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Roteiro e Storyboard 2

A aula aborda a importância da estrutura narrativa e da linguagem no roteiro audiovisual, enfatizando a construção do storyline e a diferenciação entre sinopse e argumento. Destaca-se a relevância dos diálogos na caracterização dos personagens e na apresentação de conflitos, além da expressividade e técnica na escrita do roteiro. O documento também menciona a colaboração entre diferentes setores da produção e a necessidade de uma abordagem flexível e criativa na elaboração do roteiro.
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Roteiro e Storyboard 2

A aula aborda a importância da estrutura narrativa e da linguagem no roteiro audiovisual, enfatizando a construção do storyline e a diferenciação entre sinopse e argumento. Destaca-se a relevância dos diálogos na caracterização dos personagens e na apresentação de conflitos, além da expressividade e técnica na escrita do roteiro. O documento também menciona a colaboração entre diferentes setores da produção e a necessidade de uma abordagem flexível e criativa na elaboração do roteiro.
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ROTEIRO E STORYBOARD

AULA 2

Profª Marina Moraes


CONVERSA INICIAL

Na aula passada, iniciamos a nossa aula refletindo sobre a importância


do repertório visual para ter ideias e construir suas histórias. Provavelmente você
já deve estar trabalhando no seu storyline (linha narrativa) e os perfis dos seus
personagens.
Nessa parte do caminho, vamos expandir a reflexão para a estrutura
narrativa e a construção da linguagem no meio audiovisual, além da estrutura
técnica de construção do roteiro. Nesta aula, continuamos com a proposta de
referenciar livros e produções significativas. Vamos lá!

CONTEXTUALIZANDO

Um roteiro é uma história contada por meio de imagens; expressas


dramaticamente dentro de uma estrutura que auxilia no processo criativo para a
construção de uma obra audiovisual (Field, 2001). “Para trabalhar na ação
dramática, somos obrigados a construir uma estrutura. A estrutura é um dos
fundamentos do roteiro e a tarefa que maior criatividade exige do roteirista”
(Comparato, 2018, p. 29).
Quando Comparato (2018) se refere à ação, esse termo não está
relacionado a uma aventura policial ou um gênero de produção cinematográfica,
mas a atividade humana em geral. O grande motivador da ação é o conflito,
retirando o personagem de sua vida cotidiana e levando a agir, até o desfecho
final da história.

Introdução

Ao escrever um roteiro, ele não pode ser considerado como um produto


final, é algo aberto, flexível. É uma peça de transição do filme, ou da série ou do
jogo, é a materialização (em movimentos e sons) de algo “congelado” (o texto do
roteiro). Para compreender questões relacionadas à linguagem e à narrativa, não
temos o certo ou o errado, uma vez que elas não assumem uma única forma de
produção.
Podemos nos apropriar de diversas possibilidades de linguagens,
construção fílmica ou de montagem. Sendo assim, sua criatividade pode intervir
na estética das cenas: “A força da linguagem é importante, e definir o conflito

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matriz em poucas palavras é um exercício fundamental para o roteirista”
(Comparato, 2009, p.64).
Também é importante considerar o desenvolvimento de um texto
descritivo de maneira que a equipe visualize, pelas palavras, o que será
produzido. Um roteiro é uma obra colaborativa, pois necessita levar em
consideração aspectos de diferentes setores da produção. Da cocriação surge o
resultado final: a produção audiovisual.
Na descrição das ações dos personagens, está a ação que está sendo
executada na cena. Os sentimentos devem ser descritos em palavras que
possam expressar o que o diretor de cena precisa retirar dos atores. É importante
trazer emoção na atuação ou ação dos/das personagens; alegria, amor, ódio,
medo, desejo.... Descreva essas sensações no seu texto para que o diretor/a e
o ator(a) possam facilmente transformar em ações ou imagens. “O resultado final
de todo o seu trabalho, pesquisa, preparação e tempo de reflexão serão
personagens verdadeiros, vivos e verossímeis; gente verdadeira em situações
reais” (Field, 2001, p. 41).

TEMA 1 – LINHA DA HISTÓRIA: STORYLINE

O storyline, termo em inglês que significa “linha da história”, se configura


como uma das dificuldades dos roteiristas iniciantes. Por onde começar?
Acredito que você se fez essa pergunta na hora de realizar a atividade Na
Prática, da aula anterior. Vamos relembrar os passos que você seguiu segundo
Comparato (2018): apresentação do conflito, desenvolvimento do conflito e
solução do conflito. Algo lógico e concreto se apresentou no exercício, a linha da
história gira em torno do conflito. Você pode relembrar a construção do exemplo
a seguir.

