FUNDAMENTOS DE
REDES DE
DISTRIBUIÇÃO
Professor: Antonio Sena
SISTEMA ELÉTRICO
O sistema elétrico compreende as etapas de geração,
transmissão e distribuição de energia (conhecido como GTD). Essas
etapas se caracterizam por:
Geração: a energia é produzida;
Transmissão: a energia passa por um transformador elevador de
tensão e por torres de transmissão;
Distribuição: a energia passa por um transformador rebaixador de
tensão em postes nas Redes de Distribuição Aéreas (RDAs);
Consumo: a energia chega ao consumidor final.
Essa complexa cadeia de etapas do sistema elétrico faz
necessário várias ações de gerenciamento para manter e ampliar esse
sistema. Algumas dessas ações são:
Planejamento, padronização de projetos e execução de serviços
para construção de geradoras de energia, linhas de transmissão e
redes de distribuição;
Operação e manutenção dos sistemas de geração de energia, das
linhas de transmissão e das redes de distribuição;
Atendimento aos consumidores finais.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é uma autarquia
vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Ela tem a missão de regular
e fiscalizar a produção, transmissão e comercialização de energia
elétrica no Brasil.
GERAÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA
Fontes geradoras por ação: pressão, Química, magnética, térmica, mecânica, luminosa.
“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, o que
tratamos como geração de energia na verdade é a conversão de energia,
em sua maioria energia mecânica (cinética), em energia elétrica.
Geração de energia por ação química.
Geração de energia através de pressão
O processo de geração de energia elétrica através de pressão baseia-se na aplicação de
cristais piezoeléctricos, que são cristais feitos de quartzo, mica ou cristais Rochelle.
Quando estes cristais são submetidos à variação de pressão, ocorre a produção de
energia elétrica. Observe a imagem a seguir que representa o processo.
Este modelo de geração de energia elétrica pode ser aplicado em estradas para
alimentação de postes e semáforos, para isto, são projetadas lombadas que
aproveitam da compressão provocada pelos pneus do carro ao passar pela
lombada e geram a energia necessária para manter os dispositivos funcionando.
Além das lombadas, outra possibilidade é a aplicação de placas cerâmicas
embutidas no asfalto e, de acordo com a movimentação dos carros, a energia é
produzida.
Geração de energia por ação magnética
Este tipo de energia baseia-se no princípio magnético descoberto por Michael
Faraday que mostrou que uma bobina que atravessa um campo magnético
produz uma tensão elétrica.
Este princípio é aplicado em dínamos e geradores de energia
utilizados nas usinas hidroelétricas, permitindo aproveitar o
movimento das águas, por exemplo, para a produção de energia
elétrica.
Geração de energia por ação térmica
A energia elétrica pode ser obtida quando um par termoelétrico é
aquecido.
O processo acontece pois o aumento de temperatura acelera o
movimento dos elétrons livres e faz com que eles passem de um metal
para o outro gerando uma diferença de potencial elétrico.
Gerador de energia por ação térmica
O aumento da temperatura irá
provocar a geração de tensão elétrica,
sendo que quanto maior for a
temperatura na junção dos metais
maior será a tensão elétrica de saída.
Uma aplicação prática deste sistema é sua utilização como sensor de
temperatura, a junção dos metais fica dentro do equipamento e os
pedaços do fio que geram tensão são colocados em um controlador
que irá converter o valor de tensão em temperatura.
Geração de energia por ação mecânica
A geração de energia por ação mecânica é um processo bastante
semelhante ao que vimos em geração por pressão.
Para produzir energia elétrica, é necessária a utilização de cristais
piezoeléctricos entre as placas, e a energia produzida será de acordo com a
pressão à qual os cristais estarão submetidos.
A diferença entre a geração mecânica e a geração por pressão é o esforço
mecânico aplicado no sistema, o sistema baseado em geração por ação
mecânica converte outros esforços mecânicos como torção e compressão
em pressão aplicada na superfície da placa para gerar energia elétrica .
Geração de energia por ação luminosa
A geração de energia elétrica por ação luminosa baseia-se no efeito
fotoelétrico, que acontece quando um material, normalmente um metal, é
exposto à ação de uma radiação eletromagnética, como a luz, por exemplo.
Para geração de energia, utilizamos as células fotovoltaicas formadas por
duas placas de silício, que é um material semicondutor, quando a placa
superior é atingida pela luz, os elétrons são estimulados a se
movimentarem para a placa inferior, estabelecendo uma corrente elétrica.
