0% acharam este documento útil (0 voto)
22 visualizações6 páginas

Audiência de Flagrante: Andrei Soares

O inquérito policial nº 5020529-19.2025.8.21.0001/RS envolve Andrei Gabriel de Abreu Soares, indiciado por tráfico de drogas, e relata agressões sofridas durante a prisão. A juíza homologou o auto de prisão em flagrante, mas concedeu liberdade provisória com medidas cautelares, considerando a ausência de indícios que justificassem a prisão preventiva. O documento também registra a necessidade de apuração das irregularidades relatadas pelo detido durante a prisão.

Enviado por

Gustavo Machado
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
22 visualizações6 páginas

Audiência de Flagrante: Andrei Soares

O inquérito policial nº 5020529-19.2025.8.21.0001/RS envolve Andrei Gabriel de Abreu Soares, indiciado por tráfico de drogas, e relata agressões sofridas durante a prisão. A juíza homologou o auto de prisão em flagrante, mas concedeu liberdade provisória com medidas cautelares, considerando a ausência de indícios que justificassem a prisão preventiva. O documento também registra a necessidade de apuração das irregularidades relatadas pelo detido durante a prisão.

Enviado por

Gustavo Machado
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Poder Judiciário

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul


Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional de Porto Alegre
Rua Doutor Salvador França, 296 - Bairro: Jardim Botânico - CEP: 90690000 - Email: frpoacentnugesp@tjrs.jus.br

INQUÉRITO POLICIAL Nº 5020529-19.2025.8.21.0001/RS


AUTOR: POLICIA CIVIL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
INDICIADO: ANDREI GABRIEL DE ABREU SOARES

Local: Porto Alegre Data: 24/01/2025

TERMO DE AUDIÊNCIA

Juíza de Direito: Dra. MICHELE SCHERER BECKER

Ministério Público: Dra. MARIA ALICE CONCEIÇÃO SANCHOTENE

Defensoria Pública: Dr. JOSÉ PATRÍCIO DOS SANTOS TEIXEIRA

Flagrado: ANDREI GABRIEL DE ABREU SOARES

Aberta a audiência com as formalidades legais. Presentes a Defesa, o Ministério Público e o flagrado.

Ouvido, o detido relatou ter havido irregularidade nos atos referentes à realização da prisão. Foi
agredido com um cutucão na costelas e um tapa no rosto por um policial militar. As agressões foram no local da
prisão, dentro de uma casa, sem presença de testemunhas. O PM que o agrediu era da ROCAM e foi um dos que o
levou até a delegacia. Não ficou machucado, Fez exame de lesões. Não sabe o nome do policial, mas tem
condições de reconhecê-lo.

As partes se manifestaram acerca da homologação do flagrante e da prisão, consoante áudio em


vídeo.

O Ministério Público pugnou pela conversão da prisão em flagrante em preventiva. A Defesa, por sua
vez, postulou a concessão da liberdade provisória com ou sem cautelares.

O ato foi registrado por meio do sistema Webex.

É o breve e sucinto relatório. Decido.

Trata-se de auto de prisão em flagrante lavrado contra ANDREI GABRIEL DE ABREU SOARES em
razão do delito previsto no art. 33 da Lei de Drogas.
(evento 1, REGOP4)

Na oportunidade, consoante se depreende do auto acostado foram apreendidos os itens abaixo:

Ademais, consta no auto de prisão em flagrante laudo de constatação de natureza da substância da


droga no evento 1, PERÍCIA8 e evento 1, PERÍCIA9, conforme segue:
Assim, denota-se o estado de flagrância, na forma do art. 302 do Código de Processo Penal. Ainda, o
auto de prisão em flagrante foi lavrado pela autoridade competente, tendo sido colhidos os depoimentos do
condutor e de testemunha(s), bem como providenciada a nota de culpa no prazo legal. Observadas, ademais, as
garantias constitucionais, vez que oportunizada a comunicação com a pessoa indicada e defensor, além do direito
de permanecer em silêncio.

