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ORIENTE DE SÃO PAULO

TRABALHO APRENDIZ MAÇOM: Câmara de Reflexões

1º TRABALHO
Apresentado em 24 de Outubro de 2000

Câmara de Reflexões

Este trabalho tem o objetivo de esclarecer sobre os significados da Câmara de


Reflexões, local esse que somos recolhidos logo após a nossa chegada a Loja,
quando temos os nossos olhos vendados. A Câmara de Reflexões por sua
decoração se torna um ambiente apropriado ao recolhimento e a introspecção,
sendo esse um dos seus principais objetivos, ou seja, fazer com que o
candidato reflita sobre sua vida passada, o momento que está vivendo e sua
nova vida após ser aceito na Maçonaria.

No intuito de reforçar esse momento e marcar essa “passagem” é solicitado ao


candidato que preencha um testamento, fato esse que caracteriza a morte
próxima ou seja, morrer para dar início a uma nova fase, e esse testamento
moral e filosófico que o candidato deve preencher, que é ao final assinado por
ele, contem as seguintes questões:
• Quais os deveres do Homem para com Deus?
• Quais os deveres do Homem para com a Humanidade?
• Quais os deveres do Homem para com a Pátria?
• Quais os deveres do Homem para com a Família?
• Quais os deveres do Homem para consigo mesmo?

Inicialmente para o candidato esse local pode se mostrar um pouco assustador,


mas após receber a “Luz” e com os ensinamentos que serão recebidos,
percebe então que essa foi uma das principais fases de sua Iniciação.

Uma iniciação maçonica é uma morte simbólica e um renascimento, ou, um


novo nascimento. Por isso, o candidato fica encerrado durante algum tempo,
num compartimento isolado, como uma caverna, de onde ele sai, num
determinado momento do ritual iniciático, como se saísse do útero para a luz.

Em Maçonaria , esse compartimento recebe o nome de Câmara de Reflexões,


onde o candidato permanece em meditação, antes de ser conduzido ao templo,
para a cerimônia de iniciação. Tudo nessa Câmara lembra a morte , a
enfermidade da matéria e a eternidade do espírito. Assim se desconsiderarmos
as pequenas diferenças entre os ritos, uma Câmara contém:
1. Um esqueleto humano, a mostrar que todos ficam reduzidos a mesma
condição, após a morte, sendo, portanto, vãs e fúteis as distinções feitas
em vida.
2. Uma ampulheta, ou relógio de areia, que, por registrar pequenos espaços
de tempo, mostra que a vida é efêmera e deve ser usada na concretização
das grandes obras do espírito humano.
3. Sal, enxofre e mercúrio, os três elementos necessários à grande Obra da
Alquimia – que é a transmutação dos metais inferiores em ouro, sendo
também chamada de Arte Real, graças à lenda segundo a qual o rei Midas
teria recebido, do deus grego Dionísio, o poder de transformar em ouro
tudo o que tocasse. A Grande Obra, para a alquimia oculta, consiste no
constante renascer, para que o iniciado percorra o caminho do
conhecimento e do aperfeiçoamento, até chegar a comunhão com a
divindade. Assim, os metais inferiores simbolizam as paixões humanas e
os vícios, que devem ser combatidos e transformados em ouro do espírito,
que é o objetivo da Grande Obra, ou Arte Real.
4. Um pedaço de pão de trigo que simboliza o alimento da fertilidade da terra,
fecundada pelo Sol, e uma bilha com água que simboliza o alimento do
espírito, por ser o símbolo da purificação mostrando que é importante o
nutrimento do corpo, sendo o do espírito tão importante quanto ou até
mais.
5. O galo, em posição de canto, saudando a nova aurora, o renascer do
candidato, para uma nova existência com uma ampulheta abaixo com as
palavras - Vigilância e Perseverança.
6. Uma taça de líquido doce e uma de líquido amargo, simbolizando que a
vida é feita de altos e baixos, de bons e maus momentos e que o homem
deve acatar sua sorte, resignadamente.
7. A palavra VITRIOL , que é a sigla de uma máxima alquímica: Visita
Interiore Terrae Rectificando que Invenies Ocultum Lapidem ( Visitar
o interior da Terra e, seguindo em linha reta, encontrarás a pedra oculta), a
qual alude a procura da pedra filosofal da Alquimia. Para a alquimia
mística, porém, a frase é um convite a introspecção, à procura do eu
interior, como a expressão inscrita
no frontispício do templo de Apolo, em Delfos: Nosce te ipsum ( Conhece-te a
ti mesmo).

8. Sobre as paredes deve haver, em caracteres legíveis, as inscrições que


seguem:
Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te.
Se queres bem empregar a tua vida, pensa na morte.
Se tens receio que se descubram os teus defeitos, não estarás bem entre nós.
Se és apegado às distinções mundanas, retira-te; nós aqui, não as
conhecemos.
Se fores dissimulado, serás descoberto.
Se tens medo, não vás adiante.

Esse renascer constante, a partir da morte simbólica, associado a toda


escalada iniciática , no caminho que vai das trevas à luz, pode ser assimilado
às sucessivas mortes e ressurreições da natureza, mostrada pelo ciclo imutável
dos vegetais, em todos os anos. E esse ciclo é mostrado pelos signos
zodiacais, que simbolizam todo o aperfeiçoamento do candidato, desde que ele
é encerrado na Câmara de Reflexão, até que, como iniciado, ele percorre o
caminho do conhecimento, que o leva à visão da Luz total, simbolizada pelo
Sol, no Oriente.

Os signos zodiacais relacionados com o grau de Aprendiz Maçom são: Áries,


Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem; relacionado com o grau de
Companheiro Maçom , está o signo de Libra; e os inerentes ao grau de Mestre
Maçom são os signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

Bibliografia:

Assis Carvalho - Caderno de estudos maçônicos (O Aprendiz Maçom Grau 1)


José Castellani - Maçonaria e Astrologia

José Castellani - O Grau de Aprendiz Maçom

Rizzardo da Camino - O Aprendiz Maçom

Edição 1999 - Ritual do Grau de Aprendiz