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INTRODUÇÃO:

Nesta experiência estudar-se-á magnetismo, as linhas de campo magnético geradas por


imãs e por corrente elétrica, a força entre dois condutores percorridos por corrente elétrica, a
dependência do campo magnético para com a corrente e a dependência deste para com a
distância. Porém, para a correta compreensão deste trabalho algumas definições devem ser
feitas sobre os assuntos tratados. Deste modo começar-se-á pela definição de magnetismo.

O magnetismo está intimamente ligado ao movimento dos elétrons nos átomos, pois
uma carga em movimento gera um campo magnético. O número e a maneira como os elétrons
estão organizados nos átomos constituintes dos diversos materiais é que vai explicar o
comportamento das substâncias quando sobre influência de um campo magnético de uma
segunda substância (leia sobre a Teoria dos Spins). Este é o fenômeno físico que consiste nas
forças de atração e repulsão exercidas por certos metais, como o ferro-doce, o cobalto e o
níquel, devido à presença de cargas elétricas em movimento.

A estrutura elétrica mais simples que se pode conceber é uma carga isolada, de modo
que duas cargas de sinais contrários formam um dipolo elétrico, caracterizado por um momento
de força ou magnitude física equivalente à que provoca o giro de uma barra rígida apoiada em
um ponto fixo. Por analogia, definem-se os dipolos magnéticos, formados por dois pólos (norte
e sul) que geram perturbações específicas acentuadas a seu redor, as quais se transmitem
ininterruptamente entre ambos. A inexistência, porém, desses pólos magnéticos isolados
constitui um dos aspectos fundamentais da ciência do magnetismo.

Denomina-se campo magnético à perturbação sofrida pelo espaço próximo a uma dessas
fontes magnéticas. A magnitude fundamental do campo magnético é a indução de campo,
representada habitualmente pelo símbolo B e dotada de caráter vetorial, já que depende tanto de
seu valor numérico como da direção e sentido de máxima variação do campo. O vetor
intensidade de campo magnético B é definido como uma derivação da indução magnética, e a
razão pela qual possui a denominação reservada normalmente aos vetores básicos de campo é
puramente histórica.
A detecção de um campo magnético em um meio é feita pela influência que exerce
sobre uma bússola ou carga elétrica em movimento. Assim, pode-se definir a indução de campo
magnético como a força que este exerce perpendicularmente sobre uma carga unitária de
velocidade, também igual a um. A expressão matemática desta relação, chamada de Lorentz, é
F=qvxB
em que a força F, a velocidade v e a indução B.
Tradicionalmente, em física estudam-se dois tipos de fontes de fenômenos magnéticos:
os ímãs e as cargas livres nos condutores, que transmitem uma corrente elétrica.

Também relevante no estudo do magnetismo é o chamado fluxo magnético,


representado graficamente por linhas de indução através das quais se define a unidade de fluxo.
Assim, um campo magnético de indução B de um tesla é representado como uma linha de
indução por metro quadrado, denominada weber. A indução corresponde ao fluxo por unidade
de superfície perpendicular ao campo e é também chamada densidade de fluxo. Além do weber,
unidade internacional, emprega-se também como unidade de fluxo do sistema eletromagnético o
maxwell, segundo a relação 1 weber = 108 maxwells.
Verificar-se-á estes e outros conceitos a partir de experiências no laboratório com óleo,
farinha de mandioca, o gerador de Van de Graaff, eletrodos retos e puntiformes, sondas
metálicas, fonte de tensão (0 a 50 V) e voltímetros de corrente contínua.

OBJETIVOS:

- Descrever campos magnéticos produzidos por imãs e correntes elétricas;

- Verificar o efeito de uma corrente elétrica sobre uma agulha imantada;

- Investigar a dependência do campo magnético com a corrente e com a distância ao fio


percorrido pela corrente.

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

• Material utilizado:

- Fonte de tensão/corrente contínua (0 a 5 A);

- Amperímetro;

-Imãs cilíndricos (2);

- Imã retangular (1);

- Bússola (agulha imantada);

-Espiras retangulares (2);

- Limalhas de ferro;

- Fios de cobre/constantan;

-Placas de plástico (2);

- Trena/régua;

- Suportes;

- Cabos de conexão;

- Garras de jacaré;

• As experiências foram divididas em duas partes (parte A e parte B), para organização
dos temas a serem tratados.

