100% acharam este documento útil (1 voto)
150 visualizações15 páginas

Roteiro e Storyboard 3

A aula aborda a criação de roteiros e storyboards, destacando a importância da representação de histórias ao longo da história humana e o impacto das tecnologias. Os alunos são incentivados a explorar suas ideias e repertórios pessoais, além de aprender sobre adaptação de obras e os elementos essenciais de uma narrativa, como localização, época e público. A reflexão sobre a estrutura da história e a construção de personagens é fundamental para o desenvolvimento de roteiros eficazes.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
100% acharam este documento útil (1 voto)
150 visualizações15 páginas

Roteiro e Storyboard 3

A aula aborda a criação de roteiros e storyboards, destacando a importância da representação de histórias ao longo da história humana e o impacto das tecnologias. Os alunos são incentivados a explorar suas ideias e repertórios pessoais, além de aprender sobre adaptação de obras e os elementos essenciais de uma narrativa, como localização, época e público. A reflexão sobre a estrutura da história e a construção de personagens é fundamental para o desenvolvimento de roteiros eficazes.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

ROTEIRO E STORYBOARD

AULA 1

Profª Marina Moraes


CONVERSA INICIAL

A necessidade de representar e contar histórias é um fascínio da


humanidade desde os primórdios da espécie humana. Inicialmente de forma
primitiva, pelos sons e desenhos em cavernas, posteriormente pelo diálogo
estruturado com o registro da linguagem.
Da mesma forma, adventos tecnológicos possibilitaram o registro de
forma sequencial por meio de filmes, comerciais publicitários, animações e mais
recentemente os jogos digitais. Ao longo desta aula, vocês aprenderão sobre
criação de roteiro e storyboard para diferentes mídias.
Os livros e materiais sugeridos são essenciais para complementar o seu
aprendizado, assim como conteúdo audiovisual associado às aulas. O tema é
amplo e diverso, mas pode ser compreendido com entusiasmo e engajamento!

CONTEXTUALIZANDO

O ponto inicial na produção de um roteiro é uma folha em branco. Em um


computador ou em um caderno, entre o vazio e as ideias, surge o assunto da
nossa primeira aula: Como construir e aprender técnicas de refinamento do seu
repertório para escrever histórias?
Esse questionamento é frequente para iniciantes no universo da escrita,
em especial do roteiro. De onde vêm as ideias? Como ponto de partida podemos
analisar a fonte das ideias a partir do repertório pessoal, por meio da leitura
de mídias sociais, jornais, ebooks, livros ou até mesmo na observação do dia a
dia. A interpretação da realidade é de grande influência para a escrita do roteiro,
sendo possível buscar a linha da história na vida de amigos, familiares,
conhecidos, vizinhos ou até mesmo em momentos que estiver dormindo, por
meio dos seus sonhos.
Outro aspecto da criação são as produções comerciais ou empresariais
que surgem a partir de um conjunto de informações de um/a cliente, podendo
ser uma agência, empresa ou até mesmo do diretor/a do projeto. Nesse caso, a
produção nem sempre é individual, podendo ser construída de maneira coletiva
e integrada. Na maioria das vezes, a produção possui limitações características
ao contexto por ser associada a um tema específico, assunto ou motivo de base:
dias comemorativos, a amizade, o amor, uma homenagem, uma celebridade ou

2
a história de uma empresa. Exigindo pesquisa destinada ao tema e à imersão no
projeto.
A concepção do roteiro precisa ser criativa e interessante, mas não
necessariamente precisa ser uma ideia nova. A elaborar seu roteiro, você pode
apresentar um tema de maneira diferente, fazendo uma releitura do assunto de
uma outra obra literária, teatral ou até mesmo audiovisual. Essa prática é
denominada de adaptação e vamos abordar esse assunto na sequência.
Aproveite para fazer uma pausa do parágrafo anterior. Sente-se
confortavelmente, pegue uma caneta, um papel e um caderno e vamos começar
a colocar na prática as ideias para suas histórias. Sugestão para você imergir
nesse contexto inicial: assista à série No estranho planeta dos seres audiovisuais
(2009), criado pelo diretor Cao Hamburguer 1
para o canal Futura. Em 16
episódios, Cao explora o crescimento do audiovisual nas últimas décadas e a
relação cultural de envolvimento com esse tipo de produção. De maneira
desembaraçada e divertida, você vai conhecer um pouco do passado recente da
tecnologia audiovisual.

