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Reforma Agrária No Brasil Prominência Do MST

O estudo analisa a importância da reforma agrária no Brasil, destacando o papel do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na luta por justiça social e mitigação das disparidades no campo. O MST busca a redistribuição de terras improdutivas, promovendo uma agenda inclusiva que desafia as estruturas de poder patriarcais e a especulação imobiliária. O artigo também discute a demonização do MST na mídia e a necessidade de uma compreensão mais profunda sobre a função social da terra e os direitos constitucionais relacionados à reforma agrária.
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Reforma Agrária No Brasil Prominência Do MST

O estudo analisa a importância da reforma agrária no Brasil, destacando o papel do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na luta por justiça social e mitigação das disparidades no campo. O MST busca a redistribuição de terras improdutivas, promovendo uma agenda inclusiva que desafia as estruturas de poder patriarcais e a especulação imobiliária. O artigo também discute a demonização do MST na mídia e a necessidade de uma compreensão mais profunda sobre a função social da terra e os direitos constitucionais relacionados à reforma agrária.
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REFORMA AGRÁRIA NO BRASIL: PROMINÊNCIA DO MST NO

MITIGAÇÃO DAS DISPARIDADES SOCIAIS NO CAMPO

Emanuel de Oliveira Andrade

ORCID: [Link]

Centro Universitário Ages, Brasil

E-mail: emanuelandrade@[Link]

Breno Nery da Silva

ORCID: [Link]

Universidade Estácio de Sá, Brasil

E-mail: bcedraz@[Link]

Abstrato

O presente estudo tem como objetivo elencar a importância da reforma agrária no atual cenário brasileiro.

conjuntura, tendo em vista a perspectiva plural que este sistema pressupõe ligada à

movimentos que lutam pelo direito à terra. Dentre esses movimentos, surge o MST

como peça fundamental que abre caminho para a dissolução das injustiças sociais no

campo, ou seja, esse grupo assume a prerrogativa de obter e parcelar terras

que não cumprem a função social do solo, visando assim a conquista e

redistribuição. dessas áreas que, por muito tempo, permanecem com dívidas especulando apenas o

valor financeiro ao passar dos anos em relação aos integrantes desta e de outras siglas

que lutam pela condição de produzir, comercializar e subsistir através

plantio. Além disso, cabe destacar que o MST possui uma agenda socioafirmativa, em

em que mulheres, negros e pessoas de diferentes sexualidades assumem posições de

liderança, diálogo e prestígio, ou seja, o movimento é plural, progressista e tende

romper com padrões patriarcais ainda presentes na contemporaneidade.

Palavras-chave: Reforma Agrária; MST; Disparidades, Justiça social.

Introdução
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A reforma agrária no Brasil envolve embates ideológicos, sociais e políticos, que

tendem a permear o movimento daqueles que lutam pelo direito à terra. Nesta perspectiva,

pequenos movimentos sociais se estabeleceram no Brasil e aderiram a um grupo mais expressivo

um, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), no qual agentes políticos,

agendas democraticamente eleitas e, quem assumiam, sociais, intensificaram ainda mais a

discussões e expansão de grupos, sindicatos e associações que reivindicam o direito sobre

latifúndios improdutivos (DELGADO, 2014).

Os paradigmas representam interesses e ideologias, desejos e determinações, que


se materializam através de políticas públicas em territórios de acordo com as
pretensões das classes sociais. Através do recurso paradigmático, os cientistas
interpretam as realidades e tentam explicá-las. Para tanto, selecionam um conjunto
de constituintes como, por exemplo: elementos, componentes, variáveis, recursos,
indicadores, dados, informações, etc., de acordo com suas perspectivas e suas
histórias, definindo politicamente os resultados que desejam demonstrar ( DELGADO,
2014, pág.

Contudo, vislumbrar a conquista destes espaços não é uma tarefa fácil e pacífica.

tarefa, uma vez que os movimentos sociais, que visam a justiça social no campo, enfrentam o

truculência da própria figura da justiça e dos grandes latifundiários, que mesmo sem oferecer

a produção e quitação de suas dívidas fundiárias permanecem sob o alinhamento do

perpetuação do poder e da especulação imobiliária, o que pode garantir vantagens financeiras

e lucro expressivo no longo prazo, em detrimento daqueles que necessitam da utilização do

solo para produção, geração de renda e riqueza (MACEDO, 1995).

