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Apostila Defesa Sanitária Animal

A apostila aborda a defesa sanitária animal, destacando a importância da saúde animal para a produção agropecuária e sua interrelação com a saúde pública e ambiental. São discutidos conceitos fundamentais de saúde, enfermidade, etiologia, patogenia, prevenção e o sistema imunológico, além de vacinas e soros como ferramentas de prevenção e tratamento de doenças. O documento enfatiza a necessidade de uma abordagem integrada para garantir a saúde dos animais e a sustentabilidade agropecuária.
Direitos autorais
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Apostila Defesa Sanitária Animal

A apostila aborda a defesa sanitária animal, destacando a importância da saúde animal para a produção agropecuária e sua interrelação com a saúde pública e ambiental. São discutidos conceitos fundamentais de saúde, enfermidade, etiologia, patogenia, prevenção e o sistema imunológico, além de vacinas e soros como ferramentas de prevenção e tratamento de doenças. O documento enfatiza a necessidade de uma abordagem integrada para garantir a saúde dos animais e a sustentabilidade agropecuária.
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COLÉGIO ESTADUAL DE TEMPO INTEGRAL

PROFESSORA ÁUREA DOS HUMILDES OLIVEIRA – APORÁ

APOSTILA
DEFESA SANITÁRIA ANIMAL

Professora: Jacqueline Almeida


Turma: 3° ano Técnico em Agropecuária

Aporá-Ba
2025
Fundamentos e Conceitos
Introdução:
A saúde animal é um pilar fundamental para a produção agropecuária eficiente e sustentável, além
de estar intrinsecamente ligada à saúde pública e à preservação do meio ambiente. Compreender
os conceitos básicos de vida, saúde e enfermidade é o ponto de partida essencial para a atuação em
defesa sanitária animal. Esta seção abordará esses fundamentos, fornecendo a base para o estudo
das diversas técnicas de profilaxia e controle de doenças nos animais de produção.
1. Conceito de Saúde Animal:
A Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), anteriormente conhecida como OIE, define
saúde animal como um estado de bem-estar físico e mental no qual um animal vive em harmonia
com o ambiente que o rodeia e possui a capacidade de se adaptar às diversas condições ambientais
e de manejo sem apresentar sinais de doença ou sofrimento.
A saúde animal não se limita à ausência de enfermidades, abrangendo também:
• Bem-estar físico: Funcionamento adequado de todos os sistemas orgânicos, nutrição
equilibrada, ausência de dor e desconforto físico.
• Bem-estar mental: Capacidade de expressar comportamentos naturais, ausência de medo
e estresse crônico.
• Capacidade de adaptação: Habilidade do animal de lidar com mudanças no ambiente e
no manejo sem prejuízo à sua saúde.
2. Conceito de Enfermidade:
A enfermidade, ou doença, é caracterizada por qualquer alteração no estado normal de saúde de
um animal, resultando em prejuízo ao seu bem-estar e ao seu funcionamento fisiológico. As
doenças podem se manifestar de diversas formas, com sinais clínicos visíveis ou alterações
subclínicas detectadas apenas por exames específicos.
Para entender uma enfermidade, é crucial conhecer:
• Etiologia: A causa ou o agente responsável pela doença (vírus, bactérias, parasitas, fatores
nutricionais, genéticos, ambientais, etc.).
• Patogenia: O mecanismo pelo qual a doença se desenvolve no organismo, desde o contato
inicial com o agente etiológico até o aparecimento dos sinais clínicos e as lesões.
• Sinais Clínicos: As manifestações observáveis da doença no animal (febre, perda de
apetite, tosse, diarreia, alterações na produção, etc.).
• Lesões: Alterações morfológicas nos tecidos e órgãos do animal, visíveis a olho nu
(macroscópicas) ou ao microscópio (microscópicas), resultantes do processo patológico.
3. Etiologia das Enfermidades:
As causas das doenças em animais podem ser amplamente classificadas em:
• Agentes Infecciosos: Microrganismos capazes de invadir o organismo e causar dano, como
vírus (ex: Febre Aftosa), bactérias (ex: Brucelose), fungos (ex: Dermatofitose),
protozoários (ex: Babesiose) e parasitas (ex: Helmintos e Artrópodes).
• Fatores Ambientais: Condições inadequadas de manejo, como superlotação, ventilação
deficiente, higiene precária, estresse térmico e qualidade da água e do ar.
• Fatores Nutricionais: Deficiências ou excessos de nutrientes essenciais na dieta dos
animais.
• Fatores Genéticos: Predisposição hereditária a certas doenças.
• Fatores Físicos e Químicos: Traumas, intoxicações por substâncias químicas, radiação,
etc.
4. Patogenia das Enfermidades:
A patogenia descreve a sequência de eventos que ocorrem desde a exposição do animal ao agente
etiológico até o desenvolvimento da doença. Esse processo geralmente envolve:
• Entrada do agente: O microrganismo ou fator causal entra no organismo do animal (via
oral, respiratória, cutânea, etc.).
• Disseminação: O agente se multiplica e se espalha pelos tecidos e órgãos do animal.
• Lesão celular e tecidual: O agente causa dano direto às células e tecidos ou desencadeia
respostas inflamatórias e imunológicas que levam à lesão.
• Manifestação clínica: Surgem os sinais e sintomas da doença, refletindo as alterações
fisiológicas e morfológicas.
• Resolução ou cronicidade: O organismo do animal pode eliminar o agente e se recuperar,
ou a doença pode se tornar crônica, com danos persistentes.
5. Níveis de Prevenção:
A prevenção de doenças é fundamental na defesa sanitária animal e pode ser abordada em
diferentes níveis:
• Prevenção Primária: Visa impedir a ocorrência da doença através de medidas que
promovem a saúde e aumentam a resistência dos animais, como nutrição adequada, manejo
sanitário, vacinação e controle de vetores.
• Prevenção Secundária: Envolve a detecção precoce da doença (diagnóstico) e o
tratamento imediato para evitar a sua disseminação e reduzir a gravidade dos casos.
Programas de vigilância epidemiológica e exames de diagnóstico são exemplos de
prevenção secundária.
• Prevenção Terciária: Busca limitar as consequências da doença já estabelecida,
minimizando os danos, prevenindo complicações e promovendo a reabilitação dos animais
afetados.
6. Interrelação entre Saúde Animal, Saúde Humana e Saúde Ambiental (Uma Saúde):
O conceito de "Uma Saúde" reconhece a interdependência entre a saúde dos animais, a saúde
humana e a saúde do meio ambiente. Muitas doenças infecciosas podem ser transmitidas entre
animais e humanos (zoonoses), e a saúde de ambos está ligada à saúde dos ecossistemas. A defesa
sanitária animal desempenha um papel crucial na prevenção e controle de zoonoses e na promoção
de práticas agropecuárias sustentáveis que protejam a saúde do planeta.

Terminologia Médica e Sistema Imunológico dos Animais


Introdução:
Para uma comunicação eficaz e uma compreensão aprofundada dos processos de saúde e doença
nos animais, é fundamental o conhecimento da terminologia médica veterinária básica. Além
disso, o sistema imunológico desempenha um papel central na defesa do organismo contra agentes
patogênicos. Esta seção abordará termos médicos comuns utilizados em defesa sanitária e os
princípios do sistema imunológico animal.
1. Terminologia Médica Veterinária Básica:
A terminologia médica veterinária utiliza uma linguagem padronizada, frequentemente derivada
do grego e do latim, para descrever condições, procedimentos e partes do corpo dos animais.
Familiarizar-se com alguns termos básicos facilitará a leitura de literatura técnica, a comunicação
com outros profissionais e a compreensão de diagnósticos e tratamentos.
Termos Comuns:
• Anamnese: Histórico clínico do animal, coletado através de perguntas ao proprietário ou
responsável.
• Patologia: Ramo da medicina que estuda as doenças, suas causas e mecanismos.
• Etiologia: Causa ou origem de uma doença.
• Patogenia: Mecanismo de desenvolvimento de uma doença.
• Sinal Clínico: Manifestação objetiva de uma doença observada pelo examinador (ex:
febre, taquicardia).
• Sintoma: Manifestação subjetiva de uma doença relatada pelo paciente (aplicável em
humanos, em animais observamos alterações comportamentais sugestivas).
• Diagnóstico: Identificação da natureza de uma doença.
• Prognóstico: Previsão da evolução provável de uma doença.
• Profilaxia: Conjunto de medidas para prevenir o aparecimento ou a disseminação de
doenças.
• Terapêutica: Conjunto de métodos e medicamentos utilizados no tratamento de doenças.
• Agente Etiológico: O organismo ou fator causador da doença.
• Vetor: Organismo que transmite um agente etiológico de um hospedeiro para outro (ex:
mosquitos, carrapatos).
• Hospedeiro: Organismo que abriga um agente etiológico.
• Lesão: Alteração morfológica em um tecido ou órgão causada por doença ou trauma.
• Inflamação: Resposta do organismo a uma agressão, caracterizada por dor, calor, rubor
(vermelhidão) e tumor (inchaço).
• Febre (Pirexia): Elevação anormal da temperatura corporal.
• Taquicardia: Aumento da frequência cardíaca.
• Bradicardia: Diminuição da frequência cardíaca.
• Dispneia: Dificuldade para respirar.
• Anorexia: Perda de apetite.
• Poliúria: Aumento da produção de urina.
• Polidipsia: Aumento da ingestão de água.
• Dermatite: Inflamação da pele.
• Enterite: Inflamação do intestino.
• Pneumonia: Inflamação dos pulmões.
• Zoonose: Doença que pode ser transmitida de animais para humanos.
2. Sistema Imunológico dos Animais:
O sistema imunológico é a complexa rede de células, tecidos e órgãos que protegem o organismo
animal contra agentes patogênicos (vírus, bactérias, fungos, parasitas) e outras substâncias
estranhas. Ele é fundamental para a defesa sanitária, pois sua função adequada garante a resistência
às doenças. O sistema imunológico pode ser dividido em duas respostas principais: imunidade
inata e imunidade adaptativa.
2.1. Imunidade Inata (ou Natural):
• É a primeira linha de defesa do organismo, presente desde o nascimento e com resposta
rápida e não específica.
• Seus componentes incluem:
o Barreiras físicas e químicas: Pele, mucosas, secreções (lágrimas, saliva, muco),
pH ácido do estômago.
o Células fagocíticas: Neutrófilos e macrófagos, que englobam e destroem os
patógenos.
o Células Natural Killer (NK): Destroem células infectadas por vírus e células
tumorais.
o Proteínas do sistema complemento: Conjunto de proteínas que auxiliam na
destruição de patógenos e na inflamação.
o Resposta inflamatória: Processo local que mobiliza células de defesa para o local
da infecção.
o Interferons: Proteínas antivirais produzidas por células infectadas.
2.2. Imunidade Adaptativa (ou Adquirida):
• Desenvolve-se ao longo da vida do animal, após a exposição a antígenos (substâncias
estranhas que desencadeiam uma resposta imune).
• É caracterizada pela especificidade (reconhecimento de antígenos específicos) e pela
memória imunológica (resposta mais rápida e intensa em exposições subsequentes ao
mesmo antígeno).
• Envolve dois tipos principais de respostas mediadas por linfócitos:
o Resposta Humoral (mediada por linfócitos B):
▪ Os linfócitos B reconhecem antígenos específicos e se diferenciam em
plasmócitos, que produzem anticorpos (imunoglobulinas).
▪ Os anticorpos se ligam aos antígenos, neutralizando-os, marcando-os para
destruição por outras células ou ativando o sistema complemento.
▪ Existem diferentes classes de anticorpos (IgM, IgG, IgA, IgE, IgD), cada
uma com funções específicas.
o Resposta Celular (mediada por linfócitos T):
▪ Os linfócitos T reconhecem antígenos apresentados por células infectadas
ou células apresentadoras de antígenos (macrófagos, células dendríticas).
▪ Existem dois tipos principais de linfócitos T:
▪ Linfócitos T auxiliares (CD4+): Liberam citocinas que ajudam a
ativar outras células do sistema imunológico (linfócitos B, linfócitos
T citotóxicos, macrófagos).
▪ Linfócitos T citotóxicos (CD8+): Destroem diretamente células
infectadas por vírus ou outras células anormais.
Interação entre Imunidade Inata e Adaptativa:
As respostas imunes inata e adaptativa trabalham de forma integrada para proteger o organismo.
A imunidade inata fornece uma defesa imediata, enquanto a imunidade adaptativa desenvolve uma
resposta mais específica e duradoura, frequentemente potencializada pela ativação inicial da
imunidade inata.