Esta opção de geração de energia elétrica tem como vantagem a flexibilidade,
as células fotovoltaicas podem ser instaladas em telhados de residências para
atender um cliente ou em centrais fotovoltaicas. A principal desvantagem deste
sistema é a dependência de incidência da luz solar, em dias nublados a
produção de energia é bastante reduzida.
Usinas geradoras de energia elétrica
Usina hidrelétrica: como pode ver na imagem a seguir, as usinas hidrelétricas
são construídas ao longo do curso de rios, represando-os para que possa
utilizar-se da energia potencial armazenada em função do nível de água da
barragem e sua conversão em energia cinética quando a comporta de admissão
é aberta.
Esta energia cinética provinda do movimento da água que entra pela comporta
de admissão é convertida em energia elétrica através de um gerador que
produz energia elétrica de acordo com a velocidade da água.
Hidrelétrica de Tucuruí - PA
Usina Hidroelétrica de Tucuruí, no rio
Tocantins, município de Tucuruí (PA).
Capacidade: 8 370 MW
Barragem: Altura 78 m, Extensão 8 005 m
Área Alagada: 2 430 km2
Período de Construção: 1976-1984
Proprietário: Eletronorte - Centrais
Elétricas do Norte do Brasil S.A.
Hidrelétrica de Tucuruí - PA
Além do sistema responsável pela produção
direta de energia elétrica, as usinas
hidrelétricas ainda contam com
vertedouros e as comportas, que são
utilizados caso o nível de água esteja muito
alto. Neste caso, a água é liberada para não
comprometer a estrutura da barragem.
Usinas termoelétricas: as usinas termoelétricas utilizam combustível para produzir calor,
podendo ser carvão ou diesel que são consumidos para dar início ao processo de geração
de energia.
É importante lembrar que a queima de combustível libera CO2 (dióxido de carbono) que
provoca grandes danos ao meio ambiente.
Centrais geradoras eólicas
Elas transformam a energia dos ventos em energia elétrica, o vento produz movimento
(energia cinética) que faz girar uma turbina ligada a um gerador responsável pela conversão
em energia elétrica. O conjunto utilizado para esta produção é chamado de aerogerador, que
você verá a seguir.
A energia eólica é uma energia renovável e não poluente, contudo, seu custo é relativamente
alto, pois, em função das variações nas rajadas de vento, os aerogeradores conseguem
produzir energia elétrica em cerca de 30% do tempo em que passam ligados.
Além destas três grandes usinas geradoras, temos as usinas termonucleares e as
centrais geradoras solares fotovoltaicas, que juntas não correspondem a 2% da
capacidade de geração no ano de 2016 segundo dados da ANEEL.
Apesar de ainda não ter uma grande contribuição na capacidade de geração de
energia no Brasil, a energia solar fotovoltaica é uma opção adotada por
consumidores individuais e algumas empresas devido a sua flexibilidade e o
aproveitamento de um recurso abundante como a luz do sol.
TRANSMISSÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA
A transmissão de energia elétrica é feita em torres que
sustentam linhas de condutores ou linhas subterrâneas destinadas a
transportá-las desde a geração até a distribuição.
Nesse caminho, ocorrem processos de elevação e rebaixamento
de tensão elétrica, realizados em subestações próximas aos centros de
consumo.
Essa energia é transmitida no Brasil em corrente contínua ou
alternada na frequência de 60 Hz, em tensões de 69 kV a 750 kV. Essas
elevadas tensões no sistema de transmissão se justificam para evitar as
perdas por aquecimento nos condutores e para reduzir o custa de
condutores e dos métodos de transmissão da energia.
As linhas de transmissão no Brasil costumam ser extensas, uma
vez que as grandes usinas hidrelétricas geralmente estão situadas a
distâncias consideráveis dos centros consumidores
Para transmitir a energia desde a geração nas hidrelétricas até o
consumo, em distâncias que podem chegar a 300 km, a tensão é
elevada com o uso de um transformador, já que quanto maior a tensão,
menor a corrente.
Assim, a corrente é diminuída e consequentemente a seção do
condutor é reduzida para transmitir a energia, o que permite utilizar
cabos com menor diâmetro, economizando no investimento em cabos
elétricos.
DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA
O sistema de distribuição de energia elétrica é responsável por
transportar a energia que é produzida nas usinas aos pontos de utilização,
é um sistema formado por ramos que se divide para levar energia aos
diversos locais, seja em perímetro urbano ou não.
