Você está na página 1de 18

FERRÉZ: O RAPPER DA LITERATURA

Maria Aparecida Costa dos Santos1
Universidade Nove de Julho – UNINOVE – Mestre em Educação

RESUMO

O presente estudo traça um perfil biográfico do autor da literatura marginal Ferréz.
Reginaldo Ferreira da Silva utiliza a linguagem da periferia e da cultura Hip Hop nos
sete livros escritos. Ferréz buscou na literatura o veículo para expressar a discriminação,
o descaso e os problemas de uma região abandonada, o Capão Redondo. Este estudo
tem por objetivo descrever a trajetória de formação deste homem da periferia em autor
conhecido e respeitado pela crítica e pelo público, quais as experiências relatadas por
ele nas suas narrativas. Como fontes de informações foram utilizadas os livros
publicados por este autor além de entrevistas em áudio, entrevistas escritas e publicadas
na internet, assim como o blog do próprio autor. Após analisar todo este material, foram
elencadas três noções muito presentes nas narrativas das obras escritas, nas quais
utilizou-se como norteadores para realizar um estudo aprofundado da formação cultural
de um escritor da e para a periferia.
Palavras – chave: Ferréz, literatura marginal, educação e periferia

1

Endereço para correspondência: Estrada do Campo Limpo, 560, ap.03/D3, CEP 05777-000, São
Paulo/SP - Brasil. Endereço eletrônico – Cida_costa@msn.com

Keys words: Ferréz. Reginaldo Ferreira da Silva uses the language of the periphery and the Hip Hop culture in the seven books. as well as the author's own blog. neglect and problems of a region abandoned. which the experiences reported by him in their narratives. education e peripheral. After reviewing all this material. listed three notions were very present in the narratives of written works. . in which it was used as a guide to conduct a detailed study of the cultural background of a writer and to the periphery. This study aims to describe the course of training in the periphery of the man known author and respected by critics and public. As sources of information were used books published by this author as well as audio. marginal literature. Ferréz searched the vehicle in the literature to express discrimination. written and published interviews on the Internet.2 ABSTRACT This study provides a biographical profile of the author's marginal literature Ferréz. Capão Redondo.

O sistema sempre de pistola na mão. escritor do gueto.3 INTRODUÇÃO A vida é um pesadelo no qual não se desperta. E aí tem coisas que eu não conheço. Se eu for falar o que eu penso. Anota aí a minha nota. pra quem tá em choque. não mora em Boa Viagem. jão. A ideologia tá em crise. Pro sistema hipócrita. Mas no meu peito é zumbi. temos as cordas. mas eu e vocês pelo menos. Pôr fogo nas igrejas prá ver queimar. Antônio Abujamra. Todo o mundo é fantoche. . Sabe onde é o Capão Redondo? A polícia militar sabe. é quebrada. No clipe tem tudo o que você quer ser. e na mente é [?] No punho é só mano. (Ferréz) O autor da epígrafe é um morador que não se permite ficar na invisibilidade. de sua postura e atitudes: o escritor/ativista e favelado Ferréz. defende seu bairro e seus moradores. Pôr fogo no mundo para zoar. Verdades são mentiras. Ele mora no Capão Redondo. Amor pela quebrada virou frase de parachoque. Me mostra a nudez da sua cor. Datilógrafo. O povo chora a dor. é favela. construiu sua identidade e a declama por meio de seus escritos. fez a seguinte introdução: um escritor que não mora nos jardins. É pornô-mundo é mundo-pornô. Eu sou terrorista literário. Mensageiro da mentira para senador. de fuzil bic na mão. na TV Cultura. A minha arma nuclear é a informação. Mas na rua é tanta solidão. Conseguiram do meu corpo a divisão. Martin Luther King morreu em vão. São anos de rancor em vão Chega de tiração. não mora na Barra. Mas na rua é tanta solidão. buscador de auto estima E injetor do caos moderno. antes de entrevistá-lo em seu Programa Provocações. Deus perdoa. O pavio é fácil de acender. chora a dor. eu não.