Saliento que o fato de o flagrado não ter sido acompanhado por defensor durante a lavratura do auto
não acarreta prejuízo ou motivo para não homologar o auto de prisão em flagrante, uma vez que a Defensoria
Pública foi comunicada quanto à prisão, com encaminhamento integral das peças, e facultada a indicação de
defensor ao flagrado, em atendimento ao disposto no artigo 306, §1º, do CPP e a jurisprudência sedimentada do E.
STJ1.

Registro que a violência relatada pelo flagrado na presente solenidade, que é reprovável e que será
devidamente apurada, não possui o condão de nulificar a situação de flagrante que já estava consumada.

Isto posto, considerando que as formalidades legais foram atendidas, assim como respeitados os
direitos constitucionais do flagrado, na forma do art. 304 do Código de Processo Penal e art. 5°, inciso LXIII, da
Constituição Federal, HOMOLOGO o auto de prisão em flagrante .

Passo a analisar a necessidade da prisão preventiva.

Nos termos do art. 311 do CPP 2 , a prisão preventiva é cabível quando há requerimento do Ministério
Público, do Querelante, do Assistente de Acusação, ou, ainda, diante da representação da Autoridade Policial.

No caso concreto, entendo que ausentes os pressupostos ensejadores da medida extrema.

Na esteira da atual ordem constitucional, a prisão cautelar somente será permitida em casos
excepcionais, quando evidenciada a sua imperiosa necessidade. E, para se aferir a imprescindibilidade do decreto
prisional, o ordenamento jurídico exige a presença simultânea de indícios de autoria e prova da materialidade
delitiva; de um dos fundamentos elencados no artigo 312 do Código de Processo Penal; somados, ainda, a
um requisitos de admissibilidade inseridos no artigo 313 do mesmo estatuto.

Além disso, com o advento da Lei nº 13.964/2019, passou-se a exigir que a decisão que decretar a
prisão preventiva seja fundamentada em receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos
que justifiquem a aplicação da medida (artigo 312, §2º, do CPP). Deve-se também demonstrar,
fundamentadamente, a inviabilidade da aplicação de medidas cautelares diversas da prisão (artigo 282, §6º, do
CPP).

Sobre o trafico de drogas, há de se ter, minimamente, prova acerca da conduta de mercancia ilícita de
entorpecentes ou a configuração da prática de qualquer outro verbo nuclear descrito no tipo penal para que seja
reconhecido o fumus comissi delicti.

Conforme a ocorrência, a situação narrada tratou de abordagem de rotina em local conhecido por ser
ponto de tráfico, desprovida de prévia investigação, na qual foi apreendida pouca expressividade de tóxicos.

Quanto às condições pessoais do flagrado, não se pode descuidar que, em caso de eventual
condenação, sopesando que é tecnicamente primário (evento 7, CERTANTCRIM1 ), poder-se-ia cogitar a aplicação
da redução prevista no art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, a ensejar a imposição de penas substitutivas (restritivas de
direitos).

Por todo o exposto, mostra-se desproporcional a aplicação da medida extrema, quando ausente maior
apuração dos fatos noticiados no boletim de ocorrência. Cabível, de outro lado, a imposição de medidas cautelares
diversas da prisão, como forma de inibir a possível reiteração delitiva.

Ante o exposto, e tendo em vista que não há indicativos de que possa vir a colocar em risco a ordem
pública, a ordem econômica ou a instrução e aplicação da lei penal, CONCEDO, com fundamento no artigo 310,
inciso III, do Código de Processo Penal, LIBERDADE PROVISÓRIA a ANDREI GABRIEL DE ABREU SOARES ,
fixando as seguintes medidas cautelares, nos termos do artigo 319 do mesmo dispositivo legal:

I. Comparecimento bimestral em Juízo para informar e justificar suas atividades;

II. Comparecimento em Juízo, sempre que intimado, para informar e justificar suas atividades;

III. Manter endereço e contato telefônico atualizados no Juízo de origem;

IV. Recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 06h; e


V. Não se envolver em novos delitos.

A inobservâncias das condições acima fixadas poderá acarretar a revogação do benefício e,


consequentemente, o decreto da preventiva.

