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Origem dos

seres vivos
"A Origem da Vida" é uma das grandes questões científicas da Humanidade
e tem sido abordada pelos mais ilustres pensadores há milênios.

Introdução

Origem da vida na Terra

Os primeiros índices da existência de seres vivos em eras geológicas


passadas datam de 3,5 bilhões de anos. Um bilhão de anos teriam se
passado desde a origem do nosso planeta. Durante esse período,
modificações importantes teriam surgido nas condições ambientais,
possibilitando o florecimento da vida. Hoje em dia, a Terra é rica em seres
vivos.
Desde a Antiguidade esse problema preoucupa o ser humano. Vamos
ver como os cientistas interpretaram e ainda até hoje procuram interpretar
a origem da vida.

ORIGEM DA VIDA

Ao longo dos séculos, várias hipóteses foram formuladas por filósofos


e cientistas na tentativa de explicar como teria surgido a vida em nosso
planeta. Até o século XIX, imaginava-se que os seres vivos poderiam surgir
não só a partir do cruzamento entre si, mas também a partir da matéria
bruta, de uma forma espontânea. Essa idéia, proposta há mais de 2000
anos na Grécia Antiga por Aristóteles, era conhecida pôr geração
espontânea ou abiogênese. Os defensores dessa hipótese supunham que
determinados materiais brutos conteriam um "princípio ativo", isto é, uma
"força" capaz de comandar uma série de reações que culminariam com a
súbita transformação do material inanimado em seres vivos.
O grande poeta romano Virgílio (70 a.C.-19 a.C.), autor das Écoglas e
da Eneida, garantia que moscas e abelhas nasciam de cadáveres em
putrefação. Já na Idade Média, Aldovandro afirmava que, o lodo do fundo
das lagoas, poderiam, nascer patos e morcegos. O padre Anastásio Kircher
(1627-1680), professor de Ciência do Colégio Romano, explicava a seus
alunos que do pó de cobra, espalhado pelo chão, nasceriam muitas
cobras.No século XVII, o naturalista Jan Baptiste van Helmont (1577-1644),
de origem belga, ensinava como produzir ratos e escorpiões a partir de uma
camisa suada, germe de trigo e queijo.
Nesse mesmo século, começaram a surgir sábios com novas idéias,
que não aceitavam a abiogênese e procuravam desmascará-la, com suas
experiências baseadas no método científico.

Abiogênese X biogênese

Em meados do século XVII, o biólogo italiano


Francesco Redi (elaborou experiências que, na época,
abalaram profundamente a teoria da geração
espontânea. Colocou pedaços de carne no interior de
frascos, deixando alguns abertos e fechando outros
com uma tela. Observou que o material em
decomposição atraía moscas, que entravam e saíam
ativamente dos frascos abertos. Depois de algum
tempo, notou o surgimento de inúmeros "vermes"
deslocando-se sobre a carne e consumindo o
alimento disponível. Nos frascos fechados, porém,
onde as moscas não tinham acesso à carne em
decomposição, esses "vermes" não apareciam . Redi, então, isolou alguns
dos "vermes" que surgiram no interior dos frascos abertos, observando-lhes
o comportamento; notou que, após consumirem avidamente o material
orgânico em putrefação, tornavam-se imóveis, assumindo um aspecto
ovalado, terminando por desenvolver cascas externas duras e resistentes.
Após alguns dias, as cascas quebravam-se e, do interior de cada unidade,
saía uma mosca semelhante àquelas que haviam pousado sobre a carne em
putrefação.
A experiência de Redi favoreceu a biogênese, teoria segundo a qual a
vida se origina somente de outra vida preexistente.
Quando Anton van Leeuwenhoek (1632-1723), na Holanda,
construindo microscópios, observou pela primeira vez os micróbios,
reavivou a polêmica sobre a geração espontânea, abalando seriamente as
afirmações de Redi.
Foi na Segunda metade do século passado que a abiogênese sofreu
seu golpe final. Louis Pasteur (1822-1895), grande cientista francês,
preparou um caldo de carne, que é excelente meio de cultura para
micróbios, e submeteu-o a uma cuidadosa técnica de esterilização, com
aquecimento e resfriamento. Hoje, essa técnica é conhecida como
"pasteurização".
Uma vez esterilizado, o caldo de carne era conservado no interior de
um balão "pescoço de cisne".
Devido ao longo gargalo do balão de vidro, o ar penetrava no balão,
mas as impurezas ficavam retidas na curva do gargalo. Nenhum
microrganismo poderia chegar ao caldo de carne. Assim, a despeito de estar
em contato com o ar, o caldo se mantinha estéril, provando a inexistência
da geração espontânea. Muitos meses depois, Pasteur exibiu seu material
na Academia de Ciências de Paris. O caldo de carne estava perfeitamente
estéril. Era o ano de 1864. A geração espontânea estava completamente
desacreditada.
Pasteur resolveu uma questão, mas provocou outra: se os organismos
vivos são originados apenas a partir de outros organismos vivos, como
surgiu, então, o primeiro deles?

