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ALTO…, Anair; SILVA, Heliana da. O Desenvolvimento HistÛrico das Novas Tecnologias e seu Emprego na EducaÁ„o. In: ALTO…, Anair; COSTA, Maria Luiza Furlan; TERUYA, Teresa Kazuko. EducaÁ„o e Novas Tecnologias. Maring·:

Eduem, 2005, p 13-25.

O Desenvolvimento HistÛrico das Novas Tecnologias e seu Emprego na EducaÁ„o

Da imaginaÁ„o ‡ realidade

Anair AltoÈ

Heliana da Silva

Imaginem vocÍs por uns instantes, neste exato momento alunos de v·rias

escolas, nos mais diversos paÌses, da quarta sÈrie do ensino fundamental,

entusiasmados em suas salas de aula, tendo a sua frente computadores

conectados ‡ Internet, nos quais contemplam ora as belezas de uma floresta,

natural com sua biodiversidade de vida, ora as estrelas a milhıes de dist‚ncia do

nosso planeta, ou ainda assistindo aos jogos olÌmpicos mundiais ou a copa do

mundo de futebol, ou mesmo surfando entre as diversas salas e corredores de

museus nos quais admiram quadros de pintores famosos como Da Vinci, Portinari,

Di Cavalcanti e outros ou, ainda, apenas interagindo entre si em um verdadeiro

chat educativo. N„o È fant·stico? Imaginem os conhecimentos que essas crianÁas

poder„o construir e compartilhar.

Podemos chamar, a esse ambiente, de imaginaÁ„o virtual. E o mais

fant·stico a que podemos realizar essa imaginaÁ„o virtual, por meio dos

ciberespaÁos, isto È, nos diversos ambientes virtuais de comunicaÁ„o existentes,

sejam nas escolas, nas bibliotecas, nos cibercafÈs dos shoppings centers, sejam

comunidades de bairros ou mesmo em nossas residÍncias.

A virtualidade sempre fez parte da imaginaÁ„o do homem. A diferenÁa, hoje,

È que a imaginaÁ„o se tornou realidade graÁas ‡s novas tecnologias que

possibilitam aos homens reconstruir sua imaginaÁ„o e criar comunidades virtuais (DUART; SANGR¿, 2000). Esses ambientes permitem que as pessoas se comuniquem no plano educacional, cultural ou profissional, de forma assincrÙnica, sem estar de modo simult‚neo no mesmo tempo e espaÁo. Entretanto, para que um chat educativo aconteÁa È necess·rio que estejamos conectados a uma rede de telecomunicaÁıes; ou seja, devemos possuir um computador, um modem e uma linha telefÙnica, ou uma antena parabÛlica, ou uma estaÁ„o de r·dio, localizados em qualquer um dos ambientes virtuais descritos. Essa realidade ainda È inacessÌvel a muitas pessoas, escolas, comunidades, particularmente em nosso paÌs. Somos um paÌs com um extenso territÛrio, no qual a dist‚ncia n„o deveria ser motivo para justificar a dist‚ncia entre um ponto e outro. Vivemos um perÌodo destacado como tecnolÛgico, pois, teoricamente tudo se torna prÛximo, f·cil, palp·vel, acessÌvel, mas mesmo assim continuamos aceitando o n„o comprometimento do governo com as questıes da educaÁ„o. O homem construiu uma vida melhor graÁas ao desenvolvimento das tecnologias, apesar dos impedimentos de acesso e de conex„o ‡s redes mundiais de comunicaÁ„o. E isto n„o se processou de uma hora para outra. AtÈ chegar ao que muitos de nÛs estamos vivenciando neste milÍnio, o homem, desde a prÈ- histÛria, vem fazendo uso das tecnologias. Muitos utensÌlios e ferramentas foram criados em todas as Èpocas da existÍncia humana. Sabiamente, o homem registrou sua histÛria mediante os sÌmbolos iconogr·ficos nos quais mostrou como viviam, caÁavam, pescavam e como eram seus rituais e suas danÁas (KENSKI, 2003a; MARCONDES FILHO, 1988,1994). A histÛria tambÈm registra que, desde o perÌodo PaleolÌtico (conhecido como a Idade da Pedra Lascada) os homens prÈ-histÛricos se agrupavam em hordas nÙmades, ou seja, mudavam constantemente de um lugar para outro em busca de alimentos. TambÈm fabricavam instrumentos de pedra lascada, destinados ‡ caca de animais e a coleta de frutos e raÌzes, porque nessa Època eles n„o conheciam a agricultura. No perÌodo NeolÌtico (conhecido como a Idade da Pedra Polida), eles organizavam-se em cl„s e aldeias. Foi um perÌodo que marcou profundamente o

