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FACULDADES FORTIUM

ROSÁLIA APARECIDA DA SILVA

Arquivo Público Estadual

O acesso à informação pública em Mato Grosso do Sul

BRASÍLIA - 2009

APARECIDA DA SILVA Arquivo Público Estadual O acesso à informação pública em Mato Grosso do Sul

As pessoas gostam de vir visitar o

arquivo. É fantástico. Vêm, visitam, veem as

)

de pertencimento”.

Fala do Diretor do Arquivo Público de MS -

Conhece e desperta o sentimento

fotos! (

“(

)

Caciano Lima.

RESUMO

A pesquisa teve como ponto referencial o Arquivo Público Estadual de Mato Grosso do Sul (APE-MS), focando-o como ferramenta de acesso à informação pública aos cidadãos sul-mato-grossenses. No texto, mostra-se a evolução que a guarda dos documentos teve no Estado, desde o seu início, ainda na década de 70, sob a responsabilidade da Secretaria de Justiça. O órgão passou no ano dois mil para a tutela da Secretaria de Gestão de Pessoal, posteriormente para a Secretaria de Administração e, atualmente, está na guarda da pasta da Fundação de Cultura. Por mostrar uma pequena parte da Administração Pública de Mato Grosso do Sul, constituída pelo seu registro histórico, no caso o local de guarda dos arquivos permanentes do Poder Executivo, este trabalho visa, além de contribuir com as políticas de facilitação de acesso às informações públicas, em apoiar o registro da história do povo sul-mato-grossense. Pois, como afirmou o juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, Louis Brandeis (1856-1941), "A luz do sol é o melhor desinfetante". Fala essa que pode ser aplicada ao sistema público, para que ele seja cada vez mais transparente, justo e democrático.

Palavras-Chave: 1) Arquivologia; 2) Arquivo Permanente; 3) Poder Executivo; 4) Estado de Mato Grosso do Sul; 5) Acesso à Informação.

RESUMEN

La investigación tuvo como punto de referencia el Archivo Público del Estado de Mato Grosso del Sur (APE-MS), focando él como herramienta del acceso a la información pública a los ciudadanos de aquella región. En el texto revela la evolución que la protección de documentos tenía en el Estado, desde su principio, aún en la década de 70, bajo responsabilidad del Departamento de la Justicia. La agencia pasó en el año 2.000 para la tutela del Departamento de la Gerencia del Personal, más adelante para el Departamento de la Administración y, actualmente, está en la tutela de la Fundación de la Cultura. Al mostrar una parte pequeña de la administración pública de Mato Grosso del Sur, formada por su registro histórico, en el caso, el lugar de custodia de los archivos permanentes del Poder Ejecutivo, este estudio tiene como objetivo más allá de contribuir con la política de la facilitación del acceso a la información pública, sino también en el soporte del registro de la historia del pueblo del Estado de MS. Porque, como dijo el juez de la Corte Suprema de los Estados Unidos, Louis Brandeis (*1856+1941), "La luz del sol es el mejor desinfectante". Habla esta que puede ser aplicada al sistema público, de modo que sea cada hora más transparente, justo y democrático.

Palabras clave: 1) Archivo, 2) Archivo Permanente, 3) Poder Ejecutivo, 4) Estado de Mato Grosso del Sur, 5) Acceso a la Información.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

9

2 HISTÓRIA E CONCEITO DE ARQUIVOLOGIA

12

2.1 História do Arquivo Público em Mato Grosso do Sul

15

3 DOCUMENTOS HISTÓRICOS DE MATO GROSSO DO SUL

18

4 ACESSO À INFORMAÇÃO PÚBLICA

19

5 CONCLUSÃO

21

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

24

7- APÊNDICE

25

9

1 INTRODUÇÃO

Este artigo partiu da observação do funcionamento do Arquivo Público

Estadual (APE-MS), dos documentos permanentes oriundos e/ou sob a guarda do

Poder Executivo do Estado de Mato Grosso do Sul. Através dos tempos, sua

transferência - durante os diversos governos e governadores - para as secretarias

de Justiça, de Administração e de Cultura, respectivamente, aponta para uma

cultura crescente de maior aproximação com a população. Essa evolução histórica

nesse o espaço de tempo de três décadas o faz cada vez mais cumprir a função de

difusor

das

informações

produzidas

pelas

sucessivas

administrações

públicas

naquela região. Já que essa é uma unidade federativa relativamente nova no Brasil.