A parte A constou da experiência para a visualização das linhas de campo magnético.


Esta ainda foi dividida em três subitens: 1- Linhas de campo magnético gerado por imãs; 2 –
Linhas de campo magnético gerado por correntes elétricas; 3 – Força entre condutores
percorridos por corrente elétrica.
Comerçar-se-á pelo primeiro subitem:

1 – Linhas de campo magnético gerado por imãs:

Primeiramente, colocou-se um imã cilíndrico verticalmente sob a placa de plástico sem


furos e pulverizou-se um pouco de limalha de ferro sobre ela. Bateu-se levemente na placa para
melhor visualização das linhas de campo magnético formadas.

Logo após, colocou-se um outro imã cilíndrico sob a placa a cerca de 5 cm do primeiro,
de modo que ambos ficaram com o mesmo pólo para cima. O procedimento anterior foi repetido
e novas linhas de campo foram formadas e visualizadas.

O mesmo foi feito, porém, agora com um dos imãs invertidos.

E em seguida, os imãs cilíndricos foram retirados e colocado no lugar um imã


retangular sob a placa de plástico. Pulverizou-se a limalha de ferro e observou-se as linhas de
campo magnético formadas.

2 – Linhas de campo magnético gerado por correntes elétricas:

Substituiu-se a placa de plástico sem furos pela placa furada e fez-se passar pelo furo
uma espira retangular, fixa no suporte. Deste modo, pulverizou-se limalhas de ferro sobre a
placa e ligou-se a fonte de modo a fazer circular pela espira uma corrente de 4 Ampéres (A).
Observou-se as linhas de campo magnético construídas.

Logo após ligou-se a segunda espira em série com a primeira, fazendo-a passar pelo
segundo furo da placa, de modo que as correntes ficassem com o mesmo sentido ao passar pelos
furos. A observação das linhas formadas foi realizada.

E por último, foi invertido o sentido de uma das correntes e observou-se o que ocorria.

3 – Força entre condutores percorridos por corrente elétrica:

Retirou-se as espiras das placas e colocou-as uma ao lado da outra, afastadas cerca de
1,0 cm. Fez-se passar uma corrente de 4,0 A por ambas, de modo que no trecho mais próximo
elas fossem paralelas. Observou-se e descreveu-se que uma atraia a outra.

Em seguida, o sentido da corrente foi invertido em uma delas a observação foi repetida,
percebendo-se que agora, uma repelia a outra.

A observação dos resultados e das linhas de campo magnéticas em cada um destes


subitens será discutido na parte de “Análise de dados” do relatório.

Já a parte B, denominada “Campo Magnético gerado por uma corrente elétrica”, foi
subdividida em dois itens.

1 – Dependência do campo com a corrente;

Colocou-se a bússola sobre uma superfície horizontal e fez-se com que o norte
coincidisse com o zero da escala.

Passou-se um fio de cobre a 1,0 cm acima da agulha da bússola e orientou-o no sentido


Norte-Sul.
Ligou-se o circuito de modo que uma corrente de 3,0 A percorresse o fio no sentido Sul
– Norte. Inverteu-se o sentido da corrente e observou-se o que ocorreu com a agulha.

Com a corrente circulando no sentido Norte-Sul, mediu-se o ângulo de deflexão α da


agulha da bússola para correntes de 1,0 A; 2,0 A; 3,0 A e 4,0 A.

2 – Dependência do campo com a distância;

Com uma corrente igual a 3,0 A circulando no sentido Norte-Sul, mediu-se o ângulo α
de deflexão da agulha variando a altura do fio de modo que sua distância à agulha da bússola
fosse de 1,0 cm; 2,0 cm; 3,0 cm e 4,0 cm.

TABELAS:

A experiência na parte A não possui nenhuma tabela, porém as referentes à


experiência da parte B serão aqui constadas.

• Tabela 1: Dependência do ângulo de deflexão da agulha com a corrente

I (A) α (º)

1,0 30

2,0 45

3,0 55

4,0 60

• Tabela 2: Dependência do ângulo de deflexão da agulha com a distância do fio

ρ (cm) α (º)

1,0 55

2,0 50

3,0 45

4,0 35

• GRÁFICOS:
Estes gráficos representam a experiência da parte B.