De acordo com Ferréz. local onde passou a maior parte da infância. Mas antes de virar. que a leitura é obrigatória e. Em seguida. Ferréz sente-se no controle da sua vida. fez reformas. Na adolescência. não desperta o interesse e a curiosidade de um público que não entende o significado da companhia de um bom livro. Foi ao Brás. pois não gostava nem do ensino. junto com o parceiro José Carlos. conversando. quer dizer. “o resto era discurso meio no vazio” (HERMANN et al. compraram cinco camisetas. não só por morar no Capão Redondo. Reginaldo Faria da Silva é mais conhecido pelo pseudônimo de Ferréz. 2004). Ferréz nasceu em 29 de dezembro de 1975. próximo ao Jardim Capelinha. mas por escrever textos carregados de gíria da periferia. Ferréz trabalhou ainda como balconista. No início da adolescência. acredita em Deus e espera que Ele acredite nele. nem da escola. p. proporcionado pelas escolas: sabe. Em entrevistas. Um escritor que jamais chegará à Academia. Considerado um aluno desatento às aulas e sem muito interesse. por experiência. escolhido pelo próprio autor e que é uma junção de dois outros nomes: Virgulino Ferreira da Silva. que elas impõem ao aluno um determinado regime. morando de aluguel com os pais. Repetiu a primeira e a terceira séries. mudou-se para o Valo Velho. 2009. Zona Sul. auxiliar geral e arquivista. escritor. ser [o] mais violento do Brasil. encarou um desafio para expor suas ideias e seu desejo por um lugar melhor. e nada nem ninguém poderá mudar isso. no bairro Cantinho do Céu. Em 1999. coisa que não pega bem nas “casas acadêmicas” (ABUJAMRA. pintou paredes. por isso mesmo.. foi auxiliar-geral em uma metalúrgica e balconista de padaria. mudou-se definitivamente para o bairro de Capão Redondo. gostava mesmo era de estar na escola com os amigos. o Lampião (Ferre) e Zumbi dos Palmares (z). mantinha. a mesma que patrocinaria seu primeiro livro de poesia: Fortaleza da Desilusão. zona sudoeste de São Paulo.4 Um dos bairros mais violentos de São Paulo. Vocês não imaginam ser um dos bairros mais violentos de São Paulo. Entre 1995 e 1997. suas tarefas escolares em dia e as notas sempre boas. Ferréz questiona o papel do incentivo à leitura. com o dinheiro que usariam para . Ao criar seu nome e sua carreira. vinte minutos eram o suficiente para que compreendesse a matéria. “trocando ideia”. entregando pães nas escolas da região. foi arquivista na empresa Ética Manpower. Não usa o nome de batismo porque não acredita na Igreja Católica. oficialmente. ajudava no orçamento familiar. Ferréz vendeu vassouras. 12). contudo. Sua relação com a escola sempre foi perturbada.

“pois agente não ganhava nem o do pão” (FERRÉZ. s. neste caso. foi lançado o livro que o colocaria em destaque no mundo da literatura. 2007. s. seu quarto ficara todo alagado e parte do trabalho se perdeu na enchente do bairro. na mesma luta. A mudança de postura é visível. por isso somos todos 1 pela dignidade da Zona Sul” (FERRÉZ. Outro fato que também atrasou a finalização do livro foram os próprios personagens reais. Com a publicação de suas crônicas por uma revista de 2 A “ponte”. na maioria das vezes. o Fábio (Cebola). O livro levou quatro anos para ser finalizado. que agora é mais do que um sonho. a sociedade foi desfeita e Ferréz foi trabalhar em um site. obrigando o autor a refazer trechos e sequências completas. com esperança no futuro próximo. Ferréz. José Carlos desistiu do empreendimento. que divide a região do Capão Redondo (Parque Santo Antônio. nome que “vem da ideia de todos sermos 1. tornando-se referência e objeto de estudos e reportagens dentro e fora do país: Capão Pecado. abrindo caminho para outros tantos escritores da periferia. uma realidade pouco encantadora da vida “do outro lado da ponte”2. O leitor queria “ouví-lo”. Vila Prel etc. No ano de 2000. Monte Azul. surgiram oportunidades diversas. como encontra-se descrito nas páginas de seu blog oficial. por meio do romance. . no mesmo ideal. Ferréz começou. ler o que este periférico tinha a dizer.) de regiões mais “nobres” da cidade de São Paulo. a escrever regularmente para a revista Caros Amigos. Com o sucesso do livro e a polêmica que se seguiu à sua publicação. já que muitos morreram durante a construção da narrativa. reabriu a loja com o dinheiro pago pelo site. é uma realidade concreta. é a ponte João Dias.5 procurar emprego.). durante um temporal. quando se percebe que marcas que sempre fizeram a cabeça dos moradores da periferia praticamente desapareceram. Ferréz tornou-se assunto da indústria editorial. A primeira loja foi montada na garagem da casa dos pais de Ferréz.p. mas também promovendo o orgulho entre seus moradores e incentivando a luta por um lugar mais digno de se viver. O principal desafio desse empreendimento era tornar-se uma marca registrada de e para a região. então. Como os rendimentos continuavam insuficientes. pois os rendimentos. na qual trabalhou até o ano de 2010. Surge assim a 1DASUL.). nos quais os fictícios eram baseados. não apenas como resposta do Capão Redondo a toda violência. não cobriam os custos. em comemoração aos seis anos da marca. contudo. Segundo o autor. com a ajuda de outro “camarada”. expondo. 2005. continuou. Seis meses depois. e com mais uns trocados estamparam nessas camisetas a frase: “roupa de rua”. p.