relacionamento entre o homem e a natureza, em virtude de sua intervenÁ„o na mesma. Nesse perÌodo, desenvolveram a agricultura, domesticaram os animais e os instrumentos eram fabricados com a pedra polida, melhorando muito o corte. Com o passar do tempo, os homens foram evoluindo socialmente e suas ferramentas foram aperfeiÁoadas. As pessoas, em seus grupos sociais, foram criando culturas especificas e diferenciadas que foram constituindo-se em conhecimentos, maneiras peculiares e tÈcnicas particulares de fazer as coisas; conseq¸entemente, consolidaram as culturas e os costumes, crenÁas, h·bitos sociais que foram sendo transmitidos ‡s geraÁıes (KENSKI, 2003a). Assim sendo, verificamos que as tecnologias est„o presentes em todos os lugares e em todas as atividades que realizamos. Isso significa que para executar qualquer atividade necessitamos de produtos e equipamentos, que s„o resultados de estudos, planejamentos e construÁıes especÌficas. Ao conjunto de conhecimentos e princÌpios cientÌficos que se aplica ao planejamento, ‡ construÁ„o e ‡ utilizaÁ„o de um equipamento em um determinado tipo de atividade nÛs chamamos de tecnologia. Portanto, para que os instrumentos possam ser construÌdos, o homem necessita "pesquisar, planejar e criar tecnologias".

Algumas invenÁıes que mudaram o mundo A Luz ElÈtrica. Ao ser inventada em 1879, possibilitou que a ind˙stria se desenvolvesse e revolucionou o estilo de vida das pessoas. A invenÁ„o da l‚mpada incandescente pelo americano Thomas Edison, permitiu capturar a energia elÈtrica e recriar um cÈu terrestre. A Fotografia. 0 pintor e fÌsico francÍs Louis Daguerre, em 1831, descobriu que a imagem pode ser capturada e reproduzida por meio de uma c‚mara escura. Em sua homenagem, durante os primeiros anos, a m·quina fotogr·fica era conhecida como daguerreÛtipo. O Filme. Em 1895, foi possÌvel seu surgimento devido ao avanÁo proporcionado pela fotografia.

O Cinema. Joseph Plateau, em 1832, descobriu o principio da recomposiÁ„o do movimento a partir de uma sÈrie de imagens fixas. Ele inventou o processo inverso, o meio de decompor o movimento. Como a fotografia n„o era conhecida publicamente, os inventos resultantes desse processo usavam apenas desenhos. Em 1895 foi realizada a primeira sess„o de cinema, e pela primeira vez na histÛria foi trazida ao p˙blico, por LumiËre a ilus„o do movimento. Ele filmou um trem chegando a estaÁ„o em La Ciotat (FranÁa), e ao apresent·-lo para um modesto p˙blico, que por sua vez jamais vira nada parecido, ficaram apavorados diante da imagem do trem que avanÁava em direÁ„o a eles e saÌram correndo. 0 cinema ganhou cor em 1927 e voz a partir de 1935 (MARCONDES FILHO, 1988,1994; MANASS…S et al., 1980). A fotografia marcou uma divis„o importante na histÛria da cultura moderna, pois antes dela eram poucos os privilegiados que detinham o dom de imortalizar imagens, pessoas e outros objetos. A tÈcnica da fotografia assume o lugar do homem e reproduz o natural de forma "objetiva", porque ela apresenta a imagem sem os erros humanos da pintura, os excessos e deturpaÁıes que o pintor poderia reproduzir na tela. O Telefone. O escocÍs Alexandre Graham Bell, em 1876, foi quem realizou a primeira ligaÁ„o entre dois aparelhos. "Doutor Watson, preciso do senhor aqui imediatamente". Essa foi a primeira frase pronunciada ao telefone para um de seus assistentes e se deu por meio de fios elÈtricos. Ao mesmo tempo, muitos inventores continuaram suas pesquisas, dentre eles o escocÍs James Maxwell e o alem„o Heinrich Hertz. Maxwell formulou a teoria sobre a existÍncia das ondas eletromagnÈticas e Hertz demonstrou, experimentalmente, a existÍncia dessas ondas, as chamadas "ondas hertzianas". Todavia, o resultado pr·tico dessas investigaÁıes foi executado pelo Italiano Guglielmo Marconi que, em 1896, transmitiu e recebeu mensagens a dist‚ncia utilizando seu aparelho, o primeiro telÈgrafo sem fio. Desta forma, estava inaugurada a radiocomunicaÁ„o. Marconi, em 1901, enviou ondas de r·dio de um bal„o, na Inglaterra, que foram captadas na Costa Oeste dos Estados Unidos. A partir de 1920, foi possÌvel transmitir a voz humana para localidades muito distantes (MANASS…S et al., 1980).

