RESUMO DE FUNDAMENTOS DA ECONOMIA (1) FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA ECONÔMICA. (1.1)CONCEITO, OBJETO E MÉTODO DA CIÊNCIA ECONÔMICA.

A palavra economia pode ser generalizada como “administração da coisa pública”. A economia pode ser definida como a ciência social que estuda a maneira pela qual os homens decidem empregar recursos escassos, a fim de produzir diferentes bens e serviços e atender às necessidades de consumo. Pode-se dizer que o objeto de estudo da ciência econômica é a questão da escassez, ou seja, como “economizar” recursos. A escassez surge devido às necessidades biológicas humanas ilimitadas e à restrição física de recursos. As sociedades são obrigadas a fazer escolhas sobre O QUE e QUANTO, COMO e PARA QUEM PRODUZIR. • O que e quanto produzir – a sociedade deve decidir se produzem mais bens de consumo ou bens de capital. Em economias de mercado, o que e quanto produzir é sinalizado pelos consumidores (o que é chamado de soberania do consumidor). • Como produzir – trata-se de uma questão de eficiência produtiva: serão utilizados métodos de produção capital intensivos? Ou de mão-de-obra intensivos? Ou de terra intensivos? Isso depende da disponibilidade de recursos de cada país. • Para quem produzir – a sociedade deve decidir quais setores que serão beneficiados na distribuição do produto, ou seja, trata-se de decidir como será distribuída a renda gerada pela atividade econômica. A macroeconomia trata da evolução da economia como um todo, analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados, como renda e produto nacionais, investimento, poupança e consumo agregados, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros,balanço de pagamentos e taxa de câmbio. A macroeconomia trata os mercados de forma global, o mercado de trabalho não se preocupa com diferenças na

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qualificação, sexo, idade, origem da força de trabalho, mas que muitas vezes são importantes. Na macroeconomia, estuda-se o nível geral de preços, ignorando as mudanças de preços relativos de bens das diferentes indústrias. A teoria macroeconômica preocupa-se mais com questões conjunturais, de curto prazo. A parte da teoria econômica que estuda o comportamento dos grandes agregados ao longo do tempo é denominada teoria do crescimento econômico, preocupando-se com questões como progresso tecnológico e política industrial, que envolvem políticas de longo prazo. MÉTODO NA CIÊNCIA ECONÔMICA Quanto ao método em economia, três aspectos devem ser levados em consideração: • Como a análise dos fenômenos decorrentes do comportamento humano é complexa, a A ciência econômica preferencialmente relaciona duas variáveis para explicar um fato Busca relacionar as variáveis segundo o seu incremento (crescimento, aumento) economia utiliza hipóteses simplificadoras para explicar os fenômenos que estuda; • econômico; • relacionado a um aumento unitário de outra variável. Ainda sobre a metodologia própria da ciência econômica e sobre os seus métodos de investigação, é necessário distinguir dois grandes compartimentos da economia: a economia positiva e a economia normativa. A economia positiva se ocupa de analisar os atos e os fatos sociais tais quais eles ocorrem, sem utilizar juízos de valor, estuda os fatos sociais, observa-os sistematicamente, e a partir dessa análise e descrição cientificamente elaborada são formulados os princípios gerais, as leis da economia, as teorias e os modelos econômicos. A economia normativa se ocupa de utilizar princípios, leis e teorias para produzir modificações e propor um direcionamento ao curso natural da economia: são as políticas econômicas. A economia normativa está fortemente vinculada à política, à ideologia e ao sistema de valores. (1.2) SÍNTESE DO PENSAMENTO ECONÔMICO

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FISIOCRACIA Com os fisiocratas, é iniciado o desenvolvimento das explicações para os fenômenos econômicos. Para eles, somente a terra e tudo que viesse da natureza era considerado fator econômico produtivo. Pode-se dizer que a fisiocracia foi uma doutrina organicista e naturalista, que recebeu influência do racionalismo do século XVIII. Em Quesnay, se formula os princípios da filosofia social utilitarista (hedonismo), que se destaca com o quadro econômico, uma representação simplificada do fluxo de despesas e dos bens entre as diferentes classes sociais. ESCOLA CLÁSSICA O marco da escola clássica está relacionado a Adam Smith e David Ricardo, para eles as leis naturais da vida econômica tem como princípio regulador a livre concorrência exercida pelos agentes econômicos. O corpo analítico da escola clássica tem quatro princípios dominantes; liberdade de empresa, existência da propriedade privada, liberdade de conjunto e liberdade de troca. Nesse princípio repousa e se fundamenta a lei da oferta de mercado. ADAM SMITH (1723-1790) Não acreditava na “ordem natural” dos negócios. Confiava no egoísmo natural dos homens e na harmonia de seus interesses. Afirmava que todo esforço individual na procura do melhor leva naturalmente à preferência pelo emprego mais vantajoso para a sociedade. Adam Smith enfatizava o mercado como regulador da divisão do trabalho, fazia distinção entre valor de uso e valor de troca e admitia que só neste último há interesse econômico. Ele analisou a distribuição da renda entre salário, lucro e renda da terra. Smith acreditava que a concorrência levaria ao desenvolvimento econômico e que os benefícios dele decorrentes seriam partilhados por todos. THOMAS ROBERT MALTHUS (1766-1834)

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Ele ficou famoso com a lei da população. Mostrou, através dessa lei, que a população fora de controle cresce as taxas geométricas, enquanto os meios de subsistência crescem a taxas aritméticas. Seu pessimismo é criticado por não ter vislumbrado o progresso técnico e as técnicas de controle de natalidade.

DAVID RICARDO (1722-1823) Esse autor desenvolveu um importante estudo sobre a renda diferencial da terra e sobre o futuro do sistema capitalista. Ocorrem grandes transformações sociais, econômicas e políticas: • • Intelectuais: renascimento artístico; Religiosas: reforma da Calvino e dos anglo-saxões, dando grande ênfase ao Políticas: aparecimento do Estado moderno; Geográficas: grandes descobertas – Cabral, Colombo, Magalhães e outros navegadores; Econômicas: todos os conceitos referentes ao balanço comercial, às importações e a

individualismo; o trabalho era enaltecido, o juro era aceito e o lucro encorajado; • • •

exportações de bens, bem como às transações com ouro e prata e todos os conceitos econômicos ligados às transações externas. ESCOLA SOCIALISTA – KARL MARX (1818-1883) Os socialistas pretendiam substituir a ordem social baseada na liberdade individual, na propriedade privada e na liberdade contratual por uma outra, fundamentada na propriedade coletivizada dos meios de produção, pretendiam corrigir as desigualdades econômicas, dentro de formulações igualitárias, em função das necessidades comuns. Os movimentos e as teorias socialistas que se opuseram ao individualismo e desenvolveram-se com doutrinas e programas de reformas bem diferentes. Podemos destacar as seguintes correntes: Socialismo de cátedra (1872)

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e a superestrutura. O valor do trabalho e a mais-valia. exército de reserva. Socialismos científicos. Materialismo histórico e a luta de classes. capital. o direito. Marx alterou a análise de valor. como negação de toda transcendência. capital constante. Marx distingue na história a infra-estrutura. a moral. da distribuição da renda e das crises do sistema capitalista. que é a técnica. É a teoria das mercadorias. Com Marx apareceram os conceitos: mais-valia. que é a idéia. Karl Marx foi o fundador do socialismo científico e se opôs a Malthus. mas a vida que determina a consciência”. Bases filosóficas do socialismo científico. a cultura. 5 . ele estuda o homem total e faz dele o rei do universo. A superestrutura comanda a infra-estrutura. Dizia Marx. históricos ou marxismo. o processo de decrescimento da taxa de lucro decorrente da acumulação do capital. a religião.Surgiu na Alemanha e pretendia regulara distribuição de riqueza e promover reformas de caráter econômico e social. que o homem retome para si o que lhe pertence. as condições materiais de produção. isto é. Hegel – “não é a consciência que determina a vida. capital variável. dos objetos produzidos pelo trabalho pra a venda: • O valor dos produtos é determinado pela quantidade de trabalho de qualidade média necessário para produzi-las. a realidade econômica.

