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Literatura Micaela

O documento apresenta um plano temático para o II semestre do curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Estudos Editoriais na Universidade Púnguѐ, abordando conceitos fundamentais da literatura, sua comunicação e relação com outras áreas. O trabalho inclui objetivos gerais e específicos, metodologia de pesquisa bibliográfica, e explora a história e funções da literatura, além de discutir gêneros literários na pós-modernidade. A pesquisa visa compreender a literatura como uma manifestação artística que reflete e enriquece a experiência humana.

Enviado por

jacintodeadelia
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Literatura Micaela

O documento apresenta um plano temático para o II semestre do curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Estudos Editoriais na Universidade Púnguѐ, abordando conceitos fundamentais da literatura, sua comunicação e relação com outras áreas. O trabalho inclui objetivos gerais e específicos, metodologia de pesquisa bibliográfica, e explora a história e funções da literatura, além de discutir gêneros literários na pós-modernidade. A pesquisa visa compreender a literatura como uma manifestação artística que reflete e enriquece a experiência humana.

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UNIVERSIDADE PÚNGUЀ

Faculdade de Letras, Ciências Sociais e Humanidades

Resumo do Plano Temático IIo Semestre

Curso de Licenciatura em Língua Portuguesa e Estudos Editoriais

Micaela Domingos João

Chimoio

Outubro, 2024
Micaela Domingos João

Resumo do Plano Temático IIo Semestre

Trabalho de Pesquisa a ser apresentada na


Faculdade de Letras, Ciências Sociais e
Humanidades da Universidade Púnguѐ no
Curso de Língua Portuguesa e Estudos
Editoriais como requisito de obtenção do
Grau de Licenciatura em Língua Portuguesa
e Estudos Editoriais na cadeira de Estudos
Literários II. Sob Orientaҫão: Mestre Elton
Achaca

Chimoio

Outubro, 2024
Índice
1 Introdução...............................................................................................................................4
1.1 Objectivos.........................................................................................................................5
1.1.1 Objectivo Geral..........................................................................................................5
1.1.2 Objectivos Expecificos:.............................................................................................5
1.2 Metodologia......................................................................................................................5
A metodologia usada neste trabalho é a de pesquisa bibliográfica..........................................5
2 Conceito de Literatura...........................................................................................................6
2.1 O que é literatura e o que não é literatura.........................................................................6
2.2 O Paradoxo Da Obra E Texto Em Roland Barthes...........................................................8
2.3 Concepção Histórica Da Função Da Literatura................................................................9
2.3.1 História da Literatura.................................................................................................9
2.3.2 Funções da Literatura..............................................................................................10
3 A comunicação literária.......................................................................................................11
3.1 Comunicação linguística e comunicação literária...........................................................11
3.2 A comunicação artística..................................................................................................12
3.3 O fenómeno de feedback na comunicação literária........................................................13
3.4 Autor empírico, autor textual, narrador..........................................................................14
3.5 O emissor e a poética formalista.....................................................................................14
3.6 A supressão do autor/emissor na poética contemporânea...............................................14
4 Os Géneros Literários Na Pós-Modernidade.....................................................................15
4.1 Contexto Histórico do Pós-Modernismo.........................................................................15
4.2 A desconstrução do Eu....................................................................................................16
4.3 O Critério Estético..........................................................................................................17
4.4 A Esquizofrenia Social....................................................................................................18
4.5 Dialogismo ou intertextualidade na literatura contemporanea (Mikhail Bakhtin).........19
4.6 Identidade, Ecletismo, Bricolagem.................................................................................20
4.6.1 Identidade................................................................................................................20
4.6.2 Ecletismo.................................................................................................................20
4.6.3 Bricolagem...............................................................................................................21
4.7 Analise dos Textos na Perspectiva Científica.................................................................21
4.8 História da literatura (enfoque biográfico, psicológico, sociológico e filológico).........22
4.8.1 Enfoque Biográfico..................................................................................................22
4.8.2 Enfoque Psicológico................................................................................................22
4.8.3 Enfoque Sociológico................................................................................................23
4.8.4 Enfoque Filológico..................................................................................................23
4.9 Teoria da literatura (René Welker 1942)........................................................................23
4.10 Análise textos (romance, conto e poesia), tendo em conta a perspetiva científica da
literatura.....................................................................................................................................24
4.10.1 A Perspectiva Científica na Análise de Romances..................................................24
5 Relação Da Literatura Com Outras Áreas........................................................................25
5.1 A Relação entre Literatura e a Pintura............................................................................26
5.2 A Relação entre a Literatura e a Escultura......................................................................28
5.3 A Relação Entre A Literatura e a Arquitectura...............................................................29
5.4 Relação da literatura e a dança........................................................................................30
5.5 Relação entre literatura e a música.................................................................................31
5.6 Relação entre Literatura e o cinema................................................................................32
6 A Crítica Literária Moçambicana......................................................................................32
6.1 A Crítica Literária Contemporânea.................................................................................33
6.2 Pós-colonialidade e cânone na construção da autonomia da literatura moçambicana....33
6.2.1 O Cânone Literário e a Construção da Autonomia..................................................34
7 Conclusão..............................................................................................................................35
8 Referência bibliográfica.......................................................................................................36
5

1 Introdução

A literatura (do latim littera, que significa “letra”) é uma das manifestações artísticas do ser
humano, ao lado da música, dança, teatro, escultura, arquitetura, dentre outras. Ela representa
comunicação, linguagem e criatividade, sendo considerada a arte das [Link]-se, portanto,
de uma manifestação artística, em prosa ou verso, muito antiga que utiliza das palavras para criar
arte, ou seja, a matéria prima da literatura são as palavras. (DIANA, 2012).

Ela representa comunicação, linguagem e criatividade, sendo considerada a arte das


palavras. Trata-se, portanto, de uma manifestação artística, em prosa ou verso, muito antiga que
utiliza das palavras para criar arte, ou seja, a matéria-prima da literatura são as palavras, tal qual
as tintas é a matéria-prima do pintor. De tal maneira, o conceito de literatura também pode
compreender o conjunto de estórias fictícias inventadas por escritores em determinadas épocas e
lugares, sejam poemas, romances, contos, crónicas, novelas.
6

1.1 Objectivos

1.1.1 Objectivo Geral

Compreender os tópicos da plano temático para só assim munir-me de conhecimento


suficiente para poder lidar com as adversidade da literatura na sociedade.

1.1.2 Objectivos Expecificos:

 Analisar o conceito da literatura;

 Explorar a comunicacao literária;

 Analisar os géneros na pós modernidade;

1.2 Metodologia

Para Gil (1999), o método científico é um conjunto de procedimentos intelectuais e


técnicos utilizados para atingir o conhecimento. Para que seja considerado conhecimento
científico, é necessária a identificação dos passos para a sua verificação, ou seja, determinar o
método que possibilitou chegar ao conhecimento.

A metodologia usada neste trabalho é a de pesquisa bibliográfica.


7

2 Conceito de Literatura

A literatura (do latim littera, que significa “letra”) é uma das manifestações artísticas do ser
humano, ao lado da música, dança, teatro, escultura, arquitetura, dentre outras. Ela representa
comunicação, linguagem e criatividade, sendo considerada a arte das [Link]-se, portanto,
de uma manifestação artística, em prosa ou verso, muito antiga que utiliza das palavras para criar
arte, ou seja, a matéria prima da literatura são as palavras. (DIANA, 2012).

Ela representa comunicação, linguagem e criatividade, sendo considerada a arte das


palavras. Trata-se, portanto, de uma manifestação artística, em prosa ou verso, muito antiga que
utiliza das palavras para criar arte, ou seja, a matéria-prima da literatura são as palavras, tal qual
as tintas é a matéria-prima do pintor. De tal maneira, o conceito de literatura também pode
compreender o conjunto de estórias fictícias inventadas por escritores em determinadas épocas e
lugares, sejam poemas, romances, contos, crónicas, novelas.

2.1 O que é literatura e o que não é literatura

O texto literário é apresentado em uma linguagem pessoal, envolta da emoção, emprego de


lirismo e valores do autor ou do ser (ou objecto) retratado.

Já o texto não literário tem como marca a linguagem referencial, por isso, também é
chamado de texto utilitário. Em resumo, o texto literário é destinado à expressão, com a realidade
demonstrada de maneira poética, podendo haver subjetividade.

