Literatura Micaela
Literatura Micaela
Chimoio
Outubro, 2024
Micaela Domingos João
Chimoio
Outubro, 2024
Índice
1 Introdução...............................................................................................................................4
1.1 Objectivos.........................................................................................................................5
1.1.1 Objectivo Geral..........................................................................................................5
1.1.2 Objectivos Expecificos:.............................................................................................5
1.2 Metodologia......................................................................................................................5
A metodologia usada neste trabalho é a de pesquisa bibliográfica..........................................5
2 Conceito de Literatura...........................................................................................................6
2.1 O que é literatura e o que não é literatura.........................................................................6
2.2 O Paradoxo Da Obra E Texto Em Roland Barthes...........................................................8
2.3 Concepção Histórica Da Função Da Literatura................................................................9
2.3.1 História da Literatura.................................................................................................9
2.3.2 Funções da Literatura..............................................................................................10
3 A comunicação literária.......................................................................................................11
3.1 Comunicação linguística e comunicação literária...........................................................11
3.2 A comunicação artística..................................................................................................12
3.3 O fenómeno de feedback na comunicação literária........................................................13
3.4 Autor empírico, autor textual, narrador..........................................................................14
3.5 O emissor e a poética formalista.....................................................................................14
3.6 A supressão do autor/emissor na poética contemporânea...............................................14
4 Os Géneros Literários Na Pós-Modernidade.....................................................................15
4.1 Contexto Histórico do Pós-Modernismo.........................................................................15
4.2 A desconstrução do Eu....................................................................................................16
4.3 O Critério Estético..........................................................................................................17
4.4 A Esquizofrenia Social....................................................................................................18
4.5 Dialogismo ou intertextualidade na literatura contemporanea (Mikhail Bakhtin).........19
4.6 Identidade, Ecletismo, Bricolagem.................................................................................20
4.6.1 Identidade................................................................................................................20
4.6.2 Ecletismo.................................................................................................................20
4.6.3 Bricolagem...............................................................................................................21
4.7 Analise dos Textos na Perspectiva Científica.................................................................21
4.8 História da literatura (enfoque biográfico, psicológico, sociológico e filológico).........22
4.8.1 Enfoque Biográfico..................................................................................................22
4.8.2 Enfoque Psicológico................................................................................................22
4.8.3 Enfoque Sociológico................................................................................................23
4.8.4 Enfoque Filológico..................................................................................................23
4.9 Teoria da literatura (René Welker 1942)........................................................................23
4.10 Análise textos (romance, conto e poesia), tendo em conta a perspetiva científica da
literatura.....................................................................................................................................24
4.10.1 A Perspectiva Científica na Análise de Romances..................................................24
5 Relação Da Literatura Com Outras Áreas........................................................................25
5.1 A Relação entre Literatura e a Pintura............................................................................26
5.2 A Relação entre a Literatura e a Escultura......................................................................28
5.3 A Relação Entre A Literatura e a Arquitectura...............................................................29
5.4 Relação da literatura e a dança........................................................................................30
5.5 Relação entre literatura e a música.................................................................................31
5.6 Relação entre Literatura e o cinema................................................................................32
6 A Crítica Literária Moçambicana......................................................................................32
6.1 A Crítica Literária Contemporânea.................................................................................33
6.2 Pós-colonialidade e cânone na construção da autonomia da literatura moçambicana....33
6.2.1 O Cânone Literário e a Construção da Autonomia..................................................34
7 Conclusão..............................................................................................................................35
8 Referência bibliográfica.......................................................................................................36
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1 Introdução
A literatura (do latim littera, que significa “letra”) é uma das manifestações artísticas do ser
humano, ao lado da música, dança, teatro, escultura, arquitetura, dentre outras. Ela representa
comunicação, linguagem e criatividade, sendo considerada a arte das [Link]-se, portanto,
de uma manifestação artística, em prosa ou verso, muito antiga que utiliza das palavras para criar
arte, ou seja, a matéria prima da literatura são as palavras. (DIANA, 2012).
1.1 Objectivos
1.2 Metodologia
2 Conceito de Literatura
A literatura (do latim littera, que significa “letra”) é uma das manifestações artísticas do ser
humano, ao lado da música, dança, teatro, escultura, arquitetura, dentre outras. Ela representa
comunicação, linguagem e criatividade, sendo considerada a arte das [Link]-se, portanto,
de uma manifestação artística, em prosa ou verso, muito antiga que utiliza das palavras para criar
arte, ou seja, a matéria prima da literatura são as palavras. (DIANA, 2012).
