Compliance e Governança Digital no Direito Cibernético
Compliance e Governança Digital no Direito Cibernético
Direito Cibernético
Unidade 1
Direito, Tecnologia e Inovação
Aula 1
Compliance e Governança Digital
Introdução da aula
Olá, estudante! Nesta disciplina vamos conhecer as áreas de direito, tecnologia e inovação pelo
viés do direito cibernético.
Com a evolução tecnológica vivenciada ao longo da segunda metade do século XX, com especial
ênfase para este primeiro quarto do século XXI, com o avanço da internet e da indústria 4.0, as
questões vinculadas à governança, sustentabilidade e responsabilidade social são incontestes.
O direito, derivado do fato social e dos avanços culturais, históricos e tecnológicos, deve
acompanhar esta evolução, sendo uma necessária competência ao profissional do direito o seu
conhecimento, bem como saber transitar nas mais variadas frentes do direito cibernético. Neste
sentido é que convidamos você a estudar os temas de direito, tecnologia e inovação.
Ao longo desta aula você verá os conceitos e aplicações da governança corporativa, do
compliance, concorrência desleal e fundamental defesa da proteção da informação. Você é o
nosso convidado especial para embarcar nesta jornada desafiadora. Vamos lá?
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Ao longo dos últimos anos, as mudanças sociais e tecnológicas vêm sendo sentidas
de forma cada vez mais intensa e acelerada, com a propagação de novos métodos,
formas e conceitos, em todas as searas do conhecimento humano. A pandemia de
Covid-19, ao forçar a digitalização acentuada de muitas organizações, também tem
contribuído para a adoção ampla de novas tecnologias e para a visualização de uma
realidade inovadora.
No Direito, esse movimento também é sentido com vigor. Desde 2020, o trabalho
remoto se tornou um aspecto incontornável para empresas, escritórios de advocacia
e até mesmo para órgãos do Poder Judiciário, que passaram a conduzir a maior parte
de suas atividades de forma não presencial, com a realização de sessões de
julgamento e despachos virtuais, com a ajuda da tecnologia.
Com isso, as empresas iniciaram um ciclo de mudanças que no decorrer dos anos foi sofrendo
alterações para evitar fraudes. As empresas de auditoria tiveram uma grande importância no
Disciplina
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Transparência.
Equidade.
Prestação de contas.
Responsabilidade corporativa.
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O homem sempre buscou soluções e aprimoramentos nas funções básicas da vida, e essa
busca resulta na criação de indústrias as quais geram uma concorrência para garantir o direito
de propriedade do criador, protegendo os interesses privados. Conforme José Roberto
D’Affonseca Gusmão ensina:
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assegurada pelo Estado, sobretudo por meio dos órgãos de defesa da concorrência.
[…]
Também outro aspecto relevante da questão concorrencial é que uma política de
concorrência bem estruturada contribui para o desenvolvimento socioeconômico.
Política de concorrência é o conjunto de leis e políticas que garantem que a
competição nos mercados não é limitada de modo a reduzir o bem-estar social.
(BAGNOLI, 2017, p. 272-273)
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É uma violação ainda mais grave, por utilizar um conjunto de elementos gráficos, visuais e/ou
fonéticos, o que chamamos de trade dress. A violação de trade dress nos ambientes virtuais é
ainda mais fácil de ocorrer, e de consumar práticas anticoncorrenciais. Daí a grande importância
do tema para o direito cibernético.
Você pode pesquisar os autos do processo deste caso – processo nº 1093251-
56.2017.8.26.0100 – no sítio do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, e observar que a
empresa Muriel Cosméticos foi condenada a pagar uma indenização equivalente a 20% sobre o
faturamento com as vendas do produto “Alisena”.
Por essas e outras razões o Estado deve monitorar as atividades empresariais que caracterizem
potenciais atos de abuso do poder econômico por meio de concorrência desleal, além da
relevante importância da proteção de dados e informações das empresas, especialmente
quando falamos de segredos industriais e comerciais.
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Quantas vezes você já ouviu notícias de vazamento de dados pessoais do cidadão comum?
E quantas vezes você já ouviu notícias de vazamento de informações privilegiadas de uma
empresa, ou ainda de segredos comerciais e industriais?
Certamente a resposta para as perguntas é diferente, já que tradicionalmente há muito mais
notícias tratando de vazamento de dados pessoais do cidadão comum. Você já se perguntou a
respeito da razão disso?
A resposta é razoavelmente simples. O vazamento de informações privilegiadas de uma
empresa, ou de seus segredos industriais e comerciais, resulta em um prejuízo à reputação da
própria empresa, de forma que ela não tem interesse que a informação caia no domínio público.
Tais apurações são, na maioria das vezes, realizadas de forma sigilosa, em segredo de justiça e
até mesmo de forma administrativa ou por meios alternativos de conflitos. Tal medida visa
justamente preservar a reputação da empresa e garantir uma severa punição àqueles que
eventualmente tenham violado os direitos de proteção à informação.
Segurança da informação é um processo para proteger as suas informações e as informações
de sua empresa, e é aplicada em qualquer área da empresa, não só na parte de tecnologia. É a
área responsável por analisar os riscos que podem afetar alguma informação dentro de uma
organização.
Neste terceiro bloco também veremos outro ponto interessante e que gera muitos
questionamentos. Qual é o limite da liberdade de expressão na internet? É um universo sem lei?
Trataremos primeiro da segurança da informação.
Algumas características da segurança da informação são:
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Privacidade Hackeada. Célebre documentário que trata das ações da Cambridge Analytica e da
possibilidade de manipulação de informações, eleições e demais decisões que impactam toda a
sociedade.
Onisciente. Série nacional de ficção científica que trata justamente de uma parceria público-
privada, e todas as pessoas da sociedade são monitoradas por sistemas.
Referências
Arruda, G. S. de, Madruga, S. R., & Freitas Junior, N. I. de. (2009). A governança corporativa e a
teoria da agência em consonância com a controladoria. Revista De Administração Da UFSM,
1(1). Disponível em: [Link] Acesso em: 06 dez. 2022.
BAGNOLI, V. Direito econômico e concorrencial. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais; Thomson
Reuters, 2017.
BARBUTO, J. L. C. Concorrência Desleal no século XXI. Jusbrasil, [s. d.]. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 18 nov. 2022.
BLOK, M. Compliance e Governança Corporativa. 3. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2020.
Disponível em: [Link]
id=c6Z5EAAAQBAJ&lpg=PA1&ots=ubu73mcMrE&dq=Compliance%20e%20governan%C3%A7a&lr
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18 nov. 2022.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Brasília/DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:
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Aula 2
Do Blockchain, Criptomoedas e NFT
Introdução da aula
Caro estudante,
Como já tivemos a oportunidade de entender um pouco de direito cibernético pelo viés do direito,
da tecnologia e da inovação, vamos abordar a temática de evolução da própria internet pelas
atuais redes descentralizadas e pelas redes distribuídas.
Quando falamos em redes distribuídas nem sempre as associamos ao termo blockchain, e é
disso que trataremos.
As redes distribuídas – uma delas é a blockchain, pois existem outras tecnologias e formas de
redes distribuídas – representam o novo estágio da internet e de transações eletrônicas com
segurança e confiabilidade.
Sem a existência de uma rede distribuída como a blockchain não haveria como falarmos de
criptomoedas, NFTs, token e muito mais.
É justamente essa estrutura de rede de confiança, por meio de uma comunicação direta –
também chamada ponto a ponto –, que torna possível a implementação de novos meios de
pagamento eletrônico, de transações pela internet e até mesmo de negócios jurídicos firmados
no Metaverso.
Vamos lá?
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O que é blockchain? Será que ele é mais importante que o próprio bitcoin?
O blockchain foi idealizado em 1991, cerca de 20 anos antes do bitcoin, por Stuart Haber e Scott
Stornetta, que imaginaram blocos com informações ligados uns aos outros de forma imutável.
Em 1992 foram incluídos registros nos blocos, e em 2008 ele ainda não tinha nome e nenhum
caso de uso. O bitcoin foi a primeira aplicação do Blockchain, conforme verificamos no artigo
publicado por Satochi Nakamoto (pseudônimo utilizado pelo seu real autor, que até hoje é
desconhecido) “Bitcoin: A Peer-to-Peer Cash System” (em tradução livre, “Bitcoin: um sistema de
pagamento ponto-a-ponto”).
O primeiro bloco foi minerado em 3 de janeiro de 2009, cuja mensagem criptografada de Satochi
Nakamoto diz: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks”
(Chanceler à beira do segundo resgate aos bancos, em tradução livre).
A principal diferença entre blockchain e os bancos de dados tradicionais é que ele não é
controlado por autoridades; qualquer pessoa pode ver as entradas de outros usuários, sem, no
entanto, poder alterá-las. Além da sua publicidade e transparência, não há necessidade de
centros de controle, pois a comunicação se dá ponto a ponto, de forma direta entre os usuários.
Blockchain refere-se a blocos de informação e dados em cadeia. Serve também como uma linha
do tempo em que cada informação incluída no bloco permanece aumentando a transparência
em todo o sistema.
Como funciona?
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Todo bloco criado pelo blockchain carrega uma informação do bloco anterior, formando uma
cadeia de blocos. Cada transação é mantida nesse bloco e não pode ser apagada ou alterada: é
um rastro, um histórico de todas as suas transições que são visíveis a todos os usuários – por
isso é considerado um sistema transparente. Para manter essas estruturas, temos os
mineradores que validam as transações dos usuários por meio de problemas matemáticos
complexos. E como pagamento, eles ganham bitcoin.
A segurança do blockchain
Já percebemos que o blockchain não funciona da maneira tradicional como os outros bancos, e
hackear esse sistema não é algo tão fácil, pois estamos falando de uma vasta quantidade de
computadores interligados. Para derrubar ou entrar nesse sistema será necessário entrar em
todos os computadores conectados no sistema, um processo extremamente complicado.
Por isso o blockchain é considerado uma das tecnologias mais seguras da internet até agora,
uma vez que além da ligação ponto a ponto sua segurança também é preservada por regras de
criptografia. Tais fatos sociais derivados da tecnologia possibilitaram a criação de moedas
virtuais desvinculadas de governos e órgãos centralizadores. São as criptomoedas.
Criptomoedas, o que são?
São moedas digitais descentralizadas (não controladas por órgão ou país) criadas pela rede
blockchain que podem ser convertidas em outras moedas – por exemplo, a Ethereum (ETH), que
pode ser convertida em dólar.
Para que serve?
As criptomoedas são um meio de troca; são moedas virtuais que podem ser trocadas por
produtos de consumo e serviços, além de serem uma forma de investimento.
Quando falamos de criptomoedas é comum lembrarmos apenas do bitcoin, mas devemos
observar que o mercado de criptomoedas está se expandindo e aumentando a diversidade dos
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Ethereum (Ether).
Dogecoin (DOGE).
Litecoin (LTC).
Stablecoins.
NFT e tokenização
Vamos começar este bloco explicando o que é um token, um certificado digital que por meio do
blockchain é um registro único e exclusivo. Pode representar um comprovante de que algo é seu,
portanto, passível de ser transferido para outras pessoas, sendo um meio de circulação de
riquezas. Em outras palavras, é um registro de um produto em uma plataforma digital, conferindo
ao ativo uma autenticação virtual, e uma de suas principais características é impedir a
adulteração desse produto, deixando mais seguras e autênticas as transações financeiras.
Por exemplo, uma pessoa faz um desenho digital, e cria um certificado para esse desenho.
Assim, ela tem a prova de que o desenho é dela por meio de um token, e pode vender
digitalmente esse desenho uma única vez.
Segundo Revoredo (2019, p. 197), “Token no contexto de um Blockchain são unidades que
representam algo. Ao contrário de uma moeda, eles não servem apenas como troca e
pagamento. Eles retratam um objeto, físico ou virtual, nesta unidade digital. ”
Ao contrário das criptomoedas, os tokens são criados em blockchains já existentes, e podem ir
além de servir como uma moeda digital: o token não está necessariamente ligada ao pagamento,
ele é apenas a representação de um ativo. Alguns benefícios do token são: maior segurança,
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Token utilitário: o token que pode ser comprado e usado dentro de um sistema único, e
com uma finalidade específica.
Token de pagamento: mais usado para transações monetárias.
Token de segurança: código gerado no momento de realizar certas movimentações na
conta bancária.
NFT: uma autenticidade digital única a um arquivo.
Imóveis.
Equipamentos.
Propriedades intelectuais e obras com direitos autorais.
Fundo de investimentos.
Títulos.
Ações.
Quase tudo hoje em dia pode virar um token. O seu valor é baseado no ativo real, e pode sofrer
variações de acordo com o mercado.
Tokens não fungíveis (NFTs), sendo únicos e insubstituíveis, são representações ou certificados
digitais de qualquer coisa digital única, ou ainda colecionáveis digitais, como uma foto, um vídeo,
uma música, itens de um jogo ou mesmo cards colecionáveis.
Sua principal função é transformar algo que é único no mercado, abrindo possibilidades para que
colecionadores comecem a comprar essas obras digitais.
Caro estudante, nesta aula tratamos da evolução da internet, desde a sua origem durante a
Guerra Fria até a chamada web 3.0, que representa o estágio atual das redes distribuídas, como a
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Referências
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REBOUÇAS, R. F. Contratos Eletrônicos: formação e validade. 2. ed. rev. e ampliada. São Paulo:
Almedina, 2018.
REVOREDO, T. Blockchain: tudo o que você precisa saber. [S. l.]: The Global Strategy, 2019.
RICONNECT. Criptomoedas: o que são, como funcionam e como investir? XP Investimentos, 27
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437331571629:dsa-
19959388920&loc_interest_ms=&loc_physical_ms=9100423&matchtype=&network=g&device=c&
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SEU DINHEIRO. O que é token: como funciona, vantagens e desvantagens. Seu Dinheiro, 13 abr.
2022. Disponível em: [Link]
funciona-vantagens-e-desvantagens/. Acesso em: 18 nov. 2022.
SERRANO, Rafael. Genesis Block: Chancellor on Brink of Second Bailout for Banks. Disponível em:
[Link]
Acesso em [Link].2022.
Aula 3
Da Internet das Coisas (IoT) e Cidades Inteligentes
Introdução da aula
Disciplina
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Olá, estudante!
Ao longo desta aula vamos verificar conceitos, aplicações, potencialidades e reflexões a respeito
de internet das coisas, cidades inteligentes e o olhar do capitalismo consciente. Também
teremos a oportunidade de conhecer e debater a Rede Blockchain Brasil e os potenciais
benefícios aos controles de contratos administrativos (contratos públicos).
A internet das coisas ganha um potencial sem precedentes na história com o avanço da
tecnologia 5G e os avanços em hardwares, equipamentos conectados, sensores em roupas,
veículos, câmeras e tudo o mais que podemos pensar em conectar.
Intimamente vinculado ao avanço da internet das coisas temos o avanço das chamadas cidades
inteligentes, as quais, muito além de tecnologia, dependem de um avanço de questões
vinculadas à sustentabilidade, saúde pública, segurança e educação, além do cuidado com todo
o ecossistema dos municípios e comunidades ao seu redor – a falta de atenção a esse tópico
pode resultar em uma migração entre cidades e suas consequências.
Conforme preceitos da teoria do capitalismo consciente, devemos cuidar de todos os pontos das
relações (orientação para os stakeholders) por meio de uma liderança consciente, a qual será
capaz de gerar uma cultura consciente em busca de um propósito maior.
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Sensores.
Conectividade.
Acesso à nuvem.
Machine Learning.
Inteligência artificial.
Um exemplo de algo criado com a loT é o drone que realiza voos de modo autônomo, que pode
ser utilizado em áreas de construção civil, por exemplo.
Cidades inteligentes (smart cities)
Smart city (cidade inteligente) é um conceito que se refere a lugares onde redes e serviços se
tornam ainda mais eficientes com o uso de tecnologia, para benefício dos negócios e dos
habitantes. A cidade inteligente não se relaciona com o uso de inteligência artificial.
O termo surgiu em 1997 para o Protocolo de Kyoto, quando foram discutidas algumas soluções
para tornar as cidades mais sustentáveis, e uma das soluções foi tornar a cidade inteligente, com
uso de softwares. Então, ao tratarmos de cidades inteligentes, não falamos apenas de
tecnologia, mas também de qualidade de vida.
Não podemos falar de cidades inteligentes sem mencionar o capitalismo consciente.
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Para um município receber o título de cidade inteligente ele deve se apoiar em três pilares:
Conectividade.
Dados.
Envolvimento governamental.
A cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, pretende ser a primeira cidade histórica do Brasil a ser
reconhecida como uma cidade inteligente. Uma cidade inteiramente tecnológica no Brasil,
construída do zero, é a Smart City Laguna, em Croatá, distrito de São Gonçalo do Amarante, no
Ceará.
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E os riscos ao cidadão?
Como qualquer tecnologia disponível e/ou desenvolvida pelo ser humano, trata-se de um
instrumento para ser utilizado, em tese, na melhoria da condição de vida das pessoas.
No entanto, todo instrumento (no caso, tecnologia) pode ser utilizado para o bem, como os
exemplos apresentados, como também com objetivos duvidosos e obscuros.
O primeiro e mais imediato que podemos referenciar é o próprio monitoramento e manipulação
das ações do cidadão e das empresas. A origem da chamada sociedade do consumo se dá
justamente pela possibilidade de coleta de informações privadas e geração de demandas
personalizadas conforme os interesses de cada pessoa. Quem nunca buscou um produto na
internet e depois recebeu inúmeras mensagens de publicidade do mesmo produto por diversas
lojas e comerciantes que não conhece?
Há, ainda, a possibilidade de pessoas, governos e empresas assumirem o controle dos poderes
de gestão e de política sobre o cidadão. Situação semelhante é desenvolvida na série de ficção
científica da Netflix “Onisciente”, em que o governo de determinada cidade, por meio de uma
política pública-privada, realiza o constante e ininterrupto monitoramento de todas as pessoas e
empresas ali estabelecidas. Nenhum movimento pode ser feito sem o conhecimento de um “Big
Brother”, na expressão de George Orwell em sua clássica obra 1984.
Figura 1 | Divulgação da série “Onisciente” - Fonte: Netflix Brasil (2020, [s. p.]).
Aliás, a própria trama desenvolvida na série busca antever essa sociedade para a qual estamos
caminhando a passos largos.
Devemos ficar atentos e em constante busca da manutenção da democracia, das liberdades
civis e individuais, do respeito à privacidade e ao direito de personalidade, e não menos
importante, atentos aos potenciais abusos e ações praticadas de forma antiética por meio de
novas tecnologias.
