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In Icial

Brutus, preso em flagrante por tortura, solicita o relaxamento da prisão devido à ilegalidade da abordagem policial, que ocorreu sem mandado judicial e violou o asilo inviolável do domicílio. A defesa argumenta que as provas obtidas foram contaminadas pela tortura e são inadmissíveis, conforme a Constituição Federal e o Código de Processo Penal. O pedido inclui a concessão de liberdade provisória e a exclusão das provas ilícitas do processo.

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Camila Castanha
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Brutus, preso em flagrante por tortura, solicita o relaxamento da prisão devido à ilegalidade da abordagem policial, que ocorreu sem mandado judicial e violou o asilo inviolável do domicílio. A defesa argumenta que as provas obtidas foram contaminadas pela tortura e são inadmissíveis, conforme a Constituição Federal e o Código de Processo Penal. O pedido inclui a concessão de liberdade provisória e a exclusão das provas ilícitas do processo.

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA VARA CRIMINAL DA

COMARCA DE PORTO SEGURO/BA.

BRUTOS, brasileiro, solteiro, portador do CPF nº [Número], residente e


domiciliado na cidade de Porto seguro-BA, por seu advogado que esta
subscreve, com escritório profissional na [Endereço do Advogado], vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro no artigo 5º, LXV
da Constituição Federal e no artigo 310 do Código de Processo Penal, propor o

RELAXAMENTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE

em face das seguintes razões de fato e de direito:

I. DOS FATOS

O réu foi preso em flagrante em virtude de uma alegação de tortura, de


acordo com a Lei nº 9.455/97, com a acusação de que teria praticado tortura
para obter informações sobre um crime. A prisão foi efetuada após uma
denúncia anônima recebida pela Polícia Militar, a qual ingressou no domicílio
do réu sem qualquer autorização judicial ou consentimento do morador
registrado.

A abordagem policial foi realizada sem o devido levantamento da


veracidade das informações e sem o cumprimento das formalidades legais
necessárias. A entrada no domicílio do réu se deu sem qualquer mandado
judicial e sem consentimento, o que configura uma violação dos direitos
constitucionais do réu, especialmente no que diz respeito ao asilo inviolável do
domicílio, conforme o artigo 5º, XI da Constituição Federal.
Inicialmente, os eventos se desenrolaram da seguinte forma: o Réu,
estava em um baile funk onde se aproximou de Cleópatra, uma jovem de uma
comunidade adversária, que estava acompanhada de sua amiga, Afrodite.

Ambas estavam cientes da notoriedade de Brutus e da sua influência


na região. Elas se envolveram com ele no evento social e os três foram para
residência do réu.

Na manhã seguinte, a Polícia Militar arrombou a porta da residência de


Brutus, encontrando-o ainda em repouso. No local, foram encontrados os
corpos das vítimas, ambos com sinais de disparo de arma de fogo. Também
foram apreendidos 40 papelotes de cocaína, embalados para a venda, um fuzil
e uma pistola 9 mm.

Durante a abordagem, Brutus foi submetido a tortura física pelos


policiais, que usaram espancamento e asfixia com uma sacola plástica para
forçá-lo a revelar onde estavam as armas e as drogas e para obter sua
confissão. A tortura foi confirmada pelo exame de corpo de delito realizado no
Instituto Médico Legal.

A prova obtida dentro da residência é contaminada pela ilegalidade da


busca e pela alegada prática de tortura. O tratamento desumano e degradante
para obter provas invalida o uso dessas provas no processo, comprometendo a
legalidade da prisão em flagrante.

II. DOS FUNDAMENTOS

Da ilegalidade da prisão em flagrante

A Constituição Federal, no seu artigo 5º, LXV, assegura que "a prisão
ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária." A prisão do réu
não observou as formalidades legais e, portanto, é ilegal.
O artigo 310 do Código de Processo Penal prevê que, na audiência de
custódia, o juiz deve verificar a legalidade da prisão e decidir sobre a
manutenção ou relaxamento da prisão. No presente caso, a prisão foi realizada
de forma irregular e não justifica a manutenção do réu em custódia.

1. Da tortura e prova ilícita

A Lei nº 9.455/97 define e pune o crime de tortura, sendo claro que


qualquer prova obtida por meio de tortura é inadmissível. O artigo 157 do CPP
afirma que "são inadmissíveis, em qualquer hipótese, as provas obtidas por
meios ilícitos."

A tortura alegada compromete a validade das provas e, portanto, a


prisão é manifestamente ilegal, conforme o princípio da inadmissibilidade da
prova ilícita.

2. Da violação ao asilo inviolável do domicílio

O artigo 5º, XI da Constituição Federal estabelece que a casa é asilo


inviolável, e qualquer entrada ou busca no domicílio deve ser autorizada
judicialmente ou com consentimento do morador. A entrada dos policiais foi
feita sem mandato judicial e sem consentimento, o que configura violação
constitucional.

3. Da inexistência dos pressupostos e requisitos da preventiva

A prisão preventiva, prevista no artigo 312 do CPP, deve ser


fundamentada e demonstrar a necessidade da medida para garantia da ordem
pública, da ordem econômica, ou para assegurar a aplicação da lei penal. No
presente caso, não foram preenchidos os requisitos legais para a prisão
preventiva e o artigo 310, III do CPP não foi observado.

III. PEDIDOS
Diante do exposto, requer-se:

1. O relaxamento da prisão em flagrante do réu, em virtude da ilegalidade da


prisão e da obtenção de provas ilícitas.
2. A concessão da liberdade provisória, se necessário, mediante medidas
cautelares que Vossa Excelência entender pertinentes.
3. A análise da nulidade das provas obtidas por meios ilícitos e a respectiva
exclusão dessas provas do processo.

Termos em que,

Pede deferimento.

Porto Seguro/BA, [Data].

____________________________________
Assinatura do Advogado
OAB/BA [Número]

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