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Métodos de Avaliação de Investimentos em Contabilidade

Aula 3 de participações societárias

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Disciplina – Contabilidade Avançada I

1 – Método de Custo e Método de Equivalência Patrimonial1

O método de Equivalência Patrimonial consiste em avaliar os investimentos permanentes em coligadas e controladas


pelo valor correspondente à aplicação do percentual de participação no capital social sobre o valor do patrimônio líquido da
investida em determinada data.
Se uma entidade possui 30% das ações da investida, terá portanto direito a 30% do patrimônio líquido dessa investida.
A grande vantagem do método é reconhecer o ganho ou perda com o investimento, no momento em que esse ganho ou
perda é gerado (regime de competência).
Quadro de apoio para entendimento do método de equivalência patrimonial
Suponhamos que a empresa Colorada S/A detenha ações da empresas A, B, C e D, e que todas se enquadram
dentro dos critérios exigidos pela legislação para avaliação dos mesmos pelo MEP. O cálculo da equivalência patrimonial,
em seus aspectos iniciais, seria o seguinte:

Empresas Valor % PL das Equivalência Ajuste


investidas Contábil do participação investidas em Patrimonial aumento
investimento no capital 31/12/X1 (diminuição)
votante
Empresa A 20.000, 10% 250.000, 25.000, 5.000,
Empresa B 90.000, 30% 360.000, 108.000, 18.000,
Empresa C 200.000, 40% 400.000, 160.000, (40.000,)
Empresa D 100.000, 70% 150.000, 105.000, 5.000,
Total 410.000, 398.000, (12.000,)
Pela análise do quadro acima, fica claro o conceito do MEP, pois se o valor do PL da investida variar, haverá uma
variação na conta de investimentos na investidora.

Para entendermos melhor as técnicas da avaliação pelo método da equivalência patrimonial, examinemos o caso
abaixo:
Determinada empresa investida (Cia. Beta), apresentou a seguinte mutação de Patrimônio líquido durante os exercícios
de X1 e X2:
Histórico PL – Patrimônio Líquida da investida
Capital Reservas Lucros Total
Saldo Inicial do Ano de X1 170 30 200
Lucro do ano de X1 50 50
Reservas Constituídas 10 -10
Dividendos Propostos -40 -40
Saldo Final do Ano de X1 170 40 0 210
Capitalização de Reservas 20 -20
Prejuízo do ano de X2 -20 -20
Saldo Final do ano de X2 190 20 -20 190
Obs.: Em X2 ocorreu o pagamento dos dividendos propostos em X1

a) Aquisição de participação societária


Suponhamos que uma empresa investidora (Cia. Alfa), tenha comprado durante o ano de X1, 30% das ações da
companhia investida, pelo valor de $60, através de sócios que se retiravam da sociedade. Suponhamos ainda que nessa
aquisição, a investidora tenha também adquirido o direito de ter influência significativa nos negócios da investida, cabendo
portanto, a avaliação desse investimento pelo método de equivalência patrimonial.
Conforme podemos constatar, o valor de $60 foi calculado com base no valor patrimonial das ações (30% do valor do
PL de $200), não cabendo portanto, nenhum reconhecimento de compra com ágio ou deságio.
A contabilização dessa compra de ações na investidora seria assim:
Subgrupo de investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial

1
Texto baseado no Capítulo 2 do Livro Contabilidade Avançada de José Hernandez Perez Júnior, Capítulo 10 do
Livro Manual de Contabilidade Societária, Lei 6.404/76, CPC – 18 – Investimento em Coligada e em Controlada e
Instrução CVM 247/96.
D – Investimentos Cia. Beta 60,
C – Caixa 60,

