MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS – machado de assis
Gênero: romance realista, com capítulos curtos
Narrador: Brás Cubas em primeira pessoa já morto, que vai ser sincero já que ao estar
morto, não vai sofrer nenhuma consequência.
O livro começa com o Brás Cubas já morto, que faz uma dedicatória aos primeiros
vermes que comeram sua carne fria. Ele é um “defunto-autor”. A história não é contada
em ordem cronológico. O livro começa com o velório dele, no qual participaram só 11
pessoas, demostrando que não era uma pessoa muito querida.
Ele foi um menino muito mimado e filho de um rico comerciante do Rio de Janeiro. Ele
tinha uma irmã, a Sabina, mas os pais tinham todas as aspirações nele e durante a
vida toda tentou atingir objetivos bem altos. De pequeno era muito travesso e teve
muitos comportamentos até violentos de fato era chamado "menino diabo". Quando
tinha 6 anos, quebrou a cabeça de uma escrava, porque ela lhe negou “uma colher
do doce de coco que estava fazendo”. Brás Cubas conta que Prudêncio, “um
moleque de casa”, ou seja, uma criança escrava, era o seu cavalo todos os dias.
De jovem conhece a marcela, uma prostituta, que percebendo que tinha dinheiro,
começou a lhe pedir presentes. Quando o padre descobriu isso, seu pai o mandou a
estudar direito a Coimbra (Portugal). Não é um aluno brilhante, mas volta depois de
terminar a faculdade porque a mãe dele adoece e logo que ele chega, a ame dele morre,
causando uma grande dor no jovem. Ele se refugia na chacra da família e depois de u
tempo aí, o pai dele lhe diz que achou a Virgília, uma menina para arranjar um
matrimonio. A Virgília é filha de um político e se os dois se casassem, o pai dela o faria
deputado logo.
Ainda na chacra, ele se encontra com Dona Eusébia, uma amiga da mãe falecida, cuja
filha se chama Eugenia. Aí começa a frequentar a casa dela e a se interessar por ela.
Ela sempre estava sempre bordando ou esperando ele e demora a perceber que a
jovem e manca. Uma mulher maca para um menino que sempre foi muito mimado e
tinha ambições gloriosas, ela ia ser só um problema. Por isso a deixa e vai ao Rio de
Janeiro para se encontra com a Virgília.
Os dois começam a noivar, mas ela se apaixona pelo Lobo Neves (um político), e
decide deixar o Bras. O pai do Brás fica tão decepcionado com isso que até acaba
morrendo. Sucessivamente, a Virgília tem um filho com o Lobo e ele começa a
frequentá-la a escondidas, se tornando amantes.
Ele tenta convencer a amante para que largue o marido, mas ela não quer e é a Dona
Plácida (empregada da casa do casal), que corrompida por cinco reais, começa a
proteger os dois amantes. Nesse momento quase todos sabem da relação
extraconjugal, e o marido recebe uma carta anônima dizendo isso. Além disso, depois
de pouco tempo o Lobo Neves tem que se mudar por trabalho e o casal vai embora,
fazendo que acabe assim a relação dos amantes.
Um dia, no centro do Rio de Janeiro, Brás encontra o Quincas Borba, um colega da
infância que também pertencia a classe alta, mas que com o tempo tinha virado
mendigo. Num abraço o Quincas Borba rouba um relógio de pulso ao protagonista e só
meses depois lhe manda uma carta pedindo desculpa e devolvendo o relógio (não o
mesmo, mas um parecido). Aí eles voltam a ter relação e o mendigo começa a
frequentar a casa, conhecendo o humanitismo, uma corrente filosófica criada pelo
Quincas.
Uma vez “esquecida” a Virgília, a Sabina, irmã do Brás, arruma uma noiva para o irmão,
a Nhã-loló (Eulália) e mesmo não gostando muito dela decidem se casar. Porém antes
do casamento, ela pega a febre amarela e morre.
Nesse momento ele consegue virar deputado, mas um pouco medíocre e perde o
mandato. Sai cria um jornal de oposição que também não tem muito sucesso e não dá
certo. E quando esta para morrer cria um emplastro, uma ironia, um remédio para curar
a hipocondria (o que não faz sentido porque a hipocondria é a mania de tomar remédio,
então não faz sentido).