equivalente a oito horas de trabalho. constituindo um produto líquido que Karl Marx chamou de mais-valia. que são apropriadas pelo Essa mais-valia constitui a exploração capitalista. • • • O empregador pagará um salário equivalente a seis horas de trabalho. suas ações são intencionais e sistemáticas. durante uma jornada de seis horas de trabalho. O proletariado recebe um salário menor Considerando ser a classe trabalhadora o mais importante conjunto de consumidores. uni-vos”. A legislação trabalhista e os sindicatos. Escola marginalista ou neoclássica Conforme a análise do marginalismo. • que o valor das mercadorias produzidas. entre outros. empregador. Escola Keynesiana ou revolução Keynesiana 6 . o avanço do capitalismo provocará a transformação fatal que o arruinará. A proletarização e a tese catastrófica da subversão. Nesse processo. Venda de mercadorias. e as empresas se tornarão cada vez maiores e menos numerosas. o homem econômico é racional. o que é atestado pelo seu brado: “proletários de todos os países. O revolucionários Marx estruturou as bases do pensamento socialista do século XIX. as crises de superprodução ou de subconsumo. o número de proletários crescerá continuamente. O operário forneceu duas horas de trabalho não-pagas. esse salário é insuficiente para comprá-las.• O valor da força de trabalho é determinado pela quantidade desde necessária para produzir alimentos e outros itens necessários à subsistência do operário. e calculador e está empenhado em comparar seus gastos marginais com seus benefícios. Segundo as idéias de Marx. ele aconselhava não só que se ficasse à espera do desenlace. • apareceriam. foram contribuições pós-marxistas. como concitava a que os trabalhadores se antecipem. isto é. inevitavelmente.

mostra-se incompatível com a manutençãodo pleno emprego e da estabilidade econômica. faltando integrar sua análise à complexidade da microeconomia. modernamente. O MERCADO A AS SUAS ESTRUTURAS. OFERTA E EQUILÍBRIO DE MERCADO. investigar a repartição da riqueza ou o problema de eqüidade. estão se desenvolvendo teorias com um duplo objetivo: de um lado explicar as flutuações da atividade econômica. Keynes. Mas teve importante papel no desenvolvimento da aferição e da medida das atividades econômicas em seu conjunto. não aplicou sua teoria à explicação do funcionamento das economias dos países desenvolvidos. dizia que a economia estava em recessão porque a renda era insuficiente para comprar a produção nacional. procurou determinar as causas das flutuações econômicas dadas pelos níveis da renda nacional e do emprego nos países industrializados. principalmente. Demanda 7 . A análise de Keynes é criticada por ser parcial e não geral. Dizia que um capitalismo nãoregulado. nesse sentido. pois limitava à análise o subemprego de curto prazo. para problemas da estabilidade a curto prazo. seu desenvolvimento dentro de um quadro de estabilidade e. (2) A DEMANDA. as teorias desenvolvidas durante o século XVIII cuidaram da explicação da formação da riqueza. que faz interação entre a teoria econômica.A análise de Keynes voltou-se. A OFERTA. de outro. além disso. (2. sem intervenção. de modo agregado – como as contas nacionais ou contabilidade nacional – e na explicação para os modelos agregados e suas verificações empíricas através da econometria. as do século XIX da distribuição da riqueza e. Em síntese. a matemática e a estatística.1) DEMANDA.

Bens: podem ser estocados. então. Renda. menos se compra. querer. Aptos: ter aptidão de compra. Fatores determinantes da demanda: 1.Demanda ou procura é a quantidade de bens ou serviços que os agentes econômicos estariam dispostos e aptos a consumir num determinado momento. Num determinado momento. 6. Preferência. temos uma demanda real ou efetiva. 2. Se. no máximo. 5. Preço do próprio bem/serviço. um desses requisitos estiver presente. num determinado mercado por diferentes fatores determinantes. empresas e governo. nossas vontades mudam nosso comportamento. 3. Número de consumidores. Se esses dois requisitos estiverem presentes (disposição e aptidão). Lei da demanda “As quantidades demandadas serão tanto maior quanto menores forem os preços ou viceversa”. Agentes econômicos: famílias. Quanto mais caro. 4. Gosto. 3. 1. Requisitos básicos da demanda: • • Dispostos: ter vontade. num determinado mercado: em cada momento. poder comprar. Preço de outros bens/serviços. 4. 2. temos. Oferta 8 . uma demanda potencial (pode não ter nenhum desses requisitos).

Fatores determinantes da oferta: 1. a longo prazo. por diferentes fatores determinantes. subjetivamente pela escassez relativa e. pelos custos de produção. (2. 2. A explicação do valor de troca das mercadorias tem duas grandes correntes dentro da ciência econômica: a teoria clássica do valor-trabalho e a teoria neoclássica do valor-unidade. num certo mercado. A tecnologia. a curto prazo. Formação de preços Preço é a expressão monetária do valor de bens e serviços que utilizamos para satisfazer às nossas necessidades. O preço do próprio bem. Para Passos e Nogami. em termos climáticos). mercado “é um local onde ou contexto em que compradores e vendedores de bens. Os preços são mecanismo de 9 . Taxa de juros. o valor de troca é determinado. Fatores da natureza (tudo que pode ocorrer. 4. O que determina o preço não é o que determina o valor. serviços ou recursos estabelecem contato e realizam transações”. 3. a palavra mercado dizia respeito a um lugar determinado onde os agentes econômicos realizavam suas transações”. funcionando como indicador ou índice de escassez. Demanda é sinônimo de procura. 5.2) O MERCADO E AS SUAS ESTRUTURAS O que é mercado? Rosseti afirma que “em sua acepção primitiva. O papel dos preços é orientar a alocação dos recursos de produção. É nesse mercado que funcionam as duas leis mais conhecidas da ciência econômica: a lei da procura e a lei da oferta. De acorde com Marshall. Impostos.Oferta é a quantidade de bens e serviços que um ou mais agentes econômicos estariam habilitados e interessados em colocar num certo momento.

oligopólio e concorrência perfeita. a oferta e a procura. ou como índice de conversão de um fluxo real em nominal. quando consomem os bens e serviços por ele produzidos. serviços e fatores de produção de um sistema de preços. (2. para que produzam bens e serviços que atendam às necessidades das pessoas. Concorrência pura ou concorrência perfeita 10 . dos fluxos da produção e da renda. isto é. Existência ou de barreiras como forma de limitar a entrada de novas empresas.3) ESTRUTURAS DE MERCADO As diferentes estruturas de mercado estão alicerçadas em três variáveis principais: Número de empresas produtoras que atuam no mercado.orientação das atividades econômicas. o balanceamento de forças ocorre entre as forças básicas do mercado. 3. 2. Alocação de recursos: é a forma como os fatores de produção são organizados pelo mercado. determinado pela interseção das duas curvas. Importância do mercado no sistema econômico 1. Diferenciação do produto ou serviço. Equilíbrio de mercado Quando se transfere essa noção de equilíbrio para a análise do mercado. • • • As estruturas de mercado classificam-se basicamente em: concorrência perfeita. Sistema de preços: é o conjunto de preços dos bens. Padrão de vida: é o nível de satisfação alcançado pelas pessoas que fazem parte de um sistema econômico. Esse equilíbrio é definido pelo ponto A. monopólio.

isto é. Não há possibilidade de ser substituído por outros. 3. 4. O consumidor sabe perfeitamente quem produziu. 3. É um mercado com vários vendedores e compradores de forma que cada agente econômico isolado não tem condições de afetar o preço de mercado. O produto é homogêneo em todas as empresas. Compradores e vendedores tem acesso a toda informação relevante. sem custos. As organizações sempre maximizam seu lucro e os consumidores maximizam sua satisfação. Transparência de mercado. Os bens ou os serviços são substituídos perfeitos entre si. Reduzido número de firmas que operam no setor. tanto de compradores como de vendedores. Várias empresas produzem dado bem ou serviço. Apresenta barreiras à entrada e à saída de novas empresas.1. Mercado em que não há barreiras à entrada e à saída. Concorrência monopolística 1. Monopólio 1. Uma única empresa produz um bem ou um serviço sem substitutos próximos. Princípio da racionalidade: os agentes agem racionalmente (é o chamado princípio da racionalidade ou do homo economicus). 5. 4. Oligopólio 1. 3. a qualidade e os custos. 2. 11 . conhecem os preços. 2. Apresenta barreiras à entrada de empresas concorrentes. Não há diferenças de embalagem e qualidade. 2. O produto ou o serviço não é idêntico.

