ÍNDICE
1. Importância e finalidade da disciplina de salvamento em alturas............Página 3
2. Técnicas Verticais.......................................................................................Página 3
3. Apresentação Técnica dos Equipamentos................................................Página 5
4. Noções Básicas e Procedimentos de Segurança......................................Página 12
5. Nós, Voltas e Amarrações........................................................................Página 14
6. Técnicas de Ancoragem...........................................................................Página 18
7. Armação dos Circuitos............................................................................Página 18
8. Equipagem, Tomada de Posição e Desequipagem dos Equipamentos Página 20
9. Técnicas de Transposição dos Circuitos............................................Página 22
10. Salvamento em Alturas....................................................................Página 28
12. Conclusão........................................................................................Página 32
13. Referências Bibliográficas...............................................................Página 33
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1. IMPORTÂNCIA E FINALIDADE DA DISCIPLINA DE
SALVAMENTO EM ALTURAS
O homem moderno sente a necessidade de prevenir-se contra os
possíveis riscos que venha a enfrentar, vários são os Cursos, os
Seminários, os Encontros e as Palestras acerca dos assuntos mais
polêmicos e ameaçadores para a humanidade de um modo geral.
No âmbito de toda e qualquer sociedade isto não pode ser
diferente, pois, saber agir em casos de emergência requer
preparo e presteza de quem o faz, principalmente quando essa ação
se faz necessária em ambientes diversos do nosso. Para tal é
importante dominarmos a situação, servindo de base à salvação de
todos.
A Disciplina de Salvamento em Alturas que ora inicia-se neste
Curso de Formação de Sargentos, serve de base aos
preceitos básicos da boa conduta desenvolvida em locais elevados,
sendo de fundamental importância os seus conhecimentos e o
desenvolvimento padrão de suas técnicas, considerando que desde
de vossas apresentações para o inicio deste Curso já devem
processar suas linhas de decisão baseadas na futura graduação
que, com certeza, todos irão conquistar, ou seja, propensos
Chefes de Guarnição nas atividades fins da Corporação, quais
sejam Salvamento em Alturas, Salvamento Aquático, Salvamento
Terrestre, Atendimento Pré- Hospitalar e Prevenção e Combate a
Incêndios, independentemente do local em que serão lotados, a
vocês, mais novos “Sargentos” do Corpo de Bombeiros Militar de
Pernambuco, serão imputadas e cobradas toda e qualquer
responsabilidade frente a uma situação de desespero, pânico e
frustração, tendo em vista o uniforme que envergam e a formação
que, “perante a sociedade”, possuem.
Ficando clara a sua importância, resta-nos refletir sobre sua
finalidade, a qual visa capacitá-los ao desenvolvimento padrão
das atividades de busca, resgate e salvamento em locais elevados
e de difícil acesso nos planos vertical, horizontal e inclinado,
bem como conscientizá-los acerca dos limites impostos e
estabelecidos pela segurança.
2. TÉCNICAS VERTICAIS
São o conjunto de ações que, juntas ou separadas, viabilizam
descidas (rapel) ou subidas (lepar) com o auxilio de
equipamentos, as quais são utilizadas tanto para o lazer
quanto para as atividades profissionais. É imprescindível que o
executor esteja atento a sua capacidade e limite pessoal. UM BOM
PRATICANTE DE TÉCNICAS VERTICAIS NÃO É AQUELE QUE SABE SAIR DE
DIFICULDADES E SIM AQUELE QUE AS SABE EVITAR.
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2.1 - Área Profissional – Com o advento da exploração aérea,
é praticada por pessoas qualificadas que possua uma boa formação:
bombeiros, empresas de eventos, telecomunicações e propagandas,
CELPE, prestadoras de serviço, bem como outras atividades
afins que requeiram pessoas capacitadas a trabalhar em locais
elevados.
2.2 – Área Esportiva – Com o objetivo de superar-se cada vez
mais, com a grande divulgação dos chamados esportes radicais,
cresce consideravelmente o número de adeptos das técnicas
verticais pelo mundo afora, atividades como escalada, rapel
urbano, cannyoning, caving, entre outros abrilhantam a natureza e
atraem os futuros praticantes.
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3. APRESENTAÇÃO TÉCNICA DOS EQUIPAMENTOS
3.1 – Cabos e/ou Cordas - União de fibras, fios e cordões
trançadas ou torcidas entre si, formando um conjunto uniforme e
resistente à tração. Há dois tipos específicos de cabos:
a) Trançados - é de grande utilidade para todos os fins, usado em
escaladas por não ser escorregadio, oferecendo segurança;
b) Torcidos - é muito utilizado para fins industriais, não é
usado em escaladas, por oferecer pouca segurança, pois é muito
escorregadio.
ESPÉCIES DE FIBRAS
Tipos Particularidades Exemplos
Tem seu uso limitado, destaca-se a de seda
Animais couro, crina e seda
por apresentar grande flexibilidade e maciez
Tem larga utilização, ficam com a
resistência reduzida à metade quando sisal, cânhamo e
Vegetais
molhadas e quanto maior for o seu peso menor algodão
será a sua resistência
Possui grande emprego e utilização e tem nylon, perlon e
Sintéticas
excelente qualidade polietileno
Características dos Cabos
a) Bitola – diâmetro do cabo;
b) Peso – número de quilo por metro do cabo;
c) Resistência ou Carga de Ruptura – máxima tração que o cabo
pode suportar, depende da composição das fibras e da bitola. Não
devemos submeter um cabo a metade de sua carga de ruptura;
d) Flexibilidade – característica que facilita o manuseio do cabo;
e) Elasticidade – característica vital para amortecer o choque
nas quedas (quando utilizadas na segurança)
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Critérios de Utilização e Manutenção dos Cabos
a) Inspecionar antes do uso;
b) Na utilização devemos ter os seguintes cuidados:
b.1) Evitar friccionar o cabo sobre quinas vivas ou
superfícies ásperas;
b.2) Evitar o contato do cabo com areia ou terra;
b.3) Evitar pisar no cabo;
b.4) Evitar que a peça oito aquecida fique em contato
muito tempo com o cabo;
b.5) Evitar que cabos dinâmicos sejam usados nos serviços
de tração.
c) Realizar manutenção periodicamente;
d) Quando molhados, deve-se estendê-lo evitando as cocas e em
local arejado e a sombra.