Com os dados da tabela 1 é possível montar estes gráficos abaixo apresentados onde
várias curvas foram experimentadas a fim de descobrir qual chegaria mais perto da disposição
dos pontos medidos.

Regressão Polinomial
Y = A + B1*X + B2*X^2

Parâmetro Valor Erros


A 10 3,31584E-13
B1 22,5 3,02498E-13
B2 -2,5 5,95543E-14

Regressão Linear
Y=A+B*X

Parâmetro Valor Erro


A 22,5 4,33013
B 10 1,58114
Gaussiana
y0+A1e^(-(x-x0)/t1)
y0 68,74664 2,41945
x0 1 0
A1 -38,81581 2,33327
t1 1,98404 0,23958

Senoidal (Boltzman)
Chisqr --
Final(A2) 63,541 --
XatY50(x0) 1,0000 --
Width(dx) 1,0390 --
XatY20 -0,44042
XatY80 2,44042

Gaussiana
Área Centro Largura Offset Altura
400,81 3,9882 5,2179 -1,5264 61,289
Lorentz
Área Centro Largura Offset Altura
280,48 3,6705 4,0191 15,939 44,428

As curvas que mais se aproximaram foram a polinomial de segundo grau e a senoidal,


porém, a partir do gráfico abaixo onde tem-se uma comparação entre essas duas curvas, conclui-
se que a que melhor representa esta disposição de pontos é a polinomial de segundo grau.

A partir dos dados coletados da tabela 2 obtem-se o seguinte gráfico, já


utilizando a aproximação de uma curva polinomial de 2° grau:

Regressão Polinomial
Y = A + B1*X + B2*X^2

Parâmetro Valor Erros


A 56,25 3,11247
B1 -0,25 2,83945
B2 -1,25 0,55902
ANÁLISE DE RESULTADOS:

• Experiência parte A:

Nesta, teve-se a visualização das diferentes configurações das linhas de campos


magnéticos provenientes de combinações com os imãs. De uma forma geral essas linhas
apresentam as seguintes características:

- São sempre linhas fechadas: saem e voltam a um mesmo ponto;

- As linhas nunca se cruzam;

-Fora do ímã, as linhas saem do pólo norte e se dirigem para o pólo sul;

-Dentro do ímã, as linhas são orientadas do pólo sul para o pólo norte;

-Saem e entram na direção perpendicular às superfícies dos pólos;

-Nos pólos a concentração das linhas é maior: quanto maior concentração de linhas, mais
intenso será o campo magnético numa dada região; Campo Magnético.

Desta forma e com o auxílio de imãs, de uma bandeja e do pó de ferro, estas puderam
ser visualizadas e serão explicadas a seguir.

A agulha magnética é ímã permanente tendo um pólo N e um pólo S. É apoiada em


ponta de pivô, ou em flutuador. Quando submetida a um campo magnético de indução B, a
agulha alinha seu eixo S-N com o campo: SN |x|x B.
Nos pólos N e S da agulha o campo B exerce forças
opostas (FN |x|x B e FS |x|x B). Estas forças formam um
binário ou conjugado C (torque). O conjugado
equilibrante C' pode ser exercido de diversos modos
(atrito, fio de torção etc.). Na ausência de conjugado
equilibrante C', a agulha executa oscilações
amortecidas, vindo a estacionar em posição alinhada
com o campo: SN |x|x B.

Agulha magnética em campo de indução B

Comumente corpos de ferro (pregos, fragmentos de limalha) não são magnetizados.


Todavia, um corpo de ferro não magnetizado, quando imerso em um campo magnético B,
passa a magnetizar-se, então exibindo pólos magnéticos N e S; ele se torna ímã temporário. Se
tiver liberdade suficiente para girar, ele se alinha com o campo (SN |x|x B.), assim
comportando-se como bússola.

O campo magnético do ímã magnetiza cada partícula de limalha, que então se comporta
como minúscula bússola magnética. Sua tendência é orientar-se segundo o campo no local onde
ela se situa. Nessa pequena região onde o campo pode ser assumido como uniforme, ele tem
ação diretriz, não motriz, portanto ele faz girar, mas não transladar.
Ligeiras batidas nas placas de plástico, abalam os fragmentos de limalha libertando-os
transitoriamente do atrito com estas. Coletivamente, eles formam uma figura chamada “espectro
magnético” do campo; que torna visualizável as linhas de força do campo. De forma mais
abrangente, a limalha desenha as linhas de campo na superfície de apoio.

