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CIÊNCIAS DOS MATERIAIS

25/05/15

Prof. Andrea Farias

CIÊNCIAS DOS MATERIAIS 25/05/15 Prof. Andrea Farias

Difusão por Lacunas

Difusão por Lacunas
Difusão por Lacunas

Difusão intersticial

Difusão intersticial
Difusão intersticial

Difusão em Metais

Átomo se movimentando nas Lacunas

LACUNAS

Difusão em Metais Átomo se movimentando nas Lacunas LACUNAS Posição do átomo de impureza no espaço

Posição do átomo de impureza no espaço intersticial Antes da difusão

Após a difusão

Difusão em Metais Átomo se movimentando nas Lacunas LACUNAS Posição do átomo de impureza no espaço

INSTERSTÍCIOS

Fluxo dede Transferência Fluxo Transferência dede Massa (J) definida por Massa (J) definida por
Fluxo dede Transferência
Fluxo
Transferência dede Massa (J) definida por
Massa (J) definida por

Discordâncias e Mecanismos de Aumento de Resistência

Por que os metais se deformam plasticamente?

Por

que

a

deformação

plástica

dos

metais

pode

resultar em profundas alterações nas propriedades

mecânicas do material?

Discordâncias e Mecanismos de Aumento de Resistência • Por que os metais se deformam plasticamente? •

Por conta da existência de discordâncias na rede cristalina dos materiais;

Por que estudar?

Com um conhecimento da natureza das discordâncias e do papel que elas desempenham no processo de deformação plástica, somos capazes de compreender os mecanismos que estão por trás das técnicas usadas para aumentar a resistência e endurecer os metais e suas ligas.

Dessa forma, torna-se possível projetar e adaptar as propriedades mecânicas dos materiais – por exemplo, a resistência ou a tenacidade de um compósito de matriz

Aumento de resistência:

CONSEQUENCIA DAS DISCORDÂNCIAS! Dureza (falta de capacidade em se deformar) Resistência Mecânica: Necessidade de força para se deformar

Discordâncias

Todos os metais e ligas contêm algumas discordâncias que foram introduzidas

durante a solidificação, durante a deformação plástica

Como consequência das tensões térmicas que resultam de um resfriamento rápido.

O número de discordâncias, ou densidade de discordâncias, em um material

Expresso como Comprimento total das discordâncias por unidade de volume

As unidades para a densidade de discordâncias são milímetros de discordância por milímetro cúbico ou, simplesmente, por milímetro quadrado.

Densidades de discordâncias tão baixas quanto 10 3 mm –2 são comumente encontradas em cristais metálicos que foram cuidadosamente solidificados.

Em metais altamente deformados, a densidade pode ser tão elevada quanto 10 9 a 10 10 mm –2 .

O tratamento térmico de uma amostra metálica deformada pode reduzir a densidade de discordâncias para até aproximadamente 10 5 a 10 6 mm –2 .

Em contraste, a densidade de discordâncias típica dos materiais cerâmicos fica entre 10 2 e 10 4 mm –2 ; para os monocristais de silício empregados em circuitos integrados, os valores normalmente estão entre 0,1 e 1 mm –2

Escorregamento

Escorregamento e plano de escorregamento:

O processo pelo qual uma discordância se move para causar uma deformação no material é chamado escorregamento;

O plano cristalográfico ao longo do qual a linha da discordância se movimenta é conhecido como plano de escorregamento.

Densidade de discordâncias:

Número de discordâncias expresso como o comprimento total de discordâncias por unidade de volume.

