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Colégio Equipe de Visconde do Rio Branco

Ensino Médio – Redação – 1º ano


Prof. Dr. Leonardo Coelho Corrêa Rosado

Tipo Textual Narrativo


Organização e Estrutura Narrativas
“Inumeráveis são as narrativas do mundo. Há em
primeiro lugar uma variedade prodigiosa de gêneros,
distribuídos entre substâncias diferentes, como se
toda matéria fosse boa para que o homem lhe
confiasse suas narrativas: a narrativa pode ser
sustentada pela linguagem articulada, oral ou escrita,
pela imagem, fixa ou móvel, pelo gesto ou pela
mistura ordenada de todas estas substâncias; está
presente no mito, na lenda, na fábula, no conto, na
novela, na epopeia, na história, na tragédia, no
drama, na comédia, na pantomima, na pintura [...], no
vitral, no cinema, nas histórias em quadrinhos, no fait
divers, na conversação. Além disto, sob estas formas
quase infinitas, a narrativa está presente em todos os
tempos, em todos os lugares, em todas as sociedades;
a narrativa começa com a própria história da
humanidade; não há, não há em parte alguma povo
algum sem narrativa; todas as classes, todos os
grupos humanos têm suas narrativas, e
frequentemente estas narrativas são apreciadas em
comum por homens de cultura diferente, e mesmo
oposta [...].”

Roland Barthes
Refletindo...
Refletindo...

1. A partir das palavras de Barthes, o que podemos


entender sobre as narrativas?

2. Existe uma diferença entre NARRATIVA e HISTÓRIA?

3. Quais tipos de narrativa você conhece?

4. Em que situações, você utiliza a narrativa? Por quê?


Definindo conceitos

1. O que é uma narrativa?


• Uma narrativa é um enunciado/texto que conta uma história
(fictícia ou não), satisfazendo, portanto, a finalidade do contar.
a) O amor impossível entre dois amantes devido a
a)conflitos
O amor familiares
impossívelem entre
plenadois amantes
Veneza devido XV
do século a
conflitos
(Romeu familiares
e Julieta em plena Veneza do século XV
- Shakeaspeare)
b) A(Romeu e Julieta
paixão entre - Shakeaspeare)
um vampiro e um ser humano
b)(Crepúsculo
A paixão entre um vampiro
– Stephenie Meyer) e um ser humano
c) A(Crepúsculo
convocação –de Stephenie Meyer)
um simbolista famoso em
c)Havard
A convocação
para o desvendamento defamoso
de um simbolista em
um assassinato
(OHavard
Códigopara o desvendamento
da Vinci – Dan Brown) de um assassinato
d) A(O Código da Vinci – Dan que
Brown)
Assim, as narrativas são bruxo
atos dedas
linguagem (enunciados/textos)
saga do menino mágico sobreviveu ao
• d) A saga
golpe do
do maiormenino mágico trevassobreviveu
que de todos osao
construídos por
golpe do
tempos certos
(Harry narradores.
maior bruxo
Potter das
– J. K. trevas
Rowling)
tempos (Harry Potter – J. K. Rowling)
de todos os
2. O que é uma história?
• Designa o conteúdo narrativo do texto/enunciado.

• Assim, a história é a sucessão de fatos/eventos que são objeto desse


enunciado narrativo e também às relações (de encadeamento, oposição,
repetição) estabelecidas entre estes eventos no interior mesmo deste
enunciado (GENETTE, 2007) de forma a construir o todo que é a própria história.

• A história contada pela narrativa depende das escolhas operadas pelo sujeito-
escritor-narrador. Estas escolhas são relativas aos (à):

 Fatos/eventos que vão narrados/contados.


