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1 Func¸oes˜ bijetoras   Consideremos dois conjuntos X e Y e uma func¸ao˜

1

Func¸oes˜

bijetoras

 

Consideremos

dois

conjuntos

X

e

Y

e

uma

func¸ao˜

bijetora

f

:

X

−→

Y .

Suponhamos, por exemplo, X

=

{ 1 , 2 , 3 , 4 , 5 } ,

Y

= {a, b, c, d, e} e

f (1) = a,

f (2) = b,

f (3) = c,

f (4) = d,

f (5) = e,

representada no seguinte diagrama:

= d , f (5) = e , representada no seguinte diagrama: Quando X = {

Quando X = { 1 , 2 , · · · denotada na forma

, n } e f : X −→ Y for bijetora, ent ao˜

f pode ser

f =

1

f (1)

2

f (2)

3

f (3)

···

·

·

·

n f (n)

onde na primeira linha temos o dom´ınio da func¸ao˜

temos o contradom´ınio (imagem). No caso particular da func¸ao˜ diagrama anterior, temos que ela pode ser denotada por:

e na segunda linha

f do

f =

1

a

2

b

3

c

4

d

5

e

Nesse tipo de notac¸ao,˜ sem alterar a func¸ao.˜

podemos trocar a ordem das colunas a` vontade, Por exemplo, temos que:

f =

2

b

1

a

3

c

4

d

e =

5

2

b

1

a

5

e

4

d

c =

3

2

b

1

a

4

d

5

e

3

c .

1

Note que essa troca de colunas equivale a trocar as posic¸oes˜ no diagrama anterior.

das setas

2

Func¸oes˜

inversas

A

func¸ ao˜

inversa de

uma func¸ ao˜

bijetora f : X −→ Y e´ uma

func¸ ao˜

f

1 : Y −→ X definida por f 1 (a) = b se, e somente se, f (b) = a 1 . Para a func¸ao˜ f definida no in´ıcio da sec¸ao˜ anterior, temos que

f

1 : Y −→ X e´ tal que f 1 (a) = 1, f 1 (b) = 2, f 1 (c) = 3, f 1 (d) = 4,

f

1 (e) = 5. No diagrama de setas, calcular a func¸ao˜ inversa equivale a inverter

o sentido de cada seta, conforme mostrado no seguinte diagrama:

de cada seta, conforme mostrado no seguinte diagrama: Usando a notac¸ao˜ f − 1 pode ser

Usando a notac¸ao˜

f 1 pode ser representada na forma:

apresentada no final da sec¸ao˜

anterior, temos que

f 1 = a 1

b

2

c

3

d

4

e

5

Note que f 1 pode ser obtida a partir de f atraves´ de linhas.

de uma simples troca

3 Permutac¸oes˜

Uma permutac¸ao˜

σ : X −→ X .

σ sobre um conjunto X e´ uma func¸ao˜

bijetora

1 Em geral, a func¸ao˜

inversa f 1 desfaz o que a func¸ao˜

inversa f 1 traz de volta o a para o b.

f faz. Por exemplo, se a func¸ao˜

f leva o b para o a, a func¸ao˜

2

Por exemplo, a func¸ ao˜

3

: −→ , f ( x ) = 2 x + 1 e´ bijetora, logo,

ϕ : −→ ,

x + 4 tambem´ e´ uma permutac¸ao˜ sobre porque tambem´ e´

f

e´ uma permutac¸ ao˜

ϕ(x) =

uma bijec¸ao˜

sobre . Outro exemplo: a func¸ ao˜

de em .

´

permutac¸ao˜ so-

bre um conjunto finito X = {1, 2, 3, · · · , n}. Escolhido um valor fixo para n, o conjunto de todas as poss´ıveis permutac¸oes˜ sobre o conjunto {1, 2, · · · , n} costuma ser denotado por S n . Por exemplo, escolhendo-se n = 3, temos que S 3 representa o con- junto de todas as poss´ıveis permutac¸oes˜ sobre o conjunto X = {1, 2, 3}.