Já o texto não literário tem como marca a linguagem referencial, por isso, também é
chamado de texto utilitário. Em resumo, o texto literário é destinado à expressão, com a realidade
demonstrada de maneira poética, podendo haver subjetividade.
O texto não literário, contudo, é marcado pelo retrato da realidade desnuda e crua. É possível
tratar sobre o mesmo assunto nas duas formas de texto e apontar o tema ao receptor sem prejuízo
a informação.
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Os textos literários, são aqueles que, em geral, têm o objectivo de emocionar o leitor, e
para isso exploram a linguagem conotativa ou poética. Em geral, ocorre o predomínio da função
emotiva e poética. Os géneros literários são a classificação das obras literárias que pode ser
desde género lírico que nada mais e do que uma expressão do mundo inteiro das suas ideias e
impressões, ou do género épico que nada mais é do que uma narrativa de um história que pode
ser desde um povo as guerras, viagens e etc., também tem o género dramático que e mais usado
em peças teatrais e que contam fatos tristes como a miséria humana e por último o género
narrativo que é o mais novo e o mais comum hoje em dia que simplesmente retrata novelas e
histórias fictícias.
Texto não Literário contém denotações, ou seja, o que está escrito é no sentido de
dicionários, não permite outras interpretações. É o caso das notícias de jornal, os manuais de
instrução, as bulas de remédios, esta explicação que estou dando, etc... Os textos não literários
pretendem informar o leitor de forma directa e objectiva, a partir de uma linguagem denotativa.
A função referencial predomina nos textos não-literários.
Paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira, mas que leva a uma contradição
lógica ou que contradiz a intuição comum, ou seja, e uma figura de linguagem que consiste na
aproximação de ideias:
E uma terceira incerteza vem de aceitar que, ao fundo, a ciência que está mais próxima ao
conceito de prazer na actualidade é a psicanálise. Porém a psicanálise introduz um conceito
muito sútil das diferenças entre os tipos de prazer. No sentido de Barthes, há uma oposição;
considera bastante diferente, que não quer dizer que seja absolutamente verdadeira, mas tem um
valor de guia, de condução, de condutor teórico, que é a posição entre o prazer e o desfrute
(fruição).
Porém, em geral, o que está de parte do prazer são os textos que têm ou apostam no leitor
uma espécie de euforia, de comodidade; a comodidade no refazimento dos eu ego, de alguma
maneira, e por isso mesmo, o prazer é totalmente compatível com a cultura. Há um prazer da
cultura, sem dúvida.
Enquanto a fruição, evidentemente, é algo mais radical, algo muito mais absoluto, que
sacode o sujeito que está lendo, que o divide, que o pluraliza, que o despersonaliza. É, pois, uma
experiência muito diferente, que com frequência vai precisamente contra a leitura. É nesse
sentido que o texto de fruição é raro e muito variável segundo o sujeito. São textos que têm um
pouco de valor, de experiência-limite, de experiências marginais.
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A história da Literatura pode ser definida como uma ciência que estuda a produção literária de
um povo sob um viés cronológico. Quando se estudam diversos autores do passado, em alguma
medida, percebe-se certa correlação entre os dizeres de cada escritor, construindo-se movimentos
ou escolas literárias. No Brasil, a história da Literatura é dividida da seguinte forma:
Quinhentismo
Literatura produzida nos primeiros anos do descobrimento do Brasil, por volta do século XVI. É
dividido em Literatura de informação e de catequese.
Barroco
Obras produzidas por volta do século XVII, sob influência do Barroco europeu.
Arcadismo
Com manifestações líricas, satíricas e épicas, esse movimento ocorreu durante parte do ciclo do
ouro no Brasil, no século XVIII.
Romantismo
Movimento literário das primeiras décadas do século XIX, foi fundador de várias bases da nossa
identidade nacional, com autores como Gonçalves Dias e José de Alencar.
Realismo / Naturalismo
Em oposição ao Romantismo, o Realismo e o Naturalismo ocorreram nos anos finais do século
XIX e tiveram como principais expoentes Machado de Assis e Aluísio Azevedo,
respectivamente.
Simbolismo
Movimento poético de revolução nos signos linguísticos e nas percepções sobre o sujeito, o
Simbolismo ocorreu no final do século XIX.