atendimento. Outras formas de organização das empresas no mercado Cartel Associação entre empresas do mesmo ramo de produção com o objetivo de dominar o mercado e disciplinar a concorrência.2. por um tempo. propaganda. Oligopsônio 12 . Embalagem. Monopsônio Situação de mercado em que há um comprador de um produto. Tendem a durar devido ao conflito de interesses. como composição química. Promoção de vendas. • • • • 3. Duping È uma prática comercial. Cada uma produz um bem ou serviço diferenciado. mas com substitutos próximos. Cada empresa tem um relativo poder sobre os preços. Manutenção. visto que os produtos ou serviços são diferenciados. A diferenciação nos produtos pode se dar via: Características físicas. visando prejudicar e eliminar a concorrência local. brindes. geralmente matéria-prima. Os cartéis prejudicam a economia por impedir o acesso do consumidor à livre concorrência e beneficiar empresas não-rentáveis. que consiste em vender sues produtos por preços extraordinariamente baixos.

diversão. • • 13 . Joint venture Basicamente. etc. (3) TEORIA DA PRODUÇÃO E DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO (3. Holding É uma forma de oligopólio no qual é criada uma empresa para administrar um grupo delas que se uniu com o intuito de promover o domínio de determinada oferta de produtos e/ou serviços.Tipo de estrutura de mercado em que poucas empresas de grande porte são compradoras de determinados produtos. Dessa forma. geralmente matéria-prima ou produtos primários. Produção de serviços (transporte. o truste passa a ser o único produtor e vendedor de um determinado bem no mercado. remédios. Truste O truste consiste num acordo entre diversas empresas que passam a ser administrada por uma nova empresa ou grupo financeiro.1) TEORIA DA PRODUÇÃO Uma empresa é a unidade básica de produção em sistema econômico. Produção é o processo pelo qual uma empresa transforma os fatores de produção adquiridos em produtos ou serviços para a venda no mercado. A produção pode ser classificada como: Produção de bens econômicos (alimentos. máquinas). uma joint venture representa a associação de duas ou mais empresas a fim de criar ou desenvolver uma atividade econômica.).

Esses fatores servem para saber se cada fator (insumo) que se utiliza na produção está trazendo um resultado satisfatório. Essa lei pode ser assim explicada: Mantendo-se inalterada a quantidade de fatores fixos e incrementando um fator variável em iguais quantidades. (3. teremos a função de produção. • custo. o nível de produto total obtido aumentará. Servem para saber se o último fator utilizado (produtividade marginal) também está produzindo resultado satisfatório para o produto específico que analisamos. aumenta a quantidade de produto total que se obtém.A escolha do processo de produção depende de sua eficiência. Os primeiros são os fatores de produção fixos (cujas quantidades não mudam) e os segundos são os fatores de produção variáveis (cujas quantidades mudam). Podemos concluir dois conceitos importantes: a produtividade média e a produtividade marginal do fator variável. A produtividade média do fator variável é o quociente da quantidade total produzida pela quantidade utilizada do fator variável. o produto – após alcançar um valor máximo – poderá até decrescer. Ela pode ser: Eficiência técnica: é mais eficiente tecnicamente aquele que utilizar menores quantidades Eficiência econômica: é mais eficiente economicamente aquele que o realizar com menor • de fatores de produção. Se especificarmos as diversas quantidades de cada fator que a empresa utiliza para alcançar determinadas quantidades de produto. Se insistirmos no incremento do valor variável. A produtividade marginal do fator variável é a variação do produto total decorrente da variação de uma unidade no fator variável.2) TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO 14 . mas a partir de certo ponto os acréscimos no produto total serão cada vez menores. À medida que se aumenta a quantidade de utilização de um fator variável. Lei dos rendimentos decrescentes.

além daqueles considerados pelos contadores. podem ser classificados em dois tipos: custos fixos totais (CFT) e custos variáveis totais (CVT). 2) O custo total é a soma do custo fixo e do custo variável. que é o quociente do custo total pela quantidade total produzida e o custo marginal que é a variação do custo total decorrente da variação de uma unidade na produção. a teoria da produção considera que todos os custos são variáveis. Como calculamos: 1) Os custos fixos e variáveis são enunciados do problema (são os resultados da observação do processe produtivo). Os custos fixos totais são aqueles representados pelos insumos que independem das quantidades produzidas. cujo nível de utilização depende das quantidades produzidas. no curto prazo. inexistindo custos fixos. ou explícitos. Em longo prazo. Externalidades 15 . 3) O custo médio é divisão do custo total pela respectiva quantidade produzida. 4) Custo margina l= dividindo a diferença de custo total pela diferença da quantidade produzida. a cada intervalo de produção. Os custos contábeis. Os custos variáveis totais são aqueles representados pelos insumos (fatores) variáveis.Os custos totais de produção de uma empresa. Além do conceito de custo total temos também o custo médio. os custos implícitos ou de oportunidade. são aqueles que ocorrem mediante dispêndio monetário e são registrados na contabilidade. O lucro total atingirá o ponto máximo quando o acréscimo de custo de uma unidade adicional produzida for igual ao acréscimo de receita que decorre da venda dessa mesma unidade. Os custos considerados na análise econômica incluem. A maximização dos lucros ocorre quando a receita marginal é igual ao custo marginal.

• fatores que são utilizados no decorrer do processo produtivo. do nível da produção global. e não de maneira isolada. a empresa obterá um certo volume de receitas. As externalidades serão negativas quando a atividade de uma empresa gerar custos para outras empresas. Para você ler. a teoria macroeconômica busca explicar as flutuações do nível de atividade econômica. A macroeconomia não se ocupa da formação dos preços de um produto especificamente. como a microeconomia. Ao analisar o mercado 16 . (4) MACROECONOMIA FUNDAMENTOS DA MACROECONOMIA A teoria microeconômica explica a composição e a alocação da produção total. A lei dos rendimentos decrescentes indica que o aumento na utilização de um fator de produção implica acréscimos cada vez menores nos rendimentos gerados por essa mesma produção. sem receber pagamentos em troca. A macroeconomia estuda a economia em seu conjunto. poupança e o investimento. O termo micro indica apenas a decomposição de variáveis macroeconômicas.Estas são os custos ou as receitas obtidas ou imputadas pela empresa à sociedade ou a outras empresas. A macroeconomia não leva em consideração o comportamento das unidades econômicas individuais e de mercados específicos. reler e pensar: Ao vender bens ou serviços. sem que aquelas paguem a estas o custo proporcionado. analisando as variáveis de maneira agregada. como consumo. análise típica da microeconomia. As externalidades podem ser positivas ou negativas. Serão positivas quando uma empresa gera benefícios a outra. A diferença A função de produção de uma empresa é a relação das quantidades fixas e variáveis de • entre os custos e as receitas se denomina lucro econômico.

que diz respeito ao orçamento dos diversos níveis de governo. ou seja. As políticas de rendas. • seja. Distribuição eqüitativa da renda. Crescimento econômico – per capita ou produto nacional per capita. a análise macroeconômica denomina-se teoria do desenvolvimento e crescimento econômico. quando estuda questões de longo prazo.ocupa-se do seu conjunto. ou A política cambial. • preços dos bens se formam em um mercado influenciados pelo conjunto dos bens desse e dos demais mercados e pelos preços de todos os insumos da economia. A macroeconomia ocupa-se de analisar o curto prazo. As políticas monetárias. Os consideração as possíveis interferências dos demais mercados. • • • • Instrumentos de política macroeconômica As políticas fiscais. Estrutura de análise macroeconômica 17 . sobre a quantidade de moeda e de títulos públicos em circulação no mercado. Metas de política macroeconômicas Políticas macroeconômicas têm como meta alcançar um ou mais dos seguintes objetivos: Alto nível de emprego. Os métodos de análise básicos. que se referem à intervenção do governo na formação da renda • são os gastos e as receitas dos governos. Estabilidade de preços – inflação. omitindo aspectos particulares de um setor ou uma indústria. • • dos agentes econômicos. não levando em Análise do equilíbrio geral: considera-se a interdependência de todos os mercados. que diz respeito ao controle e à taxa de câmbio. no estudo da determinação de preços e quantidades são: • Análise do equilíbrio parcial: estuda-se um mercado isoladamente. que se refere ao controle do governo sobre a oferta monetária.

