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Roteiro E Storyboard: Aula 2

A aula aborda a importância da estrutura narrativa e da linguagem no roteiro audiovisual, destacando a flexibilidade do roteiro como uma ferramenta criativa. Discute a construção do storyline, a diferença entre sinopse e argumento, e a relevância dos diálogos na caracterização dos personagens e na narrativa. Além disso, enfatiza a expressividade e os elementos técnicos que compõem um roteiro, visando facilitar a produção audiovisual.

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Roteiro E Storyboard: Aula 2

A aula aborda a importância da estrutura narrativa e da linguagem no roteiro audiovisual, destacando a flexibilidade do roteiro como uma ferramenta criativa. Discute a construção do storyline, a diferença entre sinopse e argumento, e a relevância dos diálogos na caracterização dos personagens e na narrativa. Além disso, enfatiza a expressividade e os elementos técnicos que compõem um roteiro, visando facilitar a produção audiovisual.

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ROTEIRO E STORYBOARD

AULA 2

Prof.ª Marina Moraes de Araújo


CONVERSA INICIAL

Na aula passada, iniciamos a nossa aula refletindo sobre a importância do repertório visual para

ter ideias e construir suas histórias. Provavelmente você já deve estar trabalhando no seu storyline

(linha narrativa) e os perfis dos seus personagens.

Nessa parte do caminho, vamos expandir a reflexão para a estrutura narrativa e a construção da

linguagem no meio audiovisual, além da estrutura técnica de construção do roteiro. Nesta aula,

continuamos com a proposta de referenciar livros e produções significativas. Vamos lá!

CONTEXTUALIZANDO

Um roteiro é uma história contada por meio de imagens; expressas dramaticamente dentro de

uma estrutura que auxilia no processo criativo para a construção de uma obra audiovisual (Field,

2001). “Para trabalhar na ação dramática, somos obrigados a construir uma estrutura. A estrutura é

um dos fundamentos do roteiro e a tarefa que maior criatividade exige do roteirista” (Comparato,

2018, p. 29).

Quando Comparato (2018) se refere à ação, esse termo não está relacionado a uma aventura

policial ou um gênero de produção cinematográfica, mas a atividade humana em geral. O grande

motivador da ação é o conflito, retirando o personagem de sua vida cotidiana e levando a agir, até o
desfecho final da história.

INTRODUÇÃO

Ao escrever um roteiro, ele não pode ser considerado como um produto final, é algo aberto,

flexível. É uma peça de transição do filme, ou da série ou do jogo, é a materialização (em movimentos

e sons) de algo “congelado” (o texto do roteiro). Para compreender questões relacionadas à

linguagem e à narrativa, não temos o certo ou o errado, uma vez que elas não assumem uma única

forma de produção.
Podemos nos apropriar de diversas possibilidades de linguagens, construção fílmica ou de

montagem. Sendo assim, sua criatividade pode intervir na estética das cenas: “A força da linguagem é

importante, e definir o conflito matriz em poucas palavras é um exercício fundamental para o

roteirista” (Comparato, 2009, p.64).

Também é importante considerar o desenvolvimento de um texto descritivo de maneira que a

equipe visualize, pelas palavras, o que será produzido. Um roteiro é uma obra colaborativa, pois

necessita levar em consideração aspectos de diferentes setores da produção. Da cocriação surge o

resultado final: a produção audiovisual.

Na descrição das ações dos personagens, está a ação que está sendo executada na cena. Os

sentimentos devem ser descritos em palavras que possam expressar o que o diretor de cena precisa

retirar dos atores. É importante trazer emoção na atuação ou ação dos/das personagens; alegria,

amor, ódio, medo, desejo.... Descreva essas sensações no seu texto para que o diretor/a e o ator(a)

possam facilmente transformar em ações ou imagens. “O resultado final de todo o seu trabalho,

pesquisa, preparação e tempo de reflexão serão personagens verdadeiros, vivos e verossímeis; gente

verdadeira em situações reais” (Field, 2001, p. 41).

TEMA 1 – LINHA DA HISTÓRIA: STORYLINE

O storyline, termo em inglês que significa “linha da história”, se configura como uma das

dificuldades dos roteiristas iniciantes. Por onde começar? Acredito que você se fez essa pergunta na
hora de realizar a atividade Na Prática, da aula anterior. Vamos relembrar os passos que você seguiu

segundo Comparato (2018): apresentação do conflito, desenvolvimento do conflito e solução do

conflito. Algo lógico e concreto se apresentou no exercício, a linha da história gira em torno do

conflito. Você pode relembrar a construção do exemplo a seguir.