 Ordem desses fatos/eventos.
 Ritmo desses fatos/eventos.
 Ponto de vista sobre esses fatos/eventos.
Harry Potter foi deixado à
porta da casa dos seus tios
após a morte dos seus pais e
da sua vitória sobre Lord
Voldemort, quando ele ainda
era bebê. Quando o jovem
Potter estava para completar
11 anos, ele recebeu uma
carta da Escola de Magia e
Feitiçaria de Hogwarts,
em que se dizia que ele era
um feiticeiro e o convidava
para estudar. Ao conhecer
Hagrid, o guarda-caça da
Escola, este o leva ao Beco
Diagonal para comprar o
3. O que é Narração ?
• Diz respeito ao ato narrativo produtor da narrativa e da
história e, por extensão, o conjunto de situação de
comunicação na qual este ato ocorre.

• Assim, enquanto a narrativa corresponde ao enunciado, a


narração diz respeito à enunciação.
Dispositivo da interação verbal

História

Narrativa 13
Narração
A narrativa e a sociedade:
considerações
• De um ponto de vista social e também fenomenológico, as narrativas são
meios de realizar e de expressar a temporalidade em que vive o
ser humano (COSTA, 2000, p. 41).

• Desse modo, as narrativas são elementos socioculturais, parte


integrante da cultura – esta formada por um conjunto de narrativas
compartilhadas pelo grupo.

• As narrativas são essenciais para a construção de identidades, uma vez


que, ao serem compartilhadas, instauram uma identidade coletiva, que
vem legitimar a identidade individual.
• Assim, a sociedade organiza muito de seus saberes em narrativas.

• As narrativas de uma sociedade são inúmeras, manifestando-se em


substâncias semiológicas diversas: a linguagem verbal, oral e
escrita, a imagem, fixa ou móvel, o gesto, ou mesmo uma mistura
ordenada desse todo.

• As narrativas estão presentes em todos os tempos, em todos os


lugares e em todas as sociedades, existindo em uma variedade de
gêneros discursivos, tal como propõe Barthes (1966) na epígrafe que
abre esta aula.
Em suma,...

“Contar representa uma busca constante e infinita; a


da resposta às perguntas fundamentais que o homem
se faz: ‘Quem somos? Qual é a nossa origem?
Qual é nosso destino?’ Dito de outro modo:
‘qual é a verdade de nosso ser?’
Como esta não se deixa descobrir, o homem, através
de seu imaginário, produz narrativas que, falando de
fatos e gestos dos seres humanos, liberam parcelas
desta verdade.
Contar é, então, uma atividade linguageira cujo
desenvolvimento implica uma série de tensões e até
mesmo contradições.” (CHARAUDEAU, 2008, p. 154)
O que é contar/narrar? –
finalidade do narrativo
• Contar, no sentido banal do termo, consiste em fazer a descrição
de uma sequência de ações.

• A finalidade do tipo narrativo é construir um mundo que se


descobre no desenrolar de uma sucessão de ações que se
influenciam entre si e se transformam em um encadeamento
sucessivo.
• O narrativo organiza o mundo de maneira sucessiva e contínua,
calcando-se em uma lógica marcada pelo seu próprio
fechamento (princípio/meio/fim).

• O sujeito que narra assume o papel de uma testemunha que está


em contato direto com a experiência vivida, contato este que revela
como os seres se transformam sob os efeitos de seus atos.
Palavras-chave:

AÇÃO/ACONTECIMENTO

AÇÃO/ACONTECIMENTO → acontecimentos da história;


eventos; fatos narrados; ações realizadas ou sofridas
pelos personagens, etc.
Palavras-chave:

SEQUÊNCIA

SEQUÊNCIA → conjunto de acontecimentos/ações


conectadas e interligadas por relações de causa e
consequência, constituindo por início, meio e fim.
• Finalidade/função do narrativo
Descritivo Narrativo

• O Descritivo faz-nos descobrir um


mundo que se presume existir como • O Narrativo leva-nos a descobrir um
um estar-aí que se apresenta como mundo que é construído no
tal, de maneira imutável. Esse mundo, desenrolar de uma sucessão de ações
que necessita apenas ser que se influenciam umas às outras e
reconhecido, basta ser mostrado. se transformam num encadeamento
Visão-construção do progressivo.
mundo • o Descritivo organiza o mundo de
maneira taxionômica (classificação • o Narrativo organiza o mundo de
dos seres do universo), descontínua maneira sucessiva e contínua, numa
(nenhuma ligação necessária entre os lógica cuja coerência é marcada por
seres entre si nem das propriedades seu próprio fechamento
entre elas), e aberta (nem começo (princípio/fim).
nem fim necessários)

