História e processo de formação
e crescimento das cidades
medievais e cidade renascentista
6° PERIODO - TEORIA E HISTORIA DO
URBANISMO
CIDADES MEDIEVAIS
Introdução
Por ser um período muito longo da história humana, o
conceito de cidade medieval muda de acordo com o período
abordado. Com a desagregação do Império Romano e
consequente início da Idade Média, as cidades da Europa
Ocidental passaram por um período de esvaziamento, no qual
ocorreu uma migração da população dos centros urbanos
para a zona rural.
O esvaziamento das cidades resultou da desagregação do
Império Romano, pois as zonas produtoras do império foram
atacadas pelos povos germânicos em migração. Isso causou
uma diminuição da produção, afetando o abastecimento das
cidades e gerando fome. Além disso, as grandes cidades
tornaram-se alvos desses povos germânicos interessados no
saque.
Assim, a população urbana migrou para a zona rural para
estar próxima das zonas produtoras de alimento e
abastecimento e para fugir do saque e da violência trazidos
pelos povos germânicos. Essa transição iniciou o processo de
formação dos feudos medievais. Uma característica forte
desse período foi a quase inexistência de comércio e
circulação de moeda. O pouco comércio que existia,
geralmente, acontecia entre feudos vizinhos e era realizado
na base do escambo (troca).
Logo após o período de esvaziamento das cidades, ocorreu o
renascimento urbano em virtude das inovações técnicas
implantadas na agricultura a partir do século XI. Entre essas
inovações, podemos citar a rotação dos solos cultivados e o
arroteamento (preparação do solo), que permitiu ampliar os
campos cultivados. Com isso, houve um aumento na produção
agrícola e um aumento populacional.
O aumento na produção criou um excedente agrícola que
incentivou o aumento do comércio. As cidades ressurgiram a
partir de um fluxo migratório de pessoas que procuravam sair da
servidão do feudo para buscar novos ofícios na cidade.
Entretanto, o mundo medieval ainda permaneceu essencialmente
agrário.
CRESCIMENTO URBANO
O crescimento das cidades ganhou impulso
com a construção das muralhas, que
permitiam o desenvolvimento delas e
traziam um sentimento de segurança
contra eventuais saques realizados por
povos invasores, como aconteceu com os
normandos e húngaros.
O desenvolvimento urbano também tem relação com o aumento
populacional e aconteceu quando camponeses, para fugirem da
servidão, começaram a mudar-se para as cidades, mas também contou
com nobres despossuídos que passaram a investir em negócios nelas.
Aumentaram-se as áreas cultivadas e
desenvolveram-se novos vilarejos, que
gozavam de maior liberdade pessoal dos
trabalhadores e governo autônomo,
geralmente por parte de um magistrado
eleito pelo povo.
Com o desenvolvimento
do comércio as
atividades bancárias,
bem como o uso da
moeda se expandiram
em diversas regiões da
Europa
CARACTERÍSTICAS URBANISTÍCA DAS CIDADES
MEDIEVAIS:
Geralmente localizavam-se
em terrenos irregulares e
acidentados, ocupando o
topo de uma colina ou ilha,
para favorecer a sua
proteção. Com exceção
daquelas fundadas pelos
romanos (que nasciam do
cruzamento de duas vias
perpendiculares – Cardo e
Decumanus – com a Sé ou
catedral ao centro), seguia
naturalmente a topografia,
Era cercada por uma
mantendo-se o caráter
muralha (obra
informal;
pública de traçado
geralmente irregular
e arredondado) que,
além de protegê-la
contra roubos e
invasões, controlava a
entrada e saída de
indivíduos em
períodos de paz, a
partir do pagamento
de taxas;
Possuía uma rede irregular de ruas que estavam dispostas de modo a
formar um espaço unitário e homogêneo, embora houvesse certa
hierarquia de vias (enquanto as secundárias eram simples passagens,
as demais tinham várias funções: tráfego, comércio, reunião, etc.), que
quase sempre irradiavam a partir da praça da catedral em direção aos
portões;
Apresentava moradias
estreitas e apinhadas,
quase sempre de muitos
andares, abrindo-se para o
espaço público e com uma
fachada que contribuía
para formar o ambiente da
rua ou da praça, sendo esta
última não independente
das vias, mas funcionando
como um tipo de largo
Sobre o traçado urbano, as cidades medievais podiam
assumir três modelos diferentes de plantas: radiocentrica,
para o qual as ruas se
irregular ou regular – com quadras retangulares de convergiam;
diferentes tamanhos, ou quadras quadradas, com lados de
medidas iguais.
Formava um espaço público comum
e complexo, que se espalhava por
todo o conjunto e no qual estavam
todos os edifícios público e privados,
com seus eventuais espaços internos,
pátios ou jardins (espaços públicos e
privados não eram zonas contíguas
e separadas como na cidade
antiga);
Não possuía rede de esgoto e a
drenagem era feita através das
ruas. A água era disponível quase
que unicamente na fonte principal
da cidade. Havia vários bairros,
dotados de fisionomia individual,
símbolos específicos e muitas vezes
organização política própria, os
quais, a partir do século XIII,
tornaram-se centros secundários nos
bairros periféricos.