Como surgiu o primeiro ser vivo?

Desmoralizada a teoria da abiogênese, confirmou-se a idéia de


Prayer: Omne vivium ex vivo, que se traduz por "todo ser vivo é proveniente
de outro ser vivo".
Tentou-se, então, explicar o aparecimento dos primeiros seres vivos
na Terra a partir dos cosmozoários, que seriam microrganismos flutuantes
no espaço cósmico. Mas existem provas concretas de que isso jamais
poderia ter acontecido. Tais seres seriam destruidor pelos raios cósmicos e
ultravioleta que varrem continuamente o espaço sideral.
Em 1936, Alexander Oparin propõe uma nova explicação para o
origem da vida. Sua hipótese se resume nos seguintes fatos:
• Na atmosfera primitiva do nosso planeta, existiriam metano, amônia,
hidrogênio e vapor de água.
• Sob altas temperaturas, em presença de centelhas elétricas e raios
ultravioleta, tais gases teriam se combinado, originando aminoácidos,
que ficavam flutuando na atmosfera.
• Com a saturação de umidade da atmosfera, começaram a ocorrer as
chuvas. Os aminoácidos eram arrastados para o solo.
• Submetidos a aquecimento prolongado, os aminoácidos combinavam-
se uns com os outros, formando proteínas.
• As chuvas lavavam as rochas e conduziam as proteínas para os
mares. Surgia uma "sopa de proteínas" nas águas mornas dos mares
primitivos.
• As proteínas dissolvidas em água formavam colóides. Os colóides se
interpenetravam e originavam os coacervados.
• Os coacervados englobavam moléculas de nucleoproteínas. Depois,
organizavam-se em gotículas delimitadas por membrana lipoprotéica.
Surgiam as primeiras células.
• Essas células pioneiras eram muito simples e ainda não dispunham
de um equipamento enzimático capaz de realizar a fotossíntese.
Eram, portanto, heterótrofas. Só mais tarde, surgiram as células
autótrofas, mais evoluídas. E isso permitiu o aparecimento dos seres
de respiração aeróbia.
• Atualmente, se discute a composição química da atmosfera primitiva
do nosso planeta, preferindo alguns admitir que, em vez de metano,
amônia, hidrogênio e vapor de água, existissem monóxido de
carbono, dióxido de carbono, nitrogênio molecular e vapor de água.
Oparin não teve condições de provar sua hipótese. Mas, em 1953,
Stanley Miller, na Universidade de Chigago, realizou em laboratório uma
experiência. Colocou num balão de vidro: metano, amônia, hidrogênio e
vapor de água. Submeteu-os a aquecimento prolongado. Uma centelha
elétrica de alta tensão cortava continuamente o ambiente onde estavam
contidos os gases. Ao fim de certo tempo, Miller comprovou o aparecimento
de moléculas de aminoácido no interior do balão, que se acumulavam no
tubo em U.

Pouco tempo depois, em 1957, Sidney Fox submeteu uma mistura de


aminoácidos secos a aquecimento prolongado e demonstrou que eles
reagiam entre si, formando cadeias peptídicas, com o aparecimento de
moléculas protéicas pequenas.
As experiências de Miller e Fox comprovaram a veracidade da
hipótese de Oparin.

Teoria da Panspermia Cósmica (extraterrestre)