(. s. o contato com patrocinadores dispostos a financiar outros escritores com o mesmo perfil literário e. ex-presidiários. permitiram a Ferréz uma projeção nacional da periferia do Capão Redondo nunca antes presenciada. sua fala se diferencia da fala dos estudiosos que buscam. Já que eu ia fazer a minha revista maloqueira. há anos.. “abandonado por Deus” (FERRÉZ. e não uma visão de fora daquilo que ocorre dentro. todos com histórias interessantes e com uma linguagem das periferias urbanas. seu representante. segundo Ferréz. atuantes na periferia. de seus artigos e seu envolvimento com diferentes projetos sociais. 2009. A literatura marginal encontrou. relacionados à violência urbana. pois seu entendimento é de dentro para fora. com a colaboração de escritores iniciantes.6 prestígio. quis me autodenominar marginal. recebeu convites para publicar no site El Foco.. voltados a outro público. Ferréz recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de Melhor Projeto de Literatura de 2001. assim. 2000. possibilitou seu reconhecimento nacional e internacional.) Em 2002. aceitam e usam os termos ‘preto’ e ‘favelado’ como motivos de orgulho. deixando de lado a perspectiva do observador e favorecendo a perspectiva empírica dos fatos reais. Essa abertura a um novo mercado editorial e a uma nova produção literária. 2002 e 2004). A permanência na comunidade alimenta a imaginação criativa do autor. o que significou o reconhecimento do projeto e do movimento por formadores de opinião . em via de regra. compreender a favela e seus moradores. 43-44) Por meio da revista Caros Amigos. (FERRÉZ apud NASCIMENTO. No. p. Eu fiz como os rappers. p. aumentado seu vínculo afetivo com o povo e revelando a necessidade de fazer a diferença num local. desenvolveu e editou o projeto da revista Literatura Marginal.com e Le Monde Diplomatique Brasil. Ao se assumir como parte desse universo periférico. pela revista Literatura Marginal. Ferréz criou. o que se revela na construção de seus personagens. que para se defenderem da sociedade. ressurgindo com uma nova filosofia e com novos autores.) eu sempre fui chamado de marginal pela polícia e quis fazer como o pessoal do hip hop que se apropriou de termos que ninguém queria usar. representantes das classes populares e moradores da periferia ligados ao movimento Hip Hop. A divulgação de seu livro. Depois surgiu a revista [Caros Amigos]. a não ser pelas páginas policiais e pelos noticiários televisivos. publicação em três volumes (2001. principalmente.

a periferia exige muito mais dele. Enganou-se ao ler os comentários de diferentes fãs e blogueiros sobre os textos postados.d. Não esperava que alguém acompanhasse seus pensamentos e poemas por meio dele.p. Segundo Ferréz. pobreza e violência”. o local ideal para se lançar tal estudo seria o próprio Capão . participou. da Feira Internacional de Literatura. descobriu um novo meio de comunicação: o blog. Sua indicação a diversos prêmios literários aumentou com a circulação dos livros Capão Pecado e Manual Prático do Ódio. de longo alcance. por isso. três anos após o primeiro romance. além de leitores e leitoras de outras periferias. ao mercado internacional. Ferréz optou por trocar a editora Labortexto pela Objetiva.7 na literatura brasileira. o livro foi negociado para o cinema. posteriormente. pela primeira vez. Esse espaço novo. concorreu ao prêmio da Guggein Fundation. Finalmente. diversificaram seus ouvintes e alcançaram outras “quebradas”. lançando-se no mercado editorial nacional e. sob o argumento de ser muito violento e. Uma de suas faixas. em 2005. s. Paulo Lins e Fernando Bonassi. em Parati. Manual Prático do Ódio foi lançado em 2003. No ano seguinte. permitiu a uma constante atualização dele com o mundo e com a periferia. exige uma prova diária de seu compromisso e de sua responsabilidade como morador e ativista. o conto “O Plano”. “Judas”. dicas e sugestões de postagens. na revista americana Jungle Druns. As palestras em escolas. além dos agradecimentos. Na busca por novos desafios. A história de “ritmo veloz e narrativa lancinante” (EDITORAS. sites e palestras. concorreu a prêmios pela rede de TV MTV como melhor videoclipe de rap do ano de 2003.COM. Paralelamente. mas o projeto não se concretizou.400 espectadores. Ferréz foi convidado.). com críticas favoráveis às letras e às melodias. ONGs e Instituições diversas amplificaram seu público. pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). s. No ano de 2004. para a Rede Globo. além de considerá-lo elitizado demais para ele. muito difícil de ser adaptado para as telas. além de publicar. tornou-se roteirista do programa “Cidade dos Homens”. indicado por Normann Gal. Nesse mesmo ano. sua produção musical não parou: Ferréz lançou o cd solo Determinação (2002). com uma média de público acima de 1. Na visão de Ferréz. Realizou ainda palestra ao lado de Marçal Aquino. dividiu a crítica. a escrever um relatório sobre “Racismo. Nesse mesmo período. diminuindo a distância existente entre uma pretensa literatura oficial e a Literatura Marginal. pelo blog. em evento promovido pelo Sesc Consolação. Com toda a repercussão causada por seus escritos.

