UNIVERSIDADE LUSÍADA Soraia Cerqueira
DIREITO DO AMBIENTE – PARTE 2
10/04/2024
CONTINUAÇÃO: GÉNESE DA ADOÇÃO DA DIRETIVA
• APLICAÇÃO EM SENTIDO OBJETIVO DA DIRETIVA DA
RESPONSABILIDADE AMBIENTAL.
O nosso decreto-lei copia na integra o decreto-lei.
Antes de passarmos para aplicação ou não do regime de responsabilidade
ambiental, temos de fazer a distinção entre danos tradicionais e ecológicos ou
danos ambientais.
A professora usa o termo dano ambiental porque é a terminologia adota pela
diretiva. Todas as outras terminologias vêm de criação doutrinal.
• DISTINGUIMOS OS DANOS TRADICIONAIS OU PRIVADOS DOS
AMBIENTAIS.
Os danos tradicionais são os danos que as pessoas sofrem e aí
consideramos os danos pessoais quando sofrem na sua integridade física e vida,
dos danos materiais nas suas propriedades. Para além de danos materiais e
pessoais, podem ser patrimoniais e não patrimoniais. São os danos que as pessoas
sofrem em resultado da lesão das componentes ambientais.
Danos infringem o ambiente do quais advém danos para o ser humano Dos
danos ambientais que são os danos sofridos pelo ambiente, pelas próprias
componentes do ambiente.
Obviamente que se fazemos a distinção entre dano particular, tradicional e
do dano ambiental.
Também temos de fazer a distinção do regime da responsabilidade que é
utilizado para a reparação de cada um destes danos.
• RESPONSABILIDADE CIVIL EXTRACONTRATUAL
No dano ambiental posto que a responsabilidade tradicional acabou por se
verificar que era inadequada a reparação do dano ambiental, foi necessário criar
outro regime que é o que se encontra consagrado na diretiva 147/2008.
Ainda seguindo o raciocínio da responsabilidade, quer isto que tem
tratamento comum, quer a responsabilidade civil utilizada para o ressarcimento do
dano (para ressarcir o dano tradicional o artigo 542º e seguintes prevê a obrigação
de reparação no sentido em que se privilegia a reconstituição natural, 552º, mas se
for demasiado onerosa ou nao for possível, pode haver lugar a indemnização e
dinheiro, nos termos do 556º nº1).
Isso não se passa no ambiente, o que se pretende com a responsabilidade
ambiental é adoção de medidas preventivas no caso de ameaça do dano ou a
reparação do ambiente no caso de dano efetivo, sendo que há várias formas de
reparação nenhuma delas correspondendo a indemnização em dinheiro. Anexo 5
do regime jurídico da responsabilidade ambiental. E também no anexo 5 da diretiva.
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No âmbito da responsabilidade civil temos uma perspetiva comum, quer a
civil quer a ambiental distinguem-se em:
i. Responsabilidade objetiva
ii. Responsabilidade subjetiva.
Uma das inovações da diretiva foi o estabelecimento da responsabilidade
objetiva em relação a determinadas atividades que o legislador entendeu que
seriam perigosas para o ambiente.
As atividades que são consideradas particularmente perigosas para o
ambiente encontra se no anexo III.
No âmbito dos casos práticos se conseguirem enquadra determinada
atividade no anexo, tudo bem, se não conseguirem podem sempre utilizar o nº1 que
funciona como regra residual. O nº1 abarca a exploração de instalação sujeitas a
licença.
Atualmente qualquer instalação industrial, fabril esta sujeita a licença. O
que não couber no anexo III pode cair na responsabilidade subjetiva.
1. O nº 1 é mais abrangente.
2. O nº 2 relaciona se com a gestão de resíduos.
3. O nº 3 descargas para as águas interiores.
4. Nº 4 descargas de substâncias para águas subterrâneas.
5. Nº5 descargas ou injeção de poluentes nas águas de superfícies,
normalmente quando temos rios contaminadas é este nº5 que se utiliza.
6. Nº6 captação e represamento de água.
7. Nº7 manuseamento de substâncias perigosas, tudo o que diga respeito a
pesticidas ou produtos tóxicos cai aqui neste número.
8. O nº8 transporte de mercadorias perigosas ou poluente.
9. Nº9 exploração de instalações sujeitas a autorização no que se refere a
poluição atmosférica.
O que tem interesse porque a poluição atmosférica por o si não esta
abrangida pela diretiva, mas depois a produção de poluição atmosférica por
instalações que tem de ter autorização já lhe é aplicada a responsabilidade
objetiva. Organismos geneticamente modificados no nº 10 e 11. Nº 12 a
transferência transfronteiriça dos resíduos . nº13 gestão de resíduos de extração
e a mesma coisa no nº 14 os locais de armazenagem geológico de dióxido de
carbono.
Esta última juntamento com as operações offshore são mais suscetíveis de
ser aplicado o princípio da precaução.
A responsabilidade objetiva é aquela que melhor serve o princípio do
poluidor pagador. Porque, independentemente de culpa, ou não o que se pretende
com este é que quem contamina paga ou quem ameaça contaminar também pague
as medidas de prevenção.
Acaba por ser o regime regra acaba por ser a responsabilidade objetiva
porque a generalidade das atividades que são consideradas alvo da
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responsabilidade subjetiva as atividades que se encontram licenciadas,
autorizadas. O que significa que, à partida, o seu exercício não corresponde a um
ilícito.
Efetivamente, o regime jurídico da responsabilidade ambiental veio resolver
a questão do dano ambiental e da reparação e da prevenção do dano ambiental.
Por isso mesmo a diretiva não faz qualquer menção aos danos tradicionais. A única
coisa em que se refere é a dizer que não se aplica aos danos tradicionais. O decreto-
lei não, veio reconhecer a existência de responsabilidade civil objetiva
para reparação dos danos sofridos pelas pessoas resultantes de lesões ao
ambiente.
− Quais são as principais diferenças:
O regime regra da responsabilidade civil é do 483º CC.
Já sabemos que a responsabilidade civil é por regra a que resulta do 483º nº
1- responsabilidade subjetiva e no nº2, so há responsabilidade sem culpa nos
casos expressamente previstos na lei e foi isso que o legislador veio fazer aqui. Foi
atribuir responsabilidade objetiva aos agentes que causarem os danos resultantes
das atividades do anexo II. Para alem do 483º nº 1 e 2. nos artigos que representam
a responsabilidade civil no decreto-lei são o 8º quanto a responsabilidade subjetiva
e o 7º quanto a responsabilidade objetiva.
Não esquecer que, na responsabilidade objetiva prescinde-se da culpa, ou
seja, do juízo de censura, e prescinde-se também da ilicitude do comportamento.
O resultado há de ser ilícito, mas o comportamento é isso que não é necessário que
seja apurado qualquer ilicitude. o que não inviabiliza que tenham de ser provados
os restantes requisitos: facto voluntário, dano ou ameaça de dano, e a existência
de nexo de causalidade.
Na responsabilidade ambiental temos a mesma coisa, 13º para a
responsabilidade subjetiva e 12º para a objetiva.
O que se pretende com a responsabilidade civil?