Ele fez isso para tentar obter a tão desejada gloria, dado que nem no jornalismo, nem
na política tinha tido sucesso. Antes de obter o sucesso, ele pega uma pneumonia e
morre com 64 anos.
O livro termina com o protagonista fazendo um balanço da sua vida. Ele nunca teve
que trabalhar e não acabou na miséria e mesmo não tendo conquista nada, acha que
teve um saldo positivo, já que pelo menos não teve filhos nem deixou a nenhuma
criatura o legado da nossa miséria (fazendo referencia a miséria de todos os que vivem
uma vida normal e sem nenhum sucesso especial).
ANÁLISE
A obra configura-se em crítica à elite burguesa carioca do século XIX. Brás Cubas
é o seu representante — dono de escravos, fútil, superficial, preocupado com
aparências. Ele segue a trajetória de um burguês da época: tem uma amante com
quem gasta dinheiro, estuda na Europa, consegue um diploma, tenta a carreira
política e, para isso, precisa de um casamento. Além disso, valoriza as aparências,
o título, a origem social, sem contribuir, de fato, para o crescimento do país.
O HUMANITISMO
Humanitismo é uma filosofia paródica criada por Quincas Borbas que se apresenta
como uma crítica às teorias científicas e filosóficas da época, como o Positivismo e o
Darwinismo.
Dentro dessa visão, estabelece-se uma hierarquia baseada na parte do corpo de
Humanitas da qual se descende. Aqueles que vêm do peito ou dos rins (os "fortes")
são superiores aos que vêm do cabelo ou da ponta do nariz. Isso justifica a
necessidade de cultivar e fortalecer os músculos, com Hércules sendo um símbolo
antecipado do Humanitismo.
O homem não é apenas um veículo de Humanitas, mas é Humanitas em si. Por isso,
o Humanitismo propõe a adoração de si próprio.
A frase que resume a filosofia de Quincas Borba é "Ao vencedor, as batatas". Ela
expressa a ideia de que o triunfo justifica qualquer meio, e que o mais forte tem o
direito de desfrutar dos benefícios da vida. O lema é uma paródia do darwinismo
social e da luta pela sobrevivência.
A Ruptura com as Convenções Literárias:
• A novela começa com uma quebra radical: o protagonista, Brás Cubas, é um
"autor defunto" que narra sua vida a partir do além. Essa premissa rompe com a
tradição da biografia e da novela realista.
• A decisão de começar pela morte, em vez do nascimento, é uma declaração
de originalidade e uma subversão das estruturas narrativas convencionais (até
se compara a Moisés, que também relatou sua morte).
• A estrutura da novela é fragmentada, com capítulos curtos, digressões e
saltos temporais. Essa forma reflete a natureza descontínua da memória e a
falta de um propósito claro na vida do protagonista.
O Tom Irônico e a Crítica Social:
• A narração está impregnada de ironia e pessimismo. Brás Cubas usa a
ironia para questionar as convenções sociais, as ambições humanas e a
hipocrisia da sociedade burguesa.
• O protagonista é moralmente ambíguo: um filho mimado, um jovem volúvel,
um amante adúltero e um homem ambicioso. A novela não idealiza os
personagens, mas os apresenta com seus defeitos e contradições.
• Através da história de Brás, Machado de Assis critica a sociedade brasileira
do século XIX, especialmente a elite e seus valores superficiais. A obra expõe
o machismo, o classismo e a escravidão da época, além da falta de ideais e
do vazio existencial da sociedade.
A Metalinguagem e a Reflexão sobre a Literatura:
• Brás Cubas reflete constantemente sobre o ato de escrever e sobre sua
própria obra. A novela torna-se um exercício metalinguístico, onde o autor
comenta sobre si mesmo, seu processo criativo e sua relação com o leitor.
• O protagonista se dirige diretamente ao leitor, criando um diálogo que o
envolve na narrativa. Esse recurso rompe a ilusão de realidade e evidencia o
caráter artificial da literatura.
• A novela incorpora elementos de outros gêneros textuais, como bilhetes,
epitáfios e aforismos.
O Pessimismo e a Crítica ao Positivismo:
• A novela apresenta uma visão pessimista da condição humana. A vida de
Brás Cubas é marcada por fracassos, insatisfações e a ausência de um
sentido transcendental.