Tensão

cisalhamento

de

Plano Plano extra extra de de

átomos átomos

Plano de

Plano de

escorregamento

escorregamento

Linha de

Linha de

discordância

discordância

Vetor de Burgers

Vetor de Burgers

Plano extra de Plano extra de Tensão de átomos átomos cisalhamento
Plano extra de
Plano extra de
Tensão
de
átomos
átomos
cisalhamento

Plano de

Plano de

escorregamento

escorregamento

Linha de

Linha de

discordância

discordância

Vetor de Burgers

Vetor de Burgers

A deformação plástica corresponde ao movimento de uma grande quantidade de discordâncias;

O movimento de uma discordância se dá de forma discreta (pequenos deslocamentos por vez).

O movimento de um plano inteiro de uma vez exigiria uma imensa quantidade de energia para ser realizado.

• A deformação plástica corresponde ao movimento de uma grande quantidade de discordâncias; – O movimento

Discordância de aresta:

o movimento da linha de discordância é paralelo ao da força de cisalhamento

• Discordância de aresta: – o movimento da linha de discordância é paralelo ao da força

Discordância em espiral:

o movimento da linha de discordância é perpendicular ao da força de cisalhamento

• Discordância em espiral: – o movimento da linha de discordância é perpendicular ao da força

Existe um plano (plano de escorregamento) e uma direção preferenciais, nas quais ocorrerá mais facilmente um escorregamento;

A esta combinação é dada o nome de sistema de escorregamento.

• Existe um plano (plano de escorregamento) e uma direção preferenciais, nas quais ocorrerá mais facilmente

(a) Um sistema de escorregamento {111}

mostrado no interior de uma célula unitária CFC.

(b) O plano (111) mostrado em (a) e três

direções de escorregamento no interior daquele

plano compreendem possíveis sistemas de

escorregamento

(a)

(b)

Número de sistemas de escorregamento independentes representa as diferentes combinações possíveis de planos e direções de escorregamento

Um plano de escorregamento pode conter mais de uma direção de escorregamento Vários sistemas de escorregamento

O número de sistemas de escorregamento independentes representa diferentes combinações possíveis de planos e direções de escorregamento

Para CFC 12 sistemas de escorregamento

4 planos {111} diferentes 3 direções independentes

O plano preferencial é o de maior densidade planar;

A direção preferencial é a que apresenta a maior densidade linear.

Para o caso de discordâncias de aresta, esta direção é dada pelo vetor de burgers.

Plano de escorregamento (menor

densidade planar)

Plano de escorregamento (maior

densidade planar)

• O número de sistemas de escorregamento independentes representa diferentes combinações possíveis de planos e direções
• O número de sistemas de escorregamento independentes representa diferentes combinações possíveis de planos e direções

Distância de deslocamento

Geralmente, metais com maior número de sistemas de escorregamento são mais dúcteis.

Por isso, metais com estruturas dos tipos CFC e CCC são dúcteis e metais com estrutura HC são frágeis.

– Geralmente, metais com maior número de sistemas de escorregamento são mais dúcteis. – Por isso,

Escorregamento em Monocristal

Para uma amostra de um monocristal tensionada em tração

a deformação será com o escorregamento ocorrendo ao longo de inúmeros planos e direções equivalentes, orientados da maneira mais favorável em várias posições ao longo do comprimento da amostra.

Essa deformação por escorregamento forma-se como pequenos degraus sobre a superfície do monocristal, os quais são paralelos uns aos outros e envolvem a circunferência da amostra.

Cada degrau resulta do movimento de um grande número de discordâncias ao longo do mesmo plano de escorregamento.

Sobre a superfície polida de uma amostra de um monocristal, esses degraus aparecem como linhas, que são chamadas de linhas de escorregamento. Um monocristal de zinco que foi deformado plasticamente até um grau em que essas marcas de escorregamento.

Escorregamento em Monocristal • Para uma amostra de um monocristal tensionada em tração – a deformação
Escorregamento em Monocristal • Para uma amostra de um monocristal tensionada em tração – a deformação
Escorregamento em Monocristal • Para uma amostra de um monocristal tensionada em tração – a deformação

Cada degrau mostrado nas imagens resulta da geração de um grande número de discordâncias e suas propagações ao longo de um sistema de escorregamento

Escorregamento em Policristalinos

Orientação dos cristais nos grãos é aleatória; Discordâncias precisam passar de grão em grão;

Em alguns grãos o sistema de escorregamento será favoravelmente orientado, em outros não;

Escorregamento só ocorre quando todos os grãos são capazes de escorregar.