Para o indivíduo, a justiça social consiste na observância das regras éticas gerais da
actividade económica, da profissão e no respeito pelas leis fiscais. A observância da
justiça social por parte do indivíduo legitima as suas aquisições e rendimentos.
Para o Estado, justiça social significa o estabelecimento de uma ordem económica
competitiva que permita o desenvolvimento de todos e de todos, bem como ações
afirmativas que restabeleçam, sempre que necessário, um mínimo de igualdade de
oportunidades entre indivíduos, setores, regiões, etc. (MACEDO, 1995, p. 75).

Em linha com o que foi mencionado acima, ainda existe o estigma de que os membros da

do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são bandidos, desordeiros e usurpadores de terras

que pertencem a outros e, portanto, são demonizados na mídia tradicional, como na TV

e nas mais diversas outras contemporâneas, que fazem parte da rede mundial de computadores.

O que deve ser destacado é que isso não é verdade, pois para que o antigo setor privado

propriedade a ser perdida, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA)


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paga uma pesada indenização equivalente ao valor comercial da terra posteriormente

ocupada (SILVA; MARIANO, 2020).

Veja também faz uso de argumentos definicionais, quando atribui ao MST conceitos como
“terrorista”, “vândalos”, “criminosos”, “bandidos” e “ousados”.
Isto cria uma identidade do MST com definições variadas, mas aproximadas, que
generalizam as práticas do Movimento. Dessa forma, esse locutor faz escolhas na hora de
definir, levando em consideração o que lhe interessa (SILVA; MARIANO, 2020, p. 105).

Concomitantemente a isso, o papel das redes sociais na disseminação de notícias falsas,

assume uma prerrogativa ainda mais grave e deslocada da história real, que

permeia esse movimento, vale destacar os comentários em fóruns da internet que

o MST está ligado às ideologias comunistas, que pretendiam transformar o Brasil em um

Venezuela, isto é, no que diz respeito à implementação de uma ditadura do proletariado.

Nessa perspectiva, vale ressaltar que a reforma agrária não retira a terra

propriedade e que os sujeitos que compõem os movimentos de luta por ela são apenas

exercer uma Lei Constitucional, mesmo que pareça controversa, ou seja, isso significa dizer

que esses cidadãos atuem como solventes do poder coronelista que vive no Brasil

sociedade, na qual muitos não possuem nada e permanecem à margem dos males e dos problemas sociais.

disparidades, enquanto uma pequena parcela dos proprietários vê suas fortunas aumentarem devido à

especulação monetária de latifúndios improdutivos (BÔAS, 2012).

As ações do MST estão sempre ligadas à ilegalidade. Os artigos que compõem o código
agrário da Constituição Federal – uma conquista jurídica – são sistematicamente omitidos
pela grande imprensa. A auto-organização popular como forma de resolver os problemas
da população pobre, em oposição a um Estado criado para garantir privilégios aos ricos, é
sempre desencorajada pela associação desta prática com atos de desordem e violência
arbitrária. Há interesse em desvincular as causas do movimento de suas ações, para evitar
que se pense que nossas ações visam a construção de uma ordem que atenda às
demandas populares. Dado o cruzamento destes dados, podemos perceber que o
monopólio dos meios de comunicação de massa pela elite é atualmente um dos principais
obstáculos à tentativa dos movimentos sociais de massa de estabelecerem uma relação
produtiva de politização, sensibilização e engajamento, sendo a maioria deles da população
pobre vítima das consequências do sistema regido pelas leis do capital (BÔAS, 2012, p.
158-159).

Portanto, este artigo científico tem como objetivo compreender a gênese da reforma agrária

no Brasil junto com os movimentos civis que compõem lendas de luta pela

terras improdutivas, buscando assim a justiça social, bem como as nuances envolvidas na
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processo de mitigação das disparidades sociais no campo.