Exemplo de Storyline
Rafael está saindo para o aeroporto, seu celular toca. Na mensagem diz que sua
amiga Laura sofreu um acidente de trânsito, no entanto Rafael desconfia das
circunstâncias, ela havia enviado uma mensagem estranha no dia anterior ele
decide não viajar e investigar o acidente. Rafael descobre que Laura guardava
um segredo e agora sua vida está em risco.

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De maneira a revisar o exercício realizado na aula passada e fixar o
conteúdo, pegue canetas de diferentes cores e analise se o conflito ficou claro
na linha da sua história. Pinte de cores diferentes e veja se é possível identificar
com clareza. Você deve, aos poucos, materializar esses elementos no seu
roteiro. O ideal que comece a visualizar quais são as possibilidades de
desdobramento, mas, antes disso, busque compreensão da síntese da história.

1.1 Sinopse ou argumento

Pela sua semelhança, roteiristas iniciantes costumam confundir sinopse


com argumento, ou não obter clareza de qual é sua principal diferença. “A
sinopse são ideias de nossa lavra, a defesa de nossas personagens, a
expressão escrita da alma da história. Convém que seja um texto claro e fluido,
que goze de uma boa redação” (Comparato, 2009, p. 68). Tem como função, em
geral, a descrição de um longa-metragem, para cada página do argumento,
corresponde a dez páginas de um roteiro. Os grandes estúdios buscam ler
diversos argumentos antes de decidir produzir um filme.
O tamanho do argumento varia conforme o tamanho da obra e o estilo do
autor(a). Os europeus se estendem mais nos argumentos do que os americanos.
Em média, é escrito entre 20 a 50 páginas. Se a leitura de um argumento não
desperta o interesse, tampouco o fará o roteiro ou o produto audiovisual. Para
Field (1995), a sinopse é uma síntese narrativa que incorpora alguns diálogos;
utilizada em produções televisivas.
Tanto o argumento quanto a sinopse procuram responder quando, no que
se refere à temporalidade; ao onde, no que se refere à localização; ao quem,
aos personagens; e ao qual, a história que vamos contar. “Espinha dorsal de
uma história; o núcleo central da ação dramática, ou seja, as ações organizadas
de maneira conexa, de forma que se suprimirmos ou se alterarmos algumas,
alteramos o conjunto” (Comparato, 2009, p. 110). Para Comparato 2009, há
diferenças no cinema e na televisão quanto ao manuseio de plot:

• Plot principal – Linha estrutural de construção


• Multiplot – Várias linhas de ação, igualmente importantes, dentro de uma
mesma história
• Subplot – Linha secundária de ação (underplot ou double plot)

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Você pode se perguntar: para que fazer um argumento ou sinopse? Na
maioria das vezes, para que a produção seja viável economicamente; para uma
avaliação de mercado, para a apresentação, para vender, como técnica artística
e como autoria. Tendo compreendido a importância dessa parte na sequência,
vamos trabalhar um elemento de extrema importância no conhecimento dos
personagens e do núcleo dramático: o diálogo.

TEMA 2 – DIÁLOGOS

Na construção dos diálogos, é importante lembrar do processo criativo


dos personagens, aqui inicia a apresentação dos conflitos e características para
integrá-los no contexto e no ambiente no qual a história se desenvolve. “O
diálogo é a linguagem essencial do drama. A maneira como se constrói é uma
prova crucial da habilidade do roteirista ou dramaturgo” (Comparato, 2009, p.
169). Em Comparato (2009) “Da criação ao Roteiro”, você irá encontrar de
maneira detalhada as nuances da construção formal de um diálogo. A leitura
desse livro é indispensável, pois se caracteriza como um dos clássicos.
Para Field (1995), antes de se preocupar com o diálogo você deve
compreender e conhecer seu personagem, saber o que ele é capaz de fazer e
como sua personalidade reflete nas suas ações e o que isso representa para o
conflito. “Se você conhece o seu personagem, seus diálogos devem fluir
facilmente no desdobramento de sua história” (Field, 1995, p. 32).
Esse pensamento do autor me lembra até o desafio da esfinge de Tebas:
“Decifra-me ou te devoro?”, é isso acontece a tempo todo nos filmes séries é
jogos. Você começa a assistir uma obra audiovisual é parece interessante, mas
o personagem não te convence ou não te convida a entrar no universo da
história.
Nesse enigma audiovisual, o personagem devorou o filme e você desliga
a TV e não quer mais assistir. Isso acontece a todo tempo, com mais frequência
devido a quantidade de concorrência de produções. Alguns autores buscam
estudar a psicologia, sociologia e assuntos que estejam relacionados a entender
a mente humana, para construção e representação da “psique” por meio de
diálogos realmente atraentes ou “apelativos”, entenda a sua mídia e sua
mensagem ou ela te devorará.