O texto não literário, contudo, é marcado pelo retrato da realidade desnuda e crua. É possível
tratar sobre o mesmo assunto nas duas formas de texto e apontar o tema ao receptor sem prejuízo
a informação.
8

Texto Literário Texto Não Literário

A linguagem empregada é de Uso da linguagem impessoal,


conteúdo pessoal, cheia de emoções e objectiva em linha recta
valores do emissor e há o emprego da
subjectividade
Emprego da linguagem Linguagem denotativa
multidisciplinar e cheia de conotações
Linguagem poética, lírica, Representação da realidade
expressa com objectivos estéticos na tangível
recriação da realidade ou criação de uma
realidade intangível, somente literária
Primor da expressão Atenção, prioridade à informação

Os textos literários, são aqueles que, em geral, têm o objectivo de emocionar o leitor, e
para isso exploram a linguagem conotativa ou poética. Em geral, ocorre o predomínio da função
emotiva e poética. Os géneros literários são a classificação das obras literárias que pode ser
desde género lírico que nada mais e do que uma expressão do mundo inteiro das suas ideias e
impressões, ou do género épico que nada mais é do que uma narrativa de um história que pode
ser desde um povo as guerras, viagens e etc., também tem o género dramático que e mais usado
em peças teatrais e que contam fatos tristes como a miséria humana e por último o género
narrativo que é o mais novo e o mais comum hoje em dia que simplesmente retrata novelas e
histórias fictícias.

Texto não Literário contém denotações, ou seja, o que está escrito é no sentido de
dicionários, não permite outras interpretações. É o caso das notícias de jornal, os manuais de
instrução, as bulas de remédios, esta explicação que estou dando, etc... Os textos não literários
pretendem informar o leitor de forma directa e objectiva, a partir de uma linguagem denotativa.
A função referencial predomina nos textos não-literários.

Exemplos de textos não-literários: notícias e reportagens jornalísticas, textos de livros


didácticos de História, Geografia, Ciências, textos científicos em geral, receitas culinárias, bulas
de remédio.
9

2.2 O Paradoxo Da Obra E Texto Em Roland Barthes

Paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira, mas que leva a uma contradição
lógica ou que contradiz a intuição comum, ou seja, e uma figura de linguagem que consiste na
aproximação de ideias:

O Prazer do Texto é uma obra pós-estruturalista de Barthes, e já na primeira página o


escritor diz ser um texto ambíguo. A expressão do prazer, e sobre tudo do prazer do texto, é, se
não ambígua, incerta de muitas maneiras. É um texto onde a escrita é também uma ruptura com
a significação estrutural a favor de uma possível leitura erótica do texto.

E uma terceira incerteza vem de aceitar que, ao fundo, a ciência que está mais próxima ao
conceito de prazer na actualidade é a psicanálise. Porém a psicanálise introduz um conceito
muito sútil das diferenças entre os tipos de prazer. No sentido de Barthes, há uma oposição;
considera bastante diferente, que não quer dizer que seja absolutamente verdadeira, mas tem um
valor de guia, de condução, de condutor teórico, que é a posição entre o prazer e o desfrute
(fruição).

Porém, em geral, o que está de parte do prazer são os textos que têm ou apostam no leitor
uma espécie de euforia, de comodidade; a comodidade no refazimento dos eu ego, de alguma
maneira, e por isso mesmo, o prazer é totalmente compatível com a cultura. Há um prazer da
cultura, sem dúvida.

Enquanto a fruição, evidentemente, é algo mais radical, algo muito mais absoluto, que
sacode o sujeito que está lendo, que o divide, que o pluraliza, que o despersonaliza. É, pois, uma
experiência muito diferente, que com frequência vai precisamente contra a leitura. É nesse
sentido que o texto de fruição é raro e muito variável segundo o sujeito. São textos que têm um
pouco de valor, de experiência-limite, de experiências marginais.
10

2.3 Concepção Histórica Da Função Da Literatura

2.3.1 História da Literatura

A história da Literatura pode ser definida como uma ciência que estuda a produção literária de
um povo sob um viés cronológico. Quando se estudam diversos autores do passado, em alguma
medida, percebe-se certa correlação entre os dizeres de cada escritor, construindo-se movimentos
ou escolas literárias. No Brasil, a história da Literatura é dividida da seguinte forma:

 Quinhentismo
Literatura produzida nos primeiros anos do descobrimento do Brasil, por volta do século XVI. É
dividido em Literatura de informação e de catequese.

 Barroco
Obras produzidas por volta do século XVII, sob influência do Barroco europeu.

 Arcadismo
Com manifestações líricas, satíricas e épicas, esse movimento ocorreu durante parte do ciclo do
ouro no Brasil, no século XVIII.

 Romantismo
Movimento literário das primeiras décadas do século XIX, foi fundador de várias bases da nossa
identidade nacional, com autores como Gonçalves Dias e José de Alencar.

 Realismo / Naturalismo
Em oposição ao Romantismo, o Realismo e o Naturalismo ocorreram nos anos finais do século
XIX e tiveram como principais expoentes Machado de Assis e Aluísio Azevedo,
respectivamente.

 Simbolismo
Movimento poético de revolução nos signos linguísticos e nas percepções sobre o sujeito, o
Simbolismo ocorreu no final do século XIX.
11

 Parnasianismo
Escola literária que buscava atingir o belo clássico por meio do apurado trabalho formal dos
poetas, comparados a ourives.

 Pré-modernismo
Embora não seja exactamente um movimento literário, esse período histórico teve autores
fundamentais, como Monteiro Lobato, Lima Barreto, Euclides da Cunha e José Lins do Rego.

 Modernismo
Movimento fundado em 1922, durante a Semana de Arte Moderna, é considerado o marco inicial
da Literatura brasileira do século XX.

 Literatura Contemporânea
É considerada Literatura contemporânea brasileira toda manifestação literária produzida após os
anos de 1945 no Brasil.

2.3.2 Funções da Literatura

 A literatura desempenha várias funções significativas na sociedade, ao reflectir,


questionar e enriquecer as experiências humanas. Algumas das principais funções da
literatura incluem:

 Proporcionar entretenimento: a literatura tem o poder de nos proporcionar prazer e


diversão, servindo como um meio de relaxamento que nos permite escapar
temporariamente dos desafios do dia-a-dia.

 Promover educação: a leitura de obras literárias desempenha um papel educativo,


fornecendo conhecimentos sobre o mundo ao nosso redor, diferentes culturas e
perspectivas e, principalmente, sobre a complexidade da natureza humana.
12

 Estimular a imaginação e criatividade: é uma ferramenta que estimula a exploração da


nossa imaginação e criatividade, oferecendo novas ideias e perspectivas que enriquecem
nosso pensamento.

 Fomentar a reflexão sobre a realidade: a leitura nos convida a reflectir sobre a realidade,
incentivando a questionar o status quo e a explorar novas possibilidades, proporcionando
uma visão crítica e reflexiva sobre o mundo que nos cerca.

 Formação de identidade: a arte pode desempenhar um papel importante na formação da


identidade individual e colectiva. Ela oferece narrativas que auxiliam as pessoas a
compreenderem a si mesmas, suas origens e seus valores.

 Desenvolvimento da empatia: ao explorar personagens e situações diversas, a literatura


proporciona aos leitores a oportunidade de vivenciar perspectivas e realidades diferentes
das suas próprias. Isso contribui para o desenvolvimento da empatia e da compreensão
intercultural.

 Preservação cultural e histórica: a literatura desempenha um papel crucial na preservação


e transmissão da cultura e da história. Ela registra as experiências, tradições e valores de
uma sociedade, permitindo que gerações futuras compreendam e se conectem com o
passado.

 Desenvolvimento da linguagem: a leitura contribui para o desenvolvimento da


linguagem, expandindo o vocabulário e apresentando diferentes estilos de escrita.

