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Ativ Vídeos e Texto Estágio I

A leitura acadêmica é essencial para o sucesso no ensino superior, pois transforma conhecimento em habilidades profissionais e exige uma abordagem crítica e reflexiva. Estratégias como definição de objetivos, registro de informações e avaliação do próprio processo de leitura são fundamentais para desenvolver essa habilidade. Além disso, a escrita acadêmica deve ser aprimorada continuamente, considerando aspectos emocionais e psicológicos que afetam a experiência dos estudantes.
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A leitura acadêmica é essencial para o sucesso no ensino superior, pois transforma conhecimento em habilidades profissionais e exige uma abordagem crítica e reflexiva. Estratégias como definição de objetivos, registro de informações e avaliação do próprio processo de leitura são fundamentais para desenvolver essa habilidade. Além disso, a escrita acadêmica deve ser aprimorada continuamente, considerando aspectos emocionais e psicológicos que afetam a experiência dos estudantes.
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Leitura Acadêmica no Ensino Superior: uma habilidade a ser desenvolvida

Participaram da live a psicóloga, mestra e professora Ingrid Agassi, e o professor Doutor Gabriel de

Luca.

A professora Ingrid Agassi observou que não é o suficiente absorver informações, tais como

conceitos, teorias, técnicas e métodos. É necessário transformar o conhecimento em capacidade de

atuar profissionalmente. Um dos primeiros passos pra isso é a leitura acadêmica, que é fundamental

para a vida acadêmica e para a vida profissional.

A leitura acadêmica é diferente da leitura no ensino médio, pois no ensino superior o nível de

exigência é superior. No ensino fundamental e médio o foco dos estudantes normalmente recai

sobre as avaliações. E é questionável se as notas realmente avaliam a aprendizagem e a conduta dos

estudantes.

As pessoas normalmente leem jornais para informar-se, revistas para distrair-se e livros para

divertir-se. Já no ensino superior a leitura tem finalidade acadêmica, o que envolve interações,

típicas, específicas com o material que está sendo lido. E academicamente as exigências em relação

à leitura são diferentes, específicas. Por exemplo, o estudante de nível superior deve questionar-se:

“Como vou utilizar este conceito?” Em outras palavras, da leitura acadêmica derivam informações

importantes para a vida profissional. De fato, a leitura acadêmica é fundamental para o sucesso

acadêmico e profissional.

Por exemplo, a discussão acerca de vários conceitos de fenômenos psicológicos vai além de ler,

entender ou decorar tais conceitos, envolvendo questões como: “O que vou fazer com o conceito,

como vou utilizá-lo?” ou “Por que estudamos tais conceitos?” Tal aprendizado envolve identificar a

ocorrência do fenômeno psicológico, por exemplo.

Anteriormente observou-se que a leitura acadêmica é essencial para o sucesso acadêmico e

profissional. Entende-se por sucesso profissional a formação qualificada, clareza a respeito do tipo

de fenômenos com os quais o profissional vai trabalhar, conhecimento sobre os tipos de intervenção
adequadas às características de tais fenômenos, bem como sobre os objetivos e estratégias de

intervenção.

Pesquisas sobre leitura acadêmica revelaram que muitos acadêmicos têm dificuldades para adaptar-

se às exigências de estudo no ensino superior, o que revela muito pouco sobre a capacidade destes

estudantes, pois tais dificuldades podem ser consequência do nível da qualidade do ensino

fundamental e médio. Tais dificuldades também derivam do fato de que a leitura acadêmica é

diferente da leitura no ensino fundamental e médio. Assim sendo, muitos acadêmicos têm

dificuldade de lidar com as exigências de leitura no ensino superior, que envolve, por exemplo,

analisar situações de trabalho.

Evidentemente há correlação entre a leitura e a escrita acadêmica, o que influencia o

desempenho acadêmico. É claro que ambém há correlação da leitura acadêmica com a redação de

textos profissionais e com a atuação profissional.