As principais medidas da atividade econômica 18 . Mercado de títulos – Os agentes superavitários (gastam menos do que sua renda) emprestam moeda para os agentes deficitários e. 4. Mercado monetário – O Banco Central ocupa-se de equilibrar a oferta e a demanda desse mercado. (4. Conceitos básicos VALOR ADICIONADO – é a soma dos pecos dos bens e serviços finais produzidos numa economia em certo período. de modo a não prejudicar as transações nem desvalorizar a moeda. a taxa salarial e o nível de desemprego. 3. PRODUTO NACIONAL – é a medida dos valores adicionados pelas empresas aos bens elaborados e aos serviços prestados. a qual é representada pelos quatro agentes macroeconômicos: consumidores.reflete o nível de atividades dessa economia.Ela se compõe de cinco mercados. 5. se constitui o mercado de títulos. Mercado de divisas – há necessidade de moedas distintas. em toda a economia nacional. constituindo-se o mercado de divisas. empresas. Mercados de trabalho – são relevantes. RENDA NACIONAL – é a soma das remunerações pagas aos fatores de produção utilizados pelas empresas. Mercado de bens e serviços . assim. governo e setor externo. São eles: 1.2) CONTABILIDADE NACIONAL Contabilidade nacional é o registro contábil da atividade produtiva de um país em um dado período de tempo. 2. nesse mercado.

ou a preços constantes. inclusive os fluxos de pagamentos aos fatores de propriedade de nãoresidentes no país. lucros. A OFERTA FINAL TOTAL (OFT) é a soma do produto interno bruto da economia e das importações no período. ou a preços constantes. A RENDA NACIONAL (RN) é a soma das remunerações de fatores empregados nas atividades produtivas. OS BENS INTERMEDIÁRIOS são aqueles destinados à utilização intermediária..Entre as variáveis macroeconômicas mais significativas estão: O VALOR BRUTO DA PRODUÇÃO (VBP) é a soma dos preços de bens e serviços produzidos numa economia em determinado período – preços versus quantidades produzidas. 19 . enquanto os bens de utilização final se destinam ao consumo final e desaparecem com a sua utilização. obs: “ deflacionar” o produto significa transformar valores reais. A DEMANDA INTERNA BRUTA (DIB) é a soma dos gastos em consumo interno dos setores público e privado e das despesas de investimento interno bruto fixo das empresas e da variação dos estoques. As preocupações na elaboração do cálculo do produto a. enquanto “inflacionar” o produto significa transformar valores reais. b. O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) é a soma dos preços dos bens e serviços finais produzidos numa economia em certo período – preços versus quantidades produzidas. juros. tais como salários. que entram na composição de outros bens. Desconsiderar as variações que os preços sofrem devido à inflação. em valores nominais. Evitar a “dupla contagem”. ou a preços concorrentes.

fundos do mercado monetário (fundos de aplicações financeiras e de renda fixa de curto prazo. M4 = M3 + depósitos a prazo e títulos privados (letras de câmbio e imobiliárias). FUNÇÕES E SUA CIRCULAÇÃO NA ECONOMIA. Também devem ser desconsideradas as transações do governo ao setor privado da economia. e depósitos especiais remunerados).1) MOEDA – CONCEITOS. pois são transações não produtivas. Oferta de moeda A oferta da moeda é sinônimo de meios de pagamentos. e sua aceitação é garantida por lei. mas não para a sociedade como um todo. 20 .c. • RESERVA DE VALOR – a moeda serve de reserva de valor para uma empresa. que representa o estoque de moeda disponível para uso da coletividade. Os depósitos à vista ou em conta corrente também são chamados de moeda escritural. Desconsiderar as transações de mercadorias produzidas em exercício anteriores. As principais funções da moeda são as seguintes: • MEIO OU INSTRUMENTO DE TROCA – a moeda permite que as trocas sejam indiretas e supera dificuldades. ainda. M1 = M2 + títulos federais. Hoje temos a Moeda Fiduciária. estaduais e municipais em poder do público. M3 = M2 + depósitos em cadernetas de poupança. moeda contábil. moeda bancária ou. sem lastro. • UNIDADE DE MEDIDA (OU UNIDADE DE CONTA) – a moeda serve para comparar e agregar o valor de mercadorias diferentes. (5) INTRODUÇÃO À ECONOMIA MONETÁRIA (5.

O cheque é apenas uma ordem de transferência. A oferta de moeda pode ser dividida em oferta de moeda pelo Banco Central e oferta de moeda pelos bancos comerciais. • Banco depositário das reservas internacionais. “Criação” e “destruição” de moeda Ocorre criação ou destruição de moeda quando se altera o saldo dos meios de pagamentos. no conceito M1 (moeda com o público + depósitos à vista). sendo que M1 são chamados de haveres monetários. O Banco Central é um órgão normativo (sujeito ao Conselho Monetário Nacional) e o Banco do Brasil é um órgão executivo. além disso. o Banco Central também empresta aos bancos. Os chamados de intermediários financeiros não bancários. • Banco do governo: é o canal que o governo tem para implementar a política monetária. Corresponde a uma queda ou aumento da oferta de moeda disponível. manter a liquidez do sistema econômico. Os depósitos à vista não devem ser confundidos com o caixa dos bancos comerciais. não criando moeda. As funções do Banco Central são: • Banco emissor: é o responsável e tem o monopólio das emissões de moeda. • Banco dos bancos: é o órgão em que os bancos depositam e transferem fundos de um banco para outro. Quando a inflação diminui. a relação entre M1 e M4 aumenta (monetização). não são autorizados a manter depósitos e apenas transferem dinheiro dos emprestadores para os tomadores. Oferta de moeda pelo Banco Central O objetivo do Banco Central é regular a moeda e o crédito em níveis compatíveis com o crescimento do produto.Esses ativos que rendem juros são também chamados de haveres não monetários ou quase moeda. 21 . ou seja.

regras para o financiamento aos consumidores.Instrumentos de política monetária A principal função do Banco Central é controlar a oferta de moeda. 22 . é aquele utilizado pelas autoridades monetárias para incentivar alguns setores específicos da economia. O redesconto especial. Mecanismo multiplicador da oferta de moeda Quanto menor o recolhimento compulsório. que não poderão ser utilizados pelos bancos para empréstimos ou outras aplicações. de títulos governamentais no mercado de capitais. • Operações de mercado aberto – essas operações consistem em vendas ou compras. portanto. O Banco Central cobra taxas de juros sobre esses empréstimos. controle de prazos.. por Políticas de redescontos – o redesconto de liquidez. Para tanto. chamada de taxa de juros do redesconto. Oferta de moeda pelos bancos comerciais Os bancos comerciais também podem alterar a oferta de moeda por terem uma carta patente que lhes permite emprestar mais do que tem em depósitos. maior o poder de multiplicação dos bancos. ou normal. • bancos em um eventual saldo negativo na conta de depósitos voluntários. que se dá através da política de juros.. ele dispõe dos seguintes instrumentos de política monetária: Emissões – possuem o monopólio das emissões Reservas obrigatórias dos bancos comerciais – o Banco Central obriga os bancos • • comerciais a reterem uma parcela dos depósitos como depósitos obrigatórios. a determinação do nível de depósitos compulsórios dos bancos é uma forma de o Bacen controlar a oferta de moeda bancária. visa apenas socorrer os parte do Banco Central. • Regulamentação e controle do crédito – o Banco Central também afeta o sistema financeiro via regulamentação e controle do crédito. ou seletivo.

2. que é a razão entre a moeda que fica nas mãos do público (e não depositada nos bancos) e o saldo dos depósitos à vista. entretanto.1) INFLAÇÃO A inflação pode ser conceituada como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços. também chamada moeda de alta potência. Ou seja. (6. Demanda de moeda Existem três motivos para demandar moeda.O valor do multiplicador depende também. Por base monetária entende-se o total de moeda com o público (PP) mais as reservas dos bancos comerciais. os movimentos inflacionários são dinâmicos e não podem ser confundidos com altas esporádicas de preços. Motivo transação. 23 . O multiplicador mais geral. Motivo especulação. As expansões e contrações dos meios de pagamento dependem de três parâmetros básicos: De variações na base monetária. isto é. Motivo precaução. • • • A atuação das autoridades dá-se sobre a taxa de reservas bancárias e sobre a base monetária. De variações na taxa de reservas bancárias. além da taxa de reservas dos bancos. A base monetária representa o estoque de moeda primária. De variações na taxa de retenção do público. 3. Essas reservas são o caixa dos bancos comerciais. passivo monetário das autoridades monetárias. ou ainda. os depósitos voluntários e os depósitos obrigatórios. para reter encaixes monetários: 1. da taxa de retenção do público. é chamado multiplicador da base monetária.

