0% acharam este documento útil (0 voto)
32 visualizações5 páginas

1 Estruturas Narrativas

O documento explora a importância das estruturas narrativas para produtores audiovisuais, destacando como elas moldam a coesão e o engajamento das histórias. Ele detalha elementos fundamentais como personagens, conflitos e temas, além de apresentar as estruturas mais comuns, como a em três atos e a Jornada do Herói. Compreender essas estruturas é essencial para a avaliação de roteiros, gestão de produção e marketing eficaz.

Enviado por

Adriana Ceresér
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato ODT, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
32 visualizações5 páginas

1 Estruturas Narrativas

O documento explora a importância das estruturas narrativas para produtores audiovisuais, destacando como elas moldam a coesão e o engajamento das histórias. Ele detalha elementos fundamentais como personagens, conflitos e temas, além de apresentar as estruturas mais comuns, como a em três atos e a Jornada do Herói. Compreender essas estruturas é essencial para a avaliação de roteiros, gestão de produção e marketing eficaz.

Enviado por

Adriana Ceresér
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato ODT, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Embarcando na fascinante jornada das Estruturas Narrativas para o Produtor Audiovisual, é

crucial entender que este tema vai muito além de uma simples sequência de eventos. Trata-se da
arquitetura fundamental de qualquer história, o esqueleto sobre o qual a carne do drama, dos
personagens e das emoções é construída. Para um produtor audiovisual, dominar as estruturas
narrativas não é apenas uma vantagem, é uma necessidade para criar conteúdo coeso, envolvente e
que ressoe com o público.
Vamos aprofundar cada aspecto, com um foco na relevância para o produtor:

1. O Que São Estruturas Narrativas?


No cerne, as estruturas narrativas são os modelos ou padrões pelos quais uma história é
organizada e apresentada. Elas ditam como os eventos se desenrolam, como os personagens
evoluem, como os conflitos surgem e são resolvidos, e como a informação é revelada ao espectador.
Não são meras fórmulas rígidas, mas sim guias que ajudam a construir um fluxo narrativo que seja
compreensível, envolvente e emocionalmente satisfatório.
Para o Produtor Audiovisual:
• Fundamento da Coesão: Uma estrutura sólida garante que a história faça sentido, que os
pontos se conectem e que não haja pontas soltas.
• Atração de Investimentos: Roteiros com estruturas bem definidas são mais fáceis de
vender e atrair financiadores, pois demonstram clareza e potencial de sucesso.
• Guia para a Produção: Serve como um mapa para todas as fases da produção, desde a
decupagem até a edição, orientando o que precisa ser captado e como será montado.

2. Elementos Fundamentais de uma Narrativa


Antes de mergulhar nas estruturas, é vital entender seus componentes básicos:
• Personagens:
• Protagonista: O personagem central, cujo arco de transformação impulsiona a
história.
• Antagonista: A força que se opõe ao protagonista, gerando o conflito principal. Pode
ser uma pessoa, uma força da natureza, uma sociedade ou mesmo um conflito interno
do protagonista.
• Personagens Coadjuvantes: Apoiam ou desafiam o protagonista, adicionando
camadas à história.
• Arco de Personagem: A jornada de transformação de um personagem ao longo da
narrativa, seja positiva, negativa ou um declínio. É crucial para a identificação do
público. Para o Produtor: Entender os arcos de personagem é vital para a escolha
do elenco (casting), para a direção de atores e para a edição, garantindo que a
evolução emocional seja clara.
• Conflito: A espinha dorsal de qualquer história. Sem conflito, não há drama, não há
interesse.
• Tipos de Conflito:
• Homem vs. Homem: Confronto entre personagens.
• Homem vs. Natureza: Desafios impostos pelo ambiente.
• Homem vs. Sociedade: Luta contra normas ou sistemas sociais.
• Homem vs. Si Mesmo: Conflito interno, dilemas morais, psicológicos. Para
o Produtor: O conflito é o motor da história. Sua identificação ajuda a
definir o gênero, a atmosfera, os desafios de produção (cenografia, figurino,
efeitos) e o público-alvo.
• Preço Dramático (Stakes): O que está em jogo para o protagonista se ele falhar em
alcançar seu objetivo. Quanto mais alto o preço, maior o engajamento do público. Pode ser
físico (vida ou morte), emocional (amor, amizade), ou existencial (sentido da vida). Para o
Produtor: O preço dramático informa a intensidade das cenas, a urgência do ritmo e a
forma como a emoção é construída visual e sonoramente.
• Tema e Mensagem: A ideia central ou a moral da história. Nem sempre explícita, mas
subjacente à narrativa. Para o Produtor: Ter clareza sobre o tema ajuda a guiar todas as
decisões criativas e de produção, desde a paleta de cores até a escolha da trilha sonora,
garantindo que o filme transmita a mensagem desejada.

