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1 - O que é Sílica?
O termo sílica refere-se: aos compostos de dióxido de silício, SiO2, nas suas várias formas incluindo sílica cristalina; sílica vítrea e sílicas amorfas. O dióxido de silício, SiO2, é o composto binário de oxigênio e silício mais comum, sendo inclusive composto dos dois elementos mais abundantes na crosta da Terra. A sílica e seus compostos constituem: cerca de 60% em peso de toda a crosta terrestre.

Os depósitos de sílica são encontrados universalmente e são provenientes de várias eras geológicas. A maioria dos depósitos de sílica que são minerados para obtenção das "areias de sílica" consiste de quartzo livre, quartzitos, e depósitos sedimentares como os arenitos. Sílica é um material básico na indústria de vidro, cerâmicas e refratários, e é uma importante matéria prima na produção de silicatos solúveis, silício e seus derivados carbeto de silício e silicones. Pela sua abundância na crosta terrestre, a sílica é largamente utilizada como constituinte de inúmeros materiais. Desta forma, trabalhadores podem ser expostos à sílica cristalina em uma grande variedade de indústrias e ocupações.

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1.2 - Ramos de atividade onde pode ocorrer exposição ocupacional a sílica livre cristalina.

No Quadro 1 apresentam-se exemplos de indústrias, operações e atividades específicas onde pode ocorrer exposição ocupacional a sílica livre cristalina. Sílica cristalina refere-se a um grupo mineral no qual a sílica assume uma estrutura que se repete regularmente, isto é uma estrutura cristalina. Oito diferentes arranjos estruturais (polimorfos) do SiO2 ocorrem na natureza, no entanto sete dentre esses são mais importantes nas condições da crosta terrestre: a - quartzo, cristobalita, tridimita, moganita, keatita, coesita e stishovita. As três formas mais importantes da sílica cristalina, do ponto de vista da saúde ocupacional são o quartzo, a tridimita e a cristobalita. Estas três formas de sílica também são chamadas de sílica livre ou sílica não combinada para distingui-las dos demais silicatos.

Quartzo

tridimita

cristobalita

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Fundições. abrasivos e massas e adesivos para vedação. rebarbação. Ainda: construção e demolição de fornos. Fabricação de vidro. Beneficiamento de areia monazítica. moldagem.3 1. Construção civil (perfuração de túneis e poços. artística e refratária). rebolos e outros tipos de abrasivos. indústrias metalúrgicas e siderurgia (jateamento. Indústria naval (jateamento). sinterização). 3 . Cerâmicas (para construção. corte de azulejos). certas operações com fibras de vidro.3 -ONDE MORA O PERIGO Mineração (minas e pedreiras).

trabalho com concreto. Fabricação (manipulação) de refratários e reparos em fornos Manuseio de matérias primas Fundição da peça. pedra. não metal. terras diatomáceas. pedra calcaria. argamassa e reboque. trabalho com ardósia. pedregulho. Construção de alto estrada e túneis. Areia. areia. carvão) Processo de trituração de pedra. olaria.Escavação e movimentação de terra. uso de máquinas A maioria das ocupações (em baixo da terra. Fabricação de ferro e aço Silício e ferro-silício Fundições (ferrosos e não ferrosos) Produção de carbeto de silício fabricação de Produtos Areia. Vidro incluindo fibra de vidro Processamento da matéria prima Fonte do material Solo Minérios e rochas associadas Arenito. colheita. pedra. areia "Shale"Quartzito. calcinação da diatomita Abrasivos para jateamento de estrutura.4 1. Material refratário.Alvenaria. Areia e concreto.4 -Quadro especifico 1 Indústria/atividade Agricultura Mineração e operações relacionadas ao beneficiamento do minério Lavra/extração e operações relacionadas com o beneficiamento do minério Construção Operação específica/tarefa Aragem. ardósia. corte de pedra. pedra. porcelana sanitária. terras diatomáceas. areia e pedregulho. choques para retirada da peça do molde. tripoli e arenito Abrasivos Misturas. abrasivo para jateamento. Argila. Uso de abrasivo. Cobertura vifriticada ou esmaltada. Material refratário Areia Areia . telha. Vidro incluindo fibra de vidro Cimento Abrasivos Cerâmicas. Operações de alisamento/aplainamento. moinho) e minas (metal. edifícios. porcelana. Limpeza da peça que encontra-se com areia aderida na superfície. acabamento. areia. quartzo moído material refratário. demolição. 4 . esmaltes vitrificados. incluindo tijolos. Argila. granito. superficial. Rocha solo e rocha concreto. refratários. terras diatomáceas. moldagem.