Metodologia

A pesquisa foi realizada por meio de um processo de revisão bibliográfica de um

de natureza qualitativa, em que foram publicados artigos relevantes ao tema dos últimos 10 anos.

curadoria, eliminando aquelas que não entraram no escopo. Além disso, livros básicos também foram

parte da confecção deste artigo, visando a sedimentação em bases teóricas primordiais


fontes.

Resultados

A reforma agrária caracteriza-se como um movimento político que engloba a

campo, assim, a luta pelo direito à terra está vinculada a um movimento da sociedade civil,

que reivindica acesso a espaços adequados para o plantio e que não estejam cumprindo os

função social que, neste caso, é a geração de riqueza e crescimento, em termos da

economia e também da própria esfera que compõe a sociedade (FERREIRA; TARREGA,

2013).

Dessa forma, o campo desempenha um papel numa dinâmica com os interesses da sociedade

em si, o que significa que a produção precisa vir antes da acumulação de terras, porque em

Dessa forma, a função social do solo estará em pleno vigor e a comunidade estará

beneficiado em detrimento dos objetivos particulares da classe dominante, que perseguia


ideais individualistas e egocêntricos.

Porém, no Brasil, a discussão na esfera política que leva à

reforma é muito recente, o que significa que o crescimento dos monopólios ligados à terra

a propriedade é um problema que se arrasta desde o momento da colonização

do Brasil, em 1530. Desta forma, foi dada a representatividade dos grandes senhores

principalmente através das tarefas da terra e de quantos escravos eles mantinham em seus poderes

(SOUZA, 2000).

Nisto, o avanço contemporâneo do capitalismo no campo, começou a

intensificar de forma ainda mais cruel uma série de segregação, pobreza e miséria no

áreas onde esse sistema de acumulação se espalha. Desta forma, especulações improdutivas
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o agronegócio agrava ainda mais as desigualdades no campo, e o PIB

Produto Interno Bruto (PIB) não reflecte de facto a ausência do Estado e as mazelas impostas ao

classe trabalhadora no campo.

Contudo, entender o que é de fato a reforma agrária no Brasil tornou-se uma premissa

que envolve retórica, contradições e interesses de quem não admite a perda de

o poder absoluto sobre a terra, ou seja, a reforma agrária surge no contexto da redistribuição

de terra para aqueles sujeitos que não têm acesso e, isso, implica diretamente na quebra

da hegemonia dos poucos ricos, que perpetuam a sua importância na sociedade através

ter hectares de terra que não cumprem a função social em suas mãos (STEDILE;

ESTEVAM, 2012).

Criou-se um imbróglio jurídico, pois em outro artigo da Constituição está


determinado que todas as grandes propriedades que não cumpram sua função
social estão sujeitas à desapropriação. Essa função social deve ser avaliada não
apenas em relação aos aspectos de produção e produtividade, mas também aos
relacionados ao cuidado com o meio ambiente e às relações sociais existentes na
propriedade. Por fim, aspectos de atenção aos interesses da sociedade como um
todo (STEDILE; ESTEVAM, 2012, p. 154).

Portanto, é perceptível que para a manutenção do poder, a retórica e as falácias

são criados e difundidos, para que caiam no seio popular, e no seio agrário

movimento de reforma é visto pela sociedade como algo que beira o crime e

rebelião, por parte daqueles que exigem uma distribuição justa de terras improdutivas que não

não cumpre sua função social. Por isso, a verificação de informações, na era da internet,

tornou-se uma tarefa a ser considerada como uma atividade cotidiana, visando elucidar, contrastar

e compreender o que é um fato ou um erro.

Diante disso, surge a contradição na ideia de que para que haja uma

redistribuição de terras no campo, o proprietário perderá a propriedade e receberá

nada em troca, o que é um erro por parte das notícias veiculadas na mídia, que

colocar os militantes no lugar de usurpadores de terras. O que acontece é que o Instituto Nacional

Colonização e Reforma Agrária (INCRA) oferece indenização ao proprietário do

latifúndios após a ocupação do MST, ou seja, o órgão governamental subsidia o

viabilidade para que esse local passe a cumprir sua função social (SILVA et al., 2016).