• O "emplasto" para aliviar a melancolia humana é uma metáfora do fracasso
e da futilidade das ambições humanas. A ideia fixa de Brás de criar um invento
para alcançar a imortalidade satiriza as teorias positivistas da época.
• A relação entre razão e loucura é explorada por meio de personagens como
Quincas Borba e dos delírios do próprio Brás, questionando a fé na ciência e
na razão.
O Realismo e a Profundidade Psicológica:
• Embora a novela rompa com muitas convenções realistas, também
compartilha algumas de suas características, como a descrição detalhada da
realidade, a crítica social e a exploração da psicologia dos personagens.
• O autor utiliza a lentidão narrativa para descrever o ambiente, o clima, a
posição e os pensamentos dos personagens. A obra aprofunda-se na
complexidade psicológica através de monólogos interiores e digressões.
QUINCAS BORBA - Machado de Assis
Gênero: romance realista
Narrador: irônico, conversa com o leitor e tem conversas também com o livro
“Memórias Póstumas”.
Quincas Borba já aparece em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de fato os dois
eram amigos do colégio e se reencontram na rua casualmente. Quincas Borba era um
morador de rua e filosofo, criador da filosofia do Humanitismo, cujo princípio é
Humanitas. Ao final de “memórias póstumas” ele consegue sair da pobreza ao receber
a herança de um tio de Barbacena (Minas Gerais).
Em “Quincas Borba” já está bem economicamente, mas está doente e morre logo no
início, deixando tudo para seu amigo Rubião, um modesto professor que também
viviam em Barbacena. Para ele receber a herança, Quincas Borba lhe pediu que
cuidasse do cachorro dele, também chamado Quincas Borba (o dono e o cachorro
tinham o mesmo nome).
No começo do livro, o Rubião está em casa pensando na vida, no bairro luxuoso de
Botafogo. Aí o autor diz que vai contar a história cronologicamente, por isso, volta a
quando o Quincas Borba ainda estava vivo e o Rubião estava a cabeceira da cama
cuidando dele.
Quando era jovem, o Quincas Borba havia se apaixonado por Maria da Piedade, que
tinha morrido e era irmã do Rubião. É daí que os dois amigos se conhecem. Quando o
Quincas Borba fica doente, ninguém a vê sua morte como algo triste, dado que na
filosofia dele (o humanismo), a morte de um era necessária para a sobrevivência dos
outros. Ele dai o exemplo de duas tribos e um campo de batatas que não são
necessárias para alimentar as duas tribos que estão separadas por montanhas do
campo com os legumes. Se elas dividissem a comida por igual, essa não seria
suficiente para as duas, por isso tem que guerrear entre si. Só a ganhadora ficaria com
as batatas e continuaria vivendo, daqui nasce a frase “ao vencedor, as batatas”, que
resume o pensamento do Quincas Borba.
Depois da morte do Quincas Borba, o Rubião vai ao rio de janeiro, nesse então. Capital
do brasil. Ai, ele conta num trem para um casal formado por Cristiano Palha e Sofia,
que havia recebido uma grande herança. O marido aproveitador se interessa pela
riqueza do Rubião e o convida para que fosse viver com ele. O Rubião era muito ingênuo
e todo o mundo começa a se aproveitar um pouco dele, de fato sempre tem muita
gente para comer em casa, todos lhe pedem dinheiro e lhe propõem negócios.
O Rubião finalmente aceita ser socio do Palha, que inicialmente pede dinheiro
emprestado porque tinha muitas dívidas e sucessivamente o Palha se torna numa
espécie de contador do Rubião, administrando o dinheiro dele e usando-o para seus
benefícios pessoais.
O Rubião nem desconfia e aceita que seu novo amigo administre o seu dinheiro, dado
que estava muito apaixonado pela Sofia e isso lhe permitia estar mais perto dela. Uma
noite, depois de um jantar, os dois ficam a sós no jardim e começa a flertar com ela.
Ela conta tudo para o marido e em vez de ficar bravo, ele lhe pede que aceite o flirt dado
que deve muito dinheiro ao Rubião.
