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TOREADOR

Por Heather Grove e Greg Stolze

Créditos Título Original: Clanbook Toreador Autores: Heather Grove e Greg Stolze Desenvolvimento: Justin Achilli Editor:

Créditos

Título Original: Clanbook Toreador Autores: Heather Grove e Greg Stolze Desenvolvimento: Justin Achilli Editor: James Stewart Diretor de Arte: Richard Thomas Layout e Tipagem: Becky Jollensten Arte Interior: Leif Jones, Vicent Locke, Greg Louden, Andy Trabbold e Christopher Shy Arte da Capa: John Van Fleet Design de Contracapa: Becky Jollensten

Créditos da Tradução

Tradutores:

Revisores:

Diagramação, Tratamento de Imagens e Planilhas:

Ideos

Diagramação, Tratamento de Imagens e Planilhas: Ideos Agradecimentos e umas palavras sobre a Falácia Ad Hoc

Agradecimentos e umas palavras sobre a Falácia Ad Hoc

O Movimento anarquista agradece a contribuição de todos que deram um pouco de seu tempo para que pudessemos terminar este livro. Pessoas que não impediram que suas agendas apertadas os impedisse de incentivar o RPG nacional. Este livro foi feito por pessoas como você, que estudam, trabalham, são casados, têm filhos - homens e mulheres, Narradores e Jogadores de Carne e Osso.

© 2001 White Wolf, Inc. Todos os direitos reservados. Todos os personagens, nomes, lugares e textos mencionados neste livro são propriedade intelectual da White Wolf, Inc. A reprodução sem permissão escrita do editor é expressamente proibida, exceto para o propósito de resenhas, e das planilhas de personagens, que podem ser reproduzidas para uso pessoal apenas. White Wolf, Vampiro: A Mascara, Vampire: Dark Ages, Mago A Ascensão e o Mundo das Trevas são marcas registradas da White Wolf Publishing, Inc. Todos os direitos reservados. Trinity, Lobisomem o Apocalipse, Wraith the Oblivion, Changeling o Sonhar, Werewolf the Wild West, Hierarchy, Livro do Clã Lasombra, Livro do Clã Capadócio, Livro do Clã Baali, Black Dog Game Factory, Dark Ages Companion, Dark Ages Storyteller Secrets e Constantinopla by Night são marcas registradas da White Wolf Publishing, Inc. A menção de qualquer referencia a qualquer companhia ou produto nessas paginas não são uma afronta à marca registrada ou direitos autorais dos mesmos. Este livro usa o sobrenatural como mecânica, personagens e temas. Todos os elementos místicos são fictícios e direcionados apenas para diversão. Recomenda-se cautela ao leitor. Dê uma olhada na White Wolf on-line:

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L I V R O D E C L Ã Índice Introdução: beijando Primos 05
L I V R O D E C L Ã Índice Introdução: beijando Primos 05
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Índice
Introdução: beijando Primos
05
Capítulo Um: Um Conceito Familiar
13
Capítulo Dois: Assim Caminha a Família
37
Capítulo Três: Acionistas e Casas de Câmbio
89

Êxodo Êxodo

e e Abraço Abraço

É um evento black-tie. Ali – aquela mulher de vestido preto conservador com o pingente de diamante. Sim, aquela usando muito perfume. Aquela é Emilia Prudence, uma das melhores violinistas de Quebec. E lá, o homem de fraque vermelho. Apenas Baxter poderia parecer atraente numa atrocidade daquelas. Ele é um Chef, você sabe, então ele costuma pegar alguém na maioria das vezes. Oh, mil perdões, eu não sabia que você ainda podia enrubescer. Eu sempre me senti desconfortável num fraque. É muito apertado. Mas uma de minhas obras está à mostra hoje, então eu também estou. Você ainda não a viu? Então me deixe mostrá-la. É uma das minhas melhores. Ao menos eu acho. Lá, vê? É um mapa. Sim, eu sei que não se parece com qualquer mapa que já tenha visto. Eu não faço mapas de ruas, sabe. Esse foi pintado na minha tela mais fina e mais cara. Eu fiz o fundo parecer com um pergaminho envelhecido - essa técnica exige alguma prática, deixe-me lhe contar. Não tente imaginar o que realmente é Isso não importa. Primeiro, esbocei as coisas naquela noite. O pântano e as pessoas com quem eu estava. Sei que não existem pessoas no mapa. Eu as pintei como animais, vê? E as cores, bem, as cores têm tanto significado quanto os animais. Claro, que estou sendo obscuro: isso é o que os mapas são, minha cara. Obscuros. Apenas como os Membros tendem a ser. Eu tive que mudar as proporções das coisas. Realmente, a plataforma de madeira estava no meio do pântano. As terraplanagens não estavam visíveis de onde nós estávamos. E não havia nenhuma trilha levando de volta às cabanas - nós queríamos apenas pessoas que, supostamente, soubessem o caminho até lá.

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Isso se chama licença poética. Eu não quero pintar uma plataforma de madeira no meio de um pântano vazio. Isso seria muito entediante. Anthony Sungbo é meu nome. Você já ouviu falar de mim? Você me lisonjeia. Mas eu posso apreciar a lisonja tanto quanto qualquer um. Aqui, em troca deixe-me lhe contar a história daquele mapa. Ela irá chateá-lo obviamente, mas então o que você poderia esperar em troca de lisonja?

*

*

*

A plataforma rangia enquanto Anthony se sentou com o bloco de desenho em suas mãos. Ele usava apenas calções, seus pés estavam nus como seu tórax. A lama sujava suas pernas. Ele e Titus, como os Membros mais recentemente Abraçados no grupo, não podiam estar completamente vestidos para esta cerimônia. A única luz emanava de quatro pequenas lâmpadas nos cantos da plataforma, ela brilhava doente na pele escura de Anthony. Enquanto os outros olhavam seus lugares, Anthony desenhava. Ele trabalhou com carvão simples, mas seus olhos tomavam todas as cores. Alguém a sua frente sacudiu uma lanterna e perscrutou seu bloco de desenhos. 'Eu achava que você sempre trabalhava com cores, Anthony'. A voz do homem velho rangeu severamente. 'Eu tenho uma memória perfeita das cores. Não há necessidade delas neste estágio'. Anthony nunca olhava acima do papel. Sua mão lançou-se pela página, vertendo para fora as linhas básicas do lugar. Njorage bufou e desligou a lanterna. Oito homens e mulheres sentavam-se no círculo agora. Ouma era o mais velho e por essa razão estava no comando. Njorage e Nyamira sentavam-se à sua direita e esquerda, respectivamente. Anthony sentava à direita de Nyamira, e Titus à esquerda de Njorage. À frente de todos, se sentava Kiboko, descansada numa postura meditativa com seus olhos fechados. As tranças apertadas de seu cabelo vertiam sobre seus ombros. Um leve aroma de suor e medo mortal permeava o ar noturno, junto com almíscar do pântano e a putrefação da vegetação. Os dois garotos tomaram o centro da plataforma. Kasuki, 17 anos, se sentava de frente aos anciões e suas crianças. A tinta azul escura de dúzias de tatuagens - padrões feitos de pontos e linhas retas - marcava o ébano de seu corpo. Ele tinha espalhado suas roupas antes de se sentar no pântano, mas sua nudez o deixava envergonhado. Uma gota de suor escorreu por seu rosto em contraste com suas características calmas.

Mudei, um garoto de 16 anos, sentou ao lado de seu amigo completamente vestido. Ele segurava a mão de Kasuki; isso representava um gesto de conforto. O corpo de Mudei recuou enquanto o canto agudo de um pássaro noturno soou por perto, mas ele agarrou-se rápido.

*

*

*

Isso porque eu escolhi o pássaro. Pássaros sempre me fazem pensar nas pessoas pequenas e nervosas. Talvez seja injusto para Mudei, ele era um bom garoto, e eventualmente Kiboko o Abraçou, três anos

Livro de Clã: Toreador

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depois. Mas ele sempre estava nervoso sobre algo. Os entalhes de violeta e laranja aproximaram tudo. Você não compreende as escolhas de cores? Você realmente é jovem, não é? Desculpe-me, eu não quis que isso parecesse um insulto. Eu não quero dizer que eu seja muito velho, você sabe, apenas algumas décadas. Você viu como o pássaro tinha suas asas envoltas em torno do gato grande? Mudei sempre foi muito protetor com Kasuki, mesmo sendo o mais jovem dos dois. Você é obrigado a crescer rápido nas ruas de Lagos. O talento de Kasuki? Não é óbvio? Suas tatuagens. Elas não eram do tipo de tatuagens que se vê por aqui. Sem dragões ou nós célticos trançados, sem arame farpado e sem corações. Seu corpo inteiro

era marcado com os pontos e linhas - às vezes outras pessoas aplicavam a tinta, mas os desenhos eram sempre seus. Isso o deixou muito reconhecível, mas também lhe garantiu respeito. Se você encontrar um homem alto

e imponente, sempre calmo, com pouca expressão em seu rosto e tatuagens sobre seu corpo, provavelmente preste algum respeito a ele também. Não confunda seu silêncio com uma falta de emoção. Ele certamente inspirou uma forte lealdade em Mudei, não foi? E olhe para a cor dele, o rosa, o amarelo, o escarlate. Estas não são cores de um homem espiritualmente falido.

*

*

*

Quando todos haviam se acalmado, Ouma balançou a cabeça. Kiboko se ergueu silenciosamente e

se ajoelhou atrás de Kasuki. Então ela tomou seu sangue, lentamente, amavelmente, com a suavidade de uma

mãe para um filho. Ela se deu em troca - abriu seu dedo com um dente e permitiu que Kasuki o pegasse. Quando seus olhos atormentados clarearam e sua sucção se tornou muito forte, ela o empurrou. Mudei levantou seu amigo com uma mão por trás de seus ombros. Mudei estendeu se braço a Kasuki, cujos novos dentes afiados afundaram rapidamente na carne nua. Então o recém-criado Toreador se alimentou de seu melhor amigo. Mudei chorou, um choro abortivo de medo e prazer e seus olhos castanhos se dilataram. Quando Mudei ficou atordoado e caiu contra a plataforma, Kiboko colocou uma mão forte no ombro de Kasuki. "Pare". Kasuki tremeu e se jogou para trás, preocupado com seu querido amigo subjugando a fome que queimava em seus olhos. Ele fechou o ferimento com uma lambida e puxou Mudei em seus braços. Os olhos de Mudei estavam fechados. A voz de Ouma era suave e tão escura quanto sua pele - toda entonação tão elegante quanto seu rosto notável. "Este garoto ficará bem. Sua preocupação por ele me diz que nós escolhemos bem". Ele deu um raro sorriso e se ergueu - e o sorriso desvaneceu. Dois homens se levantaram na extremidade da clareira. O mortal negro se ergueu com a cabeça curvada, o homem branco por trás dele esperou com os braços cruzados, uma câmera sobre seu ombro. Seu longo cabelo castanho estava preso num rabo de cavalo, seus olhos azuis brilhavam, e não havia aroma ou visão de suor nele.

Êxodo e Abraço

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Ouma se voltou para o guia. "Deixe-nos". Todos ficaram em seus lugares em silêncio até não poderem mais ouvir o farfalhar de folhas e o barulho da lama sobre os distantes sons da cachoeira. "Seu nome?"

"Jacob Gray. Eu fui mandado para lhes dizer que deixem este lugar".

*

*

*

Não, esse aqui é Jacob, a cabra. Uma cabra num pântano não parece mais estranha do que um pássaro com suas asas em torno de um grande gato! Eu nunca clamei ser realista. Ouma é o Pégaso. Ele merecia algo majestoso. Majestoso realmente é a melhor palavra para ele. Você poderia dizer que ele era nosso líder, se tivéssemos um. Era um negócio de respeito por idade - idade real, não aparente. Ouma era apenas o mais velho. Teoricamente ele e os outros anciões, como Nyamira e o senhor de Titus, Njorage, tomavam todas as decisões juntos, mas Ouma sempre tinha a palavra final. Por sorte ele era esperto, então ouvia o que os outros tinham a dizer. Trançar ouro e luz azul não faria a justiça de Ouma, mas era um começo. Ele era um homem forte e bom. Eu nem sempre concordava com suas decisões, e não guardava segredo sobre isso, mas sempre o respeitei. Oh sim! Eu era muito franco sobre minhas opiniões. Ele valorizava a honestidade mais do que a bajulação, mas não significa que ele jamais mandaria um dos mais jovens calar a boca. Quando estou viajando, frequentemente tenho que me lembrar de que isso não funciona dessa forma na maioria dos lugares. Pode ser difícil morder minha língua em torno dos outros anciões, mas tento fazer meu melhor. Suponho que seja por que levo isso mais longe do que o resto de vocês. Normalmente não sou tão bundão. Prometo.

*

*

*

"Você permitiu que o garoto se alimentasse de alguém tão próximo dele?" O espanto no rosto de Jacob era claro. "Alimentar-se primeiro de um amado ensina o cuidado pelos mortais dos quais ele se alimenta. Proibir que se alimente daqueles que se ama apenas ensina que os mortais usados como alimento não valem nada". A voz de Ouma era calma, mas seus olhos tinham se apertado. "E você permitiu que um mortal estivesse presente para um Abraço. O que você estava pensando?" Ouma sentou-se enquanto ouvia uma criança. "Não será permitido entrar no Abraço sem um amigo próximo. Alguém que não possa estar conectado de forma íntima com um mortal certamente não terá chance de manter sua conexão aos mortais por muito tempo". Seu tom era arrogante, as implicações eram óbvias. "Você sempre trata as pessoas que vem ajudá-lo dessa forma?" "Nós pedimos sua ajuda? Você é um visitante aqui, e isso lhe oferece certas amenidades. Mas não lhe da o direito de questionar nossos modos". Ao invés de replicar, Jacob abriu uma bolsa sobre seu ombro sob a câmera. Ele puxou um punhado de fotografias e as atirou na plataforma. Anthony deitou seu bloco de desenho e o folhou. "Fotografias de satélite da área? Bom, mas estéril. Você acha que isso é bom?"

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Jacob reluziu em Ouma. "É seu costume permitir que suas crias insultem seus convidados?" Ouma sorriu. "Seu insulto foi apropriado. Você pensa que surpreenderá um punhado de nativos ignorantes com coisas das quais eles obviamente não sabem nada. Você estava errado. Nós não enterramos nossas cabeças na areia aqui". "Bem então, obviamente você já sabe sobre os arqueólogos que planejam vir estudar suas ruínas, e eu posso voltar para a Holanda". Jacob se voltou para sair. "Quem o enviou?" A voz de Nyamira vibrou com a velhice, como se ela tivesse séculos. "Haumann.»

*

*

*

Aquela foi a palavra mágica, percebe. Haumann era um Toreador que havia vindo há cinco anos antes. Ele era um bom Membro, e nós aprendemos muito com ele. O respeitávamos. Se ele houvesse mandado Jacob, então ele era importante. Até mesmo se, quando veio completamente, ele era apenas uma cabra púrpura, marrom e verde claro. Haumann? Oh. Eu provavelmente o pintei como um unicórnio, tudo e todo branco. Ele não era ingênuo, mas era inocente, se isso faz algum sentido. Eu o ensinei a começar a olhar para as pessoas como animais, e ele nunca me perdoou - é difícil parar uma vez que tenha começado. Você irá compreender quando sair daqui hoje. Pode ser difícil manter um rosto franco quando está lidando com um Brujah furioso e tudo que você pode pensar é o quanto ele parece com um buldogue. Latir para ele não melhora sua ira. Humm, sim, eu frequentemente me surpreendo de como levei isso tão longe. Sorte. Eu suponho, e pés muito rápidos.

*

*

*

“Você deve deixar esse lugar. Você não está mais seguro aqui". O tom de Jacob era mais sério agora. Ele havia se sentado na plataforma. Kiboko e Kasuki haviam se retirado para um canto e Mudei estava envolto nos braços de Kasuki, seus olhos ainda fechados e sua respiração superficial. Anthony desenhou furiosamente. Kasuki olhou sobre seu ombro e viu uma sugestão de sirenes e uma câmera. "Você disse que haviam arqueólogos vindo?" Titus perguntou. "Bem, talvez". Jacob evitou os olhos de Titus. "Eles certamente têm estas fotos. Eles não decidiram ainda aonde irão, mas pode ser para cá". Anthony balançou sua cabeça. Seu tom era moderado quando falava, e ele mantinha seus olhos em seu desenho. "Nós sabemos sobre as fotografias de satélite há algum tempo. Antes disso foram as fotografias aéreas. Nunca foi suficiente para nos expulsar antes - por que deveria ser agora?" "Você não ouviu o que estou dizendo? Eles podem trazer uma expedição para cá!" As mãos de Jacob se agitavam no ar como se ele pudesse cercá-lo e ameaçá-lo com seus braços. "Por que eles deveriam?" Anthony sorriu e finalmente olhou para os olhos de Jacob. "Ninguém quer ouvir sobre ruínas na Nigéria. Isso não é tão excitante quanto às pirâmides. Não existe jóias, ouro escondido para ser descoberto. Eu irei lhe lembrar que este lugar sempre foi discutido em jornais científicos

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desde 1959, e ninguém nunca veio aqui. Eles encontram isso nas fotos aéreas, e não dão importância. Este lugar nos protege por séculos, por que deveríamos parar agora?" Njorage carranqueou. "Você só quer ficar no lar de seus ancestrais. Talvez isso seja mais importante para você do que nossa segurança". "Nada é mais importante para mim do que a nossa segurança". O tom de Anthony tomou uma borda perigosa. "Alguém que diga o contrário é um tolo. Estou simplesmente dizendo que nós estamos seguros aqui". A voz de Nyamira era solícita, e ela bateu um dedo áspero na madeira da plataforma. "Nós ainda não sabemos como é que este lugar nos protege, e realmente não temos prova que é assim. Tudo que sabemos é que até agora, ninguém nos encontrou". Anthony derrubou seu bloco de desenho na plataforma, o pedaço de carvão que ele estava desenhando rolou no pântano com um ruído e um pequeno esguicho. "Como ele não poderia nos proteger? Você está me dizendo que nós vivemos num monte de ruínas maior em área do que as pirâmides e ninguém nos encontraram simplesmente por que são preguiçosos? Me dê um tempo. Você sabe tão bem quanto das lendas Nyamira olhou para sua cria. "Você dá muito crédito as superstições. Eu acho que Haumann pode ter razão".

*

*

*

Isso me fez perceber que estávamos perdidos. Não era. "Jacob pode ter razão", mas ao invés, "Haumann pode ter razão". Eles confiavam em Haumann não em Jacob. Era verdade, eu não queria deixar o lar de meus ancestrais. Eu não queria abandonar um lugar que havia nos servido tão bem por tanto tempo. Eu não queria desistir de meu lar por que um par de anciões estava ficando paranóico. Oh, deixe-os olhar, eu não me importo se minha voz está hesitando. O que eles farão comigo? Eles estão me honrado, não lhes é permitido ser rudes ainda. A rudeza virá depois da festa - isso é o meio pelo qual o jogo é jogado. Tudo bem. Eu não jogo esse jogo, então isso não importa tanto. Além disso, estou indo para fora da cidade amanhã à noite. Eu não gosto de ficar em qualquer lugar por muito tempo. Não me sinto seguro em lugar nenhum desde que deixamos nosso lar. Os outros? Oh, eles se espalharam. Nós falamos sobre ficar juntos, mas sabíamos que não era seguro. Tínhamos nossa pequena comunidade lá há tanto tempo e nunca havíamos matado para nos alimentar. Mas uma vez que saíssemos seria mais difícil esconder nossos padrões de alimentação. Então muitos de nós ultimamente se separaram. Nyamira e eu ainda mantemos contato, de muitas formas ela é como uma mãe para mim. Ela é uma mãe dominadora que tenta se intrometer em meus negócios, mas apesar disso uma mãe. Sim, ela é a galinha no canto: verde claro realmente era a única cor apropriada para ela. Kiboko é a serpente azul. Ela realmente amava Kasuki. Suponho que eles ainda viajam juntos com Mudei. Sim, muitos dos animais não são africanos. Eu tentei pegar as coisas que melhor se encaixavam com o temperamento de cada pessoa, e viajei muito naquele tempo. Penso que também foi uma questão de arrogância. Eu queria que qualquer estranho que visse a pintura soubesse que eu havia viajado e que eu não era um estúpido selvagem. Apenas agora, olhando para trás eu posso ver a infeliz falta de

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autoconfiança. Entretanto não mudei nada. Acho que o trabalho de um artista deveria refletir suas imperfeições bem como seus dons.

*

*

*

"Iremos partir, então, no próximo mês. Foi decidido". Ouma balançou a cabeça, e Nyamira e Njorage balançaram com ela. Pela primeira vez Kasuki parecia triste, e ele manteve Mudei próximo de si para confortá-lo. Kiboko colocou uma mão em seu ombro forte e apertou. Anthony pegou seu bloco de desenho e espiou no pântano, seus pés mergulhando na lama. "Ele ficará bem". Nyamira disse a Ouma. "Ele se adapta muito bem, esse é um dos motivos pelos quais eu o escolhi. Ele só precisa de um pouco de tempo. Eu previ que ele será o primeiro de nós a sair". Anthony, que ouviu com seus sentidos aguçados mesmo enquanto partia, percebeu como facilmente seu senhor o lia. Ele voltou para olhar para trás a plataforma, e viu Kasuki erguer Mudei em seus braços. Kasuki desceu da plataforma com cuidado para não empurrar seu amigo. Kiboko firmou-o com uma mão. Kasuki viu Anthony olhando para ele e sorrindo tristemente, encolhendo os ombros. Anthony se virou novamente. Nyamira estava certa: ele sairia primeiro. Ele partiu na noite seguinte e fez seu caminho para a América do Sul. Se tivesse que ir, iria para o mais longe possível.

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Capítulo Um: Capítulo Um: Os Civilizados Os Civilizados Seus lábios eram vermelhos, sua aparência era
Capítulo Um: Capítulo Um: Os Civilizados Os Civilizados
Capítulo Um:
Capítulo Um:
Os Civilizados
Os Civilizados

Seus lábios eram vermelhos, sua aparência era livre. Seus cabelos eram amarelos como ouro; Sua pele era branca como a lepra O Pesadelo, a Vida-na-Morte ela era, Que espessa com o frio o sangue dos homens. - Samuel Taylor Coleridge, “A rima do Antigo Marinheiro”.

8 Querida de Agosto Rebecca, Tenho o prazer de anunciar que o meu projeto foi
8 Querida de Agosto Rebecca,
Tenho o prazer
de anunciar que o meu projeto foi
um sucesso em todos os pormenores.
como esperávamos, foi muito
útil
quando chegou
o
O tesouro foi recuperado intacto e,
Guillaume. Eu não acho que ouviremos ele reclamar
momento de acertar com
sobre nosso
negócio. Para começo
o “tesouro” ao qual o diário de
de conversa: Como você suspeitava,
Dermott se referia
não era, como
de
ele pensava, uma mera coleção dos trabalhos
A
Katherine de Montpellier.
câmara continha
a dama em pessoa.
Nobstulling, eu pude falar-lhe. Embora
Assim que ela se acalmou
e fomos ao castelo
e vulgar,” concordou em
tenha declarado que meu francês normando era “grosseiro, inábil
Longa Noite -
e até
mesmo sobre
antes disso. Toda
a
responder minhas perguntas sobre a
tradução completa para você.
conversa está no DVD anexo, mas eu providenciei uma
Aproveite. Carmelita

Capítulo Um: Os Civilizados

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Carmelita : Sua Graça, eu esperava que pudesse se dignar a responder algumas perguntas Katherine

Carmelita: Sua Graça, eu esperava que pudesse se dignar a responder algumas perguntas Katherine: Sua insolente insignificante. Quem é você para me questionar? Qual é o seu título e a sua linhagem? C: Meu nome é Carmelita Neillson

K: O que é isso. Escandinavo? Teria o meu clã afundado tão baixo, que estamos abraçando malditos Vikings? O que virá agora, dar o Sangue aos cães, ratos e servos? Quem é o seu senhor? C: Eu fui Abraçada por Kenneth Chriswell. K: Ele era a criança de quem? C: Acredito que de Phillipe L'Huiller K: Pela Semente de Onan! Minha própria cria ingrata ofertando nosso dom aos Saxões e Vikings. Onde está Phillipe? Traga ele a mim para que eu mesma possa discipliná-lo! C: Phillipe L'Huiller encontrou a Morte Final em

1842.

K: 1842? O ano de nosso Senhor de 1842? C: Mais ou menos. K: Em que ano estamos? C: É 1999. K: 1999! Com certeza é a mão da Jyhad nisso! C: Como? K: Com o milênio se aproximando, podem as Noites Finais estar longe? Por que mais teriam me despertado do torpor, senão porque um dos Grandes queira de volta a vitae que me foi dada? Oh, você não sabe nas garras de quem está. C: Não, eu te asseguro, ajo apenas K: Silencie sua boca ignorante. Você tem algum talento de valor? C: Me desculpe?

K: Você não toca, ou canta, ou estala suas mãos em alguma forma de entretenimento? Eu estive morta por grande parte de uma era, e gostaria de ser entretida enquanto eu pondero. C: Eu toco o saltério, minha senhora. K: Então pare de massacrar minha linguagem com a sua boca de matraca. Deus ajude que suas mãos sejam tão gentis o quanto sua boca é grosseira. (toquei para ela) K: Bem. Pelo menos você tem algum talento. 1999 você diz? É bom saber que nem todas nossas músicas estão perdidas. Sabe como Phillipe morreu? C: Acredito que pelo Sol, madame. K: Pobre Phillipe. Bem, melhor assim que pelas mãos de algum Usurpador ou um maldito Turco.

a

Então, se ele era seu grão-senhor, você então está

dez passos do Original? Chagas de Deus, de fato você deve ser uma das de sangue fraco.

C: Milady, há alguns de décima terceira geração que são propriamente senhores de outras crianças. K: Bah. Tais vermes deveriam ser salgados até secar. Então. 1999? Eu devo ter muito a aprender. Quem possui Jerusalém? C: Os Israelitas.

K: Você diz os Judeus? Oh, o fim dos tempos certamente está próximo. C: Madame. Eu a restaurei do torpor, te alimentei e toquei para você, e responderei de boa vontade qualquer questão que você possa ter sobre os anos de seu torpor. Mas em retorno, posso ser tão ousada a ponto de implorar por uma dádiva? K: Humph. É tranquilizador ver que algumas coisas continuam iguais. O que você quer? C: Eu anseio conhecimento sobre as antigas noites. (pausa; suspiro longo) K: Muito bem.

A Primeira Cidade

K: Eu sinceramente espero que a sua era de sangue-aguado não tenha se atrapalhado e perdido cada peça valiosa de conhecimento que nossa espécie possuía. Meu conhecimento se estende de volta à Primeira Cidade, adotada e regida por Caim depois de seu tempo no deserto. C: Você diz Enoch?

K: Enoch? Ouvi que esse nome foi dado a um dos três primeiros, mas isso é mais tarde na história. C: Eu ouvi que o nome da Primeira Cidade era Enoch. K: Essa é a vulgaridade da sua língua moderna e

o desleixo sujo do seu conhecimento. O nome da primeira cidade era Ubar. Apesar das histórias que ouvi de Enoch, eu não passaria por ele para dizer à sua criança que a cidade tinha seu nome. Orgulhosamente, pelo que eu ouvi. Não, a primeira cidade era Ubar, a “Rainha do Olíbano”. Anos depois eu ouviria nossos rivais dizerem que Caim escolheu a Cidade que poderia encobrir o cheiro de perversidade dele próprio e de sua prole, mas isso era a fala da inveja. Caim, o camponês, havia viajado longe e visto muitas coisas, você sabe. Ele viu as maravilhas dos Sumérios – mais notavelmente a roda – e as trouxe para Ubar. Sob seu comando a cidade prosperou. Um Ventrue erudito que conheci – um indivíduo tedioso, muito tedioso chamado Hermias

– disse que foi devido à paciência de Caim e sua

disposição para esperar por sete gerações que suas árvores ficaram perfeitas, ou algo assim. Na verdade, prestei pouca atenção a seu palavrório econômico. Eu não acredito que Hermias ainda esteja espere, me lembro agora, ele pereceu no Segundo Incêndio. Não importa. De qualquer modo, Ubar prosperou com Caim como seu rei e, como relatado no Livro de Nod, ele Abraçou duas crias.

C: Duas? De acordo com nossos textos de Nod, Caim teve três crias – Zillah, Irad e Enoch.

Livro de Clã: Toreador

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K : Não, esses eram a Segunda Geração. A Primeira Geração eram dois, cujos nomes

K: Não, esses eram a Segunda Geração. A Primeira Geração eram dois, cujos nomes foram perdidos. Eles eram dois amantes perfeitos, devotados um ao outro, e Caim esperava que dando a esse amor uma dádiva para a eternidade, ele poderia abrandar as ações cruéis que ele fez no passado. Mas ambos se desesperaram quando descobriram que jamais poderiam conceber um filho próprio. Eles esperaram uma noite para combinar a carne e o espírito, criando uma nova alma com o melhor de cada um deles. Ao invés disso, eles foram condenados a sofrer pela eternidade como dois seres, jamais juntos pela alma através da descendência. Em vez de aceitarem o fato, eles caminharam para o Sol. Caim se sentiu tão derrotado com o luto, que proibiu seus nomes de jamais serem pronunciados. Ele jurou que jamais Abraçaria novamente. Todavia seu luto tornou tão forte sua solidão que ele concedeu a Falsa Vida a Zillah, Irad e Enoch antes mesmo que uma geração humana envelhecesse até a morte. Alguns dizem que seus horríveis fins vieram porque seu senhor quebrou o próprio juramento ao Abraçá-los, que eles eram de má sorte e destinados a dissabores por conta disso. Eu não sei dizer.

se Caim os Abraçou, eles não

seriam da mesma geração que os dois amantes? K: Pelo amor de Deus, garota, você não está me ouvindo? Caim os abraçou depois dos amantes. [Nota para Rebecca: Eu sei que isso não responde a questão. Eu não sei se Katherine estava sendo deliberadamente falsa, se ela estava confusa logo após ter acordado do torpor ou estava apenas mentindo para ocultar o resto da história.] Irad, Enosch e Zillah escolheram companheiros para si mesmos, Abraçando 13, que gerariam os grandes clãs. Entre eles estava nosso fundador, a grande Dançarina de Touros. C: Não era uma escultora? K: Não, você se enganou por um mito comum. Nosso fundador não foi Arikel o escultor, tanto quanto não éramos associados com rosas antes de virmos para a Europa. Você já viu uma rosa na Terra Santa? Inicialmente nós éramos o “Clã da Flor”, provavelmente um Lírio. C: Qual era o nome de nosso fundador? K: Você não sabe isso? Pelos pés feridos de Cristo! C: Sempre ouvimos que era “Toreador,” mas obviamente essa é uma palavra espanhola, não uma do mundo antigo K: Essa é verdadeiramente uma era degenerada. Eu suponho que não seja seu erro ter sido Abraçada por algum filho da puta saxão, ignorante. “Toreador” não era inicialmente um nome, mas uma descrição. Ouça bem: Somos a linhagem de Ishtar, mais tarde chamada de Astarte ou Inanna, mas era como Ishtar que era chamada quando mortal em Ubar, foi como Ishtar que foi Abraçada, e como Ishtar foi venerada na Suméria. Mas isso virá mais tarde em nosso conto, é claro.

C: Mas, então

Creta

K: Você soube da inundação, não soube? A batalha onde os 12 mataram os três, e a maldição de Caim que se seguiu? Ele levantou-se do seu auto–imposto túmulo e amaldiçoou 12 das 13 crias de

Zillah, Enosch e Irad com uma terrível justiça pelo seu patricídio. Ennoia, o caçador foi punido em ser como uma besta, a Malkav o mago foi dada a loucura. Minha teoria é de que a maldição de Saulot é ter seu sangue eternamente ligado por monstros sedentos pelo poder. Apenas uma história “oficial” de tal maldição veio até mim, e essa foi a maldição de Nosferatu. O mais ousado dos assassinos, ele cuspiu no rosto de Caim e o chamou de grande tolo. “Quem é você pra dizer que nossos senhores não deveriam nos ter dado a Falsa Vida? Suas primeiras duas escolhas se destruíram para rejeitar o seu dom!” Mais ainda, ele disse os dois nomes que Caim tinha proibido. Enfurecido, Caim disse “Seu gosto pelos segredos dos outros nunca será satisfeito, e eu o amaldiçôo para que a sua aparência enoje qualquer um que o vir”. A única que permaneceu sem a maldição foi a jovem dançarina de touros, Ishtar, pois foi a única que

se absteve da chacina. A ela, Caim disse “Fuja longe

para o Norte, porque quando seus irmãos souberem que você escapou do destino deles, eles ficarão furiosos.” Com ela, levou a benção de Caim: Que não importasse quanto tempo estivesse ao nosso lado do túmulo, ela jamais perderia o gosto humano pela beleza. Nossa fundadora fugiu para o Leste e para o Norte, na Suméria. Lá, seu poder e beleza tanto dominou os Sumérios, que eles a veneraram como uma deusa. Por algum tempo, ela esteve feliz na Suméria, e lá ela Abraçou seu amante mortal Tammuz. No entanto, sua felicidade não durou: como Caim tinha predito, um de seus sanguinários irmãos a seguiu duramente. O primeiro a encontrá-la foi o bestial Ennoia, que respondia naquela época pelo nome de Enkidu. (O mesmo monótono Ventrue que eu mencionei, Hermias, dizia que isso era de algum modo relacionado à Enki, ou Enosch, a cria de Caim que abraçou Ennoia, mas outros estudiosos disseram que seu conhecimento de cuneiforme era fraco e o que ele estava dizendo não fazia sentido.) Ennoia tinha com ele algum objeto de grande importância. No Enûma

Elish, é referido como sendo a “Tábua do destino” – as leis para a humanidade, escritas por Enki em pessoa.

O que aquelas tábuas continham na verdade é um

assunto de pura especulação. Depois de seu Abraço, Hesiod acreditou que elas continham uma antiga interpretação do Livro de Nod. Monçada e Beckett pensaram que era uma crônica dos poderes de sangue, explicando todas as mágicas de Enosch.

C: Você quer dizer um grimório das Disciplinas? Quais Eno – Enosch possuía?

Capítulo Um: Os Civilizados

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K : Isso depende de quais lendas se lê. Certamente ele tinha todos os poderes

K: Isso depende de quais lendas se lê. Certamente ele tinha todos os poderes que eram comuns no meu tempo, exceto pela feitiçaria bastarda Tremere. Havia também, como é dito, certos poderes que ele não ensinou sua cria, mantendo apenas para si mesmo. Diziam, por exemplo, que ele podia quebrar laços de sangue somente pela sua vontade, e remover a potência da morte dos mortais alimentado-os de sangue. Mas são apenas lendas, tão possíveis de serem verdadeiras quanto o conto do Malkaviano Anatole no qual a tábua de Enosch continha o futuro detalhado de cada Cainita que existiu ou existirá, da punição de Caim até o Tempo de Sangue Fraco. De qualquer maneira, Ishtar tentou tomar esse item de Ennoia. É possível que outro dos 13 tenha se juntado a Ennoia naquele tempo. É igualmente possível que Ennoia tenha abraçado uma mulher, conhecida na versão Akkadiana do mito de Ereshkigal, que o ajudou a enganar Ishtar. Os dois Cainitas capturaram Ishtar, possivelmente a enganando a renunciar seus poderes, mas Tammuz por fim a resgatou. Ele pagou o preço no entanto, encontrando a Morte Final para salvar sua Senhora. Com que frequência alguém vê isso nas noites modernas? Não era muito comum na minha época, eu te digo isso verdadeiramente. De coração partido, e desesperada a ter sua vingança do sanguinário Ennoia, ela foi ao rei Gilgamesh da Suméria e ofereceu a ele o Abraço se ele a ajudasse contra “Enkidu.”

No entanto, seu feroz rival a havia vencido nessa.

Dada a escolha entre o poder do Gangrel e a beleza de Ishtar, o rei escolheu o poder. A Toreador escapou de ambos, mas não antes de soltar sobre eles um grandioso monstro conhecido como

O Touro do Paraíso. O curso óbvio das

especulações é que essa criatura era simplesmente um touro monstruoso, alimentado pelo sangue dela até se tornar terrível em força e proporção, mas ninguém pode dizer ao certo. Depois de deixar a Suméria, ela chegou à extensão de Creta. Lá ela fez mais crias e ensinou as

pessoas a arte de se agarrar aos chifres de um Touro e subir em seu lombo.

Os governantes de Creta honravam o touro

como seu animal sagrado, então era natural que eles recebessem a “Toreador” em seus corações. Tudo estava bem por algum tempo até que Minos, então Rei

de Creta, soube que Ishtar poderia repassar seus dons de beleza e imortalidade àqueles a sua volta.

Ele implorou essa dádiva a ela, e inicialmente ela

recusou. Tendo visto a miséria de Caim em Ubar, e a crueldade de Gilgamesh na Suméria, ela sentiu que

somente a tragédia viria dos de Caim reinando sobre o rebanho.

Ele disse que se ela se recusasse a estender sua

vida, ele não veria razão para estender a dela, e pediu que ela deixasse Creta.

Ela se apiedou parcialmente, dizendo que se ele

desejasse, ela daria o Abraço a seu filho.

Ela se apiedou parcialmente, dizendo que se ele desejasse, ela daria o Abraço a seu filho.

Livro de Clã: Toreador

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Infelizmente, o filho era indigno do dom. Ele caiu nas garras da Besta de onde

Infelizmente, o filho era indigno do dom. Ele caiu nas garras da Besta de onde jamais emergiu. Não desejando matar o seu filho, Minos o aprisionou num labirinto sem luz, onde ele era alimentado do sangue de homens e mulheres oferecidos em tributo. Essa história, distorcida e imprecisa em alguns detalhes, veio até Ovídio e Apollodorus como o Conto do Minotauro. Ambos concordam sobre o nome do homem que matou o filho louco, repudiado de Minos: Teseu. Ele possivelmente tem a distinção de ter sido o primeiro mortal a matar um de nós com as próprias mãos. Ele deve ser sido um homem considerável. Minos, em seu luto, pediu a Toreador que o desculpasse por sua tolice, mas ela tinha deixado sua cidade e ido para Micenas, levando as artes de Minos com ela. Alguns dizem que ela era acompanhada em suas jornadas por um feiticeiro fascinado chamado Daedalus, que jamais tinha visto criatura como ela antes, mas isso também pode ser um mito.