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O combate à fraude, a hiperconexão do governo e a otimização dos serviços são apenas alguns
exemplos de melhorias que a Rede Blockchain Brasil pode proporcionar.
Como uma transformação digital, a utilização do blockchain faz parte da estratégia de
transformação da Corte de Contas, conforme conta a titular da Secretaria de Soluções de
Tecnologia da Informação (STI), Fabiana Ruas. O acordo deve estimular instituições públicas ou
de interesse público: “Esse acordo de cooperação técnica casa perfeitamente com a missão do
TCU de aprimorar a administração pública em benefício da sociedade, por meio do controle
externo”, destacou a secretária.
Roberto Reis, presidente da Prodemge, empresa de tecnologia da informação do governo de
Minas Gerais que auxiliou no desenvolvimento do projeto, afirmou o que segue:
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Referências
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hhitHNKW4GI5HrSxMQpPxtzzxTLW4F9pxebVN6_XKJv5t4AAJRTXFLq0BoC2gAQAvD_BwE.
Acesso em: 18 nov. 2022.
Aula 4
A Inteligência Artificial e Metaverso
Introdução da aula
Olá, estudante!
Ao longo desta aula vamos verificar conceitos, aplicações, potencialidades e reflexões acerca
dos avanços de pesquisas e aplicações da inteligência artificial, partindo de um conceito geral, e
a reflexão a respeito das potenciais aplicações no direito, as quais são capazes de trazer
relevantes facilidades e novas potencialidades ao profissional do da referida área.
Na sequência nos debruçaremos no metaverso, para demonstrar que não é algo tão novo assim,
porém, diante dos atuais avanços tecnológicos, voltou a ter grande relevância, com potencial
aplicação nos negócios e relações sociais em um futuro muito próximo.
Encerraremos a aula tratando da tendência de fusão entre os mundos digital e físico. Para
determinadas atividades e negócios jurídicos, é possível afirmar que não teremos mais uma
fronteira clara e/ou uma divisão entre os negócios jurídicos firmados no mundo digital e/ou no
mundo físico, criando o conceito de um Universo “FiGital”, termo este originado da fusão das
palavras “físico” e “digital”.
Disciplina
Direito Cibernético
Um robô não pode, intencionalmente ou por omissão, permitir ou ferir um ser humano.
Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por humanos, desde que tais
ordens não entrem em conflito com a Primeira Lei.
Um robô deve zelar e proteger por sua própria existência, desde que não entre em conflito
com a Primeira e/ou Segunda Leis.
Disciplina
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“Cada aspecto de aprendizado ou outra forma de inteligência pode ser descrita de forma tão
precisa que uma máquina pode ser criada para simular isso” é a máxima do setor, definida em
1956.
São duas as grandes áreas pertencentes à IA:
Machine Learning (aprendizado da máquina): por meio dela é que a máquina aprende com
os dados anteriores e ações anteriores, procurando por padrões nos dados para tomar as
decisões.
Deep Learning (aprendizado profundo): é a tecnologia usada nos carros sem motorista, por
exemplo, e está ligada à função do cérebro com os nódulos de Ravier nos neurônios.
Reinforcement Learning (aprendizado por reforço): mais utilizado para tarefas com
objetivos, como carros autônomos ou robôs jogando futebol.
Metaverso
Disciplina
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O que é o metaverso?
O metaverso ainda é um conceito em desenvolvimento e com potencial de rápida evolução. É
possível definirmos o metaverso como uma plataforma virtual que busca integrar o mundo real
no mundo digital, por meio de tecnologias como a realidade virtual, tendo experiências mais
reais. O objetivo é conectar várias plataformas em um espaço 3D que conecta os usuários e os
aspectos da vida cotidiana. Cada pessoa será representada por um avatar, desenvolvido e criado
pela própria pessoa “real”. O avatar é uma representação de uma pessoa para o mundo virtual.
Entre as potenciais utilizações e aplicações do metaverso, podemos citar a própria educação no
metaverso. A plataforma permite simulações de laboratórios, fazendo com que o aluno tenha
uma experiência mais real e interativa.
Para o comércio, o objetivo é que haja lojas com uma melhoria na experiência do cliente, que
pode experimentar roupas ou acessórios de forma virtual. Então, o metaverso é um ambiente (ou
plataforma) em que pessoas podem interagir virtualmente de qualquer lugar do mundo com
outras pessoas.
De acordo com Edward Castronova, existem três regras/características básicas indispensáveis
no metaverso:
Interatividade.
Incorporeidade.
Persistência.
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Universo FiGital
Direito Cibernético
A tecnologia não é uma coisa ruim. Se você souber o que deseja na vida, ela pode
ajudá-lo a conseguir. Mas se você não sabe, será muito fácil para a tecnologia moldar
por você seus objetivos e assumir o controle da sua vida.
Tal pensamento e lição de vida já era apresentado na clássica obra de Lewis Caroll, Alice no País
das Maravilhas. Entre as inúmeras lições de vida e da razão de viver que podemos extrair da
obra, uma delas tem total referência com o que estamos tratando. É a passagem em que Alice
está perdida no País das Maravilhas e para em uma bifurcação da estrada. Em reprodução livre,
Alice, perdida e sem rumo, pergunta-se em voz alta sobre qual caminho deveria tomar. Neste
momento aparece o Sr. Gato, que de forma enigmática responde à pergunta da Alice com uma
nova pergunta: “Minha querida Alice, para onde você está indo? ”. Alice responde: “Eu não sei
para onde estou indo, estou apenas indo e quero sair daqui.”. O Sr. Gato responde dizendo: “Se
você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve, pois você está perdida e sem destino, sem
um objetivo. Você não está consciente de suas escolhas. ”
É justamente isso que Harari busca nos mostrar. Temos que ter consciência do uso da
tecnologia como ferramenta. Temos que saber nossos objetivos e a razão de ser. Temos que ter
consciência do mundo físico e do mundo digital. Principalmente, temos que ter consciência de
um Universo FiGital, sem nos alienarmos. Do contrário, seremos dominados pela tecnologia.
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Direito Cibernético
Caro estudante, ao longo desta aula tratamos dos conceitos de desenvolvimento e aplicações
práticas de tecnologias como inteligência artificial e metaverso, e a fusão dos mundos físico e
digital por meio do chamado Universo FiGital. Nesta videoaula, você verá os conceitos e
aplicações da inteligência artificial e a sua potencialidade de aplicação no direito, além das
situações já praticadas em diversos tribunais pelo país.
Quanto ao metaverso, buscaremos trazer um conceito mais próximo do estágio atual de
desenvolvimento, bem como o impacto às relações jurídicas que já estão sendo praticadas no
citado ambiente. Finalmente, traremos uma série de reflexões e uma conscientização acerca da
fusão dos mundos físico e digital, para a criação do conceito de Universo FiGital.
Esperamos que essa jornada seja de muito aprendizado!
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A “Lei dos Robóticos” é baseada nas três Leis da Robóticas de Isaac Asimov, que vimos ao longo
da aula. Relembrando, tais leis servem de base para as pesquisas da IA (Inteligência Artificial)
desde a década de 1950. São elas:
Um robô não pode, intencionalmente ou por omissão, permitir ou ferir um ser humano.
Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por humanos, desde que tais
ordens não entrem em conflito com a Primeira Lei.
Um robô deve zelar e proteger por sua própria existência, desde que não entre em conflito
com a Primeira e/ou Segunda Leis.
Se aplicarmos essa lógica ao uso de inteligência artificial no direito e pelo Poder Judiciário, será
que os robôs, munidos de inteligência artificial, terão capacidade de violar a própria Lei de Isaac
Asimov? Até que ponto o uso de inteligência artificial no direito pode expor o ser humano a
riscos? Até que ponto pode expor o ser humano a novas barbáries, como aquelas vivenciadas ao
longo da Segunda Guerra Mundial? Poderemos deixar a tomada de decisão ser realizada por
uma máquina? Esses são alguns dos potenciais pontos de reflexão para você.
Bons estudos!
Referências
Disciplina
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BINANCE ACADEMY. O que é Metaverso? Binance Academy, 21 set. 2021. Disponível em:
[Link]
utm_campaign=googleadsxacademy&utm_source=googleadwords_int&utm_medium=cpc&ref=H
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DkuxXQP5Fnu6dSB3mH8RBRo34BoCwegQAvD_BwE. Acesso em: 18 nov. 2022.
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FISCAL. O que realmente é Inteligência Artificial? Dr. Fiscal, 8 jul. 2020. Disponível em:
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Acesso em: 18 nov. 2022.
GAUCHAZH. [Link]
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HARARI, Y. N. 21 lições para o século 21. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2018.
IBERDROLA. Metaverso: o lugar onde a realidade física e a virtual se associam. Iberdrola S.A., [s.
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MODI, A. Uma rápida introdução à Inteligência Artificial (IS) e seus componentes. Cynoteck, 17
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Acesso em: 18 nov. 2022.
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Disciplina
Direito Cibernético
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Portal Tecnoblog. Disponivel em: [Link]
us-50-milhoes-em-metaverso-e-detalha-proximos-esforcos/. Acesso em [Link].2022.
Aula 5
Resumo da unidade
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Nesta unidade você estudou temas inovadores e que demonstram a importância do constante
estudo e análise de outras áreas além do direito. Tratamos de temas correlatos à compliance e
governança corporativa, blockchain, criptomoedas e NFT, internet das coisas e cidades
inteligentes, além da inteligência artificial e metaverso, tudo isso com o olhar do direito
cibernético, também conhecido como direito digital.
Estudo de caso
Caro estudante, tendo estudado o conteúdo da Unidade 1, convidamos você a analisar a seguinte
situação-problema que já vem sendo concretizada na atualidade.
Uma pessoa contrata você para avaliar a possibilidade e validade de um novo empreendimento
que ele está estudando. Trata-se do desenvolvimento de uma empresa em uma cidade
inteligente no metaverso.
A empresa do seu cliente terá por objetivo vender roupas e novos estilos gráficos e visuais para
os avatares dos respectivos clientes. Cada avatar é representado no metaverso como seu
Disciplina
Direito Cibernético
responsável, um cliente existe no mundo real, mas não se sabe onde ele está localizado. Ou seja,
é possível que haja clientes situados no Brasil e no exterior.
Considerando a realidade do metaverso, o seu cliente pretende aceitar moedas eletrônicas e
também a representação monetária por meio de NFTs.
O seu cliente nunca realizou negócios no metaverso, tampouco com moedas eletrônicas. Ele
também não sabe direito o que é uma tecnologia blockchain ou um NFT.
Verificando que não conhece direito o negócio que pretende empreender, apenas sabendo que
pode ser muito lucrativo, seu cliente consulta você acerca da validade e segurança do
empreendimento que busca desenvolver, solicitando que você diga se o negócio é válido, bem
como quais as condições que ele deve observar para maior segurança jurídica.
Você deve considerar as hipóteses de pagamento por meio de NFT ou criptoativos, além da
forma mais segura, sob a ótica jurídica, de certificar-se que o contrato a ser elaborado é imutável
e confiável, já que o seu cliente estará tratando com avatares sem ter conhecimento preciso de
quem é a pessoa.
Você deve igualmente observar que estamos falando de uma cidade inteligente no metaverso,
portanto, o uso de inteligência artificial na prática do negócio do seu cliente terá algum
benefício? Ou o uso de inteligência artificial não é aplicável e devemos considerar a tecnologia
da internet das coisas?
_______
Reflita
Para a solução do caso apresentado, você deve:
Refletir a respeito do negócio jurídico que o seu cliente pretende criar no metaverso e saber
explicar o que é uma rede distribuída e a tecnologia blockchain
Saber justificar o motivo pelo qual seu cliente deverá preferencialmente utilizar uma
tecnologia blockchain ou semelhante (redes distribuídas).
Conhecer e saber explicar minimamente o que é o metaverso.
Analisar a validade dos negócios jurídicos firmados no metaverso.
Identificar as hipóteses e cuidados quanto à validade e segurança jurídica para o aceite de
uma criptomoeda ou NFT.
Identificar a viabilidade ou não do uso de internet das coisas ou de inteligência artificial na
estrutura do metaverso e de uma cidade inteligente no ambiente digital.
Identificar boas práticas de governança corporativa e compliance digital para o seu cliente.
Direito Cibernético
Antes de analisar a resolução do caso, faça uma lista das principais dificuldades que você
encontrou na resolução situação-problema – pode ser vocabulário, conceitos jurídicos prévios
que você ainda não fixou, além de conceitos e aplicação do que vimos juntos durante na
unidade.
Faça um mapa mental com os pontos de dúvida e levante o que você precisa pesquisar para
chegar às respostas adequadas. Você também deve elaborar um mapa mental com os conceitos
e aplicações de conceitos que você já domina e conhece.
Assim, você vai fixar o conteúdo que já foi absorvido e identificar o que você deve estudar e
revisar, além de outros conhecimentos prévios necessários.
Tendo estruturado as dúvidas e o conhecimento prévio, vamos lá!
Os negócios jurídicos, como regra geral, podem ser firmados em qualquer forma ou meio. Ou
seja, podem ser verbais, escritos físicos, escritos eletrônicos etc.
O negócio que o seu cliente busca desenvolver se resume à prestação de serviços, já que roupas
e novos estilos gráficos e visuais dos avatares, tudo executado no metaverso, nada mais é do
que um programa de computador, um software que fará as definições gráficas do avatar e do que
ele está utilizando.
Contrato de prestação de serviços é um contrato conhecido, típico e nominado conforme
previsão do Código Civil.
Já o metaverso, como vimos, é uma plataforma virtual que busca integrar o mundo real no
mundo digital, por meio de tecnologia como a realidade virtual, oferecendo experiências mais
reais. O objetivo é conectar várias plataformas em um espaço 3D que conecta os usuários e os
aspectos da vida cotidiana. Cada pessoa é representada por um avatar, desenvolvido e criado
pela própria pessoa “real”. O avatar é uma representação de uma pessoa para o mundo virtual.
Ou seja, é plenamente possível realizar negócios jurídicos válidos no metaverso com
repercussão no mundo real. Sendo o contrato de prestação de serviços de forma livre,
igualmente poderá ser firmado.
Já a utilização de uma blockchain para a relação jurídica proposta tem por objetivo trazer
segurança jurídica quanto à certeza das pessoas envolvidas, da existência da representação
monetária de uma criptomoeda ou NFT, bem como de execução do contrato em caso de
inadimplência, uma vez que tudo estará registrado de forma imutável e com segurança na
blockchain ou outra rede distribuída. Vale lembrar que NFT é a representação monetária e
infungível de um bem real ou virtual, material ou imaterial.
Por fim, tratemos da utilização ou não de inteligência artificial e internet das coisas. Devemos
retomar os conceitos das duas tecnologias. Como internet das coisas busca conectar coisas do
mundo real ao mundo físico, esta tecnologia será necessária apenas quanto à utilização de
sistemas e hardwares que servirão para a conexão entre o mundo real e o mundo virtual. Já a
inteligência artificial depende de dados e informações. Como todo o empreendimento que será
realizado pelo seu cliente já é no ambiente virtual, no qual dados são em abundância, e
considerando que será uma cidade inteligente, é de se presumir que haverá uma robusta base de
dados para o uso de inteligência artificial em benefício do melhor atendimento ao seu cliente.
Resumo visual
Disciplina
Direito Cibernético
Disciplina
Direito Cibernético
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
MACHADO, L. Lideranças globais alertam: Riscos cibernéticos agora são riscos de negócios.
Security Report, 18 jan. 2022. Disponível em:
[Link]
agora-sao-riscos-de-negocios/#.Y1Xx7nbMLGI. Acesso em: 18 nov. 2022.
REVOREDO, T. Era uma vez… a origem das criptomoedas. Medium, 6 out. 2018. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 18 nov. 2022.
RELATÓRIO DE CIBERSEGURANÇA 2020. Cibersegurança – riscos, avanços e o caminho a seguir
na América Latina e Caribe. IDB – Inter-American Development Bank, 2020. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 24 nov.
2022.
,
Unidade 2
Marco Civil da Internet, Privacidade e Proteção de Dados Empresarial e Lei Geral De Proteção
de Dados – LGPD
Aula 1
Marco Civil da Internet
Disciplina
Direito Cibernético
Introdução da aula
Caro estudante,
Vamos iniciar a Unidade 2, na qual trataremos das temáticas vinculadas ao Marco Civil da
Internet, a bens digitais e à dinâmica da privacidade e proteção de dados pessoais.
Embora o uso da internet no Brasil tenha começado para fins comerciais entre os anos de 1995 e
1996, somente em 2014 tivemos a publicação do Marco Civil da Internet.
Existem críticas respeitáveis quanto à demora na edição e vigência de um Marco Civil para
regular o uso e aplicação da internet no Brasil, mas entendemos que tal “demora” foi importante
para consolidar as dúvidas e os principais temas de necessária proteção social.
Entre as questões relevantes, destacam-se a neutralidade da rede, a definição de provedores de
acesso e de conteúdo e suas responsabilidades, entre diversas outras situações.
Direito Cibernético
O Marco Civil é importante não apenas por seu processo original de construção
aberta e colaborativa, mas também por lidar com questões cruciais para as próximas
muitas décadas do país. Vale notar que, apesar do esforço do seu relator, o projeto de
lei ficou praticamente “engavetado” na Câmara dos Deputados até o advento do caso
Snowden.
Foi então que o governo, assolado por duras revelações de espionagem, percebeu
que o instrumento legislativo mais sofisticado disponível como resposta às várias
práticas da National Security Agency (NSA) era o Marco Civil. Vários fatores
mostravam como o projeto de lei era perfeito para uma resposta política e técnica
com relação ao escândalo. O primeiro deles era o respeito internacional angariado
pelo Marco Civil no plano internacional. (LEITE; LEMOS, 2014, p. 7)
1. Fiscalização.
2. Privacidade.
3. Neutralidade.
Disciplina
Direito Cibernético
Esses princípios devem ser seguidos pelos provedores de conexão, e devem estar evidentes na
política de privacidade, em termos de uso. O texto dos termos de uso deve conter
consentimento, licitação do propósito, compartilhamento de dados com terceiros e cookies.
LGPD e Marco Civil são a mesma coisa?
O Marco Civil regula a forma como os direitos são protegidos no ambiente digital e seu principal
objetivo é garantir o uso de internet segura para todo Brasil. A Lei Geral de Proteção de dados
(LGPD) complementa o Marco Civil, garantido a privacidade e a liberdade de expressão,
informando ao titular de dados pessoais (pessoa natural) por quais motivos seus dados serão
coletados, como seus dados serão tratados e, eventualmente, se os dados serão
compartilhados.
