Capítulo 2
Sequências Infinitas
Definição 2.1. Uma sequência numérica é uma função f : N → R que associa a cada número natural
n ∈ N = {1, 2, 3, · · · } um número real. Denotamos por an a imagem de n por f, i.e., an = f(n). Assim, a lista
a1 , a2 , . . . , an , . . .
representa a função definida por:
1 7→ a1
2 7→ a2
3 7→ a3
..
.
n 7→ an
..
.
i) os elementos a1 , a2 , . . . , an são chamados de termos da sequência; assim, a1 é o primeiro termo, a2 o
segundo termo, e o n-ésimo é an .
ii) o natural n é chamado de índice do termo an e indica a posição que an ocupa na lista.
iii) As notações (an )n∈N , (an )n≥1 ou simplesmente (an ) são usadas para denotar uma sequência.
Exemplo 15. Descreva a lei de formação de cada sequência:
a) b) 1, 21 , 13 , 14 , 51 , . . . = 1
(2, 4, 6, 8, 10, . . .) = (2n) n
c) 1 2 3 4 n
d) (−1, 1, −1, 1, −1, . . .) ⇒ an = (−1)n
2 , 3 , 4 , 5 , . . . = n+1
n
n+1 n
e) −1, 21 , − 13 , 14 , − 15 , . . . = (−1) f) 1, − 23 , 39 , − 27
4 5
. . . ⇒ an = (−1)
n , − 81 3n−1
g) (1, 1, 2, 3, 5, 8, . . .) ⇒ a1 = 1, a2 = 1, an = an−1 +
an−2 n ≥ 3. (Seq. de Fibonacci)
2.1 Limite de uma sequência
Definição 2.2 (Limite). A sequência (an ) converge para a ∈ R (ou tem limite a) se, para todo ε > 0
dado existe um índice N ≥ 1 tal que
n > N ⇒ |an − a| < ε
Escrevemos
lim an = a (ou simplesmente, an → a)
Caso nenhum número L existir, diremos que (an ) é divergente.
23
Exemplo 16. Mostre (pela definição) que:
a) lim k = k (k ∈ R) b) lim 1/n = 0 c) lim n/n+1 = 1
d) lim sin(n)
n =0 e) lim(−1)n = ∄
Solução: [a)] Sejam an = k e ε > 0. Perceba que |an − k| = 0 < ε para todo índice n. Portanto,
n > 1 ⇒ |an − k| < ε (aqui escolhemos N = 1, mas poderíamos ter escolhido N = 2, 3, . . . )
Solução: [b)]
Dado ε > 0 e escolha N > 1ε . Então: Rascunho: Dado ε > 0, devemos determinar um ín-
dice N tal que: n > N ⇒ n1 < ε. Observe que
1 1 1
n>N⇒ = < <ε
n n N 1 1 1
= < ε ⇐⇒ n >
n n ε
(N > 1
ε ⇔ 1
N < ε)
Solução: [c)]
Dado ε > 0. Seja N > 1
ε − 1 então: Rascunho: Observe que n
n+1 −1 = 1
n+1 .
n 1 1 n 1 1
n>N⇒ −1 = < <ε −1 = < ε ⇐⇒ n > − 1
n+1 n+1 N+1 n+1 n+1 ε
(N > 1
ε −1⇔ 1
N+1 < ε)
Solução: [d)]
Dado ε > 0 escolha N > 1ε . Logo Rascunho: Observe que
sin(n) 1 1 sin(n) | sin(n)| 1
n>N⇒ ≤ < <ε = ≤
n n N n n n
(N > 1
ε ⇔ 1
N < ε) Logo: se 1
n <ε⇒ sin(n)
n < ε. Mas, 1
n <ε ⇔ n> 1
ε
Exercício 2.1. Mostre que:
(a) lim an = a ⇒ lim |an | = |a|. (a recríproca, em geral, não vale; exceto se a = 0.)
√ √
(b) Se an ≥ 0 e lim an = a ⇒ lim an = a.