A televis„o. Foi inaugurada em 1936 pela BBC Inglaterra, e produzida em

massa apÛs 1945. No entanto, J.L. Baird, utilizando um sistema bastante rudimentar de TV, conseguiu em 1923, na Inglaterra, transmitir uma silhueta em movimento, com muita imperfeiÁ„o. J· em 1925, Baird e o americano C.J. Jenkins transmitiram imagens em movimento mais aperfeiÁoadas, em tons cinza. Em 1935, os inventores conseguiram captar imagens de cenas mediante iluminaÁ„o natural com grandes detalhes. Na FranÁa, a primeira transmiss„o foi feita em 1935, da Torre Eiffel. Nos Estados Unidos, em 1939. No final de 1940, a TV j· estava ‡ disposiÁ„o de todos em ‚mbito comercial.

O VÌdeo. Em 1956, surgiu o videoteipe, revolucionando o mundo da ind˙stria

da mÌdia. Com o videoteipe, era possÌvel gravar os programas de televis„o (MANASS…S et al., 1980).

O Computador. A primeira tentativa para construir um computador ocorreu

em 1951, resultando em uma m·quina denominada UNIVAC 1. Em 1946, o exÈrcito americano patrocinou o desenvolvimento do ENIAC (Calculadora e Integrador NumÈrico EletrÙnico), o qual pesava 30 toneladas, possuÌa 70.000 resistores, 18.000 v·lvulas a v·cuo e foi construÌdo sobre estruturas met·licas com 2,75 metros de altura. Quando acionado, o consumo de energia fez com que as luzes da Cidade de FiladÈlfia piscassem. A introduÁ„o do que conhecemos por computador foi concretizada pela IBM em 1981, com o Computador Pessoal (PC) (CASTELLS, 2000).

O SatÈlite. 0 Sputinik russo foi o primeiro satÈlite lanÁado no espaÁo, em

1957. Criado para a pesquisa espacial, seu uso foi ampliado para estudos meteorolÛgicos a partir dos anos 60, e o Telstar, primeiro satÈlite de comunicaÁıes, foi lanÁado em 1962, pelos Estados Unidos. GraÁas aos satÈlites j· podemos acessar a Internet por meio de computadores sem fio. A Internet. Foi criada em 1969 para fins militares, um pedido do

Departamento de Defesa dos Estados Unidos da AmÈrica a uma equipe de pesquisa de universidades americanas para que projetasse um sistema de comunicaÁ„o invulner·vel a um eventual ataque nuclear (CASTELLS, 2000). Esse sistema de comunicaÁ„o foi comercializado na segunda metade da dÈcada de

1990. A internet foi privatizada e se tornou tecnologia comercial. No Brasil, em maio de 1995, a Embratel lanÁou o serviÁo definitivo de acesso comercial a Internet (ABRANET, 2005). Atualmente, est„o disponÌveis ‡s comunidades de pesquisa e aos setores comerciais uma infinidade de serviÁos e produtos oferecidos via rede.