Herança digital
Um acervo de direito e bens publicados e guardados em servidores ou nuvens, que é acessado
de forma virtual. Esse tipo de patrimônio não tem valor financeiro, mas simbólico; entretanto,
pode haver contas com serviços monetários como:
Assinaturas.
Propriedade intelectual e reputacional.
Moedas digitais (as famosas criptomoedas).
Contas com potencial valor financeiro, entre outras.
Ainda não há uma legislação própria, então são aplicadas as normas previstas no Código Civil,
no próprio Marco Civil da Internet, nas regras que tratam de propriedade intelectual e na Lei dos
Direitos Autorais (Lei nº 9.610/1998).
Qual a melhor forma de agir em caso de herança digital?
Disciplina
Direito Cibernético
Elaborando um testamento.
Fazendo um planejamento sucessório.
Por fim, vale relembrar que se não houver testamento a sucessão dos herdeiros será:
Direito Cibernético
acesso.
Há três formas de discriminar um conteúdo:
Bloqueando.
Reduzindo sua velocidade .
Cobrando um preço diferente pelo acesso àquele conteúdo.
A neutralidade da rede foi o tema mais discutido durante a revisão da implementação do Marco
Civil da Internet (MCI): dos 339 tópicos, 98 tratavam deste tema (Instituto Igarapé, [s.d.])
Sem a neutralidade, os provedores poderiam criar conexões rápidas ou lentas para alguns tipos
de serviços (Netflix, Spotify e Facebook, por exemplo). Haveria uma certa limitação e/ou
interferência aos direitos humanos, afetaria diretamente o trabalho de youtubers, influenciadores
digitais ou blogueiros, além de poder afetar o curso de uma eleição ou a economia do país.
Os que defendem o fim da neutralidade alegam que seria mais benéfica aos usuários a redução
de valores, já que poderiam escolher o pacote individualmente. Entretanto, o serviço de internet
tornou-se elemento de efetivação da cidadania, que não pode ser interrompido ou manipulado.
O artigo 3º da Lei nº 12.965/2014 (BRASIL, 2014, [s. p.]) prevê a neutralidade como princípio no
Marco Civil da Internet:
“Art. 3º A disciplina do uso da internet no Brasil tem os seguintes princípios: IV – Preservação e
garantia da neutralidade de rede”
Atinge também os incisos anteriores, como a garantia da liberdade de expressão e comunicação
e manifestação (inciso I) e proteção aos dados (incisos II e III).
A Constituição Federal (BRASIL, 1988, [s. p.]) enfatiza que o Estado deve conceder o acesso à
internet como elemento de cidadania, relacionado à inclusão digital – logo, o direito de acesso à
internet é para todos:
O artigo 24 do MCI traz uma série de deveres gerenciais e de desenvolvimento, seguindo a linha
constitucional supracitada:
Art. 24. Constituem diretrizes para a atuação da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios no desenvolvimento da internet no Brasil:
VII - otimização da infraestrutura das redes e estímulo à implantação de centros de
armazenamento, gerenciamento e disseminação de dados no País, promovendo a
qualidade técnica, a inovação e a difusão das aplicações de internet, sem prejuízo à
abertura, à neutralidade e à natureza participativa […] (BRASIL, 2014, [s. p.])
Bens Digitais: redes sociais, e-mails, milhas aéreas, moedas virtuais, músicas
e livros digitais
Disciplina
Direito Cibernético
Na análise do código Civil há a classificação dos bens jurídicos: imóveis, móveis, fungíveis,
consumíveis, divisíveis, singulares e coletivos. Entretanto, a análise que envolve os bens jurídicos
e que os classifica como incorpóreos e corpóreos não está prevista na lei, e tem relação com o
termo tangibilidade – o qual consiste em caráter tangível (que se consegue tocar) ou intangível."?
Bruno Zampier (2021, p. 54) ressalta em seu livro que para uma informação ser considerada bem
jurídico: “a) pode ser objeto de uma relação jurídica; b) os bens podem ter caráter patrimonial ou
não; c) é possível se conceber bens com fruição múltipla; d) há possibilidade de sua tutela
jurídica. ”
Bens digitais
O seu surgimento é concomitante ao surgimento do ambiente virtual, ocorrido em 1970. É
notório que com o passar dos anos houve um aumento de bens digitais, e consequentemente o
patrimônio passível de herança tornou-se mais amplo.
Além disso, com base em doutrinas, expõe-se a definição de bens digitais. Veja:
“[…] Estes seriam aqueles bens incorpóreos, os quais são progressivamente inseridos na Internet
por um usuário, consistindo em informações de caráter pessoal que trazem alguma utilidade
àquele, tenha ou não conteúdo econômico.” (ZAMPIER, 2021, p. 63-64)
Disciplina
Direito Cibernético
“[…] bens digitais são bens imateriais representados por instruções codificadas e
organizadas virtualmente com a utilização da linguagem informática, armazenados
em forma digital, seja no dispositivo do próprio usuário ou em servidores externos
como no caso de armazenamento em nuvem, por exemplo, cuja interpretação e
reprodução se opera por meio de dispositivos informáticos (computadores, tablets,
smartphones dentre outros), que poderão estar ou não armazenado no dispositivo de
seu próprio titular, ou transmitidos entre usuários de um dispositivo para outro,
acesso via download de servidores ou digitalmente na rede, e podem se apresentar
ao usuário.” (FACHIN; PINHEIRO, 2018 apud TEIXEIRA; KONDER, 2021, p. 28)
Vale ressaltar que os bens digitais se dividem em três categorias – patrimoniais, existenciais e
patrimoniais-existenciais – conforme citação a seguir:
Caro estudante, ao longo desta aula tratamos do Marco Civil da Internet, sua evolução legislativa
e benefícios em proteção à sociedade civil – uma vez que o Marco Civil prevê os princípios e
fundamentos da internet no Brasil. Trata-se de uma legislação moderna e alinhada com as
principais práticas internacionais.
Também analisamos o conceito de bens digitais e as consequências para o “mundo físico”,
especialmente quanto à sucessão de um patrimônio digital e à proteção aos direitos da
personalidade e da propriedade intelectual.
Entre inúmeras outras personalidades públicas já falecidas, imagine o que seria da Fundação
Ayrton Senna sem a proteção do patrimônio digital vinculado ao ex-piloto e campeão mundial da
Disciplina
Direito Cibernético
Saiba mais
Este é o momento em que você pode aprofundar seu conhecimento com um importante artigo
do Prof. Marcos Alberto Sant-Anna Bitelli, publicado logo no início de vigência da Lei do Marco
Civil da Internet (MCI). São importantes reflexões e uma análise ampla do MCI que deve ser
estudada por todo profissional de direito que busca conhecer mais da regulação da internet no
Brasil.
BITELLI, M. A. S. A Lei 12.965/2014 – O Marco Civil da Internet. Revista de Direito das
Comunicações, v. 7, p. 291-333, jan.-jun. 2014. DTR\2014\8228.
Artigo disponível na base eletrônica da Revista dos Tribunais Online.
Além das reflexões indicadas nesse texto, vale a reflexão acerca da questão envolvendo a
herança digital por sucessão pós-morte, a qual não encontra uma regulação específica no Brasil.
Mas a dúvida que fica é se realmente há necessidade de uma legislação específica: o direito à
personalidade e a universalidade do patrimônio do falecido não deveriam ser suficientes para
incluir a chamada herança digital? Será que a principal dificuldade encontrada não é justamente
a resistência de parte do Poder Judiciário e até mesmo dos profissionais do direito em
reconhecer a realidade FiGital – ou seja, a fusão dos mundos físico e digital? Essas e outras
questões são analisadas em artigos científicos relevantes pelas revistas técnicas de direito.
Recomendamos a leitura do artigo “Direito Sucessório e a Herança Digital: uma análise em
perspectiva e os desafios do ordenamento jurídico brasileiro”, disponível na base eletrônica da
Disciplina
Direito Cibernético
Editora Revista dos Tribunais (RTonline), de autoria de Augusto Passamani Bufulin e Daniel Souto
Cheida. Revista de Direito Privado, V. 105/2020, p. 225-235.
Bons estudos!
Referências
Direito Cibernético
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EKBhyC1saAmWHEALw_wcB. Acesso em: 21 nov. 2022.
LEITE, G. S.; LEMOS, R. Marco Civil da Internet. Rio de Janeiro: Grupo GEN, 2014. E-book. ISBN
9788522493401. Disponível em: Minha Biblioteca. Acesso em:28 nov. 2022.
ROSA, C. P. da; BURILLE, C. A regulação da herança digital: uma breve análise das experiências
espanhola e alemã. In: TEIXEIRA, A. C. B.; LEAL, L. T. (coord.). Herança digital: controvérsias e
alternativas. Indaiatuba: Foco, 2021.
SARAIVA, A. Marco Civil da Internet. Dicas de TI, 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 nov.
2022.
TEIXEIRA, A. C. B.; KONDER, C. N. O enquadramento dos bens digitais sob o perfil funcional das
situações jurídicas. In: TEIXEIRA, A. C. B.; LEAL, L. T. (coord.). Herança digital: controvérsias e
alternativas. Indaiatuba: Foco, 2021.
ZAMPIER, B. Bens digitais: cybercultura, redes sociais, e-mails, músicas, livros, milhas aéreas,
moedas virtuais. 2. ed. Indaiatuba, SP: Foco, 2021.
Aula 2
Privacidade e proteção de dados empresarial
Introdução da aula
Caro estudante,
Disciplina
Direito Cibernético
Direito Cibernético
É a estratégia adotada dentro das empresas para evitar a perda ou roubo de informações. O
termo é usado para se referir à defesa de dados, e sua prática assegura que as informações
sigilosas sejam acessadas apenas por aqueles às quais elas pertencem ou pelos seus
responsáveis de direito.
Para as empresas a segurança de informação – que é controlada pelo departamento de
Tecnologia da informação (TI) de uma empresa – é uma grande aliada e assegura que as
informações de uma empresa não sejam distribuídas de forma indevida.
De acordo com a Pesquisa Global de Segurança da Informação realizada em 2018 pela PwC, 46%
dos incidentes de segurança no Brasil atingem as informações dos clientes das empresas.
Outros 34%, dos seus funcionários. (PWC, 2018)
De maneira geral a segurança da informação protege e analisa:
Uso.
Acesso não autorizado.
Uso indevido.
Divulgação.
Modificação.
Gravação.
Destruição.
Interrupção de informações.
Câmeras de segurança.
Portas.
Fechaduras.
Muros.
Disciplina
Direito Cibernético
A segurança da informação não é apenas mais uma questão de estratégia dentro das empresas,
mas uma peça fundamental no funcionamento do negócio. A conhecida expressão “Scientia
potentia est” – “conhecimento é poder” – nunca esteve tão correta: com a quantidade de
informações produzidas diariamente o conhecimento se torna realmente um poder, por isso a
segurança da informação é tão importante hoje em dia para uma empresa.
Direito Cibernético
Para uma boa política de segurança da informação, seja em relação a ataques cibernéticos
vindos de dentro ou de fora da empresa/instituição, é fundamental que as empresas estejam
focadas em boas práticas de gestão eletrônica de documentos (GED).
Gestão Eletrônica dos Documentos (GED)
A inovação tecnológica tem ajudado na otimização do desempenho; o CRM (software para a
gestão do relacionamento com o cliente) ajuda a função de vendas e marketing, o LMS (software
de gestão da aprendizagem em instituições de ensino) ajuda o aprendizado e o desenvolvimento
vertical, e um software de recursos humanos baseado em nuvem ajuda o departamento de
recursos humanos. Um sistema de gerenciamento de documentos é o que ajuda os hospitais,
por exemplo, a simplificar suas operações, e um sistema de gerenciamento de dados (DMS) é
usado para rastrear e armazenar documentos reduzindo o uso de papel, capaz de guardar
registros que podem ser criados e modificados por diferentes usuários.
A Figura 1 apresenta aspectos inerentes às características provenientes do gerenciamento
eletrônico, mostrando um modelo baseado na gestão de documentos de arquivo.
Até 2012 havia, no Poder Judiciário, processos físicos em grande parte dos Estados do Brasil.
Por questões orçamentárias, alguns Estados ainda estão fazendo a transição de arquivos físicos
para eletrônicos em 2022. Mas, de acordo com regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
todo o Poder Judiciário já deveria ter migrado para o formato eletrônico desde 2012.
Um processo físico no fórum pode passar por algum controle de circulação, mas há várias
ocorrências de autos de processo que sumiram ou que tiveram documentos extraviados e/ou
Disciplina
Direito Cibernético
subtraídos – e há, ainda, as situações de acidentes como enchentes, incêndios etc. O próprio
Código de Processo Civil sempre manteve a previsão do procedimento de restauração de autos.
Um processo físico gerava um grande esforço dos advogados e das partes. Constantes idas e
vindas aos fóruns, muitas vezes infrutíferas, e grande dispêndio de tempo e dinheiro.
Compare com a atual situação dos processos eletrônicos, os quais estão disponíveis 24 horas
por dia, sete dias por semana para qualquer interessado nos processos públicos ou para
qualquer dos interessados cadastrados nos processos sob segredo de justiça. Até mesmo a
gestão de acesso aos processos em segredo de justiça tornou-se mais eficiente.
A probabilidade de extravio e/ou perda de um processo eletrônico é remota, embora saibamos
das situações de ataques cibernéticos em diversos tribunais pelo país, incluindo os tribunais
superiores. Mas uma boa gestão de segurança da informação e uma adequada estrutura de
backups torna todo o sistema inúmeras vezes mais seguro e eficiente.
Boas práticas no uso de recursos de TI partem do princípio do bom senso. A falta de prudência
acaba afetando outros usuários; portanto, deve-se ter consciência das limitações e
dependências dos recursos.
É fundamental que o tema segurança da informação e boas práticas esteja constantemente sob
escrutínio dos executivos responsáveis pela gestão de empresa, independentemente do porte
empresarial. O assunto é de importância crucial para a empresa, pois além das questões
vinculadas à própria segurança da informação, também há a preocupação com as questões
reputacionais em tempos de comunicação massificada, como ocorre com as redes sociais e a
própria internet.
Disciplina
Direito Cibernético
Caro estudante, ao longo desta aula tratamos de privacidade de dados, segurança da informação
e boas práticas com ênfase nas relações jurídico-empresariais.
Como sabemos, o patrimônio de uma empresa é formado por diversos bens (materiais e
imateriais), direitos e deveres/obrigações.
Entre os bens que compõem o patrimônio de uma empresa está sua reputação perante o
mercado (direito da personalidade), além de seus dados e informações, os quais podem compor
todo o histórico das relações mantidas com clientes, dados e informações de segredos
Disciplina
Direito Cibernético
comerciais e/ou industriais e muito mais. E é deste tipo de informação e dado que tratamos na
presente aula.
Na próxima aula trataremos especificamente dos dados pessoais das pessoas naturais, os quais
são protegidos pela LGPD e pelo resto do sistema legal.
Saiba mais
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
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Disciplina
Direito Cibernético
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Aula 3
Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD
Introdução da aula
Caro estudante,
Disciplina
Direito Cibernético
Direito Cibernético
sendo necessário editar uma norma mais firme no combate ao uso indiscriminado e abusivo de
dados pessoais do cidadão.
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei n° 13.709, de 14 de agosto de 2018) foi inspirada na
GDPR, o regulamento geral de proteção de dados pessoais da União Europeia, e promulgada para
proteger os direitos fundamentais de liberdade e de privacidade e a livre formação da
personalidade de cada indivíduo.
O titular de dados pessoais será a pessoa natural identificada ou identificável.
Já a aplicação material e procedimental da norma incidirá sobre a coleta e/ou tratamento de
dados pessoais que tenham sido coletados no Brasil, ou para um indivíduo localizado no Brasil;
ou, ainda, sobre a coleta e tratamento destinada a oferta de produtos ou serviços no Brasil.
O tratamento de dados pode ser realizado por dois tipos de agentes de tratamento de dados
pessoais: o controlador e o operador.
O controlador é a pessoa natural ou jurídica responsável pelas decisões referentes ao tratamento
dos dados pessoais.
O operador é a pessoa natural ou jurídica que realiza o tratamento dos dados em nome do
controlador, de acordo com o art. 5º, VII, da referida lei:
Antes de iniciar qualquer tratamento de dados, o agente deve informar a finalidade da operação
de forma clara e explícita, além de indicar a respectiva base legal que permitirá o tratamento dos
dados, conforme disposto no artigo 7º da LGPD:
Art. 7º O tratamento de dados pessoais somente poderá ser realizado nas seguintes
hipóteses:
I - mediante o fornecimento de consentimento pelo titular;
II - para o cumprimento de obrigação legal ou regulatória pelo controlador;
III - pela administração pública, para o tratamento e uso compartilhado de dados
necessários à execução de políticas públicas previstas em leis e regulamentos ou
respaldadas em contratos, convênios ou instrumentos congêneres, observadas as
disposições do Capítulo IV desta Lei;
IV - para a realização de estudos por órgão de pesquisa, garantida, sempre que
possível, a anonimização dos dados pessoais;
V - quando necessário para a execução de contrato ou de procedimentos preliminares
relacionados a contrato do qual seja parte o titular, a pedido do titular dos dados;
VI - para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral,
esse último nos termos da Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996 (Lei de
Arbitragem) ;
Disciplina
Direito Cibernético
Além de indicar a respectiva base legal, o agente de tratamento de dados pessoais deverá seguir
rigorosamente os dez princípios dispostos no artigo 6º da norma, além dos princípios da boa-fé
objetiva, função social e justiça contratual, entre outros.
Direito Cibernético
devem ser garantidos durante o ciclo de vida dos dados pessoais, ou seja, desde a coleta até a
eliminação dos dados.
No quadro a seguir é possível identificar uma correção entre os princípios da LGPD e os
principais direitos do titular de dados pessoais. Vejamos:
Quadro 1 | Direitos garantidos aos titulares de dados - Fonte: adaptado de Brasil (2020).
Além dos direitos indicados, destacamos que todo agente de dados pessoais deve disponibilizar
ao titular uma política de privacidade e tratamentos de dados, de forma clara e objetiva,
observando o público-alvo da comunicação – ou seja, a mensagem deve ser entendida pelo
destinatário. Além disso, todo controlador de dados pessoais deve indicar um canal de contato
com o encarregado de tratamento de dados, o qual será responsável por realizar a intermediação
entre o titular, os agentes de tratamento e as autoridades públicas.