Vacinas, Soros e Elementos de Terapêutica Veterinária


Introdução:
A prevenção e o tratamento de doenças são pilares da defesa sanitária animal. A vacinação e a
soroterapia são ferramentas importantes para a prevenção e o controle de doenças infecciosas,
enquanto a terapêutica veterinária envolve o uso de medicamentos e outras abordagens para tratar
animais doentes. Esta seção abordará os princípios das vacinas e soros, além de uma introdução
aos principais elementos da terapêutica veterinária.
1. Vacinas:
Vacinas são preparações biológicas que contêm agentes patogênicos (vírus, bactérias, parasitas)
mortos ou atenuados (enfraquecidos), ou ainda partes desses agentes (antígenos), com o objetivo
de estimular o sistema imunológico do animal a desenvolver uma resposta protetora específica
contra a doença que esses agentes causam. A vacinação é uma das medidas mais eficazes na
prevenção de doenças infecciosas em populações animais.
Tipos de Vacinas:
• Vacinas de agentes inativados (mortos): Contêm o agente patogênico morto por meios
físicos ou químicos. Geralmente são seguras, mas podem requerer doses de reforço para
manter a imunidade.
• Vacinas de agentes atenuados (vivos): Contêm o agente patogênico vivo, mas
enfraquecido, de forma que não cause a doença ou cause uma forma branda. Geralmente
induzem uma resposta imune mais duradoura e forte, mas podem apresentar riscos em
animais imunocomprometidos ou em fêmeas gestantes.
• Vacinas subunitárias: Contêm apenas partes específicas do agente patogênico (proteínas,
polissacarídeos) que são capazes de estimular a resposta imune. São seguras e específicas,
mas podem não induzir uma resposta tão forte quanto as vacinas de agentes vivos.
• Vacinas de DNA e RNA: Utilizam material genético do agente patogênico para induzir a
produção de proteínas virais ou bacterianas nas células do hospedeiro, desencadeando a
resposta imune. São tecnologias mais recentes com potencial para desenvolvimento rápido
e seguro.
• Vacinas recombinantes: Utilizam um organismo geneticamente modificado para
expressar antígenos do agente patogênico de interesse.
Mecanismo de Ação das Vacinas:
A vacinação expõe o sistema imunológico do animal aos antígenos do agente patogênico sem
causar a doença. Isso estimula a produção de anticorpos e a ativação de linfócitos T de memória.
Em uma exposição futura ao agente patogênico real, o sistema imunológico reconhecerá
rapidamente o invasor e montará uma resposta imune secundária mais rápida, intensa e eficaz,
protegendo o animal contra a doença ou reduzindo sua gravidade.
2. Soros (Antissoros):
Soros são preparações que contêm anticorpos específicos (imunoglobulinas) produzidos por outro
animal (da mesma espécie ou de outra espécie) que foi previamente exposto ao agente patogênico
ou vacinado contra ele. A administração de soro fornece imunidade passiva imediata, pois o animal
receptor recebe anticorpos prontos para combater o agente infeccioso ou a toxina.
Tipos de Soros:
• Hiperimunes: Obtidos de animais que receberam múltiplas doses de antígenos para
produzir uma alta concentração de anticorpos específicos.
• Monovalentes: Contêm anticorpos específicos contra um único antígeno ou agente
patogênico.
• Polivalentes: Contêm anticorpos específicos contra múltiplos antígenos ou agentes
patogênicos.
Indicações dos Soros:
Os soros são utilizados principalmente em situações de emergência, quando é necessária uma
proteção imediata, como em casos de exposição a toxinas (ex: tétano, botulismo) ou infecções
graves em animais não vacinados ou com imunidade comprometida. A imunidade conferida pelo
soro é temporária, durando apenas algumas semanas ou meses, pois os anticorpos recebidos não
são produzidos pelo próprio animal.
3. Elementos de Terapêutica Veterinária:
A terapêutica veterinária abrange o uso de diferentes abordagens para tratar animais doentes,
visando aliviar os sintomas, combater a causa da doença e promover a recuperação. Envolve o
conhecimento de diversos grupos de medicamentos e suas aplicações em diferentes espécies
animais.
Principais Grupos de Medicamentos Utilizados em Medicina Veterinária:
• Antimicrobianos (Antibióticos, Antivirais, Antifúngicos, Antiparasitários): Utilizados
para combater infecções causadas por bactérias, vírus, fungos e parasitas, respectivamente.
A escolha do antimicrobiano depende do agente etiológico e da sensibilidade do mesmo.
O uso racional de antimicrobianos é crucial para evitar o desenvolvimento de resistência
microbiana.
• Anti-inflamatórios: Reduzem a inflamação, a dor e a febre. Podem ser esteroidais
(corticosteroides) ou não esteroidais (AINEs).
• Analgésicos: Aliviam a dor.
• Antipiréticos: Reduzem a febre.
• Fluidoterapia e Eletrólitos: Utilizados para corrigir desidratação e desequilíbrios
eletrolíticos.
• Cardiotônicos: Medicamentos que atuam no sistema cardiovascular.
• Diuréticos: Aumentam a excreção de urina.
• Hormônios: Utilizados em diversas condições endócrinas e reprodutivas.
• Vitaminas e Minerais: Suplementos utilizados em casos de deficiência nutricional.
• Medicamentos que atuam no sistema digestório: Antiácidos, antidiarreicos, laxantes,
etc.
• Anestésicos e Sedativos: Utilizados para procedimentos cirúrgicos e para acalmar animais
agitados.
Considerações na Terapêutica Veterinária:
A escolha do tratamento adequado deve levar em consideração o diagnóstico da doença, a espécie
e o peso do animal, a via de administração do medicamento, a posologia correta e as possíveis
interações medicamentosas e efeitos colaterais. A prescrição e a administração de medicamentos
veterinários devem ser realizadas por um médico veterinário.

Introdução e Topografia Corporal dos Animais


Introdução:
A semiologia veterinária é o estudo dos sinais clínicos apresentados pelos animais doentes, sendo
a base para a formulação do diagnóstico. Através de um exame clínico minucioso, o profissional é
capaz de identificar alterações no estado de saúde do animal, direcionando a investigação para a
causa da enfermidade. O conhecimento da topografia corporal das diferentes espécies é
fundamental para a correta localização dos órgãos e estruturas durante o exame clínico. Esta seção
abordará a introdução à semiologia veterinária e a topografia corporal dos principais animais de
produção.
1. Introdução à Semiologia Veterinária:
A semiologia veterinária é a arte e a ciência de interpretar os sinais que o animal manifesta quando
está doente. Ela envolve a coleta de informações através da anamnese (histórico do animal e da
doença) e do exame físico, utilizando os sentidos e instrumentos básicos para identificar alterações
nos diferentes sistemas orgânicos.
Importância da Semiologia:
• Base para o diagnóstico: Os sinais clínicos são as pistas que levam à identificação da
doença.
• Avaliação da severidade da doença: A intensidade dos sinais pode indicar a gravidade do
quadro clínico.
• Monitoramento da evolução da doença e da resposta ao tratamento: O
acompanhamento dos sinais clínicos permite avaliar a eficácia das medidas terapêuticas.
• Auxílio na identificação de doenças contagiosas: Sinais como febre e secreções podem
alertar para a possibilidade de doenças transmissíveis.
• Fornecimento de informações para a saúde pública: A identificação de zoonoses em
animais é crucial para a prevenção da transmissão para humanos.
Métodos de Exame Clínico:
O exame clínico veterinário geralmente segue uma sequência lógica e envolve diferentes métodos:
• Inspeção: Observação atenta do animal, incluindo seu comportamento, postura, estado
geral, pelagem, mucosas, presença de alterações externas (inchaços, feridas, secreções).
• Palpação: Utilização das mãos para examinar diferentes partes do corpo do animal,
avaliando temperatura, sensibilidade, textura, tamanho, forma e consistência de órgãos e
tecidos.
• Percussão: Técnica que consiste em golpear suavemente uma área do corpo para produzir
sons que podem indicar alterações em órgãos internos (ex: acúmulo de líquido nos
pulmões).
• Auscultação: Utilização do estetoscópio para ouvir os sons produzidos pelos órgãos
internos, como coração, pulmões e intestinos, identificando ruídos anormais.
• Olfato: Utilização do olfato para detectar odores anormais que podem indicar certas
condições (ex: hálito cetônico na cetose bovina).
2. Topografia Corporal dos Animais de Produção:
O conhecimento da localização dos órgãos e estruturas nas diferentes espécies é essencial para
direcionar o exame físico e interpretar os sinais clínicos. A topografia corporal divide o corpo do
animal em regiões específicas, facilitando a descrição e a localização de alterações.
2.1. Bovinos:
• Regiões da Cabeça: Frontal (testa), parietal (topo da cabeça), occipital (nuca), temporal
(laterais da cabeça), facial (face), nasal (nariz), oral (boca), auricular (orelhas).
• Regiões do Pescoço: Dorsal (cernelha), lateral (região jugular), ventral (garganta).
• Regiões do Tronco:
o Tórax: Dorsal (dorso), lateral (costelas), ventral (peito).
o Abdômen: Dorsal (lombo), lateral (flanco), ventral (barriga), cranial (região
epigástrica), medial (região umbilical), caudal (região hipogástrica).
o Pelve: Dorsal (sacro), lateral (anca), ventral (região inguinal).
• Regiões dos Membros:
o Anterior: Escápula (paleta), úmero (braço), rádio e ulna (antebraço), carpo
(jarrete), metacarpo (canela), falanges (dedos).
o Posterior: Ílio, ísquio e púbis (anca), fêmur (coxa), tíbia e fíbula (perna), tarso
(articulação tíbio-társica), metatarso (osso metatarsiano), falanges (dedos).
• Outras Regiões: Caudal (cauda), mamária (úbere nas fêmeas).
2.2. Suínos:
A topografia corporal dos suínos é semelhante à dos bovinos, com algumas adaptações na
terminologia e na conformação corporal:
• Regiões da Cabeça: Semelhante aos bovinos.
• Regiões do Pescoço: Semelhante aos bovinos.
• Regiões do Tronco:
o Dorso: Lombo e espinhaço.
o Ventre: Região abdominal ventral.
o Costelas: Laterais do tórax.
o Anca: Região pélvica lateral.
• Regiões dos Membros: Semelhante aos bovinos, com adaptações na nomenclatura das
articulações e ossos.
• Outras Regiões: Cauda.
2.3. Aves:
A topografia das aves difere significativamente devido à sua anatomia única:
• Regiões da Cabeça: Crânio, face, bico, olhos, ouvidos, crista (se presente), barbelas (se
presentes).
• Regiões do Pescoço: Pescoço.
• Regiões do Tronco: Dorso, peito (esterno), abdômen.
• Regiões dos Membros Anteriores (Asas): Ombro, braço, antebraço, carpo, metacarpo,
dedos.
• Regiões dos Membros Posteriores (Patas): Coxa, perna, tarso (canela), metatarso (pé),
dedos.
• Outras Regiões: Cauda, cloaca.
2.4. Caprinos e Ovinos:
A topografia corporal de caprinos e ovinos é bastante similar à dos bovinos, com adaptações no
tamanho e na conformação. A terminologia utilizada é geralmente a mesma.
Importância da Prática:
A memorização da topografia corporal é fundamental, mas a aplicação prática durante o exame
clínico é essencial para o desenvolvimento da habilidade semiológica. A observação de animais
saudáveis e doentes, sob a supervisão de um profissional experiente, é crucial para o aprendizado.