Setembro 22 de Rebecca, Cara Dizer que Katherine está tendo problemas em se mundo moderno
Setembro
22 de Rebecca,
Cara
Dizer
que Katherine
está tendo
problemas em se
mundo moderno
adaptar ao
seria
uma atenuação. Ela já
destruiu dois telefones, uma TV,
o sistema de som de Edgar e
um rádio
relógio digital.
Qualquer máquina que faça
barulho e a sobressalte,
ou cristal, (sim, ela pode ouvir a diferença entre um
de um sino de
a
menos que o som seja
metal
sino real
e a gravação de um). Ela se recusa
mesmo a olhar
para a TV, dizendo que
é diabólica e maligna. Ela
em ouvir
música gravada
concordou
embora
ela prefira
gravações analógicas
a
digitais. Todavia, ela nem mesmo
porque está convencida de que é um objeto
fala
no telefone,
de encantamento.
lado positivo, ela está
Pelo
aprendendo francês
facilidade prodigiosa.
moderno, inglês e alemão com uma
fluência melhorada,
Com a
no entanto, vieram
mais
exigências multilíngues
para sair
da casa de
Nobstulling.
um pouco mais de tempo deixando-a
Consegui
ver
um carro
em movimento e por
tê-la
dito quantos veria em uma cidade.
Carmelita e a atemorizou bastante.
carro a impressionou
O

Grécia

K: Em Micenas, aproximadamente 15 séculos antes de Cristo, a Toreador em pessoa se retirou dos registros históricos. Mas não há dúvidas de que os Cainitas que descenderam dela tiveram grande impacto no desenvolvimento da sociedade grega. Examinemos a história de Tantalus e Pelops, por exemplo. A história que se passou através das eras foi de que o Rei Tantalus matou seu filho Pelops e o serviu

aos deuses em um ato de insolência, pelo qual foi punido. O poeta Píndaro tomou grandes liberdades com essa história – não por causa de sua evidente imprecisão (os detalhes são conhecidos em primeira mão apenas por nossa espécie e pelos mortos, é claro), mas porque ele pensava que era blasfema. A verdadeira história é essa: Tantalus matou seu filho Pelops como alimento, como garantia de lealdade a um (ou mais) de nossa espécie. Meu palpite, pela história de que Tantalus foi punido em sua vida após a morte por uma fome que jamais podia ser saciada, é que ele estava lidando com Ventrue, que estava por lá. Mas ninguém nunca saberá. O que é certo é que um dos netos mortais de Tantalus, a rainha Niobe, competiu com uma das crias de Toreador pela afeição do músico Amphion. Enquanto que Amphion naturalmente preferia o charme superlativo dos mortos-vivos, Níobe suplicou-lhe que ficassem com ela por causa de seus 14 filhos mortais. Incapaz de abandonar sua prole, Amphion rejeitou o Abraço. Lívida com a rejeição, a cria de Toreador chacinou os 14 filhos de Amphion, um depois do outro, bem na frente da mãe. Então ela abraçou Amphion a força. Amphion jamais falou do destino de sua senhora, nem jamais disse seu nome, mas começando com ele temos a primeira linha intacta de sucessão. De Amphion, um de nossos Matusaléns, temos as linhas de Hesíodo, Theóphano e Menippus. Theóphano me Abraçou, eu dei o dom a Phillipe, e assim adiante até o seu próprio desventurado cadáver. C: Hesíodo? Você diz o grande poeta grego Hesíodo? K: Não, mas de seu patrono, do qual o poeta usou o nome em sua honra. Infelizmente para o poeta, a maior parte de seu trabalho foi perdida durante a ocupação romana, para um paradeiro desconhecido. Mesmo que eu seja tentada a culpar os Ventrue, minha natureza mais honesta insiste que é mais provável que um de nosso próprio Sangue – uma cria invejosa impressionando um rival desfazendo o trabalho de um senhor, talvez. Mas, como geralmente acontece quando alguém destrói a história, não há como saber. É uma pena, no entanto. É um triste desperdício. Ah. Bem, onde eu estava? C: Os Micenas K: Sim, bem, ouvir Theophano contar, as contemporaneidades de seu grão-senhor – isto é, a quarta geração – se tornou fecunda e descuidada com seus Abraços, o que criou um grande número de crias inexperientes, pobremente escolhidas. Esses sem nome começaram a disputar e brigar e a cumprir a maldição de Uriel.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Como eles lutaram entre si para dominar Micenas, tiveram sucesso apenas em derrotar uns aos
Como eles lutaram entre si para dominar Micenas, tiveram sucesso apenas em derrotar uns aos

Como eles lutaram entre si para dominar Micenas, tiveram sucesso apenas em derrotar uns aos outros e enfraquecer o país. Uma grande parte deles acabou morta, ou em torpor, deixando para trás mortais com laço de sangue dominando o país, mas sem fonte da preciosa Vitae. Esses pobres servos enlouqueceram, deixando Micenas sem liderança. Isso fez a nação inteira vulnerável à invasão pelos dóricos, que se estabeleceram sobre os Toreador adormecidos por centenas de anos. Os poucos que escaparam da Jyhad de Micenas partiram para viajar através do Mediterrâneo. Alguns deles encontraram a Morte Final, alguns prosperaram, mas todos aprenderam sua lição: Enquanto Caim tinha poder para reinar um país como rei, nenhuma cria menor poderia fazer isso – especialmente com outros Cainitas por perto.

Roma

K: Eu falei bastante sobre nosso clã, mas talvez seja hora de lidar com os outros membros da “família” de Caim. Você se lembra do vôo de Ishtar para o norte, deixando Ennoia como “Enkidu” na Suméria? Bem, o Gangrel floresceu lá por algum tempo, mas toda a área tinha muitas tribos e pouca terra habitável. Os Acadianos esmagaram a Suméria de Enkidu. Eu ouvi contos sobre os soldados de Sargon que caçaram os Cainitas Gangrel através das ruas com tochas, induzindo-os ao poço central onde eles foram mantidos aprisionados por troncos em chamas até o amanhecer. Eu gostaria de dizer-lhe que um da linhagem de Caim estava por trás da vitória de Sargon, mas além dos exageros vazios dos Setitas e Lasombra, não há um grão de evidência. Eu honestamente acredito que Sargon era simplesmente um homem forte que percebeu a fraqueza dos Cainitas e a usou em sua vantagem. Mas até mesmo seu reino não pode durar, e Hamurabi e os Babilônicos o derrotaram e foram, por usa vez, derrotados pelos Hititas, e assim por diante. Eu não tenho idéia de até que ponto os Gangrel estavam cansados de ceifeiros-transformados- em-bárbaros, mas se havia alguma região que ensinasse a um imortal a futilidade de imitar a realeza de Caim, foi a Crescente Fértil dois milênios antes de Cristo. Ashur teve consideravelmente melhor sorte, provavelmente porque ele se importou menos em reinar do que em perseguir seu conhecimento, sem ter que se preocupar com seu país sendo incendiado por invasores. É possível que Ashur e sua cria tenham tido alguma influência na queda da Suméria de Gangrel, mas eu duvido. Seria descaracterizadamente eficiente para eles. Mas Ashur foi esperto o suficiente para se aliar com as crias de Ventrue quando Roma expandiu para seu território, mesmo que os termos se tornassem gradualmente desfavoráveis. Por que sua descendência importava? Roma era ainda mais estável que seu próprio país, então eles voltaram a Roma.

Livro de Clã: Toreador

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Enquanto Ishtar fugia da Suméria, Ventrue também se movia para o norte e para o

Enquanto Ishtar fugia da Suméria, Ventrue também se movia para o norte e para o leste, enquanto o caloroso Troile partia para o sul e o oeste. Ouvi contos que os Setitas e a descendência de Troile eram muito próximos naquele tempo, viajando juntos tão longe quanto o Nilo. Lá, eles tiveram uma desavença, sobre o que, eu não saberia dizer. Troile e os seus foram para o oeste pela da costa, através da Líbia, para onde (séculos mais tarde) seria Cartago. Algumas outras histórias insistem que uma das crias de Ishtar seguiu Troile como sua amante, uma vagabunda chamada Tanit, Abraçada pela sua beleza e descartada por sua cabeça vazia. Muitos de nossa linhagem gostam de repudiar a história de Tanit, mas alguém tinha que ensinar a Troile os segredos da Presença. De qualquer modo, Cartago cresceu em grandeza mesmo que os Ventrue mandassem seus seguidores humanos capturar as mulheres Sabinas e gerassem uma grande raça. Os Toreador já tinham aprendido sua lição em Micenas, e sobreviveram aos séculos interinos escondidos. Em Roma, isso os vinculou aos Ventrue, embora não tanto quanto as lições de Presença. Ainda mais importante do que essa Disciplina, talvez, era seu conhecimento da beleza e artes. Enquanto os Toreador seguiam tal conhecimento pelo seu prazer, os Ventrue o tomaram por motivos mais práticos. Enquanto os Toreador encorajavam mortais a construir templos e estátuas, os Ventrue ajudavam a construir estrada e governar suas colheitas. Sua meta era, é claro, reunir muitas pessoas em uma área pequena pela facilidade da alimentação discreta. As crianças de Troile tinham uma aproximação totalmente diferente. Onde os Toreador instruíam, os Brujah insistiam. Onde os Ventrue sugeriam, os Brujah comandavam. Tudo em Cartago foi feito em torno da fome de seus governantes Cainitas. Ambas cidades se tornaram impérios, e talvez seja inevitável que impérios colidam. Quando Amphion falou dos séculos de guerra entre Cartago e Roma, ele os chamou de precursor da Jyhad. Os vampiros ainda conspiram e discutem como crianças, mesmo nos limites do ano 2000 de Cristo? C: Eles certamente o fazem. Tanto quanto sempre, certamente. K: A maldição de Uriel ainda nos assombra. Eu não posso dizer que estou surpresa. Acredito que as Guerras Púnicas pareciam a Cartago, quase um jogo. No começo, certamente. Ambas as cidades se estabeleceram, como aranhas, no centro da teia de cidades escravas e Estados dependentes. A primeira guerra começou nos limites de suas teias. Nenhuma cidade foi ameaçada a princípio. Vampiros não foram mortos. Intermediários mortais lutaram a batalha toda, pois nenhum Cainita são faria a perigosa viagem marítima em tempos de guerra aos campos de batalha da Sicília.

Antes de Roma, eu não conheço a história dos Ventrue, mas penso que deva ter sido lúgubre. Alguma tragédia os forçou a conhecer o medo, porque eles se amontoavam juntos todas as noites. Eu não penso que as crianças de Troile, bêbadas pelo sangue fácil, ligavam muito para a Sicília, mas os Ventrue eram obcecados com isso. Eles viam isso como um punhal apontado para o coração de Roma, um acesso aberto pelo qual os perigosos Cartagineses poderiam atacar. Os Ventrue tinham pouco conhecimento direto dos Cartagineses, é claro: Eles apenas ouviram histórias, as quais eu suspeito, teriam sido aumentadas nos contos. Essas histórias afirmavam que haviam exércitos de carniçais formados em Cartago, e que reunidos os Brujah e as crias do Assassino, eram numerosos além da conta. Os Ventrue eram pastores cuidadosos de seu rebanho, e os Toreador sabiam de Micenas, que uma nação com muitos vampiros deveria conquistar ou morrer faminta. De fato, as políticas mortais em Roma refletiam os desejos secretos dos Ventrue, como também dos Toreador e dos fragmentados Malkavianos – os três clãs mais proeminentes na época. O ponto de todos esses detalhes é este: A primeira Guerra Púnica foi uma frivolidade aos Brujah, mas mortalmente séria aos Ventrue. Por isso os Romanos gastaram tanto tempo e atenção em conquistar a Sicília. Os Cartagianos responderam com outra estratégia: Eles foram para o Norte, em direção à Espanha e começaram a abrir seu caminho ao leste, de volta a Roma. Os Brujah podiam estar simplesmente tentando se provar iguais aos Ventrue; independentemente de os Ventrue terem visto a invasão como outra ameaça, e antes dessa eles serem indefesos. Aníbal poderia ter tomado todo o Império Romano, se ele apenas tivesse tropas para segurar o que ele conquistou. É quase cômico – Aníbal venceu cada batalha, mas perdeu a guerra. Humilhados e com medo, os Ventrue despacharam um Cainita para matar o general Cartagiano. O assassino falhou. Mas não foi nenhuma surpresa que o sábio Brujah tenha preparado seus agentes humanos para defendê-lo contra os vampiros. Toda noite, Aníbal dormia entre 4 fogueiras, e ambos os seus guarda-costas carregavam tochas e estacas. Mesmo que os próprios Ventrue tenham mandado o assassino, eles sentiram que a morte de um Cainita elevaria a guerra a outro nível. Incapazes de derrotar Aníbal em seus territórios, Roma contra- atacou diretamente no coração de Cartago e a conquistou. Eles jamais pegaram Aníbal, no entanto. Ele tomou veneno para não encarar a captura por Roma. Ele provavelmente suspeitava que outra forma de suicídio pudesse deixá-lo vulnerável aos odiosos romanos e aos desregrados Ventrue entre eles. O grande mistério, em minha mente, é por que os Romanos não erradicaram Cartago imediatamente depois da Vitória. Teria sido fácil, como foi depois na

Capítulo Um: Os Civilizados

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Terceira Guerra Púnica, mas eles hesitaram antes de salgar a terra arrasada, dando aos Cainitas

Terceira Guerra Púnica, mas eles hesitaram antes de salgar a terra arrasada, dando aos Cainitas Cartagianos tempo de se espalhar e procriar, sonhando pela vingança tardia. Talvez os Ventrue simplesmente tivessem menor influência do que imaginavam.

A Primeira Era de Chamas

C: Uma vez que a ameaça Cartaginiana estava resolvida, o que aconteceu? Como os Ventrue vacilaram? K: Pelo tanto que os Ventrue falam de “controle,” eles realmente tiveram muito pouco. Lembre-se que os vampiros de Roma estavam escondidos, tomando sangue secretamente de escravos ou cultistas. Suas ferramentas eram o laço de sangue e o poder sobre as mentes dos homens, e ambos têm seu preço. Não se pode manter o laço com um número indefinido de carniçais, e a dominação total tende a tornar os homens em uns babões idiotas. Nenhuma delas é uma boa ferramenta de “controle”. Então ao invés de ordenar as coisas, “Só deixe acontecer”. Os Ventrue e os Toreador de Roma operavam através de sugestões. Naturalmente, os Toreador eram melhores nisso que os Ventrue, o que talvez, explique em parte, a decadência de Roma. Eu percebi, no entanto, que em qualquer lugar onde você tenha mais pessoas do que trabalho para elas fazerem, você verá um comportamento bizarro. A despeito disso, os Cainitas daquela época tinham um novo problema: os Cristãos. Inicialmente, os mortos-vivos de Roma não estavam tão preocupados. De fato, a liturgia Cristã mantinha similaridades suspeitas as nossas próprias práticas – “Este é meu sangue, beba e viverá para sempre” e assim por diante. Muitos antigos Toreador e Ventrue pensaram que a Cristandade era um culto a uma personalidade, liderado por um Cainita de um dos outros clãs, ou o produto jocoso dos hábitos alimentares de algum ancião. Os risos não duraram muito. O cristianismo era uma religião oculta, uma conspiração. Assim como eram os vampiros e seus seguidores. Já que ambos operavam em segredo e eventualmente eles entravam em contato. A natureza e ações dos vampiros revoltaram os Cristãos, que os viram como uma perversão bárbara de suas próprias crenças. Eles viram, eles odiaram, e então eles atacaram. Um bando de desajustados e Judeus párias podiam não soar muito como uma ameaça aos poderosos e antigos vampiros de Roma, mas cada ancião que conheci e sobreviveu a Roma falou deles com um terror genuíno. Desde então, ninguém seguiu o filho de Deus sem uma total, e inabalável fé. Além disso, eles pareciam malditamente bem informados

sobre nossas fraquezas. Ouvi rumores de um “Evangelho secreto” que listava as fraquezas dos Cainitas – sim, mesmo as fraquezas que não conhecemos – ensinadas de um cristão para o outro em suas catacumbas. O mais importante, eles não temiam a morte. Eles estavam dispostos a queimar Roma até o chão para purificá-la, o que eles fizeram apenas 60 anos após a morte de seu salvador. Muitos anciões morreram naquele incêndio. Dentre eles, certamente se incluía o grande Hesíodo em pessoa. Os Ventrue imploraram a seu aliado Nero que reprimisse os Cristãos posteriormente, mas era tarde demais. A semente estava plantada e a erva brotaria.

Constantino O Cristão

K: O grande fogo jogou o governo secreto de Roma em um turbilhão, e nenhum Cainita, Ventrue ou Toreador, estava disposto a sentar e deixar que outros tomassem as rédeas do poder. Consequentemente, tais reinos permaneceram desunidos conforme dúzias de mãos sombrias brigavam por eles. Historiadores Cainitas acreditaram que as disputas pelo trono Romano imitaram as batalhas entre facções de Toreador e Ventrue. Eles diziam que Caracalla “pertencia” aos Ventrue e que Heliogabalus era “nosso”, mas eu estou mais inclinado a pensar que vampiros reagiam aos humanos do que o contrário. Pense nisso: Por volta de 300 A.C. houve nove anos onde seis cabeças diferentes fizeram uso da fama de César. Nove anos! Um piscar de olhos para um imortal, mas naquela época Roma foi sacudida pra frente e pra trás, como um osso entre cães brigando por ele. Eventualmente Diocleciano acalmou as coisas e dividiu o império entre si, Maximiniano Augustus, e seus dois grandes generais. Os Cainitas apoiaram essa divisão, ou a menos, se adaptaram. Afinal, quando um império reina sobre tudo, apenas um Cainita pode ser supremo. Mais reinos significam mais oportunidades. Infelizmente, toda essa luta interna deixou os Cainitas de Roma despreparados para Constantino. A maioria dos Toreador reconheceu o poder de uma idéia sedutora e estavam, portanto mais irritados (ou mais temerosos) com os Cristãos. Foram os Toreador, eu penso, que insistiram para que Diocleciano os atacasse, apesar de ter sido necessária certa persuasão. Os Ventrue estavam mais preocupados com poder político e militar, mas não conseguiam descobrir qual general eventualmente se tornaria o novo César. Se ambos os clãs tivessem percebido antecipadamente que Constantino se converteria na promessa de sua maior vitória militar, eles teriam certamente se unido em oposição contra ele. Mas não sabiam; os Toreador estavam despreparados para suas ações militares, os Ventrue não estavam prontos para a nova investida através dos devotos cristãos.

Livro de Clã: Toreador

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Se as lendas da lâmpada de Constantino eram verdadeiras, essa união dos clãs não teria

Se as lendas da lâmpada de Constantino eram verdadeiras, essa união dos clãs não teria de forma alguma importado, e qualquer tentativa de resisti-lo teria sido um fútil desperdício de força.

C: Lâmpada de Constantino? Isso soa familiar Acredito que li um fragmento dos escritos secretos de Hainault que se referiam a tal coisa, mas a história toda foi perdida. K: Eu jamais vi a lâmpada de Constantino. De fato, se as histórias de seu poder forem verdadeiras, nenhum Cainita poderia sobreviver para contar. Você conhece a história da visão de Constantino de Cristo e o sol, certo? “Sob este sinal, você irá conquistar” Uma história apócrifa alega que Cristo deu

a Constantino um pedaço do Sol como recompensa de

sua conversão. Esse objeto foi colocado numa lâmpada dourada e mantido na câmara de Constantino durante

a noite. Ardia sem cessar sem óleo ou cera, mas esse era

o menor de seus poderes. A lâmpada de Constantino era como luz do sol em cada detalhe, mesmo em seu poder escaldante em destruir a carne dos Cainitas.

Além disso, sua mera presença poderia causar aos Cainitas uma propensão a cair em sono, assim como acontece antes do amanhecer verdadeiro. C: Você acha que este item realmente existiu? K: Eu não posso dizer ao certo. Mas posso pensar em inúmeras histórias antigas que fazem mais sentido se alguém acreditar que a lâmpada estava presente.

Bárbaros nos Portões

K: A vantagem que os cainitas Toreador, Ventrue

e Malkavianos tinham era nosso interesse em Roma.

Como o centro do império, os vampiros sentiram que certamente qualquer imperador que chegasse poderia, em tempo, sutilmente vir a favorecer políticas que beneficiariam a raça de Caim. Talvez algum rival pudesse ser o conquistador ou conselheiro, mas de forma alguma o império poderia ser estruturado ao gosto das crianças de Caim. É por isso que a fundação da nova Roma em Bizâncio foi um choque tão grande. Agora os Cainitas de Roma não tinham mais a presença do Imperador para protegê-los. As coisas pareciam sinistras de fato. Rumores já abundavam que os Visigodos, Vândalos e Suebi tinham vampiros entre eles – incluindo Brujah ardentes em vingar Cartago, e Gangrel ressentidos da grandeza de Roma. Alguns dos Cainitas romanos permaneceram na cidade, confiando que suas estabelecidas famílias de servos e seus antigos conhecimentos os protegeriam, não importando qual mortal exercesse o título de César naquele mês. Outros, geralmente os com menos a perder, fugiram para as montanhas e se juntaram aos bárbaros. A terceira opção atraiu a maioria dos Toreador: fugir para Bizâncio. Era uma divisão crítica para os Toreador. Theóphano, meu senhor, ficou em Roma com sua prole, enquanto Menippus fugiu para o leste com sua prole e com as de Hesíodo também. A comunicação floresceu entre os ramos ocidentais e orientais da

“família” Toreador, mas quanto mais Roma decaía, a comunicação tornava-se mais irregular, Até que praticamente cessou por completo por vários séculos. Agora sabemos que Menippus e sua prole conseguiram chegar a Bizâncio. Era um grande risco, claro. Não apenas a jornada era perigosa (especialmente para os na nossa espécie) como no fim eles chegaram a uma cidade comandada por cristãos. Meu palpite é que menos da metade dos Cainitas que fizeram a peregrinação sobreviveram. Aqueles que conseguiram foram recompensados. No entanto, poucos vampiros ousaram operar sob os narizes dos Cristãos bizantinos. Aqueles que o fizeram se adaptaram a nova igreja. Onde os antigos cristãos que queimaram Roma eram fanáticos com nada a perder, os de nova Roma tinham muito a proteger e vidas que valiam a pena viver. Qualquer vampiro que se alimentasse discretamente poderia viver em luxo na Nova Roma. Os Toreador que ficaram para trás em Roma eram, talvez, os primeiros a dar ao nosso clã sua reputação de pacifista. Afinal, o nome de Roma importava pouco a eles. Estavam preocupados com sua magnificência e poucos ligavam que um rei mortal transitório ligaria seu efêmero nome a ela. Alarico o visigodo? Odoacer, o Heruliano? Não importava quem governasse no papel. Cada governante ansiava não apenas pelo poder de Roma, mas por sua grandeza, e ainda, sua beleza. Com seu desejo pela beleza veio a oportunidade para os Toreador.

A Idade das Trevas

K: A queda de Roma foi um golpe mutilante aos Toreador, aos Ventrue, e - mais importante – à civilização humana. Não importa o que os Lasombra possam alegar, eles estavam com os Gangrel, os Brujah e os Tzimisce, aliados com as hordas de bárbaros iletrados, que fediam a merda e a carne de cavalo, invejosamente atacando um grande império que eles próprios jamais teriam sido capazes de construir. Com cada conquista, mais os Ventrue morriam, e com eles, o poder de Roma. Sabe, os Ventrue tinham a verdadeira perspicácia. Eles eram os Cainitas que entenderam que a grandeza de Roma não estava nos monumentos ou na força dos exércitos, mas nas estradas, nos campos e na moeda. Para os outros clãs, até mesmo o nosso, isso era incompreensível. Essas coisas eram como o centro de uma tapeçaria, as amarras invisíveis que seguravam a bela superfície. Entre os vampiros, apenas os Ventrue entenderam isso. Pilhadores e pretensos conquistadores destruíram as estradas. Destruíram os aquedutos e queimaram os campos em seus cercos, nunca entendendo que eles estavam arruinando o que roubaram. E eles se perguntavam por que seus deploráveis “reinos” de origem degeneraram para esquálidas, aldeias insulares de ignorantes, simplórios e ignóbeis.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Com os bárbaros triunfantes e os Ventrue em desordem, coube aos Toreador preservar o que

Com os bárbaros triunfantes e os Ventrue em desordem, coube aos Toreador preservar o que nós podíamos do conhecimento romano. Os Toreador orientais em Bizâncio fizeram um trabalho decente em manter a ideia viva de um império real. Talvez Justiniano tenha tido seus conselhos em suas conquistas, talvez não. É bom pensar que sim, eu suponho. Independente disso, em Bizâncio, as lições de Roma eram verdadeiramente valorizadas, ao menos por um tempo. Na Europa, o melhor que eles puderam fazer foi preservá-los e esperar por uma era mais sábia. A maior parte dessa preservação, acidentalmente, aconteceu debaixo do nariz da Igreja Católica. Muitos monastérios hospedaram os Toreador – alguns deles até mesmo estavam de livre e espontânea vontade. Afinal, um homem de Deus é apenas um homem sob o manto, e o que é um pouco de sangue em troca do encanto imortal? Meu próprio senhor, Theóphano, esteve por mais de uma centena de anos num monastério franciscano, dizendo a cada abade o que ele queira ouvir. Para uns, ela era um Anjo do Senhor, enviado para inspirá-los com o conhecimento dos gregos para eles pudessem então preservar a antiga sabedoria. Para outros, era um Íncubus a quem de bom grado vendia sangue, alma e obediência em retorno pelo “conhecimento secreto” e os prazeres da carne. Que jogo! Enquanto as estradas de Roma ruíam, a comunicação entre terras estrangeiras tornou-se gradualmente rara. Os maiores viajantes Cainitas eram os Gangrel e os Ravnos, é claro, capazes de cobrir grandes distâncias na forma de uma besta, mas eles tinham pouco interesse em carregar mensagens entre os Toreador de Bizâncio e da Europa. A maioria dos Toreador europeus assumiram o pior – que eles eram os últimos de sua linhagem. Mesmo aqueles que sabiam que alguns de nós chegaram até Bizâncio e sobreviveram, se preocuparam quando os Mouros começaram suas conquistas. Como os cristãos antes deles, os invasores seguiam uma nova religião, radiantes de fé: eles não tinham medo da morte. Em retrospectiva, teria sido provavelmente melhor se os muçulmanos tivessem conquistado a Europa. Pelo menos eles entendiam o valor da Astronomia e da Matemática! Mas não era pra ser. Sua conquista terminou em 732 quando foram derrotados na França. Mas não foram expulsos da Espanha por mais de 700 anos.

C: O quanto os Assamitas estavam envolvidos com a invasão moura? K: Quem pode dizer? Que eu saiba, nunca cheguei nem a ver um dos exaltados Filhos de Assam. Eu não ficaria surpreso se eles estivessem presentes, mas se estiveram, montaram nos Sarracenos como carrapatos, não como cavaleiros. Eles podem ter acompanhado, mas penso que não poderiam ter dirigido à invasão. Por outro lado, conheci um estudioso Brujah que jurava que os Assamitas influenciaram os Sarracenos a poupar Constantinopla.

Os Toreador de Constantinopla ofereceram conhecimento grego e romano aos Assamitas. Em retorno, as crianças de Haquim fizeram que com que os Mouros poupassem Bizâncio, ou pelo menos assim eles disseram. Eu acho essa teoria um pouco duvidosa. Em primeiro lugar, os Muçulmanos estavam mais interessados em conquistar a cristandade do que aprender com ela: Como exemplo há sua tomada de áreas vastas de terra de Bizâncio na Arábia e na África. Segundo, Constantinopla era a maior cidade de seu tempo, e um desafio assombroso a qualquer invasor. Terceiro, os Assamitas – mesmo que tivessem habilidades em deter os mouros – ligariam menos para o conhecimento Toreador do que pela chance de saquear sua vitae. Lembre-se que Menippus estava supostamente em Constantinopla naquela época: Que tesouro da cultura grega podia se comparar, em suas mentes, com o sangue da quinta geração? Não havia dúvida de que os sarracenos adquiriram muito conhecimento do mundo antigo, mas eu duvido que tenha vindo por meios Cainitas, a não ser indiretamente. Quando os Mouros conquistavam uma cidade, liam os livros em sua biblioteca ao invés de queimá-los. Alexandria foi uma terrível exceção a uma, de outro modo, iluminada regra.

Europa Feudal

K: Enquanto os sarracenos cercavam Bizâncio, a Europa estava começando a se recuperar. Os Ventrue, chutados para a sujeira durante as noites de Alaric, finalmente se recuperaram (no entanto, devido a sua típica maneira de prosseguir, levaram três séculos para isso). Eles esperavam que tivessem encontrado um sucessor aos romanos nos Francos; com Carlos Magno, parece que de fato encontraram. Os Lasombra, sempre rápidos em sagacidade, fizeram uma oferta aos Ventrue: aceitar uma “parceria” e ter seu apoio, ou irem sozinhos e assistir os Lasombra se unirem aos outros clãs contra eles. Os Ventrue, não sendo bobos, aceitaram a oferta, e os Toreador, que também não eram bobos, ofereceram os frutos do conhecimento Grego e romano em troca pelo seu lugar na nova ordem. Funcionou muito bem para todos na Europa, exceto para os Brujah, Gangrel e Tzimisce. Esses três clãs se uniram numa tentativa de destituir os Francos, mas foi completamente inútil. Seus campeões escolhidos, os Vikings, eram terrores nas batalhas com certeza, mas eram bárbaros. Tudo o que podiam fazer era pilhar e destruir: Eles não podiam realmente conquistar. Os Tzimisce conseguiram algo melhor nessa frente de batalha, possivelmente porque se focaram numa invasão de terra onde os Cainitas tinham melhores oportunidades de inspecionar as coisas em primeira mão. Eles eventualmente influenciaram uma robusta tribo sueca chamada “russos”, a partir e formar Kyyiv, a qual serviu de fortaleza aos Tzimisce por muitos anos.

Livro de Clã: Toreador

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Os Brujah e Gangrel tiveram desavenças, como sempre acontecerá quando há dois líderes e nenhum

Os Brujah e Gangrel tiveram desavenças, como sempre acontecerá quando há dois líderes e nenhum seguidor. Os vikings eventualmente se cansaram da vida de guerra e se converteram a Cristandade. C: Os Toreador tiveram alguma coisa a ver com

isso?

K: Pode ter certeza que tivemos: Theophano descreveu a conversão dos Vikings em termos muito pessoais. Não que não fosse terrivelmente difícil. Afinal a religião deles clamava que o mundo todo estava destinado a ser consumido em fogo e danação, e nenhuma alma humana seria poupada. A cristandade tinha um apocalipse similar, mas no fim todas as boas pessoas teriam uma amável nova Jerusalém por toda a eternidade. Para você pode parecer a escolha entre duas igualmente simplórias fábulas, mas os cristãos tinham a riqueza da beleza – música, arquitetura e pinturas – do tipo que os Vikings jamais haviam visto. Em face a isso, eu não fico surpresa que eles acreditassem que os cristãos tinham um vislumbre do verdadeiro caminho do paraíso.

Amigos Inesperados

K: Interessante, não? Inicialmente, a igreja cristã era a mais atroz ameaça encarada pela nossa raça sanguinária. Mas um milênio é um longo tempo, mesmo para alguém como nós, e nessa lacuna a Igreja passou de uma ameaça absoluta a um refúgio perigoso aos ousados ou desesperados. Com o passar dos anos, se tornou mais um refúgio, até que foi a melhor ferramenta que os Toreador possuíam para a criação, preservação e propagação de todas as coisas valiosas. Agora atingimos o ponto da nossa história em que posso narrar por mim mesma, pois eu adentrei na Falsa Vida no ano de Nosso Senhor de 1150. Aquela era uma época excelente para ser uma bela vampira na Europa. Os sarracenos haviam fechado a Terra Santa aos peregrinos Cristãos, e a Igreja estava determinada a dar o troco na base da força. As cruzadas transformaram os meninos em homens, homens em heróis, heróis em cadáveres. Membros de todos os tipos eram levados ao conflito e para o sangue fácil que ele prometia. A maioria eram Ventrue e Brujah, muitos deles verdadeiramente querendo se desculpar com Cristo pela afronta de sua existência colocada em seu reino. Malkavianos eram levados pelo caos geral, no qual sua própria loucura pareceria apenas mais uma gota em um oceano tempestuoso. Assamitas, Setitas e até mesmo alguns Gangrel e Ravnos acabaram se encontrando do lado dos mouros. Outros, oportunistas de todos os clãs, foram motivados por ganância, gula, ou até mesmo curiosidade. Afinal, os romances da busca do Graal eram contados por toda a Europa durante o dia, e durante a noite, um outro conjunto de lendas do Graal eram contados a uma audiência mais seleta. C: Eu ouvi algumas canções Toreador sobre o Graal. K: Então você conhece a lenda mais sedutora:

Que os ferimentos curados pela taça de Cristo não são apenas ferimentos do corpo. Muitos Brujah, Malkavianos e até mesmo Nosferatu acreditavam que um gole do Graal poderia apagar a mancha do demônio de suas almas, restaurando sua humanidade e os permitindo andar ao sol novamente. Outros contos tinham histórias similares, mas com a advertência de que a misericórdia do Graal vinha a um grande preço. De acordo com essas fontes, um vampiro poderia ser libertado dos laços de Caim, mas ao preço da verdadeira morte. A única misericórdia estendida aos Filhos de Caim era a misericórdia de morrer como um mortal, não como um monstro morto vivo. Talvez as histórias fossem verdadeiras. Quem sabe? Talvez a lâmpada de Aladim era na verdade o pedaço do Sol de Constantino – ouvi essa afirmação feita por estudantes do conhecimento sarraceno. Não

há como saber. Isso é tudo o que eu posso dizer: Muitos Cainitas se comprometeram na busca pelo Graal. Poucos deles jamais foram vistos novamente. Por mim, eu não tinha desejo de retornar a vida mortal. Alguns anos a mais de luz do sol me parecia uma troca idiota por uma eternidade de noites.

E que noites! Os homens mais sábios da igreja

perceberam que a ameaça de monstros sobrenaturais

apenas estabelecia sua autoridade, e eles tacitamente nos permitiram seguir nosso caminho.

A Igreja, armada até os dentes, com os Cruzados,

não tinham de se preocupar com monstros solitários:

Era muito trabalho tempestuar Jerusalém. Isso e se separar da Igreja Ortodoxa. Com as cruzadas dando a Europa algum semblante de unidade, o comércio podia finalmente começar entre as nações. Estradas eram reconstruídas, a moeda se tornou de uso comum, a Igreja facilitou suas restrições a bancos, e o esplendor de Roma não foi apenas igualado – em alguns lugares foi superado! Eu me refiro, é claro, às maiores realizações daquela era: As catedrais. A Notre Dame ainda existe em Paris?

C: Sim, ainda existe. K: Então certamente Cristo está feliz com meu esforço. Talvez eu esteja sendo vã, mas eu tenho um pouco de orgulho de Notre Dame. Não foi minha ideia ou plano, mas eu a vi crescer e a guardei em todas as maneiras que pude. Mortais podem costurar, ou cantar ou rebocar, mas construir catedrais é uma arte para aqueles com mais tempo que os insignificantes anos da vida de um homem. Foi naquela época, em Paris. De todas as cidades do mundo, Paris era certamente a rainha. Mesmo com sua população lotada, havia tantos Cainitas que muitos dos caçadores ignorantes eram estacados por rivais ansiosos e por mortais amedrontados. A universidade atraiu Capadócios e os Tremere foram atraídos como moscas até a merda, enquanto as cortes da Dinastia Capetíngia atraíram os clãs mais refinados. Parecia que cada vampiro que não estivesse nas Cruzadas, estava em Paris.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Pode imaginar? Eu me lembro de uma taverna onde uma Cainita com o dom da

Pode imaginar? Eu me lembro de uma taverna onde uma Cainita com o dom da beleza podia ter sua escolha de qualquer, ou de todos, ou de uma dúzia de marinheiros – homens calorosos, de volta do mar, bem conscientes do êxtase do Beijo e ansiosos em dividirem sua vitae. As pessoas sabiam. Eles sabiam e não ligavam. Se alimentar era fácil, a menos que você fosse um Nosferatu ou um Gangrel ou algum parecido de tal sorte indesejável. Era uma época gloriosa para nós. Mas é claro, não podia durar.

