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Limites e Convergência de Sucessões

(1) A sucessão analisa se sucessões de números reais são limitadas e convergentes; (2) Uma sucessão pode ser limitada sem convergir, mas toda sucessão convergente é limitada; (3) Para uma sucessão ser convergente, além de limitada, deve ser monótona.

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Limites e Convergência de Sucessões

(1) A sucessão analisa se sucessões de números reais são limitadas e convergentes; (2) Uma sucessão pode ser limitada sem convergir, mas toda sucessão convergente é limitada; (3) Para uma sucessão ser convergente, além de limitada, deve ser monótona.

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8a aula

11 de Outubro de 2023
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Limitada / Com limite

Como vimos, a sucessão ((−1)n )n ∈ N não tem limite (em


particular, não converge), embora seja limitada.

Isto é, uma sucessão pode ser limitada sem ser convergente.

Contudo, tem-se sempre:

Teorema: Toda a sucessão convergente é limitada.


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Exemplo


Consideremos, por exemplo, a sucessão ( n )n ∈ N .

Note-se que k 2 = k para todo o natural k. Logo
n√ o
N ⊂ n: n ∈ N .
n√ o
Como N não é majorado, o conjunto n : n ∈ N também não
é. Pelo Teorema anterior, concluı́mos que, não sendo esta sucessão
limitada, não pode ser convergente.
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Demonstração do Teorema
Seja (an )n ∈ N uma sucessão convergente, com limite ` ∈ R.

Consideremos ε = 1. Então existe p ∈ N tal que

n>p ⇒ ` − 1 < an < ` + 1.

Sejam

α = min a1 , a2 , · · · , ap , ` − 1 ∈ R

β = max a1 , a2 , · · · , ap , ` + 1 ∈ R.

Deste modo, tem-se

∀n ∈ N α 6 an 6 β.
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O recı́proco do Teorema anterior é falso.

O que podemos juntar à palavra ”limitada” para se concluir que a


sucessão é convergente?

Por exemplo:

(an )n limitada e monótona ⇒ (an )n converge.


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Teorema:
(a) Toda a sucessão de números reais monótona e limitada
converge.

(b) Se uma sucessão de números reais é crescente e não


majorada, então tem limite +∞.

(c) Se uma sucessão de números reais é decrescente e não


minorada, então tem limite −∞.
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Note-se que o Teorema também afirma que

as sucessões monótonas têm sempre limite

que é finito se a sucessão é limitada e é +∞ ou −∞ caso a


sucessão não seja limitada.
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Demonstração do Teorema

Para provarmos a alı́nea (a) do Teorema, basta concluir que se uma


sucessão de números reais (an )n ∈ N é crescente e majorada então

lim an = sup a1 , a2 , · · · , an , · · · .
n → +∞
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Seja (an )n ∈ N uma sucessão crescente e majorada. Temos:



• A = a1 , a2 , · · · , an , · · · é não vazio e majorado.

• a1 6 a2 6 · · · 6 an 6 an+1 6 · · · .

Consideremos o supremo do conjunto A, que designo por s.

Provemos que s = limn → +∞ an .


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Como s é o supremo de A, fixado ε > 0 existe ap tal que

s − ε < ap 6 s.

Como (an )n ∈ N é crescente,

n>p ⇒ s − ε < ap 6 an 6 s.

Ou seja, dado ε > 0 existe p ∈ N tal que

n>p ⇒ s − ε < an < s + ε

o que confirma que s = limn → +∞ an .


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Analogamente se prova que se uma sucessão de números reais


(an )n ∈ N é decrescente e minorada, então

lim an = inf a1 , a2 , · · · , an , · · · .
n → +∞
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Quanto à alı́nea (b):

Seja (an )n ∈ N uma sucessão crescente e não majorada. Temos:

• ∀ε > 0 ∃ p ∈ N: ap > ε.

• a1 6 a2 6 · · · 6 an 6 an+1 6 · · · .

Então, dado ε > 0, existe p ∈ N tal que

n>p ⇒ an > ap > ε

o que confirma que limn → +∞ an = +∞.


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Analogamente se prova a alı́nea (c), isto é, que se (an )n ∈ N é uma


sucessão decrescente e não minorada, então limn → +∞ an = −∞.
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Exemplos

1 1 1

• limn → +∞ 1+ 2 + 3 + ··· + n = +∞.