Sinais Vitais e Avaliação de Sistemas


Introdução:
Após a inspeção geral e a familiarização com a topografia corporal, a etapa seguinte do exame
clínico veterinário envolve a avaliação dos sinais vitais e a inspeção e palpação dos principais
sistemas orgânicos. Os sinais vitais fornecem informações cruciais sobre o estado fisiológico do
animal, enquanto a avaliação dos sistemas permite identificar alterações específicas indicativas de
doença. Esta seção abordará a técnica de avaliação dos sinais vitais e uma visão geral da avaliação
dos principais sistemas.
1. Avaliação dos Sinais Vitais:
Os sinais vitais são indicadores básicos das funções corporais essenciais. A avaliação regular e
precisa desses sinais é fundamental para monitorar a saúde do animal e detectar precocemente
alterações que possam indicar um problema. Os principais sinais vitais avaliados em medicina
veterinária são:
• Temperatura Corporal: Reflete o equilíbrio entre a produção e a perda de calor do
organismo. Geralmente é mensurada por via retal em mamíferos e aves (com termômetro
específico). A temperatura normal varia entre as espécies e pode ser influenciada por
fatores como idade, atividade física e temperatura ambiente.
o Valores de Referência (aproximados):
▪ Bovinos: 38,0 - 39,0 °C
▪ Suínos: 38,5 - 39,5 °C
▪ Aves: 40,0 - 42,0 °C
▪ Caprinos e Ovinos: 38,5 - 40,0 °C
o Alterações:
▪ Hipertermia (Pirexia ou Febre): Temperatura acima do normal,
geralmente indicativa de infecção ou inflamação.
▪ Hipotermia: Temperatura abaixo do normal, podendo ocorrer em casos de
choque, exposição ao frio intenso ou doenças graves.
• Frequência Cardíaca (FC): Número de batimentos cardíacos por minuto. Avaliada pela
palpação do pulso em artérias periféricas (ex: artéria facial em equinos e bovinos, artéria
femoral em pequenos animais) ou pela auscultação do coração com o estetoscópio.
o Valores de Referência (aproximados):
▪ Bovinos: 60 - 70 bpm
▪ Suínos: 60 - 80 bpm
▪ Aves: 100 - 400 bpm (varia muito com a espécie e tamanho)
▪ Caprinos e Ovinos: 70 - 90 bpm
o Alterações:
▪ Taquicardia: FC acima do normal, podendo indicar dor, febre, excitação,
anemia ou problemas cardíacos.
▪ Bradicardia: FC abaixo do normal, podendo ocorrer em casos de
hipotermia, intoxicação ou problemas cardíacos.
• Frequência Respiratória (FR): Número de ciclos respiratórios (inspiração e expiração)
por minuto. Avaliada pela observação dos movimentos torácicos ou abdominais ou pela
auscultação dos pulmões.
o Valores de Referência (aproximados):
▪ Bovinos: 10 - 30 mpm
▪ Suínos: 8 - 18 mpm
▪ Aves: 15 - 30 mpm
▪ Caprinos e Ovinos: 12 - 20 mpm
o Alterações:
▪ Taquipneia: FR acima do normal, podendo indicar febre, dor torácica,
problemas pulmonares ou excitação.
▪ Bradipneia: FR abaixo do normal, podendo ocorrer em casos de depressão
do sistema nervoso central ou problemas respiratórios graves.
▪ Dispneia: Dificuldade para respirar, manifestada por aumento do esforço
respiratório, respiração abdominal ou uso de músculos acessórios.
• Pulso: Onda de pressão sanguínea palpável em artérias periféricas, resultante da contração
ventricular. Avalia-se a frequência, o ritmo (regular ou irregular), a amplitude (forte ou
fraco) e a qualidade (saltitante, filiforme).
o A avaliação do pulso complementa a avaliação da frequência cardíaca e fornece
informações sobre a função cardiovascular.
• Tempo de Preenchimento Capilar (TPC): Tempo necessário para a cor normal das
mucosas (geralmente gengival) retornar após a aplicação de uma leve pressão com o dedo.
Indica a perfusão sanguínea periférica.
o Valor de Referência: Geralmente menor que 2 segundos.
o Alterações:
▪ TPC aumentado: Pode indicar desidratação, choque circulatório ou
vasoconstrição periférica.
2. Avaliação dos Principais Sistemas Orgânicos (Visão Geral):
• Sistema Cardiovascular:
o Inspeção: Avaliação da coloração das mucosas (pálidas, cianóticas, hiperêmicas),
presença de edema (inchaço).
o Palpação: Palpação do pulso, avaliação da turgidez jugular.
o Auscultação: Ausculta dos sons cardíacos (frequência, ritmo, presença de sopros).
• Sistema Respiratório:
o Inspeção: Observação do padrão respiratório (frequência, profundidade, esforço),
presença de tosse, secreção nasal, ruídos respiratórios audíveis.
o Auscultação: Ausculta dos sons pulmonares (presença de estertores, sibilos,
roncos, diminuição ou ausência de sons).
o Percussão: Pode ser utilizada para identificar áreas de consolidação pulmonar ou
acúmulo de líquido.
• Sistema Digestório:
o Inspeção: Avaliação do apetite, da condição corporal, da presença de distensão
abdominal, de alterações nas fezes (consistência, cor, odor).
o Palpação: Palpação abdominal para avaliar a presença de dor, massas ou alterações
nos órgãos.
o Auscultação: Ausculta dos ruídos intestinais (motilidade). Em ruminantes, avalia-
se a frequência e a intensidade das contrações ruminais.
• Sistema Urinário:
o Inspeção: Avaliação da frequência e do volume urinário, da coloração da urina, da
presença de dor ao urinar.
o Palpação: Palpação dos rins e da bexiga (quando possível).
o Observação: Avaliação da região perineal para sinais de inflamação ou secreção.
• Sistema Nervoso:
o Avaliação do estado mental: Nível de consciência, resposta a estímulos,
comportamento.
o Avaliação dos nervos cranianos: Reflexos faciais, movimentos oculares,
deglutição.
o Avaliação da postura e da marcha: Presença de ataxia (incoordenação),
claudicação (manqueira).
o Avaliação dos reflexos: Reflexos espinhais (patelar, flexor).
o Avaliação da sensibilidade: Resposta a estímulos táteis, dolorosos e
proprioceptivos.
Importância da Sistematização:
A realização do exame clínico de forma sistemática, seguindo uma ordem lógica, garante que
nenhum aspecto importante seja negligenciado. A interpretação dos sinais clínicos deve ser feita
em conjunto com a anamnese e, quando necessário, com exames complementares (laboratoriais,
de imagem).

Técnicas de Profilaxia Animal - Vacinação, Vermifugação e


Quarentena
Introdução:
Dentro do conjunto de técnicas de profilaxia animal, a vacinação, a vermifugação e a quarentena
são estratégias específicas e cruciais para a prevenção e o controle de doenças infecciosas e
parasitárias nos rebanhos. A aplicação correta dessas técnicas contribui significativamente para a
manutenção da saúde animal e a redução de perdas na produção. Esta seção detalhará os princípios
e a importância dessas práticas.
1. Vacinação:
A vacinação é uma das ferramentas mais eficazes para prevenir doenças infecciosas em animais.
Ao introduzir antígenos (partes ou formas inativadas/atenuadas de agentes patogênicos) no
organismo, a vacina estimula o sistema imunológico a desenvolver uma resposta protetora
específica, gerando anticorpos e células de memória imunológica.
Princípios da Vacinação:
• Imunidade Ativa: A vacinação induz o próprio sistema imunológico do animal a produzir
sua defesa, conferindo proteção de longa duração (em muitos casos, por toda a vida ou por
um período prolongado).
• Especificidade: As vacinas são específicas para cada doença, protegendo o animal contra
um determinado agente patogênico.
• Prevenção em Massa: A vacinação em larga escala de rebanhos contribui para a
imunidade de grupo, reduzindo a circulação do agente patogênico e protegendo também os
animais não vacinados.
Importância da Vacinação em Diferentes Espécies:
• Bovinos: Vacinas contra Febre Aftosa (obrigatória em muitas regiões), Brucelose, Raiva,
Clostridioses (carbúnculo sintomático, gangrena gasosa, tétano), Leptospirose, IBR/BVD.
Os protocolos variam por região e status sanitário.
• Suínos: Vacinas contra Peste Suína Clássica (PSC), Peste Suína Africana (PSA) (em
algumas regiões), Parvovirose, Erisipela, Doença de Aujeszky. Os protocolos dependem
do sistema de produção e da prevalência de doenças.
• Aves: Vacinas contra Newcastle, Bronquite Infecciosa, Gumboro (Doença de Bursite
Infecciosa), Marek, Varíola Aviária, Laringotraqueíte Infecciosa. Os protocolos são
intensivos, especialmente em sistemas de produção industrial.
• Caprinos e Ovinos: Vacinas contra Brucelose (em algumas regiões), Raiva, Clostridioses
(enterotoxemia, tétano, carbúnculo sintomático), Linfadenite Caseosa. Os protocolos
dependem da região e do manejo.
Considerações sobre a Vacinação:
• Escolha da Vacina: Deve ser adequada à espécie, idade, estado de saúde do animal e à
prevalência de doenças na região.
• Via de Administração e Dose: Devem seguir as recomendações do fabricante.
• Calendário de Vacinação: É fundamental seguir um calendário adequado, incluindo
primovacinação e reforços.
• Armazenamento e Manuseio: As vacinas devem ser armazenadas e manuseadas
corretamente para garantir sua eficácia.
• Registro: É importante manter registros detalhados das vacinações realizadas.
2. Vermifugação:
A vermifugação é o tratamento antiparasitário utilizado para eliminar vermes (helmintos) que
podem infectar diversas espécies animais, causando prejuízos à saúde e à produção.
Princípios da Vermifugação:
• Eliminação de Parasitas: Os vermífugos atuam matando ou paralisando os vermes
presentes no organismo do animal.
• Prevenção de Infestações: A vermifugação estratégica pode reduzir a carga parasitária no
ambiente e nos animais, prevenindo novas infestações.
• Melhora da Saúde e do Desempenho: O controle de vermes contribui para melhor
absorção de nutrientes, ganho de peso e produtividade dos animais.
Importância da Vermifugação em Diferentes Espécies:
• Bovinos: Vermifugação contra vermes gastrointestinais, pulmonares e hepáticos. Os
protocolos variam com a idade, categoria animal e sistema de manejo (extensivo, semi-
intensivo, intensivo).
• Suínos: Vermifugação contra vermes gastrointestinais e pulmonares. Importante em todas
as fases de produção.
• Aves: Vermifugação contra vermes gastrointestinais e traqueais. Essencial em sistemas de
criação intensiva e semi-intensiva.
• Caprinos e Ovinos: Vermifugação contra vermes gastrointestinais e pulmonares. O
controle estratégico é importante devido à alta susceptibilidade a parasitas.
Considerações sobre a Vermifugação:
• Escolha do Vermífugo: Deve ser eficaz contra os principais parasitas da espécie e
categoria animal, considerando a possível resistência a alguns princípios ativos.
• Via de Administração e Dose: Devem seguir as recomendações do fabricante e o peso do
animal.
• Estratégias de Vermifugação: Podem ser realizadas em intervalos regulares (tratamento
em massa) ou de forma seletiva, com base em exames de fezes (OPG - Ovos por Grama de
fezes).
• Manejo Sanitário: A vermifugação deve ser integrada a outras práticas de manejo
sanitário para reduzir a reinfestação.
• Resistência Anti-helmíntica: O uso indiscriminado de vermífugos pode levar ao
desenvolvimento de resistência dos parasitas aos medicamentos.
3. Quarentena:
A quarentena é o isolamento de animais recém-adquiridos ou suspeitos de portar alguma doença,
por um período determinado, antes de serem introduzidos no rebanho principal.
Princípios da Quarentena:
• Prevenção da Introdução de Doenças: Permite observar os animais isolados para
identificar sinais de doenças que possam não ser aparentes no momento da chegada.
• Contenção da Disseminação: Caso um animal em quarentena desenvolva alguma doença,
o isolamento impede a sua propagação para o restante do rebanho.
• Adaptação ao Novo Ambiente: O período de quarentena também permite que os animais
se adaptem ao novo ambiente, manejo e alimentação.
Procedimentos de Quarentena:
• Local Isolado: Os animais em quarentena devem ser mantidos em instalações separadas
do restante do rebanho, com fluxo de pessoal e equipamentos distintos.
• Período Adequado: O tempo de quarentena varia dependendo da espécie, da origem dos
animais e das doenças de maior risco na região (geralmente de 21 a 30 dias).
• Observação Clínica Diária: Os animais em quarentena devem ser examinados
diariamente para detectar qualquer sinal de doença.
• Exames Diagnósticos: Durante a quarentena, podem ser realizados exames laboratoriais
para identificar a presença de agentes patogênicos.
• Tratamentos Preventivos: Em alguns casos, podem ser realizados tratamentos
preventivos (ex: vermifugação) durante a quarentena.
• Liberação da Quarentena: Os animais só devem ser liberados da quarentena e integrados
ao rebanho após a comprovação da ausência de doenças.