Dezembro Cara 22 de Rebecca Como prometido, noite passada eu levei Katherine para vez em
Dezembro
Cara
22 de Rebecca
Como
prometido, noite passada eu levei Katherine para
vez em
Paris pela primeira
quase quatro
séculos. Seu
mesmo que um
domínio de francês
ocasional anacronismo
e inglês é passável,
às vezes escape
entre profanidades
mais modernas que ela dominou bem. Ela ainda não usa
nenhum tecido sintético, apenas
lã, seda ou algodão e ainda
disse para ela
considera horrível usar calças, mas quando eu finalmente
se tornou uma
usar sutiã ela rapidamente
adepta. Seu
a
gosto pela beleza não mudou. Quando eu a levei
Notre Dame para um concerto noturno
do coral ela ficou
Lágrimas de
muda pela primeira
sangue escorreram
vez desde sua ressurreição.
por sua face, e ela nem
mesmo notou
quando eu as
limpei. (Felizmente
ninguém mais estava por
perto para notar).
nas ruas
Ela entrou em transe novamente
contemplando em exaltação nas vitrines de luzes de Natal.
quebrou quando um táxi passou em alta
Esse transe apenas
velocidade. Isso a assustou tão terrivelmente
que ela exibiu
ponto de ele
suas presas e chiou,
o que assustou o motorista a
Suponho que seja sorte que
bater na parede de um edifício.
se ele tivesse morrido
ele tenha morrido. Não me surpreenderia
de medo.
Para terminar
Tenho que admitir,
a noite, eu a
levei ao Gaston's
club.
eu
esperava mostrar a
ela algo que fosse
humilhá-la, e pensei que um Rivethead cheio de piercings,
dançando violentamente às 4
da
manhã faria
isso.
Para minha
surpresa, ela pulou na dança sem hesitação.
Quando eu falei mais
a resposta dela
tarde sobre a dança,
me deixou ainda mais perturbada. Ela
disse que as pessoas
costumavam dançar assim durante os Anos da Peste,
dançando até a loucura frente ao fato da
morte inexorável
e
de um Deus furioso.
Ela chamou
de Danse Macabre.
Carmelita

A Segunda Era de Chamas

K: Talvez eu deveria ter desconfiado quando Constantinopla foi saqueada. Não pelos malditos sarracenos, mas pelos cristãos. Cansados de lutar com os Mouros no sol quente, eles se voltaram contra a Igreja Ortodoxa e massacraram sua própria espécie em um acerto de ganância e frustração. Quando a força

das Cruzadas se evaporou, a Igreja viu sua autoridade questionada. As discórdias entre papas apenas

agravaram o problema – e não importa o que os Lasombra, Ventrue e Brujah gostam de falar, nenhum dos inúmeros papas ou anti-papas daquela época estava “sob o nosso controle.” A Igreja se tornou inflada e sim, cada cinco em dez homens da igreja eram infames sem

com sua coragem fortemente ligada em qualquer tolo

o

suficiente para mostrar uma moeda na frente deles

Mas ainda havia aqueles cuja fé era forte. Esses podiam transformar até mesmo um vampiro ancião numa criança choramingando com nada além de um crucifixo e um Pater Noster. Mas a grosso modo, o poder temporal parecia incompatível com o poder da fé. Os sacerdotes em cruzadas estavam por perto, e eles eram um perigo para nós, mas naquela época eles eram isolados e desorganizados. Eram obstáculos remotos, não uma grande ameaça. Ao menos, foi o que pensaram aqueles de nós que conheciam a Igreja apenas como refúgio para o conhecimento, e o poder da hipocrisia, aqueles que não haviam visto Roma queimar ou sentido o açoite da voz de um santo. Assim foi como a Inquisição começou. No início

parecia inofensiva. A Igreja queria desentocar os hereges? Por que não? Parecia um grande estratagema com o qual redirecionar os realmente iluminados, os sacerdotes que eram uma ameaça real a Cainitas específicos. Você ouviu o rumor de que a Inquisição original de 1200 foi enredada pelos Toreador para solidificar nosso poder na Igreja? Bem, se você deixar espalhar fora do clã que é verdade, eu mesma vou secá-la até a morte – mas é verdade. E nos primeiros 200 anos funcionou, exatamente como queríamos. Talvez os Ventrue soubessem mais do nosso poder na Igreja do que nós presumíamos, talvez as Cruzadas os azedaram com a autoridade papal, ou talvez eles simplesmente deram sorte. De qualquer modo, muitos Ventrue em retorno escolheram ir para a Bretanha ao invés de retornar a suas antigas posições na França. Dada a dominação francesa sobre a cultura inglesa na época, não foi difícil para eles se adequarem, e as leis inglesas de congelamento de propriedades e Provisões mantiveram o alcance da igreja mais frouxo do que era

no Continente. Como os Ventrue deixaram a França indo para a Inglaterra, os Toreador disputaram entre si para preencher a vaga (junto com um número de odiosos Lasombra e os abomináveis Tremere). Um acordo tácito foi firmado de que a França “pertencia” aos Toreador, em retorno por ceder influência na Bretanha aos Ventrue. Esse acordo pareceu palatável aos dois clãs envolvidos, que não viram razões para complicar o assunto ao envolver mais alguém. A era das Navegações estava surgindo, e era uma época emocionante. Marco Polo conseguiu viajar pela Ásia, até mesmo pela corte do grande mongol Gengis Khan em pessoa. Muitos Lasombra e Ventrue, ávidos por encontrar novas terras para pilhar e infestar, foram

Livro de Clã: Toreador

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para o oriente e jamais foram vistos novamente, exceto por Cainitas como o Lasombra Espanhol

para o oriente e jamais foram vistos novamente, exceto por Cainitas como o Lasombra Espanhol que atendia pelo nome de “Praetor”. Ele conseguiu voltar do Oriente depois de enganar um grupo de rústicos das estepes a pensarem que ele era um espírito ancestral imortal porque ele não tinha reflexo. Ele retornou com muitos pedaços de seu corpo e a maior parte de sua mente faltando, louco como Malkav, balbuciando sobre cabeças voadoras e os dentes de esqueletos de jade. Mas onde vampiros temiam trilhar, caravanas de mortais começaram a engatinhar. O comércio com o Oriente enriqueceu as cidades da Itália, e isso por sua vez abalou a ordem que os Ventrue, Lasombra e Toreador tentavam construir ha séculos. Os três clãs disputavam as posições mais seguras no Sagrado Império Romano, mas ao mesmo tempo tentavam se manter livres de se intromissão dos outros clãs, especialmente os malditos Tremere. Os Usurpadores haviam prometido sua ajuda aos inimigos do império, esperando que a distração prevenisse atenção não desejada dos três maiores clãs. Eles teriam sido uma ameaça pequena caso os Lasombra não tivessem tomado uma decisão baseada numa combinação perfeita de arrogância e estupidez: A decisão de trair o império que eles não poderiam dominar. Os Lasombra começaram ajudar os Guelphs na Itália, um grupo que queria abandonar o Sagrado Império Romano. Acredito que sua decisão foi incitada em parte pela inveja. Os Ventrue e Toreador no império tinham bom relacionamento. (Tão bom, de fato, que quando os Ventrue Britânicos mais tarde enfrentaram os Toreador Franceses na Guerra dos 100 anos, um bom número de Toreador Imperiais ajudaram os Ventrue contra os seus, mas eu volto a isso no momento certo). Com o Império, os Toreador e os Ventrue combinados, facilmente podiam superar os Lasombra. Os Lasombra no entanto, tinham grandes esperanças para o Oriente. Eles não apenas viram as rotas de comércio como uma fonte de grande riqueza (e com isso, obterem o resultante poder) mas eles pensaram, em sua arrogância, que eles poderiam de algum modo enganar ou escravizar as criaturas Cataios que tão brutalmente trataram seu explorador Praetor. Para perseguir essa nítida vantagem, muitos deles rumaram ao sul pra a Itália e lá se juntaram aos Tremere em seu apoio aos Guelphs. Como resposta, os Toreador e os Ventrue deram sua atenção e assistência aos leais Guibelinos, com resultados sangrentos previsíveis. Enquanto isso acontecia, os Lasombra puseram seu plano de contatar os Cataios em ação. Um número de poderosos Lasombra foram enviados para o Leste numa tentativa de fazer acordos, mas os resultados foram universalmente ruins. Ouvi contos de que as cabeças dos embaixadores Lasombra foram enviadas em caixas laqueadas, habilmente esculpidas, cada cabeça colocada em caixas laqueadas habilmente confeccionadas, mas ainda capaz de gritar.

Naquela época, eu ainda estava em Paris, eu

pouco ligava para política até que um exilado italiano chamado Dante Alighieri chegou à minha cidade em 1307. Um homem com tremendo aprendizado e potencial, ele percebeu sua tolice em ajudar os Guelphs, então eu dei a ele minha proteção. Tenho orgulho em dizer que fui eu quem o persuadiu a recusar a humilhante oferta de “clemência” que o teria feito voltar para casa como um criminoso envergonhado. Insisti que ele era digno de honra, não de menosprezo. Como consequência, ele continuou longe de Florença – e assim, da morte muito provável nas mãos dos Guelphs Negros ou Brancos. No momento que os Lasombra perceberam que sua aposta nos Cataios era infrutífera, os Tremere já haviam abandonado seu esforço mútuo. Acredito que os Lasombra e os Tremere tinham originalmente a intenção de usar a Igreja como proteção contra o Sagrado Império Romano, mas os Tremere acreditaram que era muito mais provável que eles sofressem muito mais do que os Lasombra com o poder papal na Itália. Então, os Tremere recuaram aos Guelphs Brancos, e foram prontamente derrotados pelos Guelphs Negros dos Lasombra, cumprindo a sua própria profecia de perseguição pelas mãos da Igreja. Eu suspeito que o século do qual eu falo tem paralelos com a antiga guerra de Roma contra Cartago. Apenas agora, séculos depois, eu posso perceber isso C: O que você quer dizer? K: A primeira guerra púnica foi algo como um jogo – jogado através de peões mortais, foi quase gentil. Ao menos, isso foi como pareceu aos Brujah, e talvez também aos Ventrue – até que eles perderam. A perda gerou medo e vergonha, e raiva porque a guerra que se seguiu foi travada sem honra ou piedade. As perdas Cainitas eram demais para tais ideais. O conflito Italiano custou a não-vida de muitos Cainitas. Então veio a Guerra dos Cem Anos. Itália ao menos foi astuta. Devido talvez à mão dos antigos nisso? Eles nos deram nossos próprios conflitos para inflamar nossas paixões e se esquecerem de suas próprias, metas sangrentas? C: Você acredita que a Guerra dos Cem anos foi trabalho dos Antediluvianos? K: Talvez a guerra fosse só um meio para um fim. Talvez a meta da guerra fosse enfraquecer toda a nossa espécie. C: E conseguiu? K: Não há dúvidas. A guerra sozinha resultou na Morte Final de muitos de nossos irmãos, mas a guerra foi apenas à precursora do verdadeiro horror: Morte Negra. Para cada Cainita que pereceu nos combates, uma dúzia morria em consequência da caça desesperada. Eu mesma tinha um amigo próximo, Aubric, que havia construído para si um refúgio confortável em uma aldeia ao sul de Paris. Ele tinha o poder do esquecimento de Lethe: suas vítimas jamais suspeitavam. Como um pastor cuidadoso, ele cuidava da vila, tomava dos fortes o suficiente para aguentar e

Capítulo Um: Os Civilizados

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poupava os que eram fracos. Então a peste chegou, e em menos de um mês

poupava os que eram fracos. Então a peste chegou, e em menos de um mês metade de seu rebanho morreu e um outro quarto estava morrendo. Ele não podia se alimentar dos doentes, por medo de contaminar os saudáveis, mas isso acabou enfraquecendo tanto os poucos que resistiram à praga, que eles geralmente morriam no dia seguinte. Ele tentou escapar, mas nenhum cavalo o carregaria por medo. Outros assentamentos montaram guarda contra refugiados das cidades infectadas, e não havia lugar de descanso para uma fuga na distância de uma única noite. Por fim, Aubric chacinou os habitantes remanescentes, usando seu sangue para força e velocidade, e disparou para Paris. A aurora o pegou quando ele já podia ver a cidade no horizonte. Tais histórias foram igualadas ou superadas por outras perdas. Alguns mortais nos culparam pela doença, e de fato alguns de nós carregávamos os humores negros de vítima para vítima. Esses mortais – sabendo o suficiente para serem perigosos mas não o suficiente para serem inteligentes – mandaram muitos vampiros para a Morte Final, geralmente queimado-os nas piras dos mortos pela peste. Em todo lugar, a proeminência Cainita escorregou. Eu culpo a disputa entre os Toreador Franceses e os Ventrue Ingleses. Nós tínhamos iludido a maldição de Uriel por séculos nos aliando contra inimigos comuns, mas uma vez que os Lasombra fizeram seu erro crítico na Itália, e uma vez que a peste tornou a não-vida infernal para nômades como os Gangrel, a maior ameaça que cada clã via, eram os outros clãs. Talvez eu seja muito dura com ambos os clãs. Era um século de caos e decadência. Pela primeira vez em eras os camponeses começaram a atacar em seu benefício, mesmo sem serem incitados pelos não- mortos (mortos vivos) agitadores das massas. O avanço rápido Cossako para a Sibéria pegou todos de surpresa, assim como a Jacquerie na França. O Sacro Império Romano foi reduzido a uma concha de sua antiga glória, governados por homens que se importavam mais em serem reis germânicos do que imperadores. Mas, de minha parte, o que eu vi foi a traição Ventrue, lutando pela riqueza da Gascônia. Talvez tenhamos cometido o erro comum de acreditar na ostentação dos Ventrue. Eles prometeram devolver a Gascônia à França em retorno a nossa ajuda contra os Escoceses – ajuda que levou William Wallace pra fora da França e em direção a sua decapitação em Londres. Mas os Ingleses se recusaram devolver a Gascônia aos Franceses, o que nós, em nosso orgulho, assumimos significar que os Ventrue se recusaram a devolvê-la aos Toreador. Dado ao que eu aprendi mais tarde da guerra interna na Inglaterra, eu não ficaria surpresa em saber que os Ventrue tentaram persuadir o Rei Britânico a ceder a Gascônia e simplesmente falharam.

Primeiramente, a Guerra dos Cem Anos acabou negativamente para nós (e para a França), devido novamente a incomparável organização Ventrue.

Mas, mais uma vez a história se repetiu. Assim como em Roma, os Ventrue cresceram e ficaram muito poderosos, colocando os outros clãs contra eles; a ameaça de uma Inglaterra Ventrue uniu os outros clãs em oposição. Os Tremere apoiaram seu homem Owen Glendower, mas o mais importante, os Brujah espanhóis acolheram a vingança contra os imperdoáveis Ventrue. Com a ajuda de armas e navios espanhóis, os Ingleses foram levados de volta às poucas fortalezas costeiras. Lidar com os Ventrue e Lasombra era como estar entre um urso e uma serpente. Se virar para fazer acordo com um, e o outro te derrubaria pelas costas. Cada ator cumpriu seu papel: Os Brujah eram soldados sem par. Os Ventrue eram generais sem igual. Os Lasombra eram traiçoeiros, atraiçoando incomparavelmente. Em qualquer lugar na Inglaterra ou França onde se pudesse achar um invejoso, homem nobre desonrado com uma lascívia pelo poder, os Lasombra estavam lá para alimentar essa ganância. Suas maquinações, assassinatos e intrigas – sem falar da Peste! – deixaram ambos os países mal equipados para lutar a guerra. Os Ventrue se recuperaram primeiro. Então veio Agincourt. Você precisa entender o que aconteceu em Agincourt. Não foi meramente uma brutal, inacreditável derrota de uma força vastamente superior por um bando de britânicos que estavam tentando fugir. Foi mais do que uma humilhação. Agincourt foi à morte da cavalaria. Foi a última batalha onde os homens lutaram por glória e honra. Foi o grande triunfo da utilidade e pragmatismo e a eficiente manipulação da morte. Para mim, o último verdadeiro cavaleiro morreu em Agincourt. C: Então, como os Ventrue foram expulsos da França? K: Os Ingleses, não os Ventrue. Nunca acredite nem por um momento que qualquer Cainita dite política através de fantoches obedientes. Essa crença fraudulenta dá ao mentiroso mais poder sobre você do que ele teria se isso fosse verdade. Os Ventrue viram potencial na Inglaterra. Eles a nutriram e ficaram ricos e gordos. Mas os Ventrue, como os Lasombra e Brujah e até mesmo nós, não são nada além de parasitas. Qualquer glória que temos é refletida de nossos aliados mortais. Se parece diferente, é apenas uma ilusão criada pela nossa vaidade e idade. C: Muito bem. Como os ingleses foram expulsos? K: Mesmo que eu queria tomar crédito por Joana D'arc, eu não posso. Ela veio de lugar nenhum, e nenhum Cainita poderia chegar a uma légua dela sem ser golpeado com o terror cego de um Cristo em fúria. Ela nos deu tempo de reavaliar séculos de crença em guerra de cavalaria, mas no fim, foram os franceses que perceberam que a solução eram canhões e pólvora. Nossa maior contribuição foi essa: Tendo aprendido uma dura lição em Agincourt, nós não ficamos no

Livro de Clã: Toreador

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caminho de um matador eficiente. Pessoalmente, eu deixei Paris antes que os Ingleses a tomassem.

caminho de um matador eficiente. Pessoalmente, eu deixei Paris antes que os Ingleses

a tomassem. Refugiei-me na Alemanha, que era um

lugar fascinante para se estar na época quando éter estava se tornando cada vez mais disponível e livros impressos em blocos estavam dando origem a prensas móveis. Enquanto a produção e a propagação de conhecimento estava acontecendo no leste, no entanto, medo e fúria estavam crescendo no oeste. Eu falo, é claro, da Segunda época de incêndio: A Inquisição Espanhola. Como eu mencionei antes, com terrível perigo, a Inquisição foi inicialmente encorajada pelos Toreador

como ferramenta de distração para os fervorosos, os de

fé que eram perigosos. Se a sua devoção acontecia de se

voltar contra um desagradável Nosferatu, um Malkaviano descuidado, ou um Tremere desdenhoso de vez em quando – bem, quem ligava? Mas, a grosso modo, quando a Inquisição foi mantida no calcanhar da Igreja, se tornou agradavelmente ineficiente em seu propósito estabelecido de expor os hereges, e extremamente eficiente em seu propósito secreto de confundir os fanáticos. Então, os Lasombra e os Ventrue Ulfila puseram suas mãos na Espanha e conspiraram para que a Inquisição lá respondesse ao rei e rainha, não aos mansos homens de Deus. Desse modo, se tornou uma ferramenta de poder político, disfarçado em autoridade eclesiástica. Ninguém iria questionar a imparcialidade dos homens de manto, especialmente quando seu trabalho era definido como punir aqueles que questionavam a Igreja. Um bom negócio, aquele. Foi um destes casos comuns onde os interesses de um soberano e os interesses de uma facção Cainita coincidem. Ambos os governantes espanhóis e os Lasombra estavam preocupados com a presença de judeus na Espanha, especialmente aqueles que haviam falsamente se convertido ao cristianismo. Os espanhóis não gostavam da usura judia, e os Lasombra temiam (com bons motivos) de uma prática mística judia chamada Cabala. Os Lasombra tiveram o que queriam: os judeus foram exilados da Espanha. Mas o preço por seu desejo foi muito alto. Veja só, seu único erro foi Torquemada. Eles pensaram que ele seria fervoroso em sua busca por hereges, e nisso eles estavam completamente certos. Mas eles estavam desastrosamente errados quando pensaram que podiam controlá-lo. Como eu compreendo, o primeiro Lasombra mandado para quebrar a vontade de Torquemada foi rapidamente reduzido ao nível de uma criança que chora de joelhos se encolhendo no canto perante a fé do Grande Inquisidor. A tortura revelou os hábitos e localizações de outros Cainitas, e em pouco tempo quase ninguém estava seguro. Eu não sei como a grande sociedade dos mortos- vivos é agora, mas naquelas noites ela era muito parecida com uma teia. Muitos Cainitas estavam

conectados a dois ou três (ou mais), e se eles nem sempre sabiam onde seus companheiros dormiam, eles sabiam o suficiente. De um vampiro ao próximo, a Inquisição se moveu, usando a tortura para o conhecimento e o conhecimento para encontrar mais vítimas para a tortura. Torquemada tomou aquela teia rendilhada da sociedade vampírica e a colocou nas chamas.

O medo se espalhou, como histeria, como a Danse Macabre, por toda a Europa. O Malleus Malleficarum flagelou as pessoas ao frenesi. Eu estava viajando pela Itália até Vincy, esperando ver com meus próprios olhos as maravilhas criadas por um homem daquela cidade, quando fui pega. Meus servos lutaram bravamente, mas a última coisa que eu me lembro é a sensação da estaca perfurando meu coração.

Outra Visão

Cara Carmelita Eu com interesse seu relato tão refinada Katherine Montpellier. as retribuir com e
Cara
Carmelita
Eu
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Montpellier.
as retribuir com e de
favor.
Eu,
- fazendo recentes, de Rosa augusto
encontrei
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eminente
observador
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clã.
talvez
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mas
origem
permitiu
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Clã
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Membros
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Tenha
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como
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R.-

Meu nome é Anthony Sungbo, e eu sou o descendente mortal de um irmão de Bilikisu Sungbo, que viveu há quase 1200 anos atrás. Eu não nasci com seu último nome, mas eu o tomei mais tarde - por muitos motivos. Eu sou um cartógrafo, um fazedor de mapas. Não os mapas pedestres que você compra na livraria para ajudá-lo a encontrar seu caminho em Cincinnati, mas mapas históricos, mapas fantásticos, e mapas da mente humana.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Família ricas me contratam para desenhar e pintar mapas caprichosos de seus status, nos quais

Família ricas me contratam para desenhar e pintar mapas caprichosos de seus status, nos quais o clichê "aqui estão os dragões" sempre é exigido, normalmente na entrada da suíte do mestre. É um modo de vida ao menos, perdoe-me pelo jogo de palavras, e subsidia o resto do meu trabalho. Minhas próprias obras que eu gosto de chamar de "história secreta". Eu tento mostrar coisas do jeito que elas realmente foram, em lugar do jeito que os livros didáticos os retratam. Eu mostro o ódio onde os livros apenas veem boa vontade. Eu mostro a conspiração onde os livros mostram apenas amizade. Eu pinto coisas nas quais você nunca acreditaria, e muitas delas são verdades. Muitas delas. Isso me fez merecer uma reputação entre os mortais como um autor de "romance histórico", e eu não discuto; eles não acreditariam em mim mesmo se eu lhes dissesse pessoalmente. Embora eu ainda seja um Membro jovem para considerar tais coisas, meu trabalho me levou pelo mundo afora. Eu corri mais que os Lupinos até um helicóptero que estava para partir. Eu quase sofri a Morte Final nas mãos de um jovem magus em Jacarta. Os inquisidores conhecem o meu nome; os membros do Sabá às vezes reconhecem meu rosto. Mas eu já vi coisas que você nem imagina.

África

Nigéria

Aproximadamente 1200 anos atrás, uma viúva abastada chamada Bilikisu Sungbo governou como rainha sobre uma porção da Nigéria. Ela queria um monumento para seu governo então ela ordenou a construção do Eredo de Sungbo. Ele é enorme; a terraplanagem e o fosso incluem uma área do tamanho da Grande Londres. Algumas guaritas e quartéis têm sete andares de altura. Pelos padrões de hoje poderia soar cru, mas você deve compreender que o Eredo de Sungbo cerca uma área maior do que as pirâmides do Egito. Aqueles que o construíram de alguma forma conseguiram manter a terraplanagem em curso a despeito de trabalhar num pântano. Os europeus acreditam que "descobriram" o Eredo de Sungbo em 1994 - alguns cientistas numa moto finalmente tropeçaram nele. A história do lugar é realmente muito mais complexa do que isso. Um explorador português o encontrou em 1505, mas todos estavam convencidos de que ele realmente encontrou uma cidade portuguesa de comércio de escravos. Outro explorador o encontrou novamente em 1959 ao olhar fotografias aéreas, mas ninguém prestou atenção nele. Nós - isso é africanos - sabíamos sobre o lugar todo o tempo. Os visitantes islâmicos vinham ao

Eredo de Sungbo todo ano para prestar homenagem a Sungbo em seu santuário. Ela é praticamente adorada. Ela foi algo mais do que uma mortal? Nós não

sabemos. Não existiam Toreador na África naquele tempo.

Já que a maior parte da história africana é oral,

não escrita, nós não sabemos com certeza os detalhes por trás da construção do lugar. Lendas locais dizem que Sungbo foi realmente a Rainha de Sheba, mas as datas não batem. Aquelas pessoas que escreveram pela primeira vez provavelmente estavam apenas tentando relatar tudo o que podiam trazer para a Bíblia. Quando os missionários vieram e "educaram" nosso povo isso se tornou prática comum. Enquanto estou contente que educação e dinheiro e medicamente foram trazidos para a África, não posso dizer que esteja feliz com tudo mais que veio com eles.

Escravidão

A escravidão foi uma condição bizarra (alguém

poderia chamá-la de lapso mental) depois do que as nações do mundo desceram à África e disseram todos "minha!" Eu não entendo o porquê, e eu não acho que alguém também entenda. Infelizmente, ela é um lapso mental que teve repercussões através da história. Sim, as pessoas são ambiciosas e gostam de serem servidas, mas tentar escravizar um continente inteiro? Alguns europeus usaram como desculpa nossa óbvia falta de "civilização". Nós não tínhamos cidades desenvolvidas como outros países na maior parte. Bem, isso porque o clima não suportava tal feita. E se os invasores tivessem realmente procurado, teriam visto abundância de civilização em torno deles: as terraplanagens de Benin, as ruínas da Grande Zimbábue, e claro o Eredo de Sungbo. Continentes inteiros estudiosamente ignoravam o que estava bem diante deles numa tentativa de provar seu ponto que nós éramos selvagens sem almas. Malcolm X disse, "Tanto quanto você está convencido de que nunca fez nada, você nunca fará nada". Tanto quanto aqueles que buscaram nos escravizar podem ignorar nossos trabalhos ou fingirem que nós nunca alcançamos nada no passado, eles pensam que podem nos prevenir de alcançar algo no futuro. Muitos Toreador não se importavam muito sobre escravizar de um modo ou outro – alguns viram isso como sendo um pouco diferente do que a prática de tornar mortais em carniçais. Se você irá apoiar um, por que condenar o outro? Outros viram muita diferença de fato entre criar carniçais com um ou dois mortais confiáveis e a escravização de uma

Livro de Clã: Toreador

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raça inteira. Eles tentaram nos ajudar, na África e depois, em outros países. Mas eles
raça inteira. Eles tentaram nos ajudar, na África e depois, em outros países. Mas eles

raça inteira. Eles tentaram nos ajudar, na África e depois, em outros países. Mas eles eram poucos. No final das contas, o que importava mais aos Toreador era, como sempre, o aspecto social. Eles descobriram que os africanos (como todos também) eram capazes de grandes obras de arte, de incríveis feitos de narrativa e de manter uma ordem social sem os ornamentos de outras civilizações. Houve pouca disputa sobre nossa elegibilidade para o Abraço. Suponho que posse ser dito que a visão dos Toreador seja "se pode se expressar tem alma!" Alguns Toreador discordaram, principalmente aqueles que haviam estado ligados ao comércio de escravos enquanto mortais. Suponho que leve mais do que algumas lendas e monumentos para mudar uma vida de intolerância. Você viu que os livros didáticos falam de escravos mas eles nunca falam dos proprietários? Eles nos dão algo para sermos tristes mas nunca alguém com quem sermos furiosos. É como se a escravidão magicamente aconteceu a todos por livre e espontânea vontade, como se ninguém realmente cometesse e perpetrasse estes terríveis crimes. Índios, sul-americanos, e africanos foram todos escravizados, mas ninguém fez isso. Bom Deus, quão estúpidos eles pensam que somos? O assunto da escravidão dividiu o clã por um tempo, tanto quanto qualquer causa pode dividir o Clã da Rosa - um botão quente por tanto tempo

quanto o assunto permaneça na moda. Seria mais preciso dizer que ele resultou em várias rodadas de brigas que resultaram nos Toreador fazendo o que eles sempre fizeram: fazer seu próprio caminho.

A

Eredo de Sungbo

Presença

Toreador

no

Os Toreador não chegaram na África sub-

Saariana até 1400, até onde sabemos. De algum modo

o Eredo de Sungbo se tornou um refúgio para o nosso

clã. Ele era grande, apesar de poucos estrangeiros encontrarem o caminho até suas muralhas. Os Toreador criaram carniçais e Abraçaram aqueles no comando e ficaram por trás das cenas, encorajando o

desenvolvimento da cultura em quaisquer meios que pudessem. Depois de alguns séculos, quase todos Toreador que permaneceram na área eram negros - os outros haviam feito seus caminhos, continuado suas viagens. Ocasionalmente nós recebíamos convidados, mas na maior parte das vezes éramos deixados quase

sozinhos; muitos Toreador preferiam viajar a lugares que tinham hotéis luxuosos e orquestras refinadas. A presença dos Toreador permaneceu no Eredo de Sungbo até 1980, quando nossos anciões decidiram que era inevitável que os estrangeiros em pouco tempo encontrariam o lugar. Isso aconteceu, claro, depois de alguns Membros visitantes contarem

a uns poucos anciões maravilhados sobre os prodígios

da fotografia por satélite. Assim, nós abandonamos nosso lar e nos espalhamos pelo continente e além.

Capítulo Um: Os Civilizados

29

Algo sobre o Eredo de Sungbo sempre desafiou a explicação. Num tempo de densa exploração

Algo sobre o Eredo de Sungbo sempre desafiou a explicação. Num tempo de densa exploração arqueológica, poucos estrangeiros nos encontraram. Eu não acho que seja devido a algo que fizemos. Não foi até depois de deixarmos área que as ruínas foram bem e verdadeiramente "descobertas". Antes disso qualquer um que encontrasse por acidente nosso lar era repudiado e ignorado pelo público. As histórias apareceram, também - histórias de fantasmas que guardavam o lugar. Corpos dos pobres foram jogados nos fossos próximos à terraplanagem. Potes encantados foram enterrados nos portões. Às vezes eu queria saber se nós realmente teríamos sido descobertos se tivéssemos ficado.

Como a África Nos Mudou

O conceito do que nós somos era de algum modo

diferente na África. As habilidades que nossa condição nos proporciona se misturaram com as religiões de lugares que residimos. Às vezes parecia que nós éramos mais do que realmente éramos. Alguns de nós,

normalmente aqueles que haviam sido doutores tradicionais em vida (o que os estrangeiros podem chamar de "médico curandeiro"), diziam que podiam fazer coisas que os outros Membros não podiam. Eu vi algumas coisas incomuns, mas nada para me convencer de uma forma ou de outra. Eu suspeito que alguns destes Membros fizeram tais afirmações porque eles não queriam desistir de sua situação anterior. Eles queriam ser respeitados pela população, não apenas temidos. Eu não posso dizer que os culpo por quererem isso.

Minha própria senhora era uma velha modesta que vendia vegetais quando era viva. Quando perguntada, ela trazia as ervas apropriadas e curava asma, ou impotência, ou problemas de coração. Eu não acreditava que ela pudesse curar doenças até ver o que ela fez por Grace, uma jovem mulher cuja asma não havia sido curada pela medicina Ocidental. Noites depois do tratamento de minha senhora, Grace não estava apenas andando novamente, mas ela voltou a

ganhar dinheiro, cultivando seu próprio jardim. Talvez seja apenas uma questão de herbalismo - muitas medicamentos Ocidentais, afinal, são baseados em plantas. Mas talvez exista mais do que isso. Eu perguntei a Nyamira uma vez, mas ela apenas colocou o dedo nos lábios e chiou para mim. Eu sabia então que ela nunca iria me contar.

A narrativa é uma arte popular entre os Toreador

da África, bem como a escultura, dança e música. Alguns Toreador no Eredo de Sungbo costumavam contar belas e hilárias histórias sobre os animais - girafas, elefantes, coelhos e hienas. Eu vi uma figura esculpida de uma Rainha Vitória gorda que reduzia qualquer um que a visse a uma risada rancorosa. Sempre que encontrei Toreador de outros países, eles pareciam muito cheios de si por comparação. Eles apoiavam a "cultura" como alguma coisa sagrada e não compreendiam que o sagrado também pode ser engraçado. Uma vez mostrei a um visitante da

Inglaterra a estátua da Rainha Vitória; ele quase entrou em frenesi. Eu não compreendo porquê os Membros ainda devem manter um fervor nacionalista - eles não percebem que nós existimos no mundo agora, não apenas em nossos próprios refúgios? Os Toreador africanos viajam tão frequentemente (ou tão raramente, conforme o caso) quanto o resto do clã, mas eu acho que isso significa algo diferente para nós. Os outros apenas querem viver de forma indireta através das novidades que encontram em outros lugares. Talvez nosso ponto de vista possa ser melhor representado por um provérbio Kikuyu: "Ao ficar sempre no mesmo lugar, se pega piolhos". Muitos de nós acreditam que permanecer ainda que sozinho leva à complacência e ao perigo. Nós poderíamos chamar um lugar de casa por um século ou dois, mas nós raramente ficamos no mesmo refúgio por mais do que três meses de uma vez. Talvez seja injusto falar em tais generalidades, mas às vezes eu tenho a impressão que os Toreador de outros continentes preferem Abraçar os ricos, belos e influentes. Por comparação a África é pobre. Nós aprendemos a não ser tão preferenciais. Você pode encontrar o mais incrível talento no filho de um lojista de Loitokitok, ou um flanelinha nas ruas de Nairobi. E por estas crianças terem vivido vidas severas, elas se adaptam aos perigos da não-vida. Claro, elas tendem a exigir muita disciplina antes que aprendam a obedecer, ou mostrar respeito a um príncipe visitante.

Aqueles que Caminham

Eu seria negligente se não mencionasse os outros que fazem seus refúgios nas partes ocultas da África. Não me refiro aos estranhos viajantes Gangrel ou a colônia de náufragos Lasombra na Costa do Marfim. Me refiro aos outros. Em Eredo, os anciões os chamavam por nomes diferentes. Por vezes eram os Laibon, a prole de Kagn, Aqueles Que Caminham Sob a Noite e os homens fantasmas. Eles saíram da lama. Eles podem transformar sua pele de ébano em alabastro. Eles comandam as feras do deserto e da savana com igual calma. Acima de tudo, entretanto, eles observam. Eu podia vê-los além dos muros de Eredo, seus dentes brilhando na noite. Os anciões sempre tinham olhos cegos para eles; nunca falavam dos seguidores de Kagn e nos obrigaram a fazer o mesmo. Em muitas décadas, eu nunca falei com nenhum, nem vi nenhum causar problema para os Toreador de nosso povoado. Ainda sim, sua presença sempre me enervou - embora eu possa vê-los e senti-los, nunca soube o que eles queriam. As histórias de tudo sobre o continente apareceram enquanto eu viajava. Parece como se os homens fantasmas tivessem caminhado por toda a África. Eu não deveria ficar surpreso, sei, mas seu número, silencioso, secreto permanecem um enigma para mim até hoje.

Livro de Clã: Toreador

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O Oriente Os Toreador aprenderam o que eles sabem sobre o Oriente de livros de
O Oriente Os Toreador aprenderam o que eles sabem sobre o Oriente de livros de

O Oriente

Os Toreador aprenderam o que eles sabem sobre

o Oriente de livros de excursões e o Canal de Viagens.

Oh sim, nós viajamos, mas aqueles que sabem o que é bom para eles ficam longe do "Reino Médio". Nós não sabemos muito sobre o que vive lá, mas nós sabemos que é mortal. Não que isso impeça alguns de nós de tentar. Em 1576, um homem chamado Oda Nobunaga construiu

o castelo de Azuchi, nas praias do Lago Biwa no Japão.

Este castelo foi imitado por muitos outros daimyo nas décadas seguintes, e mais de um Toreador desesperadamente queria ver o primeiro. Eu sei de cinco Toreador que foram; apenas um voltou. Suspeito que ele conseguiu por causa de sua antiga profissão - ele era um assaltante. Ele sabia muito bem como entrar e sair de um lugar sem ser visto, e ele tinha uma reputação de ser sortudo. Ele disse que não conseguiu ver o que havia matado os outros, ou ao menos ele não sabia se havia visto.

É uma coisa frustrante para nós que tanta coisa venha do Oriente. Alguns Toreador fundam companhias importantes numa tentativa de observar em primeira-mão os mercados de Hong Kong, os

teatros do Japão e as cortes míticas dos Membros Thai,

e até voltam em navios piratas de outros países. Eles

frequentemente usam carniçais e servos mortais para entrar no Oriente sem realmente se aventurar lá. Essa é uma boa forma de perder servos, mas ao menos tem uma maior taxa de sucesso do que realmente ir por si próprio. Claro, uma experiência de segunda-mão não é tão reveladora como uma visita real. A Grande Muralha certamente não está em qualquer lugar. E então existem jardins deslumbrantes, monastérios e outras construções. De vez em quando um Toreador vai para o oriente. Às vezes alguém volta. Parece que os Toreador tanto desaparecem quanto retornam se perguntando o porquê de tanto rebuliço sobre isso. Aqueles que voltam são sempre aqueles que foram espertos o suficiente para ficarem escondidos e se preservarem. Em 1875, os Estados Unidos restringiram a imigração ao excluir os "indesejáveis" (ou seja, chineses) da imigração. Minhas próprias suspeitas, e aquelas de vários outros que eu conheço, é que os Ventrue estavam por trás disso. Nós não éramos os únicos que perceberam que a Ásia guardava alguns segredos dos Membros. Elementos da Camarilla se preocuparam que fosse que tivesse poder lá, poderia entrar no nosso caminho. Muitos dos nossos companheiros de clã não sabem disso, mas um velho Toreador que encontrei em San Francisco me disse que alguns de nós tinham um dedo em permitir que a imigração chinesa se fizesse uma vez mais. "Afinal", ele disse, "como qualquer Toreador esperto sabe, a sociedade é mais importante do que a segurança". Me surpreendeu saber que alguns de nós fariam alguma coisa tão perigosa - mesmo sem

Capítulo Um: Os Civilizados

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saber quem ou o que era o inimigo, nós talvez os ajudamos a entrar no

saber quem ou o que era o inimigo, nós talvez os ajudamos a entrar no país. Ainda que os chineses trouxessem com eles sua arte, e que isso fosse tudo que alguns Toreador se preocupavam. Verdade seja dita, quando assisto estes programas do Canal de Viagens, e vejo os jardins e os pagodas elaborados, posso compreender por que estes Toreador fizeram o que fizeram.

A

Orientais

Companhia

das

Índias

Eu sei de apenas um exemplo no qual poderia referir ao termo "cooperação" entre os Toreador e o Oriente. Não sei se o inimigo que estava no Oriente simplesmente decidiu que seria uma boa idéia ter algum Membro de verdade para observar, ou se eles apenas não tinham tanta influência sobre Deshima. De qualquer forma, em 1641 a Companhia das Índias Orientais baseada na Ilha Hirado no Japão foi deslocada para a Ilha Deshima, perto de Nagasaki. Um Toreador tinha de alguma forma conseguido adquirir um interesse na companhia. Foi necessário que os oficiais holandeses suportassem um número de indignidades simbólicas para manter seus privilégios comerciais. O Toreador envolvido, um Jan van Houten, quase entrou em frenesi durante uma dessas "indignidades", mas apenas manteve sua cólera para reter acesso à uma pequena porção do Japão. A anedota me faz pensar que de fato, o inimigo estava fazendo isso para manter-nos sob observação. A companhia foi forçada a mudar sua base - talvez poque a

antiga que estava perto de algo que o inimigo não queria que ninguém visse, ou a nova era simplesmente mais fácil

de observar. Eles certamente queriam que os ocidentais

soubessem quem estava no comando.

A Renascença e a Fundação da Camarilla

Em 1450, a população da Europa era aproximadamente de 50 milhões. Os fundadores da

nascente Camarilla começaram a afirmar sua autoridade.

O comércio de escravos dos portugueses com a África

estava sob controle. Esquadras de navios de três mastros,

capazes de viajar pelo oceano, estavam em uso há quase 15 anos. E por volta de 1450, a Renascença estava em balanço completo. Era o momento perfeito para os Toreador; pode-se dizer que foi um dos nossos pontos altos. Explosões populacionais nos permitiram ser um pouco mais

prolíficos do que estávamos acostumados a ser. Por causa

do estabelecimento da Máscara pela Camarilla, nós nos

achamos capazes de nos escondermos no mundo dos mortais, movermo-nos entre eles sem algum Malkaviano numa cruzada arruinando nossos disfarces. Esse pode não ter sido o propósito da Camarilla, mas foi muito do que queríamos. Nós apoiamos a Camarilla ao menos tão entusiasticamente como qualquer outro, e fizemos nosso melhor para ajudar a lidar com o Movimento Anarquista. Foi em 1493 que o Toreador Rafael de Corazon pronunciou um discurso de

mudança que exigiu a execução das Tradições,

especialmente a Máscara. De fato, a Camarilla precisava dos Toreador, tão importantes nós somos para a manutenção de seus dogmas. Em segundo apenas depois dos Ventrue, nós brandimos o poder necessário para manter a ordem. Até mesmo melhor do que os Ventrue, nós sabemos como lidar com os mortais em outros termos além de "compre barato, venda caro". Com a popularidade dos navios transatlânticos, o amor dos Toreador pela viagem foi completamente favorecido. As viagens não eram mais limitadas - nós podíamos ir onde quiséssemos. Um número de Toreador perdeu suas não-vidas em sua excitação para ver novos lugares. Tudo que levou foi uma invasão pirata, e os Membros cujo corpo foi trazido à luz do sol, viraram história.

A Renascença foi nosso tempo dourado. Este

movimento cultural tinha suas raízes no renascimento da

filosofia clássica ciência, literatura, e os artistas italianos do século XIV. Para os governantes do Renascimento italiano, ser um patrono de artistas era um sinal de prestígio e influência - nós certamente fazíamos nosso melhor ao encorajar este ponto de vista. Infelizmente para nós, os Giovanni, Lasombra e Ventrue estavam entrincheirados na Itália. Nós concordamos com todos os tratados que nos foram impostos então podíamos gastar tempo na Itália ou apoiarmos artistas italianos em viagens para fora do país. Afortunadamente para nós, os interesses dos outros Membros eram primariamente mercantis. Nós também negociávamos com mortais proeminentes na área - a família Médici de Florença, por exemplo. Foi sua patronagem que fez Florença o centro líder cultural da época.

O Renascimento levou a muitos avanços. Em 1455,

Johannes Gutenberg desenvolveu os tipos móveis, que levaram ao primeiro livro impresso. Ou é o que seus livros de história irão te contar. A prensa foi realmente desenvolvida no Oriente um pouco antes. Ainda assim, a Europa certamente precisou e lucrou com este avanço - Aldus Manutius publicou os trabalhos completos de Aristóteles, em grego, no final do século XV. Cópias foram vendidas pelo que consideramos um preço incrivelmente alto para aquelas noites, mas ao menos trabalhos importantes estavam disponíveis a um grande

público intelectual. Eles também eram feitos com

qualidade notável, tanto em beleza quanto precisão. Eu tenho uma destas coleções em um de meus apartamentos - foi um achado notável. Eu não consigo ler em grego, claro, mas isso não deprecia o valor do livro.

A arte não é capaz de ignorar a riqueza do tempo.

