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A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA À LUZ DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA:

CIDADANIA CULTURAL E DIREITO A DIVERSIDADE LINGUÍSTICA

Luiz Henrique Eloy Amado (Acadêmico do Curso de Direito), Marta Regina Brostolin (Orientadora). E-mail: Luiz-eloy@hotmail.com, brosto@ucdb.br

Resumo

O presente artigo é resultado de pesquisa de iniciação científica desenvolvida junto ao

PIBIC/UCDB, que teve por objetivo buscar elementos que constituíam o direito a cidadania cultural dos indígenas da Aldeia Buriti. A aldeia se localiza no município de Dois Irmãos do Buriti, Mato Grosso do Sul, e é nesta comunidade que está inserida a

escola indígena Alexina Rosa de Figueiredo. Foi nesta escola que desenvolvemos nossa

pesquisa de campo, tendo como sujeitos os alunos de faixa etária de 13 a 17 anos, que cursam do 9º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio e professores indígenas, todos da etnia Terena. Foram aplicados questionários no intuito de verificar

se os dispositivos legais estão sendo aplicados ao caso concreto e para a discussão dos

dados levantados partimos do pressuposto de que todo ser humano necessita de um “piso mínimo” existencial para que possa viver na sociedade com dignidade e, a partir disso, tínhamos em mente que a educação faz parte dessa gama que possa garantir a base do ser humano. Dessa forma, procuramos em nossa pesquisa demonstrar como a educação indígena se insere dentro desse contexto, buscando base nos princípios gerais de direitos humanos e também levando em conta toda especificidade da educação indígena. Neste trabalho abordamos também a educação indígena sob a ótica da atual legislação vigente em nosso país. Pois bem, são esses os pontos primordiais de nossa pesquisa e que se encontra neste ensaio de maneira muito tímida visto que tal tema é merecedor de um aprofundamento maior que não se esgota.

Palavras-chave: Educação Indígena; Dignidade Humana; Cidadania Cultural e Direito a Diversidade.

Apoio: UCDB

1. Considerações Iniciais

O ser humano já nasce dotado de natureza e potencialidade, mas a preservação destas e o seu desenvolvimento exigem ambientes e recursos adequados. O homem é capaz de aprender e ensinar e é, mediante a aprendizagem, que o indivíduo passa a compreender a si mesmo, o outro mundo e o mundo em que se encontra inserido 1 . Tal compreensão é resultado de um processo educativo; a educação é indispensável não só a existência humana, mas também, ao contínuo aperfeiçoamento do ser humano; e é por isso que a Constituição Federal consagrou o Princípio da Dignidade da pessoa humana, não só consagrou como também o colocou como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Em seu Art. 6º, a Constituição Federal de 1988 coloca a educação como um direito social, que tem por objetivo criar condições para que a pessoa se desenvolva, para que possa adquirir o mínimo necessário para viver em sociedade. Por outro lado, sabemos que a cultura de um povo é que marca os traços distintivos espirituais e naturais, sendo a língua o elemento fundamental da diversidade cultural. Portanto, não se pode falar em direitos culturais lingüísticos sem considerar o acolhimento pelo ordenamento jurídico do respeito à língua materna e do reconhecimento do direito da comunidade de se expressar de acordo com os valores que afirmam sua identidade cultura (SOUZA FILHO, 1998). Embora a Constituição Federal não defina o que é patrimônio cultural brasileiro, dispõe que seu tratamento deve se pautar no respeito à diversidade e a liberdade na busca da igualdade material entre e para os grupos formadores da sociedade brasileira (SANTILLI, 1993). Sabemos que a escola é uma instituição criada pelas sociedades ocidentais, por isso traz características ocidentais. E, ao mesmo tempo, são inúmeras as escolas indígenas que são obrigadas a seguir programas curriculares determinados por secretarias de educação que exigem cumprimento de horários, calendários, modos de avaliação das crianças e outros quesitos nada compatíveis com os processos educativos presentes nas diferentes sociedades indígenas (CARVALHO, 2002). Diante disso, convém salientar que nossa Constituição Federal reconhece o direito dos povos indígenas a uma educação específica e diferenciada. Ademais,