Métodos de Colheita de Material para Análise e Contenção Física


Básica
Introdução:
A colheita adequada de material biológico para análise laboratorial é fundamental para o
diagnóstico preciso de doenças em animais. A contenção física básica, por sua vez, é essencial para
realizar esses procedimentos e outros manejos de forma segura para o animal e para o profissional.
Esta seção abordará os principais métodos de coleta de amostras e as técnicas de contenção física
mais comuns em diferentes espécies de produção.
1. Métodos de Colheita de Material para Análise:
A escolha do método de colheita depende do tipo de análise laboratorial necessária para o
diagnóstico da suspeita clínica. É crucial seguir protocolos adequados para garantir a qualidade da
amostra e evitar contaminações que possam comprometer os resultados.
Principais Tipos de Amostras e Métodos de Colheita:
• Sangue:
o Venopunção: Coleta de sangue venoso utilizando agulha e seringa ou sistema a
vácuo (Vacutainer®). Os locais de venopunção variam conforme a espécie (veia
jugular em bovinos, suínos, caprinos e ovinos; veia cefálica ou safena em aves).
o Amostras para diferentes análises: Tubos com anticoagulante (EDTA, heparina,
citrato) para hemograma e bioquímica; tubos sem anticoagulante (tubo seco) para
sorologia.
• Fezes:
o Coleta direta: Amostras coletadas diretamente do reto do animal ou recém-
eliminadas.
o Amostras para diferentes análises: Exame parasitológico (OPG), pesquisa de
bactérias (cultura), pesquisa de vírus (PCR).
• Urina:
o Micção espontânea: Coleta da urina durante a micção.
o Cateterismo urinário: Utilização de um cateter para coletar urina diretamente da
bexiga (procedimento mais invasivo).
o Cistocentese: Punção da bexiga através da parede abdominal com agulha e seringa
(procedimento invasivo, geralmente guiado por ultrassom).
o Amostras para diferentes análises: Urinálise (físico-químico, sedimentoscopia),
cultura bacteriana.
• Secreções:
o Swabs: Coleta de secreções nasais, oculares, vaginais, retais ou de lesões cutâneas
com um cotonete estéril.
o Amostras para diferentes análises: Cultura bacteriana e fúngica, citologia, PCR.
• Tecidos (Biópsia e Necropsia):
o Biópsia: Remoção de um pequeno fragmento de tecido vivo para exame
histopatológico ou outros testes. Pode ser realizada por punção aspirativa com
agulha fina (PAAF) ou por incisão cirúrgica.
o Necropsia: Exame post-mortem do corpo do animal para determinar a causa da
morte e identificar lesões. Coleta de fragmentos de órgãos e tecidos para
histopatologia, microbiologia, toxicologia, etc.
• Leite:
o Coleta asséptica: Amostras coletadas diretamente dos tetos após limpeza e
desinfecção adequadas.
o Amostras para diferentes análises: Contagem de células somáticas (CCS),
cultura bacteriana (mastite), análise de composição.
• Saliva:
o Swabs orais: Coleta com cotonetes estéreis.
o Dispositivos específicos: Utilização de coletores que estimulam a salivação.
o Amostras para diferentes análises: Pesquisa de vírus (PCR, ELISA).
Princípios Gerais para a Colheita:
• Identificação do Animal: Garantir a correta identificação do animal de onde a amostra
está sendo coletada.
• Material Estéril: Utilizar materiais de coleta estéreis para evitar contaminações.
• Técnica Asséptica: Adotar técnicas que minimizem a introdução de microrganismos na
amostra.
• Volume Adequado: Coletar a quantidade de amostra recomendada para cada tipo de
análise.
• Acondicionamento Correto: Utilizar recipientes adequados (tubos, frascos estéreis) e
acondicionar a amostra de acordo com as instruções do laboratório (temperatura, adição de
conservantes).
• Identificação da Amostra: Rotular claramente cada amostra com informações do animal,
data, tipo de material e exame solicitado.
• Envio Rápido: Enviar a amostra ao laboratório o mais rápido possível, seguindo as
orientações de transporte (refrigeração, congelamento).
• Registro: Manter registros detalhados das coletas realizadas.
2. Contenção Física Básica:
A contenção física é o uso de técnicas manuais ou equipamentos simples para restringir os
movimentos de um animal, permitindo a realização de procedimentos como exame clínico, coleta
de amostras, administração de medicamentos e outros manejos de forma segura para todos os
envolvidos.
Técnicas de Contenção por Espécie:
• Bovinos:
o Cabresto: Utilizado para controlar a cabeça e o pescoço.
o Tronco de contenção: Estrutura que imobiliza o corpo do animal.
o Amarração de membros: Utilização de cordas para restringir o movimento das
patas.
o Empurradores: Bastões ou tábuas para direcionar o animal.
• Suínos:
o Tabelas de contenção: Utilizadas para imobilizar leitões.
o Redes de contenção: Para animais maiores.
o Caixas de contenção: Para procedimentos mais demorados.
o Ganchos de contenção: Para movimentação de carcaças ou animais
insensibilizados.
• Aves:
o Contenção manual: Segurar firmemente o corpo da ave com as mãos, controlando
asas e patas.
o Redes de captura: Para aves em grandes grupos.
o Caixas de transporte: Para contenção individual durante o transporte.
• Caprinos e Ovinos:
o Cabresto: Similar ao utilizado em bovinos.
o "Chair" de contenção: Estrutura que permite imobilizar o animal em posição
sentada.
o Contenção manual: Segurar o animal firmemente, controlando a cabeça e o corpo.
o "Crook" de pastor: Bastão com um gancho para capturar e controlar os membros.
Princípios da Contenção Física:
• Segurança: Priorizar a segurança do animal e do profissional.
• Firmeza: A contenção deve ser firme o suficiente para restringir os movimentos
necessários, mas sem causar dor ou lesão ao animal.
• Suavidade: Evitar movimentos bruscos e causar o mínimo de estresse possível ao animal.
• Conhecimento da Espécie: Utilizar técnicas adequadas ao comportamento e à anatomia
de cada espécie.
• Assistência: Em animais maiores ou procedimentos mais complexos, é recomendável ter
auxílio.
• Planejamento: Preparar o material necessário antes de iniciar a contenção.
• Comunicação: Manter a calma e, se necessário, falar com o animal em tom suave.