No espaço externo ao ímã, as linhas de força do


campo de indução se estende da região polar norte
para a região polar sul. Dentro do ímã, pode-se
verificar que as linhas de indução se estendem de
sul para norte.

1 – Linhas de campo magnético gerado por ímãs:

- Linhas de campo geradas por um ímã cilíndrico

Nesta combinação um imã é colocado abaixo da placa de plástico. A interação magnética entre
ele e as limalhas são vistas pelas circunferências que estas formam.
- Dois ímãs cilíndricos (polaridades iguais)

Baseando-se na descrição do acontecimento dada anteriormente, neste caso vemos uma


conexão das linhas de força magnéticas proveniente de pólos opostos e indo do pólo Norte no
sentido do pólo Sul.

- Dois ímãs cilíndricos (polaridades diferentes)

Baseando-se na descrição do acontecimento dada anteriormente também, neste caso vemos uma
conexão das linhas de força magnéticas proveniente de pólos opostos e indo do pólo Norte no
sentido do pólo Sul.

- Um ímã retangular
Neste, uma interação entre o pólo positivo e o negativo são observadas, tendo-se uma
maior densidade de linhas no centro deste.

Já no subitem 2 – Linhas de campo magnético gerado por correntes elétricas;

Corrente elétrica gera campo magnético; ele é regido pela Lei de Biot-Savart-Laplace:

O símbolo o representa a permeabilidade absoluta do vácuo. No Sistema Internacional de


Unidades é expressa em henry por metro ou tesla-metro por ampère; tem-se:

o = 4. .10 -7 H/m = 4..10-7 T.m/A

O campo de indução magnética B resultante em um ponto, gerado por um trecho de circuito,


é:

Obtém-se o espectro magnético do campo em uma placa horizontal de acrílico, na qual


previamente se espargiu limalha de ferro. Ligeiros golpes na placa de acrílico (piparotes)
facilitam a orientação dos grãos de limalha, que então formam o espectro do campo. Através
da placa transparente, o retroprojetor produz imagem ampliada do espectro.

Uma espira
Duas espiras em série (correntes de mesmo sentido)

Percebe-se neste caso que a tendência são essas linhas se atraírem, de modo que
possivelmente, à grandes distâncias elas tendem a formar um único círculo.

Duas espiras em série (correntes de sentido oposto)


Já em correntes de sentidos opostos, tendência são as linhas de campo magnético
repelirem, umas das outras tendendo a formar círculos em volta de cada espira em série com
correntes de sentidos opostos.

E, no subitem 3 – Força entre condutores percorridos por corrente elétrica -

Nesta combinação um imã é colocado abaixo da placa de plástico. A interação


magnética entre ele e as limalhas são vistas pelas circunferências que estas formam. Como a
carga dos dois são ambas positivas, a tendência são as forças elétricas se repelirem, pois um dos
princípios de cargas elétricas é que cargas de mesmo sentido se repelem e cargas de sentidos
diferentes se atraem. Por isso a tendência são as linhas de uma repelirem as linhas de força da
outra. Assim tem-se a seguinte configuração gráfica das linhas de força:

Nesta combinação um imã egado com a mesma carga do primeiro e distante 5


cm do outro, é realizada. Como a carga dos dois são ambas positivas, a tendência são as forças
elétricas se repelirem, pois um dos princípios de cargas elétricas é que cargas de mesmo sentido
se repelem e cargas de sentidos diferentes se atraem. Por isso a tendência são as linhas de uma
repelirem as linhas de força da outra. Assim tem-se a seguinte configuração gráfica das linhas
de força:

Na terceira combinação há a inversão do potencial do segundo eletrodo, onde este é


agora conectado ao terminal terra do gerador, que faz com que uma carga diferente da carga do
primeiro eletrodo seja proporcionada. O terminal terra disponibiliza elétrons ao segundo
eletrodo puntiforme que passa assim a possuir carga negativa enquanto que o primeiro continua
tendo carga positiva. Como dito anteriormente, cargas contrárias se atraem, por isso a tendência
são as linhas de força de um atrair as de outro como se pode ver a seguir.
A farinha neste meio é disposta como dita anteriormente ao longo das linhas de força,
portanto este mesmo desenho foi visto em laboratório na prática sendo as linhas “formadas”
visivelmente pela farinha.