Pintores de Crivelli a Bey, Fra Angelico a Benozzo

Gozzoli, representaram riqueza, luxo e negócios em seus trabalhos. Imagens de pedras preciosas decoravam as páginas dos livros. Os ricos usavam mantos tecidos de seda importada a grandes custos da Ásia. Ourives tinham seus serviços em grande demanda. Tanto da vida centrado na riqueza e na beleza, e os Membros seguiram de perto. Não surpreendia que os Toreador sentissem a necessidade de proteger o que a humanidade tinha a oferecer apoiando a Camarilla.

Eu posso descrever muitas páginas dos feitos de arte

Livro de Clã: Toreador

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no Renascimento - Donatello, Botticelli, e da Vinci da Itália; Jan van Eyck, um pintor

no Renascimento - Donatello, Botticelli, e da Vinci da Itália; Jan van Eyck, um pintor holandês promissor; William Caxton estabeleceu a primeira prensa de imagens em Londres. Foi o tempo dourado da arte. Falar mais sobre isso apenas me faria parecer descuidado e superficial, então vou segurar minha língua.

Cristandade

Você pode dizer que a religião era a única mácula real no Renascimento. Oh, eu sei, os melhores trabalhos de alguns artistas eram obras religiosas. Ainda durante este de outra forma belo tempo, atos terríveis foram cometidos em nome da religião. O reformista religioso bohemio, Jan Hus, foi queimado por heresia em Constance em 1415. Em 1492, o Rei Ferdinando e a Rainha Isabella expulsaram 150.000 judeus da Espanha que se recusaram a se converter ao cristianismo. Mas as atrocidades religiosas foram cometidas em todas as épocas. Suponho que de algumas formas elas foram coisas boas - certamente a perseguição religiosa inspirou as músicas, poema e livros mais

surpreendentes. Às vezes penso se nós precisamos de conflitos religiosos para fazer aflorar o melhor em nós, se apenas um teste de nossa fé pode realmente trazer nossas emoções mais vívidas. Pessoalmente, eu penso que preferia discutir com um vigário ou desenhar meus mapas sem todas as matanças, mas às vezes eu

suspeito

estou

certo que alguns Membros Toreador secretamente patrocinaram a agitação apenas para que a arte

Bem, eu não tenho provas, mas

reagisse. Eu certamente tive conversas com Toreador que acreditam que apenas o sofrimento pode trazer o melhor num artista, ou que a filosofia estagna sem um estímulo para a mudança.

Espanha

1492 e os Judeus

Até que Ferdinando e Isabella estabelecessem a Inquisição espanhola, os judeus já haviam sofrido numa longa e dolorosa história na Espanha. O antissemitismo estava em ascensão entre os nobres e o clero, e eles passavam leis restritivas contra os judeus. Os judeus usavam distintivos; os judeus não tinham nomes cristãos. Dezenas de milhares de judeus aceitaram o batismo cristão ao invés de sofrer tortura ou morte. Muitos dos convertidos, os Marranos, ascenderam a altos cargos no estado e na igreja, e se casaram pesadamente com famílias cristãs. Prosperaram, socialmente bem como economicamente. Isto levou quase um século, mas as hostilidades meramente arderam. Isto é onde as coisas ficaram em 1480: as classes baixas invejavam os judeus ricos, especialmente depois que os judeus se casaram com as famílias nobres. E muitos na Igreja ainda se opunham a sua presença. A Inquisição reforçou o poder da Coroa ao tomar as terras, riquezas, e influência dos convertidos suspeitos de heresia. Esta riqueza foi então usada para abastecer a guerra contra os muçulmanos.

de heresia. Esta riqueza foi então usada para abastecer a guerra contra os muçulmanos. Capítulo Um:

Capítulo Um: Os Civilizados

33

A Inquisição foi primeiro atrás dos Marranos em lugar dos judeus. Muitos dos convertidos haviam

A Inquisição foi primeiro atrás dos Marranos em

lugar dos judeus. Muitos dos convertidos haviam alcançado importantes posições em vários campos e eram invejados pelas classes mais pobres. A perseguição dos Marranos também foi avançada por alguns de seus próprios que haviam alcançado altas posições na Igreja; eles desesperadamente queriam provar que eram leais ao cristianismo. É dito também que Torquemada, o Grande Inquisidor, pode ter sido um Marrano. Uma vez que os muçulmanos haviam sido conquistados e os Marranos submetidos, a Inquisição

voltou sua atenção para os judeus. Torquemada convenceu o Rei Ferdinando que se ele expulsasse os judeus, poderia usar sua riqueza para resolver todas suas dificuldades financeiras. Torquemada também argumentou que os Marranos haviam mostrado inúmeras vezes ante os tribunais que não eram realmente cristãos devotos. Ferdinando eventualmente voltou seus olhos à riqueza dos judeus.

A Coroa deu aos judeus quatro meses para deixar

a Espanha sob pena de morte. Não seria permitido

que levassem ouro, prata ou pedras preciosas com eles. Qualquer cristão que os abrigasse depois dos quatro meses teria suas posses tomadas também. Mais de 150.000 judeus fugiram do país; o resto aceitou o batismo ou se tornaram vítimas da Inquisição nos

anos que seguiram. Eu sei; não mencionei nada sobre os Toreador ainda. Você está querendo saber onde eles se encaixam em tudo isso. Bem, quando os judeus deixaram a Espanha, também fizeram os Toreador - que antes daquele momento havia sido um dos nossos lares favoritos. Mesmo a Inquisição não foi o bastante para nos fazer ir embora, mas francamente, muitos dos Toreador na Espanha naquele tempo eram judeus - então quando os judeus partiram, nós também partimos. Com exceção de breves visitas, não retornamos desde então. Qualquer Membro da Camarilla com os meios para isso, sabiamente fugiu da Inquisição, e apenas o Sabá estava disposto em permanecer em sua esteira.

Goya

Francisco Goya é considerado um dos melhores artistas espanhóis de todos os tempos, embora tenha vivido durante um tempo em que a Espanha estava empobrecida. Ele fez caricaturas de cenas típicas da

vida espanhola. Ele fez retratos grotescos e satíricos da realeza. A Guerra de Independência e sua depravação

e horror nunca deixaram sua mente, e muito de seu

trabalho consequentemente foi baseado naquela matança. As pinturas de Goya deram um das mais fortes acusações da guerra vistas desde então. Ele retratou o corpo morto de uma mulher e o chamou "A Verdade Jaz Morta". Ele desenhou mulheres e crianças

reduzidas a esqueletos segurando as mãos de almas, e

o intitulou "Gritar Não É Bom". Foi-me dito que Abraçamos Goya por seu talento. Eu tenho dificuldades em acreditar nisso; me soa como uma daquelas lendas ridículas de "famosos mortais Abraçados!" Além disso, nós ainda suportamos ferimentos emocionais infligidos por um clima político na Espanha; eu duvido que um de nós teria sido audaz o suficiente para gastar tanto tempo na Península Ibérica com os Lasombra ou com a Inquisição por lá. Ainda, eu posso acreditar que algum Toreador achou o trabalho de Goya muito atraente para resistir. Nós nem sempre somos conhecidos por nosso julgamento quando a paixão fica no caminho. Goya levou uma vida bastante selvagem. Ele tinha muitos filhos ilegítimos e era supostamente um bom toureiro. Ele até disse ter dormido com a Duquesa de Alba, sua suposta amante, e ele pintou retratos muito sensuais dela. Suponho de algumas formas que ele soa como o estereótipo Toreador, não soa? Talvez exista alguma verdade nos rumores afinal. Afinal, foi o feio que o assombrou, não o belo. Ele teria dado um bom Membro.

O Ar que nos Rodeia

Você não pensaria que a fumaça nos incomodaria. Nós nem ao menos respiramos, afinal. Poderia ser um pouco mais do que um aborrecimento estético, a coisa que deixa o céu um

pouco menos azul, que bloqueia o brilho das estrelas. Nem tanto. Na segunda metade do século XX, a Espanha (e, claro, outros países industrializados) desenvolveram um terrível problema de poluição.

Na Espanha, isso se manifestou em valiosas

pinturas no Prado. O museu está numa área de Madrid que tem a maior concentração de poluição do ar na cidade, e isso tem tido um desastroso efeito nas pinturas. Um ou dois Toreador empreendedores fundaram um projeto para instalar uma usina de

filtragem e purificação do ar para prevenir danos às telas.

O projeto também inclui a limpeza e

restauração das fachadas de algumas praças e prédios públicos. Estes Toreador não fazem nada para ajudar

o problema de poluição geral claro; tal é a maldição dos Membros. Nós podemos afetar o sintoma, mas nunca efetuar uma cura. Em outras cidades, problemas similares

ocorreram e os Toreador agiram para preservar seus tesouros artísticos. Um ou dois Toreador com altos padrões morais começaram campanhas gerais contra

a poluição, mas eles estavam em minoria. Muitos Toreador desfrutam muito de seus confortos para agir contra as companhias que os fabricaram.

Livro de Clã: Toreador

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América Colombo "Descobre" a América Você pode dizer que Colombo não foi o primeiro a
América Colombo "Descobre" a América Você pode dizer que Colombo não foi o primeiro a

América

Colombo "Descobre" a América

Você pode dizer que Colombo não foi o primeiro

a descobrir as Américas mas o último. Os livros de história ocultam exploradores anteriores, mas

Colombo estava longe de ser a primeira criança no parquinho. Então por que sua viagem fez as coisas

começarem?

Muitos livros lhe dirão que é porque os turcos haviam bloqueado a rota para o Oriente, mas não é assim. Os turcos faziam dinheiro em tais rotas comerciais e não tinham motivos para bloqueá-las. Os historiadores (eu costumo usar a palavra livremente - narradores de mitos fantásticos seria mais apropriado) ignoram os avanços frequentes em tecnologia militar; os europeus alegremente usaram suas novas armas para conquistar muito mais território. A riqueza era o objetivo final. Ela comprou influência e respeito no mundo mortal e salvação no

Céu. Ninguém queria pensar que Colombo fez isso

pelo ouro; eles atribuíam a ele motivos mais benignos. Quando o Representante Roland Libonati propôs que

o Congresso declarasse o Dia de Colombo um feriado

nacional, ele disse que Colombo foi um grande cristão que fez o que fez para obstruir os piratas turcos que atacavamos cristãos. Ele nunca mencionou o ouro. O cristianismo foi uma religião "portátil", e os europeus queriam converter os nativos. Claro, os nativos na maioria das vezes não percebiam que deviam

se converter por causa do anúncio lido para eles - se eles não se convertessem seriam mortos e suas famílias

feitas escravas - era lido em espanhol, que eles ainda não compreendiam.

O advento de novas formas de burocracia fez mais

fácil para os mercantes e reis administrar bem empreendimentos distantes. Imprensas (e o aumento da instrução) permitiu notícias da exploração e

descoberta para viajar muito mais rápido e mais longe do que as notícias de expedições prévias.

O mais importante para nós, os Membros sabiam

que era tempo de migrar. Nós estávamos nos aglomerando na Europa, e num tempo de aumento de conhecimento que poderia ser perigoso. Os problemas recentes em países como a Espanha nos convenceram que precisávamos de lugares distantes dos governantes da Europa. E muitos anciões viram a América como um lugar para mandar crias problemáticas. Os anciões poderiam ter mais espaço, influência e vitae dessa forma. Os ancillae viram a chance para novos territórios - tudo era razoavelmente bem alinhavado na Europa, então novos territó rio s er a m desesperadamente necessários se alguém quisesse chegar a qualquer lugar sem colidir com os anciões. Uma pintura de 1847 de John Vanderlyn ilustra a imagem popular de Colombo - um homem elegante e heroico reivindicando um novo país em toda sua honradez.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Esta pintura está em exposição no Capitólio dos Estados Unidos. Uma xilogravura de Theodore de

Esta pintura está em exposição no Capitólio dos Estados Unidos. Uma xilogravura de Theodore de Bry em 1504 mostra uma visão alternativa de como as coisas aconteceram. O artista pintou vários nativos,

todos dos quais estavam tentando se matar. Eles eram mostrados tomando veneno, se empalando em estacas

e matando suas crianças para fugir do estupro e da

escravidão. Não era uma pintura bela, mas certamente foi efetiva. A arte de De Bry circulou pelo século XVI na Europa, descrevendo a crueldade espanhola em seu

pior. Muitos Toreador estavam na vanguarda do movimento dos Membros nas Américas. Verdade, alguns permaneceram atrás para se acomodar em seus confortos, mas muitos mais queriam ver os novos territórios, experimentar este novo lugar que nenhum deles havia visto antes. A América era um brinquedo, um novo canto do parquinho a ser investigado. Alguns Toreador se tornaram exploradores enquanto o tempo passava, tomando a fronteira oeste americana. Alguns ajudaram a matar e subjugar os nativos. Outros, como fizeram na África, descobriram as culturas indígenas e subsequentemente tentaram ajudar os nativos. Neste tempo a comunicação na fronteira era difícil, então esta divisão de atitudes causou menos perturbação no clã do que o assunto da escravidão de anos atrás. Depois, vários Toreador viajaram entre o que restou dos nativos americanos, coletando e publicando suas histórias. Alguns deles ainda buscavam este objetivo - uns poucos destas coleções podem ser encontradas em livros ou nas páginas da internet. A história oral dos índios fascinou estes Toreador, como sua mitologia. É sorte nossa que estes contos tenham sobrevivido - e é uma vergonha que tantos outros tenham se perdido. Este é o preço do progresso. Dissonância Cognitiva De acordo com a psicologia social, a modificação das opiniões de alguém para fazê-lo concordar com as ações de outro é parte do processo chamado de "dissonância cognitiva". Muito poucas pessoas querem

se ver como "más". E a despeito de dizerem o contrário,

muitos Membros agem da mesma forma. Nós justificamos nossas ações dizendo "meu inimigo foi estúpido, então ele merecia isso", ou "meu senhor foi um demônio real, então tive de diablerizá-lo - pena que

eu era o único no momento para fazer isso". Isso é o que aconteceu com Colombo. Quando Colombo precisou convencer Isabella a gastar mais dinheiro em expedições para as Américas, ele contou a ela sobre os incríveis nativos. Eles eram incrivelmente astutos; eles eram ordenados e curiosos. Quando ele precisou justificar seu tratamento doentio aos índios, ele disse que eles eram cruéis, estúpidos e bárbaros. Quando os Toreador começaram a deslizar, eles quase sempre exibiam a dissonância cognitiva. Eles justificavam suas ações mais do que muitos Membros faziam. Afinal, nós somos mais próximos aos humanos,

e isso é o que os humanos fazem. Você sabe que um

Toreador se afastou da humanidade quando ele não

mais se importa em justificar os crimes que cometeu.

O Mayflower e os Mapas de Samuel de Champlain

Os Peregrinos do Mayflower acabaram em Massachusetts quando eles realmente almejavam a Virginia. Muitos livros de história explicam este erro como um erro de navegação ou como o resultado de uma tempestade que desviou o Mayflower do curso. Ambas explicações soam vazias, principalmente porque o único aspecto da viagem transatlântica que os marinheiros do tempo mediam com precisão era a latitude. A teoria da tempestade não faz o menor sentido: se uma tempestade os tirasse de curso, eles poderiam ter voltado para o norte uma vez que o tempo estivesse limpo. Primeiro você deve compreender que os Peregrinos eram a minoria abordo do Mayflower - eles eram talvez um terço dos colonos. O resto eram pessoas comuns que esperavam ficar ricas na Virginia. Os Peregrinos, contudo, queriam se afastar do governo da Inglaterra; eles não queriam especificamente ir para a Virginia. Então talvez as habilidades de navegação de alguém o abandonaram por um tempo. Ou talvez os Peregrinos deliberadamente visaram o norte da Virginia. Claro os livros didáticos não podem nos apontar esta possibilidade - seria fazer os Peregrinos Precer menos piedosos e menos perfeitos. Certamente eles tinham pilhas de informação sobre a Nova Inglaterra. Eles tinha o guia de John Smith para a região. Eles tinha os mapas de Samuel de Champlain. Como eu sei? Eu tenho um dos mapas de Champlain sob vidro em um de meus apartamentos, guardado por uma família de Peregrinos por gerações até eu tomá-lo. É cru, mas amável em sua simplicidade. Quando de Champlain desenhou seus mapas Plymouth era ainda uma próspera vila nativa, não arrasada pela doença. Os Toreador, como muitos Cainitas, ficaram longe dos Peregrinos. O fervor religioso quase nunca é bom para nossa espécie, especialmente o fervor puritano. Assim, nós ficamos afastados da Nova Inglaterra o quanto pudemos nestes primeiros anos. Meu clã se envolveu no Novo Mundo de três modos: Primeiro, ajudou a explorar,como eu mencionei antes. Os Toreador sempre amaram ver lugares novos afinal e as lindas terras, intocadasque eles viram eram tão deslumbrantes quanto qualquer obra-prima pintada. Segundo, alguns Toreador trabalharam na sociedade de plantação do Sul. Levando uma não-vida de luxo com criados mortais satisfazia aqueles Toreador que tinham vindo de boa família, ainda procurando por seu próprio território que não estava disponível na Europa.Terceiro, uma vez que estivessem se estabelecido, os Toreador exploradores voltavam a procurar por um novo território para si e noca arte e cultura para cultivar.

Livro de Clã: Toreador

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A Guerra Revolucionária Eu acho que a contradição inerente na Guerra Revolucionária é o que

A Guerra Revolucionária

Eu acho que a contradição inerente na Guerra Revolucionária é o que mais me fascina sobre ela. Aqui estão todas essas pessoas lutando por vida e liberdade ("o Estilo Americano!" ouvi algum de vocês dizer), mas eles eram todos proprietários de escravos. Patrick Henry, o homem que pronunciou o famoso discurso "Dê-me liberdade ou dê-me a morte", possuía uns

tantos escravos. Ele pode ter tido a discrepância entre suas palavras e suas ações, mas ele nunca agiu para mudá-las. Ele nunca libertou um único de seus escravos, mesmo antes de sua morte. Isso se tornou uma prática bem comum para os pais fundadores para libertar seus escravos em seus testamentos. Dessa forma era apenas incoveniência para seus herdeiros, não para eles, enquanto garantiam que a história os veria com bons olhos. Por que sim, eu sou um cínico. Por que você pergunta? Como em muitas vezes, os Toreador estavam divididos no assunto da Guerra Revolucionária. Alguns temiam que fossem cortados da fonte de seus confortos, da generosidade de tesouros refinados encontrados na Europa. Muitos destes Toreador ou fugiram para a Europa ou se lançaram com os Casacas- vermelhas. Outros celebraram a idéia de liberdade das Américas - eles pensaram que apenas o melhor viria de um início fresco no Novo Mundo. As idéias revolucionárias formavam novas culturas para os Toreador assistir ou influenciar em seu lazer. Uns poucos Toreador ajudaram os revolucionários; o resto

se afastou da ação tanto quanto possível. Acaso se

sentissem particularmente magnânimos, eles mandavam dinheiro ou servos. Afinal, poucos Toreador se chamariam de soldados. Alguns de nós são fortes, e alguns de nós sabem como lutar. Mas em massa? Nunca. Nós somos realmente não somos diferentes dos mortais nesse aspecto. Enquanto você pode encontrar alguém em seu pelotão que eventualmente se alegre em ir lutar, é pouco provável que você encontre um regimento inteiro de decoradores de interior.

A Guerra Civil

Os jovens Toreador, que em vida haviam sido proprietários de escravos ou haviam crescido no Sul, geralmente acreditavam que a guerra era necessária. Alguns até mesmo ajudaram suas antigas alianças. O resto do clã ou não se importou (em outras palavras, eles não estavam em nenhum lugar próximo às batalhas) ou queriam que a guerra terminasse. Afinal, qualquer coisa que deixava a viagem difícil seria

desencorajada, e a Guerra Civil certamente obstruiu as viagens. Ela também transformou artistas em soldados,

e matou bons homens jovens que poderiam ter

desenvolvidos seus talentos. No topo disso tudo, o dinheiro foi para o fundo de guerra em lugar de pagar por restauração civil e patronagem das artes. E qualquer Toreador que não queria se preocupar sobre ser convocado para a luta

(isso não é como se pudéssemos ter ido ao campo de batalha sob o sol e lutado!) tinha que imediatamente se afastar de seus lares ou se provar legalmente mortos. Alguns de nossos lares foram queimados na luta; incontáveis refúgios foram perdidos durante a guerra. Aqueles Toreador que agiram como abolicionistas, contudo, fizeram seu melhor para apoiar o Norte - geralmente de longe, se fossem espertos.

A Arte da História

Às vezes tenho ouvido historiadores serem chamados de artistas, e acredito que isso deve estar certo. Enquanto seu estilo pode deixar algo a desejar sob meu ponto de vista, eles certamente têm grandes liberdades com nossas histórias. E ainda sim, quando você olha um pouco mais de perto, talvez eles revelem mais do que pretendam. Tome John Brown, um abolicionista radical branco que foi a grandes distâncias em sua tentativa de iniciar uma revolução de escravos e estabelecer um estado livre de escravos. Histórias escritas antes do fim do século XVIII descrevem-no como perfeitamente são. Então até 1970, mais ou menos, ele foi representado como insano. Depois de 1970, ele foi mais uma vez são. Informes da vida de John Brown fazem uma boa indicação de racismo e - qual é o termo, "politicamente correto"? - na sociedade americana. Este é o caso com tantas coisas. Eu não me chamaria de historiador, mas a história é um ponto central para minha cartografia então eu tenho estudado grandes partes dela. Infelizmente você precisa olhar para as histórias sobre um período de ao menos um século, como o exemplo acima mostra, antes que possa realmente começar a perceber alguns padrões, e histórias escritas só voltam tão longe em poucos países. Se tiver sorte o suficiente para conhecer um Membro historiador, você pode aprender algumas das coisas mais incríveis. Imagine ser capaz de assistir a

história, e a forma na qual ela é registrada, por séculos! Ser capaz de anotar como se estivesse acontecendo, as diferenças entre o que aconteceu e o que está escrito. Eu espero que em um ou dois séculos serei capaz de contar

a você como é. Claro, então você deve encontrar quais

são os preconceitos do historiador, ou a "avaliação" não ajuda muito. Todo mundo tem preconceitos. Inclusive você, e eu. John Quincy Adams disse, "O historiador não deve ter país". É uma pena que tão poucos compreendam isso. Talvez os historiadores acreditem que o povo

americano só seguirá o governo se ele for perfeito, se ele for descrito como inocente e sábio em todos os sentidos. Num esforço para ajudar esse processo, isso é

o que eles apresentam - um governo que é exatamente o

que ele deveria ser quando deveria ser. Forte quando necessário, suave e complacente quando possível, altruísta quando é preciso, e acima de tudo, sábio e beneficente ao seu próprio povo. Talvez eles tenham apenas a melhor das intenções no coração. E ainda, se o passado da América parece tão lindo, então o que nós

Capítulo Um: Os Civilizados

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pensaremos quando vemos nossos líderes atuais e toda sua indiscrição através dos milagres modernos da

pensaremos quando vemos nossos líderes atuais e toda sua indiscrição através dos milagres modernos da TV a cabo? Talvez nós estivéssemos melhor preparados para seus erros se soubéssemos sobre aqueles dos nossos líderes passados. Não seria um choque tão grande. Ë honestamente muito ruim que as histórias americanas se concentrem tão perfeitamente no governo. Por que existe tão pouca menção de nossos maiores arquitetos e compositores? Se a história é uma forma de arte, então onde está a beleza em suas páginas? Talvez seja por isso que os Toreador Abraçam tão poucos historiadores.

O Papel do Governo

Os livros didáticos americanos estão apaixonados pelo governo. Eles retratam o governo em termos de o que ele costumava ser, ou que devia ser: controlável, trabalhando para o povo ele pretendia servir. Nunca ocorreu aos autores de livros didáticos mencionar que o balanço de poder oscilou desde o rascunho da Constituição. Eles ergueram o governo como instigador de todos progressos, seja ambiental, educacional ou racial. Histórias são histórias, e políticos são os heróis épicos. O que aconteceu ao cidadão particular? A companhias ou organizações privadas? Eles não alcançaram algo afinal? Em nossas histórias, a América é sempre o bonzinho. Ele vai até outros países, concertando seus erros e trazendo prosperidade a tudo. Ugh. Se os estudantes vissem num filme o que eles estão engolindo, mas por que é "verdade" eles comem tudo. Até quando os livros admitem que a América se deu mal, foi apenas um mal-entendido.

Eu poderia nunca ter me mudado para a América se tivesse lido os livros didáticos antecipadamente. Talvez eu tivesse ficado na África. Por outro lado, em muitos outros países o que passa para a história é sempre a propaganda mais descarada (onde lhe é permitido estudar história). Nos é contado que nunca podemos aprender nosso passado a menos que o estudemos, contudo frequentemente não nos permitem estudá-lo como verdadeiramente foi. O que aprendemos disso, exceto que políticos e governos são egoístas? Eu falei a um ou dois Toreador que se aventuraram na política uma vez. As imagens que eles apresentam nunca são bonitas. Eles falam de memorandos internos explicando que o altruísmo americano estava diretamente na foto – um luxo que a América não poderia pagar. Eu acho que nenhum político faz uma decisão política da bondade de seu coração. É sempre uma aposta política. Talvez seja por isso que tão poucos Toreador entram na política mortal, e aqueles que fazem frequentemente se superam. Quem pode trabalhar em tal ambiente e manter sua humanidade? Certamente esses Toreador que vão para a política parecem pouco se assemelhar com o resto de nós. Eles são pegos em seus jogos de poder, em suas estratégias e suas redes. Eles são úteis às vezes, com certeza, mas assustadores todo o tempo. Eles têm pouca compreensão de por que as pessoas são importantes para nós; os mortais significam muito pouco para eles.

de por que as pessoas são importantes para nós; os mortais significam muito pouco para eles.

Livro de Clã: Toreador

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(N.T. Holden Caulfield é o personagem principal do livro O apanhador no campo de centeio)

(N.T. Holden Caulfield é o personagem principal do livro O apanhador no campo de centeio)

Os Anos 1960 e os Direitos Civis

Vou lhe contar minha teoria pessoal: o FBI assassinou Martin Luther King. Oh, não diretamente. Mas eles certamente ajudaram. Eu aposto que você não ouviu sobre as atividades do FBI na escola, ouviu? Eles arrombavam igrejas. Eles investigavam qualquer um que pudesse apoiar o movimento dos direitos civis, particularmente aqueles que faziam pronunciamentos e reuniões. Eles falavam de "neutralizar" faculdades que convidavam líderes de direitos civis para falar. E como você acha que James Earl Ray pegou o dinheiro para ir para Montreal, comprar uma identidade falsa, e voar para Londres? Até Hollywood participou da mentira - você já viu Mississipi em Chamas? Você percebeu que os agentes do

FBI realizaram tudo positivo naquele filme? Isso não é

o jeito que realmente aconteceu, eu posso dizer isso. Tudo bem, então muitas pessoas pensam que eu sou louco pela teoria de MLK. Mas eu falei para um Toreador, um ancião negro que pode tocar violão mais suave que você já ouviu, que diz que viu um agente do

FBI arrombar a casa de King logo depois de sua morte. Eu prometi a ele que eu passaria isso adiante, e uma vez que descobri sobre todos os outros assuntos, eu realmente o fiz. Alguns Toreador percebeu os sinais e gritaram junto com os outros - bem, se eles fossem a reuniões noturnas, de qualquer modo. Liberdade de expressão

é importante para o clã. Nós temos visto ideais de

todos os tipos censurados em todas as épocas, e muitos de nós apenas queriam a chance de expressar nossas opiniões ou fazer nossa contribuição. Nós não queremos que alguém nos diga o que nós podemos debater ou cantar, ou quais escritores e artistas podemos utilizar. O clã está mais jovem neste século

do que já foi desde o início, e tantos de nós lembram-se

o que era ser mortal e ter poucos recursos além da lei.

O Século XX

Expressão no Último Século

Esse não será um catálogo de formas e estilos, eu lhe asseguro. Você pode olhar para o Dadaísmo e o Pós-modernismo e Expressionismo Abstrato num livro de arte. Esta é uma história. A sociedade suportou mudanças revolucionárias no século XX; ela ainda suporta atualmente. Arte profissional se tornou muito mais acessível - os artistas podem ir a faculdades em lugar de se aplicarem em academias especializadas. Assim também a educação, se você perdoa minha mudança de frase, humanas está alta. Agora nós Toreador estamos Abraçando como nunca. Nós finalmente estamos tirando vantagem de nossa posição favorecida dentro da Camarilla para Abraçar um bom número destas novas vozes. Nós estamos, ao mesmo tempo, nos tornando muito mais exigentes sobre quem Abraçamos. Não há tempo o suficiente para alguém ser um artista bem conhecido,

criticamente aclamado, com trabalho que admiremos. Agora ele deve mostrar talento prodigioso de fato ou possuir alguma outra característica que desejamos. Um crítico social deve ter uma perspicácia válida ou emoção genuína - não mais os Holden Caulfields* do clã estão acomodados. O último século rasgou muitas das limitações de gênero e classe. Os pobres podem se tornar artistas ou líderes - embora a falta de dinheiro para treinamento e educação ainda esteja em voga, sempre existem colégios comunitários e trabalhos interinos como decoradores de interiores ou artistas gráficos. Se torna mais difícil para os pobres por que eles devem se desenterrar da obscuridade com suas próprias unhas, mas ao menos é possível agora. Costumava ser que muitos artistas, não importando sua qualidade, eram simplesmente ignorados se fossem pobres. Também, enquanto os críticos ainda louvam o artista homem mais prontamente do que a mulher, as mulheres têm uma chance muito melhor do que costumavam ter. Faculdades aceitam tanto homens quanto mulheres agora, onde os mestres antes apenas podiam instruir homens. Por causa dessa nova igualdade, a maquiagem de nosso clã está mudando. Nós sempre Abraçamos uns poucos dos incomuns aqui e ali. Às vezes era mais fácil para nós, em nosso lugar fora da humanidade, ver que até uma mulher ou um homem pobre poderia ter alguma contribuição a fazer. Por isso nós Abraçamos patronos e políticos e pessoas de beleza, uma maior diversidade é sempre manifestada entre os Toreador mais prontamente do que entre a comunidade de pensadores. O aumento da frequência de Toreador Abraçados garantiu que nos tornássemos mais diversos. Isso também significa que existe uma abertura entre nossos anciões e as gerações mais jovens de Toreador. As gerações mais altas não são mais simples apêndices para os Toreador mais velhos em seu Abraço. Agora os jovens são uma cultura em si. Quando a comunicação - por estados, nações e continentes (sem mencionar em torno do mundo!) - se tornou muito mais fácil, as influências culturais se espalharam rapidamente. Cada país absorveu influências dos outros. Tendências se tornaram onipresentes apenas para ser surpreendidas à velocidade do pensamento por outras tendências. Costumava ser essas influências culturais que se espalhavam de uma região a outra primeiramente via viajantes, os Toreador entre eles. Agora nós não mais temos esse tipo de influência no espalhar destas tendências: quem precisa ir ao Marrocos quando se pode provar sua herança culinária, literária e linguística na loja da esquina - ou da área de trabalho? Costumava ser que os Toreador pudessem reunir em um lugar - por exemplo, em 1900 este lugar teria sido Paris, Nova Iorque ou Cairo - e observar as mudanças no mundo civilizado desde sua última visita. Agora que essa "civilização" se tornou realmente global, é mais difícil de fazer.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Múltiplas cidades são consideradas centros "civilizados": Londres, Berlin, Roma, Paris, Praga, Hong Kong,

Múltiplas cidades são consideradas centros "civilizados": Londres, Berlin, Roma, Paris, Praga, Hong Kong, Tóquio, Nova Délhi, Sydney e assim por diante. Alguns anciões Toreador já viajaram muito mais frequentemente do que eles costumavam por que não é mais possível sentar como uma aranha numa teia esperando que as moscas venham até nós. Movimentos na cultura popular vêm e vão muito mais rapidamente. A crítica e a mídia empacotam cada nova tendência com seu próprio nome imaginário – como adicionar uma nova linda fita - na esperança que os consumidores e observadores encontrarão uma nova palavra que mereça o gasto de dinheiro. Geração X. e-comércio. Identidade corporativa. Vila global. A ênfase muda para a venda ao invés do conteúdo. Os consumidores é que são responsáveis por revolver bandejas de nomes: os Toreador são tão proporcionalmente responsáveis por isso quanto os mortais. O consumismo e as marés de informação cultural mundial afetam o "chão" da civilização. A comunidade da arte acha que a arte "baixa" tem um tipo de poder e impacto que falta à arte alta. Histórias em quadrinhos políticas atingem mais forte do que paisagens elegantes. Os artistas trabalhando para companhias de publicidade fazem seu trabalho com a meta específica de apelar para as emoções de seus observadores e ouvintes. E onde a arte apela para as emoções, ela vende, a despeito da crítica. Sobre o último século, diferentes estilos de arte vieram e foram. Pedaços de metal presos juntos se tornaram esculturas. Esguichos de tinta se tornaram obras-primas icônicas. Arte performática se tornou um campo válido. Enquanto atraísse alguém poderia se chamado de arte; não mais os mestres podem pronunciar com grande dignidade o que é a arte. Isto reduziu o poder dos Toreador no campo da arte; nós não podemos mais moldar o campo de fora. Contudo, isso nos deu licença para Abraçar aqueles que nós pessoalmente vimos como artistas, mais do que aqueles a quem o resto do clã deu seu selo de aprovação. Nós ainda temos que combater com as opiniões de nossos companheiros de clã, mas somos menos prováveis de encontrar nosso senhor de mente tradicional olhando e torcendo o nariz. Com o julgamento mortal ampliado do que era a arte, nós expandimos junto como um clã. Muitos anciões Toreador certamente guardam seus preconceitos, mas Abraçar novos modeladores da cultura mortal inevitavelmente nos moldaram também. Infelizmente, poucos artistas nas noites modernas podem conseguir seu sustento apenas da arte. O sistema de patronato quase todo saiu de vista. Concessões federais são muito poucas para cobrir o aluguel. Muitos artistas têm outros trabalhos para se apoiarem. Eu posso lhe dizer o quão frustrante é ter que fazer algo que você odeia para chegar a determinados fins, quando aquilo que faz você

transcedentalmente feliz fica além do seu alcance. É o bastante para deixar um artista louco. A produção representa a arte do século XX. Alguns dizem que é mudança, mas eu discordo. Não é que os estilos estão mudando todo ano, é que um novo estilo surge todo ano e adiciona seus seguidores àqueles de todos os outros estilos. Um número infinito de mídias são agora chamados de arte por alguma porção da sociedade. A arte é vista como entretenimento pelas massas ao invés de algo divino a ser saboreado pela riqueza e pelo poder. Os críticos devem entreter ao invés de informar. As expectativas mudaram. As massas agora decidem o que querem; quem pode pastorear o gosto nestes dias? O resultado é que muito da arte agora funciona como entretenimento, mesmo que os artistas possam seguir suas próprias paixões ao invés as da sociedade. Os museus podem guardar exibições prósperas que muitas pessoas depreciam como merda. A arte se dividiu em duas direções muito diferentes - a popular e a individualista - e não mostra nenhum sinal de se consertar tão cedo. Nem deve. Nós temos muito mais a escolher do que já tivemos. Enquanto alguns acreditam que esta variedade dilui o campo, eu acho que ela melhora as coisas. Todos que querem deixar sua marca têm sua chance. Meu único remorso é que muitos artistas possuem tão pouco apoio para ir em frente. Isso é onde nós chegamos, ou então esperamos chegar. Eu patrocinei três talentosos artistas desde que deixei a África - mas até mesmo se o clã como um todo devotasse a totalidade de seu propósito para "cultivar a expressão criativa", ele não poderia suportar todos artistas para sempre. Nem devem todos os artistas ser apoiados; às vezes uma barriga roncando pode estimular um criador numa forma que nada mais pode.

A Arte como um Jogo

Pelo fim da década de 1960, a expressão da emoção dentro da arte não mais parecia quase tão valiosa quanto a inteligência na mídia popular. Pelos fins da década de 1970, a arte se tornou um jogo: um artista trabalhava imagens e estilos do passado em sua arte enquanto fazia um comentário sarcástico ou irônico do mundo moderno. Eu temo dizer que os Toreador são tão culpados disto quando o cínico mundo mortal. Essa é a verdadeira maldição dos Toreador - no nosso Abraço, perdemos uma certa flexibilidade que tínhamos quando mortais. De algumas formas, nossa arte nunca mudará. Quando era vivo pretendia estudar outros tipos de pinturas além dos mapas. E pretendia estudar outras formas de fazer mapas além de pintar e desenhar - esculturas, por exemplo. Mas agora que estou morto, toda vez que me aproximo de um destes empreendimentos não chego a nenhum lugar realmente. Posso fazer novos e belos mapas pintando e desenhando, mas existe um limite até onde posso ir.

Livro de Clã: Toreador

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Em geral, o clã está em débito com isso, e eu não os culpo. Além

Em geral, o clã está em débito com isso, e eu não os culpo. Além do mais, pode levar um tempo para percebê-lo - décadas se tiver sorte. Alguns de nós, em resposta a nossa recente falta de criatividade, recorrem a um tipo de jogo. Ele não é sobre qual novo tipo de arte você pode fazer - é sobre quão malicioso ou cáustico ou autorreferente você pode ser. Os Toreador mostram seu conhecimento do passado enquanto fazem comentários destes aspectos do presente que eles não gostam. Nós não conseguimos criar. Nós não conseguimos fazer algo novo, mas podemos reinterpretar para sempre o que já sabemos. Este polimento no mundo mortal, e mesmo que eu não me importasse, nunca parei de me lamentar. Quando aqueles que não podem mais criar guiam as direções nas quais a criatividade reconhecidamente viaja, os mortais sofrem por isso muito mais do que nós. Às vezes temo que nós tenhamos feito danos irreparáveis, mas felizmente as pessoas parecem determinadas a se manter gerando novidades.

O Poder da Arte

No século XX, a arte desceu de seu status como um pináculo das realizações do homem para se tornar mero entretenimento. No início do século, os artistas viam o impressionismo como uma força destrutiva atacando todos os ideais e habilidades. O poder para destruir os ideias do homem foi atribuído a um estilo de arte. Você consegue acreditar nisso? Agora a "arte" povoa sítios da Rede vendendo CDs com músicas como "Uncle Fucka". Alguém pode ligar a TV e ver algo que supostamente é arte. A arte perdeu seu poder. Ou o ganhou? O Impressionismo não destruiu nossos ideais; ele apenas se tornou outro estilo de arte. E ainda nós ligamos nossas TVs e compramos o que os publicitários nos mandam comprar. Nós vamos nesses websites e compramos milhares de dólares de música só porque nós a vimos na MTV. Charges políticas mudam nossos votos. Eu diria que o poder da arte está apenas sendo compreendido.

A Dualidade do Deus Primitivista

Algumas coisas estranhas aconteceram frente ao início do século. Primeiro, a ênfase na arte "natural" que emergia. Estátuas que preservavam as qualidades do material de que elas eram esculpidas se tornaram a moda. Pedaços encontrados de natureza eram mantidos como arte, ainda que nenhum homem as tivesse tocado. Ao mesmo tempo, alguns artistas falavam de uma perda de controle na arte. Eles notificaram que alguém havia criado o trabalho; eles eram simplesmente canais. Isto trouxe um sentido de intimidade à arte que havia faltado até aquele tempo. Foi de quase todas as formas oposta à arte tradicional. O "processo" de arte tornou-se mais importante do que a arte em si. Isto comparou um crescimento na imagem dos artistas como egoístas e arrogantes.