Métodos de Contenção - Físicos e Químicos


Introdução:
A contenção de animais é uma habilidade essencial na prática veterinária e na defesa sanitária
animal. Permite a realização segura de exames clínicos, coleta de amostras, administração de
medicamentos e outros procedimentos de manejo. A contenção pode ser física, utilizando força
manual e equipamentos, ou química, utilizando fármacos para sedar ou anestesiar o animal. Esta
seção detalhará os princípios da contenção física (revisão e aprofundamento) e abordará os
princípios e tipos de contenção química, ressaltando a importância da demonstração prática através
de recursos audiovisuais.
1. Contenção Física (Revisão e Aprofundamento):
A contenção física, como já introduzido, envolve a manipulação manual e o uso de equipamentos
para limitar os movimentos do animal de forma segura e eficaz. A escolha da técnica depende da
espécie, do temperamento do animal, do procedimento a ser realizado e da experiência do
profissional.
Princípios Fundamentais da Contenção Física:
• Segurança em Primeiro Lugar: A segurança do animal e do profissional deve ser a
prioridade máxima. Evitar técnicas que causem dor, lesão ou estresse excessivo ao animal,
e garantir que a equipe esteja protegida contra mordidas, chutes ou outras reações.
• Conhecimento do Comportamento Animal: Entender o comportamento normal e as
reações de medo ou agressividade de cada espécie é crucial para aplicar a técnica de
contenção adequada e antecipar possíveis problemas.
• Minimizar o Estresse: A contenção deve ser realizada de forma calma e eficiente,
minimizando o tempo de imobilização e o estresse do animal. Movimentos bruscos e ruídos
excessivos devem ser evitados.
• Utilização Adequada de Equipamentos: Familiarizar-se com o uso correto de cabrestos,
troncos, redes, caixas e outros equipamentos de contenção, garantindo sua manutenção e
segurança.
• Comunicação Clara: A equipe envolvida na contenção deve se comunicar de forma clara
e coordenada para garantir a segurança e a eficácia do procedimento.
• Paciência e Calma: Animais agitados podem se acalmar com uma abordagem paciente e
tranquila.
• Adaptabilidade: A técnica de contenção pode precisar ser adaptada à reação individual do
animal.
Técnicas Específicas (Revisão e Detalhes):
• Bovinos:
o Cabresto: Correta colocação e manipulação para controlar a cabeça.
o Tronco de Contenção: Tipos de troncos (fixos, móveis), ajustes para diferentes
tamanhos de animais, pontos de contenção adicionais (barras laterais, pescoceira).
o Amarração de Membros: Tipos de nós, pontos de amarração seguros, cuidados
para não causar lesões circulatórias.
o "Tail Jacking": Elevação da base da cauda para restringir movimentos e desviar a
atenção do animal (usado com cautela).
• Suínos:
o Tabelas de Contenção: Uso para procedimentos em leitões (castração, vacinação).
o Redes de Contenção: Manejo em grupos, transferência para baias ou veículos.
o Caixas de Contenção: Contenção individual para procedimentos mais longos ou
em animais maiores.
o "Snare" Suíno: Laço colocado ao redor do focinho para controlar a cabeça (usado
com cuidado para evitar lesões).
• Aves:
o Contenção Manual: Formas corretas de segurar diferentes tipos de aves
(pequenas, grandes, galinhas, aves aquáticas), controle de asas e patas.
o Redes de Captura: Uso eficiente em galpões ou áreas abertas.
o Caixas de Transporte: Contenção segura durante o transporte.
• Caprinos e Ovinos:
o Cabresto: Similar ao bovino, adaptações para o formato da cabeça.
o "Chair" de Contenção: Facilita procedimentos na cabeça e pescoço.
o Contenção Manual: Diferentes formas de segurar e imobilizar para exames e
tratamentos.
o "Crook" de Pastor: Captura e controle de membros, auxílio na movimentação.
2. Contenção Química:
A contenção química envolve o uso de fármacos para induzir sedação, tranquilização ou anestesia
no animal, facilitando procedimentos que seriam difíceis ou perigosos de realizar apenas com
contenção física.
Princípios da Contenção Química:
• Bem-Estar Animal: Reduz o estresse e o desconforto do animal durante procedimentos
invasivos ou demorados.
• Segurança do Profissional: Permite realizar procedimentos com maior segurança,
especialmente em animais agressivos ou de grande porte.
• Melhor Qualidade do Procedimento: A imobilização adequada melhora a precisão de
exames e tratamentos.
Tipos de Fármacos Utilizados:
• Sedativos: Promovem um estado de calma e sonolência, reduzindo a ansiedade e a resposta
a estímulos externos (ex: acepromazina, detomidina).
• Tranquilizantes: Reduzem a ansiedade e a agitação, mas geralmente não causam tanta
sonolência quanto os sedativos (ex: diazepam, midazolam).
• Analgésicos: Aliviam a dor, podendo ser utilizados isoladamente em procedimentos menos
invasivos ou em combinação com sedativos e tranquilizantes.
• Anestésicos: Induzem a perda da consciência e da sensibilidade à dor, permitindo a
realização de procedimentos cirúrgicos. Podem ser injetáveis ou inalatórios.
Considerações na Contenção Química:
• Espécie e Peso do Animal: A dose do fármaco deve ser calculada com precisão com base
na espécie e no peso do animal.
• Estado de Saúde do Animal: Animais debilitados ou com problemas de saúde podem ter
maior risco de complicações.
• Via de Administração: Os fármacos podem ser administrados por via intramuscular (IM),
intravenosa (IV), subcutânea (SC) ou oral.
• Tempo de Ação: É importante conhecer o tempo de início, pico e duração do efeito do
fármaco.
• Efeitos Colaterais: Alguns fármacos podem causar efeitos colaterais, como depressão
respiratória ou cardiovascular.
• Antídotos: Em alguns casos, existem antídotos para reverter os efeitos dos fármacos.
• Legislação: O uso de alguns fármacos pode ser controlado por legislação específica.
• Supervisão Veterinária: A contenção química deve ser realizada sob a supervisão de um
médico veterinário, que é o profissional habilitado para prescrever e administrar esses
medicamentos.
Importância da Demonstração em Vídeo:
A contenção, tanto física quanto química, envolve habilidades práticas que são melhor aprendidas
através da observação e da prática supervisionada. Demonstrações em vídeo podem ser
extremamente úteis para visualizar as técnicas corretas de contenção física em diferentes espécies
e para entender os efeitos dos fármacos utilizados na contenção química, bem como os
procedimentos de administração.

Legislação Sanitária - Fundamentos Legais e Papel do Profissional


Introdução:
A legislação sanitária animal é um conjunto de leis, decretos, portarias, normas e regulamentos
estabelecidos pelo governo para proteger a saúde dos animais, a saúde pública e o meio ambiente,
relacionados à produção e à sanidade animal. O conhecimento dessa legislação é fundamental para
todos os profissionais que atuam na área agropecuária, especialmente para o técnico em
agropecuária, que desempenha um papel importante na aplicação e no cumprimento dessas
normas. Esta seção abordará os fundamentos legais da legislação sanitária animal no Brasil e o
papel do profissional nesse contexto.
1. Fundamentos Legais da Legislação Sanitária Animal no Brasil:
A legislação sanitária animal no Brasil tem como base princípios constitucionais relacionados à
saúde, à segurança alimentar, ao meio ambiente e ao desenvolvimento econômico e social.
Diversos marcos legais contribuem para a formação desse arcabouço normativo:
• Constituição Federal de 1988: Estabelece a saúde como direito de todos e dever do
Estado, com ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Também trata da
defesa agropecuária como responsabilidade do Estado.
• Leis Federais:
o Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde): Dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento 1 dos
serviços correspondentes e dá outras providências. Embora focada na saúde
humana, seus princípios influenciam a abordagem da saúde animal, especialmente
em relação às zoonoses.
o Lei nº 12.873/2013: Dispõe sobre a organização do Sistema Unificado de Atenção
à Sanidade Agropecuária (SUASA), estabelecendo as responsabilidades e a
articulação entre os órgãos federais, estaduais e municipais na defesa sanitária
animal e vegetal.
o Outras leis específicas: Normatizam temas como inspeção sanitária de produtos
de origem animal (carnes, leite, ovos), controle de produtos veterinários (vacinas,
medicamentos), trânsito de animais, controle de zoonoses e defesa contra pragas e
doenças.
• Decretos Federais: Regulamentam as leis, detalhando os procedimentos e as
responsabilidades dos órgãos e dos agentes envolvidos na defesa sanitária animal.
• Portarias e Instruções Normativas (IN) do Ministério da Agricultura e Pecuária
(MAPA): Estabelecem as normas técnicas e os procedimentos operacionais para a
execução das ações de defesa sanitária, abrangendo temas como programas de controle e
erradicação de doenças (ex: Febre Aftosa, Brucelose, Tuberculose), vigilância
epidemiológica, controle do trânsito de animais, registro de estabelecimentos e de produtos
veterinários.
• Legislação Estadual e Municipal: Complementam a legislação federal, adaptando as
normas às particularidades regionais e locais. Os estados e municípios também possuem
órgãos de defesa sanitária e leis específicas.
Objetivos da Legislação Sanitária Animal:
• Proteger a saúde dos animais: Prevenindo, controlando e erradicando doenças que afetam
os rebanhos.
• Proteger a saúde pública: Controlando e prevenindo zoonoses (doenças transmitidas
entre animais e humanos).
• Garantir a segurança alimentar: Assegurando a qualidade e a sanidade dos produtos de
origem animal para o consumo humano.
• Promover o comércio seguro de animais e produtos: Estabelecendo normas para o
trânsito e a comercialização, evitando a disseminação de doenças.
• Preservar o meio ambiente: Regulamentando o manejo de resíduos da produção animal
e o uso de produtos veterinários.
• Promover a competitividade do agronegócio: Mantendo o status sanitário dos rebanhos
e facilitando o acesso a mercados.
2. Papel do Técnico em Agropecuária na Aplicação e Fiscalização da Legislação Sanitária:
O técnico em agropecuária desempenha um papel crucial na aplicação e no cumprimento da
legislação sanitária animal nas propriedades rurais e em outras atividades do setor. Suas
responsabilidades podem incluir:
• Disseminação do Conhecimento: Informar os produtores rurais sobre as normas sanitárias
vigentes, a importância da sua aplicação e os riscos do não cumprimento.
• Implementação de Boas Práticas de Manejo: Orientar e auxiliar os produtores na adoção
de práticas de higiene, biossegurança, nutrição e bem-estar animal que contribuam para a
prevenção de doenças, conforme as normas estabelecidas.
• Execução de Programas Sanitários: Participar da execução de programas oficiais de
controle e erradicação de doenças, como vacinação, testes diagnósticos e controle de
trânsito de animais, seguindo os protocolos estabelecidos pela legislação.
• Vigilância Epidemiológica: Identificar e notificar aos órgãos competentes casos suspeitos
ou confirmados de doenças de notificação obrigatória.
• Coleta de Amostras: Realizar a coleta de amostras biológicas para diagnóstico
laboratorial, seguindo os procedimentos técnicos e as normas sanitárias.
• Aplicação de Medidas de Biossegurança: Orientar e auxiliar na implementação de
medidas de biossegurança nas propriedades, como controle de acesso, desinfecção e
manejo de resíduos.
• Controle do Trânsito de Animais: Verificar a documentação sanitária (Guias de Trânsito
Animal - GTAs) durante a movimentação de animais, garantindo o cumprimento das
normas.
• Fiscalização Primária: Em algumas situações e sob a supervisão de um médico
veterinário ou agente fiscal, o técnico pode auxiliar na verificação do cumprimento das
normas sanitárias nas propriedades.
• Educação Sanitária: Promover ações de educação sanitária junto aos produtores e
trabalhadores rurais, conscientizando sobre a importância da saúde animal e da prevenção
de doenças.
• Registro e Documentação: Auxiliar na manutenção de registros precisos das atividades
sanitárias realizadas na propriedade (vacinações, tratamentos, movimentação de animais).
Responsabilidade Profissional:
É fundamental que o técnico em agropecuária atue com ética e responsabilidade, compreendendo
a importância do seu papel na defesa sanitária animal e na proteção da saúde pública. O
descumprimento da legislação sanitária pode acarretar sanções legais para os produtores e para os
profissionais envolvidos.

