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ARTES

ARTES

POVOS PRÉ-HISTÓRICOS E PRIMITIVOS; A-


MÉRICA ANTIGA
Se partirmos do significado da arte como exer- o fato refletia-se em suas representações naturais ao
cício de atividades, como o processo de edificação de desenhar como observavam. Sua pintura era parte de
uma casa ou templo tem-se que nenhum povo existe um ritual, no qual se pretendia interferir na captura de
ou existiu no mundo sem arte. Por outro lado, enten- animais.
demos a arte como aquilo que é belo o artigo de luxo A imagem aqui apresentada trata do estudo do
deleitados em museus e exposições. período neolítico em que observamos as diversas al-
Ao recuarmos na história, diversas são as fina- terações ocorridas, que podem ser a confirmação que
lidades que se crê serem servidas pela arte. Entre os precisávamos ter de que eles representavam tanto o
mais ancestrais, citando aqui os “primitivos”, não que viam como o que viviam.
porque se tornaram mais simples do que nós, mas pe-
lo seu processo racional. Entre os primitivos não há
diferença entre fazer a imagem em relação ao que se
refere a utilidade.
Nesses estranhos começos, se procurarmos pe-
netrar na ação pensante dos povos desse período, à
compreensão da imagem representada é algo podero-
so a ser usado e não contemplado e belo.
Quando foram descobertas em paredes de ca-
vernas e em rochas na Espanha e no Sul da França os
estudiosos passaram a crer que as representações a-
nimadas, naturais e vigorosos dos animais pudessem Pinturas rupestres encontradas em Tassili, região do Saara
ser feitas por homens na Era Glacial. (cerca de 4500 a.C) (1.2.)

Por isso o início do texto menciona a questão


do processo do primitivo, e não de uma classificação
artística, de função ou de estética.
Ainda existem povos primitivos limitados ao
emprego de ferramentas de pedra raspando imagens
rupestres de animais para fins mágicos. Muitas tribos
celebram festividades regulares, nas quais se vestem
como animais e como eles se movimentavam em
danças solenes e rituais.
Cada família tem de fato suas próprias tradi-
ções e predileções, sem as quais a árvore não parece
ficar adequada. Todavia, quando chega o grande
Pré - História cerca de 15.000 anos a.C., Bisonte, Caverna de
momento de decorar a árvore, ainda resta muita coisa
Altamira, Espanha.
por decidir.
(1.1)
A arte primitiva funciona justamente de acordo
A imagem (1.1) do Bisonte é um exemplo do com essas diretrizes preestabelecidas, mas permite ao
período Paleolítico, em que seus artistas viviam ex- artista margem bastante para revelar sua índole O
clusivamente da caça, a organização das imagens e- domínio técnico de alguns artífices tribais é deveras
ram distribuídas de forma sobreposta, com variação surpreendente.
de pigmentação amarela, vermelha, branca e a preta,
lembrando que o preto auxiliava ao desempenho das
formas, assim como as saliências das cavernas pro-
porcionavam volume. Os primitivos desse período
não tinham uma vida de organização desenvolvida e

Editora Exato 1
ARTES

EGITO
A história da arte como um esforço contínuo não se propuseram a bosquejar a natureza tal como se
não começa nas cavernas do sul da França nem entre lhes apresentava sob qualquer ângulo fortuito. Dese-
os índios norte–americanos. Todos sabemos que o nhavam de memória, contrários aos primitivos que
Egito é a terra das pirâmides, montanhas de pedra observavam, e submetidos a regras estritas, as quais
que, de fato, tinham importância prática aos olhos asseguravam que tudo o que tivesse de entrar no qua-
dos reis e seus súditos. O faraó era considerado um dro se destacaria com perfeita clareza.
ser divino que exercia completo domínio sobre seu Na representação do corpo humano, a cabeça
povo e que, ao partir deste mundo, voltava para junto era mais facilmente vista de perfil, de modo que eles
dos deuses dos quais viera. As pirâmides, erguendo- a desenhavam lateralmente. O olho humano, se ob-
se em direção ao céu, ajudá-lo-iam provavelmente a servarmos, era representado de frente e era plantado
realizar essa ascensão. Os egípcios acreditavam que o na vista lateral da face. Os ombros e o tronco são vis-
corpo tinha que ser preservado a fim de que a alma tos melhor de frente, pois assim observamos como os
pudesse continuar vivendo no além. Em toda a volta braços se ligam ao corpo. Braços e pernas posiciona-
da câmara funerária, eram escritas fórmulas mágicas dos com intenção de movimento, porém, vêem-se
e encantamentos para ajudá-los em sua jornada para o com muito mais clareza de lado. Esta técnica ficou
outro mundo. Um nome para designar o escultor era: conhecida como Lei da Frontalidade (2.2.).
“Aquele que mantém vivo”.
A religião se tornou o fator de maior relevância
para os egípcios, e a morte o grande argumento para
sustentação do poder e da arte.
Na quarta “dinastia” do “Antigo império”, den-
tro das características peculiares da arte, os escultores
não eram fiéis à realidade. A observação da natureza
e a regularidade do todo são equilibradas de um mo-
do tão uniforme que essas cabeças nos impressionam
por sua expressão de vida, sendo, no entanto, remotas
Baixo relevo de um túmulo próximo de Sacará
e permanentes. Podemos estudá-las melhor nos rele- (Cerca de 2500 a.C.). Museu do louvre, Paris. (2.2.)
vos e pinturas que adornavam as paredes dos túmu-
los. As pinturas e os modelos encontrados em A regra para a arte egípcia permitia incluir tu-
túmulos egípcios estavam associados à idéia de for- do o que consideravam importante na forma humana;
necer servos para a alma no outro mundo, uma crença supõe-se ter algo a ver com a finalidade mágica da
que é encontrada em muitas culturas antigas. representação pictórica.
Representavam o que eles sabiam fazer, da
pessoa ou de uma cena, partiam de formas aprendidas
e dele conhecidas, construía figuras a partir do mo-
mento que suas formas podiam ser dominadas. Não
se tratava apenas do conhecimento técnico, mas pelo
conhecimento que eles tinham do significado das
formas representadas.
Um outro exemplo na arte egípcia em relação
ao significado de suas figuras destinava à separação
de aspecto social, representar a figura de um chefe
maior em uma comunidade egípcia, seu tamanho em
relação às outras figuras destacava-se.
O estilo egípcio incorporou uma série de leis
bastante rigorosa e todo artista tinha que apreendê-las
O jardim de Nebamun, c. 1400 a.C. Mural um tumulo em Tebas, desde muito jovem. Estátuas sentadas deviam ter as
64 x 74,2 cm; British Museum, Londres. mãos sobre os joelhos; os homens eram sempre pin-
(2.1.) tados com a pele um pouco mais escura que as mu-
lheres; aparência rigorosamente estabelecida.
A tarefa do artista consistia em preservar tudo
com maior clareza e permanência possível. Assim,

Editora Exato 3
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GRÉCIA, SÉCULOS VII A V A.C


Entre os diferentes climas temperados do mar comunidades, mas nenhuma delas conseguiu-se do-
nas múltiplas ilhas, grandes e pequenas, do mediter- minar todas as outras.
râneo oriental e nas costas recortadas por inúmeras Quando os artistas começaram a fazer estátuas
enseadas das penínsulas da Grécia a Ásia Menor es- de pedras, partiram do ponto em que os egípcios pa-
tavam o povo cretense cuja arte foi copiada no conti- raram, estudaram e imitaram seus modelos, dos quais
nente grego, sobretudo em Micenas. aprenderam como reproduzir a figura de um jovem
Nos primeiros séculos de sus domínio sobre a de pé, marcando as divisões do corpo e os músculos
Grécia, a arte dessas tribos ora bastante rude desgra- que o mantêm unido, os artistas apresentam-se de
ciosa e primitiva. Nada existe nessas obras que lem- forma que se limitava em obedecer a fórmulas fixas
bre, mesmo de longe, o alegre movimento do estilo por melhor que elas fossem.
cretense, pareciam superar até os egípcios em rigidez. Contrários aos egípcios que baseavam sua arte
As cenas representadas faziam parte do desenho aus- no conhecimento, os gregos usavam seus próprios o-
tero e rigoroso. lhos, o sorriso de suas escultura surgia de uma expe-
Na Grécia do século VI a.C., os artistas dos an- riência embaraçada, com uma postura rígida parecia
tigos impérios orientais tinham – se empenhado em criar impressão de falsidade.
obter um tipo peculiar de perfeição. Sobre a pintura egípcia pouco se soube, algu-
As tribos gregas tinham-se instalado em várias ma maneira que se pode formar uma vaga idéia de
cidades pequenas e em portos de abrigo ao longo da seu surgimento está em observar as decorações em
costa. Havia muita rivalidade e atritos entre essas cerâmicas. Neles também se encontram os vastos mé-
todos egípcios.

Figura 1 Figura 2

A desoedida do guerreiro, c. 510 - 500 a.C.


Aquiles e Ájax jogando damas, c. 540 a.C. Vaso em estilo de “Figuras vermelhas” , assinado
vaso no estilo de “ iguras pretas” , assinado por Eutímedes; altura 60 cm; Staatliche
por exekias; altua 61 cm; Museu Etrusco Vaticano. Antikensammlugen und G lyptothek, Munique.

Começaram assim a representar como real- Podemos concluir que o artista tinha a intenção
mente viam, foi justamente através desses artistas que de imitar um rosto real, com todas as suas imperfei-
surgiam a técnica do escorço. Exemplo apresentado ções, mas o modelava a partir de seus conhecimentos
na figura 2. sobre a forma humana.
Passou-se a ter a pretensão de levar em conta o Século IV a.C a I d. C A Beleza do Im-
ângulo de onde o artista via o objeto, logo as técnicas pério Grego
mudavam-se aos poucos, e era possível notar os níti-
O artista revela-se agora orgulhoso do seu i-
dos contornos, incluindo-se o conhecimento do corpo
menso poder e gradualmente durante o século IV dis-
humano. Amantes das linhas firmes e planos equili-
cutiam pinturas e estátuas como discutiam poemas e
brados.
Editora Exato 4
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teatro e elogiavam suas beleza ou criticavam sua Outra religião Oriental que aprendeu a repre-
forma e concepção. sentar suas histórias sagradas para a construção dos
Durante todo o século, os artistas estiveram crentes foi a judaica. Mesmo pela proibição que tinha
analisando se empenhavam em insuflar cada vez em relação às imagens, temendo a idolatria. Suas i-
mais vida nos corpulentos modelos antigos. magens distanciavam da realidade justamente pelo
Século I a IV d. C medo de pecar, e as imagens apenas restringiam-se a
A maioria dos artistas que trabalhavam em lembrar, pois, a manifestação do poder de Deus.
Roma eram gregos, e a maioria dos colecionadores Foi exatamente através deles que surgiu a pri-
romanos adquiria obras dos grandes mestres gregos meira representação de Jesus, apesar das origens da
ou cópias dessas obras. A esses artistas foram confia- arte cristã estarem ainda mais longe.
das diferentes tarefas e eles tiveram, por conseguinte,
que se adaptar aos novos métodos.
O mais citado do edifício é o Panteão, templo
dedicado a todos os deuses. O único templo da anti-
guidade clássica que sempre se conservou como local
de culto.

Cristo com São Pedro e São Paulo, c. 389


d. C. Relevo em mármore do sarcófago
de Junius Bassus; cripta de São Paulo, Roma.

Os primeiros artistas chamados a pintar ima-


gens para lugares cristãos de sepultamento – as cata-
cumbas humanas. A representação pictórica deixara
de existir como uma coisa bela por si mesma. Seu
principal intuito era recordar agora aos fiéis um dos
exemplos do poder e da misericórdia de Deus.
Começava a separar os ideais de fiel imitação,
O interior do Panteão, Roma, c. 130 d. C. Pinturas atentando-se à idéia de clareza e simplicidade, procu-
de G.P. Pamini, Santeuns Museum for kunst, Copenhague. rando o máximo de nitidez e objetividade.
A arte primitiva cristã pode ser comparada à
Os romanos agiam dentro de seu principal ob- tentativa infantil de se criar um desenho. De traços
jetivo, narravam as façanhas de um herói e procura- simples e contornos toscos, suas imagens eram priva-
vam o grande valor para as religiões. das de apuro técnico, pois não eram executadas por
A arte grega e romana, que tinha ensinado o artistas profissionais e sim por homens simples da
homem a visualizar deuses e heróis com belas for- sociedade cristã ainda perseguida pela proibição ao
mas, também ajudou os indianos a criar uma imagem cristianismo.
do seu salvador. Suas imagens giravam em torno dos símbolos
cristãos, como a âncora, a palma, a cruz e o peixe,
símbolo predileto dos cristãos.

Cabeça do Buda, século IV - V d.C. Encontrada em Hadda,


Afeganistão (Antiga Gandhara); estuque com traços de
pigmentos, altura 29 cm, Victoria Albert Museum, Londres.

Editora Exato 5
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O GÓTICO
O estilo romântico não sobreviveu sequer ao permitiam que significado e mensagem pudessem ser
século XII, permitindo nascer na França setentrional entendidos e meditados pelos fiéis.
o aparecimento do estilo gótico. A tarefa dos pintores nórdicos era a iluminação
As diferenças inovadoras foram descobertas de manuscrito; observe “o sepultamento de cristo”:
pelo método de alobar uma igreja por meio de arcos “Mostra-nos semelhante importância em expor
transversais, desejaram empregar pilares leves e os sentimentos das figuras. A virgem debruça-se so-
“costelas” estreitas nas arestas da abóbada. Passou a bre o corpo morto de Cristo e S. João entrelaça a
ser o ideal dos arquitetos construir igrejas quase à mão, numa atitude de profundo pesar”.
maneira como hoje se constrói estufa. No século XIII,a época das grandes catedrais, a
Surgia uma idéia dominante das catedrais góti- França era o mais rico e o mais importante da Euro-
cas, desenvolvidas ao norte da França durante a 2ª pa. Somente na segunda metade século XIII é que um
metade do século XII. escultor italiano começou a seguir o exemplo dos
O princípio de cruzamento de “nervuras” não mestres franceses e a estudar os métodos da escultura
foi suficiente, foi preciso unir segmentos de arcos – clássica a fim de representar a natureza de modo mais
criando os arcos mais achatados ou pontiagudos, se- concrescente.
guindo as exigências da estrutura. A arte italiana encontrou o pintor genial floren-
No interior de uma catedral gótica somos leva- tino Giotto de B. As mais famosas obras de Giotto
dos a compreender complexas interações de traços e são os murais ou afrescos (pintura ainda fresca, ou
pressões que mantêm a grandiosa abóbada em seu lu- úmida).
gar. Todo o interior parece tecidos delicados, fustes e Ele criou a ilusão de que a história sagrada es-
nervuras e ao longo as paredes da nave parecem reu- tava acontecendo diante dos nossos olhos, já não era
nir no capitel dos diversos pilares que são formados suficiente examinar as representações mais antigas da
por um feixe de varas de pedras. mesma cena e adaptar aqueles modelos consagrados
Eram formadas de vitrais policromos que refu- pelo tempo a um novo uso.
gam como rubis e esmeraldas. Os pilares, nervuras e Observe a obra, o tema é o velório em torno do
rendilhados despendiam cintilações douradas. corpo de Cristo, a virgem abraçando-lhe pela última
Nos portais, as figuras esculpidas que se aglo- vez.
meram nos poéticos das grandes catedrais góticas

Editora Exato 6
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Variou o tamanho das figuras de modo a en- uma vez que os interesses enveredaram por esse ca-
caixá-la bem na página, e se tentarmos imaginar as minho, a arte medieval podia realmente considerar-se
figuras em 1º plano e S. João ao fundo – com Cristo e no fim. E a partir daqui chegamos a tal grandioso pe-
a Virgem, percebe-se que tudo está espremido e que ríodo renascentista.
o artista não se importou com problemas de espaço. O início do século XV, conquistando a
Para Giotto, o observar é como uma testemu- realidade
nha do que estava acontecendo, ele mostra de modo
O renascimento ganhava terreno na Itália des-
tão convincente como cada figura reflete a dor pro-
de a época de Giotto, e ali mesmo a idéia de renasci-
funda suscitada pela trágica cena que não podemos
mento associava-se, na mente dos romanos, à idéia de
deixar de pressentir a mesma aflição nas figuras aga-
ressurreição da “grandeza de Roma”.
chadas, cujos rostos não podemos ver.
Os italianos do século XIV acreditavam que a
Como o trabalho continuava no século XIV,
arte, a ciência e o saber haviam florescido no período
vem-se a ambição dos grandes bispados por podero-
clássico, que todas essas coisas foram destruídas pe-
sas catedrais. Podemos dizer que o gosto do século
los bárbaros do Norte e que a eles cabia a missão de
XIV se inclinava mais para o refinado do que para o
reviver o passado glorioso.
grandioso.
O líder foi o arquiteto Fillipo Brunelleschi, que
Em sua arquitetura, já não se contentavam com
decidiu descartar inteiramente o estilo tradicional a-
os métodos e majestosos contornos, gostavam de exi-
dotado e ansiava pelo modelo romano.
bir sua habilidade na decoração e nos rendilhados
Tinha como intenção que as formas da arquite-
complexos. Há quem afirme que as obras mais carac-
tura clássica fossem desenvolvidas de formas livres
terísticas deste século são os trabalhos menores em
usadas para criar novos modos de harmonia e beleza.
metais preciosos ou marfim, em que o amor dos pin-
Brunelleschi não foi apenas o pioneiro da ar-
tores do século XIV por detalhes graciosos e delica-
quitetura da Renascença, mas também dominou toda
dos é visto em manuscritos iluminados, e o método
a arte de séculos subseqüentes: a da perspectiva,
de contar a história continua um tanto irreal.
culminou colunas, pilastras e arcos à sua própria ma-
Somente no decorrer do século XIV é que os
neira, a fim de lograr um efeito de leveza e elegância
dois elementos dessa arte, a leve narrativa e a obser-
diferente de tudo o que se construíra antes.
vação se conjugaram gradualmente.
Foi Brunelleschi quem forneceu a artistas mei-
Giotto foi contemporâneo do grande poeta flo-
os técnicos para solucionar esse problema. E o entu-
rentino Dante, que o menciona na divina comédia.
siasmo que isso causou entre os seus amigos pintores
Esses, entre outros artistas do século XIV, pintaram
deve ter sido imenso.
copiando da natureza, o que desenvolveu a arte retra-
A figura a seguir trata de um mural numa igre-
tista.
ja florentina representando a Santíssima trindade com
A Boêmia tornou-se um dos centros através do
a Virgem e S.João sob a cruz, e os doadores – um ve-
qual essa influência, oriunda da Itália e da França,
lho mercador e sua esposa – ajoelhados do lado de
propagou-se mais amplamente, alcançado contato a-
fora.
inda com a Inglaterra. A Europa da igreja latina ainda
O artista que representou tal grandiosidade
era mais vasta. Artistas e idéias circulavam livremen-
chama-se Masaccio, que significa “desejeitado”, sua
te de um centro para o outro, e ninguém pensava em
arte não constituía apenas a perspectiva elaborada na
rejeitar uma realização por ser “estrangeira”. O estilo
pintura, mas elaborou através da simplicidade e gran-
surgiu do intercâmbio em fins do século XIV, é co-
deza das figuras que eram emolduradas por essa nova
nhecido entre os historiadores como o “estilo interna-
arquitetura.
cional”.
Figuras maciças em sólidas formas angulares e
Os artistas desse estilo aplicaram a mesma ca-
a presença de um túmulo sombrio com um esqueleto
pacidade de observação e o mesmo prazer em coisas
acima, substituindo a delicadeza das flores e pedras
belas e delicadas sempre que retrataram o mundo à
preciosas.
sua volta. Tinha o costume da Idade Média ilustrar
calendários com quadros das diversas ocupações ca-
racterísticas dos sucessivos meses: se menteira, caça,
colheita etc.
Aqui era possível colocar todo o conhecimento
adquirido da natureza a serviço da arte religiosa, co-
mo os mestres do século XIV tinham feito. Havia o
treino antes das antigas fórmulas para representar as
principais figuras da história sagrada. Sendo assim,

Editora Exato 7
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tante determinado na reprodução minuciosa de cada


detalhe em sua pintura.
Os artistas aqui citados até agora tinham de-
senvolvido um método pelo qual a natureza podia ser
representada num quadro com exatidão quase cientí-
fica. Começavam com uma estrutura de linhas em
perspectivas, e construíam o corpo humano graças
aos seus conhecimentos de anatomia e das leis da na-
tureza, mediante a paciente adição de detalhe, até que
a tonalidade da sua pintura se convertesse num espe-
lho do mundo visível.
Jan foi o inventor da pintura a óleo, os artistas
tinham que preparar suas tintas extraídas de plantas e
minerais, adicionado um líquido aos pigmentos ad-
quiridos, a fim de convertê-los em uma pasta.
Observe a obra em que descreve o espelho da
realidade, onde nada lhe faltava: o tapete e os chine-
los, o rosário na parede, entre outros detalhes.

Entre os maiores escultores, citamos Donatel-


lo, o qual transmitia a suas imagens uma impressão
de vida e movimento, cujos contornos permanecem
claros e sólidos como uma rocha. Ele nos revela, as-
sim, tirar uma nova representação através da obser-
vação na natureza.
Jan Van Eyck – Os ensaios dos Amolfini, 1434. Óleo sobre madeira, 81,8
O estudo do corpo humano era inevitável e pa- x 59,7 cm: Nacional Gallery, Londres
ra realizá-lo solicitava a seus colegas artistas que po- O pintor foi chamado a registrar esse importan-
sassem para ele em atitude requerida, a fim de te momento como testemunha. Entende-se que ele foi
parecer sua obra mais convincente. chamado para declarar que estivera presente num ato
A arte da perspectiva aumenta ainda mais a i- solene idêntico. O fato se explica no momento em
lusão de realidade. Auxiliada pelo domínio da ciência que pôs seu nome numa posição de destaque do qua-
e o conhecimento da arte clássica permaneceu de dro, com as palavras latinas: “Johannes de eyck fuit
posse exclusiva dos artistas italianos da Renascença. hit”. (Jan Van Eyky esteve aqui).
Deixemos um pouco a pintura de lado, afinal
de contas não foi a única arte que realizou conquistas
da realidade do Norte. Na região dos Países Baixos, o
pintor Jan Van Eyck fazia descobertas revolucioná-
rias.
Jan Van Eyck atinham-se à observação da na-
tureza e cada vez mais paciente, ele parecia ser bas-

Editora Exato 8
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Final do Século XV na Itália cela de cada monge e no final de cada corredor. Ob-
As novas descobertas que os artistas da Itália e serve uma de suas pinturas.
Flandres tinham feito nos começos do século XV: a
nobreza do período comungava nos ideais da cavala-
ria; sua lealdade ao rei ou ao senhor feudal não im-
plicava que se considerassem os paladinos de
qualquer povo ou nação. Cada cidade orgulhava-se e
era ciosa de sua própria posição e privilégios no co-
mércio e indústria. Assim que os artistas ganharam
importância. Os artistas, como todos os artesão e artí-
fices, organizaram-se em corporações, as quais eram
companhias ricas que faziam ouvir sua voz na admi-
nistração da cidade, e não só a ajudavam a prosperar
como também se empenhavam em fazê-la bela, po-
rém dificultavam a todo e qualquer artista estranho
obter emprego ou instalar-se entre eles.
No século XV, a arte fragmentou-se numa sé-
rie de “escolas” diferentes; quase todas as cidades,
grandes ou pequenas, da Itália, Flandres e Alemanha
tinham sua própria “escola de pintura”. O termo es-
cola era para determinar que se uma criança se dedi-
Fra Angélico – A anunciação, 1440. Afresco
casse à pintura, o pai a colocava desde cedo na casa
187 x 157. Museu di San Marco, Florença.
dos mestres da cidade, com a intenção dele se tornar
um aprendiz.
Outro a ser citado é o pinto Paolo Uccello, a-
Como exemplo do período citamos Fra Angé-
parentemente sua pintura parece bastante medieval.
lico, um frade dominicano, e os afrescos que pintou
em uma de suas mais belas obras, uma cena sacra na

Paolo Uccello – A Batalha de San Romano, c. 1450. Provavelmente de um aposento do Palazzo Médici Florença, óleo sobre madeira,
181,6 x 320 cm. National gallery, Londres.

O pintor empenhou-se em representar as várias bordagem oposta. Tentou construiu um convincente


peças de armadura que juntam o solo da perspectiva. alço onde suas figuras parecessem sólidas e reais.
Isso deve ter sido de extrema dificuldade. Uma pintu- Apesar de tudo, Uccello ainda não aprendera a
ra pequena em relação a tantas outras figuras. usar os efeitos de luz e sombra, a fim de suavizar os
Paollo devia à tradição gótica, e como a trans- duros contornos de uma representação estritamente
formou, optou por uma abordagem de todas as coisas perspectivada.
até o ínfimo sombreado. Uccello optou por uma a-
Editora Exato 9
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Nesse tempo, outros pintores nas cidades ao


norte e ao sul de Florença tinham absorvido a mensa-
gem da nova arte de Donatello e Masaccio, e ansio-
sos por extrair dela o máximo proveito do que os
próprios florentinos.
Outro grande pintor foi Piero della Francesca.
Seus afrescos foram pintados pouco depois de mea-
dos do século XV, uma geração após Masaccio.

Editora Exato 10
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LISTA DE EXERCÍCIOS
EXERCÍCIOS 2 Conforme a imagem, julguem os seguintes itens:

1 Em Giotto, encontramos um artista de tempera-


mento muito mais ousado e dramático. Desde o
início, Giotto estava menos próximo da maneira
grega e foi, por instinto, um pintor de afrescos,
muito mais de painéis. Devemos agora voltar
nossa atenção para a pintura italiana que no final
do século XII, gerou uma extraordinária explosão
de energia criadora, cujos resultados foram tão
prolíferos quanto havia sido a ascensão das cate-
drais góticas na França.

1 As duas pinturas foram colocadas lado a lado


para dar a impressão de constituírem uma só
obra.
2 Os detalhes da paisagem são proporcionais às
figuras características das obras renascentistas.
3 Percebe-se na obra um esforço do artista em
fazer-nos crer que a paisagem envolve o edifí-
cio.
4 Apesar de todos os detalhes, o painel não apre-
senta profundidade.

3 Usando seu próprio testemunho, Piero della


Conforme imagem e texto, julgue os itens: Francesca, podemos dizer que suas obras nasce-
1 A ação da cena desenvolve-se em primeiro ram de sua paixão pela perspectiva. Mais que
plano. qualquer artista de seu tempo, ele acreditava na
2 Giotto faz com que o olhar do espectador fique perspectiva científica como sendo a base da pin-
no mesmo nível das cabeças das figuras, pare- tura; em um tratado repleto de rigor matemático,
ce dar continuidade ao espaço em que nos en- o primeiro do gênero, ele demonstrou como a
contramos. perspectiva se aplicava aos corpos estereométri-
3 A arquitetura é apresentada na imagem com a cos e formas arquitetõnicas, bem como a forma
mesma importância com que é narrada a histó- humana.
ria em sua obra.
4 A profundidade é obtida através dos volumes
combinados dos corpos sobrepostos na pintura.

Editora Exato 11
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Com base no texto e imagem, julgue os itens: 6 A arte gótica, como a conhecemos até o presente,
1 A sua obra apresenta, em sua arquitetura, uma reflete um desejo de conferir aos temas tradicio-
ilusão de formas geométricas. nais do cristianismo um apelo emocional cada
2 Suas pinturas já não têm por função represen- vez mais intenso. A mais característica e difundi-
tar um acontecimento. da dessas imagens é chamada Pietà, uma repre-
3 A pintura observada destina-se a transmitir sentação da Virgem lamentando o Cristo morto.
emoções, como alegria e tristeza. Essa cena não aparece nas escrituras. foi criado
4 As figuras representadas parecem estar estáti- em contrapartida ao tema da Madona com o Me-
cas. nino.

4 No século XVI, a nova arquitetura foi chamada


desdenhosamente de gótica, porque tinha uma de
aparência tão bárbara que poderia ter sido criada
pelos godos, povo que invadiu o Império Romano
e destruiu muitas obras da antiga civilização ro-
mana. Mais tarde, o nome gótico perdeu seu cará-
ter depreciativo e ficou definitivamente ligado à
arquitetura dos arcos ogivais.
Partindo da leitura feita do texto, julgue os itens:
1 A rosácea, uma janela arredondada, é um ele-
mento arquitetônico característico do estilo gó-
tico, porém foi na renascença que recebeu um
destaque maior.
2 A característica mais importante gótica é a a-
bóbada de nervura, a mesma utilizada na igre-
jas românicas. Conforme texto e imagem, julgue os itens:
3 A utilização de arcos ogivais possibilitava que 1 O realismo registra na expressão quase até o
as igrejas fossem construídas mais altas. grotesco, de modo a provocar uma opressiva
4 A igreja gótica apresenta um tímpano na sua sensação de horror e piedade.
fachada principal, os quais narram, através de 2 Seus corpos macelentos e parecidos com mari-
trabalhos escultóricos, momentos diferentes da onetes, atinge o ponto extremo da negação dos
vida de Cristo. aspectos físicos da figura humana.
3 É possível notar a ausência ao observador, já
5 Nas, artes, o ideal humanista e a preocupação que a sua intenção era representar os temas
com o rigor cientifica podem ser encontrados nas cristãos.
mais diferentes manifestações. Trabalhando ora o 4 A imagem incorpora as forças das trevas, se-
espaço, na arquitetura, ora as linhas e cores, na melhantes às enormes famílias de criaturas
pintura, ou ainda os volumes, na escultura, os ar- selvagens ou monstruosas ,registradas na Idade
tistas do Renascimento sempre expressaram os Média.
maiores valores da época a racionalidade e a dig-
nidade do ser humano. 7 Michelângelo exemplifica mais plenamente que
Com base no texto, julgue os seguintes itens: qualquer outro artista o conceito de genialidade
1 O renascimento buscava em sua arquitetura a como inspiração divina, um poder sobre-humano
ordem e a disciplina que igualasse ao ideal de concedido a poucos e raros indivíduos, e que atua
infinitude do espaço das catedrais góticas. através deles. Ao contrário de Leonardo, para
2 A matemática estabelecida para a ocupação do quem a pintura era a mais nobre das artes porque
espaço pelo edifício foi estabelecida para o ob- abarcava todos os aspectos visíveis do mundo; A
servador pudesse compreender a lei que o or- arte, para ele, era uma ciência. mas sim "a criação
ganiza, de qualquer ponto em que se coloque. de homens", a análoga à criação divina.
3 A preocupação dos construtores renascentistas
era criar espaços compreensíveis de todos os
ângulos visuais.

Editora Exato 12
ARTES

3 Toda a gestualidade registrada na obra é desvi-


ada para a virgem, já que ela é o ponto mais al-
to da imagem e o mais iluminado.
4 A profundidade da imagem é dada pela luz que
brilha muito além da escuridão da superfície
das pedras.

9 No Egito, ao dominar uma série de leis rigoro-


sas,o artista dava por encerrada a sua aprendiza-
Conforme texto e imagem, julgue os itens: gem. Ninguém queria coisas diferentes, ninguém
1 A cena apresenta uma dramática justaposição lhe pedia que fosse original. As figuras eram re-
do homem e de Deus. presentadas da forma mais claramente visível.
2 A imagem é semelhante às imagens gregas, Na Grécia, embora os artistas não copiassem a
que mostram sua beleza e corpos trabalhados. natureza tal como a viam, já não consideravam a
3 A imagem possui uma construção diagonal, o fórmula de representação da figura humana como al-
que desequilibra a obra. go sagrado, que devesse ser seguida em todos os
4 A imagem de Adão representado por um ho- pormenores.
mem jovem, cujo corpo forte e harmonioso A grande revolução da arte grega, a descoberta
concretiza o ideal da beleza do Renascimento. de formas naturais e do escorço, ocorreu em uma é-
poca que é, acima de tudo, o mais assombroso perío-
do da história humana. É a época em que o povo das
8 Leonardo não pensa em termos de contornos, cidades gregas começou a contestar as antigas tradi-
mas sim de corpos tridimensionais que tornam ções e lendas sobre os deuses e a investigar sem pre-
visíveis, em graus variados, através da luz. Nas conceitos a natureza das coisas
sombras, essas formas permanecem incompletas,
e seus contornos são sugeridos.

Conforme a figura e o pequeno trecho sobre os


estudos da pintura do autor Leonardo, julgue os itens:
Figura I A deusa Hathor e o rei Sthi I, 19, dinastia, 1303-1290 a.C.
1 As figuras estão em disposição geométrica, de
maneira que formem uma pirâmide, onde a ba-
se é a Virgem.
2 O contraste de claro e escuro que incide no
rosto da virgem a torna o centro da obra.

Editora Exato 13
ARTES

dos instrumentos que os grupos utilizavam em suas


atividades, como pontas de projéteis em osso, lâmi-
nas de machado, quebra-coquinhos, agulhas, pesos de
rede, anzóis, além de objetos de arte, como o objeto
de pedra representando uma ave, mostrando na figura
II, acima.

Figuras II Cenas de aprendizagem, pintura sobre cerâmica.


Com o auxílio do texto e das figuras acima,
julgue os itens que se seguem, acerca das diferenças
de estilo e de forma nas artes egípcia e grega.
1 Na arte egípcia, os artistas utilizavam a lei da Figura I-Sambaqui. Sítio Figueirinha-I, Jaguaruna, Santa Catarina
frontalidade.
2 As figuras humanas, na obra egípcia mostrada
na figura I, têm o mesmo tamanho e, portanto,
possuem a mesma importância na cena.
3 O desenho sobre o vaso grego, mostrado na fi-
gura II, embora naturalista, tem função decora-
tiva.
4 Ao contrário do que mostra a obra de arte e-
gípcia, representada na figura I, o desenho do
vaso grego representado na figura II é estático.
5 O autor do relevo egípcio, mostrado na figura
Figura II- Zoolito, acervo do MAE-USP
I, teve liberdade para escolher as cores de sua
pintura. Com base no texto e nas figuras acima, julgue
os itens seguintes, acerca dos sambaquis e de outras
evidências da arte e da cultura dos habitantes primiti-
10 Esta narrativa faz parte da mitologia contada pe- vos do Brasil.
los povos de língua tupi e relata a história de um 1 Alguns sambaquis demoraram centenas de a-
povo na busca da Terra sem Mal, da eterna fonte nos para serem construídos.
de juventude de Maíra e de uma inesgotável pro- 2 Os sambaquis eram construídos por grupos que
fusão de alimentos e recursos em geral. De fato, habitavam e exploravam o ambiente marinho.
mais ou menos há 1.500 anos, partindo do Ama- 3 O objeto mostrado na figura II traduz a mani-
zonas, esses grupos empreenderam um enorme festação de um valor cultural ligado à sobre-
deslocamento populacional, expandindo seu terri- vivência do grupo social que o produziu.
tório e alcançando, na época da colonização eu- 4 A técnica de desbaste utilizada no trabalho em
ropéia,uma verdadeira unidade nacional. Suas pedra mostrado na figura II permitiu obter de-
aldeias se distribuíam da Amazônia ao sul do talhes minuciosos.
Brasil, formando uma extensa faixa ao longo do 5 As dimensões dos sambaquis e o seu destaque
litoral. na paisagem fazem que eles pareçam monu-
Há mais ou menos 6.000 anos, uma parte do li- mentos para a demarcação do território ocupa-
toral brasileiro começou a ser ocupada por grupos do pelo grupo que os construiu.
que, utilizando os recursos oferecidos por oceanos,
mangues e lagunas, construíam sambaquis, como o
mostrado na figura I, acima, com cerca de 15 m de 11 O trecho a seguir traz a opinião de Ulpiano Be-
altura. zerra de Meneses acerca da definição da arte no
O nome sambaqui vem da língua tupi (tampa = período pré-colonial no Brasil.
marisco e ki = amontoado), e é mais ou menos isso É preciso evitar noções associadas ao fenôme-
que os sambaquis representam. no artístico na civilização ocidental, em que a produ-
Em um sítio sambaqui, encontramos marcas de ção internacional (ou a conversão de produção
fogueiras, de habitações, restos de alimentos e deze- originada de outro contexto), a circulação e o consu-
nas de sepultamentos. Encontramos, ainda, muitos mo de certos bens obedecem a tal especificidade, que

Editora Exato 14
ARTES

é possível falar em categorias como objetos artísticos, 15 A arte egípcia tinha como seu deus não a coca–
artista, colecionador de arte, marchand e assim por cola, mas ao faraó a quem exortavam em suas
diante. Dentro dessa perspectiva, é totalmente inade- pinturas e esculturas.
quado presumir uma atividade artística para as cultu-
16 As figuras encontradas no período egípcio eram
ras primitivas e, portanto, tentar identificar uma
bastante adornadas com ouro e brilho para manter
classe de produtos de arte ou buscar especialização
a crença e o poder hierárquico de seu povo.
na sua manufatura. Por outro lado, remeter, como so-
lução alternativa, todos e quaisquer fenômenos for- 17 A arte na pré–história assemelha-se aos egípcios
mais relevantes, nessas culturas, a um contexto quando suas figuras produzem movimento e ins-
cerimonial e a conteúdos simbólicos é praticar outra tabilidade em cena.
forma de reducionismo que nada pode esclarecer. 18 As imagens no período paleolítico e neolítico não
se diferenciavam em suas formas apenas na temá-
tica e na organização das figuras.
19 Os artistas gregos iniciavam sua arte semelhante
à arte egípcia o tronco do corpo geometrizado aos
quadris.
20 Os egípcios e os povos primitivos possuíam suas
estilizadas.
21 Os romanos diferenciam em sua arte dos artistas
gregos apenas pelos valores das vestimentas.
22 Os artistas gregos idealizavam os homens como
Ulpiano Bezerra de Meneses. A arte no período pré-colonial. Walther Zanini. Histo- centro do universo, semelhantes aos deuses.
ria geral da arte no Brasil. São Paulo,Instituto Walther Moreira Salles, 1982, v 1 p
21. 23 Os romanos, além da escultura, que aperfeiçoa-
A partir do texto e da figura acima, que mostra ram em seu estilo artístico, tinham a arquitetura
urna funerária confeccionada em argila, julgue os i- como um dos seus grandes méritos, pois conse-
tens a seguir. gue elaborá-las em andares.
1 A urna exibida não tem função utilitária.
2 Os pés da figura humana representada pela 24 A arte cristã–primitiva era realizada em templos,
uma mostrada têm também a função de dar a- onde estabelecia a nova religião cristianismo.
poio ao objeto. 25 Os gregos dividem-se em três períodos artístico
3 O material utilizado na confecção da uma mos- arcaico, clássico e o período helênico, onde suas
trada na figura é raro no Brasil esculturas desenvolvem-se com novas formas e
4 A cerâmica é geralmente produzida por socie- sem implementação de materiais inovadores.
dades que não atingiram um estágio agrícola.
5 Conforme o exemplo da uma exibida na figura, 26 As catacumbas cristãs assemelham-se aos rituais
as irregularidades na superfície do objeto em egípcios, pois eles acreditavam em desenhos ar-
cerâmica tomam sua forma assimétrica. tísticos, como magia, pré–destinadores de salva-
ção.

Julgue os itens: 27 O dinamismo da arte grega é dado quando as fi-


guras femininas são representadas envolvidas por
12 Apesar do texto no final criticar o contemporâ- pequenos panos sugerindo o movimento.
neo, enfatiza a importância de conhecer o princí-
pio e a cultura que motiva a existência destes 28 A escultura helenística é o auge grego quando se
povos. descobre o bronze e o mármore um material que
permite maior maleabilidade para esculpi-las e
13 O princípio apresentado pelos arqueólogos em assim criar novas formas e posições.
seus estudos científicos era uma organização so-
cial de no classes paleolítico e no neolítico. 29 Algumas esculturas gregas foram encontradas i-
nacabadas, por causa do material que não propor-
14 Não existe, segundo pesquisas realizadas, ne- cionava firmeza e assim quebravam quando não
nhuma relação do ritual realizado pelos povos e- estavam em repouso.
gípcios ao ritual dos povos primitivos.
30 As imagens na pré–história, durante o período
paleolítico, eram sobrepostas, pois eles não ti-

Editora Exato 15
ARTES

nham um sistema organizacional como o período Lendo o texto, julgue os itens sobre a arte roma-
neolítico. na.
31 A arquitetura na Grécia limitava-se a grandes es-
1 A estrutura romana era exclusiva para que se
pudessem glorificar os deuses em que eram re-
paços retangulares com colunas dóricas e jônicas.
presentados através de esculturas.
32 A tentativa de perspectiva da arte egípcia é dada 2 A arte romana é menos idealizada e intelectual
pela proporção em que as figuras são representa- que a arte clássica grega, porém os romanos
das. desenvolviam um maior poder de razão e inte-
33 A arte no período paleolítico já demonstrava a lecto em relação a administração, enquanto que
necessidade de criar volume e dar formas com os gregos queriam apenas brilhar.
maior precisão, pois tratava da sobrevivência e 3 As formas romanas são exclusivas e distintas.
fé. 4 A utilização inovadora da arquitetura romana
permitiu projetos mais flexíveis como a utili-
34 Os egípcios eram regidos por leis e regras deter- zação de abóbadas, formas curvas e circulares.
minadas pelos faraós, que manipulavam a arte em
seu favor. 38 A pintura de vasos tornou-se uma importante in-
35 A arte iniciou por estranhos começos nos quais dústria em Atenas, e os humildes artífices empre-
os homens estabeleciam uma comunicação entre gados nas oficinas estavam ávidos por introduzir
si. as mais recentes descobertas em seus trabalhos.
Nos primeiros vasos, pintados no século VI a.C.,
36 A arte é considerada primitiva porque seus artis-
ainda encontram-se vestígios dos métodos egíp-
tas não sabiam desenhar e manipular as cores
cios.
conforme as observavam.

37 A maioria dos artistas que trabalhavam em Roma


eram gregos, e a maioria dos colecionadores ad-
quiria obras dos grandes mestres gregos ou có-
pias dessas obras. Apesar disso, a arte mudou,
quando Roma se tornou senhora do mundo. Aos
artistas foram confiadas diferentes tarefas, e eles
tiveram, por conseguinte, que se adaptar aos no-
vos métodos. A mais importante característica da
arquitetura romana é, porém, o uso de arcos.
Construir um arco com pedras separadas em for-
ma de cunha é uma dificílima façanha de enge- 1 Ambas as figuras são rigorosamente mostradas
nharia. Cada vez mais ousados, os romanos de perfis, assim como na arte egípcia, onde
tornaram-se grandes especialistas na arte da cons- nobres e escravos eram representados pela lei
trução de abóbadas, graças a diversos expedientes da frontalidade.
de natureza técnica. 2 Com o passar do tempo, os gregos atingem e-
feitos realistas através de utensílios domésti-
cos.
3 Nas pinturas em cerâmica, exclusivamente em
vasos, encontravam-se apenas figuras de he-
róis.
4 A cor avermelhada que faz o plano de fundo
aos heróis é a descoberta da arte grega.

39 A grande revolução da arte grega, a descoberta


de formas naturais e do escorço (síntese do dese-
nho), ocorreu numa época que é, certamente, o
mais assombroso período da história humana. É a
época em que os povos das cidades gregos come-
çaram a contestar as antigas tradições e lendas
sobre deuses, e a investigassem preconceitos a

Editora Exato 16
ARTES

natureza das coisas. É período em que a ciência, 3 O desenho do vaso grego representado é estáti-
tal como hoje entendemos o termo, e a filosofia co.
desperta pela primeira vez entre os homens, e de- 4 A arte grega envolve uma harmonia em sua
senvolvendo-se o teatro a partir das cerimônias obra tão expressiva que tudo se combina, o que
em honra a Dionísio. produziu uma composição harmoniosa.
5 A arte grega possui suas formas geométricas
de rigidez, retendo uma singela beleza e luci-
dez em sua obra.

41 A partir do século 12 os centros irradiadores de


cultura deixaram de ser os mosteiros e se expan-
diram para as igrejas das grandes cidades da Eu-
ropa. A catedral da cidade tornou-se o edifício
mais importante e é nela que vamos encontrar to-
das as características do estilo gótico.
A respeito da Arte Gótica, julgue os itens:
1 A pintura é o elemento mais característico da
arte Gótica.
2 A arquitetura Gótica é esbelta e muito alta,
como querendo elevar-se ao céu em busca de
Deus.
3 A escultura gótica está associada diretamente
à arquitetura.
4 Os vitrais filtram a luz natural e colorem o in-
1 O pé direito ainda foi desenhado da maneira terior das igrejas góticas.
“padronizada”, mas o esquerdo já está “escor-
çado”, ver-se os cincos dedos dispostos como 42 A difusão do cristianismo e sua afirmação coin-
uma fileira de cinco pequenos círculos. cidiu historicamente com o momento de esplen-
2 Neste vaso, é possível observar que o artista dor do Império Bizantino e a arte tomou novo
grego desenvolveu o seu olhar sobre a obra, ou direciomamento, refletindo toda a grandeza e o
seja, passa a levar em conta o ângulo de onde contexto político daquela sociedade.
ele vê o objeto. Quanto à Arte Bizantina, julgue os itens:
3 As artes gregas estavam voltadas apenas para 1 Com a oficialização do cristianismo a arte
narração de eventos contemporâneos surgidos cristã assume um caráter majestoso.
na época. 2 Apesar das tentativas de conquista do povo a-
4 O escorço ajuda a obter uma maior perfeição través da oficialização do cristianismo e da
para se pintar a realidade tal como ela é vista. mudança da linguagem dos temas artísticos, a
arte assumiu um caráter de contestação política
40 Todas as obras gregas do século V a.C. mostram contra a posição do Imperador de se colocar no
essa sabedoria e habilidade na distribuição das fi- lugar de Deus.
guras, mas os gregos de então valorizam ainda 3 A arte Bizantina ganhou, além da expressivi-
mais o fato de que a recém–adquirida liberdade dade natural da arte, uma função de divulgação
para representar o corpo humano em qualquer e promoção política.
posição ou movimento podia ser utilizada para 4 Na verdade, mesmo com todas as mudanças
refletir a vida interior das figuras representadas. político-sociais, houve uma mudança significa-
Após ler o texto e observar a obra, julgue os i- tiva no fazer artístico daquele período.
tens:
1 Subentende-se através do texto que os artistas
43 Desde que Roma adotou a religião cristã o ho-
gregos tinham dominado os meios de transmi-
mem europeu passou a viver apenas para Deus e
tir um pouco dos sentimentos mudos existentes
a arte servia como veículo para afirmar sua cren-
entre as pessoas.
ça. No século 14 houve muito progresso nas ar-
2 O desenho representado sobre o vaso grego
tes, na literatura e nas ciências e o homem voltou-
mostrado, embora naturalista, tem função de-
se para si mesmo, recolocando-se como a criatura
corativa.
mais importante da Terra.
Editora Exato 17
ARTES

A respeito do Renascimento, julgue os itens: GABARITO


1 O Renascimento é dividido em quatrocentis-
mo (séc. XV) e quinhetismo (séc. XVI). 1 C, C, C, E
2 A pintura no quatrocentismo empregou muito
os tons claro e escuro e preocupou-se com a fi- 2 C, E, C, E
delidade anatômica. 3 E, C, E, C
3 A escultura do renascimento não tinha preo-
4 E, E, C, E
cupação com a anatomia.
4 Na arquitetura os prédios eram inovadores e 5 E, C, E, C
não tinham ligações com a antiguidade clássi-
6 C, C, E, E
ca.
7 C, C, E, C
44 Quanto às características da escultura gótica ana- 8 E, C, E, C
lise e julgue os itens a seguir em certos ou erra- 9 E, C, C, E, E
dos.
1 A escultura está intensamente ligada a arqui- 10 E, E, C, C, E
tetura. 11 C, C, C, C, E
2 Sua função é ocupar espaço dentro das cons-
truções. 12 C
3 As imagens nuas são um marco, pois se des- 13 E
tacam das demais criações deste período.
4 Sua função era única e meramente decorativa. 14 E
15 E
45 Quanto às características do Renascimento, jul- 16 C
gue os itens.
17 E
1 Na escultura renascentista predomina o nu,
assim como no clássico grego. 18 E
2 A posição do homem como o centro do mun- 19 E
do é visto pela primeira vez no Renascimento.
3 É na arquitetura renascentista que se decora o 20 C
interior dos ambientes com inspiração na arte 21 E
da Idade Média.
4 A pintura renascentista acompanha os mes- 22 E
mos padrões da escultura grega. 23 C
24 E
46 Quanto à pintura renascentista, julgue os itens.
1 No chamado quatrocentismo empregou-se o 25 E
claro e o escuro. 26 C
2 Houve uma grande preocupação com a fideli-
dade anatômica. 27 E
3 Personagens de outras épocas foram vestidos 28 C
com roupas do século XV.
29 C
4 Apesar das tentativas de conquista do povo a-
través da oficialização e da mudança da lin- 30 C
guagem dos temas artísticos, a arte assume um
31 C
caráter de contestação política contra a posição
do Imperador de se colocar no lugar de Deus. 32 C
33 C
34 C
35 E
36 E

Editora Exato 18
ARTES

37 E, C, E, C
38 E, C, E, C
39 C, C, E, C
40 C, C, C, C, E
41
42
43
44
45
46

Editora Exato 19
ARTES

BARROCO
1. INTRODUÇÃO Barroco apresentou um dinamismo e um exagero de
formas e cores jamais visto no Renascimento.
Historicismo A Pintura Barroca na Itália
1523 – Reforma Protestante de Lutero. De um modo geral, a pintura barroca pode ser
1541 – Contra-Reforma Católica. resumida em alguns pontos principais. O primeiro é a
1542 – Instaurada a Santa Inquisição pelo Concílio disposição dos elementos dos quadros, que sempre
de Trento. forma uma composição em diagonal. Além disso, as
1600 – Caravaggio pinta A Conversão de Santo Pau- cenas são envolvidas em acentuado contraste de cla-
lo. ro-escuro, intensificando a expressão de sentimentos.
1607 – Final das obras da Basílica de São Pedro. E se a pintura barroca é realista, essa realidade não é
1612 – Ingleses iniciam a colonização da Índia. só a vida de reis e nobres, mas também a do povo
1636 – Rembrandt pinta O Cegamento de Sansão. simples.
1654 – Expulsão dos Holandeses do Brasil. Dentre os pintores italianos desse período, qua-
1660 – Vermeer cria A Moça de Turbante. tro são os mais expressivos; Michelangelo, o verda-
1687 – Jesuítas fundam Sete Povos das Missões deiro precursor do barroco, ainda dentro do
(Brasil). Renascimento. Seu trabalho na Capela Sistina já pre-
1740 – Bouchet pinta Triunfo de Vênus. diz o que seria o barroco. Ele lançou as bases da pin-
1757 – Início da Construção da Igreja de Sta. Geno- tura barroca, seu estilo e suas tendências. O Segundo
veva. foi Tintoretto, o mestre do Maneirismo que, com o
1766 – Aleijadinho projeta a Igreja de São Francisco passar dos anos, enveredou pelo barroco, encontran-
de Assis. do nesse estilo o campo fértil para seu talento. Tinto-
O surgimento do Barroco no século XVII, na retto determinou aqui duas características bem
Itália, deve-se a uma série de mudanças econômicas, marcantes: os corpos das figuras são mais expressi-
religiosas e sociais ocorridas na Europa. Com o hu- vos do que seus rostos e a luz e a cor têm grande in-
manismo, o Renascimento e, principalmente, a Re- tensidade.
forma Religiosa de Lutero, a Igreja católica teve seu Tintoretto (Jacopo Robusti, 1518 –
poder enfraquecido. O grande Império cristão frag- 1594) – O mestre filho de um tintureiro
mentou-se em diversas religiões e para reconquistar Pintor italiano de Veneza, cujo apelido, Tinto-
seu prestígio e poder, organiza a Contra-Reforma, retto, deriva da profissão de seu pai, um tintureiro.
tomando iniciativas que visavam reafirmar e difundir Foi na tinturaria do pai que o jovem pintor começou a
a fé católica. Uma dessas iniciativas é a imediata experimentar cores e tons, ainda sobre tecidos velhos
construção de grandes igrejas que serão verdadeira e manchados. Produziu uma grande quantidade de
exibição artística da riqueza, do esplendor e do poder obras para a Igreja, além de cenas mitológicas e retra-
católico. É na construção desse tipo de Igreja que tos. Foi um desenhista formidável que se destacou
nasce a arte Barroca. por empregar em suas telas vívidos exageros de luz e
Da Itália, a arte barroca se propagou para ou- movimento. Já velho e milionário, resolveu ensinar
tros países europeus e pelo continente americano a- sua arte a jovens discípulos, fundando sua própria es-
través dos colonizadores portugueses e espanhóis. cola de arte, atitude incomum para a época.
Mas ela não se desenvolveu de forma igual. Houve
grandes diferenças entre artistas e entre obras produ-
zidas nos diferentes países. Inclusive no Brasil, onde
a arte Barroca, em muitos aspectos e também na sua
duração histórica, superou a própria arte italiana. A-
pesar disso, alguns princípios gerais podem ser indi-
cados como característicos dessa arte: o barroco
rompeu o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou
entre a arte e a ciência, que os renascentistas procura-
ram realizar de forma consciente. No barroco, pre-
dominam as emoções e não o racionalismo
renascentista. As figuras barrocas são representadas
de tal forma que parecem estar em movimento. O A Última Ceia, de Tintoretto

Editora Exato 20
ARTES

Caravaggio(1573 – 1610) – O uso revo-


lucionário da luz
Caravaggio não se interessou pela beleza clás-
sica que encantou o Renascimento. Procurava seus
modelos entre pessoas do povo. O que melhor carac-
teriza a pintura de Caravaggio é essa atitude de retra-
tar os temas sagrados como um acontecimento atual
entre pessoas humildes; as figuras bíblicas asseme-
lham-se a trabalhadores comuns, com fisionomias
curtidas pelo tempo.

Vocação de São Mateus, de Caravaggio.


E mais que isso, a forma revolucionária como
ele usava a luz. Ela não aparece como reflexo da luz
A Glória de Sto. Inácio, afresco de A. Pozzo no teto da igreja de
solar, mas é criada intencionalmente pelo artista para Sto. Inácio, Roma.
dirigir a atenção do observador. Isso foi tão funda-
mental na sua obra, que ele é conhecido como funda- 2. O BARROCO FORA DA ITÁLIA
dor do estilo Iluminista. Espanha
Andrea Pozzo (1642 – 1709) – Os tetos Na Espanha, o Barroco se desenvolveu princi-
das igrejas abrem-se para o Céu palmente na arquitetura, nos entalhes requintados das
A pintura barroca desenvolveu-se também nos portadas de edifícios religiosos e civis. Em relação à
tetos de igrejas e de palácios. Essa pintura, decorati- pintura, a Espanha foi muito influenciada pelo Barro-
va, marcou o trabalho de Pozzo, que ao pintar os inte- co italiano, onde predominou o realismo. O artista
riores e teto das igrejas, impressionava pelo número que mais se destacou no Barroco espanhol foi:
de figuras e pela ilusão – criada pela perspectiva – de Diego Velázquez (1599-1660) – A cara
que as paredes e colunas da igreja continuam no teto, da nacionalidade espanhola
e que este se abre para o céu, de onde anjos e santos O maior pintor da escola espanhola, mestre na
convidam o homem para a santidade. representação de luz e sombra. Nasceu em Sevilha, e
logo na adolescência produziu obras que impressio-
nam pela elaborada técnica utilizada. Em 1623, foi
nomeado um dos pintores da corte do rei Filipe IV,
tornando-se o mais prestigiado pintor do reino.
Embora tenha se dedicado a pintar retratos da
realeza, também registrou em seus quadros o cotidia-
no de pessoas humildes do seu país.
El Greco (Domenikos Theotocopoulus,
1541 – 1614) – A verticalidade da pin-
tura
Nascido na Grécia (daí o apelido El Greco),
destacou-se em Toledo, na Espanha, onde se estabe-

Editora Exato 21
ARTES

leceu e desenvolveu seu estilo próprio, a partir de guras, a luz e a cor numa vasta escala, sugerindo um
1577. Suas obras se caracterizam pela predominância intenso movimento.
da verticalidade, que lembra os temas góticos, as fi-
guras são alongadas e geralmente pintadas em cores
frias. Extravasou em sua pintura um intenso senti-
mento religioso, uma forte ironia com a Igreja (no
quadro O Enterro do Conde Orgaz, metade dos ros-
tos das figuras presentes ao enterro são do próprio El
Greco), em diferentes fases da vida e a outra metade,
de bispos e padres. O pintor se divertiu com a ironia,
mas o Papa quis excomungá- lo.

Erguimento da Cruz, de Rubens


Rembrandt van Rijn (1606-1669)- A
Emoção da Claridade
Foi o maior artista da escola holandesa. Nas-
Velha Fritando Ovos, de Velazquez.
ceu em Leiden e se mudou para Amsterdã aos 17 a-
Países Baixos nos. Sua obra se caracteriza pela predominância de
O Estilo Barroco expandiu-se da Itália para vá- expressões dramáticas e pela utilização de vívidos e-
rios países europeus entre os séculos XVII e XVIII. feitos de luz. Rembrandt conseguiu reproduzir em
Na Holanda, ele adquiriu características próprias do suas telas uma gradação de claridade nunca vista an-
povo holandês, a austeridade e a praticidade. Realis- tes. Embora os retratos e cenas religiosas e mitológi-
ta, o artista holandês não se preocupava com padrões cas constituam a maior parte de sua obra, ele também
de beleza, preferindo retratar cenas do cotidiano, di- contribuiu de forma original com outros gêneros, in-
ferenciando-se do artista italiano, que retratava na cluindo a natureza-morta e o desenho.
maioria das vezes temas nobres. Dentre os holande-
ses, cita-se:
Peter Rubens (1577-1640) – A força da
cores quentes
Rubens nasceu em Siegen, na Alemanha, lugar
em que seu pai, um advogado holandês, se refugiou
para escapar da perseguição religiosa. Aos 10 anos de
idade, após a morte de seu pai, Rubens vai para a An-
tuérpia acompanhado de sua mãe. Foi na Antuérpia
que ele teve como um de seus mestres o pintor Otto
van Veen, que o influenciou a ir para a Itália. Em
1600, dois anos após ter se tornado mestre, Rubens
vai para Roma, onde conhece as obras renascentistas
que serviriam de base para seu grande estilo.
Rubens costumava dar às vestimentas um colo-
rido exuberante que contrastava com a pele clara das
figuras retratadas. Trouxera da Itália a predileção por
telas gigantescas e foi mestre na arte de dispor as fi-

Editora Exato 22
ARTES

A Sagrada Família, de Rembrandt.


O Enterro do Conde Orgaz, de El Greco.
Vermeer (1632 – 1675) – A beleza deli-
cada da vida cotidiana 3. A ESCULTURA BARROCA
Diferente de Rembrandt, Vermeer trabalha os O Equilíbrio entre razão e emoção, caracterís-
tons em plena claridade. Seus temas são sempre os da tica da escultura renascentista, desapareceu com o
vida burguesa da Holanda seiscentista. Seus quadros predomínio do Barroco, que escolheu a dramaticida-
documentam com uma beleza delicada os momentos de das expressões e o dinamismo dos movimentos
simples da vida cotidiana. No quadro Mulher Lendo como elementos básicos de seu espírito. Essas pecu-
uma Carta, por exemplo, observamos o quarto inun- liaridades da escultura barroca se concretizaram a-
dado de luz e uma suave harmonia de cores e formas. través da predominância de linhas curvas, excesso de
Assim como essa obra, muitas outras pinturas de dobras nas vestes e a utilização do dourado. Os ges-
Vermeer que retratam ocupações domésticas em inte- tos e os rostos das personagens revelam emoções vi-
riores mostram um sugestivo trabalho com os efeitos olentas e atingem uma dramaticidade desconhecida
de luz. no Renascimento. Como na pintura, o impulso inicial
para esse desenvolvimento artístico partiu de artistas
italianos, entre os quais Gian Lorenzo Bernini (1598-
1680) foi o mais importante. Arquiteto, escultor, ur-
banista e pintor, Bernini conseguiu, com suas escul-
turas, registrar momentos de pura expectativa, que
envolvem o observador emocionalmente.

Mulher lendo uma carta, Vermeer.

Editora Exato 23
ARTES

Davi, de Bernini (Mostra grande vigor. Compare com o Davi de


Michelângelo). O Êxtase de Sta. Teresa, de Bernini.

4. ARQUITETURA BARROCA
A arquitetura do séc. XVII realizou-se princi-
palmente nos palácios e nas igrejas. A Igreja Católi-
ca queria proclamar o triunfo de sua fé e, por isso,
realizou obras que impressionaram pelo seu esplen-
dor. Por outro lado, governantes como Luís XIV, da
França, que se consideravam reis por direito divino,
também desejaram palácios que demonstrassem po-
der e riqueza.
Quanto ao estilo da construção, os arquitetos
deixam de lado os valores de simplicidade e raciona-
lidade típicos da Renascença e insistem nos efeitos
decorativos, pois “no barroco, todo muro se ondula e
dobra para criar um novo espaço".
Outro fato importante que merece ser assinala-
do é o reconhecimento, no barroco, de que as áreas
que cercam os prédios tinham importância para a be-
leza final da construção. Daí a preocupação paisagís-
tica com os grandes jardins dos palácios, como em
Versalhes, ou com as praças das igrejas, como a basí-
lica de São Pedro, no Vaticano.

Editora Exato 24
ARTES

1505 – Giovanni Bellini pinta Nossa Senhora


do Prado.
1532 – Fundação de S. Vicente, por Martim
Afonso de Souza.
1543 – Copérnico fundamenta a tese do Sol
como centro do universo.

O termo Renascimento é comumente aplicado


à civilização européia que se desenvolveu entre 1300
e 1650. Ele sugere que, a partir do século XIV, teria
havido na Europa um súbito reviver dos ideais da
cultura greco-romana. Essa é, no entanto, uma visão
Palácio de Versalhes (França), com seus jardins. simplista da História, já que, mesmo durante o perío-
do medieval, o interesse pelos autores clássicos nun-
ca deixou de existir. Nas escolas das catedrais e dos
mosteiros, autores gregos ou romanos, como Cícero,
Virgílio, Sêneca e os grandes filósofos gregos eram
muito estudados.
Outro problema é o da subestimação e do des-
conhecimento da cultura medieval. O termo “renas-
cimento” pode sugerir que todo o período medieval
foi uma época de trevas e ignorância. Essa falsa idéia
foi difundida pelos próprios renascentistas, que, no
desejo de combater tudo que fosse medieval, chama-
vam a Idade Média de “Idade das Trevas”.
Na verdade, já a partir do século XI, começa a
Praça da Basílica de São Pedro, no Vaticano. surgir por toda a Europa Ocidental uma série de mo-
vimentos de renovação cultural inspirados nos ideais
greco-romanos. No entanto, sob vários aspectos, o
Renascimento retoma certos elementos da cultura
medieval. Por outro lado, o Renascimento foi um
momento da História muito mais amplo e complexo
do que o simples reviver da antiga cultura greco-
romana. Ocorreram nesse período muitos progressos
e incontáveis realizações no campo das artes, da lite-
ratura e das ciências, que superaram a herança clássi-
ca. O ideal humanista foi, sem dúvida, o móvel desse
progresso e tornou-se o próprio espírito do Renasci-
mento. Num sentido amplo, esse ideal é entendido
como a valorização do homem e da natureza em opo-
O RENASCIMENTO sição ao divino e ao sobrenatural conceituados na I-
dade Média.
Devido ao humanismo e ao ideal de liberdade
HISTORICISMO predominante no período, o artista renascentista teve
1308 – Dante Alighieri começa a escrever A a oportunidade de expressar suas idéias e sentimentos
Divina Comédia. sem estar submetido à Igreja ou a outro poder. Ele
1333 – Simoni de Martini pinta O Anjo e a era um criador e tinha um estilo pessoal, diferencian-
Anunciação. do-se dos artistas medievais. Além disso, o artista era
1415 – Navegadores portugueses chegam a dignamente pago para produzir suas obras, quer fos-
Ceuta. sem elas feitas para compradores particulares ou para
1448 – Gutenberg inventa a imprensa. a própria Igreja.
1474 – Da Vinci pinta O Retrato de Ginevra 5. ARQUITETURA RENASCENTISTA
Benci.
1492 – Colombo descobre a América. A preocupação dos construtores renascentistas
1500 – Cabral chega ao Brasil. foi criar espaços compreensíveis de todos os ângulos

Editora Exato 25
ARTES

e que fossem o resultado de uma justa proporção en- Na Idade Média, a produção artística era anô-
tre todas as partes do edifício. A principal caracterís- nima, de acordo com os ideais eclesiástico e real da
tica da arquitetura do Renascimento, portanto, é o iniqüidade do homem diante de Deus e de seu Rei.
equilíbrio das linhas, a organização matemática dos Na arte renascentista, sobretudo na pintura, surge o
espaços e a presença de elementos da Antigüidade artista com estilo pessoal, idéias próprias e liberdade
clássica na decoração. A cúpula é um detalhe impor- para divulgá-las. A partir dessa época, começa a exis-
tante e constante nas construções renascentistas. O tir o artista como o conceituamos atualmente: um cri-
mais famoso exemplo de cúpula existente nesse perí- ador individual e autônomo, que expressa em suas
odo é sem dúvida a da basílica de São Pedro, no Va- obras os seus sentimentos e suas idéias, sem submis-
ticano, em Roma. Erguida entre 1507 e 1607, da sua são a nenhum poder que não a sua própria capacidade
construção participaram grandes arquitetos como de criação.
Donato Bramante, de 1507 a 1510; Rafael, de 1514 a Assim, no Renascimento, são inúmeros os no-
1520; Antonio Sangalloi, de 1540 a 1546; Michelan- mes de artistas conhecidos, cada um com característi-
gelo, de 1546 a 1564, juntamente com Giacomo Del- cas próprias.
la Porta, que continuou a execução do projeto até
7. LEITURA DE OBRAS RENASCENTISTAS
1602; e Carlo Moderni, que a concluiu entre 1602 e
1607. Este, como outros prédios públicos e palácios Masaccio (1421-1428): a pintura como
do período, teve sua arquitetura fortemente influenci-
imitação da realidade
ada pelas características do Renascimento.
Foi um artista genial e precoce que, aos 21 a-
nos, concebeu a pintura como imitação fiel do real e
morreu aos 27 anos, deixando obras que retratam as
formas humanas com impressionante beleza. Seu rea-
lismo é tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de
nos convencer da realidade da cena retratada e mais,
parece nos convidar a participar do que está represen-
tado na pintura.
Fra Angélico (1400 –1455) – a busca da
conciliação entre o plano terrestre e o
sobrenatural
Frade dominicano que seguiu as tendências re-
alistas de Masaccio, mas, por respeitar seriamente
seus votos, tem em sua obra como tema principal a
Cúpula da Basílica de S.Pedro – de Michelangelo e Della Porta. religião. Sua pintura, embora siga os princípios re-
6. A PINTURA RENASCENTISTA nascentistas da perspectiva e da técnica claro-escuro,
está impregnada de um sentido místico. O ser huma-
A pintura do Renascimento confirma as três no representado nas obras de Fra Angélico não pare-
conquistas que os artistas do último período gótico ce manifestar angústia ou inquietação diante do
haviam alcançado: a perspectiva, o realismo e o uso mundo, mas serenidade, pois se reconhece como
do claro-escuro. Na Antigüidade, pintores gregos e submisso à vontade de Deus.
romanos já haviam dominado esses recursos da pin- Paollo Uccello (1397-1475) – O encon-
tura, entretanto, os pintores românicos e medievais
tro das fantasias medievais com a
abandonaram essas possibilidades de imitar a reali-
dade. No período Gótico e no Renascimento, porém, perspectiva geométrica
predomina a tendência de uma interpretação científi- Uccello procura compreender o mundo segun-
ca da realidade e do mundo. O resultado disso nas ar- do os conhecimentos científicos do seu tempo e, em
tes plásticas, e sobretudo na pintura, são os estudos suas obras, tenta recriar a realidade segundo princí-
da perspectiva segundo princípios da Matemática e pios matemáticos. Por outro lado, sua imaginação o
da Geometria. O uso da perspectiva conduziu a outro remete às fantasias medievais, um mundo lendário de
recurso, o claro-escuro, que consiste em pintar algu- um passado superado. Sua pintura está repleta de
mas áreas iluminadas e outras na sombra, reforçando movimento e realismo fantástico.
a sugestão de volume dos corpos. A combinação da
perspectiva com o claro-escuro deu maior realismo às
pinturas.