Ler não é codificar palavras, vai muito além disso, abrangendo a interpretação do conteúdo e

sua relação com a realidade, contribuindo para a interpretação do mundo real. A leitura acadêmica

também tem como objetivo fazer com que o conhecimento transforme-se em habilidades

profissionais.

Como foi observado anteriormente, as dificuldades dos acadêmicos na verdade não

relacionadas a problemas pessoais dos estudantes. Diversas variáveis contribuem para tais

dificuldades, tais como as características do sistema educacional.

A leitura acadêmica pode ser aprendida, utilizando-se a sistematização de um sistema de

aprendizado. Foram catalogadas na literatura científica habilidades para a leitura acadêmica

identificadas na leitura de obras literárias.

Podem ser utilizadas diversas estratégias na leitura acadêmica. Uma destas estratégias é

definir objetivos, identificar o que é importante no texto. É interessante o fato de em diferentes fases

da vida, com diferentes objetivos uma pessoa pode ler o mesmo texto e irá retirar da leitura

diferentes informações que vai considerar relevantes. Também é importante levar em consideração
o fato de que frases de efeito muitas vezes não correspondem ao que é nuclear no texto. Além disso,

frases de síntese normalmente levam a uma simplificação exagerada do conteúdo. Em diferentes

fases da vida, com diferentes objetivos uma pessoa pode ler o mesmo texto e irá retirar do mesmo

diferentes informações que vai considerar relevantes.

Outra estratégia para a leitura acadêmica é observar os títulos e subtítulos. Também é

importante identificar as perguntas que são consideradas pertinentes. Ao longo da vida acadêmica e

da vida profissional nos questionamos o que estamos buscando ao ler determinado material.

Outra recomendação da professora Ingrid Agassi é selecionar unidades de leitura ou

fragmentos de texto, que podem corresponder a um parágrafo. Tais fragmentos de texto devem ser

lidos e comparados com os objetivos da leitura.

Além disso, é necessário que o acadêmico registre informações que considerar relevantes, o

que pode ser feito destacando informações (sublinhando ou utilizando canetas marca-texto) ou

escrevendo com as próprias palavras sobre as informações que considerar importantes, redigindo

tópicos. É importante também articular todos os tópicos em um texto único.

Há autores que recomendam que os estudantes avaliem o seu ato de ler academicamente,

perguntando-se, por exemplo: “O quanto eu consigo registrar com as minhas próprias palavras o

que estou entendendo do texto?”

O professor Gabriel de Luca observou que não se deve confundir o quanto uma pessoa lê

com a qualidade da leitura.

Além de redigir um texto articulando os tópicos já anotados, é interessante relacioná-los

com informações de outro texto ou apresentadas em sala de aula. Este processo é importante para

avaliar o quanto a pessoa conseguiu compreender as informações lidas.

Outras estratégias que podem ser utilizadas na leitura acadêmica são o registro de palavras-

chave do texto e a elaboração de mapas conceituais, que devem ser relacionados aos objetivos de

leitura. Cada pessoa pode avaliar qual é o momento mais conveniente para utilizar estas estratégias

de leitura. Um mapa conceitual é representativo de algumas informações, mas tais informações não
estão expressas no esquema, pois não há a exigência de que nele as informações sejam apresentadas

de forma mais detalhada e relacionadas.

Muitos autores afirmam que a leitura só é acadêmica se for acompanhada do resgistro de

informações.

A professora Ingrid Agassi enfatizou que a habilidade de escrita acadêmica deve ser

desenvolvida e aperfeiçoada ao longo do curso de ensino superior. Isto depende da leitura

acadêmica, levando em consideração as orientações anteriormente apresentadas.