Tinha uma estrutura organizativa
complexa, na qual se sobrepunham
diversos poderes (episcopado,
governo municipal, ordens religiosas,
corporações), o que resultava em
vários centros: o religioso (catedral
e palácio episcopal), o civil (palácio
municipal) e um ou mais comerciais
(lojas e palácios das associações
mercantis);
O número de cidades européias aumentou
rapidamente no final da Idade Média, mas
sua população permaneceu relativamente
pequena, pois raramente se excedia os
50.000 habitantes. Foi o aumento do
comércio e das viagens que levou ao
adensamento populacional, ao
congestionamento e à proliferação de
epidemias após o século XIV (JELLICOE &
JELLICOE, 1995).
ALGUMAS DAS PRINCIPAIS CIDADES MEDIEVAIS
Bruges
Considerada a maior cidade
mercante na Europa transalpina,
desenvolveu-se de um castelo
Veneza fortificado fundado pelos condes de
Flandres ao longo do curso do rio
Cidade excepcional, cuja forma Reye, no final do século IX. De posição
urbana permaneceu inalterada desde altamente favorável ao comércio
os finais do século XI, Veneza marítimo, desenvolveu-se rapidamente,
(Venezia) surgiu a partir de quando acabando por se tornar uma cidade
seus habitantes, para fugir das livre, com novos núcleos em pontos
incursões dos bárbaros que entravam elevados e unidos por um segundo
na península itálica, refugiaramse nas cinturão de muros, atingindo a área
lagunas entre a foz do rio Pó e do de 86 hectares e 10.000 habitantes no
Tagliamento, que ofereciam um século XI.
ambiente protegido tanto por terra
como por mar. Sujeita desde o início
à influência de Constantinopla,
tornou-se o centro comercial
intermediário entre o Ocidente e o
Oriente, organizando-se de modo
livre, sem enfrentar como as demais
cidades lutas entre os príncipes e os
nobres feudais.
Castelo dos Condes de Flandres,
Bolonha Nuremberg
Originalmente uma colônia romana, Fundada em 1040 pelo imperador
fundada em 189 a.C., a cidade Henrique, no ponto de confluência
prosperou e acabou se tornando uma das vias de comunicação entre a
das maiores cidades da Itália Baviera, a Francônia, a Suábia e a
Setentrional (Região da Emília- Boêmia, em um vale percorrido pelo
Romagna), atingindo de 50 a 80 rio Pegnitz, esta cidade alemã
hectares de superfície e algumas nasceu ao redor de um mercado.
dezenas de milhares de habitantes. Porém, no século XII, Frederico I
Entre o final do século X e início do XI, fundou um outro conjunto
a população de Bolonha (Bologna) habitacional (Lorenzerstadt) à
começou a crescer, quando a catedral, margem oposta do rio.
antes fora, foi transportada para o
interior dos muros; e foi fundada sua
célebre universidade. .
A partir do século XIV, foram construídos
os principais edifícios públicos de
Nuremberg, alguns dos quais considerados
entre os mais importantes monumentos do
gótico alemão tardio, como a Igreja de
Sta. Maria (1355) e a fonte na Praça do
Mercado (1385). O Palácio Comunal,
iniciado no século XIV, foi sucessivamente
ampliado até o século XVII, com uma
singular continuidade estilística.
O desenvolvimento da cidade continuou
no século XII, permitindo novas
edificações, expansões e reformulações
urbanas, exigindo um terceiro cinturão
de muros.
CIDADE RENASCENTISTA
Introdução
No Início da Idade Moderna, as cidades ocidentais
renasceram graças ao lento mas progressivo desenvolvimento
do comércio, tornando-se importantes centros políticos e
econômicos, que levaram à perda do poder dos senhores
feudais e à decadência do feudalismo. Além disso, teve início
a RENASCENÇA, período marcado pelo antropocentrismo e
pelo grande avanço intelectual e artístico de toda a
sociedade ocidental, cujas bases eram filosóficas
(Humanismo).
A arte renascentista confundiu-se com a de projetar
cidades, fazendo-se com que as leis de perspectiva
acabassem se tornando regras de construção de vias,
praças e conjuntos urbanos, segundo princípios universais
de simetria e proporção.
O novo método de projeção – estabelecido desde os princípios
do século XV – passou a ser aplicado teoricamente a todo
gênero de objetos, dos espaços arquitetônicos à cidade e ao
território. Entretanto, por limitações práticas, não conseguiu
produzir grandes transformações nos organismos urbanos antes
do período barroco, a partir do século XVII.