Direito Cibernético
A LGPD autoriza, em seu art. 23, os órgãos e entidades da administração pública a realizar o
tratamento de dados pessoais, desde que sejam informadas ao titular. O tratamento pode ser
feito nas hipóteses elencadas na lei, enumeradas no art. 7º da LGPD e nas hipóteses previstas no
art. 11, entre outros.
O artigo 11 tem por objetivo regular o chamado tratamento de dados sensíveis, que tratam de
questões raciais ou étnicas, de convicção religiosa, de opinião política, de filiação a sindicato ou
a organização de caráter religioso, de fim filosófico ou político, de dados referentes à saúde ou à
vida sexual, e de dados genéticos ou biométricos.
É interessante observar a razão de ser dos chamados dados sensíveis. Por qual motivo foram
escolhidos tais dados – os citados no parágrafo anterior – e não outros? Além de serem dados
que podem causar discriminação social, também foram os dados pessoais utilizados ao longo
da Segunda Guerra Mundial para definir quem iria para os campos de concentração, quem seria
direcionado para pesquisa genética/biomédica, ou, ainda, quem seria direcionado para trabalhos
manuais e/ou até mesmo para a morte.
Por tais motivos, os chamados dados sensíveis devem ser tratados com extremo cuidado e
jamais serem causa de aplicação para qualquer tipo de discriminação. A sua violação causará
punições mais severas ao agente de tratamento de dados que tenha violado a regra.
Na sequência, apresentamos um quadro comparativo entre os dispositivos legais para
tratamento de dados pessoais de qualquer natureza e os dispositivos legais para o tratamento
de dados sensíveis.
Disciplina
Direito Cibernético
A LGPD deve observar os princípios fundamentais expressos no seu art. 6º, que são finalidade,
adequação, necessidade, livre acesso, qualidade dos dados, transparência, segurança,
prevenção, não discriminação, e responsabilização e prestação de contas.
Não basta se tratar de uma das hipóteses do Quadro 2, é fundamental respeitar os princípios.
Caro estudante, ao longo desta aula você conheceu mais a estrutura da LGPD, suas razões
históricas e a nova cultura de proteção aos direitos da personalidade e da privacidade dos dados
pessoais. Veremos, neste vídeo, os principais conceitos e pessoas a quem a lei é aplicável, seus
princípios e direitos e especialmente a correção com os chamados dados sensíveis.
Estamos diante de uma nova cultura, pois até então não tínhamos um regramento tão rígido para
limitar o uso abusivo de dados pessoais. Vivíamos na sociedade do “bug data” (grandes bases
Disciplina
Direito Cibernético
Saiba mais
Para você que busca um mais conhecimento acerca da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais,
é fundamental um estudo mais aprofundado de toda sua principiologia e as bases de sua
aplicação, conforme destacado ao longo de nossas aulas.
Assim, recomendamos a leitura e estudo do artigo “A lei geral de proteção de dados pessoais
(Lei 13.709/2018) e a sua principiologia”, de autoria de Guilherme Magalhães Martins, publicado
na Revista dos Tribunais – v. 1027, p. 203-243, maio/2021, DTR\2021\7888 – e disponível na
Base Eletrônica da Revista dos Tribunais Online.
Além disso, o profissional do direito especializado na área de proteção de dados pessoais
certamente é o novo profissional buscado pelo mercado. Afirmamos, sem receio de erro, que há
uma profissão nova e duradoura que veio para ficar. É uma excelente oportunidade para todos
que tiverem interesse no tema.
Recomendamos, além dos bons livros de comentários à LGPD, navegar e conhecer os
documentos e manuais elaborados pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Nos documentos elaborados e mantidos pela ANPD, é possível compreender mais
profundamente as diretrizes desse novo campo do direito.
Além disso, indicamos o filme/documentário (baseado fatos) Privacidade Hackeada, disponível
na Netflix.
Disciplina
Direito Cibernético
Além de ser um importante filme para mostrar como o uso abusivo de dados pessoais pode
afetar nos sistemas democráticos de diversos países, também é possível verificar a potencial
influência que as pessoas sofrem com o uso abusivo ou sem limites de seus dados pessoais.
Esse filme ajuda a entender como o mundo se tornou essa relação binária de “um lado” contra o
“outro lado”, mostrando como todos somos afetados por notícias em massa que tratam de só
um ponto de vista e torna as pessoas mais resistentes a ouvir outras opiniões, outras formas de
ver e viver.
Referências
BRASIL. Guia de Boas Práticas. Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Governo Federal, ago.
2020. Disponível em: [Link]
dados/guias/guia_lgpd.pdf. Acesso em: 21 nov. 2022.
BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(LGPD). Brasília/DF: Presidência da República, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 nov.
2022.
Aula 4
Responsabilidade dos agentes e boas práticas
Disciplina
Direito Cibernético
Introdução da aula
Caro estudante,
Ao longo desta aula, seguiremos no estudo da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – Lei nº
13.709/2018 –, com ênfase nos agentes de tratamentos de dados, boas práticas e
responsabilidade civil e administrativa com base no microssistema da responsabilidade civil e
administrativa na internet.
Vamos analisar as figuras dos três principais agentes de tratamentos de dados – encarregado,
controlador e operador –, bem como as respectivas responsabilidades que competem a cada
qual nos termos da lei e das instruções da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
A partir das respectivas responsabilidades, vamos olhar as boas práticas com foco na
prevenção, e por fim veremos o microssistema da responsabilidade civil e o papel do Visual Law
neste processo.
Vamos lá!
Direito Cibernético
Você sabe quais são as principais responsabilidades de cada agente de tratamento de dados?
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Qual é o sistema de punições previsto na LGPD? E qual a sua relação com boas práticas?
A LGPD é considerada uma norma de última geração quanto à dosimetria das potenciais
sanções. O que se quer dizer com uma norma de última geração?
É uma norma que prevê sua aplicação conforme cada caso em concreto, ou seja, o critério não é
único, como verificamos em uma multa por violação às regras de trânsito.
Na aplicação das sanções previstas na LGPD, a autoridade responsável deverá apurar o que
efetivamente ocorreu, quais foram as circunstâncias, qual foi o grau de prevenção e segurança
adotado e pertinente ao porte econômico-financeiro do agente, qual foi a dimensão do dado e
quais foram as medidas de boas práticas adotadas.
Nesse sentido é o texto do artigo 52 da LGPD (BRASIL, 2018, [s. p.]) em seu parágrafo primeiro:
Direito Cibernético
Na Seção II do Capítulo VII da LGPD, especificamente em seu artigo 50, há a previsão de uma
série de hipóteses e recomendações de boas práticas e governança de dados. Os principais
destinatárias do artigo são os controladores (pessoa natural ou jurídica, de direito público ou
privado, a quem competem as decisões referentes ao tratamento de dados pessoais) e os
operadores (pessoa natural ou jurídica, de direito público ou privado, que realiza o tratamento de
dados pessoais em nome do controlador), ou seja, aos agentes de tratamento.
O controlador nada mais é do que o responsável pela coleta dos dados pessoais e por
tomar todas as decisões em relação à forma e à finalidade do tratamento dos dados,
ainda que não realize diretamente o tratamento em questão. […]
O Operador, por sua vez, é quem efetivamente realiza o tratamento e processamento
dos dados, sob ordens do controlador. (FEILGELSON; SIQUEIRA, 2018, p. 21)
É sobre o controlador que a LGPD impõe o seu maior peso jurídico, pois é ele o
responsável pela tomada de decisões sobre o tratamento de dados pessoais.
De igual forma, definir quem é o controlador em cada caso concreto é fundamental
para que a LGPD seja devidamente cumprida na prática, […]
O operador, por sua vez, é quem realiza o tratamento de dados pessoais em nome do
controlador. Portanto, este não poderá tratar dados pessoais senão em virtude das
determinações do controlador ou de previsão legal. […]
Assim, definir quem é o controlador e o operador em cada caso é imprescindível, mas
pode ser tarefa complexa, pois, devido à evolução da tecnologia da informação e da
comunicação e à tendência de entidades erem e proverem serviços multidisciplinares,
por vezes, haverá situações em que uma mesma pessoa jurídica será controladora e
operadora. (VAINZOF, 2019, p. 104-406)
Nos termos do artigo 50, controladores e operadores (agentes de tratamento) deverão formular
regras e códigos de boas práticas e condutas e de governança que tenham por objetivo
organização, funcionamento, procedimentos, normas de segurança, procedimentos com
petições e pedidos de titulares e padrões técnicos, entre outras funções destinadas à
governança de dados.
Na prática, para implementar um programa de governança de dados e privacidade, o controlador
(responsável pela coleta e armazenamento de dados e definição a respeito dos tratamentos que
serão realizados), a partir dos princípios da segurança e da prevenção, deverá considerar quatro
requisitos fundamentais:
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Tais elementos visuais e de design devem considerar técnicas próprias de design por
profissionais com competência e habilidade técnica, sob pena de virar ruído na comunicação.
Quanto melhor e mais claro for o processo de comunicação, haverá maior transparência em
relação à coleta e ao tratamento de dados pessoais, bem como haverá menor probabilidade de
violação das regras da LGPD, além de melhoria na aplicação de boas práticas de prevenção e
segurança da informação.
Portanto, o processo comunicacional, por meio de técnicas do Visual Law, nos parece ser
fundamental.
Caro estudante, ao longo desta aula você conhecerá mais a respeito da estrutura da LGPD, com
ênfase nos agentes de tratamento de dados pessoais, suas respectivas responsabilidades civil e
administrativa.
Também teremos a oportunidade de analisar as boas práticas sob a lente da prevenção e
proteção de dados pessoais e seus impactos no sistema de aplicação de eventuais sanções
contra os eventuais atos de violação da norma.
Disciplina
Direito Cibernético
Saiba mais
Entre as relevantes questões e novidades trazidas ao nosso sistema legal pela Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais, estão os debates quanto à responsabilidade dos agentes de
tratamentos de dados pessoais e a implementação de boas práticas como técnica de prevenção
e segurança no ambiente de compliance digital.
Acerca desse importante tema, recomendamos que você leia e estude o artigo de autoria de
Cláudio José Franzolin e Victor Augusto Estevam Valente, “Alguns apontamentos sobre a
responsabilidade ativa mediante a prestação de contas e a prevenção de danos por meio de
conformidades: a Lei Geral de Proteção de Dados e a tutela do consumidor em construção”,
publicado na Revista de Direito do Consumidor, v. 133, p. 75-106, jan.-fev. 2021, DTR\2021\1873.
Artigo disponível na base eletrônica da Revista dos Tribunais Online.
No mais, entre as boas práticas que devem ser seguidas pelo profissional do direito que tratará
dos temas vinculados à privacidade e proteção de dados pessoais, está a eficiência no processo
de comunicação, que envolve a aplicação de técnicas vinculadas ao chamado Legal Design e ao
Visual Law.
Para o conhecimento de tais metodologias e o quanto elas podem revolucionar o processo
comunicacional no direito, recomendamos que você acompanhe os episódios do canal de
Podcast da Ana Holtz, “Direito e Design”, disponível nos principais aplicativos de podcast.
Disciplina
Direito Cibernético
Referências
BRASIL. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais
(LGPD). Brasília/DF: Presidência da República, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 nov.
2022.
DIREITO E DESIGN. Ana Holtz. [S. l.], [s. d.]. Podcast. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 21 nov. 2022.
FEIGELSON, B.; SIQUEIRA, A. H. A. Comentários à Lei Geral de Proteção de Dados. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2019.
VAINZOF, R. Art. 1º ao 6º. In: MALDONADO, V. N. OPICE BLUM, R. (coord.). LGPD Lei Geral de
Proteção de Dados comentada. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019. p. 19-178.
Aula 5
Resumo da unidade
Direito Cibernético
Caro estudante, você já teve a oportunidade de estudar e aprender muitas temáticas novas a
respeito de direito, tecnologia e inovação ao longo das aulas.
Durante estes estudos, você viu a dinâmica da regulação da internet no Brasil, o histórico do
Marco Civil da Internet e a sua importância para a segurança jurídica aos negócios jurídicos, livre
iniciativa e liberdade de expressão.
Você já ouviu falar do princípio da neutralidade de rede? Este princípio é fundamental para
garantirmos a democratização de acesso à informação, a livre circulação de dados e
informações, a democracia e a própria liberdade de expressão.
Todos os dados e informações que circulam na internet são divididos em pacotes de dados para
simplificar seu envio e recebimento, e quando um destes pacotes atrasa ou se perde, verificamos
o “travamento” de vídeos, músicas e arquivos. Imagine se uma empresa privada pudesse definir
quais pacotes terão tramitação prioritária e quais pacotes não circularão? É justamente isso que
garante a neutralidade de rede, ou seja, os provedores da internet não podem interferir na livre
circulação exceto por ordem judicial e/ou situações que ofendam os termos de uso e respectivas
políticas. Estamos falando de um ambiente privado e, como tal, existem regras para serem
observadas, tal como as regras para se associar a um clube desportivo e de recreação.
O Marco Civil da Internet (MCI, Lei nº 12.965/2014) foi a primeira norma a receber sugestões e
consulta pública por meio da própria internet, no site da Câmara dos Deputados. De lá para cá,
todas as normas de maior relevância seguiram a mesma sistemática. Além disso, o MCI também
trouxe uma definição mais clara acerca da responsabilidade civil dos provedores de internet por
conteúdos de terceiros. Trata-se da mais importante norma que regulamenta a distribuição e uso
da internet no Brasil.
Além disso, você estudou a importância da proteção de dados e privacidade, seja sob a ótica
empresarial ou a dos dados das pessoas naturais. Sob a ótica empresarial, temos uma vasta
proteção legislativa composta por normas como Constituição Federal, Código Civil, Lei de
Propriedade Industrial, Lei de Proteção à Concorrência e Código de Defesa do Consumidor, entre
Disciplina
Direito Cibernético
outras. Já em relação à proteção da pessoa natural, a norma a ser observada é a Lei Geral de
Proteção de Dados Pessoais, a chamada LGPD (Lei nº 13.709/2018).
Na Aula 8, você teve a oportunidade de conhecer e estudar a responsabilidade civil dos agentes
de tratamento de dados pessoais e as regras de boas práticas quanto à coleta e tratamento de
dados pessoais, tópico fundamental para a definição de eventuais punições com base na Lei
Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Nesta Unidade 2 você viu a dinâmica da regulação da internet no Brasil, o histórico do Marco Civil
da Internet (MCI, Lei nº 12.965/2014) e sua importância para a segurança jurídica aos negócios
jurídicos, livre iniciativa e liberdade de expressão.
Na sequência, você estudou a dinâmica da proteção de dados e privacidade, seja sob o olhar das
relações jurídicas empresariais e civis, como também em relação à proteção de dados pessoais
da pessoa natural, a qual é regulada pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, a chamada
LGPD (Lei nº 13.709/2018).
Estudo de caso
Disciplina
Direito Cibernético
O banco digital identificou que no histórico de crédito da empresa MEI de José Roberto
existem valores em aberto e inadimplidos no comércio em geral;
O banco digital identificou que José Roberto MEI teve o seu nome arrolado em uma matéria
jornalística por um provedor de internet, o qual alega que José Roberto MEI estava
envolvida em fraudes tributárias; e,
O banco digital não identificou a existência de qualquer bem físico ou digital que possa
garantir a operação de crédito que José Roberto MEI pretende realizar.
Inconformado com a situação, José Roberto pede que entre com uma medida judicial contra o
banco pelo uso de dados privados, de forma abusiva e inadequada, bem como que você notifique
Disciplina
Direito Cibernético
o provedor de internet para que retire a matéria jornalística do seu site e de qualquer histórico de
consulta, uma vez que o assunto foi resolvido no Tribunal de Contas e foi apurado que ele não
participou e/ou praticou qualquer ato de fraude tributária, dessa forma deve ser aplicada a teoria
do esquecimento.
Você deve analisar o caso e responder ao Sr. José Roberto se aceitará o trabalho para o qual ele
pretende contratá-lo, e quais os argumentos serão utilizados em defesa dele.
Ou, se você entender que José Roberto não tem razão e não aceitar a contratação, deverá
explicar a ele os motivos pelos quais você entende que ele não tem razão para os serviços
jurídicos pleiteados, indicando qual seria a solução correta.
_______
Reflita
Para a solução do caso apresentado, você deve:
Antes de analisarmos a resolução do caso, faça uma lista das principais dificuldades que você
teve – pode ser vocabulário, conceitos jurídicos prévios que você ainda não fixou, ou conceitos e
a aplicação do que vimos durante a unidade.
Faça um mapa mental com os pontos de dúvidas e levante o que você precisa pesquisar para
chegar à resposta adequada. Você também deve elaborar um mapa mental dos conceitos e
aplicações de conceitos que você já domina e conhece.
Dessa forma você estará fixando o conteúdo que já foi absorvido e identificando o que você deve
estudar e revisar na unidade, além de outros conhecimentos prévios que eram necessários.
Agora que você já estruturou as dúvidas e o conhecimento prévio, vamos lá!
Seu cliente está buscando a tutela de um suposto direito de proteção de dados pessoais com
base na LGPD, além da aplicação da teoria do direito ao esquecimento e retirada de informação
Disciplina
Direito Cibernético
de um provedor de conteúdos jornalísticos. Este último pretende que você utilize meios
extrajudiciais.
O problema deve ser estruturado em duas partes. O primeiro ponto a ser identificado se refere à
LGPD e à aplicação ou não deste regulamento ou de outra estrutura normativa. O Sr. José
Roberto deixou claro que a questão toda ocorreu em relação à empresa que ele representa, uma
microempresa individual (MEI). Portanto, por mais que seja uma empresa individual que muitas
vezes se confunde com a pessoa de seu titular, devemos considerar que estamos tratando de
dados de uma pessoa jurídica. Tal fato já é suficiente para afastar a aplicação da LGPD, pois
como vimos, a LGPD é aplicável apenas às pessoas naturais. Além disso, devemos considerar
que as questões e informações levantadas pelo banco digital foram com base em histórico de
crédito da pessoa jurídica. Dados vinculados a crédito no mercado financeiro são igualmente
uma das exceções de aplicação da LGPD. Portanto, no caso analisado não há que se falar em
aplicação da LGPD.
Mas fica a dúvida: José Roberto terá razão em reclamar pela indicação de seu nome como
devedor? Se o débito é correto, como foi informado no caso, a resposta é positiva. Ou seja, deve-
se seguir a legislação específica de bancos de dados de crédito e de débito, os quais têm
autorização legal de manutenção dos dados em relação a dívidas inadimplidas e lícitas.