Editora Exato 26
ARTES

Leonardo da Vinci (1452 – 1519) – A


busca do conhecimento científico e da
beleza artística
Foi o talento mais versátil do Renascimento.
Desenhista, pintor, escultor, engenheiro e arquiteto,
realizou vários trabalhos e pesquisas aprofundando-
se nos mais diversos setores do conhecimento huma-
no, entre eles anatomia, botânica, mecânica, hidráuli-
ca, óptica, arquitetura e astronomia. Em artes, seus
estudos de perspectiva são considerados insuperáveis.
Na verdade, pintou pouco: o afresco da Santa Ceia,
em Milão, e cerca de quinze quadros, a maioria, o-
bras-primas de expressivos jogos de luz e sombras.

Madonna com o Menino, de Masaccio.

O Nascimento de Vênus, de Botticelli.

Anunciação, de Fra Angélico.


Sandro Botticelli (1444-1510) – A Linha
que sugere mais ritmo que energia
Nasceu e viveu em Florença, Itália. Trabalhou
na decoração da Capela Sistina, em 1481. Botticelli
retratava dois temas em suas obras: a Antigüidade La Gioconda (Mona Lisa), de DaVinci.
grega e o Cristianismo. Uma característica comum Michelangelo Buonarroti(1475-1564) –
em suas obras é a leveza dos corpos, esguios e des- A genialidade a serviço da expressão
providos de força: parecem flutuar, com ritmo, ex-
pressando suavidade e graça. As figuras humanas de da dignidade humana
seus quadros são belas, porque manifestam a graça Arquiteto, pintor, poeta e escultor, um dos
divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas, porque maiores representantes do Renascimento. Como ar-
supõem que perderam esse dom de Deus. quiteto, trabalhou na cúpula da igreja de São Pedro,
em Roma, e na praça do Capitólio. Como pintor, sua

Editora Exato 27
ARTES

maior obra é a pintura do teto da capela Sistina. Em-


bora tenha concordado em realizar esta obra, ele se
considerava, acima de tudo, um escultor. As poses
das figuras da capela Sistina baseiam-se em famosas
esculturas gregas e romanas, que Michelangelo estu-
dava minuciosamente.

Pietá, escultura de Michelangelo, considerada a de acabamento mais elaborado de


toda a sua obra.
Rafael Sanzio (1483 –1520) – O equilí-
brio e a simetria
É considerado o pintor que melhor desenvol-
veu, na Renascença, os ideais clássicos de beleza:
harmonia e regularidade de formas e cores. Rafael
A Criação do Homem e, em seguida, O Juízo Final, afrescos no teto da Capela Sis-
tina, obras de Michelangelo.
planejava detalhadamente suas obras e fazia centenas
de desenhos preliminares a partir de modelos vivos,
antes de pintar os afrescos. Suas obras comunicam ao
observador um sentimento de ordem e segurança,
pois os elementos que compõem seus quadros são
dispostos em espaços amplos, claros e de acordo com
uma simetria equilibrada, expressando de forma clara
e simples os temas pelos quais se interessou.

Davi, escultura de Michelangelo. Inspirada nos modelos greco-romanos.

Editora Exato 28
ARTES
Madona do Grã-Duque, de Rafael.
8. O RENASCIMENTO FORA DA ITÁLIA
Ticiano Vecellio (1490 –1576) – O pin-
tor que virou nobre As concepções estéticas italianas de valoriza-
ção da cultura greco-romana começaram a se interna-
Ticiano foi o maior pintor da escola veneziana.
cionalizar. Nesses países, foi comum o conflito entre
Viveu toda a sua vida em Veneza, considerada a mais
as tendências nacionais e as novas formas artísticas
importante cidade italiana do Renascimento. Em
vindas da Itália. Mas tal conflito se resolveu com a
1533, o rei Carlos V nomeou-lhe pintor da corte e lhe
nacionalização das idéias italianas.
concedeu um título de nobreza, nunca antes conquis-
Fora da Itália, foi a a pintura, entre as artes
tado por um artista. Ticiano produziu uma série de
plásticas, que melhor refletiu a nacionalização do es-
obras religiosas, mitológicas e retratos utilizando co-
pírito humanista renascentista italiano. No séc. XV,
res vivas e movimentos que mais tarde serviram de
ainda eram conservadas, na pintura alemã e na dos
base para outros artistas.
Países Baixos, por exemplo, as características do esti-
lo gótico. Mas, alguns artistas, como Dürer, Hans
Holbein, Bosch e Bruegel, fizeram uma espécie de
conciliação entre o gótico e a nova pintura italiana,
intérprete científica de uma realidade. Assim, Albre-
cht Dürer (1471-1528) foi o primeiro artista alemão a
conceber a arte como uma representação fiel da reali-
dade e a buscar traços psicológicos do ser humano e
retratá-los em seus quadros, como por exemplo, no
retrato de Oswolt Krell, onde registra fielmente os
traços físicos do personagem, mas também a atitude
enérgica desse comerciante alemão.

Ascensão da Virgem, de Ticiano.

O Maneirismo
A partir de 1520, alguns pintores italianos co- Oswold Krel, de Dürer

meçaram a procurar formas alternativas para a cria- Já Hans Holbein (1498-1543) ficou conhecido
ção de suas obras. Embora tenham buscado como retratista de políticos, intelectuais e financistas
inspiração nas obras renascentistas de Michelângelo, da Inglaterra e dos Países Baixos. Tudo retratado
Leonardo da Vinci e Rafael, deram início a um novo com um realismo tranqüilo, diferente da inquietação
estilo artístico que rompeu com o equilíbrio, a orga- de Dürer. Soube expressar o esmero técnico e o ideal
nização espacial, a simetria, a racionalidade e as pro- renascentista de beleza com precisão e forma. Ao re-
porções estabelecidas pela arte renascentista. Este tratar seu amigo Erasmo de Roterdã, Holbein o fez
novo estilo foi denominado Maneirismo, termo origi- com simplicidade, traçando com sutileza os traços
nário da palavra italiana maniera, que designa o estilo psicológicos e físicos do grande humanista do séc.
ou a maneira própria com que cada artista realiza a XVI.
sua obra. As características iniciadas no Maneirismo
tiveram total desenvolvimento no estilo Barroco, que
sucedeu o renascimento.

Editora Exato 29
ARTES

Erasmo de Roterdã, de Holbein


Hieronymus Bosch (1450-1516) criou um es- Jogos Infantis, de Bruegel.
tilo inconfundível. Sua pintura é repleta de símbolos
da astrologia, da alquimia e da magia conhecidas ao
final da Idade Média. E nem todos os elementos de
suas telas podem ser decifrados, dada a combinação
de seres e formas presentes em sonhos ou delírios do
pintor. Para muitos críticos, esta era a representação
do conflito interior do homem ao final da Idade mé-
dia: tensão ante o pecado dos prazeres materiais e a
busca da virtude de uma vida espiritual. Tudo envolto
em superstições e crenças malignas.

O Jardim das Delícias, de Bosch.


Pieter Bruegeli, o Velho (1525-1569), viveu
nas grandes cidades da região de Flandres, sob os i-
deais renascentistas, mas retratou como ninguém a
realidade das pequenas aldeias que ainda conserva-
vam a cultura medieval. Esta temática aparece em
quadros como Jogos Infantis, em que apresenta 84
brincadeiras de crianças, da época.

Editora Exato 30
ARTES

POVOS PRÉ-HISTÓRICOS E PRIMITIVOS; A-


MÉRICA ANTIGA
Se partirmos do significado da arte como exer- um ritual, no qual se pretendia interferir na captura de
cício de atividades, como o processo de edificação de animais.
uma casa ou templo tem-se que nenhum povo existe A imagem aqui apresentada trata do estudo do
ou existiu no mundo sem arte. Por outro lado, enten- período neolítico em que observamos as diversas al-
demos a arte como aquilo que é belo o artigo de luxo terações ocorridas, que podem ser a confirmação que
deleitados em museus e exposições. precisávamos ter de que eles representavam tanto o
Ao recuarmos na história, diversas são as fina- que viam como o que viviam.
lidades que se crê serem servidas pela arte. Entre os
mais ancestrais, citando aqui os “primitivos”, não
porque se tornaram mais simples do que nós, mas pe-
lo seu processo racional. Entre os primitivos não há
diferença entre fazer a imagem em relação ao que se
refere a utilidade.
Nesses estranhos começos, se procurarmos pe-
netrar na ação pensante dos povos desse período, à
compreensão da imagem representada é algo podero-
so a ser usado e não contemplado e belo.
Quando foram descobertas em paredes de ca-
vernas e em rochas na Espanha e no Sul da França os Pinturas rupestres encontradas em Tassili, região do Saara
estudiosos passaram a crer que as representações a- (cerca de 4500 a.C) (1.2.)
nimadas, naturais e vigorosos dos animais pudessem
ser feitas por homens na Era Glacial. Por isso o início do texto menciona a questão
do processo do primitivo, e não de uma classificação
artística, de função ou de estética.
Ainda existem povos primitivos limitados ao
emprego de ferramentas de pedra raspando imagens
rupestres de animais para fins mágicos. Muitas tribos
celebram festividades regulares, nas quais se vestem
como animais e como eles se movimentavam em
danças solenes e rituais.
Cada família tem de fato suas próprias tradi-
ções e predileções, sem as quais a árvore não parece
ficar adequada. Todavia, quando chega o grande
momento de decorar a árvore, ainda resta muita coisa
por decidir.
Pré - História cerca de 15.000 anos a.C., Bisonte, Caverna de
A arte primitiva funciona justamente de acordo
Altamira, Espanha.
com essas diretrizes preestabelecidas, mas permite ao
(1.1)
artista margem bastante para revelar sua índole O
A imagem (1.1) do Bisonte é um exemplo do domínio técnico de alguns artífices tribais é deveras
período Paleolítico, em que seus artistas viviam ex- surpreendente.
clusivamente da caça, a organização das imagens e-
ram distribuídas de forma sobreposta, com variação
de pigmentação amarela, vermelha, branca e a preta,
lembrando que o preto auxiliava ao desempenho das
formas, assim como as saliências das cavernas pro-
porcionavam volume. Os primitivos desse período
não tinham uma vida de organização desenvolvida e
o fato refletia-se em suas representações naturais ao
desenhar como observavam. Sua pintura era parte de

Editora Exato 1
ARTES

EGITO
A história da arte como um esforço contínuo lhes apresentava sob qualquer ângulo fortuito. Dese-
não começa nas cavernas do sul da França nem entre nhavam de memória, contrários aos primitivos que
os índios norte–americanos. Todos sabemos que o observavam, e submetidos a regras estritas, as quais
Egito é a terra das pirâmides, montanhas de pedra asseguravam que tudo o que tivesse de entrar no qua-
que, de fato, tinham importância prática aos olhos dro se destacaria com perfeita clareza.
dos reis e seus súditos. O faraó era considerado um Na representação do corpo humano, a cabeça
ser divino que exercia completo domínio sobre seu era mais facilmente vista de perfil, de modo que eles
povo e que, ao partir deste mundo, voltava para junto a desenhavam lateralmente. O olho humano, se ob-
dos deuses dos quais viera. As pirâmides, erguendo- servarmos, era representado de frente e era plantado
se em direção ao céu, ajudá-lo-iam provavelmente a na vista lateral da face. Os ombros e o tronco são vis-
realizar essa ascensão. Os egípcios acreditavam que o tos melhor de frente, pois assim observamos como os
corpo tinha que ser preservado a fim de que a alma braços se ligam ao corpo. Braços e pernas posiciona-
pudesse continuar vivendo no além. Em toda a volta dos com intenção de movimento, porém, vêem-se
da câmara funerária, eram escritas fórmulas mágicas com muito mais clareza de lado. Esta técnica ficou
e encantamentos para ajudá-los em sua jornada para o conhecida como Lei da Frontalidade (2.2.).
outro mundo. Um nome para designar o escultor era:
“Aquele que mantém vivo”.
A religião se tornou o fator de maior relevân-
cia para os egípcios, e a morte o grande argumento
para sustentação do poder e da arte.
Na quarta “dinastia” do “Antigo império”, den-
tro das características peculiares da arte, os escultores
não eram fiéis à realidade. A observação da natureza
e a regularidade do todo são equilibradas de um mo-
do tão uniforme que essas cabeças nos impressionam
Baixo relevo de um túmulo próximo de Sacará
por sua expressão de vida, sendo, no entanto, remotas (Cerca de 2500 a.C.). Museu do louvre, Paris. (2.2.)
e permanentes. Podemos estudá-las melhor nos rele-
vos e pinturas que adornavam as paredes dos túmu- A regra para a arte egípcia permitia incluir tu-
los. As pinturas e os modelos encontrados em do o que consideravam importante na forma humana;
túmulos egípcios estavam associados à idéia de for- supõe-se ter algo a ver com a finalidade mágica da
necer servos para a alma no outro mundo, uma crença representação pictórica.
que é encontrada em muitas culturas antigas. Representavam o que eles sabiam fazer, da
pessoa ou de uma cena, partiam de formas aprendidas
e dele conhecidas, construía figuras a partir do mo-
mento que suas formas podiam ser dominadas. Não
se tratava apenas do conhecimento técnico, mas pelo
conhecimento que eles tinham do significado das
formas representadas.
Um outro exemplo na arte egípcia em relação
ao significado de suas figuras destinava à separação
de aspecto social, representar a figura de um chefe
maior em uma comunidade egípcia, seu tamanho em
relação às outras figuras destacava-se.
O estilo egípcio incorporou uma série de leis
bastante rigorosa e todo artista tinha que apreendê-las
desde muito jovem. Estátuas sentadas deviam ter as
O jardim de Nebamun, c. 1400 a.C. Mural um tumulo em Tebas, mãos sobre os joelhos; os homens eram sempre pin-
64 x 74,2 cm; British Museum, Londres. tados com a pele um pouco mais escura que as mu-
(2.1.) lheres; aparência rigorosamente estabelecida.
A tarefa do artista consistia em preservar tudo
com maior clareza e permanência possível. Assim,
não se propuseram a bosquejar a natureza tal como se
Editora Exato 2
ARTES

Um artífice egípcio trabalhando numa esfnge dourada, c


.1380 a.C.

Editora Exato 3
ARTES

GRÉCIA, SÉCULOS VII A V A.C


Entre os diferentes climas temperados do mar comunidades, mas nenhuma delas conseguiu-se do-
nas múltiplas ilhas, grandes e pequenas, do mediter- minar todas as outras.
râneo oriental e nas costas recortadas por inúmeras Quando os artistas começaram a fazer estátuas
enseadas das penínsulas da Grécia a Ásia Menor es- de pedras, partiram do ponto em que os egípcios pa-
tavam o povo cretense cuja arte foi copiada no conti- raram, estudaram e imitaram seus modelos, dos quais
nente grego, sobretudo em Micenas. aprenderam como reproduzir a figura de um jovem
Nos primeiros séculos de sus domínio sobre a de pé, marcando as divisões do corpo e os músculos
Grécia, a arte dessas tribos ora bastante rude desgra- que o mantêm unido, os artistas apresentam-se de
ciosa e primitiva. Nada existe nessas obras que lem- forma que se limitava em obedecer a fórmulas fixas
bre, mesmo de longe, o alegre movimento do estilo por melhor que elas fossem.
cretense, pareciam superar até os egípcios em rigidez. Contrários aos egípcios que baseavam sua arte
As cenas representadas faziam parte do desenho aus- no conhecimento, os gregos usavam seus próprios o-
tero e rigoroso. lhos, o sorriso de suas escultura surgia de uma expe-
Na Grécia do século VI a.C., os artistas dos an- riência embaraçada, com uma postura rígida parecia
tigos impérios orientais tinham – se empenhado em criar impressão de falsidade.
obter um tipo peculiar de perfeição. Sobre a pintura egípcia pouco se soube, algu-
As tribos gregas tinham-se instalado em várias ma maneira que se pode formar uma vaga idéia de
cidades pequenas e em portos de abrigo ao longo da seu surgimento está em observar as decorações em
costa. Havia muita rivalidade e atritos entre essas cerâmicas. Neles também se encontram os vastos mé-
todos egípcios.

Figura 1 Figura 2

A desoedida do guerreiro, c. 510 - 500 a.C.


Aquiles e Ájax jogando damas, c. 540 a.C. Vaso em estilo de “Figuras vermelhas” , assinado
vaso no estilo de “ iguras pretas” , assinado por Eutímedes; altura 60 cm; Staatliche
por exekias; altua 61 cm; Museu Etrusco Vaticano. Antikensammlugen und G lyptothek, Munique.

Começaram assim a representar como real- Podemos concluir que o artista tinha a intenção
mente viam, foi justamente através desses artistas que de imitar um rosto real, com todas as suas imperfei-
surgiam a técnica do escorço. Exemplo apresentado ções, mas o modelava a partir de seus conhecimentos
na figura 2. sobre a forma humana.
Passou-se a ter a pretensão de levar em conta o Século IV a.C a I d. C A Beleza do Im-
ângulo de onde o artista via o objeto, logo as técnicas pério Grego
mudavam-se aos poucos, e era possível notar os níti-
O artista revela-se agora orgulhoso do seu i-
dos contornos, incluindo-se o conhecimento do corpo
menso poder e gradualmente durante o século IV dis-
humano. Amantes das linhas firmes e planos equili-
cutiam pinturas e estátuas como discutiam poemas e
brados.
Editora Exato 4
ARTES

teatro e elogiavam suas beleza ou criticavam sua Outra religião Oriental que aprendeu a repre-
forma e concepção. sentar suas histórias sagradas para a construção dos
Durante todo o século, os artistas estiveram crentes foi a judaica. Mesmo pela proibição que tinha
analisando se empenhavam em insuflar cada vez em relação às imagens, temendo a idolatria. Suas i-
mais vida nos corpulentos modelos antigos. magens distanciavam da realidade justamente pelo
Século I a IV d. C medo de pecar, e as imagens apenas restringiam-se a
A maioria dos artistas que trabalhavam em lembrar, pois, a manifestação do poder de Deus.
Roma eram gregos, e a maioria dos colecionadores Foi exatamente através deles que surgiu a pri-
romanos adquiria obras dos grandes mestres gregos meira representação de Jesus, apesar das origens da
ou cópias dessas obras. A esses artistas foram confia- arte cristã estarem ainda mais longe.
das diferentes tarefas e eles tiveram, por conseguinte,
que se adaptar aos novos métodos.
O mais citado do edifício é o Panteão, templo
dedicado a todos os deuses. O único templo da anti-
guidade clássica que sempre se conservou como local
de culto.

Cristo com São Pedro e São Paulo, c. 389


d. C. Relevo em mármore do sarcófago
de Junius Bassus; cripta de São Paulo, Roma.

Os primeiros artistas chamados a pintar ima-


gens para lugares cristãos de sepultamento – as cata-
cumbas humanas. A representação pictórica deixara
de existir como uma coisa bela por si mesma. Seu
principal intuito era recordar agora aos fiéis um dos
exemplos do poder e da misericórdia de Deus.
Começava a separar os ideais de fiel imitação,
O interior do Panteão, Roma, c. 130 d. C. Pinturas atentando-se à idéia de clareza e simplicidade, procu-
de G.P. Pamini, Santeuns Museum for kunst, Copenhague. rando o máximo de nitidez e objetividade.
A arte primitiva cristã pode ser comparada à
Os romanos agiam dentro de seu principal ob- tentativa infantil de se criar um desenho. De traços
jetivo, narravam as façanhas de um herói e procura- simples e contornos toscos, suas imagens eram priva-
vam o grande valor para as religiões. das de apuro técnico, pois não eram executadas por
A arte grega e romana, que tinha ensinado o artistas profissionais e sim por homens simples da
homem a visualizar deuses e heróis com belas for- sociedade cristã ainda perseguida pela proibição ao
mas, também ajudou os indianos a criar uma imagem cristianismo.
do seu salvador. Suas imagens giravam em torno dos símbolos
cristãos, como a âncora, a palma, a cruz e o peixe,
símbolo predileto dos cristãos.

Cabeça do Buda, século IV - V d.C. Encontrada em Hadda,


Afeganistão (Antiga Gandhara); estuque com traços de
pigmentos, altura 29 cm, Victoria Albert Museum, Londres.

Editora Exato 5
ARTES

O GÓTICO
O estilo romântico não sobreviveu sequer ao permitiam que significado e mensagem pudessem ser
século XII, permitindo nascer na França setentrional entendidos e meditados pelos fiéis.
o aparecimento do estilo gótico. A tarefa dos pintores nórdicos era a iluminação
As diferenças inovadoras foram descobertas de manuscrito; observe “o sepultamento de cristo”:
pelo método de alobar uma igreja por meio de arcos “Mostra-nos semelhante importância em expor
transversais, desejaram empregar pilares leves e os sentimentos das figuras. A virgem debruça-se so-
“costelas” estreitas nas arestas da abóbada. Passou a bre o corpo morto de Cristo e S. João entrelaça a
ser o ideal dos arquitetos construir igrejas quase à mão, numa atitude de profundo pesar”.
maneira como hoje se constrói estufa. No século XIII,a época das grandes catedrais, a
Surgia uma idéia dominante das catedrais góti- França era o mais rico e o mais importante da Euro-
cas, desenvolvidas ao norte da França durante a 2ª pa. Somente na segunda metade século XIII é que um
metade do século XII. escultor italiano começou a seguir o exemplo dos
O princípio de cruzamento de “nervuras” não mestres franceses e a estudar os métodos da escultura
foi suficiente, foi preciso unir segmentos de arcos – clássica a fim de representar a natureza de modo mais
criando os arcos mais achatados ou pontiagudos, se- concrescente.
guindo as exigências da estrutura. A arte italiana encontrou o pintor genial floren-
No interior de uma catedral gótica somos leva- tino Giotto de B. As mais famosas obras de Giotto
dos a compreender complexas interações de traços e são os murais ou afrescos (pintura ainda fresca, ou
pressões que mantêm a grandiosa abóbada em seu lu- úmida).
gar. Todo o interior parece tecidos delicados, fustes e Ele criou a ilusão de que a história sagrada es-
nervuras e ao longo as paredes da nave parecem reu- tava acontecendo diante dos nossos olhos, já não era
nir no capitel dos diversos pilares que são formados suficiente examinar as representações mais antigas da
por um feixe de varas de pedras. mesma cena e adaptar aqueles modelos consagrados
Eram formadas de vitrais policromos que refu- pelo tempo a um novo uso.
gam como rubis e esmeraldas. Os pilares, nervuras e Observe a obra, o tema é o velório em torno do
rendilhados despendiam cintilações douradas. corpo de Cristo, a virgem abraçando-lhe pela última
Nos portais, as figuras esculpidas que se aglo- vez.
meram nos poéticos das grandes catedrais góticas

Editora Exato 6
ARTES

Variou o tamanho das figuras de modo a en- uma vez que os interesses enveredaram por esse ca-
caixá-la bem na página, e se tentarmos imaginar as minho, a arte medieval podia realmente considerar-se
figuras em 1º plano e S. João ao fundo – com Cristo e no fim. E a partir daqui chegamos a tal grandioso pe-
a Virgem, percebe-se que tudo está espremido e que ríodo renascentista.
o artista não se importou com problemas de espaço. O início do século XV, conquistando a
Para Giotto, o observar é como uma testemu- realidade
nha do que estava acontecendo, ele mostra de modo
O renascimento ganhava terreno na Itália des-
tão convincente como cada figura reflete a dor pro-
de a época de Giotto, e ali mesmo a idéia de renasci-
funda suscitada pela trágica cena que não podemos
mento associava-se, na mente dos romanos, à idéia de
deixar de pressentir a mesma aflição nas figuras aga-
ressurreição da “grandeza de Roma”.
chadas, cujos rostos não podemos ver.
Os italianos do século XIV acreditavam que a
Como o trabalho continuava no século XIV,
arte, a ciência e o saber haviam florescido no período
vem-se a ambição dos grandes bispados por podero-
clássico, que todas essas coisas foram destruídas pe-
sas catedrais. Podemos dizer que o gosto do século
los bárbaros do Norte e que a eles cabia a missão de
XIV se inclinava mais para o refinado do que para o
reviver o passado glorioso.
grandioso.
O líder foi o arquiteto Fillipo Brunelleschi, que
Em sua arquitetura, já não se contentavam com
decidiu descartar inteiramente o estilo tradicional a-
os métodos e majestosos contornos, gostavam de exi-
dotado e ansiava pelo modelo romano.
bir sua habilidade na decoração e nos rendilhados
Tinha como intenção que as formas da arquite-
complexos. Há quem afirme que as obras mais carac-
tura clássica fossem desenvolvidas de formas livres
terísticas deste século são os trabalhos menores em
usadas para criar novos modos de harmonia e beleza.
metais preciosos ou marfim, em que o amor dos pin-
Brunelleschi não foi apenas o pioneiro da ar-
tores do século XIV por detalhes graciosos e delica-
quitetura da Renascença, mas também dominou toda
dos é visto em manuscritos iluminados, e o método
a arte de séculos subseqüentes: a da perspectiva,
de contar a história continua um tanto irreal.
culminou colunas, pilastras e arcos à sua própria ma-
Somente no decorrer do século XIV é que os
neira, a fim de lograr um efeito de leveza e elegância
dois elementos dessa arte, a leve narrativa e a obser-
diferente de tudo o que se construíra antes.
vação se conjugaram gradualmente.
Foi Brunelleschi quem forneceu a artistas mei-
Giotto foi contemporâneo do grande poeta flo-
os técnicos para solucionar esse problema. E o entu-
rentino Dante, que o menciona na divina comédia.
siasmo que isso causou entre os seus amigos pintores
Esses, entre outros artistas do século XIV, pintaram
deve ter sido imenso.
copiando da natureza, o que desenvolveu a arte retra-
A figura a seguir trata de um mural numa igre-
tista.
ja florentina representando a Santíssima trindade com
A Boêmia tornou-se um dos centros através do
a Virgem e S.João sob a cruz, e os doadores – um ve-
qual essa influência, oriunda da Itália e da França,
lho mercador e sua esposa – ajoelhados do lado de
propagou-se mais amplamente, alcançado contato a-
fora.
inda com a Inglaterra. A Europa da igreja latina ainda
O artista que representou tal grandiosidade
era mais vasta. Artistas e idéias circulavam livremen-
chama-se Masaccio, que significa “desejeitado”, sua
te de um centro para o outro, e ninguém pensava em
arte não constituía apenas a perspectiva elaborada na
rejeitar uma realização por ser “estrangeira”. O estilo
pintura, mas elaborou através da simplicidade e gran-
surgiu do intercâmbio em fins do século XIV, é co-
deza das figuras que eram emolduradas por essa nova
nhecido entre os historiadores como o “estilo interna-
arquitetura.
cional”.
Figuras maciças em sólidas formas angulares e
Os artistas desse estilo aplicaram a mesma ca-
a presença de um túmulo sombrio com um esqueleto
pacidade de observação e o mesmo prazer em coisas
acima, substituindo a delicadeza das flores e pedras
belas e delicadas sempre que retrataram o mundo à
preciosas.
sua volta. Tinha o costume da Idade Média ilustrar
calendários com quadros das diversas ocupações ca-
racterísticas dos sucessivos meses: se menteira, caça,
colheita etc.
Aqui era possível colocar todo o conhecimento
adquirido da natureza a serviço da arte religiosa, co-
mo os mestres do século XIV tinham feito. Havia o
treino antes das antigas fórmulas para representar as
principais figuras da história sagrada. Sendo assim,

Editora Exato 7
ARTES

tante determinado na reprodução minuciosa de cada


detalhe em sua pintura.
Os artistas aqui citados até agora tinham de-
senvolvido um método pelo qual a natureza podia ser
representada num quadro com exatidão quase cientí-
fica. Começavam com uma estrutura de linhas em
perspectivas, e construíam o corpo humano graças
aos seus conhecimentos de anatomia e das leis da na-
tureza, mediante a paciente adição de detalhe, até que
a tonalidade da sua pintura se convertesse num espe-
lho do mundo visível.
Jan foi o inventor da pintura a óleo, os artistas
tinham que preparar suas tintas extraídas de plantas e
minerais, adicionado um líquido aos pigmentos ad-
quiridos, a fim de convertê-los em uma pasta.
Observe a obra em que descreve o espelho da
realidade, onde nada lhe faltava: o tapete e os chine-
los, o rosário na parede, entre outros detalhes.

Entre os maiores escultores, citamos Donatel-


lo, o qual transmitia a suas imagens uma impressão
de vida e movimento, cujos contornos permanecem
claros e sólidos como uma rocha. Ele nos revela, as-
sim, tirar uma nova representação através da obser-
vação na natureza.
Jan Van Eyck – Os ensaios dos Amolfini, 1434. Óleo sobre madeira, 81,8
O estudo do corpo humano era inevitável e pa- x 59,7 cm: Nacional Gallery, Londres
ra realizá-lo solicitava a seus colegas artistas que po- O pintor foi chamado a registrar esse importan-
sassem para ele em atitude requerida, a fim de te momento como testemunha. Entende-se que ele foi
parecer sua obra mais convincente. chamado para declarar que estivera presente num ato
A arte da perspectiva aumenta ainda mais a i- solene idêntico. O fato se explica no momento em
lusão de realidade. Auxiliada pelo domínio da ciência que pôs seu nome numa posição de destaque do qua-
e o conhecimento da arte clássica permaneceu de dro, com as palavras latinas: “Johannes de eyck fuit
posse exclusiva dos artistas italianos da Renascença. hit”. (Jan Van Eyky esteve aqui).
Deixemos um pouco a pintura de lado, afinal
de contas não foi a única arte que realizou conquistas
da realidade do Norte. Na região dos Países Baixos, o
pintor Jan Van Eyck fazia descobertas revolucioná-
rias.
Jan Van Eyck atinham-se à observação da na-
tureza e cada vez mais paciente, ele parecia ser bas-

Editora Exato 8
ARTES

Final do Século XV na Itália cela de cada monge e no final de cada corredor. Ob-
As novas descobertas que os artistas da Itália e serve uma de suas pinturas.
Flandres tinham feito nos começos do século XV: a
nobreza do período comungava nos ideais da cavala-
ria; sua lealdade ao rei ou ao senhor feudal não im-
plicava que se considerassem os paladinos de
qualquer povo ou nação. Cada cidade orgulhava-se e
era ciosa de sua própria posição e privilégios no co-
mércio e indústria. Assim que os artistas ganharam
importância. Os artistas, como todos os artesão e artí-
fices, organizaram-se em corporações, as quais eram
companhias ricas que faziam ouvir sua voz na admi-
nistração da cidade, e não só a ajudavam a prosperar
como também se empenhavam em fazê-la bela, po-
rém dificultavam a todo e qualquer artista estranho
obter emprego ou instalar-se entre eles.
No século XV, a arte fragmentou-se numa sé-
rie de “escolas” diferentes; quase todas as cidades,
grandes ou pequenas, da Itália, Flandres e Alemanha
tinham sua própria “escola de pintura”. O termo es-
cola era para determinar que se uma criança se dedi-
Fra Angélico – A anunciação, 1440. Afresco
casse à pintura, o pai a colocava desde cedo na casa
187 x 157. Museu di San Marco, Florença.
dos mestres da cidade, com a intenção dele se tornar
um aprendiz.
Outro a ser citado é o pinto Paolo Uccello, a-
Como exemplo do período citamos Fra Angé-
parentemente sua pintura parece bastante medieval.
lico, um frade dominicano, e os afrescos que pintou
em uma de suas mais belas obras, uma cena sacra na

Paolo Uccello – A Batalha de San Romano, c. 1450. Provavelmente de um aposento do Palazzo Médici Florença, óleo sobre madeira,
181,6 x 320 cm. National gallery, Londres.

O pintor empenhou-se em representar as várias bordagem oposta. Tentou construiu um convincente


peças de armadura que juntam o solo da perspectiva. alço onde suas figuras parecessem sólidas e reais.
Isso deve ter sido de extrema dificuldade. Uma pintu- Apesar de tudo, Uccello ainda não aprendera a
ra pequena em relação a tantas outras figuras. usar os efeitos de luz e sombra, a fim de suavizar os
Paollo devia à tradição gótica, e como a trans- duros contornos de uma representação estritamente
formou, optou por uma abordagem de todas as coisas perspectivada.
até o ínfimo sombreado. Uccello optou por uma a-
Editora Exato 9
ARTES

Nesse tempo, outros pintores nas cidades ao


norte e ao sul de Florença tinham absorvido a mensa-
gem da nova arte de Donatello e Masaccio, e ansio-
sos por extrair dela o máximo proveito do que os
próprios florentinos.
Outro grande pintor foi Piero della Francesca.
Seus afrescos foram pintados pouco depois de mea-
dos do século XV, uma geração após Masaccio.

Editora Exato 10
ARTES

LISTA DE EXERCÍCIOS
2 Conforme a imagem, julguem os seguintes itens:
EXERCÍCIOS

1 Em Giotto, encontramos um artista de tempera-


mento muito mais ousado e dramático. Desde o
início, Giotto estava menos próximo da maneira
grega e foi, por instinto, um pintor de afrescos,
muito mais de painéis. Devemos agora voltar
nossa atenção para a pintura italiana que no final
do século XII, gerou uma extraordinária explosão
de energia criadora, cujos resultados foram tão
prolíferos quanto havia sido a ascensão das cate-
drais góticas na França.

1 As duas pinturas foram colocadas lado a lado


para dar a impressão de constituírem uma só
obra.
2 Os detalhes da paisagem são proporcionais às
figuras características das obras renascentistas.
3 Percebe-se na obra um esforço do artista em
fazer-nos crer que a paisagem envolve o edifí-
cio.
4 Apesar de todos os detalhes, o painel não apre-
senta profundidade.

3 Usando seu próprio testemunho, Piero della


Conforme imagem e texto, julgue os itens: Francesca, podemos dizer que suas obras nasce-
1 A ação da cena desenvolve-se em primeiro ram de sua paixão pela perspectiva. Mais que
plano. qualquer artista de seu tempo, ele acreditava na
2 Giotto faz com que o olhar do espectador fique perspectiva científica como sendo a base da pin-
no mesmo nível das cabeças das figuras, pare- tura; em um tratado repleto de rigor matemático,
ce dar continuidade ao espaço em que nos en- o primeiro do gênero, ele demonstrou como a
contramos. perspectiva se aplicava aos corpos estereométri-
3 A arquitetura é apresentada na imagem com a cos e formas arquitetõnicas, bem como a forma
mesma importância com que é narrada a histó- humana.
ria em sua obra.
4 A profundidade é obtida através dos volumes
combinados dos corpos sobrepostos na pintura.

Editora Exato 11
ARTES

Com base no texto e imagem, julgue os itens: 6 A arte gótica, como a conhecemos até o presente,
1 A sua obra apresenta, em sua arquitetura, uma reflete um desejo de conferir aos temas tradicio-
ilusão de formas geométricas. nais do cristianismo um apelo emocional cada
2 Suas pinturas já não têm por função represen- vez mais intenso. A mais característica e difundi-
tar um acontecimento. da dessas imagens é chamada Pietà, uma repre-
3 A pintura observada destina-se a transmitir sentação da Virgem lamentando o Cristo morto.
emoções, como alegria e tristeza. Essa cena não aparece nas escrituras. foi criado
4 As figuras representadas parecem estar estáti- em contrapartida ao tema da Madona com o Me-
cas. nino.

4 No século XVI, a nova arquitetura foi chamada


desdenhosamente de gótica, porque tinha uma de
aparência tão bárbara que poderia ter sido criada
pelos godos, povo que invadiu o Império Romano
e destruiu muitas obras da antiga civilização ro-
mana. Mais tarde, o nome gótico perdeu seu cará-
ter depreciativo e ficou definitivamente ligado à
arquitetura dos arcos ogivais.
Partindo da leitura feita do texto, julgue os itens:
1 A rosácea, uma janela arredondada, é um ele-
mento arquitetônico característico do estilo gó-
tico, porém foi na renascença que recebeu um
destaque maior.
2 A característica mais importante gótica é a a-
bóbada de nervura, a mesma utilizada na igre-
jas românicas. Conforme texto e imagem, julgue os itens:
3 A utilização de arcos ogivais possibilitava que 1 O realismo registra na expressão quase até o
as igrejas fossem construídas mais altas. grotesco, de modo a provocar uma opressiva
4 A igreja gótica apresenta um tímpano na sua sensação de horror e piedade.
fachada principal, os quais narram, através de 2 Seus corpos macelentos e parecidos com mari-
trabalhos escultóricos, momentos diferentes da onetes, atinge o ponto extremo da negação dos
vida de Cristo. aspectos físicos da figura humana.
3 É possível notar a ausência ao observador, já
5 Nas, artes, o ideal humanista e a preocupação que a sua intenção era representar os temas
com o rigor cientifica podem ser encontrados nas cristãos.
mais diferentes manifestações. Trabalhando ora o 4 A imagem incorpora as forças das trevas, se-
espaço, na arquitetura, ora as linhas e cores, na melhantes às enormes famílias de criaturas
pintura, ou ainda os volumes, na escultura, os ar- selvagens ou monstruosas ,registradas na Idade
tistas do Renascimento sempre expressaram os Média.
maiores valores da época a racionalidade e a dig-
nidade do ser humano. 7 Michelângelo exemplifica mais plenamente que
Com base no texto, julgue os seguintes itens: qualquer outro artista o conceito de genialidade
1 O renascimento buscava em sua arquitetura a como inspiração divina, um poder sobre-humano
ordem e a disciplina que igualasse ao ideal de concedido a poucos e raros indivíduos, e que atua
infinitude do espaço das catedrais góticas. através deles. Ao contrário de Leonardo, para
2 A matemática estabelecida para a ocupação do quem a pintura era a mais nobre das artes porque
espaço pelo edifício foi estabelecida para o ob- abarcava todos os aspectos visíveis do mundo; A
servador pudesse compreender a lei que o or- arte, para ele, era uma ciência. mas sim "a criação
ganiza, de qualquer ponto em que se coloque. de homens", a análoga à criação divina.
3 A preocupação dos construtores renascentistas
era criar espaços compreensíveis de todos os
ângulos visuais.

Editora Exato 12
ARTES

3 Toda a gestualidade registrada na obra é desvi-


ada para a virgem, já que ela é o ponto mais al-
to da imagem e o mais iluminado.
4 A profundidade da imagem é dada pela luz que
brilha muito além da escuridão da superfície
das pedras.

9 No Egito, ao dominar uma série de leis rigoro-


sas,o artista dava por encerrada a sua aprendiza-
Conforme texto e imagem, julgue os itens: gem. Ninguém queria coisas diferentes, ninguém
1 A cena apresenta uma dramática justaposição lhe pedia que fosse original. As figuras eram re-
do homem e de Deus. presentadas da forma mais claramente visível.
2 A imagem é semelhante às imagens gregas, Na Grécia, embora os artistas não copiassem a
que mostram sua beleza e corpos trabalhados. natureza tal como a viam, já não consideravam a
3 A imagem possui uma construção diagonal, o fórmula de representação da figura humana como al-
que desequilibra a obra. go sagrado, que devesse ser seguida em todos os
4 A imagem de Adão representado por um ho- pormenores.
mem jovem, cujo corpo forte e harmonioso A grande revolução da arte grega, a descoberta
concretiza o ideal da beleza do Renascimento. de formas naturais e do escorço, ocorreu em uma é-
poca que é, acima de tudo, o mais assombroso perío-
do da história humana. É a época em que o povo das
8 Leonardo não pensa em termos de contornos, cidades gregas começou a contestar as antigas tradi-
mas sim de corpos tridimensionais que tornam ções e lendas sobre os deuses e a investigar sem pre-
visíveis, em graus variados, através da luz. Nas conceitos a natureza das coisas
sombras, essas formas permanecem incompletas,
e seus contornos são sugeridos.

Conforme a figura e o pequeno trecho sobre os


estudos da pintura do autor Leonardo, julgue os itens:
Figura I A deusa Hathor e o rei Sthi I, 19, dinastia, 1303-1290 a.C.
1 As figuras estão em disposição geométrica, de
maneira que formem uma pirâmide, onde a ba-
se é a Virgem.
2 O contraste de claro e escuro que incide no
rosto da virgem a torna o centro da obra.

Editora Exato 13
ARTES

dos instrumentos que os grupos utilizavam em suas


atividades, como pontas de projéteis em osso, lâmi-
nas de machado, quebra-coquinhos, agulhas, pesos de
rede, anzóis, além de objetos de arte, como o objeto
de pedra representando uma ave, mostrando na figura
II, acima.

Figuras II Cenas de aprendizagem, pintura sobre cerâmica.


Com o auxílio do texto e das figuras acima,
julgue os itens que se seguem, acerca das diferenças
de estilo e de forma nas artes egípcia e grega.
1 Na arte egípcia, os artistas utilizavam a lei da Figura I-Sambaqui. Sítio Figueirinha-I, Jaguaruna, Santa Catarina
frontalidade.
2 As figuras humanas, na obra egípcia mostrada
na figura I, têm o mesmo tamanho e, portanto,
possuem a mesma importância na cena.
3 O desenho sobre o vaso grego, mostrado na fi-
gura II, embora naturalista, tem função decora-
tiva.
4 Ao contrário do que mostra a obra de arte e-
gípcia, representada na figura I, o desenho do
vaso grego representado na figura II é estático.
5 O autor do relevo egípcio, mostrado na figura
Figura II- Zoolito, acervo do MAE-USP
I, teve liberdade para escolher as cores de sua
pintura. Com base no texto e nas figuras acima, julgue
os itens seguintes, acerca dos sambaquis e de outras
evidências da arte e da cultura dos habitantes primiti-
10 Esta narrativa faz parte da mitologia contada pe- vos do Brasil.
los povos de língua tupi e relata a história de um 1 Alguns sambaquis demoraram centenas de a-
povo na busca da Terra sem Mal, da eterna fonte nos para serem construídos.
de juventude de Maíra e de uma inesgotável pro- 2 Os sambaquis eram construídos por grupos que
fusão de alimentos e recursos em geral. De fato, habitavam e exploravam o ambiente marinho.
mais ou menos há 1.500 anos, partindo do Ama- 3 O objeto mostrado na figura II traduz a mani-
zonas, esses grupos empreenderam um enorme festação de um valor cultural ligado à sobre-
deslocamento populacional, expandindo seu terri- vivência do grupo social que o produziu.
tório e alcançando, na época da colonização eu- 4 A técnica de desbaste utilizada no trabalho em
ropéia,uma verdadeira unidade nacional. Suas pedra mostrado na figura II permitiu obter de-
aldeias se distribuíam da Amazônia ao sul do talhes minuciosos.
Brasil, formando uma extensa faixa ao longo do 5 As dimensões dos sambaquis e o seu destaque
litoral. na paisagem fazem que eles pareçam monu-
Há mais ou menos 6.000 anos, uma parte do li- mentos para a demarcação do território ocupa-
toral brasileiro começou a ser ocupada por grupos do pelo grupo que os construiu.
que, utilizando os recursos oferecidos por oceanos,
mangues e lagunas, construíam sambaquis, como o
mostrado na figura I, acima, com cerca de 15 m de 11 O trecho a seguir traz a opinião de Ulpiano Be-
altura. zerra de Meneses acerca da definição da arte no
O nome sambaqui vem da língua tupi (tampa = período pré-colonial no Brasil.
marisco e ki = amontoado), e é mais ou menos isso É preciso evitar noções associadas ao fenôme-
que os sambaquis representam. no artístico na civilização ocidental, em que a produ-
Em um sítio sambaqui, encontramos marcas de ção internacional (ou a conversão de produção
fogueiras, de habitações, restos de alimentos e deze- originada de outro contexto), a circulação e o consu-
nas de sepultamentos. Encontramos, ainda, muitos mo de certos bens obedecem a tal especificidade, que

Editora Exato 14
ARTES

é possível falar em categorias como objetos artísticos, 15 A arte egípcia tinha como seu deus não a coca–
artista, colecionador de arte, marchand e assim por cola, mas ao faraó a quem exortavam em suas
diante. Dentro dessa perspectiva, é totalmente inade- pinturas e esculturas.
quado presumir uma atividade artística para as cultu-
16 As figuras encontradas no período egípcio eram
ras primitivas e, portanto, tentar identificar uma
bastante adornadas com ouro e brilho para manter
classe de produtos de arte ou buscar especialização
a crença e o poder hierárquico de seu povo.
na sua manufatura. Por outro lado, remeter, como so-
lução alternativa, todos e quaisquer fenômenos for- 17 A arte na pré–história assemelha-se aos egípcios
mais relevantes, nessas culturas, a um contexto quando suas figuras produzem movimento e ins-
cerimonial e a conteúdos simbólicos é praticar outra tabilidade em cena.
forma de reducionismo que nada pode esclarecer. 18 As imagens no período paleolítico e neolítico não
se diferenciavam em suas formas apenas na temá-
tica e na organização das figuras.
19 Os artistas gregos iniciavam sua arte semelhante
à arte egípcia o tronco do corpo geometrizado aos
quadris.
20 Os egípcios e os povos primitivos possuíam suas
estilizadas.
21 Os romanos diferenciam em sua arte dos artistas
gregos apenas pelos valores das vestimentas.
22 Os artistas gregos idealizavam os homens como
Ulpiano Bezerra de Meneses. A arte no período pré-colonial. Walther Zanini. Histo- centro do universo, semelhantes aos deuses.
ria geral da arte no Brasil. São Paulo,Instituto Walther Moreira Salles, 1982, v 1 p
21. 23 Os romanos, além da escultura, que aperfeiçoa-
A partir do texto e da figura acima, que mostra ram em seu estilo artístico, tinham a arquitetura
urna funerária confeccionada em argila, julgue os i- como um dos seus grandes méritos, pois conse-
tens a seguir. gue elaborá-las em andares.
1 A urna exibida não tem função utilitária.
2 Os pés da figura humana representada pela 24 A arte cristã–primitiva era realizada em templos,
uma mostrada têm também a função de dar a- onde estabelecia a nova religião cristianismo.
poio ao objeto. 25 Os gregos dividem-se em três períodos artístico
3 O material utilizado na confecção da uma mos- arcaico, clássico e o período helênico, onde suas
trada na figura é raro no Brasil esculturas desenvolvem-se com novas formas e
4 A cerâmica é geralmente produzida por socie- sem implementação de materiais inovadores.
dades que não atingiram um estágio agrícola.
5 Conforme o exemplo da uma exibida na figura, 26 As catacumbas cristãs assemelham-se aos rituais
as irregularidades na superfície do objeto em egípcios, pois eles acreditavam em desenhos ar-
cerâmica tomam sua forma assimétrica. tísticos, como magia, pré–destinadores de salva-
ção.

Julgue os itens: 27 O dinamismo da arte grega é dado quando as fi-


guras femininas são representadas envolvidas por
12 Apesar do texto no final criticar o contemporâ- pequenos panos sugerindo o movimento.
neo, enfatiza a importância de conhecer o princí-
pio e a cultura que motiva a existência destes 28 A escultura helenística é o auge grego quando se
povos. descobre o bronze e o mármore um material que
permite maior maleabilidade para esculpi-las e
13 O princípio apresentado pelos arqueólogos em assim criar novas formas e posições.
seus estudos científicos era uma organização so-
cial de no classes paleolítico e no neolítico. 29 Algumas esculturas gregas foram encontradas i-
nacabadas, por causa do material que não propor-
14 Não existe, segundo pesquisas realizadas, ne- cionava firmeza e assim quebravam quando não
nhuma relação do ritual realizado pelos povos e- estavam em repouso.
gípcios ao ritual dos povos primitivos.
30 As imagens na pré–história, durante o período
paleolítico, eram sobrepostas, pois eles não ti-

Editora Exato 15
ARTES

nham um sistema organizacional como o período Lendo o texto, julgue os itens sobre a arte roma-
neolítico. na.
31 A arquitetura na Grécia limitava-se a grandes es-
1 A estrutura romana era exclusiva para que se
pudessem glorificar os deuses em que eram re-
paços retangulares com colunas dóricas e jônicas.
presentados através de esculturas.
32 A tentativa de perspectiva da arte egípcia é dada 2 A arte romana é menos idealizada e intelectual
pela proporção em que as figuras são representa- que a arte clássica grega, porém os romanos
das. desenvolviam um maior poder de razão e inte-
33 A arte no período paleolítico já demonstrava a lecto em relação a administração, enquanto que
necessidade de criar volume e dar formas com os gregos queriam apenas brilhar.
maior precisão, pois tratava da sobrevivência e 3 As formas romanas são exclusivas e distintas.
fé. 4 A utilização inovadora da arquitetura romana
permitiu projetos mais flexíveis como a utili-
34 Os egípcios eram regidos por leis e regras deter- zação de abóbadas, formas curvas e circulares.
minadas pelos faraós, que manipulavam a arte em
seu favor. 38 A pintura de vasos tornou-se uma importante in-
35 A arte iniciou por estranhos começos nos quais dústria em Atenas, e os humildes artífices empre-
os homens estabeleciam uma comunicação entre gados nas oficinas estavam ávidos por introduzir
si. as mais recentes descobertas em seus trabalhos.
Nos primeiros vasos, pintados no século VI a.C.,
36 A arte é considerada primitiva porque seus artis-
ainda encontram-se vestígios dos métodos egíp-
tas não sabiam desenhar e manipular as cores
cios.
conforme as observavam.

37 A maioria dos artistas que trabalhavam em Roma


eram gregos, e a maioria dos colecionadores ad-
quiria obras dos grandes mestres gregos ou có-
pias dessas obras. Apesar disso, a arte mudou,
quando Roma se tornou senhora do mundo. Aos
artistas foram confiadas diferentes tarefas, e eles
tiveram, por conseguinte, que se adaptar aos no-
vos métodos. A mais importante característica da
arquitetura romana é, porém, o uso de arcos.
Construir um arco com pedras separadas em for-
ma de cunha é uma dificílima façanha de enge- 1 Ambas as figuras são rigorosamente mostradas
nharia. Cada vez mais ousados, os romanos de perfis, assim como na arte egípcia, onde
tornaram-se grandes especialistas na arte da cons- nobres e escravos eram representados pela lei
trução de abóbadas, graças a diversos expedientes da frontalidade.
de natureza técnica. 2 Com o passar do tempo, os gregos atingem e-
feitos realistas através de utensílios domésti-
cos.
3 Nas pinturas em cerâmica, exclusivamente em
vasos, encontravam-se apenas figuras de he-
róis.
4 A cor avermelhada que faz o plano de fundo
aos heróis é a descoberta da arte grega.

39 A grande revolução da arte grega, a descoberta


de formas naturais e do escorço (síntese do dese-
nho), ocorreu numa época que é, certamente, o
mais assombroso período da história humana. É a
época em que os povos das cidades gregos come-
çaram a contestar as antigas tradições e lendas
sobre deuses, e a investigassem preconceitos a

Editora Exato 16
ARTES

natureza das coisas. É período em que a ciência, 3 O desenho do vaso grego representado é estáti-
tal como hoje entendemos o termo, e a filosofia co.
desperta pela primeira vez entre os homens, e de- 4 A arte grega envolve uma harmonia em sua
senvolvendo-se o teatro a partir das cerimônias obra tão expressiva que tudo se combina, o que
em honra a Dionísio. produziu uma composição harmoniosa.
5 A arte grega possui suas formas geométricas
de rigidez, retendo uma singela beleza e luci-
dez em sua obra.

41 A partir do século 12 os centros irradiadores de


cultura deixaram de ser os mosteiros e se expan-
diram para as igrejas das grandes cidades da Eu-
ropa. A catedral da cidade tornou-se o edifício
mais importante e é nela que vamos encontrar to-
das as características do estilo gótico.
A respeito da Arte Gótica, julgue os itens:
1 A pintura é o elemento mais característico da
arte Gótica.
2 A arquitetura Gótica é esbelta e muito alta,
como querendo elevar-se ao céu em busca de
Deus.
3 A escultura gótica está associada diretamente
à arquitetura.
4 Os vitrais filtram a luz natural e colorem o in-
1 O pé direito ainda foi desenhado da maneira terior das igrejas góticas.
“padronizada”, mas o esquerdo já está “escor-
çado”, ver-se os cincos dedos dispostos como 42 A difusão do cristianismo e sua afirmação coin-
uma fileira de cinco pequenos círculos. cidiu historicamente com o momento de esplen-
2 Neste vaso, é possível observar que o artista dor do Império Bizantino e a arte tomou novo
grego desenvolveu o seu olhar sobre a obra, ou direciomamento, refletindo toda a grandeza e o
seja, passa a levar em conta o ângulo de onde contexto político daquela sociedade.
ele vê o objeto. Quanto à Arte Bizantina, julgue os itens:
3 As artes gregas estavam voltadas apenas para 1 Com a oficialização do cristianismo a arte
narração de eventos contemporâneos surgidos cristã assume um caráter majestoso.
na época. 2 Apesar das tentativas de conquista do povo a-
4 O escorço ajuda a obter uma maior perfeição través da oficialização do cristianismo e da
para se pintar a realidade tal como ela é vista. mudança da linguagem dos temas artísticos, a
arte assumiu um caráter de contestação política
40 Todas as obras gregas do século V a.C. mostram contra a posição do Imperador de se colocar no
essa sabedoria e habilidade na distribuição das fi- lugar de Deus.
guras, mas os gregos de então valorizam ainda 3 A arte Bizantina ganhou, além da expressivi-
mais o fato de que a recém–adquirida liberdade dade natural da arte, uma função de divulgação
para representar o corpo humano em qualquer e promoção política.
posição ou movimento podia ser utilizada para 4 Na verdade, mesmo com todas as mudanças
refletir a vida interior das figuras representadas. político-sociais, houve uma mudança significa-
Após ler o texto e observar a obra, julgue os i- tiva no fazer artístico daquele período.
tens:
1 Subentende-se através do texto que os artistas
43 Desde que Roma adotou a religião cristã o ho-
gregos tinham dominado os meios de transmi-
mem europeu passou a viver apenas para Deus e
tir um pouco dos sentimentos mudos existentes
a arte servia como veículo para afirmar sua cren-
entre as pessoas.
ça. No século 14 houve muito progresso nas ar-
2 O desenho representado sobre o vaso grego
tes, na literatura e nas ciências e o homem voltou-
mostrado, embora naturalista, tem função de-
se para si mesmo, recolocando-se como a criatura
corativa.
mais importante da Terra.
Editora Exato 17
ARTES

A respeito do Renascimento, julgue os itens: GABARITO


1 O Renascimento é dividido em quatrocentis-
mo (séc. XV) e quinhetismo (séc. XVI). 1 C, C, C, E
2 A pintura no quatrocentismo empregou muito
os tons claro e escuro e preocupou-se com a fi- 2 C, E, C, E
delidade anatômica. 3 E, C, E, C
3 A escultura do renascimento não tinha preo-
4 E, E, C, E
cupação com a anatomia.
4 Na arquitetura os prédios eram inovadores e 5 E, C, E, C
não tinham ligações com a antiguidade clássi-
6 C, C, E, E
ca.
7 C, C, E, C
44 Quanto às características da escultura gótica ana- 8 E, C, E, C
lise e julgue os itens a seguir em certos ou erra- 9 E, C, C, E, E
dos.
1 A escultura está intensamente ligada a arqui- 10 E, E, C, C, E
tetura. 11 C, C, C, C, E
2 Sua função é ocupar espaço dentro das cons-
truções. 12 C
3 As imagens nuas são um marco, pois se des- 13 E
tacam das demais criações deste período.
4 Sua função era única e meramente decorativa. 14 E
15 E
45 Quanto às características do Renascimento, jul- 16 C
gue os itens.
17 E
1 Na escultura renascentista predomina o nu,
assim como no clássico grego. 18 E
2 A posição do homem como o centro do mun- 19 E
do é visto pela primeira vez no Renascimento.
3 É na arquitetura renascentista que se decora o 20 C
interior dos ambientes com inspiração na arte 21 E
da Idade Média.
4 A pintura renascentista acompanha os mes- 22 E
mos padrões da escultura grega. 23 C
24 E
46 Quanto à pintura renascentista, julgue os itens.
1 No chamado quatrocentismo empregou-se o 25 E
claro e o escuro. 26 C
2 Houve uma grande preocupação com a fideli-
dade anatômica. 27 E
3 Personagens de outras épocas foram vestidos 28 C
com roupas do século XV.
29 C
4 Apesar das tentativas de conquista do povo a-
través da oficialização e da mudança da lin- 30 C
guagem dos temas artísticos, a arte assume um
31 C
caráter de contestação política contra a posição
do Imperador de se colocar no lugar de Deus. 32 C
33 C
34 C
35 E
36 E

Editora Exato 18
ARTES

37 E, C, E, C
38 E, C, E, C
39 C, C, E, C
40 C, C, C, C, E
41
42
43
44
45
46

Editora Exato 19
ARTES

BARROCO
1. INTRODUÇÃO Barroco apresentou um dinamismo e um exagero de
formas e cores jamais visto no Renascimento.
Historicismo A Pintura Barroca na Itália
1523 – Reforma Protestante de Lutero. De um modo geral, a pintura barroca pode ser
1541 – Contra-Reforma Católica. resumida em alguns pontos principais. O primeiro é a
1542 – Instaurada a Santa Inquisição pelo Concílio disposição dos elementos dos quadros, que sempre
de Trento. forma uma composição em diagonal. Além disso, as
1600 – Caravaggio pinta A Conversão de Santo Pau- cenas são envolvidas em acentuado contraste de cla-
lo. ro-escuro, intensificando a expressão de sentimentos.
1607 – Final das obras da Basílica de São Pedro. E se a pintura barroca é realista, essa realidade não é
1612 – Ingleses iniciam a colonização da Índia. só a vida de reis e nobres, mas também a do povo
1636 – Rembrandt pinta O Cegamento de Sansão. simples.
1654 – Expulsão dos Holandeses do Brasil. Dentre os pintores italianos desse período, qua-
1660 – Vermeer cria A Moça de Turbante. tro são os mais expressivos; Michelangelo, o verda-
1687 – Jesuítas fundam Sete Povos das Missões deiro precursor do barroco, ainda dentro do
(Brasil). Renascimento. Seu trabalho na Capela Sistina já pre-
1740 – Bouchet pinta Triunfo de Vênus. diz o que seria o barroco. Ele lançou as bases da pin-
1757 – Início da Construção da Igreja de Sta. Geno- tura barroca, seu estilo e suas tendências. O Segundo
veva. foi Tintoretto, o mestre do Maneirismo que, com o
1766 – Aleijadinho projeta a Igreja de São Francisco passar dos anos, enveredou pelo barroco, encontran-
de Assis. do nesse estilo o campo fértil para seu talento. Tinto-
O surgimento do Barroco no século XVII, na retto determinou aqui duas características bem
Itália, deve-se a uma série de mudanças econômicas, marcantes: os corpos das figuras são mais expressi-
religiosas e sociais ocorridas na Europa. Com o hu- vos do que seus rostos e a luz e a cor têm grande in-
manismo, o Renascimento e, principalmente, a Re- tensidade.
forma Religiosa de Lutero, a Igreja católica teve seu Tintoretto (Jacopo Robusti, 1518 –
poder enfraquecido. O grande Império cristão frag- 1594) – O mestre filho de um tintureiro
mentou-se em diversas religiões e para reconquistar Pintor italiano de Veneza, cujo apelido, Tinto-
seu prestígio e poder, organiza a Contra-Reforma, retto, deriva da profissão de seu pai, um tintureiro.
tomando iniciativas que visavam reafirmar e difundir Foi na tinturaria do pai que o jovem pintor começou a
a fé católica. Uma dessas iniciativas é a imediata experimentar cores e tons, ainda sobre tecidos velhos
construção de grandes igrejas que serão verdadeira e manchados. Produziu uma grande quantidade de
exibição artística da riqueza, do esplendor e do poder obras para a Igreja, além de cenas mitológicas e retra-
católico. É na construção desse tipo de Igreja que tos. Foi um desenhista formidável que se destacou
nasce a arte Barroca. por empregar em suas telas vívidos exageros de luz e
Da Itália, a arte barroca se propagou para ou- movimento. Já velho e milionário, resolveu ensinar
tros países europeus e pelo continente americano a- sua arte a jovens discípulos, fundando sua própria es-
través dos colonizadores portugueses e espanhóis. cola de arte, atitude incomum para a época.
Mas ela não se desenvolveu de forma igual. Houve
grandes diferenças entre artistas e entre obras produ-
zidas nos diferentes países. Inclusive no Brasil, onde
a arte Barroca, em muitos aspectos e também na sua
duração histórica, superou a própria arte italiana. A-
pesar disso, alguns princípios gerais podem ser indi-
cados como característicos dessa arte: o barroco
rompeu o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou
entre a arte e a ciência, que os renascentistas procura-
ram realizar de forma consciente. No barroco, pre-
dominam as emoções e não o racionalismo
renascentista. As figuras barrocas são representadas
A Última Ceia, de Tintoretto
de tal forma que parecem estar em movimento. O

Editora Exato 20
ARTES

Caravaggio(1573 – 1610) – O uso revo-


lucionário da luz
Caravaggio não se interessou pela beleza clás-
sica que encantou o Renascimento. Procurava seus
modelos entre pessoas do povo. O que melhor carac-
teriza a pintura de Caravaggio é essa atitude de retra-
tar os temas sagrados como um acontecimento atual
entre pessoas humildes; as figuras bíblicas asseme-
lham-se a trabalhadores comuns, com fisionomias
curtidas pelo tempo.

Vocação de São Mateus, de Caravaggio.


E mais que isso, a forma revolucionária como
ele usava a luz. Ela não aparece como reflexo da luz A Glória de Sto. Inácio, afresco de A. Pozzo no teto da igreja de Sto. Inácio, Roma.
solar, mas é criada intencionalmente pelo artista para
dirigir a atenção do observador. Isso foi tão funda- 2. O BARROCO FORA DA ITÁLIA
mental na sua obra, que ele é conhecido como funda-
dor do estilo Iluminista.
Espanha
Na Espanha, o Barroco se desenvolveu princi-
Andrea Pozzo (1642 – 1709) – Os tetos
palmente na arquitetura, nos entalhes requintados das
das igrejas abrem-se para o Céu portadas de edifícios religiosos e civis. Em relação à
A pintura barroca desenvolveu-se também nos pintura, a Espanha foi muito influenciada pelo Barro-
tetos de igrejas e de palácios. Essa pintura, decorati- co italiano, onde predominou o realismo. O artista
va, marcou o trabalho de Pozzo, que ao pintar os inte- que mais se destacou no Barroco espanhol foi:
riores e teto das igrejas, impressionava pelo número Diego Velázquez (1599-1660) – A cara
de figuras e pela ilusão – criada pela perspectiva – de
que as paredes e colunas da igreja continuam no teto,
da nacionalidade espanhola
e que este se abre para o céu, de onde anjos e santos O maior pintor da escola espanhola, mestre na
convidam o homem para a santidade. representação de luz e sombra. Nasceu em Sevilha, e
logo na adolescência produziu obras que impressio-
nam pela elaborada técnica utilizada. Em 1623, foi
nomeado um dos pintores da corte do rei Filipe IV,
tornando-se o mais prestigiado pintor do reino.
Embora tenha se dedicado a pintar retratos da
realeza, também registrou em seus quadros o cotidia-
no de pessoas humildes do seu país.
El Greco (Domenikos Theotocopoulus,
1541 – 1614) – A verticalidade da pin-
tura
Nascido na Grécia (daí o apelido El Greco),
destacou-se em Toledo, na Espanha, onde se estabe-
leceu e desenvolveu seu estilo próprio, a partir de

Editora Exato 21
ARTES

1577. Suas obras se caracterizam pela predominância


da verticalidade, que lembra os temas góticos, as fi-
guras são alongadas e geralmente pintadas em cores
frias. Extravasou em sua pintura um intenso senti-
mento religioso, uma forte ironia com a Igreja (no
quadro O Enterro do Conde Orgaz, metade dos ros-
tos das figuras presentes ao enterro são do próprio El
Greco), em diferentes fases da vida e a outra metade,
de bispos e padres. O pintor se divertiu com a ironia,
mas o Papa quis excomungá- lo.

Erguimento da Cruz, de Rubens


Rembrandt van Rijn (1606-1669)- A
Emoção da Claridade
Foi o maior artista da escola holandesa. Nas-
ceu em Leiden e se mudou para Amsterdã aos 17 a-
nos. Sua obra se caracteriza pela predominância de
Velha Fritando Ovos, de Velazquez.
expressões dramáticas e pela utilização de vívidos e-
Países Baixos feitos de luz. Rembrandt conseguiu reproduzir em
O Estilo Barroco expandiu-se da Itália para vá- suas telas uma gradação de claridade nunca vista an-
rios países europeus entre os séculos XVII e XVIII. tes. Embora os retratos e cenas religiosas e mitológi-
Na Holanda, ele adquiriu características próprias do cas constituam a maior parte de sua obra, ele também
povo holandês, a austeridade e a praticidade. Realis- contribuiu de forma original com outros gêneros, in-
ta, o artista holandês não se preocupava com padrões cluindo a natureza-morta e o desenho.
de beleza, preferindo retratar cenas do cotidiano, di-
ferenciando-se do artista italiano, que retratava na
maioria das vezes temas nobres. Dentre os holande-
ses, cita-se:
Peter Rubens (1577-1640) – A força da
cores quentes
Rubens nasceu em Siegen, na Alemanha, lugar
em que seu pai, um advogado holandês, se refugiou
para escapar da perseguição religiosa. Aos 10 anos de
idade, após a morte de seu pai, Rubens vai para a An-
tuérpia acompanhado de sua mãe. Foi na Antuérpia
que ele teve como um de seus mestres o pintor Otto
van Veen, que o influenciou a ir para a Itália. Em
1600, dois anos após ter se tornado mestre, Rubens
vai para Roma, onde conhece as obras renascentistas
que serviriam de base para seu grande estilo.
Rubens costumava dar às vestimentas um colo-
rido exuberante que contrastava com a pele clara das
figuras retratadas. Trouxera da Itália a predileção por
telas gigantescas e foi mestre na arte de dispor as fi-
guras, a luz e a cor numa vasta escala, sugerindo um
intenso movimento.
A Sagrada Família, de Rembrandt.