Exemplo de Storyline

Rafael está saindo para o aeroporto, seu celular toca. Na mensagem diz que sua amiga

Laura sofreu um acidente de trânsito, no entanto Rafael desconfia das circunstâncias, ela havia

enviado uma mensagem estranha no dia anterior ele decide não viajar e investigar o acidente.

Rafael descobre que Laura guardava um segredo e agora sua vida está em risco.
De maneira a revisar o exercício realizado na aula passada e fixar o conteúdo, pegue canetas de

diferentes cores e analise se o conflito ficou claro na linha da sua história. Pinte de cores diferentes e

veja se é possível identificar com clareza. Você deve, aos poucos, materializar esses elementos no seu

roteiro. O ideal que comece a visualizar quais são as possibilidades de desdobramento, mas, antes

disso, busque compreensão da síntese da história.

1.1 SINOPSE OU ARGUMENTO

Pela sua semelhança, roteiristas iniciantes costumam confundir sinopse com argumento, ou

não obter clareza de qual é sua principal diferença. “A sinopse são ideias de nossa lavra, a defesa de

nossas personagens, a expressão escrita da alma da história. Convém que seja um texto claro e

fluido, que goze de uma boa redação” (Comparato, 2009, p. 68). Tem como função, em geral, a

descrição de um longa-metragem, para cada página do argumento, corresponde a dez páginas de

um roteiro. Os grandes estúdios buscam ler diversos argumentos antes de decidir produzir um filme.

O tamanho do argumento varia conforme o tamanho da obra e o estilo do autor(a). Os europeus

se estendem mais nos argumentos do que os americanos. Em média, é escrito entre 20 a 50 páginas.

Se a leitura de um argumento não desperta o interesse, tampouco o fará o roteiro ou o produto

audiovisual. Para Field (1995), a sinopse é uma síntese narrativa que incorpora alguns diálogos;

utilizada em produções televisivas.

Tanto o argumento quanto a sinopse procuram responder quando, no que se refere à

temporalidade; ao onde, no que se refere à localização; ao quem, aos personagens; e ao qual, a

história que vamos contar. “Espinha dorsal de uma história; o núcleo central da ação dramática, ou

seja, as ações organizadas de maneira conexa, de forma que se suprimirmos ou se alterarmos

algumas, alteramos o conjunto” (Comparato, 2009, p. 110). Para Comparato 2009, há diferenças no

cinema e na televisão quanto ao manuseio de plot:

Plot principal – Linha estrutural de construção

Multiplot – Várias linhas de ação, igualmente importantes, dentro de uma mesma história

Subplot – Linha secundária de ação (underplot ou double plot)

Você pode se perguntar: para que fazer um argumento ou sinopse? Na maioria das vezes, para

que a produção seja viável economicamente; para uma avaliação de mercado, para a apresentação,

para vender, como técnica artística e como autoria. Tendo compreendido a importância dessa parte
na sequência, vamos trabalhar um elemento de extrema importância no conhecimento dos

personagens e do núcleo dramático: o diálogo.

TEMA 2 – DIÁLOGOS

Na construção dos diálogos, é importante lembrar do processo criativo dos personagens, aqui

inicia a apresentação dos conflitos e características para integrá-los no contexto e no ambiente no

qual a história se desenvolve. “O diálogo é a linguagem essencial do drama. A maneira como se

constrói é uma prova crucial da habilidade do roteirista ou dramaturgo” (Comparato, 2009, p. 169).

Em Comparato (2009) “Da criação ao Roteiro”, você irá encontrar de maneira detalhada as nuances

da construção formal de um diálogo. A leitura desse livro é indispensável, pois se caracteriza como

um dos clássicos.

Para Field (1995), antes de se preocupar com o diálogo você deve compreender e conhecer seu

personagem, saber o que ele é capaz de fazer e como sua personalidade reflete nas suas ações e o

que isso representa para o conflito. “Se você conhece o seu personagem, seus diálogos devem fluir

facilmente no desdobramento de sua história” (Field, 1995, p. 32).