A primeira parte do pedido de José Roberto é considerada incorreta, já que o banco digital tem
autorização legal para proceder da forma que fez.
Já a segunda parte consiste em notificar um provedor de conteúdo jornalístico para apagar uma
matéria que está desatualizada e sob a qual deveria recair a teoria do direito ao esquecimento.
Tal intenção é igualmente incorreta.
Conforme você viu, pelo Marco Civil da Internet, para que um provedor de conteúdo jornalístico
seja obrigado a retirar qualquer matéria do ar, deverá fazê-lo mediante decisão judicial. Não cabe,
nesta hipótese, a notificação extrajudicial.
De qualquer forma, o fundamento indicado para a retirada da matéria do ar (direito ao
esquecimento) também não prosperará, já que, conforme você viu ao longo da Unidade 2, o
Supremo Tribunal Federal julgou a matéria do direito ao esquecimento no Brasil e declarou que
tal teoria não encontra respaldo constitucional e legal no Brasil.
Assim, a recomendação é no sentido de que o cliente não tem razão e deve ser instruído para
mudar o seu posicionamento.
Resumo visual
Disciplina
Direito Cibernético
Disciplina
Direito Cibernético
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
BRASIL. Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Página inicial. Brasília/DF, [s. d.].
Disponível em: [Link] Acesso em: 22 nov. 2022.
OBSERVATÓRIO DO MARCO CIVIL DA INTERNET. Histórico do Marco Civil da Internet. OMCI, [s.
d.]. Disponível em: [Link] Acesso em: 22
nov. 2022.
,
Unidade 3
Propriedade Intelectual, Marcas e Patentes e a Proteção de Softwares
Aula 1
Propriedade Intelectual
Introdução da aula
Direito Cibernético
Caro estudante,
A ênfase dos nossos estudos está nos aspectos vinculados à propriedade intelectual, marcas e
patentes e proteção do software.
Nesta aula, iniciaremos o estudo com foco na propriedade intelectual, gênero do qual direitos
autorais, marcas e patentes são as espécies.
Nossa legislação foi originalmente pensada em um mundo puramente físico, mas há décadas já
temos os desafios vinculados ao mundo digital, com reconhecimento de extensão de direitos por
normas esparsas, jurisprudência e doutrina, além do próprio ordenamento internacional.
Com o fortalecimento do Metaverso, tais desafios se multiplicam.
Vamos lá!
Entre as lutas que foram enfrentadas na Revolução Francesa, está a luta pelo reconhecimento do
direito de propriedade, o qual não era reconhecido pela grande maioria da população no período
feudal, apenas à nobreza e ao clero.
Disciplina
Direito Cibernético
A propriedade intelectual nada mais é que um conjunto de diretrizes para dar proteção legal às
criações humanas e ao seu respectivo direito de propriedade. Tal conjunto compõe-se de
patentes, marcas, desenhos industriais e direito autoral, entre outras diretrizes.
O que a propriedade intelectual protege?
A propriedade intelectual não protege uma ideia pura, mas uma ideia que tenha sido
desenvolvida de forma inovadora e levada a registro para preservação de autoria, inovação e
anterioridade. Vale destacar que um dos maiores inventores de todos os tempos foi Leonardo da
Vinci.
A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (World Intellectual Property Organization ou
WIPO) destaca as seguintes possibilidades de caracterização de uma propriedade intelectual:
Direito Cibernético
para atingir todo o segmento de serviços, tecnologia etc. A lei esclarece que a proteção dos
direitos relativos à propriedade intelectual ocorre das seguintes formas:
O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) é o órgão responsável no Brasil pelo registro
de marcas e patentes.
A propriedade intelectual segue um padrão para assegurar esses direitos: quem deseja a
segurança e reconhecimento de direito de propriedade (direitos morais e comerciais) sobre uma
propriedade intelectual deve registrar no INPI para adquirir as garantias legais – uma vez
registrado, poderá explorar por um período determinado pela lei.
Os períodos de proteção ao direito de propriedade intelectual conforme a Lei nº 9.279/96 são os
que seguem:
A propriedade intelectual favorece a garantia para o autor de que sua obra é realmente sua,
afastando a concorrência desleal. Sem essa garantia, qualquer pessoa poderia se apropriar de
uma obra, desfrutando da comercialização e lucros derivados da propriedade intelectual.
Há, além da propriedade industrial, o direito autoral, por meio do qual as obras são protegidas. Os
direitos do autor, morais ou patrimoniais, são detalhados no art. 24 da Lei de Direitos Autorais
(LDA, Lei nº 9.6010/1998).
Além dos principais reconhecimentos (propriedade autoral, marcas e patentes), temos a
proteção sui generis, que são as criações híbridas, como a topografia dos circuitos integrados
(Lei nº 11.484/07), a proteção de cultivares (Lei nº 9.456 e Decreto nº 2.366/97), e os
conhecimentos tradicionais associados aos recursos genéticos (Medida Provisória nº 2.186/16 e
Decreto nº 2.519/98), entre outros.
Direito Cibernético
“Em fevereiro de 2017, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) acolheu o recurso do ECAD
(Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) contra uma emissora de rádio por
streaming, onde entendeu-se que as músicas oferecidas pela rádio eram sim passíveis de
pagamento de direitos autorais. ” (TEIXEIRA, [s. d.], [s. p.])
“O Spotify é a plataforma mais famosa. Em março de 2017, chegou à marca de 50 milhões
de assinaturas pagas e os números só crescem” (WACHOWICZ; VIRTUOSO, 2018, p. 7).
Embora não seja objeto de nosso estudo, vale destacar que sob a ótica tributária ainda há um
forte debate acerca da natureza jurídica do streaming, para compreender se é um serviço –
portanto, tributado pelo Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) de competência
dos municípios –, ou se a tecnologia é apenas um avanço da forma de fornecimento de telefonia,
e neste caso seria tributado pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de
competência dos Estados. Particularmente entendemos que o streaming é um serviço.
A tecnologia streaming fez com que a circulação de conteúdo por meio de uma mídia física,
como os CDs, DVDs e Blu-rays, ficasse obsoletas e menos lucrativa, pois além do limitado
número de potenciais compradores também envolve todo o custo de produção e distribuição. “É
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Direito Cibernético
preciso ter-se claro que somente a empresa Spotify possui mais de 30 milhões de obras em seu
acervo” (WACHOWICZ; VIRTUOSO, 2018, p. 8). Mais de 30 milhões de obras disponíveis aos seus
assinantes, sem considerar a disponibilidade de conteúdo por meio de podcasts.
Com essa plataforma de streaming, o conteúdo é colocado à disposição do público em troca de
uma contribuição financeira (assinatura). Entretanto, existe uma questão envolvendo os artistas
e criadores de conteúdo, que passaram a questionar se essa inovação está retribuindo
corretamente os direitos pela propriedade intelectual, ou seja: será que se trata apenas de uma
forma de não pagamento dos valores corretos em virtude da reprodução?
Mas essa questão não é nova. Na época de circulação de músicas, livros etc. por meio físico, era
comum observar artistas, autores e produtores questionando a falta de transparência na
circulação e vendagem do número de exemplares.
Acreditamos que os meios digitais tornam a conferência mais fácil, uma vez que o meio
eletrônico possibilita verificar sistemicamente a quantidade de acessos. A polêmica não deixará
de existir, mesmo considerando a regulação internacional:
Direito Cibernético
A primeira norma de propriedade industrial se deu em 1474 no Estado de Veneza, quando seu
senado aprovou a Lei de Patentes. Entretanto, a proteção da propriedade como existe
atualmente surgiu após a Revolução Industrial na Inglaterra, entre 1740 e 1830. “O objetivo
original […] era ‘assegurar a exploração das invenções, de qualquer invenção, numa época de
intensa criatividade e profundas inovações tecnológicas’” (NASIHGIL, 2014, [s. p.]).
Em 1883 alguns países se reuniram para firmar o primeiro instrumento internacional regulador da
propriedade intelectual conhecida hoje como Convenção da União de Paris:
A Convenção da União de Paris para proteção da propriedade industrial teve seu início
sob a forma de anteprojeto, redigido em uma Conferência Diplomática realizada em
Paris no ano de 1880. Nova conferência foi convocada em 6 de março de 1883, para
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Vamos lá?
Saiba mais
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Referências
Direito Cibernético
Aula 2
Marcas e Patente
Introdução da aula
Caro estudante,
Nesta aula trataremos dos temas vinculados a marcas e patentes, seu registro no Brasil e
requisitos necessários.
Como você já sabe, somente por meio do registro será possível exercer os respectivos direitos de
propriedade intelectual para a proteção de uma marca ou uma patente.
Além da proteção jurídica, devemos observar a proteção da exploração comercial e a própria
proteção moral sobre os direitos, práticas abusivas e abuso da concorrência sobre as marcas e
as patentes.
Vamos lá!
Direito Cibernético
O que é patente?
Podemos conceituar que patente é um documento que registra o direito da propriedade de
alguma invenção, garantindo o direito de exclusividade de comercialização. A patente tem a
validade de 20 anos para invenção e 15 anos para modelo de utilidade
Dom Pedro I baixou uma lei em 28 de agosto de 1830 que se debruçava sobre
aspectos da concessão de patentes, mas ainda era uma tentativa quase telegráfica
de tratar do assunto. Coube a Dom Pedro II regular pela lei 3.129, de 14 de outubro de
1882, a concessão de patentes no Impérios de forma abrangente. (CARDOSO, [s. d.],
p. 15)
A Patente pode ser conceituada, inicialmente, tendo por base os princípios do
“Contrato Social” de Rousseau, como um acordo entre o inventor e a sociedade.” […] A
patente é uma unidade contraditória: protege o inventor, mas também desafia ao
facilitar a geração de novas invenções por terceiros, induzindo seu próprio titular a
prosseguir inventando para se manter à frente de seus competidores. (MACEDO;
BARBOSA, 2000, [s.p.])
Para patentear algo é necessário que a ideia ou objeto contenha avanços tecnológicos e tenha
aplicabilidade industrial. Segundo a lei de patentes, o que não pode ser patenteado é:
Cabe mencionar que o modelo de utilidade é o objeto de uso prático suscetível de aplicação
industrial que aparenta uma nova forma, por exemplo, exemplo o barbeador que surgiu da
Disciplina
Direito Cibernético
Marca
A marca é o que diferencia o produto no mercado, é seu sinal distintivo. Seu registro – e não
patente, pois não é possível patentear marca – também ocorre no INPI, porém, com um processo
diferente, mais prático. Marca não é o nome da empresa – este consta no contrato social –, mas
o nome fantasia da empresa ou do produto. Eventualmente a marca e a razão social da empresa
podem ser iguais, no entanto, a marca será acompanhada do estilo da escrita, sinais distintivos,
tipografia etc. Um exemplo é a Coca-Cola, cuja razão social também é a marca.
Direito Cibernético
As marcas, por sua vez, apesar de observarem o sistema atributivo (ou seja, quem
primeiro requerer o registro terá direito ao uso), comporta algumas exceções
importantes dentre os quais: (i) arguição de direito de precedência (a Lei possibilita
seja arguido direito de uso anterior de uma expressão, desde que observados os
prazos prescritos); (ii) princípio da especialidade (a marca estará protegida para o
segmento ao qual foi registrada, excetuando-se aqui as marcas de alto renome, que
terão proteção irrestrita); (iii) exclusividade de uso, o que impede a concessão de
registro de marcas iguais ou semelhantes, para segmentos idênticos ou afins.
(OUTEIRAL, 2022, [s. p.])
Direito Cibernético
Os requisitos para patente estão presentes no Livro de Propriedade industrial (IDS, 2013), são
eles:
Direito Cibernético
Patentes de invenção (PI) e os modelos de utilidade (MU). Essa classificação decorre da Lei n.º
9.279 de 1996, que contém todas as regras relacionadas à propriedade industrial.
Não são patenteáveis:
Lei nº 9.279, de 14/5/1996, art. 18:
o que for contrário a moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde públicas;
as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem como
a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de
obtenção ou modificação, quando resultantes de transformação do núcleo atômico; e
o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microrganismos transgênicos.
Caro estudante, nesta videoaula você compreenderá mais o sistema de registro e proteção de
marcas e patentes, incluindo as questões vinculadas ao registro de nome de domínio na internet,
além das formas de solução administrativa de conflitos pelo registro abusivo de um nome de
domínio.
Vamos explorar melhor as características das marcas e patentes e conhecer o que não poderá
ser objeto de registro, como produtos e soluções que violem a função social, especialmente sob
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Direito Cibernético
Saiba mais
Nesta aula você teve a oportunidade de analisar e estudar a proteção da propriedade intelectual
e o direito cibernético, aprofundando questões vinculadas a marcas, patentes e ao próprio direito
autoral.
Questões sempre controvertidas e que hoje contam com soluções adequadas de gestão do
conflito pelo próprio órgão regulador, que tratam justamente do registro de domínio na internet e
da proteção de marcas, além da propriedade intelectual (Iato sensu).
Nesse sentido, para fixar o aprendizado e aprofundar os seus conhecimentos, recomendamos a
leitura do artigo “O registro de domínios no Brasil e a proteção das marcas no âmbito da
internet”, escrito por Natália de Campos Aranovich, publicado na Revista de Direito Privado (v. 4,
p. 127-158, out.-dez. 2000, DTR\2000\712), e disponível na base eletrônica da Revista dos
Tribunais Online.
No artigo, a autora enfrenta a proteção do registro do domínio na internet, especialmente
direcionado à manutenção da proteção da propriedade intelectual.
Indicamos, também, o filme A Rede Social (2010), que relata a história da criação do Facebook e
os conflitos decorrentes da sua invenção e registros.
Ao longo do filme é possível verificar uma série de fatos vinculados à propriedade intelectual,
especialmente em relação a patentes e marcas: pessoas que alegavam ter criado o Facebook
não conseguiram demonstrar sua real criação por falta de registro. No mesmo sentido são os
conflitos entre o seu principal fundador e um dos sócios, curiosamente, um brasileiro.
Disciplina
Direito Cibernético
Outro filme igualmente relevante para a análise da importância do registro de marcas e patentes
é o baseado na biografia de Steve Jobs, Jobs (2013). É possível analisar uma série de questões
que envolvem o direito societário e os aspectos de governança corporativa. Mas o foco é o
registro de patentes entre empresas concorrentes, como IBM, Microsoft, Xerox, Apple etc. A
história da Apple e da própria Microsoft é cercada de acusações mútuas de concorrência desleal
quanto a patentes e desenvolvimentos tecnológicos.
São dois filmes que ajudam na compreensão de todo o contexto que estamos tratando e da
importância da área de marcas e patentes para o dia a dia das atividades empresariais, além das
atividades dos empreendedores de startups.
Referências
CARDOSO, F. H. Patentes, História e Futuro. [S. l.]: Sol Gráfica, [s. d.].
CATARINENSE MARCAS & PATENTES. Tipos de patentes: como são classificados os direitos de
exclusividade? Catarinense M&P, [s. d.]. Disponível em: [Link]
de-patentes-como-sao-classificados-os-direitos-de-
exclusividade/#:~:text=Quais%20são%20os%20tipos%20de,regras%20relacionadas%20à%20pro
priedade%20industrial. Acesso em: 22 nov. 2022.
FERRER, G. G.; MORETTO, A. T. Resolução de conflitos envolvendo nomes de domínio “.br” pelo
procedimento do sistema administrativo de conflitos de internet (SACI-Adm). Migalhas, 9 jun.
2021. Disponível em: [Link]
envolvendo-nomes-de-dominio--br. Acesso em: 22 nov. 2022.
HELLY, R. Marcas e patentes: como funciona e quais suas diferenças. Blog Vhsys, 12 jun. 2019.
Disponível em: [Link] Acesso em: 22 nov. 2022.
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Direito Cibernético
Aula 3
Direito Autoral na era Digital
Introdução da aula
Caro estudante,
Nesta aula trataremos dos temas vinculados ao direito autoral, especialmente considerando a
realidade do direito cibernético.
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Direito Cibernético
Direito Cibernético
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Portanto, “Direitos autorais são os direitos que todo criador de uma obra intelectual tem sobre a
sua criação. Esse direito é exclusivo do autor, de acordo com o artigo 5º, XXVII, da Constituição
Federal.” (SEBRAE, 2022, [s. p.])
O direito autoral poderá ser concedido à pessoa natural ou à pessoa jurídica, conforme o caso.
Para a sua garantia, é fundamental que o autor seja identificado pelo “nome civil, completo ou
abreviado até por suas iniciais, de pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional”, de acordo
com o art. 12 da Lei nº 9.610 BRASIL, 1998, [s. p.]).
Nos termos da lei de direitos autorais, a proteção aos direitos intelectuais não dependerá de
registro (artigo 18, Lei nº 9.610/1998), devendo, todavia, ser uma obra identificável com os dados
de autoria (Art. 12 e 13, Lei nº 9.610/1998).
Os direitos intelectuais devem ser considerados sob a ótica de direitos comerciais e sob a ótica
de direitos morais. Os direitos morais de propriedade intelectual são intransferíveis e
irrenunciáveis, conforma consta no art. 27 da referida lei.
Já os direitos comerciais podem ter duas classificações: direitos totais e direitos parciais. Pelos
direitos totais significa o autor transfere integralmente a titularidade e os direitos de exploração
comercial da obra. Já pelos direitos parciais, o titular está transferindo apenas o direito de uso,
podendo ser exclusivo ou não exclusivo.
No entanto, mesmo não sendo obrigatório para a comprovação da autoria, há pelo menos duas
hipóteses em que o registro deve ser observado. A primeira é em relação a efeitos para terceiros
em caso de transações e relações jurídicas com terceiros. A segunda hipótese de registro
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Direito Cibernético
Direito Cibernético
Conforme visto nos dois primeiros blocos desta aula, a principal legislação no Brasil para a
proteção do direito autoral é a Lei nº 9.610/1998.
Em 1998 não havia o conceito de streaming, tampouco de plataformas lícitas para a divulgação
de música, filmes, livros e outras mídias. Existiram algumas iniciativas de distribuição de
músicas, livros e filmes de forma ilícita. Não trataremos delas.
No fim do século XX, a maioria das pessoas ainda achava que internet era algo para os jovens
e/ou apenas para brincadeiras.
Poucas pessoas tinham a capacidade de identificar em um horizonte mais distante o grande
potencial da internet e como o mundo seria completamente revolucionado por esta tecnologia.
Hoje em dia, no final do primeiro quarto do século XXI, é absolutamente impensável realizar
qualquer coisa sem internet.