Editora Exato 22
ARTES

Vermeer (1632 – 1675) – A beleza deli- 3. A ESCULTURA BARROCA


cada da vida cotidiana O Equilíbrio entre razão e emoção, caracterís-
Diferente de Rembrandt, Vermeer trabalha os tica da escultura renascentista, desapareceu com o
tons em plena claridade. Seus temas são sempre os da predomínio do Barroco, que escolheu a dramaticida-
vida burguesa da Holanda seiscentista. Seus quadros de das expressões e o dinamismo dos movimentos
documentam com uma beleza delicada os momentos como elementos básicos de seu espírito. Essas pecu-
simples da vida cotidiana. No quadro Mulher Lendo liaridades da escultura barroca se concretizaram a-
uma Carta, por exemplo, observamos o quarto inun- través da predominância de linhas curvas, excesso de
dado de luz e uma suave harmonia de cores e formas. dobras nas vestes e a utilização do dourado. Os ges-
Assim como essa obra, muitas outras pinturas de tos e os rostos das personagens revelam emoções vi-
Vermeer que retratam ocupações domésticas em inte- olentas e atingem uma dramaticidade desconhecida
riores mostram um sugestivo trabalho com os efeitos no Renascimento. Como na pintura, o impulso inicial
de luz. para esse desenvolvimento artístico partiu de artistas
italianos, entre os quais Gian Lorenzo Bernini (1598-
1680) foi o mais importante. Arquiteto, escultor, ur-
banista e pintor, Bernini conseguiu, com suas escul-
turas, registrar momentos de pura expectativa, que
envolvem o observador emocionalmente.

Mulher lendo uma carta, Vermeer.

Davi, de Bernini (Mostra grande vigor. Compare com o Davi de Michelângelo).

O Enterro do Conde Orgaz, de El Greco.

Editora Exato 23
ARTES

Palácio de Versalhes (França), com seus jardins.

O Êxtase de Sta. Teresa, de Bernini.

4. ARQUITETURA BARROCA
A arquitetura do séc. XVII realizou-se princi-
palmente nos palácios e nas igrejas. A Igreja Católi- Praça da Basílica de São Pedro, no Vaticano.
ca queria proclamar o triunfo de sua fé e, por isso,
realizou obras que impressionaram pelo seu esplen-
dor. Por outro lado, governantes como Luís XIV, da
França, que se consideravam reis por direito divino,
também desejaram palácios que demonstrassem po-
der e riqueza.
Quanto ao estilo da construção, os arquitetos
deixam de lado os valores de simplicidade e raciona-
lidade típicos da Renascença e insistem nos efeitos
decorativos, pois “no barroco, todo muro se ondula e
dobra para criar um novo espaço".
Outro fato importante que merece ser assinala-
do é o reconhecimento, no barroco, de que as áreas
que cercam os prédios tinham importância para a be-
leza final da construção. Daí a preocupação paisagís-
tica com os grandes jardins dos palácios, como em
Versalhes, ou com as praças das igrejas, como a basí-
lica de São Pedro, no Vaticano.

Editora Exato 24
ARTES

O RENASCIMENTO
HISTORICISMO sição ao divino e ao sobrenatural conceituados na I-
dade Média.
1308 – Dante Alighieri começa a escrever A Devido ao humanismo e ao ideal de liberdade
Divina Comédia. predominante no período, o artista renascentista teve
1333 – Simoni de Martini pinta O Anjo e a a oportunidade de expressar suas idéias e sentimentos
Anunciação. sem estar submetido à Igreja ou a outro poder. Ele
1415 – Navegadores portugueses chegam a era um criador e tinha um estilo pessoal, diferencian-
Ceuta. do-se dos artistas medievais. Além disso, o artista era
1448 – Gutenberg inventa a imprensa. dignamente pago para produzir suas obras, quer fos-
1474 – Da Vinci pinta O Retrato de Ginevra sem elas feitas para compradores particulares ou para
Benci. a própria Igreja.
1492 – Colombo descobre a América.
1500 – Cabral chega ao Brasil. 1. ARQUITETURA RENASCENTISTA
1505 – Giovanni Bellini pinta Nossa Senhora
A preocupação dos construtores renascentistas
do Prado.
foi criar espaços compreensíveis de todos os ângulos
1532 – Fundação de S. Vicente, por Martim
e que fossem o resultado de uma justa proporção en-
Afonso de Souza.
tre todas as partes do edifício. A principal caracterís-
1543 – Copérnico fundamenta a tese do Sol
tica da arquitetura do Renascimento, portanto, é o
como centro do universo.
equilíbrio das linhas, a organização matemática dos
espaços e a presença de elementos da Antigüidade
O termo Renascimento é comumente aplicado
clássica na decoração. A cúpula é um detalhe impor-
à civilização européia que se desenvolveu entre 1300
tante e constante nas construções renascentistas. O
e 1650. Ele sugere que, a partir do século XIV, teria
mais famoso exemplo de cúpula existente nesse perí-
havido na Europa um súbito reviver dos ideais da
odo é sem dúvida a da basílica de São Pedro, no Va-
cultura greco-romana. Essa é, no entanto, uma visão
ticano, em Roma. Erguida entre 1507 e 1607, da sua
simplista da História, já que, mesmo durante o perío-
construção participaram grandes arquitetos como
do medieval, o interesse pelos autores clássicos nun-
Donato Bramante, de 1507 a 1510; Rafael, de 1514 a
ca deixou de existir. Nas escolas das catedrais e dos
1520; Antonio Sangalloi, de 1540 a 1546; Michelan-
mosteiros, autores gregos ou romanos, como Cícero,
gelo, de 1546 a 1564, juntamente com Giacomo Del-
Virgílio, Sêneca e os grandes filósofos gregos eram
la Porta, que continuou a execução do projeto até
muito estudados.
1602; e Carlo Moderni, que a concluiu entre 1602 e
Outro problema é o da subestimação e do des-
1607. Este, como outros prédios públicos e palácios
conhecimento da cultura medieval. O termo “renas-
do período, teve sua arquitetura fortemente influenci-
cimento” pode sugerir que todo o período medieval
ada pelas características do Renascimento.
foi uma época de trevas e ignorância. Essa falsa idéia
foi difundida pelos próprios renascentistas, que, no
desejo de combater tudo que fosse medieval, chama-
vam a Idade Média de “Idade das Trevas”.
Na verdade, já a partir do século XI, começa a
surgir por toda a Europa Ocidental uma série de mo-
vimentos de renovação cultural inspirados nos ideais
greco-romanos. No entanto, sob vários aspectos, o
Renascimento retoma certos elementos da cultura
medieval. Por outro lado, o Renascimento foi um
momento da História muito mais amplo e complexo
do que o simples reviver da antiga cultura greco-
romana. Ocorreram nesse período muitos progressos
e incontáveis realizações no campo das artes, da lite-
ratura e das ciências, que superaram a herança clássi-
Cúpula da Basílica de S.Pedro – de Michelangelo e Della Porta.
ca. O ideal humanista foi, sem dúvida, o móvel desse
progresso e tornou-se o próprio espírito do Renasci- 2. A PINTURA RENASCENTISTA
mento. Num sentido amplo, esse ideal é entendido
A pintura do Renascimento confirma as três
como a valorização do homem e da natureza em opo-
conquistas que os artistas do último período gótico
Editora Exato 25
ARTES

haviam alcançado: a perspectiva, o realismo e o uso mundo, mas serenidade, pois se reconhece como
do claro-escuro. Na Antigüidade, pintores gregos e submisso à vontade de Deus.
romanos já haviam dominado esses recursos da pin- Paollo Uccello (1397-1475) – O encon-
tura, entretanto, os pintores românicos e medievais tro das fantasias medievais com a
abandonaram essas possibilidades de imitar a reali-
dade. No período Gótico e no Renascimento, porém, perspectiva geométrica
predomina a tendência de uma interpretação científi- Uccello procura compreender o mundo segun-
ca da realidade e do mundo. O resultado disso nas ar- do os conhecimentos científicos do seu tempo e, em
tes plásticas, e sobretudo na pintura, são os estudos suas obras, tenta recriar a realidade segundo princí-
da perspectiva segundo princípios da Matemática e pios matemáticos. Por outro lado, sua imaginação o
da Geometria. O uso da perspectiva conduziu a outro remete às fantasias medievais, um mundo lendário de
recurso, o claro-escuro, que consiste em pintar algu- um passado superado. Sua pintura está repleta de
mas áreas iluminadas e outras na sombra, reforçando movimento e realismo fantástico.
a sugestão de volume dos corpos. A combinação da
perspectiva com o claro-escuro deu maior realismo às
pinturas.
Na Idade Média, a produção artística era anô-
nima, de acordo com os ideais eclesiástico e real da
iniqüidade do homem diante de Deus e de seu Rei.
Na arte renascentista, sobretudo na pintura, surge o
artista com estilo pessoal, idéias próprias e liberdade
para divulgá-las. A partir dessa época, começa a exis-
tir o artista como o conceituamos atualmente: um cri-
ador individual e autônomo, que expressa em suas
obras os seus sentimentos e suas idéias, sem submis-
são a nenhum poder que não a sua própria capacidade
de criação.
Assim, no Renascimento, são inúmeros os no-
mes de artistas conhecidos, cada um com característi-
cas próprias.
3. LEITURA DE OBRAS RENASCENTISTAS

Masaccio (1421-1428): a pintura como


imitação da realidade
Foi um artista genial e precoce que, aos 21 a- Madonna com o Menino, de Masaccio.

nos, concebeu a pintura como imitação fiel do real e


morreu aos 27 anos, deixando obras que retratam as
formas humanas com impressionante beleza. Seu rea-
lismo é tão cuidadoso que ele parece ter a intenção de
nos convencer da realidade da cena retratada e mais,
parece nos convidar a participar do que está represen-
tado na pintura.
Fra Angélico (1400 –1455) – a busca da
conciliação entre o plano terrestre e o
sobrenatural
Frade dominicano que seguiu as tendências re-
alistas de Masaccio, mas, por respeitar seriamente
seus votos, tem em sua obra como tema principal a
religião. Sua pintura, embora siga os princípios re-
nascentistas da perspectiva e da técnica claro-escuro,
está impregnada de um sentido místico. O ser huma-
no representado nas obras de Fra Angélico não pare-
ce manifestar angústia ou inquietação diante do
Anunciação, de Fra Angélico.

Editora Exato 26
ARTES

Sandro Botticelli (1444-1510) – A Linha


que sugere mais ritmo que energia
Nasceu e viveu em Florença, Itália. Trabalhou
na decoração da Capela Sistina, em 1481. Botticelli
retratava dois temas em suas obras: a Antigüidade
grega e o Cristianismo. Uma característica comum
em suas obras é a leveza dos corpos, esguios e des-
providos de força: parecem flutuar, com ritmo, ex-
pressando suavidade e graça. As figuras humanas de
seus quadros são belas, porque manifestam a graça
divina, e, ao mesmo tempo, melancólicas, porque
supõem que perderam esse dom de Deus.
Leonardo da Vinci (1452 – 1519) – A
busca do conhecimento científico e da
beleza artística
Foi o talento mais versátil do Renascimento.
Desenhista, pintor, escultor, engenheiro e arquiteto,
realizou vários trabalhos e pesquisas aprofundando- La Gioconda (Mona Lisa), de DaVinci.
se nos mais diversos setores do conhecimento huma- Michelangelo Buonarroti(1475-1564) –
no, entre eles anatomia, botânica, mecânica, hidráuli- A genialidade a serviço da expressão
ca, óptica, arquitetura e astronomia. Em artes, seus
estudos de perspectiva são considerados insuperáveis.
da dignidade humana
Na verdade, pintou pouco: o afresco da Santa Ceia, Arquiteto, pintor, poeta e escultor, um dos
em Milão, e cerca de quinze quadros, a maioria, o- maiores representantes do Renascimento. Como ar-
bras-primas de expressivos jogos de luz e sombras. quiteto, trabalhou na cúpula da igreja de São Pedro,
em Roma, e na praça do Capitólio. Como pintor, sua
maior obra é a pintura do teto da capela Sistina. Em-
bora tenha concordado em realizar esta obra, ele se
considerava, acima de tudo, um escultor. As poses
das figuras da capela Sistina baseiam-se em famosas
esculturas gregas e romanas, que Michelangelo estu-
dava minuciosamente.

O Nascimento de Vênus, de Botticelli.

A Criação do Homem e, em seguida, O Juízo Final, afrescos no teto da Capela Sis-


tina, obras de Michelangelo.

Editora Exato 27
ARTES

Davi, escultura de Michelangelo. Inspirada nos modelos greco-romanos.


Madona do Grã-Duque, de Rafael.
Ticiano Vecellio (1490 –1576) – O pin-
tor que virou nobre
Ticiano foi o maior pintor da escola veneziana.
Viveu toda a sua vida em Veneza, considerada a mais
importante cidade italiana do Renascimento. Em
1533, o rei Carlos V nomeou-lhe pintor da corte e lhe
concedeu um título de nobreza, nunca antes conquis-
tado por um artista. Ticiano produziu uma série de
obras religiosas, mitológicas e retratos utilizando co-
res vivas e movimentos que mais tarde serviram de
base para outros artistas.

Pietá, escultura de Michelangelo, considerada a de acabamento mais elaborado de


toda a sua obra.
Rafael Sanzio (1483 –1520) – O equilí-
brio e a simetria
É considerado o pintor que melhor desenvol-
veu, na Renascença, os ideais clássicos de beleza:
harmonia e regularidade de formas e cores. Rafael
planejava detalhadamente suas obras e fazia centenas
de desenhos preliminares a partir de modelos vivos,
antes de pintar os afrescos. Suas obras comunicam ao
observador um sentimento de ordem e segurança,
pois os elementos que compõem seus quadros são
dispostos em espaços amplos, claros e de acordo com
uma simetria equilibrada, expressando de forma clara
e simples os temas pelos quais se interessou.
Ascensão da Virgem, de Ticiano.

Editora Exato 28
ARTES

O Maneirismo Já Hans Holbein (1498-1543) ficou conhecido


A partir de 1520, alguns pintores italianos co- como retratista de políticos, intelectuais e financistas
meçaram a procurar formas alternativas para a cria- da Inglaterra e dos Países Baixos. Tudo retratado
ção de suas obras. Embora tenham buscado com um realismo tranqüilo, diferente da inquietação
inspiração nas obras renascentistas de Michelângelo, de Dürer. Soube expressar o esmero técnico e o ideal
Leonardo da Vinci e Rafael, deram início a um novo renascentista de beleza com precisão e forma. Ao re-
estilo artístico que rompeu com o equilíbrio, a orga- tratar seu amigo Erasmo de Roterdã, Holbein o fez
nização espacial, a simetria, a racionalidade e as pro- com simplicidade, traçando com sutileza os traços
porções estabelecidas pela arte renascentista. Este psicológicos e físicos do grande humanista do séc.
novo estilo foi denominado Maneirismo, termo origi- XVI.
nário da palavra italiana maniera, que designa o estilo
ou a maneira própria com que cada artista realiza a
sua obra. As características iniciadas no Maneirismo
tiveram total desenvolvimento no estilo Barroco, que
sucedeu o renascimento.
4. O RENASCIMENTO FORA DA ITÁLIA
As concepções estéticas italianas de valoriza-
ção da cultura greco-romana começaram a se interna-
cionalizar. Nesses países, foi comum o conflito entre
as tendências nacionais e as novas formas artísticas
vindas da Itália. Mas tal conflito se resolveu com a
nacionalização das idéias italianas.
Fora da Itália, foi a a pintura, entre as artes Erasmo de Roterdã, de Holbein
plásticas, que melhor refletiu a nacionalização do es- Hieronymus Bosch (1450-1516) criou um es-
pírito humanista renascentista italiano. No séc. XV, tilo inconfundível. Sua pintura é repleta de símbolos
ainda eram conservadas, na pintura alemã e na dos da astrologia, da alquimia e da magia conhecidas ao
Países Baixos, por exemplo, as características do esti- final da Idade Média. E nem todos os elementos de
lo gótico. Mas, alguns artistas, como Dürer, Hans suas telas podem ser decifrados, dada a combinação
Holbein, Bosch e Bruegel, fizeram uma espécie de de seres e formas presentes em sonhos ou delírios do
conciliação entre o gótico e a nova pintura italiana, pintor. Para muitos críticos, esta era a representação
intérprete científica de uma realidade. Assim, Albre- do conflito interior do homem ao final da Idade mé-
cht Dürer (1471-1528) foi o primeiro artista alemão a dia: tensão ante o pecado dos prazeres materiais e a
conceber a arte como uma representação fiel da reali- busca da virtude de uma vida espiritual. Tudo envolto
dade e a buscar traços psicológicos do ser humano e em superstições e crenças malignas.
retratá-los em seus quadros, como por exemplo, no
retrato de Oswolt Krell, onde registra fielmente os
traços físicos do personagem, mas também a atitude
enérgica desse comerciante alemão.

O Jardim das Delícias, de Bosch.


Pieter Bruegeli, o Velho (1525-1569), viveu
nas grandes cidades da região de Flandres, sob os i-
deais renascentistas, mas retratou como ninguém a
realidade das pequenas aldeias que ainda conserva-
vam a cultura medieval. Esta temática aparece em
quadros como Jogos Infantis, em que apresenta 84
brincadeiras de crianças, da época.
Oswold Krel, de Dürer

Editora Exato 29
ARTES

Jogos Infantis, de Bruegel.

Editora Exato 30
BIOLOGIA
BIOLOGIA

CITOLOGIA
Água (H2O)
BIOQUÍMICA Substância mais abundante no organismo, a
água equivale a cerca de 60-70% (quantidade relati-
1. INTRODUÇÃO va) do peso do corpo humano. As quantidades podem
variar em função de inúmeros fatores, entre eles: ati-
Os seres vivos apresentam uma grande diver- vidade metabólica do tecido, idade do organismo e
sidade e é possível distingui-los da matéria bruta de- tipo de organismo.
vido a algumas características básicas: metabolismo,
Sais minerais
material genético, reprodução, excitabilidade e cres-
cimento. Há três maneiras básicas de apresentação dos
 Metabolismo: conjunto de reações quími- íons nos seres vivos. Encontraremos estes na forma
cas que ocorrem no organismo. As reações iônica (ex.: Mg+) imobilizados no esqueleto (ex:
que envolvem síntese de substâncias consti- CaCO3 - Tecido ósseo) ou combinados com molécu-
tuem o anabolismo e as reações que envol- las orgânicas (ex.: Cobalto, na vitamina B12).
vem a degradação de substâncias 3. SUBSTÂNCIAS ORGÂNICAS
constituem o catabolismo.
 Material genético: a maioria dos organis- Carboidratos
mos possui a molécula de DNA como de- São substâncias formadas por carbono(C), hi-
tentora da informação genética. O fato de drogênio(H) e oxigênio(O). Também são chamadas
os seres vivos terem a informação codifica- de hidratos de carbono, ou glúcides, ou glicídos.
da em uma molécula capaz de autoduplica- Classificação dos Carboidratos
ção é fundamental à ocorrência de  Monossacarídeos: moléculas de carboidra-
reprodução. O material genético possui tos simples (não sofrem hidrólise), forma-
também a vantagem de não ser estático; su- das segundo a fórmula geral Cn(H2O)n, onde
as transformações, as mutações, constituem n representa o número de átomos de carbo-
fator essencial à ocorrência da evolução no, que varia entre 3 e 7. Podem ser cha-
dos seres vivos, devido à possibilidade de mados de trioses, tetroses, pentoses,
surgimento aleatório de novos genes. hexoses e heptoses, de acordo com o núme-
 Reprodução: na reprodução sexuada, a ro de átomos de carbono.
troca de material genético entre organismos Exemplos de monossacarídeos:
leva à produção de prole variada, o que é Glicose: monossacarídeo do tipo hexose, é um
vantajoso para a evolução dos organismos. carboidrato com função energética, produzido pelos
Já, na reprodução assexuada, não há troca vegetais através da fotossíntese.
de material genético e, conseqüentemente,
os organismos produzidos são geralmente Frutose: monossacarídeo do tipo hexose, é um
idênticos àqueles que os produziram. carboidrato com função energética, encontrado em
 Crescimento: os seres vivos crescem por frutas.
transformações da matéria absorvida, o que  Dissacarídeos:
leva ao crescimento por aumento do volu- Os dissacarídeos são formados por 2 moléculas
me celular ou aumento do número de célu- de monossacarídeos (monossacarídeo + monossaca-
las. rídeo). Ao sofrerem hidrólise, geram monossacarí-
Os seres vivos apresentam uma composição deos.
química muito complexa. Na sua organização celular, Principais dissacarídeos:
consideraremos dois grandes grupos de substâncias: Maltose (glicose + glicose): encontrada em ce-
as orgânicas e as inorgânicas. Estas variam em quali- reais.
dade e quantidade em função do metabolismo a que Lactose (glicose + galactose): encontrada no
cada tipo se destina. leite.
Sacarose (glicose+frutose): encontrada na ca-
2. SUBSTÂNCIAS INORGÂNICAS na-de-açúcar.
Compreende o grupo de substâncias que não  Polissacarídeos:
apresentam o carbono como elemento principal da São cadeias formadas pela união de vários mo-
molécula. nossacarídeos (polímeros de oses).
Principais polissacarídeos:
Editora Exato 1
BIOLOGIA

Amido: reserva energética dos vegetais. Nos vegetais, as gorduras ficam armazenadas
Celulose: presente no tecido vegetal, apresenta em sementes ou em frutos, o que representa uma ca-
função estrutural. racterística adaptativa interessante, pois essas estrutu-
Glicogênio: reserva energética animal. ras compactas contêm grande quantidade de energia,
Lipídios empregada pelo embrião durante seu desenvolvimen-
São ésteres (ácido graxo + álcool) insolúveis to ou por muitos animais que se alimentam de frutos
em água, mas que degradam-se em meio a solventes e de sementes. Sendo estruturas relativamente peque-
orgânicos como álcool, clorofórmio, benzina etc. A- nas, as sementes e os frutos podem ser levados para
tuam como eficiente reserva energética, pois rendem locais distantes da planta mãe – o que se chama dis-
mais do que duas vezes a energia por grama do que persão - facilitando a ocupação de territórios. Os a-
os carboidratos. Também atuam como importantes nimais colaboram para esse transporte quando
componentes estruturais das células, especialmente comem os frutos e esparramam as sementes.
da membrana celular. Proteínas
Classificação dos Lipídios: São macromoléculas orgânicas formadas por
 Lipídios Simples: unidades (monômeros) denominadas aminoácidos.
a) Glicerídeos (óleos e gorduras). Composição Cada aminoácido é formado por um grupo carboxila,
básica: álcool de cadeia curta (glicerol + ácido gra- um grupo amina e uma porção variável da molécula
xo). São conhecidos como “triglicerídeos”. denominada radical.
b) Cerídeos (ceras). Composição básica: álcool
de cadeia longa.
Rn Radical
 Lipídios Compostos (Conjugados):
Encontram-se associados a outras substâncias.
Exemplo: fosfolipídios (lecitina, esfingomieli-
na, cefalina). H2N C COOH
 Esteróides:
Composição básica: álcoois de cadeia fechada
(ex.: colesterol + ácido graxo). São esteróides: hor- Amina Carboxila
mônios sexuais masculinos e femininos, hormônios H
corticais supra-renais (ex.: corticoesteróides), vitami- Estrutura de um aminoácido

na D, os sais biliares e o colesterol.


A combinação entre os aminoácidos se dá por
Armazenar gorduras ou amido? ligação peptídica, em que o grupo amina de um a-
Estocar substâncias ricas em energia é uma minoácido liga-se ao grupo carboxila de outro ami-
propriedade importante dos seres vivos. Cada grama noácido. Observe:
de gordura libera mais de duas vezes a quantidade de
energia liberada pela mesma massa de amido. Em
H H
termos de armazenagem, os vegetais armazenam a- H H H H N O
mido, enquanto os animais estocam gorduras. N
=

O H N O H C C H + HO H
Na fotossíntese, as plantas produzem molécu- H C C + H C C C N
las de glicose e a produção do amido, a partir delas, H OH H OH H O
exige um equipamento enzimático relativamente H C C C
simples. Como o gasto energético das plantas não é H H OH
tão elevado quanto o dos animais, já que são relati- Ligação peptídica
vamente imóveis, o fato de haver menos trabalho me-
tabólico favoreceu a armazenagem de amido no Um total de somente 20 aminoácidos compõe
processo evolutivo dos vegetais. todas as proteínas de todos os seres vivos. Um dos
Os animais, por sua vez, gastam muita energia principais fatores que caracterizam esses polipeptí-
na locomoção e devem carregar consigo seu estoque deos é o arranjo (ordem, tipo e número) dos aminoá-
de energia. Armazenar gorduras representa diminui- cidos que os constituem. Esse arranjo é determinado
ção da massa a ser transportada, com menor gasto pela ação dos ácidos nucléicos.
energético. Existem dois tipos básicos de aminoácidos, os
A capacidade de estocagem de carboidratos naturais e os essenciais. Os primeiros são sintetiza-
pelos animais é pequena, restringindo-se aos múscu- dos pelo organismo e os últimos, por não serem sinte-
los e ao fígado, na forma de glicogênio. tizados no organismo, devem estar incluídos na dieta.
A classificação de aminoácido essencial e natural é
Editora Exato 2
BIOLOGIA

variável entre os organismos, o que significa dizer  Estrutura terciária e quaternária: as ca-
que se um aminoácido é essencial para o homem, po- deias protéicas podem dobrar-se, formando
de ser natural para um cão, por exemplo. a estrutura terciária de natureza globular. A
As proteínas são classificadas da seguinte for- maioria das proteínas com atividade bioló-
ma: gica possui forma globular. Muitas proteí-
 Simples⇒ moléculas formadas exclusiva- nas são formadas por mais de uma cadeia
mente por aminoácidos. polipeptídica, sendo esse nível de organiza-
 Conjugadas⇒ apresentam um grupamento ção denominado estrutura quaternária. São
prostético, que é uma porção não protéica exemplos de proteínas globulares:
da molécula. Exemplos: nucleoproteínas  Hemoglobina;
(grupo prostético é um ácido nucléico), gli-  Mioglobina;
coproteínas (grupo prostético contém polis-  Hemocianina;
sacarídeos), lipoproteínas (grupo prostético  Enzimas;
contém lipídios), metaloproteínas (grupo  Proteínas da membrana.
prostético é um metal) .
Níveis de Organização das Proteínas
 Estrutura primária: refere-se à seqüência
linear de aminoácidos em uma cadeia poli-
peptídica. Cada tipo de proteína (cadeia po-
lipeptídica) possui uma seqüência particular
de aminoácidos.

ALA Estrutura terciária

GLY Atividade Biológica das Proteínas


 Defesa: anticorpos, ou imunoglobulinas,
LEU
são moléculas de natureza protéica, produ-
VAL zidas por células (glóbulos brancos ou leu-
cócitos) especiais denominadas
LYS plasmócitos.
 Estrutural: proteínas fibrosas, como o co-
LYS lágeno e a queratina. O colágeno é uma
proteína animal, encontrada em abundância
GLY em ossos, tendões, cartilagens. A queratina
também é uma proteína animal, encontrada
HIS
na pele, bicos, unhas e pêlos. Actina e mio-
Estrutura primária sina são proteínas encontradas em fibras
musculares e relacionadas à dinâmica da
contração muscular.
 Estrutura secundária: a estrutura secundá-  Hormonal: alguns hormônios, como o glu-
ria mais comum é a alfa-hélice, que se as- cagon e a insulina, são de natureza peptídi-
semelha a uma escada em espiral. A ca (protéica).
estrutura rígida da espiral é mantida às cus-  Enzimática: as enzimas são proteínas glo-
tas de pontes de hidrogênio. bulares que atuam como catalisadores bio-
lógicos, ou seja, atuam diminuindo a
energia de ativação necessária à ocorrência
de uma reação química. Os catalisadores
não são consumidos durante a reação, sen-
do, por isso, eficientes em doses pequenas.
A ação enzimática baseia-se em uma pro-
priedade denominada especificidade, ou
seja, uma enzima possui um ou mais cen-
Estrutura secundária:
tros ativos aos quais o substrato (substân-
Alfa hélice cia sobre a qual atua a enzima) combina-se
Editora Exato 3
BIOLOGIA

para que seja exercida a ação catalítica. Es- Observe os gráficos a seguir :
sa relação entre a enzima e seu substrato é
chamada de efeito chave-fechadura. Pelo
Velocidade máxima
que foi exposto, é fácil concluir que a ativi-
dade enzimática depende fundamentalmen-
te da forma espacial da molécula da Velocidade da
enzima. Modificações na forma dessa mo- reação
lécula, como as que ocorrem na desnatura- Temperatura
ção, inativam as enzimas. ótima

E1 Temperatura
A B A E2 produtos

A B
Velocidade máxima
E3
Especificidade enzimática: efeito chave-fechadura. (A)= enzima (B) substrato
Velocidade da
reação
A estrutura terciária da cadeia protéica de uma
enzima é mantida por pontes de hidrogênio entre os pH
grupos R dos aminoácidos em voltas adjacentes da ótimo
cadeia e por interações entre os vários grupos R dos
aminoácidos. Na desnaturação protéica, há o rom- pH
pimento dessas ligações, o que resulta em perda da
forma e, conseqüentemente, da atividade biológica da
proteína. A desnaturação pode ocorrer por alterações Velocidade máxima
no meio, tais como aumento da acidez ou aumento da Velocidade da
temperatura. A coagulação da clara do ovo é um bom reação
exemplo de desnaturação protéica. Em geral, os or-
ganismos não vivem em ambientes com temperaturas
muito altas, pois a desnaturação de suas enzimas in-
viabiliza o metabolismo celular. Concentração do substrato
Algumas enzimas necessitam, para exercerem
sua atividade biológica, de co-fatores, que podem ser
um íon ou uma molécula (coenzima). O complexo Inibidores Enzimáticos
formado pela enzima (apoenzima) e seu co-fator é
Existem substâncias capazes de impedir a ação
chamado de holoenzima.
de uma enzima. São chamados inibidores enzimáti-
O nome das enzimas é formado geralmente pe-
cos. Uma enzima “reconhece” seu substrato porque
la adição do sufixo ase à raiz de nome do substrato.
se liga ao seu centro ativo. Se outra molécula, com
Exemplos:
estrutura espacial semelhante à de seu substrato, li-
Amilase⇒ catalisa a hidrólise do amido. gar-se a ela, a enzima poderá ser desativada temporá-
Sacarase⇒ catalisa a hidrólise da sacarose. ria ou definitivamente.
Fatores que Interferem na Atividade Muitos dos inibidores enzimáticos competem
Enzimática com o verdadeiro substrato pela ligação com o centro
 Temperatura: a atividade enzimática é ativo. Há venenos que exercem sua ação tóxica dessa
inativada pelo calor, sendo que temperatu- maneira. Por exemplo: algumas plantas em decompo-
ras de 50 a 60 ºC inativam a maioria das sição geram dicumarol, cuja molécula é semelhante à
enzimas. Essa inativação é irreversível. Ge- da vitamina K.
ralmente as enzimas não são inativadas a- Olhando a molécula inteira, é possível saber de
pós o congelamento, mas sua atividade qual molécula se trata, mas, embora sejam um pouco
reduz-se bastante a baixas temperaturas. diferentes, ambas podem ligar-se a certas enzimas.
 pH: as enzimas são sensíveis às alterações As enzimas são “enganadas” pela semelhança.
no pH: alterações de acidez ou alcalinidade Se um animal ingerir esta substância, ela irá
no meio em que a reação está ocorrendo. competir com a vitamina K pela ligação com as en-
 Concentração do substrato. zimas que participam da produção da protrombina,
proteína indispensável para a coagulação do sangue.

Editora Exato 4
BIOLOGIA

Como conseqüência, poderão ocorrer hemorragias O DNA: Ácido Desoxirribonucléico


graves. O DNA é a molécula responsável por conter a
Algumas drogas antimicrobianas, como as sul- informação genética. Essa molécula é formada por
fas, também são inibidores enzimáticos. Elas “enga- dois filamentos dispostos em forma de hélice no es-
nam” as enzimas bacterianas responsáveis pela paço (modelo de Watson e Crick), conforme mostra a
produção do ácido fólico, componente indispensável figura abaixo.
para a reprodução das bactérias.
2
Fospato

Sulfa
PABA

Ação de um inibidor enzimático


3
base pentose
Ácidos Nucléicos: a vida em código 1 (1) Fosfato
Modelo de DNA proposto por J. Watson e F. Crick: dupla hélice (2) Pentose
As moléculas de ácidos nucléicos situam-se (3) Base
entre as maiores encontradas na célula. Recebem a
denominação DNA (ácido desoxirribonucléico) e Observe que, na molécula de DNA, os nucleo-
RNA (ácido ribonucléico). Essas grandes moléculas tídeos de uma mesma fita ligam-se através dos gru-
são formadas por unidades menores, denominadas pos fosfato e que os nucleotídeos de fitas
nucleotídeos, sendo, por isso, denominadas molécu- complementares ligam-se através de pontes de hidro-
las polinucleotídicas. gênio que se estabelecem entre as bases nitrogenadas.
Estrutura dos ácidos nucléicos (nucle- A ligação entre as bases ocorre entre adenina e timina
otídeos) (duas pontes de hidrogênio), citosina e guanina (três
Cada nucleotídeo é formado por um grupo fos- pontes de hidrogênio). Dessa forma, em uma molécu-
fato, uma pentose (carboidrato) e por uma base nitro- la de DNA, a porcentagem de adenina deve ser igual
genada púrica: adenina(A) ou guanina(G) ou uma à de timina, bem como a porcentagem de citosina de-
base nitrogenada pirimídica: citosina(C), timina(T) e ve ser igual à de guanina.
uracila(U).
Observe a figura abaixo: P P P P P
Fosfato

Fosfato Cadeia
D D D D polinucleotídea

C C
A A
Base
Carboidrato Nitrogenada Pontes de
Bases
(pentose) nitrogenadas Hidrogênio
Nuleotídeo: unidade de ácido nucléico G G
T T

 O fosfato é uma estrutura comum ao DNA D D D D


e ao RNA.
 A pentose dos nucleotídeos de DNA é a de-
soxirribose, enquanto que, no RNA, os nu- P P P P P
cleotídeos apresentam a ribose.
Estutrura da molécula de DNA: duas fitas poliucleotídicas
 DNA e RNA apresentam as mesmas bases
púricas (A e G) e diferem em relação a uma
O RNA: Ácido Ribonucléico
das bases nitrogenadas, de forma que a ti-
mina é uma base exclusiva para o DNA e a É uma molécula bem menor que o DNA e que
uracila é uma base nitrogenada exclusiva está relacionada diretamente com a síntese protéica.
É uma molécula formada por uma cadeia simples de
para o RNA.
nucleotídeos. Observe a figura a seguir:

Editora Exato 5
BIOLOGIA

P= fosfato Duplicação: o DNA, para a maior parte dos


P R= ribose seres vivos, é a molécula responsável por conter a in-
A, C, U, G = bases nitrogenadas formação genética. Portanto, é extremamente impor-
R
C tante para a hereditariedade que o DNA possua a
P capacidade de gerar cópias. Na duplicação, a molécu-
la de DNA tem rompidas as pontes de hidrogênio que
R U mantêm unidas as bases nitrogenadas e novos nucleo-
P tídeos encaixam-se obedecendo à correspondência:
adenina/timina e citosina/guanina. Como cada nova
A
R molécula possui uma fita “velha”, diz-se que o pro-
P
cesso é semiconservativo.
R U
P G C
T A
molécula original
G A T
R
P A T
G C
Modelo da molécula de RNA: única fita polinucleotidica
C G

T A
Os três tipos de RNA existentes, o mensageiro,
o ribossômico e o transportador, são indispensáveis à rompimento das
ocorrência da produção intracelular de proteínas. fontes de hidrogênio

G
C
C
G
 RNAm: molécula em que o número de nu- A
T
cleotídeos é diretamente proporcional ao T
A
tamanho da proteína que codifica. Na ver- T
A
dade, há uma relação entre o número de a- C
G
minoácidos e o número de trincas de G
C
nucleotídeos (ou bases). A seqüência de A
T
códons de RNAm é determinada pela se-
qüência de códons de um segmento de
DNA (gene). G
C
 RNAr: é a maior molécula de RNA e tam- G T
C
A
bém a mais abundante, responde por 80% T A
A
T
do total do RNA celular. Quando associada A T
T A
a moléculas de proteínas, constitui os ribos- A T
Inserção de
somos que, quando presos a filamentos de G C novos nucleotídeos
RNAm, formam os polirribossomos, onde C G G
ocorre a síntese protéica. T A
 RNAt: é a menor molécula de RNA. Tem
como função ligar-se a um aminoácido es-
pecífico e conduzi-lo ao local de síntese
protéica. Apresenta uma seqüência especí-
fica de três bases, o anticódon, que se liga G C G C
ao códon do RNAm. Existe pelo menos um T A T A Formação de
RNAt para cada aminoácido. duas novas
A T A T
moléculas, cada
Atividade dos ácidos nucléicos A T A T uma com uma
O esquema a seguir resume a atividade dos á- G C G C fita da original:
cidos nucléicos: C G C G
duplicação
semiconservativa.
T A T A

Replicação(duplicação) Duplicação semiconservativa do DNA.


DNA DNA
Transcrição Tradução Transcrição: é o fenômeno pelo qual o DNA
RNA Proteína
serve de molde para a produção de uma molécula de
RNA. Esse processo ocorre no núcleo e tem início

Editora Exato 6
BIOLOGIA

quando uma enzima, a RNA polimerase, atua sobre aminoácidos


um segmento de DNA, determinando o rompimento
das pontes de hidrogênio que mantêm unidas as duas
fitas. Após essa abertura, ocorre um pareamento de GLI
ribonucleotídeos, formando-se, assim, uma nova mo- ribossomo (RNAR )
lécula de RNA. É importante lembrar que a corres- HIS
pondência das bases será mantida, exceto no caso da
adenina, que fará par com a uracila, na molécula de C A
C A G
RNA formada. Após a transcrição, a molécula de U
RNA resultante destaca-se da molécula de DNA e di- G G U C A U G G C A U U C A U
rige-se ao citoplasma, onde irá participar da produção RNA mensageiro
de proteínas.
Tradução: síntese protérica

Filamento
de DNA Código Genético: dos 64, 61 codificam amino-
ácidos.
1ª base 2 base 3ª base

U C A G
UUU UCU UAU Tirosina (Tir) UGU Cisteína (Cis) U
Fenilalanina (Fen) UAC UGC C
UUC UCC
Serina (Ser)
U UUA Leucina (Leu)
UCA UAA Códons de UGA Códons de finalização A
UUG UCG UAG finalização UGG triptofano (Trp) G

CUU CCU CAU Histidina (His) CGU U


CUC CCC CAC CGC Arginina (Arg) C
C CUA
Leucina (Leu)
CCA
Prolina (Pro)
CAA
Glutamina (Glu)
CGA A
T U A CUG CCG CAG CGG G
T UA U
A A T AUU
Iisoleucina (lle)
ACU
ACC
AAU Asparagina (Asn) AGU
AGC
Serina (Ser)
C
AUC AAC
G GC RNA Polimerase A AUA ACA
Treonina (Tre)
AAA AGA
Arginina (Arg)
A
C CG AUG Metionina (Met) ACG AAG
Lisina (Lis) AGG G
A A T codão de iniciação
A A T GUU GCU
GCC
GAU Ácido GGU U
GUC GGC C
A A T G GUA Valina (Vall) GCA Alanina (Ala)
GAC
GAA
aspártico (Asp)
GGA
Glicina (Gli)
A
C CG GUG GCG GAG
Ácido
glutâmico (Glu)
GGG G
G GC Relação de códons e aminoácidos
C CG
A A T
Em determinada região de tRNA, existe uma
RNA-m seqüência de três nucleótidos chamada anticódon,
que é complementar de um dos códons do mRNA.
Na extremidade 3’ da molécula de tRNA, liga-se o
aminoácido respectivo. Estas ligações implicam
transferências de energia e são catalisadas por enzi-
mas que asseguram que ao tRNA com determinado
anticódon somente se ligue um determinado aminoá-
Transcrição: a síntese de RNA
cido.
Tradução: é a síntese protéica. A tradução
corresponde à transformação da mensagem contida 4. LEITURA COMPLEMENTAR
no mRNA, na seqüência de aminoácidos que consti- Projeto Genoma Humano
tuem a cadeia polipeptídica. Neste processo, há vá- O livro dos nossos genes
rios intervenientes: Cada uma das cerca de 10 bilhões de células
 RNAm → contém a informação genética; do corpo humano contém 46 cromossomas. Global-
 Ribossomas → sistemas de leitura. Cada ri- mente, calcula-se que existem três mil milhões de ba-
bossoma é constituído por duas subunida- ses nucleotídicas, repartidas pelo DNA, que entram
des. Na sua constituição entram proteínas e na constituição destes cromossomas!
RNA ribossômico (RNAr); O objetivo principal do Projeto Genoma é se-
 Aminoácidos → em estoque no citoplasma; qüenciar as larguíssimas combinações dessas bases.
 RNAt (RNA de transferência) → pequenas Elas são somente de 4 tipos – adenina, timina, citosi-
moléculas de RNA que transportam os a- na e guanina – e constituem o alfabeto genético, que
minoácidos para junto dos ribossomas; contém entre 50.000 a 100.000 parágrafos com senti-
 Enzimas e moléculas → transferem energia do, responsáveis pela síntese de proteínas.
para todo o sistema. Observe o esquema: Fundamentalmente, o Projeto Genoma tem
grande interesse médico. Existem cerca de 3500 do-
enças genéticas devidas a um defeito de “escrita”, ou
alteração de alguns dos parágrafos desta mensagem.
Editora Exato 7
BIOLOGIA

Somente se conhecem cerca de 2 por cento destes pa- 4 O que é DNA?


rágrafos.
Os cientistas e investigadores esperam até o
ano 2005 conseguir conhecer a total seqüenciação.
Para a realização do Projeto, é preciso, numa primei-
ra fase, localizar os genes sobre os cromossomas, pa-
ra depois estabelecer o modo como estão
seqüenciados.
Segundo o que assinalou o prêmio Nobel, Wal-
ter Bilbert, a informação contida “cabe num disco 5 O que é RNA?
compacto”, o que equivale a mil listas telefônicas de
mil páginas cada uma.
Engenharia genética: a divisão celular
em bactérias a serviço do homem
A engenharia genética vem sendo considerada
a grande revolução científica deste final de século.
A técnica do DNA recombinante – isto é, um
DNA constituído por genes de dois organismos dife-
rentes - constitui a base da engenharia genética. Essa EXERCÍCIOS
técnica consiste basicamente em cortar, usando en-
zimas de restrição, pontos específicos no DNA de um 1 (MACK-SP) “São substâncias químicas consti-
organismo e transplantar o pedaço cortado em outro tuídas por aminoácidos, unidos por sucessivas li-
organismo diferente. O pedaço de DNA inoculado é, gações peptídicas, e com outras funções no nosso
então, “aceito” pela célula hospedeira, que passa a organismo”. Referimo-nos aos (às):
executar as ordens contidas nesse DNA estranho. a) carboidratos. d) vitaminas.
Dessa maneira, os cientistas podem dirigir o “com- b) proteínas. e) sais minerais.
portamento”, por exemplo, de uma bactéria, para fins c) lipídios.
previamente definidos.

ESTUDO DIRIGIDO 2 (PUC-SP) A respeitos das enzimas, podem-se


fazer todas as afirmações abaixo, com exceção de
1 O que são substâncias inorgânicas? uma:
a) são compostos protéicos.
b) agem sobre substâncias específicas denomina-
das substratos.
c) são insensíveis às mudanças de temperatura.
d) são produzidas por células.
e) são catalisadores biológicos.

2 O que são substâncias carboidratos? 3 (PUC-SP) O gráfico seguinte relaciona a veloci-


dade de uma reação química catalisada por enzi-
mas com a temperatura na qual esta reação
ocorre. Podemos afirmar que:

3 O que são proteínas?

a) a velocidade da reação independe da tempera-


tura.

Editora Exato 8
BIOLOGIA

b) existe uma temperatura ótima na qual a veloci- b) 1 e 3.


dade da reação é máxima. c) 3 e 2.
c) a velocidade aumenta proporcionalmente à d) 3 e 1.
temperatura.
d) a velocidade diminui proporcionalmente à
temperatura. 8 Com relação ao código genético e à síntese de
e) a partir de uma certa temperatura, inverte-se o proteínas, pode-se dizer que:
sentido da reação. a) o açúcar presente na molécula de DNA é a ri-
bose.
b) a enzima RNA polimerase é responsável pelo
4 (UFRN) Os principais carboidratos de reserva transporte de aminoácidos.
nos vegetais e animais são, respectivamente: c) o ribossomo é a organela essencial no processo
a) amido e glicogênio. de tradução da síntese de proteínas.
b) glicose e maltose. d) as bases nitrogenadas na molécula de DNA
c) sacarose e celobiose. são: adenina, guanina, citosina e uracila.
d) glicogênio e lactose. e) o código GTA no DNA corresponderá a um
e) celulose e glicose. códon CAT no RNA mensageiro.

5 (MACK-SP) As substâncias que se destinam a 9 Duas cadeias polinucleotídicas, ligadas entre si


fornecer energia, além de serem responsáveis pe- por pontes de hidrogênio, são constituídas por
la rigidez de certos tecidos, sendo mais abundan- fosfatos: desoxirribose, citosina, adenina e timi-
tes nos vegetais, são os ___, sintetizados pelo na. O enunciado acima refere-se à molécula de:
processo de ___. A alternativa que preenche cor- a) um ácido nucléico qualquer.
retamente os espaços é: b) uma enzima, que são compostos protéicos.
a) lipídios, fotossíntese. c) DNA, devido à pentose e às bases nitorgena-
b) ácidos nucléicos, autoduplicação. das.
c) ácidos nucléicos, fotossíntese. d) uma proteína, devido à presença de pontes de
d) álcoois, fermentação. hidrogênio.
e) carboidratos, fotossíntese. e) RNA, devido à dupla cadeia de polinucleotí-
deos, ligadas por pontes de hidrogênio.
6 Assinale a alternativa CORRETA, de acordo
com as proposições apresentadas: GABARITO
I – A membrana plasmática apresenta uma cons-
tituição lipoprotéica. Estudo Dirigido
II – Os carboidratos, os lipídios e o protídeos são
os constituintes inorgânicos da célula. 1 Compreende o grupo de substâncias que não a-
III – As moléculas de proteínas são formadas por presentam o carbono como elemento principal da
uma seqüência de nucleotídeos. molécula.
a) somente I e II estão corretas. 2 São substâncias formadas por carbono (C), hi-
b) somente I está correta. drogênio (H) e oxigênio (O).
c) somente II está correta.
d) somente II e III estão corretas. 3 São macromoléculas orgânicas formadas por u-
nidades (monômeros) denominadas aminoácidos.

7 Durante o ciclo de vida celular ocorrem os se- 4 O DNA é a molécula responsável por conter a in-
guintes fenômenos: formação genética. Essa molécula é formada por
dois filamentos dispostos em forma de hélice no
1 2 espaço (modelo de Watson e Crick).
DNA RNA PROTEÍNA
5 É uma molécula bem menor que o DNA e que
3 está relacionada diretamente com a síntese pro-
DNA téica. É uma molécula formada por uma cadeia
simples de nucleotídeos.
Transcrição e tradução estão representadas,
respectivamente, pelos números:
a) 1 e 2.

Editora Exato 9
BIOLOGIA

Exercícios
1 B
2 C
3 B
4 A
5 E
6 B
7 A
8 C
9 A

Editora Exato 10
BIOLOGIA

ORGANIZAÇÃO CELULAR
1. INTRODUÇÃO As células eucarióticas animais apresentam os
centríolos como estruturas típicas, e estes se incum-
A célula é a unidade básica formadora dos se- bem do processo de divisão celular.
res vivos.
De acordo com a estrutura celular, os seres vi- complexo
vos classificam-se em procariontes e eucariontes. Os de golgi centríolo
primeiros caracterizam-se por não apresentarem ca- núcleo vacúolo
rioteca (membrana nuclear) e não possuem organe- lisossomos
las citoplasmáticas membranosas. Os eucariontes mitocôndrias
têm carioteca, que individualiza o material genético ribossomo nucléolo
(ácidos nucléicos), além de organelas revestidas de membrana
membranas.
Observe, nos esquemas a seguir, os elementos
haloplasma
(estruturais e funcionais) que evidenciam os modelos
retículo endoplasmático
citados. Esquema de célula animal
2. CÉLULA PROCARIÓTICA
Célula eucariótica animal
As células procarióticas são as primeiras for-
A célula animal é como um pequenino saco
mas de vida, provavelmente surgiram há 3,5 bilhões
cheio de material gelatinoso. Ela é envolvida por uma
de anos atrás e atualmente são representadas por bac-
membrana plasmática flexível, que não lhe dá a for-
térias e algas cianofíceas (algas azuis). Perceba, para
ma rígida da célula vegetal. A célula animal precisa
a distribuição interna de suas estruturas, que são ca-
receber alimento, do qual obtém energia para sobre-
rentes de membranas.
viver. Muitas células animais são microscópicas, mas
algumas como, por exemplo, a gema do ovo, podem
Ribossomos Membrana medir dez centímetros. As células nervosas, por e-
xemplo, chegam a ter cerca de um metro.
Citoplasma 4. ENVOLTÓRIOS CELULARES

DNA
Existem três envoltórios celulares:
2µm
1. Parede celular: envoltório semi-rígido, inerte,
de composição química variada, que circunda
Parede a célula externamente à membrana celular. A
bacteriana parede celular dos vegetais, ou parede celuló-
sica, é composta principalmente de uma subs-
Célula bacteriana tância que lhe confere resistência, a celulose.
2. Membrana Plasmática (Plasmalema): envol-
3. CÉLULA EUCARIÓTICA tório delgado(75Aº), elástico, lipoprotéico. A
membrana plasmática possui a função de con-
Célula eucariótica vegetal
trolar a entrada e saída de substâncias, de a-
As células eucarióticas vegetais apresentam
cordo com as necessidades celulares
como estrutura típica a parede celular, composta ba-
(permeabilidade seletiva).
sicamente de celulose, e também os plastos, cujo
O modelo aceito para a organização da mem-
principal tipo é o cloroplasto, que se incumbe do pro-
brana é o de Singer e Nicholson. Segundo estes, exis-
cesso de fotossíntese.
te uma película bimolecular de fosfolípidios e
Retículo moléculas dispersas de proteínas globulares. Esse
Mitocôndria endoplasmático modelo, que explica a disposição de lipídios e proteí-
Parede nas na molécula, é denominado modelo do mosaico
Citoplasma
celular
Membrana
fluido.
Cloroplasto
celular
Complexo
Ribossomos de Golgi

Esquema de célula vegetal

Editora Exato 11
BIOLOGIA

Modificações (especializações) da Subunidades Ribossomo


membrana
Microvilosidades – aumento da superfície ce-
lular por pregueamento da membrana; ocorre em cé- Poliribossomo
lulas secretoras e células de absorção. mRNA
Desmossomos - espaçamentos em pontos de
contato entre membranas de células justapostas. Au-
mentam, substancialmente, a adesão entre as células.
Plasmodesmos – pontes citoplasmáticas entre O s ribossomos
células vegetais.
3. Glicocálix: envoltório presente em células a-  Retículo endoplasmático: sistema de ca-
nimais, forma uma rede frouxa de carboidratos nais e túbulos que formam uma verdadeira
que recobre a membrana plasmática. Protege a rede intracitoplasmática. O retículo endo-
célula contra agressões físicas e químicas, a- plasmático pode ser denominado liso (agra-
lém de reter nutrientes e enzimas. nular) ou rugoso (ergastoplasma), quando a
suas membranas asssociam-se os ribosso-
5. CITOPLASMA: ORGANELAS CITOPLAS- mos. O Retículo endoplasmático liso rela-
MÁTICAS ciona-se com funções importantes para a
Retículo
Membrana Nuclear
célula, como desintoxicação celular, trans-
Endoplasmático
Liso Nucléolo porte de substâncias e síntese de esteróides.
Aparelho Membrana O ergastoplasma é a sede de intensa síntese
de Golgi Celular
Mitocôndria Retículo
protéica.
Endoplasmático
Rugoso
Ribossomas e Hialoplasma
Polissomas

Polirribossomo
Centrossomas

Microtúbulos
Lisossomas

Célula Animal
Cavidade
O citoplasma é a região celular compreendida do retículo
entre a membrana plasmática e o material nuclear. O Retículo endoplasmático endoplasmático
citoplasma é preenchido por um fluido gelatinoso, o
hialoplasma, no interior da célula, na qual se encon-  Complexo de Golgi: é uma estrutura cito-
tram as organelas. plasmática formada por um conjunto de
A célula, como unidade básica morfo- membranas que reúne e empacota diferen-
fisiológica dos seres vivos, apresenta diversas estru- tes substâncias, como as enzimas e os hor-
turas citoplasmáticas que desempenham funções im- mônios. Sua principal função é, portanto, a
portantes para a manutenção da vitalidade da célula. secreção celular. Além disso, ainda sinteti-
A seguir, estão listadas as principais organelas com za mucopolissacarídeos e atua na formação
suas respectivas funções: do acrossomo do espermatozóide. O acros-
 Ribossomos: estruturas granulares sinteti- somo é uma bolsa cheia de enzimas capazes
zadas no núcleo, formadas por RNAr asso- de dissolver as camadas externas do gameta
ciado às proteínas. Os ribossomos podem feminino, permitindo a fecundação.
ser encontrados livres no hialoplasma ou
associados ao retículo endoplasmático ru- Vesículas
goso. Os ribossomos relacionam-se com a
síntese protéica.

Complexo de G olgi

Editora Exato 12
BIOLOGIA

 Mitocôndria: organela cilíndrica de extre- no metabolismo celular e é prejudicial à cé-


midades arredondadas, com uma membrana lula por se tratar de um forte oxidante.
externa lisa e outra interna com dobras  Vacúolos: bolsas encontradas em diversos
(cristas mitocondriais). No interior das mi- tipos celulares, atuam no armazenamento
tocôndrias, existe a matriz mitocondrial. de substâncias dentro da célula. A maioria
Essas estruturas relacionam-se com a pro- das células vegetais contém o vacúolo, es-
dução de energia (ATP), através da respira- paço preenchido por um fluido aquoso,
ção celular, que será vista em detalhes mais chamado suco celular. Em protozoários
adiante. dulcícolas, como a ameba, existe o vacúolo
pulsátil, ou contráctil, que se relaciona
Cristas mitocondriais com a eliminação do excesso de água da cé-
lula, evitando que a mesma sofra citólise.
 Plastos: estruturas presentes nas células
vegetais. Existem dois tipos de plastos:
Leucoplastos: são plastos incolores que atuam
Matriz no armazenamento de substâncias nutritivas (amilo-
Membrana externa plastos, oleoplastos, proteoplastos).
mitocôndria Cromoplastos: são plastos pigmentados. Os
cloroplastos contêm clorofila, um pigmento verde
 Lisossomos: são organelas com formato que retém parte da energia da luz solar. A clorofila se
variável, delimitadas por uma membrana, e encontra disposta no interior de sacos achatados,
que possuem em seu interior várias enzimas chamados tilacóides. Os cloroplastos são encontrados
hidrolíticas. A função dessas organelas é, em quase todas as células vegetais, exceto nas raízes
portanto, a digestão intracelular. A destrui- e no interior dos caules.
ção de organelas celulares é um processo
Lamelas
fisiológico importante para o bom funcio- Tilacóide Estroma
Granum
namento da célula. Esse mecanismo é de-
nominado autofagia. No entanto, em
algumas situações, há o rompimento dos li-
sossomos e seu conteúdo enzimático digere
a própria célula. Esse mecanismo é deno-
minado autólise e leva à morte celular. Na
doença silicose, que acomete mineradores,
Cloroplasto
a sílica aspirada leva à liberação das enzi-
mas lisossômicas, com conseqüente autóli-  Centríolos: organelas tubulares, formadas
se de células pulmonares. por túbulos protéicos. Essas organelas cito-
 Peroxissomos: são organelas que possuem plasmáticas participam dos fenômenos de
grande quantidade da enzima catalase. Essa divisão celular e atuam na formação de cí-
enzima é importante para a desintoxicação lios e flagelos. Os centríolos não são encon-
celular, pois degrada o peróxido de hidro- trados em células de vegetais superiores
gênio (H2O2), a água e o oxigênio. O peró-
xido de hidrogênio forma-se naturalmente

Quadro comparativo dos componentes da célula bacteriana, célula animal e célula vegetal

Componente Bactéria Célula animal Célula vegetal


Parede celular Sim Não Sim
Membrana plasmática Sim Sim Sim
Citoesqueleto Não Sim Sim
Envoltório nuclear Não Sim Sim
DNA Sim Sim Sim
Cromossomo Único e circular (apenas Múltiplos (DNA e proteí- Múltiplos (DNA e proteí-
DNA) nas) nas)

Editora Exato 13
BIOLOGIA

Mitocôndria Não Sim Sim


Cloroplastos Não Não Sim
Ribossomos Sim (pequenos) Sim Sim
Retículo endoplasmático Não Sim Sim
Complexo de Golgi Não Sim Sim
Vacúolo central Não Não Sim
Lisossomos Não Sim Raramente
Ausentes na maioria das
Centríolos Não Sim
fanerógamas

E o vírus ?! d) A célula A é típica de um parasita, enquanto a


É considerado uma organização acelular: estru- B, mais complexa, é de um ser de vida livre.
turalmente é formado por: e) A célula A é de um procarionte, tal como uma
Capsídeo (envoltório de proteínas) bactéria; a B é de um eucarionte, podendo re-
 
Nucleocapsídeo  + presentar uma célula humana.
núcleo (material genético; DNA ou RNA)

Não possui metabolismo: sobrevive às custas
do metabolismo da célula hospedeira. 2 (PUC-PR) Associe os números das estruturas ce-
É parasita intracelular obrigatório. lulares, assinaladas no desenho, com os respecti-
Possui apenas um ácido nucléico: DNA ou vos nomes da coluna a seguir. Depois assinale a
RNA. opção em que a seqüência coincida com o que foi
marcado na coluna.
ESTUDO DIRIGIDO
2 1 3 6
1 O que é membrana plasmática?

2 O que são ribossomos? 5

3 O que é mitocôndria?
4
4 Qual a estrutura do vírus?
( ) centríolo a) 2, 1, 3, 5, 6, 4
( ) retículo endoplasmático b) 2, 1, 3, 5, 4 6
EXERCÍCIOS ( ) complexo de Golgi c) 1, 6, 5, 3, 2, 4
( ) vacúolo d) 6, 4, 3, 5, 1, 2
1 (FMU/Fiam-SP) Observe os desenhos das célu- ( ) carioteca e) 1, 2, 3, 4, 5, 6
las A e B e assinale a alternativa correta. ( ) mitocôndria

3 (MOJI-SP) A membrana plasmática, apesar de


invisível ao microscópio óptico, está presente:
a) em todas as células, seja ela procariótica ou
eucariótica.
b) apenas nas células animais.
c) apenas nas células vegetais.
A B
d) apenas nas células dos eucariontes.
e) apenas nas células dos procariontes.
a) A célula A é de um protista, tal como uma bac-
téria, e a B é de um organismo incluído no rei-
no monera, tal como um vírus.
b) A célula A é de um vegetal, enquanto a B é de
um animal.
c) A célula A é de uma alga; a B é de uma planta
superior, tal como um milho.

Editora Exato 14
BIOLOGIA

4 (FCC-SP) Numa célula vegetal, a parede celular Capsídeo (envoltório de proteínas)


tem por principal função: 4 
Nucleocapsídeo  +
núcleo (material genético; DNA ou RNA)
a) proteger o citoplasma e regular a absorção de 
água pela célula. Exercícios
b) proteger o citoplasma e agir como uma mem-
brana semipermeável à entrada dos nutrientes 1 E
minerais. 2 B
c) impermeabilizar a célula contra solutos óxidos.
d) regular a absorção de água e sais minerais pela 3 A
célula. 4 A
e) impedir a saída da clorofila.
5 B
6 A
5 A membrana celular é uma película sensível, na
qual ocorrem 2 tipos de transporte, passivo e ati-
vo. Dentre esses grupos está o fenômeno da Os-
mose. Este, por sua vez, se resume da seguinte
maneira:
a) O solvente move-se do meio hipertônico para o
hipotônico.
b) O soluto move-se do meio hipotônico para o
meio hipertônico.
c) O solvente move-se do meio hipotônico para o
meio hipertônico.
d) O soluto move-se do meio hipotônico para o
meio hipotônico.

6 O citoplasma celular está envolvido por uma


membrana chamada plasmalema ou membrana
plasmática, que desenvolveu, talvez através da
evolução, capacidades específicas. Uma delas, a
permeabilidade, que é entendida como:
a) O controle da entrada e saída de substâncias.
b) A passagem de qualquer substância através da
membrana.
c) A entrada e a saída de substâncias.
d) O englobamento de partículas sólidas pela
membrana plasmática.

GABARITO

Estudo Dirigido
1 Envoltório delgado(75Aº), elástico, lipoprotéico.
A membrana plasmática possui a função de con-
trolar a entrada e saída de substâncias, de acordo
com as necessidades celulares (permeabilidade
seletiva).
2 Estruturas granulares sintetizadas no núcleo,
formadas por RNAr, associado às proteínas.
3 Organela cilíndrica de extremidades arredonda-
das, com uma membrana externa lisa e outra in-
terna com dobras (cristas mitocondriais).

Editora Exato 15
BIOLOGIA

ESTUDO DOS SERES VIVOS


Cão : Canis familiaris
TAXONOMIA As categorias taxonômicas considera-
das atualmente são:
1. INTRODUÇÃO
A grande diversidade de organismos no plane- Reino
ta gerou a necessidade de classificá-los. O uso de um
Filo
sistema único de classificação facilitou em muito a
comunicação entre os cientistas ao evitar eventuais Classe
confusões geradas pela utilização de nomes popula-
res. Ordem
A taxonomia estuda a classificação dos seres
vivos segundo princípios pré-fixados. Os primeiros Família
sistemas de classificação levavam em consideração Gênero
características arbitrárias como locomoção, habitat
etc. Espécie
O atual sistema de classificação deve muito
aos trabalhos de um botânico sueco chamado Lineu.
Observe o esquema abaixo, que mostra a
Em seu sistema de classificação, Lineu propôs que os
classificação do homem com a relação às categorias
organismos recebessem nomes em latim e que deve-
taxonômicas, desde o reino até a espécie.
riam ser inseridos em categorias hierárquicas de clas-
sificação, segundo a seguinte ordem: Reino : Animalia(Animal)

Reino Filo: Chordata(Cordados)


Classe Mammalia (Mamíferos)
Classe
Ordem : Primates (Primatas)
Ordem
Família : Hominidae
Gênero Gênero : Homo

Espécie Espécie Homo sapiens.