Legislação Sanitária - Normativas Aplicadas e Órgãos Fiscalizadores


Introdução:
A legislação sanitária animal se materializa em diversas normativas específicas que regulamentam
diferentes aspectos da produção e da sanidade animal. Conhecer essas normativas e os órgãos
responsáveis por sua fiscalização é essencial para garantir o cumprimento das leis e a efetividade
das ações de defesa sanitária. Esta seção detalhará algumas das principais normativas aplicadas e
os órgãos fiscalizadores atuantes no Brasil.
1. Principais Normativas Aplicadas à Defesa Sanitária Animal:
A vasta legislação sanitária animal abrange diversas áreas da produção e da sanidade. Algumas
das principais normativas aplicadas incluem:
• Controle e Erradicação de Doenças:
o Programas Nacionais: O MAPA estabelece programas específicos para o controle
e a erradicação de doenças de grande impacto econômico e sanitário, como o
Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA), o
Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose
Animal (PNCEBT), e outros. Esses programas definem as ações obrigatórias, os
calendários de vacinação, os procedimentos de diagnóstico e controle do trânsito
de animais.
o Normas Específicas por Doença: Instruções Normativas e Portarias detalham as
medidas de controle e erradicação para doenças específicas, como a Peste Suína
Clássica (PSC), a Influenza Aviária, a Raiva e outras.
• Inspeção Sanitária de Produtos de Origem Animal (POA):
o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem
Animal (RIISPOA - Decreto nº 9.013/2017): Estabelece os requisitos sanitários
para a produção, industrialização e comercialização de carnes, leite, ovos, pescado
e mel, visando garantir a segurança alimentar. Define as responsabilidades dos
estabelecimentos, os procedimentos de inspeção e as penalidades por infrações.
o Normas Complementares: Diversas Instruções Normativas detalham os
requisitos específicos para cada tipo de produto de origem animal.
• Controle de Produtos Veterinários:
o Legislação sobre Registro, Produção e Comercialização de Produtos
Veterinários: Normas que regulamentam o registro de vacinas, medicamentos,
antiparasitários e outros produtos utilizados em animais, garantindo sua qualidade,
segurança e eficácia. O MAPA é o órgão responsável pelo registro e fiscalização
desses produtos.
• Trânsito de Animais:
o Guia de Trânsito Animal (GTA): Documento obrigatório para a movimentação
de animais entre propriedades e municípios, que atesta a sanidade dos animais e a
origem da propriedade. As normas para emissão e fiscalização da GTA são
estabelecidas pelo MAPA e pelos órgãos estaduais de defesa sanitária.
• Bem-Estar Animal:
o Normativas sobre Bem-Estar Animal: Embora ainda em desenvolvimento e
consolidação no Brasil, existem algumas normas e recomendações sobre as
condições de manejo que visam garantir o bem-estar dos animais de produção
durante a criação, o transporte e o abate.
• Resíduos da Produção Animal:
o Legislação Ambiental: Normas ambientais regulamentam o manejo e a destinação
adequada dos resíduos da produção animal (dejetos, carcaças), visando evitar a
contaminação do solo, da água e do ar.
• Identificação e Rastreabilidade Animal:
o Sistemas de Identificação e Rastreabilidade: Normas que estabelecem sistemas
para identificar individualmente ou em grupo os animais, permitindo rastrear sua
origem e movimentação, o que é importante para o controle sanitário e a segurança
alimentar.
2. Principais Órgãos Fiscalizadores:
A fiscalização do cumprimento da legislação sanitária animal é realizada por diversos órgãos em
diferentes níveis de governo:
• Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA):
o É o órgão federal central responsável pela formulação, normatização, coordenação
e execução das políticas de defesa sanitária animal em âmbito nacional.
o Atua na fiscalização do trânsito interestadual de animais e produtos, no registro e
controle de produtos veterinários, na inspeção federal de estabelecimentos de
produtos de origem animal (SIF - Serviço de Inspeção Federal) e na coordenação
dos programas nacionais de sanidade animal.
• Órgãos Estaduais de Defesa Sanitária:
o São responsáveis pela execução das ações de defesa sanitária nos seus respectivos
estados, em articulação com o MAPA através do SUASA.
o Realizam a fiscalização do trânsito intraestadual de animais, a inspeção sanitária
estadual de produtos de origem animal (SIE - Serviço de Inspeção Estadual), a
execução dos programas de controle e erradicação de doenças em nível estadual e
a fiscalização das propriedades rurais.
o Exemplos: ADAB (Bahia), CDA (São Paulo), IDAF (Espírito Santo).
• Serviços de Inspeção Municipal (SIM):
o Alguns municípios possuem serviços de inspeção sanitária para estabelecimentos
de produtos de origem animal de menor porte e com comércio local. Esses serviços
devem seguir as diretrizes do RIISPOA ou de legislação estadual equivalente para
serem reconhecidos no SUASA.
• Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal (PRF):
o Atuam na fiscalização do trânsito de animais e produtos em rodovias federais,
verificando a documentação sanitária e combatendo o comércio ilegal.
• Polícia Militar Ambiental e órgãos ambientais estaduais e municipais:
o Fiscalizam o cumprimento da legislação ambiental relacionada ao manejo de
resíduos da produção animal e ao uso de produtos veterinários.
• Outros órgãos: Em casos específicos, outros órgãos como o Ministério da Saúde (em
relação a zoonoses) e o IBAMA (em relação ao comércio ilegal de animais) podem atuar
na fiscalização de aspectos relacionados à sanidade animal.
Importância da Articulação e da Notificação:
A articulação entre os diferentes órgãos fiscalizadores e a notificação imediata de qualquer suspeita
de doença de notificação obrigatória são cruciais para a efetividade das ações de defesa sanitária.
O técnico em agropecuária tem um papel importante nessa cadeia, atuando como elo entre os
produtores e os órgãos oficiais.
Referências:
• Brasil. Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017. Regulamenta a Lei nº 1.283, de 18 de
dezembro de 1950, e a Lei nº 7.889, de 23 de novembro de 1989, que dispõem sobre a
inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal. (RIISPOA)
• Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). [Link para a página dos Programas
Nacionais de Sanidade Animal]
• Sites dos órgãos estaduais de defesa sanitária: (Ex: ADAB Bahia, CDA São Paulo, IDAF
Espírito Santo)
• Legislação Federal e Estadual específica sobre defesa sanitária animal.

Sanidade de Suínos – Principais Doenças e Biossegurança


Introdução:
A suinocultura é um setor importante da produção agropecuária, com grande relevância econômica
e social. No entanto, a criação de suínos está sujeita a diversas doenças que podem comprometer
a saúde dos animais, a produtividade e a rentabilidade da atividade. A implementação de medidas
de biossegurança rigorosas, aliada ao conhecimento das principais doenças que afetam a espécie,
é fundamental para a manutenção da sanidade dos rebanhos suínos. Esta seção abordará as
principais doenças que acometem os suínos e as medidas de biossegurança específicas para essa
espécie.
1. Principais Doenças de Suínos:
A sanidade dos suínos pode ser afetada por uma variedade de agentes etiológicos, incluindo vírus,
bactérias, parasitas e fatores ambientais. Algumas das principais doenças que acometem a
produção suína incluem:
• Doenças Virais:
o Peste Suína Clássica (PSC): Doença altamente contagiosa e grave, com alta
mortalidade. Causada por um vírus da família Flaviviridae. Sinais clínicos incluem
febre alta, hemorragias, anorexia, apatia, diarreia, vômito, sinais neurológicos. O
diagnóstico envolve testes laboratoriais (ELISA, PCR). Não há tratamento
específico, e o controle se baseia em medidas de biossegurança, vacinação (em
algumas regiões) e sacrifício de animais infectados.
o Peste Suína Africana (PSA): Doença viral altamente contagiosa, com alta
mortalidade, semelhante à PSC, mas causada por um vírus da família Asfarviridae.
Sinais clínicos similares à PSC. O diagnóstico é laboratorial (PCR). Não há vacina
ou tratamento eficaz; o controle se baseia em medidas de biossegurança rigorosas
e sacrifício de animais infectados.
o Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS): Doença viral que
causa problemas reprodutivos em porcas (abortos, natimortos, leitões fracos) e
problemas respiratórios em leitões e suínos em crescimento. Causada por um
Arterivirus. O diagnóstico envolve testes sorológicos e PCR. Não há tratamento
específico; o controle se baseia em manejo, biossegurança e vacinação (em algumas
situações).
o Circovirose Suína (PCV2): Infecção viral comum que pode levar a diversas
síndromes, como a Síndrome da Perda de Peso Pós-Desmame (PMWS), problemas
respiratórios e entéricos. O diagnóstico envolve histopatologia e PCR. Não há
tratamento específico; a prevenção se baseia em vacinação e boas práticas de
manejo.
o Gastroenterite Transmissível (GET) e Diarreia Epidêmica Suína (DES):
Doenças virais que causam diarreia grave em leitões, com alta mortalidade em
animais jovens. O diagnóstico é clínico e laboratorial (PCR). Não há tratamento
específico; o controle se baseia em biossegurança e imunidade da matriz.
• Doenças Bacterianas:
o Micoplasmose (Pneumonia Enzoótica): Doença respiratória crônica causada por
Mycoplasma hyopneumoniae. Sinais clínicos incluem tosse seca e persistente,
retardo no crescimento. O diagnóstico é clínico e laboratorial (ELISA, PCR). O
tratamento envolve antibióticos; a prevenção se baseia em vacinação e manejo.
o Pleuropneumonia Suína: Doença respiratória aguda e grave causada por
Actinobacillus pleuropneumoniae. Sinais clínicos incluem dificuldade respiratória,
tosse, febre, cianose. O diagnóstico é clínico e laboratorial (cultura, PCR). O
tratamento envolve antibióticos; a prevenção se baseia em vacinação e
biossegurança.
o Leptospirose: Doença zoonótica causada por bactérias do gênero Leptospira. Pode
causar problemas reprodutivos (abortos, natimortos), icterícia, febre. O diagnóstico
é sorológico (MAT). O tratamento envolve antibióticos; a prevenção se baseia em
controle de roedores, higiene e vacinação (em algumas situações).
o Erisipela: Doença causada por Erysipelothrix rhusiopathiae. Pode apresentar
formas aguda (febre alta, lesões cutâneas em diamante), subaguda ou crônica
(artrite, endocardite). O diagnóstico é clínico e laboratorial (cultura). O tratamento
envolve antibióticos; a prevenção se baseia em vacinação.
o Disenteria Suína: Doença entérica causada por Brachyspira hyodysenteriae.
Sinais clínicos incluem diarreia mucoide com sangue. O diagnóstico é clínico e
laboratorial (PCR). O tratamento envolve antibióticos; a prevenção se baseia em
biossegurança e higiene.
• Doenças Parasitárias:
o Ascaridiose (Verme Redondo): Causada por Ascaris suum. Pode causar retardo
no crescimento, problemas respiratórios e icterícia (lesões hepáticas). O
diagnóstico é pelo exame de fezes (OPG). O tratamento envolve anti-helmínticos;
a prevenção se baseia em higiene e vermifugação estratégica.
o Oesofagostomose (Nodular): Causada por Oesophagostomum spp. Pode causar
diarreia, perda de peso e anemia. O diagnóstico é pelo exame de fezes (OPG). O
tratamento envolve anti-helmínticos; a prevenção se baseia em manejo de pastagens
(quando aplicável) e vermifugação estratégica.
o Sarna: Causada por ácaros ( Sarcoptes scabiei var. suis). Causa prurido intenso,
lesões cutâneas e perda de peso. O diagnóstico é pela raspagem de pele. O
tratamento envolve acaricidas; a prevenção se baseia em higiene e controle de
ectoparasitas.
2. Biossegurança Específica para Suínos:
A implementação de medidas de biossegurança rigorosas é essencial para prevenir a introdução e
a disseminação dessas e outras doenças na produção suína. As medidas específicas incluem:
• Isolamento e Quarentena: Rigoroso controle da entrada de novos animais, com
quarentena em instalações separadas por um período adequado, acompanhado de exames
diagnósticos.
• Controle de Trânsito: Restrição do trânsito de veículos e pessoas na área de produção.
Desinfecção de veículos e materiais que entram na propriedade.
• Higiene e Desinfecção: Limpeza e desinfecção rigorosas de instalações, equipamentos,
bebedouros e comedouros entre lotes de animais. Utilização de pedilúvios e rodolúvios
com desinfetantes eficazes.
• Manejo de Dejetos: Destinação adequada dos dejetos para evitar a contaminação
ambiental e a disseminação de patógenos.
• Controle de Vetores e Pragas: Implementação de medidas para controlar roedores,
moscas e outros vetores que podem transmitir doenças.
• Manejo de Animais Mortos: Remoção e descarte adequados de animais mortos por
incineração, compostagem ou enterro sanitário, seguindo as normas ambientais e
sanitárias.
• Fluxo de Pessoal: Controle do acesso de visitantes e implementação de medidas de higiene
para os trabalhadores (uso de roupas e calçados exclusivos, lavagem das mãos).
• Origem dos Insumos: Aquisição de ração, água e outros insumos de fontes confiáveis e
com controle de qualidade.
• Vigilância Sanitária: Monitoramento constante da saúde dos animais, com notificação
imediata de qualquer suspeita de doença às autoridades sanitárias.
• Educação e Treinamento: Capacitação dos trabalhadores sobre os princípios de
biossegurança e as medidas de prevenção de doenças.
A adoção e o cumprimento rigoroso dessas medidas de biossegurança, juntamente com a
implementação de programas de vacinação e vermifugação adequados, são cruciais para garantir
a sanidade e a sustentabilidade da produção suína.