incluindo metal estrutural. equipamento de transporte. sílica flour) Sílica flour Areia e agregado. terras diatomáceas. Manuseio de matéria prima Tintas Sabões e cosméticos Asfalto e papelão alcatroado Substâncias químicas para a agricultura Joalheria Material dental Reparos de automóveis Escamação de "boiler" Manuseio de matéria prima Sabões abrasivos. polimento. terra diatomáceas. Borrachas e plásticos Abrasivo para jateamento Areia Funis alimentadores (tripoli. Produtos de metal. esmerilhar. maquinaria. pós para arear Aplicação como enchimento e granulado Trituração e manuseio de matérias primas. polimento Abrasivo para jateamento "Boiler" com queima de carvão 5 . Corte. abrasivos Areia Cinza e concreções. terras diatomáceas) Funis alimentadores (trípoli.5 Instalação e reparo de fornos. abrasivos Areia. Minérios e rochas fosfáticas Gemas semipreciosas ou pedras. lustramento Areia abrasiva.

grãos eletrofundidos marrons destinados à indústria de abrasivos (lixas. de bauxito:     hidróxido de alumínio. as argilas que são mais adequadas à fabricação dos produtos de cerâmica vermelha apresentam em sua constituição os argilominerais ilita. tanto na área de cerâmica como em outras áreas tecnológicas. alguns compostos químicos. que é indispensável para a produção de alumínio metálico. dependendo do tipo de massa. Andalusita . cimento aluminoso. De um modo geral. podendo conter ainda em alguns tipos a gibbsita (Al2O3.6 1. materiais refratários e outros produtos cerâmicos. rebolos. Pode-se dizer que em quase todos os segmentos de cerâmica tradicional a argila constitui total ou parcialmente a composição das massas. devendo apresentar baixos teores de compostos alcalinos. pequenos teores de montmorilonita e compostos de ferro.Matérias-primas que contém sílica Agalmatolito Aplicações: Fabricação de fritas. grãos abrasivos. esmaltes (vidrados). de camadas mistas ilita-montmorilonita e clorita-montmorilonita. 3H2O). As argilas para cerâmica branca são semelhantes às empregadas na indústria de refratários. além do ferro a gibbsita.Cianita . alcalino-terrosos e de ferro. etc) e de materiais refratários. sendo que para algumas aplicações a maior restrição é a presença de ferro e para outras. total ou parcialmente. As argilas para materiais refratários são essencialmente cauliníticas. alumina calcinada e sulfato de alumínio. Abaixo são dados exemplos de produtos obtidos de composições constituídas. mulita sintética escura 6 . tintas serigráficas e na composição de algumas massas.Silimanita Aplicações: Fabricação de refratários aluminosos e também para a produção de alguns tipos de porcelana. além de caulinita.5 . Bauxito Aplicações: O bauxito é uma importante matéria-prima para obtenção de alumina (óxido de alumínio). No caso de materiais de revestimento são empregadas argilas semelhantes àquelas utilizadas para a produção de cerâmica vermelha ou as empregadas para cerâmica branca e materiais refratários. Argila Aplicações: As argilas apresentam uma enorme gama de aplicações.