A Sofia é uma personagem estranha com uma alma confusa, muito bonita, mas
também fútil e pouco inteligente, só gostava de ser a mais linda e a mais cortejada. De
fato, além do Rubião, também aceita a corte de Carlos Maria, um menino muito lindo,
que acabou se casando com a órfã Maria Benedita, a sobrinha da Sofia.
Nesse contexto, o Rubião tinha começado a perder seu dinheiro e por outro lado o
Palha tinha começado a se enriquecer e começa a rejeitar um pouco seu socio. A partir
desse momento, o Rubião entra numa degradação, vai perdendo dinheiro, começa a
ser rejeitado pela Sofia (o marido dela já tem dinheiro) e começa a ter ataques de
loucura. De fato, os momentos de sobriedade se alternam a momentos de delírio onde
se acha Napoleão III e comandante de um grande exército. Nomeia Sofia sua imperatriz,
os amigos Palha, Camacho e Major Siqueira os ministros de confiança. Distribui cargos
com os bajuladores e, obviamente, perde seu patrimônio. Quando os delírios
começam a ficar mais frequentes, o Palha interna o Rubião num manicômio.
Depois de uns meses internado, o Rubião melhora e pede ao Palha um dinheiro par dar
de lembrança aos enfermeiros que tinham cuidado dele. Porém, uma vez obtido o
dinheiro, ele foge do manicômio com o cachorro Quincas Borba que tinha estado com
ele o tempo todo. O Rubião foge a Barbacena, onde começa a ter delírios novamente e
num dia de chuva forte pronuncia a frase “ao vencedor, as batatas”, que o Quincas
Borba disse para ele. Ele é acolhido para uma comadre que o reconhece e depois de
uns dias de febre forte, morre ainda achando que era um imperador. O cão Quincas
Borba, amanheceu morto três dias depois do seu dono.
ANÁLISE
Machado de Assis foi cronista por muito tempo. Nas crônicas é comum comunicar
com os leitores e ele levou essa caraterística a todas as suas obras. Aqui também, no
início aclara para o leito que o Quincas Borba é o mesmo personagem que aparece em
“Memórias póstumas” e convida o leitor a ler esse livro antes de continuar com este.
No final do livro o narrador põe a dúvida sobre a razão do título, de fato pode ser que
seja pela morte do cachorro no final, mas não temos a certeza disso. Sem dúvida,
Machado ao chamar o livro “Quincas Borba” está mostrando que a filosofia do Quincas
Borba apesar da morte dele, ainda continua.
A história do Rubião representa a história da Humanitas, figura principal e em que se
baseia a filosofia humanista do Quincas Borba. O tio do Quincas Borra morreu para
que ele pudesse herdar a riqueza dele. Depois o próprio Quincas Borba morre para que
o Rubião possa cambiar de vida e finalmente a queda do Rubião permite a ascensão
do Palha e da Sofia. (lembra a história das tribos à para que um ganhe outro tem que
perder)
O PRIMO BASÍLIO (1878) - Eça de Queiroz
“O primo Basílio” é o romance do escritor português Eça de Queiroz que narra um
triângulo amoroso entre Jorge, Luísa e Basílio, membros da burguesia do século XIX.
Jorge, engenheiro de minas, está prestes a viajar ao Alentejo, sua primeira separação
de Luísa após três anos de casamento em Lisboa. Sebastião, amigo íntimo, achava o
casamento impulsivo, mas Jorge discordava.
Naquela manhã, Luísa lê no jornal sobre o retorno de Basílio, primo com quem viveu
um romance apaixonado na juventude, que acabou forçosamente após a morte do pai
do menino e sua viagem ao Brasil. Jorge nunca soube desse passado, e Luísa
encontrou no marido segurança, mesmo sem encantamento inicial.
Após o almoço, Jorge sai, deixando Luísa com Juliana, empregada da personalidade
intrometida que não se da muito bem com a dona da casa. A Juuliana tinhha cuidado
da mãe do Jorge antes de que ela morresse e era uma senhora muito invejosa, feia e de
mau coração. Enquanto lia A Dama das Camélias, Luísa é interrompida pela chegada
inesperada de Dona Leopoldina.
D. Leopoldina, amiga de infância de Luísa, não é bem-vista por Jorge, que a considera
indecorosa e de má reputação por seus envolvimentos amorosos. Mesmo sabendo da
desaprovação do marido, Luísa a recebe relutantemente, após Juliana permitir sua
entrada, desobedecendo ordens.