A espécie é a unidade básica de classificação
O atual sistema de classificação considera biológica. Uma espécie é um grupo de organismos
principalmente as características filogenéticas, ou se- que, tendo muitos caracteres em comum e diferindo
ja, as relações evolutivas existentes entre os organis- de outros grupos em um ou mais aspectos, são férteis
mos. Desse modo, na classificação de um organismo, entre si e produzem descendentes férteis. Indivíduos
devem ser considerados vários aspectos como carac- de espécies diferentes podem ocasionalmente cruzar
terísticas bioquímicas, embrionárias, anatômicas e até e gerar na descendência um híbrido estéril. É o que
mesmo a estrutura celular. acontece com o cruzamento entre o jumento (Equus
asinus) e a égua (Equus caballus) que produz a mula,
Principais Regras de Nomenclatura:
animal estéril.
 O nome dos organismos deve ser escrito em Indivíduos de espécies assemelhadas perten-
latim. cem a um mesmo gênero. Gêneros assemelhados per-
 Todo organismo deve apresentar, no míni- tencem a uma mesma família. As famílias se
mo, dois nomes. O primeiro nome refere-se organizam em ordens, que se organizam em filos, que
ao gênero e deve possuir inicial maiúscula e por sua vez pertencem a um reino.
o segundo, o epíteto específico, deve ser
escrito com a inicial minúscula. 2. REINOS
 O nome deve ser escrito em itálico ou, se Segundo a classificação de Withaker (1969),
manuscrito, sublinhado. os organismos dividem-se em cinco grandes reinos:
Exemplo: Monera⇒ ⇒ organismos unicelulares, procari-
Homem: Homo sapiens ontes autótrofos (quimiossintetizantes ou fotossinteti-
Onça: Panthera leo

Editora Exato 16
BIOLOGIA

zantes) ou heterótrofos. Bactérias e cianofíceas (algas nada plasmídio. Essas estruturas extracromossomiais
azuis) pertencem a esse reino. são formadas por pequenas moléculas de DNA e os
Protista⇒⇒ organismos unicelulares, eucarion- genes que apresentam não codificam caracteres es-
tes, autótrofos ou heterótrofos. Pertencem a esse rei- senciais. Da mesma forma como ocorre com o cro-
no os protozoários e as algas unicelulares. mossomo bacteriano, os plasmídios são
Fungi⇒ ⇒ organismos uni ou pluricelulares, eu- autoduplicáveis e sua duplicação independe da dupli-
cariontes e heterótrofos. Os fungos pertencem a esse cação do cromossomo.
reino. A reprodução entre as bactérias ocorre por bi-
Plantae⇒ ⇒ (Metaphyta) organismos, em sua partição e em algumas situações as bactérias podem
maioria, pluricelulares, eucariontes e autótrofos fo- trocar material genético extracromossomial, os plas-
tossintetizantes. Pertencem a esse reino as algas plu- mídeos, através de um processo denominado conju-
ricelulares, as briófitas, pteridófitas, gimnospermas e gação. Esse processo aumenta a variabilidade desses
angiospermas. organismos. A esporulação é um fenômeno que leva
Animalia (Metazoa)⇒ ⇒ organismos pluricelu- à multiplicação desses organismos pela formação de
lares, heterótrofos. Englobam organismos com grau esporos, estruturas extremamente resistentes às in-
de complexidade bem variável como vertebrados, po- tempéries.
ríferos, moluscos etc. As bactérias dos gêneros Bacillus e Clostridi-
um freqüentemente formam os esporos. Os esporos
3. REINO MONERA são formados no interior das células bacteriana na
forma vegetativa, especialmente quando os nutrientes
Bactérias bacterianos são escassos. Cada esporo possui uma
Observe a figura abaixo, que ilustra a estrutura cópia completa do material genético da bactéria, além
de uma bactéria. de ribossomos e estruturas relacionadas com a produ-
ção de energia. Em condições adequadas, o esporo
germina gerando uma bactéria na forma vegetativa.
Ribossomos
Cromatina

Membrana
esqueletica Célula mãe

Membrana
plasmática

Hialoplasma

Bacteria

Características gerais
As bactérias são seres presentes em basica-
mente todos os ambientes. A célula bacteriana apre-
senta uma parede celular gelatinosa formada por um
polímero, o peptoglicano. A parede celular é a res- Células filhas
ponsável pela definição da forma das bactérias, que Reprodução assexuada em bactérias
podem se apresentar como cocos, bastonetes, espiri-
los ou vibriões. Como acontece com todos os inte- Em relação à nutrição, as bactérias podem ser
grantes do reino Monera, não há carioteca e não há autótrofas, realizando fotossíntese ou quimiossíntese,
organelas intramembranosas (mitocôndrias, plastos, e ainda heterótrofas (parasitas ou saprófitas). As bac-
complexo de Golgi etc.). Existe, no entanto, uma do- térias podem ainda ser aeróbicas ou anaeróbicas.
bra da membrana denominada mesossomo que se re- Algumas bactérias apresentam capacidade de
laciona com a produção de energia. O citoplasma locomoção graças a flagelos formados por longos fi-
apresenta abundância em ribossomos, responsáveis lamentos de proteínas.
pela produção de proteínas e seu material genético é Importância
representado por um único cromossomo circular for-  Atuam como decompositores em ecossis-
mado apenas por DNA. temas.
Além do cromossomo, muitas bactérias possu-  Realizam fotossíntese e quimiossíntese.
em ainda em seu citoplasma uma estrutura denomi-
Editora Exato 17
BIOLOGIA

 Na alimentação humana: produção de ali- 4. REINO PROTISTA


mentos, como queijos, iogurtes etc.
 Produção de antibióticos, como a estrepto- Protozoários
micina. Os protozoários são organismos formados por
 Causam uma série de doenças, como sífilis, uma única célula, que apresenta elevado grau de
gonorréia, cárie, pneumonia, tuberculose complexidade. Como já foi dito, são eucariontes e he-
etc. O fenômeno da resistência bacteriana terótrofos, podendo ser aeróbicos ou anaeróbicos.
pelo uso indiscriminado de antibióticos tem Classificação
causado sérios problemas para a humanida- Os protozoários são classificados de acordo
de. com as estruturas locomotoras. Dessa forma, classifi-
 Fixação do nitrogênio atmosférico, especi- cam-se em:
almente as bactérias do gênero Rhizobium.  Sarcodíneos (rizópodes): locomovem-se às
Cianofíceas ou cianobactérias custas da emissão de pseudópodes. Exem-
plo: Ameba (Entamoeba histolytica).
Clorofila e Membranas
outros pigmentos Ribossoos

DNA

Membrana
plasmática

Entamoeba histolytica
Parede celular
Vacúolo com
Estrutura de uma cianobactéria reserva de amido
 Flagelados (mastigóforos): locomovem-se
às custas de flagelos. Exemplo: Trypano-
Características gerais soma cruzi.
São organismos autótrofos, fotossintetizantes,
que vivem isolados ou em colônias na água, na terra
úmida ou em associação com outros organismos.
Também apresentam uma parede celular, citoplasma
rico em ribossomos e com lamelas fotossintetizantes.
Associados a essas lamelas, encontram-se pigmentos
como clorofilas e xantofilas. Esses organismos não
apresentam cloroplastos.
A reprodução entre as cianofíceas pode ser as-
sexuada através de bipartição ou hormogonia, fenô-
meno em que uma colônia sofre fragmentação.
Importância Trypanosoma cruzi
 Como autótrofos, formam a base de diver-
sas cadeias alimentares.  Ciliados (cilióforos): locomovem-se às
 Liberam oxigênio através da realização de custas de cílios. Exemplo: paramécio (Pa-
fotossíntese. ramecium caudatum), protozoário de vida
 São organismos pioneiros em uma sucessão livre que vive em lagoas, tanques e poças
ecológica, devido às baixas exigências nu- de água doce. Uma peculiaridade do para-
tricionais, já que, além de fotossíntese, são mécio é a presença de um macronúcleo, que
capazes de fixar o nitrogênio atmosférico. regula as atividades gerais da célula e da
 Podem associar-se com fungos e constituir reprodução assexuada, e de um micronú-
os liquens. cleo, que participa dos processos de repro-
dução assexuada e sexuada. A reprodução

Editora Exato 18
BIOLOGIA

sexuada ocorre por conjugação e a assexua- ocasiona o fenômeno maré vermelha. Nes-
da por divisão binária. sa situação, há liberação de toxinas pelos
dinoflagelados que causam grande mortali-
dade de organismos aquáticos. No litoral
sul do Brasil, em 1978, ocorreu um grave
caso de maré vermelha que resultou na
morte de um grande número de crustáceos,
aves e peixes.
Como as algas são organismos fotossintetizan-
tes, realizam papel importantíssimo nos ecossistemas
aquáticos, onde atuam como produtores, formando o
fitoplâncton. O fitoplâncton é formado principal-
mente por dinoflagelados e crisofíceas.
5. REINO FUNGI
Os fungos, conhecidos popularmente como bo-
lores, mofos ou leveduras, são organismos que não
apresentam clorofila, conseqüentemente não realizam
Paramecium caudatum fotossíntese. São todos heterótrofos por absorção, ou
seja, suas enzimas atuam fora do organismo e quando
 Esporozoários: não apresentam estruturas ocorre a digestão apenas absorvem os nutrientes.
de locomoção. Exemplo: plasmódio (Plas- Os fungos apresentam células eucariontes e
modium sp.), parasita causador da malária. uma estrutura que pode ser unicelular ou pluricelular.
Importância dos protozoários Suas células armazenam o glicogênio, um polissaca-
 Vivem em associações harmônicas com um rídeo de reserva típico das células animais. No caso
grande número de organismos. É o caso do dos fungos pluricelulares, o corpo é chamado de mi-
protozoário Trichonimpha, que vive associ- célio. O micélio, por sua vez, é formado por uma sé-
ado com cupins e auxilia na digestão de ce- rie de filamentos emaranhados denominados hifas.
lulose. Vale lembrar que o micélio não forma um tecido ver-
 São causadores de doenças graves, como dadeiro.
malária, doença de Chagas etc. Essas doen-
ças serão estudadas em programas de saú-
de.
Célula

Algas Hifa
As algas protistas são organismos unicelulares,
que apresentam uma grande diversidade e vivem tan- Micélio
to em água doce como salgada. Dividem-se em:
 Euglenofíceas (Euglenophyta): encontradas
principalmente na água doce. O principal
exemplo é a Euglena viridis.
Talo
 Crisofíceas: encontradas principalmente
nos mares. Os principais exemplos são as Estrutura de fungo pluricelular
diatomáceas, algas com uma parede celular
silicosa. As hifas podem formar uma massa celular ci-
A terra de diatomáceas é um material explora- toplasmática, onde existem vários núcleos. As hifas
do comercialmente. Esse produto é formado por res- com casas características são denominadas cenocíti-
tos das carapaças das diatomáceas e é usado na cas. As hifas com septos separando os núcleos são as
indústria de cosméticos, cremes dentais e materiais mais comuns, sendo chamadas de monocarióticas ou
para polimento. dicarióticas pelo número de núcleos presentes nos
 Pirrofíceas/dinoflagelados: encontradas septos.
principalmente nos mares. Esses organis-
mos apresentam dois flagelos e geralmente
possuem coloração esverdeada ou parda.
A proliferação excessiva desses organismos
Editora Exato 19
BIOLOGIA

Algumas considerações importantes Classificação


sobre os fungos Ficomicetos ou Zigomicetos:
São organismos essencialmente terrestres, po- São os fungos mais simples, formados por hi-
dendo ser unicelulares ou pluricelulares. Todos os fas cenocíticas, com núcleos haplóides.
fungos são heterótrofos e são sapróbios (vivem da Podem apresentar ciclo de reprodução sexuada
matéria orgânica proveniente de organismos mortos), ou assexuada. O bolor preto do pão pertencente ao
parasitas ou simbiontes mutualistas. O glicogênio é o gênero Rhizophus é exemplo desse grupo.
principal polissacarídeo de reserva, enquanto o prin-
cipal polissacarídeo estrutural é a quitina.

Esporângios Esporos
Reprodução O zigósporo germina
assexuada e, por meiose, origina
núcleos haplóides.

Esporo
sofre
mitose

Zigósporo

Reprodução
sexuada
Hifa(+)
Gametângios
Hifas

Fecundação

Ciclo reprodutor do fungo Hifa (-)

Basidiomicetos Ascomicetos
Fungos complexos formados por um compo- Fungos que apresentam as hifas organizadas
nente vegetativo geralmente subterrâneo e uma por- em forma de sacos, os ascocarpos. Estão incluídos
ção visível denominada corpo de frutificação ou nesse grupo os fungos do gênero Saccharomyces,
basidiocarpo. Cogumelos comestíveis, orelhas de pau Neurospora, Penicillium e Aspergillus.
e os cogumelos de chapéu são apenas alguns exem-
plos de fungos pertencentes a esse grupo.

Penicillium, o fungo do
qual se extraiu o primeiro
antibiótico, a penicilina.

Basídios

Deuteromicetos
Como não apresentam reprodução sexuada,
são também chamados fungos imperfeitos. Doenças
como a monilíase, candidíase e pé-de-atleta são cau-
Basidiósporos sadas por fungos pertencentes a esse grupo.
Importância
 Atuam como decompositores nos ecossis-
temas.
Basidiomiceto  São causadores de prejuízos na agricultura:
pode-se citar como exemplo o fungo causa-
dor da ferrugem no café, o Hemileias vasta-
trix.
Editora Exato 20
BIOLOGIA

 São causadores de doenças (micoses) no EXERCÍCIOS


homem. Como exemplo de micose, pode-
mos citar o pé-de-atleta, causado pela Tinea 1 (OSEC - SP) “Um organismo formado por célu-
pedis e a candidíase causada pela Candi- las nucleadas, sem pigmentos fotossintetizantes e
da albicans. Alguns fungos como o Boletus que cresce sobre matéria orgânica em decompo-
satanas e o Amanita verna podem causar a sição é, provavelmente”:
morte, se ingeridos. Há ainda fungos causa- a) fungo.
dores de alergias devido a esporos de fun- b) musgo.
gos, como o Penicillum e Aspergillus, c) alga.
presentes na poeira. d) samambaia.
 São importantes para a indústria farmacêu- e) angiosperma.
tica. O fungo Claviceps purpurea produz o
LSD, potente produto alucinógeno. Al-
guns, como o Penicillium notatum, produ- 2 (UFRGS) O organismo causador de uma deter-
zem a penicilina, importante antibiótico. minada infecção no homem caracteriza-se ao mi-
 Fonte de alimento para o homem, o cham- croorganismo, como unicelular sem núcleo
pinhon (Agaricus campestris) é extrema- unicelular e sem núcleo diferenciado. Ele poderá
mente nutritivo. O Saccharomyces é usado ser classificado como:
na produção de bebidas alcoólicas (fermen- a) fungo.
tação alcoólica) e no preparo de pães. b) vírus.
 Formam associações ecológicas mutualísti- c) bactéria.
cas com outros organismos. Os líquens são d) protozoário.
associações de fungos, normalmente um as- e) animal.
comiceto e uma alga, que pode ser uma clo-
rofícea ou cianofícea. Através da 3 (Fatec-SP) Numa conferência relacionada a Eco-
fotossíntese a alga fornece alimento para logia, fez-se referência a organismos procariontes
ambos enquanto que o fungo é responsável cuja reprodução é assexuada e se faz através de
pela proteção e fornecimento de sais mine- estruturas especiais, os hormogônios. Esse orga-
rais para a alga. As micorrizas são associa- nismos são também capazes de fixar o nitrogênio
ções de fungos com raízes de plantas. Nessa atmosférico e fazer fotossíntese, Sua clorofila, no
associação, a presença do fungo na raiz da entanto, se dispersa no citoplasma. Trata-se de:
planta aumenta a sua captação de água e a) bactéria quimiossintetizante.
sais. O fungo também é responsável pela b) traqueófita.
conversão de minerais em formas mais ab- c) cianofícea.
sorvíveis pela planta. d) briófita.
e) alga.
ESTUDO DIRIGIDO

1 Quais as categorias taxonômicas consideradas a- 4 (UFMG) Todos os vírus são constituídos por:
tualmente? a) DNA e proteína.
b) aminoácidos e água.
c) ácidos nucléicos e proteínas.
2 Cite três importâncias das bactérias. d) DNA e RNA.
e) RNA e proteína.

3 O que são protozoários? 5 (Cesgranrio) Existem organismos que, apesar de


possuírem propriedades, como a auto-reprodução,
hereditariedade e mutação, são dependentes de
células hospedeiras e por isso considerados para-
sitas obrigados. Tais organismos incluem:
4 Caracterize os basidiomicetos. a) procariontes e vírus.
b) bactérias e micoplasmas.
c) bactérias e vírus.
d) somente bactérias.
e) somente vírus.
Editora Exato 21
BIOLOGIA

6 Um organismo formado por células nucleadas, 3 São organismos formados por uma única célula,
sem pigmentos fotossintetizantes e que cresce so- que apresenta elevado grau de complexidade.
bre matéria orgânica em decomposição, é, prova- Como já foi dito, são eucariontes e heterótrofos,
velmente: podendo ser aeróbicos ou anaeróbicos.
a) Bactéria;
4 Fungos complexos, formados por um componen-
b) Fungo;
te vegetativo geralmente subterrâneo e uma por-
c) Protozoários;
ção visível denominada corpo de frutificação ou
d) Vírus.
basidiocarpo.
Exercícios
7 Lineu, em 1735, publicou um trabalho, no qual
apresentava um plano para classificação de seres 1 A
vivos. Nele estavam propostos o emprego de pa- 2 C
lavras latinas e o uso de categorias de classifica-
3 C
ção hierarquizadas. Deve-se também a Lineu a
regra de nomenclatura binominal para identificar 4 C
cada organismo. Nesta regra, entre outras reco-
5 E
mendações, fica estabelecido que devemos escre-
ver: 6 B
a) em primeiro lugar o gênero, depois a espécie. 7 A
b) em primeiro lugar o gênero, depois a família.
c) em primeiro lugar a espécie, depois o gênero. 8 A
d) em primeiro lugar a espécie, depois o filo.

8 Assinale a afirmação INCORRETA para bacté-


rias:
a) possuem núcleo individualizado.
b) a maioria é heterótrofa.
c) são serves vivos unicelulares.
d) algumas possuem uma camada gelatinosa ao
redor da membrana celular.

GABARITO

Estudo Dirigido
1

Reino

Filo

Classe

Ordem

Família

Gênero

Espécie

2 Atuam como decompositores em ecossistemas.


Realizam fotossíntese e quimiossíntese. Na ali-
mentação humana: produção de alimentos como
queijos, iogurtes etc.
Editora Exato 22
BIOLOGIA

PROGRAMA DE SAÚDE - VÍRUS


1. VIROSES  Contato com sangue contaminado com
HIV.
Os vírus são parasitas intracelulares obrigató-  Contato com esperma ou secreções vaginais
rios. Significa dizer que sua reprodução está condi- infectadas.
cionada ao ambiente da célula. Vale lembrar que um  Uso de seringas ou material cirúrgico con-
vírus é uma estrutura acelular, sem metabolismo e taminado.
que, ao invadir a célula, tem seu material genético  Placenta de mães infectadas.
subjugando o metabolismo celular. Normalmente, os  Leite materno de mães infectadas.
vírus apresentam uma especificidade em relação às As medidas profiláticas são:
células que atacam. As células que são atacadas são  Uso de preservativo.
denominadas células-alvo.  Utilizar materiais descartáveis, tais como
Como esses organismos não apresentam meta- seringas e materiais que entrem em contato
bolismo, os antibióticos não são usados no tratamento com sangue e/ou secreções.
das viroses.  No caso de mulher portadora do HIV, evitar
A multiplicação de um vírus ocorre graças à a gravidez e a amamentação.
multiplicação do material genético e à síntese protéi-
ca para a montagem do capsídeo. Para a realização Dengue
desses fenômenos, em geral, o metabolismo da célula É uma grave infecção, transmitida pela picada
hospedeira é suprimido pelo material genético viral. da fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti.
AIDS Esse mosquito, em geral, pica durante o dia e vive as-
sociado a habitações humanas. Por isso, a manuten-
É uma infecção grave e, até o momento, incu- ção de água parada próximo às residências constitui
rável. A infecção tem início com a entrada do HIV um importante fator para a proliferação do vetor.
em suas células-alvo, normalmente os linfócitos T e A doença pode se manifestar de duas maneiras:
macrófagos. Estas células apresentam uma proteína  Forma clássica: dor, cansaço, febre, dores
de superfície chamada de CD4. Após a invasão da musculares e articulares, manchas verme-
célula-alvo, o HIV pode reproduzir-se de modo lento, lhas na pele.
sem que haja a destruição da célula-alvo. Quando is-  Hemorrágica: além dos sintomas descritos
so acontece, fala-se em reprodução controlada do anteriormente, essa grave manifestação da
vírus. Se a reprodução viral for muito intensa, a pon- doença se caracteriza por envolver hemor-
to de causar a destruição da célula, fala-se em lise ce- ragias que podem levar o paciente à morte.
lular.
O vírus HIV é um retrovírus, ou seja, após a Outras viroses
introdução do RNA viral, ocorre a transcrição rever-  Rubéola.
sa. Nesse fenômeno, o RNA viral serve como molde  Sarampo.
para a produção de DNA viral, com o auxílio de uma  Raiva.
enzima: transcriptase reversa. As moléculas de DNA  Caxumba.
viral produzidas são então incorporadas ao DNA ce-  Febre amarela.
lular, onde passarão a comandar a síntese de novos  Herpes.
vírus.  Gripe.
Com a redução da população de linfócitos T, a  Poliomielite.
pessoa passa a ter uma queda enorme em seus pro- 2. BACTERIOSES
cessos imunitários, o que resulta no aparecimento de
doenças oportunistas, tais como: Este reino reúne os organismos unicelulares e
 Herpes. procariontes, representados pelas bactérias e algas
 Candidíase. azuis ou cianofíceas. Consideradas como um grupo
 Pneumonia. de bactérias, as cianofíceas são denominadas, atual-
 Encefalite. mente, de cianobactérias.
 Tuberculose. As bactérias representam um dos menores e
mais simples seres do planeta, englobando cerca de
Além dessas infecções, há o aparecimento de 4.800 espécies.
lesões cancerosas, como o sarcoma de Kaposi.
A transmissão do vírus da AIDS ocorre através de:

Editora Exato 23
BIOLOGIA

Principais patogenias causadas por contato sexual (pode passar também da mãe
bactérias para o feto pela placenta). Um sinal caracte-
rístico da doença é o aparecimento, próxi-
 Tuberculose – é causada pelo bacilo de
mo aos órgãos sexuais, de uma ferida de
Koch (Mycobacterium tuberculosis), ata-
bordas endurecidas, indolor (o “cancro du-
cando geralmente os pulmões. Há tosse
ro”), que regride mesmo sem tratamento.
persistente, emagrecimento, febre, fadiga e,
Sem tratamento, a doença tem sérias conse-
nos casos mais avançados, hemoptise (ex-
qüências, atacando diversos órgãos do cor-
pectoração com sangue). O tratamento é
po, inclusive o sistema nervoso, e
feito com antibióticos e as medidas preven-
provocando paralisia progressiva e morte.
tivas incluem vacinação das crianças – a
 Cólera – doença causada pela bactéria Vi-
vacina é a BCG (Bacilo de Calmet-
brio cholerae (vibrião colérico), que se ins-
Guérin)–, radiografias e melhorias dos pa-
tala e se multiplica na parede do intestino
drões de vida das populações mais pobres.
delgado, produzindo uma forte diarréia. As
 Hanseníase (lepra) – transmitida pelo ba-
fezes são aquosas e esbranquiçadas (pare-
cilo de Hansen (Mycobacterium leprae),
cendo água de arroz), sem muco ou sangue.
causa lesões na pele, nas mucosas e nos
Ocorrem também cólicas abdominais, dores
nervos. O doente fica com falta de sensibi-
no corpo, náuseas e vômitos. Mais de 90%
lidade na pele. Quando o tratamento é feito
das pessoas que contraem o cólera perma-
a tempo, a recuperação é total.
necem assintomáticas, isto é, não chegam a
 Pneumonia bacteriana – embora algumas
adoecer, podendo sofrer apenas uma diar-
formas de pneumonia sejam causadas por
réia branda (embora possam transmitir a
vírus, a maioria é provocada pela bactéria
doença por cerca de 30 dias). A doença é
Streptococcus pneumoniae, que ataca o
contraída através da ingestão de água ou a-
pulmão. Começa com febre alta, dor no pei-
limentos contaminados, crus ou mal cozi-
to ou nas costas e tosse com expectoração.
dos (a bactéria morre em água fervida e em
O tratamento consiste em antibioticoterapia
alimentos cozidos). Embora haja vacinas
orientada por médico e o doente deve ficar
contra o cólera, sua eficácia é apenas parci-
em repouso.
al (em geral, cerca de 50%) e dura pouco
 Tétano – produzido pelo bacilo do tétano
meses. Por isso, a doença somente pode ser
(Clostridium tetani), pode penetrar no or-
erradicada através de medidas de higiene e
ganismo por ferimentos na pele ou pelo
saneamento básico.
cordão umbilical do recém-nascido, quando
Medidas de profilaxia contra o cólera:
este não é cortado com instrumentos esteri-
1. Os dejetos humanos não devem ser eliminados
lizados. Há dor de cabeça, febre e contra-
ou lançados em coletores de água, como, por
ções musculares, provocando rigidez na
exemplo, rios, lagos, açudes etc.
nuca e mandíbula. Há casos de morte por
2. A higiene pessoal diminui a possibilidade de
asfixia. A vacinação e os cuidados médicos
transmissão do agente do cólera. Lavar as
(é aplicado o soro antitetânico em caso de
mãos com sabão freqüentemente e, principal-
ferimento suspeito) são essenciais.
mente, antes de preparar e comer alimentos.
 Leptospirose – causada pela Leptospira in-
3. Adotar as medidas de higiene na preparação dos
terrogans, é transmitida pela água, alimen-
alimentos e, na fase epidêmica, evitar a utiliza-
tos e objetos contaminados por urina de
ção de hortaliças e frutos do mar, consumidos
ratos, cães e outros animais portadores da
sem cozinhar ou insuficientemente cozidos.
bactéria. Há febre alta, calafrios, dores de
4. Alimentos preparados e mantidos em refrigera-
cabeça e dores musculares e articulares. É
ção, como leite, arroz, feijão, papas etc., de-
necessário atendimento médico para evitar
vem sofrer sempre uma nova cocção antes do
complicações renais e hepáticas.
consumo.
 Gonorréia ou blenorragia – causada por
5. Utilizar apenas água potável e, na dúvida, fer-
uma bactéria, o gonococo (Neisseria go-
ver por 2 a 3 minutos. Não consumir sorvetes,
norreae), transmite-se por contato sexual.
sucos, refrigerantes etc., preparados com água
Provoca dor e ardência ao urinar. O trata-
de origem desconhecida.
mento deve ser feito sob orientação médica,
6. Adicionar 4 gotas de água sanitária por litro de
pois exige o emprego de antibióticos.
água a ser consumida na lavagem de louças,
 Sífilis – provocada pela bactéria Trepone-
panelas ou mesmo para beber. Dissolver algu-
ma pallidum, é transmitida, geralmente, por
Editora Exato 24
BIOLOGIA

mas gotas de vinagre para lavagem de frutas e  O consumo de álcool apresenta incidência
verduras. preocupante com altos índices, na faixa de
38.7% constatados tanto na escola pública
Antibióticos
quanto particular. Desses, 17.25% fazem
Drogas de caráter medicinal, usadas no contro- uso semanal, em encontros com amigos nos
le de bacterioses. (Lembre-se de que o poder patogê- finais de semana, hábito permitido pelas
nico da bactéria está vinculado à presença da parede famílias, reforçado pela mídia, e indiferente
celular). às escolas de modo geral.
Advertência: o uso indevido e/ou indiscrimi-  As drogas ilícitas (inalantes, maconha, co-
nado de medicamentos, inclusive antibióticos, é con- caína, crack, merla) apresentam 19.1% de
denável. Além de poder trazer complicações, pode incidência nas duas redes de ensino.
selecionar variantes mais patogênicas.  Entorpecentes mais consumidos:
Inalantes 11.45%
3. DROGAS Maconha 4.95%
Anfetaminas 1.40%
Introdução Cocaína 0.40%
O ser humano da sociedade contemporânea Crack 0.55%
busca empreender estranhas viagens, através do uso
de substâncias psicoestimulantes, que obrigam o cé- 4. CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS PSICO-
rebro a provocar grande estimulação física e mental TRÓPICAS
através de seus neurotransmissores.
Essas substâncias são denominadas drogas, Em farmacologia, são denominadas psicotrópi-
que podem ser lícitas (tabaco e álcool) e ilícitas (sol- cos substâncias químicas, naturais ou sintéticas que
ventes, inalantes, maconha, cocaína, crack, merla, he- atuam sobre o sistema nervoso central, modificando
roína etc.). os processos mentais ou psíquicos. Os psicotrópicos
A Organização Mundial de Saúde define toxi- podem ser classificados em três grandes grupos, ana-
comania como um estado de intoxicação periódico ou lisados a seguir:
crônico, nocivo ao indivíduo e à sociedade, pelo con- Depressoras
sumo de uma droga natural ou sintética. São drogas que diminuem a atividade mental.
Dá-se o nome de droga a toda substância que, Induzem a tranqüilidade e sedação, combatendo a
quando introduzida no organismo vivo, pode modifi- tensão emocional e os estados de angústia. Álcool,
car uma ou mais de suas funções. heroína e solventes como éter são exemplos dessas
“Doença social epidêmica” é como a OMS drogas.
(Organização Mundial de Saúde) considera o cres- Estimulantes
cente uso de drogas entre os jovens. O que levou São estimulantes do sistema nervoso central.
muitos governos a realizarem levantamentos para a- Exemplos: cocaína, anfetaminas, cafeína e nicotina.
valiarem a situação relativa a esse uso. A cafeína é amplamente consumida, represen-
O levantamento de Brasília (Conen, 1995), tando a bebida nacional por excelência, podendo cau-
realizado entre dois mil estudantes de escolas públi- sar danos à saúde.
cas e particulares do DF, traz alguns aspectos que A nicotina, aspirada pelo fumo do tabaco causa
merecem ser mencionados: danos cardiovasculares e respiratórios. As anfetami-
 A faixa etária entre 10 e 15 anos é apontada nas são medicamentos ainda muito consumidos, em
como sendo de risco para uso de tabaco, ál- particular para ficar acordado (estudantes e caminho-
cool e drogas ilícitas. neiros). Substâncias anfetamínicas contidas nos mo-
 A curiosidade é a causa apontada por 15% deradores de apetite (anorexígenos), além de
dos jovens para uso de drogas ilícitas. emagrecimento, criam dependência.
 O tempo ocioso e a ausência de realizações Todo abuso de substâncias estimulantes pode
significativas entre estudantes de camadas provocar insônia, nervosismo, irritabilidade, instabi-
média e média-alta da população, tem pro- lidade emocional e idéias de perseguição (paranóia),
vocado nos jovens a chamada síndrome do chegando a formações delirantes.
“tédio existencial”, considerado um dos in- Perturbadoras
dicadores para o consumo de drogas entre
Caracterizam-se por produzir alucinações ou
jovens.
despersonalização, levando a alterações do compor-
tamento. Exemplos: maconha e LSD (dietilamina do
ácido lisérgico).
Editora Exato 25
BIOLOGIA

Temos, assim, classes distintas de drogas: de- alcoolista não apresenta “cura” e, sim, recuperação, o
pressoras, estimulantes e perturbadoras, todas afetan- que significa que “enquanto se abstiver da bebida e
do o funcionamento do sistema nervoso central e do de usar drogas, pode levar vida saudável e produti-
cérebro, retardando, acelerando ou desgovernando va”.
sua atividade. Desta forma, dificultam a coordenação O assim chamado bebedor-problema apresenta
motora, mental e emocional: a pessoa fica “drogada”, problema físico, psicológico ou social, causado pelo
“intoxicada” ou “inebriada” em um grau que depende álcool. Estudos mostram que fatores hereditários são
da substância usada (quantidade e qualidade), da pes- importantes na continuidade geracional para uso do
soa e do contexto. álcool, ou seja, filhos de pais alcoólatras tendem a
beber e a se tornar dependentes com mais facilidade
5. ASPECTOS TÉCNICOS
do que filhos de pais abstêmios.
As substâncias que agem sobre o sistema ner- A escola deve ter como preocupação detectar
voso central, usadas indiscriminadamente, podem le- sinais de sintomas da doença antes que atinja a fase
var à dependência física e/ou psíquica. Dessa aguda, razão pela qual é importante que se conheça a
maneira, o uso conduz ao vício e à necessidade de trajetória do alcoolismo, que ocorre em três estágios:
consumo contínuo, muitas vezes crescente, até pro- 1º estágio (agudo): o usuário afirma beber apenas
vocar danos físicos e mentais irreparáveis ao indiví- socialmente, raramente fica embriagado, porque
duo. inicialmente o organismo filtra as substâncias com
Qual é a diferença entre a dependência psí- mais facilidade; mas esta fase, aparentemente ino-
quica e a dependência física? No primeiro caso, a fensiva, prepara para o 2º estágio.
droga produz sensação de “libertação” dos proble- 2º estágio – intermediário (subagudo): o bebedor
mas, o que leva o indivíduo a procurar obtê-la com precisa de um fluxo regular de álcool, não ficando
freqüência, a fim de evitar os conflitos, numa verda- muito tempo sem beber. Tendem a passar a ima-
deira “fuga” da realidade. Para obtê-la, o viciado é gem de bebedores periódicos, mas são tão alcoóli-
capaz de cometer atos condenáveis. Já na dependên- cos quanto os que se embriagam constantemente,
cia física, o problema é bem maior, pois o organismo dizem os estudiosos.
se adapta quimicamente à presença da substância no 3º estágio – final (crônico): sente-se a presença da
sangue e reage com sensações terríveis de náuseas, obsessão pela bebida, tornando-se o álcool tudo
vômitos, irritabilidade e ansiedade incontroláveis, na vida da pessoa, embora os alcoólicos não se
quando o indivíduo não faz uso da droga. Esta série convençam de que o são, negando o problema.
de manifestações físicas quando há interrupção do Geralmente, os consumidores de álcool e ou-
consumo de uma droga caracterizam a síndrome de tras drogas como a maconha, por exemplo, utilizam-
abstinência. se do mecanismo denominado “crise da negação”,
que é a recusa em reconhecer seus efeitos prejudici-
O fenômeno da tolerância ocorre quando o
ais, mesmo que sejam cientificamente demonstrados.
organismo começa a se adaptar à droga, e a necessi-
O álcool é uma droga que traz consigo lesões
dade de doses cada vez maiores torna-se imperiosa
hepáticas, intestinais, pancreáticas, gástricas, cardio-
para satisfazer a necessidade do viciado.
vasculares, neurológicas, mentais, psicológicas, e,
Na maioria das vezes, a pessoa atinge doses
não raro, é fatal. A faixa etária de contato e consumo
tão grandes que acaba sofrendo um quadro de pro-
de álcool está entre 10 e 15 anos de idade.
funda alteração do sistema nervoso com bloqueio das
A pessoa desenvolve a doença alcoolismo
funções vitais que comandam a atividade do coração
quando o álcool passa a ser o “centro da vida dela”.
e os movimentos respiratórios, ocorrendo a morte de
Parar de beber é apenas o primeiro passo, o mais im-
maneira súbita.
portante é não voltar a beber. O álcool é também o
6. ALCOOLISMO grande causador de acidentes de trânsito e de violên-
cia física. Vale mencionar que 32% dos leitos de
Como droga depressora, cria graves problemas hospitais públicos são ocupados por pessoas com
e sofrimentos, com altíssimo custo social. O uso crô- problemas relacionados ao álcool.
nico leva a uma degradação física e moral, uma sín- Sintomas do alcoolismo:
drome de abstinência violenta. Leva à morte (por  Desejo intenso de beber.
coma alcoólico ou complicações orgânicas, como a  Dificuldades em parar de beber.
cirrose). Instiga com freqüência a violência e aciden-  Necessidade de doses cada vez maiores.
tes, bem como absenteísmo no trabalho. (Bucher,  Ansiedade, angústia, suores frios intensos,
1995). delírios.
O alcoolismo é uma doença que pode atingir
qualquer pessoa, da mesma forma que a diabetes, o
Editora Exato 26
BIOLOGIA

 Abandono das atividades de lazer e faltas apresenta ação no sistema nervoso central, 3 minutos
ao trabalho. depois de inalado e 14 segundos depois de injetado
 Uso do álcool, apesar dos males. por via intravenosa.
Raramente se pode encontrar consumidores de
7. TABAGISMO
cocaína como droga única, porque, geralmente, são
Em quase todo fumante, observa-se uma ne- politoxicômanos, usando-a, combinada com fumo,
cessidade psicológica de continuar fumando. Nos álcool, cafeína, maconha e benzodiazepina, sendo os
grandes fumantes, revela-se dependência, havendo mais comuns em nosso meio. Nos Estados Unidos e
sintomas físicos quando privados de cigarros. O con- Europa, combinam com opiáceos: “sobem com a co-
sumo exagerado de cigarros relaciona-se com estados caína e baixam com a heroína”, prática denominada
de tensão e ansiedade, com preocupações, fobias e speed boiling.
obsessões.
9. MACONHA
Fumo e saúde
Os efeitos nocivos do fumo à saúde dependem A maconha e duas outras drogas com ela rela-
dos componentes encontrados nos cigarros. Um de- cionadas, o haxixe (resina da planta) e o óleo de ha-
les, a nicotina, tem ação sobre o sistema nervoso, co- xixe, derivam de uma planta conhecida como
ração, vasos, sendo, provavelmente, responsável pela cannabis, ou cânhamo, que tem passado por trans-
dependência ao fumo. formações significativas.
Doenças associadas Planta que existe nas Américas, a Cannabis sa-
tiva está sendo hibridizada com uma potente varieda-
Além do câncer pulmonar, outras doenças re-
de asiática, a Cannabis indica e a Cannabis
lacionadas com o tabagismo são:
ruderalis.
Doença coronariana (leva ao enfarte do mio-
Segundo relatório da UNDCP (Programa da
cárdio).
Nações Unidas para o Controle Internacional de Dro-
Doença vascular cerebral.
gas), a maconha, principal droga de abuso, é cultiva-
Doença arterial periférica.
da na América do Sul, sobretudo no Brasil e na
Enfisema pulmonar.
Colômbia, sendo contrabandeada desta para a Euro-
Câncer de bexiga.
pa. A maconha continua sendo a principal droga de
8. COCAÍNA abuso na América do Sul.
Em geral, o jovem baseia-se no mito de que a
Os seres humanos usam folhas de coca desde
maconha faz menos mal do que o cigarro, afirmando
tempos muito remotos, sendo que atualmente os dois
que é inofensiva, embora estudos científicos revelem
principais produtos que narcotraficantes oferecem
que é uma das mais complexas drogas ilegais em es-
aos compradores são a coca e o crack.
tudo.
Nas folhas de coca, cada 100 gramas contém
Contém o alucinógeno THC, que produz alte-
305 calorias, 19 gramas de proteína e 42.6 gramas de
ração mental, levando o usuário a estados de euforia
carboidratos, além de quantidades importantes de fer-
e com dificuldades de concentração. É falso o argu-
ro, cálcio, fósforo e vitaminas A1, B2 e E.
mento de que a maconha, sendo um produto natural
As folhas de coca são mastigadas com um rit-
proveniente de uma planta, apresentaria propriedades
mo monótono denominado “coqueo”; cerca de 18 a
menos tóxicas do que outras drogas sintéticas, por-
20 minutos depois da mastigação, os princípios ativos
que, até o momento, já foram identificados 421 (qua-
chegam ao cérebro.
trocentos e vinte e um) compostos pertencentes a 15
Já o “crack” é uma cocaína altamente intensifi-
diferentes classes químicas.
cada e impura, podendo ser fumado, chegando ao cé-
O THC (tetrahidrocanabinol), existente na ma-
rebro em 6 a 8 segundos. A “pasta básica da
conha, não é a única droga psicoativa, podendo ser
cocaína”, outra variante, pode ser fumada, misturada
encontrados dezenas de canabinóis na marijuana, to-
com fumo ou maconha.
dos importantes, sendo o THC o alucinógeno mais a-
Essa forma é encontrada nos países produtores tivo, podendo ser detectado na urina, de 7 a 14 dias
e vizinhos, sendo mais barata e impura, costumando após o uso.
conter 36% de sulfato da cocaína, sendo o restante Os efeitos da maconha sobre o cérebro foram
amoníaco, ácido sulfúrico, querosene etc. A “free ba- estudados pelo Prof. Heath (Departamento de Psiqui-
se” ou cocaína de base livre, é uma variante purifica- atria e Neurologia da Escola Médica de Tulane –
da, que também pode ser fumada, sendo o resultado New Orleans), tendo publicado 350 trabalhos a res-
do processamento do cloridrato de cocaína com éter, peito. Estudando seus pacientes usuários de maconha
chegando ao cérebro também em 6 a 8 segundos, a- (como única droga), observou que apresentavam sin-
pós ser fumada. O clássico “cloridrato de cocaína”
Editora Exato 27
BIOLOGIA

tomas comuns de perda de motivação, irritabilidade vermes adultos


nas veias do
anormal, hostilidade, mudanças bruscas de humor, e fígado
fígado
dificuldade de memória para fatos recentes. Alguns
ovos elimi-
pacientes narravam situações de pânico, paranóia e penetração ativa das nados na
depressão, com tendências suicidas em alguns casos. cercárias através da água
Esses sintomas desapareciam após 3 ou 4 meses de pele
ovo
abstinência, no uso da droga, exceto perda da memó- miracídio eclosão do
cercárias abandonam cercária miracídio e
ria para fatos recentes. o caramujo
penetração no
O uso crônico da maconha apresenta efeitos rédias caramujo
bastante severos na modificação química dos esper- cercárias Desenvolvimento do
matozóides, como resultado da perda do conteúdo de miracídio no corpo
do caramujo
aminoácidos de certas proteínas. rédia esporocisto
Ciclo do Shistosoma mansoni
10. VERMINOSES
Chamam-se verminoses as doenças causadas A análise do ciclo permite concluir que o para-
por vermes. Essas doenças têm grande importância, sita apresenta dois hospedeiros: o homem e o cara-
dada a sua larga incidência e os danos à saúde que mujo. O parasita adulto vive associado aos vasos
provocam. sangüíneos do tubo digestivo. Para eliminar os ovos,
No Brasil, é de particular interesse o estudo as fêmeas deslocam-se para os capilares intestinais e
das chamadas verminoses intestinais, responsáveis lançam os ovos para o interior do tubo digestivo para
por desnutrição, avitaminoses, distúrbios gástricos e que alcancem as fezes. Quando o indivíduo defeca e
intestinais, estados convulsivos e outros problemas. as fezes se espalham pelo meio ambiente, os ovos
As verminoses intestinais têm repercussão ne- podem ser levados para lagoas onde os ovos eclodem
gativa sobre o desenvolvimento físico e mental das e liberam as larvas miracídios. Essas larvas deslo-
crianças, sobre o estado geral de jovens e adultos. cam-se na água para penetrar em um caramujo pla-
É importante lembrar que o termo verme não norbídeo, que fará o papel de hospedeiro
possui valor taxonômico. intermediário. No caramujo, o parasita sofre reprodu-
11. DESCRIÇÃO DAS PRINCIPAIS DO- ção assexuada surgindo assim as larvas cercárias, que
são liberadas do corpo do molusco. As cercárias na-
ENÇAS CAUSADAS POR PLATELMINTOS
dam ativamente e penetram na pele humana causando
Vamos apresentar três tipos de platelmintos um prurido intenso. As cercárias atingem os vasos
que se destacam como grandes inimigos da saúde sangüíneos e deslocam-se para os vasos sangüíneos
humana: o Schistosoma mansoni, a Taenia solium e a intestinais onde se transformam em animais adultos.
Taenia saginata, causadores das respectivas doenças: Constituem medidas profiláticas eficientes
esquistossomose e teníase. contra essa doença:
Esquistossomose  Não entrar em contato com água de lagoas
contaminadas;
A esquistossomose é uma parasitose que afeta
 Recolhimento e tratamento de esgotos;
cerca de 1 milhão de brasileiros. A doença deve-se
 Filtrar ou ferver a água a ser ingerida;
principalmente às lesões provocadas no fígado pelos
 Combater o caramujo.
ovos depositados por fêmeas adultas, parte dos quais
são aprisionados pelo tecido hepático. O ciclo de S-
chistosoma mansoni, responsável por essa doença,
está esquematizado abaixo:

Editora Exato 28
BIOLOGIA

Teníase (solitária)  O hospedeiro intermediário, já com o cisti-


cerco na musculatura estriada (porque inge-
Ciclo da Teníase riu ovos do verme).
N o homem No ambiente A doença se caracteriza por perturbações intes-
3-Progiotes grávidas des-
predem -se unidos em
tinais, tais como: diarréias, prisão de ventre, cólicas,
além de provocar um quadro de desnutrição no doen-
1-A fixação da tênia
grupos de 2 a 6 e são libe-
no intestino ocorre
pelo escólex. rados durante ou após as
evacuações. N o solo,
rompe-se e liberam ovos.
Cada ovo é esférico, mede
te.
cerca de 30 m de diâmetro,
possui 6 pequenos ganchos
e conhecido como oncosfera.
São medidas profiláticas eficientes contra a te-
níase:
2-Proglotes maduros,
contendo testículos e Levado pelo vento espalham
ovários, reproduzem-se -se pelo meio e podem ser

 consumir carne bovina ou suína sempre


entre si e originam ingeridos pelo hospedeiro
proglotes grávidas, intermediário
cheios de ovos
bem cozida.
No porco
 coleta e tratamento do esgoto.
5-Ao se alimentar de carnes cruas
ou malpassadas, o homem pode
ingerir cisticercos. No intestino ,a
Atenção!
larva se liberta, fixa o escólex, cresce
e origina a tênia.
A cisticercose é uma doença grave, caracteri-
zada pelo desenvolvimento do cisticerco (larva da tê-
4-No intestino do animal os ovos penetram no revestimento intestinal
nia) em alguma parte do corpo humano.
e caem no sangue. Atigem principalmente a musculatura sublingual,
diafragma, cérebro e coração. Cada ovo se transforma e uma larva,
uma tênia em miniatura, chamada cisticerco, cujo tamanho lembra o
Considerando que as tênias, no seu ciclo evolutivo,
de um pequeno grão de milho. Essa larva contém escólex e um curto
pescoço investido, tudo envolto por uma vesícula protetora, formando
têm de passar necessariamente pelas fases do ovo
um cisto
(contendo o embrião), larva (cisticerco) e verme a-
A teníase é uma doença causada pela presença, dulto, é evidente que o indivíduo da espécie humana
no tubo digestivo, de um verme que pode ser a Tae- só pode contrair a cisticercose se ingerir o ovo em-
nia solium ou Taenia saginata. A primeira apresenta brionado de tênia, o que ocorre esporádica e aciden-
como hospedeiro intermediário o porco enquanto a talmente. Por isso, a cisticercose é relativamente
segunda parasita bovinos. Observe as diferenças no muito mais rara que a teníase.
escólex desses dois organismos: 12. DESCRIÇÃO DAS PRINCIPAIS DO-
ENÇAS CAUSADAS POR NEMATELMIN-
T. Saginata
TOS
Ascaridíase. Enfermidade provocada pelo As-
caris lumbricoides, popularmente chamado de lom-
briga. Esses vermes vivem no intestino delgado
humano, onde exercem ação espoliativa e provocam
T. Solium reações alérgicas, cólicas, náuseas e oclusão intesti-
nal.

1. ovo com
O Ciclo evolutivo da Taenia solium pode ser 7. l arva é engolida larva desce
pelo esôfago
resumido em: 6.larva na traquéia
 Ingestão, pelo homem, de carne infestada 5.larva no pulmão
por cisticerco.
 Libertação do embrião hexacanto no estô- 4.larva no coração 2. larva sai do
intestino e vai
mago humano. 3.larva no fígado para o fígado
 Desenvolvimento da tênia no intestino.
8. no intestino, as
 Liberação de anéis grávidos da solitária, larvas evoluem para
contendo ovos embrionados. forma adulta
 Anel grávido, eliminado com as fezes, já no verduras são regadas
9. acasalamento e
com água contaminada
meio externo, dando liberdade aos ovos. liberação dos ovos
 Ingestão do ovo embrionado, pelo hospe- 10.ovos caem no solo
deiro intermediário. O ovo libera uma larva com as fezes
- a oncosfera - que perfura a parede intesti-
nal. Em geral, a larva se instala na muscula-
Ciclo do Ascaris lumbricoides
tura do animal.
Ancilostomose ou necatorose. Os vermes
Ancylostoma duodenale e Necator americanus são os
Editora Exato 29
BIOLOGIA

causadores dessa doença, popularmente conhecida larva cresce e passa para


o homem durante a picada
como “amarelão” ou “opilação”. Na figura, você já
observa o ovo de Ancylostoma e o aspecto dos ver-
mes adultos. Estes alojam-se no intestino delgado,
onde provocam hemorragia na mucosa; nutrem-se,
então, do sangue liberado. A vítima passa a sofrer de
intensa anemia, tornando-se bastante debilitada, ad-
quirindo uma coloração amarela, daí o nome popular o verme adulto obstrui
a larva passa
ao mosquito
da doença. os vasos linfáticos
causando elefantíase

6. larva no 5. larva na traquéia


esôfago
3. larva no coração
4. larva no
pulmão 7. larva no estômago

8. larva no intestino
larva no sangue
ovo com Ciclo da filária
larva

ESTUDO DIRIGIDO

1 O que é AIDS?

2 O que é dengue e quais são os possíveis sintomas


2. a larva ovo no apresentados?
cai na solo
circulação liberta
larva
3 O que são drogas depressoras?

ovo nas fezes


4 Cite algumas medidas eficientes na prevenção da
esquistossomose.
larva no
1. larva penetra na pele solo
Ciclo do Ancylostoma duodenale EXERCÍCIOS

Filariose ou elefantíase 1 A falta de instalações sanitárias adequadas está


diretamente relacionada com as seguintes doen-
Grave doença causada pelos vermes Wuchere-
ças endêmicas:
ria bancrofti, que, quando adultos, alojam-se nos va-
a) doença de Chagas, malária, amarelão.
sos linfáticos de órgãos diversos (mamas, bolsa
b) esquistossomose, doença de Chagas, malária.
escrotal, pernas). A obstrução desses vasos dificulta o
c) bócio endêmico, amarelão, teníase.
escoamento da linfa, ocasionando hipertrofia (cres-
d) esquistossomose, doença de Chagas, malária.
cimento exagerado) dos órgãos afetados. Os mosqui-
e) esquistossomose, teníase, amarelão.
tos do gênero Culex (hematófagos, isto é, que se
alimentam de sangue) adquirem os embriões do para-
sita ou sugam o sangue da pessoa infectada. Nos 2 Analise o quadro abaixo.
mosquitos, após vários estágios, as larvas assumem a Dependência
forma infestante; pela picada do inseto, essas larvas Droga Psíquica Física Tolerância
penetram no homem, alojando-se nos vasos linfáti- Álcool Sim I sim
cos, onde completam seu desenvolvimento, originan- Cocaína II não não
do as formas adultas. A profilaxia da elefantíase Maconha III não (pouca) não (pouca)
consiste basicamente na destruição do inseto. Anfetaminas Sim não IV
Transmissão Barbitúricos Sim V sim
A transmissão dessas moléstias do doente ou Heroína Sim VI sim
portador para a pessoa sadia, geralmente ocorre por
meio de uma cadeia, como mostra a ilustração. Verifique se as associações tornam o quadro cor-
reto:
Editora Exato 30
BIOLOGIA

1 I – sim. 4 A febre amarela é causada por um vírus trans-


2 II. – não. mitido ao homem somente através da picada
3 III – sim. do mosquito Aedes aegypti. Essa doença com-
4 IV – sim. promete especialmente as células do fígado.
5 V – sim. 5 O vírus da poliomielite afeta a medula óssea e
6 VI - não outras regiões do sistema nervoso central, par-
ticularmente o bulbo.
3 Leia o texto abaixo:
A maconha é o nome dado aqui no Brasil a 5 Leia o texto abaixo:
uma planta chamada cientificamente de Cannabis “ (...) quando eu fumava merla, sentia meu cora-
sativa. Ela já era conhecida há pelo menos 5000 ção pulando dentro do peito! Parecia estar sendo
anos, sendo utilizada quer para fins medicinais, carregado por um avião! Desesperado, quase não
quer para “produzir risos”. conseguia esperar minha vez de dar outra bafora-
Folheto do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas da. Não pensava em outra coisa, não comia, não
Psicotrópicas
estudava, apenas era consumido pela droga...
1 A maconha apresenta indicações terapêuticas,
Perdi a conta de quantas vezes pensei em mor-
como a utilização para controle de vômitos, em
rer.”
pacientes submetidos à quimioterapia, e tem
efeito benéfico na inibição do apetite.
1 O usuário descreveu claramente os sintomas
da síndrome de abstinência.
2 O THC, tetrahidrocanabinol, é uma substância
química sintetizada pela própria planta, sendo
2 Há uma incoerência no texto, pois o usuário
relata efeitos cardíacos que não podem ocorrer,
o principal responsável pelos efeitos estimu-
já que a merla é uma droga psicotrópica, atu-
lantes da droga.
ando somente no sistema nervoso central.
3 A quantidade de THC pode variar de planta
para planta, dependendo de vários fatores co-
3 A merla é um subproduto da fabricação da ma-
conha.
mo qualidade do solo, clima, estação do ano,
época de colheita.
4 As informações presentes no trecho não permi-
tem caracterizar a existência de dependência
4 Uma quantidade de maconha incapaz de causar
física.
efeito nítido em um indivíduo pode produzir
forte intoxicação em uma outra pessoa.
5 Há informações no texto que permitem carac-
terizar a merla como uma droga psicotrópica,
5 A interrupção do consumo da droga se faz a-
estimulante e causadora de tolerância.
companhar de sérias implicações fisiológicas,
como náuseas, vômitos e perda da consciência.
6 O consumo da maconha tende a aguçar os 6 A elefantíase, ou filariose, é uma parasitose co-
sentidos, sendo por isso muito utilizada clan- mum na região amazônica. Sua profilaxia pode
destinamente por caminhoneiros que desejam ser feita através do combate ao inseto vetor e do
permanecer ao volante por mais tempo. isolamento e tratamento das pessoas doentes. O
7 Pessoas sob efeito da maconha não deveriam agente causador e o hospedeiro intermediário
executar tarefas que dependem da atenção, dessa parasitose são, respectivamente:
bom senso e discernimento, pois essa droga é a) Ascaris lumbricoides e um mosquito do gênero
um forte inibidor do sistema nervoso autôno- Culex.
mo. b) Wuchereria bancrofti e um mosquito do gênero
8 O consumo esporádico de maconha deve cau- Culex.
sar menos prejuízos ao organismo do que o c) Wuchereria bancrofti e o caramujo.
consumo rotineiro de álcool. d) Schistosoma mansoni e a filária.
e) Ancylostoma duodenale e a filária.
4 Sobre as viroses, julgue os itens abaixo:
1 A dengue é uma doença causada por um vírus 7 Exemplos de moléstias causadas por parasitas
transmitido ao homem pela picada do mosqui- que se manifestam apenas na espécie humana e
to Aedes aegypti. cuja transmissão independe de hospedeiro inter-
2 A forma hemorrágica da dengue pode levar à mediário são:
morte. a) ascaridíase e ancilostomose.
3 Não existem vacinas eficientes contra a hepati- b) esquistossomose e malária.
te. Dessa forma, essa infecção, em muitos ca- c) malária e ascaridíase.
sos, pode ser fatal. d) ancilostomose e teníase.
Editora Exato 31
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e) teníase e esquistossomose. GABARITO

8 Ao abrir o envelope com o resultado de seu exa- Estudo Dirigido


me parasitológico de fezes, Jequinha leu: positivo 1 É uma infecção grave e, até o momento, incurá-
para ovos de Ascaris lumbricoides. vel. A infecção tem início com a entrada do HIV
Qual das medidas preventivas de doenças parasi- em suas células-alvo, normalmente os linfócitos
tárias, relacionadas a seguir, NÃO deve ter sido T e macrófagos. Estas células apresentam uma
observada por Jequinha na sua vida diária? proteína de superfície chamada de CD4. Após a
a) Andar calçado, para que a larva não penetre pe- invasão da célula-alvo, o HIV pode reproduzir-se
los pés. de modo lento, sem que haja a destruição da célu-
b) Comer carne de porco ou de boi inspecionada e la-alvo. Quando isso acontece, fala-se em repro-
bem cozida. dução controlada do vírus. Se a reprodução
c) Lavar bem as mãos e os alimentos antes das re- viral for muito intensa, a ponto de causar a des-
feições. truição da célula, fala-se em lise celular.
d) Colocar tela nas janelas, para impedir a entrada
do mosquito Culex. 2 É uma grave infecção, transmitida pela picada da
e) Não nadar em lagoas que tenham o caramujo fêmea contaminada do mosquito Aedes aegypti.
Biomphalaria. Esse mosquito, em geral, pica durante o dia e vi-
ve associado a habitações humanas. Sintomas:
dor, cansaço, febre, manchas vermelhas na pele e
9 Conforme o ciclo evolutivo, os parasitas são hemorragia (pode levar o paciente à morte).
classificados em monogenéticos e digenéticos.
3 São drogas que diminuem a atividade mental. In-
No primeiro caso, quando seu ciclo se passa num
único hospedeiro e no segundo caso, quando se duzem a tranqüilidade e sedação, combatendo a
desenvolve em dois hospedeiros, o intermediário tensão emocional e os estados de angústia. Álco-
ol, heroína e solventes como éter são exemplos
e o definitivo.
Um parasita considerado monogenético é: dessas drogas.
a) Ascaris lumbricoides. 4 Não entrar em contato com água de lagoas con-
b) Taenia sollium. taminadas; Recolhimento e tratamento de esgo-
c) Trypanosoma cruzi. tos; Filtrar ou ferver a água a ser ingerida;
d) Leishmania brasiliensis. Combater o caramujo.
e) Wuchereria bancrofti. Exercícios
1 E
10 As verminoses são um grande problema de saú-
de, principalmente nas populações de baixa ren- 2 C, E, C, C, C, E
da, que geralmente vivem onde as condições 3 E, E, C, C, E, E, E, E
sanitárias são precárias ou inexistentes. Sobre as
verminoses, julgue os itens. 4 C, C, E, E, E
1 A "barriga d'água" é causada pelo Schistosoma 5 E, E, E, C, E
mansoni, cujo hospedeiro intermediário é o ca-
6 B
ramujo.
2 Os cisticercos da Taenia sollium são transmiti- 7 A
dos ao homem pela carne do porco crua ou mal
8 C
cozida.
3 A lombriga é um asquelminte que se aloja 9 A
principalmente no intestino. 10 C, C, C, E
4 A ameba é um nematoda que, no homem, cau-
sa o cólera.

Editora Exato 32
BIOLOGIA

CÉLULAS TRONCO E TRANSGÊNICOS


1. CÉLULAS TRONCO Polêmica
O uso das células tronco embrionárias gera
O que são células tronco?
mundialmente uma grande polêmica, devido às di-
Cientistas brasileiros estão testando a utiliza- vergências de opinião sobre quando a vida se inicia.
ção de células tronco no tratamento de doenças do Para a maioria dos grupos religiosos, a vida humana
coração. Mas o que são células tronco? Boa pergun- já está contida dentro do embrião. Destruí-lo seria
ta! Mas vamos por partes. destruir uma vida humana.
Para começar... O que é uma célula? Pela defi- Não há um consenso sobre quando a vida hu-
nição oficial “célula é a unidade estrutural e funcio- mana começa. Alguns acreditam que seja no momen-
nal dos seres vivos”. É estrutural, porque um to da fecundação; outros, quando o embrião é
organismo é construído célula por célula. Igualzinho implantado no útero. Porém, como existe um consen-
a uma casa, que é erguida tijolo por tijolo. É funcio- so de que a vida termina quando cessa a atividade ce-
nal, porque são as células que executam todas as tare- rebral do indivíduo, a maioria dos países que
fas de um corpo. permitem as pesquisas com células-tronco embrioná-
E o tronco? Por que células tronco? Bem, ima- rias estabeleceram um limite de até 14 dias, pois até
gine o tronco de uma grande árvore. Ele é sólido, ro- essa fase não existe vestígio de sistema nervoso no
busto. Tem mais ou menos a mesma aparência, desde embrião.
que sai do chão até o ponto onde começam a surgir
os galhos. A partir daí, os galhos começam a mudar... Células tronco no tratamento do Dia-
Aparecem folhas, flores e frutos. Pegou a idéia? A betes tipo 1
célula tronco é como o tronco de uma árvore. É a par- O que é Diabetes tipo 1: ODiabetes mellitus
tir dela que surgem todas as células do corpo. Assim tipo 1 normalmente se inicia na infância ou adoles-
como uma árvore, que tem partes tão diferentes como cência, e se caracteriza por um déficit de insulina,
folhas e galhos, um organismo vivo tem células mui- devido à destruição das células beta do pâncreas por
to diferentes umas das outras. processos auto-imunes (em que os linfócitos são res-
As células tronco acompanham o ser vivo des- ponsáveis pela destruição parcial ou total do pân-
de a sua criação. Depois elas se diferenciam em célu- creas). Só cerca de 1 em 20 pessoas diabéticas tem
las do coração, do cérebro, da coluna vertebral ou em diabetes tipo 1, a qual se apresenta mais freqüente-
outras células do organismo. Esta é uma capacidade mente entre em joves e crianças.
especial e única das células tronco, porque as outras Tratamento experimental: uma equipe de
células só se diferenciam em um tipo específico de pesquisadores do Hospital das Clínicas na Universi-
tecido. Por exemplo, uma célula da pele só poderá dade de São Paulo – Brasil – está realizando estudos
reconstutir a pele, nunca um outro órgão. com células tronco hematológicas em pacientes dia-
Conforme um ser vivo vai crescendo, ainda béticos Mellitus recém-diagnosticados. O tratamento
guarda algumas células tronco, que ficam com ele até consiste no desligamento do sistema imunológico a-
sua morte. Mas essas células que sobraram têm capa- través de um processo quimioterápico e imunossu-
cidade de diferenciação limitada, ou seja, as células pressor, após a imunodeficiência total são
tronco adultas só se diferenciam em alguns tipos de implantadas células tronco do próprio paciente (co-
tecidos, não em qualquer um. lhidas e congeladas previamente). A diferenciação
Hoje em dia, os cientistas estudam formas de das células-tronco ocorre na medula óssea que pro-
programar células tronco, para que elas se diferenci- duzirá um novo sistema imune, por sua vez esse novo
em em tecidos ou órgãos que precisam ser reparados. sistema perde sua “memória”, cessando a inflamação
Essa é a chamada medicina regenerativa, que prome- no pâncreas, que volta a funcionar normalmente.
te, para o futuro, avanço significativo no tratamento 2. TRANSGÊNICOS
de algumas doenças, como por exemplo, doença de
Parkinson e doenças do coração. Histórico
Texto redigido por Horácio Antônio Rodrigues, aluno de Os primeiros experimentos com plantas trans-
Ciências Biológicas e pela professora Débora D´Ávila Reis do
Laboratório de Biologia do Sistema Linfóide e da Regeneração. gênicas foram conduzidos em 1986, nos E.U.A e na
Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. França. Entre 1986 e 1995, 56 culturas foram testadas
em mais de 3.5 mil experimentos realizados em mais
de 15 mil locais (34 países). Em 1996 e 1997, o nú-
mero de países que testaram plantas transgênicas au-
mentou para 45, tendo sido conduzidos somente
Editora Exato 33
BIOLOGIA

nestes dois anos mais de 10 mil experimentos. Neste Genes de Interesse


período, as culturas mais testadas foram as de milho, O genoma de uma bactéria contém em média
soja, tomate, batata e algodão. Na maioria dos casos, 5000 genes, o de plantas, entre 40000 e 60000, en-
as características genéticas introduzidas foram tole- quanto o genoma humano consiste de aproximada-
rância a herbicidas, resistência a insetos, qualidade mente 30.000 genes. Os genes são segmentos de um
do produto e resistência a vírus. mesmo tipo de molécula: o ácido desoxirribonucléico
A China foi o primeiro país a comercializar (DNA) e é esta característica que permite que genes
plantas transgênicas no início da década de 90, com a de um organismo sejam potencialmente funcionais
introdução do fumo resistente a vírus, seguido pelo em outro. Diversos genes de interesse agronômico já
tomate resistente a vírus. Em 1994, a Calgene obteve foram isolados, entre eles temos:
a primeira aprovação nos EUA para comercializar o  Gene que codifica uma proteína capaz de
tomate transgênico “Flavr-Savr”, que apresentava modificar herbicidas, inativando-os. Os
amadurecimento retardado. herbicidas são muito usados no controle de
Definição ervas daninhas, entretanto, algumas culturas
O melhoramento genético é baseado na com- não sobrevivem à aplicação deste produto.
binação genética de duas plantas da mesma espécie, Deste modo, culturas contendo este gene
por meio de cruzamento sexual ou, em alguns casos, poderiam tornar-se resistentes ao herbicida,
entre plantas de espécies diferentes, mas do mesmo facilitando, assim, o controle das ervas.
gênero, com grandes semelhanças entre si. Os des-  Gene que codifica uma proteína de alto va-
cendentes desse cruzamento são selecionados, esco- lor nutricional, presente na castanha-do-
lhendo-se apenas aqueles indivíduos que tenham as pará. Este gene poderia ser usado para au-
características desejadas, como maior produtividade, mentar o valor nutricional de culturas im-
resistência a insetos ou doenças. O melhoramento portantes como feijão e soja.
genético trabalha com a diversidade genética dentro  Genes bacterianos, que codificam proteínas
de uma mesma espécie. com propriedades tóxicas para insetos. Os
Já na modificação genética ou transgenia, insetos que se alimentassem de plantas ex-
seqüências do código genético são removidas de um pressando este gene morreriam ou se de-
ou mais organismos e inseridos em outro organismo, senvolveriam com menor eficiência,
de espécie diferente. A principal implicação da trans- levando ao seu controle na cultura.
genia é a quebra da barreira sexual entre diferentes Regeneração da planta inteira
espécies, permitindo cruzamentos impossíveis de o- Para obter a planta inteira a partir do tecido
correrem naturalmente, como entre uma planta e um transgênico, elas são cultivadas sob condições ambi-
animal, uma bactéria e um vírus, um animal e um in- entais controladas numa série de meios contendo nu-
seto. A inserção de genes exóticos em uma planta, trientes e hormônios, um processo conhecido como
por exemplo, pode resultar em efeitos imprevisíveis cultura de tecidos. Uma vez gerada toda a planta e
em seus processos bioquímicos e metabólicos. produzidas as sementes, começa a avaliação da pro-
Procedimentos para a obtenção de gênie.
plantas transgênicas: 3. TRANSGÊNICOS NA AGRICULTURA
Para obter plantas transgênicas, são necessá-
rios: A maioria dos produtos já liberados para a co-
 um gene de interesse; mercialização contém transgenes que codificam ca-
 uma técnica para transformar células vege- racterísticas que visam minimizar estresses
tais através da introdução do gene de inte- ambientais, incluindo tolerância a herbicidas, resis-
resse; tência a insetos e vírus. No entanto, as características
 uma técnica para gerar uma planta inteira a que visam aumentar a qualidade nutricional dos ali-
partir de uma só célula transformada. mentos vêm se tornando progressivamente mais im-
Após esta última etapa, teremos uma planta portantes e deverão prevalecer nas próximas gerações
transgênica, porque ela contém, além dos genes natu- de produtos transgênicos.
rais, um gene adicional proveniente de outro orga- Alimentos produzidos através de tecnologias
nismo, que pode ser uma planta, uma bactéria ou até de modificação genética podem ser mais nutritivos,
um animal. estáveis quando armazenados e, em princípio, podem
promover saúde trazendo benefícios para consumido-
res, seja em nações industrializadas ou em desenvol-
vimento.