Nesse viés, a noção de latifúndio é inerente à reforma agrária, pois o latifúndio

configura-se como uma grande extensão agrícola pertencente a uma única pessoa, que outrora foi
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conhecido como coronel, empresa familiar ou privada que, muitas vezes, não costuma explorar

uso extensivo dos recursos naturais ali existentes apenas para manter o seu monopólio,

intensificando a disparidade social no campo ligada à dinâmica segregadora do

capitalismo, que ainda reforça a política colonialista do Brasil mesmo no século XXI (FERNÁNDEZ, 2016).

Contudo, as concepções de latifúndios não podem ser vistas apenas como a existência de

hectares improdutivos expressivos, as terras, mesmo que em menor escala e, que também

não cumpre a função social, é sim passível de reforma agrária, pois há

sujeitos capazes de fazer daquela área um ponto de articulação da produção, da renda coletiva

geração e envolvimento transformador que respeite o meio ambiente.

Partindo da premissa da disparidade social, ela ocorre como consequência da

acumulação de riqueza nas mãos de alguns súditos, e a terra tem sido historicamente

concebido como um agente que garante poder e status àqueles que fazem parte do topo

da pirâmide social de diferentes civilizações, na Inglaterra, por exemplo, a prática de

cercar terras comuns ficou sob o controle de um único homem, a partir do século XII

em diante, impossibilitando assim que os mais pobres tenham acesso e direito a eles, o que

fomentou a desterritorialização do campesinato, em que, neste sistema, as relações de

a partir de então ocorreu apenas através da subserviência (MORUS, 1997).

Vale ressaltar, o exemplo da região Nordeste do Brasil, que, por

durante muito tempo, configurou-se sob as ordens e desmandos dos ex-coronéis, nos quais

o cerco ocorreu de forma constante e limitante aos produtores que compunham o

agricultura familiar e de subsistência, ou seja, o poder subjuga, separa e fomenta

diferenças entre as classes ricas e pobres, e este é o movimento que se espalha de forma

de forma mais “sutil” e mascarada em nossa realidade atual.

Assim, os cercamentos implicam a criação de territórios, que para Souza (2019) têm

sua gênese se estabelece a partir do momento em que se estabelece a relação de poder, ou seja,

quando existe um espaço socialmente constituído e tem um dono que estabelece fronteiras

sob sua guarda, aspectos tendem a ganhar novas nuances que perpassam o imóvel e, neste

Neste caso, os recintos persistem na contemporaneidade, pois os grandes latifúndios são o espaço físico e visual

demonstração de poder e suas inter-relações socioespaciais.

Assim, o homem é capaz de modificar, reformular, ordenar e estabelecer

noções de poder sobre o espaço geográfico, já que o ato de tomar posse, desmatar,
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encerrar e ampliar seu poder, através da especulação, ratifica todo esse processo de
concentração de riqueza. , que se opõe aos direitos à dignidade dos mais pobres sem
acesso à terra.

[...] a concentração de terras, em consonância com o modelo de desenvolvimento


econômico brasileiro estruturado no campo pelo agronegócio, se reflete nos
diferentes tipos de conflitos, estruturando-se territorialmente e suprimindo as
possibilidades de acesso das populações pobres daquele país. A Constituição Lei
Federal Brasileira (BRASIL, 1988), em conformidade com a Lei nº 4.504, de 30 de
novembro de 1964, garante o direito de acesso à terra para todos, o que garantiria,
caso esta Lei fosse cumprida, o fim da uso da violência para cercear a grande
massa de trabalhadores sem terra das comunidades tradicionais do país (CAMPOS;
BEZERRA, 2022, p. 114).

Nisso, o capitalismo surge como fator-chave na manutenção das disparidades sociais

no campo, já que o latifúndio improdutivo é um elemento denotativo que pode ter

maiores lucros futuros, em vez de cumprir a sua função social, que, como visto anteriormente,

é produzir e consequentemente contribuir para o fenómeno da insegurança alimentar que

assola o Brasil (CARVALHO, 2013).