E na quarta e última combinação os eletrodos puntiformes foram trocados por eletrodos


planos, sendo que um estava conectado à esfera do gerador de Van de Graaff (carga positiva e
distribuída de forma uniforme pelo eletrodo) e o outro conectado ao terminal terra do gerador
(carga de mesmo módulo, porém negativa e distribuída de forma uniforme pelo eletrodo). Deste
modo um campo uniforme é gerado. As linhas visíveis devido à farinha são as linhas de força de
um eletrodo em relação ao outro.

As linhas não visíveis, mas que sabemos que existem pela própria comprovação na
experiência da parte B, são as linhas equipotenciais que como o próprio nome já diz possuem o
mesmo potencial eletrostático, são paralelas aos eletrodos planos e perpendiculares às linhas
visíveis devido à farinha, que são as linhas de força.

A imagem observada em laboratório assemelha a esta:

É importante observar que as linhas visíveis, representadas na figura acima, são


paralelas (a direção não varia) e igualmente espaçadas (o módulo é constante), indicando que o
campo elétrico nesta região, é uniforme. Deve-se notar, entretanto, que estas considerações são
válidas para pontos não muito próximos das extremidades das placas. De fato, como mostra a
figura acima, nestas extremidades as linhas de força são curvas, indicando que aí o campo deixa
de ser uniforme.

• Experiência parte B:
A segunda questão do roteiro pede a representação gráfica das linhas equipotenciais e
das linhas de força a partir dos dados da tabela 2 da seção “Procedimento Experimental”. Esta
representação encontrar-se-á anexada a este relatório, porém a sua interpretação se dará neste
item. Deste modo, o ângulo analisado e obtido entre as linhas equipotenciais e as linhas de força
são de 90°, devido a relação do campo elétrico com o potencial eletrostático que é definida
como:

Na figura, vê-se a interpretação geométrica. A diferença de potencial é a área sob a


curva entre as posições A e B. Quando o campo é constante, VA-VB=E·d , representa a área do
retângulo sombreado.

O campo elétrico E é conservativo o que quer dizer que em um caminho fechado se


cumpre

Dado o potencial V pode-se calcular o vetor campo elétrico E, mediante o operador


gradiente.

Deste modo, sabe-se do cálculo 2, que o produto escalar da derivada de uma curva pelo
gradiente na mesma curva dará zero. E deste modo concluí-se pela definição de produto escalar
que o cosseno do ângulo entre o campo elétrico e o potencial eletrostático é zero e por isso esse
ângulo é 90°.

Este comportamento é resultado também do sistema utilizado, que dispõe de eletrodos


paralelos para formar o campo de força. Desse modo, temos uma diferença de potencial
crescente num determinado sentido, na direção horizontal (como exemplo referencial), e
constante na direção vertical, num determinado ponto do trajeto.
Agora, analisando alguns dados e seus respectivos gráficos; a partir dos dados da tabela
1 o gráfico abaixo é configurado.

Y=A+B*X

Parâmetros Valor Erros


------------------------------------------------------------
A -0,14706 0,21901
B 1,35759 0,02023
------------------------------------------------------------

R SD N P
------------------------------------------------------------
0,99823 0,44535 18 <0.0001
------------------------------------------------------------
A partir deste gráfico pode-se perceber que o potencial aumenta de forma linear com
relação à distância. E valendo da relação entre potencial eletrostático (V) e campo elétrico (E),

V = d. E,

(onde d representa a distância, do ponto analizado), derivando em relação à distância tem-se que
o módulo do vetor campo elétrico é o coeficiente angular da reta no gráfico que vale 1,35759 ±
0,02023.