3 A comunicação literária

3.1 Comunicação linguística e comunicação literária

É o processo de transmissão de um texto literário, escrito ou oral, de um autor para um


leitor ou receptor. A comunicação literária escrita processa-se na ausência de um dos
interlocutores, a comunicação literária oral faz-se geralmente na presença, como na comunicação
13

linguística. Em termos metafóricos, a comunicação linguística exige a presença de um espectador


e a comunicação literária parte da sua ausência.
Como observa Aguiar e Silva, na comunicação literária “a ausência de uma das referidas
instâncias reforça poderosamente a atenção que a outra instância consagra à mensagem, já que na
descodificação desta residem as garantias mais sólidas de superar os efeitos comunicacionais
negativos resultantes da defectividade”.
A comunicação literária é mais complexa do que a comunicação linguística por envolver
uma rede de relações ambíguas entre os seus interlocutores: o código do emissor/autor pode não
ser reconhecido pelo leitor/receptor, mesmo que pertençam à mesma comunidade linguística; a
descodificação da mensagem literária depende de factores subjectivos e ideológicos; o texto
literário é marcado pela conotatividade e pela plurissignificação, o que pode impedir a
comunicação; a mensagem literária é mais marcada por factores culturais e sociais do que uma
mensagem não literária, além de que, por norma, utiliza o livro impresso, o que implica a
dependência de terceiros [editores, livreiros, distribuidores, etc.]. No processo de comunicação
literária, um dos elementos do processo geral da comunicação que mais pode interferir na
concretização da comunicação literária é o código, que aqui envolve subcategorias como a
retórica, a poética, a métrica as escolas literárias, os géneros e os modos literários, etc., cujo
conhecimento é fundamental para que a comunicação se concretize em leitura.
A comunicação linguística não está tão dependente de subcategorias [dialectos,
regionalismos, pronúncias típicas, etc.] como a comunicação literária; não é necessária uma
aprendizagem escolar para se dominar um dialecto, mas é necessário um treino técnico para
dominar retórica de um texto. E portanto, obrigatório o pré-conhecimento de um conjunto de
regras pragmáticas que possibilitam a recepção e compreensão dos textos literários. A este
conjunto de regras chamou Siegfried J. Schmidt nalidade [“Towards a Pragmatic
Interpretation of ‘Fectionality’“,in [Link] Djik,1976].

3.2 A comunicação artística

Alguns autores denegam a arte à natureza de fenómeno comunicativo, atribuindo-lhe tão-


somente a natureza de fenómeno expressivo (ou apresentando, quando muito, a comunicação
artística como um epifenómeno da expressão originária e substantiva).
14

O processo da produção artística ignora que a obra de arte só existe qua obra de arte
enquanto objecto de transacção estética, o que pressupõe um receptor como indispensável pólo
do peculiar processo de intercompreensão representada por essa transição estética. (ibid)
Admitindo por conseguinte que todo o processo artístico constitui um peculiar fenómeno
comunicativo, julgamos teoricamente indispensável o reconhecimento de que as várias artes
possuem um estatuto comunicacional diferenciado. Esta diferenciação funda-se na natureza
diversa dos signos constituintes do sistema semiótico de cada arte. A literatura, dada a sua
essencial solidariedade semiótica com o sistema da comunicação por excelência de que o homem
dispõe a linguagem verbal, ocupa necessariamente uma posição privilegiada entre todas as artes.

3.3 O fenómeno de feedback na comunicação literária

Será que no processo da comunicação, que é disjuntivo e unidireccional podem ocorrer


no seu circuito os efeitos de feedback (retrojeção da reacção do receptor)?
Enquanto alguns autores como Cesare Segre negam a possibilidade da existência
de feedback no circuito da comunicação literária, argumentando que o eixo emissor/receptor se
fractura, com solução de continuidade, em dois segmentos, sendo emissor à mensagem e
mensagem à receptor, outros autores, porém, como Siegfried Schmidt, admitem em termos vagos
essa possibilidade.
Aguiar e Silva (1988:203) afirma a existência de determinados fenómenos que podem ser
considerados de feedback, embora não tenham uma regularidade e precisão tal como acontece
noutros tipos de comunicação, como é o caso de comunicação intermecânica. Por exemplo,
quando um autor, após publicar um texto e após tomar conhecimento das reacções favoráveis dos
leitores, incluindo os críticos, a esse texto, continua a escrever dentro dos mesmos padrões,
porque sabe que o público leitor receberá e consumirá com agrado textos semelhantes. Mas se a
reacção dos leitores e dos críticos for desfavorável, o autor modifica os moldes. A estas situações
podemos chamar de feedback.
Refira-se que o fenómeno de feedback pode ocorrer mesmo após a morte do autor e, nesta
situação as editoras encarregam-se por melhorar os tais aspectos e/ou actualizar os aspectos
formais, com fins comerciais. Ainda o mesmo fenómeno pode ocorrer quando um autor submete
a leitura a alguns leitores e só depois faz os arranjos finais e públicos.
15

3.4 Autor empírico, autor textual, narrador

Na comunicação literária o autor é o agente primordial responsável da enunciação


literária. De acordo com Aguiar e Silva, enunciação literária é a operação individual através da
qual o autor se apropria apenas da língua literária.
Nos textos literários podem-se identificar o autor empírico, o autor textual e o narrador.

 O autor empírico é a pessoa real, o ser de carne e osso integrado dentro de uma
sociedade identificável, aquele que existe no mundo natural, cujo nome civil figura, de
uma maneira geral nas capas das suas obras.
 O autor textual é uma espécie do "segundo eu", inseparável à uma obra. Este é criado
pelo autor, a sua existência só se efectiva no texto literário, tem o papel de enunciador do
texto e a sua imagem varia de leitor para leitor, vista a sua natureza ficcional.
 O narrador é a entidade enunciadora do discurso. O autor pode criar um ou mais
narradores.

3.5 O emissor e a poética formalista

A teoria formalista tende a abolir o pólo da comunicação literária constituído pelo


emissor. A mesma teoria liga o autor à obra, olhando-se o autor como uma máscara e uma ficção
criada na obra. Para estes, o autor cria a obra e a obra cria o seu autor. Os mesmos desvalorizam
o autor/emissor, centrando-se na análise da obra literária em si, olhando para esta como uma
convenção e não como imagem de uma vivência, algo que estabelece a relação entre a realidade
e a ficção poética.
O formalismo exclui o autor, considerando-o irrelevante para a interpretação da obra e
centra-se somente nos elementos textuais.

3.6 A supressão do autor/emissor na poética contemporânea

A poética contemporânea continua sendo influenciada em grande medida pelos princípios


formalistas de transcendência do texto literário em relação ao autor e a eliminação radical do
emissor/autor representa uma manifestação de um princípio filosófico e ideológico mais amplo e
profundo que atingiu o seu ponto mais alto na década de sessenta do século XX.
16

Do ponto de vista filosófico, a supressão do autor é motivada pelo facto de o homem não
dispor da linguagem, e é a linguagem que dispõe do homem, uma vez que o significado de uma
obra ultrapassa o seu autor.
A supressão do autor/emissor na poética contemporânea pode ser justificada pelo facto de
se considerar o autor como um ser variável uma vez que, dispondo de material literário, ele vai
destruindo e construindo textos, estabelecendo sempre um diálogo com outros textos, renovando-
os, imitando-os, etc.
A supressão do autor/emissor pode ser de certa forma devida pelo facto de tentar dotar a
obra de certos aspectos atemporais, bem como motivado por factores socioeconómicos,
históricos, etc.

4 Os Géneros Literários Na Pós-Modernidade

Assim como a maioria dos movimentos literários, o Pós-Modernismo representa o


reflexo de uma época e da sua sociedade. Mas, principalmente, ele traz uma quebra com o
modelo de pensamento linear da era modernista. É uma era marcada pela liberdade artística,
espontaneidade e pela experimentação e mistura de diferentes estilos. Ele representa a própria
busca de seus autores por uma nova forma de escrever e conectar o leitor com suas histórias e
personagens. Além disso, o Pós-Modernismo também representa o momento em que a
globalização está mais consolidada, assim como os avanços nas áreas de tecnologia,
comunicação, economia e ciência. Segundo Ricoeur (1975)

4.1 Contexto Histórico do Pós-Modernismo

O movimento pós-moderno pode ser dividido em duas fases, a primeira delas começa a
partir de 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial, terminando por volta de 1960. Nesse
primeiro momento, a vida pós-guerra é marcada por um sentimento de insatisfação e decepção
com a sociedade, gerando uma inquietação dos artistas daquela época, com questionamentos
contrários ao que foi o modernismo.
Então, temos uma ruptura com os modelos pré-definidos de gêneros literários, existindo
uma mistura de estilos, com textos de prosa com forte influência da poesia, cargas de
17

subjetividade e a presença do tempo psicológico em oposição ao tempo linear. Já a segunda fase


do pós-modernismo tem início em 1960 e finca as suas raízes a partir de 1980, abraçando o fim
da Guerra Fria, todo o avanço tecnológico, incluindo o acesso à internet, além do próprio sistema
capitalista. No Brasil, o período também é muito marcado pela ditadura militar, a instabilidade
política e os movimentos pela retomada das liberdades individuais e o retorno da democracia.
Isso influencia nas características do pós-modernismo na literatura brasileira, com autores mais
questionadores e maduros, trazendo questões existenciais e universais em suas obras. DIANA,
2012.

