das corrés Marisa e Yasmin e declarou a nulidade da doação
do imóvel mencionado na inicial. A aplicação da lei neste caso levou à análise
sob a perspectiva da fraude contra credores, com fundamento no artigo 487,

12
inciso 1, do Código Civil e jurisprudências relacionadas. A decisão de
julgamento imediato, baseada no artigo 355, do Código de Processo Civil,
indica que o juiz considerou os elementos do caso suficientemente claros para
dispensar uma análise mais prolongada, incluindo a produção de provas
adicionais.

Assim, a intenção de fraude (consilium fraudis), combinada com o prejuízo ao


credor (eventus damni) e a anterioridade do crédito, configurou os elementos
necessários para a procedência da ação Pauliana, visando à anulação da
doação do imóvel e, por consequência, à proteção dos direitos do credor
prejudicado.

13
Bibliografia

 [Link]
caracterizacao-de-fraude-contra-credores
02/04/2024
 [Link]
caracterizacao-de-fraude-contra-credores
02/04/2024
 [Link]
Monografia.DPC_.PUCSP_.[Link]é[Link]
04/04/2024
 [Link]
doutrinario-e-principais-apontamentos/405788006/amp
 [Link]
teorias/864746458/amp
02/04/2024
 Jusbrasil -Fraude contra credores e ação pauliana
02/04/2024
 Medina Guimarães - A dispensabilidade de comprovação do consilium

(e do concilium) fraudis para o reconhecimento da fraude contra credores


([Link]
consilium-e-do-concilium-fraudis-para-o-reconhecimento-da-fraude-
contracredores#:~:text=O%20eventus%20damni%20consiste
%20na,insolv%C3%AAncia%20do%20devedor%5B5%5D)

03/04/2024

 [Link] .
04/04/2024
 [Link] .
04/04/2024
 Processos: TJSP - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO:
Documento

14
liberado nos autos em 21/02/2024 às 16:54 por Frederico dos Santos
Messias:

[Link]
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04/04/2024 as 16:12

 DICIONÁRIO JURÍDICO: - Terminologia Jurídica – Latim Forense.

Editora: CL ADIJUR 8å edição revisada e atualizada. Ano – 2023.

Por: NETTO OLIVEIRA JOSÉ.

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Editora: IMAGINATIVA - Série Estudos – Legislação Seca. Ano 2023.

 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL: - Lei Nº 13.105 DE 16 DE MARÇO DE


2015.

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