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Parnasianismo
Escola literária que buscava atingir o belo clássico por meio do apurado trabalho formal dos
poetas, comparados a ourives.
Pré-modernismo
Embora não seja exactamente um movimento literário, esse período histórico teve autores
fundamentais, como Monteiro Lobato, Lima Barreto, Euclides da Cunha e José Lins do Rego.
Modernismo
Movimento fundado em 1922, durante a Semana de Arte Moderna, é considerado o marco inicial
da Literatura brasileira do século XX.
Literatura Contemporânea
É considerada Literatura contemporânea brasileira toda manifestação literária produzida após os
anos de 1945 no Brasil.
Fomentar a reflexão sobre a realidade: a leitura nos convida a reflectir sobre a realidade,
incentivando a questionar o status quo e a explorar novas possibilidades, proporcionando
uma visão crítica e reflexiva sobre o mundo que nos cerca.
3 A comunicação literária
O processo da produção artística ignora que a obra de arte só existe qua obra de arte
enquanto objecto de transacção estética, o que pressupõe um receptor como indispensável pólo
do peculiar processo de intercompreensão representada por essa transição estética. (ibid)
Admitindo por conseguinte que todo o processo artístico constitui um peculiar fenómeno
comunicativo, julgamos teoricamente indispensável o reconhecimento de que as várias artes
possuem um estatuto comunicacional diferenciado. Esta diferenciação funda-se na natureza
diversa dos signos constituintes do sistema semiótico de cada arte. A literatura, dada a sua
essencial solidariedade semiótica com o sistema da comunicação por excelência de que o homem
dispõe a linguagem verbal, ocupa necessariamente uma posição privilegiada entre todas as artes.
O autor empírico é a pessoa real, o ser de carne e osso integrado dentro de uma
sociedade identificável, aquele que existe no mundo natural, cujo nome civil figura, de
uma maneira geral nas capas das suas obras.
O autor textual é uma espécie do "segundo eu", inseparável à uma obra. Este é criado
pelo autor, a sua existência só se efectiva no texto literário, tem o papel de enunciador do
texto e a sua imagem varia de leitor para leitor, vista a sua natureza ficcional.
O narrador é a entidade enunciadora do discurso. O autor pode criar um ou mais
narradores.
Do ponto de vista filosófico, a supressão do autor é motivada pelo facto de o homem não
dispor da linguagem, e é a linguagem que dispõe do homem, uma vez que o significado de uma
obra ultrapassa o seu autor.
A supressão do autor/emissor na poética contemporânea pode ser justificada pelo facto de
se considerar o autor como um ser variável uma vez que, dispondo de material literário, ele vai
destruindo e construindo textos, estabelecendo sempre um diálogo com outros textos, renovando-
os, imitando-os, etc.
A supressão do autor/emissor pode ser de certa forma devida pelo facto de tentar dotar a
obra de certos aspectos atemporais, bem como motivado por factores socioeconómicos,
históricos, etc.
O movimento pós-moderno pode ser dividido em duas fases, a primeira delas começa a
partir de 1945, com o final da Segunda Guerra Mundial, terminando por volta de 1960. Nesse
primeiro momento, a vida pós-guerra é marcada por um sentimento de insatisfação e decepção
com a sociedade, gerando uma inquietação dos artistas daquela época, com questionamentos
contrários ao que foi o modernismo.
Então, temos uma ruptura com os modelos pré-definidos de gêneros literários, existindo
uma mistura de estilos, com textos de prosa com forte influência da poesia, cargas de
17
4.2 A desconstrução do Eu
Impactos na Saúde Mental: A "esquizofrenia social" pode ter consequências sérias para a
saúde mental. A alienação e a desconexão podem levar a problemas como ansiedade,
depressão e outras condições psicológicas que impactam a qualidade de vida dos
indivíduos.
Mikhail Bakhtin é conhecido por suas contribuições significativas aos estudos literários,
particularmente no que diz respeito à dialogismo, que se refere à interação de vozes e
perspectivas diferentes dentro de um texto. Bakhtin propõe que o significado em um texto
literário não é fixo, mas é criado através do diálogo entre o autor, o texto e os leitores, bem como
através da interação de diferentes vozes dentro do próprio texto.
Na literatura contemporânea, o dialogismo se manifesta de várias maneiras, incluindo a
multiplicidade de perspectivas narrativas, a inclusão de referências culturais diversas e a fusão de
gêneros. A intertextualidade, um conceito relacionado, envolve a interação entre diferentes
textos, em que um texto alude, referencia ou é influenciado por outros.