O artista não simplesmente criava. Agora o

artista canalizava o divino. Quando ele segurava um pedaço de natureza e o chamava de arte, ele fazia um pronunciamento divino. Ele tinha a habilidade de definir a própria arte, não apenas criá-la. Por um tempo, esta nova autoridade artística danificou o relacionamento entre os Toreador e os mortais. Quando os artistas mortais se viram como divinos, o que fariam conosco? Alguns Toreador

acreditavam ser a inspiração divina destes mortais. Tal arrogância causou muito mais problemas do que resolveu. Outros, que nunca haviam sentido este êxtase quando estavam vivos e criando sua própria arte ficaram com inveja. E quase todos Toreador que foram abandonados por estes artistas mortais guardavam rancor. Finalmente, este movimento completou o ciclo.

A arte simples se tornou popular. Impressões baratas

em blocos de madeira japoneses estavam em alta demanda, bem como pinturas russas de ícones. Muitos Toreador estavam muito surpresos pelo retorno à arte folclórica. Houve uma grande demanda por artefatos tribais, e os artistas de países em desenvolvimento tiveram um impacto surpreendente.

A Era da Informação

Eu amo ter acesso ao conhecimento do mundo

ao pressionar de um botão. Acho grandioso que qualquer artista com dinheiro para comprar um computador (ou com acesso a uma escola ou biblioteca decentes) possam expor seu trabalho para qualquer um ver. Acho fantástico que as revistas possam operar sem custos de impressão - tanto quanto elas possam pagar seu acesso à Internet e computador, elas são brilhantes. Nos últimos anos, inúmeros Toreador se reuniram na Internet e na Rede Mundial de Computadores. Eles mostram sua arte online em páginas na Rede e fóruns. Eles distribuem e-mails por

toda a Internet. É algo como um coletivo de artistas, e

se chamam inclusive de guildas (veja p. 55 para saber

mais sobre guildas). Muitos do clã se recusam reconhecê-los como tais; afinal, as guildas significam grupos regionais. Os Electron Artists, como os membros deste grupo aberto se chamam, vêm de todas partes do mundo. Os EA dizem, contudo, que são uma comunidade e desse modo apenas tão intitulados para se chamar uma guilda quanto qualquer outro grupo de Toreador. Talvez seja, como eles se reúnem por algo que não apenas o fato deles serem vizinhos. Pessoalmente estou com eles, mas não pelos motivos que eles alegam. Não me preocupo se querem que os chamem de guilda. Por que algum de nós deveria se preocupar? Como se chamá-los de guilda desse a eles qualquer tipo de poder. Os Artistas Eletrônicos se sobrepõem fortemente com um novo movimento entre os Toreador que guarda como um de seus preceitos que a

Capítulo Um: Os Civilizados

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arte deve ser efêmera, não permanente. Então eles se preocupam pouco com coisas como a

arte deve ser efêmera, não permanente. Então eles se preocupam pouco com coisas como a poluição no Prado. Por que o destino de uma pintura de poucos séculos importaria para eles? Eles dizem para deixar tais coisas passar; a arte significa apagar e então se erguer novamente. Eles comparam-na à Fênix, que morre nas chamas e então renasce. Um ou dois extremistas neste movimento ficaram conhecidos por invadir museus e destruir obras de arte particularmente velhas, mas incidentes como esse são raros. Se estes incidentes continuarem, contudo, pode apostar que alguém irá julgar os EUA responsáveis. Eu sou jovem o bastante para não temer o computador, mas velho o suficiente para não querer gastar todo meu tempo lá. Sim, eu coloquei alguns de meus mapas na Rede. Recebi resposta por e-mail, tudo desde "Uau, cara, posso comprar um destes seus mapas, tipo, um real?" a "Apenas desista e morra; o mundo seria um lugar melhor para isso". Tudo parece ampliado no mundo eletrônico: o alto parece mais alto e o baixo parece mais baixo. Parece para mim que os Toreador que gastam tanto tempo lá ficam um pouco extremos. Eu acho que temperar qualquer experiência online com uma boa dose da coluna da Senhorita Bons Modos (disponível nas Notícias da Rede), me traz de volta à terra. Você não espera que eu seja um fã dela, espera? Já leu uma de suas colunas? Elas não são sobre garfos. Ela é uma fabulosa escritora, com uma inteligência aguda e, quando necessário, uma língua ácida. Ela pode vestir sarcasmo e desaprovação nos tons mais doces, e ela não tem paciência para a estupidez humana.

Isso é arte. Espero que algum de nós a Abrace eventualmente. Os EUA alcançaram uma coisa que nenhum outro Toreador conseguiu: um grupo coeso. Eu admiro sua habilidade para se reunir em torno de uma causa, embora poucas causas permanentes atraiam seus olhos. Ainda, quando eles querem fazer algo no mundo dos computadores, eles frequentemente conseguem. É uma coisa temível. Se todos Membros pudessem se organizar dessa forma, o mundo seria um lugar muito diferente. Talvez seja uma coisa boa que este grupo em particular seja tão aberto e preguiçoso quanto eles são e não se preocupem com muitas causas. A única coisa que atrai seus olhos são as leis que ameaçam sua liberdade, e acho que é melhor assim.

Um Novo Milênio

Tudo muda enquanto nos movemos cegamente nas noites modernas. Escritores costumavam criar utopias para nós nas quais a guerra era uma coisa do passado, limpeza étnica desconhecida. Ficção científica - um dos temas mais otimistas deste século em termos de esperança e idealismo - costumava apresentar as mais belas visões de o que a guerra se tornou. Ciência e tecnologia nos ergueram da cova e nós cavamos por nós mesmos. Em algum ponto do caminho isto mudou. As utopias foram abandonadas pelo terror e destruição. Durante a Primeira Guerra Mundial, imagens dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse começaram a nos assombrar. Não eram apenas pessoas morrendo em

Cavaleiros do Apocalipse começaram a nos assombrar. Não eram apenas pessoas morrendo em Livro de Clã:

Livro de Clã: Toreador

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conflitos militares, mas nosso efeito no planeta estava sendo percebido pela primeira vez. A camada

conflitos militares, mas nosso efeito no planeta estava sendo percebido pela primeira vez. A camada de ozônio se deteriorava. A poluição cobria nossas cidades e as crianças desenvolviam asma. Defeitos de nascimento apareciam em cidades onde lixo tóxico era depositado. Como nossa arte pode não ser sombria e apavorante? Terrorismo, escassez, pestes, exploração sexual, negligência com países subdesenvolvidos e genocídio nos assombram. Os Toreador antitribu prosperam neste clima. Quando o feio é tudo que há para ver, algumas pessoas aprendem a apreciá-lo. E muitos destes Pervertidos são recrutados pelo Sabá. Nossos números opostos foram uma vez raros - a ocasional nuvem negra obscurecendo as estrelas numa noite limpa. Agora é época de tempestades. Os antitribu estão por todos os lugares. Tudo bem; talvez "todos os lugares" seja exagero. Mas não é exagero que eles tem sido capazes de raptar mais Toreador da Camarilla na última década do que antes.

Nós sempre fomos um reflexo da humanidade

de uma forma ou de outra, e neste tempo de pesadelos nós permanecemos verdadeiros para o papel. Enquanto os mortais ficam mais sombrios, nós também ficamos. Este é um tempo terrível. Um dos próprios cidadãos da América bombardeou um prédio federal em Oklahoma.

O colapso da Iugoslávia a levou para uma guerra

étnica marcada por verdadeiras atrocidades. Etiópia e Eritréia guerreiam quase diariamente e as acusações de brutalidade voam. Nós não podemos ajudar mas apenas refletir sobre esse rancor.

A arte sempre realçou as esperanças, sonhos,

medos e pesadelos dos vivos. No século XX ela tornou possível para qualquer um com uma máquina de escrever ou um computador ao menos tentar registrar seus pensamentos.

Concedeu, a muitas destas pessoas a quem falta a disciplina ou talento para serem escritores, mas algumas mentes incríveis emergiram deste experimento que nunca teriam tido a chance de prosperar se não pela tecnologia. O milênio não é nada, quando vem no tempo certo. É uma data num calendário que mudou inúmeras vezes na história da civilização. Nem todos países seguem este calendário. É uma data completamente arbitrária, especialmente quando você considera que as pessoas estão realmente celebrando (e sonhando com) o milênio um ano mais cedo, tecnicamente. Mas isso não faz com que seu poder como símbolo se enfraqueça. As pessoas sempre seguraram as fronteiras com força. O povo fada supostamente aparecia nas encruzilhadas, à meia-noite, ou no crepúsculo ou na aurora. Tempos de borda. O milênio é um tempo de borda - um dos maiores de todos. É o divisor entre anos, décadas, séculos e milênios. A comutação acontece à meia-noite, a hora encantadora, outro tempo de borda. É arbitrário, e ainda incrivelmente significante. Eu gosto de pensar que é apenas um reflexo da natureza supersticiosa do homem, e por extensão dos Membros. É outro medo de bordas, a forma pela qual nossos ancestrais temiam as encruzilhadas à meia- noite no solstício de verão. Mas às vezes eu me pergunto. A Maldição de Caim em si trouxe uma condição de borda. Você percebeu? Os mais jovens de nós são tão mortais quanto vampiros. Os de sangue fraco agem como uma ponte entre as duas raças, e pontes são bordas também - ou você esqueceu seus contos de infância das três cabras rudes, com troll sob e a ponte? Talvez não tenha nada a ver com isso. Talvez seja apenas a ordem natural das coisas. Talvez não.

Capítulo Um: Os Civilizados

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Capítulo Dois: Capítulo Dois: Asteta Revelado Asteta Revelado "Ela mal ganhou consciência e quando me
Capítulo Dois: Capítulo Dois: Asteta Revelado Asteta Revelado
Capítulo Dois:
Capítulo Dois:
Asteta Revelado
Asteta Revelado

"Ela mal ganhou consciência e quando me vê, parado na sua frente, nu, eu posso imaginar que a minha virtual abscência de humanidade a enche de horror mental" - Breat Easton Ellis, Psicopata Americano.

Como dito por Goddard Saudações. Disseram-me que você estava vindo. Foi pedido a mim que te explicasse algumas coisas. Mais particularmente, o que significa ser o que nós somos. O que significa ser Toreador. Dê uma olhada neste quadro. Bom? Não, não é uma fotografia. Olhe mais de perto. Eu o pintei, estilo pontilhismo, usando unicamente pêlos de cavalo como pincéis. Há mais detalhes do que na fotografia convencional, mais que uma capa de revista e certamente mais que uma tela de TV. Levei dois meses para concluí- lo. Pode ficar com ela se quiser. Em termos de técnica, é uma obra-prima. Poucos humanos têm paciência para tal trabalho de pintura. Eu já o mostrei, e outros trabalhos similares, para humanos que possuem galerias. A maioria rejeita como algum tipo de truque ou fraude. Nenhum ficou particularmente interessado. Eu posso vendê-las, mas se preciso de dinheiro, posso conseguir mais fazendo retratos de ricos autoindulgentes. Com certeza toma menos tempo e esforço.

Artisticamente é uma droga. Eu tenho feitos porcarias sem valor desde antes de Monet. Eu tentei, e mecanicamente dominei, as técnicas do cubismo, expressionismo abstrato, surrealismo, impressionismo - escolha um. Em cada escola, os desafios técnicos prenderam a minha atenção por anos, até que me tornei muito bom neles. Então, como um jarro entornado, sua importância e significado escorreram para o chão da eternidade. Aqui está a minha melhor pintura. Eu fiz quando, como você, eu era um neófito. È um pouco ingênua, mas tem coração, emoção, intensidade. Ela comemora minha primeira refeição letal, a primeira vez que eu perdi o controle sobre a Besta. Vê o observador difuso nas sombras? Os olhos e boca abertos, o horror? Este costumava ser eu. Desde então, houve muitas mortes, muitas pinturas para lembrá-las. A matança se tornou muito mais brutal enquanto meu "lado negro" crescia mais insistentemente. As pinturas eram feitas com muito mais graça e equilíbrio. E ainda há algo vital nesse esforço de novato que falta em meus trabalhos desde então.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Este é o horror máximo da nossa existência, veja você. Não o ato de matar,

Este é o horror máximo da nossa existência, veja você. Não o ato de matar, ou de gostar de matar, ou qualquer uma dessas coisas. O verdadeiro horror está por trás do horror imediato, atrás do sangue e do

frenesi. O verdadeiro horror é o tédio. Do outro lado

do horror está a aceitação resignada.

Veja, depois das suas primeiras décadas sem mudança, você viu tudo. Não, literalmente, é claro. Você vê coisas que são muito mais odiosas, ou mais belas, ou mais inumanas, ou mais angelicais. Mas, por esse ponto, um Cainita passou por tantos choques e reviravoltas que as reações estão firmemente estabelecidas. A primeira vez que eu vi uma criança assassinada, foi horrível - me provocou náuseas. Eu tentei por um fim nisso. Na época, Auschwitz estava no auge. Na época, milhares, ou milhões de crianças foram assassinadas, e não foi um milhão de vezes mais horrível. Foi meramente o mesmo horror pela milionésima vez, e a repetição de qualquer sofrimento por milhões de vezes começa a tirar a sensibilidade de qualquer um. Assassinato torna-se banal. Você não imagina o porquê de tão poucos dos

grandes artistas, pintores e compositores da história serem preservados pelos Toreador? Somos no fim das contas os grandes arquivistas da expressão humana, não somos? Vou deixar você saber um segredo: Mesmo com todos nossos séculos de prática, não somos melhores que os mortais em reconhecer gênios vivos.

O tempo é realmente o teste de grandeza. Durante o

auge de Picasso, me foi concedido o direito de fazer uma criança, e eu escolhi outro, ao invés. - um ninguém. O trabalho de Picasso parecia cartunesco e absurdo para mim. Talvez. Talvez eu tenha ficado

Mas, mais que isso,

eu já vi tantas manias, tantas escolas e manifestos irem

e virem. A sensação latente da mudança constante pode sufocar até mesmo algo verdadeiramente revolucionário. Quantas bandas de Rock-and-roll são maravilhas de um único sucesso? Até mesmo um grupo terrivelmente popular como os Beatles será varrido para debaixo do tapete da história em uma centena de anos. Mesmo em 50 anos, quem conhecerá George Gershwin? Ele desaparecerá esquecido. Quem era o maior tocador de espineta do séc. 19? Ninguém sabe. Ninguém liga. Uma centena de anos é o máximo que você pode existir antes que seus sentimentos, sua consciência fiquem nauseados. Eu não tenho nada de novo a relatar dos últimos séculos. Sem novas histórias para contar, eu estou reduzido a repetir a mesma velha história, pintar a mesma impressão pálida de novo e de novo. Meu estilo muda ou melhora, mas a substância se esvai gradualmente sob uma familiaridade inexorável. Algumas noites, isso me faz chorar. Algumas

noites isso me deixa doente. Mas na maioria das noites,

muito tempo sem ver a luz do sol

no entanto, eu simplesmente não sinto nada. E esta é a minha maior falha - e a de todos Toreador.

Sendo um Vampiro

Você é o que? Um poeta? Sim, eu percebi. Não fique embaraçado pela sua transparência. A primeira vez que você sair de um frenesi e perceber que está grunhindo e esfregando algum órgão não identificado

mas rico em sangue contra seu seio, aí você poderá ficar envergonhada. Eu também posso dizer o que você está pensando nesse exato momento: "Certamente eu jamais iria cometer um ato tão hediondo e asqueroso. Eu sou refinada, uma jovem dama de cultura". Você irá. Seu "Abraço”, como nós risivelmente chamamos, também instigou ou despertou algo dentro de você chamado de Besta. É um nome apropriado para um conjunto de desejos que chama de dentro, que clama por sangue. Quanto mais faminto você fica, mais forte é

o chamado da Besta. Mas é mais do que fome. Eu acredito que a Besta seja sua morte frustrada. Mesmo agora, você não respira, seu coração não bate e suas células permanecem estáticas apenas por intermédio da maior violação da ordem natural. Você

deveria estar morto, mas não está - e a Besta é o furor da natureza ao ser desafiada, expressa através do seu eu natural remanescente. Alguns membros tentam sufocar sua Besta, deixá- la faminta em submissão, vivendo uma vida de negações. Tiram apenas o que precisam para evitar a fome do frenesi, e em todas as vezes se esforçam para se prenderem aos valores de suas vidas humanas. Mas essa

é uma aproximação perigosa, pois permanecer em jejum

de sangue é apenas uma solução intelectual. Enquanto alguém está cognitivamente seguro de que está agindo eticamente, a fome da Besta cresce até seu intelecto ser varrido como um graveto numa tempestade. Então este é o momento para o seio enrijecido que eu havia mencionado. Outros membros tentam fazer as pazes com suas Bestas, as mimando. Refeições completas, regulares podem entorpecer seus uivos em murmúrios, mas há, no entanto, um lado ruim nessa estratégia. O ato de se alimentar perde seu horror através da repetição constante, e uma vez que o ato de roubar o sangue de um humano já não é tão horrível, mas na verdade prazeroso

e essencial - bem, então resistir a Besta torna-se muito

menos do que uma prioridade. Sucumbe-se à sua mais mortal natureza, não pela fraqueza, mas simplesmente porque não importa mais. A decência não é mais prioridade. Somos, ao que parece, amaldiçoados se nos alimentamos e amaldiçoados se jejuamos. O que pode um vampiro fazer para manter sua moral? Esse enigma é brutal e levou muitos dos nossos à piedosa aniquilação do sol. Você nunca ouve sobre isso,

nunca testemunha, mas eu suspeito que a maioria dos muitos membros que desapareceram sem rastro deixou de existir pela sua própria vontade. Há, no entanto uma cláusula de fuga. Não é fácil, mas há.

Livro de Clã: Toreador

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Sendo um Humano A Besta é a morte desafiada, que trucida, procurando pela destruição e
Sendo um Humano A Besta é a morte desafiada, que trucida, procurando pela destruição e

Sendo um Humano

A Besta é a morte desafiada, que trucida,

procurando pela destruição e tudo o que valha a pena. O que, então, podemos dizer sobre este estranho desejo que nos mantém presos a mais

comum das visões? O que é que nos mostra a beleza que estava escondida antes?

O ser humano tem sido chamado de uma

criatura composta - metade anjo, metade argila. Esta contradição quimérica é duplamente verdade para nós Toreador, porque nós somos metade cadáveres, mas metade almas vibrantes e intensas. A maioria dos vampiros nega seu passado vivo, tanto que não há nome para isso além de "ego" para os freudianos ou "alma" para aqueles que carregam sua fé através da paródia monstruosa da ressurreição. Apenas nós parecemos vivenciar seu aprofundamento, e é isso o que põe a Besta em cheque. Cada momento que gastamos engajados nas coisas da vida - fazendo algo duradouro, aprendendo algo desconhecido e nos abrindo ao toque da arte - faz nosso elemento humano mais forte. Esse elemento pode conter a Besta.Você já

sentiu a exaltação? Bom. Cada vez que você sente a exaltação é mais uma noite que você retém a sua vontade e ação, livre das garras da Besta. No entanto não cometa o erro mais comum de um neófito. Não assuma que o inimigo do seu

inimigo é seu amigo, mesmo quando esse inimigo é você. Afinal, somos geralmente nossos próprios e piores inimigos. Para ser claro: A humanidade não é perfeita. O mítico Caim era humano antes de ser amaldiçoado, humano quando inventou uma nova e cruel maneira de pecar. Humanos inventaram a tortura, genocídio e eufemismos como "limpeza étnica" para encobrir sua perversão. A Besta anseia por destruição, aniquilação, entropia. Mas nossa humanidade anseia por estimulação, engrandecimento, a satisfação de desejos egoístas. Isto pode ser bom ou ruim, dependendo de muitas variáveis. Mas no grande esquema das coisas, não importa se isso é objetivamente certo ou errado. É necessário. Artistas são aconselhados para "obedecer sua musa" ou "seguir sua inspiração," sempre por aqueles que acreditam que nossa musa inspiradora nos guia inevitavelmente a prados perfumados e não a alguma toca de auto-degradação. Mas quantos

artistas são puros? Coleridge, o viciado em láudano?

O incestuoso Sr. Shelley? Sappho a lésbica? Santo

Davi, o salmista, o promíscuo? Ginsberg, Whitman, de Sade, Baudelaire? Divergentes ao homem. É meramente nossa disciplina interior. Na pintura

temos a nossa cota de sádicos e bêbados e viciados e

os anais da música estão repletos de pederastas, pervertidos e fetichistas.

Livro de Clã: Toreador

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Ser humano é ser uma contradição, anjo e animal juntos na mesma carne. Nós ansiamos

Ser humano é ser uma contradição, anjo e animal juntos na mesma carne. Nós ansiamos ser parte da tribo, então concordamos que aqueles que são diferentes são maus, cruéis, doentes, distorcidos, impuros, amaldiçoados. Mas ao mesmo tempo nosso orgulho exige que sejamos únicos. Estes desejos são os alicerces para a arte, nos dando uma perspectiva diferente que nos permite ver algo antigo como se fosse novo, entender de outra maneira, nos levar de volta às maravilhas de nossas primeiras percepções. Ouça aos seus anseios, neófito. Seus resquícios de desejos humanos podem te dar força contra a Besta, não importa o quão degradados ele possam parecer a você. A maioria dos mortais limita sua humanidade ao que é "aceitável". Isto é um luxo com o qual não podemos arcar, tanto os artistas ou monstros. Deixe-me lhe dar uma metáfora. Eu conheci uma mortal. Vou chamá-la de "Polly", mesmo que o nome não seja importante. Não havia nada que Polly gostasse mais do que ser penetrada por um vampiro que bebia seu sangue. Entre esse carinhoso rebanho que aprendeu os prazeres do Beijo, esta conjunção não é de todo incomum. Polly levou além. Ela gostava de ser drenada além do ponto do êxtase, além do ponto seguro, bem no limite da inconsciência. Como aqueles que praticam asfixia erótica. Polly percebeu que enquanto o cérebro ficava sem sangue, as sensações de seu corpo se tornavam aumentadas e intensificadas. Ela tinha alucinações, êxtases,

experiências incoerentes que a levavam de volta a mesma prática perigosa.

Ela me disse que era como ser uma molécula única no ponto limiar onde Deus e o Diabo fizeram amor. Parece com um colega poeta, não? Incapaz de separar a experiência da pretensão de ser conhecida por ela?

O ponto da história é que nós, como Polly,

jogamos um jogo perigoso e devemos alcançar um equilíbrio perigoso. Como ela nós estamos no limite da manutenção da vida e da tomada da vida. Como ela, nós devemos atender nossos desejos um contra o outro. E como ela, a maioria de nós perde o controle cedo ou tarde e acaba morto.

Nos melhores casos, estas almas mortas cessam o movimento. Nos piores, elas seguem em frente para dividir sua condição com outros.

Toreador e os Mortais

Nas palavras de Mira Seghir

Os Toreador como um todo permanecem mais

próximos aos mortais do que qualquer outro clã, com a possível exceção dos ásperos Brujah.

O que nós somos e o que nós fazemos, envolve

profundamente o rebanho - o que seria da civilização sem eles? Como poderíamos compartilhar do melhor da humanidade sem permanecer próximos a ela, atentos a ela? Nós andamos na linha fina entre os Membros e o Rebanho, deslocados de partes

a ela? Nós andamos na linha fina entre os Membros e o Rebanho, deslocados de partes

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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significantes de ambos os mundos, aproveitando o melhor e o pior de cada um. Muitos

significantes de ambos os mundos, aproveitando o melhor e o pior de cada um. Muitos de nós preferem a companhia de mortais do que a dos Membros. Alguns Toreador até mesmo se auto-indulgem, mantendo uma identidade mortal ou uma família mortal. Tão poucos dos outros membros podem dizer que sabem como é sentir chegar em casa para uma esposa e filhos amorosos. Tão pouco dos outros membros podem dizer que eles sabem o que é sentir o amor. Infelizmente os pontos altos fazem os baixos bem mais terríveis. Alguns Toreador nunca se recuperaram por matar um amado num frenesi ou até mesmo perdê-los de forma natural. Nossa proximidade à humanidade torna muito mais terrível testemunhar a mortalidade. Alguns dizem que os Toreador são manipuladores habilidosos que adoram intrigas e calúnias. Entender e cultivar relacionamentos com mortais é,afinal,o que nós fazemos melhor, e isso geralmente leva a usar outros para ter o nosso caminho - alguns dizem que toda interação emocional com um mortal é, a sua própria maneira, uma manipulação, mas eu discordo. Uma vez eu falei com um Toreador que se gabava de entender tão bem os mortais, que ele poderia ler o que estava realmente sendo dito numa carta se ele conhecesse a pessoa. Ele me mostrou um recado do pai de sua enteada, que ele havia interceptado. Ele falava de quão triste o homem estava porque sua filha não mostrava a ele o "amor de uma filha para um pai." Ele riu. O que realmente ele está dizendo é: “Por que você está me fazendo parecer mal na frente das minhas irmãs, quando são ela que pagam meu aluguel?". Eu perguntei a ele se ele iria mudar a carta e devolver, ou apenas esconder dela. Ele disse que nenhum dos dois. “ela conhece ele até mais do que eu conheço, e eu a ensinei bem”. Ela saberá exatamente o que ele está dizendo. Ela está relutante em cortar relações com ele até agora, mesmo pensando que ele a tratava como um nada. Esta vai ser a cartada final." Ele sorriu para mim enquanto mostrava um envelope. Intriga é uma coisa complexa. Dificilmente seria um passado de todo o clã - alguns de nós têm coisas mais importantes para fazer com nossas não- vidas. Mas alguns de nós certamente acham que isso floresce naturalmente de uma não vida de fofoca e prestação.

Toreador e os Carniçais

Toreador raramente transformam em carniçais pessoas que eles realmente gostem, mas geralmente temos um número de carniçais bem maior que outros membros. Temos muitas razões

Na Passagem do Tempo Os Toreador operam numa escala de tempo fundamentalmente diferente da maioria
Na Passagem do Tempo
Os Toreador operam numa escala de tempo
fundamentalmente diferente da maioria dos outros
membros. O mundo mortal se move rápido, assim
como nós.Enquanto nossos anciões e Membros de
outros clãs podem passar séculos tecendo planos
cuidadosos e estratégias, nós Toreador, passamos
décadas fazendo a mesma coisa. Enquanto outros
membros pensam numa escala de anos, nós Toreador
pensamos em meses ou semanas. Enquanto o portfólio
de ações de um Ventrue é baseado em companhias com
décadas de idade, experimentadas e testadas, um jovem
Toreador provavelmente irá preferir investir pesado em
fundos de alto risco ou ações de tecnologia (IPOs –
Initial Public Offering). O Malkaviano pode exibir suas
vestimentas da época em que foi Abraçado, mas o
Toreador socialite usa o que está na moda agora.
Então é muito difícil para os outros membros
pegarem os Toreador de surpresa com seus esquemas, a
menos que eles esperem a muito longo-prazo, com
planos muito tênues. Toreador têm reflexo mental
rápido, mas é menos provável que nós nos dediquemos
a padrões de comportamento tecidos ao longo de
séculos, porque isso pode ser ofuscante para um
Toreador com noções acuradas de humanidade.
Alguns consideram os Toreador frívolos por causa
disso, quando eles entendem isso tudo. Nós Toreador
preferimos pensar que somos flexíveis.
Quando a humanidade de um Toreador cai, esta
escala de tempo começa a regredir de volta as
experiências normais de um Membro. Afinal, é a
conexão de um Toreador com o mundo mortal que o
mantém na escala de tempo.
Por causa de seus diferentes desejos, os Toreador
tendem a pensar muito mais como a sociedade mortal,
mesmo com a idade. Eles aprendem como usar uma
nova tecnologia tão logo ela se torne popular. ao invés
de tentar se atualizar anos depois. Eles também evitam
roupas há séculos fora de moda; é mais fácil encontrá-
los na última moda - ou ao menos em algo apresentável.
Certamente isso é verdade para qualquer jovem
Membro, de qualquer clã, pelo menos até suas
maneiras começarem a ficar obsoletas. Para os
Toreador, no entanto, mesmo desgastados ancillae
podem estar em dia com os tempos modernos e podem
ter um melhor apego aos prazeres do mundo moderno
do que qualquer outro Cainita da mesma idade.

para isso. Por um lado, nós preferimos nos cercar de beleza, e a maioria dos nossos carniçais são pessoas belas. Por outro, o tipo de estilo e vida que a maioria dos Toreador aprecia requer dinheiro, e uma das maneiras mais fáceis de conseguir dinheiro é por associação com pessoas que sabem como conseguí- lo. E é claro, nós precisamos de pessoas para nos proteger e resolver nossos negócios. Alguém tem que levar os cachorros pra passear.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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É amplamente considerado uma tolice fazer um laço de sangue com um artista, porque nós

É amplamente considerado uma tolice fazer um laço

de sangue com um artista, porque nós acreditamos que isso extingue sua criatividade ou pelo menos o faz dependente de nós. Isso às vezes pode nos presentear com uma difícil escolha: se devemos Abraçar o artista se acreditamos que

ele tenha valor, ou se devemos deixá-lo morrer de velhice e remover seu dom do mundo. Pode parecer fácil nessa circunstância Abraçar cada artista que vemos, mas nem todos são apropriados para a não-vida de um Toreador. Isso requer uma certa perspectiva que falta a muitos. Mais de um criador já entrou em colapso depois de ter sido Abraçado - pode ser difícil descobrir que você, que era tão sensível em vida, é agora um predador que deve beber sangue para sobreviver. Nós também preferimos não abraçar qualquer artista talentoso que aparece, porque isso dilui o valor do clã como um todo. Também, um artista preservado eternamente, falando francamente, nunca vê o valor de sua arte aumentar - ele se torna uma comodidade, um artesão ao invés de um verdadeiro artista.

É considerado cruel fazer um laço de sangue com um

familiar ou amigo, pois isso toma grande parte de sua livre vontade. Qual é a satisfação quando sua filhinha te entrega

uma pintura a dedo sussurrando um "eu te amo mamãe", se você sabe que ela é forçada a te amar? Além do mais, fazer de uma criança um carniçal a mantém jovem para sempre, o que é cruel por si só. Alguns Toreador fazem laço de sangue com suas famílias ou amigos mas olhamos essa prática com uma certa desconfiança. É um comportamento desprezível.

Mantendo uma Identidade Mortal

Alguns de nós escolhem se prender a uma identidade mortal. Os Toreador geralmente demonstram como parte de sua comunidade local - me perdoe, sociedade - e então fazem seu melhor para se enturmar. Obviamente isto pode ser difícil, uma vez que não podemos sair durante o dia. Há maneiras de contornar isso. A maioria confia no arquétipo "excentricidades de socialite" para explicar seu comportamento. Aqueles com dinheiro suficiente acrescentam a isso o estereótipo peculiar aos ricos - (estereótipos podem ser tão úteis quando manipulados corretamente). Ainda assim não é fácil. Somos obrigados a irritar as pessoas quando continuamos a recusar seus convites para jantar. É claro, há maneiras de contornar isso também - tantos mortais hoje em dia têm alergias variadas e incomuns a alimentos que é fácil dizer que não queremos ser um fardo. Nós Toreador também somos mais adeptos em nos passar por mortais do que a maioria dos outros clãs. Muitos de nós sabem como usar nosso sangue para parecer corado e quente. Alguns de nós sabem até mesmo como comer, mesmo que raramente mostremos essa habilidade na frente de outros Membros - que idéia mais vulgar! Outros clãs tendem a ver essas inclinações como sinais de quão decadente nós nos tornamos. Se nós mantermos uma certa identidade por muito tempo, é claro, alguém eventualmente notará que não estamos envelhecendo. Nós podemos disfarçar isso com simples maneirismos, ou usando perucas, tintura de cabelo e maquiagem cênica - Eu já fiz isso antes - mas é cansativo fazer isso noite após noite. E tudo o que você precisa é um escorregão da peruca ou um borrão acidental da maquiagem, e o disfarce de alguém é desmascarado.

Realmente, a manutenção de uma identidade mortal é uma responsabilidade tediosa. A pior parte é que no mundo atual da televisão, das notícias internacionais e aviões, nós não podemos apenas viajar uma centena de milhas e estarmos seguros de que ninguém nos reconhecerá. Alguns arranjam vidas mortais despercebidas e indignas de nota e usam pseudônimos quando querem fazer aparições públicas. Isso tudo parece muito improdutivo para mim, pois para que serve a não-vida a não ser para ser aproveitada? Pra que fazer as coisas ficarem piores para você mesmo?

Mantendo uma Família Mortal e se Apaixonando.

Manter uma família mortal é ainda mais difícil. Não apenas porque devemos enfrentar todos os

perigos inerentes em manter uma identidade mortal, mas nós também devemos lidar com os relacionamentos por si só. Relacionamentos com mortais são desencorajados, porque geralmente acabam em desastre. Se a família envolve crianças, então surgem as perguntas mais difíceis - Você conta a elas o que você é e arrisca que eles revelem o segredo aos seus amigos ou professores? Você os deixa no escuro e enterra suas dúvidas cada vez que eles te perguntam por que você só acorda á noite, ou por que seu quarto não tem janelas, ou por que você é tão gelado quando os beija a noite? Manter uma família mortal é verdadeiramente a mais terrível e mais maravilhosa das coisas. Pode nos fazer sentir vivos novamente ou pode nos apontar o quão longe estamos do caminho. E também traz outros perigos - como a possibilidade de frenesi. Mais

de um Toreador já saiu de um frenesi para encontrar

seu enteado ou enteada, ou até mesmo seu marido, rasgado aos seus pés. Alguns Toreador encontram amores que não são

mortais. Toreador são conhecidos por se apaixonarem por outros Toreador, por outras criaturas que povoam a noite (que tolice!) ou até mesmo com os membros de outros clãs. O amor é uma das nossas mais orgulhosas

e preciosas posses, nos mantêm próximos da

humanidade e nos permite entender os mortais melhor que qualquer outro Membro. Pode renovar a vontade de alguém a continuar quando tudo parece frio. Também é uma das nossas maiores fraquezas. Através do amor nós ficamos loucos com o sofrimento quando nossas famílias são alvos de nossos inimigos. Através do amor nós experienciamos a perda de uma maneira que nenhum outro Membro consegue. E acima de tudo o que é dito e feito, nós já estamos mortos - o amor entre os Membros pode apenas terminar em tragédia.

O Beijo

Os Toreador têm duas coisas em mente quando

se alimentam. Muitos crêem que se alimentar de

amigos mortais próximos, os desvaloriza, e é claro, a

Livro de Clã: Toreador

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maioria se preocupa com a impressão que isso deixa. Considere a diferença incrível entre ter

maioria se preocupa com a impressão que isso deixa. Considere a diferença incrível entre ter uma esposa que sabe, abstratamente, que você é um Membro, e ter sua esposa vendo você com os dentes no pescoço de outra.

Isso tende a trazer um conceito confuso de lar com um monte de problemas e já arruinou vários relacionamentos de Toreador. Aqueles Toreador que se recusam a se alimentarem de seus amados dizem que isso seria tratá-los como gado. Qual é o ponto de tentar permanecer próxima a humanidade, interagindo com eles, se irá tratar os mais próximos a você como presa? Outros dizem que o prazer do Beijo é simplesmente outra maneira de expressar o amor a uma esposa carinhosa. Outros ainda falam da frustração e da inabilidade de fazer uso pronto de uma fonte de sangue em uma época que suprimentos seguros de sangue podem ser escassos. A maioria dos Toreador é claro, vê isso pela racionalização. Alguns dizem que se alimentar de um familiar é o primeiro sinal de que um Toreador perdeu o toque com a humanidade. A maioria dos que se permite esse tipo de comportamento, o faz a portas fechadas.

A Máscara

A Máscara é algo bastante capcioso para um Toreador. Muitos membros da Camarilla nos vêem como aqueles que mantém a Máscara, e não sem razão. Nós gastamos tanto tempo com Mortais que brechas na Máscara tendem a atrair nossa atenção muito rapidamente, e nós podemos passar tranquilamente sem ser detectados entre o rebanho. Através de nós, os problemas têm a atenção de outros membros da Camarilla, quando acreditamos que isso é apropriado. Então fazemos uso de nossos contatos mortais para cuidar da situação. Depois de lidar com tais brechas, passamos por heróis para alguns, dedos-duros para outros. Mais importante de tudo, ficamos parecendo limpadores de sujeira. Veja você, a Máscara é uma linha muito, muito fina, e nós andamos exatamente no meio. Para reforçar a máscara e permanecer próximos à humanidade, devemos nos mover entre o rebanho. Mais Toreador revelaram seu segredo a mortais do que provavelmente qualquer outro clã da Camarilla - ainda assim nós não somos culpados. È precisamente o fato de interagirmos tão bem com a humanidade que nos faz capaz de identificar e limpar as bagunças dos outros clãs. Qualquer um criando uma ameaça óbvia à Máscara irá se perceber objeto de desdém - nossa sociedade não dá lugar para aqueles que nos deixariam destruir pela sua preguiça, estupidez ou ganância. Apesar disso, ainda é uma linha fina. Nós simplesmente aprendemos a reparar rachaduras na fachada da Máscara, antes que qualquer um perceba. Nós também temos um melhor senso de quais mortais podem ser confiáveis para não espalhar nosso segredo. É por causa de permanecermos em contato com essa humanidade, a maioria das nossas violações da Máscara, não são flagrantes como as dos outros clãs.

Mesmo que geralmente não sejamos capazes de um movimento que reúna todo o clã, ou toda uma cidade - os Toreador são muito egoístas e exclusivistas para jogarem como um time - nós fazemos nosso melhor para mantermos a Máscara. Quero dizer, nossa Máscara, não a da Camarilla. Se quebramos a Máscara da Camarilla, nós perdemos a chance de encarar nossos outros colegas Toreador, mas esses colegas nunca repetem as histórias aos outros filhos de Caim. Bom, quase nunca. Alguns Toreador são conhecidos por deixar esses segredos caírem cuidadosamente nas mãos da Camarilla para arruinar um rival. Felizmente, isso não acontece com frequência. Ainda assim, o clã possui alguns marqueteiros, socialites, pessoas da mídia e outros artistas tradicionais que podem influenciar a opinião popular de: "Vampiro!" para: "Que maluco! Ele realmente pensou que era um vampiro!"

Se Curvando às Pressões

Estou certo que eu não preciso dizer que nem todos Toreador são a doçura e a luz. Eu já presenciei o melhor de nós - apesar de tudo - mas sem dúvida, você iria presenciar coisinhas aqui e ali. Nós indulgimos nossa humanidade, nossas emoções humanas. Mas emoções humanas são terríveis tão frequentemente quanto são maravilhosas. Humanos amam, mas também odeiam. Eles cometem grandes atos de heroísmo e terríveis atos de violência. Eles realizam grandes coisas, mas também desperdiçam suas vidas na perseguição de prazeres hedonistas. Eu suponho que não sejamos os lançadores de estilo que pensamos que somos. Se assim vão os mortais, assim vamos nós.