O sujeito que narra desempenha


O sujeito que descreve desempenha os
essencialmente o papel de uma
papéis de observador (que vê os
testemunha que está em contato direto
detalhes), de sábio (que sabe identificar,
Papéis do sujeito com o vivido (mesmo que seja de uma
nomear e classificar os elementos e suas
maneira fictícia), isto é, com a experiência
propriedades), de alguém que descreve
na qual se assiste a como os seres se
(que sabe mostrar e evocar).
transformam sob o efeito de seus atos.
Este poema é
narrativo? Por que?

Poema-Processo
Letra A – José de
Este cardápio é
narrativo? Por que?

Cardápio
Este cardápio é
narrativo? Por que?

Cardápio
Trata-se de uma
narrativa? Por que?

In the
Dollhouse –
Esta referência
bibliográfica é
narrativa? Por que?

Referência
Bibliográfica
Esta fotografia
artística é narrativa?
Por que?

Pietà with Courtney Love – David


Lachapelle
Esta chamada é
narrativa? Por que?

Chamada de Fim de Ano (1998) – REDE


GLOBO
Portanto, o tipo narrativo é
uma sequência de elementos
linguísticos organizados de
forma a produzir uma
sequência temporal de
acontecimentos ou ações,
que se interligam por meio
de relações de causa-
consequência, possuindo
princípio, meio e fim.
Características: identificando
narrativas
• De um ponto de vista fenomenológico (isto é, de um ponto de vista da narrativa
enquanto um objeto material do mundo), a narrativa possui, segundo Metz (1972),
cinco características:

1) Uma narrativa tem início, meio e fim.


Na qualidade de objeto material, toda narrativa é um discurso fechado, isto é, ela tem
um começo, meio e fim. Mesmo que a narrativa possa ter um final suspensivo ou cíclico
– como o conto “A quinta história” de Clarice Lispector – isso não muda em nada a
natureza da narrativa enquanto um objeto: todo livro tem uma última página, todo filme
tem um último plano e, por sua vez, toda telenovela tem uma última cena. Há sempre
um enunciado final que permite dizer que este objeto chegou ao seu fim.
Este conto descreve as
experiências sobre o
extermínio de baratas.
Relata uma história, a de
como matar baratas, em
cinco versões, o que leva ao
questionamento sobre as
muitas formas de narrar um
fato, o que incluir, o que
excluir, e como um mesmo
fato pode originar histórias
muito diferentes. Nesse
conto, encontra-se a reflexão
sobre o fazer literário que
acompanha os contos de
Clarice Lispector.
Tieta (1989-1990) – REDE GLOBO
Representação temporal da telenovela Tieta
(1989-1990)

FONTE: CORRÊA-ROSADO, 2017.


2) Uma narrativa é uma sequência temporal.
a) Em primeiro lugar, em qualquer narrativa, a história é sempre uma
sequência mais ou menos cronológica de acontecimentos.
b) EmTempo
segundo lugar, a narrativa é uma transposição
Tempo de um tempo
para outro
da tempo: há o tempo da história e o da tempo da
narrativa.
História Narrativ
História Narrativ
a
Representação temporal da telenovela Tieta
(1989-1990)

FONTE: CORRÊA-ROSADO, 2017.


Representação temporal da telenovela Roque
Santeiro (1985-1986)

FONTE: CORRÊA-ROSADO, 2017.


3) Uma narrativa é um discurso.
O que delimita o discurso em relação ao resto do mundo é que o discurso
necessariamente proferido por alguém. Assim, a narrativa, sendo um discurso,
pressupõe que há alguém que narra a história.

“A impressão de que alguém fala não se prende à existência empírica de um narrador


preciso e conhecido [...], mas à percepção imediata [...] da natureza linguística do
objeto [...]: já que se fala, deve haver quem esteja falando” (METZ, 1972, p. 34).
Dispositivo da interação verbal

História

Narrativa 39
Narração
Quem fala esta
narrativa?