Salientando que o Estado de MS foi criado durante o governo militar, representado

pelo

presidente

Ernesto

Geisel.

No

último

mês

de

outubro

de

2009

foram

comemorados os 31 anos de divisão do então Mato Grosso, quando, então,

surgiram os estados de Mato Grosso (do Norte) e Mato Grosso do Sul 1 .

Portanto, os que lerão este escrito, serão norteados por uma metodologia

que vai além da descrição dos fenômenos, mas tenta também interpretá-los, em

uma reeducação do olhar investigativo, traçando-se um paralelo histórico. O estudo

está delimitado entre as disciplinas Arquivologia, Comunicação e Administração

Pública. No marco desse amplo parâmetro, tem-se como diretrizes a legislação

estadual e a nacional, aliada à bibliografia da área. Uma primeira questão a ser

posta diz respeito ao esclarecimento conceitual de Arquivologia, passando pelos

principais documentos armazenados no APE-MS, o acesso à informação pública e

finalizando com as devidas conclusões do trabalho.

Lembrando que não se tem

10

aqui a pretensão de formular explicações novas, mas de aperfeiçoar e trazer ao

campo teórico algo que já funciona na prática, dentro da Capital Campo Grande,

hoje estabelecido na Avenida Fernando Correa da Costa, 559 Centro, no prédio da

Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS).

Para atingir seus objetivos, a análise utiliza o método fenomenológico, por

meio de estudo e descrição do processo político-social do arquivo central daquele

Estado, que mesmo tendo grande importância na guarda de documentos que

mostram e comprovam a formação histórica estadual vai se tornando, praticamente,

oculto aos olhos de vários setores da sociedade. A mídia e os profissionais que nela

trabalham são exemplos de consulta que poderiam ser mais rotineiras. E esta é uma

área que muito interessa a esta pesquisadora, por ser jornalista formada no ano de

2001

na

Universidade

Federal de

Mato Grosso

profissional da área há alguns anos.

Frisa-se

que

ainda

é

pouco

estudada

do

Sul (UFMS) e,

essa

vertente

do

portanto,

acesso

à

informação em Mato Grosso do Sul, por isso, este trabalho leva à observação de

que estar sob coordenação da Fundação de Cultura aproxima os documentos ali

guardados do cidadão sul-mato-grossense. E, para os estudantes que almejam

trabalhar no serviço público, atualmente a Arquivologia é uma disciplina cada vez

mais cobrada pelas bancas de concursos públicos realizados Brasil afora.

Para os profissionais e os estudantes que necessitam de uma formação

mais ampliada e atualizada, nada melhor que também voltar os olhos para o

passado e fazer projeções para o futuro. Fica o desafio, desvendar cada vez mais os

Arquivos Públicos Estaduais, para verificar de que forma eles contribuem na

formação deste País e da Nação Brasileira.

11

Para esta análise, conforme focado pela professora Andréia Ribas, da

disciplina Administração de Recursos Humanos das Faculdades Fortium, de Brasília

(DF), outra motivação para esta pesquisa é a da necessidade de gerenciar o

conhecimento, pois não pode ser dispersado na organização, tem que ser colocado

em prática. Desta forma, esse artigo se transforma em aprendizado na prática,

tornado-se útil dentro da pós-graduação.

Por isso, a pesquisa utiliza as competências adquiridas no curso de Pós-

Graduação em Administração Pública da Fortium, com atenção especial à matéria

de Arquivologia, buscando-se transforma-la em CHA 2 :

- Conhecimento (saber)

- Habilidade (saber fazer)

- Atitude (saber fazer acontecer)

Para a coleta dos dados que fizeram parte deste artigo, duas visitas foram

realizadas à sede do Arquivo Público de Mato Grosso do Sul, a primeira em 29 de

setembro de 2009 e a segunda em 06 de novembro de 2009. Além

de uma

entrevista via correio eletrônico, em que o Diretor do APE-MS responde a algumas

perguntas elaboradas para este trabalho. Buscou-se nesses encontros entender

melhor o funcionamento de um arquivo estadual e comparar com o estudo teórico na

matéria de Arquivologia ministrada pelo professor Jr. Grosse das Faculdades

Fortium.

