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2 Série - Apostila 5 2024

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Centro de estudos integrados

Sistema CEI de Ensino

Apostila de

História
2ª série – EM
Apostila 5

Autoria: Luciano Mendes Cabral

1
CEI – Centro de Estudos Integrados
História / Apostila 5 / 2ª série / Ensino Médio
Autoria: Prof. Luciano Mendes Cabral

Os Estados Unidos no Século XIX

Roteiro de Estudos:

1. Crescimento e Expansão

- Os grandes desafios do período pós-independência consistiram na formação da cidadania


e do território.

. Foram encarados de forma mais efetiva após a “Segunda Guerra de Independência”.

. O suporte estrutural desses processos consistia em uma economia de mercado de cunho


capitalista.

. Esse padrão era mais evidente entre os estados do norte do que nos do sul.

. Nesse contexto as desigualdades sociais definiram a sociedade norte-americana desde seu


princípio.

- Estados do Norte.

. Características Sociais:

• Ausência de valores que associavam a condição social ao nascimento.

• Consolidação da ideia de soberania popular.

• Definição de um sistema censitário de votação.

. Características Econômicas:

• Estrutura fundiária que permitia ao pequeno proprietário trabalhar a terra com


sua família.
2
• Produção diversificada voltada para o mercado interno.

• Exportação de artigos generalistas para o sul e para as ilhas do Mar das Caraíbas:
farinha de trigo, madeira e carne.

• Continuação dos modelos triangulares de comércio.

- Estados do sul: modelo plantacionista de produção.

2. A Formação do Território

- Um primeiro mecanismo presente na formação territorial dos Estados Unidos foi a


compra de territórios a outros Estados:

. 1803 – Louisiana / França.

. 1819 – Flórida / Espanha.

. 1846 – Oregon / Inglaterra.

• Em 1846 a formação do território foi incrementada pela ocupação do Oregon,


fixando os limites dos EUA com o Canadá na latitude 49º.

. 1867 – Alaska / Rússia.

• 7,2 milhões de dólares.

3
- Na formação do território norte-americano a expansão para o oeste foi um movimento de
grande relevância – “Marcha para o Oeste”.

. A partir de 1815 a economia do norte se estruturou definitivamente em moldes industriais


e urbanos.

• Necessidade de matérias primas / mercados consumidores.

• 1849 – Grandes descobertas de ouro na região da Califórnia / “Golden Rush”.

. Expansão do “Comércio Triangular”: atingiu os portos da Europa, América Latina e a


China (baseava-se na troca de produtos têxteis por chá, definido em 1826).

. Criaram-se vínculos entre os estados do norte e a região centro-oeste dos EUA.

• O centro-oeste sempre funcionou como o celeiro do norte.

• Foram desenvolvidos grandes empreendimentos no setor de transportes, visando


promover a conexão dos “Grandes Lagos” às vias fluviais que conectavam a região
com os portos exportadores de Nova Orleans e do Leste.

. Escassez de terras na “Costa Leste”.

• Criação de estímulos por parte do governo.

4
Homestead Act: a “Lei da Propriedade Rural” (em inglês, Homestead Act) foi
uma lei federal americana criada pelo presidente Abraham Lincoln no dia 20
de maio de 1862.
Para atrair imigrantes, o governo federal dos EUA decretou, em 1862
o Homestead Act, que definia a posse de uma propriedade com 160 hectares a
quem a cultivasse por cinco anos. Essa lei fez aumentar muito o fluxo de
imigrantes europeus para os EUA. Na época, a Europa passava por guerras de
unificação (alemã, italiana, etc...) e muitos habitantes sofriam de fome, medo e
pobreza. Visto que esses eram fatores repulsivos, os Estados Unidos criaram a
“Homestead Act” e divulgaram pela Europa com simples panfletos, que tinham
caráter atrativo e mostravam o preço banal das terras (cerca de quatro dólares
por 160 hectares). Este se tornou então um fator atrativo para os imigrantes
europeus tentarem começar uma vida nos EUA.
Fonte: [Link]

. A expansão para o Oeste foi fundamentada em boa parte na Teoria do Destino Manifesto.

A ideia da ocupação do continente pelo povo americano teve também raízes populares, no
senso comum e também em fundamentos religiosos. O sonho de estender o princípio da união
até o Pacífico foi chamado de ‘Destino Manifesto’. O Destino Manifesto expressou as vagas
ideias e os sentimentos expansionistas norte-americanos da época.1

Posturas e concepções presentes nos movimentos religiosos, como a ideia de que existem povos
escolhidos e abençoados por Deus, passariam a povoar o imaginário coletivo da nação que se
acreditava eleita para um destino glorioso. A fé nas instituições livres e democráticas também
se intensificava.

A partir disso, desenvolveu-se a ideia de ‘destino manifesto’: seria uma missão espalhar a
concepção de sociedade norte-americana para as regiões vistas como carentes e necessitadas
de ajuda.2

. Ganhou força após a Segunda Guerra de Independência (1812-1814).

. Originou o ideal de uma América WASP – conservadorismo / intolerância racial e


religiosa.

- O Texas correspondeu a uma região na qual a política de compras não foi bem sucedida.

1
NARO, Nancy Priscila S. A Formação dos Estados Unidos. São Paulo: Atual, 1986. p. 19.
2
KARNAL, Leandro (et alli). História dos Estados Unidos. Das origens ao século XXI. São Paulo:
Contexto, 2007. p. 125.

5
. Sua incorporação (1845) se efetivou após uma guerra contra o México que se estendeu de
1846 a 1848.

. Nessa guerra, além do território do Texas o México perdeu outras importantes áreas: as
minas de ouro da Califórnia, Nevada, Utah, parte do Arizona, o Novo México, o Colorado
e Wyoming.

- Na formação territorial dos Estados Unidos a chamada Doutrina Monroe, embora voltada
para a política externa do país, foi de relevante importância.

. Enunciada pelo Presidente James Monroe.

. Incorporada à mensagem anual do Presidente ao Congresso em 02/12/1823, representava


uma reação dos EUA às pretensões russas e inglesas, apoiadas pela Santa Aliança, no litoral
pacífico da América.

. Justificou o isolacionismo e deu a tônica da política externa norte-americana.

Com a Doutrina Monroe declarou-se que os Estados Unidos não tinham nenhuma pretensão
sobre as colônias ou dependências de quaisquer potências europeias. Da mesma forma,
alertou-se aos governos europeus sobre o perigo que correriam caso insistissem em expandir
a sua hegemonia para o hemisfério americano. Segundo um dos trechos da Doutrina, os
Estados Unidos considerariam a menor tentativa por parte das potências europeias, de
estender o seu domínio a qualquer porção desse hemisfério, perigosa para a paz e segurança

6
americanas. Uma ação desse tipo seria imediatamente interpretada pelos Estados Unidos como
uma disposição inamistosa para com eles mesmos. Isto é, os Estados Unidos se colocavam
como tutores de toda a América.3

3. A Caminho da Guerra Civil

- As questões centrais nos Estados Unidos da metade do século XIX, foram a da escravidão
e a das diferenças entre o norte e o sul.

. O amadurecimento da própria sociedade contribuiu para tornar essa instituição


anacrônica, aumentando as distâncias entre os dois grupos de estados.

. Na década de 1820 surgiu uma concepção liberal de sociedade no Norte, baseada na visão
de que a concorrência era uma questão natural e necessária à mobilidade social.

. O ideal ordenado e comunitário de sociedade foi quebrado.

. Nesse período consolidou-se a chamada “Democracia Jacksoniana”, ampliando a


participação política de todos os cidadãos / CIDADÃOS = basicamente homens brancos
livres.

. Na década de 1830 surgiram no Norte as primeiras denúncias contra a escravidão no


jornal “O Libertador” de William Lloyd Garrison.

- Ampliando as distâncias entre o do Sul em relação ao norte, desempenhou importante


papel o renascimento moral e religioso das primeiras décadas do século XIX.

. Rejeitava o crescente cosmopolitismo do período, acusado de desviar os indivíduos dos


princípios simples e dos ideais básicos do puritanismo para objetivos materialistas.

. Pregava uma postura transcendentalista.

. Foi fortemente inspirado pelo Romantismo Europeu.

. Exaltava as qualidades individualistas e uma profunda adoração da natureza.

3
NARO, Nancy Priscila S. Op. cit. p. 20.

7
. Teve em intelectuais como Ralph Waldo Emerson e Henry Thoreau, seus principais
representantes.

- A defesa da escravidão partia, principalmente, dos estados do sul. A importância do


sistema escravista para a região sul dos EUA pode ser medida pelo trecho a seguir:

Na opinião do famoso estadista John C. Calhoun, a escravidão era fundamental para a


manutenção das instituições livres. Calhoun achava que o conflito entre capital e trabalho que
ameaçava as nações prósperas e civilizadas estava ausente no Sul. Lá cada plantation formava
uma pequena comunidade, cujo patrão representava os interesses do capital e do trabalho.4

- Em termos econômicos e políticos algumas questões criavam antagonismos entre o norte


e o sul dos Estados Unidos.

. Questão Tributária: desencadeada pela política protecionista aprovada no Congresso


pelos representantes do norte após a Segunda Guerra de Independência.

• Em resposta a essa política a Europa também adotou uma postura protecionista em


relação aos EUA.

• Tal prática trouxe grandes prejuízos à economia do Sul.

. Questão das Terras: girava em terno da forma como se daria a ocupação dos novos
territórios incorporados – através do trabalho livre ou do trabalho escravo. Observamos a
formação de novas facções políticas em torno dessa questão.

• Partido Americano (1856) – surgiu a partir da disputa sobre o Kansas/Nebraska.


Estava mais voltado para a oposição à presença do imigrante nos EUA.