Esta concentração de rendimentos e riquezas por parte das empresas capitalistas


no campo tem vindo a tomar forma --- como no período colonial, com o apoio
massivo de políticas públicas governamentais. Seus negócios andam “pari passu”
com os negócios governamentais. E, esta escolha de favorecimento político por
parte dos governos às grandes empresas agrícolas e florestais privadas nacionais
e estrangeiras não só compromete a soberania alimentar nacional, mas ao mesmo
tempo contribui para a acumulação através da espoliação dos recursos naturais e
da exploração dos trabalhadores do país (CARVALHO, 2013, p.1).

Além disso, os mecanismos capitalistas são perceptíveis, como motores da

desigualdades no campo, porque na perspectiva neoliberal, concentrar

riqueza, através de latifúndios improdutivos, é vantajosa, pois tende a manter a

privilégio e “nome”, diante da sociedade, que cada vez mais valoriza ter, e isso

é um dos pilares que originam e elevam os dados tangentes às desigualdades sociais no

interior.

Tendo em conta a deterioração da natureza, em favor do progresso económico de poucos,

que se reflete como consequência da especulação imobiliária, a região Centro-Oeste do Brasil

tem sido o palco contemporâneo dos problemas que permeiam a acumulação de terras,

áreas que contêm biomas como o Cerrado e até mesmo a floresta amazônica, têm enfrentado

a degradação de sua flora e fauna, como os agentes civis e até mesmo o atual governo de
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o presidente da república Jair Bolsonaro, por meio de seus ministros e do Ministério

do Meio Ambiente, flexibilizou leis , que agem completamente contra a harmonia do

natureza, beneficiando assim exclusivamente aqueles que visam a concentração de terras ao

em detrimento de uma agenda social coletiva, desprezada pelas políticas neoliberais

(FERNANDES, 2020).

Além disso, deve-se notar que para que os latifúndios improdutivos ganhem ainda mais

mais espaço, os biomas têm sido gradualmente devastados e, neste sistema, há uma perda de

biodiversidade da fauna e da flora, pois este local é desmatado, queimado e limpo. Isso tende a

forçar a migração de espécies animais, que podem não se adaptar a outro ecossistema. Que

é que perde não só o homem, mas também a natureza, que leva anos para se estabelecer e cumprir seu

função primária, que é manter a vida.

Certamente, a acumulação de capital está totalmente ligada à terra, pois esta,

Historicamente, através de agentes humanos, ordenaram e reordenaram o espaço, e isso não

aconteceu de forma diferente com os latifúndios, à medida que o espaço geográfico começou a se transformar

tendo em vista a subjetividade do conceito de lugar, em que o desmatamento e a

implementação de cercamentos que originam propriedade ainda são protagonistas de mudanças

que não cabem em uma alteração estática, ou seja, as ações do homem que mercantilizam a natureza movem-se

e são perceptíveis, basta comparar imagens de satélite de uma determinada área, por exemplo (SANTOS,

2014).

A transformação do todo, que é integral, em suas partes – que são seus diferenciais, também se
dá por meio de uma distribuição ordenada, no espaço, dos impactos do Todo, por meio de suas
variáveis. As ações não são localizadas cegamente.
Nem os homens. O mesmo se aplica às instituições e infraestruturas. Este é o próprio princípio
da diferenciação entre os lugares, produzindo combinações específicas nas quais as variáveis
do todo se encontram de forma particular (SANTOS, 2014, p. 125).

No imaginário popular, influenciado pelo “boca a boca” e até pela mídia,

o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) é originário da região Nordeste do Brasil,

o que é caracterizado como um erro. Na verdade, este movimento teve a sua génese no

Encontro Nacional dos Trabalhadores Sem Terra, no Estado do Paraná, região Sul do Brasil, em 1984

(NICÁCIO; NICÁCIO, 2022).