Inflação de custos A inflação de custos pode estar relacionada à estrutura de produção. A inflação de custos também está associada ao fato de que algumas empresas com elevado poder de monopólio ou oligopólio têm condições de elevar seus lucros acima da elevação dos custos de produção. são obrigadas • mais pobres. • Efeito sobre as expectativas – a própria capacidade de produção futura e. as quais depreciam a moeda nacional e estimulam as exportações e desestimulam as importações. mas os custos de certos insumos importantes utilizados na produção de um bem aumentam e são repassados aos preços finais dos produtos. 24 .Distorções provocadas por altas taxas de inflação Os principais efeitos da inflação: Efeito sobre a distribuição de renda – percebe-se que a inflação é um imposto cobre os Efeito sobre o balanço de pagamentos – na tentativa de minimizar o déficit. o nível de demanda permanece inalterado. a inflação estimula a aplicação de recursos em bens de “raiz”. ou seja. • mercado de capitais financeiros. se existir alguma causa autônoma. como terras e imóveis. o nível de emprego é afetado pelo processo inflacionário. Efeito sobre o mercado de capitais – ocorre desestímulo à aplicação de recursos no conseqüentemente. • a permitir desvalorização cambial. O aumento da taxa de salários provoca inflação. Causas da inflação A inflação de demanda pode ser definida como o excesso de demanda agregada em relação à produção disponível de bens e serviços.

Outro recurso foi a troca da unidade monetária. ou seja. para compensar o déficit crônico da balança comercial. os chamados choques de matérias-primas. indexada ao dólar ou a uma cesta de moedas estrangeiras. finalmente.Estagflação – estagnação econômica com inflação. a expressão inflação de custos é o aumento de preços devido a pressões autônomas. estrutura oligopolista de mercado e estrutura do comércio internacional e. que são sempre repassadas aos preços correntes. A inflação no Brasil 25 . e eles procuram resguardar suas margens de lucro. O que caracteriza. essas pressões são causadas pela circunstância de que alguns preços de matérias-primas básicas. as autoridades aderiram ao congelamento de preços e salários para tentar eliminar a chamada memória inflacionária. Nos planos antiinflacionários adotados depois de 1986 no Brasil. De acordo com a VISÃO INERCIALISTA. as causas de inflação estão associadas aos CONFLITOS DISTRIBUTIVOS. paralelamente. coexistiram um moeda inflacionada (como o cruzeiro real) e uma moeda teoricamente sem inflação (como o real). A CORRENTE ESTRUTURALISTA pressupõe que a inflação no continente está associada estreitamente a tensões de custos. os mecanismos de indexação formal e informal provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. Ela ocorre quando há. segundo essa visão. na realidade. No fundo. A inflação seria explicada principalmente pela estrutura agrária. quando durante algum tempo. a inflação seria provocada pelas desvalorizações cambiais que os países subdesenvolvidos são obrigados a promover. causados por deficiências na estrutura econômica. desindexar a economia. que se resumem na tentativa dos agentes manterem ou aumentarem sua posição na distribuição do “bolo” econômico. com desemprego. taxas significativas de inflação e recessão econômica. A INFLAÇÃO DE EXPECTATIVAS está associada aos aumentos de preço provocados pelas expectativas dos agentes de que a inflação futura tende a crescer.

da Universidade de Chicago. Essa medição se dá através de uma ferramenta da Estatística chamada número de índice. e a corrente monetarista à política preconizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). em identificar os dados necessários e suficientes para a construção. Na visão monetarista.2) MEDIDA DA INFLAÇÃO – NÚMEROS ÍNDICE Um número índice é um número abstrato que sintetiza grandezas de diferentes espécies em um único valor. que permite fazer comparação no tempo e no espaço. numa espécie de inércia inflacionária. segundo a qual a inflação no Brasil está associada aos mecanismos de indexação. em delimitar a área geográfica à qual se refere. em grande parte. que acabam perpetuando a inflação passada. Para que se possam identificar as causas da inflação é necessário primeiramente medi-la. Mediante o emprego do número índice. O processo inflacionário em países subdesenvolvidos pressupõe que a inflação está associada estreitamente a tensões de custos. 26 . baseada. nas idéias de Milton Friedman. levando às elevações de preços. a saber: estrutura agrária.Costuma-se associar a corrente estruturalista à Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL). (6. em selecionar a fórmula. A terceira corrente é a inercialista. em estabelecer a sua periodicidade. podemos comparar os custos de alimentação ou de vida em uma determinada região num dado período de tempo com os de uma época anterior ou. ainda. • quantidade ou valor. A construção de um número índice exige a consideração dos seguintes pontos: Definição da base – consiste em especificar se o índice a ser elaborado é para preço. a estrutura oligopolista de mercado e a estrutura do comércio internacional. influenciada pelas idéias do economista Argentina Raul Prebisch. a produção de determinado produto durante um determinado ano em uma dada região. acima das necessidades reais da economia. a necessidade de financiar a dívida pública leva ao aumento das emissões e ao excesso de moeda.

Um índice de preços pode ser de três tipos.t = Pt . época a ser comparada. basta expressar tal variação em termos percentuais. Pt – preço do artigo na época atual (dada). 27 . aconselha-se que a escolha deva recair sobre um período ou espaço geográfico que possa ser encarado como normal. • Obtenção de informações – é a maneira pela qual os dados devem ser coletados (senso ou amostragem). Q0 – quantidade desse mesmo produto na época base.• Fixação da base – a fixação da base no tempo e no espaço depende da finalidade do índice. 100-100 Po Índice relativo de quantidade: quando desejamos analisar a variação na quantidade de um produto em termos percentuais. Entretanto. T . Fórmula utilizada: Pó.época atual. será determinado tendo em vista o menor custo.época base. Notação utilizada: Qt – quantidade de um produto na época atual. básica ou época de referência. Pó – preço do artigo na época base.índice P . época dada. como regra geral. São eles: Índice relativo de preços: quando queremos analisar a variação do preço de um só bem. a maior precisão e a máxima oportunidade.preço O . Notação utilizada: I .

Ela se expressa como o número de unidades da moeda nacional por unidade de moeda estrangeira. enquanto no comércio internacional cada país tem sua própria moeda. Notação utilizada: Pt – preço do artigo na época atual Po – preço do artigo na época base Qt – quantidade de um produto na época atual Qo – quantidade desse mesmo produto na época base Vt – valor do artigo na época atual Vt –valor do artigo na época base Fórmula utilizada: Vo. A taxa de câmbio é o preço de uma moeda expresso em outra.100-100 Vo (7) O MERCADO DE CÂMBIO (7. 28 .Fórmula utilizada: q0. 100-100 Qo Índice relativo de valor: quando pretendemos analisar a variação no valor de um único bem.1) O COMÉRCIO INTERNACIONAL E O MERCADO DE DIVISAS A principal diferença entre o comércio nacional e o internacional é que. o intercâmbio se realiza com a mesma moeda. Esse é o papel atribuído ao mercado de divisas ou de câmbio. obtendo o que denominamos relativo valor.t = Vt . Um país desenvolvido de comércio internacional somente pode funcionar se existe um mercado em que uma moeda pode ser trocada por outra. basta expressar a variação em percentuais.t = Qt . dentro de um país.

a taxa de câmbio. derivada das importações nacionais e dos investimentos brasileiros no exterior. As vantagens do sistema de taxas de câmbio flexíveis Teoricamente. (7. o balanço de pagamentos automaticamente. Taxas de câmbio fixas. Uma taxa de câmbio totalmente flexível ajusta.Uma desvalorização da moeda nacional faz com que nossos bens sejam mais baratos no exterior e com que os bens estrangeiros fiquem mais caros no mercado nacional. No mercado de divisas. a taxa de câmbio será determinada pelas forças da oferta e da demanda. o sistema de taxas de câmbio flexíveis corrigirá automaticamente qualquer tendência de gerar déficit ou superávit no balanço de pagamentos. e a oferta de dólares procedente das exportações brasileiras e dos investimentos estrangeiros no Brasil determinam.2) O SISTEMA DE TAXAS DE CÂMBIO Os sistemas de taxas de câmbio classificam-se de duas formas: • • Taxas de câmbio flexíveis ou livremente flutuantes. tornando desnecessária a intervenção do Banco Central para restabelecer o equilíbrio externo. As taxas de câmbio flexíveis ou livremente flutuantes Em um mercado livre. a demanda de dólares. Nessas circunstâncias. igualando a demanda e a oferta de divisas por operações autônomas com o exterior. conjuntamente. Limitações do sistema de taxas de câmbio flexíveis 29 . diz-se que a taxa de câmbio é flexível ou flutuante.