É importante que o estudante de nível superior avalie o seu próprio comportamento de

leitura acadêmica, questionando-se: “O que eu sabia sobre o fenômeno em estudo antes de ler o

texto? O que aprendi sobre o fenômeno em estudo depois de ler o texto? Quais as mudanças na

minha percepção acerca do fenômeno depois da leitura do texto? O que eu fiz que facilitou ou

dificultou a leitura?” As primeiras questões levam o estudante a ir além da interpretação literal do

texto.

Também é importante observar estratégias de estudo, que envolvem levar em consideração

circunstâncias tais como o ambiente de estudo, se o estudante está com fome ou sede e assim por

diante.

O professor Gabriel de Luca observou que o estudante ou profissional deve avaliar

constantemente o seu próprio desenvolvimento. Isto é fundamental, pois, por exemplo, um

psicólogo deve fazer ao analisando perguntas embasadas durante o atendimento.

A professora Ingrid Agassi observou que não conhece programas para o desenvolvimento de

habilidades de leitura acadêmica, como se tais habilidades fossem um pressuposto para ser um

estudante de ensino superior. Porém, existem iniciativas para ensinar os acadêmicos como fazer

fichamentos, por exemplo.

Em uma pesquisa experimental avaliou-se a efetividade da utilização de estratégias de

leitura acadêmica e verificou-se que é possível desenvolver e aperfeiçoar habilidades de leitura

acadêmica.
O segredo de uma ótima apresentação - estrutura, roteiro, fala

O objetivo da fala de Alice Pavanello é dar dicas para quem quer fazer uma ótima

apresentação sobre qualquer assunto. Alice Pavanello observou que uma ótima apresentação é

aquela que é interessante, atrativa, com conteúdo. São três segredos para isso: definir uma linha

guia, criar uma estrutura interessante para o texto e roteirizar a fala.

Uma boa apresentação é capaz de conquistar a atenção do público, manter o interesse e

deixar uma mensagem. Para isso é essencial definir a linha guia, o caminho da narrativa para que as

ideias sejam desenvolvidas de forma clara e coerente.

É importante definir qual é o objetivo da apresentação, qual é o público, bem como o tempo

e os recursos adicionais que serão utilizados. Definir o tempo da apresentação auxilia para que as

ideias sejam transmitidas com mais objetividade. Um erro comum é concentrar muitas informações

em um curto período de tempo. É melhor focar em um ponto específico. Por exemplo, em um

trabalho acadêmico um ponto fundamental a ser abordado é referente aos resultados obtidos.

Quanto aos recursos utilizados, isso inclui vídeos, slides e o ambiente em que vai ser feita a

apresentação.

Para preparar uma apresentação é essencial estruturar o texto, o que envolve cinco etapas:

introdução, na qual podem ser abordados o objetivo da fala, uma história engraçada, descobertas

científicas, uma história pessoal, abrindo para o geral. A segunda etapa é a contextualização, ou

seja, a relação da fala com o momento atual. A etapa seguinte é a apresentação dos principais

conceitos e/ou argumentos que embasam a fala. A quarta etapa envolve abordar implicações

práticas, ou seja, como o conteúdo da apresentação influencia a vida das pessoas, incluindo

sugestões e dicas. E a última etapa é a conclusão, que envolve a retomada geral do assunto

abordado, o(s) objetivo(s) da fala e a mensagem a ser deixada para o público.


Alice Pavanello apresentou algumas dicas para criar conexão com o público, envolvendo

contar uma história pessoal, apresentar dados utilizando fontes confiáveis, utilizar termos de fácil

compreensão e utilizar linguagem inclusiva, evitando ofender grupos de pessoas.

A roteirização é muito importante para preparar uma boa apresentação, pois auxilia para que

o objetivo seja cumprido, facilita a explicação de conceitos complexos, ajuda a não esquecer pontos

importantes, possibilita apresentar o roteiro para outras pessoas, que podem fazer contribuições,

além de possibilitar um bom aproveitamento do tempo.