na categoria “contos”. do grupo ASA. pelo conjunto da obra e das atividades sociais. premiado no Rio de Janeiro e em São Paulo. organizado pelo escritor/ativista Sérgio Vaz. publicado em Cronista de Tempo Ruim. O romance Manual Prático do Ódio foi. Produziu ainda o DVD 100% Favela (vol. Na cidade de Osasco. pela Assembléia Legislativa de São Paulo. Em 2006. foi recebido por professores e alunos. Ferréz lançou dois CDs. na Espanha. personagem central da narrativa infantil Amanhecer Esmeralda. o livro Amanhecer Esmeralda. o livro Capão Pecado foi lançado pela editora Palavra. O projeto é coordenado pela educadora social Rose Ribeiro. O reconhecimento internacional resultou em notícias de primeira página nos periódicos La Vanguardi. Todo o relatório foi. Além de compor e produzir as músicas de rap e incentivar a criação de novos grupos. a TV Cultura ofereceu um quadro de entrevista . retratado no conto de mesmo nome. com o apoio da comunidade. Outros veículos de comunicação se interessaram pelo que Ferréz tinha a dizer sobre a periferia: em 2008. E Manual Prático do Ódio foi lançado pela editora El Aleph. respectivamente. Depois de meses de reforma. Ninguém é Inocente em São Paulo. Mais três lançamentos literários completaram o ano de 2006: a história em quadrinhos Os Inimigos não mandam Flores. reconstrução e reformulação do lugar. a biblioteca finalmente foi aberta na periferia. Nesse mesmo ano. I). Ferréz passou uma temporada em Berlim para realizar duas palestras em uma escola de educação infantil. agraciado com o prêmio Hútuz e com o primeiro prêmio Cooperifa. no ano seguinte.8 Redondo. para o público infantil. de Portugal. ao lado de Negredo e Talentos Aprisionados. ainda. e a primeira coletânea de contos. e uma coletânea com o selo 1DASUL Fonográfica. por exemplo. Ao chegar lá. além de ter sido finalista do prêmio Portugal Telecom. de “camaradas” e comerciantes locais. portanto. tendo como principal protagonista sua crescente população oprimida pela dura realidade. com diferentes grupos. ao prêmio Jabuti. A essa altura. Barcelona e Currier Internacional. mais um projeto fora concretizado: a inauguração da Biblioteca Êxodus. baseado nesse bairro. em 2006 e 2007. os quais demonstraram grande paixão pela pequena Manhã. uma biblioteca reformada com materiais recicláveis e grafitada por profissionais da região foi batizada com o nome de Ferréz. pois é lá que “tudo acontece”. Em setembro de 2007. recebeu o prêmio Zumbi dos Palmares. E na “quebrada” do Capão Redondo. em 2005. que foi indicado. suas palestras não estavam mais concentradas em território nacional.

Cansado de negociar valores mais baixos para seus livros. a Tia Dag da Casa do Zézinho. O primeiro livro publicado foi Cronista de um Tempo Ruim. ao lado de Dagmar Garroux. Paralelamente. DVD que conta a participação de vários atores da cena Hip Hop e da Literatura Marginal. Ferréz saiu em turnê. Finalmente lança o documentário “Literatura e Resistência”.9 semanal no programa Manos e Minas. a TV Fox contratou-o para roteirizar sua série policial 9MM. Preto Ghóez. com esse novo selo. O documentário é um passeio por Capão Redondo. O local tem aparelhagem especializada e tem sua entrada franqueada a todos os públicos. Ao ser questionado sobre as críticas ao termo Literatura Marginal. depois de dificuldades estruturais. em diferentes locais e regiões do país e distribuindo. saraus. estaria vendendo pão até hoje. Gilmar (Alvos da Lei) e Sabotage – atores da cena Hip Hop. igrejas. ONGs. lojas ou qualquer outro lugar disposto a “traficar ideias”). surgiu o Selo Povo. Em 2007. lançando seu livro de crônicas. afinal os críticos exercem sua função e ele. locais destinados à contação de histórias. Ferréz é taxativo ao responder que não dá a mínima atenção para o que dizem a seu respeito e ao seu trabalho. de Oliveira e João Wainer. Durante o ano de 2010. No final do ano de 2008. Os novos projetos não cessaram. aberto aos grupos de rap para apresentação de seus trabalhos. e em 2009 Ferréz. afirma que se fosse dar atenção para tudo que dizem. E. bares. com depoimentos de moradores. As gravações do programa ocorriam no Bar do Saldanha. o estúdio 1DASUL foi inaugurado. ou que já disseram a seu respeito. rappers e ativistas sociais presentes na região. na presença da comunidade e com participação das crianças. inauguraram os projetos Interferência e Periferia Ativa. aulas de artesanato. abriga em seu segundo andar o Espaço Ensaiaço. na periferia (leia-se em escolas. Localizado em um sobrado grafitado com os rostos de Nego Dú. completando. Em 2009. pintura e ioga. Ferréz abriu e criou um espaço próprio no mercado editorial. música. toda a última sexta-feira do mês. pelo grafiteiro Gel. o “Interferência”. suas crônicas e a de futuros parceiros. de Roberto T. o qual seria mais um estereótipo para a periferia. a dele. mortos em diferentes situações –. trata da trajetória de Ferréz durante os onze primeiros anos da sua luta na periferia. . leitura. vendido de mão em mão pelo próprio autor. participou do documentário “A Ponte”. para que todos pudessem ter acesso.