Bakhtin também é conhecido por seu conceito de "carnavalização", onde ele compara a
literatura com o carnaval, onde normas e hierarquias são temporariamente subvertidas,
permitindo uma mistura de diferentes vozes e estilos. Essa ideia continua a ser explorada na
literatura contemporânea, que muitas vezes desafia convenções e revela a complexidade das
realidades sociais.
Mikhail Bakhtin foi um pensador e crítico literário russo que trouxe importantes
contribuições para o entendimento do dialogismo e da intertextualidade na literatura. No seu
trabalho, Bakhtin enfatiza a importância do diálogo para a compreensão do texto literário.
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Bakhtin via a literatura como um espaço polifônico, onde múltiplas vozes contribuem
para uma multiplicidade de significados. Essa visão tem profunda influência sobre a literatura
contemporânea, que muitas vezes abraça a complexidade e a diversidade de vozes para explorar
temas complexos e multicamadas.
4.6.1 Identidade
4.6.2 Ecletismo
Este termo é usado para descrever uma abordagem que combina diferentes estilos, ideias
ou influências. No campo da arte, por exemplo, um artista eclético pode incorporar várias
tradições artísticas em suas obras. O ecletismo é muitas vezes visto na música, na arquitetura e
22
na moda, onde elementos de várias épocas e contextos são mesclados para criar algo novo e
inovador.
4.6.3 Bricolagem
Esses três conceitos juntos mostram como a cultura é um campo em constante evolução,
onde a identidade é moldada por um diálogo dinâmico entre diferentes influências e
experiências. (Estangueiro, 2001).
Análise Estrutural a análise estrutural da poesia foca na forma do poema sua métrica,
rima, aliteração, assonância e estrutura estrófica. Por exemplo, ao analisar o soneto “À Beira do
Lago de Innisfree” de WB Yeats, uma abordagem estrutural pode examinar como a escolha de
uma forma tradicional como o soneto contribui para o tema de nostalgia e desejo de retorno a um
23
estado natural e pacífico. A métrica iâmbica e a rima regular reforçam a harmonia que o poeta
deseja alcançar, contrastando com a cacofonia da vida urbana descrita no poema (Kane, 2009).
A história da literatura é um campo vasto que envolve o estudo das obras literárias ao
longo do tempo, suas influências, evolução e os contextos em que foram produzidas. A análise
da literatura pode ser feita a partir de diferentes enfoques, entre eles o biográfico, psicológico,
sociológico e filológico. Cada um desses enfoques oferece uma perspectiva única e complementa
a compreensão das obras literárias, dos autores e dos contextos históricos e culturais em que
foram escritos.
O enfoque psicológico na literatura busca entender as obras através das lentes das teorias
psicológicas. Esta abordagem se concentra na análise das motivações internas dos 7 personagens,
nos conflitos emocionais e inconscientes, e nas influências psicológicas que moldam tanto os
autores quanto suas criações literárias. A aplicação da psicologia na análise literária foi
24
popularizada por críticos como Sigmund Freud. Freud, em seu ensaio “O Estranho” (1919),
introduz o conceito de “inquietante” ou “estranho” (em alemão, “unheimlich”) para explicar a
sensação de familiaridade perturbadora que algumas obras literárias evocam.
O enfoque filológico é centrado na análise linguística e textual das obras literárias. Esta
abordagem envolve o estudo da evolução das línguas, a história dos textos e a reconstrução das
versões originais das obras literárias. A filologia pode revelar as mudanças nos significados das
palavras, o contexto histórico das expressões e as influências interculturais na literatura. Um dos
principais expoentes do enfoque filológico foi Friedrich August Wolf, que, investigou a autoria e
a composição dos poemas homéricos, “Ilíada” e “Odisseia”. Wolf argumentou que esses textos
não foram escritos por um único autor, mas que são o resultado de uma tradição oral colectiva.
No Contexto Histórico e Acadêmico de René Welker René Welker foi um dos críticos
literários mais influentes do século XX, cuja obra contribuiu significativamente para a formação
dos estudos literários modernos. No contexto dos anos 1940, os estudos literários estavam em
uma fase de transição, passando-se de abordagens essencialmente biográficas e históricas para
25
uma ênfase maior na textualidade e na linguagem, em parte influenciada por a ordem dos eventos
em uma narrativa pode manipular a percepção do leitor sobre a causalidade e o tempo, ou como a
reprodução de certos motivos pode criar uma sensação de unidade e coerência dentro da obra.