Para isso. as exportações podem não aumentar o suficiente e as importações não se reduzirem de maneira apreciável. a taxa de câmbio cai ligada a uma determinada mercadoria (historicamente o ouro) ou a uma determinada moeda. Os sistemas de taxas de câmbio fixas. Para aderir a esse sistema. quando esta aumentasse ou diminuísse. o padrão ouro Sob o sistema de câmbio fixo. só se exigia que as importações e as exportações fossem sensíveis às variações dos preços e que o banco central estivesse disposto a aumentar ou a diminuir a quantidade de dinheiro. A presença de especuladores também pode dificultar o processo de ajuste. comprando e O governo deveria seguir uma política respaldada no valor do ouro. • vendendo a moeda nacional em troca de ouro ao preço oficial. Outro inconveniente do sistema de taxa de câmbio flexível é que se gera uma grande incerteza nas relações internacionais. Tal relação denominava-se As autoridades econômicas deveriam manter a convertibilidade do ouro. todo país tinha de aceitar as seguintes regras: • Estabelecer uma relação fixa entre a sua moeda e o ouro. cobrindo 100%. elimina-se o desequilíbrio nas relações internacionais. mas também equilibradas as relações comerciais internacionais. O padrão ouro clássico é um regime de taxa de câmbio fixa. valor paritário ou preço oficial.Na prática. o mecanismo pode não funcionar. • O mecanismo de ajuste O sistema de padrão ouro clássico não só se encarrega de manter estáveis as taxas de câmbio. se o balanço de pagamentos apresenta um déficit e o real se desvaloriza. O valor da moeda nacional define-se em relação ao ouro e o banco central compra-o e vende quantidades ilimitadas a esse preço. Mantendo fixa a taxa de câmbio. 30 .

Redução de preços. isto é. Vantagens: • • • • • • Controle da inflação. • Sistema era muito sensível a uma crise de confiança. • Um banco central esteriliza os efeitos produzidos pelas perdas (ganhos) de ouro na oferta monetária quando realiza operações de mercado aberto que compensem as variações d quantidade de ouro. Benefício aos consumidores. ou seja. a valorização cambial permite “ancorar” os preços internos e reduzir a taxa de inflação (daí deriva o termo âncora cambial). desse modo. Valorização cambial e inflação Com uma valorização (apreciação) cambial. Desvantagens: 31 . o banco central tem capacidade de “esterilizar” seus fluxos de ouro e. o funcionamento do mecanismo de ajuste. a moeda nacional (real) fica mais forte relativamente às moedas estrangeiras. Os países com superávit. entre eles cabe destacar os seguintes: Tendia a formar fortes oscilações na atividade econômica e no nível de preços. Redução de bens de capital. em suas relações econômicas com o exterior.Inconvenientes do padrão ouro O padrão ouro clássico apresentava uma série de inconvenientes. combater os aumentos no nível de preços. podiam tomar • • medidas que tendiam a cancelar o efeito do fluxo de ouro sobre a quantidade de dinheiro. assim. Elevação dos índices de produtividade. Redução de custos de produção. impedindo.

Desvalorização cambial e inflação A desvalorização cambial tem efeito contrário ao descrito anteriormente: os produtos importados ficam mais caros. Acumular divisas. não em dólar). mas os bens essenciais. ou seja. trigo. como petróleo. segundo o mercantilismo.1) TEORIAS DE COMERCIO INTERNACIONAL Mercantilismo O mercantilismo aparece como o primeiro conjunto de idéias que procurava explicar o funcionamento do comércio entre os países. em ternos de reais. provocando aumento dos custos de produção. que serão repassados aos preços dos produtos finais. diminuirão as importações de muitos produtos.• • • • • Redução de vendas. buscar o metalismo. Defender interesses internos. que o Brasil importa muito. terão seu preço aumentado (em reais. O efeito da desvalorização cambial sobre a taxa de inflação é denominado passthrough. Intensificar a atividades de comércio. os Estados nacionais deveriam: Possuir um exército numeroso. Exportadores são prejudicados Possibilidade de déficit. Evidentemente. Dependência ou vulnerabilidade externa. (8) ECONOMIA INTERNACIONAL (8. gerando inflação – a chamada inflação de custos. • • • • 32 . Aumento de desemprego.

nesse caso. Considera-se. Enfatizar as atividades de comércio e manufatura. a produção global será maior do que se cada país for auto-suficiente. Como resultado. o coeficiente técnico.• • Conquistar maior participação no comércio internacional. como uma evolução da teoria das vantagens absolutas. Da mesma forma como aquela teoria recomenda que cada país produza os bens e os serviços em que tem vantagem comparativa e os exporte. em 1817. Teoria das vantagens comparativas O princípio das vantagens comparativas explica o motivo pelo qual dois países comercializam entre se. mesmo quando um deles detém vantagem absoluta na produção de dois bens. Teoria das vantagens absolutas É necessário ter condições de produção mais favoráveis que as do país para o qual se pretenda exportar. aumentando as possibilidades de consumo e de bem-estar do conjunto dos residentes em ambos os países. a relação entre o número de horas de trabalho em função da quantidade produzida. Escola neoclássica O processo de troca entre duas nações deve observar o fato de que os países sempre tendem a exportar mercadorias provenientes de seus recursos produtivos mais abundantes e a importar bens cujos recursos sejam mais escassos. ou seja . Teoria da cepalina 33 . O valor das mercadorias é determinado pelo tempo de trabalho necessário para produzi-las. A teoria das vantagens comparativas foi formulada por David Ricardo. deixando de produzir bens e serviços em que é relativamente menos eficiente.

é crescente a parcela da produção mundial que não é consumida no país de origem. Relações entre fatores de produção. (8. Os países se organizam em blocos de integração. com a ampliação da oferta têm a oportunidade de dispor de maior diversidade de produtos. terão possibilidades de ampliação do mercado. inclusive o Brasil.Segundo essa teoria. por sua vez.2) RELAÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS As relações econômicas internacionais têm posição ao fundamental para a maioria dos países. fazendo com que os países periféricos precisem exportar quantidades cada vez maiores para que possam manter sua capacidade de importação. nas trocas entre os países do centro e os da periferia tende a ocorrer uma deterioração dos termos de trocas. • • • • E quais as vantagens do intercâmbio internacional? Os consumidores. Os preços dos produtos primários tendem a desvalorizar em relação aos pecos dos produtos secundários. Os produtores. Qualificação dos fatores de produção. Fatores que determinam as trocas internacionais: Diferenças de dotação de recursos naturais. para facilitar o comércio entre si e para enfrentar a concorrência internacional de forma mais competitiva. ou seja. O processo de globalização O processo de globalização é a conseqüência do incremento das relações econômicas internacionais. 34 . Assimetria em atributos construídos.

Alca) – busca a eliminação de tarifas no comércio União tarifária ou aduaneira (Mercosul) – eliminação de tarifas. A primeira delas é integrar-se econômica e politicamente. participação nos tratados e acordos mundiais. a globalização.Condições para ingressarem nesse “clube de negociantes internacionais”. Outra condição é a abertura às empresas transnacionais. A 35 . mesma política tarifária Mercado comum: características anteriores. • As nações se tornarão menos autônomas no campo econômico. • Redução de atributos de soberania nacional. indica níveis crescentes de integração. previdenciária e tributária. • A influência dos investimentos externos aumentará. fiscal. a integração implica em negociações permanentes. eliminar barreiras comerciais protecionistas e liberar suas economias. precisam ainda. • Provocará a homogeneização crescente dos fatores de produção e dos produtos. liberdade de circulação de produtos de produção. podendo operar com custos mais reduzidos e com maiores condições de competir. Do ponto de vista microeconômico. deverão inexistir fronteiras alfandegárias. dependendo de fluxos financeiros internacionais de controle reduzido. cambial. as empresas tenderão a ter escalas maiores. busca obter a coordenação de políticas • entre os signatários. Do ponto de vista macroeconômico. As conseqüências da integração são: • A convergência das relações jurídica internas. • monetária. como as demais. além de harmonização de legislação. • para com o resto do mundo. Níveis de integração Existem diversas classificações de níveis de integração entre países. a integração produzirá: • Um aumento do comércio internacional. A que apresentaremos é das mais tradicionais e. Zona ou área de livre comércio (Nafta.