b) Apuração de lucro pela investida


Conforme Mutação do PL anterior, ficou constatado que a Investida apurou lucro no exercício de X1, no valor de $50.
Portanto, a investidora deverá contabilizar parte desse lucro auferido pela investida, conforme abaixo:
D – Investimento Cia. Beta 15,
C – Resultado da Equivalência Patrimonial 15,
Esta é uma receita operacional, devido a natureza desses tipos de investimentos, geralmente estratégicos para as
operações da investidora.
O valor de $15, foi apurado pela aplicação do percentual de participação da investidora na investida (no nosso caso,
30%), diretamente sobre o lucro auferido pela investida ($50, x 30% = $15,).
Caso esse investimento fosse avaliado pelo método de custo, não caberia nenhuma contabilização pela obtenção de
lucro pela companhia investida.
c) Constituição de Reserva de Lucros e capitalização de reservas
A movimentação entre contas do Patrimônio Líquido não afetam a avaliação pela equivalência patrimonial, pois não
altera o valor total do PL. É o caso de constituição de reservas com saldos de lucros não distribuídos e capitalização dessas
reservas, ou seja, aumento de capital social com reservas.

d) Proposta de distribuição de dividendos pela investida


Quando a empresa investida propõe distribuir dividendos à investidora, teremos dois tratamentos distintos para o
método de equivalência patrimonial e método de custo.
O primeiro terá efeito direto no valor do investimento na investidora, reduzindo o valor do mesmo para que a relação
entre valor de PL da investida seja igual a do investimento na investidora.
Suponhamos o exemplo da mutação de PL da Cia Beta em X1, onde há uma proposição de distribuição de dividendos
de $40. Já que a companhia investidora (Cia. Alfa) detém 30% do PL de Beta, terá direito a 30% desses dividendos
propostos, ficando assim a contabilização:
D – Dividendos a receber – AC $12,
C – Investimento Cia. Beta $12,
Caso o investimento fosse avaliado pelo método de custo, a contabilização da proposta de dividendo seria feita da
seguinte forma:
D – Dividendos a receber – AC $12,
C – Receita de dividendos $12,
Quando do ato do efetivo recebimento dos dividendos por parte da investida, tanto pelo método de custo como pelo
método de equivalência patrimonial, a contabilização será a mesma, conforme abaixo:
D – Caixa
C – Dividendos a receber – AC

e) Apuração de prejuízo pela investida


Assim como há a contabilização da receita pelo ganho com equivalência patrimonial, há também a possibilidade de a
investida incorrer em prejuízo, o que afetará diretamente o investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Em nosso
exemplo da Cia. Beta, houve no exercício de X2, um prejuízo de $20, devendo portanto ser reconhecido proporcionalmente
pela investidora, da seguinte forma:
D – Resultado da Equivalência Patrimonial $6,
C – Investimento Cia. Beta $6,
No caso dos investimentos avaliados pelo método de custo, não há reconhecimento dessa perda.

f) Ágio ou deságio na aquisição de participação


Ágio ou deságio na aquisição refere-se à diferença para mais (ágio) ou para menos (deságio) entre o valor patrimonial
do investimento e o valor do custo da aquisição.
Pode ocorrer de o investidor adquirir uma participação, digamos de 40%, no capital de outra companhia, a qual se torna
sua coligada, e o valor pago por essa participação ser diferente do valor patrimonial dessa participação. A essa diferença, se
o valor pago for maior que o valor patrimonial, se dá o nome de “mais valia de ativos líquidos” ou de “ágio por expectativa
de rentabilidade futura (goodwill)”, conforme a razão dessa diferença. Se o valor pago for inferior ao valor patrimonial, à
diferença se dá o nome de “ganho por compra vantajosa” (ou “deságio”).
Portanto, os fatores que implicam no surgimento de pagamento por valor maior que o patrimonial são então
basicamente dois: (a) os ativos da investida, líquidos dos passivos, mensurados a valor justo individualmente, valem mais
do que o valor contábil; e/ou (b) paga-se mais até do que o valor justo dos ativos líquidos da investida, porque se esperam
lucros acima do normal dessa investida, ou seja, paga-se por expectativa de rentabilidade futura, o que também se chama de
fundo de comércio ou goodwill.
Não é usual a compra parcial ou total de uma empresa por valor abaixo do seu valor patrimonial. Caso isso ocorra, à
diferença se dá o nome de “ganho por compra vantajosa” (ou “deságio”).
Vamos supor que se tenha comprado, por $5.000.000, 30% do patrimônio líquido de uma investida, que tenha
patrimônio líquido contábil de $12.000.000; pagou-se então $1.400.000 a mais do que a parte proporcional do patrimônio
contábil adquirido ($12.000.000 X 30% = $3.600.000). Suponha-se que se pague isso por dois motivos:
- Olhando-se os valores justos dos ativos e passivos da investida, nota-se que o imobilizado vale $1.000.000 mais do
que seu valor líquido contabilizado, bem como há uma patente criada pela própria empresa e por isso não contabilizada, que
pode ser negociada normalmente no mercado por $ 500.000. Assim o patrimônio líquido da investida, a valores justos, é de
$13.500.000; 30% dessa importância correspondem a $4.050.000 por mais-valia dos ativos líquidos ($4.050.000 -
$3.600.000 de valor contábil).
- O excedente a esses $4.050.000 (ou seja $950.000) é pagamento por conta de expectativa de rentabilidade futura, ou
seja, por goodwill.
Essas parcelas terão tratamento contábil separados. Na aquisição, contabilizaremos da seguinte forma:
Subgrupo de investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial
D – Investimentos Cia. X $3.600.000
D – Ágio por Mais-valia de ativos líquidos de X $ 450.000
D – Ágio por fundo de comércio pago de X $ 950.000
C – Caixa / Bancos $5.000.000