Ferréz é enfático ao dizer que a literatura o salvou de um destino muito semelhante ao narrado por ele em seus escritos. p. se não fosse a literatura? “Balconista de padaria” foi sua resposta. E ao ser questionado se prefere a arte ou a revolução. concedido por Deus a quem precisa. s. (FERRÉZ apud PINHEIRO.p. conseguiu o reconhecimento pelos seus escritos e pela sua postura na comunidade? Uma profissão fora dos “padrões” da periferia? . 2006. quando um livro é aberto ou quando uma mãe ensina seu filho a atuar melhor no mundo. 2009) METODOLOGIA DE PESQUISA Quais os processos de formação educativa vivenciados por Ferréz e como esses processos podem ser encontrados na Literatura Marginal? Como um periférico nascido e criado em um local de extrema violência. a “tiazinha” da esquina do pastel. pois este leitor busca identificação.) escrever é uma das únicas formas de expressão onde não importa se você tem uma caneta de ouro ou se usa um pedaço de carvão para mostrar ao mundo suas ideias.) Onde estaria. Defende ainda que escrever é um dom. e a uma mente já tumultuada. os desempregados. no dia a dia. 09) A literatura abriu caminhos e espaços inimagináveis para alguém como ele. então.10 Em diversas entrevistas. Por esse motivo. mas que a revolução é necessária e feita a cada dia. Quem é o público da Literatura Marginal? Para Ferréz são todos aqueles que convivem. recebe convites para visitar lugares diferentes e locais com os quais só teve contato pela leitura de autores estrangeiros. na “quebrada”: o garoto do farol. vivencia novas experiências. um significado capaz de proporcionar mudanças positivas dentro e fora do ser. Aqui [Capão Redondo] eu vejo muito moleque rimando que não sabe nem escrever direito. os trabalhadores. 2005. carente de infraestrutura e estereotipado pelo sistema. representatividade.. pois “podem acarretar mais danos a um corpo já cansado. Ferréz colhe os louros do reconhecimento por seu trabalho. (NASCIMENTO. Ferréz sugere que seus contos sejam lidos com precaução e cuidado. se você tiver o dom você faz. espaço para uma visão romântica do leitor. colocando no papel coisas que muito intelectual nem sonha em pensar.” (FERRÉZ. Para Ferréz. assim. Não há.. compreendendo que seu trabalho na e para a periferia precisava de muito mais: mais livros e mais histórias a serem contadas. Ferréz respondeu que prefere a arte. (.

a metodologia mais adequada foi realizar o estudo de caso. Questões relevantes ao estudo de caso. Procedimentos de campo. Definidos os principais elementos que compõem uma pesquisa científica. loja 1DASUL. além de conter o instrumento para a coleta dos dados. na escola. Fórum de Desenvolvimento patrocinado pelo Instituto 1DASUL etc. com a questão principal e com as prováveis hipóteses formuladas. terceira. agrega alguns procedimentos e regras gerais que foram seguidas para a correta utilização da metodologia: 1º. pecado. b) referencial teórico sobre Literatura Marginal e sobre os conceitos de periferia e de educação. as seguintes hipóteses sobre este sujeito foram formuladas: primeira. eventos de divulgação do Selo Povo. Este protocolo. questões e leituras importantes sobre o tópico. segunda. permitindo ao pesquisador “uma investigação para se preservar as características holísticas e significativas dos eventos da vida real” (p. Um determinado protocolo foi utilizado para esta pesquisa.11 Por meio destes questionamentos. Segundo Severino (2010). o estudo de um caso em particular deverá ser significativo e bem representativo. teve um (ou mais) episódios formativos que o despertou entusiasticamente para a literatura. fé. Fichamento das obras. ódio. organizacionais. Desse ponto em diante. educação etc. de modo que representará um conjunto de casos análogos. 21). Visão geral do projeto de estudo de caso. sociais e políticos. e. considerado superdotado. Ferréz faria parte dos jovens com capacidade de aprendizagem muito acima dos outros. tais como a) levantamento das publicações de Ferréz. todas as hipóteses acima são complementares. quarta e última hipótese. 4º. como mapeamento de alguns apresentados por Ferréz (periferia. embora favorecido com uma média intelectual acima de seus colegas. seguindo as recomendações feitas por Yin (2001). transcrição de entrevistas e acompanhamento de documentários. utilizar o estudo de caso como metodologia de pesquisa poderá contribuir de forma inigualável com o conhecimento de fenômenos individuais. De acordo com Yin (2001). textos em blogs.). Ferréz educou-se de maneira diferenciada daquela considerada como uma educação formal. 2º. 3º.). com objetivos. favelado. o próximo passo foi a realização de uma releitura das obras gerando um mapeamento dos . Ferréz. apesar de participar de um mesmo contexto social que os demais moradores do bairro. como visitas aos espaços relacionados à pesquisa (Ensaiaço. c) hipóteses abordadas.