Esse pensamento do autor me lembra até o desafio da esfinge de Tebas: “Decifra-me ou te

devoro?”, é isso acontece a tempo todo nos filmes séries é jogos. Você começa a assistir uma obra

audiovisual é parece interessante, mas o personagem não te convence ou não te convida a entrar no

universo da história.

Nesse enigma audiovisual, o personagem devorou o filme e você desliga a TV e não quer mais

assistir. Isso acontece a todo tempo, com mais frequência devido a quantidade de concorrência de
produções. Alguns autores buscam estudar a psicologia, sociologia e assuntos que estejam

relacionados a entender a mente humana, para construção e representação da “psique” por meio de

diálogos realmente atraentes ou “apelativos”, entenda a sua mídia e sua mensagem ou ela te

devorará.

Parece desafiador e um pouco assustador também, mas não possa de um processo de tentativa

e erro, por isso é necessário o exercício da prática de execução para compreensão do processo, como

sugere o autor:
Escrever diálogos é um processo de aprendizado, um ato de coordenação. Torna-se mais fácil
quanto mais exercitado. E aceitável que as primeiras 60 páginas do primeiro tratamento do seu
roteiro estejam cheias de diálogos forçados. Não se preocupe. Nas últimas 60 páginas eles serão
suaves e funcionais. Quanto mais exercitado, mais fácil fica. Então você pode voltar ao início e
suavizar os diálogos da primeira parte do roteiro. (Field, 1995, p. 32)

No próximo tema, vamos buscar aplicar o que o autor sugere, mas se você está ansioso(a) para

começar, pegue os personagens criados na aula anterior e escolha seu personagem principal e dois

ou três personagens importantes. No seu caderno, detalhe a bibliografia desses personagens em

uma página cada um, ou mais extenso se julgar necessário. Comece no seu nascimento e termine no
início da sua história, é possível, também, escrever características psicológicas de como eles

superaram ou interagiram com cada situação apresentada (Field, 1995). Você vai perceber que ao
visualizar suas intenções será muito mais fácil dar voz às suas ações.

TEMA 3 – INTERAÇÕES PELO DIÁLOGO

O cinema é uma arte influenciada e orientada por aparatos técnicos e tecnológicos. Você já deve

ter ouvido falar no “cinema mudo”, mas acredito ser tão natural ouvir o termo que não deve ter
parado para pensar, por que mudo? No seu livro Introdução ao Desenho de som..., a autora Débora

Opolski (2013) apresenta esse contexto histórico e técnico:

O fato é que o cinema se tornou comercialmente audível em 1927 com “O cantor de Jazz”, quando
os expectadores puderam, pela primeira vez, ouvir sons sincronizados com a imagem em uma tela
de cinema. A partir de então, sendo possível a sonorização de imagens, pesquisas se
desenvolveram em busca da melhor forma de utilizar o som em colaboração com a cena. Surge
então a pós-produção de som para filmes e o design sonoro. (Opolski, 2013, p. 12)

Compreender as origens nos leva a pensar a narrativa e linguagem, nesse período de transição

entre o “cinema mudo” e o cinema do diálogo temos produções clássicas realizadas pelo diretor
Alfred Hitchcock, considerado o “mestre do suspense” pelas suas obras clássicas como: Um corpo que

cai (1958), Psicose (1960) e Os Pássaros! (1963). A forma como o diretor produzia seus filmes levava a
interação entre os personagens de maneira perfeccionista, mesmo em diversos momentos não estar

presente o diálogo. Início esse tema com essa reflexão, pois você pode partir dessa combinação:
expressão visual, atuação e diálogo reduzido.

A partir da abordagem do cinema contemporâneo, Field (1995) define como “história contada

em imagens, diálogo e descrição, dentro do contexto de


uma estrutura dramática”. Para Comparato (2018), a abordagem do tempo dramático é muito

complexa, pois temos que analisar algo que ocorre de maneira lenta, rápida, ágil etc... Mas, para
pensar os diálogos, vamos nos ater à ação dramática que dá o sentido a função dramática, pode

parecer algo complicado de início, mas na leitura atenciosa desta aula vai perceber que conforme nos
aprofundando no tema, você vai materializar a sua história e compreender essas nuances técnicas.

A seguir, o exemplo de apresentar a interação por meio de diálogo com base em Comparato,
seguindo nossos personagens do storyline Rafael e Laura:

Laura

(ansiosa)[indicação específica]

Rafael eu não posso conversar agora,


estou com problemas sérios

(tom)amanhã eu te ligo.

