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“Elias, 45 anos de idade, casado, pai de quatro

filhos, criado dentro de uma família tradicional e


muito rígida. Era filho de um professor catedrático
muito conceituado em sua área, contudo, possuía
várias dificuldades no relacionamento com o pai. Em
relação a vida escolar, não conseguiu concluir o
ensino médio. Sendo assim, mediante a influência do
pai conseguiu um emprego de vendedor em uma
grande firma, porém, dois anos após a morte do pai,
foi despedido do emprego. Logo em seguida, João
passou apresentar o diagnóstico de labirintite. Após
o insucesso do tratamento clínico, procurou
psicoterapia 1 ano após o início das crises e no
momento em que havia conseguido um novo
emprego.
 A entrevista inicial transcorria de maneira vazia, com ausência
de dados sobre a história pessoal:
 Terapeuta: Descreva para mim sua última crise.
 Paciente: A crise aconteceu na quarta-feira. (Em seguida
descreve pela terceira vez, o seu mal estar após a medicação
que recebeu no dia).
 Terapeuta: Gostaria que você falasse o que aconteceu antes da
crise.
 Paciente: Eu já disse. Senti uma tontura, tudo rodou e eu bati o
carro
 Terapeuta: Você estava sozinho no carro?
 Paciente: Não. Estava eu e a secretária da firma
 Terapeuta: E aí?
 Paciente: E aí que estou com este “galo” na testa até hoje”. (...)
 (SILVA, CALDEIRA, 1992).
 Franz Alexander se dedicou profundamente aos estudos relativos à
medicina psicossomática. Descreveu sete doenças psicossomáticas,
atribuindo a cada uma delas uma especificidade de conflito
psicogênico pela somatização. Aliado a Helen F. Dunbar correlacionou
perfis de personalidade e tipos de doenças. Alexander e Dunbar
tiveram representatividade, a respeito disto marque a alternativa que
contempla a difusão das idéias dos mesmos:
a) As idéias desenvolveram uma amplitude na França e ficou conhecida como
Escola Psicossomática de Paris.
b) Difundiram na Alemanha e fez parte do curso de psicologia de Viena.
c) Alexander e Dunbar foram para Boston e desenvolveram o conceito de
Alexitimia a partir dessa concepção.
d) A representatividade dos teóricos acima ocorreu nos EUA onde foi
consolidada a Escola de Psicossomática Americana.
e) Os ideais não prevaleceram e não houve representatividade e força para
consolidar uma determinada linha de pensamento a respeito da doença
psicossomática.
 “É comum observarmos pessoas com distúrbios orgânicos se
referirem a seus órgãos doentes como se eles fossem
pessoas”, por exemplo: “Quando meu estômago
ataca…”; “Meu intestino é muito preguiçoso…”; “Se minha
perna deixar…”. Tal argumento é explicado por Ferenczi de que
forma?
a) Inconscientemente, o sujeito passa a ter uma relação amorosa com
seu órgão.
b) O sujeito sai da realidade e acha que o órgão é uma pessoa.
c) As reproduções destas frases consistem em ditados populares que
são reproduzidos sem reflexão prévia.
d) Houve a personificação dos órgãos por se tratar de um distúrbio
psíquico.
e) As pessoas falam desta forma em momentos de surtos psicóticos.
Márcia, 30 anos, pedagoga, se define como
perfeccionista, exigente e independente, relata
que deseja que as pessoas sejam da mesma
forma que ela. Destaca que a mãe a criou com
muita reverência e temeridade e que nunca teve
um bom relacionamento com a mãe. Nas últimas
semanas, queixa-se de muita dor nas
articulações e estes sintomas pioram quando
está no mesmo ambiente que a coordenadora
do setor que trabalha. Em certa ocasião, Márcia
sinalizou que a coordenadora parecia com sua
mãe. Como compreendemos Márcia sob a
vertente de Jung?
A TOTALIDADE MENTE-CORPO