Solução: [(a)] De fato, dado ε > 0 existe N tal que n > N ⇒ |an − a| < ε. Da propriedade |x| − |y| ≤ |x − y|
temos que
n > N ⇒ |an | − |a| ≤ |an − a| < ε
Para a sequência (an ) = (−1)n tem-se lim |an | = 1, mas lim an = ∄.
√
Solução: [(b)] Suponha a > 0. Dado ε > 0 existe N tal que n > N ⇒ |an − a| < ε a. Daí, para n > N
temos
√ √ |an − a| |a − a|
| an − a| = √ √ ≤ n√ <ε
an + a a
Suponha a = 0. Dado ε > 0 existe N tal que
√
n > N ⇒ 0 ≤ an < ε2 ⇐⇒ an < ε (a raiz quadrada é crescente)
24
Exercício 2.2. Mostre as equivalências:
lim an = a ⇐⇒ lim(an − a) = 0 ⇐⇒ lim |an − a| = 0
Em particular: lim an = 0 ⇐⇒ lim |an | = 0.
Exercício 2.3. Se para todo real ε > 0 tem-se |a| < ε, então a = 0.
Solução: Suponha, por absurdo, a ̸= 0. Então |a| > 0 e por Arquimedes existiria n ∈ N tal que 1 < n|a|.
Assim, para ε = n1 teríamos ε < |a| o que contradiz a hipótese. Portanto a = 0.
Teorema 2.1 (Unicidade). Se uma sequência é convergente então o limite é único.
Demonstração: Suponha que an → L1 e an → L2 . Dado ε > 0 existem índices N1 , N2 tais que
ε
n > N1 ⇒ |an − L1 | <
2
ε
n > N2 ⇒ |an − L2 | <
2
Seja N > max{N1 , N2 }. Então,
ε ε
|L1 − L2 | ≤ |L1 − aN | + |aN − L2 | < + =ε
2 2
Portanto, |L1 − L2 | < ε para todo real ε > 0, o que implica L1 = L2 .
Definição 2.3. Diz-se que uma sequência (an ) é limitada inferiormente, se existe um número A ∈ R tal
que A ≤ an para todo n; e limitada superiormente, se existe B ∈ R tal que an ≤ B para todo n. Quando
a sequência for limitada inferiormente e superiormente ao mesmo tempo, diremos que ela é limitada. Isso
significa que existe um intervalo [A, B] tal que an ∈ [A, B] para todo n. Equivalentemente, existe M > 0 tal
que |an | ≤ M para todo índice n.
Teorema 2.2. Todo sequência convergente é limitada.
Demonstração: Seja L = lim an . Então, para ε > 0, existe N tal que n > N ⇒ |an − L| < ε. Seja
k = max{|a1 − L|, |a2 − L|, . . . , |aN − L|, ε}. Então |an − L| < k para todo n ∈ N. Portanto a sequência é
limitada.
Exemplo 17. A recíproca do teorema não é válida, pois an = (−1)n é limitada mas não converge.
Exemplo 18. Seja a > 1. Então a sequência (a, a2 , . . . , an , . . .) é divergente. (PG infinita de razão a.)
Solução: Escreva a = 1 + x com x > 0. Pela desigualdade de Bernoulli, an = (1 + x)n ≥ 1 + nx > nx para
todo n ∈ N. Daí, dado qualquer M ∈ R por Arquimedes existe N ∈ N tal que Nx > M. Portanto,
n > N ⇒ an > M
ou seja, a sequência (an ) não é limitada e, do Teorema 2.2, segue que (an ) não tem limite em R.
25
2.2 Sequências monótonas
Definição 2.4 (Sequências monótonas). Uma sequência (an ) é crescente quando an < an+1 para todo
n ∈ N, ou seja,
a1 < a2 < . . . < an < an+1 < . . .
E uma sequência (an ) é decrescente se an > an+1 para todo n ∈ N, ou seja,
a1 > a2 > . . . > an > an+1 > . . .
Diz-se que a sequência (an ) é não-decrescente se an ≤ an+1 e não-crescente se an ≥ an+1 para todo n ∈ N.
Dizemos que uma sequência é monótona se ela satisfaz qualquer uma dessas condições.