El Salvador. O Mercosul tem como princípios básicos estabelecer uma união aduaneira – área de livre circulação de bens. Paraguai e Uruguai. São Cristóvão e Neves. Haiti. Canadá. Argentina. México e Canadá. São países da Alca: Antigua e Barbuda. e formar uma área de livre comércio para as Américas. • União econômica e monetária (União Européia) – os países ficam quase sem autonomia. O acordo prevê apenas a eliminação das barreiras legais e das tarifas alfandegárias. Honduras. Colômbia. Jamaica. Suriname.única diferença entre os mercados dos diversos países será a distância e o conseqüente custo do transporte. exceto Cuba. Belize. Peru. Paraguai. têm políticas macroeconômicas comuns e banco central único. Costa Rica. 36 . Estados Unidos da América. São Vicente e Granadinas. e não mais nacionais. México. Nafta – Acordo de Livre Comércio da América do Norte Seus membros: Estados Unidos. República Dominicana. Uruguai e Venezuela. Mercosul – Mercado Comum do Sul É formado por Argentina. mãosde-obra e capital -. Santa Lúcia. Granada. Chile. Brasil. Dominica. estando em fase de discussão o ingresso da Venezuela. Bahamas. Bolívia. Brasil. Blocos econômicos Alca – área de Livre Comércio das Américas Com o objetivo de eliminar as barreiras alfandegárias entre os 34 países americanos. Guiana. Barbados. Trinidad e Tobago. adotam o uso de moeda única. Panamá. Guatemala. As políticas são regionais. Nicarágua. Equador. além dos países associados Bolívia e Chile. assim como a liberação gradativa de tarifas alfandegárias e restrições tarifárias.

Portugal. Fatores que influenciam o desenvolvimento econômico 37 . O desenvolvimento econômico é um processo de mudança estrutural de longo prazo num sistema econômico. México. Uruguai e Venezuela. Holanda. industrialização com mudanças estruturais. Malta. Não conflita com o Mercosul por pretender ter alcance regional e ser praticado através de acordos parciais. República Checa e Suécia. celebrados em prazo longo. Membros da EU: Alemanha. Estônia. Letônia. Cuba. Irlanda. Eslovênia. Bélgica. Dinamarca. Áustria. Crescimento econômico é um fator quantitativo e desenvolvimento econômico é qualitativo. Peru. Itália. São países-membro da Aladi: Argentina.1) CONCEITOS FUNDAMENTAIS O desenvolvimento corresponde à participação social no resultado do crescimento. Grécia. com objetivo de criar um mercado comum latino-americano. Eslováquia. (9) CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO (9. Equador. Chipre. França. Hungria. Reino Unido. É a soma de crescimento. Bolívia. Chile. Luxemburgo. Lituânia. e com melhoria na distribuição da renda pessoal e regional acompanhada do aumento do nível de emprego. Aladi – Associação Latino-Americana de Integração A Aladi substitui a Alac – Associação Latino-Americana de Livre Comércio. Espanha. Colômbia.EU – União Européia É o mais elevado estágio da integração econômica entre nações. Brasil. Finlândia. Polônia. Paraguai.

aumenta a capacidade de importar e possui um efeito multiplicador sobre a economia. desencadeando mais investimentos em formação de capital e assim sucessivamente. aumentando os níveis de emprego e qualidade de vida. o que significa. Em conseqüência disso. serão obtidos mais recursos de exportação. determinados pela média de anos freqüentados nas escolas. na realidade. Possibilitará que mais unidades produtivas surjam no mercado. economia passa a possuir maiores dependência dos setores entre si. • Dinamismo dos agentes econômicos. se formação interna ou externa e diversidade e quantidade e qualidade das matérias-primas existentes num sistema econômico.• A qualidade e a quantidade dos recursos produtivos disponíveis. • As condições políticas e sociais: a estabilidade política e institucional – a população conquistará melhorias na estrutura social e política devido a maior policiamento do comportamento de seus legisladores eleitos. Conseqüências do desenvolvimento Alteração no processo produtivo – com essa mudança no processo produtivo promove em • cadeia o estímulo ao investimento no capital produtivo. • economia e motivada por avanço tecnológico e melhorias na formação de mão-de-obra. • Em relação ao setor externo – o desenvolvimento permite ganhos de escala. • Alterações na estrutura do consumo da sociedade – melhorias do processo distributivo da Crescente interdependência setorial na economia – decorrente do desenvolvimento da renda total gerada no sistema econômico. importação 38 . que proporcionam eficiência organizacional – estará presente sempre que a estrutura das organizações que estimulam o funcionamento das atividades produtivas possuir dinâmica e agilidade no seu processo. isto é. incluídos nesse conjunto especialmente a força de trabalho e o estoque de capital – a qualificação desses recursos representa os níveis de formação escolar da mão-de-obra. a capacidade tecnológica do capital existente. atividades produtivas que inicialmente não existiam internamente passam a existir a partir do desenvolvimento.

menos desenvolvidos ele é e vice-versa. então. • Estrutura da produção e do emprego – nesse indicador. os mesmo parâmetros e índices. decorrendo disso a modificação da pauta das importações de produtos acabados para forma bruta. é obtida pela divisão do produto interno bruto pela população. é demonstrado o padrão da estrutura de produção e do emprego. com baixa utilização de 39 . obtém ganhos de produtividade e competitividade no mercado globalizado. será necessário usar padrões universais de medida. Principais indicadores de desenvolvimento Como estamos tratando de análises comparativas entre regiões de um país. bem como as exportações da forma bruta modificando-a e para a forma elaborada. a exportar produtos elaborados (com mais valor agregado) e. acontece uma evolução tecnológica do parque produtivo interno e melhorias na qualificação da mão-de-obra. da qual obteremos a renda média por habitante de um país. conseqüentemente. entre países ou blocos econômicos. Podemos. Podemos citar: uma mesma moeda universal. possibilitando a importação de bens de capital ou promovendo o desenvolvimento tecnológico interno. a preços menores com menos valor agregado. Quanto mais elaborados forem os produtos. significa que a riqueza produzida num sistema econômico cresce em velocidade superior ao crescimento econômico. Indicadores econômicos • Renda Per Capita – significa renda por pessoa ou habitante. Em conseqüência. a importar produtos em sua forma. • Pauta de importações e de exportações – para sabermos o grau de desenvolvimento de um país basta analisar a estrutura dos produtos de suas importações. À medida que um sistema se desenvolve. passando.de empregos e mais reservas cambiais. mas não significa desenvolvimento. mas bruta (matéria-prima). afirmar que um país subdesenvolvido a estrutura de produção está direcionada à atividade primária. para ocorrer desenvolvimento é preciso haver participação da população na renda gerada e acesso à aquisição e à evolução na estrutura de consumo. portanto. Se a renda per capita aumenta. o mesmo período temporal.