Após as visitas, comparou-se prática e teoria por meio do estudo das

apostilas, livros e demais bibliografias indicadas pela referida matéria, interiorizando

os ensinamentos da Pós-Graduação.

2 Apostila da Professora Andrea Ribas Faculdade Fortium 2009.

12

2 HISTÓRIA E CONCEITO DE ARQUIVOLOGIA

Para garantia de provas de direitos de propriedades e privilégios há muito

tempo a humanidade começou a guardar e preservar documentos. “O arquivo como

instituição surge provavelmente nos séculos V e IV a.C., na antiga civilização grega”

(GARCIA e FÉ, 2008, pág 11). Técnica esta conhecida na atualidade como

Arquivologia, que é um dos ramos das Ciências da Informação, tendo por objeto de

trabalho o arquivo, ou seja, é “o conjunto de documentos produzidos e/ou recebidos

por uma entidade no exercício de sua função (

)

não importa o tamanho, o formato,

a natureza ou a espécie do documento. O importante é saber que foram produzidos

ou recebidos pela entidade”, (JÚNIOR, 2009, pág. 01).

No Brasil, a legislação que orienta a manutenção e trato dos arquivos são

a Lei 8.159/91 3 (Lei dos Arquivos), Decreto 4.553/02 4 (Grau de Sigilo) e Lei

5.433/68 5 (Microfilmagem), além da Portaria Normativa de número 05/2002, do

Ministério do Planejamento, que é praticamente um dicionário de termos a serviço

do Poder Executivo Federal. Todas essas normas são muito cobradas nas diversas

provas de concursos públicos de nível nacional. Conforme explica o professor

Grosse, existem quatro formas diferentes de se classificar os arquivos:

a) Entidade de Origem ou mantenedora:

. Público: inclui as esferas Federal, Estadual ou Municipal e os

poderes Executivo, Legislativo e Judiciário;

.

Familiares/Pessoais;

.

Comerciais;

3 Publicado no D.O.U. de 09 de janeiro de1991.

4 Publicado no D.O.U. de 30 de dezembro de 2002.

5 Publicado no D.O.U. de 10 de maio de 1968.

13

. Institucionais.

b) Idade - mostra a teoria das três idades:

.

1ª Idade: Corrente, Ativo.

.

2ª Idade: Intermediário, Semiativo, Limbo, Purgatório, Pré-arquivo.

.

3ª Idade: Permanente, Histórico, Inativo, de Custódia

Aqui é bom frisar que nessa terceira idade os documentos possuem valor

histórico,

probatório,

fiscal

ou

informativo.

Sendo

que

os

que

assim

estão

classificados jamais são eliminados ou mesmo emprestados. Eles também se

tornam valiosos instrumentos de pesquisa e de consulta par ao público interno e o

externo àquela instituição. É do arquivo permanente que os historiadores recolhem

dados referentes ao passado, que jornalistas encontram bases de pesquisa e a

população toma conhecimento do que já se passou em seu local de origem,

identificando-se com o passado e com a sua evolução.

c) Atuação - de que forma está organizado ou localizado:

.

Setoriais;

.

Centrais, Gerais.

d) Natureza - por sua essência:

. Especializado, quanto ao tema, assunto do conhecimento

humano (policial, médico etc)

. Especial, de acordo com o suporte utilizado (papel, madeira,

CD etc)

Fechando essa fase de identificação do objeto de estudo, Grosse ensina

que entre os princípios da Arquivística está o da Territorialidade: os documentos

devem ser mantidos no País, Estado, Região, Município, Instituição em que tiveram

origem.

14

Os arquivos públicos, próprios de um território, seguem o destino deste

último.

É para exprimir o seu direito que o vencedor exige do vencido a deposição dos documentos relativos às terras conquistadas no momento da assinatura de uma rendição ou de um tratado de paz. Além disso, o princípio de territorialidade foi aplicado à restituição de certos fundos de arquivo a instituições ou a centros de arquivo situados perto do local de criação, e que tinham sido deslocados por diversas razões. 6

Neste artigo, o foco é um arquivo classificado quanto à entidade de

origem/mantenedora: Público Estadual Poder Executivo, que está recolhido,

portanto, pertence aos Arquivos Inativos, sob atuação Centralizada, ou Geral.

No

livro

Noções

de

Arquivologia

(GARCIA

e

FÉ,

2008,

pág.