Tecnologias e EducaÁ„o No campo educativo, a histÛria da tecnologia se desenvolveu nos Estados Unidos a partir da dÈcada de 1940. A tecnologia foi utilizada visando formar especialistas militares durante a Segunda Guerra Mundial e, para alcanÁar tal objetivo, foram desenvolvidos cursos com o auxÌlio de ferramentas audiovisuais. Como matÈria no currÌculo escolar, a tecnologia educacional surgiu nos estudos de educaÁ„o Audiovisual da Universidade de Indiana, em 1946. O uso dos meios audiovisuais com um intuito formativo constituiu o primeiro campo especifico da tecnologia educativa e desde ent„o tÍm sido uma ·rea permanente de investigaÁıes. Nessa mesma Època, iniciou-se uma segunda vertente de desenvolvimento, com trabalhos fundamentados no condicionamento operante e aplicados ao ensino programado. Essa vertente fundamentou-se nos estudos desenvolvidos por B. F. Skinner. Assim, nessa proposta, teve inicio o uso da tecnologia educativa como ·rea de estudo no Reino Unido (DE PABLOS, 1998). No decorrer da dÈcada de 1950, a psicologia da aprendizagem tornou-se campo de estudo curricular da tecnologia educacional. Nessa Època, as transformaÁıes causadas por esses estudos foram imprescindÌveis, sobretudo como novos paradigmas de aprendizagem que muito influenciaram o desenvolvimento da tecnologia educacional como disciplina dos currÌculos pedagÛgicos. Na dÈcada de 1960, houve grande avanÁo no desenvolvimento dos meios de comunicaÁ„o de massa no ‚mbito social. A "revoluÁ„o eletrÙnica", sustentada em um primeiro momento pelo r·dio e pela televis„o, foi fundamental para que houvesse uma revis„o de inigual·vel import‚ncia aos padrıes de comunicaÁ„o

empregados ate ent„o. Esse desenvolvimento influenciou a vida cotidiana de

milhıes de pessoas, tanto "nos costumes sociais, na maneira de fazer polÌtica, na economia, no marketing, na informaÁ„o jornalÌstica como tambÈm na educaÁ„o" (DE PABLOS, 1998, p. 52). Os Estados Unidos e o Canad· formaram o grupo de paÌses considerados como o cerne original desses acontecimentos revolucion·rios

na

·rea da comunicaÁ„o. A dÈcada de 1970 foi o marco inicial do desenvolvimento da inform·tica, com

o

emprego de computadores utilizados para fins educativos. Assim, foram

enfatizadas, principalmente, as aplicaÁıes com o ensino assistido por computador

(EAC), e nos Estados Unidos se realizaram experiÍncias com o objetivo de mostrar como a utilizaÁ„o dos computadores no ensino poderia ser eficaz e mais econÙmica, visto que os prÛprios professores desenhavam os programas a partir da linguagem de autor, Pilot (apud DE PABLOS, 1998; GROS, 2000; HARASIM etal., 2000).

Tecnologias e EducaÁ„o no Brasil No Brasil, o uso das tecnologias na educaÁ„o esteve primeiramente voltado para o ensino a dist‚ncia. O Instituto R·dio-Monitor, em 1939, e o Instituto Universal Brasileiro, em 1941, realizaram as primeiras experiÍncias educativas com o r·dio. Entre essas experiÍncias destaca-se a criaÁ„o do Movimento de EducaÁ„o de Base (MEB), que visava alfabetizar e apoiar a educaÁ„o de jovens e adultos por meio das "escolas radiofÙnicas", principalmente na regi„o norte e nordeste do Brasil. Outro projeto importante transmitido pelo r·dio MEC foi o projeto Minerva. De 1967 a 1974 foi desenvolvido, em car·ter experimental, o Sistema AvanÁado de ComunicaÁıes Interdisciplinares (Projeto Saci) com a finalidade de usar o satÈlite domÈstico, utilizando o r·dio e a televis„o como meios de transmissıes com fins educacionais. Essas atividades eram subdivididas em dois projetos: um era direcionado para as trÍs primeiras sÈries do ensino fundamental e outro para o treinamento de professores. Vale destacar, contudo, que o projeto foi encerrado em 1976.