Essas permutac¸oes˜ nada mais sao˜ do que bijec¸oes˜ de X em X. Um

exemplo de uma dessas permutac¸oes˜ e´ a σ 1 : X −→ X tal que σ 1 (1) =

No estudo da Algebra, ocorre com muita frequenciaˆ

1, σ 1 (2) = 2, σ 1 (3) = 3 que pode ser denotada por σ 1 = 1

1

3 .

−→ X definida por σ 2 (1) = 3,

3

2 .

dessas, podem ser definidas mais outras quatro σ 3 , σ 4 , σ 5 e σ 6 .

2

2

2

1

3

Outro exemplo e´ permutac¸ao˜

σ 2

:

X

σ 2 (2) = 1, σ 2 (3) = 2 que pode ser denotada por σ 2 =

Alem´

Dessa forma, temos que S 3 e´ o seguinte conjunto: 2

1

3

S 3 = σ 1 = 1

1

2

2

3 3 , σ 2 = 3 1

2

1

2 3 , σ 3 =

1

3

2

2

3

1

,

σ 4 = 1 1

2

3

2 3 , σ 5 =

1

2

2

1

3 3 , σ 6 =

1

2

2

3

3

1

Mas, ate´ aqui temos apenas um conjunto. Para se ter um estrutura como um grupo ou algo parecido, precisa ser definida algum tipo de operac¸ao˜ no conjunto. No caso do conjunto S n , a operac¸ao˜ que cos- tuma ser definida nele e´ a composic¸ao˜ de func¸oes˜ : dadas σ e ρ em S n definimos a “multiplicac¸ao”˜ de σ por ρ como sendo σρ = σ ρ tal que (σρ)(x) = σ(ρ(x)) para todo x ∈ {1, 2, · · · , n}.

Exemplo 3.1. Sejam X

2 3 . Note que σ e ρ sao˜ func¸oes˜ bijetoras

= {1, 2, 3} e σ, ρ S 3 definidas por σ =

1

3

2

1

2 3 e ρ

1

1

2

3

=

2 Note que a quantidade de elementos de S 3 e´ 6 que e´ igual a 3!. Em geral, S n possui exatamente n! elementos.

3

de X em X tais que σ(1) = 3, σ(2) = 1, σ(3) = 2 e ρ(1) = 1, ρ(2) = 3, ρ(3) = 2.

σ (3) = 2 e ρ (1) = 1, ρ (2) = 3, ρ (3) =

Como ρσ = ρ σ temos (ρσ)(1) = ρ(σ(1)) = ρ(3) = 2, (ρσ)(2) = ρ(σ(2)) = ρ(1) = 1, (ρσ)(3) = ρ(σ(3)) = ρ(2) = 3, ou seja,

1

2

ρσ =

2

1

3

3 .

A maneira mais pratica´

de se efetuar essa composic¸ao˜

e´ a seguinte:

Escrevemos as permutac¸oes˜ uma ao lado da outra, na ordem em que aparecem no produto (ou seja, na composic¸ao).˜ No caso atual, para calcular ρσ, primeiro escrevemos a permutac¸ao˜ ρ, a` direita dela escrevemos σ e deixamos espac¸o para escrever o resultado. O resultado tambem´ e´ uma func¸ao˜ com dom´ınio X e ja´ podemos escrever esse dom´ınio no resultado:

1

3

ρσ = 1 1

2

3

2

3

2

1

3 = 1

2

2

3

Iniciamos pelo 1 da permutac¸ao˜ σ que e´ a que esta´ mais a` direita no produto. Verificamos que σ leva o 1 no 3, ou seja, σ : 1 3. Verificamos agora que a permutac¸ao˜ vizinha a` esquerda de σ, ou seja, a permutac¸ao˜ ρ, leva o 3 no 2, ou seja, ρ : 3 2. Portanto, o

4

e´ levado no 3 e o 3 e´ levado no 2, em s ´ımbolos: 1 −→ 3 −→ 2. Logo, a composta ρσ leva o 1 direto no 2, sem passar pelo 3.