Queremos a reparação ou ressarcimento dos danos, já vimos em que
moldes. Com a responsabilidade ambiental, queremos não so a reparação do
dano, mas já vimos que a responsabilidade ambiental tem também uma função
preventiva. Para alem de se querer reparar o dano quer se prevenir a ocorrência
desse dano. portanto quer se também a prevenção em caso de ameaça eminência
de dano.
− De que modo é que é feito:
Na responsabilidade civil temos a reconstituição natural ou indemnização
em dinheiro. na responsabilidade ambiental temos medidas preventivas e de
reparação que podem ser primarias, complementar ou compensatório e que se
encontram no 14º, 15º,16º e ainda no anexo 5 que nos explica os 3 tipos de
medidas.
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− Tipo de danos:
No primeiro caso, os danos particulares. Já vimos pessoais e materiais,
patrimoniais e não patrimoniais. Na responsabilidade ambiental temos uma noção
restrita de ambiente como resulta do 11º e estão incluídas as espécies de habitats
naturais protegidos, a água e o solo.
Os bens afetados pela responsabilidade civil são bens da titularidade
privada o que interfere com a legitimidade ativa, normalmente na responsabilidade
ambiental aplicamos bens públicos ou de utilização publica por isso é que até a
pouco tempo antes de existir um regime de responsabilidade ambiental, as
limpezas dos bens afetados seriam sempre a cargo das entidades publicas.
− Legitimidade ativa:
Na responsabilidade civil tem de ser titulares do bem afetado ou violado.
Tem de existir uma ligação entre o bem afetado e o titular do direito. Uma vez que
na responsabilidade ambiental trata se de bens públicos ou de utilização publica a
legitimidade ativa pretende se no âmbito do regime jurídico da responsabilidade
ambiental, da APA, nos termos do 28º e do 17º do regime jurídico. APA que é
autoridade administrativa competente em matéria de ambiente e aquilo que o
decreto-lei chama de interessados que pode ser qualquer pessoa coletiva, singular,
organizações não governamentais etc., 18º nº2.
− Prazo de prescrição:
Na responsabilidade civil é de 3 anos dos 498º. 30 anos no caso do regime
jurídico da responsabilidade ambiental, no artigo 33º. E 5 anos quando é a APA a
exigir o pagamento das medidas por si adotadas no lugar do operador. As entidades
competentes para ferir da responsabilidade civil são os tribunais comuns de
natureza civil. A responsabilidade ambiental é fixada pela APA na sequência de um
procedimento administrativo no qual resultam a fixação de medidas preventivas e
a reparação a adotar. E atos administrativos esse que podem ser impugnados junto
dos tribunais administrativos.
Obviamente que, nos tribunais comuns utilizam na gestão do processo o CC,
no que diz respeito aos atos administrativos adotados pela APA que se impõe aos
operadores aplicamos o CPA, CPTA.
Quando se fala da legitimidade ativa estamos a falar no âmbito deste
decreto-lei. há também a possibilidade de estando perante bens de natureza
públicos ou de utilização publica poderem ser propostas ações de diversa
natureza- natureza cível ou administrativa- por qualquer interessado e isto nos
termos do artigo 52º nº 3 alínea a) da CRP, ação popular onde qualquer pessoa
quando estão em causa interesses difusos pode ir aos tribunais requerer a
reparação do interesse afetado.
Há ainda outra entidade que tem legitimidade que é o MP, que tem
legitimidade alargada quer no âmbito da ação popular, quer no âmbito da
ação publica.
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24/04/2024
ÂMBITO DE APLICAÇÃO OBJETIVO DA RESPONSABILDIADE
AMBIENTAL
Artigos importantes aqui são, o artigo 1º 11º.
Este artigo 1º fala-nos do âmbito de aplicação.
O artigo 11º é particularmente importante porque no fundo vem nos
restringir aquele âmbito de aplicação, no sentido em que apresenta as definições
que são relevantes para efeitos deste regime jurídico.
Ou seja, qual é o entendimento que o legislador tem, relativamente ao que é
um dano, ao que é a componente ambiental água, ao que é componente ambiental
espécie protegida, o que é um dano ambiental, quem é o operador, etc.
Todos esses conceitos são importantes porque, enquadrados neste
contexto tem uma única interpretação que pode não ser extensível aos regimes
jurídicos de outras áreas do DUE.
ANÁLISE NO DL
Isto por várias razoes. 1º porque é o que nos interessa, porque temos maior
proximidade com o DL e em bom rigor é o que vigora na ordem interna PT.
Depois porque, o nosso DL a professora considera pouco ambicioso, no
sentido de que sendo diretiva de responsabilidade ambiental, uma diretiva de
mínimos, já vimos que é uma diretiva que se limita a decidir analisar o regime
jurídico base, podendo os estados proceder a uma proteção mais assertiva em
relação à matéria que esta a ser tratada, mas no caso PT o nosso legislador não o
fez.
No sentido em que, traspôs quase integralmente a diretiva e a professora diz
que foi pouco ambicioso porque devia de ter ido mais longe e não foi. A professora
não sabe se foi uma questão de inercia, ou preguiça, ou porque cedeu aos lobbies
da indústria. Por alguma razão ficou aquém naquilo que seria desejável.
Em 1º lugar, logo no nº1, o regime da responsabilidade ambiental aplica-se
aos danos ambientais e as ameaças de dano ambiental. No artigo 11º/1, b) temos
a definição do que é um dano – alteação adversa e mensurável de um recurso
natural, ou de um serviço que decorre deste decurso.
− Alteração adversa, ou seja, alteração no sentido negativo. Obviamente que
se não for adversa não cai no âmbito, no sentido de melhorar o recurso
natural ou o serviço que ele presta, obviamente não caímos no âmbito da
responsabilidade.
− Depois mensurável – tem de ser quantificado. Ou seja, como o que se
pretende é a reposição do estado inicial, temos de saber quanto é que custa
essa reposição, caso contrário a responsabilidade perde o seu interesse.
Não nos interessa aqui qualquer tipo de indemnização, compensação
patrimonial ou outro estilo de ressarcimento, porque o objetivo único da
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responsabilidade ambiental é exatamente isso – Recuperar o estado inicial
que foi prejudicado ou danificado.
Primeiro temos o conceito genérico de dano. Na alínea a seguir, fala-se do
que é que é um dano ambiental.
• DANO AMBIENTAL
São considerados danos ambientais os danos causados as espécies e
habitats naturais protegidos, os danos causados à água e os danos causados ao
solo.
O que interessa nos danos causados às espécies e habitats protegidos, o
critério relevante para ser considerado um dano:
a) Tem de haver a tal alteração adversa ou modificação adversa significativa,
ou seja, tem de ter a expressão,
b) Só os danos de grande dimensão é que são abrangidos por este diploma,
c) Depois tem de afetar o estado de conservação dos habitats e das espécies.
i. Danos causados às espécies:
A professora não vai entrar em pormenores técnicos, mas isto é uma espécie
de um puzzle, porque depois para sabermos bem o que é o estado de conservação
favorável temos a definição: Alínea h) ou i) o estado de conservação de uma
espécie, é o somatório de umas influências que se fizeram numa espécie que
podem afetar a sua distribuição e abundância a longo prazo nas suas populações.