Inicialmente propunha-se a possibilidade de nosso planeta ter sido
colonizado por alguma civilização de outro planeta. Essa hipótese não pode
ser totalmente descartada, mas a probabilidade de que tenha realmente
ocorrido é muito remota.
Atualmente a teoria da Panspermia Cósmica vem sendo reavivada
pelos estudos que mostram a possibilidade da condução de estruturas vivas
em meteoros congelados e por questionamentos a respeito da teoria
Heterotrófica (veja abaixo).
Essa teoria nos leva a pensar que se verdadeira, então
provavelmente a vida foi semeada também em muitos outros planetas.
Resolve o questionamento sobre o surgimento da vida na Terra, mas ainda
não resolve a pergunta inicial: como originou-se o primeiro ser vivo? nossa
dificuldade no entendimento de certas questões básicas relativas à
Panspermia (Como a vida poderia sobreviver à radiação emitida pelas
estrelas e presente por toda Galáxia?; Como a vida poderia ter "viajado" até
nosso planeta?; etc.) No século passado a idéia "panspermica" resurgiu com
força. Algumas teorias espetaculosas, tal como a "Panspermia Dirigida" de
Francas Circo e Lesei Orle, foram muito discutidas, principalmente por seu
forte apelo entre os amantes da ficção científica. Segundo esses autores,
seres inteligentes pertencentes a outros sistemas planetários, teriam
colonizado a Terra e provávelmente outros planetas. O grande argumento a
favor dessa teoria estaria no fato do molibdênio, elemento raro no nosso
planeta, ser essencial para o funcionamento de muitos enzimas chave do
metabolismo dos seres vivos.

A Nova Panspermia

Fred Hoyle foi um dos maiores


defensores da Panspermia.
Juntamente com Chandra
Wickramasinghe, formulou a "Nova
Panspermia", teoria segundo a qual
vida se encontra espalhada por todo
o universo. "Esporos de vida" fazem
parte das nuvens interestelares e
chegam a planetas próximos às
estrelas, abrigados no núcleo de
cometas. Esses "esporos" já
conteriam códigos que regeriam
seus desenvolvimentos futuros.

Uma teoria para ser científica, deve, pelo menos em princípio, poder
ser verificada na prática.
Hoyle e Wickramasinghe, e agora apenas Wickramasinghe, têm
procurado identificar os componentes presentes na poeira interestelar,
através de "traços" que esses componentes possam ter deixado na radiação
infravermelha emitida por essa poeira ou na absorção da luz visível que
atravessa essas nuvens.
Através dessas análises, na década de 70, constataram a presença de
"polímeros" complexos, especialmente moléculas de "poliformaldeídos" no
espaço. (Essas moléculas estão fortemente relacionadas à celulose.) Hoyle e
Wickramasinghe se convenceram que polímeros orgânicos representam
uma fração significativa da poeira interestelar.
E seriam os cometas os semeadores desses esporos de vida através
do universo?
A análise de meteoritos procurando a identificação de "vida
fossilizada", tal como foi amplamente divulgada na década passada através
dos estudos realizados sobre o meteorito de nome EETA79001 (de origem
provável de Marte), está ainda longe de nos dar resultados conclusivos.
Mas essa questão pode estar próxima de ser definitavamente
respondida. A "Agência Espacial Norte Americana" (NASA), através do
programa "Stardust", pretende, ainda na década atual, colher e analisar
amostras de núcleos cometários. Será a constatação "in loco" da existência
ou não de vida nos cometas.
A primeira possível identificação de vida microscópica extraterrestre,
entretanto, foi divulgada em julho passado. Falando em um congresso de
especialistas em San Diego (EUA), Wickramasinghe apresentou resultados
da análise de amostras de ar da estratosfera, colhidas por balões da
"Organização de Pesquisas Espaciais Indiana" (ISRO).
Segundo Wickramasinghe, foram encontradas evidências muito fortes
da presença de vida microscópica à altura de 41 km do solo; bem acima do
limite máximo (16 km) onde é admitido o alcance natural de ar e outros
materiais das camadas mais baixas da atmosfera.
Esses resultados atendem à Nova Panspermia. Vida na Terra não
apenas teria chegado "a bordo" de cometas e material cometário, há
bilhões de anos atrás, mas continua ainda hoje nos alcançando em grande
quantidade.

Conclusão

Até hoje não existe uma resposta científica definitiva sobre a origem
da vida no planeta. A primeira idéia foi a de que a vida teria vindo do
espaço, fruto de uma "semente" de outro planeta. Hoje a hipótese mais
difundida é a da origem terrestre. A vida surge há cerca de 3,5 bilhões de
anos quando o planeta tem uma composição e atmosfera bem diferentes
das atuais. As primeiras formas surgem em uma espécie de caldo de cultura
resultante de complexas reações químicas e de radiação cósmica.
Assim como explicar "o que é a vida" é ainda mais obscuro para a
Biologia explicar "como surgiu a vida".
Existem várias teorias que buscam esclarecer como isso ocorreu.
Algumas delas convivem atualmente e não há como comprová-las ou
refutá-las. Outras teorias, como a da Geração Espontânea tiveram grande
valor e impacto na época em que foram divulgadas, mas hoje já foi provado
que partem de premissas equivocadas.