16)

cita-se,

respectivamente, Marilena Leite Paes (2005) e a Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de

1991, Art. 7º.:

Arquivo Público: “Os arquivos públicos são os conjuntos de documentos produzidos e recebidos, no exercício de suas atividades, por órgãos públicos de âmbito federal, estadual, do Distrito Federal e municipal em decorrência de suas funções administrativas, legislativas e judiciárias”.

§§1º São também públicos os conjuntos de documentos produzidos e recebidos por instituições de caráter público, por entidades privadas encarregadas da gestão de serviços públicos no exercício de suas atividades.

“A custódia não se restringe a ‘velar’ pelo patrimônio documental.

Ultrapassa totalmente o uso primário, inicia-se o uso científico, social e cultural dos

documentos”

(BELLOTTO,

2004).

Sendo

que

para

Heloísa

Bellotto,

arquivos

primários são os que interessam à própria repartição originária e os secundários os

que servem às outras entidades do governo e ao público em geral.

6 MAESIMA, Cacilda, et al, 2009

15

2.1 História do Arquivo Público em Mato Grosso do Sul

Seguindo a criação do Estado de Mato Grosso do Sul após divisão do

então uno Mato Grosso, assinada pelo General Ernesto Geisel a primeira

legislação regionalizada a prever o recolhimento dos arquivos públicos foi o decreto

nº 38 7 , de 1º/01/79, que instituiu um sistema descentralizado, o SIDAP (Sistema de

Documentação da Administração Pública).

Alguns anos depois, o decreto nº 4.053 de 02/04/86 8 , publicado no Diário

Oficial nº 2.040 de 03/04/87, estabelece a guarda da documentação histórica como

competência da Secretária de Justiça, por meio da Diretoria Geral do Arquivo

Público.

Esta guarda se mantém na Constituição Estadual do ano de 1989, que

segundo o artigo 45 desse mesmo decreto órgão continuava: “Incumbido da guarda,

da organização e da preservação, bem como da respectiva regulamentação, dos

documentos acumulados pela administração pública”.

Nesse mesmo ano, foi criada uma Comissão de Avaliação, por meio do

Decreto 5.048 de 11/04/89 9 . A referida Comissão finalidade de analisar, estipular

prazos e aprovar a Tabela de Temporalidade com a finalidade de eliminação e/ou

recolhimento da documentação pública de caráter permanente ao Arquivo Público

Estadual/Secretaria de Justiça”. De forma mista, multidisciplinar, reuniram-se à

época representantes das Secretarias de Estado de Justiça e de Administração, do

Tribunal de Contas do Estado, assessorados por uma socióloga/historiadora.

7 Publicação no Diário Oficial de MS não encontrada.

8 Publicado no Diário Oficial de MS nº 2040, de 30 de abril de 1987.

9 Sem data de publicação - Disponível em

<http://aacpdappls.net.ms.gov.br/appls/legislacao/secoge/govato.nsf/fd8600de8a55c7fc04256b21007

16

O artigo 2º, parágrafo 3º, da Lei 1.294 de 21/09/92 10 , classifica como

“arquivos permanentes os conjuntos de documentos selecionados ou preservados,

como de valor histórico e/ou probatório, fonte de pesquisa para fins de prova e

informação, seguindo critérios de valor que definam sua destinação final”.

Com a Lei 2.152, de 26 de outubro de 2000 11 , essa responsabilidade

passa da Secretaria de Justiça para a SEGES (Secretaria de Estado de Gestão de

Pessoal e Gastos), conforme o artigo 13 XIII. E no outro ano, o decreto 10.190 de

04/01/01 12 , capítulo III, seção II, art. 5º - VI, o arquivo passa à Superintendência de

Compras e Suprimentos, vinculada à SEGES.

Através do decreto 12.253 de 30 de janeiro de 2007 13 , após eleição de

novo governo, estabelece-se a estrutura básica da SAD (Secretaria de Estado de

Administração) e uma nova coordenação para os documentos públicos sul-mato-

grossenses, com redação no artigo XIV de que a “organização, a administração e a

manutenção

do

estabelecimento

arquivo

público,

corrente

ou

temporário,

bem

como

o

de normas sobre o arquivamento de documentos públicos, em

vista do seu valor legal, técnico ou histórico” passaria para essa Secretaria.