Essa ênfase na estrutura prefigura o interesse posterior na narrativa por parte de teóricos como
Gérard Genette, que desenvolveria a narratologia como um campo de estudo especializado.
A interpretação e a função do crítico No que diz respeito à interpretação, Welker sustenta
que o papel do crítico literário é desvelar as camadas de significado em um texto, muitas vezes
ocultas pelo uso sofisticado da linguagem e da estrutura. Ele rejeita a ideia de que o significado
de uma obra literária seja fixo ou unívoco, argumentando que a riqueza da literatura reside
precisamente em sua capacidade de suscitar múltiplas interpretações. Essa abordagem aberta à
interpretação múltipla ressoa com as ideias de teóricos posteriores como Paul Ricoeur, que
enfatizou a importância da hermenêutica na leitura dos textos. Welker defende que o crítico deve
estar ciente dos recursos estilísticos e formais utilizados pelo autor, e que deve aplicar um rigor
metodológico na análise do texto, evitando cair em simplificações ou interpretações
reducionistas. Para ele, a crítica literária deve ser uma disciplina rigorosa, que combine
conhecimento técnico com sensibilidade estética.
4.10 Análise textos (romance, conto e poesia), tendo em conta a perspetiva científica da
literatura
Analisar textos literários, sejam eles romances, contos ou poesias, através da perspectiva
científica da literatura, envolve uma aplicação de teorias literárias e métodos analíticos
específicos para compreender a estrutura, o significado e o impacto desses textos. Este tipo de
análise não apenas aprecia a estética e o conteúdo dos textos, mas também investiga como esses
textos reflectem e moldam realidades sociais, culturais e psicológicas.
Plutarco, noutro passo da mesma obra (171-180), sublinha que a arte da poesia uma arte
imitativa e que é uma faculdade análoga à pintura, tornando assim claro que a analogia entre as
duas artes se funda na imitação (mimeses) da realidade. A pintura, sob esta perspectiva, pode se
considerar como a expressão artística paradigmática, pois que ela realizaria melhor do que
qualquer outra arte a relação mimética com o real.
E ainda Plutarco que, ao comentar uma descrição de Tucídides, realça a vividez pictórica
do texto do historiador. A palavra grega “enurgele” um termo pertencente à retórica e significa a
capacidade que as imagens verbais possuem para representarem visualmente, com vivacidade, as
cenas, as coisas e os seres de que se fala.
Platão apresenta o poeta «em simetria com o pintor», acusando um e outro de não se
preocuparem com a verdade.
Aristóteles, por mais de uma vez, compara a arte do poeta e do pintor, afirmando, por
exemplo, que as tragédias dos poetas modernos não possuem caracteres, à semelhança do que
acontece na pintura de Zêuxis. Aristóteles chama a atenção para as afinidades existentes entre as
duas artes no respeitante aos objectos da imitação, mas chama igualmente a atenção para as suas
diferenças no respeitante nos meios de imitação utilizados: a pintura usa as cores e as formas, a
poesia usa a linguagem, o ritmo e a harmonia.
poesia que se caracteriza por descrever uma obra de arte (pintura, escultura, etc.). O modelo por
excelência da poesia ecfrástica é a famosa descrição do escudo de Aquiles
A analogia entre a poesia e a pintura foi formulada por vários autores ao longo da Idade
Média, mas foi desde o Renascimento até cerca de meados do século XVIII que o símile
horaciano e o aforismo de Simónides de Céos adquiriram uma importância de primeiro plano,
tanto no domínio de teorias como no domínio da prática artística, sendo passado a ser
abusivamente interpretados como significando a existência de semelhanças estruturais entre a
poesia e a pintura. A mimese era considerada como a matriz comuns das duas artes irmãs e, por
conseguinte, segundo as palavras de Leonardo da Vinci,« a pintura é uma poesia que é vista e
não ouvida e a poesia é uma pintura que c ouvida, mas não vista». Em termos análogos, Camões
refere-se à poesia como a pintura que fala (cf. Os Lusíadas, canto VIII, est. 41) e à pintura
como a muda poesia (cf. Os Lisíadas, canto VII, est. 76).
estética não apenas distinta da beleza, mas contrária a esta, tal como o preto se contrapõe ao
branco e o sofrimento ao prazer. O sublime não é conciliável com a clareza das ideias, com а
«representação clara da natureza: o sublime exige a obscuridade, o terror, ο sofrimento, a
grandeza. Uma ideia clara, afirma Burke, é outra designação para uma pequena ideia. Só a
linguagem verbal, só a poesia e a eloquência podem gerar a experiência do sublime, porque só
elas podem despertar e agitar poderosamente as paixões. A pintura é admirada e amada com
frieza, em contraste com a calor a força arrebatadora das paixões que a poesia desencadeia.