Apatia e Hedonismo

É difícil se manter em dia com o rebanho. A condição vampírica não é apropriada para isso. Toma muito esforço pensar na escala de tempo deles e sentir (ou simular) suas emoções. Muitos de nós passam por períodos de apatia de sentimentos. Mais que os outros Membros, Toreador superam períodos quando estamos imersos nos prazeres que a mortalidade tem a oferecer - comida, festas, drogas, carne, e nossa própria comida, bebida e droga em uma só coisa: vitae. Pode ser difícil, quando ao confrontar com tais prazeres, lembrar que estar em contato com a humanidade significa estar em contato com suas dores tanto quanto aos seus prazeres. Quando os Toreador se estafam, a maioria tem o bom senso de se retirar da sociedade mortal. Quando você não pode mais pensar facilmente em termos de "dias", se torna difícil perceber os minutos da existência mortal. Muitos Membros cansados, no entanto se envolvem nas maquinações e pequenas Jyhads do nosso povo. De certa maneira isso é bom, são esses Toreador que mais nos representam entre os outros Membros. Isso mantém os outros Membros longe de perceber o quão próximos nós somos dos mortais. No entanto quando estes Toreador se põe a dizer que estão mantendo em mente os "melhores interesses do clã”, estes interesses raramente são de mais alguém além deles. Esses Toreador são talvez os mais propensos a Abraçar pessoas

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puramente por sua utilidade em qualquer interesse que o Toreador em particular persiga. Isso prevalece

puramente por sua utilidade em qualquer interesse que o Toreador em particular persiga. Isso prevalece mais entre os anciões, como os primógenos que não têm interesses em comum com o resto do clã e se isolam com suas próprias crias incestuosas, ou membros degenerados que se tornaram apáticos e frios. Toreador são suscetíveis a sucumbir a sua própria melancolia. Eu acredito que isso seja inevitável. Afinal somos seres imortais que operam numa escala de tempo de um mundo que nos rejeita. Sentimos a pressão de décadas e séculos bem mais apuradamente que outros membros. Lembre- se de todas as vezes que você se sentiu entediado como humano. Agora imagine não ter apenas que matar o tempo de uma tarde, mas sim de um ano inteiro. Inúmeros Toreador fazem quase qualquer coisa para se ocuparem - quanto mais diversão, melhor. Estes são os Toreador que oferecem festas selvagens, regadas a drogas, sexo e rebanho. Esses são os Toreador mais propensos a tornar seus amigos em carniçais, se alimentar de seus familiares e abraçar pessoas puramente pela sua boa aparência ou por suas habilidades na cama.Toreador particularmente entediados têm sido conhecidos por criarem cultos de sangue. Eles reúnem um rebanho com eles mesmos como pastores, deuses,

anjos, espíritos ou outro tipo de figura de autoridade religiosa e alimentam seus seguidores com seu sangue, às vezes, até abraçam alguns. Algumas vezes eles abusam sexualmente, os fazem tomar drogas para que o Toreador fique ligado, e algumas vezes os torturam. O Toreador deve ter um grande senso de ego para estar disposto a fazer tal coisa, mas então não há deficiência de Egos entre os Toreador. Cultos se tornaram particularmente um problema no fim dos anos 80; alguns Toreador tiveram de ser removidos do olhar público, antes que investigações privadas, polícia e pais preocupados descobrissem demais para seu próprio bem. Eu sou dado a entender que o fenômeno não é nada novo - com certeza cultos de sangue têm existido desde que os membros andam na terra - mas seu ressurgimento preocupa muitos da raça de Caim. Geralmente leva décadas (pelo menos) antes que um Toreador sinta o peso de seus anos. No entanto existem jovens Toreador, que acham suas não vidas tão excitantes, que se tornam imersos no prazer e se recusam a encarar a dor. Pode ser difícil dizer a diferença entre esses Toreador e os mais velhos hedonistas apáticos. Eu também já conheci alguns Toreador que acham a não vida tão deplorável que se retiram da humanidade tanto quanto possível. Há pouca diferença prática entre esses neófitos e aqueles antigos Toreador totalmente retirados.

diferença prática entre esses neófitos e aqueles antigos Toreador totalmente retirados. Livro de Clã: Toreador 52

Livro de Clã: Toreador

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Os Pecados da Humanidade Devido ao fato de nós passarmos muito tempo com mortais, às

Os Pecados da Humanidade

Devido ao fato de nós passarmos muito tempo com mortais, às vezes, nós sucumbimos as suas tentações. Nós usamos drogas por tabela. Nós somos promíscuos – não porque gostamos disso, mas, às vezes, é difícil evitar ir pelo “calor do momento”. Nós somos vítimas do ciúme, raiva e auto-piedade. Um grande número de Toreador se envolve no mercado negro – originalmente como um meio para conseguir obras de arte ou emoção ilícita. Eu tenho certeza, mas, uma vez que você está envolvido, é difícil parar. Para alguns, é um jogo para passar o tempo e para outros é apenas um jeito de ganhar dinheiro. Quem pode resistir à oportunidade de colocar as mãos numa obra de arte, a qual poderia acabar nas mãos de um colecionador particular para nunca mais ser vista? Alguns Toreador operam do outro lado do negócio, atuando como ladrões, negociadores, manipuladores e procuradores. Qualquer coisa para fazer os Toreador funcionarem. Alguns Toreador se envolvem com prostituição. Os prazeres da carne exercem certa atração sobre nós, mesmo que não desfrutemos realmente deles. Alguns usam sexo como um meio de sentir-se mais perto das pessoas. Outros praticam sexo porque isso os faz sentirem-se vivos de um jeito que apenas outras poucas coisas conseguem – isso os ajuda a fazer de conta, por um pouco de tempo. Uns poucos até mesmo acreditam que estão desfrutando do mesmo modo que um mortal sente. Eu acredito que esses pobres bastardos estão se iludindo, que eles não querem aceitar o fato de que não são mais mortais. Aqui e ali um Toreador infame se envolve com prostituição, pornografia, escravidão – inclusive Snuff Films (filmes onde os participantes sofrem violência e abuso reais) e outras depravações. Alguns fazem isso porque apreciam esses prazeres da carne. Outros, porque gostam de ter poder sobre outras pessoas. Ainda há os que gostam de excitar os mortais ao seu redor, os incentivando aos níveis mais altos de pecado. Alguns se atrevem a chamar isso de arte. Embora o sexo seja um dos pecados mais populares, a humanidade tem outros. Alguns Toreador adquirem interesse pela jogatina. Outros anseiam por poder político. Um ou outro operam o circuito de lutas de alta roda – uma vez eu fiquei sabendo de uma mulher que amava despejar expressões misturadas de repulsa e êxtase nos rostos de seus convidados nesses eventos. Outros Toreador assassinam por raiva e inveja do mesmo jeito que mortais fazem. Embora isso não vir a condizer com nossa imagem, existiram Toreador serial killers. Um justificou que fazia isso porque sentia o que era ser “vivo”. Outro alegava que você não poderia realmente compreender um humano a menos que matasse do jeito que eles matam, e não do jeito de um vampiro, por necessidades sobrenaturais. Certamente o clã tem seu lado distorcido.

Rivalidades

Muitos Toreador mantêm rivalidades com outros Membros dentre os Amaldiçoados. Para alguns, é um jeito de passar o tempo, de matar o tédio: um jogo.

Para outros, pode ser uma maneira de ganhar prestígio, pressupondo que são melhores que seus rivais. Outros Toreador entram nessas competições por causa de algum insulto leve, real ou imaginário, que sofreram. Há muitas razões para manter uma rivalidade, assim como há para quaisquer dois membros discutirem. Se lhe parece familiar, é porque é: A Jyhad numa casca de noz. Isso tudo soa incompleto e deficiente, é claro. E algumas vezes é verdade. Mas as vezes rivais levam muito mais a sério do que é. Os Toreador envergonham seus

rivais, os atormentam, arruínam sua reputação e as vezes, arranjam sua morte final. Levar uma rivalidade tão longe, é claro, é o auge da crueldade - mas é tudo o que permanece de alguns Toreador.

O clã, em sua sabedoria e paciência infinitas,

elaborou inúmeras maneiras de atingir um rival: Sabotar sua mostra de arte. Usar suas conexões para fazer que alguém com grande senso de prestígio a humilhe publicamente ou ao seu protegido. Propagar um rumor que irá resultar em sua própria humilhação ou colocá-la numa situação perigosa (possivelmente mortal). Fazer com que a Camarilla acredite que ele fez algo para colocá- la em risco, como uma quebra da máscara ou a desmoralização de um Príncipe. Incitar Lupinos ou o Sabá a invadir seu refúgio (ou arranjar um incêndio em sua ausência, que destrua seus preciosos bens). Drenar seu carniçal favorito ou fazer com que seu marido mortal seja morto por assaltantes ou, ainda pior, Abraçado por Malkavianos ou pelo Sabá. As táticas são tão confusamente diversas quanto os participantes da própria Jyhad.

Vingança como uma forma de Arte

Alguns Toreador tornam a vingança em uma forma

de arte (aqueles com alguma moral tentam chamar de justiça). Eles não apenas planejam a maneira mais eficiente de se vingar de alguém, ou a mais elaborada e sim a mais apropriada. Eles transformam os objetos e sua "afeição" em projetos especiais de sua propriedade, com os quais gastam tanto tempo e esforço como com qualquer obra prima. Isto é particularmente mais propenso a acontecer entre aqueles Toreador que entraram em apatia, que perderam a visão da beleza da vida, e tem um maior senso de extensão de tempo esperando na ponta dos dedos.

De certa forma estes Toreador são úteis para nós.

Ele nos mantém longe de andar muito fora da linha. Afinal, a última coisa que você quer é se tornar objeto das afeições de um Toreador malicioso com tempo demais em suas mãos. Por essa razão, (entre outras), nós frequentemente andamos com cuidado entre nossos anciões. Um ou outro Toreador foi conhecido por um tempo, então eles se denominam "artistas da vingança" e passam seu tempo planejando e dramatizando as mais belas "justiças". Seus alvos seriam os Membros ou rebanho que os prejudicaram ou prejudicaram alguém e foram alvos de sua atenção ou simplesmente o pegaram de mau humor. Seus planos geralmente involvem não apenas o objeto de sua afeição distorcida, mas também os amigos, aliados, família e amantes da pessoa. Eles fazem a vingança durar.

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Quando eles cismam com um Membro, essa vingança pode durar por anos, décadas ou até

Quando eles cismam com um Membro, essa vingança pode durar por anos, décadas ou até mesmo séculos.

Preservação Rejeitada

Como eu havia dito, os Toreador frequentemente fazem de sua cruzada pessoal preservar a arte. No entanto, algumas vezes a arte não quer ser preservada. Não são todos os artistas que querem viver para sempre. Nem todos os artistas querem abrir mão de suas obras primas para que outras pessoas possam desfrutá-las. Dizem que isso é ter visão limitada. Certamente um bom número de Toreador acredita que a preservação da sua idéia de arte tem prioridade sobre os desejos de qualquer outro. Afinal, os mortais não podem ver o quadro completo, certo? Eles não sabem o quão importante é o seu trabalho. Tentar preservar uma peça de arte que alguém não quer preservada pode variar de razoavelmente difícil a um desastre. Geralmente o roubo de uma pintura, no decorrer do tempo, não tem terríveis consequências. Mas a despeito do que os outros membros acreditam, pinturas são a minoria do que consideramos ser arte. Fotografias são similares à pintura em sua vulnerabilidade de roubo. Comida é mais difícil - você não pode apenas despejar verniz sobre um bolo e colocar numa galeria por uma centena de anos (além do que verniz não tem um sabor muito bom).

É igualmente difícil sequestrar um punhado de

bailarinos e forçá-los a se apresentar para você por anos, mesmo que algum Toreador já tenha feito tal coisa. Você pode usar um vídeo ou uma câmera digital para capturar uma dança (mas não o gosto de uma obra prima da culinária), mas muitos Toreador ainda se recusam a usar tais coisas, e quase todos concordam que uma reprodução nunca é tão boa quanto o original. Arquitetura é geralmente mais fácil. É difícil proteger contra raios e inundação, mas você pode fazer uso de sociedades históricas para evitar que antigos edifícios sejam destruídos. Pode ser difícil se o dono o quiser demolido, mas não é impossível.

O que é mais difícil é preservar um artista que não

quer ser preservado. Abraçar alguém contra sua vontade é algo complicado. Certamente já aconteceu antes, mas apresenta todo tipo de perigo. Um Toreador que não queira ser um Toreador não é garantia de descrição. Nós não podemos manter nosso neófito no escuro sobre nossas práticas para sempre, e ele pode decidir espalhar seu conhecimento sobre nossas violações da Máscara para algum príncipe. Podem até acreditar nele, se o Príncipe estiver procurando uma desculpa para diminuir nosso status. Se tivermos sorte, o neófito apenas se senta no sol e perdemos o artista que teria produzido bom trabalho por décadas se tivesse sido deixado em paz. Se não tivermos sorte, ele corre às autoridades mortais e tenta provar a eles que ele é. De todos os clãs, somos os mais equipados a limpar a bagunça depois desse tipo de coisa, mas se esse neófito vier a cair nas mãos da inquisição - e eu não estou convencido de que isto não tenha acontecido

antes - podemos estar todos em perigo. Todas essas possibilidades fazem o direito de Abraçar ser uma

aposta, na melhor das hipóteses. A não-vida não faz promessas.

A despeito dos perigos, muitos Toreador fazem

esse tipo de coisa. Afinal, é nosso dever cultivar o que há de melhor no homem. A maioria dos Toreador são cuidadosos o suficiente para que isso não seja um problema. Alguns não são. Recentemente uma crença tem florescido entre alguns Toreador neófitos (especialmente entre um grupo conhecido como os Electron Artists de que arte deve ser efêmera.) Nada que seja verdadeira arte pode resistir á passagem dos séculos. Eles prezam mais as menos duradouras formas de arte - comida, arte performática, dança e outras criações mais inventivas. Um neófito recente usou reações químicas de curta duração para criar o mais fantástico show de luzes que durou apenas dois minutos e quatorze segundos - quase todos os espectadores ficaram sentados por uma hora e meia depois do show e muitos ficaram ainda

mais. Um outro montou uma breve peça de arte performática, que consistia em mergulhar rosas em nitrogênio líquido. Isso produzia as mais incrivelmente amáveis, absolutamente perfeitas rosas cobertas de gelo, as quais eram prontamente despedaçadas contra um muro. A maioria desses neófitos se mantém distantes das artes tradicionais. Muitos deles têm se envolvido no mundo eletrônico, especialmente a Internet, onde expressões de todo tipo podem ser colocadas à mostra e serem rearranjadas noite após noite.

Relatividade e Arte

A totalidade da "nossa missão"! Faz-nos parecer

maravilhosamente unidos, não faz? Infelizmente arte é a coisa mais subjetiva na face da terra. O que eu acredito ser arte, você pode querer jogar no esterco. Isso resulta em todo tipo de brigas e ressentimentos. Imagine que você acabou de abraçar o mais maravilhoso chef que você já conheceu. O suflê dela derrete na sua boca. O glacê em seus bolos parecem lírios. Ela pode fazer uma torta de caramelo que te deixa fascinado por horas apenas pelo cheiro, uma amostra de chá preto indiano que venceu prêmios em três continentes. Você está incrivelmente orgulhosa de sua nova criança, e você a traz na última festa apenas para alguém dizer que ela não é bem vinda. "Ela não é uma artista de verdade" alguém diz. "Volte quando encontrar um escultor ou arquiteto”. Toreador destroem os estudantes uns dos outros acima do fato de eles serem ou não artistas. Arruinamos o que artistas acreditam ser seus melhores trabalhos num surto de ressentimento porque o trabalho nos ofendeu somente naquele momento. Fechamos museus porque mostram trabalhos dos quais não gostamos. Boicotamos galerias pela mesma razão. Os Toreador cometem alguns de seus piores crimes em nome de preservar o que é arte. Afinal, tudo é relativo.

Livro de Clã: Toreador

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Hierarquia do Clã Os Toreador não têm uma hierarquia estável do clã. Uma razão para
Hierarquia do Clã Os Toreador não têm uma hierarquia estável do clã. Uma razão para

Hierarquia do Clã

Os Toreador não têm uma hierarquia estável do clã. Uma razão para isso é que o prestígio com o clã é facilmente ganho e perdido em um curto período de tempo - é difícil manter uma hierarquia clara e definida quando as posições mudam constantemente. O artista de uma noite é o poser de amanhã. E muitos Toreador têm mais em suas mentes do que política dos membros - eles prefeririam ficar de fora juntamente com os mortais. Certamente eu sei que preferia estar cantando do que mantendo um registro de quem foi beneficiado por quem, e quem se desgraçou não honrando o já mencionado beneficiado. Terceiro, os Toreador operam numa escala mortal de tempo, e é difícil manter uma organização internacional de conspiração quando seus colegas de clã se movem como críticos irritantes. Também é difícil manter as coisas organizadas quando eles viajam ao redor do mundo inteiro, e ocasionalmente acabam se escondendo, em torpor ou vítimas da Morte Final. Temos bastante organização - se você puder chamar panelinhas em constante mudança e redes sociais de organização - apenas não é colocada em uso. Afinal, bem poucos Toreador querem tratar de negócios numa festa ou exibição de galeria.

Guildas, Carnaval e Affairs do Clã

Os Toreador frequentemente fazem encontros informais chamados "affairs do clã". Ninguém é forçado a participar, mas todos o fazem - como você vai conseguir despertar a inveja dos outros se você não se gaba das suas coisas? Esses "affairs são geralmente festas”, ”jantares" (com sustento fornecido) ou mostras de arte, apesar de que alguns Toreador tentam organizar encontros reais ao invés disso. Muita energia é gasta em mesquinharias quando tentamos conduzir negócios, então muito pouco do que importa ao clã é conseguido nesses encontros. Muitos Toreador, no entanto, usam os affairs para se relacionar e promoverem seus compromissos pessoais. Alguns grupos locais de Toreador são chamados de guildas - baseadas sobre a aceitação dos Toreador de um código específico de etiqueta - e tradicionalmente promovem encontros formais chamados de bailes, uma vez por mês na noite de lua cheia. Na verdade, os bailes são promovidos próximos da lua cheia; os Toreador participantes geralmente gostam de jogar jogos de poder com as datas do mês, cada um tentando provar que é mais importante fazendo o baile ser transferido para acomodar sua agenda pessoal ou para apoiar sua interpretação do código específico que as guildas adotam.

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Forasteiros podem comparecer ao baile apenas por convite prévio. Além disso, as guildas parecem pipocar

Forasteiros podem comparecer ao baile apenas por convite prévio. Além disso, as guildas parecem pipocar e desaparecer ao acaso – numa dada cidade, é estiloso pertencer a uma guilda num ano e no ano seguinte as guildas serem embaraçosamente fora de moda. Proeminentes Toreador e os anciões do clã gostam de dar um Grande Baile no Halloween – um em cada continente – e isto é realizado coletivamente por várias guildas (ou irmandades, ou roda social, ou qualquer coisa que seja “in” nesse ano). O local muda a cada ano e muitos Toreador lutam para saber quem será o anfitrião. Recentemente, alguns dos membros mais jovens do clã tem boicotado o Grande Baile, numa tentativa de mudar para alguma outra coisa além do Halloween. Eles reclamam que ter o Grande Baile no Halloween é bobagem e faz o clã parecer como um bando de estereótipos pretensiosos aos forasteiros. Pessoalmente, eu acho que esse é o motivo. Lembre-se – sempre os faça te subestimarem. E, para ser honesto, nunca machuca encontrar a beleza nos aspectos menos-prazerosos do mundo, mas eu devo confessar que eu tenho um fingimento Romântico nesse momento. As guildas são difíceis de ser explicadas aos forasteiros. Tecnicamente as guildas são agrupamentos regionais, geralmente por cidade ou país. Em outras palavras, cada membro dos Toreador de Chicago teoricamente pertence à guilda de Chicago. Porém, alguns Toreador tentam fazer guildas dentro de, bem, Guildas. Então, ocasionalmente você encontra uma guilda que se chama de “A Guilda dos Pintores de Chicago” ou a “Sociedade de Annabelle Triabell” ou a l g o p a r e c i d o . Inevitavelmente,

isso apenas causa mais facciosismo – e os designers de computação-gráfica, os chefs, os musicistas e as pessoas que estão fora do círculo de Annabelle Triabell? Ou a guilda faz os outros se sentirem tão mal vindos que eles saem, e isso a transforma numa festa exclusiva, ou os Toreador da cidade se tornam divididos (e algumas vezes aqueles que se sentem párias podem tentar começar uma segunda guilda.). Ou isso se torna uma “Guilda de Pintores e Escultores” se esses dois tipos de artistas forem predominantes, ou irá se chamada de um a “Guilda dos Pintores” ainda admitindo todos os tipos de outros Toreador. Os Toreador tendem a ser bastante individualistas, não que nós esperemos menos de nossas guildas. Afinal de contas, se esperarmos que nossas guildas pulem para nos defender todas às vezes, então nós temos que estar dispostos a pular para defender todos os outros Toreador na cidade e – muito francamente – para o inferno com isso. Para ser exato, nós temos coisas melhores para fazer com nosso tempo. A maioria das guildas são clubes sociais. Uma guilda aqui ou ali pode vir a se envolver com a política ou atividades dos Membros, mas isso reflete os interesses dos Toreador que povoam aquelas guildas, não as guildas como um todo. Uma vez a cada 23 anos os Toreador se unem para o Carnivale, um festival global de uma semana. Os artistas Toreador guardam suas melhores obras-primas para expô-las no Carnaval. Ao fim da celebração os mortais que nós aclamamos como os melhores de sua geração são Abraçados. Ou era o que isso deveria acontecer. Honestamente nenhuma dupla de Toreador pode consentir com o “melhor”, então eles inevitavelmente escolhem um candidato compromissado.

consentir com o “melhor”, então eles inevitavelmente escolhem um candidato compromissado. Livro de Clã: Toreador 56

Livro de Clã: Toreador

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Ultimamente, tem havido uma sugestão por alguns neófitos de que algumas categorias deveriam ser estabelecidas.

Ultimamente, tem havido uma sugestão por alguns neófitos de que algumas categorias deveriam ser estabelecidas. Eles desejam que um mortal seja abraçado por sua habilidade com as artes visuais, outro pelas artes escritas, e por aí vai. No interesse de reduzir ao menos um pouco das querelas, a possibilidade é de ser entretido.

.O rumor é de que todos os Toreador compareçam ao Carnaval. Pelo menos é o que é dito aos neófitos quando eles ouvem pela primeira vez sobre o espetacular festival de fantasias. Você realmente acha que nos iríamos alinhar todos de nosso clã em uma cidade por uma semana inteira, como patos voando em formação sob a mira de um caçador? Teoricamente cada guilda escolhe um representante para ir. O que realmente acontece é que cada guilda pode bem escolher um

representante, e daí qualquer um quer quiser pode ir por conta própria. Não é como se checássemos os endereços na entrada, afinal. Um numero de anciões se recusa a ir pelo peso da paranóia – quer dizer, do perigo.

O Carnaval geralmente corresponde a algum

evento mortal acontecendo na cidade em que os Toreador decidem hospedar seu baile. Isso somada à alegria do evento – a cidade parece nunca dormir e a atmosfera de celebração prevalece. Na verdade, o Carnaval não é nada mais que uma coleção de pequenas festas ou performances sob o pano de fundo da festividade da cidade anfitriã. Pense no Mardi Grãs ou o Ano Novo Chinês, com recepções especiais, VIP Membros – apenas acontecendo após o pôr-do-sol.

Seitas, Círculos e Redes Sociais

Os Toreador raramente se restringem a se socializar

por área geográfica. Se nós o fizéssemos, perderíamos todas as maravilhosas conexões que fazemos quando viajamos. Os Toreador cultivam contatos em todos os tipos de locais. A maioria são Membros ou mortais que alguém se corresponde uma ou duas vezes ao ano, apenas

para manter contato e fingir elogiar o trabalho de um ao outro enquanto habilidosamente trabalha em suas farpas. Tudo bem, nem todos os conhecidos de todo mundo são assim.

Os Toreador procuram encontrar aliados onde

quer que eles vão, em qualquer esforço que eles podem perseguir naquele mês. Então, você pode vir a conhecer duas pessoas que você encontrou na Europa com quem você vem planejando popularizar certa escola filosófica. Ao mesmo tempo, você esta trabalhando com um Toreador do Meio-oeste dos EUA que deseja que você visite o seu salão enquanto você estiver em sua cidade. Em adição, você está financiando um pequeno grupo que organiza ações de guerrilha contra o Sabá na Nova Inglaterra. Muitos Toreador têm em suas mãos um numero de pequenos grupos aqui e ali. Muitos clãs têm suas pequenas facções secretas (ou não tão-secretas), fazendo todo tipo de negócio sujo. Você não imaginaria que os Toreador teriam essas coisas, imaginaria? Pois nós estamos muito ocupados tendo festas para se envolver com essas coisas? Pois nós não arriscaríamos quebrar uma unha ou sujar nossas mãos?

Você está enganado. Nós temos nossas sociedades secretas como qualquer outro clã. Nós temos nossos círculos. Alguns deles operam tanto quanto aqueles dos outros Membros, porém, eles não são tão noticiados. Por exemplo, nós somos muito mais propensos que os outros clãs a simplesmente contratar ou tornar carniçal um mortal e usá-lo para atender nossos objetivos do que fazer o trabalho sujo nós mesmos. Desse jeito os outros clãs apenas nos vêem sentados lindamente em festas e não percebem que nós trabalhamos em tantos ângulos quanto eles. Nós também financiamos objetivos de outros clãs. Nós deixamos que algum jovem filhote Ventrue pense que está nos sacaneando para financiarmos seu jogo de poder político, enquanto nós sabemos muito bem que o Senhor dele está desfalcando seus fundos e o usando para apoiar o candidato que nós queremos eleito. Os Ventrue fazem todo o trabalho, nós ganhamos os benefícios – sem mencionar que dois Ventrue estão em debito conosco, o que nós não teríamos se simplesmente financiássemos nosso candidato. De que outro jeito você acha que alguém como George W. Bush ou Al Gore poderiam subir ao poder? Competência? Por favor. Pense nisso, essas maquinações são um trabalho perigoso, e há muitos dos Toreador que ficaram muito, muito machucados quando tentaram isso. Nem todos os Toreador são afiados para as políticas dos Membros. Para esses tipos, eu sugiro que você se mantenha nas artes, moda ou outras arenas menos perigosas. Nem todos os Toreador têm os melhores interesses dos Membros no coração, também. Eu sei que isso é difícil de acreditar. Há um rumor circulando que na década passada ou mais, que uma panelinha de Toreador ressentidos tem sido responsável pelos cortes nos fundos para arte que temos visto recentemente. Alguns poucos acreditam que o grupo está fora do clã, mas o boato popular é que eles são Toreador que tem algum ressentimento com a tendência “artística” mantida pelos jovens do clã. Alguns acreditam que eles estão por trás dos esforços para restringir a liberdade de expressão na Internet também. Não é preciso dizer que alguns Toreador retaliaram – você se lembra de todos os laços azuis que foram parar nas paginas da Rede e acompanhadas por bilhetes ajudando a liberdade de expressão? Isso foi fortemente patrocinado por um preferencial grupo empresarial de neófitos que se chama de Electron Artists. Eles patrocinam todos os tipos de expressão artística na Rede e na Internet. Eles hospedam páginas de poesia, literatura, arte e comics. Eles escrevem discursos loquazes sobre liberdade de expressão e os encaminha para qualquer um que possa estar ouvindo. Eles organizam petições eletrônicas e coletivas de artistas daqueles membros que só se comunicam online. Seus programadores têm trabalhado em ferramentas para ajudar em colaborações de longa distância. O boato é que eles mantêm um numero de sites pornográficos e de fetiche, só porque eles acham que toda expressão tem o direito de ser protegida. Além do mais, isso produz renda.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Outros grupos estão por aí também. Um deles, os Vigilantes, estão tentando levantar uma ação

Outros grupos estão por aí também. Um deles, os Vigilantes, estão tentando levantar uma ação contra os Tremere. Eles clamam que os Tremere estão tentando sobrepujar os Ventrue pelo poder, e se os Tremere tomarem o poder na Camarilla, os Toreador vão estar em perigo. Pessoalmente, eu não consigo imaginar os Tremere algum dia dominando a Camarilla e a maioria dos Toreador concorda comigo. Então qual é o ponto de antagonizar um clã inteiro por razão nenhuma? Nós fazemos nosso melhor para dissuadir estes Toreador quando podemos e limpamos a sujeira deles quando não. Nós passamos por algumas cidades onde não somos bem vindos por causa do que esse grupo já fez – pode ser necessário fazer algo sobre eles. Sociedades secretas entre os Toreador vêm e vão como modas. A cada hora e meia alguém começa uma cruzada. Ou ela encontra algumas pessoas que concordam com ela e vão fazer alguma coisa, ou ela percebe que ninguém se importa e desiste, ou ataca por conta própria. Se ela for esperta, ela se manterá calada sobre o que ela esta fazendo para não desagradar terceiros, seja Toreador ou não.

Anarquistas

Publicamente, qualquer Toreador que se torne

anarquista é provável que sofra o escárnio do clã inteiro. Nós dizemos isso para fazer os Ventrue felizes. Fora dos registros, qualquer anarquista com paixão suficiente para nos fazer sentar e implorar,pode muito bem escrever seu próprio ingresso. Claro que, isso depende a quem ele se dirige. Como em qualquer grupo, há aqueles que seguem

a linha partidária e aqueles que não. Enfim, chega de falar dos Anarquistas. Ugh.

Prestígio

O Prestigio é algo complexo entre os Toreador. Muitas variáveis podem aumentar ou diminuir o seu prestigio. O quanto um evento afeta o seu prestigio depende menos do que você fez e muito mais de quem você deixou puto quando fez, quais as conexões que ele tinha e o quão alto ele esta gritando. Perturbar o evento social planejado por alguém é provável que te ponha em encrenca. A maioria dos convidados da festa se sente pelo menos uma mínima obrigação de prestar um serviço de fofoca para a raiva de seu anfitrião então, agitar o anfitrião é um caminho rápido de encorajar todo mundo

a dizer coisas ruins sobre você. Isso significa que você não deve insultar o anfitrião de uma festa. Você não deveria nunca atacar alguém numa festa, pelo amor de Deus, particularmente se ele for um convidado de honra do Anfitrião. Por essa razão, alguns Toreador tentam evitar beber sangue maculado por drogas ou álcool em festas – na ordem de evitar envergonhar a si mesmo, você deve permanecer no controle. Permitir a si mesmo ser envergonhado aleija seu prestigio, seja o resultado de algo que você fez ou algo que foi feito a você. O mais importante, entretanto, interromper a festa de alguém vai apenas te fazer um pária na sua cidade. Você pode facilmente se mudar para outra localidade e provavelmente ninguém lá poderia saber o que aconteceu. Ou eles podem não se importar. A não ser, claro, que sua reputação o preceda

Outro jeito de se quebrar a cara é ser responsável pela destruição de um ícone de significância cultural, mesmo indiretamente. Enquanto é considerado uma grande honra ser pedido para proteger, digamos, uma importante obra de arte, muitos temem essa honra. Afinal de contas, se a obra de arte for danificada enquanto estiver em sua possessão, então você será considerado o responsável. Do mesmo jeito que permitir que um grande artista seja ferido resulta numa comensurável perda de prestigio. Se você Abraçar um artista que escolha destruir a si mesmo, isso conta – foi obviamente o seu pobre julgamento que resultou em sua

destruição. Estas são as perdas de prestigio que tendem a ser comentadas muito mais largamente e por mais tempo que um mau comportamento numa festa. Para os expressivamente inclinados, obras de arte ou performances abaixo do padrão, assim como descobertas medíocres (em termos de outras contribuições culturais), também resultam numa perda de prestigio. O perigo aqui é que, como eu já te disse, “cultura” é algo relativo. Então o que realmente importa

é se alguém que é particularmente bom em fazer rols de

críticas cáusticas direcionadas a você, ou se os seus patrocinadores podem abafar seus comentários. O comportamento de seus protegés e afilhados afeta a sua reputação assim como a deles, do mesmo jeito que o prestigio de seu senhor ou qualquer mentor que você

tenha também. De fato, o prestigio deles afeta o seu – se o seu senhor é um paria social em Paris, então você também é. Culpado por associação e tudo aquilo.

É fácil perder respeito e não é tão fácil ganhá-lo.

Entretanto, você pode certamente tentar. Se você tiver as finanças, você pode hospedar uma festa ou organizar um baile ou outro “assunto de clã”. Isso demanda cuidado, dinheiro e a perseverança de tentar de novo se alguém

decidir de fazer de você um alvo amável – afinal de contas

é muito mais difícil fazer uma festa direito do que foder

com a festa de alguém. Novamente, a não ser que essa sua festa seja particularmente memorável, não é provável que ela aumente o seu prestigio para alem da apreciação da guilda local por uma noite ou duas. Isso também não é um bom caminho de ganhar prestigio se você não tem

nenhum para começar – você deve ter para obtê-lo e fazer

as pessoas quererem ir a suas festas.

O patrocínio de mortais talentosos é outro jeito de

se ganhar prestigio, assim como o patrocínio de galerias, escolas e museus. A descoberta de uma particularmente boa obra de arte, uma obra-prima perdida ou florescer uma nova mídia popular também ajuda. Um Abraço que

é visto como uma particularmente sábia pode estabelecer

a sua credibilidade muito rapidamente. Performances

impressionantes também podem merecer prestigio na companhia certa. Outras, um tanto complicadas, fontes de prestigio são os benefícios e os favores. Se você estiver numa posição de dar a outro Toreador algo que ele precise, então ele pode oferecer o seu suporte e boa palavra em retorno. Honestamente, esse é talvez o jeito mais efetivo, porém, mais perigoso de se ganhar prestígio. Afinal de contas, todo mundo tem uma agenda. Isso pode ser o único jeito confiável de fazer alguém colocar sua agenda

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de lado e dizer às pessoas que você (ou seu trabalho, ou seus salões) são

de lado e dizer às pessoas que você (ou seu trabalho, ou seus salões) são maravilhosos.

Os Toreador e os Outros Membros

As relações dos Toreador com os outros Membros são um tanto complexas, já que nos sentimos mais confortáveis com os mortais em geral. E claro, aqueles Toreador que nos representam entre os Membros não são necessariamente aqueles que melhor representam o clã

A Camarilla

Os Toreador ajudam a Camarilla de todo-o- coração. A Camarilla é o que mantém os clãs na linha e vice versa. A Camarilla é, em resumo, o que protege os mortais dos vampiros – mesmo que isso não seja a intenção dos membros, mesmo que isso seja apenas um efeito colateral. Sem a Camarilla não poderíamos simplesmente andar entre os mortais, espreitar entre eles e aprender com eles tão facilmente. Esse é o porquê da partida dos Gangrel nos levar ao pânico. Pois um dos sete clãs partir não é um assunto pequeno! Alguns Toreador se preocupam com nada menos que a dissolução da Camarilla como um todo, esteja dobrando a esquina. Alguns estão até mesmo tentando fazer alguma coisa a respeito. Certamente a maioria dos Toreador que estão envolvidos com a sociedade e a política dos Membros está fazendo o melhor para acalmar os medos, reforçar os relacionamentos entre os membros da Camarilla de clãs diferentes e caso contrário manterem as coisas juntas. A maioria disso é feita de Membro por Membro, usando conhecidos e contatos individuais. Isso é provavelmente uma das poucas coisas que a maioria do clã já foi capaz de concordar. Ainda, não se vê muito de um movimento organizado; é somente que muitos Toreador tiveram reações parecidas ao que está acontecendo.

Elísio

Os Toreador apóiam fortemente o conceito do Elísio. Afinal de contas, muitos de nós passamos menos tempo entre os Membros do que entre o rebanho, então nós estamos em pequena desvantagem quando os clãs se encontram. Por causa disso, é bom termos um caminho seguro no qual nós podemos interagir com os outros, que nos coloca num lugar superior. Além disso, nós gostamos de dar nossa opinião em modos que não envolva uma vulgar troca-de-socos ou o uso de habilidades arcanas. Nós somos os mestres dos rumores causticantes, da frase que cuidadosamente cai dentro do ouvido do Nosferatu errado, o comentário inocente. Os outros clãs podem nos achar estúpidos ou fofoqueiros, mas isso apenas nos ajuda mantê-los longe de suspeitar de nós enquanto nós fazemos essas mesmas coisas. Eles andam por aí rindo sobre os tolos Toreador com suas cabeças vazias e bocas grandes, e nós caminhamos sorrindo inocentemente como se nós não percebêssemos nada. Quando nós precisamos lidar com os outros Membros, o Elísio é onde nós fazemos nosso melhor

trabalho. É o local perfeito – nos ajuda a projetar a aristocrática, influente e um tanto avoada imagem que nos serve tão bem, enquanto nos permite acessar aqueles ouvidos que nós precisamos sem correr o risco de sermos estripados. Você pode achar que os Toreador agem como os guardiões do Elísio. Afinal de contas, o Elísio demanda

graça e cultura e isso está bem no nosso quintal. Quando isso acontece, nós raramente aceitamos o cargo. Inúmeras razões contribuem para isso. Rumores entre a Camarilla é que por nós ficarmos em transe pelo nosso envolto nos faz falhar em fazer um bom trabalho. Sem sentido. Se esse fosse o caso, como nós ficaríamos envolvidos com tantas outras galerias e museus ao redor do mundo? Se esse fosse o caso, nós nunca deixaríamos nada pronto. Como na maioria das coisas, nós não temos regras universais sobre o Elísio e nenhum movimento formal. Mas eventos simplesmente conspiram para que a maioria de nós não sejam escolhidos para serem Guardiões do Elísio. Por exemplo, muitos de nós vêem esse trabalho para ser exercido por Membros mais físicos. Muitos Toreador são proponentes a delegação. Em alguns casos, os servos dos Toreador guardam o Elísio (Ah, para ser claro, os Membros acreditam que é o Toreador fazendo todo o trabalho). Por outro lado, nós gostamos do rumor sobre nós não sermos hábeis de funcionar na presença da beleza. Os outros clãs sabem tão bem quanto nós que passamos a maioria do nosso tempo cercados por arte. Por que não deixá-los pensar que nós somos estéreis, especialmente no Elísio, onde nós observamos, ouvimos e assolamos sutilmente? Nós também não queremos ser culpados se alguma coisa sair errado. Nada pior para a reputação do que ter um caçador de vampiro ou um jornalista desconfiado encontrado no hall de serviço do hotel enquanto você deveria estar no comando. Além disso, segurança é o que

é mais necessário ao guardião do Elísio, não requinte

cultural – desde quando nós somos força de segurança?

Brujah cuidarem disso.

Deixe os Gangrel – er

Guardiões são um pouco mais que xerifes glorificados, em qualquer evento.

Posições na Camarilla

Os Toreador são variáveis e flexíveis, então você pode nos encontrar em quase qualquer posição dentro da Camarilla. Madame Guil é nossa atual Justicar Toreador; ela vem mantendo essa posição por algum tempo e maneja bem o seu poder. Ela esta inclinada em usar seu poder para satisfazer sua agenda privada como qualquer outro Justicar, mas também é conhecida por destruir Príncipes em seus esforços para manter a Máscara e as outras Tradições. Infelizmente, sua contínua rivalidade com o Justicar Tremere, Anastaz di Zagreb, tem feito alguns embates dolorosos entre os dois clãs.