Durante a conversa, Leopoldina fala de suas aventuras amorosas e do retorno de
Basílio. Ao saber que Jorge estará ausente, ela celebra a possibilidade de visitar a
amiga mais vezes.
Quando Jorge retorna, fica irritado ao saber da visita por Juliana e repreende Luísa,
preocupado com a má influência de Leopoldina e a opinião da vizinhança. Apesar das
justificativas de Luísa, Jorge permanece insatisfeito.
Segundo Capítulo
Aos domingos à noite, Jorge e Luísa recebiam sempre os mesmos amigos para um chá:
• Julião Zuzarte, cirurgião fracassado, solteiro e invejoso do casal, embora
disfarçasse;
• Dona Felicidade, senhora de cinquenta anos, apaixonada pelo Conselheiro
Acácio;
• Conselheiro Acácio, ex-diretor do Ministério e escritor, que evitava as investidas
de Dona Felicidade;
• Ernesto, primo de Jorge, funcionário da alfândega e aspirante a dramaturgo;
• Sebastião, o amigo mais íntimo de Jorge.
Durante o encontro, discutiu-se a peça de Ernesto sobre adultério, em que o marido
mata a esposa. Jorge defendeu a punição severa, surpreendendo Dona Felicidade e o
Conselheiro, enquanto Luísa respondeu apenas com um sorriso tímido.
Jorge chamou Sebastião ao escritório para pedir que cuidasse de Luísa e a orientasse
a afastar-se de Leopoldina durante sua ausência. Lamentou a falta de filhos, que,
segundo ele, trariam mais alegria e manteriam Luísa ocupada.
Antes de dormir, Luísa organizou as bagagens de Jorge e lamentou a separação. Jorge
reafirmou seu desejo de terem filhos para preencher a solidão dela.
Terceiro capítulo
Doze dias após a partida de Jorge, Luísa sentia-se solitária e planejava visitar
Leopoldina.
Antes de sair, Luísa foi surpreendida pela visita de Basílio, seu primo e antigo amor. Ele
retornava de viagens pela Europa. O encontro reacendeu memórias e emoções em
Luísa, que desistiu de visitar Leopoldina para passar mais tempo com o primo. Basílio
ficou satisfeito ao descobrir que Jorge estava fora e prometeu voltar. Ao sair, refletiu
que Luísa era agora ainda mais atraente do que antes, superando suas amantes
francesas.
Luísa, por sua vez, ficou impressionada com a maturidade de Basílio, sentindo-se
inspirada a desejar uma vida menos monótona, mas ainda alimentava saudades de
Jorge, a quem via como um marido exemplar.
Mais tarde, Juliana voltou e interrogou Joana sobre o tempo que Basílio passou na casa.
Quando a juliana fica sabendo que um homem foi visitar a patroa, ela fica bem
interessada e desinama um pouco quando descobre que é primo dela. Ma como as
visitars sao frequentes, Juliana vai ficar muutio de oho aos compòtrtamemntos dos
dois.
Resumo do Capítulo 4
No dia seguinte, Basílio visita novamente Luísa, e Juliana ouve que ambos se tratam
por "tu".
No domingo, Luísa passa o dia reclusa em seu quarto e à noite sai com D. Felicidade.
Durante o passeio, encontram Basílio, que conquista a simpatia de D. Felicidade ao
demonstrar interesse por suas doenças estomacais. Ao voltar para casa, Juliana,
desconfiada, cheira as roupas de Luísa em busca de vestígios masculinos.
Durante uma visita, Julião (amigo do Jorge) surge procurando notícias de Jorge, mas é
tratado com desdém por Basílio, que o repele rapidamente. Em seguida, o Conselheiro
Acácio chega à procura de Jorge. Apesar de discordarem sobre Lisboa, Basílio mantém
uma conversa educada e até canta enquanto Luísa toca piano.
Embora confusa, Luísa pede que ele volte no dia seguinte. Sebastião começa a ouvir
comentários dos vizinhos sobre as visitas constantes de Basílio.
Sebastião, um homem tímido e solitário, sente-se desconfortável com a situação.
