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O Espaço Cenográfico Narrativo

Curso de Direção de Arte - Monica Palazzo


O Espaço Cenográfico Narrativo

O Conteúdo desta aula está apoiado no material enviado para os alunos – o


projeto do curta “Overdose Digital”, de Marcos Debrito, com direção de arte e
cenografia de Monica Palazzo.

Trata-se da exploração do espaço cenográfico a serviço de uma decupagem pré-


estabelecida; além de noções sobre planta baixa e elevações (escala, notações,
cotas) mas sempre com o pensamento nas necessidades da decupagem
audiovisual e nas propostas para decupagem (qdo a cenografia traz ideias e
soluções para os enquadramentos a partir do espaço cênico).
O Espaço na linguagem audiovisual
 
O  espaço  arquitetônico.  As  partes  do  mundo,  naturais  ou  fabricadas,  representadas  
através  da  projeção  na  tela  com  maior  ou  menor  fidelidade,  são  providas  de  uma  
existência  obje=va,  objeto  de  um  julgamento  esté=co.    
É  com  essa  realidade  que  o  cineasta  lida  no  momento  da  filmagem.  
CENOGRAFIA  
 
O  espaço  pictórico.  A  imagem  cinematográfica,  projetada  sobre  o  retângulo  da  tela  –  
por  mais  fugi=va  ou  móvel  que  seja  -­‐,  é  percebida  e  apreciada  como  a  representação  
mais  ou  menos  fiel,  mais  ou  menos  bela  de  tal  parte  do  mundo  exterior.  
FOTOGRAFIA  
 
O  espaço  3lmico.  Na  verdade,  não  é  do  espaço  filmado  que  o  espectador  tem  a  
ilusão,  mas  de  um  espaço  virtual  recons=tuído  no  seu  espírito,  com  o  auxílio  dos  
elementos  fragmentários  que  o  filme  lhe  fornece.  
MIS-­‐EN-­‐SCÈNE  E  MONTAGEM  
 
Para  cada  uma  dessas  três  operações  ele  se  beneficia  de  colaboradores  
especializados,  os  quais  é  de  sua  responsabilidade  acordar  as  sensibilidades,  a  fim  de  
que  sua  obra  forme  um  todo  coerente.    
Frame do curta “Overdose Digital”, de Marcos Debrito
Frame do curta “Overdose Digital”, de Marcos Debrito
O Espaço Cenográfico Narrativo

O primeiro esboço
Croquis = Croqui = Rough = Raf = Esboço = Rascunho

Croqui = palavra originária do francês, significa esboço ou rascunho, disseminada


principalmente pelo mundo da moda e da arquitetura. Croqui é um galicismo
(estrangeirismo vindo do francês) da palavra croquis.

Rough ou Raf = palavra originária do inglês (anglicismo), significa “áspero”,


disseminada principalmente pela publicidade. Raf é um estrangeirismo
aportuguesado da palavra rough.

Esboço = palavra originária do grego, significa “temporário”, disseminada de maneira


ampla, em diversas atividades, para designar algo que está em seu estágio inicial e
representa uma idéia de uma proposta ou resultado almejado.

Rascunho = palavra originária do espanhol rascuño, significa arranhão, passando a


ideia de algo mal feito, improvisado, não terminado. Amplamente utilizado no
português.
A primeira planta gerada, com as notações básica do desenho técnico – cotas, escala, representações seguindo padrões da ABNT.
Desenho técnico é usado pelos projetistas para transmitir uma idéia de
construção. Deve ser feito da maneira mais clara possível.

Mais do que a representação de idéias, o projeto surge do traço, do desenho, e


concretiza-se como resultado do processo criativo, saímos do universo das idéias
e passamos a operar no universo das coisas.

Croquis, raugh, layouts, maquetes, vizualizações virtuais, desenhos, projetos e


storyboard, além de meios para comunicação visual de uma idéia, são suportes
para reflexão e concretização de uma metodologia de projeto.

Dentre as disciplinas de instrumentação, o desenho compreende o principal


instrumento para o desenvolvimento do projeto.
Escala, Cotas, Notações e Normas

Escala = relação de proporcionalidade entre os segmentos homólogos e a não


alteração (congruência) dos ângulos correspondentes, como condições para a
semelhança de figuras (real e representativa).

Cotas = linhas distribuídas pela representação gráfica que indicam todas as


dimensões necessárias para viabilizar a construção do objeto desenhado.

Notações = indicações gráficas, numéricas e textuais que fornecem especificações


necessárias para o entendimento do que deve ser executado, bem como o
entendimento da própria representação.