1 GOMES, Sérgio Alves. O Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana e o Direito Fundamental à Educação. Disponível em:

http://www.fagundescunha.org.br/amapar/revista/artigos/sergio_principio.doc

vivemos em uma sociedade letrada e o domínio da leitura, escrita e interpretação é fundamental para nossa sobrevivência num mercado altamente competitivo e excludente, que exige cada vez mais um bom nível de qualificação. Sabemos também que, sem esse domínio, poucas serão as oportunidades de participação social e política, inviabilizando assim o exercício da cidadania. Por isso, partindo desse princípio maior, procuraremos aqui neste trabalho analisar a educação escolar indígena, identificar o exercício da cidadania, o direito a diversidade, a dignidade ligada à memória de seus povos em relação à língua, a identidade, a cultura e as ações que buscam reconhecer todos os direitos inerentes do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. Assim há de prevalecer à idéia de condições essências para que o homem tenha

o chamado “mínimo existencial”, e a educação faz parte desse piso mínimo que integra

a dignidade humana, por isso é preciso considerar a realidade dos povos indígenas, seus conhecimentos e cosmovisões no que tange a uma educação específica e diferenciada.

2. A Educação Indígena a luz da Legislação

2.1 Educação Indígena e a Constituição Federal de 1988

A nossa Carta Magma de 1988 declara em seu Art. 6º, “São direitos sociais a

Já o Art. 205 reafirma que “educação é um direito de todos e dever do

educação”, [

Estado e da família”. Continuando, o Art. 206 traz o rol dos princípios que devem reger

a educação, vejamos:

].

Art. 206 - O ensino será ministrado com base nos seguintes

princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o

pensamento, a arte e o saber;

III

- pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência

de

instituições públicas e privadas de ensino;

IV

- gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na

forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;

VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

VII - garantia de padrão de qualidade.

VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.

Antes de analisarmos os artigos específicos referentes à educação indígena, necessário se faz fazer uma breve reflexão quanto aos artigos supracitados que dizem

respeito à educação de um modo geral. Em relação ao Art. 205, o Supremo Tribunal Federal tem entendido que “A educação é um direito fundamental e indisponível dos indivíduos. É dever do Estado propiciar meios que viabilizem o seu exercício. E em caso de omissão da Administração importa afronta à Constituição.” (RE 594.018-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 23-6-09, 2ª Turma, DJE de 7-8-09). Destarte ressaltar que, sendo a educação um direito fundamental, ninguém pode ser privado de ter acesso a esse direito e que cabe à administração pública fazer valer esse direito. Mais uma vez é possível afirmar que a educação faz parte do “mínimo existencial” que todo ser humano deve ter ao seu alcance. Quanto ao Art. 206, passamos a tecer algumas considerações levando-se em conta o atual entendimento do Supremo Tribunal Federal. O Primeiro inciso trata da igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. A essência desse dispositivo deve estar em consonância com o princípio da igualdade material, ou seja, o Estado deve se comportar de tal maneira que quando do atendimento a esse dispositivo, deve ser levado em conta à especificidade de cada sujeito que será o destinatário de suas ações educacionais. Extrai-se também desse dispositivo que é vedado qualquer tipo de restrição para aquele que deseja ter acesso a escola, seja por problemas de deslocamento no caso das escolas situadas no campo ou mesmo por alegação de falta de vaga na escola. O inciso segundo trata da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. Importante interpretar este texto a luz da realidade das escolas indígenas sendo necessário reconhecer que a comunidade indígena possui um processo próprio de ensino-aprendizagem e que o mesmo é anterior aos projetos pedagógicos elaborados pelas Secretarias de Educação. Desta forma, qualquer interferência nessa liberdade que lhes são reconhecidas é uma afronta a Constituição Federal.

Em relação ao Art. 208 da CF/88, Pontes de Miranda, nos seus comentários à CF/1946, afirma: “Quanto à estrutura do Direito à Educação, no estado de fins múltiplos, ou ele é um direito público subjetivo, ou é ilusório” (1953, p. 151). Quanto ao sentido da expressão “direito público subjetivo”, Cretella afirma que:

O Art. 208, § 1º, da Constituição vigente não deixa a menor dúvida a respeito do acesso ao ensino obrigatório e gratuito que o educando, em qualquer grau, cumprindo os requisitos legais, tem o direito público subjetivo, oponível ao Estado, não tendo este nenhuma possibilidade de negar a solicitação, protegida por expressa norma jurídica constitucional cogente (1993, v. 8, p. 4418).