Nomenclatura dos Cabos
a) Cabo Guia - utilizado para guiar os içamentos ou descidas
de objetos ou pessoas;
b) Cabo Solteiro - usado para vários fins, de comprimento
não definido, geralmente de diâmetro reduzido;
c) Cabo de sustentação - cabo principal, onde se realiza
um trabalho;
d) Cabo da Vida - usado principalmente para a segurança
individual, cabo de nylon ou seda, bitola 12mm, variando o
comprimento de acordo com quem o utiliza (geralmente de 4 a
4,5m), podendo ainda ser usado para vários fins, tais como:
confecção de cadeiras, emprego como cabo guia, transporte de
vítimas, entre outros;
e) Cordelete, Retinida ou Cordim - utilizado como meio auxiliar
nos trabalhos, sua bitola varia de 6 a 8mm e seu comprimento de 2
a 4m.
3.2 – Freios de Segurança (Peça Oito) – Provavelmente o
equipamento das técnicas verticais mais popular no Brasil, imita
a forma do número 8 (oito), é simples de usar e muito versátil,
sua argola maior é usada para o rapel ou segurança, podendo em
uma operação de emergência ser substituído pelo nó UIAA ou
pelas travas de segurança (mosquetões).
Critérios de Utilização e Manutenção dos Freios de Segurança
a) Inspecionar antes do uso;
b) Na utilização devemos ter os seguintes cuidados:
b.1) Verificar sempre o uso correto;
b.2) Substituí-lo sempre que houver quedas fortes e em casos
de desgaste ou corrosão;
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b.3) Evitar choques com outros equipamentos.
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c) Realizar inspeção periodicamente.
3.3 – Travas de Segurança (Mosquetões) – Desenvolvidas por
volta de 1900, por adeptos do montanhismo nos Alpes europeus.
Existem vários modelos e tipos de mosquetões, os quais
são utilizados de acordo com o serviço a ser realizado e com as
preferências pessoais de cada um, são resistentes as mais altas
trações e bem leves. São vários os fabricantes, sendo
aconselhável o uso dos que têm em seu corpo a sigla UIAA, por se
tratar de alto risco em uso. Existe em alumínio (ideais para o
uso pessoal) e em aço (ideais para ancoragens). Os que mais se
destacam são:
a) Pêra – Com ou sem travas, é bastante usado para fechar
cadeirinhas e em ancoragens.
b) Assimétrico - Com ou sem travas, há uns de gatilho turvo;
c) Simétrico e Oval – Possuem a maior gama de utilidades, podendo
inclusive substituir outros equipamentos, como os freios de
segurança (peças oito).
Critérios de Utilização e Manutenção dos Freios de Segurança
a) Inspecionar antes do uso;
b) Na utilização devemos ter os seguintes cuidados:
b.1) Manter as travas fechadas;
b.2) Não aplicar carga tridimensional em um mosquetão;
b.3) Substituí-lo sempre que houver quedas fortes e em casos
de desgaste ou corrosão;
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b.4) Evitar choques entre si e com outros equipamentos;
b.5) Mantê-los ligeiramente lubrificados;
c) Realizar inspeção periodicamente.
3.4 – Baudrier ou Cadeirinhas - são tão confortáveis quanto
seguras, feitas em fita larga de nylon, as vezes, acolchoadas nas
partes mais sensíveis e ajustáveis em volta da cintura. Não é
nada mais nada menos que um cinto com alça para as pernas,
dizemos isso porque é o cinto da cintura quem vai segurar a
pessoa, as alças das pernas simplesmente transferem algum peso
para a parte das nádegas, evitando um estrangulamento na cintura.
Haverá horas em que você colocará diversos equipamentos na sua
cadeirinha e quando isso ocorrer, eles deverão está totalmente
presos na parte da cintura, nas alças chamadas de gear loops.
ATENÇÃO - colocar equipamentos em outra parte da cadeirinha
não é seguro. Há diversos tipos:
a) Leg-loop – O modelo mais comum hoje em dia, feita de um cinto
preso as duas alças das pernas, onde toda a unidade é segura por
uma unidade central de segurança ou rapel, uma fita extremamente
reforçada. A corda não deve segurar no rapel.
b) Fralda – Modelo preferido pelas mulheres pois pode-se tirar as
calças sem precisar tirar a cadeirinha, é feita com alças de
perna como fralda que puxa do meio das pernas e é mantido no
lugar com clipes de plástico. ATENÇÃO - este tipo de cadeirinha
não possui a alça de segurança (o rapel) que é algo muito útil
durante as atividades.
Como ajustar e usar corretamente os baudrier
a) Vista o baudrier antes de comprá-lo. O baudrier ideal deve
substituir o peso de modo a transferir a maior parte para trás do
cinto, sem que suba pelas costas;
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b) A cintura do baudrier deve ajustar-se perfeitamente acima dos
ossos da pelve, eliminando a possibilidade do equipamento sair do
corpo ou escorregar em casos de inversões de manobras;
c) Não usar o baudrier abaixo da cintura, use-a acima dos ossos da
cintura. Se a sua pelve não for mais larga que a cintura,
recomenda-se usar uma cadeirinha de peito como garantia;
d) A fivela é a trava de segurança do baudrier, quando colocá-la
para uma maior segurança, retorne a fita pela fivela, deixando
sobrar pelo menos uns oito centímetros (quatro dedos).
Leia atentamente as instruções de uso das cadeirinhas antes de
utilizá- las;
e) Cuidado com as cadeirinhas que possuem velcro, eles servem para
manter a cadeirinha no lugar enquanto passamos a fita pela
fivela, o grande problema deste mecanismo de ajuda para o ajuste
é esquecermos de passar a fita pela fivela;
f) As cadeirinhas têm um tempo de vida útil de, no máximo, cinco
anos, nunca mais que isso;
g) Cuide de sua cadeirinha, guarde-a longe da luz solar direta e
mantenha-a longe das substancias químicas.
