A filosofia das artes marciais
Professor: Welkson Almeida
• Quem nunca assistiu Karatê Kid na sessão da tarde que desfira o primeiro
golpe. Imortalizado por Hollywood, o célebre mestre Sr Miyagi foi um dos
muitos mitos do cinema que mostrou ao mundo um pouco da filosofia por
trás das artes marciais. Isso porque os princípios que as sustentam remetem
ao equilíbrio, autoconhecimento e disciplina, conceitos fundamentais para a
obtenção de sucesso e autorrealização.
• As artes marciais são práticas filosóficas, que se acredita terem sido
desenvolvidas por monges budistas, e posteriormente difundidas por meio de
templos religiosos (Budistas, Shintoístas, Hare Krishna, Taoísta, etc). O
objetivo da prática era o desenvolvimento espiritual, uma vez que para
exercê-la era imprescindível muita concentração e disciplina, como na
meditação. É o exercício do corpo auxiliando a mente.
• “O judô pode ser considerado como uma arte, ou uma filosofia do
equilíbrio, bem como um meio para cultivar o sentido e o estado de
equilíbrio”.
• A filosofia marcial trata de questões ligadas à arte e à sua execução, prepara
a mente do praticante para agir de forma coerente e ética. Sem seguir o
código de conduta das artes marciais, incorre-se no risco de ter
comportamentos descontrolados e perigosos. Por isso, é fundamental ser
guiado pelos valores de respeito, disciplina, autocontrole e equilíbrio, que
embasam a filosofia das artes marciais. A prática de meditação, e exercícios
de domínio do ego são importantes recursos para o praticante gerenciar
conflitos, não só no contexto das artes marciais, mas na vida como um
todo.
A transmissão da arte marcial
• Não é à toa que o ideal é iniciar a prática das artes marciais
na infância. Quanto antes se iniciar neste caminho, melhor
para o indivíduo. Sendo transmitida precocemente, a
filosofia das artes marciais se configura com um alicerce
estruturante da personalidade da criança, fomenta as bases
para a construção de um caráter ético, além de uma postura
disciplinada e resiliente perante os desafios da vida.
• Para que uma pessoa seja graduada em artes marciais é
fundamental a figura do o mestre, alguém que já domine a
prática e seja apto a transmiti-la com sabedoria. Com ele,
espera-se aprender não só formas de ataque e defesa, mas
conceitos profundos, que levam ao autodesenvolvimento e
autoconhecimento.
• “Não existe mau aluno, só mau professor. Professor diz, aluno faz.”
• Ao ensinar uma arte marcial, o mestre cria situações nas quais o
praticante é levado a conhecer e incorporar conceitos profundos. A
forma de transmitir esses valores pode variar bastante, mas seus
conceitos são os mesmos.
• Um praticante em nível avançado precisa aprender a dosar sua força
ao treinar com outro em estágio inferior, de modo que o treino renda
para os dois e não termine com o menos avançado machucado. O
conceito por trás desta situação é o do autocontrole.
• A persistência é outro valor que permeia o cotidiano dos
praticantes de artes marciais. O trabalho físico intenso para
preparar o corpo para os combates exige disciplina e
persistência. A evolução só se dá na medida em que corpo e
mente caminham juntos para o mesmo objetivo. Por isso, a
prática da meditação é estimulada pelos mestres como
forma de levar ao autoconhecimento e maior compreensão
da filosofia das artes marciais.
• Para que haja maior entendimento e assimilação dos conceitos
filosóficos das artes marciais, o ideal é que o praticante reflita sobre o
que aprendeu em cada treino, não apenas no ponto de vista técnico,
mas principalmente sobre como aplicar seus aprendizados na vida
cotidiana.
• Sucesso é a capacidade de enfrentar o fracasso sem perder o
entusiasmo”.
Sr Myiagi, em Karatê Kid
O aprendizado
• O caminho para o aprendizado em artes marciais é longo, e passa por
várias etapas. Num primeiro momento, o principal objetivo do
praticante é de desenvolver física e tecnicamente, e fortalecer sua
autoconfiança para que possa superar os adversários. Conforme ele
evolui, evolui também seu objetivo. A busca pelo autoconhecimento e
aumento da “força interna” Ki ou Chi passam a ser as novas metas.