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Parece desafiador e um pouco assustador também, mas não possa de
um processo de tentativa e erro, por isso é necessário o exercício da prática de
execução para compreensão do processo, como sugere o autor:

Escrever diálogos é um processo de aprendizado, um ato de


coordenação. Torna-se mais fácil quanto mais exercitado. E aceitável
que as primeiras 60 páginas do primeiro tratamento do seu roteiro
estejam cheias de diálogos forçados. Não se preocupe. Nas últimas 60
páginas eles serão suaves e funcionais. Quanto mais exercitado, mais
fácil fica. Então você pode voltar ao início e suavizar os diálogos da
primeira parte do roteiro. (Field, 1995, p. 32)

No próximo tema, vamos buscar aplicar o que o autor sugere, mas se você
está ansioso(a) para começar, pegue os personagens criados na aula anterior e
escolha seu personagem principal e dois ou três personagens importantes. No
seu caderno, detalhe a bibliografia desses personagens em uma página cada
um, ou mais extenso se julgar necessário. Comece no seu nascimento e termine
no início da sua história, é possível, também, escrever características
psicológicas de como eles superaram ou interagiram com cada situação
apresentada (Field, 1995). Você vai perceber que ao visualizar suas intenções
será muito mais fácil dar voz às suas ações.

TEMA 3 – INTERAÇÕES PELO DIÁLOGO

O cinema é uma arte influenciada e orientada por aparatos técnicos e


tecnológicos. Você já deve ter ouvido falar no “cinema mudo”, mas acredito ser
tão natural ouvir o termo que não deve ter parado para pensar, por que mudo?
No seu livro Introdução ao Desenho de som..., a autora Débora Opolski (2013)
apresenta esse contexto histórico e técnico:

O fato é que o cinema se tornou comercialmente audível em 1927 com


“O cantor de Jazz”, quando os expectadores puderam, pela primeira
vez, ouvir sons sincronizados com a imagem em uma tela de cinema.
A partir de então, sendo possível a sonorização de imagens, pesquisas
se desenvolveram em busca da melhor forma de utilizar o som em
colaboração com a cena. Surge então a pós-produção de som para
filmes e o design sonoro. (Opolski, 2013, p. 12)

Compreender as origens nos leva a pensar a narrativa e linguagem, nesse


período de transição entre o “cinema mudo” e o cinema do diálogo temos
produções clássicas realizadas pelo diretor Alfred Hitchcock, considerado o
“mestre do suspense” pelas suas obras clássicas como: Um corpo que cai
(1958), Psicose (1960) e Os Pássaros! (1963). A forma como o diretor produzia
seus filmes levava a interação entre os personagens de maneira perfeccionista,
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mesmo em diversos momentos não estar presente o diálogo. Início esse tema
com essa reflexão, pois você pode partir dessa combinação: expressão visual,
atuação e diálogo reduzido.
A partir da abordagem do cinema contemporâneo, Field (1995) define
como “história contada em imagens, diálogo e descrição, dentro do contexto de
uma estrutura dramática”. Para Comparato (2018), a abordagem do tempo
dramático é muito complexa, pois temos que analisar algo que ocorre de
maneira lenta, rápida, ágil etc... Mas, para pensar os diálogos, vamos nos ater à
ação dramática que dá o sentido a função dramática, pode parecer algo
complicado de início, mas na leitura atenciosa desta aula vai perceber que
conforme nos aprofundando no tema, você vai materializar a sua história e
compreender essas nuances técnicas.
A seguir, o exemplo de apresentar a interação por meio de diálogo com
base em Comparato, seguindo nossos personagens do storyline Rafael e Laura:

Laura
(ansiosa)[indicação específica]
Rafael eu não posso conversar agora,
estou com problemas sérios
(tom)amanhã eu te ligo.