Após passar pelas linhas de transmissão, a energia elétrica entra
em uma subestação, ou seja, uma estação de transformação de energia
(transformador), na qual as tensões são reduzidas para serem
distribuídas nos diversos postes localizados em:
Zonas rurais: as estações são designadas como Redes de
Distribuição Rural (RDRs), localizadas fora dos centros de cidades;
Zonas urbanas: compreendem todas as redes instaladas nas
delimitações consideradas como centros de cidades ou áreas de
grande concentração humana, onde são distribuídas por redes:
Subterrâneas: instalações das redes elétricas embutidas na via,
no solo, em paredes, em tetos ou em cabos confinados de
alguma forma;
Aéreas: instalações das redes elétricas ao ar livre, feitas através
de estruturas para sustentação de cabos elétricos, tais como
torres ou postes.
As classes de tensões em distribuição de energia subterrânea ou
aérea podem estar entre 11 kV e 36,2 kV, quando são chamadas de
redes primárias de distribuição. Essas redes podem ter:
Cabos isoladas conforme classe de tensão: alta-tensão (AT) - com
instalação em postes e cruzetas especiais chamadas de redes
compactas de energia;
Cabos nus: instalações convencionais em postes e cruzetas
As redes aéreas compactas surgiram como uma solução
tecnológica para que as concessionárias de distribuição de energia
pudessem melhorar o nível de qualidade da energia distribuída aos
clientes, aumentando a confiabilidade do sistema.
A rede aérea compacta é um conjunto formado por cabo de aço
e cabos cobertos ou protegidos, fixados em estruturas compostas por
braços metálicos, espaçadores losangulares ou separadores de fase em
material polimérico.
Todo esse sistema de cabos é sustentado por um cabo de aço
guia que é também utilizado como neutro do sistema de distribuição.
Vantagens x Desvantagens da Rede compacta em relação à Rede
Convencional:
Saturação tecnológica: O modelo convencional de redes elétricas
aéreas apresenta uma saturação tecnológica, ou seja, uso
excessivo e prolongado de tecnologia a partir de uma
acomodação, enquanto que o interesse por utilizar uma nova
alternativa era sempre menor;
Elevada taxa de falha: A rede de distribuição de energia elétrica
convencional está exposta às condições do ar (raios, excesso de
umidade, deposito de salitre em ambiente litorâneo, etc) e por
esse motivo apresenta elevada taxa de falhas;
Interferência no meio ambiente: Essa interferência está presente
principalmente na poda de um grande número de árvores que
estão na mesma direção da faixa de passagem;
Exposição ao perigo: a exposição ao perigo das pessoas que
circulam em locais próximos a faixa de passagem.
Após as redes primárias de distribuição, a energia elétrica passa
por um transformador, normalmente instalados no poste, e a tensão
elétrica é novamente rebaixada para níveis de tensões de 110 V ou 220
V, dependendo da região do País.
Estas são as denominadas redes secundárias de distribuição, com
níveis operacionais de baixa tensão (BT) comercializadas para os
consumidores.
ÁREAS DE ATUAÇÃO
• Medição de energia elétrica em subestações e unidades
consumidoras;
• Calibração de medidores de energia e verificação de fraudes de
consumidores;
• Construção e Manutenção em Redes de Distribuição Aérea (CMRDA);
• Construção de estruturas e obras civis;
• Montagem de subestações de distribuição de energia;
• Montagem de transformadores e acessórios em estruturas em Redes
de Distribuição Aérea (RDAs);
• Manutenção das linhas de distribuição de energia subterrânea.
• Poda de galhos de árvores em redes primárias e secundárias.
• Limpeza e desmatamento das faixas de serviços.
• Medição do consumo de energia elétrica.
• Operação dos centros de controle e supervisão da distribuição.
• Construção e Manutenção em Redes de Distribuição Aérea com
circuito energizado (linha viva).
CONEXÃO DO CONSUMIDOR A REDE
DE DISTRIBUIÇÃO
Ramal de ligação do consumidor: O ramal de ligação do
consumidor normalmente é a ligação da rede secundária ou primária
instalada nos postes da concessionária que está conectada ao poste ou
à entrada consumidora, a qual pode ser industrial, comercial, predial ou
residencial.
Em outras palavras, o ramal é a alimentação do poste da
distribuidora até o poste no qual é feita a medição de consumo.
• Formas de alimentação das instalações elétricas:
a) Rede pública em BT da concessionária: caso típico de pequenas
edificações residenciais , comerciais e mesmo industriais;
b) Por transformador exclusivo (da concessionária): caso das
edificações residenciais e comerciais de maior porte;
c) Em AT através de subestações de transformação do usuário: caso
típico de edificações de uso industrial de médio e grande porte.
Elementos básicos constituintes da alimentação de uma
instalação por parte da concessionária:
• Ramal de ligação: Compreendido pelo conjunto de condutores e acessórios
instalados pela CONCESSIONÁRIA entre o ponto de derivação da sua rede e
o ponto de entrega (medidor).