• Partido Republicano (1854) – opunha-se à expansão do Sul escravista e acabou por


adotar a bandeira da abolição.

Os discursos públicos do candidato vitorioso do partido para a presidência em 1860, Abraham


Lincoln, deixavam bem claro, já na década de 1850, que a nação não poderia suportar por

4
NARO, Nancy Priscila S. Op. cit. p. 25.

8
tempo indeterminado a coexistência de dois sistemas que eram diametralmente opostos. Ele
advertiu que um acabaria predominando sobre o outro. Na verdade, Lincoln procurava
preservar o mundo pré-industrial – o mundo do artesão e do assalariado, que, segundo ele,
tinham possibilidades de ascender socialmente naquela sociedade. Não se entenda por isso
que Lincoln se preocupasse com a condição dos operários que eram vítimas das desigualdades
provocadas pelo capitalismo. Interessava-lhe, apenas, a abolição do mal moral que ameaçava
expandir-se e tomar o controle da sociedade livre: a escravidão. Segundo seu pensamento, a
escravidão enfraquecia o poder da mente e paralisava a atividade humana. Ela desonrava o
trabalho (entendido como liberdade) e introduzia na sociedade a ociosidade, a ignorância, o
orgulho, a pobreza e o luxo ostentatório.5

- As discussões em torno da adoção ou não da escravidão nos novos territórios, levaram a


criação do Compromisso do Missouri (1821).

. O estado do Maine ingressou na União na condição de estado livre, enquanto o estado


sulista do Missouri o fez na condição de estado escravista.

. Foi traçada em 1820 uma linha divisória aos 36º 30’’, dividindo as áreas escravistas das
áreas de trabalho livre.

. Em 1854, porém, o Congresso definiu que essa questão seria resolvida pela população de
cada território.

4. A Guerra Civil

- Teve início em 1861 com a separação dos estados sulistas que fundaram a “Confederação
dos Estados do Sul” (Alabama, Flórida, Geórgia, Texas, Carolina do Sul, Carolina do Norte
e Virgínia).

- Os confrontos não se estenderam além das fronteiras do rio Mississipi. Tal fato fez com
que a maioria dos estados do norte não sofressem danos materiais na guerra.

5
NARO, Nancy Priscila S. Op. cit. p. 31-32.

9
. Devastou a economia do sul.

. Determinou a decadência do modelo pré-industrial dos estados sulistas.

- Em 01 de janeiro de 1863 Lincoln aboliu a escravidão e em 1865 a guerra chegou ao fim,


trazendo consigo um saldo de 250 mil mortos no Sul e 360 mil no Norte.

. O sul dos EUA foi dividido em cinco distritos militares, chefiados por interventores do
norte.

. O fim do conflito deu início ao chamado “Período da Reconstrução” (1865/1888).

• Reconstrução da economia do Sul.

• Reintrodução dos Estados Confederados (Sul) na União.

• Imposição do modelo econômico do Norte ao país como um todo.

• Inserção dos estados do Sul na União, com os mesmos direitos que o restante dos
estados.

• Início da Segunda Revolução Industrial dos EUA e a sua Expansão Imperialista.

- Após a Guerra de Secessão a questão da cidadania do negro ganhou grande dimensão no


país. Nesse aspecto observamos que essa cidadania foi limitada institucional e
empiricamente.

. Ser livre era diferente de ser cidadão, uma vez que o reconhecimento da cidadania
implicaria na inserção do negro na nação.

. Reações discriminatórias e violentas surgiram contra a população negra – Ku Klux Klan


(1866).

- Com as “Leis Jim Crow” (1881) a segregação e a limitação da cidadania dos negros foram
institucionalizadas, perdurando até 1950.

- Nos estados do norte a discriminação era dissimulada, a partir de uma política de


concessão gradual da cidadania à população negra.

- Em 1896 a Suprema Corte deixou a cargo dos estados a decisão final sobre o voto do
negro.

10
O Imperialismo / A Expansão Imperialista

Roteiro de Estudos:

1 – O Capitalismo Monopolista

- Fruto da Segunda Revolução Industrial – segunda metade do século XIX.

. Surgimento do Capital Financeiro – fusão do capital industrial ao bancário.

- O grande desenvolvimento das forças produtivas, ocorrido a partir da Segunda Revolução


Industrial, promoveu a passagem do Capitalismo Industrial ou Liberal para o Capitalismo
Monopolista.

- Como principais evidências dessa passagem podemos citar:

. Acentuado aumento da produção, do volume de capitais disponível e da competição.

. Processo de concentração de empresas:

• Concentração Vertical – fusão de várias empresas em uma única com o objetivo de


controlar todas as etapas da produção / determina a formação de Trustes e de
Holdings (uma empresa majoritária controla as outras subsidiárias sem que haja
fusão jurídica).

• Concentração Horizontal – corresponde à tentativa de um grupo de empresas de


obter o controle da fase final, ou até mesmo de uma intermediária, da produção.
Fundamenta-se na associação de produtores com o fim de evitar competição e de
pressionar o mercado. Originou-se na Alemanha onde criou o Cartel, também
conhecido por Pool (países anglo-saxões), Comptoir (França) e Consórcio (Itália).

• Permitiu o desenvolvimento da prática do Dumping.

- Com a formação dos grandes grupos empresariais a competição por mercados


consumidores, fontes de matérias primas e áreas de investimento de capitais tornou-se
muito mais intensa. O mercado interno já não era mais capaz de satisfazer às necessidades
dos grandes conglomerados empresariais.

11
. 1873/1874 – Crise de superprodução na Inglaterra.

2 – O Imperialismo / Expansão Imperialista

- Movimento que representa o esforço das principais potências econômicas da segunda


metade do século XIX (economias capitalistas) na procura por mercados consumidores,
matérias primas e áreas de investimentos.

. “Segunda Globalização” – processo de expansão em escala mundial nas dimensões


econômica, política, territorial e cultural.

• Integração intensa de mercados.


• Surgimento de áreas/economias centrais (agentes da expansão) e áreas/economias
periféricas (“alvos” da expansão).
. Seus alvos foram a Ásia, a África e a América Latina.

. Agentes do Imperialismo:

• Europa: Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Bélgica, Rússia.


• América: EUA (após a década 1880 – conclusão do “Período da Reconstrução”).
• Ásia: Japão – resultado da “Revolução Meiji” (movimento de ocidentalização e
industrialização do Japão, marcado por profundas mudanças econômicas, políticas
e culturais).
. Promovido pelos grandes Estados Industriais agora controlados por sua poderosa classe
burguesa.

- As áreas atingidas pelo Imperialismo, passaram a desempenhar diferentes funções na


economia mundial, EMBORA NA CONDIÇÃO DE ÁREAS OU ECONOMIAS
PERIFÉRICAS (subordinadas às economias centrais – “agentes” da Expansão
Imperialista).

. Fornecedoras de matérias primas e consumidoras de artigos industriais.

. Áreas voltadas para o capital de empréstimo / taxas de juros exorbitantes (América


Latina).

12
. Áreas voltadas para o capital de investimentos / serviços infraestrutrais ou atividades
agrícolas e industriais, favorecidos por mão-de-obra barata, baixos impostos e subsídios
estatais.

. Colocação de excedentes populacionais.

. Bases militares que garantiam rotas comerciais importantes e o controle de pontos


estratégicos.

- O Imperialismo levou à formação de diferentes tipos de domínios:

. Protetorados – mantinham-se as autoridades locais, porém, subordinadas a funcionários


europeus.

. Colônias de Enraizamento – emigração em larga escala do colonizador e expropriação da


terra.

. Colônias de Enquadramento – formação de uma minoria dirigente sem a expropriação da


terra.

. Áreas de Influência – tentativa de garantia da dominação econômica através de concessões


jurídicas.

- A Expansão Imperialista originou o “Neocolonialismo” e a “Partilha Afro-Asiática”.

. O “Neocolonialismo” correspondeu ao instrumento utilizado pelas potências capitalistas


para impor sua dominação sobre a África e a Ásia.

. Esse processo teve início com a “Conferência de Berlim” (1884/1885).

. A “Partilha Afro-Asiática” originou uma série de disputas e atritos entre os Estados


envolvidos no movimento.

13
A Conferência de Berlim

A Conferência de Berlim, também conhecida como conferência da África Ocidental ou Conferência do Congo,
realizou-se em Berlim, de 15 de novembro de 1884 a 26 de fevereiro de 1885, marcando a colaboração europeia
na partição e divisão territorial da África. Organizado pelo Chanceler do Império Alemão, Otto von Bismarck,
o evento contou com a participação de países europeus (Alemanha, Áustria-Hungria, Bélgica, Dinamarca,
Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Rússia e Suécia) mas também do
Império Otomano e dos Estados Unidos. O objetivo declarado era o de "regulamentar a liberdade do comércio
nas bacias do Congo e do Níger, assim como novas ocupações de territórios sobre a costa ocidental da África".

Uma conferência anterior (Conferência geográfica de Bruxelas, em 1876) iniciou o debate sobre a partição da
região do Congo, que foi dividido em três partes: Congo-Léopoldville, que coube aos belgas, Congo-Brazzaville,
atribuída aos franceses, e Angola, que historicamente já pertencia a Portugal. Todas essas regiões formavam
o antigo Reino do Kongo. O principal resultado da conferência de Berlim foi o estabelecimento de regras
oficiais de colonização mas, além disso, a conferência gerou uma onda de assinaturas de tratados entre os
vários países europeus.