Perspectiva de Carl Gustav Jung


e Georg Groddeck

LOGO
Capítulo 4 – Maria Rosa Spinelli
De onde partimos?
Biografia de Jung
Carl Gustav Jung (1976-1961)
Natural de Turgóvia
Formação em Medicina
Intitulava-se empirista
Psicoterapeuta
Cria a psicologia analítica
Contemporâneo de Freud
Parte da ideia de individuação (integração
dos opostos, incluindo consciente e
inconsciente)
Interessa-se por mitos e sonhos;
Formula a ideia de arquétipos
Conduziu estudos com associações de
palavras: Propor perguntas que digam
respeito ao homem em sua totalidade e
não limitar-se aos sintomas.
Defendia uma visão geral do homem (
holística)
Evitava generalizar um método para cada
determinado tipo de anomalias.
Na infância foi um portador de eczema
generalizado durante o período em que
seus pais passavam por uma série crise
conjugal.
Sua mãe adoeceu em consequência de
uma grande decepção emocional.
Leva-nos a pensar que, já naquela época,
apoiava-se uma visão unitária corpo-
mente, pois as decepções emocionais
manifestavam-se por meio de dores.
Aplicava o mesmo raciocínio aos
conteúdos trazidos por seus pacientes.
Parte da ideia de individuação* e relata: “
E assim a individuação só pode ocorrer, se
primeiro retornarmos ao corpo, a nossa terra, só
então ela se tornará verdadeira... Qualquer coisa
experimentada fora do corpo, num sonho por
exemplo, não é experimentada a menos que
incorporemos porque o corpo significa o aqui e o
agora”( JUNG, 1976, p. 475)
*INDIVIDUAÇÃO
Jung entendia a individuação como um
processo que significava tornar-se um ser
único, alcançar uma singularidade profunda,
tornando-nos o nosso próprio Si-mesmo
(1984). Este processo ocorreria a partir do
meio da vida, quando o homem, já tendo
construído sua vida de relações de modo
satisfatório, volta-se mais para seu mundo
interno, em busca de resgatar aquilo que foi
abandonado e ficou à margem da realização
do ego em sociedade.
Corpo: Entidade vital captada por nossos
sentidos.
As experiências com o teste de
associações de palavras, segundo os
quais alterações no tempo de reações das
respostas ou no registro de vibrações de
um galvanômetro indicavam a inegável
conexão entre cargas emocionais e
alterações fisiológicas.
Alicerce para a teoria sobre os complexos*
* TEORIA SOBRE OS COMPLEXOS
Essas áreas de concentração de carga
emocional podem interferir na vida de uma
pessoa.
Quanto maior a intensidade e autonomia
desse complexo, maior o efeito sobre o
indivíduo
Um dos meios para detectar esses efeitos,
era observar as alterações corporais que
ocorriam frente a determinados estímulos.
Abriu espaço para os estudos da
somatoterapia.
Jung vislumbrava a possibilidade de um
dia podermos entender, a partir de
comprovações experimentais, os
mecanismos de conexão entre os dois
campos.
Sincronicidade: Princípio em que fatos
ocorrem juntos sem uma relação causal
aparente. ( A doença passa a ser vista
longe da visão religiosa)
 A partir da Sincronicidade, um distúrbio
psicossomático poderia ser entendido
como a existência simultânea de um
acontecimento psíquico e de um físico.
O Adoecer:
A cada mudança, um desequilíbrio maior
ou menor é vivido, e impõe-se a
necessidade de integrar novos conteúdos.
Cada sintoma é como um símbolo que
precisa ser contemplado.
Teóricos pós-Jung retratam a ideia do elo
simbólico.
Chegando a conclusões que o corpo
humano é visto como uma rede integrada
de sistemas de informações genéticas...
...imunológicas, hormonais e assim por
diante, cada sistema têm seu código, e a
transmissão de um sistema para outro,
necessita de um transdutor ( Sistema
límbico-hipotalâmico) = Relacionado com
as expressões humanas.
Os símbolos servem como máquina
transdutora que leva as informações dos
sistemas físicos para a consciência
psíquica.
SÍMBOLO
Carrega uma informação invisível, um
significado que vai além da coisa em si
mesma. Ponte que liga algo conhecido
com o desconhecido.
A doença só pode ser compreendida
através do significado expressado pelo
corpo simbólico.
P. 86 e 87
PARA ONDE IREMOS?
O médico precisa se definir entre cuidar de
um corpo simplesmente físico, ou de um
corpo cheio de significados no
funcionamento da consciência” ( BYING-
TON, 1988, p.39).
“Interpretar corretamente o que essa
totalidade está tentando expressar através
de sintomas e ensinar-lhe um modo menos
doloroso de auto-expressão”
(GROODECK, 1992, p. 173).
P.89
GEORG GRODDECK
UM POUCO DE VIDA:
Nasceu na cidade alemã de Bad Kösen
em 1866.
Tornou-se médico por influência do pai
que também o era
Foi impactado pela figura de Ernst
Schweninger, importante médico da época
que propunha a tese de que o verdadeiro
agente da cura num tratamento médico
não é o profissional de saúde, mas sim o
próprio organismo do doente.
Esta ideia foi uma das bases de seu
pensamento e de sua prática clínica e
chegou a escrever um livro “Natura sanat
medicus curat” (“A natureza cura, o médico
trata”) = NASAMECU

É análise das conseqüências da doença o


ponto de partida utilizado por Groddeck
para investigar a sua significação. Ex: Dor
de cabeça.
PREMISSA:
“ O ser humano tem duas almas, uma alma
consciente e uma alma inconsciente. Uma
coincidente desde o ponto da razão ou da
vontade. A outra coincindindo com o instinto que
é admirável no ser humano. Do confronto com
estas duas almas advêm todas as doenças. A
alma inconsciente é a que realiza tudo; não
apenas torna possível nossa existência, que faz
bater nosso coração, que digere os alimentos,
que governa os olhos ...
... E todo o corpo, a alma inconsciente
governa nossa vida cotidiana(...) Nós
podemos, talvez, compreender qualquer
coisa com nossa razão, supor conexões,
mas a realização de qualquer coisa
intencional é impossível. A alma
consciente vai a luta com a alma
inconsciente, a resultante das enormes
dificuldades degenera-se em doença.
A esta força chama de “ISSO”.
“ O ser humano, com tudo que ele é, com
o que lhe acontece e o que faz, é no meu
modo de ver, uma forma de manifestação
do seu “isso”, o seu “isso” se revela por
meio dele. Examinada desse ponto de
vista, a doença deve revelar alguma coisa
sobre o “isso”, deve descobrir um sentido
que precisa ser decifrado.”
Relação com a primeira infância
Decifrar os códigos inscritos no “Isso”.

A primeira pista para o entendimento da


manifestação da doença é a sensação do sofrer
e o subsequente pedido de ajuda.

Doença é primeiramente o desejo do “isso”, do


retorno à infância em que os momentos de
angústia iniciais foram marcados pela imagem,
colo, hálito materno. Doença é prioritariamente
uma aspiração ao mundo antigo de nossa
existência.