Registros histÛricos indicam que, no Brasil, a primeira estaÁ„o de televis„o

foi a TV TUPI, inaugurada em 1950 na cidade de S„o Paulo. As experiÍncias educativas importantes iniciaram-se em 1969 por meio da Televis„o Cultura, que passou a transmitir o curso Madureza Ginasial. O grande desafio do curso foi provar que era possÌvel transmitir, pela televis„o uma aula agrad·vel e eficiente. Nessa mesma Època, o sistema de Televis„o Educativa (TVE) do Maranh„o passou a desenvolver atividades educativas de 5™ a 8™ sÈries. A ent„o FundaÁ„o TeleducaÁ„o do Cear· (FUNTELC), mais conhecida como Televis„o Educativa (TVE) do Cear·, comeÁou em 1974 a desenvolver ensino regular de 5™ 8™ sÈries, bern como a produzir e veicular os programas de televis„o e a elaborar o material impresso (SARAIVA,1996). Outro projeto educativo direcionado para o mundo do trabalho, desenvolvido desde 1978, foi o Telecurso 2 grau, implementado pela FundaÁ„o Roberto Marinho (FRM) em parceria com a fundaÁ„o Padre Anchieta (mantenedora da TV Cultura de S„o Paulo) e a FederaÁ„o das Ind˙strias do Estado de S„o Paulo (FIESP). A experiÍncia indicou que houve sucesso na realizaÁ„o das atividades e em 1981 foi criado o Telecurso 1 grau, com apoio do MEC e da Universidade de BrasÌlia (UnB). No ano de 1994, a sÈrie televisiva ganhou uma revis„o metodolÛgica, sendo a dramaturgia adaptada ‡ educaÁ„o. Esse novo formato de telecurso foi criado em 1995 com o nome de Telecurso 2000 (BARROS, 2003; SARAIVA, 1996).

O Telecurso 2000 foi designado de Ensino e n„o EducaÁ„o a Dist‚ncia,

apresentando "uma proposta de aÁ„o tendencialmente caracterizada pela instruÁ„o, transmiss„o de conhecimentos, pelas informaÁıes e pelo treinamento de pessoas para o universo do trabalho" (BARROS, 2003). Outro grande desafio do telecurso tem sido dar atendimento aos deficientes visuais em uma telessala

adaptada no Instituto Benjamim Constant, no Rio de Janeiro, na qual os alunos tÍm acesso ao site na Internet, informaÁıes das disciplinas e central de atendimento tutorial.

O Telecurso, alÈm de ser realizado em todo territÛrio nacional, foi tambÈm

desenvolvido em Portugal pela federaÁ„o das Mulheres Empresarias e

Profissionais, que por intermÈdio de um convÍnio com a empresa respons·vel pelo Telecurso disponibilizou o programa aos paÌses de lÌngua portuguesa. Nessa proposta, foram incluÌdos os paÌses africanos, como Angola, MoÁambique e Cabo Verde. Em outros paÌses como a Inglaterra, houve uma adaptaÁ„o do curso de Geografia visando a sua utilizaÁ„o na rede p˙blica de ensino, possibilitando aos alunos adquirirem conhecimentos sobre o Brasil. O governo brasileiro, por intermÈdio do MEC, prioriza o uso das novas tecnologias na educaÁ„o para a formaÁ„o continuada dos professores pelo programa TV Escola. Na compreens„o do governo, È um programa capaz de "sanar algumas das deficiÍncias mais graves do nosso sistema de ensino, como a capacitaÁ„o insatisfatÛria do magistÈrio" e, ainda, "treinar" e apoiar os professores em seu prÛprio ambiente escolar, objetivando elevar a qualidade do ensino brasileiro (TOSCHI, 2001, p. 91). Os serviÁos da Internet, no Brasil, est„o disponÌveis desde o inicio dos anos 1980. 0 MinistÈrio da CiÍncia e Tecnologia (MCT), por meio do Conselho de Desenvolvimento Nacional e TecnolÛgico (CNPq), criou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP). No entanto, nessa Època as universidades p˙blicas brasileiras j· estavam conectadas ‡ Rede Bitnet graÁas a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que sustentava um canal direto com os Estados Unidos subsidiado pela prÛpria UFRJ, disponibilizado para todas as universidades p˙blicas do Brasil. Com isso, a RNP iniciou a instalaÁ„o das "chamadas auto- estradas" da informaÁ„o brasileira, criando os Pontos-de-PresenÁa (POPs) nos estados, conectando dezenas de milhares de computadores, principalmente nos centros de pesquisas e instituiÁıes de ensino superior (PRETTO, 2001 b). A ampliaÁ„o dos sistemas de telecomunicaÁıes permitir· que um n˙mero cada vez maior de pessoas poder· se conectar para comunicar-se entre si. Em termos educacionais, particularmente nesta sociedade pÛs-industrial na qual a informaÁ„o È figura central, o resultado È a re-construÁ„o de conhecimentos. Por conseguinte, a capacidade das redes de telecomunicaÁıes para possibilitar ‡s pessoas, empresas e instituiÁıes de manterem-se informadas constitui-se no principal diferencial desta sociedade da informaÁ„o.