Durante a conferência, Portugal apresentou um projeto, o famoso "mapa cor-de-rosa", que consistia em ligar
Angola a Moçambique, criando uma comunicação entre as duas colônias, de modo a facilitar o comércio e o
transporte de mercadorias. Sucedeu que, apesar de todos concordarem com o projeto, mais tarde a Inglaterra
à margem do Tratado de Windsor, surpreendentemente recusou o projeto, dando um ultimato a Portugal,
ameaçando declarar-lhe guerra se a proposta não fosse retirada. Portugal, com receio de colocar em causa o
tratado de amizade e cooperação militar mais antigo do mundo, cedeu às pretensões ingleses, retirando o
projeto do Mapa cor-de-rosa.

A Conferência de Berlim, em gravura da época.

- Na América Latina foi praticado um modelo informal de Imperialismo, onde a dominação


econômica não implicou na submissão política direta e explícita.

. Isso se explica por duas questões principais:

• A proximidade cultural entre as elites latino-americanas e a das potências


imperialistas.

14
• A participação de Estados imperialistas, como a Inglaterra, nos movimentos que
resultaram na independência das colônias americanas algumas décadas antes.

. Desse modelo “informal” de dominação resultaram dois tipos de economias na América


Latina:

• As “Economias Nacionalmente Controladas”.


• As “Economias de Enclave”.

- TEORIAS DO IMPERIALISMO (buscavam justificar e legitimar a expansão imperialista


diante da “opinião pública”) A ação Imperialista sempre se deu através da violência e da
imposição dos povos ocidentais sobre as áreas e comunidades dominadas. Porém, com o fim
de justificar essa dominação, foram desenvolvidas diversas teorias.

a) BASE “Pseudo Científica” – apoiadas no princípio da superioridade racial proveniente


do Darwinismo Social e do Determinismo, tanto racial quanto geográfico (surgidas na
segunda metade do século XIX).

15
. Darwinismo Social: aplicação da teoria evolucionista de Darwin às sociedades humanas.

• Raças Humanas.
• HIERARQUIA entre as raças – “raças evoluídas” / “raças atrasadas”.
• Padrão de evolução humana: “Branco Ocidental”.
• Raças “involuídas”: negros, indígenas, asiáticos e MESTIÇOS.

. Determinismos: existiam características impostas pela essência da espécie/raça ou do


local.

• Determinismo Racial ou Biológico.


• Determinismo Geográfico: Zonas Ecúmenas (favoreciam o progresso e a civilização
– Zonas Temperadas) / Zonas Anecúmenas (favoreciam o atraso a barbárie –
trópicos, desertos e polos).

. Promoveram a supremacia de alguns ramos do conhecimento / Antropologia e Geografia.

. Destaque para alguns “cientistas” e suas teorias:

• Conde Arthur de Gobineau.

16
• Ratzel.
• Cesare Lombroso – identificação de criminosos pelo formato do crânio.
• George Morton – “prova cranial”: pretendia demonstrar a menor inteligência de
índios, negros e mulheres.
• Sir Francis Galton (primo de Darwin) – antropometria e eugenia.
• Sir Halford Mackinder – pretendia demonstrar a suposta relação entre climas e tipos
sociais. Foi autor de conceitos como o do John Bull, tipo social característico das
ilhas britânicas, e o da “Pax Britânica”.

b) Base Filantrópica e Humanitária: baseadas no ideal do “fardo do homem branco”.

- O movimento Imperialista gerou constantes choques e atritos entre as nações nele


envolvidas, o que acabou funcionando como a origem estrutural da I Guerra Mundial.

- Os povos que viviam nos continentes dominados pelos europeus não aceitaram
passivamente esse domínio e resistiram de várias maneiras a invasão de seus territórios.

. Na África, os nativos aprenderam novas técnicas e táticas militares com os invasores que
colocaram em prática contra seus opressores. Além disso, adquiriram armas mais
modernas para defesa de seus territórios.

17
. Na Ásia, vários povos também resistiram à Expansão Imperialista. Os nativos se
organizavam em grupos que lutavam pela expulsão dos europeus, pela defesa de traços de
sua cultura, bem como pela retomada do poder pelas antigas lideranças.

. A resistência desses povos não se deu apenas pela luta armada, outras modalidades foram
adotadas.

• A sabotagem de máquinas e equipamentos.


• A destruição de meios de transportes.
• Prejuízos a plantações e danos causados a armazéns, são alguns dos exemplos.

18
O Segundo Reinado: organização econômica

Roteiro de Estudos:
- Segundo Reinado (1840 / 1889).

. Maior prosperidade e estabilidade econômica.

. Maior estabilidade política / formação e consolidação de um “Estado Imperial”.

. Grande influência cultural da Europa / “Cultura das Elites”.

1. A Organização da Produção no Segundo Reinado

- Do início do século XIX às primeiras décadas do século XX, predominam as estruturas


moldadas nos séculos iniciais da colonização:

. Até 1888 predominou a Plantation Escravista.

. De 1888 a 1930 vivemos o processo de introdução e consolidação do trabalho livre.

19
• Introdução da imigração / Parcerias e Contratos Padrão.
• Modernização associada ao avanço das forças produtivas

- Do final do século XVIII (crise das atividades mineradoras) a 1840 (início das exportações
de café em larga escala) o Brasil viveu uma fase em que sua economia conheceu ritmos mais
lentos de crescimento.

. Favoreceu o aumento da hegemonia inglesa sobre o Brasil.

• Política de empréstimos.
• Mecanismos de pressão = Acordos de 1826 e de 1827.

- A partir de 1840 o crescimento econômico passa a ocorrer em ritmos bem mais acelerados
(prosperidade e crescimento da economia) determinados por dois fatores principais: a
CAFEICULTURA e a modernização econômica.

. Inaugurou uma conjuntura de maior estabilidade e prosperidade econômica.

1.1 – A Cafeicultura

- O café foi introduzido no Brasil no século XVIII, a partir do Pará. Ao longo do século XIX
e nas primeiras décadas do XX, foi desenvolvida, principalmente, em duas áreas:

. Vale do Paraíba.

. Oeste de São Paulo.

- As exportações de café contribuíram para o fortalecimento do mercado interno brasileiro

20
a) O Vale do Paraíba
- A produção de café nesse primeiro espaço se estruturou em uma região agroexportadora
que articulava dois setores produtivos:

. Setor voltado para o mercado externo.

• Vale do Paraíba (VALE FLUMINENSE – RJ / VALE PAULISTA – SP).


• Produção de café (abastecia a Europa e os Estados Unidos).

. Setor voltado para o mercado interno.

• Estruturou-se em uma área que abrangia as províncias de Minas Gerais e São Paulo
e um amplo setor da baixada fluminense.
• Produzia gêneros de subsistência que abasteciam as fazendas do Vale.

. A articulação dessas duas áreas era feita através da Corte, isto é, da cidade do Rio de
Janeiro.

• Comerciantes de Grosso Trato (atacadistas).

- O funcionamento das unidades produtoras de café (fazendas de café) seguia duas


orientações básicas:

. Formação de um mercado restrito que funcionava a partir do endividamento.

• Mercado restrito: modelo econômico onde os produtores não dispõem de todo o


capital necessário para a montagem das unidades produtoras / a maior dos
cafeicultores não possuía todo o capital para montar as fazendas.
• Empréstimos – contraídos junto a comerciantes da Corte.
• Originou laços de dependência de muitos produtores em relação aos comerciantes
que forneceram os capitais para a montagem das fazendas.
• Surgimento do “Sistema de Casas Comissariadas” – mecanismo que promovia a
comercialização do café.
PRODUTORES – COMISSÁRIOS DO CAFÉ (comerciantes) – CASAS
IMPORTADORAS (revendiam o produto na Europa e nos Estados Unidos).

21
. Existência de áreas de fronteira agrícola aberta, que permitiam a contínua renovação do
sistema.

• A manutenção e/ou o aumento das taxas de produção dependia da constante


incorporação de “terras virgens” e de mão de obra escrava.
• Nível baixo de desenvolvimento das forças produtivas.

• Permitiu a construção de uma lógica baseada no conceito de “maior lucro, no menor


tempo com o mínimo de investimentos”.

- As unidades produtoras apresentavam algumas características comuns:

22
. A produção seguia uma racionalidade econômica baseada na redução do tempo de
trabalho e nos custos de produção.

• Tal fato justifica o uso de recursos tecnológicos pouco sofisticados, uma vez que a
incorporação de terras virgens e de maiores contingentes de mão-de-obra
representava, a princípio, um custo menor.
. Correspondiam, em geral, a grandes estabelecimentos agrícolas. Suas dimensões
abrangiam plantéis de mais de 200 escravos, 400 alqueires de terra e aproximadamente 450
mil pés de café.

. Apresentavam um nível de diversificação da produção que oscilava de acordo com o preço


do café no mercado externo. Nos momentos de alta a especialização era maior, nas baixas
promovia-se uma maior diversificação.

• Essa diversificação se dava em relação à produção, aos equipamentos utilizados e às


funções desempenhadas pelos escravos.
. Essas unidades produtoras estavam articuladas aos setores produtivos ligados ao mercado
interno.

• Como esses setores funcionavam em condições não capitalistas de produção, existia


uma maior autonomia e estabilidade diante das oscilações do mercado externo.

23
. A condição de uma economia de mercado restrito ou imperfeito provocava elevados níveis
de endividamento dos produtores.

. Grande destaque para a figura dos Comissários de Café.

. Havia uma constante reposição de mão-de-obra, determinada pelo padrão demográfico


moldado pela lógica da plantation.

. A exploração do trabalho dos escravizados nas fazendas ocorria a partir da organização


de grupos de trabalho que eram divididos entre as diversas etapas do processo de produção
e beneficiamento do café.

- “Barão do Café” = proprietário das unidades produtoras / fazendas de café no Vale do


Paraíba.

24
. Grande proprietário de terras e escravos / acumularam grandes fortunas.

• Os mais abastados possuíam nas fazendas e as Casas Comissariadas.

. Detinham um grande poder econômico e político.