Rafael

(preocupado)

Eu não posso te ajudar?

As rubricas e indicações são importantes para os atores e para a direção. O (tom), como

apresentado no texto descrito acima, tem a intenção de destaque. Assim podendo deslocar o sentido
da história pela representação e talento da atriz ou ator que representa a cena, essas sutilezas são

importantes, pois, como comentado anteriormente, a obra audiovisual é de construção coletiva.

Analisando por essa ótica, o artista entrega sua interpretação sobre a leitura da cena, assim

denominado como intensidade dramática. Sugiro estudar essas sutilezas lendo diálogos consagrados
que você conheça o ator ou diretor. Desse modo, você irá perceber como uma rubrica foi

interpretada no set de filmagem, o aprendizado se concretiza na paixão de observar a representação


do diálogo. Essas indicações e estruturas serão abordadas detalhadamente no próximo tema de
nossa aula.
TEMA 4 – EXPRESSIVIDADE E LINGUAGEM

A forma da escrita de uma obra audiovisual se configura de maneira objetiva e com previsão, por

meio das cenas, sequências e diálogos. Na prática, se concretiza por meio de um manuscrito
contendo a descrição de possíveis soluções técnicas e artísticas para a realização do filme. Para

trabalhar com a expressividade e linguagem no texto técnico, é necessário estudar esses detalhes e a
construção de narrativa histórica que o meio e a mensagem, na qual a sua história será vinculada.

Também não podemos esquecer dos elementos sonoros, como ferramenta fundamental para a

produção dessa expressividade, como apresenta Opolski (2019). “Jean-Luc Godard, o inovador
cineasta francês que fez A Bout de Soufie (Acossado), Weekend (Weekend à Francesa) e Vivre sa Vie

(Viver a Vida) diz que o cinema está desenvolvendo sua própria linguagem e que temos de aprender
a como ler o filme” (Field, 2001, p. 175).

O que isso significa no seu processo criativo? Como a produção de cinema, animação e em

especial jogos digitais está em constante mudanças, por conta da sua expressão técnica e de
construção narrativa, a sua criatividade está aberta a diversas possibilidades. Assim que aprender o

vocabulário, está apto a transgredir a língua ou contribuir para sua evolução estética. Vamos lá!

TEMA 5 – ROTEIRO E SEUS ELEMENTOS

A estrutura e a formatação padrão do roteiro são indicadas, pois apresentam maior aceitação no
meio profissional, além de facilitar a produção. É um trabalho de imaginação técnica segundo

determinadas regras da escrita, mas o profissional não deve esquecer que seu trabalho é de
entretenimento ou de espetáculo, para um público-alvo específico. A seguir alguns termos técnicos
no alfabeto básico da construção do roteiro e produção audiovisual:

Take – Cinematograficamente é o mesmo que tomada, é a unidade da câmera na filmagem.


Começa no momento em que liga a câmera até o momento em que ela é desligada. Em termos

de roteiro, é o equivalente ao parágrafo de uma cena.


Cena – Seção contínua de ação, unidade de lugar e tempo. Pode ser “coberta” de vários

ângulos no momento da filmagem. Cada um desses ângulos pode ser chamado de plano ou
take (tomada).
Sequência – Uma série de tomadas ligadas por continuidade. Uma sequência é o mesmo que

cena, engloba tudo o que sucede em uma locação. Não se deve confundir sequência com
plano-sequência, que se refere a integrar diferentes planos em uma mesma tomada.

Claquete – É um artefato utilizado para marcação de cenas, takes (tomadas) e outras


informações relevantes para o diretor. Além do som que produz, quando inicia um take, auxiliar

na edição de som e imagem. A seguir, imagem da claquete do filme Senhor dos anéis: O
Retorno do Rei (Figura 1).

Figura 1 – Modelo de claquete

Crédito: Africa Studio/Shutterstock.

A estrutura clássica de fragmentação de um roteiro é conhecida como começo-meio-fim,


também apresentado por Field (2001) como: preparação (surge o conflito); desenvolvimento (crise) e

desenlace (resolução), ou ainda como primeiro ato, segundo ato e terceiro ato.