No comentário à declaração do Direito à Educação enquanto o primeiro dos

todo cidadão brasileiro tem o direito subjetivo público de

exigir do Estado o cumprimento da prestação educacional, independentemente de vaga,

sem seleção, porque a regra jurídica constitucional o investiu nesse status, colocando o Estado, ao lado da família, no poder-dever de abrir a todos as portas das escolas públicas e, se não houver vagas nestas, das escolas privadas, pagando as bolsas aos estudantes (CRETELLA, 1991, v. 2, p. 881-2). Os dispositivos introduzidos permitem a exigência de cumprimento desse direito ao Poder Público. O § 2º do Art. 208 afirma

o não oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público, ou sua oferta

irregular, importa responsabilidade da autoridade competente”. Essa previsão possibilita responsabilização, pessoal e diretamente, a autoridade incumbida da oferta deste direito, e não apenas o Poder Público em geral. O Art. 210 assim preceitua:

Art. 210 - Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. § 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. § 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.

que: “[

Direitos Sociais, afirma: [

]

]

Neste ponto, a nossa carta política assegura as escolas indígenas o uso da língua materna e o processo de aprendizagem da própria comunidade. Importante diferenciar aqui a Educação Escolar Indígena da Educação Indígena. A Educação Indígena é o processo próprio da comunidade, baseando-se nos ensinamentos transmitidos pelos mais velhos aos mais novos através da oralidade, já a Educação Escolar Indígena se deu a partir da implantação das escolas nas comunidades indígenas que a princípio pautava-se numa visão integracionista das comunidades indígenas a chamada “comunhão nacional”. É o que se infere da seguinte afirmação:

a educação escolar e a educação indígena são completamente

diferentes, ou seja, a segunda não se encerra na escola. A escola foi forjada para transmitir alguns conhecimentos, e o faz a partir de preceitos e condições que estão longe de serem universais. A idéia de que se deva haver um modelo de ensino especializado para as crianças, material específico e profissionais especializados e um espaço e tempo para esse aprendizado são construções históricas, que dizem respeito a uma história particular, a ocidental. Ao transpor esse modelo à populações com outras histórias e culturas, vemos que por

] [

melhor que seja a intenção e esforço, com uma espécie de resíduo: o de que essa escola está ligada a uma idéia de infância, cultura, conhecimento, aprendizado e disciplina. A educação escolar (escola) não é produto da cultura indígena. Nesse sentido, quero apontar para que a instituição é uma imposição de fora para dentro, a escola entra nas sociedades indígenas com todos os problemas existentes na escola não indígena 2 .

Por fim, como bem afirma Grabner 3 , a que se concluir que na ótica constitucional a educação escolar indígena é direito social fundamental das comunidades indígenas, tendo por base o acesso aos conhecimentos universais, à utilização das línguas maternas e de processos próprios de aprendizagem que valorizam os conhecimentos e práticas tradicionais dos povos indígenas. A Constituição Federal de 1988 reconheceu o Brasil como um Estado pluriétnico e multicultural em seus Artigos 215 e 216. O Artigo 231, por sua vez, reconheceu aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e o Art. 210 ao se referir à fixação dos conteúdos mínimos para o ensino fundamental, assegurou a formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais. A Constituição Federal vem integrada por legislação que trata da educação, que serão analisadas mais adiante, nas quais é abordado o direito dos povos indígenas a uma educação diferenciada, caracterizada pela utilização das línguas maternas, pela valorização dos conhecimentos tradicionais e saberes milenares e pela capacitação de professores indígenas para atuarem em suas próprias comunidades. Esse ordenamento jurídico de âmbito federal tem encontrado complementação nas esferas estaduais que procuram adequar preceitos nacionais às suas peculiaridades locais.

2.2 Educação Indígena e os Tratados Internacionais de Direitos Humanos

Nos últimos anos temos observado um movimento internacional em prol dos direitos humanos, segundo Flávia Piovesan 4 , fortalece-se a idéia de que a proteção dos direitos humanos não deve se reduzir ao domínio reservado do Estado, isto é, não deve se restringir à competência nacional exclusiva ou à jurisdição doméstica exclusiva, porque revela tema de legítimo interesse internacional. Dessa forma, procuraremos aqui

2 TEDESCHI, Losandro Antonio (org.) et al. Abordagens Interculturais. URI/Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 2008. 200p. : il. 3 Maria Luiza Grabner. Procuradora do Estado de São Paulo. Fonte: Dicionário de Direitos Humanos do Ministério Público da União. 4 Flávia Piovesan. Direitos Humanos Globais, Justiça Internacional e o Brasil. Disponível em:

http://www.escolamp.org.br/ARQUIVOS/15_07.pdf . Acesso: 29/06/2010.