• Ponto de entrega: Ponto de conexão do sistema elétrico da
CONCESSIONÁRIA com as instalações elétricas da Unidade Consumidora,
caracterizando-se como o limite de responsabilidade do fornecimento e
situa-se no limite da via pública com a propriedade onde esteja localizada a
unidade consumidora.
• Ramal de entrada: Conjunto de condutores e acessórios instalados pelo
consumidor entre o ponto de entrega e a proteção de suas instalações.
• Origem da instalação: É o ponto a partir do qual se
aplicam as prescrições da NBR 5410
• Caso 1: quando a instalação é alimentada diretamente em baixa
tensão a origem corresponde aos terminais de saída do dispositivo
geral de comando e proteção. Nos casos em que esse dispositivo se
encontra antes do medidor, a origem corresponde aos terminais de
saída do medidor
Caso 1:
• Caso 2: quando a instalação é a alimentada através de subestação
de transformação do usuário a origem corresponde ao secundário
(terminais de saída) do transformador; se a subestação possuir dois
ou mais transformadores não ligados em paralelo, haverá tantas
origens (e tantas instalações) quantos forem os transformadores
Caso 2:
TRANSFORMAÇÃO DE ENERGIA
ELÉTRICA E CLASSES DE TENSÃO
As instalações elétricas são dimensionadas de acordo com as
cargas e as longas distâncias entre as locais de geração e os centros
consumidores. Assam, os sistemas de transmissão e de distribuição
devem estar apoiados em estruturas adequadas de instalação.
COMPONENTES E ACESSÓRIOS
UTILIZADOS EM RDAs
O eletricista em RDAs deve conhecer todos os componentes que fazem
parte desta estrutura. Alguns componentes que são utilizados em RDAs são:
Transformadores: utilizados para conversão de energia;
Religadores: fazem a supervisão das redes para religar o circuito quando
houver uma pane elétrica;
Chaves fusíveis: fazem a proteção de corrente de curto-circuito;
Para-raios: fazem proteção contra sobretensão do circuito elétrico;
Chaves facas: utilizadas para manobras de abertura e fechamento das redes
elétrica;
Reguladores de tensão: efetuam a supervisão da tensão elétrica,
diminuindo ou aumentando a tensão quando a rede de distribuição solicitar.
TRANFORMADOR: RELIGADOR:
CHAVE FUSÍVEL: PARA-RAIOS:
CHAVES DE FACA: REGULADOR DE TENSÃO:
Torres elétricas: As torres elétricas são confeccionadas com
vários tipos de materiais, dependendo da região em que a energia será
transmitida e distribuída e da classe de tensão.
Elas sustentam redes ou linhas de transmissões em AT,
normalmente servindo para ancoragem de condutores elétricos de
alumínio ou de cobre, materiais mais usuais para linhas de transmissão
(LT).
As torres mais comumente encontradas são fabricadas em aço
ou ferro, chumbadas em bases de concreto armado
Poste de distribuição aérea: Os postes de distribuição aérea são
confeccionados com materiais de acordo com a região e a cada classe de
tensão na qual a energia será distribuída.
Eles sustentam as RDAs em AT e BT, ancorando condutores
elétricos de alumínio ou cobre. Os postes podem ser de:
Concreto circular;
Concreto do tipo duplo T;
Madeira;
Ferro fundido (utilizado em iluminação pública);
As bases dos postes são enterradas e concretadas de acordo com
normas e padrões de instalações da concessionária local. A profundidade
e o diâmetro das bases variam conforme o tipo de poste a ser instalado.
Condutores elétricos: Os condutores elétricos são responsáveis
pela transporte de energia elétrica desde a geração até a consumidor
final. São circulares, fabricados em alumínio ou cobre, recobertos (com
isolação de PVC ou outros materiais) ou nus. Podem ser constituídos de
um ou vários fios.
Quando o condutor possui um único e espesso filamento sólido,
de cobre, alumínio ou outro metal, é denominado fio. Quando é
constituído de vários fios, é chamado cabo.
O cabo pode ser formado por um único condutor (cabo simples
ou singelo) ou vários condutores agrupados em uma mesma cobertura
(cabo multipolar).
Transformadores de energia elétrica: Nas redes distribuidoras,
os transformadores, também cenhecidos como trafos, têm como
função transformar a tensão elétrica de AT e MT para BT ou vice-versa.
Os trafos são instalados em postes e, para sua proteção elétrica,
são acompanhados de chaves-fusíveis e para-raios.