TEMA 1 – INTRODUÇÃO

O processo de produzir boas histórias não está ligado diretamente a


regras ou amarras, mas à liberdade na compreensão de técnicas que podem
trazer confiança na aplicação prática de suas ideias. O escritor e roteirista McKee
(2006) narra em seu livro Story: Substância, estrutura, estilo e os princípios da
escrita de roteiro, indicado nas Referências, o sutil processo de conhecer
ferramentas e vivenciar a produção das histórias. “Ansiosos, autores
inexperientes obedecem a regras. Escritores rebeldes, não educados, quebram
regras. Artistas tornam-se peritos na forma” (McKee, p. 17, 2006).
Iniciamos a nossa aula com base na reflexão da importância do
conhecimento técnico para uma boa elaboração do seu roteiro. Ao longo do
caminho, você vai encontrar diversos manuais e produções que narram passo a
passo como estruturar seu texto. Serão apresentadas soluções técnicas e
modelos. Proponho o desafio de imaginar qual é o real sentido de contar uma
história. Por que dar vida a ela em uma produção audiovisual?

1
Carlos Império Hamburguer, conhecido como Cao Hamburguer, é um renomado diretor
brasileiro, nascido em São Paulo. Dirigiu longas-metragens premiados como O ano que meus
pais saíram de férias e a série Castelo Rá-Tim-Bum (1995), que marcou gerações na TV Cultura.
(IMDB, 2020).
3
Nessa linha reflexiva, o roteirista pode se deparar com questões de inserir
ou não clichês para criar apelo, prática muito comum em peças de marketing e
propaganda, por exemplo. Em geral, a formatação de diferentes estilos de roteiro
passa por três etapas base: ideação, estruturação e produção. “Contar uma
estória parece enganosamente fácil. Porém, quanto mais perto chegamos da
raiz, tentando fazer a estória funcionar cena por cena, a missão vai ficando mais
difícil, pois percebemos que na tela não há esconderijo” (McKee, p. 19, 2006)
A finalidade dessa reflexão inicial não é amedrontar no início da jornada,
mas, sim, engajar vocês no estudo da estrutura da linguagem para poder se
capacitarem a trabalhar com ela. Aqui, traçaremos uma rota e teremos
indicativos de caminhos para desvendar mistérios e segredos nas próximas seis
aulas. “Podemos dizer que são dezenas de milhares de anos de história da
dramaturgia. Números e mais números, anos e séculos, um longuíssimo período
de tempo para ser analisado estudado” (Comparato, p. 12, 2008).

TEMA 2 – FONTES DA HISTÓRIA

Vivemos imersos em histórias, das mais diversas às mais complexas. A


ideia é a semente da história e a missão do/a roteirista está sempre em investigar
e registrar fatos e acontecimentos. A dramaturgia “com o tempo se tornou a
própria arte da ilusão e, acima de tudo, uma expressão autoral, já que sempre
existirá alguém que escreverá, concretizará em palavras sua imaginação”
(Comparato, p. 14, 2008).
Para assimilarmos esse termo, precisamos de um longo caminho de
compreensão teórica e histórica, que pode partir de Aristóteles, filósofo grego
(385 – 322 a.C.), passar por Eisenstein, cineasta soviético (1898-1948), até
encontrar nas séries ou jogos digitais talvez algumas respostas. O objetivo desta
aula não é mergulhar na história e na poética da dramaturgia, mas, sim,
apresentar e incentivar a busca de referências que te inspirem a criar suas
próprias histórias.
Uma ferramenta importantíssima para registro das suas experiências que
podem ser traduzidas em histórias é o sketchbook ou caderno de desenho,
imagens ou textos que você pode utilizar como fonte de registro para suas
experiências, pensamentos ou reuniões (Figura 1).

4
Figura 1 – Sketchbook, ferramenta para registro de ideias

Crédito: Giovanni Guarino STOCK/ Alamy/ Fotoarena

Muito tradicional no processo criativo de ilustradores/as, cineastas,


artistas e projetistas a prática do uso do sketchbook atravessa gerações. Como
podem ver (Figura 2) no uso na produção de cinema o Star Wars (Episódio V -
1977), dirigido pelo renomado diretor norte-americano George Lucas (1944 –).