Teorema 2.3. Toda sequência (an ) crescente e limitada é convergente com lim an = supn∈N {an }.
Demonstração: Seja L = sup {an }. Dado ε > 0 temos que L − ε não é cota superior de X = {an ; n ∈ N}.
Logo existe um índice N tal que L − ε < aN ≤ L. Assim, como (an ) é crescente, temos que
n > N ⇒ L − ε < aN ≤ an ≤ L < L + ε ⇒ an ∈ (L − ε, L + ε)
Portanto, L = lim an .
Teorema 2.4. Toda sequência (an ) decrescente e limitada é convergente com lim an = inf n∈N {an }.
Corolário 2.1. Toda sequência monótona e limitada é convergente.
Exemplo 19. Mostre, pelo Teorema 2.3-2.4, que:
a) lim k = k (para qualquer constante k ∈ R)
b) lim n1 = 0
c) lim n+1
n
=1
Solução:
a) Como (an = k) é monótona e sup {k} = inf {k} = k temos lim k = k
b) De fato, (1/n) é decrescente e limitada com inf { n1 } = 0. Portanto, lim n1 = 0.
c) De fato, (n/n+1) é crescente e limitada com sup { n+1
n
} = 1. Portanto, lim n+1
n
= 1.
Exemplo 20. Seja 0 < a < 1. Mostre que a sequência (a, a2 , . . . , an , . . .) é decrescente, limitada e lim an = 0.
Solução: Multiplicando 0 < a < 1 por a > 0 tem-se 0 < a2 < a < 1 e, daí, por indução, segue que
0 < an+1 < an < 1. Logo (an ) é decrescente e limitada. Pelo Teorema 2.4 tem-se lim an = inf {an ; n ∈ N}.
Afirmação: inf {an ; n ∈ N} = 0.
Dado c > 0, vamos mostrar que c não é um conta inferior de X = {an ; n ∈ N}. Como b = 1/a > 1, sabemos
que (bn ) é ilimitada superiormente. Logo existe algum N ∈ N tal que bN > 1c , ou seja, aN < c. Portanto
inf X = 0 e segue que lim an = 0.
26
2.3 Limites e Desigualdades
Teorema 2.5 (Desigualdades). Suponha que an → L1 e bn → L2 .
(i) Se lim an = L1 < B então an < B, para n suficientemente grande (i.e., existe um índice N tal que
an < B para todo n > N.)
(ii) Se lim an = L1 > A então an > A, para n suficientemente grande (i.e., existe um índice N tal que
an > A para todo n > N.)
(iii) Se L1 < L2 então an < bn , para n suficientemente grande (i.e., existe um índice N tal que an < bn
para todo n > N.)
(iv) Se an ≤ bn (para n suficientemente grande) então L1 ≤ L2 .
Demonstração:
(i) Dado ε = B − L > 0 existe um índice N tal que L − ε < an < L + ε para todo n > N. Logo, para
n > N, temos an < L − ε = L − (B − L) = B.
(ii) Para ε = L − A > 0 existe um índice N tal que L − ε < an < L + ε sempre que n > N. Daí, para
n > N, obtemos an > L − ε = L − (L − A) = A.
(iii) Para ε = L2 −L1
2 > 0 tem-se L1 + ε = L2 − ε = L1 +L2
2 . E, existem índices N1 , N2 tais que
n > N1 ⇒ an < L1 + ε e n > N2 ⇒ L2 − ε < bn
Seja N = max{N1 , N2 }. Então,
n > N ⇒ an < L1 + ε = L2 − ε < bn
Portanto, an < bn para n a partir de N = max{N1 , N2 }.
(iv) Suponha, por absurdo, L1 > L2 . Então, de (iii), teríamos an > bn para n suficientemente grande.
Absurdo, pois por hipótese an ≤ bn para n suficientemente grande.
Teorema 2.6 (do Confronto). Sejam (an ), (bn ) e (cn ) três sequências reais. Se an ≤ bn ≤ cn (para n
suficientemente grande) e lim an = L = lim cn então lim bn = L.