Portanto, tem tudo a ver no fundo com a existência e manutenção do número
de indivíduos de cada espécie, no sentido de evitar, em última instância, que se dê
a extinção das espécies que é o grande problema ambiental. Há milhares de
espécies que se encontram extintas como consequência da poluição.
ii. Danos causados à água:
No ii) da aliena e) temos então os danos causados à água e é mais ou menos
o mesmo estilo: “afeta adversa e significativamente o estado ecológico ou estado
químico”. Depois temos aqui todos os tipos de situações que são consideradas
danos, água, as águas subterrâneas, marinhas, etc. (Desde que saibamos aqui o
que se passa, não temos de estar a saber isto em pormenor).
iii. Danos causados ao solo:
Justifica uma palavra mais em relação aos causados às espécies e aos
causados à água, porque enquanto nos outros o que nos interessa é que o dano
seja: adverso, mensurável e significativo. Nos danos causados ao solo o que é
relevante, isto é um sinal claro de antropocentrismo, é que a contaminação cria um
risco significativo para a saúde humana.
Não estamos a proteger do solo enquanto componente ambiental, estamos
a proteger o solo porque pode criar riscos para a saúde humana.
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• AMEAÇAS EMINENTES
Para alem do dano, já vimos que resulta do artigo 2º/1 que também se aplica
esta responsabilidade às ameaças eminentes destes danos.
As ameaças eminentes são, 11º/1, b) – a probabilidade suficiente da
ocorrência de um dano ambiental num futuro próximo. Ou seja, temos aqui 2
conceitos indeterminados: futuro próximo (não sabemos o que é) e a probabilidade
suficiente (também não sabemos o que é).
São conceitos que acabam por ficar na discricionariedade, num primeiro
nível da APA que impõe as medidas e, se forem contestadas, num segundo nível
numa discricionariedade judicial na medida que se o operador impugnar o ato que
lhe impõe a adoção de determinadas medidas preventivas, por exemplo, terá de ser
o juiz se essas medidas se justificam ou não. Ou seja, se a probabilidade é
suficiente e se o risco de ocorrência do dano se vislumbra num futuro próximo ou
não.
Voltando à dissecação do 2º/1: “danos causados em resultado do exercício
de uma qualquer atividade desenvolvida no âmbito de uma atividade económica”.
Ou seja, isto significa que so nos interessam as atividades profissionais.
Todas as outras atividades que não tenham caracter económico no sentido do
exercício de uma atividade profissional, estão excluídos. Independentemente da
dimensão do dano.
Se houver uma descarga de um barco que se encontra em lazer ou em
passeio, viagens, etc., seja ele grande seja ele pequeno, qualquer que seja a
dimensão do dano, esta excluído porque não é considerado uma atividade
ocupacional.
“Independentemente do caracter publico ou privado” – Obviamente que,
geralmente, as atividades que são suscetíveis de ser objeto de RA, são as atividades
sujeitas de natureza privada. O que não quer dizer que quando falamos da RA do
estado até muitas vezes estamos a falar da omissão do estado no sentido da
fiscalização ou da adoção de medidas necessárias, esses processos que ouvimos
falar agora da litigação climática que muitos tugas puseram uma ação no tribunal
europeu dos direitos do homem, e houve também muitas senhoras que na Suíça
que puseram uma ação semelhante às dos portugueses. Elas ganharam e eles
perderam.
O objetivo desta ação é que os estados sejam condenados, por não terem
adorado as medidas necessárias com vista à descarbonização para evitar as
alterações climáticas. Elas ganharam, os tugas perderam, “perderam na
secretaria”, isto porque para ir para o tribunal dos direitos do homem tem de passar
por determinados requisitos. Um deles, ao contrário do que se passa em PT, é
esgotar as instâncias superiores, coisa que elas fizeram e eles não. Deviam ter
posto primeiro uma ação nos tribunais administrativos de círculo, depois na
possibilidade de recurso para os tribunais centrais ou para o STA e, só a partir daí é
que poderiam recorrer ao tribunal europeu dos direitos do homem. Mas, mesmo
assim, ainda há uma comissão que fazem uma triagem dos assuntos que tem
alguma dignidade para serem julgados pelo tribunal europeu dos direitos do
homem. Não aconteceu no caso dos tugas.
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De resto, essa atividade económica pode ter natureza publica se: O estado
PT, independentemente do nível de administração que nos estamos a referir, a
professora estava a pensar por exemplo na administração autónoma, se um
município tiver uma ETAR onde faz o tratamento de águas e das descargas. Nisto o
município é tratado como o género de um operador. É uma atividade de natureza
publica.
Também é irrelevante se tem natureza lucrativa ou não. No caso típico da
atividade desempenhada pelo ETAR, a atividade não é lucrativa, é em prol do
benefício da coletividade.
Nessas situações, há na mesma lugar a responsabilidade ambiental,
independentemente de o operador ter uma atividade publica, independentemente
de a atividade não ter carácter lucrativo.
Tudo isso está excluído pelo artigo 2º/1 que nos diz que o caracter pode ser
privado, lucrativo ou não.
Já fizemos uma abordagem daquilo que é relevante para efeitos de aplicação
do regime de responsabilidade ambiental.
No artigo 2º/2 temos exclusões especificas de aplicação do regime. Este
nº2 é taxativo, é rigoroso. Ou seja, os estados não podem alargar o número de
exclusões ou de situações me que não se aplica a responsabilidade ambiental.
O que é que está excluído à partida?
a) Os danos, quando causados por atos de conflito armado, guerra civil,
quanto mais não seja, nestas situações acaba-se por não conseguir
identificar totalmente o verdadeiro causador do dano, são situações de
poluição publica que é difícil estar a ver quem é que é o verdadeiro culpado.
b) Fenómenos naturais de caracter excecional imprevisível, ou, desde que
previstos, mas que sejam evitáveis. Logo, se soubermos que PT vai ser
fustigado por uma tempestade severa daqui a 15 dias, obviamente que
quem tem instalações que, à partida, podem ser consideradas de risco, tem
de acautelar para que esse risco não se concretize em dano. Tem de tomar
logo medidas preventivas. Porque se for minimamente previsível a
possibilidade de ocorrência de um dano, já se aplica a responsabilidade. Só
mesmo se for imprevisível, ou se previsível for irresistível, ou seja, se não for
possível de todo contrariar, estiver acima das possibilidades humanas.
Exemplos: raios, inundações, que o homem não tem qualquer posse sobre
elas.
c) Atividades cujo principal objetivo resida na defesa nacional ou na segurança
internacional. Estamos a referir as atividades do estado para prossecução
dos interesses públicos e do estado.
d) Atividades cujo único objetivo resida na proteção contra catástrofes
naturais. São as atividades da proteção civil em PT, mas o objetivo único
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dessa atividade, tem de ser a proteção contra catástrofes. Se não for apenas
isso, já cai sob a alçada da responsabilidade ambiental.
e) Também estão excluídas as atividades que resultem de incidentes
relativamente aos quais a responsabilidade seja abrangida pelo âmbito de
aplicação das convenções internacionais de organização marítima
internacional e convenções conexas. Estamos a referir aos acidentes
causados pelos navios-tanque a que se refere o anexo I do DL.