A seguir será detalhada a norma padrão de uma página de roteiro, na formatação 1 página,
equivale a 1 minuto de filme. Bastante utilizado nos tempos áureos do cinema a metáfora da

máquina de escrever, segue até hoje, pois a fonte utilizada na formatação é a “Courier New” no
tamanho 12, evita-se a utilização de negrito e itálico. A restante das informações é apresentada na

Figura 2.
Figura 2 – Modelo para exemplificar a formatação de roteiro

Fonte: Moraes, 2020.

Ao elaborar a capa do seu roteiro, deve conter o título da obra, nome do autor(a) do roteiro,

endereço e telefone. Além do número de cenas, duração e uma coisa muito importante é a
propriedade intelectual ou copyright. Além disso, o conteúdo interno contém os itens a seguir:

Cabeçalho – É escrito em maiúsculas. Um novo cabeçalho é necessário cada vez que muda a
locação ou o tempo. A equipe técnica deverá observar os detalhes sobre as pessoas e lugares

na mesma ordem em que a plateia verá no cinema.

As informações técnicas:

(1) ONDE. (2) PRECISAMENTE ONDE (3) QUANDO (2) e (3) são separados por um espaço,
um tracinho e outros espaço.

(1) Pode ser INT. (interior) ou EXT. (exterior); (2) é uma identificação curta do lugar; e (3)
pode ser DIA ou NOITE.

Exemplo: INT. CASA DE DENISE – DIA

Personagens – Para as falas, Moss (1998) sugere que na primeira vez em que aparecem no

roteiro, ou na primeira vez em que aparecem em cada cena. As palavras entram e saem (de
cena) / sons que precisam ser artificialmente criados ou enfatizados, como um telefone

tocando, tiros, vento soprando etc. Não é preciso destacar em letras maiúsculas os ruídos que
acontecem em cena. O nome da personagem para introduzir diálogos sempre em letras

maiúsculas.

Algumas indicações da voz dos personagens segundo Moss (1998):

(V.O.), voice over, escutamos a voz de um personagem que não está em cena.
(O. S.), off screen, quando o ator ou a atriz está em cena, mas não está visível no momento.

(cont.) ou cont’d, quando é a mesma personagem continuando a sua fala interrompida por
uma ação. Isto também pode ser feito como uma instrução para o ator/ a atriz

(continuando).
Espaçamento – A nomenclatura e padronização pode parecer complicada, mas a prática

dessa formatação se torna automática na produção do roteiro.

Sugestão de formatação Moss (1998):

Espaço simples para: nomes/instruções para o ator/diálogo; ação.

Espaço duplo entre: cabeçalho e ação; ação e nomes; diálogo e ação.


Fade in e o primeiro cabeçalho; a última linha e fade out.

Espaço triplo entre: ação ou diálogo e cabeçalho.

Transições – São indicações sobre como cortar de uma cena para outra. A justificação é sempre

à direita, com uma linha entre a última linha da cena anterior e o cabeçalho da cena seguinte:

CORTA PARA: FUSÃO PARA: MATCH CUT:

Planos (camera shots) – É quando estamos fora da cena e conseguimos ver o desenho da

imagem e a montagem das cenas. Na maioria dos planos, os termos técnicos são mantidos em
inglês.

POV, insert, na montagem; close shot e close up.

Espelho – É a folha de rosto de uma produção, nela está descrito quem são os personagens e
os cenários

O vocabulário do cinema é composto, em sua grande maioria, por tempos em inglês, pois a

formatação e a padronização em geral acontecem na indústria cinematográfica e escolas norte-

americanas. A seguir, alguns utilizados com frequência. Para saber mais, sugiro a leitura do Dicionário
teórico e crítico do cinema, de Jacques Aumont (2001) e do livreto Como formatar o seu roteiro, de
Hugo Moss (1998).

Como será trabalhado nas próximas aulas, o roteiro se inicia literário como interpretação da
história e, posteriormente, por meio da participação do diretor(a), ele assume o caráter técnico. Isso

acontece pela decupagem, estudo do roteiro literário e posteriormente inserção de cenas e

detalhamento que julgar necessário sobre o diálogo dos atores.

O Diretor de produção avalia o roteiro e a decupagem do diretor com intenção de realizar o

orçamento e será o guia de trabalho da equipe técnica. A versão final do roteiro com os
detalhamentos do diretor, diretor geral e roteirista é denominado na indústria do cinema como

“script”, material entregue a equipe de filmagem, que provavelmente será material que você irá

encontrar ao pesquisar na internet a estrutura do roteiro. Geralmente, o roteiro literário é algo que

fica de posse somente do roteirista.