Editora Exato 34
BIOLOGIA

Esforços em conjunto, organizados, devem ser se estabeleceu como a primeira equipe de pesquisa-
feitos para investigar os efeitos potenciais no meio dores realizando trabalhos em clonagem de genes e
ambiente (positivos ou negativos) dos vegetais trans- desenvolvimento de tecnologias para obtenção de
gênicos em suas aplicações específicas. Esses esfor- plantas transgênicas. Hoje, vários laboratórios no
ços devem ser avaliados tomando-se como referência Brasil estão trabalhando com plantas geneticamente
os efeitos de tecnologias convencionais da agricultu- modificadas, incluindo diferentes centros de pesquisa
ra, que estejam atualmente em uso. da Embrapa e universidades federais e estaduais, a-
O uso da tecnologia da modificação genética lém de empresas privadas.
de vegetais pode ser aplicada a alguns problemas es- Alface - A Embrapa está investindo na produ-
pecíficos da agricultura, tais como: ção de alface transgênico, contendo um gene para re-
Resistência a pragas: temos como exemplo a sistência a fungo. O objetivo é testar as variedades
papaia que é resistente ao vírus Ringspot e que tem geneticamente modificadas contra a Sclerotinia, um
sido comercializada e plantada no Hawai desde 1996. fungo que causa a podridão do alface. O fungo é res-
Este exemplo prova a eficiência do uso de modifica- ponsável ainda por uma doença conhecida como mo-
ção genética em vegetais visando obter maior resis- fo branco, que ataca de forma bastante nociva o
tência a uma praga específica. feijão, a soja, entre outras 60 culturas agrícolas.
Colheitas mais abundantes: como exemplo te- A unidade também está desenvolvendo, em
mos as pesquisas que envolvem a produção de ali- parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais
mentos de alto-rendimento. O maior exemplo é o (UFMG), uma planta-vacina transgênica para comba-
trigo semi-anão que possui genes insensíveis a gibe- ter a leishmaniose, uma doença infecciosa causada
relina. A introdução desses genes faz com que se ob- pelo protozoário do gênero Leishmania. Essa tecno-
tenha uma planta mais baixa, mais forte e que logia consiste na introdução do gene da proteína Lack
aumenta o rendimento da safra diretamente, uma vez (antígeno da leishmaniose) em plantas de alface e
que se reduz o alongamento das células na parte ve- tem como objetivo fazer com que as pessoas se tor-
getativa, de forma que a planta desenvolva mais sua nem imunes à enfermidade com a simples ingestão da
parte reprodutiva (comestível). hortaliça.
Uso de terras marginalizadas: solos com ele- Feijão - A Embrapa já possui, desde 2000,
vados índices de salinidade e alcalinidade podem ser plantas transgênicas de feijão para resistência ao ví-
utilizados caso se consiga obter um transgênico que rus do mosaico dourado, considerado o pior inimigo
tenha por característica ser resistente nessas condi- da cultura na América do Sul. No Brasil, a doença es-
ções. Como exemplo, temos um gene de tolerância tá presente em todas as regiões, e se atingir a planta-
em manguezais (Avicennia marina), que foi clonado ção ainda na fase inicial, pode causar perdas de até
e transferido para outras plantas e através dele pôde- 100% na produção.
se observar que as plantas transgênicas mostraram-se Batata - A Embrapa Recursos Genéticos e Bio-
mais tolerantes a altas concentrações de sal. tecnologia, em parceria com a Embrapa Hortaliças,
Benefícios nutricionais: temos o exemplo da Universidade Federal de Pelotas, o Instituto de Inge-
introdução de genes para obter maior produção de be- niería Genética Y Biotecnologia (Ingeb, da Argenti-
ta caroteno, precursor da vitamina A, extremamente na), e o Centro Brasileiro-Argentino de
necessária e cuja deficiência nos animais causa ce- Biotecnologia, desenvolveram variedades transgêni-
gueira. A semente deste transgênico apresenta cor cas de batata resistentes aos vírus "Y" e PLRV, ou ví-
mais amarelada. Também já se desenvolveu o arroz rus do enrolamento das folhas, como é mais
transgênico com elevados níveis de ferro, de forma a conhecido. O primeiro causa o enrugamento das fo-
combater a anemia. Este arroz foi produzido usando- lhas e mosaico. Já o segundo, como já diz o nome,
se genes envolvidos na produção de proteínas capa- provoca o enrolamento. Ambos têm como sintomas a
zes de ligar o ferro e de uma enzima que facilita a redução do porte da planta e do tamanho das folhas e,
disponibilidade de ferro na dieta humana. As plantas quando estão juntos, são capazes de causar 100% de
transgênicas contêm entre 2 e 4 vezes mais ferro do perdas na produção.
que normalmente encontrado no arroz convencional. Mamão - A Embrapa desenvolveu plantas
Principais pesquisas com transgênicos transgênicas de mamão resistentes ao vírus da man-
no Brasil cha anelar. O vírus é considerado o pior inimigo da
cultura de mamão em nível mundial. Além de reduzir
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuá-
o tamanho das folhas, ele diminui também a capaci-
ria (Embrapa), que começou a investir em biotecno-
dade de fotossíntese das plantas, levando à redução
logia na década de 80, desenvolve a maior parte das
de seu crescimento e, conseqüentemente, a perdas
pesquisas no País. Foi na Embrapa Recursos Genéti-
significativas na produção.
cos e Biotecnologia, localizada em Brasília (DF), que
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BIOLOGIA

Tomate - A Embrapa Recursos Genéticos e Indústria biotecnológica


Biotecnologia está iniciando pesquisas de transfor- Um argumento das indústrias biotecnológicas
mação genética para tornar o tomate resistente ao para o consumo do alimento transgênico, seria que,
grupo dos geminivírus, uma das piores pragas dessa no cotidiano, muitas vezes o homem ingere genes e
cultura e que tem inviabilizado o seu cultivo em vá- proteínas virais durante o consumo de plantas não
rias regiões brasileiras. O gene já foi isolado e a pes- transgênicas infectadas.
quisa encontra-se na fase de construção de vetores. Antes que o DNA de uma planta transgênica
Soja - Além das variedades de soja transgênica fosse incorporado ao DNA do homem, ele teria que
para resistência a herbicidas, que já estão desenvolvi- sobreviver num ambiente hostil representado pelos
das e prontas para serem testadas no campo, a Em- ácidos gástricos e nucleases presentes no trato gas-
brapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em trintestinal. Além disso, cada bactéria tem 1 em 10
parceria com a Embrapa Soja, vem desenvolvendo milhões de chances de transferir seu DNA para as
outras pesquisas para a sua transformação genética. bactérias do trato intestinal.
Uma delas, de aplicação para a saúde humana, é para A seguir, o DNA teria que penetrar na parede
expressar o hormônio do crescimento que, por ser intestinal e cruzar a membrana celular, tendo que so-
muito caro, é pouco acessível à população. breviver ao sistema desenvolvido para degradar DNA
O desenvolvimento de plantas transgênicas de exógeno, ainda este DNA teria que ser integrado ao
soja com o hormônio poderá baratear sua produção. genoma do hospedeiro.
Além do hormônio de crescimento, a unidade está in- Outro problema levantado pelos ambientalistas
troduzindo também em plantas de soja, um gene de foi a alergenicidade, alguns pesquisadores afirmam
um anticorpo, que pode ser eficaz na prevenção de que pelo menos 1/3 dos adultos apresentam algum ti-
vários tipos de câncer. Os genes já foram inseridos e po de alergia a determinados alimentos, os sintomas
a equipe já tem sementes transformadas, que estão só se manifestam em 2% da população. Os principais
sendo aperfeiçoadas. Juntamente com a Universidade alimentos que podem provocar alergia são: peixe,
de Brasília (UnB), a Embrapa está também empenha- amendoim, soja, leite, ovos, crustáceos, trigo e nozes.
da em produzir outras proteínas de interesse médico Foi também criada uma polêmica em relação
em plantas de leguminosas. ao uso de antibióticos como marcadores, no entanto,
Algodão - A Embrapa está desenvolvendo vale lembrar que os mesmos sempre foram utilizados
plantas transgênicas de algodão para resistência a na alimentação animal a fim de prevenir doenças e
herbicidas, insetos (com o gene Bt - Bacillus thurin- favorecer seu crescimento.
giensis e outros), doenças fúngicas e bacterianas. As Conclusão
unidades já dominam a técnica de transformação de
O tema “transgênico” ainda é muito polêmico
plantas de algodão e têm genes isolados para resis-
e existem duas linhas muito divergentes argumentado
tência ao bicudo do algodoeiro e a lagartas que ata-
a liberação ou não desses produtos. Para uma melhor
cam essa cultura, mas ainda não existem plantas
conclusão sobre o assunto, ainda serão necessários
prontas.
muitos estudos e avaliações tanto dos efeitos ambien-
Danos ao Meio Ambiente tais, quanto os relativos à saúde humana. Ainda não
Grupos ambientalistas alegam que a melhor se sabe como cada ser humano em particular reagiria
justificativa utilizada pela indústria biotecnológica é com relação ao uso freqüente dos transgênicos. Dessa
a necessidade de produzir alimentos para uma popu- forma, é importante ressaltar que esforços em conjun-
lação em crescimento. Mas, segundo as Nações Uni- to devem ser feitos para investigar os efeitos potenci-
das, o mundo produz uma vez e meia a quantidade de ais no meio ambiente e na saúde humana.
alimentos necessária para alimentar toda a população http://darwin.bio.uci.edu/~tjf/tmf_tgms.html
do planeta. http://www.colband.com.br/ativ/nete/biot/textos/alimentos/003.h
tm
Outro ponto que chama a atenção destes gru- http://www.terra.com.br/reporterterra/transgenicos/pesquisas_br
pos é a preocupação, por parte da indústria biotecno- asil.htm
http://www.agroclubes.com.br
lógica, em desenvolver variedades resistentes a www.ambicenter.com.br/
herbicidas ao invés de variedades que sejam toleran- www.cnpa.embrapa.br
tes a ervas daninhas, plantas fixadoras de nitrogênio http://www.escience.ws/b572/L20/L20.htm
ou resistentes à seca. Os herbicidas causam grande
impacto no meio ambiente, por isso, seria mais inte- ESTUDO DIRIGIDO
ressante o desenvolvimento de plantas que dispensas- 1 As células tronco possuem uma capacidade espe-
sem o uso deles. cial. Explique.

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BIOLOGIA

2 Diferencie melhoramento genético e modificação procedimento fundamenta-se no fato de que essas


genética (ou transgenia). células tronco
a) podem ser usadas para a clonagem de células
sadias do paciente.
b) não serão afetadas pela doença, já que foram
diferenciadas em outra pessoa.
3 Cite algumas utilidades da transgenia para a agri- c) secretam substâncias que inibem o crescimento
cultura. celular.
d) podem dar origem a linfócitos T que, por sua
vez, ingerem os leucócitos em excesso.
e) podem dar origem a todos os diferentes tipos de
células sangüíneas.
EXERCÍCIOS

1 Com relação à Biotecnologia, julgue os itens. 4 A pesquisa com células tronco tem-se tornado de
1 Um exemplo de biotecnologia é o uso de bac- grande importância para a recuperação de órgãos
térias no controle de pragas agrícolas como bi- lesionados que não têm capacidade de regenera-
oinseticidas. ção de suas células. As células tronco têm grande
2 A produção de alimentos transgênicos deu-se poder de regeneração porque:
graças à utilização da biotecnologia. a) têm todos os seus genes funcionando.
3 A clonagem e o projeto genoma humano são b) todos os seus genes estão desligados.
consideradas perdas de tempo e dinheiro, uma c) têm alto grau de especialização.
vez que já existem muitos seres vivos na Terra. d) são pouco especializadas.
4 A técnica de formação de um animal ou vege- e) não se reproduzem com facilidade.
tal transgênico consiste na retirada de um gene
de um ser e implante do material genético em
outro ser. 5 O melhoramento de plantas consiste basicamente
em modificar seu patrimônio genético com a fi-
nalidade de obter variedades capazes de apresen-
2 Alimentos transgênicos são bons ou ruins para a tar o maior rendimento possível, com produtos de
saúde? Esta é uma dúvida muito comum entre a alta qualidade. No entanto, não se sabe os efeitos
população. Até hoje não existe nenhuma pesquisa que isto provoca à saúde daqueles que ingerem
que comprove os efeitos tóxicos ou somente as constantemente estes produtos. Por isso, o gover-
vantagens destes alimentos. Os estudos que estão no brasileiro exigiu que nas embalagens estivesse
sendo feitos nesta área devem durar um longo explícito se a mercadoria é um transgênico ou
tempo para que possam mostrar qualquer tipo de não. Dessa forma, as pessoas sabem seguramente
alteração no indivíduo, mesmo que a eventual aquilo que estão comendo. Supondo-se que uma
modificação não seja relevante. O que existe hoje hortaliça transgênica heterozigota foi cruzada
é muita especulação a respeito destes alimentos. com uma homozigota recessiva, qual a probabi-
O mais sensato é esperar “que bicho vai dar”. lidade de ter um descendente recessivo?
Segundo seus conhecimentos sobre material ge- a) 0%.
nético, julgue os itens: b) 25%.
1 O RNA se difere do DNA somente por apre- c) 75%.
sentar fita simples. d) 50%.
2 As bases nitrogenadas púricas (adenina e gua-
nina) se ligam obrigatoriamente às bases piri-
mídicas (citosina, timina ou uracila). GABARITO
3 A duplicação do DNA também é chamada de
replicação. Estudo Dirigido
4 Durante a duplicação do material genético
podem ocorrer mutações, afetando o indivíduo. 1 As células tronco acompanham o ser vivo desde
a sua criação. Depois elas se diferenciam em cé-
lulas do coração, do cérebro, da coluna vertebral
3 O tratamento da leucemia por meio dos trans- ou em outras células do organismo. Esta é uma
plantes de medula óssea tem por princípio a capacidade especial e única das células tronco,
transferência de células tronco da medula de um porque as outras células só se diferenciam em um
indivíduo sadio para o indivíduo afetado. Tal tipo específico de tecido.
Editora Exato 37
BIOLOGIA

2 O melhoramento genético é baseado na combi- 4. BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA


nação genética de duas plantas da mesma espécie
por meio de cruzamento sexual ou, em alguns ca- BIRNER, Ernesto. UZUNIAN, Armênio Biolo-
sos, entre plantas de espécies diferentes, mas do gia. Volume único.. Ensino Médio. Editora
mesmo gênero, com grandes semelhanças entre Harbra.
si. Os descendentes desse cruzamento são sele- ADOLFO, Augusto. CROZETTA, Marcos e
cionados, escolhendo-se apenas aqueles indiví- LAGO, Samuel Ramos. Biologia-Coleção Vi-
duos que tenham as características desejadas. tória-Régia.. categoria: Ensino Médio. Editora
IBEP.
3 Resistência a pragas; colheitas mais abundantes; FONSECA, Albino. Biologia – Curso Comple-
uso de terras marginalizadas; benefícios nutricio- to.. Horizontes. Editora IBEP.
nais. FONSECA, Albino. Sistema de Ensino IBEP -
Exercícios Apostila – Biologia.. Editora IBEP.
MARTHO, Gilberto Rodrigues. AMABIS, José
1 C, C, E C Mariano Biologia - Volume 1 - Das células -
2 E, E, C, C Origem da vida, Citologia, Histologia e Em-
briologia. 2ª edição.. Editora Moderna.
3 E
MARTHO, Gilberto Rodrigues. AMABIS, José
4 D Mariano Biologia - Volume 2 - Das células -
Origem da vida, Citologia, Histologia e Em-
5 D
briologia. 2ª edição.. Editora Moderna.
MARTHO, Gilberto Rodrigues. AMABIS, José
Mariano Biologia - Volume 3 - Das células -
Origem da vida, Citologia, Histologia e Em-
briologia. 2ª edição.. Editora Moderna.
GEWANDSZNAJDER, Fernando. LINHA-
RES, Sérgio. Biologia - Série Brasil. Volume
Único.. Editora. Ática.
PAULINO, Wilson Roberto. Biologia - Volume
Único. . Editora Ática.
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ble strategies for producing foreign molecules
in plants. Curr Opinion in Plant Biol 7:189–
195, 2004.

Editora Exato 38
BIOLOGIA

GENÉTICA
mamíferos, por X e Y. Nas células somáticas, os
HERANÇA MENDELI- cromossomos organizam-se aos pares, fala-se então
em pares de cromossomos homólogos.
ANA Genes
São segmentos de DNA com informações so-
1. HEREDITARIEDADE bre a síntese de determinada proteína, normalmente
uma enzima.
Desde séculos, o homem estabeleceu que, nu- Os gens alelos ou alelomorfos são aqueles que
ma infinita diversidade de formas, as gerações se su- se encontram em mesmo “locus” de cromossomos
cedem de tal modo que semelhante origina homólogos.
semelhante.
A noção de hereditariedade impõe-se, de fato, Os genes dominantes são aqueles que mani-
pela simples observação do mundo que nos rodeia. festam seu efeito tanto em dose dupla, quanto em do-
Na tentativa de explicar o modo como são se simples. Já os genes recessivos, normalmente,
transmitidas as características hereditárias foram sur- somente manifestam seu efeito quando estão em dose
gindo várias teorias, entre as quais a da hereditarie- dupla.
dade sangüínea. Segundo este modelo teórico, na Os genes letais quando se expressam causam a
reprodução dos animais, os fatores responsáveis pelas morte do indivíduo (ou até mesmo impede o seu nas-
características flutuavam no sangue dos dois progeni- cimento). Normalmente, esses genes atuam quando
tores e passavam para o ovo. Hoje, a nossa lingua- estão em homozigose.
gem retém ainda reminiscências que refletem esta Genótipo
explicação. É o caso de frases comuns como: “está no É o patrimônio hereditário de um indivíduo, is-
sangue”; “sangue azul”; “irmão de sangue”; “tem to é, a bagagem de gens que é recebida dos pais; mais
sangue ruim”. Mas nem sempre os modelos teóricos especificamente, genótipo é representado pelos gens
estabelecidos são compatíveis com os resultados ob- alelos de um indivíduo para um citado caráter.
servados. Fenótipo
Há cerca de 150 anos, um monge agostinho, É a manifestação de uma constituição hereditá-
Gregor Mendel (1822-1881), que ensinava ciências ria de um indivíduo. O fenótipo refere-se à caracterís-
na Escola Secundária, nos arredores do Mosteiro de tica detectável através de métodos diretos ou
Brünn, na antiga Checoslováquia, utilizando ervilhas indiretos.
da espécie Pisum sativum, fez experiências cujos re-
sultados constituíram as bases científicas da trans- Fenótipo = Genótipo + Meio ambiente
missão dos caracteres hereditários. Homozigoto ou puro
Mendel não pertencia a nenhuma instituição É aquele indivíduo que para um citado caráter
acadêmica como seria de supor. A sua horta foi o la- apresenta gens alelos iguais - dominantes ou recessi-
boratório onde demonstrou que a transmissão dos ca- vos.
racteres não é ambígua, mas pode ser prevista. Exemplo:
Mendel lançou as bases científicas da Genéti- AA ou aa
ca, ciência que estuda o modo de transmissão dos ge- Heterozigoto ou híbrido
nes, e a sua expressão a nível celular e do organismo. É aquele que para um citado caráter apresenta
Os seus conceitos fundamentam grande parte da Bio- gens alelos diferentes - um dominante e um recessi-
logia moderna e relacionam-se com muitos dos gran- vo.
des problemas do Homem de hoje.
Exemplo:
Conceito Básicos em Genética Aa = “olhos castanhos recessivos para azuis”.
Cromossomos
São estruturas nucleares formadas por DNA
associado a proteínas. Os cromossomos autossomos
contêm os gens responsáveis pelos caracteres somáti-
cos de um indivíduo, determinando as características
físicas do indivíduo. Já, os cromossomos alossomos
são responsáveis pelos caracteres sexuais primários e
secundários de um indivíduo. São representados, nos
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2. PRIMEIRA LEI DE MENDEL


A A a a A a
Hereditariedade autossômica com do-
minância
Gregor Mendel, além de professor, tinha ainda
a seu cargo a supervisão dos jardins do mosteiro onde
Homozigoto Homozigoto Heterozigoto residia. Como desempenhou o seu cargo de professor
dominante recessivo pouco sabemos, mas, quanto ao trabalho desenvolvi-
do nos jardins, os resultados chegaram até hoje.
Cruzamento-teste Mendel trabalhou com várias plantas e alguns
É o teste em que o indivíduo com o fenótipo animais, mas os seus melhores resultados foram obti-
dominante e genótipo suspeito é cruzado com um dos com a ervilha de cheiro, Pisum sativum. Esta
homozigoto recessivo para a mesma característica. planta apresenta características que a tornam um ex-
celente material de experimentação:
Homozigoto Homozigoto  Possui caracteres bem diferenciados e cons-
dominante recessivo
AA aa tantes, que se reconhecem facilmente.
X  É fácil de cultivar e tem crescimento rápi-
do, o que permite a obtenção de várias ge-
Aa Aa Aa Aa rações em pouco tempo.
 As suas flores possuem uma corola muito
100% heterozigotos Homozigoto especial, onde normalmente se verifica a
Heterozigoto

recessivo
Aa aa autopolinização.
X

Aa aa
50% 50%

Retrocruzamento
No retrocruzamento, o indivíduo cujo genótipo
se deseja conhecer é cruzado com o progenitor de
genótipo homozigoto recessivo e, como resultado,
surgirão dois tipos de descendentes em iguais pro-
porções.
Cruzamento Consangüíneo
É o cruzamento entre indivíduos aparentados
por descendência, por exemplo, primos em primeiro  A estrutura da corola não permite a entrada
grau. Em geral, quanto maior o grau de consangüini- de pólen estranho, evitando assim perturba-
dade, maiores os riscos de aparecimento de caracte- ções devidas a cruzamentos não desejados.
rísticas deletérias na prole.
Fenocópia
É uma alteração que imita uma característica
originariamente determinada por um gen específico.
Cariótipo
É o conjunto de características formado desde
o número, tamanho, forma e estrutura dos cromos-
somos de uma célula diplóide.
Genoma Para efetuar cruzamentos entre plantas diferen-
É o termo usado para fazer referência à carga tes, pode realizar-se a polinização cruzada artificial.
de gens de uma célula gamética, espermatozóide ou Nesta técnica, cortam-se os estames ainda imaturos
óvulo. das flores de um dos progenitores e polvilham-se os
estigmas dessas flores com pólen proveniente das an-
teras das flores do outro progenitor.

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Nos estudos que realizou, Mendel trabalhou Ao deixar que os híbridos se autopolinizassem,
com sete características diferentes, bem distintas u- Mendel obteve 929 sementes que, semeadas, origina-
mas das outras. ram uma 2ª geração, que costuma representar-se por
F2, em que aparecem indivíduos com flores verme-
Órgão Carácter Formas antagônicas do carácter lhas e indivíduos com flores brancas, numa propor-
ção aproximada de 3 para 1.
Cor da semente
Na interpretação dos resultados experimentais
Semente Amarela Verde obtidos, Mendel propôs:
Forma da semente
Rugosa
 Cada organismo contém dois fatores para
Lisa
cada caráter.
Cor da corola
Púrpura Branca
 Na formação dos gametas, os fatores sepa-
Flor ram-se de tal modo que cada gameta con-
Disposição das flores
Axial Terminal
tém um só fator de cada par (pureza dos
gametas).
Cor da vagem
Verde Amarela Este princípio é conhecido por princípio da
Vagem
segregação fatorial.
Forma da vagem
Lisa Rugosa
No caso da geração parental, cada progenitor
possui dois fatores iguais. Um dos progenitores tem
Caule
Tamanho do caule
dois fatores responsáveis pela cor vermelha e os ou-
tros dois fatores responsáveis pela cor branca.
Cada indivíduo da geração F1 resulta da união
Alto Baixo
de dois gametas que transportam, cada um deles, um
fator antagônico, possuindo portanto os dois fatores,
Para cada uma destas características, e durante
um par da cor vermelha e outro para a cor branca.
dois anos, tentou isolar linhas puras, isto é, plantas
O fator que condiciona o aparecimento do ca-
que, autopolinizadas, originam uma descendência
racter branco encontra-se de fato nos indivíduos da
que é sempre toda igual entre si, e igual aos progeni-
geração F1. Só assim se explica que venha mais tarde
tores relativamente à característica considerada. Por
a surgir nos seus descendentes.
exemplo, plantas altas cruzadas com plantas altas, o- Como nos indivíduos da geração F1, os dois fa-
riginam sempre plantas altas.
tores se encontram em presença um do outro e só o
3. O EXPERIMENTO DE MENDEL vermelho se manifesta, chama-se a este fator domi-
nante em relação ao branco, que se chama fator re-
Um princípio fundamental em investigação bi- cessivo pelo fato de não se manifestar quando em
ológica consiste em dividir um problema complexo presença do dominante correspondente.
em problemas simples. Uma das razões por que Além de trabalhar com o caráter cor da corola,
Mendel foi bem sucedido deve-se ao fato de ter se- Mendel efetuou outras experiências de monoibridis-
guido este princípio. Em vez de estudar a hereditarie- mo, envolvendo outros caracteres. A tabela apresenta
dade no seu todo, debruçou-se sobre sete caracteres, os resultados obtidos, relativamente aos sete pares de
iniciando os seus trabalhos com a análise do que se caracteres contrastantes estudados por Mendel.
passava em relação a apenas um, isoladamente - mo-
noibridismo.
Começou por efetuar cruzamentos entre indi-
víduos pertencentes a linhas puras, previamente iso-
ladas - cruzamento parental.
O caráter em estudo assumia em cada um dos
progenitores aspectos antagônicos. Por exemplo, o
caracter cor da corola poderia apresentar-se sob dois
aspectos: o branco e a púrpura.
Para conseguir este cruzamento, Mendel recor-
reu à polinização cruzada, impedindo o processo na-
tural de autopolinização cruzada. As sementes
colhidas nas plantas deste cruzamento deram origem
à ervilheira de corola vermelha. Esta geração filial
designa-se por geração F1, ou híbridos da primeira
geração.

Editora Exato 41
BIOLOGIA

Experiências de Mendel com ervilhas Geração F2


Caracter Dominante Recessivo dominante recessivo Total
Forma da semente Lisa Rugosa 5474 1850 7324
Cor da semente Amarela Verde 6022 2001 8023
Posição da flor Axial Terminal 651 207 858
Cor da flor Vermelha Branca 705 224 929
Forma da vagem Lisa Rugosa 882 299 1181
Cor da vagem Verde Amarela 428 152 580
Tamanho do caule Alto Baixo 787 277 1064

Em todos os casos, a análise dos dados revela dentes, em cromossomas homólogos. A zona de um
que: cromossoma onde se situa um gene designa-se por
 A geração F1 é uniforme em relação ao cará- locus. Os dois alelos que controlam um dado caracter
ter em estudo, manifestando o fator dominan- estão localizados em loci (plural de locus) correspon-
te. dentes nos dois cromossomas.
 Na geração F2, a proporção da característica Cada organismo possui uma constituição gené-
determinada pelo fator dominante em relação tica própria, da qual dependem as suas característi-
ao recessivo é aproximadamente 3/4 para 1/4 cas. O termo genótipo é usado para designar a
(3 para 1). constituição genética de um indivíduo. Aos caracte-
res que o indivíduo manifesta, resultantes da sua
Por convenção, pode representar-se o fator que constituição genética, foi atribuído o termo fenótipo.
condiciona a forma dominante pela letra inicial mai- Este corresponde ao modo como o genótipo se ex-
úscula da característica (neste caso, V) e o que condi- pressa. Assim, no exemplo apresentado, a cor verme-
ciona a forma recessiva pela mesma inicial, mas lha das corolas, fenótipo, pode corresponder a dois
minúscula (v). genótipos diferentes (Vv ou VV) em que V represen-
Nos indivíduos da geração F1, existem dois fa- ta o alelo para a cor vermelha e v, o alelo para a cor
tores (Vv), cada um recebido através dos gametas dos branca.
respectivos progenitores. Um transmite o fator V e o Árvores genealógicas ou heredogra-
outro o fator v.
mas
Quando se formam os gametas dos indivíduos
da geração F1, os dois fatores em causa separam-se O heredograma é uma prática representação
novamente, levando cada gameta apenas um dos fato- gráfica usada em genética e que permite a análise
res, dominante (V) ou recessivo (v). concomitante de várias gerações.
Na fecundação, vão-se juntar dois gametas ao Os símbolos usados na confecção dos heredro-
acaso, formando-se zigotos com todos os tipos de gramas são:
combinações possíveis dos respectivos fatores. Em
conseqüência disso, os indivíduos da geração F2 po-
dem ter dois fatores iguais ou diferentes em relação à
cor vermelha, aparecendo indivíduos que possuem os Portadora G êmeos Gêmeos
Afetado Casamento
dois fatores que condicionam corolas vermelhas, VV, heterozigota monozigóticos n dizigóticos
Principais símbolos usados
manifestando-se o dominante. Embora sejam todos
vermelhos, a sua composição fatorial é diferente.
Surgem ainda indivíduos produtores de flores Albinos
Normais
brancas cuja composição fatorial é vv. 1 2

Como se interpretam hoje esses resul-


tados? 3 4 5 6

Os fatores considerados por Mendel responsá-


veis pela transmissão das características hereditárias
correspondem a segmentos da molécula de DNA e 7 8 9 10 11 12 13 14

designam-se por genes. Os genes podem apresentar Exemplo de heredograma

formas alternativas responsáveis pelos caracteres


contrastantes. O estudo da transmissão genética na espécie
Tais formas alternativas de um mesmo gene humana reveste-se de dificuldades especiais devidas
são chamadas alelos e ocupam posições correspon- não só ao elevado número de cromossomas e ao pe-
queno número de indivíduos por geração, mas tam-
Editora Exato 42
BIOLOGIA

bém ao fato de, na espécie humana, os cruzamentos


experimentais não serem possíveis. Os geneticistas
recorrem freqüentemente à análise de árvores genea-
lógicas.
Cada um de nós nasceu dos seus pais e estes,
por sua vez, resultaram dos pais deles e assim suces-
sivamente. Construir a árvore genealógica, de um in-
divíduo implica traçar para trás a sua história através
dos pais, dos avós, dos bisavós etc. A análise dessa
história pode ser usada para averiguar o modo como
certas características são herdadas ao longo das gera-
ções.
Para construir uma árvore genealógica em re-
lação ao caráter em estudo, o geneticista junta aspec-
tos fenotípicos dos membros da família relativos a
várias gerações. Da sua análise, pode determinar-se a
origem de certas anomalias ou inferir sobre riscos da
sua transmissão em gerações futuras.
Por exemplo, na alteração genética conhecida
por albinismo, que se reflete numa incapacidade de
sintetizar o pigmento melanina, os indivíduos possu-
em cabelos e pêlos brancos, a pele é igualmente
branca e os olhos vermelhos (a ausência de pigmento
na íris permite ver o fundo do olho em transparência).
Se um gene recessivo é raro, como são muitos
dos que determinam anormalidades, a probabilidade 4. QUADRO DE PUNNET
de dois indivíduos serem heterozigóticos para esse
alelo é muito maior se forem da mesma família e por- É o método freqüentemente utilizado para de-
tanto, tiverem ancestrais comuns. São os casamentos terminar os tipos de zigotos produzidos pela fusão de
entre heterozigóticos que permitem a expressão feno- gametas dos parentais.
típica de alelos recessivos.
G ametas
Mas nem sempre as anomalias são determina-
das por genes recessivos. R r
A polidactilia, ou seja, um número excessivo
de dedos nas mãos ou nos pés, é uma anomalia de-
terminada geneticamente por um alelo dominante. R RR Rr
G ametas

Zigotos

Distribui-se um pouco por todo o mundo, mas é par-


ticularmente freqüente na República da Ucrânia. r Rr rr
Quando um indivíduo manifesta a anomalia,
pelo menos um dos progenitores também a possui. Zigotos
Além disso, quando um dos elementos do casal tem
polidactilia, aproximadamente metade da sua descen- Interpretação
dência é afetada.
Estas ocorrências estão normalmente associa- RR → 25%; 1/4 ou 0,25
das à expressão de um alelo dominante. Rr → 50%; 1/2 ou 0,5
Além do albinismo e da polidactilia, existem rr → 25%; 1/4 ou 0,25
muitos outros caracteres do fenótipo de um indivíduo
que são transmitidos geneticamente por um par de a- 5. HERANÇA SEM DOMINÂNCIA
lelos.
Até o momento, vimos que os indivíduos ho-
mozigotos dominantes e os heterozigotos possuem o
mesmo fenótipo. No entanto, existe uma situação em
que esse fato não é confirmado, pois os heterozigotos
apresentam fenótipo intermediário entre os homozi-
gotos dominantes e homozigotos recessivos. Essa si-
tuação ilustra a chamada ausência de dominância,
Editora Exato 43
BIOLOGIA

também conhecida como co-dominância. Um exem- EXERCÍCIOS


plo desse tipo de herança são as flores da planta ma-
ravilha. Nelas, as flores podem ter cor vermelha, 1 (UFF-RJ) A cor dos pêlos em coelhos é definida
branca ou rosa. Plantas que produzem flores cor-de- geneticamente. No entanto, coelhos da variedade
rosa são heterozigotas, enquanto os outros dois fenó- Himalaia podem ter a cor dos seus pêlos alterada
tipos são devidos à situação homozigota. Supondo em função da temperatura. Isto indica que o am-
que o gene B determine a cor vermelha, e o gene b, biente influencia:
cor branca, teríamos.: a) o fenótipo apenas na idade adulta.
BB → flor vermelha b) o genótipo da população.
bb → flor branca c) o genótipo e o fenótipo.
Bb → flor cor-de-rosa d) o genótipo apenas para cor dos pêlos.
e) o fenótipo dos indivíduos.
6. GENES LETAIS: OS GENES QUE MATAM
As mutações que ocorrem nos seres vivos são 2 (PUC-RJ) "Cada caráter é condicionado por um
totalmente aleatórias e, às vezes, surgem variedades par de fatores que se separa na formação dos ga-
gênicas que provocam a morte do portador antes do metas." Mendel, ao enunciar esta lei, já admitia,
nascimento ou, caso ele sobreviva, antes de ser atin- embora sem conhecer, a existência da seguinte
gida a maturidade sexual. Esses genes, que conduzem estrutura e processo, respectivamente:
à morte do portador, são conhecidos como genes le- a) cromossomos; mitose.
tais. b) núcleos; meiose.
Conhecem-se alguns casos de genes, cuja ação c) núcleos; mitose.
produz alterações metabólicas que tornam inviáveis d) genes; mitose.
os seus portadores. É o caso de uma variedade de
e) genes; meiose.
planta conhecida como boca-de-leão que, devido a
um gene letal, nasce totalmente amarelada e despro-
vida de clorofila; sendo incapaz de realizar fotossín- 3 (Fuvest-SP) O gene autossômico, que condicio-
tese, a planta morre cedo, logo após a germinação da na pêlos curtos em cobaias, é dominante em rela-
semente. ção ao gene que determine pêlos longos. Do
Em animais, um exemplo de gene letal é um cruzamento de cobaias heterozigotos nasceram
gene recessivo em gado bovino, que condiciona au- 320 cobaias, das quais 240 tinham pêlos curtos.
sência de patas. Os bezerros com essa anomalia são Entre as cobaias de pêlo curto, o número espera-
conhecidos como amputados e, de modo geral, são do de heterozigotos é:
abortados e morrem. O gene atua na forma recessiva a) 45.
e, em heterozigose, não se manifesta. b) 60.
c) 90.
ESTUDO DIRIGIDO d) 160.
e) 180.
1 Diferencie genes dominantes e genes recessivos.

4 (PUCC-SP) Quando um cruzamento entre ratos


negros e brancos produz descendentes apenas ne-
2 Caracterize genótipo e fenótipo.
gros, e possível afirmar que:
a) os pais têm genótipo aguais.
b) todos os descendentes são homozigotos.
3 O que é retrocruzamento? c) houve mutação.
d) os pais têm o mesmo fenótipo.
e) os pais são homozigotos.
4 O que é genoma?
5 (Cesgranrio-RJ) A Dentinogenesis imperfecta é
uma doença hereditária dominante em relação à
condição normal. Assinale a alternativa que a-
5 Defina herança sem dominância. presenta probabilidade de uma criança nascer
com a doença, considerando que entre os quatro
avos, apenas um era doente e homozigoto:
a) 0%.
Editora Exato 44
BIOLOGIA

b) 50%. 10 Na espécie humana, há um tipo de surdez que é


c) 100%. determinada por um gene recessivo. Analise o
d) 25%. heredograma abaixo:
e) 75%.

6 (DESU) Na espécie humana, a característica des-


tra é condicionada por um gene dominante C, e a
característica canhota, por um gen recessivo c.
Uma mulher destra, homozigota, casa-se com um
homem canhoto. O genótipo e o fenótipo de seus
filhos serão, possivelmente:
Genótipo Fenótipo
a) CC destro
b) Cc destro
c) Cc canhoto
d) cc canhoto

O genótipo dos indivíduos 1, 5 e 6 são respecti-


7 Um rapaz tem uma característica genética que o vamente:
impede de distinguir o sinal vermelho do verde. a) Aa; aa; AA
Esse fenômeno não ocorre com suas irmãs. Com b) aa; AA; Aa
relação a esse fato, pode-se afirmar que: c) Aa; Aa. AA
a) o pai apresenta a mesma característica do ra- d) Todos são heterozigotos.
paz.
b) os avós maternos não estão ligados ao proble-
ma do rapaz. GABARITO
c) a mãe do rapaz é portadora genética dessa ca-
racterística. Estudo Dirigido
d) a avó paterna também tem dificuldade na dife-
renciação das cores. 1 Os genes dominantes são aqueles que manifes-
tam seu efeito tanto em dose dupla, quanto em
dose simples. Já os genes recessivos, normal-
8 Observe as afirmativas abaixo: mente, somente manifestam seu efeito quando es-
I – Todo homozigoto é recessivo. tão em dose dupla.
II – Todo recessivo é homozigoto.
2 Genótipo - É o patrimônio hereditário de um in-
III – Todo dominante é homozigoto.
divíduo, isto é, a bagagem de gens que é recebida
Está(ã) CORRETA(s):
dos pais; mais especificamente, genótipo é repre-
a) Somente I.
sentado pelos gens alelos de um indivíduo para
b) Somente II.
um citado caráter. Fenótipo - É a manifestação de
c) Somente I e II.
uma constituição hereditária de um indivíduo. O
d) Somente II e III.
fenótipo refere-se à característica detectável atra-
vés de métodos diretos ou indiretos.
9 O albinismo (ausência de pigmentação da epi- 3 No retrocruzamento, o indivíduo cujo genótipo se
derme) é condicionado por gene recessivo. O ale- deseja conhecer é cruzado com o progenitor de
lo dominante condiciona pigmentação normal. genótipo homozigoto recessivo e, como resulta-
Dois indivíduos normais, netos de uma mesma do, surgirão dois tipos de descendentes em iguais
avó albina e, portanto, primos em primeiro grau, proporções.
tiveram um filho albino. Qual a probabilidade de
ser albina uma outra criança que esse casal venha 4 É o termo usado para fazer referência à carga de
a ter ? gens de uma célula gamética, espermatozóide ou
a) 0%. óvulo.
b) 25%. 5 Existe uma situação em que esse fato não é con-
c) 50%. firmado, pois os heterozigotos apresentam fenóti-
d) 75%. po intermediário entre os homozigotos

Editora Exato 45
BIOLOGIA

dominantes e homozigotos recessivos. Essa situa-


ção ilustra a chamada ausência de dominância,
também conhecida como co-dominância.
Exercícios
1 E
2 E
3 D
4 E
5 B
6 B
7 C
8 B
9 B
10 D

Editora Exato 46
BIOLOGIA

GENÉTICA: POLIALELIA E GRUPOS


SANGÜÍNEOS
1. POLIALELIA OU ALELOS MÚLTIPLOS ma imunológico do indivíduo reconhece como estra-
nhos os antígenos de um sangue diferente do seu.
Nos casos de hereditariedade analisados até Quando os antígenos são introduzidos num organis-
aqui, cada caráter é determinado por um gene que mo que não os possui, provocam a formação de anti-
pode assumir apenas duas formas alélicas, que ocu- corpos. Estes são moléculas protéicas específicas,
pam loci correspondentes em cromossomos homólo- sintetizadas pelo sistema imunológico do indivíduo,
gos. No entanto, para muitas características em resposta ao antígeno para o qual tem grande afi-
determinadas geneticamente, existem na população nidade.
mais de duas formas alélicas que podem ocupar o Os anticorpos existentes no plasma reagem es-
mesmo locus nos cromossomos. Tal grupo de alelos é pecificamente com os antígenos dos glóbulos verme-
designado por série de alelos múltiplos ou polialelos. lhos aglutinando-os no início e destruindo-os depois.
Cada indivíduo, no entanto, só pode apresentar duas A importância desta reação faz com que os antígenos
dessas formas. dos eritrócitos sejam designados por aglutinogênios,
Um exemplo clássico do que foi citado é o que dando-se o nome de aglutininas aos anticorpos que
ocorre na genética da pelagem dos coelhos domésti- lhes correspondem no plasma. Os aglutinogênios das
cos, em que quatro alelos determinam o tipo de pela- hemácias humanas, embora distintos, têm algumas
gem: características comuns agrupando-se em sistemas.
c - selvagem No homem, já foram descritos pelo menos
cch - chinchila quinze sistemas de grupos sangüíneos diferentes, ca-
ch - himalaia da um deles, em regra, relativo a um locus gênico que
Ca - albino determina a presença de antígenos nos eritrócitos.
A relação de dominância entre os genes alelos O grupo sangüíneo de cada pessoa é uma ca-
é: racterística fenotípica fixa e que se transmite heredi-
C > cch > ch > ca tariamente. No sistema ABO há três alelos possíveis:
É importante frisar que, apesar de existirem 04 IA, IB e i, sendo que os dois primeiros genes não apre-
genes alelos determinando a pelagem dos coelhos, sentam dominâncias entre si, mas dominam o tercei-
um animal possui apenas um par desses genes. Assim ro, ou seja, IA = IB > i. Temos, então, seis
sendo, os seguintes genótipos são possíveis: combinações possíveis entre os genes.
 CC ; Ccch ; Cch ; Cc⇒ Selvagem (aguti) Daí, podemos estabelecer um quadro geral:
 Cchcch ; cchch, cchc ⇒ Chinchila
 chch, chc⇒ Himalaia Aglutino-
Agluti-
 cc ⇒ Albino. Fenótipo nina
gênio
O tipo selvagem apresenta coloração uniforme, Genótipo Tipo de Presente
Presente na
e tem uma pelagem da cor cinza-marrom. Um mutan- Sangue no plas-
hemácia
te, conhecido como albino, é bem distinto do tipo ma
selvagem pela falta de pigmento. Além destes, há a- IAIA ou Sangue
A anti-B
inda outros mutantes, entre os quais o chinchila, to- IAi A
talmente colorido e com pelagem prateada, e o IBIB ou Sangue
B anti-A
himalaia, todo branco com exceção das extremidades IBi B
(nariz, cauda e patas). Sangue
IAIB AeB Não há
AB
2. GRUPOS SANGÜÍNEOS
Sangue Anti A e
ii Não há
Sistema ABO O anti B
Os diferentes grupos sangüíneos, muitas vezes 3. TRANSFUSÕES SANGÜÍNEAS
chamados tipos de sangue, são caracterizados pela
presença, na superfície das membranas dos glóbulos Como regra geral, ao se analisar uma transfu-
vermelhos, de determinadas moléculas designadas são, deve-se considerar o aglutinogênio do doador e
por antígenos. Os antígenos são lipoproteínas especí- as aglutininas do receptor. Observe o esquema a se-
ficas que variam conforme o tipo de sangue. O siste- guir, construído com base nessa regra:

Editora Exato 47
BIOLOGIA

0
O AB

A B
A O

AB
Transfusões

Ao se realizar uma transfusão com incompati- O


AB
bilidade, o resultado é a aglutinação, fenômeno de-
corrente da ação das aglutininas do receptor sobre as
hemácias (com aglutinogênios) do receptor. Os a- 5. SISTEMA RH
glomerados sangüíneos resultantes da aglutinação Em 1940, Landsteiner e Wiener injetaram san-
podem causar sérios prejuízos ao receptor, pois são gue de um macaco do gênero Rhesus em coelhos, e
capazes de obliterar vasos sangüíneos. As reações no obtiveram um anticorpo, produzido pelos coelhos,
receptor podem variar de uma simples reação alérgi- que tinha a propriedade de aglutinar as hemácias do
ca à morte. macaco. O antígeno das hemácias do macaco foi de-
Indivíduos com sangue do tipo O, por não te- nominado fator-Rh; o anticorpo produzido pelos coe-
rem aglutinogênios em suas hemácias, são chamados lhos foi chamado de anti-Rh.
de doadores universais. Já os indivíduos com sangue Quando este soro anti-Rh foi testado em mais
do tipo AB não apresentam aglutininas em seu plas- de quatro centenas de indivíduos da população de
ma, aceitam pequenas transfusões de qualquer tipo de Nova Iorque, os pesquisadores percebem que 85%
sangue e são chamados de receptores universais. dessa amostra apresentavam hemácias que reagiam
4. FENÔMENO DE BOMBAIM com o anti-Rh. Ficou claro, então, que esses indiví-
duos apresentavam, em suas hemácias, o antígeno
Os antígenos A e B são sintetizados a partir de Rh, e foram denominados Rh positivo (Rh+). Os in-
um antígeno H sobre o qual agem os genes IA e IB; o divíduos que não apresentaram o fator Rh foram de-
gene i é amorfo, isto é, completamente inativo. O an- nominados Rh negativo (Rh-).
tígeno H, por sua vez, é produzido pela ação de um A hipótese aceita atualmente para explicar a
gene H sobre uma substância precursora; também herança do sistema Rh é de que ele seja determinado
neste caso o alelo h é amorfo, visto que não altera o pela ação de um par de genes alelos independentes
substrato. dos genes que determinam o sistema ABO. Dessa
Assim sendo, uma pessoa pode ser desprovida forma, o gene dominante D determina a produção do
de antígenos a e/ou b em suas hemácias tanto, devido fator Rh, enquanto seu alelo d não determina a pro-
ao fato de não possuir os genes ia e/ou ib, como por dução desse antígeno.
ser homozigota para o gene h. Neste último caso, as Quando indivíduos negativos recebem sangue
enzimas produzidas pelo genes ia e/ou ib não têm a Rh positivo podem produzir anticorpos anti – Rh.
substância sobre a qual agem, isto é, não existe o an- Observe a tabela a seguir:
tígeno h; por isso, não há produção dos antígenos a
e/ou b, mesmo que os genes ia e/ou ib estejam presen- Genótipo Grupo Hemácia Plasma
tes. Uma pessoa nessas condições será falsamente do DD ou Dd Rh positivo Fator Rh ----
grupo O, pois, embora seja desprovida de antígenos a Anticorpos
e/ou b, possui os genes IA e/ou IB, podendo transmiti- anti Rh a-
los à sua descendência. pós o con-
No heredograma abaixo, representamos o fe- Rh negati- Sem o fator
dd tato com
nótipo, isto é, os grupos sangüíneos de uma família vo Rh
hemácias
onde ocorre este fato: Rh positi-
vas

Editora Exato 48
BIOLOGIA

6. SISTEMA RH E ERITROBLASTOSE FE- 7. SISTEMA MN


TAL Da mesma forma como se preparam anticorpos
Doença conhecida também como Doença He- anti-Rh, pode-se conseguir a produção de outros anti-
molítica do Recém-nascido (DHRN) afeta ambos os corpos injetando sangue humano em coelhos. Assim,
sexos e se caracteriza pela destruição das hemácias foram separados do soro de coelhos sensibilizados
fetais por anticorpos da mãe e conseqüente anemia. vários anticorpos, por exemplo: os anti-M e anti-N.
Para combatê-la, ocorre uma hiperplasia medular (ós- As hemácias humanas podem reagir de três formas
sea) nas zonas hematopoiéticas do baço. A necessi- diferentes frente a esses anticorpos, como se vê no
dade de hemácias conduz ao lançamento, na corrente quadro abaixo:
sangüínea, de hemácias imaturas, o que resulta em
deficiência no transporte de oxigênio. G rupo san-
Aglutinogênio Reação com guíneo (fenó- G enótipo
Para que ocorra a doença, são necesá- tipo)
rios alguns eventos: ANTI-M ANTI-N
M + M MM
1. Sendo a mãe Rh- e o pai Rh+, o feto poderá ter o +
N N NN
antígeno Rh em suas hemácias. Caso o pai seja MeN + + MN MN
Rh+ e homozigoto, então, obrigatoriamente, o fi-
lho será Rh+. A herança desses grupos depende de um par de
2. Embora a quantidade de hemácias fetais que po- alelos co-dominantes M e N, que determinam três
derão passar para a circulação materna espontane- genótipos (MM, NN e MN). Esses grupos têm pe-
amente, devido a pequenas hemorragias das quena importância tanto para transfusões como para a
vilosidades placentárias, não seja significativa no determinação de acidentes devido à incompatibilida-
parto, quando a placenta se desloca, alguns milí- de materno-fetal.
metros cúbicos de sangue fetal caem na corrente
circulatória da mãe. 8. LEITURA COMPLEMENTAR
3. O contato com as hemácias fetais Rh + faz com Os testes de paternidade com base nos grupos
que a mãe se sensibilize contra o antígeno Rh. sangüíneos não são definitivos, pois podem negar a
Uma vez que a mãe é sensibilizada, passará a paternidade, mas não permitem confirmá-la.
produzir anticorpos anti-Rh, que permanecerão Atualmente, testes mais sofisticados permitem
em sua circulação. Como este anticorpo se forma confirmar a paternidade com 99.9% de certeza. São
lentamente, a criança nascerá antes que ele atinja testes feitos comparando-se os DNAs da criança, da
concentrações “perigosas”. mãe, dos possíveis pais.
4. Numa segunda gestação, caso a criança seja tam- Nesses testes, o DNA extraído da célula (ge-
bém de Rh+ os anticorpos pré-elaborados da mãe, ralmente glóbulos brancos do sangue) de um indiví-
passarão para a criança. A partir daí, dá-se a rea- duo é quebrado por ação enzimática em pequenos
ção de aglutinação com destruição das hemácias pedaços. Essa quebra, no entanto, não é aleatória; é
fetais. direcionada para que ocorra em certos locais do
DNA, isolando trechos formados por seqüências de
a) Hemácias Rh do feto passam à circulação materna.
bases nitrogenadas que têm características muito pe-
b) O organismo materno produz anticorpos anti-Rh.
c) Os anti-Rh, ao penetrarem na circulação fetal, culiares. São seqüências de função ainda desconheci-
destroem as hemácias do feto (hemólise).
da, que não codificam proteínas. Essas seqüências
b)
são formadas por pequeno número de bases nitroge-
O anticorpo anti-Rh
é produzido pelo
nadas (de 4 a 40), constituindo unidades. Repetições
organismo materno.
dessas unidades podem estar espalhadas por todo o
DNA ou concentradas em séries ao longo de trechos
c)
Passagem de anti-Rh
do DNA. Quando se quebra o DNA, o que se preten-
para o feto de isolar são exatamente essas séries. Isto porque se
a)
constatou que a extensão e a repetição dessas séries
Passagem de
hemácias fetais
no DNA variam de indivíduo para indivíduo, de tal
para a mãe.
modo que cada pessoa tem uma combinação que é só
sua. Constatou-se também que o padrão de diferentes
tamanhos dessas séries é herdado da mesma maneira
A gênese da eritroblastose fetal

Editora Exato 49
BIOLOGIA

que os genes: o indivíduo recebe metade do padrão e) que a pessoa só possui genes recessivos.
do pai e metade da mãe.
Valendo-se dessas informações é que são fei-
tos os testes de paternidade com base no DNA. Nes- 2 (Cesgranrio-RJ) O sistema abaixo apresenta
ses testes, comparam-se o padrão de séries do DNA possíveis transfusões entre indivíduos dos grupos
da criança com o dos possíveis pais. Os pais verda- sangüíneos do sistema ABO:
deiros são aqueles cujos padrões de repetição das u- AB
nidades do DNA encontram-se registrados no DNA
da criança, sendo metade dos padrões igual ao da A AB B
mãe e metade igual ao do pai.
A O B
A identificação dessas séries é feita, simplifi-
cadamente, do seguinte modo: os pedaços de DNA
O
são quebrados uns dos outros, por eletroforese, em
uma placa gelatinosa. Após a separação, adicionam- A partir do esquema, podemos concluir que:
se ao meio sondas, que são trechos conhecidos de a) B tem aglutinogênio A e aglutinina B.
DNA, com bases nitrogenadas radiativas. As bases b) A tem aglutinogênio a e aglutinina A.
dessas sondas pareiam-se com os segmentos isolados c) O tem aglutinogênio A e B.
de DNA, marcando-os com a radiatividade. A seguir, d) AB não tem nenhum dos aglutinogênios.
a placa de gelatina é colocada sob um filme fotográ- e) AB não tem nenhuma das aglutininas.
fico virgem, no escuro. Após algum tempo, cada sé-
rie deixa sua impressão no filme. O resultado é uma 3 (IMS-SP) Em uma criança do grupo sangüíneo A
imagem fotográfica semelhante a um código de bar- e filha de uma mulher do grupo sangüíneo B, o
ras. Esses códigos são tão exclusivos de um indiví- grupo sangüíneo do pai deve ser:
duo como são suas impressões digitais, não existindo a) A.
dois indivíduos com o mesmo “código de barras” b) A ou AB.
(com exceção, é claro dos gêmeos univitelinos). c) AB ou O.
d) B ou O.
ESTUDO DIRIGIDO
e) Nenhuma das alternativas.
1 Defina polialelia.
4 O rei Salomão resolveu uma disputa entre duas
mulheres que reclamavam a posse de uma crian-
2 O que são antígenos? ça. Ao propor dividir a criança ao meio, uma das
mulheres desistiu. O rei, então, concluiu que a-
quela que havia desistido era de fato a mãe ver-
dadeira. Nos tribunais modernos, um juiz pode
3 Por que os indivíduos O são considerados doado- utilizar a análise dos grupos sangüíneos e teste de
res universais e os indivíduos AB receptores uni- DNA para ajudar a solucionar questões seme-
versais? lhantes. Analisando uma situação em que uma
mulher chamada Joana, de sangue A, atribuía a
paternidade de seu filho, de sangue O, a um ho-
mem chamado Paulo, de sangue B, o juiz não pô-
4 O que é Eritroblastose fetal?
de chegar a nenhuma decisão conclusiva.
Baseado no texto e em conhecimentos correlatos,
julgue os itens.
EXERCÍCIOS 1 Um homem do grupo sangüíneo B pode ser he-
terozigoto e, portanto, pai do filho de Joana.
1 (Unifor-CE) Determinando-se, através de teste 2 Se Paulo fosse do grupo AB não poderia ser o
bioquímico, que uma pessoa pertence ao grupo pai da criança com sangue tipo O.
sangüíneo A, está determinado, em relação ao 3 A análise dos grupos sangüíneos do sistema
grupo ABO: ABO não apresenta nenhuma utilidade no es-
a) o fenótipo da pessoa. clarecimento de paternidade duvidosa. O único
b) o genótipo da pessoa. teste capaz de incluir Paulo na lista dos prová-
c) que a pessoa é homozigoto. veis pais biológicos seria o teste de DNA, que
d) que a pessoa é heterozigota. é capaz de comparar as seqüências de bases ni-

Editora Exato 50
BIOLOGIA

trogenadas de "pais" e "filhos", com acerto de d) a mãe é Rh- e o pai é Rh-


aproximadamente 99,9%.

4 Se Paulo e Joana forem os pais biológicos da


criança com sangue tipo O, haverá 25% de GABARITO
chances desse casal ter uma criança com san-
gue do tipo O ou B em uma próxima gestação. Estudo Dirigido
1 Quando existe 3 ou mais tipos de alelos diversos
5 Em uma família, o homem é do grupo sangüíneo para o mesmo locus cromossômico.
A, homozigoto. A mulher é do grupo sangüíneo 2 São lipoproteínas específicas, que variam con-
O e as crianças são dos grupos A, AB e O. Quais forme o tipo de sangue.
das crianças são adotivas?
a) AB e O. 3 Indivíduos com sangue do tipo O, por não terem
b) A e O. aglutinogênios em suas hemácias, são chamados
c) A e AB. de doadores universais. Já os indivíduos com
d) O e B. sangue do tipo AB não apresentam aglutininas
em seu plasma, aceitam pequenas transfusões de
qualquer tipo de sangue e são chamados de re-
6 Um banco de sangue possui 5 litros de sangue ti- ceptores universais.
po AB, 3 litros tipo A, 8 litros tipo B e 2 litros ti-
po O. Para transfusões em indivíduos tipo O, A, 4 Doença conhecida também como Doença Hemo-
B e AB, estão disponíveis, respectivamente: lítica do Recém-nascido (DHRN), afeta ambos os
a) 2, 5, 10 e 18 litros. sexos, e se caracteriza pela destruição das hemá-
b) 2, 3, 5 e 8 litros. cias fetais, por anticorpos da mãe, e conseqüente
c) 18, 8, 13 e 5 litros. anemia.
d) 7, 5, 10 e 11 litros. Exercícios
1 A
7 Um homem com Rh+ heterozigótico casa-se com 2 E
uma mulher Rh-. Em relação aos filhos do casal,
é CORRETO afirmar: 3 B
a) Os filhos serão Rh+ e Rh-. 4 C, C, E, C
b) Todos os filhos serão Rh+
c) Não há possibilidade de terem filhos com eri- 5 A
troblastose fetal. 6 A
d) O primeiro filho será Rh+.
7 A
8 B
8 Quando Kal Landsteiner, no início do século 20,
descobriu os grupos sangüíneos ABO, ninguém
previa as aplicações práticas de seu trabalho. Em
1940, ele mesmo, junto com Winer, “brincando”
com sangue de macaco, descobriram o Sistema
Rh, naquele momento mera curiosidade científi-
ca. Logo após a descoberta, foi constatado que o
fator Rh era responsável pela doença do recém-
nascido chamada eritroblastose fetal (ou doença
hemolítica do recém nascido). Ela é caracterizada
pela destruição das hemácias do feto, que, se for
acentuada, acarretará uma série de conseqüên-
cias. A eritroblastose fetal pode ocorrer apenas
num tipo de situação:
a) a mãe é Rh+ e o pai é Rh-
b) a mãe é Rh- e o pai Rh+
c) a mãe é Rh+ e o pai é Rh+
Editora Exato 51
BIOLOGIA

FISIOLOGIA ANIMAL
SISTEMA
Os mamíferos são animais placentários. A pla-
REPRODUTOR centa tem como função básica a nutrição do feto. Du-
rante o período gestacional, haverá troca de alimento
e oxigênio. A eliminação de excretas ocorre de tal
1. REPRODUÇÃO maneira que o feto e a mãe em profunda ligação esta-
Como visto na unidade de Citologia, uma das rão unidos até o momento do nascimento, daí classi-
características fundamentais da vida é a reprodução. ficarmos estes animais como vivíparos. Em
Esse processo pode ocorrer de duas maneiras distin- organismos ovíparos não há intercâmbio entre a mãe
tas: e o embrião.
Reprodução Assexuada 2. REPRODUÇÃO HUMANA
Nesse processo, os indivíduos gerados resul-
O estudo da reprodução humana, além de inte-
tam de um único indivíduo sem que ocorra a partici-
ressar diretamente à nossa espécie, permite a com-
pação de estruturas reprodutoras especiais. Como não
preensão do mecanismo da reprodução dos
há mecanismos de recombinação gênica envolvidos,
mamíferos em geral.
o material genético da prole é idêntico ao do genitor.
Os tipos de reprodução assexuada mais impor- 3. SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO
tantes são:
 Divisão binária: processo comum em pro- bexiga ureter vesícula seminal
tozoários. O organismo se divide em duas
metades que crescem até o tamanho do or-
ganismo original.
 Esporulação: nesse processo, comum entre
os protozoários, ocorre divisão múltipla do
núcleo seguida de divisão do citoplasma.
 Brotamento: nesse processo, comum em
poríferos, um novo indivíduo surge como canal ejaculatório
Pênis
um broto a partir do organismo original. próstata
 Fragmentação: nesse processo, encontrado canal deferente
epidídimo
em alguns platelmintos, o indivíduo se par- testículo
te em dois ou mais fragmentos que resulta- escroto
orifício
rão no desenvolvimento de um organismo urinário uretra
adulto. e genital

Reprodução sexuada Estrutura do sistema reprodutor masculino.


Nesse processo, os indivíduos resultam da ati-
vidade de gametas. Como a reprodução sexuada en- O sistema reprodutor do homem compreende
volve a produção de gametas, os mecanismos de pênis, testículos, epidídimos, vesículas seminais,
recombinação gênica garantem a existência de varia- próstata, glândulas bulbo-uretrais, canais deferentes e
bilidade. uretra. Os testículos e epidídimos se encontram alo-
Os gametas são produzidos em órgãos especi- jados na bolsa escrotal.
ais, as gônadas. Testículos são as gônadas masculinas Os testículos produzem espermatozóides e
e produzem espermatozóides enquanto ovários repre- hormônios masculinos(testosterona, por exemplo).
sentam as gônadas femininas que produzem os óvu- Em cada testículo existem os túbulos seminíferos on-
los. de são produzidos os espermatozóides. Entre os túbu-
Existem alguns animais, como anelídeos, que los semníferos existem células especiais, as células
apresentam as gônadas masculinas e femininas em intersticiais, cuja função é produzir testosterona.
um só corpo, sendo por isso denominados monóicos. Os epidídimos são túbulos enovelados associa-
Animais dióicos apresentam sexos separados, ou seja, dos aos testículos. Essas estruturas armazenam os es-
cada indivíduo possui apenas as gônadas masculinas permatozóides.
ou femininas. Existem ainda os canais deferentes, canal eja-
culatório e a uretra que são ductos que permitem a
Editora Exato 52
BIOLOGIA

passagem dos espermatozóides. A vasectomia, efici- masculinos (caracteres sexuais primários); as caracte-
ente método contraceptivo masculino, consiste na in- rísticas sexuais secundárias que diferenciam homens
terrupção cirúrgica dos canais deferentes. Esse e mulheres. A distribuição dos pêlos (maior quanti-
método age impedindo que os espermatozóides sejam dade, na face e no peito, por exemplo), o tom da voz
liberados durante a ejaculação. Não há outros prejuí- e o desenvolvimento muscular e ósseo são algumas
zos às funções sexuais do homem após a cirurgia, ou das características sexuais masculinas.
seja, ereção e desejo sexual não sofrem alterações.
5. SISTEMA REPRODUTOR FEMININO
As vesículas seminais, a próstata e as glându-
las bulbo-uretrais formam os líquidos do sêmen, que O sistema reprodutor da mulher compreende
protegem e nutrem os espermatozóides além de esti- vagina, útero, tubas uterinas e ovários. A vagina é um
mularem sua motilidade. canal bastante elástico onde são lançados os esperma-
O pênis é o órgão copulador possuindo corpos tozóides; o útero é um órgão muscular oco, que abri-
cavernosos e corpo esponjoso. Essas estruturas en- ga o embrião e o feto até o nascimento; as tubas
chem-se de sangue e garantem a ereção do pênis du- uterinas comunicam os ovários com o útero; os ová-
rante a ereção. rios são os órgãos produtores de óvulos e hormônios
Durante a excitação sexual, estímulos nervosos femininos.
vindos do sistema nervoso autônomo (divisão do pa-
rassimpático) dilatam artérias do pênis, provocando
um acúmulo de sangue nesses tecidos. O pênis come-
ça a inchar e aumentar de tamanho, comprimindo as ureter fímbria trompa
canal de Falópio
veias e obstruindo o retorno do sangue. 0 resultado é bexiga ovário

a ereção: aumento de volume e enrijecimento do ór-


gão. corpo
útero
A incapacidade de ter (ou de manter) uma ere- uretra
colo

ção por tempo suficiente para o ato sexual é chamada vagina


impotência. Esse problema pode ser causado por fa- clítoris
orifício urinário
tores psicológicos (estresse, ansiedade, frustrações, grandes lábios
pequenos lábios
problemas conjugais) ou por problemas fisiológicos orifício genital

(doenças vasculares, uso de certos medicamentos, le- Sistema reprodutor feminino


sões nervosas etc.). É necessário, portanto, um diag-
nóstico adequado, que indique o melhor tratamento 6. REGULAÇÃO HORMONAL FEMININA
(uso de medicamentos, psicoterapias ou prótese, con-
forme o caso).
Durante o ato sexual, quando os estímulos se
tornam suficientemente intensos, ocorrem contrações
dos músculos lisos do epidídimo, do canal deferente,
da uretra e das glândulas anexas, lançando o sêmen
para o exterior: é a ejaculação – acompanhada de
sensações agradáveis, o orgasmo.
Em cada ejaculação são expulsos, em média,
de 3 a 4 ml de esperma, contendo cerca de 400 mi-
lhões de espermatozóides.
4. REGULAÇÃO HORMONAL MASCULINA
Durante a puberdade, que começa em geral en-
tre os 12 e 17 anos, os testículos são estimulados pe-
los hormônios folículo estimulante (FSH) e
luteinizante (LH), produzidos pela hipófise.
O LH, também chamado no homem de ICSH
(hormônio estimulador das células intersticiais), es-
timula as células de Leydig a secretar o hormônio
testosterona, responsável pelas características sexuais
masculinas e pela espermatogênese. Assim, a testos-
terona determina: a descida dos testículos para a bol-
sa escrotal o desenvolvimento dos órgãos genitais

Editora Exato 53
BIOLOGIA

fase folicular fase luteínica assim um corpo amarelo, o corpo lúteo. Este é uma
LH
importante estrutura secretora de hormônios femini-
FSH LH
nos, principalmente progesterona. Sob a ação da pro-
LH FSH gesterona, o endométrio uterino completa seu
desenvolvimento aumentando a quantidade de glân-
0 14° 28°
dulas e vasos sangüíneos(fase uterina secretora).
Caso não ocorra a fecundação a taxa do hor-
mônio LH cairá e, como conseqüência, haverá a atro-
fia do corpo amarelo. Com isso, a taxa de
Folículo ovulação corpo amarelo progesterona cairá o que resultará em descamação do
maduro (corpo lúteo)
endométrio (menstruação).
Caso ocorra a fecundação, o embrião será con-
ciclo ovariano
duzido das tubas uterinas ao útero onde ocorrerá a
estrogeno progesteona nidação. O embrião passará então a secretar o hor-
mônio gonadotrofina coriônica, que mantém o corpo
lúteo funcional e, portanto, impede a queda de pro-
gesterona. O corpo lúteo mantém-se funcional até
0 14° 28° mais ou menos o quarto mês de gestação quando en-
tão a placenta assume a produção de progesterona
ciclo uterino responsável pela manutenção do endométrio.
endométrio
A pílula anticoncepcional é um método contra-
ceptivo muito eficiente sendo considerado um méto-
do anovulatório, isto é, impede a ovulação. Essa
ausência de ovulação ocorre devido ao fato da pílula
ser constituída por hormônios sintéticos semelhantes
mestruação ao estrógeno e progesterona. A manutenção de taxas
alterações hormonais e uterina do ciclo reprodutor femenino
O ciclo menstrual se dá do primeiro dia da elevadas desses hormônios impedem a liberação de
menstruação até o último dia antes da próxima mens- FSH e LH pela hipófise, hormônios indispensáveis à
truação. Todo este mecanismo é controlado pela inte- produção dos gametas femininos.
ração dos hormônios hipofisários (FSH e LH) e
ESTUDO DIRIGIDO
gonadais (estrógenos e progesterona).
A fase mais expressiva do ciclo menstrual é a 1 Caracterize reprodução assexuada.
menstruação. Esta ocorre devido à descamação do
endométrio, que é a camada interna do útero, e, como
este é ricamente vascularizado, caracterizar-se-á por
um grande fluxo de sangue, que será excretado pelo
orifício vaginal. A descamação do endométrio ocorre 2 Caracterize reprodução sexuada.
devido a uma redução na taxa dos hormônios femini-
nos.
No início de um ciclo menstrual, devido a uma
redução nas taxas de estrógenos e progesterona, a hi- 3 Quais hormônios controlam o ciclo menstrual?
pófise libera o hormônio FSH na corrente circulató-
ria. Esse hormônio atua sobre os ovários, fazendo
com que se incie a maturação de folículos ovarianos.
Esses folículos em desenvolvimento liberam quanti-
dades crescentes de estrógeno na corrente circulató- EXERCÍCIOS
ria. Esse estrógeno atua sobre o endométrio, fazendo
com que este inicie o processo de proliferação (fase 1 (Santa Casa –SP) Qual das alternativas marcam,
uterina proliferativa). corretamente, as taxas de hormônio no sangue de
O LH é o segundo hormônio hipofisário a par- uma mulher grávida, durante a fase de implanta-
ticipar do ciclo. Esse hormônio é liberado em função ção do embrião?
das quantidades crescente de estrógeno e sua função Gonadotrofina Estrógeno Progesterona
é atuar sobre o ovário determinando a ovulação. As a) alta alta baixa
células do folículo que liberou o gameta (ainda ovó- b) alta baixa alta
cito) passam a produzir um lipídio amarelo gerando c) baixa alta baixa
Editora Exato 54
BIOLOGIA

d) alta baixa baixa e) só ocorre entre espécies onde não existem dois
e) baixa alta Alta sexos, e a sexuada ocorre nos seres em que há
diferença dos dois sexos.
2 (Fuvest-SP) O gráfico representa as variações
nos níveis de dois importantes hormônios re- 5 O uso de esteróides anabolizantes tem-se tornado
lacionados com o ciclo menstrual na espécie cada vez mais comum entre as pessoas que bus-
humana. Qual das alternativas indica fenôme- cam um desenvolvimento muscular rápido. O uso
nos que ocorrem, respectivamente, nos mo- freqüente desses esteróides, análogos à testoste-
mentos 1 e 2 do ciclo? rona, pode causar problemas cardiovasculares e
hepáticos, além de alterar o equilíbrio hormonal
hormônio 1 do organismo e aumentar a chance de desenvol-
nível hormonol

luteinizante (LH) progesterona


vimento de tumores.
2 O uso constante de anabolizantes na mulher pode
causar:
1º 5° 10° 15° 20° 25º a) interrupção do ciclo menstrual.
dias do ciclo b) flacidez muscular.
c) predomínio de reações de análise.
a) Amadurecimento do óvulo e ovulação. d) aumento da fertilidade.
b) Menstruação e crescimento do endométrio. e) maior atividade uterina.
c) Liberação do óvulo e menstruação.
d) Ovulação e formação do corpo amarelo ovari-
ano.
e) Menstruação e formação do corpo amarelo o-
variano.