Apesar de nutrir um profundo laço de amizade com Jorge, nunca esteve totalmente à
vontade com Luísa. Ele decide conversar com Julião, que reforça sua antipatia por
Basílio e recomenda que Sebastião alerte Luísa sobre a má reputação que as visitas
estão gerando.
Enquanto isso, Luísa recebe uma carta de Jorge, mas seus pensamentos estão
tomados por Basílio. Apesar de cogitar romper o contato, ela desiste. Basílio continua
suas visitas, insistindo em convidá-la para um passeio a Sintra. Quando Luísa hesita,
ele ameaça deixar Lisboa, o que a faz considerar sua proposta.
Resumo do Capítulo 5
Juliana, ao ser criticada por Luísa pelos serviços da casa, tem um ataque nervoso e
sente dores no peito. Após desabafar com Joana, pede licença para ir ao médico. Na
rua, os vizinhos questionam as visitas recebidas por sua patroa, mas Juliana se
mantém reservada.
Enquanto isso, Basílio convence Luísa a passear com ele em um coupé (carruagem
fechada). Durante o passeio, ele rouba alguns beijos, mas ela o interrompe, pedindo
para voltar para casa. Tentando agradá-la, Basílio promete comprar uma casinha para
que possam se encontrar e até sugere fugirem juntos da cidade. Após deixá-la em casa,
Basílio vai ao Grêmio, onde se encontra com amigos que insinuam sobre sua relação
com a prima.
Luísa, por sua vez, passa a tarde esperando Basílio e se atormenta com sua ausência.
Quem aparece é Sebastião, que, preocupado, alerta sobre o falatório da vizinhança.
Indignada, Luísa defende Basílio, argumentando que ele é apenas seu primo de
infância, mas agradece o conselho.
À noite, Leopoldina chega para o jantar e as duas amigas conversam sobre suas vidas
passadas, relacionamentos e imoralidades.
Quando a campainha toca, Joana avisa que é Basílio. Ele mente dizendo que está de
partida e usa isso como pretexto para justificar a visita tardia. Percebendo o desespero
de Luísa, Basílio a enche de declarações de amor e beijos. Envolvida por um torpor
emocional, Luísa cede aos avanços do primo, entregando-se a ele.
Após sua saída, Juliana interroga Joana sobre o tempo que Basílio esteve lá e encontra
um prendedor de cabelo no chão, aumentando suas suspeitas. Enquanto isso, Basílio
volta ao Grêmio, vangloriando-se para seus amigos sobre sua conquista.
A Luísa decide responder para o Basilio com uma carta e vai escrevê-la ao escritório
do Jorge. Enquanto isso ouve um barulho e achado que seja seu marido, joga a carta
no lixo. Ao voltar ao escritório para pegar a carta, essa já nao estava e a empregada
Juliana diz que já tinha despachado o lixo. Na verdade, a tinha pegado ela.
O Basilio já achou um lugar para os dois puderem se ver fora da casa dela, o chamado
“paraíso”, um prédio velho, com paredes riscadas e cortinas amareladas. A Luísa se
esperava um lugar mais chic e lindo, mas apesar de não ser um lugar muito agradável
os dois todos os dias começam a se ver lá.
A Dona Felicidade fica doente e a partir desse momento, a Luisa começa a ver um
pouco menos o Basilio. No entanto, com o passar do tempo, Luísa começa a sentir
que a paixão de Basílio começa a diminuir. Mesmo assim, tenta convencer seu
primo a ficar com ela.
Um dia indo para o paraíso, se encontra com o Conselheiro Acacio, que lhe faz
perder bastante tempo e chagar tarde ao encontro. Ai, ela foi procurá-lo pela cidade
toda mas não o acha.
Já preocupada, volta para casa e acha a Juliana com as cartas entre os amantes
achadas no lixo e a Luísa desmaia. No encontro seguinte a Luísa pede para o Basílio
para fugirem juntos, mas ele se recusa.
Antes de que a situação piore, o Basilio decide ir embora sozinho e a Luísa resolve
lhe dar uns presentes e começar a fazer as tarefas domesticas.
Com o tempo, Jorge acaba por notar uma diferença no trabalho realizado por
Juliana e resolve mandar a criada embora. Sentindo-se coagida, Luísa resolve
contar a Sebastião a história do adultério e das chantagens que estavam sendo
realizadas por Juliana. Mesmo chocado com a história, ele resolve ajudá-la.