Outro ponto que fomentou a concepção do MST foi o fato de que em


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A partir de 1970, a região Sul, em especial, passou por um forte avanço tecnológico

aspectos que envolviam a produção no campo, ou seja, naquele momento, o trabalhador rural

tornou-se impotente e inútil, pois o trabalho manual começou a ser substituído por trabalhos mais modernos

máquinas que visavam alta produtividade, em detrimento do trabalho agrícola

classe de pequenas propriedades, que compreendia, em sua maioria, a agricultura familiar com mais

técnicas rudimentares e menos competitivas (SERRA et al., 2016).

O governo militar optou por manter a estrutura agrária já existente no Brasil e adotou
as bases do modelo da Revolução Verde. As regiões que sofreram mais intensamente,
inicialmente, foram as regiões Sul e Sudeste e, um pouco mais tarde, a região Centro-
Oeste. Primeiramente, houve preferência por monoculturas com objetivo de
exportação como soja, milho, algodão e arroz (SERRA et al., 2016, p. 6).

Dessa forma, o acelerado processo de industrialização nas áreas rurais intensificou a

fenômeno do êxodo rural, em que pequenos produtores venderam suas terras para grandes

proprietários de terras, aumentando assim a concentração de terras nas mãos dos mais afortunados,

e os demais migraram para outras áreas. regiões brasileiras, em busca de melhores condições de vida,

o que muitas vezes não ocorreu conforme idealizado (MUELLER; MARTINE, 2022).

Com isso, houve uma forte expulsão de mão de obra e o espaço para arrendatários,
sócios e, em geral, pequenos produtores foi bastante reduzido, provocando um forte
êxodo rural. Além disso, devido a uma combinação de diversos fatores, a concentração
fundiária acabou se intensificando. Como resultado de tudo isso, durante as décadas
de 1960 e 1970, quase 30 milhões de pessoas trocaram o campo pelas cidades, e
outro importante contingente de migrantes rumou para a fronteira amazônica
(MUELLER; MARTINI, 2022, p. 409).

Nessa perspectiva, pode-se citar o crescimento urbano de São Paulo, pois com

Após o êxodo, ocorrido no campo, os trabalhadores migrantes passaram a realizar outras

funções, entre elas, as de trabalhadores da construção civil, já que o salário que permitia

a dignidade era o alvo a ser abraçado. Nisto, os camponeses romperam os seus laços com o

campo e ajudou na construção, expansão e enriquecimento das metrópoles

com trabalho manual extenuante. Porém, o próprio MST se equipou com camponeses que não

não cederam às pressões capitalistas liberais e começaram a reivindicar o direito à terra, como haviam feito

as técnicas e conhecimentos, mas com a chegada e inserção das ambições de

capitalismo cumulativo, eles começaram a ser segregados e vítimas de boicotes por parte dos grandes

senhores do campo, razão pela qual a justiça social é empregada neste povo
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movimento, em que o acesso à terra é negado (FORCHESATTO; MORETTO, 2021).

Em linha com o que foi mencionado acima, é pertinente visualizar o poder que

emerge do povo e da classe trabalhadora rural, uma vez que muitas das leis e direitos

foram adquiridos através do processo de resistência, resiliência e revolta contra o

interesses da classe dominante, ou seja, numa democracia, as políticas públicas precisam valorizar

os apelos da população, de todo, mas especialmente daqueles que são marginalizados

no sistema estrutural brasileiro e que não gozam dos direitos garantidos pelo
atual Constituição Federal.

Como observado no texto, o MST é peça fundamental para a conquista da ociosidade

terra, para que possam ser utilizadas a produção agrícola, a geração de renda e a habitação, já que

Os assentamentos abrigam famílias que, além de produzir, precisam de um lar.

Ou seja, esse movimento exige direitos básicos, que são garantidos a todos os cidadãos pelo

Constituição Federal de 1988 (CARTER, 2010).