Inspeção antes do uso
a) Verifique as fivelas de fixação;
b) Certifique-se de que a fita passou duas vezes pela fivela de
segurança, indo e voltando e sobrando oito centímetros de fita;
c) Não use os gear loops para apoio ou segurança. Eles foram
fabricados para prender equipamentos;
d) Nunca compre cadeirinha ou outro equipamento usado. Devemos
conhecer a história de nosso equipamento, para podermos confiar
neles, afinal de contas, podemos está colocando nossa vida
em jogo.
3.5 – Capacetes – A cabeça é preciosa e frágil, é um dever
protegê-la. Particularmente durante qualquer prática em locais
elevados, onde um risco de impacto não está excluído.
3.6 – Luvas – Sua utilização evita queimaduras e
ferimentos nas palmas das mãos, causados pela
velocidade nos cabos de descida. Tais luvas devem
possuir reforços nos lugares mais afetados, as de
vaqueta de couro são as mais indicadas, devido a
sua elevada resistência e considerável
flexibilidade de trabalho, devendo ser ainda de
cano curto.
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3.7 – Roldanas ou Polias – Têm sua maior utilização em
situações de redução de cargas, seja em equipamentos ou pessoas,
além disso são usadas para direcionar içamentos e trações
em cabos:
a) Tandem – Utilizada para progressão em tiroleza (plano
inclinado), permite um melhor direcionamento sobre a corda,
oferecendo uma grande estabilidade;
b) Fixe – Componente ideal de todos os sistemas de
desmultiplicação de forças, podendo ser facilmente acoplada a um
bloquedor e oferecer um anti retorno;
c) Rescue – Concebida para carga pesada e uma utilização intensa,
oferece um excelente rendimento, graças aos seus rolamentos
selados. Munida de placas oscilantes de alumínio em alta
resistência, permite passar três mosquetões em seu
interior, perfeita para a montagem de sistemas de
desmultiplicação de forças, podendo ser simples ou dupla.
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3.8 – Ascension, Punho Bloqueador ou Jumar – Blocante de
mão, utilizado para subidas na corda fixa com ou sem ajuda da
estrutura, o seu mordente autoblocante em aço cromado agarra-se
perfeitamente à corda e oferece um deslizamento excelente, o seu
punho ergonômico oferece um posicionamento máximo no eixo de
tração e um excelente conforto na utilização. Tal equipamento
pode ainda ser utilizado nos trabalhos de tração, bloqueamento de
força e montagem dos circuitos horizontal e inclinado.
3.9 – Croll, Bloqueador ou Blocante Ventral –
Utilizado para a subida em corda fixa como
complemento ao punho (blocante), o seu mordente
autoblocante em aço cromado agarra-se perfeitamente à
corda e permite uma progressão eficaz. Tal equipamento
pode ainda ser utilizado nos trabalhos de tração,
bloqueamento de força e montagem dos circuitos
horizontal e inclinado.
3.10 – Stop – Sendo um descensor de roldanas
autoblocantes, são concebidos para longas descidas
sobre cordas simples. É um grande clássico entre os
descensores, largando o punho o equipamento trava. O
desfilar do cabo deve ser controlado pela mão que
aperta, mais ou menos, a extremidade livre do cabo. O
punho serve para desbloquear e deixar deslizar o cabo.
3.11 – Simple - Sendo um descensor de roldanas, é uma versão
não blocante do stop, é com a mão na extremidade livre do cabo
que a descida é controlada.
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4. NOÇÕES BÁSICAS E PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA
O momento do nascimento da técnica do rappel, após a conquista
do Petit Dru em 1879, por Jean Charlet-Stranton, Prosper Payot e
Frederic Folliguet, foi narrado da seguinte forma: “Eu enrolava a
corda dupla em volta de uma saliência da montanha e lançava as
extremidades para meus dois colegas, descendo de costas ocupava-
me unicamente em segurar solidamente a corda, quando chegava ao
solo recuperava a corda trazendo-a de volta para mim. Em duas
ocasiões tivemos que renunciar a tentativa de recuperar a
corda”. Observando os termos destacados na descrição acima,
poderemos verificar a preocupação com a segurança já à época
(1879).
Muitos se arriscaram e até morreram buscando o desenvolvimento
de novas técnicas para chegarmos onde estamos, o que nos resta é
aproveitar esses conhecimentos e não repetir os mesmos erros.
Fomos criados para viver em terra firme. Antes de explorarmos um
ambiente diverso do nosso deveremos passar por um período de
adaptação, o qual será fundamental para a nossa futura segurança.
Segurança é fruto do somatório de variáveis que são
analisadas: instrução, treinamento, reciclagem, confiança em si,
no instrutor, no próximo e nos equipamentos, consciência que
podemos fazer a coisa e convicção que se é possível, cuidados
consigo, com o instrutor, com o companheiro e com os
equipamentos, respeito mútuo...
4.1 - Técnicas Práticas de Segurança:
a) Auto-escoramento (Segurança Individual)
b) Modo adequado de prestar auxílio com as mãos
c) Técnica da pegada
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d) Técnicas Especiais de Aproximação do Vazio – As técnicas de
segurança inerentes à aproximação do vazio, por ocasião
dos trabalhos e do salvamento em alturas, visam evitar as
quedas nestes locais, bem como ofertar ao homem de salvamento um
suporte básico ao desenvolvimento de suas atividades, as quais se
subdividem, conforme as figuras abaixo:
De joelho sem apoio De joelho com apoio Na técnica do jacaré
4.2 - Vocabulário técnico – A linguagem técnica entre os
componentes de uma equipe de salvamento deve ser única, és o
vocabulário técnico, o qual visa manter um padrão, sem deixar
dúvidas entre o emissor e o receptor de uma informação,
durante uma ocorrência, uma instrução, um treinamento ou até
mesmo uma diversão, eis abaixo alguns termos técnicos:
a) Alça - volta em que as partes de um cabo não se cruzam;
b) Anel ou dobra - volta em que as partes de cabo se cruzam;
c) Firme ou vivo - parte compreendida entre o chicote e a
extremidade fixa do cabo;
d) Seio - parte central do cabo;
e) Cocas - voltas ocasionais que aparecem no cabo, são
prejudiciais aos trabalhos;
f) Permear o cabo – dobrar o cabo ao meio;
g) Coçar - gastar o cabo, atritando-o contra uma quina viva;
h) Morder - prender o cabo com o próprio cabo ou em
qualquer superfície rígida;
i) Safar o cabo - liberar o cabo;
j) Acochar - ajustar o nó;
k) Cochar - torcer fibras, fios e cordões para confeccionar
um cabo. Normalmente um cabo é cochado para a direita;
l) Bater o cabo - retirar as cocas;
m) Tesar - tencionar, esticar o cabo;
n) Falcaça - união dos cordões do chicote de um cabo, evitando
o seu descochamento;
o) Hashi - pedaços de madeira, que são colocados nos nós
para evitar o seu acochamento;
p) Recorrer - folgar o cabo.