4.2 A desconstrução do Eu

Segundo Ricoeur (1975) Os gêneros literários da Pós-Modernidade é um tema fascinante que


reflete as mudanças nas percepções da identidade e da subjetividade na literatura contemporânea.
A Pós-Modernidade, caracterizada pela fragmentação, pluralidade e a dúvida em relação às
verdades absolutas, impactou significativamente a forma como os autores representam o Eu em
suas obras.

 Fragmentação da Identidade: Na Pós-Modernidade, a identidade é vista como algo


fluido e multifacetado. Autores como Thomas Pynchon e Don DeLillo exploram
personagens cujas identidades são construídas e desconstruídas ao longo da narrativa,
refletindo a ideia de que o Eu não é uma entidade fixa, mas algo em constante mudança.
 Intertextualidade: A desconstrução do Eu também está ligada ao uso da
intertextualidade, onde as obras literárias se referem umas às outras, criando uma rede
complexa de significados. Isso desafia a noção de autoria e a ideia de um Eu único e
original, como observado nas obras de autores como Julio Cortázar e Italo Calvino.
 Perspectivas Multiple: Narrativas que adotam múltiplos pontos de vista, como em "O
Som e a Fúria" de William Faulkner, revelam a fragmentação da experiência individual.
A voz de cada personagem oferece uma percepção distinta da realidade, questionando a
possibilidade de uma verdade única.
 Temas de Alienação e Crise de Identidade: A alienação é um tema recorrente na
literatura pós-moderna. Obras como "Infinite Jest" de David Foster Wallace abordam a
18

crise de identidade em um mundo saturado de informações, onde o Eu se sente deslocado


e perdido.
 Romper com a Narrativa Convencional: Autores pós-modernos frequentemente
rompem com as estruturas narrativas tradicionais, desafiando as expectativas do leitor.
Isso pode ser visto em obras como "Se uma Noite de Inverno um Viajor" de Italo
Calvino, onde a própria natureza da leitura e da narrativa é desconstruída.

Em resumo, a desconstrução do Eu nos gêneros literários da Pós-Modernidade reflete


uma busca por compreender a complexidade da identidade em um mundo que desafia as noções
tradicionais de verdade e coesão. As obras desta época convidam os leitores a refletirem sobre a
natureza do Eu e as múltiplas formas de ser e sentir que a literatura pode explorar.

4.3 O Critério Estético

Na literatura pós-contemporânea é um tema complexo e multifacetado, que reflete as


mudanças sociais, culturais e tecnológicas da atualidade. A literatura pós-contemporânea é
frequentemente caracterizada pela sua diversidade de estilos, pela hibridização de gêneros e pela
exploração de novas formas de narrar, que muitas vezes desafiam as convenções tradicionais.
(Estangueiro, 2001)

Aqui estão alguns aspectos importantes do critério estético nesse contexto:

 Intertextualidade: A obra literária pós-contemporânea muitas vezes dialoga com outras


obras, referências culturais e movimentos literários anteriores. Essa intertextualidade
enriquece o texto e provoca reflexões sobre a própria natureza da literatura.
 Fragmentação: Narrativas fragmentadas, não lineares e múltiplos pontos de vista são
comuns. Essa fragmentação pode refletir a complexidade da vida moderna e a
desconexão das experiências humanas.
 Hibridismo: A mistura de gêneros e estilos literários é uma característica marcante.
Romances podem incorporar elementos de ensaio, poesia e até mesmo narrativas visuais,
criando um efeito inovador.
19

 Consciência crítica: Muitos autores pós-contemporâneos buscam questionar a natureza


da verdade, da ficção e da representação. Esse olhar crítico pode ser uma forma de refletir
sobre temas como a identidade, o poder e a sociedade.
 Tecnologia e novas mídias: A presença das novas tecnologias e das mídias digitais
influencia a forma como as histórias são contadas e recebidas. Muitos autores incorporam
elementos digitais em sua narrativa, explorando as interações entre o texto e o leitor.

4.4 A Esquizofrenia Social

A "esquizofrenia social" é um termo que, embora não seja um diagnóstico clínico


oficialmente reconhecido, é frequentemente usado para descrever uma série de fenômenos
sociais e psicológicos relacionados à alienação, fragmentação e desconexão nas interações
humanas e na sociedade em geral. O conceito pode ser explorado a partir de algumas
perspectivas:
 Alienação e Isolamento: Em comunidades altamente urbanizadas e tecnologicamente
avançadas, muitas pessoas experimentam sentimentos de alienação. A tecnologia, embora
conecte as pessoas de maneira virtual, pode criar uma sensação de isolamento físico e
emocional. Esse fenômeno é muitas vezes comparado à ideia de "esquizofrenia", que
implica uma divisão ou desconexão.

 Fragmentação da Identidade: A "esquizofrenia social" pode refletir a fragmentação da


identidade que muitos indivíduos sentem na sociedade pós-moderna. Várias identidades
sociais, culturais e pessoais podem coexistir dentro de um único indivíduo, levando a
uma sensação de confusão e instabilidade. Isso se relaciona com a maneira como as
pessoas se apresentam nas redes sociais, onde pode haver uma discrepância entre o Eu
real e o Eu virtual.

 Conflito de Valores: A sociedade contemporânea é marcada por uma multiplicidade de


valores, crenças e ideologias que muitas vezes entram em conflito. Essa tensão pode
causar uma sensação de desorientação, fazendo com que indivíduos se sintam divididos
entre diferentes pressões sociais e expectativas, similar à sensação de perda de controle
associada à esquizofrenia.
20

 Desconexão nas Relações Interpessoais: A qualidade das interações sociais tem


mudado, principalmente com o aumento da comunicação digital. O uso excessivo de
redes sociais, por exemplo, pode levar a interações superficiais e à deterioração das
relações interpessoais profundas, contribuindo para uma sensação de desconexão e
solidão.

 Impactos na Saúde Mental: A "esquizofrenia social" pode ter consequências sérias para a
saúde mental. A alienação e a desconexão podem levar a problemas como ansiedade,
depressão e outras condições psicológicas que impactam a qualidade de vida dos
indivíduos.

4.5 Dialogismo ou intertextualidade na literatura contemporanea (Mikhail Bakhtin)

Mikhail Bakhtin é conhecido por suas contribuições significativas aos estudos literários,
particularmente no que diz respeito à dialogismo, que se refere à interação de vozes e
perspectivas diferentes dentro de um texto. Bakhtin propõe que o significado em um texto
literário não é fixo, mas é criado através do diálogo entre o autor, o texto e os leitores, bem como
através da interação de diferentes vozes dentro do próprio texto.
Na literatura contemporânea, o dialogismo se manifesta de várias maneiras, incluindo a
multiplicidade de perspectivas narrativas, a inclusão de referências culturais diversas e a fusão de
gêneros. A intertextualidade, um conceito relacionado, envolve a interação entre diferentes
textos, em que um texto alude, referencia ou é influenciado por outros.

Bakhtin também é conhecido por seu conceito de "carnavalização", onde ele compara a
literatura com o carnaval, onde normas e hierarquias são temporariamente subvertidas,
permitindo uma mistura de diferentes vozes e estilos. Essa ideia continua a ser explorada na
literatura contemporânea, que muitas vezes desafia convenções e revela a complexidade das
realidades sociais.
Mikhail Bakhtin foi um pensador e crítico literário russo que trouxe importantes
contribuições para o entendimento do dialogismo e da intertextualidade na literatura. No seu
trabalho, Bakhtin enfatiza a importância do diálogo para a compreensão do texto literário.
21

 Dialogismo refere-se à ideia de que o significado em um texto é construído através de


interações e respostas entre diferentes vozes e perspectivas. Para Bakhtin, nenhum
discurso é isolado; ele está sempre em diálogo com outros discursos, passados ou
contemporâneos. Essa interação se evidencia na relação entre o autor, o texto e o leitor,
assim como entre diferentes personagens dentro de uma narrativa.
 Intertextualidade, um termo mais tarde desenvolvido por Julia Kristeva baseado nas
ideias bakhtinianas, refere-se ao modo como textos se relacionam uns com os outros. Na
literatura contemporânea, essa intertextualidade pode se manifestar através de referências
diretas, paródias, pastiches ou reescritas de obras anteriores. Isso cria uma teia complexa
de significados que enriquecem a interpretação do texto.