Sanidade de Coelhos – Condições Sanitárias e Enfermidades Comuns


Introdução:
A cunicultura (criação de coelhos) é uma atividade que pode fornecer carne de alta qualidade, além
de outros produtos. Para o sucesso da criação, é fundamental garantir boas condições sanitárias e
conhecer as enfermidades mais comuns que afetam os coelhos, implementando medidas de
prevenção e controle adequadas. Esta seção abordará as principais condições sanitárias necessárias
para a criação de coelhos e as enfermidades mais comuns nessa espécie.
1. Condições Sanitárias para a Criação de Coelhos:
Um ambiente adequado e práticas de manejo sanitário eficientes são essenciais para a saúde e o
bem-estar dos coelhos, reduzindo a ocorrência de doenças. As principais condições sanitárias
incluem:
• Instalações:
o Ventilação: Boa circulação de ar para evitar o acúmulo de umidade, amônia e
outros gases nocivos.
o Iluminação: Adequada para o ciclo biológico dos animais, evitando luz direta
excessiva.
o Temperatura: Manter em uma faixa ideal (15-25°C), evitando extremos de calor
e frio.
o Higiene: Gaiolas e instalações devem ser fáceis de limpar e desinfetar, com
remoção regular de fezes e urina.
o Densidade: Espaço adequado por animal para evitar superlotação e estresse.
o Proteção: Contra predadores e outros animais que possam transmitir doenças.
• Manejo:
o Alimentação: Fornecer ração balanceada e água fresca e limpa diariamente.
o Bebedouros e Comedouros: Manter limpos e desinfetados.
o Manuseio: Realizar o manuseio dos coelhos com cuidado para evitar ferimentos e
estresse.
o Observação: Monitorar diariamente o comportamento e a condição física dos
animais para detectar precocemente sinais de doença.
o Registro: Manter registros de nascimento, mortalidade, tratamentos e outras
informações relevantes.
• Biossegurança:
o Quarentena: Isolar novos animais por um período antes de introduzi-los no
plantel.
o Controle de Acesso: Restringir a entrada de pessoas e veículos estranhos.
o Desinfecção: Realizar a desinfecção de instalações e equipamentos regularmente.
o Controle de Vetores: Implementar medidas para controlar moscas, roedores e
outros vetores.
o Manejo de Resíduos: Destinação adequada de dejetos e animais mortos.
2. Enfermidades Comuns em Coelhos:
Os coelhos são suscetíveis a diversas enfermidades, algumas das mais comuns incluem:
• Doenças Bacterianas:
o Pasteurelose ("Coriza"): Causada por Pasteurella multocida. Sinais clínicos
incluem espirros, secreção nasal purulenta, conjuntivite, pneumonia e abscessos. O
diagnóstico é clínico e laboratorial (cultura). O tratamento envolve antibióticos; a
prevenção se baseia em bom manejo e controle de estresse.
o Pododermatite Ulcerativa ("Patas Inchadas"): Infecção bacteriana das patas,
geralmente associada a pisos inadequados ou falta de higiene. Causa inflamação,
dor e formação de crostas. O diagnóstico é clínico. O tratamento envolve limpeza,
aplicação de pomadas antibióticas e correção das condições de manejo.
o Enterite Bacteriana: Diversas bactérias podem causar diarreia, desidratação e
mortalidade, especialmente em coelhos jovens. O diagnóstico é clínico e
laboratorial (cultura). O tratamento envolve antibióticos e fluidoterapia; a
prevenção se baseia em higiene e manejo alimentar adequado.
o Tularemia: Doença zoonótica causada por Francisella tularensis. Pode causar
febre, letargia, abscessos e alta mortalidade. O diagnóstico é laboratorial (sorologia,
PCR). O tratamento envolve antibióticos; a prevenção se baseia em controle de
vetores (carrapatos, moscas) e evitar contato com animais selvagens.
• Doenças Virais:
o Mixomatose: Doença viral altamente contagiosa transmitida por vetores (pulgas,
mosquitos). Causa tumores mucosos, principalmente na cabeça e genitais, e alta
mortalidade. O diagnóstico é clínico e laboratorial (PCR). Não há tratamento
específico; a prevenção se baseia em vacinação e controle de vetores.
o Doença Hemorrágica Viral dos Coelhos (DHVC): Doença viral altamente
contagiosa com alta mortalidade, caracterizada por hemorragias internas. O
diagnóstico é pela necropsia e testes laboratoriais (PCR). Não há tratamento
específico; a prevenção se baseia em vacinação e biossegurança rigorosa.
• Doenças Parasitárias:
o Coccidiose: Infecção por protozoários do gênero Eimeria, que afeta o intestino
(coccidiose intestinal) ou o fígado (coccidiose hepática). Causa diarreia, perda de
peso, icterícia e mortalidade, especialmente em jovens. O diagnóstico é pelo exame
de fezes (oocistos). O tratamento envolve coccidiostáticos; a prevenção se baseia
em higiene e manejo adequado.
o Encefalitozoonose: Infecção por um microsporídeo (Encephalitozoon cuniculi)
que pode afetar rins, cérebro e olhos. Os sinais clínicos são variáveis (inclinação da
cabeça, ataxia, paralisia, catarata). O diagnóstico pode ser sorológico. O tratamento
envolve antiparasitários; a prevenção se baseia em higiene e controle de animais
portadores.
o Sarna Auricular (Otiose): Causada pelo ácaro Psoroptes cuniculi, que afeta o
canal auditivo, causando crostas e prurido intenso. O diagnóstico é pela
visualização dos ácaros. O tratamento envolve acaricidas tópicos ou sistêmicos; a
prevenção se baseia em higiene e controle de ectoparasitas.
• Outras Condições:
o Tricobezoares ("Bolas de Pelo"): Acúmulo de pelos no estômago devido à
ingestão durante a limpeza. Pode causar obstrução gastrointestinal. A prevenção se
baseia em fornecer feno rico em fibras e, em alguns casos, enzimas digestivas.
o Timpanismo (Empazinamento): Acúmulo excessivo de gases no trato digestório,
causando distensão abdominal e desconforto. Pode ser causado por dieta
inadequada. A prevenção se baseia em dieta equilibrada e rica em fibras.
A prevenção dessas enfermidades em coelhos se baseia em um manejo sanitário rigoroso, boas
condições de alojamento, nutrição adequada, controle de vetores e a implementação de programas
de vacinação quando disponíveis e recomendados para a região. A observação atenta dos animais
e o diagnóstico precoce são fundamentais para o sucesso do tratamento.

Sanidade de Bovinos – Protocolos Sanitários e Controle de Zoonoses


Introdução:
A bovinocultura é uma das atividades agropecuárias mais importantes no Brasil, e a manutenção
da sanidade dos rebanhos bovinos é crucial para a economia e para a saúde pública. A
implementação de protocolos sanitários bem definidos, incluindo vacinação, testes diagnósticos e
controle de parasitas, é essencial para prevenir e controlar doenças. Além disso, o controle de
zoonoses transmitidas por bovinos é uma preocupação de saúde pública que exige atenção e
medidas preventivas específicas. Esta seção abordará os principais protocolos sanitários aplicados
à bovinocultura e a importância do controle de zoonoses.
1. Principais Protocolos Sanitários em Bovinocultura:
Os protocolos sanitários em bovinocultura visam prevenir a ocorrência e a disseminação de
doenças que podem afetar a produção e a saúde dos animais. Os principais componentes incluem:
• Vacinação: A vacinação é uma ferramenta fundamental para a prevenção de diversas
doenças infecciosas em bovinos. Os principais programas de vacinação incluem:
o Febre Aftosa: Vacinação obrigatória em todo o território nacional, com calendários
e procedimentos definidos pelo MAPA e órgãos estaduais.
o Brucelose: Vacinação obrigatória de bezerras de 3 a 8 meses de idade (B19 ou
RB51, dependendo da região).
o Raiva: Vacinação recomendada ou obrigatória em algumas regiões, especialmente
em áreas de ocorrência da doença em herbívoros.
o Clostridioses (Carbúnculo Sintomático, Gangrena Gasosa, Tétano,
Botulismo): Vacinação recomendada, especialmente em áreas de risco.
o Leptospirose: Vacinação recomendada em áreas com alta prevalência ou risco de
surtos.
o IBR/BVD (Rinotraqueíte Infecciosa Bovina/Diarreia Viral Bovina): Vacinação
recomendada em alguns sistemas de produção.
o Os calendários e as vacinas utilizadas podem variar de acordo com a região e o
sistema de produção.
• Testes Diagnósticos: A realização de testes diagnósticos é essencial para identificar
animais infectados, mesmo que não apresentem sinais clínicos, e para monitorar a
prevalência de doenças nos rebanhos. Os principais testes incluem:
o Tuberculose: Teste tuberculínico (PPD) realizado em animais com idade superior
a 6 semanas.
o Brucelose: Testes sorológicos (Antígeno Acidificado Tamponado - AAT, 2-
Mercaptoetanol - 2ME, ELISA).
o Leucose Enzoótica Bovina (LEB): Testes sorológicos (ELISA, Imunodifusão em
Gel de Agar - IDGA).
o IBR/BVD: Testes sorológicos (ELISA) e virológicos (PCR).
o A frequência e os tipos de testes podem variar de acordo com os programas
sanitários e o objetivo do monitoramento.
• Controle de Parasitas: O controle de parasitas internos (vermes) e externos (carrapatos,
moscas) é importante para a saúde e a produtividade dos bovinos. As estratégias incluem:
o Vermifugação: Utilização estratégica de anti-helmínticos, baseada em exames de
fezes (OPG) e avaliação clínica.
o Controle de Carrapatos: Utilização de acaricidas por diferentes métodos
(imersão, aspersão, pour-on), manejo de pastagens e controle biológico.
o Controle de Moscas: Medidas de higiene, controle ambiental e uso de inseticidas.
• Manejo Sanitário e Biossegurança: A implementação de boas práticas de manejo e
medidas de biossegurança é fundamental para prevenir a introdução e a disseminação de
doenças (já detalhadas em tópicos anteriores).
2. Controle de Zoonoses Transmitidas por Bovinos:
Zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e humanos. Os bovinos podem
ser reservatórios ou transmissores de diversas zoonoses importantes para a saúde pública:
• Brucelose: Causada por bactérias do gênero Brucella. Em humanos, causa febre ondulante,
sudorese, dores articulares e outros sintomas. A transmissão ocorre principalmente pelo
contato com tecidos e fluidos de animais infectados (parto, abate) ou pelo consumo de leite
não pasteurizado e derivados contaminados. O controle em bovinos (testes e eliminação de
positivos, vacinação) é essencial para prevenir a transmissão para humanos.
• Tuberculose Bovina: Causada por Mycobacterium bovis. Em humanos, causa tuberculose
com sintomas semelhantes à tuberculose humana (Mycobacterium tuberculosis). A
transmissão ocorre principalmente pela ingestão de leite não pasteurizado e, em menor
grau, pelo contato direto com animais infectados. O controle em bovinos (testes e
eliminação de positivos) é crucial para proteger a saúde pública.
• Raiva: Doença viral fatal que afeta o sistema nervoso central. A transmissão ocorre pela
mordida de animais infectados (morcegos hematófagos são importantes transmissores para
bovinos em algumas regiões). A vacinação de bovinos em áreas de risco é uma medida
preventiva importante para proteger os animais e reduzir o risco de transmissão para
humanos.
• Leptospirose: Causada por bactérias do gênero Leptospira, presentes na urina de animais
infectados (bovinos podem ser portadores). Em humanos, causa febre, dores musculares,
icterícia e insuficiência renal. A transmissão ocorre pelo contato com água ou solo
contaminados. O controle em bovinos (vacinação em áreas de risco, manejo sanitário)
contribui para reduzir a contaminação ambiental.
• Carbúnculo Antraz (Antraz): Doença bacteriana aguda e grave causada por Bacillus
anthracis. Pode afetar diversas espécies, incluindo bovinos e humanos. A transmissão
ocorre pelo contato com animais doentes ou seus produtos (carcaças, couro). A notificação
imediata de casos suspeitos e a adoção de medidas de controle (isolamento, tratamento com
antibióticos, descarte adequado de carcaças) são essenciais para evitar a disseminação.
• Criptosporidiose: Doença causada por protozoários do gênero Cryptosporidium. Pode
causar diarreia em bovinos (especialmente bezerros) e em humanos, principalmente em
indivíduos imunocomprometidos. A transmissão ocorre pela ingestão de oocistos presentes
nas fezes de animais infectados. Medidas de higiene e saneamento são importantes para o
controle.
• Salmonelose: Infecção bacteriana causada por Salmonella spp. Pode causar diarreia, febre
e outros sintomas em bovinos e humanos. A transmissão ocorre pelo consumo de alimentos
contaminados (carne, leite, ovos) ou pelo contato com animais infectados e suas fezes.
Boas práticas de higiene na produção e no processamento de alimentos são fundamentais
para a prevenção.
O controle dessas zoonoses em bovinos envolve a implementação rigorosa dos protocolos
sanitários, a vigilância epidemiológica constante, a educação sanitária dos produtores e da
população, e a articulação entre os serviços de saúde animal e humana. O técnico em agropecuária
desempenha um papel importante na orientação dos produtores sobre as medidas preventivas e na
notificação de casos suspeitos às autoridades competentes.