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5. NÓS, VOLTAS E AMARRAÇÕES
A arte de fazer nós é uma das técnicas mais antigas
conhecidas pelo homem, com evidências de seu uso há pelo menos
meio milhão de anos. Foi nos séculos XVI, XVII e XVIII que os nós
experimentaram um grande crescimento, devido ao desenvolvimento
da navegação.
Agricultores, pecuaristas, caçadores e pescadores também
contribuíram muito com alguns nós muito importantes.
NÓS – São entrelaçamentos feito à mão, por onde se prende um ou
mais cabos, pelo seio ou pelos chicotes, formando uma massa
uniforme com fins específicos;
VOLTAS – São partes básicas primárias de um nó;
AMARRAÇÕES – É o conjunto do nó com as voltas e sua finalidade.
5.1 – Importância dos nós - Em toda e qualquer atividade que
haja a necessidade da utilização de cabos e cordas para o seu
desenvolvimento, o conhecimento das técnicas dos nós é de
fundamental importância, considerando que os nós são os elementos
básicos de toda e qualquer operação que realizaremos com esse
material, quer seja no resgate de uma vítima, quer seja numa
atividade esportiva, quer seja em um bloqueio de isolamento, etc.
5.2 - Ações básicas para se fazer nós
a) Saber sua finalidade;
b) Conhecer suas limitações de uso;
c) Executá-lo da maneira correta e de diversas formas;
d) Treinar constantemente.
5.3 - Divisão didática dos nós:
a) Nós dados na extremidade do cabo
Nó de Meia Volta Nó Volta do
Fiador Nó de Ramo
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b) Nós dados para emendar cabos
b.1) Mesma bitola:
Nó direito Nó de fita
b.2) Bitolas diferentes b.3) Bitolas iguais ou
diferentes Escota simples ou dupla Pescador duplo
c) Nós dados para fixar cabos
Volta do fiel Prússico
Safa cabo
d) Encurtar ou reforçar cabos
d.1) Encurtar cabos d.2) Reforçar cabos
Corrente simples Catau de reforço e Catau de
reboque
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d.3) Acondicionar cabos
Charuto Coroa
e) Formar alças e assentos
e.1) Uma alça
Azelha simples com fiador Lais de guia
e.2) Duas ou mais alças
Azelha dupla Balso do calafate
e.3) Assentos
Cadeira do Alpinista
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f) Nós mistos e combinados
f.1) Segurança individual f.2) Amarração em vítima inconsciente
f.3) Amarração de macas;
f.4) Amarração de vítima na maca;
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6. TÉCNICAS DE ANCORAGEM
Definida pelo envolvimento (nó de
fita), feito preferencialmente com
uma fita tubular em uma estrutura
resistente (vigas, colunas,
árvores...), a fim de ser empregada
em uma operação de salvamento, a
qual deve ser confiável, para que
seja essencial ao desempenho do
resgate, devendo ainda possuir uma
amarração de segurança (backup),
realizando a ancoragem em um ponto
e reforçando-a em outro, evitando
assim, no caso de falha de um deles,
o que chamamos de colapso do sistema.
7. ARMAÇÃO DOS
CIRCUITOS
Estabelecida basicamente em três
planos: horizontal, conforme mostra
a figura ao lado, inclinado e
vertical. Os circuitos horizontal e
inclinado são estabelecidos de forma
semelhantes, a única diferença entre
ambos é a angulação de seus pontos
de ancoragens, já no plano vertical
o cabo é trapado em um ponto
superior e fixado, através da fita
tubular e do mosquetão em outro, por
questão de segurança.
A armação dos circuitos deve obedecer a normas que visam dá
maior segurança aos cabos utilizados no sistema e ao executor de
qualquer operação de salvamento, são regras básicas de
segurança:
a) Utilizar dois cabos paralelos nos circuitos horizontal
e inclinado; b) Os cabos utilizados devem suportar dez vezes, no
mínimo, o peso da carga útil de trabalho; c) Utilizar os nós e
amarrações convenientes e sempre com arremates de segurança; d)
Proteger os cabos de quinas vivas, intempéries, locais cortantes
e aquecidos...; e) Quando não houver local para amarração,
devemos lançar mão dos meios de fortuna existentes no local.
O estabelecimento dos cabos será realizado por uma equipe
precursora que se deslocará ao local onde será feita a ancoragem
por meio dos recursos existentes na edificação, além da
montagem do circuito a equipe executará a equipagem das vítimas
para a evacuação do local. Em casos extremos os cabos devem ser
lançados à vítima para que a mesma execute a ancoragem, a qual,
devido ao estado de pânico, a ausência de conhecimentos técnicos
e a falta de habilidade manual, provavelmente não conseguirá um
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bom
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resultado. Esta conduta só deve ser executada quando descartadas
todas as demais possibilidades.
7.1 - Plano Horizontal –
Este tipo de circuito é ideal
para treinamento, mas não é tão
bom para o resgate de vítimas,
devido ao esforço físico
desenvolvido pela equipe de
salvamento. Para a sua montagem
são necessários os seguintes
equipamentos: 04
(quatro) peças de fita tubular;
01 (um) par de cordim; 01 (um)
cabo principal; 04 (quatro)
travas de segurança de aço e, se
houver necessidade, várias
proteções de quinas vivas. A sua
montagem deve
obedecer a seguinte seqüência: 1. Fazer o estropo nos suportes do
plano, com as fitas tubulares (amarração principal e de
segurança); 2. Fixar o cabo principal, com as travas de segurança
invertida nos estropos; 3. Realizar o tracionamento do sistema,
usando os cordins com o emprego do nó prússico.