• Influência política ao nível local / cidades onde estavam as suas propriedades.


• Representantes do poder imperial nos diversos lugares da região agroexportadora.
• Articulação entre o governo central (governo imperial / Corte) e os Barões do Café
= troca de favores e interesses / os Barões do Café promoveram a sustentação
econômica do Império – o Império garantia a reprodução das relações escravistas
de trabalho e a manutenção da ORDEM.

. Formavam a elite da região agroexportadora.

• Estabeleceram laços de solidariedade que preservavam a unidade desse setor social


/ mantidos por uma política de casamentos (manutenção da coesão social e a
preservação do patrimônio territorial).
• Frequência e circulação em determinados espaços de sociabilidade: Guarda
Nacional; Irmandades Religiosas; Misericórdias; Lojas Maçônicas; eventos sociais
(casamentos, batizados, aniversários, bailes); Igrejas.
• Nobilitação / símbolo de distinção social / possuíam títulos de nobreza e/ou
comendas.

. Produziram uma determinada forma de cultura conhecida como “Cultura da


Ostentação”: se baseava na ostentação externa da riqueza e do poder que o indivíduo
possuía / sinal de distinção social e de merecimento da nobilitação.

• Residências e fazendas.
• Mobiliário.
• Vestuário e adereços.
• Festas e recepções.
• Caridade.

25
b) A Crise da Cafeicultura e a Marcha do Café
- A crise da produção no Vale do Paraíba foi determinada por alguns fatores principais:

. Envelhecimento dos plantéis de escravos.

• Redução da produtividade dos escravizados.


• Agravada pela crise do sistema escravista no Brasil a partir da década 1850 /
grandes dificuldades de renovação e de ampliação da força de trabalho.
. Envelhecimento dos cafezais.

. Endividamento excessivo dos produtores.

. Esgotamento do solo (característica natural marcada pela própria fragilidade / nível


acentuado de especialização da produção / nível baixo de desenvolvimento das forças
produtivas) e da fronteira agrícola (década de 1880 – escasseamento de terras virgens na
região).

. CRISE DO SISTEMA ESCRAVISTA NO BRASIL

OBS 1: na medida em que a crise se instalou no Vale do Paraíba a região passou a viver um
“marasmo econômico” – “Cidades Mortas” (Monteiro Lobato).

OBS 2: crise no Vale do Paraíba = diminuição acentuada das taxas de produção.

26
- A crise da produção no Vale do Paraíba estimulou a chamada “Marcha do Café”.

. Correspondeu ao deslocamento dos cafezais para o Oeste de São Paulo / construção de


uma nova região agroexportadora.

. A produção em São Paulo foi favorecida pelas transformações capitalistas ocorridas no


Brasil na segunda metade do século XIX.

. A instalação das unidades produtoras em São Paulo se deu em dois momentos:

• Surgimento / criação das unidades produtoras no “Oeste Velho de São Paulo” /


Campinas.
• Criação do “Oeste Novo de São Paulo” / Ribeirão Preto.

. A produção no Oeste Paulista:

• Maior desenvolvimento das forças produtivas / utilização de máquinas e de técnicas


de produção mais avançadas.
• Presença do trabalho livre / Oeste Velho de SP – até 1888 notamos a combinação do
trabalho livre com o trabalho de escravizados / Oeste Novo de SP – uso exclusiva de
trabalhadores livres.
• Presença de capitais externos.
• “Burguês Cafeeiro”: dono das fazendas de café / visão empresarial mais associada
à realidade capitalista do período / aquisição de equipamentos e de técnicas de
produção mais sofisticadas (curvas de nível) / diversificação do investimento dos
lucros (ferrovias / indústria).
• Presença da mão de obra imigrante nas fazendas.

1.2 - A Modernização Econômica da Segunda Metade do Século XIX

- Esse período conheceu a transformação do modelo vigente de capitalismo, proveniente da


Segunda Revolução Industrial. Nesse momento novas práticas capitalistas começam a se

27
desenvolver: a concentração de empresas e capitais, a formação do capital financeiro e o
Imperialismo.

. Os efeitos desse movimento sobre o Império do Brasil são perceptíveis, principalmente, na


modernização de nosso mercado interno e no incremento das atividades industriais e
urbanas. “Sinais” da modernização econômica:

• Mercado interno mais forte: maior número de consumidores e um maior poder de


compra.
• Crescimento das atividades industriais.
• Economia urbana mais aquecida / estímulo ao comércio, às finanças e à indústria.

- A partir da segunda metade do século XIX o Império passou a viver um processo de


“Modernização Conservadora”. Nesse contexto setores da estrutura socioeconômica
brasileira se modernizaram enquanto outros se mantiveram.

. Modernização Conservadora / conceito desenvolvido por Antonio Gramsci / processo pelo


qual setores da estrutura de uma sociedade se modernizam, enquanto se mantêm como
estavam / não possibilita uma transformação de toda infraestrutura.

. Fatores de permanência.

• Caráter agroexportador da economia / Cafeicultura.


• Predomínio de relações pré-capitalistas de trabalho / o trabalho assalariado era
utilizado em uma escala reduzida.
• Concentração da força de trabalho no campo.

. Fatores de mudança:

• Introdução em maior escala do trabalho livre / Crise do Sistema Escravista.


• Desenvolvimento das atividades urbanas e industriais.
• Fortalecimento do mercado interno / aumento do poder de compra – aquecimento.
• Entrada de capitais estrangeiros na economia.

28
- Dentre os fatores que contribuíram para esse processo de “modernização” podemos
destacar:

. Origem estrutural: desenvolvimento do sistema capitalista / Segunda Revolução


Industrial.

. Crise do Sistema Escravista / transição do trabalho escravo para o trabalho livre.

• Aumento do número de consumidores = fortalecimento do mercado interno.


• Aumento do volume de moeda em circulação = idem.
• Estimulou o desenvolvimento das forças produtivas.

. Lei Eusébio de Queiroz de 1850 – determinou a proibição do tráfico EXTERNO /


ATLÂNTICO de escravos.

OBS: NÃO determinou o fim do comércio interno de escravos, entretanto inviabilizava


entrada LEGAL de novos escravizados vindas África.

• Originada por duas questões: crise do sistema escravista / pressões da Inglaterra


pelo fim do tráfico de escravos – “Bill Aberdeen” (1845).

OBS: O “Bill Aberdeen” correspondeu como uma lei aprovada pelo Parlamento
direcionada ao combate a escravidão:

• Permitia aos navios de guerra ingleses aprisionassem navios negreiros,


independentemente de sua nacionalidade.
• Prisão dos capitães dos navios negreiros.
• Libertação dos escravos.
• Incorporação do navio aprisionado a Marinha Inglesa.
• A partir da aprovação dessa lei a Inglaterra praticamente acabou com tráfico no
Atlântico.
• Liberação maciça de capitais que foram reinvestidos no mercado interno.
• Aprofundou a crise do Sistema Escravista / estimulou o uso do trabalho livre.
• Não proibiu o tráfico INTERNO de escravos.

29
. Lei de Terras de 18/09/1850.

• Inseriu as relações capitalistas de produção no campo / transformou as terras em


“bens de capital”.
• Proibiam a doação de terras pelo Estado Imperial.
• Obrigavam o registro da terra e comprovação da produtividade – agravou a questão
da superconcentração da propriedade da terra.
• Obrigavam a transação de terras com base na compra e venda.
• Demarcação das terras indígenas.
• Efeitos dessas leis: modernização / concentração da propriedade fundiária / criação
de barreiras ao acesso à terra (imigrantes / ex-escravizados).

OBS: essa lei atendia aos interesses dos grandes proprietários.

. Desenvolvimento do setor de transportes (ferrovias / navegação a vapor) e comunicações


(telégrafos / reforma postal / telefone).

. Crescimento urbano / incremento da URBANIZAÇÃO

. Surto de crescimento industrial – Era Mauá (Irineu Evangelista de Souza – Barão de


Mauá).

• Foi favorecido pelas “Tarifas Alves Branco” – revisão e aumento das tarifas
alfandegárias no Brasil, que em alguns casos levou a um aumento de até 60% /
representaram uma tentativa de adoção de uma política protecionista em relação à
produção nacional / os efeitos dessas tarifas foram LIMITADOS e de CURTA
DURAÇÃO – entravam em choque com os interesses ingleses o que despertou forte
oposição do governo britânico / despertou retaliações por parte da Inglaterra – “Bill
Aberdeen”.
. Imigração.

• Estímulos internos à imigração (segunda metade do século XIX): crise do sistema


escravista / expansão da cafeicultura no oeste de SP (final do século XIX e início do
XX – “Oeste Novo de SP”).

30
• Estímulos externos à imigração: questões características de uma conjuntura
europeia do final do século XIX e início do século XX – estimularam uma imigração
para a América como um todo – “fazer a América” / destinos preferenciais para os
imigrantes: Estados Unidos (1º) / Argentina (2º) / Brasil / fatores europeus q eu
estimularam a imigração: crises econômicas – fome (Ex: Crise da Batata na
Irlanda); guerras (Guerras de Unificação – Itália e Alemanha); efeitos negativos da
unificação sobre a região sul da Itália e da Alemanha.

OBS: no momento em que o sistema escravista entrou em crise surgiu a discussão em torno
da substituição do trabalhador escravizado – “Quem irá substituir os escravos?” /
surgimento de algumas propostas:

• “Braço Nacional” – trabalhadores livres brasileiros – os ex-escravos.