nesse ensaio trazer à baila algumas considerações a respeito da educação escolar indígena sob a ótica de alguns tratados internacionais. Podemos de início fazer alusão a Convenção 169 da OIT 5 . A Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, sobre Povos Indígenas e Tribais, foi adotada em Genebra, em 27 de junho de 1989 e introduzida no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto n. 5.051/04. Em seu Art. 26, a citada convenção, seguindo os mesmos princípios adotados pela nossa Constituição diz que “deverão ser adotadas medidas para garantir aos membros dos povos interessados a possibilidade de adquirirem educação em todos os níveis, pelo menos em condições de igualdade com o restante da comunidade nacional”. Destarte, vale aqui os mesmos comentários no que se refere ao princípio da igualdade de acesso a educação. No Art. 27 fica assegurada a participação dos povos indígenas no desenvolvimento de programas e serviços destinados a comunidade indígena e, ainda, tais ações devem abranger a história, os conhecimentos e técnicas, os sistemas de valores e todas as demais aspirações sociais, econômicas e culturais dos povos indígenas. Interessante também é o Art. 28 que diz “sempre que for viável, dever-se-á ensinar às crianças dos povos interessados a ler e escrever na sua própria língua indígena ou na língua mais comumente falada no grupo a que pertençam. Quando isso não for viável, as autoridades competentes deverão efetuar consultas com esses povos com vistas a se adotar medidas que permitam atingir esse objetivo. Importante é o Art. 29, que consagra um dos objetivos que perseguimos desde o início de nossa pesquisa, tal dispositivo cristaliza uma das finalidades da educação das crianças indígenas, que se resume em proporcionar-lhes conhecimentos gerais e aptidões que lhes permitam participar plenamente e em condições de igualdade na vida de sua própria comunidade e

5 A educação escolar indígena, diferenciada e de qualidade, é garantida pela Convenção 169 da OIT

(aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 143 de 20/06/2002) que conclama os governos membros

a reconhecer o direito desses povos de criarem suas próprias instituições e meios de educação,

possibilitando o ensino ministrado também na língua indígena, a formação de membros desses povos e a participação na formulação e execução de programas de educação de modo a atender as suas necessidades particulares, abrangendo sua história, seus conhecimentos e técnicas, seus sistemas de valores e todas as

suas demais aspirações sociais, econômicas e culturais. Assim, a política nacional da educação indígena já

se encontra perfeitamente traçada no texto constitucional e dispõe de mecanismos legais que permitem a

sua aplicabilidade. Portanto, a omissão do administrador federal, estadual ou municipal na realização das

finalidades da política principal constitui violação dos direitos humanos individuais e coletivos desses povos, podendo acarretar a responsabilização do Estado brasileiro tanto no âmbito interno, quanto no âmbito internacional, por afronta aos tratados internacionais que conferem proteção à diversidade étnico- cultural, tais como a Convenção 169 da OIT. Fonte: www.esmpu.gov.br/Educaçãoindígena

na da comunidade nacional. Ora, aqui detectamos nitidamente o fim maior da educação que é preparar o indivíduo para o exercício da cidadania. Outro instrumento internacional que podemos nos valer também é a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas aprovada na ONU em 13 de setembro de 2007, em Nova Iorque. Importante frisar que, na exposição de motivos, a assembléia reconheceu o direito das famílias e comunidades indígenas em seguir compartindo a responsabilidade pela criança, a formação, a educação e o bem-estar de seus filhos, em coordenação com os direitos da criança. E ainda, reconheceu que o respeito aos conhecimentos, as culturas e as práticas tradicionais indígenas contribui para o desenvolvimento sustentável e eqüitativo e o ordenamento adequado ao meio ambiente. Em seu Art. 14, a Declaração da ONU para os Povos Indígenas prevê que “todos os povos indígenas têm o direito em estabelecer e controlar seus sistemas e instituições docentes que compartilham educação em seus próprios idiomas, em consonância com seus métodos culturais de ensino aprendizagem. E ainda complementa afirmando que as pessoas indígenas em particular as crianças, têm direito a todos os níveis e formas de educação do Estado sem discriminação. Já em relação ao Estado, firma-se o entendimento de que os órgãos públicos devem adotar medidas eficazes, junto com os povos indígenas, para que as pessoas indígenas, em particular as crianças, inclusive os que vivem fora de suas comunidades tenham acesso, quando seja possível, a educação em sua própria cultura e no próprio idioma. Assim é de se conhecer que a educação indígena está protegida por todo um aparato legal de cunho internacional e humanitário. Mais do que isso, é possível afirmar que toda essa proteção vem revestida de um caráter compensatório, no sentido de ver o direito alcançando aqueles que na história da humanidade, sempre estiveram descobertos pelo manto protetor do Estado.