Figura 2 – Star Wars (episódio 5): sketchbooks

Crédito: Smile ilustras

5
A observação e o registro do cotidiano são de extrema importância para
a prática de escrita do roteiro, além da compreensão de estilos e da linguagem
visual na qual você busca representar. Ter a ideia é o princípio de qualquer
roteiro, não chega a ser uma etapa propriamente dita, mas é o início do processo.
A criatividade do autor/a conta muito neste ponto, mas o profissional não pode
depender do surgimento espontâneo de uma ideia. Dessa forma, a sua produção
seria limitada e ele/a ficaria, na maior parte do tempo, esperando uma grande
ideia chegar. Não se deve perder tempo esperando a grande ideia aparecer,
deve-se procurá-la, criar condições para que ela venha.

TEMA 3 – ADAPTAÇÃO

Retomando a reflexão do tema anterior, é importante pensar na fonte das


ideias, lembrando que elas podem surgir a partir de uma obra de arte, um livro,
uma peça de teatro ou um artigo de jornal. Quando a essência da obra é
respeitada, denomina-se adaptação, processo que consiste em modificar e
ajustar uma produção para outra forma estrutural, de maneira a produzir uma
melhor adequação ao formato audiovisual (Field, 1995).
Nesse caso, não é somente o que você tem a dizer, e sim como está
adaptando esse material ou conteúdo, como você o transpõe. “Se o conteúdo é
clichê, a narração será clichê. Mas se sua visão for profunda e original, o formato
da estória será único” (McKee, p. 21, 2006).
Na discussão sobre o tema, é comum encontrar fãs de uma obra
insatisfeitos com a sua adaptação: O livro era bem melhor, o filme anterior era
melhor, o romance era muito melhor. Opiniões diversas são bastante populares,
essa prática configura uma das características do sucesso dessas produções
audiovisuais, devido à sua importância, vamos dedicar uma parte da nossa aula
ao tema. O autor Syd Field (1995), em seu livro clássico Manual do Roteiro,
aborda em profundidade exemplos e aspectos de adaptações, sugiro a imersão
no capítulo desse livro para reflexões além de um conteúdo bastante relevante
para a prática.
Dessa forma, destaca-se a importância de investigar a essência da obra
que está sendo produzida e em especial sua estrutura narrativa. “O material
original é uma fonte. Quando você adapta um romance num roteiro, não é
obrigado a manter-se fiel ao material original” (Field, 1995).

6
Um exemplo de adaptação que marcou gerações foi o desenho animado
A Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Considerado o primeiro longa-
metragem de animação da história, é um dos clássicos de produção do Estúdios
Disney (Figura 3). Sua história foi adaptada de contos clássicos alemães de
publicação pelos Irmãos Grimm, Jacob Ludwig Carl Grimm (1785 – 1863) e
Wilhelm Karl Grimm (1786 – 1859).

Figura 3 – Livro de histórias utilizado no filme Branca de Neve e os Sete Anões

Crédito: RTR34BHF - PHIL MCCARTEN / Reuters / Fotoarena.

Questões relacionadas ao entretenimento e à comercialização da obra


podem ser discutidas pela teoria literária abordando o assunto adaptação, esse
contexto foi aprofundado em Martins e Reis (2015). Para o empreendedor e
produtor Walt Disney, o uso comercial de histórias livres de direitos autorais foi
uma das estratégias utilizadas para viabilizaram a circulação ampla de suas
obras.
Tal fato pode ser observado em diversos filmes de sua autoria; foi uma
prática constante em produções seguintes do estúdio Disney, que se beneficiou
de vantagens da adaptação dos contos de fadas de domínio público. Com um
acervo de mais de 123 mil obras, você pode acessar o Portal Domínio Público
que oferece acesso gratuito a obras literárias, artísticas e científicas e você pode
buscar histórias para adaptá-las nas suas produções.