No seriado da Netflix Stranger Things – que se passa nos anos 1980 –, na temporada 4 um
personagem pergunta: “O que é internet? ”, e a resposta é: “Não é nada que você deva se
preocupar agora, ela só irá mudar o mundo como a gente conhece! ”
Realmente, tal como todas as áreas do direito, dos negócios e da vida em sociedade, o direito
autoral sofreu um grande impacto com a internet.
Monitorar a reprodução ilícita de livros e textos era razoavelmente simples no século XX. Bastava
fiscalizar fisicamente as empresas de reprografia, usualmente conhecidas como copiadoras.
Sabidamente os principais polos de copiadoras ficavam próximos de faculdades, escolas e
centros de ensino.
Hoje, as cópias ilícitas por meio de fotografias e/ou PDFs circulam diretamente pela internet.
Estão disponibilizadas em drives e com localização no exterior em múltiplas plataformas. É
correto afirmar que o combate às cópias ilícitas se tornou uma tarefa complexa.
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Direito Cibernético
A fiscalização da violação dos direitos autorais é um desafio muito grande. No entanto, o rápido
avanço tecnológico tem permitido que os grandes provedores de internet façam essa
fiscalização por centrais de combate à pirataria com técnicos especializados, além do uso de
inteligência artificial. Da mesma forma que a tecnologia é um desafio, também proporciona a
solução.
No entanto, um desafio maior se dá com o uso de plataformas descentralizadas como a
blockchain, além do uso de tecnologias como NFTs (já analisadas em aulas passadas), e ainda
com a criação de obras por meio da inteligência artificial.
Entendemos que as tecnologias de blockchain e NFTs mais ajudam na proteção de direitos
autorais do que atrapalham. Como vimos nos dois primeiros blocos, a proteção da propriedade
intelectual independe de registro. No entanto, deve ser comprovada a autoria e a anterioridade.
Tanto a tecnologia da blockchain e outras tecnologias distribuídas, como a tecnologia NFTs, tem
justamente este objetivo: criar registros imutáveis e certificados. Portanto, a proteção autoral só
tem a ganhar com a sua aplicação.
Por sim, a inteligência artificial é um verdadeiro desafio. Em alguns casos reais, a questão é
entender a quem pertence o direito autoral.
Ao software? Pouco provável, já que não é uma pessoa, ainda não detém capacidade,
legitimidade nem reconhecimento de direito de personalidade.
Ao desenvolvedor do software? Bem provável, já que foi ele o responsável pela criação dos
algoritmos e códigos de programação.
Ao proprietário do hardware e do software (quando estivermos falando de robôs)? Também
é bem provável, pelos mesmos motivos.
Caro estudante, nesta aula você compreenderá mais o sistema de proteção da propriedade
autoral, o que é passível de proteção autoral e o que não é.
Também verificaremos as hipóteses em que a proteção autoral dependerá de registro, e a
consequência da violação da propriedade autoral, seja sob enfoque civil ou penal.
Para efeitos fiscais e tributários, bem como para os efeitos de transferência da propriedade, a
existência de registro também trará consequências.
Finalmente, veremos os desafios ao direito cibernético quanto ao tema da propriedade autoral.
Vamos lá?
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Direito Cibernético
Saiba mais
Embora as normas que tratam da violação de propriedade intelectual datem do início da internet
em escala comercial no Brasil, você teve a oportunidade de verificar que nosso sistema legal
atende à maioria das situações de violação de tais direitos, alterando-se apenas o ambiente, para
o cibernético.
Nesse sentido, para fixar o aprendizado e aprofundar seus conhecimentos, recomendamos a
leitura do artigo “Violações dos sinais e obras na internet”, de autoria de Paulo Brancher,
publicado na Revista de Direito Bancário e do Mercado de Capitais (v. 65, p. 31-34, jul.-set. 2014,
DTR\2014\15163) que disponível na base eletrônica da Revista dos Tribunais Online.
No artigo, o professor Paulo Brancher enfrenta as principais circunstâncias de violação aos
direitos autorais na internet e a sua respectiva proteção legal.
Indicamos o vídeo “Inteligência Artificial no Museu”. A aplicação da inteligência artificial na
Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP cria uma experiência única na visitação de um museu.
Porém, a mesma tecnologia é capaz de coletar as informações que tratam dos seus artistas, das
obras e das técnicas aplicadas e criar uma obra nova por meio do cruzamento das informações.
Neste caso, reflita: a quem pertencerá a obra criada pela inteligência artificial? Como você criaria
uma legislação para tal iniciativa tecnológica?
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre
direitos autorais e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1998. Disponível
em: [Link] Acesso em: 22 nov. 2022.
INTELIGÊNCIA artificial no museu. [S. l.], 4 abr. 2017. 1 vídeo (7 min. 5 seg.). Publicado pelo canal
Mauro Segura. Disponível em: [Link] Acesso em: 22
nov. 2022.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). O que são
direitos autoriais? Sebrae, 16 set. 2022. Disponível em:
[Link]
autorais,9acecdbc74834410VgnVCM1000003b74010aRCRD. Acesso em: 22 nov. 2022.
Aula 4
A proteção de Softwares
Introdução da aula
Disciplina
Direito Cibernético
Caro estudante,
Nesta aula vamos estudar uma das áreas mais antigas do direito cibernético, que trata da
proteção dos direitos sobre os softwares (programas de computador). Como a proteção do
desenvolvimento de hardwares – que serão protegidos por patentes e invenções –, o software
tem uma proteção de propriedade intelectual.
Originalmente, quando trabalhávamos com a temática do software, sua distribuição e
comercialização era realizada em conjunto com o hardware, daí a expressão “software
embarcado”, uma vez que no início do desenvolvimento dos computadores e da programação
não havia meios de armazenar arquivos magnéticos, pois esta não era uma necessidade da
sociedade.
Com o desenvolvimento tecnológico foram criados meios de armazenamento dos arquivos
magnéticos e eletrônicos, permitindo a livre circulação e distribuição independente do hardware
(computador).
Atualmente, a circulação e distribuição é predominantemente realizada por meio de download da
internet e/ou de acessos remotos a arquivos e softwares armazenados na nuvem (cloud), ou
seja, em data centers remotos e de acesso pela internet.
Vamos lá!
Direito Cibernético
Até o início da década de 1990 o Brasil seguia uma política de informática derivada da época em
que o país era muito fechado ao compartilhamento e/ou adoção de tecnologias vindas do
exterior.
A partir da redemocratização e após a Constituição Federal de 1988, foram realizadas diversas
iniciativas de reabertura do país para o compartilhamento e/ou adoção de outras tecnologias.
Entre estas medidas, em 1998 foram editadas na sequência a lei de proteção autoral (Lei nº
9.610/98), já analisada, e a Lei do Software (ou programa de computador na expressão da lei), a
Lei nº 9.609/98. Ambas as leis são de 19 de fevereiro de 1998.
A intenção de editar os temas de direitos autorais e proteção ao software em leis separadas,
porém conexas e complementares, foi justamente a sabedoria de que a lei do software poderia
sofrer constantes atualizações. O fato é que até outubro de 2022 a referida lei não sofreu
qualquer alteração, com exceção da referência aos artigos do Código de Processo Civil com a
atualização ao novo CPC/2015.
Tal como as obras de propriedade autoral, o software igualmente não dependerá de registro para
a preservação e proteção da autoria e respectiva proteção legal.
O seu registro será obrigatório, nas situações que caracterizem a transferência de tecnologia, ou,
ainda, quando estivermos diante de um contrato de distribuição e representação de um software
estrangeiro. Nesta segunda hipótese, o registro é necessário para efeitos de remessa regular de
capitais para outros países, além dos respectivos efeitos fiscais e tributários.
Algumas empresas, por cautela, optaram por registrar o software como meio de alcançar maior
proteção legal. Consideramos importante o registro do software em operações que envolvam o
chamado M&A, ou seja, operação de transformação societária por incorporação, fusão ou cisão.
Nessas hipóteses haverá maior segurança jurídica do negócio jurídico praticado.
Onde registrar um software?
Embora um software seja tratado como propriedade autoral, o seu registro será
excepcionalmente realizado no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), conforme
Disciplina
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Detenção de seis meses a dois anos ou multa, na hipótese de violação de direitos autorais
do software para reprodução de uso pessoal (pessoa jurídica ou natural) sem expressa
autorização.
Reclusão de um a quatro anos e multa, na hipótese de violação de direitos autorais do
software com objetivo de comercialização para terceiros (pessoa jurídica ou natural) sem
expressa autorização.
Para a apuração de violação dos direitos autorais, o autor ou seu representante poderá valer-se
de medidas de proteção de tutela antecipada e medidas especiais como a vistoria. Estas
hipóteses tramitam em segredo de justiça.
Disciplina
Direito Cibernético
Além das sanções penais, os autores do ilícito serão responsabilizados civilmente a pagar pelas
cópias irregulares e multa indenizatória. A multa indenizatória poderá chegar a três mil vezes o
valor comercial do software em caso de não se conhecer o exato número de cópias
comercializadas ilicitamente.
Direito Cibernético
Por meio destes avanços tecnológicos e da forma de comercialização, o software passou a ser
distribuído como um serviço. A empresa e/ou pessoa natural usuária não adquire um software,
mas contrata uma série de serviços que normalmente são compostos pelo software em si,
serviços de manutenção e evolução tecnológica do software e o próprio serviço de
disponibilidade e armazenamento do software e da estrutura de dados.
Esta forma de negociação é o que se verifica nas assinaturas de plataformas como Google,
Microsoft, HP e IBM.
Já a PaaS, diferentemente do SaaS, que disponibiliza um software e respectivos serviços
agregados, disponibiliza ao contratante uma plataforma completa de soluções de hardware,
software e infraestrutura, além dos serviços de manutenção, suporte e evolução tecnológica. O
PaaS também pode envolver a disponibilidade de uma plataforma na internet que serve de
modelo padrão de uma plataforma de e-commerce (comércio eletrônico), agregando o site,
serviços, meios de pagamento e outras necessidades de cada segmento de atuação.
Por fim, com a IaaS o contratante tem acesso a toda uma infraestrutura de tecnologia, ou seja,
não compra mais os computadores, servidores e demais hardwares, mas contrata um serviço
completo de disponibilidade de hardwares e de automação do processo de manutenção,
evolução tecnológica e tudo o mais que seja necessário. O serviço gerencia os softwares de uso
corrente da empresa ou da pessoa, as aplicações e demais ferramentas usualmente necessárias
ao desenvolvimento de uma atividade empresarial.
Saiba mais
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Direito Cibernético
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
Aula 5
Resumo da unidade
Direito Cibernético
Caro estudante,
Ao longo da Unidade 3 fomos direcionados às questões atinentes à propriedade intelectual e
suas especificidades em relação às marcas, patentes e ao direito autoral no ambiente do direito
cibernético. Para a conclusão da unidade, na aula 11, você estudou as questões relativas à
proteção da propriedade intelectual sobre o software e as novas modalidades de licenciamento
como um serviço, conhecido como SaaS – Software as a Service.
Sob a ótica da propriedade intelectual, vale relembrar que a ela é gênero do qual são espécies o
direito de marcas e patentes, ambos previsto na Lei de Propriedade Industrial (Lei nº
9.279/1996), além do direito autoral previsto na Lei nº 9.6010/1998 e a proteção ao software
(programas de computador) conforme previsto na Lei nº 9.609/1998. Estas duas últimas leis
foram editadas no mesmo dia, 19 de fevereiro de 1998, e são complementares. Ou seja, por
expressa previsão legal, o software será protegido como uma obra literária pelo direito do autor,
devendo as duas leis serem analisadas em conjunto.
Por qual motivo o legislador teria tratado os dois temas (direito do autor e software) em duas
normas se elas são complementares e devem ser analisadas em conjunto? A resposta é
razoavelmente simples: o objetivo era tornar o sistema legal mais flexível às potenciais
alterações legislativas decorrentes dos avanços tecnológicos, especialmente em relação ao
software (Lei nº 9.609/1998).
Tanto para o direito do autor como para marcas e patentes há a previsão legal de que a proteção
será derivada do esforço humano, sem qualquer referência ao ambiente em que será
desenvolvido.
Assim, podemos considerar, conforme visto durante as aulas, que o desenvolvimento realizado
no ambiente virtual, inclusive no Metaverso, é passível de proteção e defesa da propriedade
intelectual, devendo ser verificadas a autoria e a anterioridade da marca, da patente e do direito
autoral, além de seu respectivo registro, quando a lei assim exigir. No ambiente da web 3.0 pelo
uso de blockchain e outras tecnologias similares torna mais fácil realizar a constatação da
Disciplina
Direito Cibernético
Estudo de caso
Disciplina
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Antes de analisarmos a resolução, faça uma lista das principais dificuldades que você encontrou
com o caso; pode ser com vocabulário, conceitos jurídicos prévios que você ainda não fixou;
além de conceitos e a aplicação do que vimos nesta unidade.
Faça um mapa mental com os pontos de dúvidas e levante o que você precisa pesquisar para
chegar à resposta adequada. Elabore um mapa mental dos conceitos e aplicações de conceitos
que você já domina e conhece.
Assim, você fixará o conteúdo que já foi absorvido, identificando os assuntos que precisa estudar
e revisar na Unidade 3, além de outros conhecimentos prévios necessários.
Tendo estruturado as dúvidas e o conhecimento prévio, vamos lá!
Seu cliente está buscando a proteção da marca como registro de domínio na internet que foi
adquirido e registrado por terceiro sem relação com a marca e com a razão social empresarial do
seu cliente, XPTO_software.
Além disso, para a expansão dos negócios, seu cliente visa adquirir (incorporar) uma startup que
desenvolveu uma solução em software que será útil para o negócio.
Para a primeira situação, com base na proteção à propriedade intelectual e ao direito marcário,
você poderá abrir uma solução de solução de conflito diretamente no [Link], o qual deverá
solucionar a questão favoravelmente ao seu cliente. Caso a decisão não seja favorável, ou
estejam tomando tempo mais do que o suportável pelo seu cliente, é possível entrar com uma
medida judicial para tal finalidade, com o expresso pedido de tutela antecipada.
Já em relação à segunda parte, por ser uma transformação societária de incorporação, em tese
não haveria necessidade legal de registro do software para a preservação de direitos – uma vez
que seu cliente vai incorporar a startup, todos os passivos e ativos passam a pertencer ao
incorporador. No entanto, pela situação apresentada não é possível ter certeza de que a autoria
do software é realmente da startup. Diante da dúvida existente, deve-se pedir o respectivo
registro do software, para que no processo de incorporação os direitos sobre o software sejam
transferidos para a empresa que está incorporando. Tal medida visa elevar o nível de segurança
jurídica na operação.
Resumo visual
Disciplina
Direito Cibernético
Disciplina
Direito Cibernético
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
Unidade 4
Do Direito Contratual Eletrônico às Relações Consumeristas
Aula 1
Direito contratual eletrônico
Introdução
Disciplina
Direito Cibernético
Caro estudante,
Estamos iniciando nossa última unidade, desta vez com ênfase em direito contratual eletrônico,
soluções eletrônicas de conflitos, relações de consumo na sociedade da informação ou do
direito cibernético e uma breve introdução a alguns aspectos vinculados à relação entre o direito
penal e o direito cibernético.
Ao longo da aula você analisará os aspectos dos contratos eletrônicos, focando sua formação,
validade e eficácia. Terá a oportunidade de retomar um assunto que já vimos em outros
momentos, a questão vinculada ao Legal Design e ao Visual Law e a sua importância para a
prática profissional, especialmente quando estiver analisando as relações contratuais eletrônicas
e as relações de consumo no direito cibernético.
Você ainda terá a oportunidade de conhecer um pouco mais do conceito e aplicação de um
contrato inteligente, ou Smart Contract.
Vamos lá!
Direito Cibernético
Você sabe o que é um contrato eletrônico? É um novo tipo contratual? É uma nova classificação?
Contrato eletrônico nada mais é do que uma forma de contratação. Todos os 20 tipos
contratuais que você estuda no Código Civil, além dos demais contratos típicos na legislação
extravagante e os contratos atípicos, em regra, podem ser firmados em meio físico ou
eletrônico.
Contratos de compra e venda, de prestação de serviços e de leasing, entre outros, não sofreram
mudança em sua classificação e natureza jurídica pelo simples fato de serem firmados no meio
eletrônico.
Com a Teoria Geral dos Contratos sabemos que o Brasil adotou como forma padrão de
contratação a forma livre. Ou seja, os contratos podem ser firmados em meio físico (papel), em
meio eletrônico, verbalmente etc. O que diferencia uma forma da outra é sua força probante. O
Disciplina
Direito Cibernético
contrato somente deverá seguir forma expressa quando a lei determinar ou quando as partes
assim definirem (artigos 108 e 109 do Código Civil).
Propusemos um conceito próprio aos contratos eletrônicos, como segue:
[…] o contrato eletrônico deve ser conceituado como o negócio jurídico contratual
realizado pela manifestação de vontade, das posições jurídicas ativa e passiva,
expressada por meio (= forma) eletrônico no momento de sua formação. Portanto, a
manifestação de vontade por meio eletrônico sobrepõe a sua instrumentalização, de
maneira que não é uma nova categoria contratual, mas sim, forma de contratação por
manifestação da vontade expressada pelo meio eletrônico. (REBOUÇAS, 2018, p. 28)
Assim, contrato eletrônico é uma forma de contratação que utiliza ferramentas eletrônicas para
sua formação, validade e eficácia.
Os contratos eletrônicos são divididos em quatro categorias: (i) interpessoais; (ii) interativos; (iii)
intersistêmicos; e, (iv) Smart Contracts.
Os contratos interpessoais, como o nome já indica, são contratos firmados entre duas ou mais
pessoas diretamente, utilizando uma ferramenta eletrônica como meio de contratação, como
ocorre com os contratos firmados por e-mail ou pelas mensagerias eletrônicas do tipo
WhatsApp, Messenger, Signal e similares.
Contratos interativos são formados pela interatividade de uma pessoa com um software ou um
computador/máquina. É o que ocorre com a contratação por um portal de e-commerce ou ainda
com uma vending machine (máquinas de vendas automatizadas para diversos produtos, como
bebidas, comidas, livros e flores).
Já os contratos intersistêmicos são relações jurídicas firmadas entre pessoas, porém
automatizadas; sua execução é automatizada e programada em linguagem de computador para
ser realizada toda vez que determinado evento ocorrer. É o exemplo da situação de reposição de
estoques em redes de distribuição. Toda vez que o estoque atinge determinado nível, é enviada
uma ordem automática e sistêmica para o produtor, realizando uma operação de compra e venda
para a reposição do estoque. Com a entrada do produto no estoque, é liberado o pagamento ao
produtor. Tudo se dá de forma automatizada e sem intervenção humana.