Tirinha (Turma
da Mônica)
4) Uma narrativa irrealiza a coisa narrada.
Apesar de algumas narrativas possuírem uma função referencial (narram fatos
que ocorrem no mundo real), elas nunca são os fatos em si, mas uma
representação destes fatos.
Realidad Narrativ
“[...] o leitor doelivro de História sabe que Marat não está sendo assassinado
a na sua
frente; o amigo a quem conto minha vida entende que no momento em que a conto
já não a vivo mais [...]; o espectador do telejornal não se considera testemunha
direta do acontecimento que as imagens estão transmitindo” (METZ, 1972, P. 35-36)
Realidade
passada

NARRATIVA
Universo
contado
(ativ Na
idad rrar
e ling
uage
ira)

FONTE: CORRÊA-ROSADO, 2016.


5) Uma narrativa é um conjunto de acontecimentos.
Uma narrativa não é uma sequência de acontecimentos fechados, mas sim uma
sequência fechada de acontecimentos. Assim, o acontecimento
(ação/fato/evento) constitui a unidade fundamental da narrativa.
São tais acontecimentos que são ordenados em sequência; são eles que o ato
narrativo, para existir, começa por irrealizar; são eles, enfim, que fornecem ao
sujeito-narrador seu necessário correlato: ele só se torna narrador porque os
acontecimento são narrados por ele.
FONTE: CORRÊA-ROSADO, 2017.
Pausa p a r a o “c a fé ” .. .

Neste gênero há a
predominância do
tipo narrativo? Por
que?

za)
Gênero Dica (de bele
I. Tipo narrativo
• Tipo textual predominante em gêneros como notícia, lenda, conto,
novela, reportagem, romance, apólogo, fábula, anedota, tirinha,
biografia, relato pessoal, carta pessoal, e-mail etc.

• Do ponto de vista linguístico, no tipo narrativo há a predominância de


verbos de ação, progressão temporal/causal, ou seja, um fato
acontecendo após o outro (relação de causa e efeito). Há predominância
de advérbios temporais, causais e também locativos É frequente a
presença do discurso relatado (discurso direto, indireto e indireto
livre). Além disso, os gêneros desse tipo textual centram-se no relato de
um fato ou um acontecimento, podendo envolver ficção.
II. Tipo descritivo

• Tipo textual predominante em gêneros como lista de compras,


lista de ingredientes de uma receita culinária, retrato, anúncio
classificado e cardápio.

• Do ponto de vista linguístico, as sequências do tipo descritivo


possuem estaticidade, ou seja, ausência de ação,
predomínio de predicados nominais, predicativos, verbos
de estado, isto é, verbos de ligação. Além disso, há grande
valorização de adjetivos, emprego de figuras de
linguagem, períodos curtos e presença da coordenação.
III.Tipo injuntivo
• Também chamado de instrucional, é o tipo textual predominante em gêneros como manual de
instruções, propaganda, receita culinária (modo de fazer), regras de um jogo, regulamentos,
instruções de uso, comandos diversos, textos prescritivos, enunciados (de um problema de
matemática, por exemplo), bula de remédio, entre outros.
• São textos predominantemente injuntivos aqueles cuja função é passar uma instrução. Do ponto
de vista linguístico, suas características são o predomínio de expressões de sentido imperativo,
de formas verbais também no imperativo, no infinitivo ou no futuro do presente, além de formas
adverbiais de modo, de negação e de vocativo (explícito ou não). Há presença de períodos simples.
Empregam-se também elementos cuja função é indicar uma sequência de ações ou seja,
conectivos que indiquem a sequenciação dos eventos (primeiro, depois, finalmente etc ).
• O tipo textual injuntivo comporta a prescrição de ações sequencialmente ordenadas, ou seja, a
execução das ações deve, na maioria das vezes, seguir a ordem estabelecida com risco de
comprometimento do resultado final. A situação de produção de gêneros desse tipo textual sempre
envolve a necessidade de informar como deve ser o comportamento daqueles que vão usar um
equipamento ou medicamento ou, ainda, realizar um procedimento.
IV. Tipo argumentativo
• Tipo textual predominante em gêneros como dissertação escolar, carta
argumentativa, carta de solicitação, carta de reclamação, manifesto, editorial,
monografia, crítica, cartas ao leitor, debates regrados e artigo de opinião.