2.3 Educação Indígena e a Legislação

Em âmbito nacional a educação escolar indígena também é objeto de leis que em harmonia com a Constituição Federal vem traçando parâmetros legais. Nesse passo, passamos a análise de algumas delas. Podemos começar analisando a Lei n. 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, que em seu Art. 78 assim preceitua:

Art. 78. O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos índios, desenvolverá programas integrantes de ensino e pesquisa, para a oferta de educação bilíngüe intercultural aos povos indígenas.

Ressalta-se aqui que é incumbência da União a organização da escola indígena, podendo ainda haver colaboração com os Estados e Municípios. No mais

frise-se que o aludido dispositivo faz referência à educação bilíngüe nas escolas indígenas. Ademais, o Art. 79 da Lei em comento, prevê que a União apoiará técnica e financeiramente os sistemas de ensino estaduais e municipais no provimento da educação intercultural às sociedades indígenas, desenvolvendo “programas integrados

de ensino e pesquisa [

com os objetivos de fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna [ ]

desenvolver currículos e programas específicos, neles incluindo conteúdos culturais

correspondentes às respectivas comunidades [

material didático específico e diferenciado”. Por fim, cabe aqui lembrar que a LBD adotou como um dos princípios norteadores o pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. Faz-se necessário trazer aqui as considerações de Grabner 6 , para ela a Resolução nº 3 do Conselho Nacional da Educação, de 10/11/1999, ao interpretar a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), fixa diretrizes nacionais para funcionamento das escolas indígenas, definindo, por exemplo, as esferas de competência e responsabilidade pela oferta da educação escolar aos povos indígenas; estabelece um regime de colaboração entre União, Estados e Municípios, cabendo à União legislar, definir diretrizes e políticas nacionais, apoiar técnica e financeiramente os sistemas de ensino para o provimento de programas de educação intercultural e de formação de professores indígenas, além de criar programas específicos de auxílio ao desenvolvimento da educação. Aos Estados cabe a responsabilidade “pela oferta e execução da educação escolar indígena, diretamente ou por regime de colaboração com seus municípios”, integrando as escolas indígenas como “unidades próprias, autônomas e específicas nos sistema estadual” e provendo-as com recursos humanos, materiais e financeiros, além de instituir e regulamentar o magistério indígena.

elaborar e publicar sistematicamente

],

]

planejados com audiência das comunidades indígenas [

],

6 Maria Luiza Grabner. Procuradora do Estado de São Paulo. Fonte: Dicionário de Direitos Humanos do Ministério Público da União.

Por conseguinte, podemos agora fazer uma breve reflexão em relação à Lei nº 6.001/73 - Estatuto do Índio e o Decreto Presidencial nº 26/91, que retirou a incumbência exclusiva do órgão indigenista (FUNAI) de conduzir processos de educação escolar nas sociedades indígenas, atribuindo ao MEC a coordenação das ações, e sua execução aos estados e municípios. O estatuto do Índio nos Arts. 47 a 50 vêm tratando da educação escolar indígena no sentido de garantir o uso da língua materna no processo de ensino e também ver valorizado a cultura dos povos indígenas. Importante aqui, fazer críticas ao Art. 50 da lei que prevê que a “educação do índio será orientada para a integração na comunhão nacional mediante processo de gradativa compreensão dos problemas gerais e valores da sociedade nacional, bem como do aproveitamento das suas aptidões individuais”. Podemos ressaltar que tal dispositivo está em descompasso com a Constituição Federal de 88, sendo letra morta no mundo jurídico e não podendo ser cogitada sua aplicação.

3. A educação Escolar na Aldeia Buriti

A Aldeia Buriti está localizada no município de Dois Irmãos do Buriti, Mato Grosso do Sul, e é nesta comunidade que está localizada a escola indígena Alexina Rosa de Figueiredo. Foi nesta escola que desenvolvemos nossa pesquisa de campo, tendo como sujeitos os alunos de faixa etária de 13 a 17 anos, que cursam do 9º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio e professores indígenas, todos da etnia Terena. Após consultarmos toda a legislação referente à educação escolar indígena, passamos à etapa de pesquisa de campo. Foram aplicados questionários junto aos alunos da escola indígena no intuito de verificar se os dispositivos legais estão sendo aplicados ao caso concreto. Os resultados serão apresentados na seqüência deste trabalho.