E, passado o primeiro semestre daquele ano, em 23/08/07, o decreto

12.397 14 , entrega o gerenciamento do APE-MS (Arquivo Público Estadual) à FCMS:

“Cabe à Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, em conjunto com a Secretaria

de Estado de Administração, estabelecer normas e procedimentos sobre a guarda e

10 Sem data de publicação - Disponível em

<http://aacpdappls.net.ms.gov.br/appls/legislacao/secoge/govato.nsf/448b683bce4ca84704256c0b00

651e9d/ff4af684cb71fa0604256e450002ec13?OpenDocument> Acessado em 01/02/2010.

11 Publicada no Diário Oficial de MS nº 5.376, de 27 de outubro de 2000.

12 Publicado no Diário Oficial de MS nº 5.421, de 5 de janeiro de 2001.

13 Publicado no Diário Oficial de MS nº 6.901, de 31 de janeiro de 2007.

14 Publicado no Diário Oficial de MS nº 7.038, de 24 de agosto de 2007.

17

arquivamento dos documentos produzidos nos órgãos e entidades da Administração

Pública Estadual, recolher, preservar e garantir a proteção da massa documental de

valor histórico permanente, produzida e acumulada pelo poder Executivo”.

Já a Tabela de Temporalidade de Documentos (TTD) em vigor no Estado

foi instituída pela Lei 11.153 de 27/03/2003 15 , que “dispõe sobre prazos e condições

de

guarda

e descarte

dos

documentos dos

órgãos públicos e

entidades da

administração pública estadual”. E segundo o artigo 3º, parágrafo único da Lei

1.294 16 : “a tabela de temporalidade é o instrumento que determina o tempo em que

os documentos deverão ser mantidos nos arquivos correntes e/ou intermediários,

indicando a época em que deverão ser reproduzidos, eliminados ou recolhidos ao

arquivo permanente”. Completando-se com o artigo 4º: “Os documentos públicos de

valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis”.

15 Publicado no Diário Oficial de MS nº 5.967, de 28 de março de 2003.

16

Sem

data

de

publicação

-

Disponível

em

<http://aacpdappls.net.ms.gov.br/appls/legislacao/secoge/govato.nsf/448b683bce4ca84704256c0b00

18

3 DOCUMENTOS HISTÓRICOS DE MATO GROSSO DO SUL

Para o embasamento teórico e eleição de dados significativos, realizou-se

duas visitas 17 ao Arquivo Público Estadual. Em uma das idas ao APE-MS, o diretor

do órgão, Caciano Lima, explicou que estar sob a guarda da Fundação de Cultura e

não mais da Secretaria de Administração se deve à função histórica que une os

documentos à cultura. Uma vez que no local, além dos documentos produzidos pelo

próprio Poder Executivo de MS, também se acumula a guarda de documentos

históricos, com da Companhia Erva Mate Laranjeira (década de 20 a 50); CAND

(Companhia Agrícola de Dourados) primeiro assentamento federal brasileiro ainda

na Era Vargas (década de 30 a 60); documentos da FUNAI (Fundação Nacional do

Índio) registrados a partir do ano de 1959; além de acervos de personalidades

regionais:

do

cineasta

campo-grandense

David

Cardoso

(*09/04/1943)

e

do

revolucionário

corumbaense

Apolônio

Carvalho

(*09/02/1912

+23/09/2005).

O

fotógrafo Roberto Higa doou recentemente para o APE-MS mais de cem fotos que

retratam a época da criação do Estado, entre os exemplos de imagens estão a

primeira escada rolante da cidade de Campo Grande, carnavais da década de 70 e

outras. E, ainda, foi montado o Memorial do Operário Futebol Clube, famoso por sua

atuação no esporte brasileiro ainda na década de 70/80.

Também

estão

arquivados

todos

os

arquivos

permanentes

das

secretarias de Estado, das delegacias e agências penitenciárias, escolas e hospitais

do Estado, criação de municípios como o de Guia Lopes da Laguna (um dos marcos

da Guerra do Paraguai).