Só não se aplica o DL se ocorrer um dano ou uma ameaça de dano, a que
sejam aplicadas as convenções desde que Portugal esteja por elas vinculado. O
que significa que no anexo I, se o dano for enquadrável na alínea a), b) e c) não se
aplica o DL, mas se o dano foi enquadrável na alínea d) ou e), já há lugar à aplicação
do DL.
Portugal ratificou a 1ª convenção em 2002, a 2ª também em 2002 e a 3ª em
2015. As outras na vigoram em PT, designadamente a última que seria a mais
interessante que respeita ao transporte de mercadorias perigosas.
Qual é o problema das primeiras convenções?
O dano ambiental não é tratado de forma autónoma, só nos interessa na
medida em que tem consequências na vida e nos bens das pessoas. Logo,
nenhuma dessas convenções, aliena a), b) e c), prevê a reconstituição natural do
ambiente.
f) última alínea do número 2 do DL – Acidentes decorrentes de riscos
nucleares ou causados por entidades abrangidas pelo tratado da
comunidade europeia de energia atómica – CEEA. O que se passa aqui são
os acidentes nucleares, no entanto de 5 convenções a que se refere o anexo
II, Portugal só está vinculado à primeira deste 1977, não está vinculado a
nenhuma das outras. Logo, naquelas situações em que não há aplicação,
por uma razão ou por outra, destas convenções, vigora na mesma o regime
da RA.
O problema essencial aqui, tem a ver com a (?) dos regimes. Depois vamos
ver que PT vinculou-se a uma, a Espanha vinculou-se a outra, etc. e quando há
danos transfronteiriços é difícil conseguir o tratamento idêntico e não
discriminatório em relação a tudo o que se passa em estados diferentes porque
cada um tem o seu regime jurídico.
Isto que estivemos a ver foi o âmbito de aplicação no número 1 e depois no
número 2 as causas de exclusão da responsabilidade. Ou seja, de situações em
que não se aplica o regime.
Destas causas da exclusão da responsabilidade, há que distinguir as causas
de exclusão da obrigação de pagamento das medidas – ARTIGO 20º.
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• CAUSAS DE EXCLUSÃO DE OBRIGAÇÃO DE PAGAMNETO DAS MEDIDAS
São situações em que, mesmo tendo de adotar medidas preventivas, como
resulta do nº2, o operador fica obrigado a executar medidas de prevenção e de
reparação dos danos ambientais. Ou seja, mesmo tendo adotado medidas
preventivas ou de reparação, terá mais tarde direito de regresso.
Conforme o caso, sobre 3º responsável, ou sob entidades administrativas
que tenham dado a ordem ou instrução, que neste caso é a APA.
Estas causas são causas de obrigação de pagar, aplica-se a RA, mas o
operador não tem de pagar. Nas outras do artigo 2º pura e simplesmente não há
responsabilidade ambiental.
Não há RA nos termos em que ela se encontra conseguida no DL 147/2008,
o que não quer dizer que não possa haver lugar a outros regimes jurídicos. A lei da
água, a diretiva das aves silvestres, há uma serie de diplomas que podem obrigar a
algum tipo de reparação. Não é, é nos moldes que está consagrado no DL 147 que
se entende que é aquele que melhor serve o ambiente.
02/05/2024
ÂMBITO SUBJETIVO DA RESPONSABILIDADE AMBIENTAL
O artigo 11º é o que contem a definição de uma série de conceitos que são
imprescindíveis para delimitar o âmbito de aplicação quer objetivo quer subjetivo
da diretiva. Quando nós queremos saber qual é a noção de ambiente relevante para
efeitos do regime da responsabilidade ambiental é o artigo 11º que temos de ir.
O artigo 2º porque nos diz exatamente o que não esta incluído na diretiva.
São uma série de situações, em relação as quais o ser humano não tem domínio,
pelo menos direto.
Isto porque são imprevisíveis ou irresistíveis, no sentido em que não adoção
de medidas que possam ser tomadas para evitar alguns acontecimentos de força
maior e, mesmo as situações de guerra e terrorismo, em que maior parte das vezes
ocorre sem que os governantes impeçam a sua verificação e consequências.
Certas matérias que, são objeto de convenções internacionais, sobretudo
em matéria do direito do mar, estarem excluídas, mas obviamente que só são
excluídas se se lhes aplicar as convenções.
O que não acontece em muitas das situações, o caso português por exemplo
em energia nuclear, só uma das convenções referidas é que vigora para Portugal e
em relação 5 ou 6 que vem referidas no anexo I em relação aos petroleiros, Portugal
so esta vinculado a três.
Também vamos aqui ao artigo 2º, para definir o âmbito de aplicação
subjetivo do regime da responsabilidade ambiental, queremos saber qual o âmbito
de aplicação subjetivo do regime de responsabilidade ambiental é todo aquele
operador que exerça como atividade económica.
Na alínea l) do artigo 11º temos a definição de operador, isto já dando por
assente que quando estamos a falar de atividades económicas estamos a falar de
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atividades profissionais. So o exercício a título profissional é que é relevante pata
aplicação do regime jurídico da responsabilidade ambiental.
Ainda no artigo 11º alínea l), é considerado operador, qualquer pessoa
singular ou coletiva. A generalidade dos casos são pessoas coletivas, publica ou
privado, portanto publicas por exemplo os municípios a nível das regiões
autónomas, mas são situações em que o exercício de determinadas atividades por
exemplo o tratamento de águas residuais pode ser considerado uma atividade para
efeitos do artigo 2º e do 11º.
O que é relevante na noção de operador?
É o controlo sobre o funcionamento técnico e económico desta atividade.
Não é bem o que diz a alínea L).
O que é determinante para nos é o controlo sobre o funcionamento dessa
atividade, ou seja, quem é que toma as decisões. É este que é considerado o
operador para efeitos deste decreto-lei.
Nos termos do artigo 3º, quando o operador é uma pessoa coletiva,
obviamente quem toma as decisões fá-lo em representação da sociedade, mas aí
os diretores, gerentes ou administradores são solidariamente responsáveis.
Isto é relevante, não em termos económicos ou financeiros, quando há um
desastre ambiental não é o património do gerente ou diretor que vai resolver o
desastre, mas é importante porque o facto de as pessoas saberem que são
solidariamente respostáveis pode ser relevante para que adote condutas e
decisões que sejam mais protetoras, mais amigas do ambiente.
Quando estamos perante grupo de sociedades, a responsabilidade
ambiental das filiais ou das chamadas sociedades filhas ou dominadas, estende-
se as sociedades mães ou dominantes.
Porque pode haver a tentação de imputar as práticas mais poluentes a
sociedades dominadas com menos expressão, em termos financeiros, que se
reflete não só em termos de faturação, mas também de garantias que são
obrigatórias, garantias ambientais.
Embora o grupo todo ele beneficie do resultado da atividade da sociedade
dominada, obviamente que, em termos de responsabilidade, seria a sociedade
dominada assumi-las e não passariam para o resto do grupo em termos de
resultado consolidados.
Isso não é admissível em termos de responsabilidade ambiental, mas é
necessário que se verifique isto: utilização abusiva das personalidades jurídicas
ou fraude a lei.
É a prepósito disto que se estuda a desconsideração da personalidade
jurídica da pessoa coletiva, no sentido em que há situações que se tem de
desconsiderar a personalidade jurídica daquela sociedade coletiva e imputar os
atos lesivos à empresa mãe, as sociedades mais representantes que tem maior
capital para fazer face aos danos que são causados pela outra empresa.