3.1 Elementos Constitutivos do Direito a Educação

Com base em leituras e analisando os textos legais que tratam da matéria, começamos de maneira muito tímida a buscar elementos que constituem o direito a educação. A princípio, como bem salienta KAXINAWÁ 7 temos que reconhecer as escolas indígenas são diferentes das escolas não-indígenas porque possui características

7 Professor Joaquim Maná Kaxinawá, T.I. Praia do Carapanã.

de ensino próprias. Essas são grandes diferenças. Os regimentos escolares também diferem em vários pontos, como: calendário escolar, carga horária, conteúdos, metodologia de ensino, etc. É diferente porque trabalha respeitando as maneiras tradicionais dos velhos passarem os conhecimentos para os jovens. É diferente porque o professor é o principal autor de seus próprios materiais didáticos usados na escola e usa tanto o conhecimento na escrita quanto o conhecimento oral. A aproximação com a escola não-indígena é pelo caráter de ensino que fazem em busca dos seus conhecimentos sociais e da cidadania. Após esse reconhecimento, é necessário que o Estado brasileiro trabalhe em consonância com a era de direitos em que estamos vivendo. Na ótica dos direitos humanos, há necessidade de políticas públicas que levem em conta a especificidades dos seus destinatários, ou seja, reconhecendo que a comunidade indígena integra um grupo especial, surge a necessidade de se concretizar medidas especiais que vão de encontro com a realidade desses sujeitos. Portanto, já que a nossa Carta Magna reconheceu a autonomia dos povos indígenas, surge agora à necessidade de assegurar a efetivação de tal direito, no que diz respeito à educação, há a necessidade da própria comunidade ter o controle político, administrativo e, principalmente pedagógico, ou seja, uma escola formada por um corpo de professores índios, com currículo e regimento próprios e reconhecidos oficialmente pelo Estado. E, por fim, contar com a contribuição do Estado na constante busca de soluções de problemas das comunidades indígenas. Portanto, podemos concordar com a conclusão de Ferreira 8 , que relata que a história do índio na epígrafe, mostra que todos têm conhecimento próprio da sua cultura ou da sociedade a qual pertence, que todos os saberes devem ser respeitados e ninguém é superior ao outro, sendo na relação dos diferentes que se produzem conhecimentos, em uma relação de igualdade e respeito. A escola faz isso?

3.2 Aspectos da Escola Alexina Rosa de Figueiredo na ótica da legislação.

Neste tópico, tomamos por base a atual legislação que trata da educação escolar indígena e, a partir dos dados coletados evidenciamos:

8 In: TEDESCHI, Losandro Antonio (org.) et al. Abordagens Interculturais. URI/Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 2008. 200p. : il.

De pronto, o que procuramos verificar é se o art. 49 da lei n. 6.001/73 e Art. 210 § 2ª da CF/88, que prevê a utilização da língua materna dentro da sala de aula estão sendo cumpridos e, foi constatado que a língua materna é lecionada na sala de aula, sendo reservadas duas aulas semanais para as séries de 1º ao 9º; e uma aula semanal para as séries de 1º ao 3º anos do ensino médio. Depois, passamos a perseguir o Art. 242 §1º da CF/88, que em relação ao ensino de história do Brasil, se são levadas em conta as contribuições dos povos indígenas na formação do Estado brasileiro. O que constatamos é que para as séries de ensino médio (1º ao 3º ano), é reservada uma aula semanal para a disciplina denominada “Questão Indígena”, onde segundo os entrevistados é abordada a temática da história do Brasil e a presença do índio dentro deste contexto. Após, com base no Art. 78, inciso II da LBD que preceitua: “garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científicos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não- índias”. Constatamos que a escola possui sala de informática, mas por outro lado, não está equipada com acesso a internet, o que se pode concluir que o dispositivo legal em comento não está sendo cumprido em sua totalidade. Ademais, quando foi perguntado:

qual a principal fonte de informação? Responderam que é o Jornal Nacional, que é transmitido pela televisão. Passamos depois a verificação do Art. 28 da LBD que diz: ”Na oferta de educação básica para a população do campo, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região”. Em seu inciso I, “conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos”. Numa conversa informal, os alunos elegeram a Língua Portuguesa, Matemática e Física como sendo as matérias mais importantes para eles. Por outro lado, podemos ver que as disciplinas “Língua Materna e Questões Indígenas” vêm de encontro com o inciso do dispositivo legal em comento, visto que tais matérias atentam para o interesse tanto o aluno quanto para a comunidade indígena. Continuando no mesmo Artigo, em seu inciso II, prevê “organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas”. Quanto a esse item tínhamos em mente averiguar como é o cotidiano da escola, o calendário escolar, observar as datas comemorativas que são importantes para a escola e também atividades realizadas pela escola indígena e que

dificilmente as escolas em geral não promovem estas atividades. Desta forma, os alunos

apontaram três datas importantes, quais sejam:

Dia 19 de Abril – Dia do Índio.