Sanidade de Aves – Doenças Aviárias e Medidas de Contenção


Introdução:
A avicultura é um setor de produção intensivo e de grande importância econômica. A alta
densidade de aves em sistemas de produção torna os rebanhos particularmente vulneráveis à rápida
disseminação de doenças. O conhecimento das principais doenças aviárias e a implementação de
medidas de contenção eficazes são cruciais para a manutenção da sanidade dos planteis e a
prevenção de perdas significativas. Esta seção abordará as principais doenças que afetam as aves
de produção e as medidas de contenção específicas para o controle dessas doenças em sistemas
avícolas.
1. Principais Doenças Aviárias:
• Doenças Virais:
o Newcastle (Doença de Newcastle): Doença altamente contagiosa e grave que afeta
aves domésticas e silvestres. Causada por um paramyxovírus aviário. Apresenta
sinais respiratórios (tosse, espirros), neurológicos (torcicolo, paralisia) e digestivos
(diarreia). O diagnóstico é laboratorial (isolamento viral, PCR). Não há tratamento
específico; o controle se baseia em vacinação e medidas de biossegurança
rigorosas. É uma doença de notificação obrigatória.
o Influenza Aviária (Gripe Aviária): Doença viral altamente contagiosa que pode
variar de formas leves a altamente patogênicas (HPAI), com alta mortalidade.
Causada por vírus Influenza tipo A. Os sinais clínicos são variáveis, incluindo
respiratórios, digestivos e neurológicos. O diagnóstico é laboratorial (PCR,
ELISA). Não há tratamento específico; o controle se baseia em medidas de
biossegurança estritas, sacrifício de aves infectadas e vigilância epidemiológica. É
uma doença de notificação obrigatória.
o Bronquite Infecciosa (BI): Doença viral respiratória altamente contagiosa causada
por um coronavírus aviário. Sinais clínicos incluem espirros, tosse, secreção nasal
e ocular, queda na produção de ovos e alterações na qualidade da casca. O
diagnóstico é laboratorial (PCR, ELISA). Não há tratamento específico; a
prevenção se baseia em vacinação e biossegurança.
o Gumboro (Doença de Bursite Infecciosa - DBI): Doença viral que afeta o sistema
imunológico de aves jovens, causando imunossupressão. Sinais clínicos incluem
depressão, anorexia, diarreia e tremores. O diagnóstico é laboratorial (ELISA,
histopatologia). Não há tratamento específico; a prevenção se baseia em vacinação
e biossegurança.
o Marek (Doença de Marek): Doença viral oncogênica causada por um herpesvírus.
Causa tumores em nervos, órgãos internos e pele, levando a paralisia e mortalidade.
O diagnóstico é pela necropsia e histopatologia. Não há tratamento específico; a
prevenção se baseia em vacinação de pintinhos de um dia e manejo adequado.
o Varíola Aviária: Doença viral que causa lesões cutâneas (forma seca) ou diftéricas
(forma úmida) em aves. Transmitida por contato direto ou vetores (mosquitos). O
diagnóstico é clínico e pela histopatologia. Não há tratamento específico; a
prevenção se baseia em vacinação e controle de vetores.
• Doenças Bacterianas:
o Colibacilose (Infecção por Escherichia coli): Pode causar diversas manifestações,
como onfalite (infecção do umbigo), septicemia, coligranuloma e síndrome da
cabeça inchada. O diagnóstico é laboratorial (cultura). O tratamento envolve
antibióticos; a prevenção se baseia em higiene e manejo adequados.
o Salmonelose: Infecção por bactérias do gênero Salmonella. Pode causar diarreia,
septicemia e mortalidade em aves jovens, além de ser uma importante zoonose (
Salmonella enteritidis e Salmonella typhimurium associadas a ovos e carne
contaminados). O diagnóstico é laboratorial (cultura). O tratamento envolve
antibióticos; a prevenção se baseia em biossegurança rigorosa e controle em todas
as etapas da produção.
o Micoplasmose Aviária (Mycoplasma gallisepticum, M. synoviae): Causam
doenças respiratórias crônicas (tosse, espirros, secreção nasal) e sinovite infecciosa
(inflamação das articulações). O diagnóstico é laboratorial (ELISA, PCR). O
tratamento envolve antibióticos; a prevenção se baseia em aquisição de aves livres
de micoplasma e biossegurança.
o Coriza Infecciosa: Doença respiratória aguda causada por Avibacterium
paragallinarum. Sinais clínicos incluem corrimento nasal e ocular, edema facial e
dificuldade respiratória. O diagnóstico é laboratorial (cultura). O tratamento
envolve antibióticos; a prevenção se baseia em biossegurança e vacinação (em
algumas situações).
• Doenças Parasitárias:
o Coccidiose: Infecção por protozoários do gênero Eimeria, que afeta o intestino,
causando diarreia (frequentemente com sangue), perda de peso e mortalidade,
especialmente em aves jovens. O diagnóstico é pelo exame de fezes (oocistos). O
tratamento envolve coccidiostáticos; a prevenção se baseia em higiene e manejo
adequado da cama.
o Verminoses: Infecções por vermes como Ascaridia galli (lombriga), Heterakis
gallinarum (verme cecal) e Capillaria spp. Podem causar perda de peso, diarreia e
redução na produção de ovos. O diagnóstico é pelo exame de fezes. O tratamento
envolve anti-helmínticos; a prevenção se baseia em higiene e manejo da cama.
o Ectoparasitas (Piolhos, Ácaros, Pulgas): Podem causar irritação, anemia, perda
de peso e reduzir a produção de ovos. O diagnóstico é pela observação dos
parasitas. O tratamento envolve ectoparasiticidas; a prevenção se baseia em higiene
e controle ambiental.
2. Medidas de Contenção em Avicultura:
Devido à alta densidade e à rápida disseminação de doenças em sistemas avícolas, medidas de
contenção rigorosas são essenciais:
• Biossegurança Extrema:
o Isolamento Geográfico: Criação de barreiras físicas e de manejo para isolar as
unidades de produção.
o Controle de Acesso Rigoroso: Restrição total da entrada de pessoas e veículos não
autorizados.
o Desinfecção Obrigatória: Desinfecção de veículos, equipamentos, materiais e
pessoas que entram nas instalações (pedilúvios, barreiras sanitárias).
o Troca de Roupa e Calçados: Uso de roupas e calçados exclusivos para cada área
de produção.
o Quarentena: Isolamento de aves recém-chegadas por um período prolongado.
o Controle de Vetores: Medidas intensivas para controlar roedores, aves silvestres,
insetos e outros vetores.
o Manejo de Resíduos: Remoção e destinação imediata e segura de aves mortas e
outros resíduos.
• Biossegurança Interna:
o Manejo "All-in, All-out": Introdução de lotes de aves de mesma idade e vazio
sanitário completo entre os lotes para quebrar o ciclo de doenças.
o Fluxo Unidirecional: Movimentação de aves e pessoal sempre do lote mais jovem
para o mais velho, evitando o retorno.
o Limpeza e Desinfecção Rigorosas: Limpeza e desinfecção completas das
instalações após a saída de cada lote.
o Manejo Específico por Lote: Evitar a troca de equipamentos e pessoal entre
diferentes lotes de aves.
o Monitoramento Sanitário Constante: Observação diária das aves, coleta de
amostras para diagnóstico precoce.
o Vigilância Epidemiológica: Notificação imediata de qualquer suspeita de doença
às autoridades sanitárias.
• Compartimentalização: Criação de subpopulações de aves isoladas dentro de uma mesma
unidade de produção para limitar a disseminação de doenças.
• Plano de Contingência: Preparação para a ocorrência de surtos de doenças, incluindo
procedimentos de diagnóstico rápido, isolamento, sacrifício sanitário e desinfecção de
emergência.
A implementação consistente e abrangente dessas medidas de contenção é fundamental para
proteger a indústria avícola contra perdas econômicas devastadoras e para garantir a segurança
alimentar e a saúde pública (controle de zoonoses como a Influenza Aviária e a Salmonelose).

Referências:

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• Brasil. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços
correspondentes e dá outras providências.
• Brasil. Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. Dispõe sobre a organização do Sistema
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avícola no site do MAPA]
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