Os arcontes Toreador são incrivelmente eficientes,

a maioria porque os estereótipos que os outros clãs têm,

são de um Toreador ineficiente e maricas. Um arconte Toreador pode posar como um tolo fofoqueiro com uma cabeça vazia se ele esta tentando não ser notado, ou como

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um velho e manipulador menos “mortal” se ele apenas precisa cumprir com o trabalho. O
um velho e manipulador menos “mortal” se ele apenas precisa cumprir com o trabalho. O

um velho e manipulador menos “mortal” se ele apenas precisa cumprir com o trabalho. O rumor é que a Madame Guil emprega uns poucos arcontes Ventrue, assim como outros de diferentes clãs. Os Toreador apenas ocasionalmente se tornam príncipes, mas isso acontece. Muitos Toreador preferem delegar ou se curvar aos ouvidos do príncipe do que pintar um alvo em cima de seus corações. Alguns Toreador tem dificuldade de manter o poder pelo mesmo estereótipo que pode nos proteger em outras situações. Essa imagem que os outros clãs têm de nós pode ser útil, mas em alguns casos isso interfere. O primógeno Toreador, porém, é certamente uma posição de poder apreciável. A maioria dos Toreador entende o valor da camaradagem e manipulação, então o primógeno Toreador raramente se posiciona no caminho do príncipe de uma cidade. A não ser, claro, que esse príncipe esteja determinado a causar problema para o primógeno, ou o que parece que não irá durar muito nesse mundo. Em grandes cidades, o primógeno Toreador apenas ocasionalmente aponta um algoz. Dado aos bailes e aos “assuntos do clã” pode ser difícil não manter os membros do clã informados aos recentes acontecimentos. Quando um açoite é apontado é usualmente para um propósito de guiar uma discussão em um encontro de clã – afinal de contas, alguns Toreador são alérgicos a fazer as coisas darem certo. O outro propósito de um algoz é servir o cargo para o primógeno quando o mesmo estiver fora – nós amamos tanto viajar. Muitos príncipes preferem apontar um Toreador como senescal. Afinal, a maioria dos príncipes querem um senescal que conheça todos os rumores, que saibam o que esta acontecendo em todos os lugares e que não queira substituí-lo – dessa forma o senescal tem um motivo para proteger o príncipe e não traí-lo. Soa como nós, ou pelo menos nossa imagem publica, não parece? Se eu fosse um príncipe, eu certamente queria um senescal que poderia me dizer quem foi visto com quem, mas estava muito ocupado tramando contra seu senhor para me trair. Além disso, muitas das responsabilidades do senescal que os outros Membros deploram – ser o ponto de contato para outros Membros, agir como um filtro de informações e fazer outros de deveres de secretariado – nós achamos muito útil. Mais de um Toreador ambicioso já até usou essa reputação para fazer exatamente que o príncipe esperava evitar ao escolher um Toreador – traindo o príncipe e tomando seu lugar. Os Toreador são excelentes fofoqueiros. Se isso nos faz de “harpias” (que palavra feia, não é?) então que seja. Certamente temos nossa influencia na cena social local e na passagem das novidades. Nós raramente nos “apontamos” para tão bizarra posição; os outros apenas nos chamam de harpias uma vez que eles percebam nossa influência. Nós raramente nos “designamos” para uma posição tão bizarra; outros apenas nos chamam de hárpias uma vez que percebem a nossa influência. Eu acho que eles começaram a fazer isso porque pensavam que os insultos nos parariam; ao invés disso, nós ignoramos, e aparentemente o insulto evoluiu para

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algo semelhante a um cargo. Às vezes simplesmente não há entendimento na sociedade de Membros.

algo semelhante a um cargo. Às vezes simplesmente não há entendimento na sociedade de Membros. Tire proveito disso. Acredite ou não, existem xerifes Toreador. Podemos não ser escolhidos por nossa força ou desenvoltura com armas, mas há muitos de nós que têm força e sabem o que fazer com uma arma. Além disso, habilidades sociais são muito mais úteis aos xerifes do que você pode imaginar. Contatos suficientes e a habilidade de reclamar favores podem ser muito mais úteis do que força física numa tentativa de arrastar alguém ao príncipe. E a habilidade de escolher bons delegados e de compreender estratégia (um ou dois estrategista foram Abraçados na teoria de que estratégia militar pode ser uma arte) são tão valiosas em tempos de guerra quanto boa pontaria. É esperado que xerifes também observem por quebras na máscara, e isso é algo no qual somos muito bons. Além do mais, noventa por cento de uma investigação consiste em falar com pessoas. Bem poucos Toreador tem a posição de algoz. Quem quer passar as noites caçando pobres neófitos abraçados sem permissão quando poderíamos estar fazendo algo menos detestável (e mais decente) ao invés disso? Assassinato é uma atividade vazia de estilo na maioria das ocasiões.

Os Benefícios de não estar Encarregado

Novamente, a imagem que nós projetamos (algumas vezes intencionalmente, outras não) é tanto uma benção quanto uma maldição. Pode ser muito mais fácil conduzir os assuntos de alguém sem ser notado, o que muitos Toreador preferem. Alguns de nós, no entanto, têm ambição, e outros de nós desejam poder, e estes Toreador são geralmente frustrados pela nossa imagem. Eles, no entanto, são minoria. Sem mencionar que esse tipo de Toreador que quer poder não é necessariamente o Membro que queremos para nos representar. A maioria de nós prefere influenciar eventos sem ser o cara na cadeira com o grande sinal sobre sua cabeça que diz, “Me estaquem!”. Poucos inimigos têm como alvo os conselheiros ao invés do príncipe. Então, quando o príncipe tristemente desaparece e outro toma seu reino, nós ficamos no mesmo lugar porque somos espertos o suficiente para cultivar contatos com outros Membros além do príncipe. Nossa influência perdura, a do príncipe não.

O Sabá e os Toreador Antitribu

A maioria dos Toreador tenta manter a maior distância entre eles e o Sabá quanto possível. A visão do Sabá de que mortais são gado é quase tão oposta a visão dos Toreador quanto dois lugares num mesmo continente, no máximo de distância possível entre si. Os Toreador estão pobremente equipados para lidar com as táticas do Sabá. Delicadeza e graça podem ajudar contra alguns Sabás como os Lasombra, mas

não farão nenhum bem contra as gangues nômades que entram em frenesi ao primeiro sinal do Outro Time. Contatos podem nos ajudar a descobrir quando o Sabá vem para na cidade (não que você precise de muitos contatos para ir até a delegacia de polícia e ler o relatório que descreve “corpo sem sangue”), mas como o Sabá vê os mortais como gado, contatos não ajudam muito além disso. Especialmente já que nós nos preocupamos com os mortais e não somente com sua vitae, raramente estamos dispostos a usá-los como distração enquanto escapamos pela porta dos fundos. A menos é claro, que não haja outra escolha. Toreador antitribu são um tanto misteriosos pra nós. O conceito de um Toreador disposto a ver mortais do modo como o Sabá vê, é difícil de compreender - tudo bem, alguns de nossos anciões ou aqueles Toreador que se estafaram podem ficar assim de tempos em tempos. Mas em massa? Nunca. É inteiramente contrário a quem e ao que nós somos. Alguém uma vez propôs a idéia que os Toreador do Sabá são do modo que são porque já perderam sua conexão com a humanidade, e apenas o que é feio, terrível ou defeituoso os encanta. Eles vêem o horrível como amável, o monstruoso como belo e o terrível como excitante. Eu tento não pensar muito sobre essa teoria - não porque não faz sentido pra mim, mas porque faz sentido demais.

Toreador e o Poder

Toreador e poder são amantes. Eles têm uma relação louca, passional, eles brigam, eles terminam, eles voltam a ficar juntos - você pegou o espírito. “Poder” temporal sempre foi mais para os Ventrue do que pra nós, mas alguns Toreador o querem e são muito bons em obtê-lo. O clã como um todo não exibe nenhum movimento para consolidar um “poder” tão vago e dúbio. É mais um efeito colateral do que nós somos. Embora nem todo Toreador busque influência sobre aspectos políticos da sociedade dos Amaldiçoados - nem mesmo a maioria de nós - aqueles que a procuram são geralmente muito habilidosos em conseguí-la.

Política

Eu diria que a maioria dos Toreador não aprecia as nuances da política. É acima de tudo uma pequena parte do que os mortais fazem, embora certamente engendre algumas das mais fortes emoções. Talvez essas emoções sejam o porquê desses Toreador que apreciam política se envolverem tanto nela. A política tem seu dedo sujo em tantas coisas - educação, religião, negócios, e sim, desenvolvimento cultural. Da política você pode mergulhar em outros tantos setores. Alguém pode quantificar as razões pelas quais

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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tão poucos Toreador explorem essa oportunidade. Somos engenheiros sociais, não gerentes de campanha - é

tão poucos Toreador explorem essa oportunidade. Somos engenheiros sociais, não gerentes de campanha - é pra isso que servem os Ventrue. Quando um Toreador quer que algo seja feito, ele está mais propenso a chantagear um político, subornar um agente escolar ou seduzir um líder religioso do que confiar no grande mundo da política. Assumidamente alguns Toreador veem a política como sua própria obra de arte, mas estes são na maioria os Toreador que se tornaram frustrados com as grandes tendências da sociedade ou se desiludiram da inevitável dor ao se lidar com mortais. Como eu disse antes, nós delegamos. Nós requeremos favores. Contratamos agentes – tanto os dispostos como os diletantes - para pressionar as políticas que favorecemos. O Cainita no trono normalmente é ocupado demais acenando e evitando ataques políticos para fazer qualquer contribuição social. Alguns Toreador preparam mortais para o poder e os ajudam no seu caminho ao topo ao invés de simplesmente intimidar oficiais da forma do estilo Ventrue. Honestamente, qualquer um que confie nos dons de Caim para conseguir o que quer, está pedindo por problemas (além de que, tem tão pouco estilo). Toreador estão mais propensos a se envolverem em conselhos de arte e grupos de interesse da comunidade do que posições mais visíveis no governo.

Comercialismo, Religião, Educação e

Não-Lucrativismo (por Diversão e Lucros)

Enquanto os Ventrue têm um bom controle no lado corporativo das mídias de massa, temos os nossos dedos nos atores, atrizes e jornalistas. Nós talvez não possamos ter shows patrocinados ou cancelados com o acenar de uma mão, mas podemos influenciar esses atores que agem como porta-vozes para companhias (uma prática que acontece cada vez mais nas noites modernas). Nós também conhecemos jornalistas e colunistas que podem modificar suas histórias para ajudar nossas causas. Onde os Ventrue possuem suas cotas em editoras, nós temos nosso manejo sobre os autores. Religião é um assunto interessante. Os Toreador carismáticos são conhecidos por começar cultos de todos os tipos ou abrir caminho em religiões mais tradicionais. Esta última prática é um jogo perigoso de se jogar. Mortais podem ser muito passionais sobre sua fé. Isso é tanto bom quanto ruim - eles estarão mais propensos a nos seguir se pudermos nos passar por seus líderes religiosos ou companheiros paroquianos, mas provavelmente também queimarão nossos refúgios se perceberem nosso engodo. Cultos são mais fáceis de dominar, mas são mais propensos a chamar atenção de pais preocupados, do governo ou da força policial local. O setor comercial é, como a mídia, mais território dos Ventrue. Mas enquanto os Ventrue têm interesse em grandes corporações, nós passamos por baixo dos seus narizes com as pequenas. Eles não veem as pequenas companhias como um desafio, então nos ignoram. Além de que, se mantiverem pequenas companhias ao redor, então seus gigantes se parecerão menos com monopólios (mesmo quando eles são) e então eles evitam o Departamento de Justiça e a Comissão Federal do

Comércio. As vezes eles até mesmo nos ajudam por debaixo do pano, tão logo confirmemos suas práticas justas de lidar com negócios. Iniciantes são especialmente úteis para nós. Nós financiamos a aventura de alguém, talvez ajudamos a se tornar bem sucedido cobrando alguns favores, injetando dinheiro, ou o colocando em contato com clientes, então arranjamos para que a empresa seja vendida uma vez que se torne grande o suficiente para ser notada. É uma maneira maravilhosa de conseguir um pouco de lucro e se manter no negócio sem enfurecer muita gente. É também uma maneira estupenda de fazer ainda mais contatos de negócios. A maioria de grandes firmas de capital se recusam a financiar qualquer coisa por menos de 5 milhões hoje em dia, então nós escolhemos um número de pequenos projetos que escapam pelas fissuras. Além de que, muitos Toreador não têm a amplitude de atenção para manusear uma grande companhia. A maioria dos Toreador entende que cultivar um negócio contribui para a sociedade, e eles gostam de observar os jovens empreendedores que eles financiam. Questões não-lucrativas são outras, frequentemente ignorada, arenas onde os Toreador as vezes exercitam seus negócios. Muitas pessoas ricas e famosas gostam de doar seu dinheiro. Algumas destas o fazem porque isso as faz se sentirem bem. Muitas mais o fazem porque isso faz elas parecerem bem ao público. Mas por qualquer razão, isso as faz procurar pelas organizações sem fins lucrativos. Tudo o que você precisa é um bom discurso de vendas e um projeto que aparentemente valha a pena, e você pode ficar com os milhões e o telefone pessoal de uma celebridade preocupada (e rica). Se você realmente liga para as pessoas, você pode até mesmo assegurar que o dinheiro faça algum bem. Se não, bem, há todo tipo de maneiras para ter certeza de que você vá conseguir sua fatia. Você pode até mesmo usar sua organização sem fins lucrativos para financiar algumas dessas pequenas aventuras de negócios, contratando trabalho para elas. Algumas vezes, os Toreador carismáticos se juntam com Ventrues experts em negócios para fazer limpeza em esquemas de uma mão que lava a outra, como esses. Educação é uma mina de ouro para os Toreador. Que lugar melhor do que uma atmosfera relaxada de uma faculdade para estabelecer artistas promissores, encorajar os que têm talento e mandar os incompetentes chorões de volta para a mamãe? Muitos estudantes atribuem seu crescimento ao encorajamento de um professor ou mentor. Alguns Toreador preferem gastar seu tempo lapidando talentos não percebidos anteriormente em rebanho mais velho retornando para uma graduação tardia. Alguns desses Toreador dizem que nunca lidariam com estudantes da idade normal de uma “faculdade”, que essas crianças não tem o tipo de experiência e disciplina possuída pelos estudantes tardios que retornam. Outros Toreador dizem que os estudantes mais velhos não têm o fogo, energia ou visão necessária para fazer uma contribuição valiosa. Os campus estão cheios de radicais em potencial, afinal, muitos dos quais não podem ser distinguidos dos demais

Livro de Clã: Toreador

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Uns poucos Toreador se envolveram com educação num nível ainda mais elementar - ensino médio

Uns poucos Toreador se envolveram com educação num nível ainda mais elementar - ensino médio ou até mesmo fundamental. Isso é mais problemático, já que escolas desse nível raramente têm programas noturnos. Dessa forma, os Toreador que fazem isso geralmente atuam com um agente mortal. Alguns Toreador, no entanto, oferecem aulas de arte especiais a noite, em colégios locais, organizam teatros comunitário com as crianças, ou financiam programas de leitura numa tentativa de achar os realmente bons bem cedo, ou apenas elevar o padrão de vida para população local. Afinal, uma comunidade de bom gosto é uma comunidade desejável. Muitos estudantes que se formaram em Literatura, Línguas Estrangeiras, Artes ou outras disciplinas “tranquilas” na faculdade, acabam servindo mesas ou fazendo hambúrgueres. Aqueles que cultivam alguns talentos não relacionados - como programação - podem acabar com empregos decentes, mas não estarão fazendo o que eles queriam fazer. É dito que as companhias de tecnologia geralmente preferem contratar não graduados em ciência da computação das escolas de engenharia. Estes estudantes não têm ideias pré-concebidas de como tudo é feito e podem ser treinados mais facilmente para fazer as coisas à maneira da companhia. Assim, os graduados em história tornam-se administradores de sistemas. Escritores terminam encodando. É maravilhoso de um ponto de vista financeiro - companhias de tecnologia pagam mais a esses graduados do que eles conseguiriam de outra maneira - mas do nosso ponto de vista é uma tragédia. Uma alma muito criativa, empreendedora, foi guiada para longe de seu talento. Ela pensou que teria tempo livre para trabalhar em sua escrita, mas agora trabalha sessenta horas por semana para pagar suas contas. Portanto, uma das nossas metas nas faculdades é convencer os estudantes de que eles podem ter vidas decentes como algo além de empregados de corporações. Se nós temos o dinheiro, então talvez ajamos como patronos aos melhores dentre eles. É uma batalha constante, mas que vale a pena pelos que nós salvamos. Medicina é um setor onde provavelmente você não esperaria nos ver. E honestamente, não é um dos nossos fortes. Mas é um campo difícil de ignorar nas noites modernas. Claro, praticar medicina talvez não mais te deixe rico na era da OMS (Organização Mundial da Saúde). Mas sempre há a pesquisa. Eu sei, Toreador rato de laboratório não é a sua ideia de artista. Você pode encontrar um ou dois, no entanto, que foram abraçados por razões práticas ou conseguiram convencer um amante Toreador extremamente romântico de que seus experimentos eram do mais alto valor. Companhias de Biotecnologia estão indo muito bem no atual mercado volátil. Novas drogas precisam de pesquisa o tempo todo, para o câncer, AIDS, e todo tipo de pequenos incômodos. Ok, nem todas as drogas são criadas em escala tão grande. Algumas são criadas por razões muito mais egoístas. Um Toreador que possa inventar drogas por encomenda, suplementos de conjunto de ervas, e até mesmo venenos, pode assinar seu próprio cheque. E um Toreador que possa financiar

tais companhias, e talvez influenciar seus artistas em outros caminhos, ganha todo tipo de benefícios além do retorno direto de seu investimento.

Riqueza

Você deve imaginar agora que todo Toreador é rico. De que outro modo patrocinaríamos protegidos, financiaríamos companhias de pesquisa, compraríamos arte roubada no mercado negro, viajaríamos ao redor do mundo, e manteríamos nossos guarda-roupas cheios com Paul Zilen e Issey Myake? Não é tão simples. Sim, muitos de nós são ricos e eu explicarei isso num minuto. Mas, muitos de nós não o são. Alguns Toreador se preocupam tanto com sua arte, que não se importam em cultivar riquezas, a despeito de sua utilidade. Outros Toreador simplesmente tem má sorte - um rival que forçou a bancarrota a companhia que eles estavam financiando, uma inundação destruiu a peça de arte que eles iriam vender, ou um sem número qualquer de outras coisas. Nada no abraço de um Toreador garante uma não-vida de riqueza e opulência. Muitos Toreador têm dinheiro para se bancarem, mas simplesmente nunca deram aquele pulo para o que nós

chamamos de riqueza. Acredite em mim, é fácil não se tornar rico. Todos pensam que a riqueza está ali virando

a esquina. Todos acham que há um segredo para isso -

você tem que saber os números corretos da loteria ou desenvolver o plano certo de negócios ou encontrar o corretor certo, matá-lo e roubar seu pequeno Livro Preto. Se fosse assim tão fácil, todos mortais seriam ricos. As coisas sempre podem dar errado. Companhias com ótimos produtos vão à falência apenas porque ficaram no caminho do plano de negócios de uma companhia maior. Nem todos são brilhantes o suficiente para elaborar o esquema certo. Nem todos que são brilhantes têm o bom senso de fazer esse esquema funcionar, e nem todos que têm bom senso, têm sorte suficiente para que

as coisas aconteçam como o planejado. Há, no entanto, certas coisas que a maioria dos Toreador fazem que geralmente nos coloca um dedo ou dois acima da média da escala de pagamento. Alguns de nós vendem nossa arte por grandes quantias de dinheiro. Alguns usam o charme para obter fundos de todas as fontes. Muitos Toreador sem vergonha pagam por suas coisas sempre com os bolsos de seus amantes. Talvez mais importante ainda, nós tendemos a escolher bem nossos carniçais. Alguns Toreador ligam apenas para os atrativos físicos de seus carniçais, mas a maioria escolhe pelo menos um mortal que seja bom em fazer dinheiro, ou que pelo menos, tenha muito dele. Dessa maneira você não precisa ser brilhante e sortudo e ter todo esse bom senso - apenas seu carniçal precisa. Infelizmente o laço de sangue trabalha em detrimento da vida de um mortal, então de vez em quando você provavelmente terá que trocar a sua bolsa de dinheiro por uma nova. A maioria dos Toreador se preocupa o suficiente com aqueles a seu serviço, que encontram alguma outra coisa para o pobre carniçal substituído fazer, ao invés de descartá-lo. Bem, deixe-me corrigir o que eu disse para “alguns”.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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É o primeiro sabor do dinheiro que é difícil. Para isso, você tem que casar

É o primeiro sabor do dinheiro que é difícil. Para isso, você tem que casar bem, matar bem, escolher carniçais bem, nascer bem, ou ter muita sorte. Uma vez que você tem essa primeira parte, o resto vem mais fácil, contanto que você não faça algo estúpido. Investimentos, compras de companhias e coisa do tipo são ótimas maneiras de se fazer dinheiro, mas apenas se você tiver aquela tal conta bancária proeminente. Uma vez que você tenha, o investimento só funciona se você ou seu carniçal souberem o que estão fazendo, se você tiver sorte, ou você tiver um conhecido expert em mercado que te deve uma. Se um Toreador quer ter um alto padrão de não- vida, usar a última moda, agir como patrono aos melhores e novos ícones culturais para manter sua pequena linda coleção de confortos, então precisa gastar mais de seu tempo do que provavelmente gostaria, cuidando de suas finanças. É um triste fato da existência, mas temos que nos acostumar se quisermos conseguir nos manter no nível de nossos vizinhos.

Lidando com os Outros

Como dito por Ferdinand Chu, ancilla. Esta noite é a primeira noite do resto de sua não-

vida. Você é nova, não é? Não fique ofendida. Eu sei de muitos anciões que sacrificariam as pessoas mais próximas a eles para terem novamente o que perderam, e que você ainda tem. A maneira com que você brinca com

o seu cabelo, estala suas juntas, morde os lábios - estes são hábitos da vida, e você os faz naturalmente. Você ainda não esqueceu como é estar vivo, esqueceu? Aposto que você ainda acorda no escuro as vezes e se pergunta porque

o sol ainda não nasceu. Aproveite essa época. Estes pequenos toques humanos se esvaem um por um, e você sente falta deles da maneira que você só sente falta de algo que você tomava por garantido. Eu vi anciões que perderam até o mais simples dos gestos humanos - piscar, umedecer os lábios, mostrar emoções em suas faces. Eu vi outros, com séculos de idade, que apresentam cada gesto humano enfraquecendo. Toda noite, logo que acordam, eles recebem uma longa massagem de servos cegos especialmente treinados. Décadas de prática ensinaram aos servos como propelir o sangue através das veias, como manter as juntas flexíveis como manter sua pele ruborizada e quente, e como desfazer os coágulos arroxeados nas nádegas e nas costas. A ilusão é quase perfeita. Quase. Eu não sei qual tipo me assusta mais. Medo parece ser um traço humano que nenhum de nós jamais irá esquecer. Você não precisa de nada disso ainda. Você ainda é mais humano que morto, pessoa de sorte. Se continuar com sorte, pode arrastar isso por décadas, séculos, talvez mais ainda. Tudo isso se reduz a sua própria luta interna com a Besta. Eu não posso te ajudar muito com isso - eu mesmo tenho estado por aqui desde 1841, então minha Besta e eu estamos em condições bastante extremas.

Não, o que eu vou te dizer é sobre os outros. Os outros clãs dos Membros - sim, “outras famílias de vampiros” se você quiser falar vulgarmente - Como? Sim, a palavra “vampiro” é vulgar. Jesus. Eu também irei lhe contar sobre os além dos outros. Nós dificilmente estamos sozinhos nesse mundo estranho de merda. Há bestas lá fora que fazem o mais perverso dos Membros que você possa imaginar, parecer com o maldito Ursinho Pooh. Alguém me perguntou por que eu fazia isso. Não se importe com quem perguntou, apenas ouça. Ouça bem. Sim, há um teste no final: E se chama “amanhã à noite”.

Tremere

Os Tremere me lembram aquelas garotas recalcadas e ressentidas da escola que, uma vez que não vão conseguir nada, acham que ninguém mais deveria se divertir também. Comece com aquele tipo infeliz, amargo e arrogante. Junte com uma ânsia para controlar qualquer um que realmente entendeu como se divertir e fazer algo digno de nota. Adicione uma dose nem um pouco saudável de truques de mágicas realmente assustadoras.

Deixe fermentar por algumas décadas

Tremere. Eles são infelizes e estagnados procurando pelo poder de tornar qualquer um em peões infelizes e estagnados. Eles são muito bons em adquirir poder e completamente inaptos quando tem que usá-lo. Eles são o tipo de pessoa que faz um plano elaborado que parece ótimo no papel. É claro que ao primeiro toque de realidade ele se desintegra, mas deveria ter funcionado. Quando isso acontece, os Tremere insistem que o plano era perfeito. É a realidade que estava errada. É por isso que eles são tão perigosos. Eles têm uma combinação peculiar de genialidade e estupidez que poderia permiti-los tomar o mundo em suas mãos cheias de sangue, apenas para fazê-lo cair e quebrá-lo em estilhaços. Eles são imbecis brilhantes. Felizmente para nós, eles se organizaram naquelas formidáveis hierarquias inflexíveis que parecem tão boas no abstrato. Eles pensam que poder é como uma escada que você só pode subir golpeando o cara que estiver acima de você, então mantém um rígido controle naqueles abaixo deles, através de laços de sangue parciais. Isso faz uma capela Tremere ser como uma fila de dominós. Derrube um e todos cairão em seguida. Muitos Tremere são desconfiados e paranóicos, mas ainda ingênuos quanto à manipulação. Faça favores suficientes a eles, e pensarão que você é um tolo. Uma vez que você esteja nessa categoria, eles tomam tudo o que você diz como de supérfluo valor - afinal, os pobres e tolos Toreador jamais poderiam passar para trás os brilhantes Tremere, certo? Mesmo que um dos subordinados suspeite de você, a maioria jamais ousaria contradizer O Chefe. Metade deles espera que O Chefe seja removido para que então possam dar mais um passo acima na grande e maravilhosa escada de rocha. Mas não fique convencido. Apenas porque eles são fáceis de enganar, não significa que gostem, e uma vez que você os tenha feito de bobos, eles não terão muito a perder em te ferrar. Um detalhe final. Não coloque laço de sangue em um deles. Os anciões irão descobrir, vão te encontrar, sugar sua alma e ninguém jamais saberá.

E você terá o típico

Livro de Clã: Toreador

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Malkavianos Este é o clã mais perigoso da Camarila, até mesmo pior que os Tremere.
Malkavianos Este é o clã mais perigoso da Camarila, até mesmo pior que os Tremere.

Malkavianos

Este é o clã mais perigoso da Camarila, até mesmo pior que os Tremere. Os Tremere são como uma jibóia grande e gorda - cruéis, mas eles morrem quando você corta a cabeça fora. Os Malkavianos são como um cardume de piranhas: se livrar de um, apenas abre espaço para o próximo conjunto de presas. Aqui está o que é perigoso sobre os Malkavianos: Eles de alguma forma se convenceram que a alienação que se sucede ao ouvir a Besta é a “verdadeira sabedoria”. Dada a escolha entre suas metades viva e morta, eles sempre escolhem a morta. Eu não me importaria que fosse uma escolha pessoal, onde apenas fossem andando em direção ao sol, mas o desejo deles pela morte é mais profundo. Não é apenas a sua própria morte ou a morte dos mortais que eles buscam: Eles atacam as próprias fundações da ordem, estrutura e paz. Eles minam, consomem e extinguem - não para seu ganho pessoal, mas porque são servos da entropia, existindo apenas para sugar o resto do mundo para sua loucura. Quando tudo o que vale a pena tiver se extinguido, quando o pulso da vida for esmagado e a beleza não puder ser reconhecida e a Besta finalmente tiver triunfado, os Malkavianos acenderão as luzes. De qualquer maneira, é assim que eles veem.

Felizmente para nós, os soldados da desordem não são muito disciplinados. Essa é a sua força, uma vez que você não sabe de onde eles estão vindo.

É também sua fraqueza, porque nem eles

mesmos sabem para onde estão indo. A melhor maneira de lidar com os Malkavianos é ignorá-los a maior parte do tempo. Eles não têm nada que você queira e eles não nos percebem como uma ameaça. Já que eles são todos

loucos, as vezes você pode tapeá-los ou provocá-los a violar a Máscara, e então levá-los ao príncipe ou chantageá-los para fazer seu trabalho sujo. Ou uma combinação das duas opções. Use sua imaginação. Contudo, seja cuidadoso com isso: chantagem é ligada ao instinto de sobrevivência, e muitos Malkavianos estão muito longe de ter um. É claro, isso tende a ser um problema que se resolve sozinho, se eles não te levarem junto.

O que você realmente tem que estar alerta é um

Malkaviano que tem os ouvidos do príncipe. Sua loucura os dá a percepção da loucura do mundo, e um príncipe pode desejar esta informação em suas tentativas de manter a cidade em ordem. Para o crédito deles, alguns príncipes podem realmente usar as ferramentas do diabo para derrubar sua própria casa, mas geralmente os que tentam isso descobrem que o diabo por si só, não queria aquela casa lá.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Assamita Antes de mais nada, se ouviu as histórias sobre Mozart: Sim, elas são verdadeiras,

Assamita

Antes de mais nada, se ouviu as histórias sobre

Mozart: Sim, elas são verdadeiras, e jamais perdoaremos

os Assamitas por isso. Ele era o maior gênio de uma era

brilhante, mas para eles, não era nada além de potente vitae num receptáculo inexperiente. Estamos certos de que seu assassino foi um bastardo chamado Muhannad Muzalir - que significa “O manipulador de espadas”. Eu

lhe mostrarei um retrato da Renascença, se você quiser, e

o que nós acreditamos ser uma foto mais recente de um

aeroporto em Mônaco. Mas se você vê-lo, não pense em ir

atrás dele sozinha. Eu lhe mostrarei as fotos apenas para que você possa fugir. Os Assamitas são como uma imagem invertida dos Tremere no espelho. Onde os Tremere são espertos demais para seu próprio bem, os Assamitas são cheios de brutalidade, de uma estupidez eficiente tal como a que construiu o Terceiro Reich. Eles não têm um complicado plano mestre, além de “beber sangue vampírico”, então é bastante difícil acuá-los. Dito isso, há algumas vantagens em ter um oponente com somente uma coisa na cabeça. Primeiramente, eles são tão facilmente manipulados e mostram claramente suas emoções. E mais, eles odeiam

os Tremere, o que os faz subirem no meu conceito. Nem mesmo se aproxime deles se você for próximo

a Caim: Faça toda sua negociação assassina através de um subordinado de sangue-fraco. Se um Assamita alguma

vez sentir o cheiro de vitae anciã, eles ficarão inclinados a atacar e se deixar levar pelo prazer. Eles não são conhecidos por recusar gratificação dessa forma. É claro que, devido à sua condição, é mais provável que você seja

o subordinado sangue-fraco de alguém. Uma maneira de jogar com esses caras é contratá- los na surdina contra os anciões Tremere. (Quando eu digo “na surdina” eu não quero apenas dizer “escondido de outros membros”. Esteja certo de que os Assamitas também não saibam quem é que está encomendando o

serviço. Dessa maneira, se eles falharem, os Tremere não vão poder tirar informações daqueles cérebros Assamitas

de baixo-calibre). Dê aos Tremere a quantidade de aviso

que achar necessária (de preferência à maneira dos

Nosferatu), então sente-se e assista qual bastardo se ferra

e quem o ferra. Se você se achar particularmente

corajosa, poderá tentar limpar o vencedor. Eu não recomendo isso a menos que você esteja certa que ele está exaurido antes de você começar a chutar. Há outra maneira de tirar vantagem da estúpida fome de sangue deles, mas é perigosa. Ainda sim eu conheço alguém em Nova York que fez, e agora ela conseguiu um Assamita na coleira, para protegê-la do Sabá.

Minha amiga era genuinamente uma mestra do disfarce. Ela contratou um Assamita para pegar “Mildred Von Santos”, supostamente uma Tremere de Jersey. Parte do pagamento era um gole de seu pulso. O assassino realmente deveria ter julgado melhor, mas foi enganado pela presença, e realmente desejava um gole de vitae anciã, além do mais, ela era apenas uma Degenerada, ninguém com quem se preocupar, certo? Uma vez que não havia nenhuma “Von Santos” -

apenas minha conhecida com uma maquiagem teatral realmente boa. Eu nem mesmo achei que “Von Santos” significasse alguma coisa. De qualquer modo, uma vez que ela estava pronta para o ataque e era muito mais rápida do que um Tremere poderia ser, ela convenientemente conseguiu se libertar no meio da alimentação. Agora o Assamita estava dois terços preso ao laço e não sabia disso. Uma cilada de “sorte” da Tremere real que o deixou fraco o suficiente para que os lacaios de minha amiga pudessem segurá-lo, e ela pôde administrar o terceiro gole à força. Voil!! É um negócio muito bom, mas eu não tentaria isso em casa, criança.

Brujah

Pode ser difícil lidar com os Brujah pelo fato de que eles são parecidos com nós de muitas maneiras. Eles estão presos a sentimentos fortes de sua vida mortal. Nós temos sorte. Estamos ligados a cultura - e enquanto você pode debater as virtudes deste dançarino ou daquele filósofo, na maioria das vezes, cultura é algo que, você pode apontar, avaliar de fora. Os Brujah, pobres almas, estão conectados à ideias. Você alguma vez já manteve um pingo de liberdade? Procurou por algumas jardas de justiça? Foi até o vizinho emprestar uma xícara de honra? Eu acho que não. A razão pela qual os Brujah não se dão bem uns com os outros (ou com qualquer pessoa, a propósito), é que qualquer um parece estar preso a uma intangível cruzada pessoal. Elas são bem singulares. Dois Brujah clamando por “liberdade” podem ter uma interpretação totalmente diferente do que “liberdade” signifique. Brujah mais jovens geralmente não têm uma idéia muito firme do que eles querem quando gritam por qualquer virtude que eles estejam almejando. Eles apenas sentem-se bem fazendo barulho e assistindo a reação. É aqui que nós entramos. Se você pintou um quadro, você gostaria que a pessoa que o vê entendesse e encorajasse o seu trabalho, certo? Bem, é exatamente o mesmo com os Brujah e suas “causas”. Descubra o que eles querem ouvir. E fale. Agora você tem um companheiro que gosta de lutar. Acredite em mim, a retórica da revolução é muito mais fácil de discutir do que crítica de teatro. Despeje algumas frases de efeito que soam bem e não significam nada e o Brujah vai comer na sua mão. Levantem as bandeiras! Enfrentem o poder! Vocês não têm nada a perder além de suas algemas! (Ajuda muito se eles acreditam que você os admira. Mas funciona com quase todos).

Setitas

Ah sim, os temidos e misteriosos “mestres da corrupção”. Eu ficava intimidado até perceber que “corrupção” era um dito popular. É como nos anos 70 quando “autoritário” significava “nosso ditador” enquanto “totalitário” significava o ditador deles. É como quando a CIA fala sobre “finalização com prejuízo extremo” ou quando um chefe de pessoas fala sobre “não utilizar um empregado”. Ou quando nós nos chamamos de “Membros”, eu suponho.

Livro de Clã: Toreador

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De qualquer modo, o significado de corrupção é “estar novamente em contato com as coisas

De qualquer modo, o significado de corrupção é “estar novamente em contato com as coisas humanas”. Vejamos no que consiste o notório talento de corrupção dos Setitas, certo? Minha nossa, sexo? Oh, isso não é um tipo de retorno aos dias mortais. Drogas? Outra

ferramenta em seu repertório que está repleta da essência da humanidade. Conhecimento? Posses? Todos estes são desejos da metade humana, não da Bestial. A maioria dos Setitas que você provavelmente irá conhecer são quase tão familiares com suas partes humanas quanto você ou eu. Eles apenas não têm tanto bom gosto e estilo. Eles podem ser monstros assustadores e repulsivos, entretanto são monstros assustadores humanos. Isso descreve por volta de 80% dos Setitas - depravados tentando se prender aos prazeres humanos que nós ganhamos de graça com a maldição de nosso fundador. Mas há um núcleo resistente entre os Setitas, e eles se afastaram livremente de sua humanidade. Com eles você deve ter cautela. Os Malkavianos compraram a mentira de que loucura é sabedoria, os Setitas mais perigosos acreditam que a humanidade é fraqueza. Esses poucos se dedicam ao prazer não porque o estão procurando, mas porque o querem infligir aos outros

enquanto cobiçam toda a

Indecência? “Corrupção”

Digamos, maldade?

Para eles mesmos.

Gangrel

Realmente, eu costumava achar que esse clã era um objeto de estudo dos perigos de se perder a humanidade para a Besta, mas tenho que dizer, eles não parecem ser o caso. Certamente eles desenvolvem olhos de cobra, ou

cascos duplos ou o que quer que seja. Às vezes quase parece que estão manifestando suas Bestas no exterior para que assim possam manter segura sua humanidade. Arranhe a superfície e às vezes você encontrará alguém razoavelmente equilibrado, interessante e estável. Então eles não são uma terrível e consistente ameaça como os Malkavianos ou os Giovanni. Isso não quer dizer que eles sirvam para algo mais, infelizmente. Eles são incivilizados, o que significa que não têm muito oferecer a nós exceto talvez aquele maravilhoso truque de dormir no solo. Eles são incultos e rudes, mas são incrivelmente bons em acabar com as coisas e deixá-las em pedaços. Não é o que você chamaria de pacote de habilidades amigas da Máscara, mas é um pacote com usos inegáveis. Na época em que estavam da Camarila, você podia fazer alguns contatos Gangrel jogando a eles um osso de vez em quando. Para ser sincero, uma caçada limpa na cidade era tão difícil para eles o quanto é fácil para nós. No tempo que um deles gastava perseguir, acuar e sugar algum marinheiro errante ou uma prostituta nojenta, um de nós podia conseguir geralmente uma fila de uma dúzia de mortais, em fila pelo privilégio. Nós éramos ricos em sangue, eles eram pobres. Muitos acordos eram feitos. Agora, no entanto, eles já não são mais membros oficiais da Camarila. Isso significa que eles ganharam o direito de drenar completamente caminhoneiros em longas viagens e prostitutas de beira de estrada, mas perderam o direito de entrar em uma cidade e não ter um príncipe paranóico fazendo um interrogatório se perceber o cheiro deles.

não ter um príncipe paranóico fazendo um interrogatório se perceber o cheiro deles. Capítulo Dois: Asteta

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Eu adoraria saber quem os convenceu a tal atitude - alguém incrivelmente persuasivo, eu imagino.

Eu adoraria saber quem os convenceu a tal atitude - alguém incrivelmente persuasivo, eu imagino. Aposto que era um vendedor extremamente convincente durante seus dias de vida. Eu gostaria que pudéssemos reclamar o crédito por isso, mas não podemos. Não. De jeito nenhum. Não temos nada a ver com isso. Nem um pouquinho. Então agora eles estão menos pobres de sangue, talvez. Ao invés disso, eles estão politicamente pobres, sem nenhum Justicar para olhar por seus interesses e malditos favores devidos aos primógenos. Enquanto isso acontece, influência política é algo que temos mais do que sangue. Que feliz coincidência.

Giovanni

O Giovanni típico gosta tanto de transar com a

irmã que não para nem mesmo depois dela estar morta. Pior que isso, eles são capazes de coisas que fazem necro-incesto parecer um evento de domingo na igreja. Não pudemos estabelecer claramente qual é o plano fundamental do clã, mas ele envolve morte. Muitas mortes. Se nossa inteligência é boa, Ruanda foi apenas o prólogo. Muitos acham que os Giovanni não são uma ameaça porque não há muitos deles. Mesmo que isso seja verdade, tenha em mente de que não são necessárias muitas células cancerígenas para deixar doente um corpo saudável. Nem todos eles se chamam Giovanni também. Fique de olho nos Pisanob na América do Sul e (aqueles que ninguém deveria saber sobre) nos Milliners na Nova Inglaterra.