O roteiro pode ser estruturado em texto, tópicos ou em texto e tópicos. O texto deve

abranger tudo o que vai ser falado. Este tipo de estruturação é útil em uma apresentação formal, em

que o texto é longo e complexo. Em tais casos não há a necessidade de decorar, é possível ler o

texto. Estruturar a apresentação em um texto também é útil quando se trata de textos gravados e

editados.

Nas apresentações estruturadas por tópicos, tais tópicos podem incluir palavras-chave, dados

numéricos e nomes completos, que poderiam ser esquecidos. Já a estruturação de apresentação em

texto e tópicos intercala frases para guiar a fala e textos para evitar erros. A escolha da forma de

roteirização é muito pessoal, depende da forma com a qual a pessoa que está preparando a

apresentação se sentir mais confiante.

Também é importante planejar o improviso, o que pode soar estranho. Se a pessoa se sente a

vontade para isso pode criar um esquema de orientação da fala. É fundamental ensaiar, o que não

envolve decorar as frases, mas saber a sequência delas. É necessário criar um encadeamento de

ideias, uma narrativa lógica. Além disso, é preciso redigir o texto de forma que a fala soe natural.

É importante que a pessoa que está preparando uma apresentação sinta-se seguro(a), confiante para

falar com naturalidade e manter a atenção do público. Por fim, é importante interpretar as palavras

que são ditas com emoção, empolgação, utilizando uma linguagem coloquial.
Curso online de Escrita Acadêmica

Participaram da live o Prof. Dr. Robson Cruz e a professora Aline Beckmann de Menezes. O

professor Robson Cruz é autor do livro “Zen e a arte da escrita acadêmica”.

Segundo Robson Cruz, é pouca a preocupação com a escrita que vai além da escrita formal,

envolvendo aspectos psicológicos, emocionais. Ele abordou tais questões no seu livro,

anteriormente mencionado. Existe um sofrimento psicológico com a escrita, um mal estar

generalizado entre as pessoas que estão redigindo monografias, teses ou dissertações. Estas pessoas

sentem-se desanimadas, deprimidas ou ansiosas com este processo. Este quadro revela que há um

profundo problema na formação acadêmica no Brasil, ou seja, não são desenvolvidas as habilidades

da escrita acadêmica. Presume-se que no fim da graduação os estudantes já estariam familiarizados

com a escrita acadêmica, teriam mais fluidez de escrita, sentindo-se mais a vontade. Isso não

corresponde à realidade. Além disso, há uma pressão por produtividade, para que os estudantes

publiquem artigos. Inclusive há estudantes que estão no primeiro ano do curso e perguntam o que

devem fazer para publicar um artigo. Evidentemente isso pode aumentar a ansiedade sentida por

muitos estudantes universitários.

O papel da leitura na escrita é um mito. É evidente que é necessário ler, mas não é o suficiente. Ler

muito faz parte do trabalho acadêmico, mas não é garantia de desenvolver as habilidades de escrita.

O ideal é que durante o processo de leitura aconteça uma aproximação com a escrita. A pré escrita é

importante, sendo que o estudante pode utilizar formas de fichamento, de síntese. Assim o estudante

sente que está conseguindo escrever. Além disso, a escrita é uma forma de aprendizado.

O psicólogo Robert Boice deu duas dicas para aqueles que estão envolvidos com a escrita

acadêmica: espere para começar a escrever e escreva antes de estar pronto para escrever. Estas

regras são aparentemente contraditórias. Ao esperar para começar a escrever o texto definitivo,
durante o processo de leitura é importante estar envolvido com algum tipo de escrita: fichamento,

mapa mental, etc.

A escrita é um comportamento constantemente punido com avaliações negativas. Surge o

questionamento: como podemos criar condições para que isso se torne mais balanceado, para que a

escrita chegue a ser algo prazeroso? O TCC é o primeiro processo de escrita acadêmica que exige

mais “folêgo” com o qual a maioria dos estudantes têm contato. Muitas vezes os trabalhos são

feitos na noite anterior à entrega. Isso pode levar à impressão de a monografia pode ser escrita “em

cima da hora”. Se o estudante conseguir fazer isso o trabalho provavelmente será insatisfatório.