Normas = o desenvolvimento de uma representação gráfica técnica, bem como sua


leitura, depende de uma normatização rígida que possibilita uma comunicação
precisa entre os envolvidos em seu planejamento e execução. Essas normatização
segue regras da ABNT.
O Espaço Cenográfico Narrativo

EXIBIÇÃO DE PRANCHAS DE PROCESSO (material em PDF da professora,


enviado para os alunos): pranchas do projeto criativo e executivo do curta
Overdose Digital;

Exibição do curta-metragem em sala de aula.


PROJETO - s. m. O que se tem a intenção de fazer; desígnio; intento; plano de
realizar qualquer coisa.

DESENHO:
• bidimensional: planos, seções: plantas, cortes, elevações.

• tridimensional: perspectivas, maquetes eletrônicas, maquetes físicas.


Desenho técnico (vista superior) da locação e projeto Casa de Salvador –
longa “Para minha amada morta”(2015 - inédito) dir. Aly Muritiba
Vista da maquete eletrônica do projeto Casa de Salvador –
longa “Para minha amada morta”(2015 - inédito) dir. Aly Muritiba
Vista da maquete eletrônica do projeto Casa de Salvador –
longa “Para minha amada morta”(2015 - inédito) dir. Aly Muritiba
Vista da maquete eletrônica do projeto Casa de Salvador –
longa “Para minha amada morta”(2015 - inédito) dir. Aly Muritiba
Vista da maquete eletrônica do projeto Casa de Salvador –
longa “Para minha amada morta”(2015 - inédito) dir. Aly Muritiba
EXIBIÇÃO DE PROJETOS para direção de arte e cenografia dos realities (séries
do tipo character driven) Lowrider Brasil (Discovery) e Cinelab (Universal),
produzidos pela Boutique Filmes.
Linguagem televisiva

Público mais abrangente, se comparado ao cinema

Enquadramentos mais óbvios, autoexplicativos (e não somente o enquadramento,


mas as ações, os diálogos, as interpretações dos atores)

Direção de Arte e Iluminação traduzem beleza e clareza, salvo exceções

Permite uso de materiais menos realistas (plástico, isopor, etc) - quando o material
vem ao encontro do tema/linguagem do programa

A DA se aproxima da linguagem publicitária – dinâmica dos cortes e


enquadramentos

Essas características são mais encontradas em programas de auditório, de


receitas, infantis / lúdicos, jornalismo televisivo, programas de entrevistas.
Tipos de séries / seriados

Sitcom é uma abreviação de situation comedy - comédia de situações.


São histórias geralmente engraçadas sobre o cotidiano de ” pessoas comuns".
Geralmente as histórias começam e terminam num mesmo episódio. Os
personagens principais são os mesmos, mas a cada episódio acontece algo
diferente. Exemplos: Seinfeld, Friends, Two and a half man, A grande família e
muitos outros.

A série dramática não é necessariamente um drama. São aquelas séries em


que as histórias principais duram vários episódios. Fica mais fácil de entender
com os exemplos: Breaking Bad, House of Cards, Lost, Grey’s Anatomy,
Desperate Housewives, Dexter, Prison Break, The vampire Diaries e por aí vai!
Geralmente a linguagem audiovisual dessas das séries dramáticas se
aproximam à linguagem do cinema, cada episódio dura uma hora e o número de
episódios por temporada depende do canal, mas gira em torno de 22.

Os seriados investigativos são aqueles que investigam algo, mas nem sempre
são crimes, por exemplo: CSI, House, Law and Order, Boston Legal, e o
brasileiro Força Tarefa!
Tipos de séries / seriados

Os reality shows são aqueles programas que tem uma certa aproximação com o
documentário: alguns que só ficam filmando as pessoas vivendo (character driven
– geralmente são dirigidos e roteirizados). Tem também aqueles que mostram
alguma mudança na vida da pessoa, desde uma cirurgia plástica até uma reforma
na casa, os acumuladores...

Um outro tipo é aquele em que pessoas “reais" são colocadas numa espécie de
jogo, e no final tem algum prêmio do interesse dos participantes. Exemplos:
American idol (no Brasil temos o “Ídolos”), Big Brother, Survivor (no Brasil é o “No
limite”), Top chef, America’s next top model, America’s got talent, Supernanny,
Esquadrão da moda, Troca de família, The amazing race…

Claro que nem sempre essas divisões ocorrem dentro de fronteiras totalmente
definidas. Cada seriado tem suas características e eles acabam misturando um
pouco de cada um dos tipos.