7.2- Plano Inclinado – Sua
montagem é semelhante ao do plano
horizontal, variando apenas o
ângulo entre os estropos e o
paralelismo entre os cabos. Este
tipo de circuito é excelente para
o resgate de vítimas, oferecendo
rapidez e agilidade às operações
de busca e salvamento. Na sua
montagem devemos evitar grandes
inclinações, visto que a força da
gravidade tornará difícil o
controle das
descidas, sendo necessário para o seu estabelecimento os seguinte
equipamentos: 04 (quatro) fitas tubulares; 01 (um) par de cordim;
01 (um) cabo principal; 04 (quatro) travas de segurança e
proteções. A sua montagem deve obedecer a seguinte seqüência:
1.
Fazer o estropo nos suportes do plano, com as fitas tubulares
(amarração principal e de segurança) – protegendo-os com
as proteções; 2. Fixar o cabo principal, com as travas de
segurança invertidas nos estropos; 3. Realizar o tracionamento do
sistema, usando os cordins com o emprego do nó de prússico.
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7.3 - Plano Vertical
– Tem sua
montagem mais simples e mais rápida que os
planos anteriores, é mais dinâmico e menos
desgastante fisicamente, tornando-se
preferível pelas equipes de resgate. Na
sua montagem devemos ter o máximo de
cuidados com o cabo principal, procurando
protegê-lo sempre das quinas vivas. Sendo
necessário para o seu estabelecimento
os seguintes
equipamentos: 02 (duas) fitas tubulares; 01 (um) cabo
principal; 02 (duas) travas de segurança e proteções. A sua
montagem deve obedecer a seguinte seqüência: 1. Fazer o estropo
nos suportes do plano, com as fitas tubulares (amarração
principal e de segurança), protegendo-as com as proteções;
2. Fixar o cabo principal, com as travas de segurança, nos
estropos; 3. Safar a extremidade livre do cabo principal,
deixando-a a uma altura aproximada de 80cm do solo, isto serve
como escoamento de cocas.
8. EQUIPAGEM, TOMADA DE POSIÇÃO E DESEQUIPAGEM
DOS EQUIPAMENTOS
Está familiarizado, técnico e operacionalmente, com o correto
manuseio dos equipamentos utilizados nos diversos planos é de
fundamental importância, pois, segundo a Psicologia
Comportamental, numa situação de emergência em que devemos agir
rapidamente, uma pessoa previamente treinada fará a coisa correta
instintivamente.
8.1 – Plano Horizontal – Materiais necessários para a sua
equipagem: 01 (um) cabo da vida; 01 (uma) trava de segurança e 01
(um) capacete. Para a equipagem devemos obedecer à
seguinte seqüência: 1. Fazer o nó de segurança individual,
utilizando o cabo da vida; 2. Colocar o capacete; 3. Grampear a
trava de segurança na alça (nó lais de guia) da segurança
individual e prendê-la na cintura; 4. Fazer a reza de segurança:
mosquetão engatado – mosquetão travado; nó de segurança
individual; capacete na cabeça; atenção segurança; 5. Tomar a
posição de transposição no plano horizontal.
Equipagem dos equipamentos Tomada de Posição
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8.2 – Plano Inclinado – Materiais
necessários para a sua equipagem: 01
(um) cabo da vida ou 01 (um)
Baudrier; 03 (três) travas de
segurança; 01 (uma) roldana tandem;
01 (uma) roldana simples; 01 (um) par
de cordim; 01 (um) par de luvas e 01
(um) capacete. Para a equipagem
devemos obedecer à seguinte
seqüência: 1. Fazer a cadeirinha do
alpinista, utilizando o cabo da
vida, ou vestir o baudrier; 2. Fazer
as alças de sustentação e segurança,
utilizando
os cordins; 3. Colocar o capacete; 4. Grampear as travas de
segurança: na cadeira do alpinista; na alça de sustentação; na
roldana tandem e na alça de segurança; 5. Colocar as luvas; 6.
Fazer a reza de segurança: cadeira; capacete; mosquetão engatado
– mosquetão travado; luvas; atenção segurança; 7. Tomar a posição
de transposição no plano inclinado.
8.3 – Plano Vertical – Materiais
necessários para a sua equipagem: 01 (um)
cabo da vida ou 01 (um) Baudrier; 01 (uma)
trava de segurança; 01 (um) freio de
segurança; 01 (um) par de luvas e 01 (um)
capacete. Para a equipagem devemos
obedecer à seguinte seqüência: 1. Fazer a
cadeirinha do alpinista, utilizando o cabo
da vida, ou vestir o baudrier; 2. Grampear
as travas de segurança na cadeira do
alpinista ou no arnel principal do
baudrier; 3. Colocar o capacete; 4. Colocar
o freio de segurança, com o olhal maior na
trava de segurança; 5. Colocar as luvas; 6.
Após a entrada no sistema, devemos fazer a
nossa reza de
segurança: Cabo no oito! Oito no mosquetão! Mosquetão engatado e
travado! Cadeirinha, ok! Luvas calçadas! Capacete na
cabeça! Atenção Segurança do cabo “n”; 7. Tomar a posição de
transposição no plano vertical.
8.4 – Observações Gerais
a) A desequipagem deve ser realizada na seqüência inversa à
equipagem;
b) Antes da tomada de posição, em qualquer circuito, devemos soar
bem alto: ATENÇÃO SEGURANÇA! A pessoa responsável por
nossa segurança, nosso Anjo da Guarda, responderá: SEGURANÇA
PRONTA! E permanecerá com a atenção voltada para nós durante todo
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o tempo da transposição.