TEMA 4 – ELEMENTOS DA HISTÓRIA

7
A partir da construção da ideia, surge a necessidade da sua
representação por meio da história. Nessa fase, é importante considerar os
elementos que constituem a narrativa: localização, época e público. Vamos
iniciar pelo local dos acontecimentos e pela delimitação do ambiente. Por meio
dessa localização espacial, os elementos de cena devem ser descritos para o
espectador e os personagens.
Após a visualização e o registro, reflita qual é a época que a sua produção
será contextualizada. É importante lembrar que você precisa visualizar esse
espaço e transcrevê-lo, pois ele será traduzido em imagens, então, quanto mais
detalhada for a sua imaginação, mais completa será sua história. “A
determinação da época é ainda mais complexa, e exige mais trabalho que o da
localização do roteiro, mesmo quando ele foca o passado recente. Nos tempos
atuais tudo muda em dez anos: vestuário, costumes e linguagem” (Rey, 2001).
Quando o escritor/a não conhece detalhes da cidade ou período na qual
a história está sendo construída, é importante pesquisar e buscar informações
de maneira a aumentar o repertório e visualizar o ambiente que posteriormente
será descrito. Se a sua intenção é retratar questões políticas de determinado
período, como o envolvimento do presidente de Estados Unidos durante a
Segunda Guerra Mundial, seria importante ler livros e assistir produções
audiovisuais que já retrataram essa época. Constitui um trabalho de investigação
que pode ampliar a sua criatividade e também livrar sua produção de possíveis
erros de dados históricos ou confusões contextuais.
O roteirista não deve esquecer que seu trabalho é de entretenimento ou
de espetáculo, para um público-alvo. É importante conhecer para quem você
vai contar a sua história, pois, apesar das inúmeras inovações tecnológicas
ocorridas nos últimos anos, a alma e as emoções do público continuam
semelhantes àquelas do início do cinema. “Desejos, frustrações, distúrbios e
paixões, fazendo da dramaturgia um campo praticamente infinito para a criação
artística já que trabalha com um conceito humano” (Comparato, 2009, p. 21).
Para Comparato (2009), os três aspectos fundamentais do roteiro são
Logos (Discurso), Phatos (Drama), Ethos (Ética) em seu livro Da criação ao
roteiro, o autor explica em detalhes como esses elementos atuam para imbuir
sentido e coesão à sua história. Sugiro a leitura para melhor compreensão do
tema discutido neste tema da nossa aula.

8
TEMA 5 – ESTRUTURA DA HISTÓRIA

Agora que foi possível visualizar onde se localiza a sua história, qual é a
época e para quem ela é escrita, precisamos visualizar a estrutura, que é a
divisão em cenários e cenas. Neste momento, o autor/a não pensa somente em
imagens estáticas, mas em cenas, marcando o ambiente onde se passa e
informando o que ocorre de importante neste ambiente.
Mas, antes disso, precisamos falar sobre os personagens da história,
elemento importante para construção narrativa. Nesta etapa, os adjetivos têm
preferência sobre os verbos, é a hora de você descrever seus personagens por
meio do seu perfil, um conjunto de informações físicas e psicológicas, podendo
incluir a história ou antecedentes. Quando você conhece bem alguém, é fácil
prever suas reações. Por isso, um perfil bem elaborado torna mais fácil a
construção dos diálogos e do desenvolvimento da história.
A quantidade de informações depende da importância dos personagens.
Quanto melhor e mais precisas as informações, mais força vital. Portanto, assim
construindo um forte respaldo emocional, ao ponto de a personagem ter “vida
própria”.
A seguir, proponho alguns itens que podem constar no perfil. Este modelo
foi criado para a elaboração do perfil de um protagonista de longa-metragem.
Não é realmente necessário que se tenha todas estas informações, mas, como
já foi dito, quanto mais informação melhor. O modelo para construção do perfil
consiste em se responder às seguintes questões:

1. Aparência física/condições de saúde


2. História pessoal
3. Forma de vestir
4. Postura física
5. Movimento/ritmo
6. Conteúdo da fala
7. Nível educacional/Trabalho/Hobby
8. Microações
9. Antecedentes familiares e sociais
10. Preferência amorosa
11. O que gosta e o que não gosta
12. Preconceitos, manias e defeitos

9
13. Necessidades, desejos, objetivos, arrependimentos e rancores
14. Característica que pode perdê-lo ou salvá-lo
15. Problema externo ou interno