com análise de conteúdo. portanto. pois para escrever um livro é preciso. A literatura. na escrita de um grupo por meio de um coletivo marginalizado reflexivo. não pode ser considerada imutável. fé. Em sua conhecida obra O que é Literatura?. mas compreender como sua formação e como suas experiências contribuíram para determinar uma espécie de ideologia pedagógica do autor. Optou-se por apenas três devido a frequência com que são citados pelo autor nas obras e nas diferentes publicações analisadas e pela constatação de que tais conceitos foram pouco discutidos em outras quatro dissertações. Benevenuto (2010). tal como . que discutem a temática da Literatura Marginal e a obra de Ferréz. refletir. ferrado. 30). 2010. No entanto. constatou que esse tipo de escrita tem por objetivo provocar. Escrever é um ato de liberdade que se propaga. Percebe-se. p. analisando os escritos da literatura marginal para a sua dissertação de mestrado. adquirida por meio de leituras e interpretações do autor estudado. favelado e educação). e é nessa relação que o escritor marginalizado procura espaço.12 principais conceitos para a análise. favelado. escola. foram elencados nove conceitos mais pertinentes a nossa análise (periferia. que a Literatura Marginal tornou-se autônoma e. A pesquisa realizou uma abordagem qualitativa. ódio. com categorias fixas e permanentes ou meramente definida como “bela. tornando o leitor livre para a compreensão e para o engajamento de novos ideais que circundam o cotidiano. Com esse mapeamento. universal e eterna” (BENEVENUTO. não temos a pretensão de realizar uma análise crítico-literária de sua obra. anteriores aludidas. ao assumir-se nesse sentido. antes de tudo. Sartre lembra que a função do escritor é fazer com que ninguém possa ignorar o mundo a sua volta e considerar-se inocente diante dele. assim. sendo apenas três selecionadas para o estudo (periferia. educação e sistema). assim como por aquele que a lê. constantemente redefinida por aquele que a escreve. socialmente construído na prática comunitária. A literatura é uma representação artística de uma transformação social e histórica. a arte inicia um novo ponto de partida. CONSIDERAÇÕES FINAIS A literatura conforma a relação do homem com o mundo exterior. segundo Bachelard (1998). procura ser parte de uma mudança estrutural. pecado. causar indignação até que a ação se faça necessária para a mudança das coisas.

visando o controle dessa população. rompendo com o entendimento linear e hierárquico. Ao discurtir sobre autores da literatura marginal. fora do chamado padrão literário. ao “dar voz às agruras”. a partir da experiência do sujeito. essas vozes sobressaem-se por um instante. advindas de outras . Já para Santos (2008). embora ainda oprimida de fora para dentro e de dentro para fora. “na qual vale mesmo que a própria violência venha à tona em resposta a violência sofrida” (p. 63). O espaço torna-se coletivo. resultando numa consciência coletiva.13 elas estão dadas. incentivando a sua invisibilidade e transferindo a esse sujeito a responsabilidade pelas mazelas da pobreza. de acordo com Santos (2008). no entendimento desses. incentivando um grande pacto coletivo de união de forças e questionando as vidas lançadas ao desprezível e ao intolerável. Sendo a periferia é um espaço cultural e socialmente diversificado. Neste momento. o autor observa que. uma resposta considerada justa. engajando-se na sua função de escritor e tornando-se porta-voz daquele que lê. o importante para essa literatura é ser “do contra”. a comunidade cria sua própria lógica da vida. pela insignificância e pelo anonimato. mas a compreende “de dentro”. ou seja. uma vez que atua de dentro e não consegue desprender-se das situações diárias. da própria marginalidade. assim. O escritor da periferia teria. não permitindo a ele se desvincular das suas raízes. quase sempre. falar contra o discurso hegemônico. justamente em razão de a história ganhar força como “criação”. Para Velloso (2007). Segundo Oliveira (2009). de marginalizado. conhecendo sua relação de oprimido-opressor e divulgando suas ideias para que o (a) oprimido (a) possa também se conscientizar. consciência da sua condição de periférico. desta forma. ou seja. divulgando as ideias antes de serem exterminadas ou banidas pela invisibilidade. a violência é a resposta ao caos proporcionado pela burguesia. De acordo com Benevenuto (2010). de uma ideologia que não idealiza nem universaliza a condição humana. usando como veículo de protesto a escrita. o desenrolar dos acontecimentos. traçar um perfil único para o (a) periférico (a) é aceitar uma imposição hegemônica. Santos (2008) observa que. é a partir desta circunstância que essa literatura se revestirá de certo realismo. as influências e as expressões artísticas manifestam-se. conduzindo. a literatura marginal surgiu nos meios acadêmicos como uma arma. esta é uma escrita que alude ou compactua com objetivos do rap advindo das periferias de São Paulo. embora percam o controle sobre os próprios personagens. nesse contexto. E. capaz de transformar ou contar ao menos uma história silenciada. essa literatura estaria na contramão da bemsucedida tradição literária.