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9. TÉCNICAS DE TRANSPOSIÇÃO DOS CIRCUITOS
Cada circuito de transposição possui técnicas específicas de
deslocamentos e explorações, as quais variam de acordo com as
especialidades do serviço a executar; as estruturas
oferecidas pela edificação; as dificuldades no acesso ao objetivo
e ao condicionamento físico do transpositor. Vejamos algumas
técnicas de transposição nos planos abaixo:
9.1 – Plano horizontal – Este é o único plano em que
poderemos cair e ficar pendurados pela segurança individual.
Calma – Não se desesperem! Existem algumas técnicas de
retorno ao cabo que poderemos aplicar, as quais serão
repassadas antes das técnicas de transposição, vejamo-as:
a) Voltas ao cabo –
Consiste de uma técnica
auxiliar e primária que
facilita a chegada ao cabo
principal, antecedendo as
técnicas de retorno ao
cabo, na qual devemos: 1.
Inclinar o corpo para trás;
2. Passar uma das
pernas pela extremidade de sustentação do nosso nó de segurança
individual; 3. Fazer uso dos braços para alcançar o cabo
principal; 4. Usar a perna livre para tirar a outra da
extremidade da segurança individual, empurrando a trava de
segurança para isso. Pronto, agora estamos sob o cabo principal
do sistema, basta usarmos uma das técnicas de retorno para
ficarmos sobre o mesmo.
b) Oitava – Esta técnica é
muito rápida, seu praticante
deve possuir um
condicionamento físico muito
bom, ela exige força,
equilíbrio e trabalho
concentrado de braços (meia
barra), pernas e abdômen, é
excelente para retornos em
situações de emergência. Aos interessados o instrutor aconselha
treinos em barras fixas.
c) Pêndulo – Esta técnica é menos
rápida que a anterior e menos
desgastante fisicamente, seu
praticante deve possuir um bom
condicionamento físico. Ela exige
um trabalho conjunto de braços,
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pernas, abdômen, além de uma boa
coordenação motora.
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d) Jaguar – Esta técnica é a
mais lenta, seu praticante
deve possuir um
condicionamento físico
regular, ela exige um
trabalho conjunto de braços,
pernas e coordenação motora.
Pois bem! Agora que já sabemos e dominamos as técnicas de
retorno ao cabo principal, pelo menos na teoria (risos),
poderemos realizar as técnicas de transposição no plano
horizontal, portanto, vejamo-as:
a) Comando Craw – Nesta técnica o homem
objetiva a transposição pelo arrasto
sobre o cabo, usando braços e pernas,
procurando manter-se estável através do
efeito pêndulo com sua perna livre. O
corpo deve tocar o menos possível no
cabo principal, para diminuir o campo
de
atrito, começado o deslocamento não devemos parar, pois o atrito
dinâmico é menor que o estático. O olhar deve está voltado para
frente.
b) Preguiça – Técnica
inversa ao comando craw,
sob o cabo, prendendo-
se ao mesmo com pernas
e
mãos, locomovendo-se pela movimentação alternada e constante dos
mesmos pode o homem transpor o circuito. Esta técnica não permite
descanso, devendo ser lenta e ritmada, caso pare, o homem
continuará gastando energias e isso não é bom (risos).
c) Transposição com mosquetão
– Esta técnica é a mais
operacional, uma vez que o
contato do homem ao cabo
centraliza-se apenas pelo
mosquetão, tornando mínimo o campo de atrito entre ambos,
facilitando a transposição e poupando energia, devendo as pernas
ficar ligeiramente flexionadas.
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9.2 Plano Inclinado – Neste plano existem basicamente três
técnicas: descida guiada; livre com freio, e; livre sem freio, as
quais podem ser desenvolvidas tanto descendo quanto subindo no
cabo principal, sendo a segunda situação bastante estafante
fisicamente e não operacional porém excelente para o adestramento
físico do homem que se predispõe ao Salvamento em
Alturas, portanto, este instrutor a recomenda aos iniciantes
nesta área (risos), sua ascensão é feita utilizando a técnica de
transposição preguiça do plano horizontal, vejamos abaixo as
técnicas de transposição no plano inclinado:
a) Descida guiada – Descida
controlada por dois cabos, um
superior que servirá como
freio e um inferior que
servirá como tracionamento
caso o transpositor pare no
meio do circuito.
b) Livre com freio – O
transpositor fará uma descida
livre, sendo freado pelos
socorristas do solo, através do
sistema adicional de segurança,
realizado com mosquetões e cabos
da vida atrelados ao cabo
principal (segurança do
sistema).
c) Livre sem freio – O
transpositor fará sua
transposição controlando sua
própria velocidade, usando mãos
e pés alternados no cabo
principal. Atenção! Não devemos
deixar de colocar uma segurança
na base do circuito, pois caso o
transpositor perca o controle da
situação, ele será freado pela
mesma.
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9.3 Plano vertical – Este plano tanto quanto o inclinado, pode
ser explorado subindo ou descendo. Poderemos nos ascender no
plano vertical usando uma escada comum, um apoio de alguém
(escada humana), um pedaço de madeira ou até mesmo as estruturas
da edificação mas estas situações são coisas muito comuns no
nosso dia-a-dia, vamos radicalizar, somos alunos do
Treinamento de Capacitação Técnica Operacional.
A. TÉCNICAS DE SUBIDA POR CORDAS - LEPAR
As técnicas de ascensão ou lepar são facilmente desenvolvidas,
dependendo exclusivamente da vontade própria de cada um, é uma
excelente técnica para trabalho de condicionamento físico e força
de braço, atributos essenciais a quem se predispõe a salvar vidas
em locais elevados, as quais podem ser desenvolvidas com ou sem o
uso de equipamentos, vejamos:
A.1 – Sem o uso de equipamentos – Técnica da pegada:
a) No cabo simples – Técnica utilizada para enrijecer
a pegada e fortalecer as articulações dos dedos. Para
obtermos um bom sucesso nesta técnica, devemos
empunhar o cabo principal na articulação proximal a
palma da mão e mordê-lo com força, suspendendo e
alternando as mãos;
b) No cabo ramificado – Tem a mesma finalidade que a
técnica anterior porém com um apoio à pegada. Esta
técnica pode também ser utilizada para um trabalho de
tração ao cabo, puxada ou outra atividade que se
enquadre.