• São predominantemente argumentativos os textos centrados na defesa de


uma tese, ou seja, de uma ideia, de um ponto de vista, textos que têm origem
nas discussões sociais de assuntos polêmicos, que provocam controvérsias.
Apresentam o posicionamento do falante de forma explícita,
argumentos e/ou contra-argumentos. Há o predomínio de relações e
progressões lógicas de ideias, impessoalidade, objetividade. A
linguagem é padrão e denotativa. Predomina a subordinação.
V. Tipo expositivo
• Também denominado dissertativo-expositivo — tipo predominante em gêneros
como aulas expositivas, verbete de dicionário, capítulos de livro didático, artigos
enciclopédicos, manuais didáticos, exposições orais, seminários, conferências e
palestras.
• São predominantemente expositivos os textos que objetivam passar uma
informação tida como verdade absoluta, como comprovada.. Linguisticamente,
há o predomínio da objetividade, de comparações entradas no esclarecimento
de conceitos, da coordenação (principalmente de orações coordenadas explicativas),
da subordinação (orações adjetivas).
• Nesse tipo textual, ao contrário do texto argumentativo, que visa a modificar uma
crença (visão de mundo), objetiva-se transformar uma convicção (estado de
conhecimento). A situação de produção de gêneros desse tipo textual envolve a
necessidade de divulgar um conhecimento resultante de pesquisa científica.
Neste gênero há a
predominância do
tipo narrativo? Por
que?

za)
Gênero Dica (de bele
Elementos da Narrativa

• De acordo com a pesquisadora Cândida Gancho (2001, p. 9),


em Como analisar narrativas, toda narrativa se estrutura sobre
cinco elementos, sem os quais ela não existe.

“Sem os fatos não há história, e quem vive os fatos


são os personagens, num determinado tempo e
lugar. [...] Os fatos, os personagens, o tempo e o
espaço existem por exemplo num texto teatral, para o
qual não é fundamental a presença do narrador. Já no
conto, no romance ou na novela, o narrador é o
elemento organizador de todos os outros componentes,
o intermediário entre o narrado (a história) e o autor,
entre o narrador e o leitor” (GANCHO, 2001, p. 9)
O que?
Enredo (aconteci
mentos)
Personage
Quem faz?
ns

Elementos
da Tempo Quando?
narrativa

Espaço Onde?

Quem
Narrador
narra?
I. Enredo
• Corresponde ao conjunto de fatos/acontecimentos de uma
narrativa.

• Enredo e história, no âmbito de nossas aulas, corresponde a


mesma coisa.

Conjunto de fatos/acontecimentos
de uma narrativa, ou seja, a
própria história
a) Verossimilhança

• Diz respeito à lógica interna do enredo, que o torna verdadeiro


para o leitor.

“Os fatos de uma história não precisam ser


verdadeiros, no sentido de corresponderem
exatamente aos fatos ocorridos no universo exterior
ao texto, mas devem ser verossímeis; isto quer dizer
que, mesmo sendo inventados, o leitor deve acreditar
no que lê. Esta credibilidade advém da organização
dos fatos dentro do enredo. Cada fato da história
tem uma motivação (causa), numa é gratuito e sua
consequência desencadeia inevitavelmente novos
fatos (consequências).” (GANCHO, 2001, p. 10).
b) Partes do enredo

• Para compreender a organização dos fatos do enredo não basta


percebermos que a narrativa tem princípio, meio e fim.

• Toda história/enredo está organizada em função de um elemento


estruturador: o conflito.