Bakhtin via a literatura como um espaço polifônico, onde múltiplas vozes contribuem
para uma multiplicidade de significados. Essa visão tem profunda influência sobre a literatura
contemporânea, que muitas vezes abraça a complexidade e a diversidade de vozes para explorar
temas complexos e multicamadas.

4.6 Identidade, Ecletismo, Bricolagem

4.6.1 Identidade

Refere-se ao modo como as pessoas ou grupos se identificam e são identificados. Isso


pode incluir aspectos individuais como a etnia, classe social, gênero, orientação sexual, e
também pode englobar identidades coletivas, como nacionais, culturais e religiosas. As
identidades não são fixas e podem mudar ao longo do tempo ou em diferentes contextos.

4.6.2 Ecletismo

Este termo é usado para descrever uma abordagem que combina diferentes estilos, ideias
ou influências. No campo da arte, por exemplo, um artista eclético pode incorporar várias
tradições artísticas em suas obras. O ecletismo é muitas vezes visto na música, na arquitetura e
22

na moda, onde elementos de várias épocas e contextos são mesclados para criar algo novo e
inovador.

4.6.3 Bricolagem

O conceito de bricolagem, originado da prática de construir e criar com os materiais


disponíveis, é também aplicado em contextos culturais como uma maneira de descrever como as
pessoas usam recursos de forma criativa e improvisada. A bricolagem não se limita a uma única
forma ou metodologia; trata-se de um processo de remixagem e reinvenção, onde a tradição e a
modernidade se encontram. Pode ser visto em muitos movimentos artísticos e culturais
contemporâneos.

Esses três conceitos juntos mostram como a cultura é um campo em constante evolução,
onde a identidade é moldada por um diálogo dinâmico entre diferentes influências e
experiências. (Estangueiro, 2001).

4.7 Analise dos Textos na Perspectiva Científica

A Perspectiva Científica na Análise de Romances, como formas extensas de narrativa,


oferecem ricas oportunidades para análises literárias que vão além da superfície do enredo. A
partir de uma perspectiva científica, os romances podem ser desenvolvidos através de várias
lentes teóricas, incluindo a psicanálise, o estruturalismo, o pós-estruturalismo e o materialismo
histórico.
Uma poesia, talvez mais que qualquer outra forma literária, requer uma análise detalhada
de sua linguagem, forma e conteúdo. A abordagem científica da poesia envolve uma aplicação de
teorias linguísticas, semióticas e filosóficas para desvelar camadas de significado.

Análise Estrutural a análise estrutural da poesia foca na forma do poema sua métrica,
rima, aliteração, assonância e estrutura estrófica. Por exemplo, ao analisar o soneto “À Beira do
Lago de Innisfree” de WB Yeats, uma abordagem estrutural pode examinar como a escolha de
uma forma tradicional como o soneto contribui para o tema de nostalgia e desejo de retorno a um
23

estado natural e pacífico. A métrica iâmbica e a rima regular reforçam a harmonia que o poeta
deseja alcançar, contrastando com a cacofonia da vida urbana descrita no poema (Kane, 2009).

4.8 História da literatura (enfoque biográfico, psicológico, sociológico e filológico)

A história da literatura é um campo vasto que envolve o estudo das obras literárias ao
longo do tempo, suas influências, evolução e os contextos em que foram produzidas. A análise
da literatura pode ser feita a partir de diferentes enfoques, entre eles o biográfico, psicológico,
sociológico e filológico. Cada um desses enfoques oferece uma perspectiva única e complementa
a compreensão das obras literárias, dos autores e dos contextos históricos e culturais em que
foram escritos.

4.8.1 Enfoque Biográfico

O enfoque biográfico é uma das abordagens mais tradicionais na história da literatura.


Este método considera que a vida do autor tem uma relação directa com sua obra. Ao analisar o
contexto biográfico, os estudiosos buscam entender como as experiências pessoais, crenças e o
ambiente do autor influenciaram sua produção literária. Um exemplo clássico dessa abordagem
pode ser encontrado nos estudos sobre William Shakespeare. As tragédias de Shakespeare, como
“Hamlet” e “Macbeth”, muitas vezes são analisadas à luz dos eventos de sua vida, como a morte
de seu filho Hamnet e a instabilidade política da Inglaterra na época. Samuel Johnson, em seu
trabalho “Prefácio a Shakespeare” (1765), argumenta que o entendimento da vida de
Shakespeare é fundamental para compreender a profundidade e a complexidade de suas obras.
Segundo Johnson, conhecer o contexto pessoal do autor ilumina aspectos importantes da trama,
dos personagens e das motivações que permeiam sua escrita (Johnson, 1765).

4.8.2 Enfoque Psicológico

O enfoque psicológico na literatura busca entender as obras através das lentes das teorias
psicológicas. Esta abordagem se concentra na análise das motivações internas dos 7 personagens,
nos conflitos emocionais e inconscientes, e nas influências psicológicas que moldam tanto os
autores quanto suas criações literárias. A aplicação da psicologia na análise literária foi
24

popularizada por críticos como Sigmund Freud. Freud, em seu ensaio “O Estranho” (1919),
introduz o conceito de “inquietante” ou “estranho” (em alemão, “unheimlich”) para explicar a
sensação de familiaridade perturbadora que algumas obras literárias evocam.

4.8.3 Enfoque Sociológico

O enfoque sociológico examina a literatura como um produto social e cultural, reflectindo


e, às vezes, criticando as estruturas e dinâmicas sociais da época em que foi produzida. Essa
abordagem considera como factores como classe, raça, género e política influenciam tanto os
autores quanto as narrativas literárias. Karl Marx e Friedrich Engels foram pioneiros na
introdução de uma perspectiva sociológica na análise literária, especialmente através da crítica
marxista. Eles argumentavam que a literatura não apenas reflecte a realidade social, mas também
desempenha um papel na manutenção ou na subversão das relações de poder existentes. Leon
Trotsky (1924) discute como a literatura pode ser tanto uma ferramenta de resistência quanto um
meio de consolidação do poder hegemónico, dependendo de quem a utiliza e para quais fins.

4.8.4 Enfoque Filológico

O enfoque filológico é centrado na análise linguística e textual das obras literárias. Esta
abordagem envolve o estudo da evolução das línguas, a história dos textos e a reconstrução das
versões originais das obras literárias. A filologia pode revelar as mudanças nos significados das
palavras, o contexto histórico das expressões e as influências interculturais na literatura. Um dos
principais expoentes do enfoque filológico foi Friedrich August Wolf, que, investigou a autoria e
a composição dos poemas homéricos, “Ilíada” e “Odisseia”. Wolf argumentou que esses textos
não foram escritos por um único autor, mas que são o resultado de uma tradição oral colectiva.

4.9 Teoria da literatura (René Welker 1942)

No Contexto Histórico e Acadêmico de René Welker René Welker foi um dos críticos
literários mais influentes do século XX, cuja obra contribuiu significativamente para a formação
dos estudos literários modernos. No contexto dos anos 1940, os estudos literários estavam em
uma fase de transição, passando-se de abordagens essencialmente biográficas e históricas para
25

uma ênfase maior na textualidade e na linguagem, em parte influenciada por a ordem dos eventos
em uma narrativa pode manipular a percepção do leitor sobre a causalidade e o tempo, ou como a
reprodução de certos motivos pode criar uma sensação de unidade e coerência dentro da obra.
Essa ênfase na estrutura prefigura o interesse posterior na narrativa por parte de teóricos como
Gérard Genette, que desenvolveria a narratologia como um campo de estudo especializado.
A interpretação e a função do crítico No que diz respeito à interpretação, Welker sustenta
que o papel do crítico literário é desvelar as camadas de significado em um texto, muitas vezes
ocultas pelo uso sofisticado da linguagem e da estrutura. Ele rejeita a ideia de que o significado
de uma obra literária seja fixo ou unívoco, argumentando que a riqueza da literatura reside
precisamente em sua capacidade de suscitar múltiplas interpretações. Essa abordagem aberta à
interpretação múltipla ressoa com as ideias de teóricos posteriores como Paul Ricoeur, que
enfatizou a importância da hermenêutica na leitura dos textos. Welker defende que o crítico deve
estar ciente dos recursos estilísticos e formais utilizados pelo autor, e que deve aplicar um rigor
metodológico na análise do texto, evitando cair em simplificações ou interpretações
reducionistas. Para ele, a crítica literária deve ser uma disciplina rigorosa, que combine
conhecimento técnico com sensibilidade estética.