Mas Juliana continua a chantagear Luísa com seu segredo. Para ajudá-la,
enquanto o casal está no teatro, ele liga a polícia e a manda a casa da Juliana,
dizendo que tinha roubado muitos objetos do casal (na verdade eram as coisas
que lhe tinha dado a Luísa para comprar seu silencio). A Juliana teve um ataque
cardíaco e morreu.
Por fim, Luísa está muito estressada e num dia chega uma carta do Basilio,
falando que tinha muitas saudades dela e que a ajudaria se precisar de qualquer
coisa. Jorge encontra a carta que revela os momentos entre os amantes. Ao
mostrar para a esposa, ela que ainda estava adoecida, morre dias depois.
Ao Basilio voltar a Lisboa, procura a Luísa e encontra a casa fechada. Uma vizinha lhe diz
que morreu e ele pouco liga, lamentando não ter trazido a Portugal sua amante francesa.
Análise da obra
Este "episódio doméstico", conforme o classificou Eça de Queirós, pretende mostrar
de maneira exemplar, a tese da corrupção da família, vista como uma instituição
burguesa, que tem seus valores fundamentais atacados pelos escritores realistas.
Luísa, a protagonista, não demonstra consistência em suas atitudes. Ela trai o marido mais
por medo e fraqueza do que por amor. Parece ser levada pelas circunstâncias, como se não
tivesse controle sobre suas próprias ações. Luísa, Basílio e Jorge são os personagens
principais da história e representam o questionamento do casamento, que ocorre através do
adultério.
Luísa é apresentada como uma mulher frágil, incapaz de pensar ou agir com firmeza. Sua
falta de atitude é explicada pelo estilo de vida ocioso que leva e pelo romantismo
exagerado, alimentado por leituras de livros como A Dama das Camélias. De um lado,
vemos uma crítica à sentimentalidade romântica; de outro, o retrato de uma personagem
psicologicamente vazia, que parece viver de forma inconsciente e passiva.
Basílio, por sua vez, é mais um estereótipo do que uma pessoa real. Ele é irresponsável,
cínico, vaidoso e usa as mulheres sem se importar com elas. Seu objetivo não é amor
verdadeiro, mas apenas aventuras passageiras. Ele é descrito como um almofadinha sem
paixão, que vê tudo e todos como inferiores.
Já Jorge é um homem calmo e simples, dividido entre seu papel de marido e engenheiro e
seus sentimentos internos. Apesar de inicialmente condenar o adultério com veemência e se
irritar com a vida desregrada de Leopoldina, ele acaba perdoando Luísa quando percebe
que ela está muito doente. Sua mudança de atitude é motivada pelo desespero de não querer
perdê-la.
Além dos protagonistas, O Primo Basílio apresenta vários personagens secundários que
representam diferentes tipos da sociedade lisboeta da época. O Conselheiro Acácio é um
exemplo de formalismo vazio e convencionalismo, tendo alcançado títulos importantes por
escrever obras inúteis e superficiais. Dona Felicidade é retratada como uma mulher
religiosa e ingênua, com um temperamento irritadiço. Sebastião, por outro lado, é forte e
resignado, quase como um mártir.
A obra também reflete traços naturalistas ao incluir personagens de classes mais baixas. Há
Paula, o patriota, que despreza padres e mulheres; uma carvoeira, descrita como suja e
deformada pela obesidade; e as estanqueiras, mulheres viúvas e amargas da vizinhança de
Luísa e Basílio. Entre essas figuras, destaca-se a Tia Vitória, uma antiga alcoviteira que
ajuda empregados com dinheiro, conselhos e intrigas, enquanto também vende roupas de
segunda mão e escreve cartas de amor para quem não sabe escrever.
No entanto, a personagem secundária mais marcante é Juliana, que embora seja apenas
uma empregada doméstica, seu papel é tão relevante que quase se torna protagonista.
Juliana é amarga e cheia de ódio pelas patroas, pois acredita que nasceu para ser servida,
não para servir. Ela vive frustrada, descontando sua infelicidade em pequenos atos de
maldade e pragas contra as pessoas ao seu redor.