Finalmente, os Smart Contracts são contratos mistos na sua forma, isto é, entendemos que tal
modalidade de contratação pode ser denominada como de característica mista entre os
contratos intersistêmicos e os contratos interativos (REBOUÇAS, 2018).
Direito Cibernético
Embora o contrato inteligente – Smart Contract – ganhe maior relevância em redes distribuídas,
o fato é que, pelo seu conceito e no nosso entendimento, para a sua caracterização, basta que se
tenha um contrato ou parte dele, como se dá com as cláusulas de garantia obrigacional, para que
seja convertido em linguagem de programação universal (linguagem de máquina) e passe a ser
Disciplina
Direito Cibernético
A única certeza que temos é que o presente tema deverá sempre ser atualizado e
estará em contínua e ininterrupta evolução. Conforme sustentam os estudiosos de
tecnologia, a civilização ainda não consegue identificar todas as novidades que serão
vivenciadas nos próximos anos, chegando a realizar a seguinte comparação: a atual
Revolução Tecnológica vivenciada neste início do século XXI, pode ser comparada
com a primeira fase da Revolução Industrial e suas máquinas à vapor d´água. Ainda
estamos por ver o futuro que nos aguarda, tal como representou os avanços obtidos
com a chegada da energia elétrica durante a Revolução Industrial. Ainda temos muito
para vivenciar e ser surpreendido com a Revolução Tecnológica. (REBOUÇAS, 2018)
Direito Cibernético
Direito Cibernético
vídeos.
O profissional do direito deve utilizar tais soluções tecnológicas com parcimônia e bom senso,
com o propósito de melhorar o processo comunicacional.
No entanto, sempre que possível, é recomendado que o trabalho final seja realizado em conjunto
com um especialista em design.
Igualmente importante é iniciar a utilização de qualquer trabalho de Visual Law com a clara e
precisa compreensão do motivo. Deve-se perguntar o que se deseja comunicar e para qual
objetivo. Não se utiliza do Visual Law só por modismo ou por estética. A estética, neste caso,
não é uma razão em si mesma; o objetivo é a melhoria do processo comunicacional.
Se estamos utilizando uma plataforma eletrônica para a celebração de contratos igualmente
eletrônicos, é possível se valer da tecnologia em nosso favor e beneficiar o cliente final.
Saiba mais
Disciplina
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Referências
Disciplina
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Aula 2
Relações consumeristas na era digital
Introdução
Disciplina
Direito Cibernético
Caro estudante,
Nesta aula vamos debater a temática transversal do direito cibernético que envolve uma grande
gama de relações jurídicas pelo mundo todo: as relações de consumo.
O direito do consumidor é um direito relacional, principiológico e protetivo do sujeito de direito –
no caso, o consumidor – e as relações de consumo.
Muito se debate quanto às relações de consumo e o direito cibernético, especialmente em
relação à atualização das normas do Código de Defesa do Consumidor à realidade do direito
cibernético, já que, conforme vimos no decorrer de nossas aulas, a internet em escala comercial
no Brasil, isto é, acessível ao cidadão comum, iniciou entre os anos de 1995 e 1996. Já o Código
de Defesa do Consumidor (CDC) é um microssistema previsto originalmente na nossa
Constituição Federal de 1988 e materializado em 1990 pela Lei nº 8.078/1990.
Considerando que o CDC é anterior à realidade da internet, estaria este sistema preparado para
esta nova realidade social? O consumidor efetivamente detém a respectiva proteção? Há uma
premente necessidade de atualização do sistema legal?
Essas e muitas outras questões serão tratadas ao longo da nossa aula. Vamos lá!
Direito Cibernético
Ao longo das duas primeiras décadas do século XXI, podemos verificar uma grande mudança na
forma como as pessoas se relacionam com a questão de consumo. Aos poucos o movimento
conhecido como “uberização” ou economia compartilhada foi tomando forma e tornando-se de
uso comum de todos.
A economia compartilhada mudou a nossa cultura em relação à forma do consumo. Estamos,
como sociedade, substituindo a constante aquisição de produtos (sociedade de consumo) por
uma nova realidade de utilização de serviços.
Os aplicativos de mobilidade, especialmente nos grandes centros, representam a substituição de
um serviço caro e restrito de táxi por um serviço mais acessível e ilimitado de aplicativo de
mobilidade. Com isso, é possível constatar pessoas que não têm mais um automóvel, e que
optaram por usar um carro compartilhado. Ao mesmo tempo, isso significa que a indústria
automotiva não voltará a vender tantos automóveis como vendia antes, uma vez que grande
parte da frota será destinada ao uso compartilhado.
No mesmo sentido são os serviços de entregas por aplicativos que mudou por completo o
segmento de motoboy ou moto-frete, cozinhas compartilhadas (dark kitchens), escritórios
compartilhados, hospedagem compartilhada, residência compartilhada e muito mais.
O movimento da economia compartilhada mudou por completo a forma de consumo de
produtos, resultando no crescimento exponencial do consumo de serviços e serviços
compartilhados. Esta é uma das grandes novas realidades das relações de consumo impactadas
pela inovação tecnológica e com reflexos no direito cibernético.
Outro movimento que podemos verificar é o próprio comércio eletrônico, o chamado e-
commerce, que representa uma substituição da forma de aquisição de produtos e serviços,
Disciplina
Direito Cibernético
O lado do consumidor tem sido o mais frágil, mas o direito do consumidor, como
qualquer outra área do Direito, não para. Cresce em possibilidades, recua, avança,
novos produtos, novos serviços, novas (e até inimagináveis) formas de consumir.
Com esse vasto material e apoio da diretoria dou prosseguimento a garantia de
inclusão do direito do consumidor na política e na sociedade brasileira, pois o
conhecimento é a chave da liberdade e independência de um povo. (CARVALHO,
2018, [s. p.])
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Para que haja uma relação de consumo, é necessário a coexistência de três figuras: um
consumidor, um fornecedor e um produto ou serviço. A ligação de uns aos outros, formando um
tripé, caracterizará a relação de consumo e, portanto, a incidência das normas do Código de
Defesa do Consumidor, devendo então todas as relações de consumo observarem a legislação
pertinente. Conforme o aumento de demandas por mercadorias e serviços, tornou-se necessário
entender como realmente funcionam essas interações.
O CDC traz a definição de cada um desses elementos e, no capítulo II, ainda explica a
Política Nacional de Relações de Consumo […] o art. 2º explica que se trata de “toda
pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário
final”. (SEU DIREITO PROTESTE, 2021, [s. p.])
Art. 2º, caput, do CDC: “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final”.
Art. 2º, parágrafo único, CDC, traz o conceito de consumidor por equiparação: “a
coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de
consumo”.
Art. 17, CDC, prevê a hipótese de consumidor por equiparação nas situações de vítimas de
um fato do produto ou serviço: são os chamados acidentes de consumo. “Para os efeitos
desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento. ”
Art. 29 do CDC: todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas de comércio
e, obviamente, fazem jus à proteção do contrato.
3. Produto ou serviço: qualquer bem na relação de consumo é um produto. Art. 3º, § 1º, do
CDC (BRASIL, 1990, [s. p.]:
Direito Cibernético
Para melhor entender quais são os elementos da relação de consumo, segue entendimento dado
por Cláudio Bonatto (2004, p. 19)
Direito Cibernético
milhões de dólares norte-americanos, e em 2021, esse valor saltou para mais de 1,6 milhões de
dólares norte-americanos. Veja:
Esse comparativo entre os movimentos verificados nos anos 2020 e 2021. Observe, por exemplo,
a informação constante na parte verde escuro, com a representação ilustrada de um carrinho de
supermercado: temos os valores gastos no comércio eletrônico entre os anos de 2020 e 2021,
sendo: 2020 = 1,1 milhão de dólares Norte Americanos; e, 2021 = 1,6 milhão de dólares Norte
Americanos.
Direito Cibernético
aplicável o Código de Defesa do Consumidor. Por este motivo entendemos que o Código de
Defesa do Consumidor segue sendo plenamente aplicável às relações de consumo, sem a
necessidade de sua atualização, uma vez que seu sistema é principiológico, portanto, flexível e
adaptável às novas realidades da economia compartilhada e do direito cibernético.
No entanto, devemos observar posicionamentos contrários à nossa opinião: de acordo com a
Comissão jurista do Anteprojeto de atualização do Código de Defesa do Consumidor:
Nesta videoaula você terá a oportunidade de conhecer melhor as relações jurídicas de consumo
e o seu vínculo e desafios com o direito cibernético.
Você poderá refletir acerca da necessidade ou não de atualização do Código de Defesa do
Consumidor para a nova forma das relações jurídicas de consumo na sociedade da informação,
Disciplina
Direito Cibernético
uma vez que, entre a publicação do Código de Defesa do Consumidor em 1990 e a atual
realidade das relações de consumo neste primeiro quarto do século XXI muita coisa mudou. A
internet não era uma realidade e muito menos o meio para a forma de consumo por plataformas
de e-commerce, ou da economia compartilhada por meio do consumo de produtos e serviços
por aplicativos.
Para iniciar nossa jornada, verificaremos os conceitos de consumidor e a caracterização de uma
relação de consumo, para depois enfrentar os desafios de sua aplicação no direito cibernético.
Aproveite!
Saiba mais
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
AUSTIN, D. 2021 This is what happens in an internet minute. eDiscovery Today, 16 abr. 2021.
Disponível em: [Link]
infographic-ediscovery-trends/. Acesso em: 23 nov. 2022.
BONATTO, C. Código de defesa do consumidor: cláusulas abusivas nas relações contratuais de
consumo. 2. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004.
BRASIL. Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá
outras providências. Brasília/DF: Presidência da República, 1990. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 nov. 2022.
CARVALHO, D. A era digital, o consumidor e as novas relações de consumo. Unialfa, 5 jun. 2018.
Disponível em: [Link]
novas-relacoes-de-consumo. Acesso em: 23 nov. 2022.
DOMINGUES, I. O consumidor na Era Digital. Cesar, [s. d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 nov. 2022.
FELIPINI, D. Empreendedorismo na internet. 3. ed. [S. l.]: Lebooks, 2012.
FERREIRA, V. H. A.; JENSEN, V. S. Relações virtuais de consumo: perspectivas de direitos no e-
commerce. REDESG, Santa Maria, v. 1, n. 1, jan.-jun. 2012. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 nov. 2022.
MIRAGEM, B. Novo paradigma tecnológico, mercado de consumo digital e o direito do
consumidor. Revista de Direito do Consumidor, v. 125, p. 17-62, set.-out. 2019, DTR\2019\40949.
Disponível em Revista dos Tribunais Online.
SEU DIREITO PROTESTE. Relações de consumo: entenda o que são e como funcionam. Seu
Direito Proteste, 22 set. 2021. Disponível em: [Link]
consumo-como-funcionam/. Acesso em: 23 nov. 2022.
SILVA, A. O que é relação de consumo, seus elementos e como funciona no CDC. Central Law, [s.
d.]. Disponível em: [Link]
consumo-seus-elementos-e-como-funciona-no-cdc. Acesso em: 23 nov. 2022.
Disciplina
Direito Cibernético
Aula 3
Cenário Penal Cibernético
Introdução
Caro estudante,
Nesta aula você conhecerá alguns aspectos do direito criminal derivado das relações
cibernéticas.
Toda evolução tecnológica ao longo da história resulta em novas realidades, novos negócios
jurídicos, novas atitudes e novas práticas realizadas pela sociedade.
Sob a ótica jurídica, conforme é verificado pela teoria tridimensional do direito (fato, valor e
norma), novos fatos sociais em cada momento da história geram novos comportamentos sociais
que podem ou não ser aceitos pela sociedade conforme valores reconhecidos naquele momento
histórico e cultural. Com base nos valores reconhecidos pela sociedade haverá a incidência da
norma, seja para aceitar novos fatos sociais ou para refutá-los.
É exatamente este movimento que verificamos em relação aos potenciais crimes cibernéticos.
Se pensarmos em um ataque hacker, antes da internet tal delito somente era viável pelo ataque
interno dentro de cada empresa, já que os computadores não eram interligados pela internet. Ou,
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Direito Cibernético
Você certamente já ouviu a história de alguma personalidade pública que teve fotografias
íntimas divulgadas indevidamente na internet, seja por um aproveitador ou por alguém buscando
difamar a personalidade pelos mais variados motivos.
Também há as situações de empresas e pessoas que sofreram ataques de hackers com invasão
de sistemas e/ou ataques de ransomware com o sequestro de dados e informações de uma
empresa, de um Estado ou de um órgão estatal.
Estas práticas delitivas não eram reconhecidas pelo direito como fatos típicos penais, uma vez
que a norma não tinha a previsão de algo que até então não existia no mundo fático.
Isso leva a uma necessidade de adaptação dos sistemas penais às novas realidades.
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Direito Cibernético
Direito Cibernético
Antes do ano de 2012, sem uma legislação específica era mais difícil apurar e punir os
chamados crimes cibernéticos em relação à divulgação de imagens e informações íntimas de
pessoas, assim como a identificação dos sujeitos e dos meios de obter as provas para a
condenação. Nesse sentido, para Silveira (2015) é importante destacar o Art. 154-A do Código
Penal, que trouxe para o ordenamento jurídico o crime de “Invasão de Dispositivo Informático”,
consistente na conduta de
A pena prevista para o crime simples é de detenção de três meses a um ano e multa, havendo,
entretanto, a previsão das formas qualificadas e causas de aumento de pena.
Direito Cibernético
Hater: seria aquele que odeia, pessoas que atacam com ofensas.
Sexting: consiste na prática de trocar mensagens de cunho sexual.
Revenge porn: de acordo com sua expressão – vingança pornográfica –, é o ato de divulgar
imagens eróticas e de nudez de outra pessoa, como forma de vingança e punição.
Cyberbullying e a lei
A prática é passível de punição por meio do Código Penal, veja alguns exemplos:
Pesquisa conduzida pela Intel Security entrevistou 507 crianças e adolescentes com idades que
variam entre 8 e 16 anos e revelou os seguintes dados sobre o cyberbullying no Brasil
(CANALTECH, 2015, [s. p.]):
Direito Cibernético
Stalking é um termo que significa perseguição obsessiva ou incessante, e tornou-se crime pela
Lei nº 14.132/21, de 31 de março de 2021.
A deputada Sheridan (PSDB/RR) destaca que esse delito causa inúmeros transtornos à vítima,
que passa a ter a vida controlada pelo delinquente, vivendo com medo de todas as pessoas em
todos os lugares que frequenta, o que caracteriza um verdadeiro tormento psicológico.1
As atitudes de um stalker podem envolver, ligações telefônicas, mensagens, e-mails,
comentários nas redes sociais, além de frequentar os mesmos lugares que a vítima frequenta. O
crime é caracterizado pelo fato de ser repetitivo, obsessivo e intimidador.
_______
1 Câmara Federal. Notícias. Disponível em: Câmara aprova criminalização da perseguição
obsessiva ou stalking Fonte: Agência Câmara de Notícias. Acesso em [Link].2022
Direito Cibernético
Em 2021, no Brasil, o estudo Device Fraud Scan 2022 da AllowMe constatou que ao
menos 500 mil contas falsas foram criadas com e-mails vazados. Ou seja, uma média
de 3,7 tentativas de fraude virtual por minuto e cerca de 63,7% dos casos frequentes
de vazamento de dados acontecem no momento em que o usuário realiza o login.
Segundo o conceito de Maurício Tamer (RODRIGUES; TAMER, 2021, p. 291), “pode ser entendida
como a demonstração de um fato ocorrido nos meios digitais” e que “a demonstração de sua
ocorrência pode se dar por meios digitais”.2 Como exemplo de provas digitais podemos citar o
“envio de um e-mail, envio de uma mensagem por aplicativo de mensagens (WhatsApp,
Telegram, entre outros), cópia ou desvio de base de dados, cópia de software, disponibilização
de um vídeo na internet (conteúdo íntimo ou difamador), dentre outros”.
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Direito Cibernético
A prova digital tem capacidade de verificar a veracidade das provas através da chave ICP Brasil,
em que há uma cadeia de custódia de prova que está prevista no Art. 158-A do Código de
Processo Penal1:
Os dados em um celular muitas vezes se tornam uma fonte valiosa de provas, contando com as
características de memória, processador e câmera, entre outras. A aquisição de dados pode ser
física ou lógica. Conforme descrevem Jansen e Aures (2015), a aquisição física tem vantagens
sobre a aquisição lógica, uma vez que permite que os arquivos apagados e alguns dados
restantes possam ser examinados, por exemplo, na memória não alocada ou em espaço do
sistema de arquivos. As ferramentas forenses adquirem informações dos dispositivos sem
alterar o conteúdo, ou seja, em modo somente de leitura, utilizando equipamentos denominados
Write Blocker (ou bloqueadores de escrita). E, ainda, fazendo a geração de hash de modo a
garantir a integridade dos dados coletados. Tal característica é muito importante perante um juiz,
e cabe ao perito garantir a integridade das provas digitais por ele coletadas ou a ele confiadas.
Segundo ISFS (2009), o objetivo de ter um conjunto de melhores práticas e metodologias é
estabelecer parâmetros e princípios de qualidade e abordagens para obtenção, identificação,
preservação, recuperação, exame, análise e uso das evidências digitais. Altos padrões de
qualidade e consistência são vitais para manter o valor probatório dos elementos encontrados
em uma investigação digital.
_______
1 PEREIRA Ezequiel Alves. Ata Notarial versus provas digitais como meio de prova em processo
judicial. Disponível em: Ata notarial versus provas digitais como meio de prova em processo
judicial. Acesso em [Link].2022
2 Brasil. Decreto-Lei nº 3.689 de 03 de outubro de 1941 e alterações. Dispõe sobre o Código de
Processo Penal.
Caro estudante, nesta aula você terá a oportunidade de conhecer melhor as relações jurídicas
que podem resultar na prática de atos criminosos e suas consequências.
Disciplina
Direito Cibernético
Para tanto, você compreenderá a evolução do direito neste aspecto, bem como as dificuldades
de adequação da norma, a qual normalmente é derivada de atos praticados pela sociedade os
quais são entendidos como não aceitos, portanto, ilícitos civis, administrativos e penais.