3 (PUC-SP) Sabe-se que as pílulas anticoncep-


cionais são a combinação de estrógeno e pro-
gesterona, que inibem a produção de GABARITO
gonadotrofinas pela adeno-hipófise. Uma mu-
lher, ingerindo regulamente pílulas a partir do Estudo Dirigido
5° dia do início da menstruação até o 25° dia,
deverá apresentar: 1 Nesse processo, os indivíduos gerados resultam
a) maturação dos folículos avarianos e ovulação. de um único indivíduo sem que ocorra a partici-
b) crescimento da mucosa uterina e menstruação pação de estruturas reprodutoras especiais. Como
normal. não há mecanismos de recombinação gênica en-
c) aumento de secreção do hormônio folículo- volvidos, o material genético da prole é idêntico
estimulante (FSH). ao do genitor.
d) desenvolvimento normal do corpo amarelo. 2 Nesse processo, os indivíduos resultam da ativi-
e) aumento de secreção do hormônio luteinizante dade de gametas. Como a reprodução sexuada
(LH). envolve a produção de gametas, os mecanismos
de recombinação gênica garantem a existência de
4 (FCC-SP) A diferença fundamental entre repro- variabilidade.
dução assexuada e sexuada é que a reprodução 3 É controlado pela interação dos hormônios hipo-
assexuada: fisários (FSH e LH) e gonadais (estrógenos e
a) exige apenas um indivíduo para se cumprir, e a progesterona).
sexuada exige dois. Exercícios
b) não cria variabilidade genética e a sexuada po-
de criar. 1 C
c) só ocorre entre vegetais, e a sexuada entre ve- 2 D
getais e animais.
d) dá origem a vários indivíduos de uma só vez, e 3 B
a sexuada a um indivíduo apenas. 4 B

Editora Exato 55
BIOLOGIA

5 A

Editora Exato 56
FILOSOFIA
FILOSOFIA

FILOSOFIA
A cultura, com o acúmulo de conhecimentos e
1. O PENSAMENTO HUMANO ENQUANTO
de experiências pelas pessoas ao longo das gerações,
PENSAMENTO REFLEXIVO FILOSÓFICO torna o ser humano diferente dos animais. O ser hu-
O ser humano dos tempos pós-modernos tem mano utiliza tal aprendizado cultural para experimen-
em suas mãos ferramentas suficientes capazes de fa- tar, analisar e diferencia o que há de melhor na vida.
zê-lo diferenciar-se dos outros seres. Ora, sabemos Os animais também se utilizam da experimentação
que desde sua criação ele tem buscado transformar para se desenvolver, mas o homem atingiu primeiro o
sua história e, conseqüentemente a história do mun- estágio de encadear as idéias com um grau mais apu-
do. Ao diferenciar-se dos outros seres, Ele necessari- rado de raciocínio para um fim específico e determi-
amente se torna um agente transformador da história. nado.
Tal diferenciação é visivelmente vista na maior qua- Não podemos negar também que ao longo dos
lidade humana, a esfera do pensamento. Por meio do tempos o ser humano passou por várias mudanças até
pensar, o ser humano passa à qualidade de “animal” chegar ao estágio atual. Se olharmos a história huma-
diferenciado das outras espécies porque é capaz de na a partir de básicos fundamentos científicos bási-
pensar de maneira elaborada. cos, racionalmente aceitos, perceberemos que
A explicação para tornar aceita racionalmente realmente ele evoluiu bastante, desde a caverna ou a
essa diferenciação entre ser animal e ser humano tem pré-história, passando pelo homo sapiens, até chegar
gerado diversas discussões até nossos dias. Há um ao atual humano, dominador da Informática e da In-
tempo atrás, alguns pensadores apostaram suas “fi- ternet.
chas” na Teoria Criacionista para explicar porque vi- Todas as transformações humanas ou evolu-
emos ao mundo, ou ao menos explicar porque o ções se devem ao fato de que o homem percebeu-se
mundo existe. Sem respostas reais e evidentes capa- capaz de criar, inventar, dominar. Conforme a coisas
zes de tranqüilizar o pensamento humano quanto à iam acontecendo, ele crescia cada vez mais na cons-
sua existência, os cientistas da Teoria Criacionista as- ciência de sua consciência, do seu potencial como
sumiram Deus como resposta mais plausível para agente transformador da história. Sua percepção da
tantas interrogações acerca do mundo, do universo e própria consciência levou-o a concluir que necessita-
da existência humana. va conviver com outros de sua espécie de maneira
Outros pensadores, no entanto, desviaram seus harmoniosa e pacífica, por motivos de sobrevivência
pensamentos dessa teoria, pois não aceitavam que a em relação à natureza e às outras espécies animais.
existência humana e do planeta tenham sido algo rea- Por causa dessa percepção, não foi difícil para
lizado num “passe de mágica” por um ser que sequer o ser humano aceitar que viver em sociedade seria si-
conhecemos o seu rosto. Eles, por este motivo, co- nônimo de viver em comunidade (comum + unida-
meçaram a pensar a partir de uma nova perspectiva. de). Ora, essa vivência refere-se à regra fundamental
Acreditavam que o ser humano não havia sido criado da vida coletiva: saber dividir o “seu” com os outros.
por Deus como uma “mágica” em que se tira um coe- A vivência em sociedade também é um diferencial
lho da cartola, mas que ele evoluiu a partir de um fundamental do homem em relação aos outros seres,
macaco ou mesmo de um mamífero. Isto não quer di- visto que na natureza os animais comuns possuem
zer que viemos do macaco. Na verdade, a teoria refe- uma espécie de comunidade, (a das abelhas por e-
re-se à ancestralidade. Assim como há vários tipos de xemplo), mas essa vivência não altera a programação
flores mas a flor em si é única, havia também há mi- permanente da natureza. Com o homem ocorre a mu-
lhares de anos atrás diversos tipos de primatas, entre dança das regras da natureza pois ele se nega a ser
eles, o homo. parte desse eterno determinismo.
Mas, em quem podemos acreditar? Estaria com A vida social trouxe responsabilidades ao ho-
a razão a ciência, que procura através de provas e ex- mem que, como indivíduo isolado, não as possuía.
perimentação explicar a existência das coisas e do Devido a sua evolução, ele foi forçado a adquirir ain-
ser? Ou os antigos estavam corretos ao tomarem nas da mais conhecimento, aprender a respeitar o direito
sagradas escrituras o princípio Deus como explicação alheio e a exigir os seus. Assim, ele aprendeu a amar
para a existência humana e das coisas? Não poderiam a prole protegendo-a de tudo, mesmo que nessa prole
elas, a ciência e as sagradas escrituras, serem asas do tivesse alguém sem condições para enfrentar as duras
mesmo corpo? Toda essa discussão, entretanto, fica regras da seleção natural, ou fosse fragilizado por
num âmbito teórico mais complexo que não cabe a- questões de doença. Ora, no mundo animal em geral,
qui aprofundar. Por enquanto, ocupemo-nos apenas quando um bicho passa a não ser mais útil para a pro-
com os fatos. le, este é descartado sem qualquer escrúpulo. Neste
Editora Exato 1
FILOSOFIA

aspecto temos que questionar nossa postura humana a re-leitura, faça uma pausa e reflita sobre as idéias
dos tempos atuais. Não estaríamos hoje retrocedendo mais importantes que há no texto. Finalmente, escre-
em nosso processo descartando pessoas que julgamos va carta direcionada a um amigo, comentando a im-
inúteis para a sociedade ou para determinado sistema portância da existência humana e o rumo da
econômico, ou para a melhoria da família? sociedade, a partir da percepção humana de sua capa-
O ser humano aprende ainda a monogamia, cidade transformadora da história.
com o acréscimo do amor. Isto eleva os laços de con-
Comece assim:
vivência e provoca uma revolução no significado de
família. O homem tenta tornar sua vida algo eterno “Caro amigo/a, tenho refletido....”
na memória e na cultura de seus filhos, ele assume
2. A FILOSOFIA ENQUANTO INSTRUMEN-
sua condição humana e repassa essa atitude a seus fi-
lhos que a melhoram a fim de que um dia, no longín- TO DO PENSAR HUMANO
quo futuro, ele esteja maduro suficientemente para Considere o seguinte texto extraído do livro Fi-
conviver com o outro sem problemas de qualquer na- losofia para Jovens, de Maria Luiza Silveira Teles.
tureza. “O homem é um animal diferente. Só ele tem
Um outro aspecto diferenciador entre ser hu- consciência de si próprio e da realidade, pode refletir
mano e animal refere-se à arte. Temos a natureza que sobre isto e, também, agir sobre si, transformando-se,
possui mil maneiras de criar a arte. Entretanto, o ho- e sobre a realidade exterior, criando cultura e mudan-
mem aprendeu mil maneiras de apreciá-la, demons- do as circunstâncias. Não é apenas o fato de racioci-
trando um sentimento elaborado para tanto. Os nar, de ter um sistema nervoso mais complexo, mas,
animais passam milênios fazendo a mesma coisa, principalmente, o fato de poder opor o polegar e ser
como as aranhas que tecem suas teias fantásticas para capaz de manipular os objetos que o leva a se perce-
aprisionar suas presas, mas não escapam de seus mo- ber como algo separado do mundo, embora inserido
delos milenares. O homem pode criar a arte. E pode nele. Isto conduz a uma série de conseqüências, in-
fazê-la com maestria a ponto de, a partir dela mesma, clusive ao ato de filosofar.
experimentar novas formas. Tudo isso em prol do Já que ele não se mistura com a natureza, em-
bem comum. bora faça parte dela e só se realize nela, ele levanta
Mas, sejamos realistas, temos algumas obriga- questões como “quem sou eu?”, “qual a minha ori-
ções como seres humanos diferenciados. Temos o gem?”, “qual o meu destino?”, etc.
dever de preservar o cosmo, a vida humana. Temos A investigação filosófica, pois, consiste em
também o dever de trabalhar em prol do bem comum tomar como objeto da consciência o próprio ato de
a fim de que todos vivam com dignidade porque so- consciência das coisas, é uma busca do significado
mos todos uma parte privilegiada da natureza. Por is- imutável das coisas em si. Ela é uma atitude, um ato
so, atingir o bem comum e fazer a vida acontecer em de reflexão e apreensão, metodicamente controlado.
ritmo de boa vizinhança é uma tarefa fundamental Se ela é uma apreensão de algo que está além
para nós seres humanos. Se falharmos nesse aspecto das aparências e do nível aparente do que é dito, con-
social, estaremos, ao contrário do sentido de nossa siste, portanto, em:
existência, tecendo a própria falência humana em sua  um esforço intelectual do pensamento para
busca fantástica pela razão de seu existir. a obtenção de uma resposta;
 uma análise metódica;
Praticando o pensamento  uma interpretação teórica;
 uma reflexão sobre as possibilidades de cer-
O texto acima coloca você diante de uma rea-
teza ou não dessa interpretação.
lidade que se inicia agora em sua atividade filosófica.
A filosofia busca, então, respostas, eleva-se,
Tal realidade pode ser chamada de condição humana.
desenvolve-se, reflete-se, retoma, ao reconsiderar
É fundamental que você tenha elementos básicos so-
respostas anteriores. Ela não é uma conclusão a res-
bre o caráter diferenciado do ser humano em relação
peito de nada, mas, mais apropriadamente, uma colo-
à natureza e suas belas peripécias. Esta consciência
cação, um debate. Como diz Husserl: ‘a filosofia é,
da condição humana permitirá que você desfrutar
por essência, uma ciência dos começos verdadeiros,
com mais gosto das reflexões filosóficas sistemáticas,
das origens radicais’. O filosofar é, portanto, próprio
que a partir desse momento se iniciam.
da natureza humana. Que é isto? O que é o homem?
Neste momento, você é convidado a pensar Qual a sua humanidade?/.../ O legítimo filosofar é a
sobre o texto acima citado. Ele contém algumas idéi- tentativa de responder, pessoalmente, a uma pergunta
as iniciais que o introduzirão na arte de pensar a vida pessoal, sobre algo experienciado.
e o mundo. Releia-o e exercite seu pensamento. Após

Editora Exato 2
FILOSOFIA

Em 25 séculos de filosofia, temos inumeráveis Praticando o pensamento


doutrinas contraditórias. Não há, sequer, um reduzido
número de proposições sobre as quais os filósofos es- 1) Reflita sobre o que Maria Luiza escreve:.
tejam de acordo. Os filósofos – e todos nós – se enre- “O homem é um animal diferente. Só ele tem consci-
dam em suas próprias elucidações. Estão sempre ência de si próprio e da realidade, pode refletir sobre
insatisfeitos. A verdade é que buscam soluções, da isto e, também, agir sobre si, transformando-se, e so-
mesma maneira desesperada que todos nós. A meta bre a realidade exterior, criando cultura e mudando as
final é a realização, mas alguém consegue alcançá-la? circunstâncias.” Faça uma breve análise crítica pro-
Eles vão – e nós também... – só até onde a inteligên- curando explicar racionalmente as razões que fazem
cia pode ir e ela é limitada, e o que alcança não nos o ser humano ser diferente dos animais em comum.
satisfaz. 2) As reflexões de Maria Luiza nos situa na es-
O que é a realidade? Somente o que é palpá- fera do pensamento filosófico. Procure, por isso, ex-
vel? Já sabemos que não. O homem sofre ou é infeliz plicar o que ela quis dizer em: “Na filosofia, pois,
por meio de formas invisíveis (amor, ódio...), que, no aprendemos a analisar os elementos que compõem a
entanto, não são menos reais do que aquilo que é pal- existência do ser-no-mundo, isto porque há em nós
pável. /.../ Na filosofia, pois, aprendemos a analisar uma inquietação existencial congênita. Ao filosofar,
os elementos que compõem a existência do ser-no- avivamos nossa própria luz interior, fazemos um e-
mundo, isto porque há em nós uma inquietação exis- xercício de aproximação e de encontro com o que é
tencial congênita. Ao filosofar, avivamos nossa pró- buscado. Há, pois, o descobrimento e o diálogo, em
pria luz interior, fazemos um exercício de busca do conhecimento. Por isso, a filosofia é o co-
aproximação e de encontro com o que é buscado. nhecimento do conhecimento. Aí está a diferença
Há, pois, o descobrimento e o diálogo, em bus- com relação à ciência. Enquanto esta trata dos da-
ca do conhecimento. Por isso, a filosofia é o conhe- dos experimentais da realidade, a filosofia trata das
cimento do conhecimento. Aí está a sua diferença idéias, conceitos ou representações mentais daquela
com relação à ciência. Enquanto esta trata dos dados mesma realidade.”
experimentais da realidade, a filosofia trata das idéi-
as, conceitos ou representações mentais daquela 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
mesma realidade. /.../ Muitos especulam se o mundo A caminhada filosófica se dá a partir de ques-
realmente existe. Para nós esta questão é um contra- tionamentos fundamentais para entendermos nossa
senso, porque sem esta existência o homem não seria existência e assumirmos nosso papel no mundo. Não
“existência”. podemos esperar que nosso pensamento seja preen-
Seria, também contra-senso pensar o homem chido por fórmulas mágicas inseridas pelas ciências,
como um simples resultado de forças e processos ou pelas religiões, ou ainda pela própria filosofia,
cósmicos. Só o homem dá sentido às coisas. Há uma sem que para isso sejamos capazes de entender pro-
prioridade de subjetividade sobre as coisas, pois elas fundamente o real fluxo do pensamento humano em
só têm sentido para o homem. Ele é, pois, o único ser sua permanente busca por compreensão de seu papel
que tenta explica o seu próprio ser. no mundo.
O filosofar é, então, uma apreensão da vida, a Não deixando de considerar que devemos ini-
fim de exprimi-la. Mas este filosofar só tem valor se ciar nossa caminhada de algum ponto do pensamento
a experiência do filósofo sustenta sua própria expres- humano, para daí percorrer o belo processo do co-
são reflexiva. Na filosofia, aprendemos a analisar os nhecimento da realidade e de sua verdade, há que se
elementos que compõem a existência do ser-no- aceitar que o caminho é complexo diante das respos-
mundo. Mas, como disse alguém: “não há aqui ne- tas nem sempre satisfatórias, ou diante de novos
nhuma lógica matemática, pois esta não é capaz de questionamentos que geram outros e mais outros.
explicar o que é o homem e em que consiste o senti- Iniciar a caminhada filosófica é iniciar uma
do da vida”. caminhada sem possibilidade de definir sua chegada.
Filosofar, no mundo contemporâneo, é mais Mas, se a filosofia indicasse de antemão uma chega-
importante do que nunca, pois o novo homem está da, ela mesma perderia seu sentido existencial. Por
ameaçado de ser vítima da mentalidade tecnocrática. isso, é necessário um ponto para iniciarmos a cami-
Mais do que nunca, se torna necessário levantar uma nhada, mas chegar ao final, a uma conclusão não é
série de questões, começando por: “O QUE É O uma preocupação que faça a filosofia ficar irrequieta.
HOMEM? Somente filosofando poderemos encontrar Talvez porque o problema maior da filosofia não seja
caminhos que nos levem à tão buscada felicidade.” solucionar problemas. Ora, faça a sua conclusão a
partir do que Karl Jarspers2 diz em seu belo texto fi-
losófico:

Editora Exato 3
FILOSOFIA

“O problema crucial é o seguinte: a filosofia


aspira à verdade total, que o mundo não quer. A filo-
sofia é, portanto, perturbadora da paz.
E a verdade o que será? A filosofia busca a
verdade nas múltiplas significações do ser-verdadeiro
segundo os modos do abrangente. Busca, mas não
possui o significado e substância da verdade única.
Para nós, a verdade não é estática e definitiva, mas
movimento incessante, que penetra no infinito.
No mundo, a verdade está em conflito perpé-
tuo. A filosofia leva esse conflito ao extremo, porém
o despe de violência. Em suas relações com tudo
quanto existe, o filósofo vê a verdade revelar-se a
seus olhos, graças ao intercâmbio com outros pensa-
dores e ao processo que o torna transparente a si
mesmo.
Quem se dedica à filosofia põe-se à procura do
homem, escuta o que ele diz, observa o que ele faz e
se interessa por sua palavra e ação, desejoso de parti-
lhar, com seus concidadãos, do destino comum da
humanidade.
Eis por que a filosofia não se transforma em
credo. Está em contínuo combate consigo mesma.”

Editora Exato 4
FILOSOFIA

FILOSOFIA
grado da desolação e da condenação. A tragédia é o
1. O PENSAMENTO ORIGINÁRIO
ser da realidade fundado numa identidade misteriosa.
É costume dizer que quando refletimos sobre a Incapazes de decifrar do conteúdo trágico a i-
vida a partir de fundamentos filosóficos, quando de- dentidade verdadeira do ser, tornamo-nos impotentes
batemos filosoficamente o mundo, sempre iniciamos para reabilitar a noção tão desgastada do ser humano.
com questionamentos nem sempre fáceis de resolver. Recorremos à ciência para chegarmos à via da histo-
Os questionamentos filosóficos não são gerados em ricidade, mas nos deparamos com um outro problema
vista de uma solução racional e inteligível. Eles são gerado pelas ciências fundadas na primazia do fenô-
formulados para exigir da consciência humana o ato meno sobre o universal: o presente haverá de ser
de pensar. Por esta razão, não cabe neles direciona- compreendido se recuperarmos adequadamente arti-
mento para um pensar único, perfeito e feito. O pen- culações do passado, esquecidas pela própria dinâmi-
samento não deve estar preso entre as paredes da ca da vida. Por isso, devemos pensar nas razões que
crença e do fundamentalismo, ou mesmo em catego- geraram uma ciência desesperada que, não tolerando
rias científicas que limitem o espaço em que a cons- esperar, se atropela na impotência de seu poder em
ciência é capaz de explorar na sua busca fantástica alcançar o mistério do pensamento. É necessário pois
pela verdade. despojarmo-nos de tudo quanto julgamos já saber so-
A finalidade da filosofia pode ser dita como o bre o pensamento dos primeiros pensadores, e resga-
fundamento e o sentido último de todos os fins, ou tarmos todo o pensamento ao longo da história,
seja a apreensão do ser. Mas há dificuldade de se en- aprendendo a dialogar com a tradição, gerando novos
contrar com a identidade no próprio seio das diferen- pensamentos.
ças. O ser contra o nada, a ausência contra a Um pensamento originário é a coragem de
aparência, o bem contra o mal, o inteligível contra o descer às raízes das próprias possibilidades de pensar.
sensível, o permanente contra o mutável, o verdadei- Um pensamento originário é um pensamento radical.
ro contra o falso, o racional contra o animal, o ne- Procura interpretar os modos de ser da realidade, res-
cessário contra o contingente, o uno contra o tituindo as estruturas de suas diferenças à identidade
múltiplo, a sincronia contra a diacronia. Onde po- do mistério. O modo de ser que nos apresenta como
demos apreender de fato o ser? E quando finalmente presente, não é originalmente um determinado pre-
o apreendemos, é essa apreensão verdadeira ou falsi- sente.
dade na aparência forçosa da verdade?
Nessa dúvida sistemática perpassa a certeza de Praticando o pensamento
que não haverá a imposição de nenhuma verdade que
não seja problematizada e pensada em todos os seus O texto acima coloca você diante de uma nova
aspectos por cada um de nós. Por isso, essa dúvida postura frente ao significado de filosofia. É funda-
nos abre sem possibilidade de fechamento à questão mental que você saiba o mais profundo significado
do sentido de nossas vidas. A verdade e a não- do que vem a ser atividade filosófica. O próprio ter-
verdade, a certeza e a ilusão são como um bufão em mo filosofia tem um significado interessante. Ele re-
permanente riso debochado de nossa consciência, fere-se à profunda amizade (filo) que alguém pode ter
como a dizer: vocês desconhecem o paradoxo da re- com a sabedoria (sofia).
volução do pensamento. O texto contém algumas proposições que de-
Por isso, para fazer filosofia, é preciso perder monstram a finalidade da filosofia. Releia-o e exerci-
algo da fé nas aparências, nas rotinas, nos dogmas e te seu pensamento. Após a re-leitura, faça uma pausa
crenças. Pensar, pois, é acordar o não-pensado. O re- e reflita sobre as idéias mais importantes que há no
velar autêntico do ser se dá na forma do pensar. Ele texto. Finalmente, escreva carta direcionada a um
surgiu quando o trágico travou a luz pensante do ra- amigo, convencendo-o da importância de se pensar
cional e do irracional, do físico e do político, do mito filosoficamente. Use os argumentos do texto e os
e do culto, do desespero e da salvação. seus argumentos críticos.
Trágico é perceber o nosso abandono desespe-
rado às forças da natureza, ao império fundado em 2. OS PENSADORES ORIGINÁRIOS
vontades e punições de deuses, à fatalidade do desti- Após nosso primeiro contato com idéias refe-
no que aponta para um determinismo que gera total rentes ao significado de filosofia, a sua finalidade e
impotência no ser humano. A tragédia é o palco sa- algumas de suas características fundamentais, vamos
agora para um segundo momento onde você terá a
Editora Exato 5
FILOSOFIA
oportunidade de ter contato com as idéias de alguns das coisas. O número era portanto o princípio primei-
dos maiores pensadores do Período Originário do ro de toda a realidade, a essência geradora e promoto-
Pensamento Grego da Filosofia. Entre com amor no ra da harmonia. Seria uma espécie de “tudo é
mundo desses filósofos, eles são fundamentais para número”. Mas, este filósofo não estava satisfeito com
entender não somente a filosofia, como também a sua perspicaz reflexão. Como as coisas acontecem,
História do Pensamento Humano até nossos dias. como há a multiplicidade dos seres? Há, na posição
No período Originário da Filosofia, há uma va- de Pitágoras, multiplicidade porque também há um
riedade muito grande de filósofos. Para melhor en- vir-a-ser constante. Conforme seu pensamento, a al-
tendermos o pensamento grego originário, é comum ma é imortal, mas vive em constante re-criação, ou
dividirmos ele em duas fases, a naturalista e a antro- vir-a-ser, sendo parte da constante revolução de um
pológica. Neste módulo nos concentraremos na filo- determinado ciclo. Esta afirmação nos leva a perce-
sofia naturalista. Selecionamos alguns dos mais ber que para Pitágoras nada é absolutamente novo.
importantes filósofos e representantes do Pensamento Ao avançar ainda mais em seu pensamento, Pi-
Originário, que são Anaximandro, Pitágoras, Herácli- tágoras recorre à idéia da existência de uma luta de
to e Parmênides. Vamos pois ao encontro deles. opostos – em seu caso, pares e ímpares – para con-
2.1. Anaximandro firmar sua teoria da multiplicidade das coisas. Mas
Anaximandro, que viveu por volta de 546 a.C., esta luta de opostos é reconduzida à unidade, ao um
buscava, como outros filósofos de sua época, uma pela harmonia matemática.
explicação válida e consistente para dar sentido e u- Um outro ponto fundamental do pensamento
nidade às coisas, à natureza e ao universo, visto que pitagórico refere-se à idéia da investigação. O estu-
essa explicação poderia nos ajudar a responder o sen- dar, o investigar, o erigir descobertas deveriam estar
tido de nossa existência. Pensador do período dito na- unidos ao ser, ao viver, ao relacionar-se. Para haver a
turalista, onde as idéias estava voltadas para o mundo compreensão da verdade é necessário que haja a vida
exterior, Anaximandro, ao sustentar o pensamento de vivida em seu cotidiano, com os outros. Vida esta
Tales de Mileto, afirmou haver uma substância pri- que deve estar incessantemente ligada à prática das
mária e uma lei, natural atuante no mundo gerando virtudes. Portanto, para a escola pitagórica, o acesso
um Movimento Eterno do universo, mas conservando à verdade se dá pela via da pureza e do amor ao bem.
um equilíbrio entre os diferentes elementos existen- Ora, para que haja progresso ordenado, antes
tes. de nos ocuparmos das coisas grandes, devemos nos
atentar em ocupar das coisas pequenas. Isto significa
que através de nossas virtudes nos tornaremos seme-
lhantes a Deus. Neste sentido, o pensamento pitagó-
A substância a que ele se referia, ou o “princí- rico deve ser visto a partir da idéia de ser enquanto
pio gerador” deste movimento, é denominada de a- tudo quanto é imaterial, eterno, essencialmente ativo;
peirón – algo indeterminado, infinito e em o que goza de uma existência própria, que se basta a
movimento perpétuo. Esta substância gerava um mo- si mesmo e permanece sempre como é. O vir-a-ser
vimento provocador de incessante separação de pares constante e inalterado por que numérico absoluto do
de opostos. Essa relação de separação acabava por ser na realidade é algo que devemos investigar pro-
gerar, para ele, freqüentes injustiças de ambos os la- fundamente pela via da virtude, ponte fundamental a
dos separados, necessitando pois daquela própria ser atravessada se queremos chegar à verdade.
substância e de uma lei natural atuante que tornasse 2.3. Heráclito
simétrica essa relação. Anaximandro resolve esta si-
Heráclito viveu por volta do ano 500 a.C., em
tuação apontando que, ao longo do tempo, os opostos
Éfeso, na Jônia. Seu pensamento também está volta-
pagam entre si as injustiças cometidas de maneira re-
do para a busca da unidade das coisas. Ele afirmava
cíproca. Podemos inclusive tomar o mesmo rumo de
que tudo estava em permanente fluxo. Sua teoria
vários intérpretes e afirmar que essa concepção cos-
fundamental diz respeito à essência, ao princípio ge-
mológica significaria a afirmação de uma Lei do E-
rador da realidade, que também considerava como
quilíbrio Universal, garantida através do processo de
um constante vir-a-ser. Para ele, tal essência em per-
compensação dos excessos, conforme podemos ob-
manente fluxo somente poderia ser explicada caso a
servar na relação frio /inverno – calor/: verão.
denominássemos de fogo pois este está em constante
2.2. Pitágoras mudança, em permanente fluir. Ele também não tem
Pitágoras, fundador de uma escola baseada em como escapar ao questionamento da multiplicidade.
suas idéias matemáticas e metafísicas, viveu por volta Sua explicação dá-se na idéia de que o vir-a-ser é
de 571 a.C. A escola pitagórica defendia uma harmo- uma luta, onde a vida e a morte revezam-se incessan-
nia cósmica baseada nos números enquanto relações temente. Ora, a unidade da realidade ocorria pela
Editora Exato 6
FILOSOFIA
harmonia e pela sabedoria universais, determinadoras letheia) e à certeza, fazendo com que permaneçamos
de um acordo entre esses opostos. no nível instável das opiniões e das convenções da
Heráclito refere-se à natureza como uma uni- linguagem.
dade de tensões opostas. Para ele, há uma harmonia Na terceira parte, ele defende a via da ascese e
oculta das forças opostas que geram a unidade da na- revelação como método de busca da verdade. Ele
tureza. Esta harmonia oculta não está no âmbito ex- busca uma unidade lógica que é incompatível com a
clusivamente cosmológico, mas na razão, no saber. A multiplicidade e o movimento percebidos, tais reali-
razão – logos – significa precisamente a unidade que dades defendidas pelos filósofos Anaximandro, He-
as oposições aparentes ocultam e sugerem. Assim, ráclito e Pitágoras.
pode-se afirmar que os contrários, em todas as di-
mensões da realidade, seriam aspectos inerentes a es-
ta unidade. Neste aspecto, o um imerge no múltiplo e Na terceira parte, Parmênides define que “O
a multiplicidade significa apenas uma forma de uni- que é” sendo “O que é” terá de ser único. Além do
dade. Numa linguagem simplificada, todas as coisas “O que é”, estaríamos apenas atribuindo existência ao
são um. Portanto, o logos seria, no pensamento de não-ser, que é impensável e indivisível. Por isso o
Heráclito, a unidade nas mudanças, nas tensões e no Ser é enquanto uno, imutável e eterno, imóvel, idên-
fluir permanente a reger os planos da realidade. tico, determinado. Não cabe no pensamento de Par-
A crítica de Heráclito a Pitágoras está no fato mênides considerar que uma coisa pode ser e não ser
dele propor a supremacia do Um sobre a multiplici- ao mesmo tempo. A esta contradição opõe-se o prin-
dade. A idéia do Uno imutável não está em concorde cípio que rege “o ser é” e “o não-ser não é”.
com um em permanente fluxo. Há a multiplicidade da Não há, entretanto, como rejeitar a existência
realidade mesmo que esta realidade múltipla seja re- do movimento no mundo que percebemos, pois as
conduzida à unidade por via da razão. Heráclito tam- coisas nascem e morrem, são mutáveis em seu tempo
bém tece críticas a Anaximandro quando este aponta e em seu espaço, geram e são geradas sob infinita
para a extinção dos conflitos e tensões entre os opos- multiplicidade de aspectos.
tos através da compensação dos excessos de cada Ora, para Parmênides, o movimento existe a-
“qualidade-substância” em relação ao seu oposto. Pa- penas no mundo sensível, e a percepção levada a e-
ra ele, o vir-a-ser é luta constante e não uma momen- feitos pelos sentidos é ilusória. Só o mundo
tânea oposição que exige compensação para chegar à inteligível é verdadeiro, pois está submetido ao prin-
simetria. Mas, Heráclito entende que o ser humano cípio que hoje chamamos na Lógica de identidade e
possui grandes dificuldades para perceber esta rela- de não-contradição.
ção visto que há uma ignorância na maioria dos ho- Esse princípio aponta que há identidade entre o
mens, incapazes de compreender a lei universal ser e o pensar. Ou seja, o que eu não conseguir pen-
regente de tudo. sar não pode ocorrer ou ser na realidade. Essa defini-
2.4. Parmênides ção de Parmênides é um abrir o leque para uma nova
O Eleata Parmênides viveu na primeira metade reflexão: a distinção entre a ciência construída pela
do século V a.C. Sua obra, escrita sob a forma de um razão e que nos dá a verdade, o Uno; e a opinião
poema, demonstra a perspicácia deste grande pensa- construída pelos sentidos e que não nos oferece a
dor. Em um poema extremamente profundo, ele revi- verdade, mas uma enganosa e aparente verdade.
taliza o debate em torno do ser que movimenta o O conhecimento dos seres humanos - a doxa -
universo. A divisão do seu poema é feita em três par- é iluminado pela verdade do ser. Mas esse conheci-
tes: mento sem a presença da razão pura gera apenas uma
Na primeira delas, ele defende a via da verda- percepção sensorial da realidade, portanto, mero en-
de. afirmando que o homem, ao se deixar conduzir gano do conhecimento. O engano é uma ausência
pela razão, é levado à certeza de que “O que é, é” – e com “pele” de presença.
que não pode deixar de ser. Chamamos esse princípio Entretanto, o ser humano é capaz de evidenciar
de identidade do ser. a verdade. Para tanto, é preciso que ele filosofe, veja
A segunda parte é dirigida a problemas rela- o ser na diferença com os seres. É preciso que ele
cionados ao senso comum, à opinião geradora de considere a presença das coisas a partir de um dife-
uma compreensão falsa da realidade com a aparência rencial fundamental, a aletheia (= verdade), evidência
de verdade. Neste ponto, Parmênides afirma que ao fundamental do ser. Ou de outra maneira, é a dimen-
considerarmos os dados empíricos e informações dos são do ser que permite evidenciar a diferença entre
sentidos para chegarmos à verdade, estamos trilhando aletheia – a verdade – e doxa – a opinião.
caminhos sem sentido. Tais dados e informações não Esses são os dois princípios fundamentais uti-
nos fazem chegar ao desvelamento da verdade (a- lizados por Parmênides para definir o mundo real na
Editora Exato 7
FILOSOFIA
perspectiva do ser. Pode-se, ora pensar o real, anali- Praticando o pensamento
sá-lo em processo de vir-a-ser segundo os dados for-
necidos pela opinião, pelo senso comum (doxa), mas 1) O pensamento de Anaximandro segue a i-
é de fundamental importância ajustar esses dados à déia de Tales de Mileto, pois ele afirma haver uma
concepção do ser, visto como a única via de pesquisa substância primária e uma lei natural atuante no
digna de fé. É necessário ajustar, porque não há sepa- mundo gerando um Movimento Eterno do universo.
ração entre doxa e aletheia, mas complementaridade. Para ele, o princípio gerador do movimento é deno-
A ilusão é somente falsa na medida em que a verdade minado de apeirón. Faça uma breve análise do signi-
vem à luz. ficado desse princípio originário.
Por esta razão, a filosofia de Parmênides não 2) Releia o texto de Heráclito e depois disserte
pode ser mecanicamente vista como “um espaço me- sobre sua concepção no que se refere à substância ú-
tafísico sobreposto a um espaço físico”. Ora, não po- nica ou princípio gerador da vida, o fogo. Comente
demos conceber o pensamento de Parmênides sob a também suas divergências com Pitágoras e Anaxi-
ótica da dualidade que luta entre si e não encontram a mandro.
harmonia. Isto seria incorrer em um erro grave.
Como, no entanto, chegar ao conhecimento 3) Um dos pontos fundamentais de Pitágoras
pleno da aletheia? Há algum instrumento deixado por refere-se à idéia da investigação. O estudar, o inves-
Parmênides, um método, um procedimento? O que tigar, o erigir descobertas deveriam estar unidos ao
Parmênides nos deixa chama-se Nous, uma realidade ser, ao viver, ao relacionar-se. A partir do que Pitágo-
dinâmica, com vida e movimento. O Nous é uma vi- ras percebe como atividade filosófica, como você en-
são do espírito para além da multiplicidade da per- tende a filosofia? Seria essa atividade uma união de
cepção sensível. O Nous quer ser um movimento que virtude e Busca da Verdade? Justifique sua posição.
atravessa os limites da doxa, mas faz esse percurso 4) O pensamento de Parmênides é dividido em
com destino certo e por certo não perigoso pois sua três grandes momentos. Descreva-os de maneira clara
função unificadora fundado no ser, capta a unidade e fundamentada. Faça em seguida a distinção de
do que se apresenta no real como múltiplo e descon- Parmênides entre Verdade (aletheia) e Opinião (do-
tínuo. xa).
Uma análise ainda mais sistemática desta idéia
de Parmênides nos evoca a relacionar aspectos que 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
estudam o ser (chamados de ontológicos) à questão Apreender a realidade consciente de que há
do conhecimento (chamado de gnosiologia), quando algo mais profundo em seu interior. É esse o papel da
ele vê no Nóos a essência do humano, que não se es- filosofia. Há que se perceber a realidade de maneira
vazia na totalidade do ser, mas que corresponde a ele lógica e unificada. Um todo feito partes ajustadas e
ao modo da presença e da ausência, da identidade na em permanente reconstrução. Talvez seja esse o nos-
diferença. so limite: conseguir apreender a partir de nossa limi-
A intervenção humana no processo de apreen- tada razão a constante mudança da realidade
são contínua da realidade se dá em seu interior com provocada pelo ser.
sua diferença. O ser humano lança na palavra racio- O pensamento originário nos mostrou que o
nalmente tecida a busca e não a posse plena do ser. É caminho a seguir é longo e de difícil acesso. Nossos
na realidade presente, nas coisas e na vida de todos instrumentos deverão ser o interrogar permanente e a
os dias que se deve aprender a perceber o ser, ou me- constante insatisfação com as respostas fornecidas
lhor, se deixar captar pelo ser, presente naquilo que é por nossa razão e nossa experiência. Ora, a finalidade
vivido. A “presentificação” se dá por meio de uma da filosofia é a busca dos fundamentos necessários
vivência de linguagem, que é tanto revelação divina – para que a apreensão do sentido último de todas as
aletheia – quanto diálogo fundado no senso comum e coisas não seja frustrante.
na opinião dos humanos – doxa. Através de uma per- Há que sistematizar o pensamento e a certeza
cepção unificadora, o dizer formulado na doxa des- para não haver imposição de verdades não problema-
cobre o mundo re-velando, trazendo à luz e tornando tizáveis e não pensáveis em todos os seus aspectos
verdade o ser. Ao rejeitar a idéia da dualidade confli- por cada um de nós. Por isso, é necessário que te-
tiva dessa relação, Parmênides finalmente sugere que nhamos dúvidas. A dúvida nos abre uma infinidade
o ser amarra o homem em laços firmes que excluem de possibilidades, ao mesmo tempo em que não se
o viver e o morrer. fecha diante da questão do sentido de nossas vidas.

Editora Exato 8
FILOSOFIA

FILOSOFIA
coisas”. Ou seja, as coisas são como lhe aparecem.
1. O PENSAMENTO ORIGINÁRIO DO PERÍ-
As pessoas decidem o que é verdadeiro para elas, e
ODO ANTROPOLÓGICO elas agem de acordo com o que se lhe apresenta co-
O Pensamento Grego é dividido didaticamente mo verdade. Com isto, quer-se dizer que não é a na-
em dois períodos fundamentais: o período naturalista, tureza a detentora dos rumos do comportamento
onde os filósofos dedicaram boa parte do seu tempo humano, mas os próprios indivíduos que são capazes
procurando razões naturais e empíricas para interpre- de tomar decisões por si próprios. No entanto, as de-
tar a existência do cosmos e, conseqüentemente, a e- cisões dos homens dessa época eram fundamentadas
xistência humana. no princípio da persuasão que na medida do seu de-
O pensamento grego naturalista ou cosmológi- senvolvimento tornava-se cada vez mais importante
co, representado pelas idéias de Tales, Anaximandro, que a verdade.
Anaxímenes, Heráclito, Parmênides e outros é apro- Ora, fundamentos do conhecimento baseado
fundado e sistematizado quando Sócrates, Platão e nesse tipo de sistematização sofística põem a ciência
Aristóteles começam a caracterizar conceitualmente a às ruínas e cria um sério problema moral visto que o
ciência e a inteligência. Há nessa época uma mudan- único bem é o prazer, e a única regra de conduta é o
ça de interesse, que passa da natureza para homem e interesse particular.
o espírito, o conhecimento e a moral.
Ora, essa mudança é pensada como uma ruptu- Praticando o pensamento
ra em relação ao pensamento originário. Tal ruptura
O texto acima coloca você diante de uma nova
demonstra que os gregos deram um novo rumo à his-
postura grega frente ao significado de filosofia. É
tória do pensamento ao optarem pelo uno desarticu-
fundamental que você saiba sobre o que os filósofos
lado do múltiplo, pelo inteligível livre do sensível.
antropólogos refletiam em seus ensaios filosóficos.
Devido a esta linha de pensamento, a filosofia produ-
Releia, pois, o módulo dois.
zida nesse período resultou na estruturação de um
pensamento metafísico. Daí ser dado a este período Depois de relembrado o conteúdo da primeira
também o nome de Período Antropológico, visto que etapa, vamos pensar sobre o texto acima citado. Ele
há uma valorização da importância e do lugar do ho- contém algumas proposições que demonstram a mu-
mem e do espírito no mundo. dança no objeto de pensar da filosofia. Releia-o e e-
Tudo parece começar com o advento da demo- xercite seu pensamento. Após a re-leitura, faça uma
cracia, que ganhara impulso logo depois das vitórias pausa e reflita sobre as idéias mais importantes que
atenienses e gregas sobre o Império Persa. Conside- há no texto. Finalmente, escreva uma carta direcio-
rando que o tipo de democracia grega exigia dos ho- nada a um amigo, comentando a importância dos fi-
mens adultos livres a participação no governo. A lósofos antropólogos para a humanidade.
democracia, nesta época, era desenvolvida com deba-
tes em praça pública. Surge daí um grupo de filósofos
denominado de “sofista”, ou seja, homem sábio. Tais
filósofos acreditavam em idéias que fossem úteis pa-
ra a política, e para que as pessoas tivessem sucesso
na vida. Sua metodologia de debate levava em conta
a capacidade de conquistar o povo pela persuasão.
Essa atividade de conquista do povo era a razão da
oratória sofística, sendo Protágoras e Górgias seus
maiores representantes.
Os sofistas especulavam profundamente sobre
o comportamento humano. Para eles, grupos diferen-
tes e diferentes indivíduos podem ter comportamen-
tos diferentes. Essa idéia era caracterizada de
relativista. Ora, a Teoria do Conhecimento sofística
pode ser caracterizada como uma teoria do relativis-
mo, da subjetividade e do ceticismo. Um dos mais
conhecidos sofistas era Protágoras, que cunhou a se-
guinte expressão: “o homem é a medida de todas as

Editora Exato 9
FILOSOFIA

FILOSOFIA
lado para outro, através de diferentes posicionamen-
1. O PENSAMENTO GREGO A PARTIR DE
tos e conceitos, questionando e redefinindo conceitos
SÓCRATES a fim de solidificar idéias e, por esse caminho, chegar
No período Originário da Filosofia, há uma va- à verdade.
riedade muito grande de filósofos chamados de natu- Sócrates era um polemizador de marca maior.
ralistas e antropólogicos. Alguns dos mais Polemizava suas idéias na praça do mercado, em A-
importantes naturalistas, conforme o módulo dois, tenas. Estava tão preocupado em descobrir o que era
são Anaximandro, Pitágoras, Heráclito e Parmênides, bom, justo e verdadeiro que acabara por afirmar que
que já estudamos. Neste momento, selecionamos al- a maior causa do mal era a ignorância, e, por esta ra-
guns dos mais importantes filósofos do período an- zão, o homem pecava por falta de conhecimento. Ele
tropológico da filosofia grega: Sócrates, Platão e tinha como objetivo de vida viver na justiça e formar
Aristóteles são os maiores representantes do Pensa- cidadãos sábios, honestos e temperados. Esse objeti-
mento Originário Antropológico. Vamos pois ao en- vo visava uma formação oposta a dos sofistas que a-
contro destes pensadores. giam com intenções direcionadas ao próprio proveito.
2.1. Sócrates Os sofistas formavam grandes egoístas, que lutavam
Sócrates é uma personalidade fundamental pa- uns contra os outros e escravizavam o próximo, além
ra a filosofia. Uma maneira de percebermos sua im- de sua metodologia negar a existência da verdade.
portância talvez esteja num episódio ao final de sua Sócrates não aceitava aquela maneira de ajudar os
vida. No momento em que Sócrates estava prestes a homens a viverem suas vidas.
morrer, e ele sabia da hora chegada, aquela em que O sentido da vida toma novo rumo com o pen-
sua alma entraria para a eternidade e com isto para o samento de Sócrates. Para ele, a vida não analisada
contato com a verdade absoluta, ele admite que a vi- não merece ser vivida. Para que haja vida verdadeira,
da é um erro e convida os seus amigos a o seguirem a pessoa tem que ir em busca da verdade, mas esta
em seu envenenamento. busca se faz via conhecimento fundado na virtude. O
Ele percebera os limites que o corpo infligia saber em Sócrates é conhecimento sólido, não deteri-
contra o acesso à verdade e à imortalidade da alma. orável, irrefutável. Ora, mesmo que não saibamos a
Finalmente a proximidade da morte parece lhe colo- verdade, é necessário sabermos que nada sabemos,
car cara-a-cara com a possibilidade da verdade. As- mas sem jamais desistir de buscar a verdade, ter pre-
sim, seu corpo, um obstáculo à essa busca já não faz sente a idéia da verdade, um lançar-se à procura do
sentido algum. Sócrates, na fronteira da morte, via-se verdadeiro saber.
ansioso por encontrar-se no Hades, na morada dos O diálogo provocador do pensar tinha, para
mortos, com ilustres pensadores ou com deuses que Sócrates, a função de ajudar a pessoa questionada a
finalmente poderiam decifrar os códigos da verdade. tomar consciência da própria ignorância. O exercício
A morte não tem sentido enquanto fim do ser. Ela é, da descoberta do próprio ser ignorante é uma espécie
antes de mais nada, a libertação da alma que, ao afas- de busca do próprio conhecimento. Em suas palavras,
tar-se do invólucro corpóreo, das ilusões e dos erros um conheça-te a ti mesmo. O ápice da sabedoria é
produzidos por ele, pode agora chegar a instância da atingido através da virtude que aponta para uma rea-
verdade absoluta. lidade franca: a verdade nasce quando a pessoa se dá
Nascido por volta do ano 470 a.C., Sócrates conta de que todo saber que pensava possuir não tem
não deixou nada escrito. Entretanto, seu discípulo na verdade qualquer verdade. O ser humano a esta al-
mais famoso, Platão, registrou os passos da vida des- tura encontra-se consigo na consciência racional de si
se grande filósofo. Na verdade, Sócrates é lembrado mesmo. Esse encontrar consigo na consciência ra-
muito mais por causa de sua maneira de ensinar. Ele cional quer afirmar que a verdade das coisas não po-
desenvolvera um método que consistia em diálogo derá ser captada pelo seu aspecto sensível, mas pelo
mediante perguntas. Esse diálogo visava chegar à próprio pensamento das coisas, ou seja, pelo univer-
descoberta do conceito, meio imprescindível de se sal que o pensamento apreende em todo o sensível e
chegar à verdade. que, na medida em que é apreendido pelo pensamen-
Para compreendermos o método de Sócrates to, transforma-se em conceito.
devemos em primeiro lugar considerar o diálogo co- O ato de pensar as coisas a partir de seu aspec-
mo artifício metodológico de procura da verdade. Ali to racional é, em outras palavras, um partir em busca
é o lugar da gestação e do nascimento da verdade. No da verdade com o objetivo de estabelecer um sistema,
diálogo, a pessoa caminhava reflexivamente de um um organismo lógico de conceitos. Ora, esse estabe-

Editora Exato 10
FILOSOFIA
lecimento quer nos levar a um patamar onde somos questões fundamentais tais como o ser, o conhecer e
capazes de olhar as coisas a partir de seu conceito u- o agir. Nascido por volta de 428 a.C., Platão baseia
niversal. Caso haja um fracasso nessa nossa busca, toda a sua filosofia na questão do ser. Por esta razão,
então a pregação dos sofistas tornar-se-á certamente via o filósofo como amante da verdade e de todo ser
insuperável: o conhecimento – como conhecimento verdadeiro, devendo por isso, aspirar desde a sua ju-
das particularidades é sem dúvidas relativo e contra- ventude à verdade sobre todas as coisas. Platão Fun-
ditório, sendo assim, a comunicação e as relações de dou a ACADEMIA, uma espécie de maquete de
respeito entre os homens tornam-se também imprati- todas as universidades. Nesta Academia, os estudos
cáveis. básicos estavam direcionados para a aritmética, a ge-
Entretanto, não buscamos a verdade com pers- ometria, a astronomia e a harmonia do som. Nela,
pectivas de fracasso. Se tomamos como nossa a bus- Platão intencionava treinar a mente dos homens para
ca de Sócrates, então para nós procurar a verdade capacitá-los a pensar por si mesmos à luz da razão. A
deve significar ir ao encontro da própria força supre- educação exigia esforça conjunto da parte do profes-
ma que pode orientar nossa vida, visto que ao agir- sor e do aluno em processo verdadeiramente dialéti-
mos mal acabamos por gerar dor e infelicidade. Com co. Nesta Academia estudou um dos maiores
isto, alcançar a verdade significa alcançar a salvação filósofos de que se tem notícia: Aristóteles.
da vida, relação essencial existente entre a verdade e No pensamento de Platão sobre o papel do
a vida. Por isso, a reflexão socrática direciona nossas verdadeiro filósofo, ele tece algumas importantes co-
vidas para o mundo da ética. locações. Em primeiro lugar, Platão aponta que o
O ensino dialógico de Sócrates tinha o objetivo verdadeiro amante do saber é aquele que deseja en-
de reconstruir o conhecimento através da extração de contrar a verdade desde sua juventude. Transfigura-
idéias. Sua forma de ajudar os outros a pensar seguia dos pelas virtudes que fazem o ser humano tornar-se
os seguintes passos: Ironia: Maiêutica: Introspecção: justo, o filósofo vai em busca de superar os limites do
Ignorância: Indução: Definição. conhecimento fornecido pelo corpo. Ora, quando os
O primeiro passo chama-se Ironia. Ela visa de- outros opinam dizendo que os filósofos são pessoas
sembaraçar o espírito de conhecimentos errados, pre- inúteis, que vivem “no mundo da lua”, que pouco se
conceitos e opiniões. Na ironia ridiculariza-se a interessam por questões práticas, na verdade eles es-
linguagem sofística das pessoas, levando-as a perce- tão desqualificando quem pode mudar o mundo, go-
ber que nada sabem acerca da verdade. vernando-o.
Uma vez chegada a conclusão da ignorância. Platão vê naquele que busca sinceramente a
Sócrates aponta o segundo passo, a maiêutica. A verdade das coisas, e a medida justa de tudo, um ser
maiêutica realiza o conhecimento verdadeiro pela ra- único capaz de mudar o mundo. Talvez por estar ple-
zão, extraindo-o através do próprio aprendiz. Na per- no de justeza, ele seja o mais capacitado a promover
cepção de Sócrates, a verdade não nos pode ser a transformação no mundo, a governar a sociedade.
transmitida por outros ou vir ao nosso encontro de Para Platão, o homem harmoniosamente constituído,
algum modo a partir do exterior. O ansiar por desco- despojado da avareza e da mesquinhez, da vaidade, e
brir a verdade é, para Sócrates, um sinal de que a da covardia, jamais poderá mostrar-se duro ou injusto
verdade está no ser de quem anseia. A verdade reside em suas relações com os outros. Esta é uma das mai-
numa dimensão diferente da exterior. Esta dimensão ores qualidades do filósofo.
somos nós mesmos, enquanto consciência. Mas, por que o filósofo é tão importante para
A maiêutica tem o objetivo de desmascarar a Platão? Uma resposta é o fato do filósofo ir em busca
falsa sabedoria e chegar a um conhecimento da natu- da verdade pura. Neste sentido, o próprio Platão faz o
reza do homem, limitado em sua busca. Ao buscar a papel nato do filósofo que busca incessantemente a
verdade que se esconde para além das aparências, o verdade. Para ele, a filosofia, tal como Sócrates, é a
ser humano passa por um processo de introspecção, ciência capaz de resolver o problema da vida. E o
voltando-se para si mesmo, dirimindo questões até maior de todos os problemas é o conhecimento pleno,
esvaziar-se de seu conhecimento aparente. Há então o ou o desvelamento da verdade; visto que o conheci-
reconhecimento de que o conhecimento está para a- mento prático, a gnose nascida do senso comum é li-
lém do senso comum. Há logo em seguida um novo mitada e pura aparência.
passo. Pela via dialógica, o ser humano volta ao Para enveredarmos no pensamento de Platão,
mundo universal a partir do particular a fim de atingir iniciemos com uma de suas mais famosas estórias: a
os limites da verdade através de conceitos. Alegoria da Caverna. Ela é uma maneira de Platão
2.2. Platão demonstrar como ocorre a sua Teoria das Idéias.
Aristocrata, discípulo de Sócrates, Platão foi o Imaginemos uma Caverna onde há pessoas.
primeiro a refletir e colocar em um sistema coerente Todo mundo acorrentado numa caverna desde a in-

Editora Exato 11
FILOSOFIA
fância. Com as cabeças presas, os prisioneiros só po- idéia e das almas. É uma questão de devir e de idéia,
dem olhar em uma direção, a direção da parede da a dissolução do mundo do devir no mundo das idéias.
caverna. Um fogo aceso atrás deles, e por entre eles e Ora, as idéias são o fundamento que permite diálogo
o fogo, pessoas circulam carregando objetos. Virados e, por conseguinte, a realização da utopia como pro-
para a parede, não conseguem ver o fogo ou as pes- jeto de humanidade em todos os níveis. Essa sistema
soas que circulam ou mesmo os objetos que elas car- de pensamento revela a percepção metafísica de Pla-
regam. Os prisioneiros vêem somente as sombras tão em relação ao ser feito mundo divino das idéias.
projetadas e julgam que elas são a realidade. De re- O evoluir do pensamento para além das apa-
pente, um homem foge, sai da caverna e vê o mundo rências, para o ápice das idéias permanentes exige
real. Ele volta mas, ofuscado pela luz, parece mais i- um processo dialético e dialógico. O diálogo e a dia-
diota do que antes. Convida os outros para sair e ver lética são possíveis graças ao Eros, aquele que busca
a nova realidade. Os outros não aceitam, preferem a metade que nos falta, aquele que nos faz desejar o
viver na crença da própria aparência. que nos torna felizes. Eros nos ajuda na mudança do
Esta alegoria é uma demonstração de que o diálogo para a dialética, que se faz pelo processo de
conhecimento aparente se apresenta a nós como se unificação desde uma interioridade em travessia à ex-
fosse pura verdade. Ora, a Alegoria da Caverna quer terioridade e vice-versa. O aprender consigo mesmo
demonstrar que o sensível é, na teoria platônica, insu- no responder e no perguntar nos faz crescer em nos-
ficiente para identificar o conhecimento. Em outras sa percepção e conhecimento da verdade e inclusive
palavras, a idéia, que não possuímos plenamente, é de nós próprios. O conhecer-me a mim mesmo diz
real e o real, que nossa percepção sensível capta natu- respeito ao apreender o ser que se revela em nós.
ralmente, é apenas aparência. O corpo, fonte de aces- Neste aspecto, Platão indica que a atividade fi-
so ao conhecimento primeiro, é um obstáculo ao losófica implica uma postura ético-metodológica do
conhecimento da verdade visto que ele revela apenas sujeito, sendo simultaneamente, abertura ao outro e
a aparência das coisas. abertura ao ser. É a ética e a razão do filosofar juntas.
No entanto, Platão postula que devemos consi- O método dialético ético realizado no diálogo com o
derar a percepção – e isso exige o sensorial – como outro nos ajuda a, através da argumentação racional,
condição necessária para fazer a razão chegar ao ápi- encontrar o caminho que ascende da opinião à verda-
ce das idéias. Esse subir racionalmente do sensorial de justa. Por isso, há de fato uma necessidade ima-
ao mundo das idéias é um processo dialético ascen- nente do outro, o que nos leva a formular uma
dente enquanto que o processo inverso pode ser cha- concepção ética, cujo fundamento se encontra na sub-
mado de dialético descendente. Na verdade, esse sair jetividade, mas que exige de nós a racionalidade a
de nossas próprias percepções sombrias, é um passo fim de que a humanidade seja realizada. E realizar a
fundamental caso queiramos ver sair da caverna e ver humanidade significa libertar inteiramente da sensibi-
o mundo real. lidade para o permanente mundo das idéias.
Ora, o sensível é insuficiente ao conhecimento 2.3. Aristóteles
porque está manifestado de erros. Por esta razão é O estagirita Aristóteles, discípulo incondicio-
necessário que pela anamnesis sejamos capazes de nal de Platão na Academia, nasceu em 384. Sua mai-
transitar da subjetividade às idéias pois o verdadeiro or atividade social e política talvez tenha sido a de
conhecimento só se produz a partir da relação com as educar Alexandre, o grande. Aristóteles fundou tam-
idéias, que está além das aparências. Podemos ainda bém uma espécie de faculdade, o LICEU, tido como
afirmar que uma vez longe do mundo das idéias, a superior à Academia. Sua maneira de ensinar tinha
verdade desaparece de nossas mentes. Platão refuta como metodologia o caminhar. Por esta razão, seus
tal premissa revelando que mesmo que esqueçamos a alunos eram chamados de peripatéticos.
realidade ideal, nossa lembrança do que conhecíamos A organização lógica do nosso pensamento em
antes de conhecer em realidade – anamnesis – faz- silogismos, ou seja, em premissas e conclusões, é fei-
nos saber aquilo que nunca experienciamos. Assumir ta por Aristóteles. Ao refletir questões do pensamento
a anamnesis significa aceitar o fato de que podermos ele define como meio fundamental de acesso ao co-
conhecer a verdade não significa que a conhecemos. nhecimento a filosofia. Filosofia é teorética e, por is-
A nossa busca pela verdade deve estar fundada so, busca pensar os problemas mais profundos do
em princípios da racionalidade enquanto instância universo. Ora, a filosofia enquanto ciência das causas
que permite aproximação com o eterno, o imutável, primeiras, é fatuamente teórica, e eleva o ser do esta-
as essências, as idéias. Apesar desta concepção pla- do de ignorância para o estado de sabedoria.
tônica supor uma divisão no âmbito do ser, uma sepa- Para Aristóteles, o conhecimento de todas as
ração entre idéia e alma, a psyché deverá determinar coisas encontra-se necessariamente naquele que, em
o nexo estrutural, ou seja, o princípio unificador da maior grau, possui a ciência universal, porque ele co-
Editora Exato 12
FILOSOFIA
nhece, de certa maneira, todos os sujeitos, ou casos tendamos por potência como o não-ser atual e a ca-
particulares do universal. Mas ao ser humano, por pacidade de ser, e como ato o ser efetivo.
seus limites que não vão além do sensorial, torna-se O pensamento aristotélico caracteriza-se então
difícil chegar ao conhecimento universal. Há neces- como um pensar analítico, que fundamenta uma
sidade de filosofar. Mas há que diferenciar entre a- forma de acesso ao real, e uma visão de mundo arti-
quele que apreende o pensamento dos filósofos e culada em contraposição à forma de saber da tradição
aquele que debate com eles seus pensamentos. grega até então, que era dialética. Mas a analítica a-
Aristóteles afirma que filosofar é uma questão ristotélica tem uma preocupação fundamental, a de
de atitude. E tal atitude se inicia pelo “admirar” co- salvar a racionalidade humana do arbítrio em virtude
mo fonte de aprendizado filosófico. do emprego do jogo de opostos feito por sofistas.
Se cabe ao filósofo o belo papel de admirar o Aristóteles não tolerava os sofistas. Contra o
ser, logo, é tarefa da filosofia captar e tematizar o pensamento falacioso destes pensadores, ele dividiu
permanente, o imutável em todas as coisas, ou seja, a em categorias os diferentes tipos de coisas que po-
physis: totalidade do real, o necessário e permanente. demos dizer algo. As categorias são substância, qua-
Ao apontar um conceito mais elaborado para physis, lidade, quantidade, relação, lugar, tempo, posição,
Aristóteles revela sua visão metafísica das coisas e do estado, ação, propriedade. Ora, ao categorizar as coi-
próprio ser humano. Para ele, todo o homem deseja sas, Aristóteles revela sua visão cosmológica do
naturalmente saber. Mas esse conhecer exclui o com- mundo. Nesta visão, sua organização metodológica
portamento prático e utilitarista. Há que se ter na ver- leva a termo uma descrição precisa dos fenômenos.
dade um comportamento admirativo. Ora a Tal organização é assim desenhada: em primeiro te-
admiração é o elemento fundamental da gênese do fi- mos a causa material que constitui as coisas e permi-
losofar. Devemos, no entanto, chegar através da ad- te que haja mudança; a causa eficiente, o evento em
miração filosófica à consciência da ignorância por processo levando a um resultado; causa formal, a
meio da percepção de uma dificuldade. O admirar realidade que leva à mudança; causa final, razão ex-
remonta à tese básica da identidade fundamental, a- terna da mudança. A causa final é um princípio bási-
quela em que Parmênides nos apresenta: pensar e ser, co de sua filosofia que indica haver finalidade em
onde o Ontos é o todo e o Logos é a reunião prévia de tudo. O ser humano nasceu para a finalidade de pen-
todos os entes cada um em seu lugar. sar. Essa visão finalista da natureza das coisas é cha-
O pensamento aristotélico não nega, contudo o mada de teleologia, uma maneira de explicar o
movimento que é uma característica real do ser en- desenvolvimento dos seres vivos e das pessoas.
quanto realidade. No entanto, sem negar o movimen-
to, o verdadeiro sentido da realidade no pensar Praticando o pensamento
aristotélico é a imutabilidade. Essa é a maior diferen-
ça entre o pensamento de Platão e o de Aristóteles. 1) O pensamento de Sócrates é muito impor-
Enquanto Platão separa o mundo das idéias do mun- tante devido ao seu método de apreensão do conhe-
do das aparências, o estagirita afirma que a idéia e- cimento. Chamado de maiêutica, esse método tem
xiste na matéria, ou a essência existe na substância. várias fases quando colocado em prática. Faça uma
Assim, o conhecimento do ser deve se iniciar no co- breve análise explicando como é na prática esse mé-
nhecimento do real. Com isto, Aristóteles coloca no todo de Sócrates.
centro da reflexão filosófica o conceito fundamental 2) O pensamento de Platão é muito importante
de essência. para entendermos os problemas relacionados ao co-
A essência é interna possibilitas, ou seja, é a nhecimento sensível e ao conhecimento racional. Pa-
possibilitação interna de uma coisa, sua necessidade, ra tanto ele faz uso de um conto chamado de Alegoria
aquilo que faz com que ela seja necessariamente o da Caverna. Releia no texto essa alegoria e faça uma
que ela é. Cabe aqui afirmar a essência como princí- síntese da história interpretando cada personagem e
pio de identidade da substância, onde a substância é a cada ato da alegoria.
junção de matéria e forma. Logo, os dois principais
aspectos da realidade física para Aristóteles são a 3) No pensamento de Aristóteles há uma dife-
substância, ou tudo o que se constitui; e a essência, rença muito grande sobre o significado de conhecer
ou o que tudo realmente é. Neste aspecto, Aristóteles em relação ao pensamento de Platão. Reflita e tente
avança em sua reflexão sobre o permanente, ou a es- descrever o pensamento de Aristóteles destacando es-
sência, e o mutável, a substância. As coisas mudam sa diferença.
porque à medida em que há o andamento natural das
coisas, tais coisas vão realizando o seu potencial. En-

Editora Exato 13
FILOSOFIA
2. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma nova caminhada da filosofia se dá com a
mudança de ótica do pensamento grego. O cerne dos
questionamentos não está mais na realidade a ser a-
preendida, mas no ser que gera a realidade e a trans-
forma a medida que o tempo passa. Não há somente a
mudança de ótica do pensar grego, mas em Sócrates
se inicia uma nova maneira de pensar. Seu método de
fazer parir as idéias é uma singular maneira de cons-
truir o conhecimento sobre a verdade, sobre o ser, e
sobre o universo. Em Platão, o diálogo transforma-se
em Dialética. O pensamento evolui para além das a-
parências, para o nível mais elevado das idéias per-
manentes, que exige um processo dialético e
dialógico.
Mas, em Aristóteles o debate ganha novos a-
res. A dialética platônica dá lugar à analítica. Não é
mais o diálogo que fornece as informações e o co-
nhecimento. Aristóteles constrói os argumentos, tece
um método para se conhecer sem que haja necessari-
amente o diálogo. Para ele, o ser humano veio ao
mundo para a finalidade de pensar. Por isso há que se
considerar fundamentos argumentativos para che-
garmos ao conhecimento da verdade. Aristóteles será
o grande pensador, o mais influente até nossa época
pois sua filosofia dá novos rumos à ciência e sua fi-
nalidade.