Os fusíveis controlam o fluxo de corrente. Em caso de curto-
circuito, eles queimam, abrindo o circuito e protegendo o
transformador. Já os para-raios protegem os trafos de flutuações de
correntes e tensões em AT.
ETAPAS PARA CONSTRUÇÃO DE REDES
DE DISTRIBUIÇÃO
Para construir redes primárias e secundárias, o eletricista de redes
de distribuição de energia (ERDE) e seu auxiliar se baseiam em uma
Ordem de Serviço (OS), emitida pela concessionária local de energia
elétrica. Nesse documento, constam dados e procedimentos para
construção das redes.
O planejamento das atividades deve ser efetuado com base na OS,
antes de o caminhão sair da base. Devem ser previstos materiais,
ferramentas e procedimentos adequados para as tarefas que serão
realizadas, considerando os tipos de instalação, as maneiras de instalar e
as classes de tensão, entre outras características.
As etapas a serem consideradas na construção das redes aéreas
são:
Transporte de materiais e equipamentos;
Instalação de postes, materiais e equipamentos que compõem as
estruturas das redes primárias e secundárias;
Lançamento e amarração de condutores;
Ligação de ramais de consumidores.
Transporte de materiais e equipamentos ao local da obra: Os
materiais e equipamentos a serem transportados para o local da obra
devem estar armazenados de forma adequada, para que não sejam
danificados.
No veículo, deve haver um alojamento separado para
acondicionar equipamentos de proteção individual e coletiva (EPIs e
EPCs). Os materiais mais frágeis devem ser separados e etiquetados, e
ferramentas e ferragens não devem estar juntas.
Instalação de postes: A instalação de postes segue as etapas:
Fincamento;
Instalação de escoras;
Concretagem da base;
Recomposição de passeio e estaiamento.
As aberturas dos buracos para fincamento ou engastamento dos
postes podem ser realizadas de forma manual ou com um perfurador
hidráulico.
O modo mais comum de executar essa tarefa é o manual, com
uso de ferramentas adequadas, tais como cavadeira, enxada, pá e
soquete.
Os postes são engastados no solo
conforme você pode ver na figura ao lado.
Observe também que existe uma
placa identificadora para facilitar a
instalação, pois a profundidade e a largura
do buraco a ser aberto variam conforme as
dimensões do poste.
𝐸=60+ h ∗ 0 ,1
é o engastamento do poste
é a altura do poste em cm
Exemplo: Determine o engastamento para o poste 1 de altura igual a 20
metros e poste 2 de altura igual a 9 metros.
Postes que suportam esforços mecânicos de até 300 daN (deca
newton) ou acima disso podem ter a base concretada, para melhorar as
condições de instalação.
Em RDAs, é comum utilizarmos as expressões "concretagem de
base leve", "concretagem de base média" ou “concretagem de base
pesada". O tipo de concretagem deve ser definido com base na
intensidade do esforço mecânico suportado pelo poste.
Nas zonas urbanas, as atividades de recomposição do piso da
calçada são consideradas como serviço avulso e devem ser executadas
imediatamente após a instalação ou a retirada dos postes, com
material igual ao anteriormente existente no local.
Outro equipamento comumente instalado nas redes
distribuidoras é o estai. Em alguns postes, é possível fazer a instalação
do estaiamento, isto é, uma trava de cabo de aço que tem a finalidade
de contrabalancear as forças mecânicas de tracionamento.
INSTALAÇÃO DE MATERIAIS E
EQUIPAMENTOS EM RDAs
A instalação de materiais ou equipamentos das redes
distribuidoras de energia elétrica deve atentar ao padrão técnico
estabelecido pela concessionária, o que exige, portanto, uma consulta
ao manual de padrões e estruturas de redes adotado na sua região.
Observe que há um padrão para construção de redes novas, e
esse padrão deve ser consultado também nos momentos em que são
realizadas as manutenções. Tal padronização visa facilitar o trabalho,
contribuindo na compreensão dos elementos que comprem as redes,
além de melhorar a segurança de quem executa o trabalho.
LANÇAMENTO E AMARRAÇÃO DE
CONDUTORES
Após a montagem das estruturas em todos os postes, são
efetuados os lançamentos dos condutores elétricos (cabos) sobre os
isoladores. Essa tarefa deve ser executada por meio de técnicas e
ferramentas adequadas.
Em seguida, são realizados os tracionamentos dos condutores,
para então fixá-los nos isoladores instalados nos postes. O termo usual
para essas amarrações é ancoragem.