Demonstração: Dado ε > 0 existem índices N1 , N2 tais que n > N1 ⇒ L − ε < an < L + ε e n > N2 ⇒
L − ε < cn < L + ε. Seja N = max{N1 , N2 }. Então n > N ⇒ L − ε < an < bn < cn < L + ε ⇒ |bn − L| < ε.
Portanto bn → L.
Corolário 2.2. Se lim an = 0 e |bn | ≤ k é limitada. Então lim an bn = 0.
Demonstração: De fato, observe que 0 ≤ |an bn | ≤ |an |k. Como lim k|an | = 0 segue que lim an bn = 0.
Exemplo 21. Verifique, pelo Teorema do Confronto ou pelo seu corolário, que:
2) cos(n2 )
a) lim sin(n)
n2
= 0 (− n12 ≤ sin(n)
n2
≤ 1
n2
) b) lim cos(n
n3
= 0 (0 ≤ n3
≤ 1
n3
)
n
c) lim 21 = 0 (0 < 21n < n1 ) d) lim ln(n)
n2
= 0 (0 ≤ ln(n)
n2
≤ n1 )
n (−1)n
e) lim (−1)
n = 0 (0 ≤ n ≤ n1 ) f) lim n!
1
= 0 (n! > 2n−1 , n ≥ 3)
g) lim nn!n = 0 (0 ≤ n!
nn = 1 2
nn · · · nn ≤ n1 )
27
Exemplo 22 (O número e). O número e, base do logarítmo natural, é definido através do limite
1 n
e = lim 1 + (indeterminação do tipo 1∞ )
n
Solução: Considere a função f(x) = 1
x com x > 0. Comparando as áreas das três regiões da figura podemos
escrever, para todo x > 0,
n
Como lim e n+1 = e, pelo Teorema do Confronto, se-
n
ˆ 1+x gue que lim 1 + n1 = e.
x x
< f(t) dt < x ⇐⇒ < ln(1+x) < x
x+1 1 x+1
Dividindo por x :
1 ln(1 + x)
< <1
x+1 x
Substituindo x = 1
n teremos
1 n
n
< ln 1 + <1
n+1 n n
Fato: e n+1 → e. Dado ε > 0. Vamos mostrar que
n
Daí, sup {e n+1 } = e. Seja e − ε < e. Se e − ε < 0 então
n
n e − ε < 0 < e n+1 para todo n ∈ N. Se 0 < e − ε < e
n 1
e n+1 < 1+ < e para todo n ∈ N então ln(e − ε) < 1. Como sup { n+1 n
} = 1, existe um
n
índice N tal que ln(e − ε) < N+1 , o que implica
N
N
e − ε < e N+1 .
Exemplo 23 (Teste da razão). Seja an > 0 para todo n. Se lim(an+1 /an ) = a < 1 então lim an = 0.
Solução: Como a < 1 existe N tal que n > N ⇒ aan+1 n
< 1. Então, para n > N, temos an+1 < an , i.e., a
sequência (an ) é decrescente (a partir de N) e limitada (a1 > a2 > . . . > an > . . . > 0). Seja L = lim an e
como an > 0 tem-se L ≥ 0. Se fosse L > 0 teríamos a = lim aan+1n
= LL = 1. Absurdo, pois a ̸= 1. Portanto,
lim an = 0.
Exemplo 24 (Aplicação). Dado a > 1 e k ∈ N então
nk an n!
lim n
= lim = lim n = 0
a n! n
Solução: Vamos determinar tais limites tendo em vista o Exemplo 23.
(i) Temos
(n+1)k k
(n + 1)k 1 1 k1 nk
an+1 an n+1 1 1
lim = lim nk
= lim = lim = lim 1 + = < 1 ⇒ lim n = 0
an nk a n a n a a a
an
(ii) Temos
an+1
an+1 n! nk
an+1 (n+1)! n+1 1
lim = lim an = lim = lim a = < 1 ⇒ lim n = 0
an n!
(n + 1)! an n a a
(iii) Temos n
an+1 n 1 n!
lim = lim = < 1 ⇒ lim n = 0
an n+1 e n
28
2.4 Propriedades Operatórias
Teorema 2.7. Se lim an = a e lim bn = b então:
1) lim(an ± bn ) = a ± b.