Editora Exato 14
FILOSOFIA

FILOSOFIA
exigia a existência de uma fé comum e infalível, a
1. ATIVIDADEFILOSÓFICA EM ALGUNS
fim de estar acima das mudanças temporais e do pen-
PENSADORES MEDIEVAIS samento humano, em constante ataque por variadas
A divisão mais profunda da História da Filo- correntes filosóficas.
sofia é marcada pelo Cristianismo. Mas, ao pensar- Assim, dogmas foram proclamados contra os
mos essa divisão temos que considerar que não há, no quais não havia contestação. Dentro dessa redoma, a
sentido próprio do termo, uma filosofia cristã, visto filosofia cristã tentava promover o diálogo entre fé e
que o pensamento cristão é de cunho religioso. Mas, razão, gerando argumentos que não podiam ser con-
por pressupor uma concepção bastante específica do testados, pois seus fundamentos se encontravam na
mundo e da vida, sua doutrina faz uso de fundamen- revelação divina, fonte única da verdade. Mas duran-
tos filosóficos. Sua primeira fase se dá entre o segun- te esse período de desenvolvimento da filosofia cris-
do e o oitavo século. Esta fase é chamada de tã, alguns filósofos arriscaram envolver-se em
Patrística, pois representa o pensamento dos Padres debates delineadores do pensar, quebrando a redoma
da Igreja. Nela, há uma busca especulativa profunda da teologia para ex-trair dela a filosofia e dar-lhe de
para resolver o problema do mal. Do nono ao décimo volta a liberdade de pensar com seus próprios argu-
quinto século ocorre a segunda fase, chamada de Es- mentos, a razão e, também, a própria fé. Centraremos
colástica, pois representa a filosofia ensinada nas es- nossa atenção em apenas alguns filósofos mais im-
colas da época por mestres chamados escolásticos. portantes do Pensamento Medieval.
Nela, o pensamento cristão cria a filosofia cristã ver- 1.1. Santo Agostinho
dadeira e própria. A partir desses dados fundamen- Nascido em 354, Santo Aurélio Agostinho é
tais, tomaremos nossa postura reflexiva sobre os considerado um filósofo neoplatonista, com uma ex-
filósofos que fizeram escola no período em que o periência de fé profunda. Por esta razão, ele deixa-se
Cristianismo se expande e passa a indicar os rumos conduzir pela fé quando exerce uma atividade filosó-
do pensamento no mundo. Mas, atentamos à verdade fica. Conforme Agostinho, a filosofia é importante
de que há uma ruptura ordenada com o pensamento para a fé enquanto lhe mostra a racionalidade, dando
grego clássico. compreensão e coerência. Fazendo uso da filosofia
No mundo grego, a percepção das coisas se como solucionadora da vida, Santo Agostinho acredi-
dava a partir da idéia de movimento. As coisas se ta poder chegar a uma solução integral. No entanto,
moviam, tornavam algo e deixavam de ser algo, de- ele defende a posição de que a última palavra deveria
monstrando um constante e perpétuo vir-a-ser. Por estar na revelação, fonte da verdade definitiva porque
esta razão não havia problemas com relação à não- provinda de Deus. Essa posição era tão importante
existência. Para o Cristianismo, no entanto, as coisas para Agostinho que ele chegou a afirmar em seu livro
poderiam não ser pois sua existência requer uma jus- As Confissões que a vida feliz é a alegria que provem
tificação. A não justificação resulta em que a coisa da verdade. Tal é a que brota em vós, ó meu Deus.
em si deixe de existir. Esse tipo de filosofia promove Ou uma outra assertiva mais adiante, revela magis-
o niilismo. Logo, no mundo grego as coisas são vari- tralmente sua postura filosófica, onde encontrei a
áveis, enquanto no pensamento cristão, o “nada” é verdade, aí encontrei a meu Deus, a mesma verdade.
um pretendente a ser. O que está aí, o ser da visão Ora, ele aponta que somos demasiados fracos para
grega é redefinido pelos filósofos cristãos como o descobrir a verdade apenas pelo raciocínio.
não ser nada. Assim, podemos perceber que há no Logo, podemos perceber que a atividade filo-
novo pensar filosófico a partir do Cristianismo um sófica está em pleno vapor nesta época. Uma amostra
acréscimo argumentativo que diz respeito ao ser cri- da importância da filosofia na vida de Santo Agosti-
ador e ao ser criado. nho, e uma prova de sua atividade racional, está em
Ora, os séculos que se seguiram após o Cristi- sua definição de tempo. O tempo é enquanto possibi-
anismo tornar-se a religião oficial de Roma, tiveram lidade futura provada na expectação ou memória viva
uma profunda mudança no eixo de reflexão filosófi- e real do presente no qual perpassamos, com nossos
ca, ao ponto de a História do Pensamento Filosófico atos e atitudes. Mas, quanto a Deus? Como se pode
chegar ao final do século XIII dominado quase por falar de tempo em relação a Deus? Santo Agostinho
completo, pela Teologia Cristã. Mas para chegar a es- sustentava que Deus é eterno e, por isso, está fora do
te ponto, a Igreja conseguiu um feito único no mun- tempo. Então, o tempo para Deus é um eterno presen-
do, uniu com a magia de uma crença invariável a te. Isso levou Agostinho a tomar a postura de que
maior parte do continente europeu. Ora, a unidade somente o presente realmente existe.

Editora Exato 15
FILOSOFIA
1.2. Santo Anselmo condutor de seres humanos ao reino da imortalidade e
Bispo da Cantuária, Santo Anselmo nasceu em da verdade. Esse é o centro de seu pensamento, a dis-
1033. Seu pensamento pode ser definido com a sua tinção da teologia natural da teologia revelada. A
mais famosa frase: eu não procuro compreender-te primeira, segundo ele, provem a atividade da razão e
para crer, mas creio para poder compreender-te. das experiências sensíveis. A segunda, da fé, da graça
Com essa epígrafe podemos afirmar que Santo An- e das escrituras. O objeto das duas, porém, é a apre-
selmo dedica sua atividade filosófica a tentar esclare- ensão de Deus.
cer com a razão o que ele já possuía como fé. Ou Santo Tomás era um sacerdote com visão ex-
seja, o objeto revelado deveria ser confirmado pela pansionista da fé cristã. Neste sentido, ele reconhece
iluminação do raciocínio. Assim, a razão humana de- a dificuldade em debater a verdade revelada com pes-
veria ser vista como lançadora de luz sobre os misté- soas que não reconhecem as sagradas escrituras como
rios da fé cristã, demonstrando sua coerência, sua autoridade máxima da verdade. Desse reconhecimen-
conveniência e sua necessidade. Logo, sua proposta to surge a necessidade de se recorrer à razão natural
se resume no fides quarens intelectum e credo ut in- para argumentar assuntos teológicos. No entanto, há
telligam (a fé que procura o intelecto para tornar a que se precaver de um limite lógico, a razão natural
própria fé inteligente). pode enganar-se quando da argumentação sobre as
Por tal razão filosófica, há que se pensar uma coisas de Deus, em especial sobre a verdade revelada.
realidade ontológica fundada na teologia para tornar Então, a filosofia e a teologia tinham como objeto de
a própria atividade intelectual válida diante da fé na especulação o divino, Deus.
revelação. A filosofia de Santo Anselmo funda o ar- Em contestação a Santo Anselmo, Tomás de
gumento ontológico para demonstrar a existência na Aquino apresenta cinco provas da existência de Deus.
realidade e na natureza algo do que o qual nada se A primeira é o argumento do movimento. O movi-
pode pensar. O algo para além do pensar não é o na- mento está em toda parte. Alguém o causa, logo deve
da, mas algo para além do entendimento. O para a- haver um Deus como o Motor Imóvel de Aristóteles.
lém do pensar é uma possibilidade válida pois A segunda prova é o argumento das causas. Quem
consideramos que o ser enquanto totalidade é mais causa as causas? Existirá uma causa primeira e ina-
universal amplo do que nossas limitadas capacidades cabada? Conforme Tomás de Aquino, sim. A terceira
de apreendê-lo. Daí a necessidade da crença preexis- prova é o argumento da contingência. Como expli-
tir em relação à razão. camos a contingência na natureza? Somente pela e-
O que mais intrigou os filósofos dessa época xistência de um Ser Necessário que esteja além da
foi o argumento ontológico, que pode ser descrito contingência. A quarta prova é o argumento dos
da seguinte forma: “Dizemos que Deus é o maior ob- Graus de Perfeição. Há graus de perfeição na nature-
jeto do pensamento. Ora, se dizemos que uma coisa za. Isso implica a noção de perfeição, que por sua
não existe, outra coisa exatamente igual, se existisse vez, implica o que podemos chamar de Um Ser Per-
pelo simples fato de existir, seria superior. Portanto, feito. Finalmente a Quinta prova, argumento da Or-
se Deus não existisse, poderíamos imaginar algo su- dem Universal. Em tudo o que vemos há adaptação
perior, ou seja, um Deus que exista. Já que podemos ou acordo. Isso é um desígnio que manifesta uma In-
conceber este Deus superior, o próprio Deus deve e- teligência que organiza as coisas.
xistir, do contrário, existiria um ainda superior. Logo, A profundidade de tais argumentos sugerem
Deus existe”, nesmo que tenha provocado uma revi- uma profunda organização da atividade racional em
ravolta com tal argumento, Santo Anselmo é uma re- defesa da fé cristã.
al amostra do aprofundamento filosófico nesta época 1.4. Filósofos Árabes: Avicena e Al-
da história do pensamento. Gazzali
1.3. Tomás de Aquino Um pouco antes de Santo Anselmo, alguns
O italiano Santo Tomás de Aquino nasceu em pensadores árabes se destacaram no mundo da filoso-
1225. Seus estudos eram fundamentados pela filoso- fia. Avicena, nascido em 980, tentou uma síntese en-
fia aristotélica. Ele parte de Aristóteles para organizar tre o Islamismo, Platão e Aristóteles. Sua concepção
os ramos do conhecimento num sistema completo. filosófica é a de que esta é uma ciência com o fim de
O objeto de sua filosofia volta-se para o divi- informar acerca da verdade de todas as coisas na
no, sem o qual não há sentido debater sobre o mundo medida em que for possível ao homem. A possibili-
e o homem. O pensar filosófico faz sentido somente dade do conhecimento da verdade deve ser objeto do
enquanto sustentáculo do pensamento teológico, pois homem que deseja a nobreza e a perfeição para a sua
a verdade além de estar revelada, seu sentido é defi- alma. Há assim dois tipos de filosofia, a prática que
nitivamente garantido a partir da fé. Ora, a sabedoria, visa a busca do bem, e a teórica que visa a busca da
conforme Santo Tomás de Aquino, é apenas um fio verdade.
Editora Exato 16
FILOSOFIA
No esforço de buscar a verdade, um outro filó-
sofo, de nome Al-Gazzali aponta para a necessidade
de se certificar das bases da certeza. A certeza é o
mais claro e completo conhecimento das coisas, des-
de que não haja nos espaços dos argumentos margem
para a dúvida e o erro. Neste sentido escreveu o tomo
Destructio Philosopharum onde afirma que a filoso-
fia fazia mal, pois mesmo que ela fosse capaz de ge-
rar argumentos racionais válidos, a verdade eterna
estaria centrada em Deus.

Praticando o pensamento
O texto acima coloca você diante de uma nova
realidade a partir da Idade Medieval e a atividade fi-
losófica desse período. Tal realidade pode ser cha-
mada de A filosofia a partir do Pensamento
Teológico Cristão. É fundamental que você tenha e-
lementos básicos sobre o caráter diferenciado da filo-
sofia cristã em relação à filosofia clássica nascida na
Grécia. Saber perceber as diferenças o permitirá a-
profundar as razões para a Revolução do pensamento
a partir do Século XVI.
Neste momento, você é convidado a pensar
sobre o texto acima citado. Ele contém algumas idéi-
as básicas que o ajudarão e o introduzirão na arte de
pensar a vida e o mundo a partir da Idade Média. Re-
leia-o e exercite seu pensamento. Após a re-leitura,
faça uma pausa e reflita sobre as idéias mais impor-
tantes que há no texto. Finalmente, escreva uma carta
direcionada a um Padre da Igreja Católica Romana,
oferecendo explicações sobre as razões assumidas pe-
la Igreja para deter o pensamento filosófico e atrelá-
lo ao pensamento teológico da Igreja.
Comece assim:
“Caro amigo/a, tenho refletido....”

Editora Exato 17
FILOSOFIA

FILOSOFIA
do, celebrado, exaltado até à divindade, livre de si.
1. O MODO DE CONCEBER E FAZER FILO-
Ocorre de fato um endeusamento do homem demons-
SOFIA EM ALGUNS PENSADORES MO- trando a existência de uma redescoberta da Filosofia
DERNOS Antiga, mas desta vez exaltando o Humanismo. O
novo pensar no início da Era Moderna indica que o
1.2. Visão Panorâmica do Modo de
sentimento vigente na época era o de que as pessoas
Pensar Moderno não pareciam ser tão incapazes de conhecer a verda-
A História do Pensamento Moderno iniciada de, como a filosofia cristã deixara transparecer.
por volta do século XIV é um exemplo evidente de Na busca de auto-afirmação diante de um
que nossa maneira de “olhar” o mundo ainda está em mundo em reordenação surge a idéia da mecânica do
um processo de construção. Nessa época, a mudança universo. Esta nova postura do pensar refere-se em
na rota da história do pensamento provocou uma re- primeiro lugar à geometrização do espaço. Na física
viravolta nas questões relacionadas à percepção do aristotélico-tomista, o espaço fora caracterizado co-
Cosmos. Tal mudança leva a concepção greco- mo topográfico ou topológico, ou seja, rico em aci-
romana cristã, que promovia a idéia de uma ordem dentes. A nova concepção espacial o vê como neutro,
fixa segundo hierarquias de perfeição, dotada de homogêneo, mensurável, calculável, sem hierarquia e
centro e de limites conhecíveis, cíclico no tempo e sem valores, portanto, sem qualidades. A geometri-
limitado no espaço, a uma nova fase, com o reorde- zação do espaço diz respeito à idéia de que o univer-
namento de idéias e de questões filosóficas da época. so, feito de figuras geométricas circulares e
No lugar da concepção de uma ordem fixa surge a i- triangulares, parece escrito em linguagem matemáti-
déia do Universo Infinito, para além dos limites hu- ca.
manos, aberto no tempo e no espaço. Blaise Pascal Essa nova postura diante do universo requer
retrata a nova mudança na seguinte frase: “esfera cu- também uma nova concepção da ciência da natureza
ja circunferência está em toda parte e o centro em enquanto pensamento acerca do cosmos baseado na
nenhuma.” mecânica. O princípio da mecânica que fundamenta a
No século XIV e seguintes, as crenças das pes- ciência da natureza da Idade Moderna postula que to-
soas passavam por uma drástica mudança. Em vários dos os fenômenos naturais são corpos constituídos de
campos sociais e científicos a humanidade passava partículas dotadas de grandeza, figura e movimento
por câmbios os mais diversos. O comércio florescia, determinados. Ora, para conhecer a natureza é preci-
a quantidade de bens produzidos era cada vez maior, so estabelecer as leis necessárias do movimento e do
resultando em excedentes e desenvolvendo cada vez repouso que conservam ou alteram a grandeza e a fi-
mais as relações de mercado através da troca via es- gura das partículas. Ou seja, é necessário que se acei-
pécie monetária. As cruzadas haviam deixado aberto te a concepção física da Causa e do Efeito. Por esta
o caminho para o Oriente, a imprensa dera um passo razão, devemos repensar nossas idéias de Substância
importante na propagação do conhecimento a partir e de Causalidade. Ora, o mundo greco-romano pen-
de Gutenberg. A invenção da bússola motivou nave- sava a existência de uma pluralidade infinita de subs-
gantes a avançarem cada vez mais em suas descober- tâncias. Essas substâncias podem ser um gênero, ou
tas marítimas, derrubando crenças nunca antes uma espécie ou mesmo um indivíduo, cada qual com
questionadas. Uma Nova Era estava sendo construí- seus modos ou acidentes e suas próprias causalida-
da. A essa época de grandes mudanças universais de- des.
nominamos de Renascença. A Renascença é o Os modernos simplificam tal conceito, afir-
resultado da explosão do pensamento humano em vi- mando que a substância é toda realidade capaz de e-
as de libertação das crenças cristãs. xistir ou de subsistir em si e por si mesma. Neste
Ora, essa nova postura que então se desenhava caso, há três substâncias: a extensão - matéria dos
estava sob a bandeira de um movimento filosófico corpos regida pelo movimento e pelo repouso. O
chamado de Humanismo Imanentista. Ele procurava pensamento - a essência das idéias, e constitui as al-
destruir a harmonia do Pensamento Clássico baseado mas. Por fim, o infinito, ou seja, a substância divina.
na transcendência cristã. Ele privilegiava os interes- A partir dessas três substâncias ocorre o processo de
ses e ideais materiais e terrenos, colocando de lado conhecimento, que se fará pelo princípio da causali-
valores espirituais e religiosos. Para o Humanismo dade. Logo, conhecer é conhecer a causa da essência,
Imanentista, era necessário conquistar, dominar, go- da existência e das ações de um ser. Por isso, um co-
zar o mundo com meios humanos. Com ênfase em tal
tipo de postulado, o homem passa a ser potencializa-
Editora Exato 18
FILOSOFIA
nhecimento será verdadeiro, apenas e somente, ao o- sacordo é apenas aparente, e que o significado autên-
ferecer essas causas. tico da Revelação não se encontra em desacordo com
No desejo de decifrar um conceito mais preci- a razão.
so do conhecimento, Baruch Spinoza (1632-1677) a- Com sua mais nobre invenção, o telescópio,
firma que o conhecimento verdadeiro revela como Galileu confirma a teoria copérnica. Além disso, fun-
uma realidade foi produzida, isto é, o conhecimento damentou três princípios essenciais para se pensar a
verdadeiro é o que alcança a gênese necessária de nova ordem física do universo. Em primeiro, um cor-
uma realidade. Guilherme Leibniz (1646-1716) am- po, ao contrário do que se pensava, podia ter dois
plia a noção de conhecimento estabelecendo o prin- movimentos de natureza diferente. Em segundo, há o
cípio Nihil sine ratione, onde nada é sem causa princípio da inércia, ou seja, na ausência de qualquer
racional. intervenção externa, um corpo em repouso se man-
O pensamento filosófico amplia suas fronteiras tém em repouso e um corpo em movimento se man-
ao buscar novas interpretações de cunho mecanicista tém em movimento. A idéia de Galileu era
da realidade natural e social. A ciência moderna é a geometricamente fantástica, mas como explicar que
maior evidência de que houve uma ruptura da filoso- os planetas não perdiam sua rota apesar de sua vida
fia realizada nos séculos XV em diante em relação a vagante? Esse passo ele deixara para outro. Isaac
feita nos séculos anteriores. A ciência moderna se a- Newton (1643-1727) leva adiante o problema ao u-
presenta como saber apto a isolar uma dimensão par- sar o cálculo matemático, da mecânica galileana, das
ticular da realidade, mas deixa para outros a leis planetárias de Kepler e da teoria da atração de
compreensão da origem e do objetivo da vida huma- Gilbert, e chega à Lei da Gravitação Universal.
na. A partir dessa época surgem vários pensadores Ora, a nova ciência prescinde do mundo hu-
com a ambição grandiloqüente de desvendar os mis- mano e de toda a explicação metafísica e teológica do
térios da natureza. Leonardo da Vinci (1452-1519), devir do mundo. Esse devir aparece aos olhos da ci-
João Kepler (1571-1630), Nicolau Copérnico (1473- ência como um mecanismo, no qual o movimento de
1543), Gilbert (1544-1603) eram os novos filósofos cada parte é determinado pelo movimento de uma ou-
experimentais, ou cientistas. Além destes, vários ou- tra parte. A ciência não procura a origem e o objetivo
tros se destacaram no cenário mundial pela coragem do movimento, mas acompanha constantemente a
em fornecer, mesmo que dedutivamente a priori, no- produção de novos fatos que são objetos de investi-
vas leis que explicassem o funcionamento do mundo. gação a partir dos fatos observáveis. A percepção de
Surge pois a grande novidade da ciência nessa uma ciência ainda dependente de explicação metafí-
época para explicar o mecanismo do mundo, a Terra sica e a concepção mecanicista da realidade depen-
não era o centro do universo. Há, conseqüentemente, dente de fundamentos causais do ser são resultados
um confronto do modelo físico do mundo pensado do isolamento do todo. Logo, uma ciência feita nes-
por Copérnico com o modelo cristão ptolomaico. Os ses moldes terá a tendência de tornar-se uma concep-
luminares existiam, segundo Ptolomeu, para iluminar ção metafísica tal como o atomismo grego.
a Terra, durante o dia, e o outro durante a noite. Ora, Do interior de tais entraves científicos, brota a
nesse modelo, a Terra era concebida como uma esfe- atitude filosófica moderna, que se dá com base na
ra imóvel no centro do mundo, estando os outros cor- concepção mecanicista do mundo. Essa atitude acaba
pos celestes girando ao redor dela, segundo uma por dar uma nova concepção às ciências que, no pen-
hierarquia. Mas como explicar que um objeto tão samento de Thomas Hobbes (1588-1679), pode ser
grande, que era o Sol, ficava girando ao redor da Ter- definida de estudo das causas e dos efeitos mecânicos
ra sem sequer mudar sua rota? dos corpos em movimento. Para além desta lei en-
Dentro desse contexto, surge um dos mais fa- contra-se Deus pois não há uma ciência do infinito,
mosos pensadores, Galileu Galilei (1564-1642). Em do eterno e da origem primeira, como também não há
sua época, o debate com a Igreja sobre o verdadeiro uma ciência da totalidade do mundo. E Deus está pa-
conhecimento acerca da ordem universal era ainda ra além de toda a nossa imaginação sensível. Isto não
bastante complexo. Mas suas idéias já direcionavam quer dizer que o ser humano aceite os limites da Físi-
o mundo para um novo pensar. O seu Diálogo a Res- ca Mecânica. Sua vontade de sobreviver provoca seu
peito dos dois Maiores Sistemas: Ptolomaico e Co- desejo de ir além de seus limites naturais, enveredan-
pernicano provocou ira na cúpula da Igreja, levando do inclusive caminhos de desavença com seus seme-
Galileu a se submeter a um processo inquisitorial. lhantes. Mas para evitar a luta recíproca, o ser
Apesar de seu receio em relação às punições, Galileu humano deve impor a si mesmo limites à sua própria
chegara a afirmar que quando se demonstra de modo vontade de domínio. A obsessão humana não contro-
indubitável algo que parece estar em desacordo com lada tende a extrapolar os limites de sua possibilida-
as Escrituras, é sempre possível mostrar que esse de- de, avançando a qualquer preço dentro dos mistérios

Editora Exato 19
FILOSOFIA
universais, provocando inexoravelmente a destruição fia partia da certeza de que ele existia e se ele existia,
do cosmos. Deus também existia, pois se a existência de Deus era
Iremos a partir desse momento nos direcionar possível, mais ainda o conhecimento. Sua solução pa-
para alguns pensadores modernos. ra a questão epistemológica sobre o que podemos co-
1.2. O Filosofar em Descartes nhecer tornou-se uma corrente filosófica chamada de
René Descartes, francês da Bretanha (1596- Racionalismo, ou a crença de que a mente é capaz de
1650), é considerado o pai da Filosofia Moderna. Seu conhecer coisas mesmo sem experiência. Assim, o
início de atividade foi marcado por um ceticismo e- pensar cartesiano se direciona para a metafísica.
vidente, talvez devido a seu apego à idéia de que não A metafísica visa fundamentar o saber. O saber
tinha certeza de nada e, ao mesmo tempo, ansiava porém não é o fundamento da verdade. A verdade, na
conhecer a partir de suas faculdades racionais. Des- verdade, é uma relação entre pensamento e objetos. A
cartes procurou sistematizar seu pensamento através idéia de saber envolve relação entre a verdade e a
de um método eficaz a partir do qual seria possível certeza de que algo é verdadeiro. A certeza é apenas
conhecer. um estado do sujeito. Logo, fundamentar o saber sig-
Para ele, o conhecimento se deduz das primei- nifica evidenciar dois aspectos, a verdade e a certeza.
ras causas. Por isso há a necessidade de se começar a Evidenciar a verdade e a certeza é o objetivo
pensar o conhecimento obedecendo a duas condições do método cartesiano que tem sua gênese na funda-
fundamentais: a primeira é ter um princípio tão claro mentação dos primeiros princípios por si evidentes.
e evidente que não haja qualquer possibilidade de Eles não se apoiam em qualquer outro princípio, e
dúvida de sua verdade, e uma outra que o conheci- enquanto evidentes dispensam qualquer outra de-
mento das coisas deve depender do princípio anterior monstração. Assim, o método cartesiano passa a du-
para deduzir esse conhecimento das coisas. Partindo vidar de todos os gêneros de conhecimento para
dessa percepção racional, Descartes inicia sua orga- encontrar um princípio que, se colocado ainda em
nização do Discurso do Método, esboçando quatro questão, acarretaria uma contradição. Se no entanto
regras básicas: aceitar somente idéias claras e defini- um princípio é indubitável e não acarreta contradição,
das; dividir cada problema em tantas partes quantas não pode ser negado e pode assim ser considerado
forem necessárias para a sua solução; ordenar o pen- justificadamente como um primeiro princípio.
samento do simples ao complexo, e verificar exausti- O método dedutivo, físico-matemático, quanti-
vamente se há algum lapso. tativo-mecanicista de Descartes fundamentado na
Ele afirma o seguinte: por desejar ocupar-me dúvida coloca em questão os saberes sensíveis, a i-
somente com a pesquisa da verdade, pensei que era maginação e, por fim, a própria razão. Dessa dúvida
necessário agir exatamente ao contrário, e rejeitar radical emerge um enunciado fundamental e indubi-
como absolutamente falso tudo aquilo em que pudes- tável: eu penso. Só o ato de pensar, a consciência vi-
se imaginar a menor dúvida... Enquanto eu queria va desse pensar é indubitável, e nesse mesmo ato
pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente encontra-se o desejo de provar a existência de Deus.
que eu, que pensava, fosse alguma coisa, e, notando A dúvida cartesiana sem a inserção da questão sobre
que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme a existência de Deus e sua prova irrefutável gera o
e tão certa que todas as mais extravagantes suposi- ceticismo. Ora, a idéia de Deus perfeito deve ter uma
ções dos céticos não seriam capazes de abalar, jul- causa. Mas como somos imperfeitos, não podemos
guei que poderia aceitá-la, sem escrúpulo, como o ser essa causa, de maneira que Deus deve ser a causa
primeiro princípio da filosofia que procurava. de nossa idéia da perfeição dele.
O cogito ergo sum cartesiano leva à suposição 1.3. O Pensar Filosófico Segundo Loc-
de que a essência do ser era o pensamento, e que a ke
mente era algo separado do corpo. Mas, como algo John Locke (1632-1704) é um pensador que
separado do corpo e, por conseguinte, do mundo ex- nos proporciona uma teoria do conhecimento bastan-
terno, podia conhecer os objetos? Não estaria Descar- te interessante e diversa de Descartes. O Empirismo,
tes adotando uma postura dualista platônica? De fato, em contraposição ao Racionalismo na Europa do sé-
para ele, a alma é uma substância distinta do corpo, culo XVII, estava crescendo cada vez mais. Locke
mas os dois trabalhavam como dois relógios sincro- assume o Empirismo como forma válida de atingir o
nizados. conhecimento. Para ele, o Empirismo é o fundamento
A filosofia primeira cartesiana não é uma ciên- de como aprendemos o que sabemos. Os nossos co-
cia que prioriza o conhecimento de objetos específi- nhecimentos (idéias) derivam da experiência. Há um
cos. Se ela demonstra a existência de certos objetos é fenômeno do pensamento, onde as idéias que temos
porque somente por meio deste conhecimento é pos- são representações derivadas da experiência, ou seja,
sível fundamentar as outras ciências. Esta sua filoso- não há idéias inatas. Para ele, os sentidos e a mente
Editora Exato 20
FILOSOFIA
funcionam em conjunto para transformar a experiên- ventos. Para ele, todo conhecimento humano é com-
cia em entendimento. A experiência no entanto ocor- binação de sensações. A impressão é a percepção a-
re de maneira dupla, uma externa que ocorre através tual das coisas e a idéia é a imagem que a impressão
das sensações e nos proporciona a representação dos deixa após ser.
objetos chamados externos (cheiro, cor, e etc); e uma A filosofia de Hume assume que todo conhe-
interna, reflexiva, e nos proporciona a representação cimento é reduzido ao sentido, que nos proporciona
das operações feitas pelo espírito sobre os objetos os fenômenos, as aparências das coisas. Mas temos
(conhecer, querer, e etc.). impressão de algo. Diferentemente de Locke, esse al-
Locke ainda desvela que nosso entendimento é go é chamado de substância. Assim temos que as im-
feito de impressões, idéias, sensações e reflexões, in- pressões e a idéias são coligadas entre si pela lei
teragindo entre si, e proporcionando o nosso pensar. fundamental da associação. A substância é uma cons-
Mesmo idéias imaginárias, fruto de nossos sonhos tante associação de percepções, tirada da experiência
formam-se a partir de experiências reais. Com a idéia real, na realidade. Ora, a realidade é resolvida em um
do entendimento enquanto objeto para si próprio e o mundo atômico de impressões sensíveis, aparências
sujeito de conhecimento objeto de conhecimento, a fenomênicas, em perpétuo vir-a-ser.
filosofia moderna inicia a Teoria do Conhecimento. Por buscar os fundamentos para o conhecimen-
Locke ainda defende a tese da mente como um to nos sentidos, Hume não prega a Metafísica, ao
papel não escrito, uma tabula rasa. A medida em que mesmo tempo em que ao demolir a idéia da ligação
alguém vai experienciando sons, imagens, cores, sen- causal entre os fenômenos, acaba também por implo-
tindo os objetos, ele vai aprendendo sobre tais coisas. dir a indução como método científico. Ele também
Assim, a experiência e a observação são como a ca- implode quase toda a ciência, e qualquer conheci-
neta que preenche o papel vazio, a mente humana. mento do eu e do mundo externo ao determinar que a
Neste caso, Locke reformula a idéia aristotélica de realidade é a associação de acontecimentos separados
que os objetos que percebemos estão na verdade den- e coincidentes. Essas ligações associativas reúnem-se
tro de nossas mentes quanto os percebemos. Para em nossas mentes somente se forem semelhantes
Locke, sabemos das coisas somente porque nossas umas às outras ou se as experimentamos conjunta-
percepções produzem a partir delas sensações das mente. Por exemplo, podemos associar abacate e a-
quais formamos idéias. bacateiro porque costumamos experimentá-los
Um dos problemas do pensamento de Locke juntos.
diz respeito ao fato de que ele afirmava a existência A ruptura que Hume faz entre fatos e razão é
da idéia de substância, embora o nosso conhecimento chamada de “forquilha de Hume”, e refere-se à idéia
empírico e racional seja obtido pelas nossas impres- de que os fatos não existem em relação lógica neces-
sões. Se as substâncias não podem ser assimiladas sária, e essas relações não pressupõem nenhum fato
por nosso cérebro, e Locke assume que só conhece- específico, não havendo portanto nexo causal na rela-
mos o que a experiência nos ensina, então como ele ção entre as coisas, apesar de gerarem novos conhe-
pode ter certeza de que a substância existe? Além dos cimentos.
problemas gnosiológicos, Locke ainda se interessou 1.5. A Ilustração (Iluminismo) e a Ati-
pela Moral, Política e Pedagogia. vidade Racional
1.4. O Filosofar Segundo Hume O século XVIII, na Europa, é marcado pela li-
O escocês David Hume (1711-1776) desen- bertação da razão de tudo o que fosse irracional, a
volveu o fenomenismo empírico. Sua filosofia, por- saber: a tradição, a autoridade, a religião, o mito e os
tanto, é de caráter empírico. Hume aprofunda o preconceitos. O progresso da humanidade podia fi-
empirismo de Bacon e Locke. Ele parte de duas idéi- nalmente ser plenificado através da ciência e da filo-
as fundamentais. A primeira é o princípio de que só sofia que instrumentalizando as luzes da razão
os fenômenos são observáveis; e a segunda é a de que podiam levar adiante os anseios existenciais da hu-
o mecanismo do real não é passível de experiência. manidade. Esse período é denominado de Iluminismo
Assim, as relações entre o ser humano e os objetos ou Ilustração. Ilustração é uma expressão alemã Auf-
são modos que o homem tem de passar de um objeto klarung para significar a saída do ser humano de sua
a outro sem que para isso tenha de passar pelas idéi- menoridade para sua maioridade.
as. Portanto, o nexo causal, propagado no início do Essa saída é realizada por meio de um movi-
Renascimento, onde estabelecer um nexo causal é de- mento cultural desenvolvido entre a revolução ingle-
terminar quais as identidades e quais as diferenças sa (1688) e a revolução francesa (1789). De nome
entre os seres, é totalmente rejeitado por Hume, que Iluminismo, refere-se ao próprio objetivo do movi-
prefere dizer que as coisas observadas por nós são mento de iluminar a sociedade da época com a razão
apenas uma sucessão de fatos ou a seqüência de e- contra o Obscurantismo da história e das tradições
Editora Exato 21
FILOSOFIA
política e religiosa. Ora, a Reforma Luterana retroce- Finalmente, a razão se impõe como fundamen-
deu o pensamento cristão à sua época inicial. O Hu- to da humanidade e instrumento luminar da ação hu-
manismo e a Renascença remontaram ainda mais mana. Mas seria essa razão capaz de controlar os
atrás, até a civilização pagã. O Racionalismo enquan- anseios humanos de domínio em relação ao universo
to método crítico demoliu a estrutura do pensamento e a seus próprios semelhantes? A razão tornada uma
cristão tradicional. O Empirismo, por sua vez, pro- espécie de deusa teria força suficiente para implantar
moveu a reconstrução da percepção da realidade a- no coração do ser humano princípios morais capazes
través de elementos primitivos mediante o de preservar a espécie humana de guerras e desaven-
mecanicismo e o associacionismo. Mas, desses mo- ças, lutas de conquistas e de colonização? Estariam
vimentos e correntes, nada se compara ao Iluminis- os sentimentos humanos condenados à repressão para
mo. sempre? As leis do Estado estariam subordinadas à
A característica do Iluminismo é o culto à deu- razão ou à vontade geral? Se por um lado o Ilumi-
sa razão, que deve dominar absolutamente todas as nismo libertou a humanidade do Obscurantismo, por
instâncias da sociedade, provocador de guerra a tudo outro, fez o ser humano tornar-se sujeito absoluto dos
que não seja puramente racional, como fantasia, pai- rumos da humanidade avançando os próprios limites
xão e sentimentos. É preciso demolir tudo para im- e assumindo e auto-denominando o novo dono do
plantar o reino da razão. Kant revela com bastante mundo.
clareza essa época: entretanto, nada além da liberda- 1.6. A Atividade Filosófica Segundo
de é necessário à ilustração; na verdade, o que se Kant
requer é a mais inofensiva de todas as coisas às
O pensamento contemporâneo se inicia com
quais esse termo pode ser aplicado, ou seja, a liber-
Immanuel Kant (1724-1804), filósofo alemão consi-
dade de fazer uso público da própria razão a respei-
derado o pensador mais influente dos tempos moder-
to de tudo.
nos. Kant fornece uma síntese crítica e especulativa,
A vitória das Luzes sobre o Obscurantismo
fundindo os dois fenômenos, razão e sensação, em
Medieval pode ser visualizada como o fato de que ela
um superior, o Idealismo, que é denominado por ele
passa pela instalação do sol em seu verdadeiro lugar.
de Criticismo. Essa síntese explicita uma concepção
Daí para frente, a luta seria cada vez mais facilmente
sistemática imanentista e humanista do mundo e da
realizada. Surge logo em seguida o projeto da Enci-
vida de sua época. Tal pensamento vai até Hegel.
clopédia, esforço coletivo entre pensadores filósofos
Immanuel Kant é um grande pensador. Segun-
e cientistas visando difundir e solidificar o novo pen-
do ele, a atividade filosófica deve considerar a razão,
samento tornando-o acessível ao povo. Os enciclope-
mas também deve levar em conta as sensações. Ao
distas concebiam a natureza como um grande
ter esse princípio como fundamento de seu pensa-
processo criativo, com o ser humano sendo parte de
mento, ele volta sua atividade para a organização de
um todo. Além disso, apontavam a necessidade de
um pensamento crítico diante dos problemas do co-
mudanças principalmente no aspecto cultural da Eu-
nhecimento.
ropa. Entre os grandes enciclopedistas, temos Ques-
Os estudos de Kant fizeram-no perceber apa-
nay, Buffon, D´Alembert, Rousseau, Voltaire,
rentes contradições nas ciências físicas da época. Ele
Montesquieu e Diderot. A Enciclopédia da ciência,
também percebe certa contradição nas ilações feitas
arte e ofícios foi lançada em 17 volumes e concluída
por Hume em sua análise do princípio de causa, onde
sob a coordenação de Diderot.
aponta que a relação de causa e efeito é uma coinci-
Promotores da humanidade, os enciclopedistas
dência e não um conhecimento verdadeiro, conforme
também defendiam as idéias iluministas. Entre as
havia dito Leibniz. Por esta razão, Kant decide tecer
mais importantes temos a defesa do homem como ser
uma crítica sobre a experiência humana do conheci-
não depravado por natureza; o objetivo da vida é a
mento a fim de solidificar as verdades metafísicas
própria vida, mas não a vida após a morte; a condição
que o ceticismo de Hume havia demolido. Hume ha-
essencial para bem viver na terra era libertar o ser
via revelado que não podemos ter nenhum conheci-
humano de sua ignorância e superstição, bem como
mento metafísico da realidade.
dos poderes arbitrários do estado; a evolução para se
Entre Leibniz e Hume, Kant confronta com
chegar à perfeição humana é condição fundamental;
mais profundidade o pensamento de Hume. Este ha-
tudo é interligado e é parte de um grande esquema de
via afirmado que nada podemos conhecer sem a ex-
uma providência benevolente..
periência, além de termos de julgá-la para então
compreendê-la. Por isso, o conhecimento estava re-
duzido ao mundo real. Além disso, a mente ainda de-
veria “apelar” à associação dos objetos reais para que
houvesse o mínimo de conhecimento. Kant inverte a
Editora Exato 22
FILOSOFIA
idéia empírica de submissão do conhecimento à ex- tros dois termos fundamentais, o conhecimento a pri-
periência. Não é o conhecimento que deve se con- ori, que vem antes da experiência e torna a experiên-
formar com os objetos, mas os objetos é que devem cia possível; e o conhecimento a posteriori, que
se conformar com o conhecimento, pois os objetos ocorre a partir da experiência.
são organizados pelo conhecimento. Para superar es- Na filosofia da época kantiana, os juízos analí-
se problema, Kant afirma que o conhecimento é ticos eram perfeitamente concebíveis, mas o que di-
constituído de forma e matéria. A matéria são as coi- zer dos juízos sintéticos a priori? A filosofia de
sas em si e a forma somos nós com nossa percepção Hume não acreditava na possibilidade do conheci-
a priori das coisas. mento que ultrapassava os limites do objeto real em
Immanuel Kant tinha também uma preocupa- si. Mas Kant insistia que o conhecimento sintético a
ção com a metafísica. Sua rejeição à metafísica “tra- priori era possível. O conhecimento nesse aspecto era
dicional”, presa a rigorosos dogmatismos sem antes o resultado de uma síntese entre experiência e concei-
pensar o que de fato o ser humano era capaz de co- tos. Ora, sem os sentidos, como perceberíamos os ob-
nhecer, fê-lo tecer novos fundamentos para a metafí- jetos? Mas sem o entendimento, como formarmos
sica. Seu pressuposto parece bastante válido pois conceito de um dado objeto? Logo, era necessário a
percebia o homem como um ser desejoso de conhecer interação entre sensibilidade e razão para ocorrer o
as coisas para além da experiência. A alegação de “conhecer”. É necessário que o mundo numênico (re-
Kant é um bom início de nossa reflexão: o ser huma- alidade em si) e o mundo fenomênico (aparência) in-
no em sua ânsia de conhecer enfatiza a questão fun- terajam em vista do conhecimento, visto que a coisa
damental da vida: o que é o ser humano? Em sua em si – noumenon, era incognoscível. Ultrapassar os
Crítica da Razão Pura ele destrói a metafísica tradi- limites de seu método levaria inevitavelmente a falá-
cional e a reconstrói sob novas bases racionais. cias e paradoxos. Por isso, o emprego da razão devia
Ora, o homem possui uma natureza metafísica, se dar na esfera prática, conhecendo o mundo, orga-
pois relaciona-se com o ser e não se desenvolve se nizando sob a forma a priori de tempo e espaço nossa
não for a partir de sua compreensão do ser. O pro- percepção sobre ele. Tempo e espaço no pensamento
blema surgirá quando Kant tentar conciliar Raciona- kantiano deve ser pensado como formas que alguém
lismo e Empirismo, Idealismo e Realismo. No põe nas coisas, e não como uma realidade externa.
Realismo, conhecer os objetos é apreendê-los como 1.7. Notas Finais Sobre o Pensamento
realmente são em sua existência independente da Moderno
mente. Conhecer algo é assumir entre vários concei-
O Renascimento trouxe para o centro das re-
tos o mais adequado a tal coisa, ou seja, a essência.
flexões uma ruptura radical frente ao pensamento
Ao contrário do Realismo, temos o Idealismo. Para
cristão. As preocupações especulativas desde então
ele, as coisas existem conforme a construção da men-
apontaram suas baterias carregadas de questionamen-
te; tudo que existe é conhecido através de idéias ou
tos filosóficos com respostas nem sempre alcançáveis
como idéias. O Racionalismo tem na razão sua fonte
ao pensamento humano. Neste sentido, René Descar-
do conhecimento. Ora, há uma classe de verdades
tes é um profeta do conhecimento pleno. Sua dúvida
que o intelecto pode intuir diretamente, e que está a-
sobre a certeza do conhecimento pleno do ser fê-lo
lém da percepção sensível. Na contraposição está o
chegar a idéia fundamental de que a dúvida é a certe-
Empirismo, onde todo conhecimento vem da experi-
za de um conhecimento livre de qualquer erro da ló-
ência sensível.
gica. Assim, podemos assumir como o centro de
Para Kant, conciliar essas quatros concepções
nossa atividade filosófica a dúvida sob a fantasia do
do conhecimento era fundamental para seu postulado.
questionamento. Ora, a pergunta é um instrumento
Sua atividade filosófica presume a organização do
necessário para evitar que o pensamento se interrom-
pensamento, percebendo que o problema da percep-
pa em seu processo de apreensão do conhecimento.
ção das coisas pelos cientistas era muito semelhante
Mas não somente Descartes é profeta. Imma-
ao de como os metafísicos conheciam coisas sobre
nuel Kant, ao valorizar razão e sentido, criticando
idéias abstratas tais como a justiça, a honestidade, a
posturas particulares, dogmáticas e reducionistas de
moral. Segundo Kant, o ser humano parte de dados
certas correntes filosóficas, coloca-nos num grau ele-
para fazê-los juízos. Inicia-se aqui sua idéia de que a
vadíssimo do pensar humano. Com nosso raciocínio
razão pura é a que contém os princípios que servem
envolvido nesse grau, a prática do nosso pensar tra-
para conhecer alguma coisa a priori.
balha os limites, as fronteiras do conhecimento pos-
Para tanto, ele usa proposições analíticas e sin-
sível, permitindo “olhar” o mundo como se sempre
téticas. As proposições analíticas só explicam as pa-
fosse a primeira vez. Por isso, para o ser humano en-
lavras, enquanto que as sintéticas explicam as coisas
veredar nas atividades filosóficas é preciso perder al-
para além das palavras. Além disso, ele assume ou-
go da fé nas aparências, nas rotinas, nos dogmas para
Editora Exato 23
FILOSOFIA
que não seja aceita nenhuma verdade que não seja
especulada, problematizada e pensada limitar nosso
conhecimento. Hoje, distante dos idos séculos do das
Luzes ainda podemos desfrutar das conquistas que a
vitória da razão trouxe para a humanidade. Daquela
época até nossos tempos, o ser humano vem enfati-
zando cada vez mais a não clausura do pensamento e
o permanente compromisso de manter aberta a ques-
tão do sentido de nossas vidas.
O permanecer em aberto as questões funda-
mentais de nossas vidas remonta a Hegel que, em sua
feliz apreciação acerca da história, revela que ela en-
sina que nunca aprendemos com ela. Talvez isso te-
nha duas verdades aparentemente paradoxais. A
primeira verdade é a que nossa alienação permanente
diante dos fatos ocorridos é uma realidade pois os fa-
tos históricos se repetem porque somos incapazes de
alterá-los ao longo do caminhar temporal. A segunda
verdade é a que não ocorre esse repetir, mas o reco-
locar no centro do caminhar temporal as mesmas
questões feitas há milhares de anos atrás para que,
quem sabe com novos postulados categóricos, com
novos dados da história e das ciências, possamos res-
ponder finalmente a grande pergunta kantiana: o que
é o ser humano? Se assim fazemos então estamos fa-
zendo filosofia, ou seja, estamos dialogando com
uma tradição que já tem mais de 25 séculos no Oci-
dente.
Praticando o pensamento
1) Reflita sobre a seguinte idéia: "O Renasci-
mento trouxe para o centro das reflexões uma ruptura
radical frente ao pensamento cristão. As preocupa-
ções especulativas desde então apontaram suas bate-
rias carregadas de questionamentos filosóficos com
respostas nem sempre alcançáveis ao pensamento
humano. Neste sentido, René Descartes é um profeta
do conhecimento pleno. Sua dúvida sobre a certeza
do conhecimento pleno do ser fê-lo chegar a idéia
fundamental de que a dúvida é a certeza de um co-
nhecimento livre de qualquer erro da lógica. Assim,
podemos assumir como o centro de nossa atividade
filosófica a dúvida sob a fantasia do questionamento.
Ora, a pergunta é um instrumento necessário para e-
vitar que o pensamento se interrompa em seu proces-
so de apreensão do conhecimento...” Faça uma breve
análise crítica procurando explicar racionalmente as
razões que evidenciam a importância do perguntar na
Filosofia.

Editora Exato 24
FÍSICA
FÍSICA

CINEMÁTICA ESCALAR
1. INTRODUÇÃO 1.5. Espaço ou Posição Escalar (S)
A cinemática escalar é a parte da Mecânica Determina a localização do ponto material em
que apenas descreve o movimento, sem se preocupar uma determinada escala ao longo da trajetória. Ob-
com a sua causa. serve que a posição não representa o quanto a partí-
Só podemos dizer que conhecemos o movi- cula deslocou-se. Quando se diz, por exemplo, que há
mento de um corpo se, e somente se, em qualquer um automóvel quebrado no quilômetro 20 da BR
instante, pudermos informar qual a posição, a veloci- 040, você com certeza sabe sua localização; no en-
dade e a aceleração que esse corpo terá. tanto, não pode determinar quanto ele viajou para
chegar lá, pois não sabe de onde o automóvel partiu.
1.1. Ponto Material
Corpo cujas dimensões são desprezíveis, quando 1.6. Deslocamento Escalar ou Variação
comparadas com outras dimensões envolvidas no es- de Espaço (∆s):
tudo do fenômeno. Seja So a posição escalar de uma partícula de
Exemplo: a Terra em relação à Via Láctea tem um instante t0 e S sua posição escalar no instante t. O
dimensões desprezíveis. Assim, em relação à Via deslocamento escalar é definido por:
Láctea, a Terra é um ponto material.
∆S = S − S 0
No estudo de um ponto material, devemos
desprezar seu movimento de rotação. 100 Km 300 Km
1.2. Corpo Extenso
Corpo cujas dimensões não podem ser des- S0 S
prezadas no estudo de um determinado fenômeno.
Exemplo: Na figura, um automóvel sai do quilômetro
Um carro fazendo uma manobra em uma gara- 100 e vai ao quilômetro 300. Para calcular o deslo-
gem é um corpo extenso. O mesmo carro em relação camento escalar temos:
à rodovia Belém-Brasília é um ponto material.
∆S = S – So
1.3. Trajetória
Linha que une todas as sucessivas posições de ∆S = 300 –
um objeto. 100

P2 ∆S = 200 km
1.7. Velocidade Escalar Média (Vm)
É muito comum, ao assistirmos a uma corrida
P1 P3 de automóveis, o locutor dizer qual foi a velocidade
média dos carros em uma determinada volta ou mes-
mo em toda a corrida. Isto não significa, porém, que
A forma da trajetória depende do referen-
aquela tenha sido a velocidade do carro em todo o
cial adotado. percurso.
Exemplo: Define–se velocidade escalar média de um
Um estudante, sentado no banco de um ônibus móvel, o quociente entre a variação de espaço e o in-
em movimento retilíneo uniforme, lança uma borra- tervalo de tempo gasto.
cha para cima, na vertical. Para o estudante, a trajetó-
ria da borracha, será uma reta. Para um observador ∆S
Vm =
parado na estrada, a trajetória será um arco de pará- ∆t
bola.
1.4. Movimento e repouso. Para converter km/h em m/s, basta dividir o
Um ponto material está em repouso em relação valor em km/h pelo fator de conversão 3,6. Para a
a um certo referencial quando sua posição não varia transformação inversa – converter m/s em km/h –
para este referencial. Caso ocorra variação na posi- basta multiplicar o valor em km/h por 3,6.
ção, o ponto material estará em movimento para a- Dizer que a velocidade de um móvel é cons-
quele referencial. tante significa que essa velocidade é a mesma em
qualquer instante e que é igual à velocidade escalar
média em qualquer intervalo de tempo.

Editora Exato 1
FÍSICA

Se o móvel avançar e, em seguida, recuar so- Vm =


∆s
, vamos substituir = 5=
∆s
, como o
bre a mesma trajetória, voltando ao ponto de partida, ∆t 30
temos: número 30 está dividindo, o ∆s ele passa para o outro
∆S = 0 e Vm = 0. lado multiplicando o 5, olhe
5.30 = ∆s
ESTUDO DIRIGIDO ∆s = 150m
1 Defina ponto material e cite um exemplo.
3 Um automóvel possui velocidade média de
100km/h. Calcule o tempo que ele gasta para
percorrer 400km.
Resolução:
2 Um estudante sentado no banco de um ônibus Dados
que viaja a 60km/h estará certamente em mo- Vm=100km/h
vimento. Certo ou errado? Justifique.
∆s 400km
∆t = ?
Vm =
∆s
= 100 = 400
∆t ∆t
400
3 Qual a fórmula para se calcular a velocidade ∆t =
//
100
//
escalar média? Escreva o significado de cada
símbolo e sua respectiva unidade no sistema ∆t = 4h
internacional.
EXERCÍCIOS

1 Calcule a velocidade escalar média de um


homem que corre 200m num intervalo de
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS tempo de 40s.
1 Um carro percorre 300km em 3 horas. Calcule
sua velocidade escalar média. Dê a resposta 2 Um carro leva 8 horas para ir de Brasília a
em km/h e depois transforme para m/s. Belo Horizonte. Considerando que o mesmo
Resolução: tenha desenvolvido uma velocidade média de
Dados: 93km/h, calcule a distância percorrida pelo
∆s = 300km veículo.
∆t = 3h
Vm = ?
∆s 300 3 A prova mais rápida de uma Olimpíada é a
Vm = → Vm = corrida de 100m no atletismo. Sabendo que
∆t 3
km esta prova dura aproximadamente 10s, qual a
Vm = 100
h velocidade média desenvolvida pelos atletas
Para transformar km/h para m/s basta dividir por nesta prova?
3,6, assim: 100 ÷3,6 = Vm = 27,7m/s.
4 Juliano foi a um concerto de uma orquestra
2 Um cavalo corre com velocidade média de sinfônica, mas, como chegou um pouco atra-
5m/s. Calcule o seu deslocamento após 30s de sado, teve que se sentar nas últimas cadeiras.
corrida. Considerando que ele estava a 99m do palco,
Resolução: onde estava a orquestra, quanto tempo o som
Dados: levaria para sair do palco e chegar aos ouvidos
Vm = 5m/s de Juliano? (velocidade do som no ar =
∆t = 30s 330m/s)
∆s = ?

Editora Exato 2
FÍSICA

5 A respeito dos conceitos de movimento e re-


pouso, julgue os itens:
1 A Terra está em movimento em relação ao
Sol.
2 Um móvel pode estar em movimento em rela-
ção a um referencial e em repouso em relação
a outro.
3 As estrelas do céu estão em repouso.
4 Se uma pessoa está em repouso em relação à
Terra, ela está em repouso em relação a todos
os outros referenciais.

GABARITO

Estudo dirigido
1 Corpo de dimensões desprezíveis quando o
comparamos com outras dimensões. Exemplo:
a terra em relação ao universo é desprezível,
já em relação a você ela é muito grande; logo,
em relação ao universo, a Terra é um ponto
material e em relação a você, não.
2 Errado. Depende do referencial. Por exemplo:
para uma árvore na estrada, o estudante estaria
em movimento; já, para o banco do ônibus, ele
está parado (repouso).
∆s
3 Vm =
∆t
Vm = velocidade média (m/s)
∆s = deslocamento (m)
∆t = variação de tempo (s)
Exercícios
1 5m/s.
2 744km.
3 10 m/s.
4 0,3s.
5 C, C, E, E

Editora Exato 3
FÍSICA

GRANDEZAS E VETORES
1. INTRODUÇÃO Resposta:
Define-se como grandeza tudo aquilo que pode Volume = 10 + 20 = 30l
ser medido. O universo das grandezas é dividido em
dois grandes grupos, as escalares e as vetoriais. As 3. OPERAÇÕES COM GRANDEZAS VETO-
grandezas que ficam completamente determinadas RIAIS
por seu valor numérico e uma unidade adequada são A adição e a subtração de grandezas vetoriais
denominadas de escalares. Por exemplo, quando o necessitam de uma nova álgebra. Como exemplo,
noticiário diz que em Palmas a temperatura é de consideramos os deslocamentos feitos por uma pes-
32°C, conseguimos entender a mensagem claramente soa que anda com um mapa procurando um tesouro.
sem a necessidade de complemento. Outros exemplos Observe que no mapa não se pode escrever somente:
de grandezas escalares são: área, volume, massa, e- ande 20 passos! Para onde? Os deslocamentos são
nergia, tempo, carga elétrica. grandezas vetoriais que precisam, portanto, de orien-
Existem, por outro lado, grandezas físicas que tação.
exigem para sua completa compreensão, além do seu Assim, o mapa deve conter informações como
valor numérico, o conhecimento de uma direção ori- direção e sentido. Informações do mapa:
entada. Tais grandezas são denominadas de vetoriais.  A partir do ponto A, ande 20 passos para o
Como exemplo, veja o esquema do mapa na figura 2 Norte, em seguida, ande 6 passos para o
– observe que é necessário dizer para onde os passos Leste e, finalmente, 12 passos para o Sul.
devem ser dados, ou seja, é preciso orientação. Quantos passos a pessoa deu? 38 passos.
As grandezas vetoriais são representadas por
um ente matemático denominado vetor, que se carac-
N
teriza por apresentar módulo, direção e sentido. Gra- 06
ficamente representamos um vetor por um segmento
orientado (fig. 1) e indicado por uma letra qualquer, 12 O L
r
sobre a qual se coloca uma pequena seta ( v ) . 20
B S

A dr Figura 2
1cm 1cm Reta suporte r
Se a pessoa fosse direto de A para B, andando
Direção
o segmento dr , chamado aqui de Deslocamento Re-
O P sultante, ela teria andado 10 passos. Como este cálcu-
Sentido Figura 1
lo é feito?
Devemos subtrair vetores com sentidos opos-
A direção do vetor é a mesma da reta suporte r. tos, assim temos 20 – 12 = 8. Os vetores 6 e 8 são
O sentido é de O para P dado pela ponta da seta. O perpendiculares entre si. Utilizamos aqui o Teorema
módulo é o comprimento do vetor. Na figura 1, o de Pitágoras para nos fornecer o deslocamento resul-
módulo do vetor vale 2cm. tante dr .
2. OPERAÇÕES COM GRANDEZAS ESCA-
LARES 6
2.1. Soma e subtração de grandezas
escalares 8
Para se somar ou subtrair grandezas escalares, dr
devemos aplicar a álgebra já conhecida do 1º grau.
Vejamos um exemplo: em 10l de água quente, são
adicionados 20l de água fria. Qual o volume total de dr2 = 82 + 62
água?
dr2 = 64 + 36
dr = 100 dr = 10
passos

Editora Exato 4
FÍSICA

Este método de adicionar vetores é chamado 3.3. Soma de vetores que formam en-
de regra origem–extremidade: a resultante vai da ori- tre si um ângulo reto ( α = 90°)
gem do primeiro vetor até a extremidade do último
vetor.
Considere os vetores V1 e V2 da figura abaixo.
Pela regra origem–extremidade, temos:
VR
V1
V2

V1 V1

V
V2

V2

VR2 = V12 + V22 Teorema de Pitágoras


V = V1 + V2

Casos Particulares: ESTUDO DIRIGIDO


3.1. Soma de vetores com a mesma di- 1 Defina grandeza escalar, citando 2 exemplos.
reção e sentido.
O ângulo formado entre os vetores é de 0°.

VR = A + B Intensidade 2 Defina grandeza vetorial, citando 2 exemplos.


A A B
A+ B
VR
B
VR Vetor Resultante
3 Desenhe:
a) dois vetores com mesma direção e sentido.
Exemplo: b) dois vetores com mesma direção e sentidos
opostos.
F1 = 4N FR = F1 + F2
FR = 4 + 3
FR = 7N EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
F2 = 3N
1 Um homem caminha 4 passos para Leste e de-
3.2. Soma de dois vetores de mesma pois 3 passos para o Sul. Qual o seu deslocamen-
direção e sentidos opostos. to resultante?
O ângulo formado entre os vetores é de 180° Resolução:
Pontos cardeais
N
(+ ) NO NE

A A
O E

B VR B
SO SE
VR = A+ (-B) S , oriente-se
VR = A - B Intensidade
4 passos
E

DR 3 passos

Editora Exato 5
FÍSICA

DR2 = D12 + D22 c) Teorema de Pitágoras


1 2 2
D =4 +3
R

DR2 = 16 + 9
DR2 = 25 DR
6 8 DR2 = 62 + 82
DR = 25
DR2 = 36 + 64
DR = 5 passos
DR2 = 100
O deslocamento resultante (DR) foi de 5 pas- DR = 100
sos. DR = 10

2 Some os vetores abaixo. d) Aqui basta subtrair 5 de 8, pois são vetores


a) opostos; e usar depois o Teorema de Pitágoras. A-
companhe:
3
4 4
5
8 5 3 DR2 = 42 + 32
DR
b) DR2 = 16 + 9
8-5=3 DR2 = 25
7
DR = 25
3
DR = 5

c)

6 EXERCÍCIOS
8
1 Se somarmos dois vetores de módulo 20 e 8, que
d) tenham mesma direção e sentido, qual será o mó-
dulo do vetor resultante?
4

8 5 2 Calcule o módulo do vetor soma (resultante), dos


seguintes casos:
a)
Resolução:
10
a) Basta somar
6
3 5
DR= 8 b)

7 9

b) Basta subtrair c)
7
3
DR = 4
5
90º
12

d)

60º
2

Editora Exato 6
FÍSICA

3 Um homem está sobre um ônibus cuja velocidade


é de 60km/h em relação ao solo. Se o homem
começar a andar com uma velocidade de 3km/h
em relação ao ônibus, qual a velocidade do ho-
mem em relação ao solo, se ele anda na mesma
direção e sentido do ônibus?

4 Assinale a alternativa que contém apenas grande-


zas vetoriais.
a) tempo, força, energia.
b) força, velocidade, temperatura.
c) energia, corrente elétrica e quantidade de mo-
vimento.
d) força, aceleração e quantidade de movimento.
e) tempo, espaço e energia.

5 Determinado veículo gasta 2h numa viagem de


Brasília a Goiânia. Sabendo que o carro percorreu
uma distância de 210km e que a distância entre as
duas cidades, em linha reta, é de 170km, calcule
o módulo da velocidade escalar média e da velo-
cidade vetorial média do veículo.

GABARITO

Estudo dirigido
1 É a grandeza física que fica perfeitamente defini-
da com um número e uma unidade, ou seja, não
precisa de orientação. Exemplos: massa, tempo.
2 É a grandeza física que além do número e unida-
de precisa de orientação (direção e sentido).
3
a) b)
Exercícios
1 28
2 a)16
b)2
c)13
d) 2 3
3 63km/h.
4 D
5 105km/h e 85km/h

Editora Exato 7
FÍSICA

M.R.U E M.R.U.V
1. MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME m/s/s, assim podemos dizer que a velocidade varia 2
(MRU) m/s a cada segundo:
Considere um automóvel que viaja num trecho 0s, 1s, 2s, 3s ... Tempo
reto de uma estrada. Você observa que o velocímetro 0 m/s, 1m/s, 2m/s, 3m/s ... Velocidade
registra sempre a mesma velocidade. O automóvel 2.2. Função horária da velocidade
em questão está em Movimento Retilíneo Uniforme.
V = V0 + at
80 km/h 80 km/h
2.3. Função horária do Espaço

at 2
S = S 0 + V0 t +
S0 S 2

1.1. Função Horária do Espaço 2.4. Torricelli


V 2 = V02 + 2a∆S
S = S 0 + Vt
Observação:
2. MOVIMENTO RETILÍNEO UNIFORME-
Problemas de MRUV são resolvidos por asso-
MENTE VARIADO (MRUV)
ciação de duas das três equações.
Em relação a um determinado referencial, um
3. CLASSIFICAÇÃO DOS MOVIMENTOS
móvel está em MRUV se sua aceleração vetorial a é
constante. Nesse movimento, o módulo da velocidade Progressivo →O móvel desloca-se no sentido da ori-
aumenta e/ou diminui uniformemente. entação positiva da trajetória. A velocida-
de escalar é, portanto, positiva.
aceleração Retrógrado →O móvel desloca-se no sentido oposto
da orientação positiva da trajetória. A ve-
v0 locidade escalar é, portanto, negativa.
Acelerado →O módulo da velocidade é crescente. A
S0 v
velocidade e a aceleração apresentam o
+ mesmo sentido.
Retardado →O módulo da velocidade é decrescente.
S A velocidade e a aceleração apresentam
sentidos opostos.
2.1. Aceleração Escalar Média
É a medida da variação da velocidade escalar, ESTUDO DIRIGIDO
num determinado intervalo de tempo.
1 Escreva a função horária do MRU e cite o que
No MRUV, a aceleração escalar média é igual significa cada símbolo da equação.
à aceleração escalar instantânea. (Aceleração Tan-
gencial)
2 Escreva as funções do MRUV citando o signifi-
∆v  m 
cado de cada termo.
am =
∆t  s 2 
3 O que é um movimento acelerado? Escreva ainda
Observação: a fórmula da aceleração escalar média.
m
m s
O símbolo nada mais é que , ou seja, é
s2 s
uma forma reduzida que expressa como a velocidade
varia no tempo. Por exemplo, 2,0 m/s2 quer dizer 2
Editora Exato 8
FÍSICA

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS motorista tenha levado 5s para frear completa-


mente o carro, calcule, em módulo, a aceleração
1 A função horária de um carro que faz uma via- do carro.
gem entre duas cidades é dada por S=100+20t.
Determine em unidades do sistema internacional.
4 Um carro partindo do repouso adquire velocidade
a) a posição inicial;
de 72km/h em 10s. Calcule a aceleração escalar
b) a velocidade;
média desse carro em m/s2.
c) a posição final em 30s.
Resolução:
Para resolver este tipo de questão basta usar a 5 Um carro de Fórmula-1 acelera de 0 a 216km/h
função original e compará-la com a que foi dada. (60m/s) em 10s. Calcule a aceleração média do
F-1.
S = S0 + V t
S = 100 + 20 t
GABARITO
a) S0 = 100m
b) V=20m/s Estudo dirigido
c) basta substituir t por 30s, assim: 1 S = S0 +Vt
S=100+20(30) S=posição final
S=100+600 S0= posição inicial
S=700m V=velocidade
t=tempo
2 Um carro partindo do repouso leva 5s para alcan- at 2
çar a velocidade de 20m/s, calcule sua aceleração 2 V = V0 + at , S = S0 +V0t + , V 2 = V0 2 + 2a ∆s
2
média. V=velocidade final
Resolução: V0=velocidade inicial
S=posição final
∆v v −v0
am = = am = = S0=posição inicial
∆t ∆t
a=aceleração
20 − 0 20
am = = = am = 4m / s2 t=tempo
5 5
∆s=deslocamento escalar.
Como ele partiu do repouso, sua velocidade i- 3 É aquele que possui o módulo da velocidade
nicial é zero. crescente.
EXERCÍCIOS ∆v m 
am =  s2 
∆t  
1 A equação horária de um móvel é dada por
s = 10 − 2t (SI)
Encontre a posição inicial, velocidade e instante Exercícios
em que ele passa pela origem (s=0). 1 10m, -2m/s e 5s.
2 C, E, E
2 Um corpo realiza um movimento uniformemente
3 4m/s².
variado segundo a equação horária
s = −2t + 4t 2 4 2m/s2.
Julgue os itens:
5 6m/s².
1 A velocidade inicial do corpo é de –2m/s.
2 A aceleração do corpo é de 4 m/s².
3 No instante t=2s o corpo estará na posição
s=20m.

3 Um veículo trafega em uma pista a 20m/s. De re-


pente o sinal de trânsito à sua frente fica amarelo,
e posteriormente, vermelho. Considerando que o
Editora Exato 9
FÍSICA

MOVIMENTO SOB A AÇÃO DA GRAVIDADE


1. INTRODUÇÃO  O tempo de queda independe da massa e é
2h
Galileu Galilei, considerado como o introdutor dado por t = .
g
do método experimental na Física, acreditava que
qualquer afirmativa referente ao comportamento da
ESTUDO DIRIGIDO
natureza só deveria ser aceita após sua comprovação
por meio de experiências cuidadosas. Para testar as 1 O movimento sob ação da gravidade é variado ou
idéias de Aristóteles, conta-se que Galileu realizou a uniforme? Por quê?
experiência descrita a seguir.
Estando no alto da torre de Pisa, Galileu aban-
donou simultaneamente algumas esferas de pesos di-
ferentes, verificando que todas chegaram ao solo no
mesmo instante. 2 O que acontece com o valor da velocidade de um
Quando dois corpos quaisquer são abandona- corpo lançado verticalmente para cima?
dos de uma mesma altura e caem no vácuo ou no ar
com resistência desprezível (queda livre), o tempo de
queda é igual para ambos, mesmo que seus pesos se-
jam diferentes.
3 Num lançamento vertical, qual a relação entre o
2. MOVIMENTO VERTICAL NO VÁCUO tempo de subida e o tempo de descida?
Todos os corpos exercem, uns sobre os outros,
uma atração denominada gravitacional. Quando um
corpo é abandonado de uma certa altura, ele cai, de-
vido à ação da atração gravitacional. Seu movimento EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
é chamado queda livre.
Nos lançamentos verticais e na queda livre, o 1 Uma pedra é solta de uma altura de 45m, qual o
movimento do corpo será uniformemente variado, tempo gasto na queda? Considere a aceleração da
pois este corpo sofrerá a mesma aceleração, devido gravidade g = 10m / s2 .
ao efeito da gravidade. Essa aceleração é chamada Resolução: O tempo de queda (tq) é dado pela
aceleração da gravidade. equação
2h
Q ueda livre Lançamento para cima tq = , onde h é a altura e g, a gravidade, as-
g
V0= 0 V= 0 sim:
g(+ )
h h max 2.45
tq =
10
V0
90
tq =
10

Equações tq = 9
tq = 3s
g 2
h = h0 + v0yt ± t vy = v0y ± gt
2
v2y = v0y2 ± 2gh 2 Um homem lança verticalmente para cima um
3. PROPRIEDADES corpo com velocidade inicial de 10m/s. Conside-
re g=10m/s2, calcule:
 Na altura máxima, temos a = g e v = 0. a) a altura máxima atingida;
 O tempo de subida é igual ao tempo de des- b) o tempo gasto na subida;
cida. c) o tempo total do movimento de ida e volta.
 A velocidade escalar de saída é igual à ve- Resolução:
locidade escalar de retorno ao ponto de lan- a) Para calcular a altura máxima devemos lem-
çamento. brar que nesse ponto a velocidade final é zero.
V=0
g=10m/s2

Editora Exato 10
MATÉRIA

H=? 4 Um menino joga uma pedra para o alto e, depois


V0=10m/s de 3,0s, ela volta às suas mãos. Desprezando-se a
Utilizando a expressão resistência do ar e admitindo-se g=10m/s2, per-
v 2 = v 0 2 + 2gh gunta-se:
0 = 10 2 − 2.10.h a) com que velocidade ele lançou a pedra?
20h = 10 2
b) qual a altura máxima atingida?
20h = 100
c) com que velocidade ela atinge o solo?
100
h=
20
GABARITO
h = 5m
Lembre-se! Por convenção, o sinal de g é negati- Estudo dirigido
vo quando o corpo está subindo.
1 O movimento é variado, pois o módulo da velo-
b) utilize V = V0 + gt cidade varia sobe a ação da aceleração da gravi-
0=10-10.t dade.
10t=10 2 À medida que o corpo sob o valor da velocidade
T=1s, portanto este é o tempo de subida. diminui e chega a zero no ponto mais alto.

c) Lembrando da teoria, temos que o tempo de 3 Os tempos de subida e descida são iguais.
subida é igual ao tempo de descida, logo: Exercícios
tsubida = 1s 1 80m
tdescida = 1s
ttotal = 2s 2
a) Hmáx=80m
EXERCÍCIOS b) t=8s
t = 0, 85s
1 Do alto de um edifício, deixa-se cair uma pedra c)  1
t 2 = 7,16s
que leva 4s para atingir o chão. Desprezando a
resistência do ar e considerando g = 10m/s2, de- 3 D
termine a altura do edifício.
4
a) 15m/s
2 Uma esfera é lançada do solo, verticalmente para b) 11m
cima, com velocidade inicial de 40m/s. (Nos lan- c) -15m/s
çamentos verticais, a velocidade inicial é aquela
adquirida pelo corpo logo após o lançamento). A
aceleração do corpo é a gravidade, para baixo, e
de valor aproximadamente igual a 10m/s2.
a) Qual a altura máxima atingida?
b) Durante quanto tempo a esfera permanecerá no
ar?
c) Qual o instante em que ela estará a 30m do so-
lo?