Muitos alunos têm a impressão de que só conseguem fazer as coisas sob pressão. O prazer, o bem

estar de fazer os trabalhos desta maneira é ilusório; na verdade o que se sente é alívio.

Os estudantes demoram um ano para escrever a monografia e para a grande maioria deles esta é a

primeira experiência neste sentido. Assim sendo, muitos alunos sentem-se perdidos na lógica

temporal. Uma dica do professor é a seguinte: escreva errado antes de escrever certo. A permissão

que você dá a si mesmo(a) para escrever errado faz com que se aproxime da noção do que quer

incluir no texto.

O professor mencionou dois efeitos psicopatológicos em relação à escrita: expectativas românticas

ou realistas. Em muitos casos as pessoas fazem uma analogia da escrita acadêmica com a ficcional,

sendo que a escrita literária não se resume a inspiração, demandando muito trabalho e disciplina. A

expectativa romântica envolve a idéia de que a pessoa terá um um “estalo” e a escrita fluirá. Esta

expectativa é ilusória e ideológica, pois leva ao apagamento das condições sociais e materiais da

escrita. Pessoas que muito experientes em relação à escrita, a elite econômica não revela nunca

como escreve. Há a ideia de que se você escreve bem em determinado momento isso fluirá. Isso

corresponde à concepção do gênio intelectual francês, que se aproxima do gênio artístico. De

acordo com tal concepção o intelectual é como um artista espontâneo. Na verdade o artista é mais

próximo do artesão do que da imagem romantizada do artista. O trabalho artístico envolve

disciplina, esforços cotidianos.


Quanto à expectativa realista da escrita, o processo de escrita é um processo que exige disciplina,

trabalho. É importante considerar o processo como centro e pensar em que medida é possível lidar

com isso. O professor deu a seguinte dica: a escrita constante é muito mais efetiva do que a escrita

feita em maratonas. Quando o estudante escreve de maneira constane percebe-se melhoria não só na

escrita como psicologicamente. Outra sugestão do professor é pensar que a escrita é importante na

trajetória da pessoa além da monografia. Há uma diferença de valor e objetivo se a monografia tiver

sentido dentro da trajetória pessoal, acadêmica e de preparo profissional do estudante. O aluno

pode questionar-se: “Como relaciono a monografia com a minha história?” Muitas vezes os

estudantes querem fazer o que for mais fácil para ficarem livres do trabalho. Isso leva à frustração,

pois de qualquer maneira as dificuldades existem e se o tema não tem relação com a história da

pessoa a possibilidade de sofrimento é grande.

Segundo o professor, a imitação é a base para fazer qualquer coisa complexa. Ele sugere que os

estudantes leiam trabalhos de conclusão de curso e se familiarizem com a sua estrutura.

Normalmente os alunos estão familiarizados com a literatura cinzenta, que está entre a formalidade

e a informalidade e envolve a leitura de artigos ao invés de ler a tese, por exemplo. Assim sendo, é

importante estudar modelos de monografia, conhecer a forma de um texto para pensar o seu próprio

trabalho dentro de uma lógica estrutural. Um estudante que domina a estrutura básica dos dois ou

três modelos de parágrafos mais comuns na escrita acadêmica é capaz de encontrar e resolver os

problemas da sua escrita. Um parágrafo deve ter começo, meio e fim, além de tópicos de transição.

Normalmente os professores não têm tempo para ler os trabalhos acadêmicos, mas em relação a

uma monografia é diferente.