3. As Estruturas Narrativas Mais Comuns e Relevantes


a) A Estrutura em Três Atos (Tripartida)
Considerada a mais fundamental e amplamente utilizada, desde a tragédia grega até os blockbusters
de Hollywood.
• Ato I: Introdução (Setup)
• Função: Apresentar o protagonista, seu mundo comum e o status quo.
• Ponto de Virada I (Inciting Incident / Chamado à Aventura): Um evento que
perturba o mundo do protagonista e o força a agir, estabelecendo o objetivo da
história. O protagonista pode resistir inicialmente.
• Relevância para o Produtor: Necessita de clareza na construção do universo inicial
e na apresentação do conflito. Impacta a escolha de locações, figurino e direção para
estabelecer o tom.
• Ato II: Confronto (Confrontation)
• Função: O desenvolvimento da trama. O protagonista enfrenta uma série de
obstáculos e desafios crescentes para alcançar seu objetivo.
• Ponto Médio (Midpoint): Um evento significativo no meio da história que muda a
direção, aumenta o preço dramático ou oferece uma nova perspectiva. Pode ser uma
falsa vitória ou derrota.
• Ponto de Virada II (Plot Point 2): O momento em que as coisas parecem mais
sombrias para o protagonista. Ele enfrenta sua maior derrota ou revelação,
impulsionando-o para o clímax.
• Relevância para o Produtor: É o ato mais longo e complexo. Exige planejamento
meticuloso de cenas, gerenciamento de equipe em locações diversas e atenção ao
ritmo da montagem para manter o engajamento.
• Ato III: Resolução (Resolution)
• Função: O clímax da história e o desfecho.
• Clímax: O ponto de maior tensão, onde o protagonista enfrenta o antagonista ou seu
maior desafio final. Todas as subtramas e conflitos se convergem.
• Resolução (Falling Action): As consequências do clímax. O protagonista se adapta
ao novo status quo, e as pontas soltas são amarradas.
• Denouement: O final da história, mostrando o novo mundo do protagonista após sua
transformação.
• Relevância para o Produtor: O clímax é o ponto alto do filme, exigindo recursos e
planejamento intensivos (efeitos, coreografia, stunts). A resolução precisa ser
satisfatória para o público, impactando a edição final e a trilha sonora.

b) A Jornada do Herói (Monomito de Joseph Campbell)


Uma variação expandida da estrutura em três atos, detalhando 12 etapas que um herói comum
tipicamente atravessa em sua jornada de transformação.
1. O Mundo Comum: O herói em sua vida cotidiana.
2. O Chamado à Aventura: Um evento que o tira da zona de conforto.
3. Recusa ao Chamado: O herói reluta em aceitar o desafio.
4. Encontro com o Mentor: Uma figura sábia oferece conselhos ou ferramentas.
5. Cruzamento do Primeiro Limiar: O herói entra no mundo especial/desconhecido.
6. Testes, Aliados e Inimigos: O herói enfrenta desafios, faz amigos e inimigos.
7. Aproximação da Caverna Mais Profunda: O herói se prepara para o maior desafio.
8. A Provação Suprema (Ordeal): O clímax, onde o herói enfrenta seu maior medo ou
inimigo.
9. Recompensa: O herói obtém algo de valor após a provação.
10.O Caminho de Volta: O herói inicia o retorno ao mundo comum.
[Link]ção: Uma última e decisiva provação antes de retornar.
[Link] com o Elixir: O herói volta transformado, trazendo algo para seu mundo.
Para o Produtor Audiovisual:
• Universalidade: Compreender a Jornada do Herói permite criar histórias que ressoam
globalmente, pois essa estrutura está arraigada na psique humana.
• Gêneros Diversos: Aplicável a dramas, comédias, aventuras, ficção científica. Ajuda a
identificar os momentos cruciais de cada etapa e a planejar a produção em torno deles.
• Vendas e Marketing: Facilita a comunicação da história e seus pontos de virada para
equipes de marketing e distribuidores.