A.2 – Com o uso de equipamentos
a) Com cordins – Ascensão segura, mas demorada, faz-
se uma alça de sustentação com cada cordim (cintura e
pés), em seguida confecciona-se o nó prússico no cabo
principal, agora basta equipar-se e começar a subir.
Quando o nosso peso for colocado na alça o nó se
travará no cabo principal, quando o peso for
retirado o nó folgará, permitindo que o elevamos a um
ponto superior e assim sucessivamente com os dois
nós, conseguindo se elevar no cabo.
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b) Com o emprego ascensor tipo Jumar e o
descensor tipo ID – O desenvolvimento desta
técnica de lepar é o mais indicado por este
instrutor, tendo em vista que o mesmo
utiliza equipamentos auto blocantes e
automáticos, permitindo desta
forma rápidos
estacionamentos durante a
manobra, além de um
dinamismo e
conforto
comparáveis no desempenho de suas atividades,
poupando desta forma a sua capacidade física.
B. TÉCNICAS DE DESCIDA POR CORDAS - RAPEL
a) Vão livre ou Negativo – Esta técnica é
desenvolvida quando não há locais para o
apoio dos pés, tais como em pontes, viadutos e
vãos abertos de prédios e edifícios ou nesta
torre de subestação elétrica, a qual encontro-me
mostrando a técnica para vocês, conforme a
fotografia abaixo.
b) Ponta cabeça – Esta técnica deve ser desenvolvida quando
necessitamos realizar um trabalho em locais de eminente perigo;
para realizarmos amarrações em vítima no local de difícil acesso;
para passarmos por pequenas estruturas; para observarmos algo
em um ambiente ou até mesmo para treinarmos nossa agilidade.
Observe a seqüência da técnica conforme as fotos: 1. Devemos
frear o nosso sistema; 2. Devemos fazer a jogada das mãos, a mão
do equilíbrio (de cima) deve pegar o cabo abaixo do freio de
segurança e acima da mão de baixo, passando-a entre o sistema e o
nosso tronco (esta mão vai continuar pegando o sistema); 3.
Devemos fazer a inversão da mão de baixo, apontando o dedo
polegar para o chão; 4. Devemos soltar a mão de cima,
deixando-a livre ao lado do corpo; 5.
Devemos fazer a
negativa e cruzar as
pernas no cabo
principal. Com
certeza, veremos tudo
de cabeça para baixo
mas isto não é o fim
do mundo, nós é que
estamos de cabeça para
baixo.
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c) Paredão ou Positivo – Técnica mais comum e
cômoda, muito operacional e dinâmica,
permitindo descidas rápidas e chegadas de
precisão. Para o sucesso de nossa operação
devemos sempre buscar esta técnica devido à
estabilidade e o equilíbrio que a mesma
oferece.
d) Homem-Aranha – Dificilmente utilizada no
âmbito da Corporação, assim como a técnica de
ponta cabeça, elas estão inseridas nesta
apostila apenas para conhecimento,
treinamento e desenvoltura, visando uma melhor
adaptação ao novo ambiente e uma boa adequação
aos equipamentos utilizados. Sua equipagem é
semelhante à técnica do paredão porém feita
nas costas.
e) Descida de emergência ou UIAA - Pode
haver situações em que precisaremos descer
rapidamente de um lugar elevado e termos um
mínimo em equipamentos para isso, e ai? O
que deveremos fazer? Calma! Não se
desespere! Somos Bombeiros e devemos está
preparados para as adversidades de nossas
ações.
Uma descida de emergência deve ser desenvolvida na base do
improviso ou não, porém dever ser realizada no menor
tempo possível. Para saírem de situações como esta e não ficarem
a esmo, vendo simplesmente o vazio a sua frente, os Bombeiros em
ocorrências de salvamento em alturas devem está com, no mínimo, o
seu cabo da vida e uma trava de segurança extra, para poderem
fazer pelo menos um mínimo em benefício próprio ou de outrem.
f) Travamento do sistema de descida com o freio
oito– Quando estivermos realizando uma descida, sem
um descensor automático, e precisarmos travar o
sistema o que faremos? Basta realizarmos as
seguintes medidas: 1. Freie a sua descida; 2. Passe
a extremidade viva inferior do cabo principal por
cima do olhal maior do freio de segurança, por duas
vezes, dando um impulso no ar para facilitar a
introdução do cabo. Pronto! Estás travado agora.
Isto é um recurso difundido entre bombeiros e
profissionais de resgate em alturas, que substitui
o stop, os autoblocantes, o
crow, o nó prússico e muitos outros equipamentos. O sucesso da
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prática nas técnicas verticais não está relacionado aos diversos
equipamentos e sim aos conhecimentos que o praticante possui.
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10. SALVAMENTO EM ALTURAS
São todas as técnicas e atividades desenvolvidas que visam a
busca, o resgate e o salvamento de pessoas ou animais, com o
uso de equipamentos específicos, em locais elevados, as quais
podem ser feitas através de transposições verticais (rapel ou
lepar), horizontais ou inclinadas. Onde para realizarmos o
resgate de vítimas nos depararemos com apenas duas situações:
VITIMA CONSCIENTE
Caso menos complexo, devemos optar pelo método de resgate ideal
as circunstâncias em que a situação se apresenta. Vejamos algumas
técnicas de acordo com os planos abaixo:
1. Plano horizontal – Neste plano o resgate é muito seguro mas
não podemos contar com o atrito nem com a força da gravidade para
nos auxiliar, impondo-nos a desenvolver muita força física,
tornando esta abordagem não muito
aconselhável. Veja na figura ao
lado a técnica de resgate
chamada puxada.
2. Plano inclinado – Neste plano o
resgate também é seguro, poderemos
contar com o atrito e com a força da
gravidade para nos auxiliar,
poupando-nos força física,
tornando
esta abordagem a mais aconselhável no caso de haver um grande
número de vítima a ser resgatada, devido a sua rapidez nas
descidas. Veja na figura acima a técnica de resgate
chamada Resgate Guiado.