Trailer do longa Cinema Verité – filme de 2011 sobre o 1º reality sobre uma família
produzido nos EUA (nos anos 70)
https://www.youtube.com/watch?v=m8YA19oEJVo
O Espaço Cenográfico_ESCALA

Escala: exercício simples para fixar entendimento da escala.

ESCALA = MEDIDA DO DESENHO x MEDIDA DE AMPLIAÇÃO PARA


LEITURA
1: 100 = 1 cm x 100 = 100cm

então numa escala 1:100 ⇨ 1cm = 100cm = 1mt (LOGO: 1mt é a MEDIDA
REAL representada por cada centímetro do desenho)

Nesta escala, portanto, a medida real é 100 vezes maior que a medida do
desenho. Essa lógica se aplica na conversão de qualquer unidade de medida.

Se necessário recorde as unidades de comprimento:


http://www.coladaweb.com/matematica/regras-de-conversao-de-unidades-de-
medida
O Espaço Cenográfico_ESCALA
Outro exemplo
ESCALA = MEDIDA DO DESENHO x MEDIDA DE AMPLIAÇÃO PARA
LEITURA
1: 50 = 1cm x 50 = 50cm

então numa escala 1:100 ⇨ 1cm = 50cm = 0,5mt (LOGO: 0,5mt é a MEDIDA
REAL representada por cada centímetro do desenho)

Nessa escala a medida real é 50 vezes maior que a medida do desenho. Mas
a medida do desenho é 50 vezes menor do que a real. Ou seja, vale observar,
que o desenho sempre será uma representação maior quando a medida de
ampliação para leitura for menor. Pois numa escala de 1:100 reduzimos mais
as unidades de representação das medidas reais do que numa escala de
1:50. Neste sentido, os fatores que determinam a escolha da escala aplicada
num desenho técnico estão relacionadas com a necessidade de detalhe da
informação que necessitados fornecer, a escolha do tamanho da superfície de
visualização que compreendemos ser adequada e o grau de funcionalidade
que esta escala terá na execução do projeto.
O Espaço Cenográfico_ESCALA
O escalímetro é um instrumento de desenho técnico utilizado para
desenhar objetos em escala ou facilitar a leitura das medidas de
desenhos representados em escala.

O escalímetro, escala ou régua triangular, é dividido em três faces, cada


qual com duas escalas distintas.

O escalímetro convencional utilizado


na engenharia e na arquitetura é
aquele que possui as seguintes
escalas 1:20; 1:25; 1:50; 1:75; 1:100;
1:125.

Cada unidade marcada nas escalas


do escalímetro correspondem a um
metro. Isto significa que aquela dada
medida corresponde ao tamanho de
um metro na escala adotada.
O Espaço Cenográfico_PLANTA BAIXA
PLANTA DO PAVIMENTO (PLANTA BAIXA): é o corte horizontal feito acima do
piso, a distância variável, a fim de mostrar no desenho, todos os componentes
do pavimento, mostrar no desenho, todos os componentes do pavimento,
como paredes, vãos de portas e janelas, equipamentos fixos e móveis
(opcionais), de modo a dar uma perfeita compreensão das divisões,
circulação, iluminação e ventilação.
O Espaço Cenográfico_PLANTA BAIXA
O Espaço Cenográfico_PLANTA BAIXA
O Espaço Cenográfico_PLANTA BAIXA
O Espaço Cenográfico_CORTE
O Espaço Cenográfico_CORTE

CORTES: são planos secantes verticais


para mostrar partes internas do edifício,
geralmente não são contínuos e podem
ser no sentido longitudinal ou
transversal.ser no sentido longitudinal ou
transversal.
O Espaço Cenográfico_CORTE
O Espaço Cenográfico_CORTE
O Espaço Cenográfico_representações em planta
O Espaço Cenográfico_representações em planta
O Espaço Cenográfico_representações em planta
O Espaço Cenográfico_representações em planta
O Espaço Cenográfico_representações em planta
O Espaço Cenográfico
O Espaço Cenográfico_representações em planta
Direção de Arte - O ESPAÇO CENOGRÁFICO NARRATIVO
Profa. Monica Palazzo

Fontes:

Desenho Arquitetônico 4a. edição, 2001 Gildo A. Montenegro

http://www.ufrgs.br/destec/destec-livro/paginas/71.htm

www.poli.br/~andrea/Aulas/Desenho%20Arquitetonico.pdf