Rafael
(preocupado)
Eu não posso te ajudar?

As rubricas e indicações são importantes para os atores e para a direção.


O (tom), como apresentado no texto descrito acima, tem a intenção de destaque.
Assim podendo deslocar o sentido da história pela representação e talento da
atriz ou ator que representa a cena, essas sutilezas são importantes, pois, como
comentado anteriormente, a obra audiovisual é de construção coletiva.
Analisando por essa ótica, o artista entrega sua interpretação sobre a
leitura da cena, assim denominado como intensidade dramática. Sugiro estudar
essas sutilezas lendo diálogos consagrados que você conheça o ator ou diretor.
Desse modo, você irá perceber como uma rubrica foi interpretada no set de
filmagem, o aprendizado se concretiza na paixão de observar a representação
do diálogo. Essas indicações e estruturas serão abordadas detalhadamente no
próximo tema de nossa aula.

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TEMA 4 – EXPRESSIVIDADE E LINGUAGEM

A forma da escrita de uma obra audiovisual se configura de maneira


objetiva e com previsão, por meio das cenas, sequências e diálogos. Na prática,
se concretiza por meio de um manuscrito contendo a descrição de possíveis
soluções técnicas e artísticas para a realização do filme. Para trabalhar com a
expressividade e linguagem no texto técnico, é necessário estudar esses
detalhes e a construção de narrativa histórica que o meio e a mensagem, na qual
a sua história será vinculada.
Também não podemos esquecer dos elementos sonoros, como
ferramenta fundamental para a produção dessa expressividade, como apresenta
Opolski (2019). “Jean-Luc Godard, o inovador cineasta francês que fez A Bout
de Soufie (Acossado), Weekend (Weekend à Francesa) e Vivre sa Vie (Viver a
Vida) diz que o cinema está desenvolvendo sua própria linguagem e que temos
de aprender a como ler o filme” (Field, 2001, p. 175).
O que isso significa no seu processo criativo? Como a produção de
cinema, animação e em especial jogos digitais está em constante mudanças, por
conta da sua expressão técnica e de construção narrativa, a sua criatividade está
aberta a diversas possibilidades. Assim que aprender o vocabulário, está apto a
transgredir a língua ou contribuir para sua evolução estética. Vamos lá!

TEMA 5 – ROTEIRO E SEUS ELEMENTOS

A estrutura e a formatação padrão do roteiro são indicadas, pois


apresentam maior aceitação no meio profissional, além de facilitar a produção.
É um trabalho de imaginação técnica segundo determinadas regras da escrita,
mas o profissional não deve esquecer que seu trabalho é de entretenimento ou
de espetáculo, para um público-alvo específico. A seguir alguns termos técnicos
no alfabeto básico da construção do roteiro e produção audiovisual:

• Take – Cinematograficamente é o mesmo que tomada, é a unidade da


câmera na filmagem. Começa no momento em que liga a câmera até o
momento em que ela é desligada. Em termos de roteiro, é o equivalente
ao parágrafo de uma cena.
• Cena – Seção contínua de ação, unidade de lugar e tempo. Pode ser
“coberta” de vários ângulos no momento da filmagem. Cada um desses
ângulos pode ser chamado de plano ou take (tomada).
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• Sequência – Uma série de tomadas ligadas por continuidade. Uma
sequência é o mesmo que cena, engloba tudo o que sucede em uma
locação. Não se deve confundir sequência com plano-sequência, que se
refere a integrar diferentes planos em uma mesma tomada.
• Claquete – É um artefato utilizado para marcação de cenas, takes
(tomadas) e outras informações relevantes para o diretor. Além do som
que produz, quando inicia um take, auxiliar na edição de som e imagem.
A seguir, imagem da claquete do filme Senhor dos anéis: O Retorno do
Rei (Figura 1).

Figura 1 – Modelo de claquete

Crédito: Africa Studio/Shutterstock.

A estrutura clássica de fragmentação de um roteiro é conhecida como


começo-meio-fim, também apresentado por Field (2001) como: preparação
(surge o conflito); desenvolvimento (crise) e desenlace (resolução), ou ainda
como primeiro ato, segundo ato e terceiro ato.
A seguir será detalhada a norma padrão de uma página de roteiro, na
formatação 1 página, equivale a 1 minuto de filme. Bastante utilizado nos tempos
áureos do cinema a metáfora da máquina de escrever, segue até hoje, pois a
fonte utilizada na formatação é a “Courier New” no tamanho 12, evita-se a
utilização de negrito e itálico. A restante das informações é apresentada na
Figura 2.
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Figura 2 – Modelo para exemplificar a formatação de roteiro

Fonte: Moraes, 2020.