17 Depois da primeira visita, duas matérias ficaram registradas no ambiente da web:

<http://ensaiogeral.com.br/2009/09/vida-e-obra-de-david-cardoso-tera-sala-de-exposicao-

permanente/> e <http://ensaiogeral.com.br/2009/10/arquivos-publicos-guardam-a-historia-do-povo-

19

Fontes de pesquisa, as informações ali guardadas estão ao alcance de

moradores e estudiosos de diversas áreas do conhecimento inclusive por meio

eletrônico, com ressalva do nível de aprofundamento da busca. E como este estudo

espera representar uma contribuição às políticas de acesso à coisa pública, fica em

aberta a possibilidade de novas análises envolvendo outros interesses naqueles

registros.

Afinal, nota-se um empenho da atual administração do espaço em

democratizar o acesso àquelas informações. Especialmente agora, em que a guarda

dos arquivos está sob a tutela da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul

(FCMS), que se apresenta como indutora da aproximação da informação pública

com o público. Ao todo, no local estão recolhidos cerca de 200 mil documentos do

Poder Executivo de Mato Grosso do Sul, somado a um acervo histórico superior a

oito mil documentos, entre fotos, recortes de jornais e microfilmes.

4 ACESSO À INFORMAÇÃO PÚBLICA

As pesquisas nos arquivos permanentes podem ser feitas por usuários internos, com fins de estudos das ações da instituição para tomada de decisões , ou comemorações de datas significativas. Também há o caso de o arquivo receber pesquisadores externos à instituição. Como por exemplo, cidadãos interessados em testemunhos que possam comprovar seus direitos e deveres para com o Estado, o pesquisador em busca de dados para trabalhos científicos ou acadêmicos e o cidadão comum, a procura de cultura regional e entretenimento. No Arquivo Permanente o acesso deveria ser franqueado ao público em geral.

18

Este pensamento vai ao encontro que a Constituição Federal de 1988 traz

no corpo do artigo 5º, inciso 33:

18 GARCIA e FÉ, 2008, pág. 42.

20

Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.

Entre os instrumentos constitucionais que podem ser acionados como

forma de acesso, estão o habeas data (art. 5º, inciso 72), que serve para “assegurar

o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante”, o mandado de

segurança (art. 5º, inciso 69), quando o direito é líquido e certo, mas não amparado

por habeas corpus ou habeas data, no caso, esse também é o meio válido para

obter

acesso

à

constitucionais.

informação

pública.

Ambos

são

considerados

remédios

Já entre as organizações da sociedade para a transparência dos atos

governamentais, destaca-se o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas 19 ,

integrada por um rol de entidades nacionais . Como o direito de acesso ao Arquivo

Público Estadual também passa pelo processo de cidadania, com a participação do

cidadão na gestão pública, está em andamento em MS, desde o ano de 2009 e

previsto para continuar 2010, o projeto de capacitação em Arquivologia e o Pró-

Memória MS, que assessora a implantação de museus e arquivos. O diretor do

Arquivo Caciano Lima enfatiza que eles estão conseguindo trabalhar melhor nessa

administração: capacitando técnicos, disseminando o conhecimento e difundindo a

informação.

Fazendo um adendo, o bom gerenciamento da informação significa

avanço para todos, nota-se isso passadas três décadas de assinada a divisão do

Estado, quando os funcionários contratados pouco antes do ato divisório agora

precisam se aposentar. A maior parte dos documentos anteriores a 1979 foi levada

para Cuiabá, capital de Mato Grosso, que naquela época era a responsável pela

21

contratação. Esse é um dos princípios da Arquivologia, denominado territorialidade,

mas que na prática deixou uma brecha para a continuidade dos serviços públicos de

MS.

A solução encontrada pelos técnicos em MS foi o da pesquisa manual nos

Diários Oficiais que lá ficaram arquivados. Porém, são informações de difícil

localização, afinal naquela época uma nomeação poderia ser publicada até cinco

anos depois da efetivação do servidor. Por outro lado, a administração pública antes

da divisão do Estado era comandada por um misto do modelo burocrático e

patrimonial, e não

pela

administração pública

gerencial, que tem entre

suas

características ser “orientada para a obtenção de resultados” 20 . Essa afirmação pode

ser confirmada pela presença de fotos inseridas no jornal da Imprensa Oficial de

Mato Grosso do Sul mostrando, por exemplo, as primeiras-damas da época

entregando “sacolões” e/ou fazendo assistencialismo, tornando ainda mais extensas

aquelas publicações.