4.10 Análise textos (romance, conto e poesia), tendo em conta a perspetiva científica da
literatura

Analisar textos literários, sejam eles romances, contos ou poesias, através da perspectiva
científica da literatura, envolve uma aplicação de teorias literárias e métodos analíticos
específicos para compreender a estrutura, o significado e o impacto desses textos. Este tipo de
análise não apenas aprecia a estética e o conteúdo dos textos, mas também investiga como esses
textos reflectem e moldam realidades sociais, culturais e psicológicas.

4.10.1 A Perspectiva Científica na Análise de Romances

Os romances, como formas extensas de narrativa, oferecem ricas oportunidades para


análises literárias que vão além da superfície do enredo. A partir de uma perspectiva científica,
os romances podem ser desenvolvidos através de várias lentes teóricas, incluindo a psicanálise, o
estruturalismo, o pós-estruturalismo e o materialismo histórico.
26

A abordagem psicanalítica, influenciada pelas teorias de Sigmund Freud e Jacques Lacan,


examina os romances através da análise dos personagens e suas motivações subconscientes. Por
exemplo, na análise de “Crime e Castigo” de Dostoiévski, uma abordagem psicanalítica pode
revelar o conflito interior de Raskólnikov como uma manifestação do complexo de culpa e
redenção, ligando suas acções a impulsos subconscientes e traumas psicológicos. Lacan, em
particular, poderia enfatizar como o “outro” é construído na mente de Raskólnikov e como isso
reflecte o seu relacionamento com a sociedade (Appiah, 1991).

5 Relação Da Literatura Com Outras Áreas

Plutarco, noutro passo da mesma obra (171-180), sublinha que a arte da poesia uma arte
imitativa e que é uma faculdade análoga à pintura, tornando assim claro que a analogia entre as
duas artes se funda na imitação (mimeses) da realidade. A pintura, sob esta perspectiva, pode se
considerar como a expressão artística paradigmática, pois que ela realizaria melhor do que
qualquer outra arte a relação mimética com o real.

E ainda Plutarco que, ao comentar uma descrição de Tucídides, realça a vividez pictórica
do texto do historiador. A palavra grega “enurgele” um termo pertencente à retórica e significa a
capacidade que as imagens verbais possuem para representarem visualmente, com vivacidade, as
cenas, as coisas e os seres de que se fala.

Platão apresenta o poeta «em simetria com o pintor», acusando um e outro de não se
preocuparem com a verdade.

Aristóteles, por mais de uma vez, compara a arte do poeta e do pintor, afirmando, por
exemplo, que as tragédias dos poetas modernos não possuem caracteres, à semelhança do que
acontece na pintura de Zêuxis. Aristóteles chama a atenção para as afinidades existentes entre as
duas artes no respeitante aos objectos da imitação, mas chama igualmente a atenção para as suas
diferenças no respeitante nos meios de imitação utilizados: a pintura usa as cores e as formas, a
poesia usa a linguagem, o ritmo e a harmonia.

No período helenístico, desenvolveu-se uma poesia caracterizada por um acentuado


pictorialismo, frequentemente consagrada à descrição e à narração de figuras e episódios
mitológicos. Gozou de muita fortuna, em particular a poesia ecfrástica, isto é, um género de
27

poesia que se caracteriza por descrever uma obra de arte (pintura, escultura, etc.). O modelo por
excelência da poesia ecfrástica é a famosa descrição do escudo de Aquiles

A analogia entre a poesia e a pintura foi formulada por vários autores ao longo da Idade
Média, mas foi desde o Renascimento até cerca de meados do século XVIII que o símile
horaciano e o aforismo de Simónides de Céos adquiriram uma importância de primeiro plano,
tanto no domínio de teorias como no domínio da prática artística, sendo passado a ser
abusivamente interpretados como significando a existência de semelhanças estruturais entre a
poesia e a pintura. A mimese era considerada como a matriz comuns das duas artes irmãs e, por
conseguinte, segundo as palavras de Leonardo da Vinci,« a pintura é uma poesia que é vista e
não ouvida e a poesia é uma pintura que c ouvida, mas não vista». Em termos análogos, Camões
refere-se à poesia como a pintura que fala (cf. Os Lusíadas, canto VIII, est. 41) e à pintura
como a muda poesia (cf. Os Lisíadas, canto VII, est. 76).

5.1 A Relação entre Literatura e a Pintura

As estreitas relações estabelecidas entre a literatura e a pintura explicam a


frequê[Link] que os pintores, desde o Renascimento até ao Neoclassicismo. escolheram para
tema dos seus quadros figuras e cenas extraídas de obras poéticas e a voga de que usufruiu,
sobretudo no Barroco, a poesia ecfrástica, isto é, como ficou dito, a poesia que descreve, recria,
comenta, exalta uma obra de arte (pintura, escultura, etc.) Quer num caso, quer noutro, trata-se
de um Fenómeno de transposição intersemiótica: o texto poético é construído com signos e com
uma gramática que dependem de um sistema semiótico diferente daquele de que dependem os
signos e a gramática do testo pictórico.

As relações entre a poesia e a pintura começaram a ser postas em causa e abertamente


contestada por diversos autores, ao longo da segunda metade do seculo XVIII. Edmund Burke,
no seu livro intitulado A philosophical enquiry into the origin of our ideas of the sublime and
beautiful (Indagação filosófica sobre a origem das nossas ideias o sublime e o belo, 1757),
escreve que na realidade, a poesia e a retórica não fazem uma descrição exacta das coisas tão
perfeita como a pintura; a sua missão consiste em tocar-nos mais através de simpatia do que da
imitação; antes em mostrar o efeito das coisas na mente de quem fala, ou na mente dos outros, do
que dar uma ideia clara dessas mesmas coisas. Segundo Burke, o sublime é uma categoria
28

estética não apenas distinta da beleza, mas contrária a esta, tal como o preto se contrapõe ao
branco e o sofrimento ao prazer. O sublime não é conciliável com a clareza das ideias, com а
«representação clara da natureza: o sublime exige a obscuridade, o terror, ο sofrimento, a
grandeza. Uma ideia clara, afirma Burke, é outra designação para uma pequena ideia. Só a
linguagem verbal, só a poesia e a eloquência podem gerar a experiência do sublime, porque só
elas podem despertar e agitar poderosamente as paixões. A pintura é admirada e amada com
frieza, em contraste com a calor a força arrebatadora das paixões que a poesia desencadeia.

Tai não significa, todavia, que as relações entre a literatura e a pintura, durante e após a
época romântica, não tenham continuado a tеr importancia, quer no plano da reflexão e da teoria
estéticas, quer no plano das práticas artísticas. O filósofo francês Victor Cousin (1792-1867)
fundamenta-se exactamente a capacidade de inter-relacionamento da poesia com as restantes
artes para proclamar o lugar cimeiro que aquela cabe na hierarquia das artes.

Se as artes devem respeitar a forma uma das outras, existe uma, todavia, que parece
aproveitar dos recursos de todas essa é ainda a poesia. Com a palavra, e poesia consegue pintar e
esculpir, constrói edifícios como a arquitectura, imita até certo ponto a melodia da música. Ele é,
por assim dizer, o centro onde se reúnem todas as artess; é a arte por excelência é a faculdade de
tudo exprimir, com um símbolo universal.

A aproximação entre a literatura e а poesia acentuou-se com as poéticas do Realismo e do


Parnasianismo. Leconte de Lisle, um dos mestres da poética e da poesia parnasianas, sublinha
que o primeiro cuidado daquele que escreve verso ou em prosa deve ser pôr em relevo o lado
pitoresco das coisas Exteriores Com efeito, o Realismo e o Parnasianismo, em contraste com a
poética do Romantismo, valorizam a representação do mundo exterior, prestando acurada
atenção as formas, aos volumes e as cores e cultivando gosto semente as descrições minudentes,
exactas, coloridas e pitorescas.