Comprovando de outra forma o valor do campo elétrico no ponto escolhido:

utilizando a equação E(r) = - Grad V(r):

E ( r ) = −Grad [V ( r )]
24 4x
V ( x) = x=
18 3
4
Grad [V ( x)] = ≅1,3(3)
3

Apesar de possuir incertezas os valores achados dos dois modos são bem próximos
confirmando na prática a teoria de campo elétrico.
A incerteza dos dados obtidos será dada por:

V
E=
d
2 2
 ∂E   ∂E 
∆E =  ∆V  +  .∆d 
 ∂V   ∂d 
∂E 1
=
∂V d
∂E V
=− 2
∂d d
2 2
1   V 
∆E =  .∆V  +  − 2 .∆d 
d   d 

Onde:

ΔV = 0, 25 [V] ( µ / 2 = 0,50 / 2 = 0,25 [V])

Δd = 0,10 [cm] ( µ / 2 = 0,01 [cm]; ∆ESR = 0,10 [cm] )

Deste modo os dados serão assim dispostos:

Distância (cm) Potencial (V) Campo Elétrico (V/m)


1,00 ± 0,10 2,00 ± 0,25 2,00 ± 0,32
2,00 ± 0,10 3,00 ± 0,25 1,50 ± 0,14
3,00 ± 0,10 4,00 ± 0,25 1,333 ± 0,094
4,00 ± 0,10 5,00 ± 0,25 1,250 ± 0,070
5,00 ± 0,10 6,00 ± 0,25 1,200 ± 0,055
6,00 ± 0,10 7,00 ± 0,25 1,170 ± 0,046
7,00 ± 0,10 9,00 ± 0,25 1,290 ± 0,040
8,00 ± 0,10 11,00 ± 0,25 1,375± 0,036
9,00 ± 0,10 12,00 ± 0,25 1,333 ± 0,031
10,00 ± 0,10 13,50 ± 0,25 1,350 ± 0,028
11,00 ± 0,10 15,00 ± 0,25 1,364 ± 0,026
12,00 ± 0,10 16,00 ± 0,25 1,333 ± 0,024
13,00 ± 0,10 18,00 ± 0,25 1,385 ± 0,022
14,00 ± 0,10 19,00 ± 0,25 1,357 ± 0,020
15,00 ± 0,10 20,00 ± 0,25 1,333 ± 0,019
16,00 ± 0,10 22,00 ± 0,25 1,375 ± 0,018
17,00 ± 0,10 23,00 ± 0,25 1,353 ± 0,017
18,00 ± 0,10 24,00 ± 0,25 1,333 ± 0,016
Com estes valores consegue-se calcular o valor médio desse campo que será,
1,369±0,057 (V/cm).
Usando a fórmula E.d=V, já mencionada anteriormente, pode-se determinar o módulo
do vetor campo elétrico entre as superfícies equipotenciais de 9,0 a 12,0 volts. Deste modo, V=
3 volts, d = (com auxílio da tabela acima se pode chegar a d=2cm), e só fica restando uma
incógnita que é o Campo Elétrico. Desta forma, o resultado obtido será |1,500|±0,027 (V/cm).

. É importante notar que este módulo é aproximadamente uniforme em toda a região


entre os eletrodos, exceto nas extremidades destes. Pode-se visualizar melhor esta informação a
partir do gráfico apresentado abaixo:

Usando o gráfico para melhor entendimento, se um ponto A (7,00; 0,00) e um ponto B


(9,00; 0,00) em cima da linha do campo elétrico forem pegos, poderemos ter o vetor do campo
elétrico da seguinte maneira:

Em termos cartesianos, teremos:



ˆ ˆ BA −2 xˆ 
E = BA =  = =−x
BA 2

Logo, o vetor campo elétrico será dado por:



E =− ˆ [ V / cm ]
1,500 x

• CONCLUSÃO
Na experiência da parte A pode-se verificar a existência de linhas de campo elétrico a
partir da polarização das partículas de farinha, conseguindo verificar as diferentes
conformidades destas linhas devido à polarização; quando na presença de eletrodo único dotado
de polaridade positiva, e duplo dotado de polaridades iguais e diferentes. Ainda nesta
experiência, através dos eletrodos planos pode-se constatar o movimento das partículas em um
campo uniforme, campo este, também presente na experiência da parte B, porém onde não se
consegue visualizar o movimento de partículas neste devido à ausência da farinha.

Na experiência da parte B, a relação entre campo elétrico e potencial eletrostático pode


ser entendida com o auxilio da medição dos diferentes potenciais dentro da bandeja contendo os
eletrodos. Constatou-se assim a formação do ângulo de 90° entre as linhas de campo elétrico e
as linhas equipotenciais, (condição provada e explicada neste relatório em quesito teórico), a
localização paralela aos eletrodos retos das linhas equipotenciais (paralelas também entre si), a
localização perpendicular das linhas de força (também paralelas entre si) e a propriedade do
módulo do campo elétrico, neste caso, ser praticamente constante enquanto que o potencial é
diretamente proporcional à distância.