1

ρσ =

1 1 2 3 3 2
1
1
2
3
3
2

= = =

2

1

3

2

1 2 3 2
1
2
3
2

O 2 e´

Em

s ´ımbolos: 2 −→ 1 −→ 1. Conclu ´ımos dessa forma que ρσ leva o

2 direto no 1.

levado no 1 (pela σ), e o 1 e´

levado no 1 (pela ρ).

ρσ =

no 1 (pela σ ), e o 1 e´ levado no 1 (pela ρ ). ρσ

no 1 (pela σ ), e o 1 e´ levado no 1 (pela ρ ). ρσ

2

3

2

3

1

3

σ ), e o 1 e´ levado no 1 (pela ρ ). ρσ = 2 3

σ ), e o 1 e´ levado no 1 (pela ρ ). ρσ = 2 3

2 =

3

1 2 3 2 1
1
2
3
2
1

O 3 e´

levado no 2 (pela σ) e o 2 e´

levado no 3 (pela ρ).

Em

s ´ımbolos: 3 −→ 2 −→ 3. Logo, ρσ leva o 3 direto no 3.

ρσ =

1 1 2 −→ 3. Logo, ρσ leva o 3 direto no 3. ρσ = 3 2 = 2 −→ 3. Logo, ρσ leva o 3 direto no 3. ρσ = 3 2 =

3

2

= 1 2 3 2 1 3 2 3 1 2 1 3
=
1
2
3
2
1 3
2
3
1
2
1
3

Exemplo 3.2. Continuando com as mesmas permutac¸oes˜ ρ e σ do

exemplo anterior, vamos calcular σρ. Inicialmente, escrevemos

Temos:

ρ : 1

ρ : 2

ρ : 3

Portanto,

σρ =

1

3

2

1

2 1

3

1

2

3

3 = 1

2

1 e σ : 1 3. Logo, σρ : 1

3 e σ : 3 2. Logo, σρ : 2

2 e σ : 2 1. Logo, σρ : 3

σρ =

1

3

2

2

3

1

.

3

2

1

2

3

Observac¸ao:˜

temos que ρσ σρ. Isso mostra que o “produto” de permutac¸oes,˜

geral, nao˜

comparando os resultados dos dois exemplos anteriores,

em

e´ comutativo.

5

Exemplo

3.3. Sejam

a

=

1

4

2

3

3

1

4

2 ,

b

=

1

3

2

1

3

4

4

2

e

c =

x S 4 da equac¸ao˜

1 2 tresˆ

2

1

3

4

4

3

elementos de S 4 . Vamos determinar a soluc¸ao˜

a 1 xb = c.

Na equac¸ao,˜ vamos isolar o x no primeiro membro. Para isso, inicialmente, multiplicamos a` esquerda por a nos dois membros:

aa 1 xb = ac. Como aa 1 da´ igual ao elemento neutro (permutac¸ao˜ identidade), temos que a equac¸ao˜ dada e´ equivalente a xb = ac. Multiplicando a` direita por b 1 , obtemos: xbb 1 = acb 1 . Como bb 1 e´ igual ao elemento neutro, temos finalmente a soluc¸ao˜ da equac¸ao:˜

x = acb 1 .

Vamos calcular b 1 . Para isso, basta trocar a ordem das linhas de b e, depois, reordenar as colunas:

b 1 = 3 1

1

2

4

3

2

4

=

1

2

2

4

3

1

4

3

Colocamos as permutac¸oes˜ outra:

acb 1 =

1

4

2

3

3

1

2

4

1

2

envolvidas no produto uma ao lado da

2

1

3

4

4

3

1

2

2

4

3

1

4 = 1

3

2

3

4

b 1 : 1 2, c : 2

b 1 : 2 4, c : 4

b 1 : 3 1, c : 1

b 1 : 4 3, c : 3

1, a : 1 4. Logo, acb 1 : 1

3, a : 3 1. Logo, acb 1 : 2

2, a : 2 3. Logo, acb 1 : 3

4, a : 4 2. Logo, acb 1 : 4

Portanto,

x = acb 1 =

1

4

2

1

3

3

4

2 .

4

1

3

2.

6