Conflito é qualquer componente da


história que se opõe a outro, criando
a tensão que organiza os fatos da
história e prende a atenção do leitor.
• Em termos de estrutura, o conflito, via de regra, determina as
partes do enredo, a saber:

Coincide geralmente com o começo


Exposição
da história, no qual são apresentados
(introdução ou
os fatos iniciais da história, às vezes
apresentação)
o tempo e o espaço.
É a parte do enredo na qual se
Complicação
desenvolve o conflito (ou os conflitos
(desenvolvimento
– na verdade pode haver mais de um
)
conflito numa narrativa).
É o momento culminante da história,
isto quer dizer que é o momento de
maior tensão, no qual o conflito
Clímax chega a seu ponto máximo. O clímax
é o ponto de referência para as
outras partes do enredo que existem
em função dele.
É a solução dos conflitos, boa ou má,
c) Enredo psicológico

• Neste tipo de enredo, os fatos/acontecimentos nem sempre são


evidentes, porque não equivalem a ações concretas dos
personagens, mas a movimento interiores.

• Seriam fatos emocionais que comportam o enredo psicológico

O enredo psicológico é
caracterizado por narrar
fatos emocionais.
II. Personagens
• A personagem (ou o personagem) é um ser fictício que é
responsável pelo desempenho do enredo.

• Ele é o responsável por realizar as ações que desenvolvem a


história.

• O personagem é um ser que pertence à história e que, portanto, só


existe como tal se participa efetivamente do enredo, isto é, se age
ou fala.

“Se um determinado ser é mencionado na história por


outros personagens mas nada faz direta ou indiretamente,
ou não interfere de modo algum no enredo, pode-se não o
considerar personagem.” (GANCHO, 2001, p. 14).
Modo de Organização Descritivo
Localização/Situaçã
Nomeação (identificação) Qualificação
Personagem o
Visual Verbal Visual Visual Verbal

Figurino: ternos “Monstro”;


Identificação Cenário: Mansão e roupas sociais; “desalmado”;
Salomão Específica dos Hayalla; Grupo “cruel”;
Salomão Hayalla Hayalla Cor: “ovo da
acinzentadas serpente”;

Figurino: roupas
“Futil”;
Identificação de senhora
´”Inútil”;
específica Cenário: elegante;
Clô Clotilde/Clô Mansão dos Hayalla
“Vontade de se
libertar de
Hayalla Cor: predomínio
Salomão”;
do preto
Figurino: roupas
Identificação
Cenário: de jovem “Desapegado”;
específica
Márcio Márcio Hayalla
Mansão dos Hayalla “Devoto de São
Cor: predomínio Francisco”
do azul

62
FONTE: CORRÊA-ROSADO (2013).
a) Classificação dos personagens
Quanto ao papel desempenhado no enredo
É o personagem principal
Protagonista com
Herói características superiores ao
seu grupo
É o protagonista que tem
a) Protagonista características iguais ou
inferiores às do seu grupo,
Anti-
mas que por algum motivo
herói
está na posição de herói, só
que sem competência para
tanto.
É o personagem que se opõe ao
protagonista, seja por sua ação que
atrapalha, seja por suas
b) Antagonista características, diametralmente
opostas às do protagonista. Enfim,
seria o vilão da história.
São personagens menos importantes
Quanto à caracterização
São personagens caracterizados com um número
pequeno de atributos, que os identifica
facilmente perante o leitor; de um modo geral
são personagens pouco complexos.
É um personagem reconhecido
por características típicas
a)
Tipo: invariáveis, que sejam morais,
Personagens
sociais, econômicas ou de
planos
qualquer outra ordem.
É um personagem reconhecido
por características fixas e
Caricatura: ridículas. Geralmente é um
personagem presente em
histórias de humor.
São mais complexos que os planos, isto é,
apresentam uma variedade de características
que, por sua vez, podem ser classificas em:

• Físicas: incluem corpo, voz, gestos, roupas;


• Psicológicas: referem-se à personalidade e aos
estados de espírito;
b)
• Sociais: indicam classe social, profissão,
III.Tempo
• Estamos nos referindo ao tempo da história, isto é, ao tempo
que é interno ao texto, entranhado no enredo.