A partir deles são obtidos inúmeros produtos como: magnesianos.7  materiais refratários. além de serem empregados em várias proporções para aumentar a velocidade de sinterização de massas cerâmicas de faiança para louça de mesa. tendo comportamento semelhante ao da calcita. magnésia-carbono. Calcita Aplicações     em massas calcárias em teores de até 30%. Dolomita Aplicações:    em massas calcárias em teores de até 30%. espinélio. como fundente auxiliar e para minimizar o problema de trincas. placas cerâmicas e alguns tipos de refratários. 7 . quando se obtém o sinter ou grãos eletrofundidos de magnésia (MgO). Grafita Aplicações: Em cerâmica é utilizada principalmente no segmento de refratários para confecção de cadinhos. entre eles. cromíticos-magnesianos. magnesianos-cromíticos. magnésia-carbono e alumina-carbeto de silício-carbono. em pequenas quantidades (até 3%). na fabricação de cimento aluminoso. na composição de fritas e esmaltes (vidrados) Filitos Cerâmicos Aplicações: Em massa de grês sanitário como substitutos parciais da fração argilosa e do feldspato. o que é conveniente para muitas aplicações. tampões e em teores menores na confecção de inúmeros produtos. na composição de fritas e esmaltes (vidrados). portanto baixa resistência mecânica tem a vantagem de apresentar corpos de baixa contração linear na queima. Magnesita Aplicações: Na fabricação de materiais refratários. entre outros e diversos tipos de massas. Apesar de proporcionar corpos de elevada porosidade e. após ser submetida à calcinação em elevadas temperaturas ou à eletrofusão. isolada ou em mistura com a magnésia. válvulas. na fabricação de materiais refratários. em massas para produção de corpos vítreos e semivítreos. Neste caso os bauxitos devem ter baixos teores de ferro e sílica e são utilizados após calcinação na faixa de 1450 ºC a 1800 ºC.

Estas duas condições são importantes para produtos como os de cerâmica vermelha. Entra também na composição de massas de isoladores elétricos e de alguns tipos de refratários. Quartzo Aplicações:     em massas de cerâmica branca e de materiais de revestimento. uma vez que além de baixar o custo. descritos anteriormente. Pirofilita Aplicações: Em massas de azulejos e em algumas massas de louça de mesa. A sericita existente no Paraná. No caso de produtos de cerâmica vermelha. sendo um dos componentes fundamentais para controle da dilatação e para ajuste da viscosidade da fase líquida formada durante a queima. quando presentes em uma composição cerâmica. cerâmica branca e materiais de revestimento (placas cerâmicas). reduzem a absorção de água e aumentam a resistência mecânica. além de facilitar a secagem e a liberação dos gases durante a queima.8 Materiais Fundentes Fundentes são materiais com elevado teor de álcalis (K2O e Na2O) que. uma vez que as argilas empregadas contêm álcalis.Cianita . reduzem a temperatura de queima e a porosidade do produto. no entanto o ceramista está sempre em busca de novos materiais e mais recentemente têm sido empregados outros materiais como fonolito e alguns tipos de rochas potássicas. em razão do menor teor de sílica e elevado teor de álcalis. muitas vezes comercializada como filito. Estas matérias-primas têm uma ação fundente mais enérgica que o feldspato e que o filito. junto às várias matérias-primas utilizadas. pelo seu elevado teor de potássio. mas devido a sua baixa plasticidade não pode entrar em quantidades maiores que 40% em massas plásticas. Por outro lado. No Brasil o feldspato e o filito. Andalusita . em geral refratárias. na composição da massa. adicionam-se materiais fundentes. também está sendo utilizada para este fim. por serem produtos mais elaborados que devem apresentar características determinadas. 8 . Ressalta-se que a possibilidade de utilização dessas matérias-primas depende do tipo de produto a ser fabricado. no caso de cerâmica branca e de muitos produtos de revestimento (placas cerâmicas) que. fabricados somente a partir de argilas que queimam com cores avermelhadas.Silimanita Na prática comercial há uma grande confusão quanto à terminologia desses minerais. não há necessidade de se adicionar materiais fundentes. na fabricação de isolantes térmicos em composições de vidro e esmaltes (vidrados) na fabricação de materiais refratários. são os fundentes mais tradicionais.