No Brasil, especificamente no meio educacional, ainda estamos nos acostumando a pensar na palavra de ordem que impera no mercado de trabalho:

adquirir conhecimento e informaÁ„o. PorÈm n„o basta somente adquiri-los, È necess·rio que sejamos capazes de construÌ-los de modo que nos ajudem a crescer profissional e pessoalmente. Como podemos constatar, neste milÍnio tecnolÛgico, a informaÁ„o È a palavra-chave e tem sido utilizada por diversos autores nos ambientes virtuais como tambÈm em muitas instituiÁıes p˙blicas ou privadas, de ensino convencional ou a dist‚ncia, que oferecem 'conhecimento e formaÁ„o atualizada' a quem queira, sincrÙnica ou assincrÙnica, estando no lugar que queira, sempre que possa conectar-se ‡ rede das redes. Por meio das tecnologias, sobretudo as relacionadas ‡ educaÁ„o a dist‚ncia, o acesso ao conhecimento, a formaÁ„o pessoal e profissional se torna potencialmente melhor a partir da reduÁ„o da dist‚ncia geogr·fica, possibilitando hipoteticamente que o conhecimento chegue a 'todos' e, portanto, espera-se, diminua as desigualdades sociais. Entretanto, precisamos estar sempre conscientes das questıes que envolvem a aprendizagem, com o uso ou sem o uso das tecnologias. Pretto (2001a, p. 39) enfatiza ser imprescindÌvel preocuparmo-nos com as polÌticas p˙blicas de inclus„o das camadas desfavorecidas ao mundo tecnolÛgico. TambÈm nos alerta que preparar o trabalhador para o uso dos computadores e a rede È necess·rio, mas n„o o suficiente. Para o autor, o fundamental È entender que a preparaÁ„o para esse mundo tecnolÛgico n„o pode estar desarticulada da formaÁ„o b·sica, pois n„o podemos falar em alfabetizaÁ„o digital se n„o falarmos, simultaneamente, em alfabetizaÁ„o das letras, dos n˙meros, da consciÍncia corporal, da cultura, da ciÍncia. N„o obstante, de que nos servem todas essas descobertas tecnolÛgicas em beneficio da educaÁ„o?. De um modo geral, da parte da sociedade e dos Ûrg„os governamentais existem sÈrias preocupaÁıes quanto ‡ educaÁ„o das pessoas. Dentre essas preocupaÁıes, trÍs s„o fundamentais: "o acesso, a qualidade e o custo".

Quanto ao acesso, a educaÁ„o n„o atinge as centenas de milhıes dos cidad„os do mundo, o que n„o È nenhuma novidade, principalmente para nÛs professores, visto que o Brasil possui, segundo dados de 2000 do IBGE, aproximadamente 16 milhıes de analfabetos absolutos e 30 milhıes de analfabetos funcionais. Os n˙meros mostram que ainda È preciso um grande esforÁo para acabar com o analfabetismo em nosso paÌs (INEP, 2005). Outros milhares de pessoas foram e s„o excluÌdas nos diferentes graus do ensino. Quanto ‡ qualidade, existe um consenso geral por parte daqueles que freq¸entam ou freq¸entaram a escola, assim como da sociedade civil e tambÈm do governo, de que È preciso elevar a qualidade da educaÁ„o. Quanto ao custo, sabemos que uma educaÁ„o de qualidade requer investimentos elevados. Custos elevados limitam o acesso, e se qualidade e aptid„o para um determinado fim, a um custo mÌnimo para a sociedade, ent„o os custos elevados s„o ruins para a qualidade. TambÈm sabemos perfeitamente que ainda hoje, na maioria das escolas, contamos com muitos alunos presentes nas salas de aula. Nesse contexto, quanto mais alunos inseridos na mesma sala, mais alunos ter„o acesso ‡ educaÁ„o, o que provoca a queda do custo, e conseq¸entemente da qualidade da educaÁ„o. Logo, criou-se um "vÌnculo insidioso entre qualidade e exclusividade", ou seja, para conseguir alta qualidade È preciso excluir o m·ximo de pessoas do acesso ‡ educaÁ„o. Ser· esse o ˙nico caminho? Mas o que È qualidade? A definiÁ„o padr„o de qualidade È concebida simplesmente como "aptid„o para um determinado fim, a um custo mÌnimo para a sociedade". Mas qual seria esse fim? Duas questıes podem ser ressaltadas: a criaÁ„o de capital humano e a geraÁ„o de capital social. Entende-se por capital humano o conhecimento individual, as capacidades que tornam uma pessoa autÙnoma, flexÌvel e produtiva. O capital social consiste em confianÁa nas outras pessoas, na reuni„o de pessoas em torno de um objetivo comum, a partir do qual as comunidades s„o geradas. O que as tecnologias tÍm a ver com isso? Acesso, qualidade e custo? Podemos associar pessoas e tecnologias na forma de aprendizado que mistura