A Constituição de 1988 autoriza a reforma agrária e qualifica os direitos de propriedade


quanto à sua função social. Contudo, a maioria dos juízes insiste em aplicar a
abordagem absolutista do Código Civil aos direitos de propriedade. Esta metodologia
jurídica fechada criminaliza os militantes do MST. Contudo, numa vitória importante
para os advogados do MST, o Superior Tribunal de Justiça decidiu em 1996 que as
ocupações de terras destinadas a acelerar a reforma eram “substancialmente distintas”
dos actos criminosos contra a propriedade. Longe de simplesmente ignorar a
legalidade, conclui Meszaros, o MST contribuiu ativamente para influenciar os debates
sobre a natureza e a função da lei (CARTER, 2010, p. 77).

Dentre esses direitos, vale destacar a subsistência, desta forma, o MST

investe na agricultura familiar, o que, por sua vez, traz benefícios às famílias e também ao

ambiente, uma vez que a produtividade familiar, em sua maior parte, é orgânica e não

dependem de defensivos agrícolas, pois há a implementação da agroecologia nestes

espaços geográficos, adquiridos através do compromisso e da não aceitação dos caprichos dos

da classe dominante, mesmo com as tensões que envolvem essa sistemática (GILBERT, 2013).

Em muitos aspectos, estas tensões em torno dos direitos à terra não são novidade, a
história humana evoluiu em torno destes conflitos, por isso pode-se argumentar que
as guerras sempre envolveram disputas territoriais. Há também uma estreita relação
entre uso, acesso e propriedade da terra, por um lado, e desenvolvimento e redução
da pobreza, por outro (GILBERT, 2013, p. 136).

Porém, não basta apenas ingressar no latifúndio, é preciso ter

investimentos financeiros, que permitem a compra de máquinas, para que haja de fato a
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início do cumprimento da função social deste solo, portanto, é comum que

existem cooperativas dentro dos assentamentos, porque o trabalho em parceria com o

Os próprios membros facilitam o diálogo, uma visão holística e cooperativa na mitigação

problemas e no que pode ser feito para atingir o objetivo daquela comunidade (CHIARIELLO;

FARID, 2013).

A partir da arquitetura organizacional, as cooperativas desenvolvem atividades de


produção e gestão, adotando a isonomia dos sócios quanto à democracia interna
e à propriedade coletiva da terra e dos meios de produção, algo estipulado desde
a fase do acampamento, portanto anterior à própria fundação das cooperativas. A
coletivização possibilitou que o trabalho
ser otimizado para a produção conjunta, o que seria difícil caso se optasse pela
utilização individual de lotes e meios de produção (CHIARIELLO; FARID, 2013, p.
56-57).

Nesse sentido, é importante ressaltar a importância do MST no

celebrando ações socioafirmativas dentro de sua comunidade, o que significa que os negros,

quilombolas, mulheres e pessoas que fazem parte da sigla LGBTQIAP+ têm

papéis significativos, que são contemplados em diferentes eixos hierárquicos, como, por

por exemplo, em cargos de liderança, que se opõem ao patriarcado presente em outras siglas.

Nesse sentido, construindo territorialidades nas entranhas desses movimentos, a


abordagem socioterritorial torna-se latente e surge a consciência de que é possível
ter LGBT na luta pela terra, e que sua presença é relevante na resistência
necessária para a territorialização dos movimentos diante do capitalismo
globalizado no campo brasileiro (CHELOTTI; GOMES; FILETO, 2020, p. 71).

Contudo, o papel do feminino foi durante muito tempo negligenciado e tornado

invisível, em que as mulheres não detinham o protagonismo nas ações desenvolvidas por este

movimento que luta por terras ociosas. Porém, hoje em dia, a figura do feminino tem sido

levantando novas prerrogativas e voz ativa nas decisões, organização e militância, que

intensificar as ações socioafirmativas desse grupo.