também utilizada na formulação de esmaltes (vidrados) Zirconita Aplicações: Fabricação de materiais refratários e esmaltes (vidrados). em massas de corpos porosos para melhorar a resistência mecânica e reduzir as trincas devido à absorção de umidade.6 . substituindo parcialmente o feldspato em massas para a fabricação de corpos semivítreos e vítreos. Na composição de massas cordieríticas. ela é a principal fonte para obtenção do óxido de zircônio. Aplicações: Fabricação de refratários aluminosos e também para a produção de alguns tipos de porcelana. 1. que tem como característica principal o baixo coeficiente de dilatação térmica. Na composição de esmaltes (vidrados). Como fundente. Além disso.O que é a silicose? 9 . Em quantidades de até 15%. Este tipo de corpo é conhecido como esteatita. Wollastonita  Aplicações: Empregada principalmente na área de materiais de revestimentos. Talco Aplicações:     Como constituinte principal (60% a 90%) em massas para a fabricação de isoladores elétricos de alta freqüência.9 sendo que muitos países adotam erroneamente o termo silimanita ou cianita para designar indistintamente os três minerais.

Os sintomas aparecem nas fases tardias. perda de peso e hipoxemia. As alterações radiológicas (opacidades nodulares) tendem a surgir antes dos sintomas clínicos e evoluem com a progressão da doença.6. O trabalhador tem sobrevida em torno de um ano.6. porém com a progressão das lesões. O aparecimento de falta de ar e tosse é precoce e limitante. Nas fases mais avançadas da doença aparece falta de ar em repouso e tosse. em especial uma intensa dispnéia. com reação tissular decorrente causando uma fibrose pulmonar difusa de evolução progressiva e irreversível.COMO A SÍLICA AGE NO PULMÃO 10 . Esta forma é observada comumente em cavadores de poços e em atividades que envolvam exposição intensa à poeira. os sintomas aparecem mais precocemente.1 . Pode levar anos para se manifestar clinicamente. C) Crônica – Geralmente se apresenta após dez anos de exposição. Apesar de ser mais frequente na sua forma crônica. B) Subaguda (ou acelerada) – As queixas surgem entre cinco e dez anos de exposição intensa à poeira e as alterações radiológicas são de rápida evolução. Associa-se a um risco aumentado de co-morbidades.Definição A silicose (CID J62) é definida como uma pneumoconiose caracterizada pela inalação de poeiras contendo partículas finas de sílica livre cristalina (quartzo. notadamente a tuberculose e doenças auto-imunes. a doença pode se apresentar de três formas: A) Aguda – Normalmente relacionada à exposição maciça de sílica livre como nas operações de jateamento de areia ou moagem de quartzo. há uma redução da complacência pulmonar e limitação às trocas gasosas. 1. o trabalhador queixa-se de dispnéia (falta de ar) aos esforços e astenia (fraqueza). Surge nos cinco primeiros anos de exposição. às vezes com catarro.10 1.2 . SiO2 cristalizada) e deposição no pulmão.

1.6. A silicose costuma surgir depois de alguns anos de trabalho.3 . Na radiografia (chapa) dos pulmões começarão a aparecer imagens brancas que vão ficando cada vez maiores. o pulmão vai endurecendo.11 Cada grão de sílica que chega aos pulmões provoca uma pequena cicatriz e fica preso lá.COMO PREVENIR A SILICOSE EVITAR A EXPOSIÇÃO 11 . De grão em grão.