Ao elaborar a capa do seu roteiro, deve conter o título da obra, nome do


autor(a) do roteiro, endereço e telefone. Além do número de cenas, duração e
uma coisa muito importante é a propriedade intelectual ou copyright. Além disso,
o conteúdo interno contém os itens a seguir:

• Cabeçalho – É escrito em maiúsculas. Um novo cabeçalho é necessário


cada vez que muda a locação ou o tempo. A equipe técnica deverá
observar os detalhes sobre as pessoas e lugares na mesma ordem em
que a plateia verá no cinema.

As informações técnicas:

(1) ONDE. (2) PRECISAMENTE ONDE (3) QUANDO (2) e (3) são
separados por um espaço, um tracinho e outros espaço.

(1) Pode ser INT. (interior) ou EXT. (exterior); (2) é uma


identificação curta do lugar; e (3) pode ser DIA ou NOITE.

Exemplo: INT. CASA DE DENISE – DIA

• Personagens – Para as falas, Moss (1998) sugere que na primeira vez


em que aparecem no roteiro, ou na primeira vez em que aparecem em

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cada cena. As palavras entram e saem (de cena) / sons que precisam
ser artificialmente criados ou enfatizados, como um telefone tocando,
tiros, vento soprando etc. Não é preciso destacar em letras maiúsculas os
ruídos que acontecem em cena. O nome da personagem para introduzir
diálogos sempre em letras maiúsculas.

Algumas indicações da voz dos personagens segundo Moss (1998):

• (V.O.), voice over, escutamos a voz de um personagem que não está em


cena.
• (O. S.), off screen, quando o ator ou a atriz está em cena, mas não está
visível no momento.
• (cont.) ou cont’d, quando é a mesma personagem continuando a sua fala
interrompida por uma ação. Isto também pode ser feito como uma
instrução para o ator/ a atriz (continuando).

• Espaçamento – A nomenclatura e padronização pode parecer


complicada, mas a prática dessa formatação se torna automática na
produção do roteiro.

Sugestão de formatação Moss (1998):

• Espaço simples para: nomes/instruções para o ator/diálogo; ação.


• Espaço duplo entre: cabeçalho e ação; ação e nomes; diálogo e ação.
• Fade in e o primeiro cabeçalho; a última linha e fade out.
• Espaço triplo entre: ação ou diálogo e cabeçalho.
• Transições – São indicações sobre como cortar de uma cena para outra.
A justificação é sempre à direita, com uma linha entre a última linha da
cena anterior e o cabeçalho da cena seguinte:

CORTA PARA: FUSÃO PARA: MATCH CUT:

• Planos (camera shots) – É quando estamos fora da cena e conseguimos


ver o desenho da imagem e a montagem das cenas. Na maioria dos
planos, os termos técnicos são mantidos em inglês.

POV, insert, na montagem; close shot e close up.

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• Espelho – É a folha de rosto de uma produção, nela está descrito quem
são os personagens e os cenários

O vocabulário do cinema é composto, em sua grande maioria, por tempos


em inglês, pois a formatação e a padronização em geral acontecem na indústria
cinematográfica e escolas norte-americanas. A seguir, alguns utilizados com
frequência. Para saber mais, sugiro a leitura do Dicionário teórico e crítico do
cinema, de Jacques Aumont (2001) e do livreto Como formatar o seu roteiro, de
Hugo Moss (1998).
Como será trabalhado nas próximas aulas, o roteiro se inicia literário como
interpretação da história e, posteriormente, por meio da participação do
diretor(a), ele assume o caráter técnico. Isso acontece pela decupagem, estudo
do roteiro literário e posteriormente inserção de cenas e detalhamento que julgar
necessário sobre o diálogo dos atores.
O Diretor de produção avalia o roteiro e a decupagem do diretor com
intenção de realizar o orçamento e será o guia de trabalho da equipe técnica. A
versão final do roteiro com os detalhamentos do diretor, diretor geral e roteirista
é denominado na indústria do cinema como “script”, material entregue a equipe
de filmagem, que provavelmente será material que você irá encontrar ao
pesquisar na internet a estrutura do roteiro. Geralmente, o roteiro literário é algo
que fica de posse somente do roteirista.