2) lim(kan ) = ka para qualquer k ∈ R.
3) lim(an bn ) = ab.
an a
4) lim = desde que b ̸= 0.
bn b
Demonstração:
3) Como bn converge ela é limitada, i.e., existe M > 0 tal que |bn | ≤ M para todo n. Agora, em virtude
da desigualdade triangular, observe que
|an bn − ab| = |an bn − abn + abn − ab| = |(an − a)bn + a(bn − b)|
≤ |an − a||bn | + |a||bn − b|
≤ |an − a|M + |a||bn − b|
Por definição de limite, dado ε > 0 existem índices N1 , N2 ≥ 1 tais que
ε
n > N1 ⇒ |an − a| <
2M
ε
n > N2 ⇒ |bn − b| <
2(|a| + 1)
Seja N = max{N1 , N2 }. Então:
|a|
ε
ε ε ε
n > N ⇒ |an bn − ab| ≤ |an − a|M + |a||bn − b| ≤ M+ < + =ε
2M |a| + 1 2 2 2
Exemplo 25. Mostre, usando as propriedades do limite, os seguintes limites.
a) lim n1k = lim n1 × · · · × lim n1 = 0, k ∈ N.
b) lim n+1
n = lim 1 +
1
= lim 1 + lim n1 = 1.
n
3 3
c) lim nn3 +2 = lim n3 (1+
n
2
)
= lim 1+1 2 = lim 1
lim 1+ 23
=1
n3 n3 n
Exemplo 26. Mostre, usando as propriedades do limite, que
7n2 + 5n 7
lim =
n→+∞ 4n2 + 3 4
Solução: Observe que
7n2 + 5n n2 (7 + 5/n) 7 + 5/n
an = 2
= 2
=
4n + 3 n (4 + 3/n )
2 4 + 3/n2
lim 7+5/n 7+lim 5/n
Já que 5/n, 3/n2 → 0, teremos lim an = lim 4+3/n2
= 4+lim 3/n2
= 7
4
29
2.5 Subsequência
Definição 2.5. Uma subsequência de uma sequência (an ) é a restrição dessa sequência a um subconjunto
infinito N ′ = {n1 < n2 < . . . < nk < . . .} de N. A notação (ank )k∈N representa uma subsequência de (an ) e
indica que ela pode ser considerada como uma sequência do tipo (bk ) = (ank ), onde n1 < n2 < · · · < nk <
···
Observação 2.1. Uma subsequência (ank ) pode ser considerada uma sequência, basta para isto, definir a
sequência (bk ) = (ank ), onde n1 < n2 < · · · < nk < · · · .
Exemplo 27. Seja
1 1 1 1 1 1 1
(an ) = = 1, , , , , , . . . , , . . .
n 2 3 4 5 6 n
Então a subsequência correspondente a N ′ = 2N = {2n, n ∈ N} ⊂ N é dada por:
1 1 1 1 1
(a2n ) = = , , ,..., ,...
2n 2 4 6 2n
Exemplo 28. Seja
n 1 2 3 4 5 6 n
(an ) = = , , , , , ,..., ,...
n+1 2 3 4 5 6 7 n+1
Então a subsequência correspondente a N ′ = {2n, n ∈ N} ⊂ N é dada por:
2n 2 4 6 8
(a2n ) = = , , , ,...
2n + 1 3 5 7 9
Exemplo 29. Seja
n 1 2 3 4 5 6 n
(an ) = = , , , , , ,..., ,...
n+1 2 3 4 5 6 7 n+1
Então a subsequência correspondente a N ′ = {2n − 1, n ∈ N} ⊂ N é dada por:
2n − 1
1 3 7 15 31
(a2n ) = = , , , , ,...,
2n 2 4 8 16 32
Exemplo 30. Seja
n 1 2 3 4 5 6 n
(an ) = = , , , , , ,..., ,...
n+1 2 3 4 5 6 7 n+1
Então a subsequência correspondente a N ′ = {2n , n ∈ N} ⊂ N é dada por:
2n
2 4 8 16 32 64
(a2n ) = = , , , , , ...,
2n + 1 3 5 9 17 33 65
Teorema 2.8 (Critério de Convergência). Se lim an = L então ank → L. Em outras palavras, toda sub-
sequência de uma sequência convergente é convergente e os limites são iguais.