12 É perfeitamente possível trabalhar sem ter que respirar sílica.Fatores que contribuem para o aumento do risco de silicose: 12 . 1. O limite de tolerância da legislação é de 0. LAVAR OU LIMPAR COM ASPIRADOR: não limpar piso. jateamento de areia pode ser substituído pelo jateamento com outros produtos ou água pura). que significa ambiente insalubre. SEPARAR com paredes e vedações os locais que produzem poeira dos demais setores.4 .1mg/m³. Se houver muita hora extra este risco pode aumentar muito. Para isso as empresas devem: SUBSTITUIR os materiais que têm sílica por outros (por exemplo. máquinas e bancadas com vassouras ou ar comprimido. torneamento. ISOLAR a máquina ou aquela parte onde se produz poeira do resto do local de trabalho. impedindo que a poeira fique no ar. NÃO QUER DIZER QUE SEJA SEGURO.6. INSTALAR EXAUSTORES para capturar a poeira no ponto em que ela se forma e impedir que o pó se espalhe pelo ar. trabalhar neste nível de exposição por 30 anos pode causar silicose em até 10% dos trabalhadores. lixamento e outras operações a seco. Pelo contrário. UMIDIFICAR (molhar) a perfuração das rochas.

Presença de outros minerais/metais na poeira respirável. Tempo decorrido desde a quebra das partículas (partículas recém quebradas possuem maior número de radicais livres na superfície.6. Superfície e tamanho da partícula (as menores do que 1 μm é mais tóxicas). Duração da exposição. Tempo decorrido desde o início da exposição. 1. Atividades que exigem grandes esforços físicos aumentam as trocas gasosas e a inalação de sílica.13 Fatores que contribuem para o aumento do risco de silicose: Concentração de poeira de sílica. Como ocorre em perfuração de poços e jateamento de areia. Atividades físicas em grandes altitudes. que seriam responsáveis por um maior estímulo à produção de substâncias oxidantes). Susceptibilidade individual.Diagnóstico 13 . Uso de equipamento de proteção que esteja com filtro impregnado de sílica na região respiratória.5 . Forma de sílica cristalina (o quartzo é mais freqüente. mas a tridimita e cristobalita são mais tóxicas).

Ainda não existe tratamento específico eficaz para a silicose no que se refere à contenção da progressão do quadro. em função de sua maior sensibilidade.História ocupacional detalhada. suficiente para estabelecer o diagnóstico de silicose.História clínica com sintomas ausentes ou com presença de sintomas que. . em geral. nem no que se refere à cura ou reversão das lesões. 1. Métodos diagnósticos: . A sintomatologia da silicose é a dispnéia aos esforços com astenia. em função da redução da complacência pulmonar e da restrição das trocas gasosas pela fibrose das paredes dos alvéolos.6 . A conduta adequada no caso de suspeita de silicose é o afastamento da exposição. Esta é.14 O diagnóstico da sílica se baseia em 3 pontos: história ocupacional de exposição à sílica. são precedidos pelas alterações radiológicas.Câncer de Pulmão 14 .Radiografia simples de tórax interpretada de acordo com os critérios da Organização Internacional do Trabalho (OIT) (ILO. 2000). em geral. história clínica e radiografia simples de tórax. visando à identificação de exposição às poeiras contendo sílica livre cristalina. .6. A tomografia computadorizada (TC) de alta resolução do tórax fica reservada para os casos de dúvida quanto ao quadro clínico ou radiológico.