3. Plano vertical – Neste plano há diversas técnicas de resgate,
devendo ser aconselhável quando há apenas uma vítima a
ser resgatada, ideal para o resgate de suicidas. Vejamos algumas
técnicas:
a) Resgate com escada simples – Claro é
que havendo uma escada comum ao nosso alcance,
não devemos perder tempo montando um circuito,
basta sabermos fazer uso dela.
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b) Resgate controlado – Nesta técnica
a vítima desce sozinha pelo cabo,
sendo o controle da descida realizado
pelo socorrista que encontra-se em
cima. Devemos dá prioridade para as
técnicas em que o socorrista acompanha
a vítima, isto a tranqüilizará muito
mais.
c) Resgate Socorrista-Vítima – Podendo ser
desenvolvida com auxilio do cordim ou com as
travas de segurança, na qual o socorrista desce
acompanhando, tranqüilizando e conversando com a
vítima, oferecendo-lhe confiança e apreço.
d) Resgate de vai e vem – Técnica excelente
para o resgate de um grande número de
vítimas no plano vertical, na qual
estabelecemos um cabo principal com, no
mínimo, o dobro da altura em que iremos
trabalhar, confeccionando um nó de azelha
simples em oito em cada uma de suas
extremidades. Devemos usar o freio de segurança como ponto de
atrito nesta técnica. Observe a figura ao lado.
VITIMA INCONSCIENTE
Caso mais complexo, devemos optar pelo método de resgate mais
conveniente ao trauma apresentado inicialmente pela vítima no afã
de evitar o seu agravamento durante o salvamento, após a
prestação dos atendimentos emergenciais e o restabelecimento da
vítima. O resgate pode ser efetuado com ou sem macas, veremos as
duas situações, o ideal é que a maca seja própria para esse fim,
sendo tipo envelope e/ou cesto, caso contrário teremos que
improvisar em macas comuns a amarração em “X” na vítima, a fim
de que a mesma não se desprenda dos tirantes da da mesma e venha
a cair.
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1. Plano horizontal – As características deste plano para as
vítimas inconscientes são as mesmas das vítimas
conscientes, variando apenas as técnicas de abordagem.
a) Resgate vítima sem maca – Devemos desenvolver
esta técnica quando conhecemos a história da
inconsciência da vítima.
b) Resgate vítima com maca - Devemos
desenvolver esta técnica quando não
conhecemos a história da inconsciência da
vítima.
2. Plano inclinado – Tanto quanto no plano horizontal, as
características deste plano para as vítimas inconscientes são as
mesmas das vítimas conscientes, variando apenas as técnicas de
abordagem.
a) Resgate de vítima sem maca –
Devemos desenvolver esta técnica
quando conhecemos a história da
inconsciência da vítima.
b) Resgate vítima com maca - Devemos
desenvolver esta técnica quando não
conhecemos a história da inconsciência da
vítima, esta técnica chama-se resgate
guiado.
3. Plano Vertical - As características deste plano para as
vítimas inconscientes, tanto quanto os anteriores, são as mesmas
das vítimas conscientes, variando apenas as técnicas de
abordagem.
a) Resgate vítima sem maca – Poderemos desenvolver esta técnica
utilizando dois recursos:
a.1) Com escada simples – Mesma situação
porém com a vitima inconsciente.
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a.2) Resgate controlado - Mesma
situação porém com a vitima inconsciente,
variando também a amarração da vítima.
a.3) Socorrista-Vítima - Mesma situação porém
com a vitima inconsciente, só devemos desenvolver
esta técnica nas situações em que esteja
descartada a possibilidade de lesão na região
cervical.
b) Vítima com maca - Devemos desenvolver esta técnica quando
não conhecemos a história da inconsciência da vítima.
b.1) Com escada simples – Mesma situação
porém com a vitima inconsciente.
b.2) Resgate Controlado - Mesma situação
porém com a vitima inconsciente.
b.3) Socorrista-vítima - Mesma situação porém com
a vitima inconsciente.
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CONCLUSÃO
Na introdução inserimos assuntos importantes e
fundamentais à existência da referida disciplina, passamos por
diversas situações práticas, sempre com o objetivo principal de
aproximá- los cada vez mais de uma situação real, inusitada e até
mesmo complexa, com o compromisso provincuo de construir o nosso
conhecimento dentro de nosso planejamento pedagógico proposto,
visando atender as carências da nossa Corporação nessa área.
Esperamos que os senhores (as), estejam capacitados a
montar e explorar um circuito nos planos: vertical, horizontal e
inclinado com segurança, bem como realizar o comando de homens na
execução dessas tarefas com total segurança.
Tenham a certeza que os conhecimentos adquiridos não
esgotam o assunto e que não são super-homens nem mulheres
maravilha e sim profissionais que possuem um conhecimento técnico
especifico e sabem agir dentro dos limites estabelecidos pela
segurança.
Parabenizo todos os alunos do CFS BM/2011, por haverem
chegado até aqui, bem como pelo brilhantismo, a energia e a
vibração que deram às nossas instruções, as quais foram e sempre
serão planejadas para vocês que são o centro da explanação de
nossas instruções, BUSQUEM SEMPRE ALGO MAIS.
Salvar,
O Instrutor
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Manual de Salvamento Básico/CBMSP – Parte I;
2. Manual de Salvamento em Alturas/CBMES;
3. Manual Profissional dos Entrelaçamentos – 1º Sgt
CBMDF Francisco Bento de Araújo;
4. Apostila Básica de Rapel e Resgate em Alturas – CIEC/PE;
5. Manual Técnico Profissional de Salvamento/CBMDF – Vol. II;
6. Catálogo Técnico Profissional da Petzl;
7. Apostila do Curso de Técnicas Verticais – Grupo Selva;
8. Folha de São Paulo, 08 e 22JUL2002;
9. Revista Terra – Ed. 57;
10. High Angle rescue techniques – Tom Vines e Steve
Hudson/Secund Edition
Equipe de Instrução: 1º Ten QOA/BM 950210-6, Rogério França
Costa/CInt; 2º Ten QOA/BM 930, Wayne /SDS;
1º Sgt QBMG-1/950, Robson Alves/CInt;
1º Sgt QBMG-1/930, Cícero Arnaldo de Souza Júnior/2º GI.
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