Expeçam-se: (i) alvará de soltura; (ii) ofício à Corregedoria da Brigada Militar para apuração e
adoção das providências cabíveis diante do relato de irregularidade nos atos referentes à realização da prisão.

Comunique-se ao Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Sapucaia do Sul acerca da citação


pessoal do flagrado no processo nº 5014625-47.2024.8.21.0035, que estava pendente de citação, com a
entrega da cópia da denúncia neste ato. O flagrado manifestou interesse em ser assistido pela Defensoria
Pública.

Comunique-se.

Seguem informações do custodiado ANDREI GABRIEL DE ABREU SOARES para inclusão no BNMP:

- Houve apreensão de arma de fogo? não; se sim, possui licença de porte ou posse? prejudicado

- O custodiado possui indício de transtorno mental ou outra forma de deficiência psicossocial? não

- Possui irmão gêmeo: não

- prisão realizada por: Brigada Militar

- realizou exame de lesões: sim

- data de nascimento: 07/09/2005;

- escolaridade: ensino médio incompleto; ainda está estudando: não

- situação econômica: desempregado

- cor de pele do custodiado: negro;

- dependente de álcool ou cigarro? não;

- é dependente químico: sim, maconha;

- faz uso de medicamentos obrigatórios? sim;

- é portador de doenças graves? sim, asma;

- indicativos de deficiência (física, visual, auditiva, intelectual, múltipla): não;

- possui filhos entre 0 a 12 anos de idade? sim; se sim: nome completo: GAEL DE MACEDO SOARES,
data de nascimento: 25/12/2022;

- possui pessoas portadoras de deficiência sob seus cuidados? não;

- situação de moradia do custodiado (casa própria, aluguel, morador de rua ou casa cedida): alugada;
endereço: RUA SÃO LOURENÇO, 32, BAIRRO VARGAS, SAPUCAIA DO SUL/RS;

- telefone: (51) XXX;

- houve atendimento por equipe técnica vinculada às audiências de custódia? não.

Os presentes ficaram cientes e intimados em audiência. Não foi colhida a assinatura dos demais
participantes por se tratar de processo eletrônico.

Registra-se, por fim, que o prazo recursal correrá na vara de destino, após a correspondente intimação
das partes, no EPROC, acerca da realização da audiência e desta decisão.

Após o cumprimento das determinações, redistribua-se.

O presente documento assinado vale como ofício .

Nada mais.
Documento assinado eletronicamente por MICHELE SCHERER BECKER, Juíza de Direito, em 24/01/2025, às 18:02:34, conforme art. 1º, III, "b", da
Lei 11.419/2006. A autenticidade do documento pode ser conferida no site https://eproc1g.tjrs.jus.br/eproc/externo_controlador.php?
acao=consulta_autenticidade_documentos, informando o código verificador 10075522682v5 e o código CRC 9a3329cb.

1. PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO E OCULTAÇÃO DE CADÁVER.
PRONÚNCIA. INTERROGATÓRIO POLICIAL DO RÉU. DESNECESSIDADE DA PRESENÇA DE ADVOGADO. PRECEDENTES. JUNTADA
POSTERIOR DE PROVAS COLHIDAS NO INQUÉRITO. INTIMAÇÃO DA DEFESA PARA SE MANIFESTAR SOBRE ELAS, ANTES DA SENTENÇA.
AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. ART. 563 DO CPP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência deste STJ entende que não é necessária a
presença de advogado durante o interrogatório policial do réu. Precedentes. 2. Não há nulidade na juntada posterior de provas colhidas durante o
inquérito, porque a defesa foi intimada para se manifestar sobre elas antes da sentença, de modo que restou preservado seu direito ao contraditório.
Ademais, sequer houve a indicação de algum prejuízo específico pelos agravantes, o que impede o pretendido reconhecimento da nulidade, nos termos
do art. 563, do CPP. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 1882836/SP, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
24/08/2021, DJe 30/08/2021)
2. Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério
Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.

5020529-19.2025.8.21.0001 10075522682 .V5

Você também pode gostar