Tai não significa, todavia, que as relações entre a literatura e a pintura, durante e após a
época romântica, não tenham continuado a tеr importancia, quer no plano da reflexão e da teoria
estéticas, quer no plano das práticas artísticas. O filósofo francês Victor Cousin (1792-1867)
fundamenta-se exactamente a capacidade de inter-relacionamento da poesia com as restantes
artes para proclamar o lugar cimeiro que aquela cabe na hierarquia das artes.
Se as artes devem respeitar a forma uma das outras, existe uma, todavia, que parece
aproveitar dos recursos de todas essa é ainda a poesia. Com a palavra, e poesia consegue pintar e
esculpir, constrói edifícios como a arquitectura, imita até certo ponto a melodia da música. Ele é,
por assim dizer, o centro onde se reúnem todas as artess; é a arte por excelência é a faculdade de
tudo exprimir, com um símbolo universal.
dos seus significantes no espaço da página, espacializa-se, adquire características estruturais que
o fazem funcionar semiticamente de modo semelhante ao texto pictórico.
Assim como a literatura narra histórias por meio de palavras, a escultura pode narrar
histórias e transmitir significados por meio de formas e figuras esculpidas. Em monumentos, por
exemplo, esculturas podem retratar episódios históricos, personagens mitológicos ou temas
literários, capturando a essência da narrativa literária em uma forma visual.
Muitas esculturas foram directamente inspiradas por obras literárias. Artistas ao longo da
história esculpiram personagens e cenas de livros, poemas e mitologias. Um exemplo famoso é a
escultura de “O Pensador’’ de Auguste Rodin, que foi inspirada pelo poema épico "A Divina
Comédia" de Dante Alighieri. Nesse caso, a literatura forneceu o conceito que o escultor
transformou em uma obra física.
Tanto na literatura quanto na escultura, há uma forte ligação com mitos e temas
históricos. Esculturas de figuras mitológicas ou heróis literários imortalizam esses temas, assim
como os escritores fazem em palavras. Grandes narrativas mitológicas e históricas, como as
descritas em textos antigos, frequentemente encontram expressão em esculturas públicas ou
monumentais. Assim como os escritores usam a linguagem para transmitir emoções e
sentimentos complexos, os escultores utilizam materiais e formas para expressar a condição
humana. A escultura de figuras humanas em momentos de dor, alegria, tristeza ou contemplação
é comparável ao modo como a literatura explora a psique humana.
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Assim como a literatura narra histórias com palavras, a arquitectura cria espaços que, de
certa forma, "contam" histórias. Um edifício pode reflectir a história de uma época, uma cultura
ou um evento, e muitas obras literárias usam descrições arquitectónicas para definir a atmosfera,
o contexto e o simbolismo de uma narrativa. Em romances, por exemplo, a descrição de uma
casa ou cidade pode ser central para a compreensão do estado emocional dos personagens ou das
dinâmicas sociais.
A arquitectura em uma obra literária pode ser usada para criar o tom ou a atmosfera da
história. A descrição de um edifício, seja ele imponente ou em ruínas, moderno ou antigo, pode
influenciar como o leitor interpreta a trama e os personagens. Em obras como "O Grande
Gatsby", por exemplo, a mansão de Gatsby é um símbolo de sua riqueza e de sua busca por
status e amor, representando o sonho americano em decadência. Arquitectura e literatura são
formas de preservar a história. Enquanto a arquitectura resiste ao tempo como um testemunho
físico das eras passadas, a literatura arquiva a experiência humana e as transformações sociais de
uma época. Grandes obras literárias, como os romances de época ou históricos, frequentemente
descrevem a arquitectura em detalhes para situar o leitor no tempo e espaço de uma narrativa
específica, preservando a memória de construções e ambientes que podem até ter desaparecido.