INSTALAÇÃO E LIGAÇÃO DE RAMAIS
DE CONSUMIDORES DE ENERGIA
ELÉTRICA
O serviço de atendimento ao consumidor é o produto final das
linhas de distribuição e compreende:
a execução de reparos;
ligações novas;
desligamentos;
entre outras atividades.
Na figura abaixo, você pode ver um ERDE realizando um serviço
no ramal do consumidor, também conhecido por ramal de ligação, no
poste da unidade consumidora.
Na execução e instalação do ramal do consumidor, as conexões
das ligações deverão ser executadas identificando-se as fases e neutro
(se houver), pois esta sequência de ligação é muito importante, pois se
não executada poderá causar grandes transtornos ao consumidor como
queima de equipamentos inversão de motores e outros.
OUTRAS INSTALAÇÕES NAS REDES DE
DISTRIBUIÇÃO
Normalmente, as concessionárias de energia compartilham os postes de
distribuição aérea de energia com empresas de telecomunicações, TV a cabo etc.,
reservando um espaço logo abaixo das redes de energia para essas outras ligações.
No poste, um espaço de 500 mm é destinado à faixa de ocupação da
infraestrutura em rede de distribuição de energia elétrica. Nesse espaço, são
definidos os pontos de fixação destinados exclusivamente ao compartilhamento com
agentes do setor de telecomunicações.
Isso é estabelecido pela norma da ABNT NBR 15214 Rede de distribuição de
energia elétrica - Compartilhamento de infraestrutura com redes de
telecomunicações.
Nas redes subterrâneas ou redes instaladas sob o solo, são
encontradas outras ligações, como:
tubulações de gás;
água;
esgoto;
óleo;
rede de telefonia;
TV a cabo (fibra óptica);
redes de BT e AT.
Estas infraestruturas devem ser previstas em projeto para não
haver interferências caso ocorram novas instalações.
Atualmente, há tecnologias que possibilitam identificar essas
interferências, tais como aparelhos de ultrassom e plantas com as redes
existentes do local de implantação. Porém, há locais nos quais esses
recursos não estão disponíveis e os serviços são efetuados de forma
precária, muitas vezes contando com a sorte.
Ao fazer uma perfuração no solo para instalar um poste, o
eletricista de RDA pode se deparar com essas redes.
Por isso, ao encontrar dificuldade na abertura do buraco, caso
não disponha de recursos que possibilitem identificar as ligações
existentes, você deve comunicar imediatamente seu superior, para que
sejam tomadas as medidas cabíveis, por exemplo, deslocamento do
poste ou continuidade da escavação.
MAPAS E PLANTAS DA REDE DE
DISTRIBUIÇÃO ELÉTRICA
Outro tema importante para o seu trabalho como eletricista de
redes se refere aos mapas e às plantas, pois muitas vezes, no seu dia a
dia, você necessitará de dados para elaborar relatórios, por exemplo, a
planta elétrica de distribuição, o mapa da região para identificar
proximidades de ferrovias, rodovias, avenidas e ruas, o cadastro das
edificações nas prefeituras locais, as numerações das casas.
Essas informações podem ajudá-lo nas ações ou nas tarefas de
atendimento ao consumidor.
DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA
Nas concessionárias e
empresas parceiras, existem vários
documentos técnicos que fazem
parte das operações em redes de
distribuição de energia.
Em redes de distribuição rurais (RDR), além dos documentos
citados, também poderão ser cobrados os seguintes documentos:
termos de autorização de passagem;
levantamento cadastral;
formulário de dados da propriedade;
memorial técnico descritivo.
Para cada tipo de atividade a ser desenvolvida, deve-se utilizar o
modelo de formulário ou documento fornecido pelas empresas
executores dos serviços de cada estado.
Para conhecer os documentos usados na sua região, faça uma
pesquisa nos sites das empresas ou das gerenciadoras de energia.
FERRAMENTAS E
EQUIPAMENTOS UTILIZADOS
EM RDAs
FERRAMENT
AS DE USO
GERAL
MANUSEIO E ZELO DAS
FERRAMENTAS
E importante manusear as ferramentas de forma adequada e
obedecer às indicações dos manuais dos fabricantes para manter a
funcionalidade e as boas condições.
Após o uso da ferramenta, também devem ser tomados os seguintes
cuidados com ela:
Evite sua exposição ao sol e à chuva;
Remova líquidos solventes, óleos, graxas, terra e cimento;
Evite contato com líquidos corrosivos, pois materiais isolantes podem
perder as propriedades químicas;
Mantenha-a sempre limpa;
Armazene-a em local apropriado as ferramentas de uso diário.