dois tipos de atividades. Existem as atividades que o aluno consegue realizar sozinho, como, por exemplo, ler um livro, ver um programa de televis„o, ouvir uma palestra ou assistir a um vÌdeo. S„o atividades que podem ser desenvolvidas de forma independente e, alÈm disso, constituem a maioria do aprendizado do aluno, pelo menos na educaÁ„o superior, pois s„o atividades que permitem o use de tecnologia para aumentar o acesso, melhorar a qualidade e cortar os custos. Por que? Porque os custos para a produÁ„o desses materiais b·sicos do aprendizado se concentram de forma mais elevada somente na produÁ„o do original, ou seja, imprimir v·rios exemplares de um livro, reproduzir v·rias cÛpias de um filme, de programas de televis„o, ou programas em CD-ROM n„o custa muito caro. … necess·rio, contudo, produzi-los em grande quantidade para que todos os que desejam continuar seus estudos possam adquiri-los. PorÈm a qualidade desses materiais depender· do grau de seriedade, confiabilidade e competÍncia que possui cada indivÌduo pertencente a equipe multidisciplinar do curso. Por outro lado, ao se aumentar o acesso por meio da reduÁ„o dos custos È preciso levar em conta que as atividades independentes, por si sÛ, n„o promovem bons rendimentos na aprendizagem dos alunos. Logo, as atividades interativas, s„o necess·rias. Estas configuram-se como os encontros presenciais com outras pessoas, nossos alunos, professores, ou comunicaÁ„o por telefone, por e-mail, para obter respostas as nossas d˙vidas. Tais atividades s„o imprescindÌveis para o sucesso da aprendizagem da maior parte dos estudantes, mas conforme Pretto (2001a), tambÈm s„o mais caras. Por que? Porque as atividades interativas adicionais requerem um n˙mero maior de pessoas. Todavia, È possÌvel melhorar a qualidade e reduzir os custos. Como? Neste novo ciberespaÁo que estamos vivenciando, h· um livre interc‚mbio de informaÁıes, e È necess·rio que aprendamos a transform·-las em conhecimentos. Encontramos excelentes programas educativos, informativos e culturais nas r·dios, na televis„o, nas teleconferÍncias, e principalmente na Internet. No entanto, na educaÁ„o de modo geral, e na formaÁ„o de professores

em especial, teoricamente os discursos sobre a construÁ„o desses conhecimentos s„o maravilhosos, mas quando os transportamos para a pr·tica n„o sabemos como trabalhar com eles. Assim, ao mesmo tempo em que dispomos de excelentes materiais que s„o transport·veis pela Web, ainda precisamos aprender a transform·-los em conhecimentos. Buscando soluÁıes conjuntas de polÌticas p˙blicas, encontraremos soluÁıes para superar as dificuldades. Como salienta Pretto (2001a), È necess·ria uma articulaÁ„o do que se denominou "alfabetizaÁ„o tecnolÛgica ou digital" acompanhada por uma discuss„o concomitante sobre a alfabetizaÁ„o das letras, dos n˙meros, da consciÍncia corporal, das prÛprias condiÁıes que provocam a exclus„o educacional e que podem ser superadas ou minimizadas por meio das tecnologias disponÌveis em cada regi„o. As condiÁıes, tanto geogr·ficas quanto as sociais, econÙmicas e culturais presentes no sistema de educaÁ„o no Brasil, nos permitem concordar com o pesquisador Daniel (2001) quando destaca como principais, no uso da tecnologia na educaÁ„o, as necessidades do aluno e n„o as necessidades do professor. Sendo assim, a melhor maneira de atingir o aluno È usar a tecnologia que ele j· possui. Ademais, a tecnologia deve ser aquela que se aplica ‡s tarefas pr·ticas de conhecimentos cientÌficos e de outros tipos de conhecimentos organizados pelas pessoas e pelas m·quinas.

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