Debate Público sobre a Proposta do Ministério da Educação e Ciência, de Revisão da Estrutura Curricular

Na qualidade de membro do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Ovar, como não docente, e no âmbito do período do DEBATE PÚBLICO sobre a Proposta do Ministério da Educação e Ciência, de Revisão da Estrutura Curricular, envio as seguintes considerações ao Ministério da Educação e Ciência (revisão.estrutura.curricular@mec.gov.pt): Mais uma vez os órgãos de gestão estratégicos como são os conselhos gerais foram desvalorizados e secundarizados neste processo! Considerando a declaração de intenções do próprio Ministério da Educação e Ciência na apresentação da sua Proposta de Revisão da Estrutura Curricular, em que se afirma, estar ciente de que “o processo em curso é decisivo para o futuro da Educação em Portugal e só pode ser concretizado com o empenho e a dedicação dos professores, dos alunos, dos encarregados de educação e de toda a comunidade educativa”. Acrescentando que, “Neste sentido, é crucial que todos os envolvidos no processo educativo estabeleçam diálogo e contribuam para a criação de consensos que garantam a melhoria da qualidade do ensino, a fim de, através da racionalização dos recursos existentes, sem precipitações, preparar o Futuro”. É inaceitável que nos pressupostos do Ministério para este processo de DEBATE PÚBLICO se tenham traduzido na ausência de qualquer referência, exactamente ao órgão de gestão nas escolas e agrupamentos, que a própria Lei 75/2008, designa, como de direcção estratégica, responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade da escola.

Mas é igualmente afirmado na Lei, que este órgão e sua composição, visa, reforçar a participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino. Como condição indispensável para promover a abertura das escolas ao exterior e a sua integração nas comunidades locais. Para tanto, diz o texto do 75/2008, “Torna-se necessário assegurar não apenas os direitos de participação dos agentes do processo educativo, designadamente do pessoal docente e não docente, mas também a efectiva capacidade de intervenção de todos os que mantêm um interesse legítimo na actividade e na vida da escola…”, como são os pais e encarregados de educação, as autarquias e a comunidade local, nomeadamente, representantes de instituições, organizações e actividades económicas, sociais, culturais e científicas. Assim, cabe ao Conselho Geral entre outras competências, a - Aprovação das regras fundamentais de funcionamento da escola (Regulamento Interno), bem como das decisões estratégicas e de planeamento (Projecto Educativo, Plano de Actividades) e o acompanhamento da sua concretização, através do relatório anual de actividades. Mas confia-se também a este órgão, a capacidade de eleger e destituir o Director, que por conseguinte lhe tem de prestar contas. Estamos pois, ou deveríamos estar, gestão, que, pelo menos segundo decisivo, que não deve ser secundarizado como vem sendo tutela. perante um órgão de a Lei, tem um papel desvalorizado, nem sucessivamente pela

Pelo exposto, e relativamente à Proposta de Revisão da Estrutura Curricular, é de reafirmar uma posição crítica, nomeadamente ao Ministério da Educação sobre a continuada prática de desvalorização e desrespeito para com este órgão de gestão, como são os conselhos gerais.

No âmbito do debate público da proposta do Ministério, de Revisão da Estrutura Curricular, um órgão como o Conselho Geral, em que estão representados os vários elementos da comunidade educativa e local, não é ouvido nem achado, ao contrário do que aconteceu com os directores, quando era, e é, o espaço privilegiado para o envolvimento de toda uma comunidade no debate desta e de outras matérias que influenciam a vida das escolas. Mas particular inquietação e desagrado pelo silêncio a que também estão a ser votados mais uma vez, merece a ausência de mecanismos e iniciativas fomentadoras da participação, nomeadamente dos professores, como profissionais da educação que deveriam ter papel fundamental em eventuais alterações curriculares, para que (ao contrário do que acaba por ser no actual quadro), fossem feitas, por razões essencialmente pedagógicas e de melhoria do ensino, e não pressionadas pela conjuntura económica, procurando, com algumas das alterações propostas, a redução de custos e das despesas numa área em que esta lógica é preocupante e condicionante do futuro de gerações de alunos e consequentemente do desenvolvimento do país. De destacar igualmente o facto de estarmos mais uma vez confrontados com propostas de alteração curricular, sem que se conheçam efectivos balanços e conclusões concretas dos resultados e consequências de outras alterações curriculares já havidas anteriormente. Curiosamente, nunca é assumido o porquê de alterações sucessivas, que mais não visam do que servir de panaceia para o verdadeiro papel da escola. Papel, que se vem tornando cada vez mais difícil, agravado com novas realidades sociais e fenómenos que colocam mais e novos desafios à escola. Desafios, que as alterações propostas não parecem ser coerentes com o período conturbado em que vivemos.

Vejamos que coerência existe entre o fim de áreas não disciplinares, como o exemplo da Formação Cívica, numa fase da sociedade em que a formação cidadã é ainda mais carente! Isto, quando contraditoriamente a escola pública continua a oferecer a Educação Moral e Religiosa ao mesmo tempo que prescinde da Formação Cívica.
28/01/2012

José Carlos Gomes Lopes Conselheiro Não Docente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de Ovar

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