5 CONCLUSÃO

Como se vê pelo cronograma histórico, em Mato Grosso do Sul os

arquivos

permanentes

passaram

por

reformulações

através

dos

tempos,

aproximando-se paulatinamente da sociedade. Haja vista, que estar sob a proteção

de uma secretaria de Justiça em seu início demonstra o poder que os documentos

inativos continham na criação de uma nova unidade federativa, efetivada nos últimos

anos da Ditadura Militar. Em seguida, o Arquivo Público Estadual (APE-MS) foi

20 Eduardo Gnisci Roteiro de Administração Pública Editora Fortium, página 31.

22

tomado por uma visão mais administrativa. E, atualmente, caminha cada vez mais

para cumprir sua função maior, o de valor histórico e informativo e de difusor

cultural, permanecendo sob a custódia da Fundação de Cultura.

Garantindo essa aproximação com a sociedade, somam-se diversos

cursos que vem sendo realizados sob a coordenação

da direção do órgão. Tudo

são provas de que aos poucos Mato Grosso do Sul trabalha para a conscientização

social sobre o direito de acesso e guarda adequada da informação pública. Nessa

fase

de

educação

pública,

se

assim

pode-se

classificá-la,

fomento

à

transparência nos atos governamentais de Mato Grosso do Sul. Quiçá essa maior

visibilidade se estenda a outros poderes e setores do Poder Executivo, ampliando o

acesso aos documentos de interesse do cidadão sul-mato-grossense.

Visto

que quanto mais

o

Estado de

Mato

Grosso do Sul oferecer

transparência às informações coletadas, produzidas e armazenadas pelas agencias

estatais, mais o cidadão poderá participar da gestão da coisa pública, uma vez que o

livre acesso das pessoas aos atos governamentais, sejam os atuais ou do passado,

mais se utilizará dos princípios básicos de construção de uma nação livre e

democrática. Vale ressaltar que esse documento, ou essa informação produzida por

ente público,

governante,

político, ou

qualquer dos

representantes eleitos ou

nomeados, não é exclusivo de quem o realizou ou mesmo do Estado. Pertence, sim,

é em última análise ao cidadão.

Conclui-se que neste processo de globalização mundial da economia, em

que aumenta a necessidade de guarda das informações e também da complexidade

dos documentos, resulta-se em uma grande da massa de informações e, portanto,

deve-se

garantir

como

um

exercício

de

cidadania

para

que

essas

e

outras

informações continuem com portas abertas para a pesquisa em geral. O que parece

23

acontecer no Estado de Mato Grosso do Sul quando se refere à informação

histórico-cultural, representada pelo Arquivo Público do Poder Executivo de MS.

E valorizar a informação, seja a contida nos arquivos ou a que está em

qualquer outro órgão do Poder Público, é ter em mente que, mesmo em uma

sociedade dinâmica, é a cidadania quem deve prevalecer. Desta forma, observa-se

que o Arquivo Público de Mato Grosso do Sul passa a atender a um dos princípios

básicos da Arquivologia, que é a finalidade última de acesso do povo à informação,

seu maior objetivo de trabalho, uma vez que são eles quem registram/realizam a

trajetória,

ações,

direitos,

deveres,

identidade de cada região brasileira.

memória

institucional

e

a

construção

da

24

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BELLOTTO, Heloísa Liberalli. Arquivos Permanentes: Tratamento Documental. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.

BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, de 5 de outubro de 1988. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília n.º 191- A, p. 1-32, 5.10.1988, Seção 1. (ATAS DA SUBCOMISSÃO ELABORADORA DO ANTEPROJETO 1932/1933. Brasília: Senado Federal. Secretaria de Documentação e Informação. Subsecretaria de Edições Técnicas, 1993, 851-854 (edição fac- similar).

GARCIA, Gabriela Almeida; FÉ, Tânia Moura (ORG). Noções de Arquivologia. 1ª Ed. Brasília: Fortium, 2008. 223 p.

GNISCI, Eduardo. Roteiro de Administração Pública. 1ª Ed. Brasília: Fortium, 2007. 150 p.