Na dança, movimentos e gestos podem ter significados simbólicos semelhantes, e ambos podem
explorar temas como a identidade, a luta, o amor e a natureza.
A poesia e a música eram artes que, na antiga Grécia, usufruíam de um estatuto espiritual
e cultural superior: originavam estados de êxtase e provocavam o rapto da mente, ao invés de
artes como a escultura e a pintura, sobre as quais, significativamente, as Musas não estendiam a
sua proteção. Orfen, a musico e o poeta que, com o seu canto, amansava as feras, animava as
pedras, fazia mover as árvores pacificava os homens, é o símbolo mítico desta profunda união
das duas artes. Como escreveu Shelley Frameshens Citbound.( IV. 415-418), toda a linguagem
poética é um cante órfico que imitara a harmonia universal.
No texto literário, os sons, na sua materialidade, com o seu timbre, a sua intensidade, a
sua harmonia, as suas combinações e repetições, originam fenómenos que podem ser
apropriadamente caracterizados como sendo fenómenos de fono-estesia e que se assemelham
muito a fenómenos musicais. Veja-se, por exemplo, como nos tercetos do soneto de Jorge de
Sena cujo incipité Marinha pousa a névoa iluminada (do livro As evidencias), as aliterações,
com a reiteração de fonemas sibilantes e dentais surdos e com a acumulação da mesma vogal no
último verso, produzem efeitos foro-estésicos que não reforçam apenas os valores semânticos
dos vocábulos e dos sintagmas, mas que geram matizes sémicos peculiares.
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Entre o cinema (a sétima arte) surgida no final de século XIX e a literatura existem
relações múltiplas e importantes. Tal como muitos textos pictóricos e musicais tem sido
inspirados por textos literários, assim também numerosos filmes têm sido extraídos ou adaptados
de textos literários, sobretudo de romances, novelas e contos, mas também de tragédias,
comédias e dramas. O texto fílmico narra frequentemente uma história, uma sequencia de
eventos ocorridos a determinadas personagens num determinado espaço e num determinado
tempo, e por isso mesmo é tão frequente e congenial a sua relação intersemiotica com textos
literários nos quais também se narra ou se representa uma história. O cinema, tal como a
literatura e ao invés da pintura, é uma arte temporal e por isso mesmo apta a construir e
comunicar histórias, no seu fluir e nas suas transformações e não apenas numa das suas situações
ou num dos seus estádios.
período inicial foi dominada pela visão oficial do governo, que enfatizava a literatura como uma
ferramenta para a edificação nacional e a propagação dos valores socialistas.
Autores como João Paulo Borges Coelho (2000) destacam que a crítica literária era
muitas vezes moldada por uma abordagem ideológica, reflectindo a visão do governo sobre a
literatura como um meio para consolidar a nova identidade moçambicana e apoiar os objectivos
políticos do Estado. O governo revolucionário incentivou a produção de uma literatura que
celebrasse a identidade nacional e a luta pela liberdade (Pereira, 2001). Os críticos e académicos
dessa época, como José Craveirinha e Paulina Chiziane, desempenharam papéis cruciais na
construção do discurso crítico.
por uma identidade nacional autêntica, livre das influências coloniais (Soyinka, 1993). Estudos
como os de Kwame Anthony Appiah (1991) e Homi K. Bhabha (1994) abordam como as
sociedades pós-coloniais negociam e reconfiguram suas identidades culturais e literárias.
7 Conclusão
A história da Literatura pode ser definida como uma ciência que estuda a produção
literária de um povo sob um viés cronológico. Quando se estudam diversos autores do passado,
em alguma medida, percebe-se certa correlação entre os dizeres de cada escritor, construindo-se
movimentos ou escolas literárias.
Os textos literários, são aqueles que, em geral, têm o objectivo de emocionar o leitor, e
para isso exploram a linguagem conotativa ou poética. Em geral, ocorre o predomínio da função
emotiva e poética. Os géneros literários são a classificação das obras literárias que pode ser
desde género lírico que nada mais e do que uma expressão do mundo inteiro das suas ideias e
impressões, ou do género épico que nada mais é do que uma narrativa de um história que pode
ser desde um povo as guerras, viagens e etc., também tem o género dramático que e mais usado
em peças teatrais e que contam fatos tristes como a miséria humana e por último o género
narrativo que é o mais novo e o mais comum hoje em dia que simplesmente retrata novelas e
histórias fictícias.
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8 Referência bibliográfica