Demonstração: Dado ε > 0 existe um índice N tal n > N ⇒ |an − L| < ε. Como o conjunto N ′ =
{n1 < n2 < . . . < nk < . . .} é ilimitado, escolha nk > N e, daí,
j > k ⇒ nj > nk ⇒ nj > N ⇒ |anj − L| < ε ⇒ lim ank = L
Exemplo 31.
(i) an = 1 + (−1)n é divergente, pois (a2n ) → 2 e (a2n−1 ) → 0 não possuem o mesmo limite.
n
(ii) an = (−1) n
n+1 é divergente, pois as subsequências (a2n ) → 1 e (a2n−1 ) → −1 não possuem o mesmo
limite.
30
Teorema 2.9 (Bolzano-Weierstrass). Toda sequência (an ) limitada possui uma subsequência convergente.
Demonstração: Por hipótese a sequência (an ) é limitada, i.e., existe k > 0 tal que −k ≤ an ≤ k. Considere
o conjunto D = {n ∈ N : an ≤ ap , ∀ p > n}.
1º Caso: O conjunto D é infinito, digamos, D = {n1 < n2 < · · · } ⊂ N.
Neste caso, a subsequência (ank ) será não-decrescente
an1 ≤ an2 ≤ an3 ≤ · · · ≤ ank ≤ · · · ≤ k
e, por ser limitada, convergente.
2º Caso: O conjunto D é finito (inclusive o vazio).
Neste caso, seja n1 ∈ N maior que todos os elementos de D. Então n1 ∈ / D e portanto existe um índice
n2 > n1 tal que an1 > an2 , novamente n2 ∈/ D (pois n1 é maior que todo elemento de D), portanto existe um
índice n3 > n2 tal que an2 > an3 , continuando este processo obteremos uma subsequência (ank ) decrescente
an1 > an2 > an3 > · · · > ank > · · · > −k
e, por ser limitada, convergente.
Exemplo 32. Mostre que
√
(1) n
a → 1 para todo a > 0.
√
(2) n
n → 1.
√
Solução: (1) Se a = 1 a sequência ( n a) será constante igual a 1 e segue o resultado. Suponha a > 1.
√ √
Perceba que n a > 1. Então, podemos escrever n a = 1 + hn onde hn > 0. A desigualdade de Bernoulli
implica
a = (1 + hn )n ≥ 1 + nhn > nhn
√ √
Assim, hn = | n a − 1| < na → 0. Portanto, temos lim hn = 0 e lim n a = lim(1 + hn ) = 1. Se 0 < a < 1 então
√
1/a > 1. Logo, lim n 1/a = lim n1
Portanto, lim a = lim (1/ 1n√a) = lim(1/
lim 1√ √1 = 11 = 1.
lim
p
n
√
a
= 1. n a) = n 1
lim /a
√
Solução: (2) Ainda temos que n n = 1 + hn , onde hn > 0. Mas agora a desigualdade de Bernoulli é
insuficiente, pois, com ela, obtemos
n = (1 + hn )n ≥ 1 + nhn > nhn ⇒ hn < 1,
o que não basta para provar que hn → 0. Pela fórmula do binômio, podemos obter, já que hn > 0,
n(n − 1) 2 n(n − 1) 2 2
n = (1 + hn )n = 1 + nhn + hn + · · · + hnn > hn ⇒ h2n <
2 2 n−1
q
Daí, tem-se lim h2n = 0. Como 0 < hn = h2n ≤ n−1 , segue pelo Teorema do Confronto que lim hn = 0.
p 2
√
Portanto, temos lim n = lim(1 + hn ) = 1.
n
31
2.6 Critério de Convergência de Cauchy
Definição 2.6. Dizemos que uma sequência (an ) é de Cauchy se para cada ε > 0 podemos encontrar um
índice N tal que
m, n > N ⇒ |am − an | < ε
Teorema 2.10. Toda sequência de Cauchy é limitada.