Estudos epidemiológicos mostram que há maior risco de desenvolvimento de câncer de pulmão em silicóticos do que em não silicóticos.7 vezes. a exposição cumulativa. O risco de câncer de pulmão para trabalhadores expostos a 0.6. isto é. 2002). A revisão de Steeland (2001) demonstrou em estudos de Coortes que a exposição acumulativa por 15 anos foi um forte e crescente preditor de câncer de pulmão.000 (Mannetje et al.1 mg/m3 de sílica é de 13 por 1.1mg/m3 de sílica livre respirável foi 1. um Grupo de Trabalho reafirmou a carcinogenicidade da poeira de sílica cristalina e o aumento do risco de câncer de pulmão para várias indústrias e processos de trabalho (Straif et al. variando de 1. O risco estimado de óbito por silicose após 45 anos de exposição a 0. Atualmente. particularmente em minas subterrâneas onde o risco aumentou de forma linear com o aumento de exposição. 2006).7 . 2006). e há evidências demonstrando que o persistente processo de inflamação dos pulmões gera substâncias oxidantes que resultam nos efeitos genotóxicos no parênquima pulmonar.8 vezes (Wong 2002). o risco aumenta para 2. a duração da exposição ou a presença de silicose definida radiologicamente.1 vezes comparados aos não expostos e. 1.6 vezes. Segundo a IARC (1997) o aumento do gradiente de risco foi observado em relação à dose.15 A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a sílica livre cristalina inalada como um cancerígeno do Grupo 1. O mecanismo do câncer pela exposição à sílica se dá pela clearance de partículas fraturadas levando a ativação de macrófagos e persistente inflamação (Straif et al. entre os trabalhadores com silicose. O risco de trabalhadores em geral expostos à sílica apresentarem câncer de pulmão é 2.Outros agravos à saúde 15 . definitivamente cancerígeno para seres humanos .0 a 1.

a toxicidade macrofágica e uma maior permanência dos bacilos no tecido pulmonar por dificuldade na drenagem linfática. Os silicóticos podem apresentar um risco até 40 vezes maior do que a população em geral. atual ou antiga. independente da presença de silicose . aumenta o risco de desenvolvimento de Tuberculose Pulmonar e Extra Pulmonar. a silicose pode estar associada a outro mico bacterioses não-tuberculosas. Outros ainda apontam aumento de risco para insuficiência renal crônica. bronquite crônica e enfisema pulmonar. A maior susceptibilidade à tuberculose parece ser conseqüência de uma combinação de fatores. como conseqüência de glomerulonefrite ou nefrite intersticial. Além da tuberculose. destacando-se um possível efeito químico da sílica sobre o crescimento bacilar. artrite reumatóide. limitação crônica do fluxo aéreo. Estudos também apontam uma maior incidência de doenças auto-imunes decorrentes da exposição à sílica. como esclerodermia. ou a exposição à sílica.Exposição ocupacional 16 . entre indivíduos expostos à sílica. 2 . lúpus eritematoso sistêmico e vasculite com comprometimento renal.16 A silicose.

pelo trabalhador.5 μm O local de deposição das partículas no sistema respiratório humano. suspensa ou capaz de se manter suspensa no ar. Poeira é toda partícula sólida de qualquer tamanho.partículas menores que 100 μm. de poeira contendo sílica livre cristalizada.partículas menores que 25 μm.partículas menores que 10 μm. são capazes de penetrar pelo nariz e pela boca. Essas partículas geralmente têm formas irregulares e são maiores que 0.17 A exposição ocupacional dá-se por meio da inalação. formada por trituração ou outro tipo de ruptura mecânica de um material original sólido. são capazes de penetrar além da laringe. natureza ou origem. são capazes de penetrar na região alveolar. as respiráveis . as torácicas . Figura 2 depende diretamente do tamanho das partículas: Figura 2    as inaláveis . 17 .

a classificação quanto ao tamanho da partícula. No entanto. pois a avaliação do risco de se desenvolver silicose depende da quantidade de sílica livre cristalizada inalada e depositada na região dos bronquíolos respiratórios e alvéolos pulmonares. duração da exposição do trabalhador e a suscetibilidade individual. Os fatores determinantes são: a concentração atmosférica de fração respirável de poeira e seu teor de sílica livre cristalina.1 . 2.18 As poeiras podem ser classificadas de várias formas. têm importância fundamental quando se trata de poeira que contem sílica.Efeitos tóxicos 18 .