EQUIPAMENT
OS DE
MEDIÇÃO
MATERIAIS UTILIZADOS EM
REDES DE DISTRIBUIÇÃO
AÉREA (RDAs)
Analisando a figura ao lado, responda:
a) Quais os materiais necessários para realizar essa montagem?
b) Qual o tipo de rede apresentada (secundária ou primária)?
c) Quais são os símbolos que representam a rede e quais especificações
técnicas?
MATERIAIS E FERRAGENS
Para montagens como da figura anterior que você acabou de ver
podem ser usados postes dos seguintes tipos:
De concreto armado circular;
De concreto armado do tipo duplo T;
De madeira;
De ferro;
De aço;
De fibra.
As escoras que reforçam a base dos postes, podem ser dos
seguintes tipos:
contraposte de concreto armado circular;
contraposte de concreto armado do tipo duplo T;
contraposte de madeira;
placa de concreto;
tora de madeira.
Já as cruzetas são catalogadas pela classe de tensão, ou seja, a
capacidade de isolamento (as capacidades mais comuns são: 15 kV, 25
kV e 36,2 kV).
Nas RDAs, encontra-se os mais variados modelos de cruzeta. Veja
alguns exemplo:
Cruzeta de madeira: classe 15 kV, 25 kV e 36,2 kV;
Cruzeta de aço perfilado: classe 15 kV;
Cruzeta de fibra: classe 15 kV, 25 kV e 36,2 kV;
Cruzeta de concreto: classe 15 kV, 25 kV e 36,2 kV.
CRUZETA DE MADEIRA: CRUZETA DE AÇO PERFILADO:
CRUZETA DE CONCRETO:
CRUZETA DE FIBRA:
Antes da instalação, a cruzeta é testada e recebe um certificado
de aprovação, pois na rede sofrerá tracionamento, torções e pressões
dos cabos, das porcas e dos demais componentes instalados.
Nas cruzetas, existem furos que servem para a correta fixação
nos postes e também para a instalação de isoladores, para-raios,
transformadores, chaves de faca, chaves-fusíveis e outros elementos.
A furação dos pontos segue padronização, e a distância entre os
furos varia de acordo com o tamanho da cruzeta.
É possível encontrar cruzetas com as seguintes dimensões:
Cruzeta de madeira de 1,5 m, 2,4 m, 3,3 m ou 5,0 m;
Cruzeta de aço de 2,0 m, 2,4 m ou 2,8 m;
Cruzeta de fibra de vidro ou polimérica do tipo L de 2,0m.
Cruzeta composta
polimérica com vigas
de eucalipto
preservado
Vamos apresentar os cabos elétricos instalados em redes
primárias e secundárias de distribuição aérea que podem ser utilizados
conforme indicado no projeto.
EQUIPAMENTOS INSTALADOS EM
ILUMINAÇÃO PÚBLICA
A rede de iluminação pública é de propriedade das prefeituras
municipais. Geralmente é elaborado um projeto para atender à
necessidade de cada local, no qual são definidos tipos de luminárias,
lâmpadas e postes.
Essas definições de projeto identificam a localidade, servindo
inclusive como decoração.
Os equipamentos instalados em redes de iluminação são:
Os postes podem ser de vários tamanhos, para atender às
especificações técnicas e de projetos.
As luminárias são os recipientes que alojam lâmpadas, reatores e
comandos elétricos. São escolhidas e determinadas por projetos.
As lâmpadas mais usuais são de vapor de sódio e de vapor
metálico.
Os reatores são instalados nos circuitos para acionamento das
lâmpadas e devem ser selecionados de acordo com o tipo de
lâmpada.
Os relés fotoelétricos são equipamentos eletromagnéticos
comandados por luz. Isso significa que, ao escurecer, são
acionados; ao amanhecer, desligam-se automaticamente. Podem
acionar uma ou várias lâmpadas.
Os transformadores podem ser exclusivos para atender a uma
determinada rua ou a um circuito estabelecido em projeto. Na
estrutura montada, eles são normalmente conhecidos como
estação transformadora de IP.
Os transformadores contém identificação patrimonial por placas,
como você pode observar na figura abaixo:
A estação transformadora de IP é administrada pelo setor
público (prefeitura local) e, para faturamento do consumo a ser pago à
concessionária, um medidor de energia é instalado no poste.
CONEXÕES E
EMENDAS EM
CABOS ELÉTRICOS
Em suas atividade
cotidianas na RDA, por vezes
você poderá se deparar com a
necessidade de emendar ou
conectar os cabos de energia.