o rap e a cultura Hip Hop3 etc. o que nos levou a assumir. Ferréz transformou este processo em literatura. Suas ações nos levam a compreender melhor que pode haver – e que de fato há.. responsável pela formação de um sujeito marginalizado. música e atuação pedagógica. “o rapper da literatura”. no espaço estudado – uma descentralização do conhecimento e dos processos de adquiri-lo. 3 Apesar de a cultura Hip Hop ser fruto dos conhecidos guetos norte-americanos. luta pela liberdade de seu ser e pela liberdade de seu entorno. ou no presente caso. periférico e paralelo pertencem à mesma família semântica. Ferréz passou pela escola. entender ao menos como este periférico experienciou um processo educacional diferenciado do que normalmente é visto no contexto em que vive e como interferiu. como o funk carioca. buscamos. de forma direta. levando-nos a inferir que o ensino paralelo seria. utilizando a arte como processo transformador de uma realidade violenta. 2005) . um mesmo significado atribuído aquilo que está distante do centro. por meio dessa pesquisa. redefinindo-se na cultura musical e corporal brasileira (TONI C. Já que descobrir exatamente como um morador da periferia se educa parece ser uma questão de difícil resposta – uma vez que todo ser humano tem a capacidade de educar-se a partir de experiência múltiplas e contínuas –. sobretudo. no Brasil essa manifestação agregou adeptos da periferia. sobreviveu à periferia e implementou novos modos de formação/educação em sua comunidade. no processo educional de sua comunidade.14 expressões. a cultura afrodescendente. neste trabalho. que. o resultado de uma junção de fatores sociais e educacionais. a principal intenção desta pesquisa é possibilitar e contribuir com novas perspectivas de definição da educação. a partir de uma formulação idealizada pelo próprio Ferréz. Marginal. o conceito de ensino paralelo. desconstruindo um conceito fechado e limitado e refazendo-o a partir da leitura de mundo de um sujeito pouco comum: o “mano da periferia”. entre outras coisas. Essa definição resulta dos estudos aqui realizados e procura demonstrar que. no final das contas.

São Paulo: 2011. Acesso em: 06/03/2011. Pensamentos de um correria.uol. 2009.htm.blogspot. Capão Pecado. 1. São Paulo: Labortexto. São Paulo: http://ferrez. _______. Fortaleza da Desilusão. _______. Professores. Textos em blogs FERRÉZ. Rio de Janeiro: Objetiva. _______. Disponível em: http://ferrez. Acesso em: 06/03/2011. Textos literários FERRÉZ. Acesso em: 06 de março de 2011.1. O que é 1da Sul e qual o primeiro trabalho social? São Paulo: 2011. _______(org).blogspot. Rio de Janeiro: Objetiva. _______. _______. Manual prático do ódio. _______. O que é Selo Povo? São Paulo: 2009.15 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. São Paulo: 2010. São Paulo: 2008. _______. 2006.com. Disponível em: http://ferrez.com.com. Processo acatado.e. 2005. Feito. Disponível em: http://ferrez. _______.. 1997. vendido e usado. O que é 1da Sul? São Paulo: 2005. Rio de Janeiro: Agir. Disponível em: http://instituto1dasul. Acesso em: 29/03/2011. 1. Disponível em: http://instituto1dasul. Disponível em: http://www1.2.blogspot. Textos de Ferréz 1. Acesso em: 06/03/2011. Cronista de um tempo ruim. 2003.com. 2005.com. Rio de Janeiro: Objetiva. Folha de São Paulo.folha.com.com. São Paulo: Selo Povo. _______.br/fsp/opiniao/fz0810200708. _______. missionários da cidadania. Ninguém é inocente em São Paulo. Disponível em: 2007. São Paulo: s. _______. São Paulo: 2007. Acesso em: 05/04/2011. Disponível em: http://ferrez.blogspot. Entrevistas .blogspot.blogspot. Amanhecer esmeralda. Acesso em: 06 de março de 2011. Literatura marginal: talentos da escrita periférica.com.3. _______.blogspot. Acesso em: 10/09/2011. 2000. Instituto 1 da Sul e a expansão do Interferência.