As variações nos valores dos potenciais medidos de um em um cm, a não linearização


perfeita do primeiro gráfico entre outras variações dos dados práticos obtidos em relação aos
teóricos, podem ser explicados pelas incertezas apresentadas pelos materiais utilizados para
obtenção dos dados, por impurezas na água utilizada na experiência da parte B serem capazes
de mudarem um pouco o valor do potencial em certos pontos da bandeja, pela oxidação das
placas e pela difração na água.

Com estas experiências, simples, porém de grande valor educacional agregado,


consegue-se definir conceitos importantes como cargas, linhas equipotenciais, linhas de força
bem como suas correlações e ainda visualizar por si só os mecanismos da eletricidade.

• REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xvi/cd/resumos/T0518-1.pdf
Embasamento Teórico

Lei de Ampére;

Teoria dos Spins;

Linhas e pólos magnéticos


João Freitas da Silva*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Os efeitos de um campo magnético não podem ser vistos. Mas podem ser percebidos, o que permite fazer
seu desenho - uma representação geométrica -, no qual estampamos os pólos e linhas magnéticos.

Todo campo magnético está associado a uma carga elétrica em movimento. Basta uma carga elétrica em
movimento para, simultaneamente, termos um campo magnético. Mas uma carga em movimento não gera um
campo magnético. Na verdade, podemos pensar essas duas grandezas (carga em movimento e campo
magnético) como uma só, pois a partir do momento que temos uma, temos também a outra.

Um campo magnético pode - da mesma forma que um campo elétrico - ser representado geometricamente por
figuras denominadas linhas de campos, também chamadas de linhas de indução ou linhas de força do
campo magnético. O local onde o campo magnético tem maior intensidade é representado por uma
concentração maior de linhas.

É importante lembrar que o conceito de um campo de força que surge a partir de linhas de força foi
desenvolvido por Faraday, quando ele relacionou o magnetismo com a eletricidade.

Lei de Gauss
Os ímãs apresentam regiões onde o campo magnético é mais intenso e que são denominadas pólos
magnéticos. Essas regiões são denominadas, arbitrariamente, de pólo sul e pólo norte. Esses pólos são
representados, geralmente, por cores diferentes nos ímãs.

Ímãs diferentes podem ter esses pólos em regiões diferentes:

Por convenção, dizemos que as linhas de campo são orientadas do pólo norte para o pólo sul; e é comum
ouvirmos que elas "saem" ou "nascem" no pólo norte e "entram" ou "morrem" no pólo sul.
Linhas de campo de um ímã em barra.

Mas é importante sabermos que essa é uma linguagem figurada, pois as linhas de campo magnético na verdade
são fechadas (sem começo ou fim), e não existe lugar onde essas linhas possam "nascer" ou "morrer". Tal fato
representa a lei de Gauss magnética.

Outro aspecto importante da linha de campo é que, se colocarmos uma bússola sobre qualquer ponto dela, a
agulha magnética da bússola assumirá uma posição tangente em relação à linha. O sentido do campo
magnético é dado pelo sentido da reta que contém os pólos da agulha magnética em repouso.

Mapeamento de um campo magnético com a agulha de uma bússola, aqui


representada pelas setas.

A reta que contém os pólos de uma agulha magnética é a direção de um vetor denominado vetor indução

magnética ( ) - e o sentido é do sul para o norte da agulha. A unidade de no SI é o tesla (T). Também
é utilizada a unidade gauss (G).

Existe uma relação de interação entre esses dois pólos: quando aproximamos o pólo de um ímã do pólo oposto
de outro ímã podemos constatar uma atração entre eles. Mas quando aproximamos um ímã com um de seus
pólos voltado para o mesmo pólo de outro ímã percebemos uma forte repulsão entre eles.
A figura mostra campos magnéticos entre pólos de dois ímãs. Na
primeira dupla de ímãs, no alto, temos o pólo norte de um ímã com a
face voltada para o pólo sul de outro (há uma interação atrativa entre
eles). Nos outros dois casos, temos interações repulsivas.