Semana Cultural que antecede o dia do índio.

Quadrilha ou Festa Junina onde são valorizadas as comidas típicas da comunidade Terena.

Já o inciso III do mesmo artigo, relaciona a “adequação à natureza do

trabalho no Campo. Neste tópico queríamos frisar se a escola tem matérias ou

desenvolve alguma atividade extra voltada para conhecimentos que podem ser

utilizados dentro da aldeia, no dia-a-dia da comunidade. Assim os alunos indicaram

duas atividades consistentes em:

Em determinada oportunidade, cada série plantou uma árvore, gesto este que eles apontaram como de fundamental importância.

Em outro momento, cada série ficou responsável em cuidar da horta da escola, tal revezamento se dava diariamente.

Por último, passamos a análise do Art. 27 da LBD, “Os conteúdos

inciso IV - promoção do desporto

educacional e apoio às práticas desportivas não-formais”. Quanto a este dispositivo,

curriculares da educação básica observarão: [

]

denota-se que a escola indígena em comento tem observado as práticas desportivas

prevista em lei. Da roda de conversa com os alunos eles apontaram atividades que

comprovam tais práticas, vejamos:

Torneio do Dia do Índio, realizado no dia 19 de Abril.

Torneio municipal realizado pelo Município de Dois Irmãos de Buriti que a escola participa.

Torneio de Fim de Ano, que é comum a quase todas as aldeias indígenas.

Torneio Inter-vilas, promovido entre as vilas da aldeia que se formam em relação aos vínculos de parentesco.

Inter-Classe; promovido na escola uma vez por ano entre as séries.

3.3 Uma Tentativa de Conceituação da Cidadania Cultural

Segundo Dallari 9 , “a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social”. O Art. 215, caput, da Constituição Federal de 1988 determina que o Estado garantirá a todos o acesso às fontes da cultura nacional, apoiando, valorizando e incentivando a difusão das manifestações culturais. Desta forma, cabe ao Estado uma atuação que possibilite que as manifestações culturais dos povos indígenas se desenvolvam no país. Por outro lado, incumbe ao Poder Público proteger tais manifestações, bem como as de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional, nos termos do art. 215, § 1º, da Constituição. Para Prado Soares, o reconhecimento e tratamento, pela Constituição, dos direitos culturais como direito fundamental e, a previsão do dever de atuação democrática na proteção e promoção dos bens culturais, conduz o Estado à obrigação de implementar ações e políticas públicas que podem ser relacionadas, no que tange ao direito cultural à diversidade lingüística, em quatro linhas de atuação 10 :

a) na proibição de discriminação, de indivíduos ou grupos, na fruição

da língua como bem cultural, ou seja, no uso do falar ou da

linguagem que seja portadora de referência cultural;

b) na obrigação do Estado adotar medidas imediatas, especialmente

nos âmbitos legislativo e executivo, para que os direitos lingüísticos e

os falares ou línguas que servem de base para grupos culturalmente diferenciados (ou para a sociedade como um todo: o português) sejam promovidos e protegidos, inclusive com a previsão de ações afirmativas para os grupos étnicos que utilizam línguas e falares diversos do português;

c) na obrigação de garantir um patamar básico (mínimo) de fruição

aos direitos lingüísticos e à língua, pela qual os grupos se expressam;

d) na obrigação de progressividade e proibição de retrocesso no tratamento do tema.

