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A obra 'A Língua de Eulália' de Marcos Bagno aborda o preconceito linguístico e a diversidade do português brasileiro através da narrativa de uma professora e suas alunas em Atibaia. Através da convivência com Eulália, uma empregada que utiliza formas populares da língua, as alunas são levadas a refletir sobre a legitimidade das variações linguísticas e a crítica à norma-padrão. O livro serve como um instrumento didático para promover o respeito à diversidade linguística e conscientização sociolinguística no contexto educacional.
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A obra 'A Língua de Eulália' de Marcos Bagno aborda o preconceito linguístico e a diversidade do português brasileiro através da narrativa de uma professora e suas alunas em Atibaia. Através da convivência com Eulália, uma empregada que utiliza formas populares da língua, as alunas são levadas a refletir sobre a legitimidade das variações linguísticas e a crítica à norma-padrão. O livro serve como um instrumento didático para promover o respeito à diversidade linguística e conscientização sociolinguística no contexto educacional.
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Ficha Técnica:

Nome: A Língua de Eulália

Autor: Marcos Bagno

Editora: Contexto

Número de Páginas: 224

Ano de Publicação: 1997

Temas centrais:

• Preconceito linguístico

• Variação e diversidade linguística

• Norma-padrão vs. português popular

• Sociolinguística crítica

• Ensino de língua materna

• Linguagem e exclusão social


Contribuição da obra:

A obra funciona como um instrumento didático de introdução à Sociolinguística,


especialmente útil em contextos educacionais. Estimula o pensamento crítico sobre a
linguagem, desconstrói mitos linguísticos e promove o respeito à diversidade linguística
do português brasileiro.

Resumo:

Marcos Bagno, em sua obra A Língua de Eulália: Novela Sociolinguística, constrói uma
narrativa didática que visa introduzir e discutir conceitos fundamentais da
Sociolinguística, com ênfase nas questões relativas ao preconceito linguístico no
contexto brasileiro. A trama se desenrola na chácara de Irene, professora universitária
e linguista, situada em Atibaia, interior de São Paulo. Durante o período de férias, Irene
acolhe três universitárias — Vera (Letras), Sílvia (Psicologia) e Emília (Pedagogia) — e, a
partir da convivência com Eulália, sua empregada e amiga, inicia-se um processo de
reflexão e desconstrução de crenças linguísticas normativas por parte das jovens
estudantes.

O estranhamento das alunas em relação à variedade linguística utilizada por Eulália —


marcada por expressões como “os probrema” e “os fósfro” — serve como catalisador
para uma série de discussões acerca da variação linguística, do papel da norma-padrão
e das ideologias que sustentam o preconceito contra as formas populares do português
falado no Brasil. Irene atua como mediadora epistemológica, esclarecendo que a língua
é um fenômeno socialmente construído e que todas as variedades linguísticas são
legítimas, possuindo estruturas próprias e regras internas que garantem sua eficácia
comunicativa.

A obra também explora diversos fenômenos fonológicos e morfossintáticos, como o


rotacismo, a assimilação consonantal e os processos de analogia, demonstrando que
tais ocorrências são naturais dentro da dinâmica evolutiva das línguas. Bagno propõe,
assim, uma crítica à imposição da norma culta como único modelo válido de expressão,
ressaltando que o preconceito linguístico está intrinsicamente ligado às desigualdades
sociais e atua como mecanismo de exclusão e marginalização de determinados grupos
sociais.

Por meio de uma abordagem acessível, mas fundamentada em pressupostos teóricos


sólidos, Bagno promove uma reflexão crítica acerca da relação entre língua, poder e
identidade, convidando o leitor a repensar a noção de “erro” linguístico e a valorizar a
diversidade das manifestações linguísticas presentes no país. A Língua de Eulália,
portanto, se configura como uma importante ferramenta de conscientização
sociolinguística, sobretudo no contexto educacional.

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