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• Aqui temos ainda no artigo 4º a questão da comparticipação.
O termo de comparticipação foi uma infelicidade do legislador português,
este nem sempre é jurista.
A comparticipação, no direito penal, implica para falar de comparticipação
uma atitude dolosa. Sabemos que grande parte dos acidentes ambientais que dão
origem a responsabilidade, não são causados por dolo. São muitas vezes fruto de
comportamentos negligentes e muitas vezes por comportamentos isentos de
culpa, só devido ao funcionamento da atividade, que já vimos que aqui se verifica a
responsabilidade objetiva.
Este termo de comparticipação não devia estar aqui, o que devia era
pluralidade de responsáveis.
Uma coisa é a comparticipação que pressupõem que todos estejam a atuar
com dolo. Outra coisa é a pluralidade de responsáveis, no sentido em que há vários
responsáveis, independentemente de terem culpa ou de não terem culpa.
A regra aqui, no artigo 4º, é a da responsabilidade solidaria. Alias é também
a regra que existe na responsabilidade extracontratual no código civil.
No nº2 vai-se mais longe, o que é uma violação do princípio do poluidor
pagador. Se tivermos várias empresas a fazer descargas para um rio, empresas de
grande dimensão e de pouca dimensão.
Como é que, não conseguindo identificar a contribuição de cada uma delas
para o total da poluição de cada uma delas, podemos dividir em partes iguais a
responsabilidade, quando sabemos que a partida as grandes empresas poluem
mais que as pequenas empresas?
Aqui há a presunção em partes iguais, no fundo o legislador acaba por
delegar, ou remeter para as relações internas a prova da participação de cada um
deles o que é difícil nas relações externas, ou seja, internas não será mais fácil.
Quem pagou mais o que poluiu é que tem de vir provar exigir direito de
regresso aqueles que efetivamente poluíram, mas isso nem sequer é possível.
Obviamente, e isto a prepósito da chamada “poluição comutativa”, porque
para além de termos o mesmo tipo de poluição com vários responsáveis, também
podemos ter polição de origem diferente e poluição independentemente de os
operadores atuarem na mesma área de causas diferentes.
Os danos órfãos e a poluição difusa porque nesse caso nunca é possível
identificar os responsáveis.
A poluição que se vem acumulando ao longo dos anos nunca foi possível
identificar os responsáveis, portanto também não podemos colocar o operador
atual a pagar pela poluição que tem sido desenvolvida. Sendo certo que o próprio
decreto-lei exclui a possibilidade de ser aplicado o regime a atividades e a factos
danosos que são anteriores a 2008.
Vem no preâmbulo do decreto-lei, em termos de poluição difusa e foi por
isso que foi excluída a poluição da atmosfera, esta é em regra geral difusa.
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Uma das razões por que foi excluída, foi para evitar uma dupla reparação.
Segundo o legislador na U.E, tudo o que anda no ar acaba por descer a terra e sai
sobre o solo, sobre a água, sobre as espécies e sue habitats. Não fazia sentido não
usar a poluição difusa e depois voltar a penalizar a contaminação da
biodiversidade, da água e do solo.
Isto é considerada a parte geral do decreto-lei 147/2008.
• Uma referência ao artigo 5º do nexo de causalidade.
O legislador quis aligeirar, facilitar a prova do nexo de causalidade.
O dano ambiental tem características próprias, que nem sempre o tornam
fácil de limitar em termos de espaço e de tempo.
Nesse pressuposto, partindo-se também da teoria da causalidade
adequada do 563º CC, vamos mais além.
Ou seja, não se exige apenas a probabilidade, a possibilidade de determinar
os danos ser em abstrato ser causados por determinada situação, mas não é
exigível que isso se verifica em abstrata basta que haja a verossimilhança ou seja a
plausabilidade, no fundo uma mera probabilidade menos robusta de isso
acontecer.
Só que, atualmente, os nossos tribunais são formatados para aplicar a teoria
da casualidade adequada, não se têm contentado com menos que esta teoria.
Embora se considere que o artigo 5º é menos que a teoria da causalidade adequada
para facilitar a prova do nexo de causalidade, não é isso que o tribunal português
tem vindo a aceitar.
Por estas mesmas razões e porque é difícil de perceber e de fazer a prova.
Muitos estados como o espanhol, consagraram presunções de causalidade e
estas, ao contrário das empresas industriais que dizem que, no fundo é estar a
violar o princípio do in dúbio pro réu e da presunção de inocência, não é isso que
significa.
A única coisa que há é inversão do ónus da prova. Quem polui é justo que
tenha mias encargos do que também são essas entidades que tem os benefícios
da atividade que causa a poluição, não vemos a razão lógica para isso não ser
aplicado aqui também.
Para facilitar a coisa, o legislador nacional acrescentou que para além da
causalidade e da probabilidade do facto danoso ser apto a produzir a lesão
verificada, acrescentou uma série de critérios que podem ser tomados em
consideração para a verificação do nexo de causalidade.
Deveres de proteção são normalmente todas as exigências que estão
inerentes ao licenciamento ou autorização das atividades causadoras de poluição.
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15/05/2024
MEDIDAS DE REPARAÇÃO E MEDIDAS DE PREVENÇÃO
• PRINCÍPIO DA AÇÃO OU QUESTÃO DIRETA DA RESPONSABILIDADE POR
PARTE DO OPERADOR
Na medida em que se considera que o operador é aquele que melhor
conhece a sua própria atividade, o sítio onde está importada, os riscos, os danos e
eventualmente as medidas necessárias ou para prevenir ou para reparar em caso
de ocorrência de dano.
Por isso, todo o regime da responsabilidade ambiental, nomeadamente o do
artigo 14º, 15º e 16º, referem em 1º lugar a necessidade de ser o operador a tomar
a iniciativa de todo o processo de proteção ambiental. Seja através da adoção de
medidas de prevenção para prevenir a ocorrência do dano, seja através da adoção
de medidas de reparação, quer sejam medidas de reparação urgentes, quer sejam
medidas de reparação propriamente ditas. As urgentes são aquelas que visam
conter os efeitos do facto danoso e prevenir a ocorrência de novos danos.
Subsidiariamente temos a intervenção da APA, em princípio no que diz
respeito a adoção de medidas, a APA só é chamada a intervir quando as medidas
adotadas pelo operador não são suficientes ou adequadas, ou quando este não
adota qualquer tipo de medidas, ou ainda, independentemente da causa, depois
que não faz, ou porque não quer, ou por falta de capacidade financeira.
Eventualmente nas situações em que o operador não é conhecido, quem
pratica o facto danoso é desconhecido.
• MEDIDAS DE PREVENÇÃO
Vimos também que, as medidas de prevenção a que se refere o artigo 14º
são chamadas à colação quando existe ameaças de donas ambientais. Ou seja,
quando é suficiente a probabilidade de ocorrência de um dano ambiental num
futuro próximo. Não é necessária certeza quanto a esta ocorrência basta que exista
uma dúvida razoável da possibilidade de ocorrência.