Demonstração: Seja (an ) uma sequência de Cauchy, logo para ε = 1 existe N ∈ N tal que |an − am | < 1,
para todo m, n > N. Em particular, |an − aN+1 | < 1 para todo n > N. Como
|an | − |aN+1 | ≤ |an − aN+1 | < 1 ⇒ |an | < 1 + |aN+1 |, ∀ n > N
Tomando M = max{|a1 |, . . . , |aN |, 1 + |aN+1 |} teremos que |an | ≤ M, ∀ n ∈ N.
Teorema 2.11. Toda sequência convergente é de Cauchy.
Demonstração: Seja L = lim an . Dado ε > 0, existe um índice N tal que
ε
n > N ⇒ |an − L| <
2
Daí, para m, n > N tem-se
ε ε
|am − an | ≤ |am − L| + |an − L| < + =ε
2 2
Teorema 2.12 (Recíproca). Toda sequência de Cauchy é convergente em R.
Demonstração: Seja (an ) uma sequência de Cauchy, logo limitada. Pelo teorema de Bolzano-Weierstrass,
que ela possui uma subsequência (anj ) convergente, digamos com limite L. Assim, dado ε > 0, existem índice
N1 , nk ∈ N tais que
m, n > N1 ⇒ |an − am | < ε/2 e nj > nk ⇒ |anj − L| < ε/2
Seja N = max{N1 , nk } e escolha nj > N. Daí, obtemos que
ε ε
n > N ⇒ |an − L| ≤ |an − anj | + |anj − L| < + =ε
2 2
mostrando assim que lim an = L.
2.7 Limites infinitos
Definição 2.7. A sequência (an ) tende para infinito, quando para todo A > 0 dado, existe um índice N
tal que an > A para todo n ≥ N. Neste caso, escreveremos lim an = ∞. Em símbolos,
lim an = ∞ ⇐⇒ ∀ A > 0, ∃ N ∈ N ; an > A, para todo n > N.
32
Definição 2.8. A sequência (an ) tende para menos infinito, quando para todo A > 0 dado, existe um
índice N tal que an < −A para todo n ≥ N. Neste caso, escreveremos lim an = −∞. Em símbolos,
lim an = −∞ ⇐⇒ ∀ A > 0, ∃ N ∈ N ; an < −A, para todo n > N.
n→+∞
Exemplo 33. Mostre que lim an = ∞ se a > 1.
Solução: Seja A > 0. Empregando o uso do logarítmo temos
an > A ⇐⇒ n loga a > loga A ⇐⇒ n > loga A
Portanto, dado A > 0 e n > N > loga A, teremos an > aN > aloga A = A.
3 n
Exemplo 34. lim =∞
2
2.8 Propriedades: limites infinitos
Teorema 2.13. Sejam (an ) e (bn ) sequências de números reais.
1) lim an = ∞ ⇐⇒ lim(−an ) = −∞.
2) lim an = ±∞ ⇒ lim 1/an = 0.
3) Se lim an = 0 e an > 0 para n > N então lim 1/an = ∞.
4) Se lim an = 0 e an < 0 para n > N então lim 1/an = −∞.
5) Se an ≤ bn para n > N e lim an = ∞ ⇒ lim bn = ∞.
6) Se an ≤ bn para n > N e lim bn = −∞ ⇒ lim an = −∞.
7) Se lim an = ±∞ e (bn ) é limitada, então lim(an + bn ) = ±∞.
8) Se lim an = ∞ e bn ≥ c > 0 para n > N, então lim(an bn ) = ∞.
9) Se lim an = ∞ e bn ≤ c < 0 para n > N, então lim(an bn ) = −∞.
Exemplo 35. Mostre que lim an = ∞ se a > 1.
Solução: Escrevemos a = 1 + k com k > 0. Utilizando a desigualdade de Bernoulli, teremos:
an = (1 + k)n ≥ 1 + nk > nk
(5)
Como kn → ∞, temos lim an = ∞.
33