A boa notícia é que ninguém vai fazer um

alvoroço se você matar um deles. A má notícia é, às vezes, isso não é uma solução. Os Giovanni têm uma horrível tendência de voltar como fantasmas. Não todos eles, nem na maioria das vezes - mas com frequência suficiente para mantê-lo honesto. É claro, o Giovanni fantasma imediatamente se junta com o Giovanni morto-vivo para formar um pequeno e feliz esquadrão de vingança. Então matar um não é seguro. Eles podem apenas fazer seus truques de além-morte ou apontar você aos seus primos mafiosos. Se você tirar vantagem de um deles, então, a coisa mais inteligente é estacá-lo, mas não matá-lo. Uma vez que ele esteja em torpor, escore seus braços e pernas para cima, para que o sangue seja drenado até o torso, então corte fora os membros e cauterize os

ferimentos. Arranque os olhos dele enquanto isso. Dessa maneira, mesmo se a estaca sair, ele não estará em condições de causar problema. O que você faz com esse torso dormente de

Giovanni cego? Se você quiser jogar duro, você pode trocá-lo de volta com seus irmãos como uma carta de beisebol, mas eu não recomendo. Dê o corpo ao seu príncipe, se você quiser. Ou se você conhece alguém com gosto pelo Amaranto, você pode provavelmente conseguir um bom preço. Diablerie é outra maneira de ter certeza de que ele

não aparecerá novamente. Ainda sim, estacar e fatiar um Membro pode ser uma tarefa difícil, especialmente um Giovanni com todo tipo de aparições cuidando deles. A maneira muito, mas muito mais fácil de enfrentar um Giovanni é brincar com a maior fraqueza deles: Relações consanguíneas. Uma vez que esses porcos mantêm tudo em família, não é preciso procurar muito para encontrar um candidato propício para a não vida. Os encontre enquanto são mortais e os prenda ao laço de sangue. Se eles forem abraçados, o laço vai junto, fazendo o Neófito Giovanni ser muito mais fácil de lidar. (Por “lidar”, eu quero dizer trair, é claro). É mais provável que os anciões Giovanni percebam seu laço e recusem o abraço, um caso em que você também vence, os forçando a escolher sua segunda opção. Estivemos fazendo isso tão agressivamente na Riviera, que o ramo da família não deixa suas crianças brincarem fora do condomínio. Tudo bem por mim. Sua próxima geração não será laçada pelo sangue, eles serão terminantemente ingênuos e sem habilidades sociais. Uma receita para o sucesso. Brincadeiras a parte: Os Giovanni são perigosos. Seu interesse primário está em tomar o pouco de humanidade que eles já tiveram, dar descarga pelo vaso e usar o resto do mundo para limpar seus traseiros.

Lasombra

Os líderes do Sabá são a moda antiga da Igreja medieval, o tipo de vampiro “Cavalgue pelo campo sob o manto mais negro da noite e beba o sangue de qualquer um que cruzar nosso caminho”. Eles cuidam de sua humanidade, no geral, como uma irritação. Alguns, na verdade, se consideram “ferramentas do diabo” - flagelo de Deus sobre um mundo caído. Condenados, eles servem para empurrar os outros para perto ou longe de sua própria danação. Pelo menos, essa é a teoria. Na prática eles estão tentando manter controle sobre um grande monte de loucos confusos por sangue do Sabá. Algumas vezes, um ou dois Lasombra escorregam para uma “Cidade da Camarila” (o que quer que isso possa significar) e tentam instigar algum problema. Se algum vier sorrateiro em seu caminho, concorde educadamente, aja como se estivesse pensando sobre o assunto, use a Presença para que eles confiem em você, então vá chamar o Príncipe e talvez um bom xerife que possa cortar cabeças. Você não quer ficar preso nas teias dessas aranhas em particular. Elas são venenosas.

Livro de Clã: Toreador

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Por outro lado, há essa voz petulante no fundo da minha mente dizendo “Que grande

Por outro lado, há essa voz petulante no fundo da minha mente dizendo “Que grande manipulador você pode ser, se todos acham que você é um grande manipulador?”.

Nosferatu

Se você quiser que o Príncipe leve algo a sério, não conte a ele. Deixe a informação escapar para um Nosferatu “por acidente”, como se você não entendesse o quanto isso é importante. Uma vez que o caminho através dos Ratos de Esgoto até a orelha do Príncipe dê certo, ele vai prestar atenção a cada palavra. Esses caras merecem muito crédito. É como se eles fossem os Malkavianos virados pelo avesso. Enquanto os Malkavianos carregam uma terrível maldição por dentro, com um exterior aceitável, os Nosferatu têm toda sua feiúra do lado de fora. Um número surpreendente encontrou uma maneira de lidar com suas Bestas, enquanto mantém algo digno e valioso por dentro. Por outro lado, há muitos mais que são muito mais pessimistas e ressentidos do que sua feiúra exterior indicaria, com qualquer coisa que seja menos vil do que o que eles escondem por dentro. Com estes você têm que ter cuidado, porque são invejosos. Vai além da simples inveja do feio pelo belo: Eles não podem tolerar o fato de que permanecemos mais humanos, e isso os deixa loucos.

Ravnos

Ravnos? Que Ravnos? Eles eram interessantes enquanto estavam por perto, e tenho que dizer que era bastante divertido assistí-los se dar bem sobre um outro qualquer, mas eu acho que você poderia reunir cada lágrima que foi derramada sobre seu desaparecimento e confortavelmente acomodar em uma concha de lente de contato. Pena que, o que quer que os tenha levado ao descontrole, não tenha tido tempo de fazer a mesma coisa com os Tremere, os Giovanni e os Malkavianos.

Tzimisce

Outro grupo duro de matar do Sabá que você seria sortuda de nunca encontrar. A seu próprio modo, eles também estão lutando contra a Besta, mas não cultivando sua humanidade (como nós e a maioria dos Setitas), nem tentando equilibrar os dois (como os Gangrel e os Nosferatu), mas sim negando ambos. Eles não querem ser pessoas ou animais. Eles querem ser máquinas. Sangue entra, pensamento sai. Este é seu ideal, sua estética. Bastante seco, não? O que é surpreendente é quantos deles podem criar beleza quase por acidente. Há um certo algo

encantador que pode surgir da funcionalidade perfeita, não há?

Ventrue

Os Ventrue são adequados. A grosso modo eles gostam das coisas do jeito que elas são, o que significa que são muito bons em impedir que as coisas fiquem piores. Comparando e contrastando com os Tremere, que há tempos desejam se tornar o “Grande Irmão”, ou com os Giovanni, que querem transformar todos em seus malditos fantoches pessoais, ou os Malkavianos, que querem matar os planos de todos só para contar os vermes que sairão dos que apodrecerem. Há muita falação sobre o “controle” Ventrue, o que não é mais que conversa fiada. Os Ventrue não “controlam” a força policial a uma extensão na qual eles determinem quem patrulha cada rua de uma de “suas” cidades. Eles podem ter um carniçal fazendo a papelada, e talvez tenham um laço de sangue com um dos tenentes, mas seu grande talento reside em arrumar as coisas. Pense nisso por um momento. Quando algum neófito perde a estribeira e se descontrola no Planet Hollywood, os Ventrue estarão lá em menos de uma hora, distorcendo as memórias dos policiais e das testemunhas para bater com a história claramente inventada para o momento. (Eles têm centenas dessas histórias preparadas, para cada todas as situações. Eu vi um arquivo na Internet - está em um banco de dados, aparentemente os Ventrue de todo o mundo podem simplesmente digitar os parâmetros do problema e obter a lista de “explicações plausíveis”. Então eles podem desinfetar a bagunça rapidamente, eficientemente e finalmente). Eles também são bons em planejamento. Quando eles descobrem quem destruiu o restaurante, eles o encontram e fazem com que “lidem com ele”. Note que eu não disse “levam-no para fora”. Um Ventrue preguiçoso pode fazer seu próprio trabalho sujo, mas “preguiça” não é o que os Ventrue procuram em suas crianças. Não. Eles preferem “furtivo”, “dissimulado” e “capcioso”. Então seu típico Ventrue está mais propenso a deixar o neófito pensar que desapareceu com seu pequeno frenesi, até o Ventrue oferecer a opção de uma Caçada de Sangue ou uma virada do destino. (Eles amam missões suicidas - geralmente eles o entregam para o Sabá, mas fazem algumas coisas parecidas com os Tremere, Setitas e com outros Ventrue, e conosco, de vez em quando). Eles podem demorar gerações planejando, mas têm uma grande experiência de jogar o jogo de “botar uns contra os outros”. Eles são ótimos com o “antes” e ótimos com o “depois”. O que eles têm problema é com o “durante”. Eles estão tão acostumados com o “longo prazo”, que não são muito bons em improvisar. É aí que nós entramos - especialmente porque geralmente somos melhores em ver as pessoas como indivíduos, ao invés de bolsas de alimentação ou insetos insignificantes.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Magos Há todos os tipos de histórias sobre “Magos” e “Místicos” que podem torcer a
Magos Há todos os tipos de histórias sobre “Magos” e “Místicos” que podem torcer a

Magos

Há todos os tipos de histórias sobre “Magos” e “Místicos” que podem torcer a realidade à sua vontade com pouco mais que um pensamento. Pessoalmente, eu não vi isso. Uma vez cruzei com um cara que podia fazer as máquinas de cassino pagarem todas as vezes, se ele quisesse. Quando ele estava trabalhando sua “sorte”, sua aura ficava engraçada, como se estivesse soltando faíscas. Curiosamente, eu decidi chegar mais perto e provar um gole. Sua vitae era como a de qualquer um. Não parecia ser grande coisa. Por outro lado, os Tremere tentaram fazer uma capela fora da cidade uma vez. Ela não apenas desapareceu sem deixar rastro, como levaram seis meses para que os Membros que sabiam sobre ela perceberem que tinha sumido. Todo mundo apenas esqueceu uma coterie de quatro Warlocks tinha aparecido para ver o que estava acontecendo. As pessoas apenas se lembraram disso quando os indícios se tornaram esmagadores. Então, o que eu estou pensando agora é que o brincalhão do cassino que eu suguei era um mago neófito. Como você, ele tinha alguns truques divertidos e era muito impressionante pelos padrões mortais, mas era peixe pequeno afinal. Eu acho que fora dos limites da cidade, eles têm os peixes grandes.

Lupinos

Imagine um tapete peludo de dois metros e meio encharcado com sangue: seu sangue. Adicione uma auto-imposta Máscara que faz qualquer mortal que veja um, comece a balbuciar e alucinar sobre maníacos com motosserras, membros de gangues, maus policiais ou qualquer outra lenda-urbana que funcione melhor. Agora pense que cada vez que você machuca um, ele cura mais rápido do que você possa dizer: “Que merda,você não vai me abrir mais um buraco, vai? Parabéns, agora você tem um leve esboço de como são os Lupinos. Se você passear no bosque, corre o risco de ter um dos cães de guarda da morte te atacando e te usando para praticar tiro ao alvo. Por “bosque” eu quero dizer qualquer lugar sem postes de rua. Felizmente pra nós, metamorfos são alérgicos as cidades, de modo geral. Eu me lembro do dia que Gene Wharton, um Gangrel de tempos atrás, foi praticamente virado do avesso e pendurado nas portas de Elísio de Miami. Eu dei uma olhada e pensei “Agora é pra isso que serve a Máscara. Danem-se os mortais; eu estou me escondendo é dos lobisomens!”

Fadas

Essas coisas parecem ser um tipo de parasitas da alma dos seres humanos. Eles odeiam todos os de nossa espécie, o que é uma vergonha, porque eles parecem ser atraídos para a civilização como mariposas para o fogo. Parece alguém que você conhece? Eu ouvi uma história bastante interessante sobre uma disputa entre um membro do nosso clã e alguma nobre fada na época da corte do Rei Sol. Ambas queriam ser a musa de algum

Livro de Clã: Toreador

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pintor, que viu a vampira à noite, e a garota fada de dia. Acabou com

pintor, que viu a vampira à noite, e a garota fada de dia. Acabou com um confronto, como toda boa história. A fada foi sugada, até ficar seca como a terra. A Toreador ficou absolutamente insana para sempre. O artista jamais pintou novamente.

É assim que as coisas tendem a terminar com as

fadas. Belas histórias, com feios finais.

Fantasmas

Geralmente você não tem de se preocupar com

fantasmas. Eles não podem fazer muita coisa. Quando

a sua visão se desenvolver um pouco mais, você

provavelmente começará a percebê-los aqui e ali, mas depois de algumas décadas, eles serão como os outdoors: se você vier a percebê-los, só verá os realmente estranhos. Ouvi histórias de vítimas vindo atrás de algum vampiro que não soube manter clara a distinção entre “saco de comida” e “saco de cadáver”, mas eu mesmo nunca tive essa experiência. Ultimamente parece que eu tenho visto mais deles por aí, no entanto não consigo pensar em nenhum desastre em massa que produziria tantos espíritos. Até mesmo aquele tufão na Índia deveria ter feito mais estrago por lá. Ainda assim, as chances são excelentes de que os fantasmas serão a menor das suas preocupações.

Os Mortos que Andam

Às vezes um fantasma se enche de sua própria impotência e acha uma maneira de voltar ao seu velho corpo. Então ele abre seu caminho para fora de seu túmulo e começa a perseguir o que for que o tenha incomodado em vida. Basicamente o que você vê aqui é

um Brujah que não precisa de sangue e não liga pra luz

do sol. Coisa assustadora.

Cataios

Quando os europeus foram à China e ao Japão,

alguns Membros curiosos foram junto. No que tange ao meu conhecimento, nenhum deles voltou.

A China tem “vampiros” ao que parece, mas não

são como nós. Eles não são Filhos de Caim. De acordo com relatos, eles são mais resistentes a luz do sol, tendem a se alimentar diferentemente e não são tão numerosos. O que falta em número, sobra em atitude.

Eles nos odeiam tanto por sermos ocidentais quanto os

Lupinos odeiam por sermos

bem na verdade eu não

conheço ninguém que sobreviveu ficando perto tempo suficiente de um Lupino para saber por que eles nos odeiam. Agora há um grande grupo desses caras estranhos

na Califórnia, dando para aqueles pobres bastardos do

“Estado Livre” algo pra se preocupar além da Camarila

e do Sabá. Se tivermos sorte, podemos ludibriar os

Anarquistas a uma aliança com o Sabá, então os Cataios irão se prender neles como a “seita vampírica

dominante” nas Américas. Só Caim sabe que eles são os mais óbvios.

A única vantagem que temos sobre eles é essa:

Somos contagiosos e eles não. Eles aparentemente não abraçam então, não reproduzem.

Isto é bom, porque nos dá vantagem numérica. É ruim porque os Cataios tendem agir em conjunto a partir de uma simples palavra. Eles voltam do túmulo com poderes que um Cainita levaria décadas para alcançar.

Caçadores

Eu tenho recebido alguns relatos sobre uma nova, secreta e, acima de tudo, poderosa organização de mortais. Chamados de caçadores ou “a moderna Inquisição”, eles começaram uma guerra não declarada

contra qualquer coisa que lance feitiços, sugue sangue ou mude de forma.

A princípio eu não estava muito preocupado. Eu

percebi que alguns neófitos acabaram estacados ou queimados. Acontece, mas não é uma tragédia. Então eu ouvi que esses caçadores tinham algum tipo de poder paranormal os ajudando. Houve histórias sobre eles desaparecendo de vista, lendo mentes e ateando fogo nas coisas somente com suas mãos vazias. Eu gostaria de pensar que foi apenas histeria coletiva, mas os relatos eram frequentes e coerentes demais. Annabelle em Vancouver, conduziu a captura de um. Ela o subjugou com Presença, ferrou com seu cérebro, e o prendeu a um laço de sangue - o trabalho completo. Ele deveria estar disposto a matar ou morrer apenas para o prazer dela, e parecia que estava mesmo.

Ela me convidou para ir até lá dar uma olhada e falar eu mesmo com ele. Infelizmente, antes de chegar lá, o caos tomou conta. Eis o que eu descobri a partir da única criança dela que sobreviveu: Annabelle iria fazer uma negociação com um carniçal de um anarquista local. Ela não confiava no carniçal, então disse ao seu “caçador de estimação” para estar alerta e tomar cuidado com qualquer sinal de traição. Ele concordou e parecia que não queria mais nada além de servir e proteger. Bom, Annabelle era esperta e antiga o suficiente, que nenhum mortal enganador pudesse lhe passar a perna com uma simples mentira, entende o que quero dizer? Mas assim que o carniçal entrou, o caçador piscou, se chacoalhou e atacou Anabelle. Ele estava armado com nada além de um castiçal, mas (novamente de acordo com o relato de sua criança), o castiçal ateou fogo nas roupas dela enquanto ele a acertava. Então, em mais ou menos trinta segundos, este humano com laço de sangue, se livrou da presença de uma Toreador de oitava geração e a matou com um único ataque.

Já está assustado? Fica melhor. A criança estava

observando com Auspícios, e a aura dele estava dourada como um halo. Não há nenhuma pista de

como ele rompeu o laço de sangue e conseguiu alcançá- la ou transformou um pedaço comum de metal numa morte flamejante.

A cereja do bolo? O que quer que seja que está

fazendo humanos se tornarem máquinas de matar super carregadas é realmente generoso com seus dons.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Onde eu ou você temos que implorar permissão para Abraçar um único mortal, quem quer

Onde eu ou você temos que implorar permissão para Abraçar um único mortal, quem quer que seja (ou o que quer que seja) que está criando caçadores parece capaz de imbuir dúzias de uma só vez. Neste ritmo, eles vão superar o número dos clãs da Camarila combinados em menos de cinco anos, e todos os Membros ao redor do mundo em menos de oito.

Novos Poderes de Disciplinas

Todos os seguintes poderes são disciplinas únicas que vieram da maestria de Sangue de anciões Toreador. Personagens que podem aprender e criar novos poderes de disciplinas, (de Nível Seis ou mais) podem desejar adquirí-los ou usá-los como base da qual explorar suas próprias criações. Do mesmo modo, alguns personagens do Narrador podem ter acesso a estes poderes.

Língua de Crocodilo (Auspícios Nível Seis)

Um personagem com este poder, entende instintivamente o que uma outra pessoa em uma conversa (viva ou morta-viva) quer ouvir.

Se ele puder encontrar uma maneira de expressar o que ele quer de modo que soe como o que a outra pessoa quer ouvir, isso pode ajudá-lo a conseguir comunicar seu ponto de vista. Isso também dá a ele uma maneira de cativar as pessoas ou acumular favores. Difere da telepatia em que a pessoa não precisa estar ativamente pensando sobre

o que ela quer ouvir – um desinteressado patrono de um clube pode descobrir que seu ousado admirador

o oferece algum desejo secreto, enquanto um

estudante solitário pode ter encontrado sua “alma gêmea” com a qual divide os mesmos sonhos.

Sistema: O personagem deve gastar pelo menos um minuto conversando com a pessoa e o jogador deve fazer uma rolagem bem sucedida de Percepção + Empatia (dificuldade 6). Para o personagem expressar sua própria ideia em termos os quais a pessoa irá responder favoravelmente, assumindo que por alguma razão o Narrador escolha não interpretar a situação, ele pode

autorizar o jogador a rolar Manipulação ou Carisma

+ Expressão (dificuldade 6). Tal confiança na

mecânica, no entanto deveria ser usada apenas como último recurso - a própria natureza desse poder é social, e raramente deve ser ditada pelos dados ao invés de ser interpretada.

desse poder é social, e raramente deve ser ditada pelos dados ao invés de ser interpretada.

Livro de Clã: Toreador

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Sistema TM: Língua de crocodilo é um poder delicado em jogos de ação ao vivo,

Sistema TM: Língua de crocodilo é um poder delicado em jogos de ação ao vivo, onde os alvos primários são os personagens de outros jogadores. Quando o jogador usa esse poder, o jogador do personagem afetado deveria seriamente considerar o que seu personagem quer ouvir e trabalhar com o usuário para melhor interpretar o uso do poder. É difícil modelar isso exatamente, mas o jogador afetado deve assumir que seu personagem ouve o que quer ouvir. Língua de crocodilo é difícil de representar suavemente no Teatro da Mente. Para sentir como expressar sua ideia em uma maneira que o alvo ache favorável, o personagem deve gastar pelo menos um minuto falando com o alvo e o jogador deve fazer uma Disputa Mental contra o mesmo. Se tiver sucesso, ambos os jogadores devem decidir como lidar com a real conversação a partir daquele ponto. Se ambos decidirem interpretar, então o jogador do personagem alvo deve reagir favoravelmente e oferecer sugestões que ajudariam o outro jogador. Se os jogadores decidirem recorrer à mecânica, então o personagem usuário do poder inicia uma Disputa Social contra o alvo. Para o propósito desse desafio somente, o personagem com o poder vence em um empate.

Influência Ausente (Presença Nível Seis)

Alguns Toreador aprenderam a deixar uma “Presença residual” em seu rastro. Artistas do clã podem imbuir seu trabalho artístico com certas emoções; Toreador territoriais podem deixar evidências palpáveis em um domínio que serão percebidas como se fossem uma ameaça iminente e constante. Quando esse poder é usado, o Toreador pode inspirar aquelas emoções naqueles que nem mesmo estão em sua presença. Trabalhos artísticos afetam quem os viu e uma área “Marcada pelo Membro” ressoa com emoções recorrentes. A arte ou área também deve ser projetada ou direcionada com o intento de inspirar aquela emoção – em outras palavras, um autor provavelmente não seria capaz de inspirar esperança naqueles que lêem seu balanço gráfico das atrocidades do campo de batalha da Primeira Guerra Mundial. Assim, o Membro pode produzir uma fotografia de uma criança desnutrida que faz os observadores ficarem imensamente tristes ou decorar seu santuário com tamanha opulência que aqueles dentro dele duvidem de seu próprio valor. Sistema: O personagem começa este processo quando empreende um trabalho artístico ou decide imbuir um cômodo com sua essência. Ele deve decidir com antecedência que única emoção ele quer inspirar. O jogador então gasta um ponto de sangue (que o personagem mistura em sua pintura ou tinta, ou esconde na área em geral) e testa Manipulação + Expressão (dificuldade 7). O sucesso indica que quem quer que observe o trabalho ou visite a área sinta intensamente a emoção que o Toreador queria inspirar. Obviamente, a interpretação é a melhor maneira de ilustrar isso; muito desse poder é deixado nas mãos do Narrador, e seus efeitos são mais bem manuseados pelos jogadores. Narradores podem desejar “auxiliar” mecanicamente os jogadores cujos personagens não reagem apropriadamente ao efeito do poder – não permitindo

que personagens agressivos gastem Força de Vontade na presença de um friso que inspire pavor, por exemplo. Sistema TM: Como o poder anterior, este depende totalmente da interpretação. Personagens não correrão em terror (a menos que a emoção em combinação com a arte faça exatamente isso) nem serão forçados a ações que normalmente não fariam. Fora isso, o jogador deve tomar cuidado em representar a reação apropriada à Disciplina em combinação com a arte ou cômodo. Assim como na versão de mesa da Influência Ausente, o jogador deve gastar um ponto de sangue quando inicia o processo, e o personagem deve criar o trabalho artístico ou esconder o sangue na área afetada, então fazer uma Disputa Social Estática contra uma dificuldade de sete Características. Se obtiver sucesso, qualquer personagem que veja a obra de arte ou entre na área afetada sente a emoção investida pelo poder. O jogador deve escrever a seguinte informação num cartão e colocar num lugar proeminente na área afetada: O nome do Narrador que mediou o desafio, a emoção investida, e o objeto sob o qual o poder foi usado.

Êxtase (Dominação **, Presença ***)

Muitos Toreador afirmam que a “maldição do clã” não é uma maldição, mas uma benção. Aqueles que aprendem o segredo de Êxtase são os maiores defensores dessa afirmação. Qualquer Toreador que observe uma cena ou trabalho de grande beleza está suscetível a cair em um harmonioso estupor. Esse transe é a antítese da feia fúria da Besta. Aqueles familiarizados com o poder de Êxtase podem recordar a beleza quase tão intimamente como se estivesse perante eles e usá-la como um reservatório de força interior. A recordação da felicidade passada serve como uma proteção quando ameaçados com o desejo irracional, frenesis e medos da Besta. Além disso, o Membro pode projetar esse senso de prazer sobre outro, acalmando-o de espasmos de fúria ou frenesi. Sistema: Para usar esse poder, um Toreador precisa intencionalmente entrar em transe enquanto observa/escuta/olha para algum trabalho de arte ou personificação de beleza. A duração desse transe é determinada normalmente: O Toreador continua fascinado até a canção acabar, a dança ser finalizada ou até que a peça de arte seja coberta. (Poucos escolhem usar esse poder com pinturas por essa razão). Dentro de uma cena após o transe acabar, o jogador testa Inteligência + Sobrevivência. Se o teste for bem- sucedido, o vampiro pode temporariamente aumentar seu Autocontrole, Consciência ou Coragem em um único ponto. Esse aumento dura até o fim da cena. A dificuldade do teste é equivalente ao dobro da Característica atual: Um vampiro com Autocontrole 4 tem que testar com uma dificuldade 8 para ganhar outro ponto temporário de Autocontrole. Somente uma virtude pode ser aumentada por vez. Além disso, a origem do transe deve ser apropriada para a Virtude. Olhar para o “Juramento de Horatti” de David ou escutar o primeiro movimento de “Os Planetas” de Holst poderia fortalecer a Coragem de alguém, mas não seu

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Autocontrole. Quando um Membro faz o uso de Êxtase para endurecer a determinação de outro,

Autocontrole. Quando um Membro faz o uso de Êxtase para endurecer a determinação de outro, o teste para ativar o poder é Raciocínio + Expressão. Adicionalmente, as dificuldades para usar Êxtase em alguém além de si mesmo são aumentadas em um. Qualquer falha crítica no uso de Êxtase resulta na perda de um ponto de Força de Vontade (mínimo 1). Êxtase pode ser usado somente por vampiros na Trilha da Humanidade. Este poder custa 14 pontos de experiência. Sistema TM: Os pré-requisitos são idênticos: O personagem deve entrar em um transe enquanto observa

a arte. Dentro de uma hora ou uma cena depois do transe

terminar, o jogador deve fazer um Disputa Mental Estática contra uma dificuldade igual ao dobro da pontuação da característica permanente do alvo. Se tiver sucesso, poderá adicionar mais um ponto em Autocontrole, Consciência ou Coragem. Esta característica permanece por uma hora ou cena. Somente uma virtude pode ser aumentada por vez. Quando um membro usa Êxtase fortalecer a determinação de alguém, o jogador precisa fazer um desafio mental estático contra uma dificuldade igual ao dobro da virtude alvo, mais um. Este poder custa 7 pontos de experiência.

Pintura da Alma (Auspícios ••••, Presença ••)

A antiga arte Toreador de “pintar almas” floresceu brevemente no começo de 1300, mas com a perda (e suposta Morte Final) de Katherine de Montpellier, a técnica foi considerada perdida para sempre. Em noites recentes, Katherine voltou. Despertada de um longo torpor, ela concordou em ensinar a alguns poucos estudantes valiosos o truque de pintar o retrato da natureza interior de um ser. Uns poucos ousados Toreador adaptaram seus princípios para outras mídias expressivas, incluindo música, canções e até atuações. (Convencer Katherine a adotar um novo pupilo não é uma tarefa fácil, é claro. Um provável estudante deve impressionar a professora com um trabalho próprio, pois somente aqueles com adequada perícia e discernimento suficiente podem ter uma chance de dominar essa técnica. Além disso, o estudante deve concordar em obedecer Katherine em tudo – algumas vezes à altura de estar a um passo do laço de sangue. Katherine encontrou poucos voluntários a tomar esse risco, somente uma minoria é julgada habilidosa o

suficiente para a instrução. Outros instrutores talvez não sejam tão rígidos – ou talvez sejam até mais). A arte tem sido por muito tempo considerada como um portal para a alma. Normalmente é a alma do artista. Nesse caso, a pintura pode expor a natureza da pessoa retratada. A mensagem carregada pela arte é poderosa, delicada, e – quando bem-sucedida – inegável. A falsidade não pode ser retratada através da Pintura da Alma, pois nem mesmo o artista inicialmente sabe o que

a imagem revelará. Para criar esse tipo de retrato, o artista precisa estudar o sujeito por uma hora completa e ininterrupta.

Isso pode ser feito numa reunião, é claro, mas (devido à natureza sensível do retrato) é mais comumente feita a partir de uma observação recordada. Olhando não somente nos mínimos detalhes de aparência e porte, mas também na aura do sujeito, o pintor forma uma visão concisa. Isso somente não é suficiente, entretanto: O pintor deve doar si mesmo a uma tempestade de criatividade totalmente fascinada, deixando de lado todos seus preconceitos completamente, para que seja possível fazer um retrato da alma. O retrato deve ser pintado de uma só vez e interromper a alma do pintor enquanto trabalha é tão difícil como acordar um Toreador da mais mundana visualização artística. Geralmente leva de 10 a 12 horas para criar uma pintura, apesar de que esforços mais complexos levarem mais tempo – o retrato do antigo Arcebispo Monçada feito por Katherine supostamente levou mais de uma centena de horas para ser concluído – mas se for completado com sucesso, revelará muita coisa. Sistema: O jogador testa Manipulação + Empatia (dificuldade 9) Se o teste obtiver mesmo que um único sucesso, a pintura (ou outro trabalho) captura a Natureza do sujeito na própria obra. Para cada sucesso adicional, o jogador pode optar em ilustrar qualquer um dos seguintes pontos: uma aproximada medida de Humanidade (ou trilha, que normalmente não criará um trabalho tradicionalmente agradável), Força de Vontade, Autocontrole, Consciência, Convicção, Instinto ou Coragem. Qualquer um com o poder de Pintura da Alma pode imediatamente reconhecer todo discernimento retratado numa pintura. Aqueles que carecem do poder podem (de acordo com o Narrador) testar Percepção, Percepção + Empatia, ou Percepção + Ofícios para “decodificar” o retrato. A dificuldade para tais tentativas deve ser baixa, contudo; o ponto principal do poder é a expressão desses conceitos abstratos. Note que Pintura da Alma não necessariamente faz do artista um pintor habilidoso (ou poeta, ou ator, etc.) – é absolutamente possível de haver um retrato executado grosseiramente que não obstante comunicará a personalidade do sujeito. Tal inepto pintor, porém, provavelmente não aprendeu esse poder da própria mestra Katherine. Aprender este poder custa 18 pontos de experiência. Sistema TM: O jogador faz uma Disputa Social Estática (9 pontos de dificuldade). Se obtiver sucesso, a pintura captura a Natureza do alvo no trabalho. O jogador pode gastar até três Características Sociais para ilustrar as seguintes qualidades (uma por Característica gasta): Um rude indicador da Humanidade (ou trilha, o que geralmente não cria um trabalho tradicionalmente lisonjeiro), Força de Vontade, Auto Controle, Consciência, Convicção, Instinto ou Coragem. Membros com o poder Pintura da Alma imediatamente reconhecem cada introspecção retratada. Se o personagem não tem o poder, o jogador pode (a cargo do Narrador) precisar fazer um teste de Disputa Mental Estática contra uma dificuldade igual ao número de qualidades retratadas na pintura (de uma a quatro

Livro de Clã: Toreador

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Características). Este poder custa 9 pontos de experiência. Fala Dupla (Auspícios •• , Rapidez •

Características). Este poder custa 9 pontos de experiência.

Fala Dupla (Auspícios ••, Rapidez , Ofuscação )

Fala Dupla é uma trapaça que vem sendo passada entre os Toreador por séculos, senão milênios. Considerando outros poderes vampíricos, não é tão impressionante quanto invocar força física profana ou tornar-se névoa, mas tem seus usos. Quando um Toreador usa Fala Dupla, ele diz uma sentença inteira muito rápida e sutilmente, por entre palavras ditas normalmente. Para a maioria dos ouvintes, parece soar como uma pausa normal de uma conversação, como “uh” ou “er” ou “hmmm”. Alguém familiar com esse poder sabe o que escutar, pois pode ouvir a sentença escondida. Verdadeiros mestres desse poder podem comprimir monólogos inteiros em um simples grunhido. Este não é um dos grandes e profundos segredos do clã: alguns Tremere e Malkavianos também dominaram essa técnica e podem ouvir ou tomar parte da conversação. Apesar de tudo, ela é muito útil para ser capaz de ter uma conversa secreta que parece ser completamente inofensiva para um estranho qualquer. Sistema: Quando o personagem deseja escutar a Fala Dupla ele deve testar Percepção + Lábia (dificuldade 5). Se bem sucedido o personagem pode escutar o que foi dito. (Essa Dificuldade pode ser modificada devido às circunstâncias – é mais difícil escutar pelo telefone ou em um lugar barulhento.) Uma falha indica que o personagem não escutou nada. Uma falha crítica indica que ele entendeu errado o que foi dito.

Quando um personagem deseja falar, o jogador testa Inteligência + Expressão (dificuldade 6). Se o teste for bem sucedido, o personagem pode inserir discretamente uma frase em sua conversação. Uma falha indica que o personagem não pode ser compreendido. Uma falha crítica indica que o personagem acidentalmente disse sua frase alta e na velocidade normal. Este poder custa 10 pontos de experiência. Sistema TM: Quando seus personagens usam a Fala Dupla, os jogadores envolvidos devem fazer um gesto com a mão para esclarecer o que é falado normalmente e o que é secretamente comunicado. É sugerido que a mão esquerda “belisque” o lóbulo da orelha esquerda, para mostrar que aquilo que está sendo dito difere do que é ouvido por aqueles qualificados em Fala Dupla. Quando um personagem ouve por Fala Dupla em uma conversa, o jogador faz uma Disputa Mental Estática (dificuldade de cinco Características). Se obtiver sucesso, o personagem ouve o que é dito. Uma falha significa que não ouve nada. Quando um personagem fala com Dupla Fala em uma conversa, o jogador faz uma Disputa Mental Estática (dificuldade de seis Características). Se tiver sucesso, o jogador pode inserir a Fala Dupla sem problemas numa conversa. Uma falha significa que ele não será entendido. Em ambos os casos, um único desafio é necessário para toda a conversação. Este poder custa 5 pontos de experiência.

Capítulo Dois: Asteta Revelado

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Capítulo Três: Capítulo Três: O Cartório O Cartório O pensamento de que ele estava falando
Capítulo Três: Capítulo Três: O Cartório O Cartório
Capítulo Três:
Capítulo Três:
O Cartório
O Cartório

O pensamento de que ele estava falando a verdade passou pela minha mente talvez que ele tivesse se tornado bom de repente, mas de uma só vez pus este pensamento de lado; mentiras e intrigas eram um hábito para ele. - Ítalo Calvino, O Visconde Dividido.

Alguns Membros olham para os Toreador de cima pra baixo, desconsiderando-os como bufões egocêntricos. Muito
Alguns Membros olham para os Toreador de cima pra baixo, desconsiderando-os como bufões
egocêntricos.
Muito simples, esses Membros são tolos.
Do abraço em diante, o Toreador se torna parte de uma família depravada e predatória de Cainitas
que baniriam sua própria prole para dentro do reino da infâmia tão logo olhassem para eles. Ser Toreador
é equilibrar graça, eloquência, perícia e os modos mortais da Jyhad. Os Toreador ineficientes não duram
muito - o clã os devora ou os empurra ao encontro do o escárnio dos outros Membros.
As páginas seguintes contêm alguns dos sobreviventes.

Capítulo Três: O Cartório

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O Artista Folclórico Mote: Eu sou só um artesão, e conheço pouco de tais coisas.

O Artista Folclórico

Mote: Eu sou só um artesão, e conheço pouco de tais coisas. Prelúdio: Sua vida era simples. Seu pai fazia potes, móveis e pinturas. Algumas eram simples, para as pessoas beberem, sentarem ou pendurar nos altares dos seus lares. Outras eram extravagantes, feitas para deuses e templos. Quando seu pai morreu, você o substitui nessas coisas.

O mundo dos brancos mantinha pouco apreço

por você. Eles pareciam ser pessoas separadas do mundo, devotados à divisão inútil das coisas. Ao invés de terem seu Deus com eles todo o tempo, eles o mantinham aprisionado numa igreja, guardado por sacerdotes e mistérios. Para você, cercado toda a vida

pelos espíritos e ancestrais, isso parecia de fato, muito contraditório.

O primeiro homem morto “que caminha” que

você encontrou era negro. Ele falou sedutoramente. Ele prometeu a você sabedoria, segredos e poder para

expulsar os homens-brancos do seu país. Quando você perguntou a seus ancestrais sobre o homem, eles disseram que ele era um agente de um grande mal, e

que para proteger sua gente, você tinha que se tornar como ele. Você existiria suspenso entre a vida e a morte, aprisionado ao mundo dos homens brancos. Eles te disseram que suas vozes se tornariam difíceis de ouvir no mundo branco e que você conheceria uma grande tentação. Você disse que jamais perderia a fé. Eles disseram para esperar. Eles te dariam receptáculo. Uma semana depois, o homem morto que andava entrou na sua aldeia. Ele tinha de alguma forma, obtido uma das faixas que você fez para um deus. Ele te chamou de "grande artista" e de "voz incomparável". Ele tagarelou sobre os prazeres do mundo branco, mas você podia ver que ele

t i n h a

maldição da vida da meia-morte. Os espíritos dos seus

a n c e s t r a i s

contaram que ele seria o meio pelo q u a l v o c ê s e transformaria e guardaria seu povo,

Nome:

Natureza:

Arquiteto

Geração:

10ª

Jogador:

Comportamento:

Tradicionalista

Senhor:

Crônica:

Clã:

Toreador

Conceito:

Artista Folclórico

Atributos

Físicos

Sociais

Mentais

Força

OOOOO

Carisma

OOOOO

Percepção

OOOOO

Destreza

OOOOO

Manipulação

OOOOO

Inteligência

OOOOO

Vigor

OOOOO

Aparência

OOOOO

Raciocínio

OOOOO

 

Habilidades

 

Talentos

Perícias

Conhecimentos

Prontidão

OOOOO

Emp.c/Animais

OOOOO

Acadêmicos

OOOOO

Esportes

OOOOO

Ofícios

OOOOO

Computador

OOOOO

Briga

OOOOO

Condução

OOOOO

Finanças

OOOOO

Esquiva

OOOOO

Etiqueta

OOOOO

Investigação

OOOOO

Empatia

OOOOO

Armas de Fogo

OOOOO

Direito

OOOOO

Expressão

OOOOO

Armas Brancas

OOOOO

Lingüística

OOOOO

Intimidação

OOOOO

Performance

OOOOO

Medicina

OOOOO

Liderança

OOOOO

Segurança

OOOOO

Ocultismo

OOOOO

Manha

OOOOO

Furtividade

OOOOO

Política

OOOOO

Lábia

OOOOO

Sobrevivência

OOOOO

Ciências

OOOOO

 

Vantagens

 

Antecedentes

Disciplinas

Virtudes

Fama

OOOOO

Auspícios

OOOOO

Consciência/

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Geração

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OOOOO

Convicção

Mentor

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Recursos

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Auto-Controle/

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Instinto

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Coragem

OOOOO

OOOOO OOOOO OOOOO OOOOO Coragem OOOOO Qualidades/Defeitos O O Humanidade/Trilha O O O O O O

Qualidades/Defeitos