mata o macrófago em um período de horas ou dias. tamanho da partícula e o tempo de exposição. essa capacidade de autoproteção e reparo de danos tem um limite. hiperreatividade brônquica. A fibrose pulmonar é uma seqüela comum da inflamação pulmonar crônica. faringe. são transportados sobre a lâmina mucociliar. há provavelmente maior vulnerabilidade às alterações 19 . cuja função é destruir material estranho. outros minerais presentes na fração respirável. Sua vida é encurtada se a partícula ingerida é especialmente tóxica. causa diversos efeitos adversos dentro do aparelho respiratório. como é o caso da sílica livre cristalina. Entretanto.19 Os efeitos tóxicos sobre o organismo humano devido à exposição às poeiras contendo sílica livre cristalina dependem de uma série de variáveis:   tipo de exposição: composição da fração respirável. a deposição excessiva de poeira. provocada pela inalação freqüente e contínua desse agente. possuem uma alta taxa de reposição ou renovação. As partículas que penetram além do bronquíolo terminal são rapidamente ingeridas por células chamadas macrófagos. concentração de sílica livre cristalina. Na região traqueobronquial a presença da poeira estimula um aumento na produção de muco para auxiliar o trabalho de condução dos cílios ali existentes na remoção das partículas. A estimulação prolongada das células e das glândulas de secreção do muco pode induzir a hipertrofia dessas estruturas. e esse processo são repetidos indefinidamente. Devido à rápida regeneração das células do pulmão. Alguns dos macrófagos. através da ativação dos mecanismos de defesa e restauração. substâncias ativas e restos celulares. Além disso. o aparelho respiratório intercepta a maioria das partículas inaladas. liberando partículas. que são ingeridas por novos macrófagos. O caminho que as partículas de poeira percorrem dentro do sistema respiratório é constituído pelo nariz. e se depositam em diferentes regiões dependendo do seu diâmetro aerodinâmico. A vida do macrófago sob circunstâncias normais é medida em termos de semanas ou talvez um mês ou mais. que pode agir tanto sobre a pele como dentro do pulmão. Outros macrófagos morrem. boca. Durante a exposição ocupacional. as células do pulmão que estão em contato com o ar. onde as células com a superfície parcialmente danificada são rapidamente trocadas por células novas. A formação de colágeno acompanha a inflamação prolongada ou crônica na maioria dos órgãos do corpo. Partículas de poeira que se alojam nos alvéolos estimulam o recrutamento e acúmulo dos macrófagos nessa área provocando reações do tecido pulmonar. É uma parte da familiar formação de cicatriz nos tecidos. Estudos têm demonstrado um aumento nos indicadores de inflamação principalmente nos pulmões de pessoas silicóticas. laringe. que devido às suas propriedades de superfície. concomitância de outras doenças respiratórias. concentração de poeira ambiental. com suas partículas ingeridas. Em situações normais. tipo de resposta orgânica: integridade do sistema mucociliar e das respostas imunológicas. árvore traqueobronquial e alvéolos pulmonares.

recrutamento de macrófagos. fibrose. câncer 3.LIMITES DE EXPOSIÇÃO QUADRO 4 – Prevalência de Silicose no Brasil. pode-se antecipar que a poeira depositada nos pulmões pode induzir:      pequena ou nenhuma reação. 20 .20 carcinogênicas pela presença da poeira.2 . segundo estudos nacionais. Com base em todas as considerações anteriores. proliferação crônica ou reação inflamatória. hiperprodução de muco e hipertrofia das glândulas de secreção de muco.

1995 Polity.5 3.3 Souza Filho.6 5 3. 1995 Holanda.9 Setor Econômico Pedreira Indústria Cerâmica Borracharias Construção Civil e Construção e Reparo Naval – Rio de Janeiro Cavadores de poço . 2004 /Araújo. 1995 Freitas.5 23 Tipo de estudo Seccional Estudo de Prevalência em Indústria Cerâmica Estudo de caso Busca ativa de dados Intervenção em comunidade Busca ativa de dados Seccional Seccional Seccional Autor Franco.1978 Oliveira.1988 40.Ceará Fundição Marmoraria de São Paulo Escultores de pedra Pedreiras 13. 1992 Comissão técnica estadual de pneumopatias.21 Prevalência (%) 3. 2004 21 .7 16.9 53. 2002 Antão.

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