• Imigrantes europeus – eram entendidos como “melhores trabalhadores” / atendiam
aos imperativos das ideias raciais que nesse momento entravam no Brasil.
• Sistema de Parcerias (décadas de 1840 e 1850): empreendimento particular
(Agências de Imigração) / imigrante – parceiro do produtor (café) / endividamento
/ condições precárias de vida.
• Sistema de Colonato / Contratos Padrão: empreendimento do governo da província
de SP / implementado na década de 1870 – atender à demanda por mão de obra no
oeste da província (expansão do café) / despesas de viagem eram subsidiadas / salário
até a colheita da primeira safra de café / cada família recebia dois lotes de terras nas
fazendas de café (cafeicultura – culturas de subsistência) / entrada maciça de
italianos.

1.3 - A Produção para o Mercado Interno

- Durante o Segundo Reinado a província de Minas Gerais apresentou uma economia sólida
e estável voltada, principalmente, para o mercado interno. O censo de 1872 mostrou que
essa província abrigava 24,5% da população escrava do Império.

. Em 1846 foram levantadas 9042 fazendas no interior de Minas, chegando-se às seguintes


conclusões:
31
• 22,5% delas praticavam a pecuária.
• 20,7% desenvolviam a pecuária e a lavoura simultaneamente.
• 46,8% delas dedicavam-se exclusivamente à lavoura, em especial dos
seguintes produtos: milho, feijão, arroz e mandioca.

Tabela 1: Volume das exportações da Província de Minas Gerais entre 1842-1843.

PRODUTOS ÍNDICES DE EXPORTAÇÃO*


Bovinos, porcos e derivados 61,6%

Panos de algodão 7,2%

Café 18,8%

Tabaco 11%

Alimentos vegetais 0,4%

* Venda desses artigos para o mercado brasileiro. EXPORTAÇÃO = venda fora da


província.

- As províncias do Sul do Império correspondiam ao que poderíamos chamar de periferia


da periferia econômica do Brasil / PECUÁRIA (bovina) – produção de charque.

. Estavam voltadas para o mercado interno, em especial o Sudeste do Brasil. Apresentavam


uma variada gama de unidades não capitalistas de produção, mantidas pelo trabalho de
peões, escravos e camponeses.

. Os principais tipos de unidades produtoras eram as estâncias e as charqueadas.

. As estâncias foram constituídas a partir da incorporação de grandes extensões de terra e


de numeroso rebanho.
• Utilizavam o trabalho livre não assalariado do peão-gaúcho. Este era remunerado
com casa, comida e o direito ao uso de um lote de terra, caso tivesse família.

• A produção utilizava forças produtivas de baixo nível de desenvolvimento.

. As charqueadas surgiram no século XIX e eram responsáveis pela produção do principal


artigo de exportação da região. Através delas foi introduzido o trabalho escravo, em maior
escala, no Sul do Brasil.

32
• Em 1858 25,1% da população da região era escrava.

• Sofriam forte concorrência do charque platino.

• A proibição do tráfico em 1850 contribuiu para a crise da produção na região.


Nesse sentido também teve relevante influência o aumento da concorrência da
região do Prata.

. Nessa região também se desenvolveu um importante setor agrícola, beneficiado pelo fluxo
de imigrantes italianos e alemães que afluiu para o Sul do Império.

. Ao longo do Segundo Reinado também foi instalada na região a produção de fumo


(tabaco).
• Tinha como centro a região de Santa Cruz do Sul (RS).

• Modelo de produção = Plantation.

- A região Centro-Oeste, compreendendo o Mato Grosso e Goiás, detinha em 1872 somente


2,2% da população do Império, correspondendo a uma fronteira aberta.
. Sua economia se baseava na agricultura de gêneros alimentícios para o mercado interno
e na pecuária extensiva. Essas atividades eram desenvolvidas através de formas
camponesas de produção, onde predominava o trabalho familiar.

- Na região Norte o maior destaque pode ser dado à exploração do látex e à produção da
borracha, desenvolvidas a partir da segunda metade do século XIX (em finais do II
Reinado).
. A unidade básica da produção era o seringal (latifúndios plantados com seringueiras e
propriedades de uma elite local), onde as árvores eram a principal fonte de capitais uma vez
que a terra, nessa região, não tinha grande valor.

• As relações de trabalho se fundamentavam no sistema de barracões / predomínio do


trabalho livre de uma mão de obra proveniente das províncias do Nordeste / os
trabalhadores livres recebiam “lotes” onde deveriam explorar exclusivamente o
látex e produzir a borracha / os gêneros de subsistência eram comprados a crédito
em armazéns do seringal (barracões) a preços e juros elevados / o acerto de contas

33
com o dono do seringal era feito através da borracha produzida e do abatimento das
dívidas.
• A comercialização da borracha se dava através do sistema de aviamento.

1.4 – As Crises Econômicas do Segundo Reinado

- O governo de D. Pedro II também conheceu seu lado sombrio em termos econômicos,


marcado por crises de abastecimento e por crises bancárias.

- Em relação à questão do abastecimento o Império conheceu períodos de “carestia” que


abalaram profundamente a população.

. As origens dessas crises estão ligadas a alguns fatores:

• A estrutura arcaica da produção agrícola.


• O crescimento demográfico não foi acompanhado pelo aumento da oferta.
• O monopólio exercido pelos Comerciantes de Grosso Trato sobre o comércio de
gêneros de subsistência.
• O crescente aumento dos preços entre 1854 e 1858.
OBS: uma historiografia mais antiga considera essas carestias como consequência do
caráter monocultor da produção agrícola.

. As carestias estiveram nas origens de diversos movimentos de revolta popular que


eclodiram, em diversos pontos, durante o Segundo Reinado.

• 1857 – Salvador.
• 1858 – Rio de Janeiro.
• Quebra Quilos – ocorreu em 1871 no Rio de Janeiro e em 1874 na Paraíba e
Pernambuco.
• Revolta do Vintém – explodiu em 1880 no Rio de Janeiro.

- A crise de maior dimensão do Segundo Reinado foi a de 1864. Sua origem está ligada à
falência da Casa A. J. Alves Souto & Cia, uma das maiores casas bancárias do Império.

. A falência espalhou o pânico entre os correntistas de diversos estabelecimentos bancários,


que correram em massa a fim de resgatar seus pagamentos, títulos e depósitos.

34
- Outra importante crise eclodiu em 1875, em função do endividamento gerado pela Guerra
do Paraguai e a crise capitalista de 1873.

. Não teve a mesma dimensão da anterior devido a uma maior eficiência da estrutura
creditícia e ao apoio do governo imperial.

. Nessa crise foi marcante a falência do Banco Mauá, que já havia perdido sua filial de
Montevidéu em 1868.

O Segundo Reinado: Organização Política

Livro: “História do Brasil Império” / Cap. “Conflitos e negociações” / pag.


87/108.

Roteiro de Estudos:

- Período de maior estabilidade política.

. Formação e consolidação de um “Estado Imperial”.

• Formação – teve início com o “Regressismo” e se completou na década de 1850.

• Consolidação de efetivou entre as décadas de 1850 e 1870.

. Centralismo político – projeto dos Conservadores / teve na figura do Imperador o seu principal
símbolo.

• As diretrizes políticas e administrativas do Brasil partiam da “Coroa” – conjunto de forças


políticas do qual o Imperador era o principal elemento / baseada na Corte (RJ).

- O Estado Imperial brasileiro entre 1840 e 1889 assentava-se sobre um tripé constituído pelos
seguintes princípios:

. Monarquia – estabilidade / CIVILIZAÇÃO

. Unidade – TERRITÓRIO / REGIME

. Baixa representatividade – “Sociedade Política” / cidadãos do Império = elite social e econômica


(senhores de terras e escravos, comerciantes de grosso trato e traficantes, dirigentes políticos).

35
- A evolução desse modelo de estado pode ser pensada a partir de três momentos distintos.

. Formação / 1837-1850.

• Centralização política.

• Centralização administrativa.

• Coroa / Imperador (Poder Moderador) – Corte (RJ)

. Consolidação / 1850-1870.

. Crise / 1870-1889.

1 – A Formação (1837-1850)

- Apesar das divergências relativas às origens desse processo, existe uma concordância entre os
historiadores em relação à centralização do poder que, a partir da regência de Araújo Lima,
marcou o cenário político brasileiro até 1850.

- Segundo o Visconde do Uruguai, essa centralização deveria se processar em dois sentidos:

. Centralização Política: concentrar em um só lugar o poder de dirigir os interesses comuns a todas


as partes da Nação.

. Centralização Administrativa: concentrar em um só lugar o poder de dirigir os interesses


particulares de cada parte da Nação.

- As origens desse movimento podem ser encontradas nas grandes crises políticas e sociais que
afligiram o Brasil durante as Regências e na primeira década do Segundo Reinado.

. Revoltas das Regências.

. Revolta Liberal de 1842

• MG / SP.

• Partido Liberal.

• Origens: oposição ao “Regressismo” / anulação das “Eleições do Cacete” (vitória dos


liberais).

36
. Revolta Praieira de 1848.

• Pernambuco.

• Movimento bem mais complexo do que o de 1842: motivado por um maior número de
questões / maior participação social / diversidade ideológica (Liberalismo / Socialismo
Utópico / Primavera dos Povos).

• Origens: oposição promovida pelos liberais à excessiva centralização política / Federalismo


/ maiores privilégios ao Centro-Sul do Império / crise econômica da região / aumento
excessivo do custo de vida / demanda por reformas sociais (influências do Socialismo) –
jornal “A Praia”.

• Reprimido pela Coroa.

. Ameaças à manutenção da ORDEM e da CONTINUIDADE, elementos que nortearam a formação


do Estado Nacional desde a Independência.

- Nesse processo de centralização, alguns elementos tiveram um papel relevante:

a) Lei de 03/12/1841 – reformulava o Código de Processo Criminal de 1832.