MAESIMA, Cacilda; LEME, Edson José Holtz; ARIAS NETO, José Miguel. Curso:

Noções de Arquivística e Organização de Arquivos: Conceito de Arquivística. CDPH/DH/UEL. Disponível em

<http://64.233.163.132/search?q=cache:wSq3oRFNPaYJ:www.uel.br/pessoal/jneto/a

rqtxt/aula2_ArquivisticaJNETO.ppt+o+princ%C3%ADpio+segundo+o+qual+os+arqui

vos+p%C3%BAblicos,+pr%C3%B3prios+de+um+territ%C3%B3rio,+seguem+o+desti

no+deste+%C3%BAltimo.%22&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br> Acessado em

26/11/2009.

7- APÊNDICE

25

Perguntas enviadas e respondidas via correio eletrônico. A entrevista

foi com Caciano Lima, Diretor do Arquivo Público de MS:

1 - O arquivo permanente possui quantos documentos (uma

média, apenas)?

APE-MS tem em sua guarda dois tipos de acervo: um referente à

administração pública, com aproximadamente 200 mil documentos, e o acervo

histórico

com mais de

microfilmes.

8

mil documentos, entre fotos, recortes de jornais e

2 - Quantas pessoas trabalham diretamente no Arquivo Público de

MS? Qual formação/função.

Caciano Lima Gestor do Arquivo Público Estadual Especialista em

museologia;

Áurea Coeli D. P. Arruda Cunha Gestora Educacional Historiadora;

Maria de Lourdes Fagundes Seixas Técnica em arquivos;

Maria Helena Rodrigues Técnica em arquivos Pedagoga;

Tereza Gonçalves Gestora de Eventos Protocolares Lingüista

26

3 - Há campo de trabalho para arquivistas e técnicos em Mato

Grosso do Sul?

Sabendo que toda instituição, sendo ela privada ou pública, trabalha

com documentação e isso requer um profissional habilitado, em nosso estado temos

sim muitas vagas para profissionais que atuam em arquivos. Há informação de que

as instituições como a UFMS, UFGD entre outras,

para conseguir as vagas para

concurso há uma grande luta, bem como para preenche-las.

A ENARA

-

Veja:

Executiva

Nacional

das

Associações

Regionais

de

Arquivologia

transcreve na íntegra, um texto do professor Paulo R. Cimó Queiroz, da UFGD, que

faz um apelo para a participação da classe arquivística neste concurso:

"Peço-lhes

o

enorme

favor

de

ajudar

a

divulgar

o

edital

de

concurso

para

funcionários da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, MS),

que está oferecendo uma vaga para Arquivista. Esclareço que para nós, professores

da UFGD que trabalhamos com documentação, foi uma grande luta conseguirmos

essa vaga, e agora não gostaríamos de vir a perdê-la por falta de candidatos. Desde

já muito agradecido," Inscrições até 15 de junho de 2009.

4 - E o acesso às informações do Arquivo, como é feito?

As pesquisas podem ser presenciais ou on-line (dependendo do nível

de

busca).

Existe

uma

sala

de

pesquisa

sendo

implementada

para

que

o

pesquisador use os espaços do arquivo para suas pesquisas.

27

5 - MS discute as leis de acesso a informações públicas?

Sim, o Arquivo Público implantou o Programa de Capacitação em

Arquivologia que capacita técnicos e interessados que atuem nessa área.

E

o

Programa Pró-Memória MS, que assessora a implantação de arquivos e museus no

estado. Desta forma está sendo discutida políticas públicas para a área.

6 - O arquivo também tem a guarda dos arquivos sigilosos de MS,

ou esta documentação recebe outro tratamento.

Nenhuma secretaria e nem unidade vinculada a administração do

estado manifestou-se sobre documentos sigilosos, porém, estamos aptos a trabalhar

com essa dinâmica.

7 - Além dos arquivos da CAND/Dourados (1º Assentamento

Federal) - década 30 a 60; Erva Mate Laranjeira - déc. 20 a 50; Funai (questão

indígena) - a partir de 1959; David Cardoso (cineasta); e Apolônio de Carvalho

(lutador do povo) há outros acervos a serem destacados?

MEMORIAL

DO

OPERÁRIO

FUTEBOL

CLUBE.

O

projeto

de

implantação foi desenvolvido dentro do Projeto Pró-Memória MS. Todo o acervo foi

tratado dentro do Arquivo Público Estadual e, posteriormente, discutido com os

responsáveis pela manutenção do memorial. A expografia foi realizada de forma que

o visitante/torcedor pudesse conhecer a história do time. O acervo exposto também

encontra-se disponível para pesquisa no APE.