“Depoimento [2004]”.COM. Dagmar. Carlos Rodrigues. Paulo.com. por Antonio Abujamra. “Entrevista Ferréz”. Amilcar. _______. Gaston.e. ___________. “O novo romance de Ferréz sobre pessoas que amam e odeiam em explosivas proporções”.l. Caros Amigos. Acesso em: 20 de junho de 2010. Vol.tvcultura. Ação cultural para a liberdade e outros escritos. Nº. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo.doc. ___________. São Paulo: Cortez. Pedagogia do Cuidado. Disponível em: http://midiaindependente. Educação e mudança. por André Hermann et al. O que é educação. A escrita como arma: uma análise do pensamento social na Literatura Marginal.edu. EDITORAS.editoras. (Dissertação de Mestrado) BRANDÃO. 1. Paraíba. 151.4shared. Referencial teórico ANTUNES. 2001b. s. 2008. 2005. Unidade e Luta (Livro em PDF.) Disponível em: http://www. s. “Depoimento [2011]”.htm.ccha. _______. 12-16.d.. São Paulo: Programa Provocações. “A denúncia social na obra `Capão Pecado´ de Ferréz sob o paradigma da Literatura Marginal”.htm. A Educação na cidade.d. 1979.ueps.shtml. Nº. Disponível em: http://www. 2010. Silvana José. 2002a. Política e educação. Anais da V Semana de Letras – linguagens e entrechoques culturais: língua. Universidade de São Paulo. 1993. São Paulo: Brasiliense. BENEVENUTO. Direção Roberto T.br/GT0505. 2. ano XIII.16 FERRÉZ. p. Ferréz e Negredo.com/objetiva/564_6. Acesso em: 06/03/2011. s. Petrópolis: Editora Vozes. São Paulo: Faculdade de Filosofia e Ciências. 2001a. por Léo Pinheiro. Celso.. Acesso em: 31/01/2011. outubro de 2009. BACHELARD. s. Maria Udienes Ferreira Cavalcante.com/document/5DzmIcs0/amilcar_cabral_unidade_e_luta. _______. Oliveira. Disponível em: http://www. GARROUX. São Paulo: Documentário 100% Favela II. São Paulo: s. 187. “A periferia pode explodir a qualquer momento!”. A poética do espaço. Disponível em: http://entrechoques. 2007. CABRAL. ___________. . Acesso em: 28/11/2010. DINIZ. Rio de Janeiro: Paz e Terra.org/pt/red/2005/04/313448. São Paulo: Cortez. Acesso em: 01/05/2010. 2010. São Paulo: Martins Fontes.br/provocacoes.p. Revista Paradoxo. FREIRE. literatura e cultura brasileira.

Carolina Correia. Porto Alegre: Bookman. Rio de Janeiro: Paz e Terra.br/index. Rejane Pivetta de. 2007. Pedagogia do oprimido. In: KHEL. FREIRE. (org). Hip Hop a lápis. Artigos e ensaios. 01. jan/2011. Erica Peçanha. (Dissertação de Mestrado) YIN.php?option=com_content&task=view&id=977&Ite mid=2. São Paulo: Cortez. jan/jun 2009. LEITE. Disponível em: http://www. Sérgio. KHEL. Faculdade de Filosofia. Vol II. 2002b.br. Disponível em: http://www.mariaritakhel. Metodologia do Trabalho Científico. Disponível em: http://www. Paulo.org/index. 2007. São Paulo. Letras e Ciências Humanas. A literatura marginal-periférica na escola. 2005 FREIRE. 1993. Paulo. Mei Hua. SOARES. Universidade Federal de Minas Gerais. NOGUEIRA. s. “A frátria orfã”.d. Universidade de São Paulo. Pedagogia da esperança. Porto Alegre.ufrgs. . Robert K. CAPÃO PECADO: sem inspiração para cartão-postal. Nº. Adriano.17 ___________.psc. São Paulo: CEMJ. GUIMARÃES. Eleilson. Acesso em: 11 de junho de 2010. OLIVEIRA. Sobre educação: diálogos.php/nauliteraria/article/viewfile/9759/5786. 2008 (Dissertação de Mestrado) TONI C. 2009. Que fazer: teoria e prática em Educação Popular. Faculdade de Letras. Capão Pecado e a construção do sujeito marginal. São Paulo. Maria Rita. Vol. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Petrópolis: Vozes. Universidade de São Paulo. 2005. O5. São Paulo. O que é literatura? São Paulo: Editora Ática. Acesso em: 01/08/2011. Revista eletrônica de crítica e teoria de literaturas. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2001. Vozes Marginais na Literatura. “De Coetze a Ferréz: lições de humanismo e realismo”. Um reencontro com a pedagogia do oprimido. ___________. SANTOS.acaoeducativa. Estudo de caso: planejamento e métodos. SEVERINO. Maria Rita. Luciana Mendes. Acesso em: 05/06/2010. “A periferia toma conta!” Le Monde Diplomatique Brasil. Faculdade de Educação. Jean Paul.seer. 2002. NASCIMENTO. VELLOSO. São Paulo: Aeroplano. Antônio Joaquim. 2008 (Dissertação de Mestrado) SARTRE. 1984.

com. participação de Chico César e Lourenço Mutarelli.com http://instituto1dasul.com. participação de Ferréz. 4.favelatomaconta.editoras.1dasul. Sites http://www.capao.com.com http://www.coladaweb.com.com. Oliveira e João Wainer.tvcultura.com/objetiva/564-6.suburbanoconvicto.com. http://www.mariaritakehl.buzo.18 3.org http://www.midiaindependente.com http://www. “LITERATURA E RESISTÊNCIA” (2009) – direção e produção: Ferréz.org http://negredo.com http://paginadacultura. Tia Dag e outros membros da comunidade.br http://www.br http://www. “100% Favela – II” (2011) – direção: Roberto T.acaoeducativa.br http://www.travessa.blogspot.ferrez.com.blogger.br http://ferrez.blogspot.blogspot.br/br/nossosautores/ http://www.tvcultura. Oliveira.br http://www.htm.com.psc. Ferréz e Negredo.br/manoseminas/buzao .br/AMANHECERESMERALDA http://www.com. Documentários “A PONTE” (2007) – direção: Roberto T.br http://www.br/provocacoes http://www.com/cultura/dialetos-de-sao-paulo http://www.blogspot.