TROCANDO IDEIAS

Agora que você conheceu um pouco mais sobre a estrutura dos roteiros
e sua formatação técnica, a dedicação necessária para uma produção técnica
de um filme ou uma série. No fórum, dialogue com os seus colegas sobre a
impressão e dificuldades encontradas nestas aulas.

NA PRÁTICA

Agora é hora de praticar o que aprenderam nesta aula. Vocês vão voltar
no caderno de ideias e ler os perfis dos personagens e storyline desenvolvidos
na aula alterior. A partir da storyline, escreva a sinopse do roteiro (versão
literária, normalmente um parágrafo que resume a história, oferecendo mais
detalhes importantes que não foram apresentados no storyline).

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O exercício é identificar a estrutura da construção da história. Vamos partir
da narrativa em 3 atos e seus pontos de virada. Faça as seguintes perguntas
para sua história:

• Onde começam e terminam esses atos na sua narrativa?


• Quais são os pontos de viradas na sua história?
• Esses elementos estão coerentes com o objetivo dos personagens?

A partir dessa reflexão, agora é o momento da análise. Faça uma lista dos
seus três primeiros filmes ou séries favoritas, reflita bem sobre essa escolha,
pois é necessário escolher uma obra audiovisual que tenha te marcado muito.
Após refletir sobre as três, escolha a primeira e vamos fazer o estudo estrutural
do Comparato (2018).
Assista ao filme novamente, se for uma série pode escolher um episódio
favorito para a análise e busque responder se o problema ficou claro, quantos
plots existem e qual é o principal, quais são as cenas essenciais da história,
existe um clímax? Se você resolvesse mudar a ordem das cenas do filme,
mesmo assim ele teria a mesma resolução dos conflitos?
Você vai perceber que ao analisar uma obra audiovisual, a estrutura
estudada nas últimas aulas, vai aparecer em detalhes despercebidos
anteriormente. Se houver tempo é ideal que você faça isso com as suas três
obras audiovisuais favoritas, assim aos poucos se tornará uma prática. Analisar
gêneros e obras que interessam para a sua produção audiovisual. Lembre-se
que a ideia pode partir de um repertório rico de informações e referências. E por
último, não se esqueça da pipoca!

FINALIZANDO

Nesta aula, foi apresentado como formatar seu roteiro de maneira a


profissionalizar o trabalho, nas próximas aulas, vamos continuar no caminho de
materializar suas ideias e transformá-las em um projeto audiovisual de
qualidade.

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REFERÊNCIAS

ACOSSADO. Direção de Jean-Luc Godard. França. 1960. 90 min.

AUMONT, J. Dicionário teórico e crítico do cinema. Campinas, Papirus, 2001.

CELTX. Software de pré-produção de mídia audiovisual. Disponível em:

<[Link] Acesso em: 30 dez. 2020.

COMPARATO, D. Da Criação ao Roteiro: Teoria e prática. 5. ed. São Paulo:


Editora Summus, 2018.

FIELD, S. Manual do Roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

MOSS, H. Como formatar o seu roteiro. Rio de Janeiro: Livraria Travessa,


1998.

MCKEE, R. Story: Substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de


roteiro. Tradução de Chico Marés. Arte & Letra. Curitiba, 2006.

O CANTOR de jazz. Direção de Alan Crosland. EUA. 1927. 88 min.

OPOLSKI, D. Introdução ao desenho de Som: uma sistematização aplicada na


análise do longa-metragem Ensaio sobre a cegueira. João Pessoa: Editora da
UFPB, 2013.

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Direção de Peter Jackson. Nova Zelândia
e EUA. Coprodução de Wing Nut Films, The Saul Zaentz Company. 2003. 201
min.

PSICOSE. Direção de Alfred Hitchcock. EUA. Shamley Productions. 1960. 109


min.

REY, M. O roteirista profissional: televisão e cinema. São Paulo: Ática, 2001.

ROTEIROS. Roteiro de cinema. 2020. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 30 dez. 2020.

UM CORPO que cai. Direção de Alfred Hitchcock. EUA. Alfred J. Hitchcock


Productions. 1958. 128 min.

VIVRE SA VIE. Direção de Jean-Luc Godard. França. 1962. 83 min.

WEEKEND à francesa. Direção de Jean-Luc Godard. França. 1967. 105 min.

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