A partir das respostas, é possível visualizar fisicamente seus e suas


personagens, por meio de desenhos ou até mesmo por meio de colagens de
revistas e jornais. O importante é conceber detalhes que enriqueçam a descrição
das ações e das falas, além da sua movimentação em cena. Elaborados os
perfis, podemos compreender como cada personagem pensa e como ela irá
reagir às situações nas quais a colocaremos.
O destino da história está centrado na figura dos e das protagonistas,
mas possui suporte para ser contada pela interação com os antagonistas. Não
se pode esquecer que as personagens de uma história têm, geralmente, uma
opinião formada sobre as outras personagens e não têm consciência de todas
as características formuladas pelo autor/a. Em certas histórias, o próprio ou a
própria protagonista desconhece suas características na totalidade.
A característica dos/das protagonistas é o desejo de atingir um objetivo
na história, o tradicional “Save the cat!”, expressão utilizada na linha norte-
americana de produção de roteiro, em que existe um mocinho a ser salvo e
transcorre a jornada do herói – que iremos abordar nas próximas aulas, para
realizar essa ação. Independente da escola ou gênero narrativo, no início é
comum canalizar a atenção do público para um dos personagens, apresentar
seus objetivos, metas e seus desejos.
A caracterização e o detalhamento de atributos faz com que o
personagem adquira personalidade e consiga atingir ou não os seus objetivos.
“O desenvolvimento da personagem se faz por meio da elaboração do
argumento ou sinopse. Nessa fase é que se começa a desenhar as personagens
e a localizar a história no tempo e no espaço” (Comparato, 2009, p. 29).
Dose de conflito “o roteirista precisa entender totalmente seus
personagens – tudo que lhes diga respeito, como se os conhecesse
pessoalmente. Somente entendendo os desejos mais profundamente arraigados
dos personagens é que o escritor conseguirá, de modo plausível, retratar seus
motivos” (Howard; Mabley, p. 108, 1999).

10
5.1 Objetivo, conflito e trama

Os objetivos dos personagens na história precisam despertar interesse


no espectador/a. É importante na hora de construir a história pensar na natureza
do objetivo, ela irá determinar a atitude do público em relação ao protagonista ou
aos antagonistas. Para possuir uma identificação, o público precisa se importar
ou se relacionar (reação emocional), pois esse é o ingrediente essencial da
narrativa. Normalmente, temos em uma história alguém querendo alguma coisa
e fazendo o necessário para conseguir essa coisa.
O conflito é o impedimento no desenrolar da história, ele fornece energia
a história, a linha da história ou storyline é o conflito-matriz é o fio condutor, os
fundamentos da trama, a condensação do conflito básico cristalizado em
palavras. Deve ser escrito de maneira breve, concisa e eficaz. O conflito exige:

• Uma apresentação: Qual é o conflito?


• Um desenvolvimento: Qual é o resultado?
• E uma solução: Como ele é resolvido?

No cinema, o grande motivador da ação é o conflito. “toda a situação já


existente quando o protagonista começa a se movimentar em direção a seu
objetivo” (Howard; Mabley, p. 88). No desenrolar da história, é possível aderir a
uma das três unidades: tempo, espaço e ação para trabalhar nos embates da
sua história. A seguir, um quadro resumindo esses conceitos importantes
apresentados anteriormente.

Conflito – Embate de forças e personagens, por meio do qual a ação se


desenvolve.
Trama – Pode ser visto como sinônimo de plot, enredo ou fábula. É uma cadeia
de acontecimentos organizada segundo um modo dramático (intriga, confusão,
mentiras, maquinações, conspiração etc.) escolhida pelo autor/a.

Após conhecer a sua história e seus personagens, agora é o momento da


elaboração da estrutura do roteiro, que é relativamente simples. No lado
esquerdo, coloca-se o número da cena. No lado direito, põe-se o local onde a
cena se passa, uma referência sobre a luz ambiente (interior ou exterior) e sobre
o horário (noite ou dia). Abaixo deste cabeçalho, coloca-se o que ocorre na cena
(somente o que for importante). Como pode ser observado no exemplo a seguir:

11
CENA 03 CASA DE RAFAEL – SALA INT./DIA

A sala é pequena, possui um sofá velho e uma mesinha de


centro. A parede tem partes descascadas e sobre a mesinha
há uma revista.

Rafael está sentado no sofá. O telefone encontra-se na sua


frente.

A estrutura também pode ser feita de modo não linear. Escrever as cenas
em fichas de papel, depois colocar em um mural ou em uma parede.
Visualizando as fichas, o escritor(a) as dispõe de modo a compor o filme. Nesse
método permite se manipular o modo de contar a história, mas para um(a)
roteirista principiante, ele pode trazer algumas dificuldades. “A sequência é o
esqueleto do roteiro porque ela segura tudo no lugar; você pode literalmente
‘enfileirar’, ou ‘pendurar’, uma série de cenas para criar volumes de ação
dramática” (Field, p. 87, 1995, 1999).
Ao terminar de escrever as cenas, o autor(a) deve verificar se a história
está coesa e coerente com os seus objetivos e se as informações são suficientes
para que o espectador(a) entenda a história. É importante manter a história em
equilíbrio, no cinema ele é dividido em cenas. É um documento narrativo que
orienta o que será visto e escutado durante o espetáculo.