Segundo o professor, a literatura sobre escrita acadêmica no Brasil não é de boa qualidade, mas

estão começando a aparecer boas obras. No geral os livros sobre escrita acadêmica revelam

preocupação com a forma da escrita. É evidente que isso é importante, mas bons livros abordam

aspectos psicológicas da escrita e fornecer ao leitor uma noção de organização de tal trabalho.
É importante que o estudante pense sobre qual é o seu padrão de escrita, sendo que existem pessoas

que se dão permissão para escrever errado e outras que exigem de si mesmas escrever a primeira

versão do texto de modo correto, preciso. O ideal é o meio termo, o que envolve a relação com

quem orienta o trabalho. É recomendável que o professor esteja atento para o estilo, para a prática

de escrita dos estudantes. A revisão deveria ser feita a partir da metade do trabalho, pois o ímpeto

de achar muitos problemas no início da escrita gera inibição.

A escrita acadêmica tem um alto nível de formalidade e exige correção linguística. Atualmente isso

é muito discutido. No Brasil os professores normalmente têm pouco tempo para trabalhar com os

estudantes. Nas universidades de prestígio, de países desenvolvidos isso é diferente. Não se investe

na escrita no nosso país, pois ela tem um potencial libetador, emancipador.

Quanto ao estudo da psicologia cognitiva da escrita, a psicóloga Linda Reis estudou o fenômeno de

organização do texto. Todas as pessoas têm um perfil de escritor, ou seja, existem pessoas para

quem é importante a permissão para começar o trabalho de escrita de qualquer ponto, enquanto

outras pessoas têm que começar tal trabalho do início. As pessoas estão no meio termo são mais

fluentes na escrita.

Em relação ao bloqueio da escrita, existem diversos problemas. Uma das coisas que gera mais

bloqueios na escrita é acreditar que só existe um modo de escrever. Verifica-se isso no meio

acadêmico, sendo que muitas pessoas escrevem com mais fluência se dão permissão a si mesmas

para que sejam menos lineares na escrita.

A cognição humana funciona por relações. Assim sendo, muitas vezes é necessário estabelecer

relações entre vários tópicos para então escrever determinada parte do trabalho.

Se um aluno receber a orientação de que a introdução deve ser escrita no final a pessoa pode ficar

sem um direcionamento para o trabalho. A introdução faz com que o trabalho siga dentro de

determinados limites.
As pessoas sofrem mais com a ideia de que precisam dominar muito bem o que os autores dizem.

Isso é uma ilusão. Faz parte da colonização do processo de produção de textos acadêmicos incluir

autores de outros países.

É natural que uma pesquisa acadêmica lide com o contraditório, ou seja, é importante apresentar a

visão que determinados autores têm a respeito de uma questão, bem como as opiniões de autores

que são contrários a tais ideias. O professor questionou se isso funciona na prática e observou que a

psicologia forma as pessoas para concordar com a teoria e não para levar em consideração o

contraditório.

O professor observou que o domínio mediano dos critérios de escrita pode favorecer a criatividade.

A professora Aline Beckmann de Menezes observou que é necessário que o estudante apresente o

seu texto ao orientador mesmo que ache que não está satisfatório, pois o professor não pode orientá-

lo se não tiver em mãos tal trabalho.

Muitas vezes a crítica à escrita é levada para o lado pessoal, o que gera bloqueio em relação ao

processo de escrever.

Segundo o professor, o feedback oral gera mais adesão às orientações em comparação com o

feedback por escrito. Para ele muitas das soluções para o problema da escrita não são complexas e

envolvem uma disposição para uma relação interpessoal, para lidar com o texto da outra pessoa.

Para Robson Cruz, o problema da utilização da Inteligência Artificial nos estudos acadêmicos é que

a aprendizagem se dá de maneira mais superficial. O estudante se ilude pensando que está

aprendendo de maneira profunda, pois utilizando a Inteligência Artificial o processo de estudo se dá

de maneira rápida, enquanto o caminho de maior esforço é cheio de frustração e de idas e vindas.

Nas escolas de elite, principalmente americas e européias, restringe-se a utilização de recursos

tecnológicos.

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