1 1 1

• limn → +∞ 1+ 1! + 2! + ··· + n! existe e chama-se e.

Podemos afirmar que e ∈ ]2, 3] porque acabámos de provar que


n 1 1 1 o
e = sup 1 + + + · · · + : n∈N
1! 2! n!
e também já mostrámos que a sucessão é estritamente crescente e
o primeiro termo é 2 (logo e > 2), e que 3 é majorante deste
conjunto (logo e 6 3).
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Podemos agora também concluir que


n 1 1 1 o
2 = sup 1 + + 2 + · · · + n−1 : n∈N
2 2 2
porque já sabemos que:

• A sucessão 1 + 21 + 212 + · · · + 2n−1


1

n∈N
é crescente e
majorada.

1 1 1

• limn → +∞ 1+ 2 + 22
+ ··· + 2n−1
= 2.

• Este limite é o supremo do conjunto


n 1 1 1 o
1 + + 2 + · · · + n−1 : n∈N .
2 2 2
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Soma, produto, quociente de sucessões

• Soma:

(an )n ∈ N + (bn )n ∈ N = an + bn n∈N

• Produto:


(an )n ∈ N • (bn )n ∈ N = an . bn n∈N

• Quociente: Se bn 6= 0 para todo o natural n,


a 
n
(an )n ∈ N / (bn )n ∈ N =
bn n∈N
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Operações com limites


• Soma:

lim an = ` ∈ R e lim bn = L ∈ R
n → +∞ n → +∞

lim an + bn = `+L
n → +∞

• Produto:

lim an = ` ∈ R e lim bn = L ∈ R
n → +∞ n → +∞

lim an bn = `L
n → +∞
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Demonstração - Soma

Fixemos ε > 0. Como limn → +∞ an = ` ∈ R, existe p ∈ N tal que

n>p ⇒ |an − `| < ε/2.

Analogamente, como limn → +∞ bn = L ∈ R, existe q ∈ N tal que

n>q ⇒ |bn − L| < ε/2.

Então

n > max {p, q} ⇒ |(an +bn )−(`+L)| 6 |an −`|+|bn −L| < ε.
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Demonstração - Produto

Comecemos por notar que

lim an = ` ∈ R ⇔ lim an − ` = 0.
n → +∞ n → +∞

De facto, fixado ε > 0,

∃ p ∈ N: n>p ⇒ |an − `| < ε

é equivalente a

∃ p ∈ N: n>p ⇒ |(an − `) − 0| < ε.


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Verifiquemos agora que, se limn → +∞ cn = 0 e D ∈ R, então

lim D cn = 0.
n → +∞

Se D = 0, a afirmação é trivial porque a sucessão (D cn )n ∈ N é


constante e igual a 0.

Se D 6= 0, dado ε > 0, como limn → +∞ cn = 0, existe p ∈ N tal


que
ε
n>p ⇒ |cn | < .
|D|
Então,
n>p ⇒ |D cn | < ε.

O que confirma que limn → +∞ D cn = 0.


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Mais geralmente, se limn → +∞ cn = 0 e (dn )n ∈N é limitada, então

lim cn dn = 0.
n → +∞

Como (dn )n ∈N é limitada, existe R ∈ R+ tal que

∀n ∈ N |dn | 6 R.

Além disso, sendo limn → +∞ cn = 0, dado ε > 0 existe p ∈ N tal


que
ε
n>p ⇒ |cn | < .
R
Então,
n > p ⇒ |cn dn | 6 R |cn | < ε.

O que atesta que limn → +∞ cn dn = 0.


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Caso particular

Em particular, concluı́mos que se

lim cn = 0 e (dn )n ∈ N converge


n → +∞

então
lim cn dn = 0.
n → +∞

De facto, sendo a sucessão (dn )n ∈ N convergente, sabemos que ela


é limitada. E, portanto, podemos aplicar-lhe a conclusão anterior.
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Por exemplo,

1
lim (−1)n =0
n → +∞ n

1
porque limn → +∞ n = 0 e a sucessão ((−1)n )n ∈ N é limitada.