CARACTERISTICAS DO TRAÇADO URBANO
No RENASCIMENTO, a concepção
urbana aspirava uma geometrização
geral de toda a cidade, na qual ruas e
praças passaram a serem definidas pelos
edifícios que pareciam estar constituídos
por idênticas unidades estereometricas
(formas geométricas puras).
Procurou-se, na medida do possível,
aplicar as regras da PERSPECTIVA e do
processo de composição aditivo, no qual
cada elemento espacial conservava um
alto grau de independência dentro do
conjunto,
O traçado urbano renascentista foi
objeto de um intenso esforço de
interpretação crítica e experimentação
que, na prática, resultou em várias
realizações fragmentárias, as quais
exemplificam as relações adotadas entre
o assentamento e o entorno natural.
LEON BATTISTA ALBERTI (1404-72)
Foi o primeiro tratadista da Renascença,
sistematizou teoricamente as idéias
artísticas do período, tanto para a pintura
e a escultura (1435) como para a
arquitetura (1455). Em seu tratado em dez
livros De re aedificatoria,
de inspiração vitruviana,
estabeleceu as premissas,
nos livros IV e VIII,
do urbanismo renascentista.
Entre as principais idéias de Leon B. Alberti sobre a cidade
apresentadas em seu tratado DE RE AEDIFICATORIA
(1455) estavam: Santa Maria Novella (Florence)
Leon Battista Alberti
1. Não estabelecia diferenças relevantes
entre as cidades do mundo clássico e
aquelas surgidas na Idade Média, nem
contrapunha os novos critérios
racionalizados de planejamento da Diagramas analíticos da fachada da Igreja de Santa
Maria Novella. (Fonte: a partir de Wittikower, 1971)
Renascença aos tradicionais tardo-
medievais;
2. Concebia a cidade como uma “grande
tinha a intenção de provar que uma seqüência de retângulos proporcionais
A arquiteta italiana Angela Pintore mostra em seu artigo (2004, p. 63) que Alberti
derivados de proporções originais poderia abarcar um grande número de
casa”, ainda que de natureza composta,
além da necessidade de conciliar finitude e
mutação: a cidade deveria ser dotada de
determinado número de “moradias de
reserva” às exigências de seu crescimento;
3. Enunciava as regras universais da cidade
quanto à sua situação ou localização,
Relações nos planos de Alberti. (Fonte: a partir de Pintore,
assim como em relação à sua área, seus
limites e suas “aberturas”: passagens e
meios de comunicação que se constituiriam
possibilidades espaciais.
2004)
na dimensão-chave da cidade, ao mesmo
tempo em que seu modo de divisão (vias
de circulação intra e extraurbana, praças,
pontes e portos);
ALGUMAS DAS PRINCIPAIS CIDADES RENASCENTISTA
Pienza
Em 1459, o Papa Pius II (1405-58)
visitou o burgo medieval de
Corsignano, no território de Siena,
com cerca de 6 hectares; e resolveu
reconstruí-lo como residência
temporária para si e sua corte. Ali se
instala um grupo de edifícios Urbino
monumentais (a catedral e os palazzo
Piccolomini, Vescovile e del Pretoriu), Cidade com cerca de 40 hectares,
além de prédios secundários, que situada sobre duas colinas, que foi
foram dispostos de modo hierárquico remodelada ao gosto de seu signore
e harmônico com o préexistente. Federico de Montefeltro (1422-82),
Concluídas as obras em 1462, a que construiu, por volta de 1465, um
cidade passou a se chamar Pienza. conjunto retilíneo de edifícios para
compor seu Palazzo Ducale, utilizando
um grupo de artistas locais e toscanos
de segundo plano. O resultado foi um
arranjo harmonioso, de regularidade
geométrica e sem destruir a
continuidade visual do organismo
medieval.
Ferrara
Capital da signoria d‟Este, situada a montante do rio Pó, tornou-se um
importante centro cultural, o que reivindicou dois novos bairros: a adição
realizada pelo Duque de Borso, em 1451; e a do Duque Hércules I, em 1492,
construída gradativamente até o século XVI.
A segunda intervenção dotou a cidade de uma rede de ruas retilíneas que
foram traçadas de modo a se integrarem harmoniosamente ao tecido
medieval, tortuoso e irregular.
Biaggio Rossetti desenhou a
expansão de Ferrara, é
considerada por alguns
autores como a primeira
intervenção de urbanismo
moderno. Também
considerada por alguns
autores a primeira
intervenção renascentista é
a Via Nuova em Génova
(1470).
Os monumentos a destacar nesta cidade correspondem ao
Palácio dos Diamantes, de arquitetura renascentista e onde
estão patentes as coleções de pintura da Escola de Ferrara.
O Castelo dos Este (em italiano: Castello Estense ou Castello
di San Michele), é o principal monumento de Ferrara.
REFERENCIAS:
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europeias-durante-o-periodo-medieval/
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as-cidadelas-e-arquitetura-durante-a-idade-media/
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df
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