Escorregamento em Policristalinos • • Orientação dos cristais nos grãos é aleatória; Discordâncias precisam passar de

Linhas de escorregamento em grãos

Antes da deformação:

grãos equiaxiais

Após deformação:

grãos alongados

Deformação Plástica de Materiais Policristalinos

As direções de escorregamento podem variar de cristal para cristal. Alguns grãos possuem orientação menos favoráveis com respeito a carga aplicada

Embora um único grão possa estar orientado favoravelmente em relação a tensão aplicada para o escorregamento ele não pode se deformar até que seus grãos adjacentes, e orientados de maneira menos favorável, também sejam capazes de sofrer escorregamento. Isso exige um nível mais alto de tensão aplicada.

Discordâncias não podem facilmente atravessar contornos de grão devido às mudanças de direção do plano de escorregamento e à desordem no contorno de grão;

Como resultado, os materiais policristalinos são mais resistentes que os monocristalinos (exceto os monocristais perfeitos, sem defeito algum)

Mecanismos do aumento de resistência em metais

A habilidade de um metal se deformar depende da facilidade com que as discordâncias podem se mover;

A restrição de uma discordância se mover torna o material mais resistente;

Mecanismos de aumento de resistência em materiais monofásicos:

Diminuição do tamanho do grão; Solução sólida; Encruamento

Diminuição do Tamanho do grão

Na deformação, a discordância deve passar de um grão para outro;

Contorno de grão atua como barreira por duas razões:

Ao passar de um grão para outro a discordância deve mudar sua direção de movimentação (quanto maior a diferença de orientação mais difícil);

A desordenação atômica no interior de uma região de contorno de grão irá resultar em uma descontinuidade de planos de escorregamento de um grão para dentro do outro.

Um material com granulação fina (aquele com grãos pequenos) é mais duro e mais resistente que um material com granulação grosseira, uma vez que o primeiro tem uma área total de contornos de grãos maior para dificultar o movimento das discordâncias.

Tamanho do grão

1) Uma discordância cruzando um grão poderá ter que mudar sua direção de movimentação quando encontrar
1) Uma discordância cruzando um grão
poderá ter que mudar sua direção de
movimentação quando encontrar outro
grão, logo o contorno de grão torna-se
um obstáculo;
2)

A desordem de um contorno de grão resultará em uma descontinuidade dos planos de escorregamento de um grão para outro;

Onde: 0 e K y são

constantes

3)

A

redução do tamanho de

grão

ou

o

aumento do contorno de grão resultará

em um aumento da resistência de materiais metálicos policristalinos.

Solução Sólida

Outra técnica utilizada para aumentar a resistência e a dureza de metais consiste na formação de ligas com átomos de impurezas que formam uma solução sólida substitucional ou intersticial.

Apropriadamente, isso é conhecido como aumento da resistência por solução sólida.

Os metais com alta pureza têm quase sempre menor dureza e menor resistência do que as ligas compostas pelo mesmo metal-base.

O aumento da concentração de impurezas resulta em um consequente aumento nos limites de resistência à tração e de escoamento

Metais puros são mais macios e mais fracos;

Variação do (a) limite de resistência

a tração, (b) limite de escoamento, e

(c) ductilidade (AL%) em função do

teor de níquel para ligas de cobre-

níquel mostrando aumento de

resistência.