• Este tempo da história está organizado em vários níveis,:

a) Época em que se passa a história

• Constitui o pano de fundo para o enredo.

• Há histórias que se passam em séculos anteriores ao nosso, como


em séculos posteriores.
b) Duração da história

• Muitas histórias se passam em curto período de tempo, já outras


têm um enredo que se estende ao longo de muitos anos.

c) Tempo cronológico

• É o nome que se dá ao tempo que transcorre na ordem natural


dos fatos no enredo, isto é, do começo para o final.

• Chama-se cronológico porque é mensurável em horas, dias,


meses, anos, séculos.
d) Tempo psicológico
• É o que nome que se dá ao tempo que transcorre numa ordem
determinada pelo desejo ou pela imaginação do narrador ou dos
personagens, isto é, altera a ordem natural dos acontecimentos.

• Uma das técnicas mais conhecidas, utilizadas nas narrativas a


serviço do tempo psicológico, é o flashback , que consiste em
voltar no tempo.
IV. Espaço
• Espaço é, por definição, o lugar onde se passa a ação numa
narrativa.

• O espaço situa as ações dos personagens e estabelece com eles


uma interação, quer influenciando suas atitudes, pensamentos ou
emoções, quer sofrendo eventuais transformações provadas pelos
personagens.

“Assim com os personagens, o espaço pode ser


caracterizado mais detalhadamente em trechos
descritivos, ou as referências espaciais podem estar
diluídas na narração. De qualquer maneira, é
possível identificar-lhe as características, por
exemplo, espaço fechado ou aberto, espaço urbano
ou rural, e assim por diante” (GANCHO, 2001, p. 23).
a) Ambiente

• É o espaço carregado de características socioeconômicas, morais,


psicológicas, em que vivem os personagens.

• Neste sentido, ambiente é um conceito que aproxima tempo e


espaço, pois é a confluência destes dois referenciais, acrescido de
um clima.
b) Função do ambiente
1. Situar os personagens no tempo, no espaço, no grupo social,
enfim nas condições em que vivem.

2. Ser projeção de conflitos vividos pelos personagens.

3. Estar em conflito com personagens.

4. Fornecer índices para o andamento do enredo → histórias


policiais
V. Narrador
• Não existe narrativa sem narrador, já que se existe alguma coisa
contada/narrada, existe alguém que narra esta “coisa”.
• O narrador é o elemento estruturador da história, sendo
responsável por narrá-la a partir de um determinado ponto de
vista.
• Ele é responsável por engendrar a posição ou o ponto de vista
frente aos fatos narrados.

Elemento estruturador da história,


sendo responsável por contá-la a partir
de um determinado ponto de vista
a) Narrador-observador (3ª pessoa)

• Trata-se do narrador que está fora dos fatos narrados, portanto,


seu ponto de vista tende a ser mais imparcial.

• Este tipo de narrador é caracterizador por:

• Onisciência: o narrador sabe tudo sobre a história.

• Onipresença: o narrador está presente em todos os lugares da história.


b) Narrador-personagem(1ª pessoa)

• É aquele que participa diretamente do enredo como qualquer


personagem, portanto tem seu campo de visão limitado, isto é,
não é onipresente, nem onisciente.

• Narrador testemunha: geralmente não é o personagem principal,


mas narra os acontecimentos dos quais participou, ainda que sem
grande destaque.

• Narrador protagonista: é o narrador que é também o protagonista


central.
“(...) não se pode confundir o indivíduo, ser
psicológico e social, o autor, que escreveu, por
exemplo, um romance, e o narrador, ‘ser de
papel’ que conta uma história.
A mesma observação pode ser feita a propósito
do leitor: não se pode confundir tal indivíduo
com o leitor real em que ele se torna e ao qual
é pedido um mínimo de competência de leitura;
nem este leitor real com o leitor; ‘ser de papel,
que se acha implicado como destinatário de uma
história conta por um narrador.”
CHARAUDEAU, 2008, p. 183-184)
Representando...