A disseminação de redes sociais, o acesso à internet por crianças e adolescentes e a prática de
atos de abuso psicológico como o bullying passaram a ser preocupação do direito penal, já que
cada dia se tornam mais frequentes, sendo necessária uma ação do Estado para coibir tais
práticas.
Aproveite!
Saiba mais
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
BRASIL. Lei nº 12.737, de 30 de novembro de 2012. Dispõe sobre a tipificação criminal de delitos
informáticos; altera o Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; e dá outras
providências. Brasília/DF: Presidência da República, 2012. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 nov.
2022.
Brasil. Decreto-Lei nº 3.689 de 03 de outubro de 1941 e alterações. Dispõe sobre o Código de
Processo Penal. Disponível em: [Link]
Acesso em [Link].2022
CÂMARA DOS DEPUTADOS. Perseguição obsessiva é crime. Plenarinho, 15 abr. 2021. Disponível
em: [Link] Acesso em:
23 nov. 2022.
Câmara Federal. Notícias. Disponível em: [Link]
APROVA-CRIMINALIZACAO-DA-PERSEGUICAO-OBSESSIVA-OU-STALKING. Acesso em
[Link].2022
CANONGIA, C.; JUNIOR, R. M. Segurança cibernética: o desafio da nova Sociedade da
Informação. Revista Parcerias Estratégicas do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE),
v. 14, n. 29, p. 21-46, dez. 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em:
23 nov. 2022.
Cyber Security Insigths Report Brasil (2016). Disponível em:
[Link] Acesso em
[Link].2022
FULLER; G. P.; PEDROSA, J. M. B. F. Medidas cautelares e meios de prova nos crimes
cibernéticos. Revista dos Tribunais, v. 1031, p. 207- 224, set. 2021, DTR\2021\45755.
ISFS. Computer Forensics. Part 2: Best Practices. Information Security and Forensics Society,
ago. 2009.
Disciplina
Direito Cibernético
JANSEN, W.; AYERS, R. Computer Security – guidelines on cell phone forensics. National Institute
of Standards and Technology – NIST, Special Publication, 800-101, maio 2007, 104 p. Disponível
em: [Link] Acesso em: 26 fev. 2015.
PEREIRA, E. A. Ata notarial versus provas digitais como meio de prova em processo judicial.
[Link], 29 ago. 2021. Disponível em: [Link]
provas-digitais-como-meio-de-prova-em-processo-judicial. Acesso em: 23 nov. 2022.
PORFÍRIO, F. Cyberbullying. Brasil Escola, [s. d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 nov. 2022.
RODRIGUES, M. A.; TAMER, M. Justiça digital: o acesso digital à justiça e as tecnologias da
informação na resolução de conflitos. São Paulo: Jus Podivm, 2021.
SILVA, H. B. Perícia forense computacional em dispositivos móveis. 2015. 80 f. Trabalho de
Conclusão de Curso. Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas,
Instituto Municipal de Ensino Superior de Assis, SP. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 nov. 2022.
SILVA, R. L. Segurança cibernética: o cenário dos crimes virtuais no Brasil. Núcleo do
Conhecimento, 20 abr. 2021. Disponível em: [Link]
da-computacao/crimes-virtuais. Acesso em: 23 nov. 2022.
SILVEIRA, A. B. Os crimes cibernéticos e a Lei nº 12.737/2012 (“Lei Carolina Dieckmann”).
[Link], 25 jan. 2015. Disponível em: [Link]
ciberneticos-e-a-lei-n-12-737-2012-lei-carolina-dieckmann. Acesso em: 23 nov. 2022.
TD SYNNEX CORPORATION. Fraudes na nuvem: quais são os principais riscos e como enfrentá-
los? TD Synnex, [s. d.]. Disponível em: [Link]
os-principais-riscos-e-como-enfrenta-
los#:~:text=O%20vazamento%20de%20dados%2C%20classificado,criadas%20com%20e-
mails%20vazados. Acesso em: 23 nov. 2022.
Aula 4
Soluções Alternativas de Conflitos. Relações jurídicas dos Gamers
Introdução
Disciplina
Direito Cibernético
Caro estudante,
Chegamos à nossa 16ª aula, última aula da disciplina Direito Cibernético. Esperamos que você
tenha aproveitado!
Nesta nossa última aula você terá a oportunidade de conhecer mais algumas iniciativas
interessantes de soluções alternativas de conflitos com ênfase na democratização de acesso à
justiça.
Nesta linha de análise, será interessante conhecer as potenciais soluções adequadas (ou
alternativas) de conflitos com o uso de NFTs e criptomedas.
Na sequência, abordaremos a busca por uma eficiência econômica com a mudança da cultura
judicial que tradicionalmente é focada no litígio, iniciativa que não condiz com as melhores
práticas do capitalismo consciente e da agenda ESG (Environment, Social and Governance – em
tradução livre: Meio ambiente, Social e Governança Corporativa).
Por fim, abordaremos alguns temas desafiadores ao direito ao tratar das relações jurídicas com
gamers.
Vamos lá!
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Interessante observar a solução realizada pela plataforma Kleros, que busca uma solução de
ODR por meio da blockchain e uso de NFTs ou criptomoedas.
No Brasil temos um grande caso de sucesso da iniciativa pública pelo portal
[Link] que oferece um espaço para soluções de disputas entre
empresas e consumidores, e que apresenta uma taxa de eficácia superior a 90%. Outro caso
muito interessante é a solução adotada pelo Mercado Livre: a plataforma faz a própria
intermediação e já resolve os problemas de seus consumidores com uma taxa de efetividade
superior a 95%.
Além das iniciativas destacadas, é possível identificar algumas startups jurídicas (legaltech ou
lawtech) com ênfase na solução adequada de conflitos, conforme figuras a seguir. Você
encontrará uma série de outras soluções no site da Associação Brasileira de Legaltechs e
Lawtechs (AB2L).
Algumas pessoas entendem que esse tipo de iniciativa acaba por retirar trabalho dos advogados.
Porém, entendemos de maneira diferente: normalmente os conflitos de menor valor são
direcionados para este tipo de solução, atendendo às reais necessidades do consumidor de
forma rápida e com um custo expressivamente inferior. Esse tipo de solução representa uma
verdadeira democratização de acesso à justiça, uma vez que além de garantir uma solução
rápida e barata ao jurisdicionado, ainda acaba por desafogar o Poder Judiciário, permitindo que
juízes tenham mais tempo disponível para se dedicarem aos processos que efetivamente
precisam de uma solução judicial.
Se olharmos os dados da Justiça em Números publicado pelo CNJ ([s. d.]), constatamos que
atualmente temos em tramitação no Brasil, em média, um processo para cada dois cidadãos. Um
custo anual superior a 100 bilhões de reais, custeados pelo Estado em mais de 90% de seu valor.
Ou seja, somado com outros custos, o Poder Judiciário tem um orçamento superior ao Ministério
da Educação e ao Ministério da Saúde. Precisamos rever essa cultura com extrema urgência.
Além de todos estes argumentos, o próprio advogado poderá prestar seus serviços no
aconselhamento, na consultoria e no preventivo, em vez de dedicar a maior parte de seu tempo
para demandas que não representarão um ganho efetivo de honorários.
Direito Cibernético
Outro ponto interessante ao profissional do direito que busca uma atuação na área do direito
cibernético é justamente a busca pela eficiência econômica e conscientização pelo não conflito
judicial em tempos de redes sociais e ESG (Environment, Social and Governance – em tradução
livre: Meio ambiente, Social e Governança Corporativa).
O que isso quer dizer?
Em 2017 os professores americanos Richard H, Thaler e Cass R. Sunstein ganharam o Prêmio
Nobel de economia com a obra Nudge, que abre os estudos da chamada economia
comportamental. Um dos seus focos de estudo é como criar motivação emocional para uma
maior eficiência econômica das transações negociais. Ou seja, é a junção da neurociência, da
inteligência emocional e das teorias econômicas.
Com esses estudos, chegou-se à conclusão de que certas motivações emocionais tem maior
poder de persuadir o cidadão a tomar determinadas atitudes. A teoria também estuda as
consequências reputacionais em relação a produtos, serviços, marcas etc.
Esses estudos mostraram que, se um Estado busca ser mais eficiente no procedimento de
arrecadação de tributos, evitando que o contribuinte fique inadimplente, será muito mais barato e
eficiente ao Estado criar um programa de premiação para quem recolhe tributos em dia ou
solicita a emissão da nota fiscal do que efetivamente punir quem não paga tributos de forma
pontual. Veja-se o exemplo que começou no Estado de São Paulo e depois foi repetido em todo o
território nacional, com a premiação das pessoas físicas que solicitam a emissão de notas
fiscais com a indicação do número do CPF do consumidor.
Na mesma linha, concluiu-se que as pessoas buscam concentrar suas compras com marcas,
lojas do comércio e prestadores de serviços que estão constantemente preocupados com a sua
Disciplina
Direito Cibernético
Direito Cibernético
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Outro ponto importante é o direito de personalidade e a defesa das pessoas que estão realizando
a prática esportiva, as quais têm seus nomes e imagens divulgadas e associadas a
determinados times ou jogos. A respeito da personalidade seguimos o pensamento do professor
Gustavo Tepedino, que instrui o seguinte:
Os enunciados 278 da IV Jornada de Direito Civil e 587 da VII Jornada de Direito Civil do CJF2
consistem na violação da publicidade e personalidade se houver divulgação sem autorização da
pessoa. Portanto, a associação do nome e imagem de um jogador deve ser precedida da
respectiva autorização e/ou cessão de direito de imagem e voz com propósitos específicos,
como para finalidades publicitárias.
Os profissionais gamers, quando participam de campeonatos, streaming e lives, têm sua imagem
utilizada para fins comerciais e econômicos – nestes casos, o jogador previamente autoriza o
uso e cede alguns direitos da personalidade. Considerando que tais práticas estão associadas a
uma cessão por contrato por adesão, há um claro ponto de desafio ao direito, seja quanto à sua
validade, bem como quanto à sua eficácia e alcance da respectiva cessão de direitos.
Importante ressaltarmos que o gamer normalmente tem uma relação profissional com alguma
equipe determinada, obtendo remuneração. Para que isso ocorra de forma correta é necessário
estabelecer um contrato de prestação de serviços, com a fixação de um valor mensal como
pagamento. Portanto, havendo a caracterização dos elementos de um contrato de trabalho,
deverão ser previstos os respectivos direitos trabalhistas, como décimo terceiro salário, FGTS,
férias e jornada de trabalho.
Por fim, deve-se levar em conta que muitos jogadores são pessoas que ainda não atingiram a
maioridade civil – são crianças ou adolescentes. As normas específicas aos contratos
desportivos contam com tais previsões em conjunto com o Estatuto da Criança e do
Adolescente. Mas para a sua aplicação, devemos considerar que os jogos eletrônicos estão
inseridos na realidade de tal norma, fato que ainda é controverso diante da falta de adaptação
legislativa a essa realidade.
_______
1 TEPEDINO, Gustavo; OLIVA, Milena D. Fundamentos de Direito Civil – Vol I – Teoria Geral do
Direito Civil. Rio de Janeiro: Forense/Grupo GEN, 2020. p154.
2 Disponível em: Jornadas de Direito Civil Enunciados Aprovados. Acesso em [Link].2022
Direito Cibernético
Caro estudante, nesta videoaula você terá a oportunidade de conhecer as mais modernas
técnicas de soluções adequadas (ou alternativas) de conflitos por meio das chamadas ODRs
(soluções on-line de conflitos). Além disso, vai analisar a relação das ODRs com os conceitos
vistos em redes distribuídas de criptomoedas e NFTs. São soluções que buscam eficiência na
solução de conflitos e na própria democratização na solução de problemas do cidadão.
Na linha da eficiência, você estudará uma importante mudança de comportamento e, ao mesmo
tempo, uma mudança cultural esperada do profissional do direito, especialmente para aquele que
trabalha no ramo do direito cibernético. Tal mudança resulta em práticas que evitam o conflito,
além de boas práticas com o objetivo de melhoria reputacional das empresas e pessoas.
Reputação, em tempos de redes sociais e massificação do processo comunicacional, é
fundamental. Tais teses tem como pano de fundo a Teoria da Economia Comportamental, que
rendeu um Prêmio Nobel em 2017 aos professores Richard H. Taler e Cass R. Sunstein com a
obra Nudge.
Fechando a disciplina, veremos as relações jurídicas com os gamers, temática contemporânea e
que traz grandes desafios ao profissional do direito.
Aproveite!
Saiba mais
Disciplina
Direito Cibernético
Para aprofundar a temática das soluções on-line de conflitos e a sua importância como
instrumento de desjudicialização, indicamos a leitura e estudo do seguinte artigo do Ministro do
Superior Tribunal de Justiça, Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, disponível na base eletrônica da
Biblioteca Digital, base de dados da Revista dos Tribunais Online.
CUEVA, R. V. B. Resolução de disputas on-line (ODR) e desjudicialização. Boletim Revista dos
Tribunais Online, v. 27, maio 2022, DTR\2022\6229.
No artigo em análise, você verá as principais características dos meios adequados de soluções
de conflitos, com ênfase a ODR (Online Dispute Resolutions – soluções on-line de conflitos). O
Ministro destaca o importante papel das ODRs na desjudicialização dos conflitos de menor valor
e/ou complexidade, bem como o importante papel para a democratização do acesso à justiça
com a redução do número de processos em tramitação.
Bons estudos!
Referências
Direito Cibernético
DIAS, E. S. Resolução online de conflitos: reflexos jurídicos e sociais. Âmbito Jurídico, 1 nov.
2020. Disponível em: [Link]
conflitos-reflexos-juridicos-e-
sociais/#:~:text=A%20resolu%C3%A7%C3%A3o%20online%20de%20conflitos,lit%C3%ADgios%20
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Aula 5
Resumo da unidade
Direito Cibernético
Direito Cibernético
Civil), terá a mesma validade e força que um documento público (gênero), tendo plena validade e
eficácia, inclusive com força executiva nos termos do artigo 784, II, Código de Processo Civil.
Como você viu, os chamados contratos inteligentes representam uma espécie do gênero
contrato eletrônico, tendo características próprias. O contrato inteligente (Smart Contract) é uma
das formas de contratação por meio eletrônico, igualmente válido e eficaz, com base na
legislação vigente no Brasil.
E como toda relação jurídica contratual está sujeita a conflitos e inadimplemento, você viu uma
das soluções adequadas de conflitos, no caso, uma solução on-line de conflitos que já é aplicada
globalmente há aproximadamente 20 anos: é a ODR – Online Dispute Resolutions ou
simplesmente soluções on-line de conflitos. E qual é a conexão das ODRs com os NTFs,
blockchain e criptomoedas? No final da disciplina vimos este conteúdo.
Encerrando, compreendemos os conceitos e principais desafios às relações jurídicas com
gamers.
Caro estudante, você está convidado a acompanhar nosso podcast, no qual você terá a
oportunidade de revisar todos os principais temas e questões jurídicas relevantes do direito
cibernético e que foram objeto de estudo nesta unidade.
Você terá acesso a uma conversa sobre os temas tratados, como os contratos eletrônicos, Smart
Contracts, soluções adequadas de conflitos e a nova cultura que todo profissional do direito deve
buscar, ou seja, as soluções adequadas de conflitos como ferramenta de eficiência econômica.
Estudo de caso
Disciplina
Direito Cibernético
Caro estudante, tendo conhecido todo o conteúdo abordado até o momento, chegou o momento
de colocarmos esse estudo em prática. Vamos lá?
Nestes estudos, vamos analisar o caso debatido no Recurso Especial nº 1.495.920 do Superior
Tribunal de Justiça.
Pelo texto do acordão, a matéria de fundo sob exame é possível de ser resumida como: um
contrato eletrônico assinado digitalmente pelas partes é válido, eficaz e representa um título
executivo extrajudicial?
O julgamento ocorreu em agosto de 2018, tendo o STJ decidido por maioria de votos que o
contrato eletrônico é um título executivo extrajudicial, mesmo que não esteja assinado por duas
testemunhas. Destacou-se que o contrato eletrônico assinado com certificado digital é imutável
e de confiança, portanto, é um título líquido, certo e exigível.
Concordamos com a solução dada ao caso, mas discordamos dos fundamentos apontados,
especialmente pela dispensa de duas testemunhas, já que o nosso sistema legal exige a
cartularidade e os elementos típicos aos título, não cabendo, com todo o respeito, ao Poder
Judiciário mudar a lei, esta, uma competência do legislativo.
_______
Reflita
Você deve identificar quais são os fundamentos legais que justificam o contrato eletrônico ser
um título executivo extrajudicial, mesmo o contrato não tendo duas testemunhas, e sem alterar a
lei vigente.
Para a solução do caso apresentado, você deve:
Direito Cibernético
Conhecer as regras processuais para a caracterização dos títulos executivos que podem
instruir um processo de execução de título extrajudicial.
Direito Cibernético
Já o artigo 10 da MP 2.200-2 prevê que os documentos assinados com certificado digital terão a
mesma força e eficácia, sejam eles públicos ou particulares, que passam a se equivaler para os
devidos efeitos legais.
Assim, um contrato eletrônico com assinatura digital ou com certificado digital terá a mesma
força de um contrato por instrumento público.
Já a previsão do inciso II do artigo 784 do Código de Processo Civil estabelece que o documento
público assinado pelo devedor é um título executivo extrajudicial capaz de instruir um processo
de execução. Nesta hipótese não há a exigência legal de inclusão de duas testemunhas, de
forma que o título será executado sem a necessidade de adequação ou de desprezar a lei.
_______
1 Brasil. Medida Provisória nº 2.200-2 de 24 de agosto de 2001. Dispõe sobre Institui a Infra-
Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, transforma o Instituto Nacional de Tecnologia
da Informação em autarquia, e dá outras providências.
Resumo visual
Disciplina
Direito Cibernético
Disciplina
Direito Cibernético
Referências
Disciplina
Direito Cibernético
Brasil. Medida Provisória nº 2.200-2 de 24 de agosto de 2001. Dispõe sobre Institui a Infra-
Estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, transforma o Instituto Nacional de Tecnologia
da Informação em autarquia, e dá outras providências. Disponível em:
[Link] Acesso em [Link].2022
REBOUÇAS, R. F. Contratos Eletrônicos: formação e validade. 2. ed. São Paulo: Almedina, 2018.
REBOUÇAS, R. F. Contratos Eletrônicos e sua Força Executiva. Revista Científica Virtual da Escola
Superior da Advocacia, nº 35, 2020 (Direito, Inovação e Tecnologia: desafios da economia 4.0).
Disponível em: [Link] Acesso em: 23 nov. 2022.