Para todos os efeitos, o total do custo do investimento é de $5.000.000. Existe apenas a segregação entre valor
patrimonial de investimento e ágios para fins de controle de amortização dos ágios.
A partir dessa contabilização segregada, os valores terão acompanhamento e destinos distintos. A conta de investimento
receberá as contrapartidas dos ganhos ou perdas com equivalência patrimonial.
O ágio por mais valia de ativos líquidos, deverá ser amortizado de acordo com os motivos de sua constituição.
Suponhamos que tal ágio deva ser amortizado em 5 anos (20% ao ano portanto). A contabilização do primeiro ano dessa
amortização seria assim:
D – Resultado da Equivalência Patrimonial $ 90.000
C – Ágio por Mais-valia de ativos líquidos de X $ 90.000
O ágio por fundo de comércio pago de X (goodwill), não pode mais ser amortizado. Ele permanecerá como subconta
até a baixa do investimento por alienação ou por impairment.
Lembrar que o goodwill, nos balanços individuais da controladora, também é apresentado dentro de investimentos, e
não no Ativo Intangível. Afinal, o goodwill é da investida, da controlada, e não da controladora.

g) Eliminação de resultados não realizados


Entre empresas de um mesmo grupo econômico ocorrem frequentemente operações de compra e venda de ativos, tais
como: mercadorias, investimentos, bens do ativo imobilizado, etc, sendo as mais comuns, as de compra e venda de
estoques. Naturalmente, essas operações embutem lucros, gerando portanto resultados para as investidas (quando da venda
de mercadorias de uma investida para uma investidora).
Esse resultado na investida se torna fictício em termos de “grupo de sociedades”, se os bens permanecerem estocados
ou em uso na investidora à época da avaliação do investimento pelo método da equivalência patrimonial.
Suponhamos que determinada investidora detenha 30% do capital de uma investida, e que ao final do exercício, essa
investida tenha um resultado de $20.000. O resultado a ser reconhecido na investidora seria de $6.000 (30% de $20.000).
Suponhamos ainda que nesse mesmo exercício, a investida tenha vendido para a investidora em 27/12/X1 por $20.000
mercadorias que havia adquirido de terceiros por $15.000. Em 31/12/X1, essas mercadorias permaneciam no estoque da
investidora. Podemos notar então, que há um lucro não realizado pelo grupo econômico de $5.000 líquido dos efeitos
fiscais, visto que a coligada registrou durante o exercício um lucro de $5.000 (valor de venda menos custo), mas esse lucro
permaneceu “dentro” do grupo econômico, mais exatamente nos estoques da investidora. O resultado da equivalência
patrimonial registrado como receita na investidora vai ser obtido como segue:
Resultado da coligada, no exercício $20.000
Participação da investidora no capital social da coligada 30%
Equivalência patrimonial antes do ajuste de lucros não realizados $6.000
Menos: lucro não realizado de operações intercompanhias ($5.000)
Resultado da equivalência patrimonial registrado como receita $1.000

EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL – EXERCÍCIO 1

A empresa Beta resolveu investir em 30/06/x1, comprando ações de sócios que se retiravam das seguintes empresas:

- Comprou 40% das ações ordinárias da Empresa A por $40.000, pagando adicionalmente um ágio por mais valia de
ativos líquidos, no valor de $30.000, a ser amortizado em 5 anos.
- Comprou 60% das ações ordinárias da Empresa B por $50.000,
- Comprou 70% das ações ordinárias da empresa C por $90.000, pagando adicionalmente um ágio por mais valia de
ativos líquidos, no valor de $40.000, a ser amortizado em 8 anos.
- Comprou 9% das ações ordinárias da Empresa D por $30.000, não sendo possível obter influência significativa nessa
sociedade com esse percentual.
- Comprou 60% das ações ordinárias da empresa E por $40.000,.

Em 31/12/x1, o PL das empresas investidas tinham os seguintes valores:

Empresa A 150.000,
Empresa B 100.000,
Empresa C 150.000,
Empresa D 300.000,
Empresa E 120.000,

Obs:
- A empresa A propôs distribuir $10.000, em dividendos para a Empresa Beta.
- A empresa B possui lucros não realizados de operações com a Empresa Beta no valor de $5.000,
- A empresa C possui lucros não realizados de operações com a empresa Beta no valor de $7.000, propondo ainda a
distribuição de dividendos de $5.000,
- A empresa D propôs distribuir dividendos de $1.000, para a empresa Beta.
- A empresa E propôs distribuir dividendos de $5.000, para a empresa Beta.

Pede-se:
- Contabilizar em 30/06/x1 os investimentos iniciais segregados entre investimentos pelo método de custo e método de
equivalência patrimonial.
- Contabilizar em 30/06/x1 os ágios das compras das ações.
- Calcular e contabilizar em 31/12/x1 a equivalência patrimonial, levando-se em conta as operações de lucros não
realizados.
- Contabilizar as propostas de distribuição de dividendos.
- Calcular e contabilizar a amortização dos ágios até 31/12/x1.

EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL – EXERCÍCIO 2


A empresa Alfa resolveu investir em 30/09/x1, comprando ações ordinárias de sócios que se retiravam das seguintes
empresas:
- Comprou 30% das ações da Empresa A por $30.000,
- Comprou 5% das ações da Empresa B por $30.000,. não sendo possível obter influência significativa nessa sociedade
com esse percentual.
- Comprou 70% das ações da empresa C por $50.000,.
- Comprou 30% das ações da Empresa D por $70.000, pagando adicionalmente um ágio por mais valia de ativos
liquidos, no valor de $30.000, a ser amortizado em 6 anos.
- Comprou 70% das ações da empresa E por $90.000, pagando adicionalmente um ágio por fundo de comércio, no valor
de $40.000.

Em 31/12/x1, o PL das empresas investidas tinham os seguintes valores:

Empresa A 150.000,
Empresa B 130.000,
Empresa C 90.000,
Empresa D 350.000,
Empresa E 150.000,

Obs:
- A empresa A possui lucros não realizados de operações com a Empresa Alfa no valor de $7.000,
- A empresa C possui lucros não realizados de operações com a empresa Alfa no valor de $5.000, propondo ainda a
distribuição de dividendos de $3.000,
- A empresa E propôs distribuir dividendos de $8.000, para a empresa Alfa.

Pede-se:
- Contabilizar em 30/09/x1 os investimentos iniciais segregados entre investimentos pelo método de custo e método de
equivalência patrimonial.
- Contabilizar em 30/09/x1 os ágios das compras das ações.
- Calcular e contabilizar em 31/12/x1 a equivalência patrimonial, levando-se em conta as operações de lucros não
realizados.
- Contabilizar as propostas de distribuição de dividendos.
- Calcular e contabilizar a amortização dos ágios até 31/12/x1.

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