As relações entre a literatura as artes plásticas, em geral, e a pintura, em particular,


tornaram-se ainda mais íntimas e relevantes com o Modernismo e sobretudo com as chamadas
Vanguardas históricas (Futurismo. Cubismo Surrealismo, Expressionismo). O texto poético,
graças ao aproveitamento visual da materialidade dos seus grafemas e à disposição tipográfica
29

dos seus significantes no espaço da página, espacializa-se, adquire características estruturais que
o fazem funcionar semiticamente de modo semelhante ao texto pictórico.

5.2 A Relação entre a Literatura e a Escultura

A relação entre literatura e escultura se baseia na capacidade de ambas as artes em


expressar ideias, histórias, valores e emoções de maneira simbólica e criativa. Embora uma
utilize palavras e a outras formas tridimensionais, existem várias intersecções entre essas duas
formas de expressão. Aqui estão alguns aspectos importantes dessa relação:

Assim como a literatura narra histórias por meio de palavras, a escultura pode narrar
histórias e transmitir significados por meio de formas e figuras esculpidas. Em monumentos, por
exemplo, esculturas podem retratar episódios históricos, personagens mitológicos ou temas
literários, capturando a essência da narrativa literária em uma forma visual.

Ambas as artes usam o simbolismo para comunicar significados mais profundos. Na


literatura, objectos, personagens ou acções podem representar ideias abstractas ou conceitos
complexos. Na escultura, o uso de formas, posturas e materiais também pode ter um valor
simbólico, como a representação de figuras heróicas ou divinas que ecoam temas literários.

Muitas esculturas foram directamente inspiradas por obras literárias. Artistas ao longo da
história esculpiram personagens e cenas de livros, poemas e mitologias. Um exemplo famoso é a
escultura de “O Pensador’’ de Auguste Rodin, que foi inspirada pelo poema épico "A Divina
Comédia" de Dante Alighieri. Nesse caso, a literatura forneceu o conceito que o escultor
transformou em uma obra física.

Tanto na literatura quanto na escultura, há uma forte ligação com mitos e temas
históricos. Esculturas de figuras mitológicas ou heróis literários imortalizam esses temas, assim
como os escritores fazem em palavras. Grandes narrativas mitológicas e históricas, como as
descritas em textos antigos, frequentemente encontram expressão em esculturas públicas ou
monumentais. Assim como os escritores usam a linguagem para transmitir emoções e
sentimentos complexos, os escultores utilizam materiais e formas para expressar a condição
humana. A escultura de figuras humanas em momentos de dor, alegria, tristeza ou contemplação
é comparável ao modo como a literatura explora a psique humana.
30

A literatura é usada para preservar a memória de eventos e pessoas, assim como a


escultura em forma de monumentos. Muitas vezes, os monumentos esculpidos são
acompanhados de inscrições literárias, criando uma fusão entre palavra e forma. Isso é evidente
em túmulos, memoriais de guerra e estátuas de figuras históricas, onde a escultura e a literatura
trabalham juntas para imortalizar memórias e narrativas.

5.3 A Relação Entre A Literatura e a Arquitectura

A relação entre a literatura e a arquitectura é rica e multifacetada, pois ambas são


expressões criativas que moldam a cultura, comunicam ideias e influenciam a forma como
percebemos o mundo. Apesar de trabalharem com meios diferentes palavras na literatura e
materiais físicos na arquitectura.

Assim como a literatura narra histórias com palavras, a arquitectura cria espaços que, de
certa forma, "contam" histórias. Um edifício pode reflectir a história de uma época, uma cultura
ou um evento, e muitas obras literárias usam descrições arquitectónicas para definir a atmosfera,
o contexto e o simbolismo de uma narrativa. Em romances, por exemplo, a descrição de uma
casa ou cidade pode ser central para a compreensão do estado emocional dos personagens ou das
dinâmicas sociais.

Tanto as literaturas quanto a arquitectura expressam as tradições, valores e a identidade


de uma sociedade. Enquanto a literatura reflecte esses aspectos através de histórias, personagens
e diálogos, a arquitectura o faz por meio de materiais, estilos e formas. Um exemplo é a
arquitectura gótica, que pode ser associada a obras literárias de terror e mistério, como as de
Edgar Allan Poe. Os edifícios, com suas catedrais sombrias e misteriosas, contribuem para criar
a atmosfera de muitas narrativas literárias.

Arquitectura e literatura frequentemente se inspiram uma na outra. Obras literárias podem


influenciar projectos arquitectónicos, como é o caso de cidades ou construções fictícias que
ganham vida real por meio de projectos inspirados na ficção. Por outro lado, escritores são
muitas vezes influenciados pela arquitectura ao descrever lugares que são centrais para suas
31

narrativas. Grandes cidades, palácios e catedrais frequentemente servem de inspiração para


autores que exploram a vida urbana ou histórica.

A arquitectura em uma obra literária pode ser usada para criar o tom ou a atmosfera da
história. A descrição de um edifício, seja ele imponente ou em ruínas, moderno ou antigo, pode
influenciar como o leitor interpreta a trama e os personagens. Em obras como "O Grande
Gatsby", por exemplo, a mansão de Gatsby é um símbolo de sua riqueza e de sua busca por
status e amor, representando o sonho americano em decadência. Arquitectura e literatura são
formas de preservar a história. Enquanto a arquitectura resiste ao tempo como um testemunho
físico das eras passadas, a literatura arquiva a experiência humana e as transformações sociais de
uma época. Grandes obras literárias, como os romances de época ou históricos, frequentemente
descrevem a arquitectura em detalhes para situar o leitor no tempo e espaço de uma narrativa
específica, preservando a memória de construções e ambientes que podem até ter desaparecido.

5.4 Relação da literatura e a dança

A relação entre literatura e dança é profunda e multifacetada, pois ambas as formas


artísticas compartilham a capacidade de narrar histórias, expressar emoções e reflectir a cultura
de uma sociedade. A literatura utiliza a palavra escrita para contar histórias, enquanto a dança
usa o corpo em movimento. Em muitas tradições, como o ballet clássico, a dança é estruturada
em torno de narrativas inspiradas em obras literárias, como "Romeu e Julieta" de Shakespeare,
ou "O Lago dos Cisnes", que também possui uma base literária. Assim como na poesia ou na
prosa, a dança é uma forma de expressar emoções humanas profundas. As palavras, em
literatura, constroem imagens e sentimentos que são também transmitidos pela dança, onde os
movimentos substituem as palavras.

A dança e a literatura frequentemente reflectem a identidade cultural de uma comunidade.


Tradições orais, por exemplo, muitas vezes combinam histórias narradas com dança, criando
uma performance onde as duas artes se misturam. Em Moçambique, por exemplo, a dança
tradicional pode ser uma forma de contar histórias do passado, rituais ou mitos, tal como ocorre
na literatura oral. Na literatura, o simbolismo é um meio poderoso de expressar ideias abstractas.
32

Na dança, movimentos e gestos podem ter significados simbólicos semelhantes, e ambos podem
explorar temas como a identidade, a luta, o amor e a natureza.

5.5 Relação entre literatura e a música

A palavra grega é posta um significado muito amplo e complexe designa toda a


actividade espirituais inspirada e guiada pelas Musas, mas designa, em particular, а música
propriamente dita, a poesia e a dança. No seu significado amplo, o termo «mousikë», como se lê
na República (376.) de Platão, abrange a poesia.

A poesia e a música eram artes que, na antiga Grécia, usufruíam de um estatuto espiritual
e cultural superior: originavam estados de êxtase e provocavam o rapto da mente, ao invés de
artes como a escultura e a pintura, sobre as quais, significativamente, as Musas não estendiam a
sua proteção. Orfen, a musico e o poeta que, com o seu canto, amansava as feras, animava as
pedras, fazia mover as árvores pacificava os homens, é o símbolo mítico desta profunda união
das duas artes. Como escreveu Shelley Frameshens Citbound.( IV. 415-418), toda a linguagem
poética é um cante órfico que imitara a harmonia universal.

A poesia medieval trovadoresca, na Provença, na França do Norte, na Galiza, em


Portugal, na Alemanha, era igualmente indissociável da música e, muitas vezes, da dança. Como
as próprias palavras indicam, a cantiga de amigo. cantiga de amor, a cause provençal eram
composições trovadorescas destina das a ver acompanhadas de músicas e a ser cantadas. Em
provençal, a palavra sonet significa melodia, trato com melodia.