c) Estruturas Não Lineares


Em vez de uma sequência cronológica direta, a narrativa salta no tempo e no espaço.
• Flashbacks e Flashforwards: Retornos ao passado ou saltos para o futuro para revelar
informações cruciais.
• Narrativa em Mosaico/Fragmentada: Múltiplas histórias interligadas ou fragmentos de
uma história que se juntam no final (ex: Pulp Fiction, Amores Perros).
• Narrativa Epistolar: Contada através de cartas, diários, gravações.
• Relevância para o Produtor: Exige uma edição extremamente cuidadosa para manter a
clareza e evitar a confusão do espectador. O roteiro precisa ser meticuloso na indicação dos
saltos temporais. Mais complexo de produzir e pode ser mais caro devido à necessidade de
diferentes épocas/ambientes.

d) Estruturas Híbridas e Experimentais


Misturam elementos de diferentes estruturas ou quebram as convenções para criar uma experiência
única.
• Narrativa Cíclica: A história termina onde começou, com o protagonista talvez um pouco
mais sábio ou preso no mesmo ciclo.
• Antinarrativa: Desafia as expectativas, subvertendo as convenções para chocar ou provocar
reflexão.
• Relevância para o Produtor: Mais arriscado, mas pode ser muito inovador. Exige um
público mais específico e um diretor com uma visão muito clara. A equipe de produção
precisa estar alinhada com essa visão experimental, o que pode implicar em maior
flexibilidade e criatividade na execução.

4. A Função das Estruturas Narrativas para o Produtor


Para um produtor audiovisual, as estruturas narrativas são ferramentas poderosas para:
• Avaliação de Roteiros: Identificar se um roteiro possui uma base sólida, se os conflitos são
claros, se os personagens têm arcos de transformação e se a história é envolvente.
• Orçamento e Cronograma: Os pontos de virada e clímax de uma estrutura impactam
diretamente o orçamento (necessidade de efeitos, locações complexas, grande elenco) e o
cronograma de filmagem.
• Gestão de Expectativas: Ao entender a estrutura, o produtor pode alinhar a visão com o
diretor, o roteirista e até mesmo com o departamento de marketing, garantindo que todos
trabalhem para o mesmo objetivo narrativo.
• Resolução de Problemas na Produção: Quando surgem problemas durante a filmagem ou
edição, o entendimento da estrutura narrativa ajuda a tomar decisões que não comprometam
a essência da história.
• Edição e Pós-Produção: A estrutura guia o editor na montagem do material, garantindo que
o ritmo esteja adequado aos pontos de virada e que a emoção seja construída de forma
eficaz.
• Distribuição e Marketing: Uma história bem estruturada é mais fácil de ser "vendida" ao
público, pois seus elementos-chave (logline, sinopse, trailer) são claros e atraentes.
• Risco e Inovação: Embora a estrutura em três atos seja um porto seguro, o produtor deve
entender quando e como se desviar dela para projetos mais arriscados, mas potencialmente
inovadores, sempre pesando os prós e contras.

5. Aplicação Prática: Desconstruindo Filmes e Séries


A melhor forma de internalizar as estruturas narrativas é analisar obras audiovisuais existentes.
Escolha filmes ou séries que você admira e tente identificar:
• Onde está o Chamado à Aventura?
• Qual é o Ponto Médio?
• Quais são os principais obstáculos do protagonista?
• Como o personagem principal se transforma?
• Qual o preço dramático da história?
• A estrutura é linear ou não linear? Por que o diretor fez essa escolha?
Exemplos para Análise:
• A Estrutura em Três Atos: Star Wars: Uma Nova Esperança, O Rei Leão, a maioria dos
filmes de super-heróis.
• A Jornada do Herói: O Senhor dos Anéis, Matrix, Harry Potter.
• Estruturas Não Lineares: Pulp Fiction, Amnésia, O Curioso Caso de Benjamin Button.

Conclusão
Para o Produtor Audiovisual, as estruturas narrativas são mais do que teoria acadêmica; são o
manual de engenharia para construir histórias que cativam, emocionam e deixam uma marca.
Entender e aplicar esses princípios permite não apenas criar produções de alta qualidade, mas
também gerenciar projetos de forma mais eficiente, comunicar visões artísticas com clareza e, em
última instância, transformar ideias abstratas em experiências audiovisuais tangíveis e impactantes.
Dominá-las é um passo fundamental para se tornar um produtor de sucesso no dinâmico mercado
audiovisual.

Você também pode gostar