As medidas de prevenção de danos devem ser, (anexo 5 que se refere as
medidas de reparação e prevenção), devem ser escolhidas em função do efeito da
saúde e da segurança e considera se que isto é claramente um desvio
antropocentrista em relação a proteção ambiental.
Quando estamos a falar de medidas de prevenção de danos ambientais, o
legislador da U.E e o nacional, como primeiro critério da adoção de medidas,
metem critérios relacionados com a saúde e segurança da pessoa. O custo de
execução, antropocentrista, a probabilidade de êxito e a eficácia para prevenir
danos futuros e efeitos colaterais da sua execução, os benefícios que a
portam. Não descorando obviamente a utilização das melhores tecnologias
disponíveis.
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Quando são obrigatórias as medidas de prevenção?
Quando estão em causa as atividades do anexo III, aquelas atividades
consideradas potencialmente perigosas para o ambiente e aí as medidas de
prevenção devem ser adotadas independentemente de qualquer comportamento
culposo.
Em relação a todas as outras atividades que não as referidas no anexo III, so
há obrigatoriedade de adoção de medias de prevenção quando a ameaça resulta
de comportamento culposo, seja por negligencia seja por dolo.
O regime português neste âmbito é mais restritivo que o regime da U.E.
Porque em Portugal é obrigatória a adoção de medidas de prevenção sempre que
esta em causa a ameaça de danos as espécies, habitas naturais protegidos a água
e ao solo.
Enquanto na diretiva 35/2004, só é obrigatória a adoção de medias de
prevenção quando a ameaça se refere única e exclusivamente as espécies e aos
habitats, a água e o solo ficaram de fora. Portugal ao inserir estas duas
componentes veio reforçar a proteção do ambiente.
• MEDIDAS DE REPARAÇÃO
Já quanto as medidas de reparação.
O anexo 5 apenas diz respeito as medidas relativas ou pelo menos trata, em
1º lugar, as medias de reparação em relação as espécies e habitats naturais
protegidos e a água.
Relativamente ao solo não está previsto a reparação do estado inicial, a
única medida que se considera como medida de reparação em relação ao solo é a
eliminação de perigo para a saúde. Não se percebe porque havendo um solo
contaminado so é considerado dano se tiver me causa a saúde das pessoas e é
considerada a reparação do dano ambiental se for eliminado o perigo para a
saúde. É um bocado ridículo porque pode ser eliminado o perigo para saúde e o
solo continuar contaminado e ser perigoso para as arvores, etc.
Em que que se traduzem as medidas de reparação?
Privilegia-se a restauração do estado inicial não é um estado ideal, a
condição ambiental existente antes da ocorrência do facto danoso. Pretendendo
se com isso a mesma qualidade e quantidade de recursos naturais por eles
prestados. Também aqui há uma série de critérios referidos no anexo 5, nesta
matéria limitou-se a reproduzir a diretiva.
Em primeiro lugar: o efeito de cada opção na saúde publica e na segurança.
Na medida em que cada opção prevê danos seguros evita danos colaterais, na
medida em que cada opção beneficia de cada componente do recurso natural.
Aqui são acrescentados mais alguns critérios a preocupação de ordem
social, económica e cultural, o período necessário para a reparação, e a relação
geográfica com o sítio danificado.
Regra geral, a restauração do estado inicial dá-se pela substituição dos
recursos naturais por outros idênticos equivalentes ou similares. Se morrerem dois
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mil peixes num rio tem de se ir a um viveiro biscar 2 mil peixes e colocar se la. Se
queimar 50 sobreiros em princípio deve se plantar 50 sobreiros.
Aliás, regra geral, deve-se sempre reforçar um bocadinho aquilo que
danificou, deviam se plantar perto de 60, tem de se acrescentar um bocadinho
mais. Também é considerada medida de reparação a regeneração natural.
Qual o problema desta?
A regeneração natural é quando o próprio ambiente recupera a sua força
inicial so que normalmente é mais demorada.
Nesta perspetiva temos 3 tipos de medias:
1. Quando falamos da recuperação ou restauração do estado
inicial estamos a falar de medidas de reparação primaria.
Há mais dos tipos de medida:
2. Medias de reparação complementar
3. Medidas de reparação compensatórias.
Quando a restauração ou a recuperação do estado inicial não é possível
adotam-se, normalmente, medidas de reparação complementares. Imaginem que
foram destruídos 2 hectares de florestas e foram eliminadas espécies que não é
possível recuperar, uma forma de complementar a restauração do estado inicial
que não vai ser plena é em vez de fazer uma intervenção nos dois hectares, fazer
sobre 3 hectares sendo que esse hectare a mais deve ser numa localização mais
próxima do sítio danificado.
As compensatórias visam compensar as perdas transitórias.
O que são perdas transitórias?
São as perdas que sofrem a nível essencialmente de serviços prestados
pelos recursos naturais muito deles de uso humano, enquanto não é estabelecido
o estado inicial. Os pescadores de um rio, a limpeza e a recuperação do rio demorar
2 naos, tem de se fazer alguma coisa para compensar esses 2 naos em que os
pescadores não vão utilizar o rio. Por exemplo: assegurar o acesso a um rio próximo
onde eles possam ir pescar.
O procedimento: ver no moodle a tabela.
− O operador em caso de ameaça:
Operador tem de adotar de imediato as medidas de prevenção adequadas…
( resto da tabela). Não tem de estar à espera de comunicar nada a APA, nem de
nenhuma autorização. A gestão do risco é uma incumbência do operador. So
depois é que comunica imediatamente a autoridade competente, embora nao haja
um prazo estabelecido.
Atenção que, a falta desta comunicação é considerada uma infração leve se
não der origem a ocorrência de dano, se der origem a ocorrência de dano é uma
contra ordenação grave. A comunicação deve seguir as instruções da autoridade
competente. A APA, tomando conhecimento ,deve aferir se o dano se encontra
abrangido pelo regime da responsabilidade ambiental. Isto porque há uma série de
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considerações que tem de ser tomadas me conta. Se estamos perante uma
atividade ocupacional, se esta devidamente identificado o operador, a ameaça
existe verdadeiramente, ou seja, se a ocorrência é razoável, é possível aferir a
concretização, etc.
Pode exigir a operadoras informações sobre a ameaça do dano, pode exigir
que adote medidas de prevenção diferente das que ele já adotou ou acrescentar
outras. Pode dar instruções e revogar as anteriores, pode exigir a prestação de
garantias financeiras.
Para além disso pode, ainda no âmbito da ameaça ambiental, ele adota e
executa subsidiariamente a existências do operador as medidas que entenda
adequadas e necessárias. Se tiver adotado as medias pode exigir o reembolso e no
caso de risco de afetação de saúde publica pode informar outras comunidades
competentes que sejam chamadas a colação. em relação ao dano ambiental
estamos no âmbito do artigo 15º.
O procedimento é mais ou menos o mesmo, sendo sempre á cabeça a
atuação do operador.
Aqui o prazo já estamos numa situação de ocorrência de dano, a
comunicação a APA tem de ser feita no prazo máximo de 24 horas, acompanhadas
das informações necessárias e logo de uma proposta de reparação.
Para além disso esta proposta de reparação tem de ser adotada pela APA. A
adoção do projeto de reparação consubstancia se num ato administrativo e na
sequência do procedimento administrativo o projeto de ATO para que este possa
exercer o contraditório, exercer o seu direito de audição previa por forma a tentar
aligeirar, tentar que sejam adotadas medidas menos gravosas, menos caras.