A figura abaixo mostra uma derivação da rede secundária que
utiliza conectores do tipo estribo:
Observe na figura abaixo o uso de conectores na rede primária
de distribuição aérea. Veja como eles são maiores em relação aos
conectores das redes secundárias. Isso ocorre porque os cabos da rede
primária possuem bitola (diâmetro) maior.
AMARRAÇÕES EM CABOS ELÉTRICOS
A amarração dos cabos nos isoladores é mais uma das atividades
que costumeiramente o eletricista executa em seu dia a dia.
Existem vários tipos de amarrações de cabos elétricos. A
amarração mais adequada é definida de acordo com as especificações
do projeto que está sendo executado. Veja a seguir algumas
características da amarração
As amarrações podem ser feitas com fio encapado ou de
alumínio nu. Esse é o tipo mais comum de amarração.
As alças pré-formadas são utilizadas para amarrações de
condutores em isoladores em redes de distribuição primárias e
secundárias.
São disponibilizadas em vários modelos e, quando adquiridas do
fabricante, como o próprio nome diz, estão previamente formadas de
modo que o profissional consiga laçar o cabo e prendê-lo no isolador.
Para tanto, devemos conhecer:
A bitola do condutor a ser amarrado;
O tipo de isolador no qual o condutor será amarrado;
Se a rede é primária ou secundária.
Coxim de elastômero: Em se tratando de amarração é
importante também que você conheça um acessório muito utilizado
em redes primária e secundária. Estamos falando do coxim de
elastômero.
O coxim de elastômero é um tubinho de borracha. Ele dá maior
aderência entre o isolador e o cabo. Normalmente, acompanha a alça
pré-formada na instalação em condutores.
Para ajudar na escolha da alça pré-formada e,
consequentemente, do coxim, os fabricantes disponibilizam a
identificação do condutor e do isolador impressa no corpo da alça pré-
formada, com uma etiqueta plastificada em cores.
TIPOS DE ESTRUTURA
As estruturas em redes de distribuição são classificadas por uma
letra associada a um número. Sendo que as letras (N, B e T) significam a
posição da cruzeta com relação ao poste. Enquanto os números (1, 2, 3
e 4) significam a tipo de fixação dos condutores na cruzeta.
Para redes de alimentação monofásica existe a representação da
letra U que indica um poste que contêm somente os condutores fase e
neutro (estruturas monofásicas).
Estrutura do tipo Normal (N): Utilizada em campo aberto e calçadas
largas
Estrutura do tipo Beco (B): Afastamento dos condutores próximos as
edificações
Estrutura do tipo Meio Beco (M): A cruzeta se encontra posicionada
entre o tipo N e o tipo B
Estrutura do tipo Triangular (T): Possibilita o maior afastamento no
sentido vertical dos condutores, quando o sentido horizontal foi
limitado
Estrutura número 1: Usadas em tangências, e quando empregadas em
ângulos, a instalação dos condutores deve ser na lateral.
Estrutura número 2: Usadas geralmente em angulações.
Estrutura número 3: Usadas em derivações ou fim de rede
Estrutura número 4: Usadas em pequenas angulações, quase tangentes
e em mudança de condutores.
ESTRUTURA U1:
ESTRUTURA U2:
ESTRUTURA U3:
ESTRUTURA U4:
ESTRUTURA U32:
ESTRUTURA U3 – U3:
ESTRUTURA TIPO N:
ESTRUTURA N1:
ESTRUTURA N2:
ESTRUTURA N3:
ESTRUTURA N4:
ESTRUTURA TIPO B:
ESTRUTURA B1:
ESTRUTURA B2:
ESTRUTURA B3:
ESTRUTURA B4:
ESTRUTURA N1 – N1:
ESTRUTURA N1 – N3:
ESTRUTURA N3 – N3:
ESTRUTURA 2N1:
ESTRUTURA N1 – N1 – N3:
ESTRUTURA N3 – N3 – N1:
ESTRUTURA T1:
ESTRUTURA T2:
ESTRUTURA T3:
ESTRUTURA T4:
Estrutura CE: Estruturas trifásicas de rede compacta utilizadas
em rede tangente ou com ângulo. A nomenclatura das estruturas CE
significa “compacta em espaçadores”.
O NBI das redes compactas é padronizada em 220 kV. Nesta
estrutura existem os condutores das fases, do neutro e o cabo
mensageiro. Esta estrutura pode ser de cinco tipos: CE1, CE1S, CE2, CE3
e CE4.
Os cinco tipos de estrutura podem ter cabo de aterramento, os
aterramentos nos postes dependem da estrutura da rede.
VEÍCULOS DE APOIO PARA
SERVIÇOS EM REDES DE
DISTRIBUIÇÃO