. Praticamente anulava a autoridade dos juízes de paz, criando uma estrutura jurídica e policial
centrada nos chefes de polícia (um em cada capital), delegados e subdelegados que, a partir de então,
concentram as funções judiciárias e policiais.

b) 19/09/1850 – reforma da estrutura da Guarda Nacional.

. Os oficiais passaram a ser escolhidos pelo governo central ou pelos presidentes de província.

. Limitava o acesso à Guarda, reservando o oficialato aos representantes das elites locais. Tal
medida visava fortalecer os laços do Império com as últimas.

c) Lei da Presidência do Conselho de Ministros de 23/11/1841 – institui no Brasil o


“Parlamentarismo”.

. Modelo Inglês:

• CHEFE DE ESTADO = Rei.

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• CHEFE DE GOVERNO = I Ministro / dividia as funções administrativas com o Chefe de
Estado / formava o Gabinete (conjunto de ministros que junto com o I Ministro compõem
o Poder Executivo)

• Parlamento = indicava o I Ministro / fiscalizava as ações do Executivo (I Ministro /


Gabinete) / impunha limites ao poder do Chefe de Estado e do Chefe de Governo /
assembleia bicameral (Câmara dos Lordes / Câmara dos Comuns).

MODELO BRASILEIRO DE PARLAMENTARISMO – “Parlamentarismo às Avessas”

. Imperador – chefe de Estado / indica o Presidente do Conselho de Ministros (I Ministro) / controle


sobre o Executivo.

• Poder Moderador – escolha do chefe do Gabinete ou Presidente do Conselho de Ministros.

. Presidente do Conselho de Ministros – convoca as eleições legislativas e dispunha dos recursos


estatais que permitiam sua manipulação / compunha o Gabinete.

. Não havendo uma concordância entre a Câmara e o Gabinete, no exercício do Poder Moderador,
o imperador poderia dissolver a um dos dois.

. O modelo brasileiro levava à centralização política e administrativa = no exercício do poder


moderador as decisões e o controle da política e da administração estavam nas mãos do Imperador.

d) Restabelecimento do Conselho de Estado e do Poder Moderador.

2 - A Consolidação (1850-1870)

- A baixa representatividade foi uma marca característica do modelo político do Império do Brasil.
Assegurada pelo sistema eleitoral criado pela Constituição de 1824, excluía da participação política
considerável parcela da população além de permitir que o processo em si fosse facilmente
controlado pelo Aparelho de Estado.

. Excluídos do voto: menores de 25 anos (com exceção dos homens casados, dos oficiais militares
maiores de 21 anos, dos bacharéis formados e dos clérigos de ordens seculares); criados de servir,
clero regular e todo aquele que não detivesse uma renda anual mínima menor que 100 mil réis.
MULHERES e ESCRAVOS

. Eleitor de segundo grau: aquele que possuísse uma renda mínima de 200 mil réis

38
. Para se candidatar ao Legislativo o indivíduo deveria deter uma renda anual mínima de 400 mil
réis (Câmara dos Representantes) ou de 800 mil réis (Senado).

- A manutenção da integridade da Monarquia dependia, em grande parte, de sua legitimidade.


Dessa forma ela teria de estar vinculada aos setores minoritários da classe dominante. Essa lógica
justificou as reformas eleitorais de 1855.

. Institui o voto distrital, o que ampliava o espaço de participação das lideranças locais.

. Em 1881 foi realizada uma nova reforma eleitoral que promoveu alterações no sistema:

• Eliminou a votação em dois níveis.

• A verificação dos 200 mil réis de renda ficou mais rígida.

• O analfabeto perdeu o direito ao voto.

- Na consolidação e no funcionamento do Estado Imperial, durante o Segundo Reinado, algumas


instituições tiveram um papel relevante: O Senado, o Conselho de Estado e a própria estrutura
partidária / a consolidação resultou de uma diminuição dos choques e tensões políticas = gerava
maior estabilidade e a garantia da centralização / esses três elementos promoveram essa redução
dos choques e tensões.

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- O Senado era vitalício (reduzia uma rotatividade de pessoas no Senado) e os senadores eram
escolhidos a partir de uma lista tríplice formada pelos eleitores de segundo grau onde a escolha final
cabia ao Imperador (possibilitava a construção de um equilíbrio entre as principais forças
políticas).

. Funcionava como um amortecedor para as crises e tensões políticas.

. Possibilitava que mesmo afastados do poder, os partidos estivessem nele representados em boa
escala, posto que a instituição tinha um caráter vitalício.

- O Conselho de Estado era composto por doze conselheiros, escolhidos pelo imperador em caráter
vitalício. A indicação do escolhido, geralmente partia do chefe do gabinete. Dentre as funções
normalmente exercidas pelos conselheiros, destacamos:

. Aconselhavam ao imperador em questões ligadas à nomeação ou destituição de ministros.

. Participavam da apreciação dos casos que envolviam disputas entre setores do governo e processos
instaurados contra o mesmo.

. Promoviam uma análise jurídica da constitucionalidade das leis e decretos.

OBS: o Imperador exercia um papel fundamental na garantia do equilíbrio entre as forças políticas
(Liberais e Conservadores) no Senado e no Conselho de Estado. Isso porque, em última instância,
era ele que determinava quem iria ocupar as vagas dessas duas instituições. Isso ocorria pelo fato
de o Imperador exercer o Poder Moderador.

- Na estrutura partidária do período, observamos a quase que total hegemonia de dois grandes
partidos: o Partido Conservador e o Partido Liberal.

. O Partido Conservador ou “Saquarema” foi constituído a partir de uma aliança de alta


magistratura, da burocracia estatal, da grande lavoura de exportação e do grande comércio
(Centro-Sul) – traficantes de escravos.

• Apresentava uma tendência favorável à centralização política, porém em questões que


envolviam reformas sociais, essa unidade interna se fragmentava.

40
. O Partido Liberal ou “Luzia” tinha como base de sua composição, principalmente, profissionais
liberais urbanos, agricultores voltados para o mercado interno e das áreas mais recentes de
colonização (regiões sul e centro-oeste do Império).

• Defendia propostas mais voltadas para a descentralização (Federalismo), reformas sociais


moderadas (em alguns momentos) e tendia a apoiar uma maior representação dos cidadãos
na política.

. Embora apresentassem composição e propostas divergentes, as diferenças entre liberais e


conservadores eram limitadas por alguns elementos / AS SEMELHANÇAS ENTRE OS
PARTIDOS ERAM MUITO MAIORES E IMPORTANTES DO QUE AS
DIFERENÇAS!!!!!

OBS: Entre os liberais e os conservadores as semelhanças eram muito maiores e mais importantes
do suas diferenças. Isso reduziu os choques e atritos entre esses dois partidos, contribuindo assim
para a consolidação do Estado Imperial.

• Origem social, posto que faziam parte de um mesmo “Mundo” – elites imperiais / a origem
social dos membros dos dois partidos era a mesma = membros das elites / Nesse sentido
observamos os choques e disputas eram limitados e atenuados pelos interesses de classe!
“Liberais e conservadores são farinhas do mesmo saco”.

• Manutenção da estrutura social = tanto liberais quanto conservadores defendiam a


manutenção da propriedade da terra, a preservação do sistema escravista e a garantia das
hierarquias sociais.

• Holanda Cavalcanti – “Nada se assemelha mais a um saquarema do que um luzia no poder”.

• Não havia diferenças ideológicas entre os dois partidos.

• Ausência de fidelidade partidária.

• Políticos de ambos os lados lançavam mão das mesmas práticas: violência e cartorialismo,
clientelismo.

• Não houve uma postura coerente durante o Segundo Reinado no tocante ao apoio da
centralização e da descentralização.

41
. Essa estrutura partidária sofreu uma alteração na década de 1860 com a dissidência de liberais e
conservadores, que se uniram formando a Liga Progressista.

• De caráter reformista e modernizador, refletia a emergência de uma nova visão política.

• Pretendia revogar a reforma de 1841.

• Defendia a revisão da Constituição.

• Pleiteava pela redução da autoridade do Poder Moderador / criticavam e opunham ao que


chamavam de “Imperialismo” (exercício excessivo da autoridade e do poder por parte do
Imperador).

• Eleição regular de senadores e presidentes de província.

OBS: A “Liga Progressista” deu origem ao “Partido Progressista” que foi extinto em 1870.
Alguns progressistas voltaram para seus partidos de origem (Liberal e Conservador) enquanto
outros fundaram o “Partido Republicano” (1870).

- Um dos maiores exemplos da consolidação do Estado Imperial e de sua estabilidade, corresponde


ao período da Conciliação (1853 – 1868):

. Gabinete da Conciliação / Honório Carneiro Leão – Marquês do Paraná.

. Teve início a partir da hegemonia dos conservadores, após a derrota da Praieira em 1848.

. Corresponde ao esforço de construir um mecanismo que proporcionasse a representação dos


setores majoritários e minoritários da classe dominante no Aparelho de Estado = equilíbrio entre
liberais e conservadores no poder / ainda que houvesse uma predominância dos conservadores, os

42
liberais não foram excluídos do poder / a nomeação de liberais e conservadores para cargos e
funções importantes por parte do Imperador.

. Nesse contexto a Reforma Eleitoral de 1855 exerceu papel relevante.

- Figura do imperador / síntese do discurso ideológico que referendava o Estado e o conjunto de


relações políticas nele desenvolvido.

. D. Pedro II – resultado de um processo de construção da IMAGEM DO IMPERADOR.

• Ritualização das aparições e cerimônias.

• Etiqueta da corte.

. Associação da figura do monarca aos conceitos de ORDEM, CONTINUIDADE E CIVILIZAÇÃO.

43
. A partir dos anos 1860 a imagem do imperador está definitivamente incorporada ao conjunto das
Imagens Oficiais do Estado – Conquista do capital simbólico necessário.