Depois tem de adotar e executar as medidas de reparação e obviamente
suportar os seus custos.
Em relação a APA são mais ou menos as obrigações referidas quanto ao
dano ambiental. So que aqui temos os danos concretizado (?). Ler artigo 15º e 16º.
Projeto de reparação ambiental pressupõem uma equipa multidisciplinar. A
APA tem essas equipas normalmente e os operadores para fazerem as propostas
do projeto de reparação, não tendo essas equipas tem de recorrer consultoras
externas que são caras e mesmo assim é necessário que a APA aceite o projeto. Ela
pode aceitar, pode alterar, mais pode afetar o projeto, pode mandar executa lo e
depois no decurso da sua execução vir dizer que é necessário mais medidas e isso
sempre me prol da proteção do ambiente.
− Regime sancionatório:
Toda a proteção ambiental resulta no fundo de disposições legais e
administrativas (regulamentares, regulamentos administrativos que visam
conformar as disposições legais) que o operador tem de respeitar.
É de suprema importância a fiscalização do respeito das obrigações
decorrentes da lei para os operadores e essa fiscalização incumbe as autoridades
administrativas competentes das diferentes áreas, em matéria de ambiente
incumbe a APA e essencialmente IGAMAOT. Esta é a entidade fiscalizadora por
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excelência. Além de poder de fiscalização e inspeção tem o poder de levantar autos
contraordenacionais.
A fiscalização é super importante e é feita previamente.
A generalidade das atividades perigosas para o ambiente tem de ser
licenciada/autorizadas ( 1º fase de fiscalização previa) e depois de autorizadas e
licenciadas, há uma fase de fiscalização sucessiva porque essa atividade tem de
ser exercidas de acordo com o tipo de licença ambiental e o respeito pelas normas
legais e regulamentares dessas mesmas atividades.
Essa fiscalização sucessiva é uma incumbência do estado como resulta do
artigo 2º da lei 19/2014 e o seu não exercício em termos adequados pode dar
origem a responsabilidade extracontratual do estado nos termos do artigo 4º nº 1
alínea K) do ETAF e do artigo 1º, nº 1 e 2, do regulamento da responsabilidade do
estado e dos entes públicos, decreto lei 67/2007.
Em termos de responsabilidade ambiental já vimos que a IGAMAOT, a APA
é a entidade administrativa competente, mas a IGAMAOT é a entidade fiscalizadora
por excelência. Podendo também intervir em termos de fiscalização o SPNA da
GNR. Este pode levantar autos de notícia e fazer participações, mas não pode
instruir.
Sempre que se deteta que há violação das normas legais ou regulamentares
que culminam na produção de ameaça de dano ou de danos ambientais e essas
violações chegam ao conhecimento das entidades fiscalizadoras ou por denuncia
ou por conhecimento oficioso temos a possibilidade de ocorrer um processo
contraordenacional ou até de processo-crime (falamos de processos-crimes
quando estão em causa valores indispensáveis para a subsistência d avida me
comunidade, quando é afetada a ordem publica). Já falamos de contraordenações
nas situações menos grave e as outras, mas de qualquer forma há perturbação da
ordem social).
Havendo culpa e violação da norma legais ou regulamentares há lugar a uma
contraordenação e instauração de um procedimento contraordenacional que
culminara na aplicação de sanções pecuniárias e eventualmente medidas
acessórias (a sansão pecuniária não é muitas vezes suficiente para persuadir o
operador de optar por praticas atentatórias das regras que regulam o exercício de
determinada atividade).
Nós temos regras especiais em matéria de responsabilidade ambiental, mas
o regime regra das contraordenações ambientais resulta da lei 50/2006 de 29 de
agosto a que se aplica subsidiariamente o regime geral das contra ordenações,
decreto lei 443/82 de 27 de outubro.
16/05/2024
REGIME SANCIONATÓRIO DA RESPONSABILIDADE
AMBIENTAL
O problema dos atentados ao ambiente, resulta essencialmente da
generalidade das atividades que nos traduzam esses danos ambientais, são
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entidades que são autorizadas. O que significa que há uma fiscalização previa da
(?) do ambiente, porque a generalidade das atividades tem de ser licenciada e
autorizada e que complicam um estudo de impacto ambiental. Ou seja, qualquer
entidade tem de proceder, previamente, ao estudo das consequências que o seu
exercício provocará no ambiente e, normalmente os atos autorizativos e os
licenciamentos ambientais, estão, regra geral, sujeitos a comissões que tem de ser
previamente preenchidas.
Temos uma primeira fiscalização à priori, uma fiscalização prévia, e depois
da conceção dos atos autorizativos, são atos administrativos, depois dessa
conceção e da elaboração do exercício das atividades e da laboração dos
estabelecimentos que as exercem, há aqui a acolá, não que seja de forma
sistemática, mas quando há denuncias de tempos a tempos, a fiscalização por
parte do estado – Este tipo de fiscalização é uma tarefa do estado. Fiscalização
pelos órgãos administrativos competentes, que regra geral, se enquadram no
âmbito da APA, para saber se essas atividades são exercidas em conformidade com
o que esta estabelecido nos atos autorizativos e se cumprem todas as normas
legais e regulamentares estabelecidas para o efeito.
O facto de o estado não cumprir esta obrigação de fiscalizar, pode dar origem
a responsabilidade extracontratual, que é uma das competências dos tribunais
administrativos nos termos do artigo 4º/1, k) do ETAF e também do artigo 1º/1 e 2
do regime jurídico da responsabilidade contratual do estado e das entidades
públicas.
Obviamente que, se é detetada alguma desconformidade na atuação das
atividades essencialmente industriais com essa regulamentação, será levantado
um auto ou uma participação. Normalmente os autos são levantados quando a
entidade fiscalizadora presencia a infração. Quando não presencia a infração, é
feita uma participação.
É levantado um auto que vai obedecer a um procedimento administrativo
que vai culminar com a aplicação de uma sanção pecuniária - coima. Muitas vezes
acompanhada por medidas acessórias.
Este procedimento administrativo, é das entidades administrativas
− No âmbito da RA temos 3. O DL refere 3 entidades fiscalizadoras:
i. APA – Entidade administrativa competente.
ii. SEPMA da GNR - que não tem competência para instruir os processos e
aplicar as sanções, pode apenas levantar os autos e proceder às
participações.
iii. IGAMAOT.
Normalmente, quando temos aplicação de um procedimento
contraordenacionais e a aplicação de sanções, ou é a APA a fazer diretamente, ou
é a IGAMAOT.
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Já tinha sido dito que, estes procedimentos contraordenacionais apesar de
terem regras próprias do regime da RA regem-se pela lei-quadro das
contraordenações ambientais, que está estabelecida na lei 50/2006 de 29 de
agosto. A que se aplica subsidiariamente o regime geral das contra ordenações, DL
4483/82 de 27 de outubro – Ilícito de mera ordenação social.
• CRÍTICAS
O facto de a sanção principal, nas contraordenações ambientais, ser a
coima é sujeito de várias críticas. Isto porque se entende que a coima, ou seja, uma
sanção pecuniária não tem em consideração as características particulares do
ambiente, designadamente o seu caracter coletivo e de utilidade publica.