TROCANDO IDEIAS

Agora que você conheceu um pouco mais sobre a estrutura dos roteiros e sua formatação

técnica, a dedicação necessária para uma produção técnica de um filme ou uma série. No fórum,

dialogue com os seus colegas sobre a impressão e dificuldades encontradas nestas aulas.

NA PRÁTICA

Agora é hora de praticar o que aprenderam nesta aula. Vocês vão voltar no caderno de ideias e

ler os perfis dos personagens e storyline desenvolvidos na aula alterior. A partir da storyline, escreva a
sinopse do roteiro (versão literária, normalmente um parágrafo que resume a história, oferecendo

mais detalhes importantes que não foram apresentados no storyline).

O exercício é identificar a estrutura da construção da história. Vamos partir da narrativa em 3

atos e seus pontos de virada. Faça as seguintes perguntas para sua história:

Onde começam e terminam esses atos na sua narrativa?

Quais são os pontos de viradas na sua história?

Esses elementos estão coerentes com o objetivo dos personagens?


A partir dessa reflexão, agora é o momento da análise. Faça uma lista dos seus três primeiros
filmes ou séries favoritas, reflita bem sobre essa escolha, pois é necessário escolher uma obra

audiovisual que tenha te marcado muito. Após refletir sobre as três, escolha a primeira e vamos fazer

o estudo estrutural do Comparato (2018).

Assista ao filme novamente, se for uma série pode escolher um episódio favorito para a análise e

busque responder se o problema ficou claro, quantos plots existem e qual é o principal, quais são as
cenas essenciais da história, existe um clímax? Se você resolvesse mudar a ordem das cenas do filme,

mesmo assim ele teria a mesma resolução dos conflitos?

Você vai perceber que ao analisar uma obra audiovisual, a estrutura estudada nas últimas aulas,

vai aparecer em detalhes despercebidos anteriormente. Se houver tempo é ideal que você faça isso

com as suas três obras audiovisuais favoritas, assim aos poucos se tornará uma prática. Analisar
gêneros e obras que interessam para a sua produção audiovisual. Lembre-se que a ideia pode partir

de um repertório rico de informações e referências. E por último, não se esqueça da pipoca!

FINALIZANDO

Nesta aula, foi apresentado como formatar seu roteiro de maneira a profissionalizar o trabalho,

nas próximas aulas, vamos continuar no caminho de materializar suas ideias e transformá-las em um
projeto audiovisual de qualidade.

REFERÊNCIAS

ACOSSADO. Direção de Jean-Luc Godard. França. 1960. 90 min.

AUMONT, J. Dicionário teórico e crítico do cinema. Campinas, Papirus, 2001.

CELTX. Software de pré-produção de mídia audiovisual. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 30 dez. 2020.

COMPARATO, D. Da Criação ao Roteiro: Teoria e prática. 5. ed. São Paulo: Editora Summus,

2018.

FIELD, S. Manual do Roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.


MOSS, H. Como formatar o seu roteiro. Rio de Janeiro: Livraria Travessa, 1998.

MCKEE, R. Story: Substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de roteiro. Tradução de

Chico Marés. Arte & Letra. Curitiba, 2006.

O CANTOR de jazz. Direção de Alan Crosland. EUA. 1927. 88 min.

OPOLSKI, D. Introdução ao desenho de Som: uma sistematização aplicada na análise do longa-

metragem Ensaio sobre a cegueira. João Pessoa: Editora da UFPB, 2013.

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Direção de Peter Jackson. Nova Zelândia e EUA.

Coprodução de Wing Nut Films, The Saul Zaentz Company. 2003. 201 min.

PSICOSE. Direção de Alfred Hitchcock. EUA. Shamley Productions. 1960. 109 min.

REY, M. O roteirista profissional: televisão e cinema. São Paulo: Ática, 2001.

ROTEIROS. Roteiro de cinema. 2020. Disponível em:

<[Link] Acesso em: 30 dez. 2020.

UM CORPO que cai. Direção de Alfred Hitchcock. EUA. Alfred J. Hitchcock Productions. 1958. 128

min.

VIVRE SA VIE. Direção de Jean-Luc Godard. França. 1962. 83 min.

WEEKEND à francesa. Direção de Jean-Luc Godard. França. 1967. 105 min.

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