Superar a si mesmo se torna mais importante do que superar um
oponente. No nível mais avançado, além de adquirir grande força
interior, o praticante estará apto a aplicar a filosofia das artes marciais
em qualquer área de sua vida.
Segundo Miyamoto Musashi, o samurai mais conhecido da história:
“Os homens devem moldar seu caminho. A partir do momento em que você vir o caminho em tudo o que fizer, você se tornará o caminho”.
• As artes marciais podem ser entendidas como um caminho, que leva
ao autoconhecimento, autocontrole e equilíbrio. Por meio de seus
ensinamentos, o praticante avançado transforma o que foi um dia um
conceito abstrato em uma postura consciente, ética e prática diante
da vida.
• Há muitas modalidades de artes marciais. Conheça um pouco das
mais praticadas:
• Artes marciais chinesas
• Especula-se que muitas artes marciais em todo mundo derivem das
artes chinesas, mesmo as japonesas, como judô e karatê. Foram
criadas por monges budistas e se disseminaram posteriormente. As
modalidades mais conhecidas das artes chinesas são o Kung Fu e Tai
Chi Chuan, usado muitas vezes para a meditação, por conta de seus
movimentos fluídos. Seus princípios filosóficos são o taoísmo e a
alquimia chinesa.
• Artes marciais japonesas
• O budô, ou as artes marciais japonesas, originou-se a partir das
tradições guerreiras dos samurais e por conta do sistema de castas,
que restringia o uso de armas pelos membros das classes não
guerreiras, motivando-os a desenvolver técnicas para combates
desarmados.
• Praticar o Budô significa adotar o Bushido um código de conduta e
filosofia de vida que enfatiza a disciplina, tenacidade e treinamento
físico e espiritual. Karatê, Kendô, Budô, Aikidô, jujitsu e sumô são
algumas das artes marciais japonesas mais praticadas.
Artes marciais coreanas
• O estilo de arte marcial coreano é o Hapkidô, que foca em defesa pessoal.
Envolve técnicas de socos, chutes, rolamentos, escapes, esquivas, torções,
além de técnicas com armas, como bastões, espadas, bengalas, facas e
leques. O objetivo é preparar o praticante a utilizar qualquer objeto ao
seu alcance como arma de defesa. Um grande diferencial das artes
coreanas é que além de preparar o praticante para utilizar as técnicas de
combate, o inicia também em técnicas de massagem e acupuntura.
• Outro estilo bastante conhecido é o Taekwondo, luta que envolve chutes
poderosos e requer equipamentos de proteção como forma de evitar
lesões na cabeça, no tórax, na região genital, pernas, braços e mãos.
Artes marciais brasileiras
• O mais conhecido estilo marcial nacional é a capoeira. Combina
música, dança e outros elementos da cultura popular. Criada por
descendentes de escravos como forma de autodefesa, envolve
movimentos complexos, como acrobacias, rasteiras, joelhadas,
cabeçadas, pontapés e cotoveladas. Eventualmente, incorpora facas e
bastões, que empunhados pelos participantes nas rodas,
protagonizam golpes ao som de melodias.
• O jujitsu brasileiro é uma referência mundial no esporte. Trata-se de
uma arte marcial especializada em auto defesa e luta no chão. Inclui
um conjunto de técnicas com golpes de alavancas, torções e pressões
para dominar o adversário, além de técnicas de agarramento,
submissão e golpes traumáticos. Essa modalidade de arte marcial
ganhou destaque mundial, quando o judoca Mitsuyo Maeda emigrou
para o Brasil e ensinou técnicas de judô aos brasileiros Luiz França e
Carlos Gracie, no início do século passado. Aqui, eles desenvolveram
um novo estilo de luta, que incorporou golpes de judô e aikidô ao
jujitsu tradicional do Japão.
• Artes marciais mistas
• As artes marciais mistas (AMM), ou o famoso MMA, são um estilo de
combate que envolve tanto o combate em pé, como técnicas de luta
no chão. Utiliza técnicas de várias artes marciais e golpes violentos.