Outras das críticas que tínhamos falado ontem, tem a ver com o facto de a
sanção económica poder não ter o carácter punitivo e educativo que se pretende.
Efetivamente as empresas que tem poder económico, não se sentem
minimamente afetadas e podem ser levadas a repetir o mesmo comportamento
infrator quando o dinheiro em si não é propriamente um problema.
Isso num 1º aspeto, que o poder económico pode não ter um efeito
dissuasor ou sentir-se minimamente afetado com a aplicação da sensação em
dinheiro, depois o facto de esse tipo de empresas acabar por repercutir esse custo
no consumidor final.
O que não acautela os princípios basilares do ambiente – prevenção que é
posto em causa, sendo posto em causa o da prevenção, o aumento da precaução
que já vimos que não tem uma filosofia diferente e o do poluidor pagador. Porque
se há repercussão no custo ao consumidor final, quem acaba por pagar a
contraordenação não vai ser a empresa, vai ser o consumidor final.
• NOÇÃO DE CONTRAORDENAÇÃO AMBIENTAL
Artigo 1º/2 e 3 da lei-quadro das contraordenações ambientais. De acordo
com essa disposição, é considerada uma contraordenação ambiental, todo o facto
ilícito e censurável que preencha um tipo legal correspondente à violação de
disposições legais e regulamentares, relativas ao ambiente.
A lei-quadro das contraordenações ambientais obedece a 3 princípios:
a) Princípio da Legalidade – O que se pretende é fazer com que os operadores
cumpram as regras jurídicas que regulam o setor da sua atividade
b) Princípio da tipicidade – Só há lugar a contraordenação que estejam
expressamente consagradas, por isso é que o DL prevê do artigo 26º, os tipos
de contraordenações relativos à RA.
c) Princípio da culpabilidade - Ou seja, tem de haver diligência ou dolo do
desrespeito dessas regras jurídicas por parte do operador ou do seu
representante legal.
São consideradas contraordenações, nos termos o 26º graves, muito graves,
ou leves, em função dos direitos e interesses protegidos.
a) Nesse pressuposto, as contraordenações muito graves são aquelas que se
refere o artigo 26º/1 do regime jurídico, que remete para outras disposições.
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UNIVERSIDADE LUSÍADA Soraia Cerqueira
Por exemplo a nao adoção de medidas de reparação, o incumprimento das
medidas da APA, a não adoção das medidas de reparação, a inexistência da
garantia financeira que é obrigatória, etc.
b) São consideradas graves aqueles a que refere o artigo 26º/2. Por exemplo o
não conhecimento de informação, ou o fornecimento das informações
depois do prazo estabelecido quando conduzem e está relacionada com a
concretização do dano.
c) Nos termos do artigo 26º/3, são consideradas infrações leves, por exemplo
o não fornecimento das informações pretendidas pela APA, mas quando daí
não resulta qualquer dano.
Na sequência do estabelecido no artigo 29º e 41º da lei-quadro das
contraordenações ambientais, o regime jurídico da RA consagra no artigo 27º/1 a
penalização das contraordenações através de coima, como já tínhamos visto.
Apesar da coima ser considerado como sanção principal e de poder ser
considera nos tribunais comuns, é considerada uma sanção de natureza
administrativa e é aplicada pelas entidades administrativa, seja pela IGAMAOT seja
pela APA
Estão consagradas também sanções acessórias e a possibilidade de serem
aplicadas medidas cautelares. Medidas cautelares no âmbito do processo
contraordenacional.
A partir do momento em que há um auto de notícia ou uma participação, é
quando se começa a proceder à instrução e antes de haver uma sanção
administrativa, portanto a aplicação da sanção, podem ser adotadas medidas
cautelares, com vista a assegurar o efeito útil da sanção, da contraordenação que
vai ser aplicada.
• DETERMINAÇÃO DA COIMA E DAS MEDIDAS
Faz-se em função de:
i. Gravidade da contraordenação
ii. Culpa do agente
iii. Sua situação económica
iv. Benefícios obtidos com a prática do facto.
Os montantes variam. Houve, há uns anos, uma alteração da lei-quadro das
contraordenações ambientais, no sentido de diminuir o valor mínimo e aumentar o
máximo. Isto porque os valores mínimos eram muito elevados e os máximos eram
mais reduzidos, não havia um grande leque, este tipo de contraordenação, era
castrado das pequenas e médias empresas. Qualquer infração levantava um custo
absurdo e levava as empresas à falência. Ainda assim, os montantes são
relativamente elevados e há montantes estabelecidos para pessoas coletivas e
para pessoas singulares.
Esses montantes dependem do facto de estarmos perante
contraordenações leves, graves ou muito graves e dependem também de o facto de
o comportamento ser negligente ou doloso. Regra geral, os montantes, quando o
comportamento é doloso, duplicam.
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Quando estamos perante pessoas singulares as contraordenações leves
implicam coimas de 200€ a 2000€, graves de 2000€ a 20mil€ e muito graves de
10mil€ a 100mil€. Ou seja, se pensarmos que não ter a garantia financeira é
considerado muito grave, o facto de um empresário em nome individual não ter
garantia financeira, pode dar logo lugar a uma coima de 100mil€. Se for intencional
porque não quis, duplica, pode ir aos 200mil€.
Nas pessoas coletivas, os valores das contra ordenações leves são de 2000€
a 18mil€, nas graves de 12mil€ a 71mil€ e muito graves de 24mil€ a 144mil€. Estas
contra ordenações muito graves, se forem dolosas, enquanto se forem negligentes
os valores são de 24 mil a 144mil€, se forem dolosas o montante vai de 244mil€ a
5milhoes€. São valores que estão um bocadinho desfasados para a realidade de
defesa.
O facto destes valores serem elevados, visam, essencialmente, servir uma
função preventiva. O que se pretende é evitar que as empresas e as pessoas
singulares que atuam e exercem atividades perigosos para o ambiente, tenham
comportamentos amigos do ambiente para evitar ameaças e concretização de
danos.
A par destas sanções pecuniárias, há também a possibilidade de aplicar
sanções acessórias que tem, no entanto, que ser consideradas adequadas e
complementares da sanção principal.
Como exemplos das sanções acessórias a que se refere o artigo 30º/1 da lei
quadro das contra ordenações ambientais, temos a apreensão e perda a favor do
estado de objetos utilizados ou produzidos aquando da informação da infração, a
interdição do exercício da profissão ou de determinada atividade, a privação de
direito a benefícios que poderiam receber do estado, encerramento do
estabelecimento e um deles que é polemico, mas que só pode ser aplicado pelo
tribunal o que significa que tem que ter havido um processo judicial em que foi
impugnada a decisão contraordenacional adjudicada pela entidade administrativa
que é a publicidade da condenação nos tribunais. Entende-se que esta medida é
inconstitucional porque viola o direito à reserva e o direito ao bom nome e à
imagem. Exatamente por isso tem de ser aplicada de forma muito parcimoniosa.
• MEDIDAS CAUTELARES
O decreto-lei refere uma única, designadamente a apreensão provisória de
bens e documentos.
(FALTA A PARTIR DAQUI).
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