Solução Sólida

e (psi)

Solução Sólida  (psi) Discordância de aresta Tensão causada por átomos substitucionais menores que os do

Discordância de

aresta

Tensão causada por átomos substitucionais

menores que os do metal hospedeiro

Discordância de

aresta

Compressão causada por átomos

substitucionais maiores que os do metal

hospedeiro

% elemento de liga

Encruamento

Encruamento

é o fenômeno pelo qual um metal dúctil se torna mais duro e mais resistente quando ele é submetido a uma deformação plástica.

Encruamento • Encruamento – é o fenômeno pelo qual um metal dúctil se torna mais duro

Um material é tracionado além do seu limite de escoamento antes de ser aliviado

Agora o material possui um limite de escoamento maior, mas uma ductilidade menor.

Repetindo-se o procedimento várias vezes, o material vai aumentar seu limite de escoamento e diminuir sua ductilidade continuamente até tornar-se frágil.

Aço, Latão e Cobre

Aço, Latão e Cobre Limite de Escoamento Resistência à tração

Limite de Escoamento

Resistência à tração

Encruamento

Multiplicação das discordâncias

Encruamento • Multiplicação das discordâncias
Encruamento • Multiplicação das discordâncias

Encruamento

Recuperação, Recristalização e Crescimento de Grão

Deformação plástica

Alteração na forma do grão; Endurecimento por deformação plástica a frio; Aumento da densidade de discordâncias.

Estas propriedades e estruturas podem ser revertidas novamente aos seus estados anteriores ao trabalho a frio mediante

tratamento térmico apropriado (recozimento). Recuperação e recristalização Crescimento de grão

RECUPERAÇÃO

Parte da energia interna de deformação armazenada é liberada em virtude do movimento das discordâncias

Redução do número de discordâncias; Propriedades físicas (condutividade elétrica e térmica) são recuperadas aos seus estados que existiam antes do processo de trabalho a frio. Após a recristalização os grãos ainda se apresentam em um estado de energia de deformação relativamente elevado Propriedades mecânicas

Restauradas aos seus valores antes da deformação Metal mais macio, menos resistente e mais dúctil. Processo → depende do tempo e da temperatura Exemplo: Instrumento Musicais!

RECRISTALIZAÇÃO

Processo de formação de um novo conjunto de grãos livres de deformação e que são:

equiaxiais, com baixas densidades de discordâncias

são característicos das condições que existem antes do processo de trabalho a frio.

Novos grãos → núcleos muito pequenos que crescem (difusão) Recristalização → pode ser usada para refinar a estrutura do grão

Estrutura de grãos

submetidos ao trabalho a

frio (33 % TF)

Crescimento de grãos de Latão

RECRISTALIZAÇÃO • Processo de formação de um novo conjunto de grãos livres de deformação e que

Estágio inicial de

recristalização após

aquecimento por 3 s

a 580 °C. Os grãos

muito pequenos são

aqueles que foram

recristalizados.

Recuperação, Recristalização e Crescimento de Grão

Recuperação, Recristalização e Crescimento de Grão (a)Trabalho a frio; b) Após recuperação; c) Após recristalização; d)

(a)Trabalho a frio; b) Após recuperação; c) Após recristalização; d) Após crescimento de grão.

Tratamentos térmicos são tratamentos feitos a altas temperaturas para eliminar os efeitos da deformação a frio:

Recuperação: liberação de parte da energia interna de deformação de um material deformado a frio;

Recristalização: formação de um novo conjunto de grãos livres de deformação, dentro de um material deformado a frio;

Crescimento de grão: aumento do tamanho médio de grão de um material policristalino.

Recuperação, Recristalização e Crescimento de Grão

  • a) Trabalho a frio;

  • b) Estágio inicial de recristalização (3s a 580 o C);

  • c) Substituição parcial de grãos deformados por recristalizados (4s a 580 o C);

  • d) Recristalização completada (5s a

    • 580 o C);

  • e) Crescimento de grão após 15 min a 580 0 C;

  • f) Crescimento de grão após 10 min a 700 o C.

Crescimento de Grão

dn - d o n = Kt