Indicadores demográficos Taxa de crescimento demográfico – com esse indicador. Esse é um indicador de desenvolvimento. alimentação e saneamento. • Taxa de mortalidade infantil – é a quantidade de óbitos para cada mil nascimentos. mais desenvolvido será o país. indo ao desenvolvimento com larga utilização de tecnologia. com o desenvolvimento evoluindo ocorrerá o direcionamento para a industrialização. menor tenderá a ser o desenvolvimento do país e viceversa. • Expectativa de vida – pergunta-se: quais fatores contribuíram para esse ganho de vida média conquistado pelo brasileiro? A resposta está no desenvolvimento e significa o crescimento econômico aumentando com ganhos da participação da população. à taxa de crescimento populacional. Indicadores sociais Taxa de analfabetismo – esse indicador é considerado social porque nos mostra em • termos médios qual a quantidade de indivíduos não alfabetizados em relação ao total da população. numa razão inversa. quanto maior for a taxa de crescimento demográfico. Quanto menos desenvolvido for um sistema econômico. saberemos que o grau de • desenvolvimento de uma nação corresponde. mais a estrutura de produção e emprego estará fundamentada na atividade primária e.tecnologia. • Estrutura etária da população – o aumento da expectativa de vida da população é decorrente do crescimento da qualidade de vida obtida através de melhorias no acesso ao sistema de saúde. Quanto maior ela for. menos desenvolvido será o país. 40 . ao contrário. quanto menor for essa taxa. A decorrência dessas conquistas foi o aumento do tempo de vida média da população. pois indiretamente representa o acesso da população ao acompanhamento pré-natal e à obstetrícia. ou seja.

visto que se trata de um valor médio. ou seja. à renda.• Participação da mulher na sociedade – à medida que o desenvolvimento ocorre. • Índice de desenvolvimento humano (IDH) – foi criado para medir o grau de acesso da população aos benefícios obtidos pelo crescimento econômico. estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do país e a servir aos interesses da coletividade. Porém. somente haverá desenvolvimento se a população tiver acessos a estes benefícios. • Longevidade – quanto maior for essa expectativa. esse indicador não nos da as informações concretas do acesso dessa população. • de desigualdades sociais e a participação de todos no processo político são fatores que indicarão o grau de desenvolvimento. que regulamentam através da normalização do funcionamento do SFN de acordo com a política 41 . • dividir o PIB pelo total da população que obteremos a renda per capita. Está estruturado em dois subsistemas o normativo e o de intermediação. • Acesso à educação – como indicador de desenvolvimento. (10) SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL E MERCADO DE CAPITAIS (10. a Inclusão social – o acesso aos benefícios obtidos via crescimento econômico. podemos avaliar o grau de acesso da população aos bancos escolares e o tempo de permanência anual média da população na formação escolar.1) SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL (SFN) o sistema financeiro nacional. melhor qualidade de vida tem a Distribuição de renda – para obter o indicador da renda média dessa economia. a redução sociedade como um todo passa a usufruir do processo participativo até o decisório. O subsistema normativo É constituído pelas autoridades monetárias vinculadas ao Conselho Monetário Nacional. basta população.

Das duas atribuições podemos citar: • • • • • • • • • Emissão monetária conforme autorização do Conselho Monetário Nacional. zelando pelo perfeito funcionamento das instituições integrantes do SFN. Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros. Controlar ou regular o meio circulante do Brasil. Coordenar as políticas monetárias. Receber e controlar os depósitos compulsórios dos bancos comerciais Fiscalizar as instituições financeiras e administradoras de consórcios. Conselho Monetário Nacional. Executar a política monetária definida pelo CMN. É o banco dos bancos. cuja responsabilidade é a elaboração da política monetária do Brasil e possui como atribuições: • Adaptar o volume dos meios de pagamento às reais necessidades da economia nacional e Regula o valor interno da moeda. Banco Central e Comissão de valores Mobiliários. Realizar as operações de redesconto dos bancos comerciais. fiscal e da dívida pública. 42 . Regular o valor externo da moeda e o equilíbrio no balanço de pagamentos do país. orçamentária.monetária do governo. Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeira. Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras públicas e privadas. Banco Central (BC) O Bacen é o órgão fiscalizador e executor da política monetária que estabelece o elo de ligação o governo (CMN) e o mercado. Conselho Monetário Nacional (CMN) Órgão máximo do SFN. • • • • • • interna e externa. de crédito. Controlar e administrar o fluxo de capitais estrangeiros no Brasil. ao ser processo de desenvolvimento. Fazem parte do subsistema normativo. É o banqueiro do governo.

Sistema Financeiro da Habitação. Bolsa de Valores e sociedades seguradoras. As instituições que compõem o subsistema de intermediação são: bancos comerciais. sociedades de crédito. bancos múltiplos. Caixas Econômicas. 43 . Banco do Brasil. Atualmente são quatro: • Banco do Nordeste (BNB). sociedade de arrendamentos mercantil. cooperativas de crédito. bancos de investimentos. • Conceder empréstimos e financiamentos de caráter assistencial. bem como o comércio exterior do Brasil. além de ser o executor da política de crédito rural e industrial do governo federal e administrar a câmara de compensação de cheques nacionais. Banco de Desenvolvimento. Banco do Brasil Desenvolve as atividades de banco comercial. • Operar no setor de habitação como sociedade de crédito imobiliário e principal agente do sistema financeiro da habitação Bancos de desenvolvimento São instituições financeiras controladas pelos governos estaduais que utilizam repasses públicos para concessão de crédito para médio e longo prazo.O subsistema de intermediação É constituído pelas instituições financeiras auxiliares que dão forma ao funcionamento do SFN e das operações financeiras das instituições públicas e privadas. Caixas Econômicas Possuem a função principal de atendimento às pessoas físicas e têm atribuição de: • Captar economias populares sob a garantia da União. pessoas físicas ou jurídicas de um sistema econômico. Bancos comerciais As operações básicas são: receber depósitos e conceder empréstimos nas suas funções comerciais. bancos de investimentos.

Fortalecer o setor empresarial do País. Impulsionar o desenvolvimento econômico e social do Brasil. a gestão desse sistema foi transferida para a Caixa Econômica Federal. Estimular o crescimento e a diversificação das exportações. Sociedades de arrendamento mercantil (leasing) A vantagem para o mercado em operar com arrendamento é tributária. empresa pública com responsabilidade de crédito no longo prazo. protegendo os cooperados nas suas atividades de produção. 5. Atenuar os desequilíbrios regionais 4. 3. Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES). Promover o desenvolvimento integrado das atividades agrícolas. Sistema Financeiro da Habitação (SFH) Foi criado com o objetivo de promover o desenvolvimento da construção de habitações no Brasil na década de 1960.• • • Banco da Amazônia (BASA). 44 . Banco Regional de Desenvolvimento do extremo Sul (BRDE). Bancos múltiplos Permitiu-se que bancos comerciais e outras constituam uma única empresa através do processo de fusão. safra comercialização e escoamento da produção. Bancos de investimentos Os bancos de investimentos são instituições que possuem objeto de captar depósitos a prazo e são especializados em operações financeiras de médio e longo prazo. 2. após a extinção do Banco Nacional da Habitação. tendo como atribuições: 1. industriais e serviços. Cooperativas de crédito Com a função de auxiliar via concessão de crédito.

que denominaremos ações. Utilizar recursos de terceiros. Possibilidade de disponibilizar no mercado o acesso dos poupadores à participação nos A possibilidade de canalizar recursos de poupança (investidores) do mercado financeiro resultados das empresas com ações lançadas no mercado. • • • A expansão da capacidade produtiva tem como resultado do produto interno bruto de uma economia. Avaliações importantes na economia como um todo podemos citar: • • Captação de recursos de terceiros. Bolsa de valores 45 . Esse fracionamento é possível devido à subdivisão do capital total de uma empresa em partes iguais. entre elas podemos citar: Utilizar recursos financeiros próprios. Obter recursos através da venda de parte da empresa. (10. Esse mercado é denominado mercado de capitais e se constitui por um complexo interrelacionamento de instituições subordinadas direta ou indiretamente ao Conselho Monetário Nacional e que darão liquidez e facilidades para a comercialização dos títulos que estão no mercado.Sociedades seguradoras Possuem a finalidade de manter o funcionamento das unidades produtivas diante das adversidades que possam ocorrer.2) O MERCADO DE CAPITAIS E A BOLSA DE VALORES A expansão da capacidade de uma unidade produtiva pode ocorrer de várias formas. • para a atividade produtiva da economia. sendo conhecida como abertura de capital.

A Bolsa de Valores constitui-se em uma sociedade civil criada com fins de facilitar a convergência entre vendedores e compradores de ações. 46 . podendo esse prazo se antecipado. As negociações de ações podem ocorrer de diversas formas. mas aqui vamos citar só três: • Mercado à vista – é a comercialização que ocorre com o pagamento das ações Mercado a termo – é a comercialização de ações com a modalidade de pagamento em compradas no ato da operação. • Mercado de opções – essa modalidade de comercialização corresponde à alternativa de venda ou de compra de uma promessa. antes do tempo definido entre as partes. se acordado entre as partes. • prazo futura conforma acordo entre comprador e vendedor e desde que respeitando a legislação vigente.

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