3 (PUC-RS) Um pequeno objeto é lançado verti-


calmente para cima, realizando na descida um
movimento de queda livre. Supondo positiva a
velocidade do objeto na subida, podemos afirmar
que sua aceleração será:
a) positiva na subida e negativa na descida.
b) negativa na subida e positiva na descida.
c) constante e positiva na subida e na descida.
d) constante e negativa na subida e na descida.
e) variável e negativa na subida e na descida.

Editora Exato 11
FÍSICA

LEIS DE NEWTON
1. FORÇA Figura 1 v

A idéia de força é bastante relacionada com a


experiência diária de qualquer pessoa. Sempre que a
puxamos ou empurramos um objeto, dizemos que es-
tamos fazendo uma força sobre ele. É possível encon-
trar forças que se manifestam sem que haja contato
entre os corpos que interagem. Por exemplo: um ímã
exerce uma força magnética de atração sobre um pre- Ô nibus acelera e o passageiro cai para trás.
go, mesmo que haja certa distância entre eles; um
pente eletrizado exerce uma força elétrica de atração Como fazer para vencer a inércia?
sobre os cabelos de uma pessoa, sem necessidade de Para vencer a inércia, é preciso sempre ter a in-
entrar em contato com eles; de forma semelhante, a tervenção de uma força.
Terra atrai os objetos próximos à sua superfície, O passageiro deve segurar-se no ônibus, para
mesmo que eles não estejam em contato com ela. A receber uma força capaz de vencer a sua inércia de
força com que a Terra atrai um corpo é o peso deste repouso e de acelerá-lo juntamente com o ônibus.
corpo. Exemplo 2:
Sempre que ocorrer uma mudança no estado de Quando um corpo está em movimento, ele tem
movimento de um corpo, teremos a atuação de uma uma tendência natural e espontânea de continuar em
força. Unidade (SI): Newton (N). movimento, mantendo inalterável a sua velocidade
vetorial.
2. INÉRCIA Assim, quando um ônibus, em pleno movi-
Galileu acreditava que qualquer estudo sobre o mento em linha reta, freia bruscamente, o passageiro
comportamento da natureza deveria ter por base ex- desprevenido é projetado para a frente, por insistir
periências cuidadosas. Realizando, então, uma série em manter o seu movimento vetorial.
de experiências com corpos em movimento, ele con- Para vencer essa inércia de movimento, mais
cluiu, por exemplo, que sobre o livro que é empurra- uma vez, será preciso a intervenção de uma força.
do em uma mesa atua também uma força de atrito,
que tende sempre a contrariar o seu movimento. As- Figura 2 V
sim, de acordo com Galileu, se não houvesse atrito, o
livro não pararia quando cessasse o empurrão. As
conclusões de Galileu estão sintetizadas a seguir: se a
um corpo estiver em repouso, é necessária a ação de
uma força sobre ele para colocá-lo em movimento.
Uma vez iniciado o movimento, cessando a ação da
força, o corpo continuará a se mover indefinidamente
em linha reta, com velocidade constante. Ô nibus freia e o passageiro cai para frente.
lnércia
A inércia consiste na tendência do corpo em O passageiro deve segurar-se no ônibus, para
manter sua velocidade vetorial constante. receber uma força capaz de vencer a sua inércia de
Explicando, para uma melhor compreensão: movimento e de freá-lo, juntamente com o ônibus.
Exemplo1: 3. PRIMEIRA LEI DE NEWTON
Quando um corpo está em REPOUSO, ele tem
uma tendência natural e espontânea de continuar em Vários anos mais tarde, após Galileu ter esta-
repouso, isto é, uma tendência de MANTER SUA belecido o conceito de inércia, lsaac Newton, ao for-
VELOCIDADE NULA. Assim, quando um ônibus mular as leis básicas da mecânica, conhecidas como
arranca, a partir do repouso, o passageiro despreveni- "as três leis de Newton", concordou com as conclu-
do cai, por insistir em manter-se em repouso. sões de Galileu e usou-as no enunciado de sua pri-
meira lei:

Editora Exato 12
FÍSICA

Primeira lei de Newton (Lei da inércia, patinadores se movem em sentidos opostos. Se os pa-
de Galileu) tinadores tiverem a mesma massa, terão a mesma a-
celeração; se tiverem massas diferentes, o de maior
Quando a resultante das forças é nula, um cor-
massa terá menor aceleração, mas a força trocada en-
po em repouso continua em repouso, e um corpo em
tre eles terá módulo igual.
movimento continua em movimento em linha reta e
Observe ainda que a força que A aplica está
com velocidade constante.
em B, a que B aplica está em A. Assim mesmo, tendo
módulos iguais e sentidos opostos, não podem se a-
Força resultante nula
nular.

Referencial
Figura 4
A B A B +
Repouso FBA FAB
Equilíbrio
(Ponto Material) M.R.U.

FAB = FBA
4. PRINCÍPIO FUNDAMENTAL DA DINÂMI-
CA (2ª LEI DE NEWTON)
6. PESO E MASSA
A aceleração que um corpo adquire é direta-
mente proporcional à força resultante que atua sobre 6.1. Peso de um corpo
ele e tem a mesma direção e o mesmo sentido desta A força peso de um corpo é conseqüência do
força. campo gravitacional criado pela Terra.
O planeta Terra, bem como qualquer corpo
Na segunda lei de Newton, quando um corpo esti-
material, cria em torno de si um campo de forças a-
ver sujeito a várias forças, deve-se substituí-las – F –
r trativas, denominado campo gravitacional. Qualquer
pela resultante Fr dessas forças. corpo dentro do campo gravitacional da Terra será a-
Então temos, de uma maneira mais geral: traído por esta, e a força de atração é denominada
força gravitacional.
Não considerando os efeitos ligados à rotação
da Terra, a força gravitacional, aplicada pela Terra,
corresponde ao peso do corpo.
r
Sendo m a massa do corpo e g o vetor acele-
r r
Fr = m ⋅ a ração de queda livre (imposta pelo campo gravitacio-
nal e que é independente da massa do corpo), de
Unidade de força no SI: Newton (N) acordo com a 2ª Lei de Newton (PFD), o vetor peso
r r
Observe que a força aplicada Fr e a aceleração P será dado por: r r
adquirida são grandezas vetoriais que têm sempre a P = mg
mesma orientação, isto é, mesma direção e sentido,
pois a massa m é um escalar positivo. 1. A massa (m) é característica do corpo e é a
1N= 1Kg m/s2 mesma em qualquer local do universo em que esteja
o corpo, isto é, a massa independe do local.
5. AÇÃO X REAÇÃO (3ª LEI DE NEWTON)
2. A intensidade do campo gravitacional varia
A toda força de ação corresponde uma força de com o local e é independente da massa do corpo que
reação, com o mesmo módulo, mesma direção e sen- está sendo atraído pela Terra.
tidos OPOSTOS.
Ação e reação estão sempre aplicadas em cor- 3. O peso de um corpo não é característica sua,
pos distintos, portanto AÇÃO E REAÇÃO NUNCA pois varia de uma região para outra, proporcional-
SE EQUILIBRAM. mente ao valor da gravidade local. Isto significa que,
Ação e reação têm SEMPRE O MESMO se a gravidade for n vezes maior, o peso de um dado
MÓDULO, mas podem produzir efeitos diferentes. corpo também será n vezes maior.
Exemplo:
Considere dois patinadores, A e B, sobre patins
em uma pista de gelo. O patinador A empurra o pati-
nador B. O que se observa na pista é que ambos os
Editora Exato 13
FÍSICA

Resolução:
ESTUDO DIRIGIDO Em primeiro lugar, devemos colocar todas as
forças que atuam nos blocos, assim teremos
1 Qual a unidade de força no sistema internacio-
nal? NA
T

T
A B
cálculo do PB
2 O que é inércia? PA PB PB = mB .g
PB = 4.10
PB = 40N

3 Enuncie a 1ª Lei de Newton. Escrevemos FR = ma , para cada bloco:


A B
FR = ma FR = ma
T = mA.a PB −T = mBa
Somando as equações:
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS T = maa
1 Explique por que um passageiro sem cinto de se- PB − T = mba
gurança é arremessado para frente quando o carro PB = a (mA + mB )
freia bruscamente. 40 = a (1+ 4 ) T = mAa
Resolução: O passageiro do carro viaja à mesma 40 , agora é substituir em T = 1.8 .
velocidade do carro, quando o carro freia, o a= T = 8N
5
passageiro continua com a mesma velocidade, a = 8m / s2
o que dá a entender que ele é arremessado para Se você substituir em PB −T = mBa dará o mesmo re-
frente.
sultado. Faça pra ver!

2 Nos exercícios abaixo, despreze os atritos e con- EXERCÍCIOS


sidere a gravidade g = 10m / s2 .
1 O corpo indicado na figura tem massa de 5 kg e
a) Calcule a aceleração do bloco abaixo: está em repouso sobre um plano horizontal sem
atrito. Aplica-se ao corpo uma força de 20N.
F1 =20N F2 =5N
3kg Qual a aceleração adquirida por ele?

F
5kg
Resolução:
FR = ma
F1 − F2 = ma
20 − 5 = 3.a
15 = 3.a 2 Um determinado corpo está inicialmente em re-
15 pouso, sobre uma superfície sem qualquer atrito.
a= = a = 5m / s2
3 Num determinado instante aplica-se sobre o
mesmo uma força horizontal constante de módulo
12N. Sabendo-se que o corpo adquire uma velo-
b) Calcule a tração no fio suposto perfeito cidade de 4m/s em 2 segundos, calcule sua acele-
ração e sua massa.
A
3 Em 20 de julho, Neil Armstrong tornou-se a pri-
ma=1kg meira pessoa a pôr os pés na Lua. Suas primeiras
mb=4kg B palavras, após tocar a superfície da Lua, foram "É
um pequeno passo para um homem, mas um gi-
gantesco salto para a Humanidade". Sabendo que,
na época, Neil Armstrong tinha uma massa de 70

Editora Exato 14
FÍSICA

kg e que a gravidade da Terra é de 10m/s² e a da Exercícios


Lua é de 1,6m/s², calcule o peso do astronauta na
Terra e na Lua. 1 4m/s².
2 2m/s² e 6kg.
4 A figura representa dois corpos, A e B, ligados 3 700N e 112N.
entre si por um fio inextensível que passa por
4 2,5m/s² e 1,6kg.
uma polia. Despreze os atritos e a massa da polia.
Sabe-se que a intensidade da tração do fio é de 5 E, C, E, E
12N, a massa do corpo A, 4,8kg e g = 10m/s².
Calcule a aceleração do sistema e a massa do
corpo B.

5 Julgue os itens:
1 Todo corpo, por inércia, tende a manter sua
aceleração constante.
2 O uso de cintos de segurança em automóveis
é uma conseqüência da 1ª lei de Newton, a Lei
da inércia.
3 Um corpo que está sobre uma mesa e se man-
tém em repouso, tem aplicado sobre ele duas
forças: o peso e a força normal. Essas forças
constituem um par ação e reação, pois estão
sendo aplicadas num mesmo corpo.
4 Se há forças aplicadas num corpo, certamente
ele apresenta uma aceleração não-nula.

GABARITO

Estudo dirigido
1 Newton (N)
2 Consiste na tendência do corpo em manter sua
velocidade vetorial constante.
3 Quando a resultante das forças é nula, um corpo
em repouso continua em repouso, e um corpo em
movimento continua em movimento em linha reta
e com velocidade constante.
4 O par ação e reação possui a mesma direção, a
mesma intensidade e sentidos opostos, e não se
anulam pois estão aplicados em corpos diferen-
tes.

Editora Exato 15
FÍSICA

ENERGIA MECÂNICA E SUA CONSERVAÇÃO


1. INTRODUÇÃO (ou qualquer outro referencial). Tal energia, dita po-
tencial gravitacional, é dada pela expressão:
“Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo
se transforma.” Nas aulas anteriores, estudamos pro- Ep = mgh
blemas que podiam ser resolvidos com a aplicação
das leis de Newton. Nessas situações, a aceleração m
V0 = 0
escalar dos corpos se apresentava constante e os de- A
mais cálculos decorrentes foram resolvidos com as
expressões do Movimento Retilíneo Uniformemente
h
Variado. Em muitos casos, a aceleração é variável e
as expressões conhecidas até então não são mais vá-
lidas. Várias dessas questões são resolvidas com o B
V solo
conceito de trabalho e energia que serão estudados a
seguir. A energia pode ser classificada em vários ti-
Na posição A, o corpo não possui energia ciné-
pos. Em Mecânica, temos a energia cinética, que é
tica, e sim a capacidade potencial de tê-la. Dessa ma-
associada ao movimento do corpo, e a energia poten-
neira, na posição A, o corpo tem uma energia,
cial, que é associada à posição que o corpo ocupa em
relacionada à sua posição, ainda não transformada em
relação a um referencial. Se um corpo está em repou-
cinética.
so a uma altura h qualquer, ele possui energia poten-
cial; ao ser abandonado, essa energia se transforma Energia potencial elástica
em energia cinética (de movimento). Estudaremos a
seguir a Energia Mecânica dos sistemas e sua conser- F
vação.
2. ENERGIA CINÉTICA (EC)
Consideremos a figura, em que uma partícula
de massa m possui, num determinado instante t, ve-
r
locidade v sobre um plano horizontal. Associamos
ao movimento da partícula uma quantidade de ener-
gia dita cinética. x

V
Uma mola que apresenta um comprimento
v
na-
tural, ao ser comprimida por uma força F , sofre uma
m deformação x. O trabalho realizado para deformar a
mola é dado por:
kx 2
τ=
mv 2 2
EC =
2 Esse trabalho representa a energia potencial
Unidade - Sistema internacional joule [ J ]. armazenada na mola, tomando como referência a mo-
3. ENERGIA POTENCIAL (EP)
la em sua posição natural:
kx 2
Energia potencial gravitacional EP =
2
Considere o corpo de massa m colocado no K → Constante elástica. Unidade [ N/m ].
ponto A a uma altura h do solo. Ao abandonarmos o
corpo, este adquirirá velocidade v e uma quantidade 4. CONSERVAÇÃO DA ENERGIA MECÂNI-
mv2 CA
de energia cinética dada por . De onde veio esta
2
A energia nunca é criada ou destruída. Ela se
energia? transforma de um tipo em outro, ou outros. Em um
Lembre-se de que energia não pode ser criada. sistema isolado, o total de energia existente antes de
Dizemos que a energia cinética veio da transforma- uma transformação é igual ao total de energia após a
ção de uma quantidade de energia armazenada no sis- transformação. Esse princípio é chamado princípio
tema devido à posição do corpo em relação ao solo de conservação da energia.
Editora Exato 16
FÍSICA

Sistemas conservativos energia potencial é transformada em cinética


Quando nos referimos a um sistema, estamos quando a pedra toca o solo. Assim temos:
falando de uma porção do universo que está sob ob-
servação. Os sistemas em questão são conjuntos de Ep= mgh

corpos que interagem entre si.


Nos sistemas conservativos, somente forças 5m
conservativas realizam trabalho. Nesse tipo de siste-
ma, toda a diminuição de energia potencial corres- mv
2
Ec=
ponde a um aumento de energia cinética, e vice- 2
versa. Dessa forma, a soma da energia cinética com a
energia potencial é constante. Portanto:
Chamamos de energia mecânica (E ) de um m
Ec = Ep
determinado corpo a soma da energia cinética mv 2
= mgh
(E ) com a energia potencial (E ) desse corpo.
c p
2
2
1.v
Em = Ec + EP = 1.10.5
2
Em um sistema conservativo, a energia mecâ- v 2

nica é sempre constante. = 50 → v 2 = 100


2
v = 100 → v = 10m / s
ESTUDO DIRIGIDO

1 Escreva a fórmula para se calcular a energia ciné-


tica, dando o nome de cada termo. EXERCÍCIOS\

1 Calcule a energia cinética de um corpo de 2kg


que se desloca a uma velocidade de 10m/s.

2 Escreva a equação da energia potencial gravita-


2 Um corpo cai de uma altura de 10m. Consideran-
cional, dando o nome de cada termo?
do a gravidade local como igual a 10m/s² e des-
considerando a resistência do ar, calcule, em m/s,
a velocidade com que o corpo atingirá o solo.

3 O que ocorre com o valor da energia mecânica


em sistemas conservativos? 3 Calcule a energia elástica armazenada em uma
mola de constante elástica k = 8000 N/m se ela
for comprimida em 5cm. Dê sua resposta em Jou-
les.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 4 Julgue os itens abaixo:


1 A energia potencial gravitacional depende da
1 Um carrinho de massa 20kg possui a velocidade
velocidade do corpo.
de 5m/s. Calcule sua energia cinética.
2 Molas armazenam energia na forma de ener-
Resolução:
2
gia potencial elástica. E quanto maior a cons-
mv 2 20. ( 5 ) tante elástica da mola, maior a energia
Ec = → Ec = =
2 2 potencial que ela consegue armazenar.
20.25
Ec = = 250 J 3 Se a velocidade é relativa, ou seja, depende do
2 referencial adotado, pode-se dizer que a ener-
gia cinética também é relativa.
2 Uma pedra de massa 1kg é solta da altura de 5m. 4 Quando um corpo cai, ele transforma energia
Desprezando os atritos, calcule sua velocidade de cinética em potencial gravitacional.
chegada ao solo. Adote g = 10m / s2 .
Resolução: Quando a pedra está para ser solta ela 5 Um corpo de massa 1 kg com velocidade de 8m/s
possui energia potencial gravitacional;como não de módulo, que se move sobre uma superfície ho-
há atritos, o sistema é conservativo, então toda a rizontal, choca-se frontalmente com a extremida-
de livre de uma mola ideal de constante elástica
Editora Exato 17
FÍSICA
4
4.10 N/m. A compressão máxima sofrida pela
mola é, em cm:

GABARITO

Estudo Dirigido
mv 2
1 EC = , onde m é a massa dada em kg (quilo-
2
gramas) e v é a velocidade em m/s.
2 Ep = mgh , onde m=massa (kg); g = gravidade
(m/s2); h=altura (m)
3 A energia mecânica permanece constante.
Exercícios
1 100 J
2 10 m/s
3 10 J
4 E, C, C, E
5 4 cm

Editora Exato 18
FÍSICA

TRABALHO E POTÊNCIA MECÂNICA


uma categoria especial de forças, denominadas forças
1. TRABALHO MECÂNICO ( ) τ conservativas. (O peso é uma força conservativa). Na
figura dada por Ep=mgh, o trabalho do peso para des-
1.1. Trabalho de uma Força Constante
r locar a massa “m” da posição de altura “h” até o solo,
Consideramos uma força F , cujo ponto de a- é igual à energia potencial a ela associada. Assim,
r
plicação se desloca de A para B, sendo d o vetor podemos escrever que:
deslocamento correspondente. Seja θ o ângulo for-
r r
mado entre os vetores F e d . m
r
Define-se trabalho da força F no deslocamento
r
d como:
h P
τ=F.d. cos θ

F
θ
d τ = P ⋅ d cos 0°
τ = mgh ⋅ 1

A
d
B
Assim:
τp = mgh
Unidade Si joule [J] 1.3. Trabalho da Resultante
O trabalho é uma grandeza escalar. O trabalho da força resultante sobre um corpo,
Em função do ângulo θ, o trabalho pode ser num determinado deslocamento, é igual à variação da
positivo, negativo ou nulo: energia cinética do corpo neste deslocamento.
Trabalho Nulo → O trabalho é nulo quando a Se o corpo se moveu do ponto A para o ponto
força for nula, ou o deslocamento for nulo ou a força B e a força resultante realizou um trabalho τ neste
fizer um ângulo θ = 90° com o deslocamento, pois deslocamento, temos τAB = E c B − E c A .
temos cos90° nulo. Assim, concluímos que forças
perpendiculares ao deslocamento não realizam traba-
A B
lho mecânico.
Gráfico
Considere o gráfico cartesiano da força Ft em
função da posiçãor X ao longo do deslocamento. O 1.4. Trabalho de uma Força Elástica
trabalho da força F entre duas posições A e B quais- A deformação de uma mola é dita elástica
quer é numericamente igual à área determinada entre quando, retirada a ação da força que produziu a de-
a curva e o eixo horizontal. formação, ela volta à posição inicial.
r
Nessas condições, aplicando-se uma força F , a
mola responde com uma força reativa dita elástica
r
Ft Fel , que se opõe à deformação, tendendo a trazer a
mola para a posição inicial. Pela lei de Hooke, temos
Fel = k . x, onde k é a constante elástica da mola. A
A
unidade de k no SI é N/m.
{

Sendo a intensidade da força elástica variável,


0 A B X
d o trabalho é calculado pelo gráfico:

1.2. Trabalho do Peso


Um corpo pode possuir energia devido à sua
posição, mesmo estando em repouso. Essa forma de
energia denomina-se energia potencial. A variação da
energia potencial, analogamente à variação da ener-
gia cinética, está relacionada com o trabalho realiza-
do. Entretanto, nesse caso, o trabalho é realizado por

Editora Exato 19
FÍSICA

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
Fel
kx 1 Calcule o trabalho realizado para deslocar a caixa
da figura abaixo por 10m.
τ=N A Resolução:
X Fel
A
F=50N
F
0 x X

Calculando a área A, temos: τ=F.d → τ=50.10 → τ=500J


x.kx kx 2
A= = .
2 2
2 Uma fruta de 1kg cai de um galho que está a 5m
Daí: do solo. Calcule o trabalho da força peso. Adote
k.x 2 g = 10m / s2 .
τ= 2 Resolução: O trabalho do peso é dado por
O trabalho da força é motor quando restitui a τ=m.g.h, assim:
mola à posição inicial, e resistente quando a mola é
alongada ou comprimida pela ação de outra força. τ=1.10.5 → τ=50J
2. POTÊNCIA MECÂNICA (POT)
3 Um garoto estica uma mola de 10cm e constante
A potência mede a rapidez de realização de
elástica 20N/m. Calcule o trabalho realizado pelo
trabalho.
garoto.
Pot =
τ
Unidade:
[J] = watt[W]
Resolução:
∆t [S] Lembre-se de que x é a deformação sofrida pe-
1 cavalo vapor (C.V)=735 W la mola e deve ser dada em metros; para transformar.
basta uma regra de três
1 Horse Power (HP)= 746w
1m 100cm
F x 10cm

θ 100 x = 10
v
10
x=
100
x = 0,1m
2
Pot Média = F . v . cosθ kx 2 20 ( 0,1)
τ = →τ =
2 2
ESTUDO DIRIGIDO 20.0, 01
τ = → τ = 0,1J
2
1 Qual a unidade internacional de trabalho?

EXERCÍCIOS

1 O bloco da figura é arrastado ao longo de um


plano horizontal por uma força F constante de in-
tensidade 20N, atuando numa direção que forma
2 Nas equações abaixo, escreva o significado de 60º com a horizontal. O deslocamento do bloco é
cada símbolo e sua correspondente unidade no de 5m e sobre o bloco atua uma força de atrito de
sistema internacional. intensidade fat = 2N. Determine:
a) τ=F.d
b) τ=mgh
kx 2
c) τ=
2

Editora Exato 20
FÍSICA

5 Um motor de potência útil igual a 1000W, fun-


cionando como elevador, eleva a 10m de altura,
com velocidade constante, um corpo de peso i-
F
60°
gual a 500N no tempo de:

GABARITO
a) O trabalho da força F Estudo dirigido
b) O trabalho da força de atrito.
c) O trabalho do peso do bloco. 1 Joule
2 a)
2 O caixote da figura abaixo tem massa de 50 kg e τ= trabalho – unidade joule(J)
está sendo empurrado por um esqueleto que exer- F = força – unidade Newton (N)
ce uma força F paralela ao plano horizontal, com d = deslocamento – unidade metro (m)
velocidade constante, num deslocamento de b)
2,0m. Sabendo que o coeficiente de atrito cinéti- m = massa – unidade quilograma (kg)
co entre o caixote e o plano é de 0,2, e assumindo g = gravidade – unidade m/s2
que g = 10m/s², determine: h = altura – unidade m
c)
k = constante elática – N/m
x = deformação da mola - m
Exercícios
1
a) 50 J
b)-10 J
a) o trabalho realizado pelo esqueleto (F);
c) 0 J
b) o trabalho realizado pela força de atrito;
c) o trabalho realizado pela força peso (P); 2
d) o trabalho realizado pela reação normal do pi- a) 200 J
so (N). b)-200 J
c) 0J
d) 0J
3 A figura abaixo mostra uma força constante de
20N atuando sobre um corpo, deslocando-o hori- 3 8W
zontalmente a uma distância de 5,0 m em 10s. 4 250 J
Determine a potência desenvolvida por esta for-
ça. (Dados: sen 37º = 0,6 ; cos 37º = 0,8) 5 5s

F
37° d

4 Quando vai dar o saque, Gustavo Kuerten bate


com a raquete na bolinha, inicialmente em repou-
so. Sabendo que a bolinha tem 200g de massa e
atinge uma velocidade de 180 km/h, calcule o
trabalho que a raquete realizou sobre a bolinha no
instante do saque. Dê a resposta em Joule.

Editora Exato 21
FÍSICA

IMPULSO E QUANTIDADE DE MOVIMENTO


1. IMPULSO (I)
Vo t V
Consideremos um ponto material sob a ação de
r
uma força F constante, durante um intervalo de tem- F
po ∆t.
Impulso é uma grandeza vetorial definida co- Fr = ma
r r
mo I = F.∆t . A unidade SI do impulso é N.s. O vetor
impulso apresenta a mesma direção e sentido da força ∆v
F= m
que o origina. ∆t
mv − mvo
F=
t ∆t
F F. ∆t = mv - m v0
r
I = ∆Q

5. CONSERVAÇÃO DA QUANTIDADE DE
2. GRÁFICO MOVIMENTO
r r r
No caso da força F constante, o gráfico da in- Q final = Q inicial
tensidade da força em função do tempo se apresenta Em um sistema isolado, a quantidade de mo-
de acordo com o gráfico abaixo. vimento do sistema é constante.
A área A é numericamente igual à intensidade
Um sistema é dito isolado quando a força re-
do impulso I no intervalo de tempo ∆t. sultante externa é nula, ou seja, participam somente
O exposto acima também é válido com a inten- forças internas.
sidade da força variável.
6. CHOQUE MECÂNICO
F
Para que possamos aplicar o princípio da con-
servação da quantidade de movimento aos choques,
precisamos de um sistema isolado, ou seja, de um sis-
A
tema no qual não haja interações relevantes com for-
t ças externas a ele.
Área = I
N Para um choque entre dois corpos A e B, num
sistema isolado, teremos:
r
3. QUANTIDADE DE MOVIMENTO ( Q ) r r r r
Q A + Q B = Q 'A + Q B'
Quantidade de movimento, ou momento linear, Sendo os choques na mesma direção e adotan-
ou simplesmente momento, é uma grandeza vetorial do-se um sentido positivo, podemos escrever:
definida como o produto da massa do corpo por sua
r Q A + Q B = Q 'A + Q 'B
velocidade. Sendo m a massa e V a velocidade,
r r
temos Q = m V . ou
A unidade SI da quantidade de movimento é
mAvA + mBvB = mAv'A + mBvB'
kg . m/s.
Classificação dos choques:
4. TEOREMA DO IMPULSO
6.1. Perfeitamente elástico
O impulso da força resultante sobre um corpo  Conserva energia cinética
durante um determinado intervalo de tempo é igual à EcA = EcD (Antes → A; Depois → D)
variação da quantidade de movimento do corpo no
mesmo intervalo de tempo.  Conserva quantidade de movimento
r
Sendo I o impulso
r r
da força resultante entre os QA = QD
instantes t1 e t2, e Q1 e Q 2 , as respectivas quantidades
r r r
de movimento, temos I = Q 2 − Q 1 .  Coeficiente de restituição (e)
Note que 1 N . s = 1 kg . m/s. e=1

Editora Exato 22
FÍSICA

6.2. Parcialmente elástico ou parcial- Resolução: r r


mente inelástico Aplicando a equação I= F∆t
 Não conserva energia cinética I=10.3 → I=30N.s
ECA > ECD
 Conserva quantidade de movimento 2 Calcule a quantidade de movimento de uma bola
QA = QD de massa 3kg que possui velocidade de 5m/s.
 Coeficiente de restituição (e) Resolução: aplicando a equação
0<e<1 r
Q = mv
r
6.3. Inelástico ou anelástico Q = 3.5
 Não conserva energia cinética Q = 15kgm / s
ECA > ECD

 Conserva quantidade de movimento 3 Uma força de 20N atua durante 6s sobre uma pe-
QA = QD quena bola. Qual a variação da quantidade de
movimento da bola?
 Coeficiente de restituição Resolução:
r r
e=0 Lembrando que I = ∆Q , basta aplicar a equação:
I = ∆Q
Após um choque inelástico, os corpos perma-
F ∆t = ∆Q
necem unidos.
∆Q = 20.6
7. COEFICIENTE DE RESTITUIÇÃO ∆Q = 120kgm / s
Consideremos duas esferas, A e B, realizando
um choque direto. 4 Uma massa de modelar rola com velocidade 1m/s
As propriedades elásticas dos corpos envolvi- quando colide com outra massa idêntica que es-
dos em choques são caracterizadas por uma grandeza tava em repouso. Qual a velocidade de ambas a-
chamada coeficiente de restituição. pós a colisão, sabendo que agora elas se
O coeficiente de restituição e é definido como movimentam juntas?
o quociente entre o módulo da velocidade relativa de Resolução:
afastamento dos corpos imediatamente após o choque A quantidade de movimento antes e depois da
e o módulo da velocidade relativa de aproximação colisão é a mesma (conservação); portanto,podemos
imediatamente antes do choque. escrever:
| velocidade relativa depois do choque| Q antes Q depois
e=
| velocidade relativa antes do choque| mv
1 1 + m2v 2 (m1 + m2 )v
O coeficiente de restituição é adimensional e m.1+ m.o (m + m )v
varia de 0 a 1. Quando o valor é 1, temos um choque Q ANTES = Q DEPO IS
perfeitamente elástico. 1.m + 0 = 2mV
.
1m
/ = 2mV
/.
ESTUDO DIRIGIDO
1
v= m/ s
1 Escreva as equações de impulso e quantidade de 2
movimento.
EXERCÍCIOS
2 Defina sistema isolado.
1 Uma força constante F = 34,0 N atua sobre um
corpo, inicialmente em repouso, por 6 s. Calcule,
3 Classifique os tipos de choque, comentando quais em Ns, o impulso exercido por esta força no cor-
são conservativos. po.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS 2 Um jogador de futebol, ao bater uma falta, con-


segue chutar a bola a uma velocidade de 30 m/s.
1 Um garoto faz uma força constante de 10N sobre Se a bola tem 400g de massa e o contato do pé do
um carrinho durante 3s, calcule o impulso sofrido jogador com a bola durou 0,04s, calcule a força,
pelo carrinho. suposta constante, que o jogador exerceu na bola.
Editora Exato 23
FÍSICA

3 Julgue os itens:
1 Um sistema físico isolado de forças externas
conserva sua energia e sua quantidade de mo-
vimento.
2 Numa colisão totalmente elástica e na ausên-
cia de forças externas, há conservação de ener-
gia.
3 Numa colisão inelástica e na ausência de for-
ças externas, há conservação da quantidade de
movimento.
4 O vetor quantidade de movimento de um cor-
po é proporcional ao seu vetor velocidade.

4 Um átomo de Hélio, com velocidade inicial de


1000 m/s colide com outro átomo de Hélio, inici-
almente em repouso. Considerando que o choque
foi perfeitamente elástico e que a velocidade de
ambos tem sempre mesma direção e sentido, cal-
cule a velocidade dos dois átomos após o choque.

5 Dois patinadores de mesma massa deslocam-se


numa trajetória retilínea com velocidades respec-
tivamente iguais a 8m/s e 6 m/s. O patinador mais
rápido persegue o outro. Ao alcançá-lo, salta ver-
ticalmente e agarra-se às suas costas, passando os
dois a se deslocarem com a mesma velocidade V.
Calcule V.

GABARITO

Estudo dirigido
r r r r
1 I = F .∆t , Q = mv

2 Um sistema é dito isolado quando a força resul-


tante externa é nula, ou seja, participam somente
forças internas.
3 Perfeitamente elástico, conserva a energia cinéti-
ca, enquanto o parcialmente elástico e o inelásti-
co não conservam.
Exercícios
1 204 Ns
2 300N
3 E, C, C, E
4 0 e 1000m/s.
5 7 m/s

Editora Exato 24
FÍSICA

TERMOMETRIA
1. INTRODUÇÃO de números, fazendo corresponder a cada temperatu-
ra um número, temos um instrumento chamado ter-
Termometria é a parte da Termofísica que tem mômetro (a escala de números é chamada de escala
por meta o estudo e a medição da temperatura, ou se- termométrica). O termômetro mais comum consiste
ja, ela tem por finalidade associar um número a cada em um capilar de vidro, adaptado a um pequeno bul-
estado térmico, de modo a permitir comparações en- bo, também de vidro, contendo o metal mercúrio no
tre estados térmicos de corpos diferentes. A medida estado líquido. Funciona como grandeza termométri-
da temperatura é feita por um processo indireto. ca o comprimento da coluna capilar de mercúrio.
Experimentalmente, verificou-se que determi-
nadas características dos corpos se alteram quando
sua temperatura muda, ou seja, certas grandezas são
afetadas pela alteração do estado térmico do corpo. O
comprimento de uma barra, o volume de um líquido,
a pressão de um gás, a resistência elétrica de um con-
tubo capilar
dutor variam com a temperatura e, medindo os valo-
res destas grandezas, podemos avaliar o estado
térmico do corpo.
2. TEMPERATURA coluna de mercúrio
h
Temperatura é uma grandeza primitiva e, por-
tanto, não pode ser definida. Mas a idéia macroscópi-
ca sobre temperatura tem origem na sensação que nos
diz se um corpo está frio ou quente. Quando tocamos bulho
um corpo, nossa sensibilidade térmica nos permite
Termômetro de mercúrio: a cada tempertura T
fazer uma estimativa grosseira de sua temperatura. corresponde uma altura h.
Tal estimativa é proporcionada através do nosso tato,
que pode nos levar a situações enganosas de tempera-
tura. A seguir, relatamos uma experiência clássica, Graduação do termômetro
mostrando este tipo de engano: tome três recipientes Na graduação de um termômetro, costuma-se
contendo água quente, morna e fria. Mergulhe uma atribuir pontos de referência para as temperaturas,
das mãos na água quente e a outra na água fria por que correspondem a estados térmicos bem determi-
um determinado tempo. Coloque agora as duas mãos nados e de fácil obtenção na prática: são os chamados
na água morna. A sensação térmica será igual para as pontos fixos. Os dois pontos fixos mais utilizados na
duas mãos? Não, a água morna parecerá fria para a construção de escalas de temperatura são: o ponto do
mão que estava na água quente, e parecerá quente pa- gelo e o ponto do vapor.
ra a que estava na água fria. Assim, é evidente que a  Ponto do gelo
sensibilidade à temperatura é muito limitada, não Corresponde à fusão do gelo sob pressão de
sendo precisa para ser útil em ciência. 1atm. O termômetro é colocado em gelo moído em
Em nível microscópico, pode-se dizer que equilíbrio térmico com água (gelo fundente). Observe
temperatura é uma grandeza que mede o estado de que o mercúrio desce. Pouco depois ele estaciona.
agitação térmica das partículas que constituem um Enquanto durar a fusão de gelo, o mercúrio manterá a
corpo. Em um gás, por exemplo, quanto maior a ve- sua posição. Marque a posição do extremo da coluna
locidade média de suas moléculas, maior a sua tem- de mercúrio.
peratura.
3. TERMÔMETRO DE MERCÚRIO
A variação do estado térmico de um corpo é
sempre acompanhada da variação de algumas de suas
propriedades. Estas são denominadas propriedades
termométricas, e as grandezas com que são medidas,
grandezas termométricas. Um sistema que apresenta
uma propriedade termométrica chama-se termoscó-
pio. Ao acrescentarmos a um termoscópio uma escala
Editora Exato 25
FÍSICA

temperaturas de fusão (ponto do gelo) e ebulição


(ponto do vapor) da água, sob pressão normal, que
correspondem a dois pontos da altura h do termôme-
tro. O intervalo entre esses dois pontos é dividido em
temperatura 100 partes.
do primeiro A escala de temperatura Kelvin atribui o valor
tg ponto fixo zero de temperatura ao zero absoluto, por isso é cha-
mada de escala absoluta. Naturalmente, percebe-se
que na escala Kelvin não há leituras negativas.
Para converter uma temperatura expressa em
graus Celsius para a escala Kelvin, adiciona-se, na
prática, 273 ao valor da temperatura.
Em países de língua inglesa, como Inglaterra e
Estados Unidos, é muito comum o uso da escala Fa-
hrenheit. Esta escala foi criada de forma que a tempe-
ratura mais baixa ocorrida na Inglaterra, cerca de –
18ºC, correspondesse a 0ºF e a temperatura do corpo
humano, cerca de 37ºC, fosse 100ºF. As temperaturas
 Ponto do vapor de fusão do gelo e ebulição da água, sob pressão
Corresponde à ebulição da água, sob pres- normal, são 32ºF e 212ºF, dividindo o intervalo entre
são de 1atm. estes dois pontos em 180 partes. Abaixo, representa-
Exponha agora o termômetro aos vapores mos a conversão entre as escalas:
d’água em ebulição, tomando o cuidado de não
tocar a superfície. Observe que o mercúrio sobe. Celsius Fahrenheit Kelvin
Marque a posição do extremo da coluna de mer-
cúrio. ponto do vapor 100ºC 212ºF 373K

Temperatura
do segundo
ponto fixo TC TF T
tg
V ∆H

h ∆h
ponto
do gelo 0ºC 32ºF 273K

hg
h-altura da coluna de mercúrio

Tc − 0 T − 32 T − 273
= f =
100 − 0 212 − 32 373 − 273

Tc T − 32 T − 273
= f =
100 180 100

Tc Tf − 32 T − 273
= =
5 9 5
4. ESCALAS TERMOMÉTRICAS
Em particular:
Escalas termométricas são um conjunto de va- T = Tc + 273
lores numéricos de temperaturas, associados a um de- Há ainda outras escalas, como, por exemplo, a
terminado estado térmico preestabelecido, escala absoluta Rankine. Ela, por ser uma escala ab-
denominado ponto fixo da escala. soluta, só apresenta valores acima de zero e se rela-
Para a graduação do termômetro de mercúrio, ciona com a escala Fahrenheit da seguinte forma:
usamos a escala Celsius, oriunda dos antigos graus
centígrados, que atribuíam os valores 0°C a 100°C às TR = TF + 459, 67

Editora Exato 26
FÍSICA

5. EQUILÍBRIO TÉRMICO que ele trabalha, essa esterilização não pode ser feita
através de processos que utilizam temperaturas ele-
A experiência mostra que, quando colocamos vadas. O álcool, então, é o anti-séptico recomendado.
um corpo quente próximo a um corpo frio, este se
aquece e o corpo quente se esfria. O processo conti- Os termômetros de mercúrio são muito utiliza-
nua até que, num dado momento, as temperaturas dos dos na prática, pois:
dois corpos se igualam. Neste instante, dizemos que - O mercúrio é facilmente obtido em elevado grau de
os dois corpos se encontram em equilíbrio térmico. pureza.
Generalizando, temos que:
- O mercúrio apresenta dilatação térmica regular e
Dois corpos estão em equilíbrio térmico quan- muito superior à do vidro.
do tiverem a mesma temperatura.
- Sob pressão normal, o mercúrio é líquido num in-
6. PRINCÍPIO ZERO DA TERMODINÂMICA tervalo de temperaturas bastante extenso (entre
Dois corpos em equilíbrio térmico com um ter- 39°C e 359°C), o que abrange os fenômenos tér-
ceiro estão em equilíbrio térmico entre si. micos mais freqüentes.

7. LEITURA COMPLEMENTAR - O mercúrio não adere ao vidro e não reage com ele.
- Os termômetros de mercúrio são de fácil construção
Termômetro clínico e cômodos no manuseio.
É um termômetro de mercúrio adaptado para
funcionar no intervalo de temperaturas de 35°C a ESTUDO DIRIGIDO
44°C.
Normalmente, o termômetro clínico é utilizado 1 Defina temperatura em nível microscópico.
na determinação da temperatura do corpo humano e
de outros seres vivos.
Como é construído com a finalidade básica de 2 Cite os pontos fixos mais utilizados na constru-
indicar a temperatura mais elevada por ele atingida, ção de escalas de temperatura.
quando em contato com o corpo humano, o termôme-
tro clínico é considerado um termômetro de máxima. 3 Quais são os pontos fixos das escalas Celsius e
Para que esse objetivo seja alcançado, há um estran- Fahrenheit?
gulamento do tubo capilar na região que o liga ao
bulbo, evitando, assim, o refluxo de mercúrio após
ter atingido a temperatura máxima. EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

estrangulamento 1 Transforme 40ºC em ºF


Resolução: basta usar as escalas.
44

35

bulho
100ºC 212

40 TF
Para desfazer o efeito do estrangulamento, é
suficiente sacudir o termômetro com movimentos rá-
pidos: a inércia do mercúrio leva-o de volta ao bulbo. 0 32
O termômetro clínico deve ter pequenas di-
mensões, a fim de atingir o equilíbrio térmico com o Assim, temos:
corpo humano rapidamente, e sua escala deve ser fra- 40 − 0 T − 32
= F →
cionada para que seja sensível a pequenas variações 100 − 0 212 − 32
de temperatura. Na prática, o termômetro clínico a- 40 TF − 32
= →
presenta tubo capilar de alguns milímetros de diâme- 100 180
4 TF − 32
tro e comprimento de dez centímetros, = →
1 18
aproximadamente.
4.18 = TF − 32 → 72 = TF − 32
O termômetro clínico, quando usado em mais TF = 72 + 32 → TF = 104º F
de um paciente, pode funcionar como veículo de con-
taminação microbiana. Assim, após cada tomada de
temperatura, ele deve ser esterilizado. Mas, devido ao
pequeno intervalo de temperaturas (35°C a 44°C) em
Editora Exato 27
FÍSICA

Se você preferir, pode decorar a equação: °C


80
Tc FF − 32
=
5 9

20

2 Que temperatura apresenta a mesma marcação 0 50 °X


nas escalas Celsius e Fahrenheit.
Resolução: Aqui, vamos usar a equação pronta.
Veja:
Tc TF − 32 5 O sêmen bovino utilizado para inseminação arti-
= , se Tc = TF , temos ficial é conservado em nitrogênio líquido que, à
5 9
Tc Tc − 32 pressão normal, tem temperatura de 78K. Calcule
5
=
9

esta temperatura em ºC e ºF.
9.Tc = 5 (Tc − 32 ) →
9Tc = 5Tc − 160
GABARITO
9Tc − 5Tc = −160
4Tc = −160
Estudo dirigido
160
Tc = − → Tc = −40º C
4 1 Em nível microscópico, pode-se dizer que tempe-
ratura é uma grandeza que mede o estado de agi-
tação térmica das partículas que constituem um
EXERCÍCIOS corpo.

1 Julgue os itens: 2 Os dois pontos fixos mais utilizados são os pon-


1 A temperatura é uma medida que dá a noção tos do gelo e do vapor. O primeiro corresponde
do grau de agitação das moléculas de um cor- ao ponto de fusão do gelo à pressão de 1atm, en-
po. quanto o segundo corresponde à ebulição da água
2 Se um corpo A está em equilíbrio térmico à pressão de 1atm.
com um corpo B, pode-se dizer que estão em 3
equilíbrio térmico entre si.
3 O ponto de fusão da água a 1 atm em diferen- Escala Celsius Escala Fahrenheit
100ºC vapor 212ºF vapor
tes escalas é de 0ºC, 32ºF e 273K.
4 As escalas Kelvin e a Fahrenheit só podem
apresentar valores não-negativos de temperatu-
ra.
0ºC gelo 32ºF gelo
2 Que temperatura apresenta a mesma marcação
numérica nas escalas Celsius e Fahrenheit? Exercícios
1 C, C, C, E
3 Um termômetro clínico de mercúrio, ao ser cali-
brado, apresentava a coluna de mercúrio com 2 –40 0(°C ou °F)
uma altura de 1,0cm para 35ºC e 11,5 cm para 3 55cm
42ºC. Que altura teria a coluna de mercúrio a
4 62,5°x
uma temperatura de 38ºC?
5 –195°C e –319°F
4 Uma escala arbitrária X relaciona-se com a esca-
la Celsius de acordo com o diagrama a seguir.
Qual a temperatura na escala X correspondente à
temperatura de ebulição da água?

Editora Exato 28
FÍSICA

CALORIMETRIA
1. INTRODUÇÃO
3. CALOR ESPECÍFICO DE UMA SUBSTÂN-
Vamos considerar uma moeda quente que, CIA (C)
quando mergulhada em uma porção de água fria, tem
sua temperatura diminuída. É a razão entre a capacidade térmica C de um
Inicialmente, a temperatura da moeda é maior corpo constituído da substância considerada e a mas-
que a da água. De acordo com a teoria cinética, as sa m do corpo:
C
moléculas da moeda têm maior agitação que as molé- c= C = mc
m
culas de água, ou seja, maior energia cinética média.
Quando a moeda é mergulhada na água, acon- A capacidade térmica de uma substância de-
tece uma transferência de energia das moléculas da pende da natureza e da quantidade da substância. O
moeda para as da água, diminuindo a temperatura da calor específico depende da natureza da substância,
moeda e aumentando a da água. À medida que as mas não depende da quantidade.
temperaturas se igualam, cessa a transferência de e-
Exemplo:
nergia e, nessa situação, atingimos o equilíbrio tér-
mico. A essa energia transferida da moeda para a 1kg de ferro tem o mesmo calor específico de
água, devido à diferença de temperatura, damos o 2kg de ferro, mas os 2kg de ferro têm capacidade
nome de calor. térmica maior.
Caro aluno, não esqueça!!! Fórmula fundamental da calorimetria
Consideremos dois corpos A e B, com tempe-
O termo calor é usado para indicar a energia raturas TA > TB , haverá, então, passagem de energia do
que se transfere de um corpo, ou sistema, a outro, não
corpo A para o corpo B, até que os dois tenham a
sendo usado para indicar a energia que um corpo
mesma temperatura (equilíbrio térmico). A quantida-
possui.
de de calor trocada entre os corpos A e B pode ser
A unidade de quantidade de calor [Q] no Sis-
calculada com a expressão abaixo:
tema Internacional é o joule (J). As unidades mais
usadas, no entanto, são a caloria (cal) e seu múltiplo, CALO R
o quilocaloria (kcal).
Definição de caloria ⇒ 1 caloria é a quantida- A B
de de calor necessária para elevar a temperatura de
1g de água de 14,5ºC a 15,5ºC, sob pressão normal.
1 cal = 4,186 J
1 kcal = 103 cal Q = mc ∆T
2. CAPACIDADE TÉRMICA DE UM CORPO Em que:
Q = quantidade de calor sensível (cal)
(C)
m = massa do corpo (g)
Representa a quantidade de calor necessária  cal 
c = calor específico  
para que a temperatura do corpo varie de 1 grau. Siga  g ⋅ °C 
o exemplo: ∆ T = Tf - Ti = variação de temperatura (°C)
 Um pedaço de ferro de 100g é aquecido Se:
num calorímetro de 20° C para 50° C, rece-
Tf ≥ Ti ⇒ Q > 0 (calor recebido pelo corpo)
bendo para isso uma quantidade de calor
Tf ≤ Ti ⇒ Q < 0 (calor cedido pelo corpo)
(Q) de aproximadamente 330 cal. Ou seja,
precisou de 11cal para aquecer 1° C. As-  Calor sensível → define-se calor sensível
sim, a capacidade térmica desse pedaço de como a quantidade de calor dada a uma
ferro é de 11cal/ºC. Daí, temos que: substância, a fim de que esta sofra apenas
Q uma variação de temperatura, sem que o-
C= corra mudança de fase.
∆T
C = Capacidade térmica (cal / °C).
Q = Quantidade de calor.
∆T = Variação de temperatura.

Editora Exato 29
FÍSICA

 Calor específico de algumas substâncias: m = massa do corpo (g).


L = calor latente de mudança de fase (cal /g).
Substância Calor específico (cal/g°C)
6. CALORÍMETRO
Alumínio 0,219
Água 1,000 Para medir a quantidade de calor recebida ou
Estanho 0,055 cedida por uma substância, usamos um aparelho
Ferro 0,119 chamado calorímetro, que tem a propriedade de não
Gelo 0,550 efetuar trocas de calor com o ambiente.
Mercúrio 0,033

Calor específico da água:


Note, na tabela anterior, que o calor específico
da água é bem superior ao das demais substâncias.
Na verdade, na natureza, pouquíssimas substâncias
possuem calor específico maior. Como exemplo, po-
demos citar o hélio. O fato de a água possuir elevado
calor específico significa que precisamos de uma
grande quantidade de calor para produzir uma eleva-
ção de temperatura relativamente pequena numa de-
terminada massa d’água. Como conseqüência, o
clima de regiões que possuem grandes quantidades
de água (como as litorâneas) sofre menores variações Um dos modelos mais simples é o calorímetro
de temperatura, tendo, portanto, um clima mais ame- de água, com capacidade para cerca de 2 l . É for-
no. Isso não ocorre, por exemplo, em desertos, pois a mado por um recipiente de cobre, alumínio ou ferro,
areia tem baixo calor específico. envolvido por um material isolante, como o isopor, e
4. PRINCÍPIO DA IGUALDADE DAS TROCAS que contém uma quantidade conhecida de água. Um
termômetro é colocado através da tampa do recipien-
DE CALOR
te, a fim de se verificar a temperatura do sistema.
Consideramos vários corpos com temperaturas
diferentes colocados em contato, constituindo um sis- ESTUDO DIRIGIDO
tema termicamente isolado (não troca calor com o
meio externo), por exemplo, uma caixa de isopor. 1 O que é calor?
Como as temperaturas são diferentes, os corpos tro-
cam calor até atingirem o equilíbrio térmico. 2 Temos duas amostras de ferro, uma têm 1kg e a
Como não há trocas com o meio externo, a outra possui 2kg. Pergunta-se:
quantidade de calor recebida pelos corpos mais frios a) Qual das duas tem o maior calor específico?
é exatamente igual à quantidade de calor cedida pelos b) Qual possui a maior capacidade térmica?
corpos mais quentes. Adotando, para quem cede, o
sinal negativo, e para quem recebe calor, o sinal posi-
tivo; podemos afirmar que: num sistema termicamen- 3 Escreva a equação de calor sensível, diga o que
te isolado, a soma das quantidades de calor recebido significa cada símbolo, e sua unidade usual.
e cedido é nula.
∑ Qrecebido + ∑ Qcedido = 0
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
5. CALOR LATENTE
1 Calcule a quantidade de calor necessária para e-
É a quantidade de calor que um grama de uma levar a temperatura de 200g de H2O de 20ºC para
substância precisa ganhar ou perder para mudar de 30ºC. Use calor específico da água 1cal/gºC.
uma fase a outra. Resolução:
Durante a mudança de fase de uma substância Utilizando a equação Q = mc ∆t , temos:
pura, se a pressão permanece constante, a temperatu- Q=200.1(30-20)
ra também permanece constante. Q=200.1.10
Q = m ⋅L Q=2000cal
Q = quantidade de calor trocada durante a mu-
dança de fase (cal).

Editora Exato 30
FÍSICA

2 Misturam-se 40l de água a 60ºC com 20l de á- 4 Um cubo de gelo de 20g, que estava inicialmente
gua a 30ºC. Calcule a temperatura final da mistu- a −10°C , é retirado do congelador e colocado em
ra. Dado C H O = 1cal / g º C .
2
um copo. Após estar em equilíbrio térmico com o
Resolução: ambiente, que está a 25ºC, que quantidade de ca-
Quando se trata de mistura, é preciso lembrar lor o gelo terá absorvido?
que a quantidade de calor cedida pelo mais quente é Dados:
totalmente transferida para o mais frio, pois aqui con- Calor específico da água líquida = 1,0 cal/gºC
sideramos que o sistema é isolado termicamente, ou Calor específico do gelo = 0,5 cal/gºC
seja, não perde energia para o ambiente. Assim temos Calor latente de fusão da água = 80 cal/g

Q CED = Q RED 5 Um rapaz deseja tomar banho de banheira, com


mC
1 ∆t = m2C ∆t água a uma temperatura de 30°C, misturando á-
40.000 ⋅ 1(TF − 60 ) = 20.000 ⋅ 1(TF − 30 ) gua quente e fria. Inicialmente, ele coloca 100L
40.000
/ / / / (TF − 60 ) = 20.000
/ / / / ( 30 −TF ) de água fria a 20°C. Desprezando a capacidade
4 (TF − 60 ) = 2 ( 30 −TF ) →
térmica da banheira e a perda de calor da água,
pergunta-se:
4TF − 240 = −2TF + 60 →
a) Quantos litros de água, a 50°C, ele deve colo-
4TF + 2TF = 60 + 240 →
car na banheira?
300 b) Se a vazão da torneira de água quente é de
6TF = 300 → TF =
6 0,20L/s, durante quanto tempo a torneira deve
TF = 50º C
permanecer aberta?

Lembre-se ainda que 1l de H2O corresponde a


1.000g; assim, 40l=40.000g e 20l=20.000g. GABARITO

Estudo dirigido
EXERCÍCIOS
1 Calor é energia térmica em trânsito, passando es-
1 A definição de calor é: pontaneamente do corpo mais quente para o mais
a) a mesma de temperatura. frio. Lembre-se de que não é correto afirmar que
b) energia transferida entre corpos devido à dife- um corpo possui calor.
rença de temperatura. 2
c) energia armazenada em corpos quentes. a) O calor específico depende da natureza da
d) energia armazenada em corpos frios. substância, mas independe da quantidade. C como as
e) energia total de um corpo. amostras são de ferro possuem o mesmo calor especí-
fico.
2 Julgue os itens abaixo: b) A capacidade térmica, depende da natureza
1 Dois corpos à mesma temperatura estão em e da quantidade da substância; logo, a amostra de 2kg
equilíbrio térmico e não trocam calor entre si. possui maior capacidade térmica.
2 Quanto maior o calor latente de um corpo, 3 Q = mc ∆t
maior a quantidade de calor que uma certa Q = quantidade de calor - calorias (cal)
massa do corpo deve receber para que tenha m = massa – grams (g)
um certo aumento de temperatura. c = calor específico – cal/gºC
3 Dois corpos de mesmo calor específico po- ∆t = variação de temperatura – Celsius (ºC)
dem ter capacidades térmicas diferentes.
4 O calor armazenado em um corpo é denomi-
nado calor específico. Exercícios
1 B
3 Um certo corpo sólido, de 200g, que está inici- 2 V, F, V, F
almente a 10ºC, é aquecido até 40ºC. Para tanto,
3 0,1 cal/g°C
absorveu 600cal de calor. Determine o calor es-
pecífico do material que constitui este sólido. 4 2200 cal
5 a) 50L b) 250s

Editora Exato 31
FÍSICA

DILATAÇÃO E MUDANÇAS DE FASES


1. INTRODUÇÃO
À medida que aumenta a temperatura de um chapa na temperatura T0 área A 0
corpo, aumenta a amplitude e suas agitações ou vi-
brações moleculares e, em conseqüência desse fato, chapa na temperatura T área A
as distâncias médias entre as moléculas aumentam,
alterando as dimensões físicas do corpo, que tem seu
volume aumentado (dilatação). Quando a temperatura 4. DILATAÇÃO VOLUMÉTRICA
do corpo diminui, temos o efeito contrário: a dimi-
nuição do volume (contração). A dilatação volumétrica é diretamente propor-
Veja alguns exemplos: cional ao volume e à variação da temperatura. Por is-
1. Deixam-se pequenos vãos entre os trilhos de so, podemos estabelecer o seguinte esquema:
uma estrada de ferro, para prevenir o aumento do seu
comprimento, nos dias quentes. chapa na temperatura T0 volume V 0
2. As calçadas de cimento não devem ser intei-
riças, pois o cimento se dilata, provocando rachadu-
chapa na temperatura T volume V
ras, por isso, colocam-se ripas de madeira a
intervalos regulares.
3. Ao receber água quente, uma vasilha de vi- 5. LEITURA COMPLEMENTAR
dro pode rachar, pois as camadas internas se dilatam
antes das camadas externas. Dilatação irregular da água
4. Você já deve ter percebido que, quando um A maioria das substâncias, ao ser aquecida, so-
recipiente de vidro está fortemente fechado com tam- fre aumento em seu volume. Outras, no entanto, ao
pa metálica, basta mergulhá-lo na água quente ou serem aquecidas, sofrem redução em seu volume. A
derramar água quente sobre a tampa e ela abrirá fa- água é um exemplo deste comportamento irregular.
cilmente. A tampa de metal dilata-se mais que o vi- Verifica-se experimentalmente que uma certa massa
dro, ficando frouxa. de água, ao ser aquecida de 0°C até 4°C, apresenta
uma redução em seu volume. Após 4°C, a água se di-
2. DILATAÇÃO LINEAR
lata normalmente.
Considere uma barra metálica de comprimento Isto ocorre porque, no estado sólido, cada mo-
inicial L0, na temperatura To. Aquecendo-se esta bar- lécula da água se liga a outras quatro através de pon-
ra até a temperatura T, seu comprimento passa a ser tes de hidrogênio. Isso forma uma estrutura
L. A barra sofreu um acréscimo de comprimento ∆L hexagonal semelhante a um favo de mel, com lacunas
= L – L0, quando sua temperatura variou ∆T = T – T0. entre as moléculas. Quando o gelo se funde, esta es-
Esquematizando, temos: trutura se quebra e os espaços vazios começam a ser
preenchidos. A partir de 4ºC, o volume da água vai
aumentando com a temperatura em conseqüência da
T0
L maior energia cinética das moléculas.
O fato de a água apresentar esse comportamen-
to irregular é muito importante na natureza. É graças
a ele que, nos países onde o inverno é rigoroso, os la-
T gos e rios se congelam na superfície, enquanto no
L0
fundo permanece água a 4°C, que se deslocou para
esta posição em virtude de sua densidade ser mais e-
3. DILATAÇÃO SUPERFICIAL levada nesta temperatura.
Considere uma chapa metálica de área inicial
Aplicações da dilatação
A0 na temperatura T0. Aquecendo-se esta chapa até a
Dilatação de uma lâmina bimetálica - lâmina
temperatura T, sua área passa a ser A. A chapa sofreu
bimetálica é o conjunto de duas fitas de materiais di-
uma dilatação superficial ∆A = A – A0, quando sua
ferentes presas uma à outra. Por exemplo, tome uma
temperatura aumentou ∆T = T − T .
0
fita de zinco e outra de cobre e rebite-as, como na fi-
gura. Aqueça-as com o auxílio de uma chama. O zin-
co se dilatará mais que o cobre e as lâminas se
Editora Exato 32
FÍSICA

curvarão. Veja, na Tabela 1, que o coeficiente de di- Fusão (ou solidificação) nítida é aquela em que
latação linear do zinco é maior que o do cobre. há a coexistência das fases sólida e líquida. O corpo
Lâminas como estas podem ser usadas como passa aos poucos de uma fase para a outra. É própria
reguladores de temperaturas em ferros de engomar, das substâncias cristalinas.
em estufas, em fornos elétricos e em lâmpadas de A fusão do gelo é nítida, porém a da parafina,
pisca-pisca. da cera, não é. Enquanto parte do gelo já se fundiu
(virou água), a outra parte continua sólida. Por outro
Cu lado, a parafina vai amolecendo, passa por um estado
pastoso e, em seguida, vai de uma vez para o estado
líquido.
 Vaporização é a passagem da substância do
estado líquido para o estado gasoso.
Zn  Liquefação é a passagem do gasoso para lí-
quido. É a transformação inversa da vapori-
zação.
Tensão térmica  Sublimação é a passagem da substância di-
A tensão térmica nos dá uma explicação para o retamente do estado sólido para o gasoso ou
fato de um copo de vidro grosso comum romper-se do gasoso para o sólido.
ao receber água fervendo em seu interior. Como o vi- A experiência mostra que a fusão e a vaporiza-
dro é mal condutor de calor, as camadas internas dila- ção se processam sempre com recebimento de calor,
tam-se mais rapidamente do que as camadas externas. sendo, pois, transformações endotérmicas.
A tensão aí criada provoca a ruptura do vidro. Isso Já a solidificação e a liquefação se processam
não acontece com o pirex, pois este possui um coefi- com desprendimento de calor sendo, pois, transfor-
ciente de dilatação bem menor que o vidro comum. mações exotérmicas.
Portanto, apresenta uma tensão térmica bem menor 8. TEMPERATURA DE MUDANÇA DE FASE
também.
A fusão e a solidificação se processam na
6. MUDANÇAS DE FASES mesma temperatura, chamada temperatura (ou ponto)
A matéria (as substâncias, os elementos etc) de fusão ou de solidificação (TF). Por exemplo, a á-
pode apresentar-se em três estados físicos fundamen- gua sob pressão atmosférica normal sempre se funde
tais: sólido, líquido e gasoso. e se solidifica a 0°C. A ebulição e a liquefação se
Analisando, de uma maneira muito simples, processam na mesma temperatura, chamada tempera-
sob o ponto de vista físico, podemos dizer que sóli- tura (ou ponto) de ebulição ou de liquefação (TE).
dos são os corpos que apresentam forma e volume Por exemplo, a água sob pressão atmosférica normal
próprios, resistência a esforços de tração, compres- sempre entra em ebulição e liquefaz a 100°C.
são, cisalhamento etc; já os líquidos têm volume pró- Durante a mudança de fase de uma substância
prio, mas não têm forma própria, tomando a forma do pura à pressão constante, a temperatura permanece
recipiente que os contém; finalmente, os gases não constante.
têm forma própria e nem volume próprio, tomando
sempre a forma e o volume do recipiente em que são 9. DIAGRAMAS DE FASE
colocados.
Os líquidos e os gases, que podem ser chama- Para a maioria das substâncias:
P
dos indistintamente de fluidos, não apresentam resis- Líquido
Fusão

tência a esforços de tração e cisalhamento, mas


ão

resistem à compressão; os líquidos apresentam gran-


riz

Sólido
po

de resistência à compressão, mas nos gases a resis- PT


Va

ão Gás
tência é muito pequena. Por isso mesmo, os líquidos aç
são considerados como incompressíveis e os gases b lim Vapor
Su
como compressíveis.
7. DEFINIÇÕES TC T

 Fusão é a passagem de uma substância do


PT = Ponto Triplo → Ponto onde há coexis-
estado sólido para o estado líquido.
tência dos três estados de agregação em equilíbrio.
 Solidificação é a passagem de líquido para
sólido. É a transformação inversa da fusão.
Editora Exato 33
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TC = Temperatura Crítica → Temperatura aci-


ma da qual a substância gasosa não pode ser liquefei-
ta por compressão isotérmica, passando de vapor a
gás.

Para a água:
P Líquido

Va po rização
Fu
sã o

Sólido
ão P T G ás 11. PRESSÃO X TEMPERATURA DE E-
aç Vapor
b l im BULIÇÃO
Su
Um aumento da pressão sobre um líquido fará
T com que o ponto de ebulição aumente. Assim, no alto
do Everest, a água sofre ebulição abaixo de 100°C e
10. PRESSÃO X TEMPERATURA DE FU- dentro de uma panela de pressão, acima de 100°C.
SÃO A tabela ilustra a temperatura de ebulição da
água em algumas cidades.
Na maioria das substâncias, o aumento de
Cidade Temperatura de
pressão acarreta aumento na temperatura de fusão.
ebulição (C°)
Na água, um aumento de pressão diminui a
La Paz 87°
temperatura de fusão.
Quito 90°
A fusão de um material sólido puro obedece a
dois princípios básicos: Brasília 96°
 A uma dada pressão, todo o material sofre São Paulo 98°
fusão a uma temperatura determinada. Rio de Janeiro 100°
 Não havendo variação de pressão, a tempe-
ratura de fusão se mantém constante.
ESTUDO DIRIGIDO
Vamos estudar a influência da pressão na tem- 1 Por que existem pequenos vãos entre os trilhos
peratura de fusão das substâncias em duas partes: pa- de ferro?
ra a maioria das substâncias e para a água.
A maioria das substâncias ao sofrer fusão sofre
expansão (aumenta de volume). Para tais substâncias, 2 Quando um pedreiro faz uma calçada, ele costu-
o aumento da pressão acarreta um aumento da tempe- ma deixar ripas de madeira entre os blocos de
ratura de fusão. A água faz exceção à regra, pois ao cimento. Por que ele faz isso?
sofrer fusão ela sofre contração (diminui de volume),
para a água um aumento de pressão leva a uma redu-
3 O que acontece com a temperatura de uma subs-
ção da temperatura de fusão.
tância pura durante uma mudança de fase?
Experiência de Tyndall
Considere um bloco de gelo numa temperatura
inferior a 0°C. Se passarmos sobre o bloco de gelo 4 Qual a influência da pressão durante a fusão da
um fio fino de metal com dois pesos de alguns quilo- maioria das substâncias? E do gelo?
gramas nas extremidades, o acréscimo de pressão nos
pontos de contato do fio com o gelo diminui a tempe-
ratura de fusão e provoca o derretimento do gelo sob EXERCÍCIOS
o fio. Nas regiões em que o fio já atravessou o bloco,
1 (PUC) Uma porca está muito apertada no parafu-
a água, livre de pressão do fio volta a se congelar (re-
so. O que você deve fazer para afrouxá-la?
gelo).
a) é indiferente esfriar ou esquentar a porca.
Desta forma, o fio de metal atravessa o bloc