O CRIME DO PADRE AMARO (1875) – Eca de Queiroz
Critica a igreja católica e a hipocrisia do clero
O Amaro tinha ficado órfão de criança e era um protegido da Marquesa de
Alegros e dado que ela sempre tinha querido tem um filho pároco, mande ele
para o seminário. Ainda de criança, ele ficava sozinho muitas vezes e brincava
com as empregadas indo debaixo das saias delas e vendo-as seminuas. (a
educao dele, já nos da uma ideia do futuro sem muita moral do padre).
A obra tem como espaço a cidade de Leiria, em Portugal. José Miguéis, o pároco
da cidade faleceu e chegou um novo pároco, Amaro Vieira, um homem jovem,
atraente e ambicioso.
O Conego Dias mestre do seminário e professor de moral e hética, acha que seria
bom que ele se hospedasse na casa da Dona Joaneira amante do Conego e mãe
da Amelia, uma menina de uns 23 anos e muito linda e religiosa. Quando Amaro
e Amelia se conhecem depois de um jantar, se gostam imediatamente, mesmo
que ela já estivesse meio comprometida com o Joao Eduardo, um menino ateu
e meio feio.
Um dia, Amaro ouve um barulho do quarto da Dona Joaneira e a pega no flagara
com o Conego. Nesse momento ele começa a pensar mais concretamente em
ter encontros com a Amelia.
O noivo jornalista para se vingar escreve um artigo no jornal chamado “Os
modernos fariseus”, desmascarando toda a hipocrisia do Conego e do Amaro e
a quebra do celibato deles. O artigo é um sucesso e todo o mundo, que já
suspeitava dos amantes, agora tem a certeza.
Os padres ficam bravos e quando descobrem que foi o noivo da Amelia acabam
com a reputação dele, que perde o emprego e decide ir para o Brasil.
Um dia a menina engravida e o padre Amaro não quer que reate o noivado com
o Joao Eduardo para que a reputação do padre não fique arruinada. A Amelia
escreve uma carta ao noivo, mesmo não sabendo onde ele estivesse. Mas o
Conego tem uma ideia brilhante, a Amelia teria de ir a uma cidade longe de Leira
onde mora uma irmã moribunda do Conego e ficar lá cuidando dela até a criança
nascer para depois dá-la em adoção.
Logo abaixo do quarto onde o padre se encontrava com a Amelia, morava uma
menina paralitica, a única testemunha dos encontros deles. Um dia ela morre e
os dois até ficam contentes ao saber que já ninguém tem a certeza do seu
romance.
Depois de uns meses sem se ver, Amaro vai visitar Amelia gravida em casa da
irmã do Conego e depois de uma gestação longa e difícil ela está desesperada.
Ela acha que não vai conseguir cuidar da criança quando nascer e em vez de
tentar achar uma solução, Amaro procura uma “tecedeira de anjos”, uma mulher
que faz abortos ou que mata bebês recém-nascidos.
Amelia na hora do parto morre, e Amaro leva o filho para a casa da tecedeira de
anjos. A noite ele “se arrepende” e tenta voltar para resgatar o filho, mas já era
tarde. O filho tinha falecido de hipotermia.
Depois de um tempo, Amaro e o Conego estão conversando perto da estatua de
Camões e falam sobre a “comuna de paris” e sobre a decrepitude e atraso da
cidade. Só tem prostitutas, gente pedindo dinheiro e miséria e mesmo assim
Amaro diz “quanta civilidade e desenvolvimento nesta cidade, olha como
prospera”. E só prosperava para essas pessoas que não seguiam a palavra de
Deus.
No final, Amaro sai impune e é como se nada tivesse acontecido.
O único alívio no livro é o Doutor Godinho, um advogado que ajuda o João
Eduardo para recuperar sua reputação depois do escândalo. Os dois ateus,
lamentam a falta de leis que protejam os cidadãos de “”crimes”” como o que ele
sofreu (mancharam a imagem dele como jornalista). Aí refletem sobre a igreja,
de fato dizem que mesmo que uma pessoa seja boa, trabalhadora, casta e
verdadeira, para os padres e para a igreja não conta, se essas virtudes não
fossem acompanhadas pela religião e a fé. A moral católica é diferente da moral
natural.
A culpa do amaro também se nota nos sonhos e pesadelos que tem, mas mesmo
assim nunca chega a se arrepender mesmo nem a admitir sua culpa abertamente.