TROCANDO IDEIAS

Refletindo sobre as técnicas e ferramentas estudados na aula, você pode


pensar em uma forma interessante de registrar e de apresentar suas ideias. No
fórum, você tem a abertura para apresentar o seu modelo de construção de suas
histórias e até mesmo encontrar um(a) parceiro(a) de criação em uma wiki. Faça
como um dos integrantes da tropa de base do Império Galáctico do filme do Star
Wars (Figura 4) e mostre seu processo criativo.

12
Figura 4 – Stormtrooper, Star Wars sketchbooks design por Tom Mollo

Crédito: Smile ilustras

NA PRÁTICA

Hora de colocar em prática o que aprendemos na aula. Com as reflexões


e dicas apresentadas, busque a inspiração para sua história. Produza no seu
caderno de ideias, a partir da proposta de Comparato (2018) o storyline (síntese
de uma história) do seu roteiro. Nele deve conter:

• Apresentação do Conflito
• Desenvolvimento do Conflito
• Solução do Conflito

13
A redação do storyline deve ter clareza do contexto, ser escrito de maneira
direta em no máximo cinco linhas. Não é necessário a utilização de adjetivos e
é importante uma breve apresentação, desenvolvimento e solução conflito.

Exemplo de Storyline
Rafael está saindo para o aeroporto, seu celular toca. Na mensagem diz que sua
amiga Laura sofreu um acidente de trânsito, no entanto Rafael desconfia das
circunstâncias, ela havia enviado uma mensagem estranha no dia anterior ele
decide não viajar e investigar o acidente. Rafael descobre que Laura guardava
um segredo e agora sua vida está em risco.

FINALIZANDO

Nesta aula, abordamos um dos principais problemas que um(a) roteirista


iniciante pode encontrar: a dificuldade de transpor suas ideias para o papel.
Durante esse percurso, é possível perder o sentido e o objetivo original da
história, de modo que a obra não atenda às suas expectativas. Para contornar
esse problema, iniciamos a nossa aula no estudo do uso de técnicas de escrita
e representação gráfica de suas ideias. Nas próximas aulas, iremos continuar no
nosso caminho técnico de compreensão desses elementos narrativos.

14
REFERÊNCIAS

A BRANCA de Neve e os Sete Anões. Direção de David Hand. EUA: Walt Disney,
1937. 83 min.

BIBLIOGRAFIA Cao Hamburguer. IMDB, 2020. Disponível em:


<[Link]
Acesso em: 29 dez. 2020.

CASTELO Rá-Tim- Bum. Direção de Cao Hamburger e Anna Muylaert. Brasil:


TV Cultura, 1994-1997.

COMPARATO, D. Da criação ao roteiro: teoria e prática. 5. ed. São Paulo:


Editora Summus, 2018.

FIELD, S. Manual do roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995.

HOWARD, D.; MABLEY, E. Teoria e prática do roteiro. 2. ed. São Paulo: Globo,
1999.

MARTINS, M. A. S. R.; REIS, G. M. Os contos de fada e sua contextualização:


os clássicos e a indústria cultural. Cadernos do Aplicação, Porto Alegre, v.
27/28, p. 139-149, jan.-dez. 2014/2015.

MCKEE, R. S. Substância, estrutura, estilo e os princípios da escrita de


roteiro. Tradução de Chico Marés. Curitiba: Arte & Letra, 2006.

NO ESTRANHO planeta dos seres audiovisuais. Direção de Cao Hamburger.


Brasil: Coprodução: Caos Produções e Primo Filmes, 2008-2009.

O ANO que meus pais saíram de férias. Direção de Cao Hamburger. Brasil:
Coprodução de Lereby. Produções de Gullane Filmes, Globo Filmes, Miravista
Pictures, 2006. 104 min.

PORTAL Domínio Público. Domínio pú[Link]. 2020. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 29 dez. 2020.

REY, M. O roteirista profissional: televisão e cinema. São Paulo: Ática, 2001.

STAR WARS: Episódio V – O Império Contra-Ataca. Direção de Irvin Kershner.


EUA: Lucasfilm Ltda., 1980. 124 min.

15

Você também pode gostar