Ao afirmar a sua importância fundamental para a construção de um projeto que se


opõe ao modelo de desenvolvimento capitalista e patriarcal, acaba por expressar
uma luta que é anticapitalista e antipatriarcal como transversal na luta pelas
mudanças sociais, recebendo, neste sentido, a adesão das mulheres urbanas ,
que, por fim, também são reconhecidas em torno das questões trazidas pelas
mulheres do campo e da floresta, o que faz com que a Marcha, a cada ano, tenha
tido uma participação mais significativa das “mulheres urbanas” (AGUIAR, 2016, pág. 286).
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Além disso, é preciso compreender que o MST é composto, em sua maioria,

parte, de pessoas negras, que reivindicam seu lugar e se distanciam do

marginalização imposta pela elite brasileira, ou seja, os mecanismos sócio-afirmativos

permeiam toda a cadeia do movimento, e o negro surge como força motriz,

no que diz respeito à busca pelo diálogo, pelos direitos e não mais pela subversão aos caprichos de um

sociedade que nega as suas raízes, em favor de um padrão europeu.

O interessante na Bahia é que o maior número de lideranças é negro, desde


coordenadores nacionais até líderes regionais, setoriais e de brigada. A maioria é
negra, mas é possível perceber que aqueles que estão mais próximos de Salvador,
ou assumem tarefas que precisam estar sempre articuladas em Salvador e com
outros movimentos urbanos, dominam mais propriamente o tema (SOUZA, 2017, p. 7).

Considerações finais

O presente trabalho se propôs a demonstrar o protagonismo do MST, de uma forma

sociedade que ainda mantém resquícios do pensamento classicista e elitista sobre as minorias.

Neste sentido, não é necessário apenas destacar os pontos positivos deste movimento de

luta pela terra ociosa, por meio da Reforma Agrária, medida constitucional e legítima

mecanismo, por mais refutado, criminalizado e marginalizado pela sociedade, que não

compreender a magnitude e o destaque desse movimento cunhado na região. Sul


do Brasil.

Diante do que foi mencionado acima, os preconceitos e o ranço são atribuídos

Nordestinos, através da xenofobia. Ou seja, no imaginário popular, o MST tinha

suas origens nos Estados que formaram a região Nordeste do Brasil, neste, o uso de

termos pejorativos e criminais são direcionados a essa população. No entanto, as reações em

As redes sociais são cheias de hostilidade, desprezo e ataques deliberados. Portanto, o

movimento tem seu apoio minado e manchado pela falta de conhecimento na era da

tecnologia.

No entanto, a maior parte do tecido social imerso em novas tecnologias não

parecem fazer bom uso deles, pois, como observado, a elaboração e divulgação de

informações falsas foram tomadas nas redes sociais e muitos indivíduos têm firmemente

acreditava que o MST é um movimento que pretende implementar o comunismo no Brasil,

eliminando o direito à propriedade privada e benefícios que cobrem uma pequena parcela do

população já rica.
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Porém, o que se observa na contemporaneidade, devido ao uso massivo de

redes sociais, é a criminalização do MST contra a sociedade civil, ou seja, a elite ainda

mantém discursos discriminatórios e não inclusivos, com o propósito de perpetuar

poder no longo prazo, pois através da especulação de latifúndios improdutivos que não
cumprir a função social determinada no artigo 184 da atual Constituição Federal.

Contudo, o combate às notícias falsas na contemporaneidade tornou-se uma tarefa árdua.

tarefa em relação à mídia que utiliza pesquisas, fontes e comentários de “pesquisadores”,

que tende a um viés político ideológico, que se inclina contra os Direitos Humanos. Humano,

civil e constitucional ao que convém ao próprio sujeito sem-terra. A este respeito, como

destacados na construção deste trabalho, projetos repletos de aparatos jurídicos tentam

perpetuar o poder nas mãos da classe dominante, o que deixa os pobres consternados e

retrocesso profundo.

Em suma, cabe destacar que o MST tem destaque no combate às questões socioespaciais,

desigualdades de gênero e sexuais e também no que permeia a proteção da natureza, uma vez que

seus métodos de produção agrícola prezam pela não utilização de agrotóxicos nas plantações, o que

favorece uma dinâmica de respeito ao solo, aos rios e ao ar.


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Declaração de contribuição dos autores

Emanuel de Oliveira Andrade ID: 43ebbd94-98b4-42f1-866b-c930cef228ca

Breno Nery da Silva ID: d3aead86-f2a2-47f7-bb99-79de6421164d

Declaração de conflito de interesses

Os autores declaram não haver conflito de interesses.


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