3 – A Crise / 1870-1889

- Origem estrutural: desenvolvimento do modelo de Capitalismo vigente no Brasil /


MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA – metade do século XIX.

. Conceito de “modernização Conservadora” – conceito teorizado por Antonio Gramsci / processo


no qual alguns setores da estrutura socioeconômica de uma sociedade se modernizam enquanto
outros se preservam – não há uma ruptura ao nível estrutural.

. Componentes estruturais que se modernizaram através desse processo:

• Crescimento da atividade industrial.

• Desenvolvimento das instituições bancárias e das atividades capitalistas / após 1850.

• Ampliação do trabalho livre e redução da escravidão = início da CRISE DO SISTEMA


ESCRAVISTA.

. Componentes estruturais que não se modernizaram nesse processo:

• Estrutura fundiária = baseada na super concentração da propriedade da terra.

• Caráter agroexportador da economia.

• Hierarquias sociais.

- Modernização Conservadora = tornou o “Estado Imperial” uma instituição anacrônica.

- Crise da cafeicultura no Vale do Paraíba = modernização.

- A crise foi acelerada pelas chamadas “Questões do Fim do Império”

a) A Questão Religiosa

- Choques entre o Estado Imperial e a Igreja Católica no Brasil - Ruptura dos laços FORMAIS que
ligavam a Igreja ao Estado

- A Constituição de 1824 reconhecia o Catolicismo como religião oficial do Império.

44
. O Clero era equiparado ao funcionalismo público.

. Padroado: o soberano indicava os candidatos aos bispados, cabendo ao Papa somente a


investidura religiosa.

. Placitação: o poder imperial indicava, ou não, o livre curso das Bulas pontifícias.

- O limite que o Império impunha ao crescimento das Ordens Religiosas e às Dioceses reflete
relações contraditórias entre Igreja e Estado.

- As elites brasileiras tinham relações conflituosas com a Igreja.

. Choques entre o tradicionalismo religioso e o Liberalismo.

. Adesão das elites ao pensamento racional e secular.

- A Igreja tinha grande importância nas relações do Império com as camadas populares.

. Contenção dos levantes populares no “Quebra Quilos” / Gabinete Rio Branco.

- ULTRAMONTANISMO / A segunda metade do séc. XIX foi marcada por uma radicalização da
Igreja / se volta para o TRADICIONALISMO / REAFIRMAÇÃO E REFORÇO DA
AUTORIDADE ECLESIÁSTICA.

. Avanço do Liberalismo burguês e do Socialismo Utópico e Científico

. Avanço do Nacionalismo Burguês na Itália / reduz a soberania Papal.

. Bula Syllabus / 1864.

• Retomada das tradições.

• Combate a ideais, ideologias e instituições consideradas como nocivas à Igreja:


Nacionalismo; Socialismo; Maçonaria.

• A prática das medidas da Bula Syllabus originou uma verdadeira perseguição à Maçonaria.

- Choques Igreja x Estado no Brasil.

. Censura a presença do Padre Almeida Martins em festa maçônica em homenagem ao Visconde do


Rio Branco

. Expulsão dos maçons das Irmandades religiosas por parte dos Bispos D. Vital de Oliveira (Olinda)
e D. Antonio Macedo Costa (Belém do Pará).

• Articulação da Igreja ao Quebra Quilos / Rio Branco.

45
• Prisão dos Bispos.

b) A Questão Servil

Livro: “História do Brasil Império” / Cap. “O Fim da Escravidão” / pag.


109/130.

- Crise do sistema escravista (SEGUNDA METADE DO SÉC XIX) / ORIGENS DA CRISE

. Desenvolvimento do Capitalismo.

. Pressões da Inglaterra contra a escravidão e tráfico.

• Supressão do tráfico e do trabalho escravo nas colônias inglesas.

• Crescimento das ideias e do movimento abolicionista na Inglaterra.

• Defesa do abolicionismo pelo Partido Radical no Parlamento.

. Crescimento do movimento abolicionismo no Brasil.

• Quermesses e “Meetings” abolicionistas.

• Campanhas de arrecadação de fundos para a compra de alforrias.

• Movimento dos Caifazes / SP.

• 1874 – Abolição da escravidão no Ceará.

• Adesão em escala considerável de oficiais do Exército às ideias abolicionistas.

. RESISTÊNCIA DOS ESCRAVIZADOS.

- Posturas relativas à escravidão:

. Escravismo – defesa da escravidão / Barões do Café.

. Abolicionismo – fim IMEDIATO da escravidão.

. Emancipacionismo – fim GRADUAL do trabalho escravo no Brasil conduzido pelo Estado.

OBS: ORIGENS da postura Emancipacionista:

• “Medo” da reação dos ex-escravos / necessidade de uma “preparação para a liberdade”.

46
• Questão das indenizações / criação de tempo para discutir e resolver essa questão.

• Lei Eusébio de Queiroz / 1850 – proibição do tráfico atlântico de escravizados.

• Lei do Ventre Livre / 1871 – “libertação” dos filhos de escravos nascidos a partir da
promulgação da lei.

• Lei Saraiva Cotegipe ou dos Sexagenários / 1885 – libertava os escravos maiores de 60 anos,
porém com a obrigação de mais 5 anos de trabalho a título indenizatório.

• Lei Áurea / 1888.

- Ruptura dos cafeicultores com o Império.

. Republicanos de Última Hora.

c) A Questão Militar

- Choques entre o Império e o Exército (oficiais): se intensificaram após a “Guerra do Paraguai”.

. Fim da guerra: reforço do “espírito corporativo” do Exército = importância dessa força


armada no conflito / começou a promover uma série de reivindicações.

• Reajuste dos soldos.

• Maior espaço político diante do “poder civil” do Império.

• Maior status social.

• As reivindicações do Exército (oficiais) não foram atendidas pelo Estado Monárquico.

. Origem social do Exército.

. Prestígio da Marinha.

• Garantia das fronteiras e do país no plano externo. Tal fato era consequência de uma visão
estratégica do período, segundo a qual as maiores ameaças externas proviriam do mar.

• Garantia da “Política Platina”.

- Após a Guerra do Paraguai o Exército ganha “Espírito de Corpo”.

- 1884 / abolição da escravidão no Ceará.

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. Fruto de intensa luta / destaque para o jangadeiro Francisco do Nascimento, o “Dragão dos
Mares”.

. Homenageado pelo tenente-coronel Antonio Sena Madureira.

• Ato de indisciplina.

• Transferência para o Sul do Brasil.

• Intensificação dos choques.

e) Questão Sucessória

- Discussões em torno da sucessão de D. Pedro II – “Terceiro Reinado”?

- Princesa Isabel – herdeira legítima / sucessora constitucional do Imperador.

. Havia fortes resistências a um governo da princesa.

• Questões de gênero do século XIX.

• Ultramontanismo de Isabel.

• Conde D’Eu – Príncipe Consorte.

- Defesa de um governo de Pedro Augusto de Saxe e Coburgo – neto de D. Pedro II.

4 – A Política Externa do Segundo Reinado

Livro: “História do Brasil Império” / Cap. “A Monarquia e seus vizinhos” /


pag. 131/151.

- Os maiores interesses e contatos do Brasil em relação à política externa estavam voltados para a
Europa e para os Estados Unidos.

. Relações diplomáticas.

. Relações comerciais.

. Intercâmbios culturais (Europa).

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- No contexto da política externa do Brasil durante o Segundo Reinado duas questões têm maior
projeção: as Questões Platinas e a Questão Christie.

4.1 – As Questões Platinas

- Corresponderam às intervenções militares e aos conflitos armados nos quais o Império se envolveu
na região do Prata. Como origens principais desses conflitos podemos citar:

. A garantia de livre navegação nos rios e canais da Bacia do Prata.

• Interesses comerciais.

• Comunicação = províncias do Centro-Oeste / A garantia da comunicação e da integração a


província do Mato Grosso ao restante do Império, uma vez que a principal via de
comunicação da Corte com essa província era o rio Paraguai.

. A oposição do Império à formação de governos fortes nessa região, bem como o seu apoio aos
movimentos divisionistas (Guerras Civis).

. Os interesses bancários e comerciais de Mauá na região.

. Os interesses dos charqueadores e criadores do sul do Brasil, prejudicados pela concorrência do


charque platino.

a) O Uruguai

- Uma primeira área que foi alvo do intervencionismo brasileiro foi o Uruguai.

- A vida política do país estava dividida entre os dois principais partidos:

. Blancos – representavam os interesses dos pecuaristas e defendiam uma política nacional mais
autônoma em relação ao capital estrangeiro e aos demais países da América do Sul.

. Colorados – ligados aos interesses dos comerciantes e capitalistas propunham um modelo de


Estado articulado ao grande capital, em especial o capital britânico.

- Em 1850 o Brasil promoveu uma intervenção militar sobre o país com o objetivo de destituir do
poder Oribe, líder dos Blancos. Essa intervenção conduziu à presidência do Uruguai o colorado
Rivera, apoiado por Mauá.

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- Anos mais tarde uma segunda intervenção foi realizada, desta vez contra Atanásio Aguirre.
Político blanco Aguirre chegou ao poder apoiado pelo presidente paraguaio Solano Lopes,
governando o Uruguai de 01 de março de 1864 a 15 de fevereiro de 1865.

. Assumiu interinamente o governo após o mandato de Bernardo Berro.

. Nesse momento o país vivia mais uma de suas inúmeras guerras civis liderada por Venâncio Flores.

- No período 1864/1865 formou-se uma aliança entre o Brasil, a Argentina e o Partido Colorado que
destituiu Aguirre e permitiu a ascensão de Venâncio Flores ao poder.

. Pressionado Aguirre entregou o governo ao presidente do Senado, Tomás Villalba, que logo foi
substituído pelo líder rebelde Flores.