No texto literário, os sons, na sua materialidade, com o seu timbre, a sua intensidade, a
sua harmonia, as suas combinações e repetições, originam fenómenos que podem ser
apropriadamente caracterizados como sendo fenómenos de fono-estesia e que se assemelham
muito a fenómenos musicais. Veja-se, por exemplo, como nos tercetos do soneto de Jorge de
Sena cujo incipité Marinha pousa a névoa iluminada (do livro As evidencias), as aliterações,
com a reiteração de fonemas sibilantes e dentais surdos e com a acumulação da mesma vogal no
último verso, produzem efeitos foro-estésicos que não reforçam apenas os valores semânticos
dos vocábulos e dos sintagmas, mas que geram matizes sémicos peculiares.
33

5.6 Relação entre Literatura e o cinema

Entre o cinema (a sétima arte) surgida no final de século XIX e a literatura existem
relações múltiplas e importantes. Tal como muitos textos pictóricos e musicais tem sido
inspirados por textos literários, assim também numerosos filmes têm sido extraídos ou adaptados
de textos literários, sobretudo de romances, novelas e contos, mas também de tragédias,
comédias e dramas. O texto fílmico narra frequentemente uma história, uma sequencia de
eventos ocorridos a determinadas personagens num determinado espaço e num determinado
tempo, e por isso mesmo é tão frequente e congenial a sua relação intersemiotica com textos
literários nos quais também se narra ou se representa uma história. O cinema, tal como a
literatura e ao invés da pintura, é uma arte temporal e por isso mesmo apta a construir e
comunicar histórias, no seu fluir e nas suas transformações e não apenas numa das suas situações
ou num dos seus estádios.

As relações entre o cinema e a literatura não se reduzem, porém, à derivação de textos


fílmicos a partir de textos literários. Pode ocorrer o fenómeno verso, isto é, a produção de um
romance, de uma novela ou de um conto por derivação de um firme, como aconteceu com a
adaptação a romance do filme de Godard intitulado A bout de souffle. Outras vezes, tem sido
publicado o guião do filme, como texto para ser lido e fruido por um leitor. Alguns escritores
têm cultivado um subgénero narrativo que se poderá designar por cine-romance. E que se
caracteriza por construir as personagens, as situações e os eventos narrativos em conformidade
com a gramática do cinema, de tal modo que os seus textos se configuram como que pré-
organizados para а sua transcodificação fílmica. L'année dernière à Marienhad de Alain Robbe-
Grillet constitui um perfeito exemplo de cine.

6 A Crítica Literária Moçambicana

Nos primeiros anos após a independência, a crítica literária em Moçambique estava


profundamente imersa na ideologia do socialismo e na valorização da literatura como ferramenta
para a construção da nação. A crítica literária nesse período inicial foi fortemente influenciada
pela necessidade de promover uma literatura que contribuísse para a construção da identidade
nacional e para a formação de uma nova consciência política e social. A crítica literária nesse
34

período inicial foi dominada pela visão oficial do governo, que enfatizava a literatura como uma
ferramenta para a edificação nacional e a propagação dos valores socialistas.
Autores como João Paulo Borges Coelho (2000) destacam que a crítica literária era
muitas vezes moldada por uma abordagem ideológica, reflectindo a visão do governo sobre a
literatura como um meio para consolidar a nova identidade moçambicana e apoiar os objectivos
políticos do Estado. O governo revolucionário incentivou a produção de uma literatura que
celebrasse a identidade nacional e a luta pela liberdade (Pereira, 2001). Os críticos e académicos
dessa época, como José Craveirinha e Paulina Chiziane, desempenharam papéis cruciais na
construção do discurso crítico.

6.1 A Crítica Literária Contemporânea

Desde o início do século XXI, a crítica literária moçambicana continuou a evoluir,


reflectindo as mudanças sociais, políticas e culturais do país. A partir da década de 1990, com o
advento da globalização e o desenvolvimento das tecnologias da informação, a crítica literária
moçambicana passou a se inserir em um contexto mais amplo e globalizado. Este período é
caracterizado pela emergência de novas vozes críticas e pelo engajamento com questões
contemporâneas, como a globalização, a multiculturalidade e a crise ambiental (Brito, 2011).
A crítica literária contemporânea em Moçambique tem sido marcada por uma maior
pluralidade de abordagens e metodologias. A análise crítica das obras de autores como João
Paulo Borges Coelho, Verónica Zonde e Gustavo Mello, por exemplo, demonstra um interesse
crescente em explorar as complexidades da identidade moçambicana e a intersecção entre local e
global (Zonde, 2014).
A crítica de Chiziane aborda questões de género e identidade de forma inovadora, e a
recepção crítica dessas obras reflecte uma consciência crescente sobre questões de género e
representação (Chiziane, 2003).

6.2 Pós-colonialidade e cânone na construção da autonomia da literatura moçambicana

A pós-colonialidade refere-se ao período e às dinâmicas que surgem após a


independência de um país colonizado, incluindo a reconfiguração das identidades culturais e
literárias. Na literatura moçambicana, a pós-colonialidade é um tema central que reflecte a luta
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por uma identidade nacional autêntica, livre das influências coloniais (Soyinka, 1993). Estudos
como os de Kwame Anthony Appiah (1991) e Homi K. Bhabha (1994) abordam como as
sociedades pós-coloniais negociam e reconfiguram suas identidades culturais e literárias.

6.2.1 O Cânone Literário e a Construção da Autonomia

O conceito de cânone literário está intrinsecamente ligado à ideia de selecção e


valorização de obras que, ao longo do tempo, são consideradas fundamentais para a formação de
uma identidade cultural e literária de um povo ou nação. Em Moçambique, a construção de um
cânone literário que reflicta a realidade e a identidade do país tem sido um processo marcado por
desafios históricos, culturais e sociais. O cânone moçambicano, ao destacar autores como Mia
Couto, Paulina Chiziane e Ungulani Ba Ka Khosa, tem buscado uma literatura que seja
simultaneamente autêntica e independente das influências coloniais, contribuindo para a
construção de uma autonomia literária que fortaleça a identidade nacional.
A construção do cânone literário moçambicano é um processo complexo, influenciado
por diversas forças sociais, políticas e culturais. Conforme aponta Bill Ashcroft et al. (2002), a
formação de um cânone em contextos pós-coloniais é muitas vezes um acto de resistência, em
que as sociedades recém-independentes buscam afirmar uma nova identidade cultural e literária,
distinta da metrópole colonial.
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7 Conclusão

A história da Literatura pode ser definida como uma ciência que estuda a produção
literária de um povo sob um viés cronológico. Quando se estudam diversos autores do passado,
em alguma medida, percebe-se certa correlação entre os dizeres de cada escritor, construindo-se
movimentos ou escolas literárias.

Os textos literários, são aqueles que, em geral, têm o objectivo de emocionar o leitor, e
para isso exploram a linguagem conotativa ou poética. Em geral, ocorre o predomínio da função
emotiva e poética. Os géneros literários são a classificação das obras literárias que pode ser
desde género lírico que nada mais e do que uma expressão do mundo inteiro das suas ideias e
impressões, ou do género épico que nada mais é do que uma narrativa de um história que pode
ser desde um povo as guerras, viagens e etc., também tem o género dramático que e mais usado
em peças teatrais e que contam fatos tristes como a miséria humana e por último o género
narrativo que é o mais novo e o mais comum hoje em dia que simplesmente retrata novelas e
histórias fictícias.
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8 Referência bibliográfica

Barthes, Roland. O Prazer do Texto. São Paulo: Perspectiva, 1973.


AGUIAR E SILVA,Vitor Manuel. Teoria da Literatura, 8a ed. Coimbra: Almeida, 1997
TOMACHEVSKI, Boris. A vida dos procedimentos da trama. In: ____ et alii. Teoria da
Hutcheon, Linda. Poética do Pós-modernismo. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
Literatura, formalistas russos. Porto Alegre: Globo, 1973.
Danto, Arthur. A Transfiguração do Lugar-comum. São Paulo: Cosac Naify, 2010.
CHICUMULE, F: 2022. Manual de introdução aos estudos literários. Curso de licenciatura
em ensino de Portugues. Beira

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