Outro exemplo:

1
lim sen (n) = 0
n → +∞ n

1
porque limn → +∞ n = 0 e a sucessão (sen (n))n ∈ N é limitada.
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Verifiquemos finalmente que se limn → +∞ an = ` ∈ R e


limn → +∞ bn = L ∈ R, então limn → +∞ an bn = ` L.
Tem-se

an bn − ` L = (an − `) (bn − L) + ` (bn − L) + L (an − `)

e
• limn → +∞ (an − `) = 0.
• limn → +∞ (bn − L) = 0.
• limn → +∞ ` (bn − L) = 0.
• limn → +∞ L (an − `) = 0.

Logo, somando, obtemos limn → +∞ (an bn − ` L) = 0.


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Quociente de sucessões

Quanto ao quociente de sucessões, há que ter mais cuidado.

Por exemplo:

• Se para todo o n ∈ N se tem an = 1 e bn = n1 , então a


an
sucessão de termo geral bn nem sequer é limitada.

n
• Se para todo o n ∈ N se tem an = n1 e bn = (−1)
n , então a
an
sucessão de termo geral bn não tem limite.
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Podemos afirmar que:

lim an = ` ∈ R e lim bn = L ∈ R \ {0}


n → +∞ n → +∞

an `
lim =
n → +∞ bn L
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Demonstração - Quociente
Comecemos por notar que, como L 6= 0, existe p ∈ N tal que

n>p ⇒ bn tem o sinal de L.

Em particular, se n > p então bn 6= 0 e a sucessão quociente está


bem definida.

|L|
De facto, se ε = 2 , então existe p ∈ N tal que

n>p ⇒ L − ε < bn < L + ε

ou seja,
|L| |L|
n>p ⇒ L− < bn < L + .
2 2
1 2 3 4

Logo, se L > 0, tem-se


L
∃ p ∈ N: n>p ⇒ 0< < bn .
2

E, se L < 0, tem-se
L
∃ p ∈ N: n>p ⇒ bn < < 0.
2
1 2 3 4

Note-se agora que


an ` L an − ` bn
− =
bn L L bn
e que, pelo que já vimos, se tem

lim L an − ` bn = L ` − ` L = 0.
n → +∞
 
1
Falta só analisar a sucessão L bn .
n∈N

Se provarmos que é limitada, concluı́mos que


an ` L an − ` bn 1  
lim − = lim = lim L an −` bn = 0
n → +∞ bn L n → +∞ L bn n → +∞ L bn

confirmando desse modo que


an `
lim = .
n → +∞ bn L
1 2 3 4

 
1
Verifiquemos então que a sucessão L bn é limitada.
n∈N

|L|
Por hipótese, limn → +∞ bn = L 6= 0. Logo, fixado ε = 2 > 0,
existe p ∈ N tal que
|L| |L|
n>p ⇒ L− < bn < L + .
2 2
E, portanto, se L > 0, tem-se
L 3L
n>p ⇒ 0< < bn <
2 2
o que implica que
1 2
n>p ⇒ 0< < 2
L bn L
e que
1 n2 1 1 1 o
∀n ∈ N 6 R = max , , , · · · , .
L bn L2 L b1 L b2 L bp
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Se L < 0, tem-se
3L L
n>p ⇒ < bn < < 0
2 2
o que implica que

3 L2 L2
n>p ⇒ > L bn > >0
2 2
e que
2 1 2
n>p ⇒ 0< 2
< < 2.
3L L bn L
Logo,
1 n2 1 1 1 o
∀n ∈ N 6 R = max , , , · · · , .
L bn L2 L b1 L b2 L bp
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Exemplos

2n+(−1)n 2 (−1)n 2
• limn → +∞ 3n = limn → +∞ 3 + 3n = 3 + 0 = 23 .

1 1 1
 
• limn → +∞ n2
= limn → +∞ n limn → +∞ n = 0 × 0 = 0.

1
n cos n cos n 0
• limn → +∞ n2 +7
= limn → +∞ n
1+ 72
= 1 = 0.
n
1 2 3 4

n7
lim =?
n → +∞ n8 − (n − 1)8
1 2 3 4

n7
lim =
n → +∞ n8 − (n − 1)8
n7
= lim
n → +∞ C 8 n7 − C28 n6 + C38 n5 − C48 n4 + C58 n3 − C68 n2 + C78 n − 1
1
1
= lim
n → +∞ C28 C38 C48 C58 C68 C78 1
8− n + n2
− n3
+ n4
− n5
+ n6
− n7
1
= .
8

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