. O apoio brasileiro aos rebeldes foi dado por um destacamento de seis mil soldados, liderados pelo
general João Propício Menna Barreto.

. A intervenção brasileira fez com que Solano Lopes declarasse guerra ao Brasil, em 13 de novembro
de 1865, uma vez que o líder paraguaio via no Uruguai o seu acesso à Bacia do Prata.

b) A Argentina

- A intervenção militar brasileira na Argentina começou a se desenhar com a ascensão de Juan


Manuel Ortiz de Rosas ao poder. Tal fato representava a hegemonia do federalismo em detrimento
do unitarismo apoiado pelas elites de Buenos Aires, contrariando os interesses dos grupos urbanos
ligados ao comércio e ao capital inglês.

- A ascensão de Rosas marcou o início de uma fase de afirmação da Argentina na região do Prata.
Tal fato era contrário aos interesses brasileiros uma vez que o crescimento argentino dificultava as
comunicações com o Mato Grosso e criava a ameaça de uma fronteira ampla.

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- Os projetos de Rosas estavam assentados, principalmente, em três objetivos:

. O controle das duas margens do rio da Prata.

. A tentativa de absorção do Uruguai.

. A tentativa de absorção do Paraguai, cuja independência não havia sido reconhecida.

- O governo brasileiro se aproximou da Inglaterra a fim de obter apoio em seus projetos de derrubar
Rosas do poder. Os britânicos, no entanto, não deram o suporte esperado, o que se explica pela
política vacilante do Brasil em relação ao tráfico e pelas Tarifas Alves Branco.

. A postura inglesa fez com que Rosas revisse sua política, deixando de lado o protecionismo que até
então adotava.

. Não obtendo o apoio britânico D. Pedro II se aproximou do Paraguai, reconhecendo a


independência do país e estabelecendo uma aliança militar defensiva contra o presidente argentino.

- O ponto de partida para a intervenção brasileira, surgiu com o início de uma rebelião liderada
pelo caudilho Justo José Urquiza, governador da província de Entre-Rios.

. O governo brasileiro se uniu a Urquiza e ao Uruguai em uma aliança para derrubar Rosas.

. Em 1852, na batalha de Monte Caseros, Urquiza obteve a vitória, assinando logo a seguir um
tratado de amizade, comércio e navegação com o Brasil.

f) A Guerra do Paraguai

- Historiografia da Guerra: três vertentes principais.

. “Historiografia Nacionalista” da Guerra.

• Predominante entre o final do século XIX e a década de 1960.

• Baseada em uma visão maniqueísta do conflito: heróis x vilões.

• Historiadores paraguaios: o Império do Brasil – vilão (expansionismo) / Solano Lopez –


herói.

• Historiadores brasileiros (argentinos e uruguaios): Solano Lopez – vilão (ditador) / Império


do Brasil (herói).

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. “Historiografia Marxista” da Guerra.

• Predominante entre as décadas de 1960 e 1990.

• “Mito Paraguaio” – visão idealizada e pouco realista do Paraguai no século XIX / economia
em vias de industrialização; economia independente do grande capital (especialmente do
capital inglês); reformas sociais (reforma agrária / erradicação do analfabetismo).

• Paraguai = ameaça: Inglaterra (concorrente em potencial do capital inglês no Prata); elites


platinas (“mau exemplo”).

• Guerra = fomentada e estimulada pela Inglaterra com apoio das elites do Brasil, Argentina
e do Uruguai / eliminar a “ameaça paraguaia”.

• Guerra Imperialista.

. “Nova Visão da Guerra”

• Final da década de 1990 e do século XXI.

• Fundamentada em análises mais cuidadosas e aprofundadas das fontes históricas / diálogo


com a historiografia inglesa do conflito.

• Rompe com o “Mito Paraguaio”.

• Demonstra o desinteresse e a oposição da Inglaterra em relação à guerra.

• Origem do conflito: choques de diferentes projetos geopolíticos para a região do Prata.


Projeto de Solano Lopez – “Paraguai Maior” (saída para o mar / expansão territorial) /
Projeto hegemônico do Império do Brasil para a região.

- O Paraguai obteve a sua independência em 1811 com uma sociedade predominantemente


indígena, adaptada a um trabalho organizado e coletivizado devido à ação jesuítica. O modelo
paraguaio tornou-se assim um caso atípico em relação ao restante da América do Sul.

- Logo após a independência o governo paraguaio foi ocupado por José Gaspar Rodríguez Francia
(1776-1840), que governou de 1811 a 1840. Desenvolveu um governo personalista e paternalista,
definindo os padrões atípicos da sociedade paraguaia.

. Eliminou o poder eclesiástico.

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. Promoveu uma “reforma agrária” que passou grandes porções de terra para o controle do Estado,
através da criação das Estâncias da Pátria. Nelas a mão-de-obra utilizada era a dos escravos,
prisioneiros e indígenas.

. Afirmou a soberania nacional e impulsionou o desenvolvimento da indústria.

- Francia foi sucedido por Carlos Antonio López cujo governo de desenvolveu de 1840 a 1862. Deu
continuidade ao trabalho de Francia tentando, sem sucesso, ampliar o “desenvolvimento industrial
e combater o analfabetismo.

- O sucessor de Carlos López foi Francisco Solano López, que governou de 1862 a 1870. Sua
administração teve grande influência do modelo prussiano, tendo como principal orientação a
construção de um “Paraguai Maior”.

. Promoveu um grande estímulo à militarização do Paraguai.

• Aumento dos efetivos militares.

• Estímulo à produção e aquisição de armamentos.

- A Guerra do Paraguai correspondeu ao maior conflito no qual o Brasil se envolveu, prolongando-


se de 11 de novembro de 1864 a 01 de março de 1870. Dentre as origens do conflito podemos
destacar:

. Os choques provenientes dos projetos geopolíticos dos países platinos e do Império do Brasil – Ex:
o Paraguai Maior de Solano López.

. Em 01 de maio de 1865 foi constituída a Tríplice Aliança reunindo o Brasil, a Argentina e o


Uruguai.

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. As disputas por terras entre o Brasil e o Paraguai, em especial na região do Mato Grosso.

• O Brasil construiu fortalezas na região em litígio.

• D. Pedro adotou posturas abertamente provocadoras em relação aos paraguaios. Nesse


contexto adveio o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda a 11 de novembro
de 1864.

. Em 1865 Solano López ampliou as dimensões do conflito com a invasão da província argentina de
Corrientes em abril e com a invasão do Rio Grande do Sul em maio

- Os efetivos em luta eram de grande monta:

. Brasil – 18 mil homens.

• Efetivos do Império na guerra eram constituídos por forças do Exército, da Guarda


Nacional, da Marinha e batalhões dos “Voluntários da Pátria”.

. Argentina – 8 mil homens.

. Uruguai – 1 mil homens.

. Paraguai – 64 mil homens.

- A violência foi a marca principal dessa guerra.

. Paraguai – política de não fazer prisioneiros.

. Brasil – política da “terra arrasada”.

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- A falta de reservas impossibilitou a manutenção do ímpeto inicial do Paraguai, o que resultou na
“vitória” da Tríplice Aliança.

. Derrota do Paraguai ocorreu na fase da “Campanha das Cordilheiras” e foi marcada pela morte
de Solano Lopez.

- Em termos práticos podemos dizer que esse conflito não teve vencedores efetivos.

. Império do Brasil – aumento do endividamento e da dependência em relação ao grande capital,


em especial à Inglaterra / o conflito originou choques entre os oficiais do Exército e o governo
imperial / a guerra aprofundou a crise do sistema escravista que sustentava economicamente a
Monarquia.

. Uruguai – sofreu grandes prejuízos econômicos com o conflito.

. Argentina – obteve alguma vantagem econômica com a guerra devido à venda de suprimentos
para o Brasil / os gastos levaram o governo argentino a retirar tropas do conflito.

. Paraguai – sofreu efeitos devastadores com a guerra / destruição da economia interna /


transferência das terras e das atividades mais lucrativas (produção de erva mate e a extração de
madeira) para o capital inglês / extermínio da população masculina do país.

4.2 – A Questão Christie

- Crise diplomática que envolveu o Brasil e a Inglaterra / Período compreendido entre 1862 e 1865
em que as relações diplomáticas do Brasil com a Grã-Bretanha foram abaladas, levando à ruptura
das mesmas por iniciativa do Brasil. Resultou diretamente das posturas assumidas pelo embaixador
inglês no Brasil, William Douglas Christie.

- Principais problemas ligados à questão:

. Naufrágio do navio inglês Prince of Wales na costa do Albardão no Rio Grande do Sul. A carga
foi saqueada e o embaixador acusou os brasileiros de terem assassinado os tripulantes do navio com
o propósito de roubar a carga.

• Afirmou que essas agressões foram cometidas com a conivência das autoridades brasileiras.

• O embaixador exigiu que o governo brasileiro indenizasse a companhia de navegação


inglesa.

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. Prisão de marinheiros ingleses no Rio de Janeiro em 1862, o que suscitou exigências por parte do
embaixador Christie:

• Pagamento de uma indenização pelo desaparecimento da carga do navio Prince of Wales.

• Demissão dos policiais que prenderam os ingleses.

• Pedido oficial de desculpas do Império do Brasil à Grã-Bretanha.

. Aprisionamento de cinco navios mercantes brasileiros, no Brasil, por navios de guerra ingleses
comandados pelo almirante Warren.

- Esses fatores combinados levaram ao arbitramento da questão pelo rei Leopoldo I da Bélgica,
que deu voto favorável ao Brasil. Em sua decisão ficou estipulado que a Inglaterra deveria pedir
desculpas oficiais ao Brasil. Sua negativa nesse sentido levou à ruptura das relações diplomáticas.

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