E a autora continua afirmando que a diversidade cultural se refere à “multiplicidade de formas em que se expressam as culturas dos grupos e sociedades. Estas expressões se transmitem entre os grupos e a sociedade e dentro deles”. Desse

9 DALLARI, D.A. Direitos Humanos e Cidadania. São Paulo: Moderna, 1998. p.14 10 Conforme as obrigações relacionadas por Victor Abramovich e Christian Courtis para os direitos sociais. Para os autores as obrigações são: a proibição de discriminação, a obrigação de adotar medidas imediatas, a obrigação de garantir níveis essenciais de direitos e, a obrigação de progressividade e proibição de retrocesso (Los derechos sociales em debate democrático, Fundación Sindical de Estudios, p. 41/53, 2006).

modo, a previsão do dever de atuação democrática do Poder Público na proteção e promoção das línguas indígenas deve se pautar no valor que o bem representa para a identidade cultural. Embora a Constituição faça menção expressa às comunidades indígenas, o direito à diversidade lingüística abrange todas as línguas faladas por brasileiros e, por isso, o desenvolvimento das políticas públicas deve atingir os diversos grupos falantes. Nesse sentido, vale trazer as ponderações de Rosângela Morello e Gilvan Müller de Oliveira 11 :

A Constituição de 1988, como se disse antes, foi um passo importante nessa direção, no que tange às línguas indígenas, atribuindo ao índio o estatuto de cidadão brasileiro que tem direito a sua língua e a sua cultura. No entanto, ela silencia sobre as línguas alóctones. Além disso, a ecologia das relações sociais, entre elas as lingüísticas, abriga, hoje, demandas e questões advindas da presença das tecnologias de linguagem que requerem um novo posicionamento do Estado e da sociedade civil, e, portanto, novas formas de ação política. É no diálogo com essa configuração social que situamos o debate sobre as políticas de registro envolvidas no Livro de registro das línguas como patrimônio imaterial dentro do Programa de Registro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Ministério da Cultura do Brasil (MinC).

As políticas públicas e os instrumentos para tutela do patrimônio cultural lingüístico devem considerar a diversidade cultural e a necessidade de valorização e de participação dos vários grupos formadores da sociedade brasileira, com atenção diferenciada para o fortalecimento da identidade cultural dos povos indígenas.

4. Considerações Finais

Quando falamos em educação escolar indígena devemos levar em conta alguns pontos de fundamental importância que levantamos em nossa pesquisa. Em primeiro lugar, temos que olhar para a organização interna da comunidade indígena. É de se considerar a estrutura social dentro da aldeia a tal ponto de se ver refletir no processo ensino-aprendizagem. Ficou sedimentada a idéia de “tronco” dentro da comunidade da Aldeia Buriti, numa relação de dependência em torno de uma pessoa do grupo familiar, dependência essa no modo de ver as concepções de mundo, de valorização quanto ao

11 Rosângela Morello e Gilvan Müller de Oliveira, “Uma política patrimonial e de registro para as línguas brasileiras”, Revista Patrimônio, http:// www.revista.iphan.gov.br/materia.php?id=211, acesso em

28/06/2010.

detentor do conhecimento e mais ainda, como apaziguador de conflitos internos,

servindo de referência para manter os vínculos de parentesco.

Em segundo lugar, precisamos levar em consideração os valores culturais

daquela comunidade, aqui há a necessidade de levar em conta a educação presente na

família que começa muito antes da educação escolar. É nesta fase que são transmitidos

os valores pelos anciãos, pais e mães que jamais serão esquecidos.

Por último, devemos nos atentar para as relações de trabalho presente dentro

do âmbito familiar, segundo Ferreira, para a grande maioria das comunidades indígenas

não existe diferença entre trabalho e lazer, pois o trabalho não é uma atividade maçante.

Diante do exposto neste trabalho, podemos concluir que a educação escolar

indígena vem caminhando no sentido de atender o Princípio da Dignidade da Pessoa

Humana, visto que seu principal objetivo é garantir um mínimo existencial. No caso

específico das escolas indígenas, temos as implicações dos direitos culturais, da garantia

do uso da língua materna e também da cidadania cultural, e que o reconhecimento

destes estão em perfeita harmonia com a evolução dos direitos humanos. Por último,

vemos que a “história da cidadania confunde-se em muito com a história das lutas pelos

direitos humanos. A cidadania esteve e está em permanente construção, é um referencial

de conquista da humanidade através daqueles que sempre buscam mais direitos, maior

liberdade, melhores garantias individuais e coletivas. E não se conformam frente às

dominações arrogantes, seja do próprio Estado ou de outras instituições ou pessoas que

não desistem de privilégios, de opressão e de injustiças contra uma maioria desassistida

e que não se consegue fazer ouvir, exatamente por que se lhe nega a cidadania plena

cuja conquista, ainda que tardia, não será obstada 12 ”.

5. Referências

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12 SANTANA, Marcos Silvio de. O que é Cidadania. Disponivel em:

http://www.advogado.adv.br/estudantesdireito/fadipa/marcossilviodesantana/cidadania.htm. Acesso:

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