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O Último Herói do Titanic

O Último Herói do Titanic

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Uma Impressionante História Verídica Que Poderá Mudar Sua Vida Para Sempre Moody Adams

Uma Impressionante História Verídica Que Poderá Mudar a Sua Vida Para Sempre

Moody Adams
Obra Missionária

‹Chamada da Meia-Noite›
Caixa Postal, 1688 · 90001-970 Porto Alegre-RS · Brasil Fone: (51) 3241-5050 · FAX: (51) 3249-7385 www.Chamada.com.br

Os testemunhos e as homenagens deste livro foram publicados originalmente na Escócia em 1912. John Climie os compilou e editou a pedido do irmão de John Harper, George. Traduzido do original em inglês:

“The Titanic’s Last Hero”
Copyright © 1997 by the Moody Adams Evangelistic Association publicado por The Olive Press Columbia, SC 29228 EUA Tradução: Lailah Fernandes Pinto Revisão: Ingo Haake Joyce de Lima Silva Capa e Layout: Reinhold Federolf Todos os direitos reservados para os países de Língua Portuguesa

© 1998 Obra Missionária Chamada da Meia-Noite
R. Erechim, 978 – B. Nonoai 90830-000 – PORTO ALEGRE – RS/Brasil Fone: (51) 3241-50 50 FAX: (51) 3249-73 85 e-mail: pedidos@chamada.com.br Composto e impresso em oficinas próprias “Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí ao seu encontro” (Mt 25.6). A “Obra Missionária Chamada da Meia-Noite” é uma missão sem fins lucrativos, que crê em toda a Bíblia como infalível e eterna Palavra de Deus (2 Pe 1.21). Sua tarefa é alcançar todo o mundo com a mensagem de salvação em Jesus Cristo e aprofundar os cristãos no conhecimento da Palavra de Deus, preparando-os para a volta do Senhor.

DEDICADO A

Bill Guthrie,
DE GLASGOW, ESCÓCIA. Um crente zeloso que manteve viva a história de John Harper. Ele coletou materiais, entrevistou amigos e até foi ao enterro da filha de John Harper. Sem a sua pesquisa e seu trabalho, este livro não seria possível. Ele prestou um grande serviço para a obra de Jesus Cristo.

Índice
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22. 23. 24. 25. 26. 27. 28.

Página

Morrer com Honra ......................................................... 15 A Fomação de um Herói................................................. 29 Meu Irmão Como Eu o Conhecia..................................... 45 Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores.............................. 65 “Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas”........................ 71 Nunca mais Haverá Outro.............................................. 77 “O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” ............... 85 Um Soldado Valente Dedicado a Deus............................. 93 Deus o Encarregou a Ser a Última Testemunha do Titanic .. 97 Uma Visão Impressionante.............................................. 101 Um Homem de Conselho Terno e Encorajador.................. 105 Quando Ele Falava, Almas Clamavam por Misericórdia ... 107 A Passagem de Despedida de John Harper...................... 113 Os Três Temas de um Herói ............................................. 119 “John Harper Levou a Mim e a Minha Esposa a Cristo” .... 125 Um Alcoólatra Encontrou Libertação................................ 133 “John Harper Foi um Pai Para Mim”................................ 137 Uma Dívida de um Pobre Pródigo a John Harper ............. 141 Um Pecador “Atolado na Lama” é Purificado ................... 145 Harper Derrotou o “Poder de Rebelião” ........................... 149 As Palavras de Harper Deram Plena Convicção de Minha Culpa ................................................................. 153 “Harper Mostrou-me que Precisava de Cristo”.................. 155 Uma Mensagem de John Harper ..................................... 157 Bela Manhã................................................................... 161 “Os Escolhidos de Cristo” (Esboço de sermão de Harper).. 163 “Quem é o Tolo?” (Esboço de sermão de Harper) ............. 165 “Amor Inesquecível” (Esboço de sermão de Harper) ......... 167 “Tão Grande Salvação” (Esboço de sermão de Harper) .... 169

Prefácio
John Harper havia morrido há 85 anos quando seu testemunho impactou a minha vida totalmente. Em 1997, eu estava na Igreja Batista Memorial Harper em Glasgow, Escócia. Ali conheci Bill Guthrie, membro da igreja, que tinha um conhecimento fantástico de Harper. Guthrie me forneceu uma cópia rara do livro original de Harper, documentos da igreja e registros relacionados a pessoas cujas famílias conheceram esse herói escocês. Por causa da minha experiência pessoal com a história de Harper, decidi passá-la adiante para o máximo de pessoas possível. Isso é feito com a convicção de que a vida de John Harper é capaz de deixar uma marca permanente sobre todos aqueles que conhecerem a sua passagem dedicada por este mundo. Harper era como um gigante de altruísmo num mundo onde a maioria dos homens está preocupada em ser “o número um”, um gigante num mundo onde a maioria dos homens não está disposta a se privar, um gigante da paixão pelas almas num mundo onde poucos homens realmente desejam a salvação do seu próximo. Os testemunhos e as homenagens neste livro foram impressas sob o título de John Harper: Um Homem de Deus. John Climie escreveu o prefácio de 1912, o segundo capítulo e compilou os comentários de amigos e convertidos que conheceram John Harper. Eles foram escritos a pedido do Pastor George Harper, irmão de John Harper. Esses depoimentos originais foram pouco modificados para preservar o estilo escocês de 1912.

10 • O Último Herói do Titanic Joseph Addison, um escritor inglês, disse: “Coragem e compaixão ilimitados... fazem o herói e o homem completos”. Harper personificou a coragem e a compaixão que fizeram o completo herói. Moody Adams

PREFÁCIO DO LIVRO

John Harper: Um Homem de Deus
PUBLICADO EM 1912
A publicação deste volume foi realizada a pedido do Pastor George Harper, que deu assistência muito valiosa, e cuja homenagem terna e amorosa à memória do seu irmão despertará interesse especial. Como a biografia é composta principalmente de homenagens de vários autores, foi impossível evitar a repetição. Mas considerou-se apropriado que as homenagens apareçam tal qual foram escritas, já que cada contribuinte escreve do seu próprio ponto de vista. O naufrágio do Titanic com sua carga viva causou lamentação em todo o mundo civilizado. A idéia de 1.522 vidas perdidas no naufrágio de um só navio é totalmente estarrecedora. Mesmo depois do grande navio estar no fundo do mar, os jornais, sem saberem o que tinha acontecido, anunciavam que o Titanic era “absolutamente insubmergível”. Mas as forças da natureza foram demais para o gigantesco transatlântico. As águas nas regiões polares, com o vento cortante do norte, solidificaram-se, e daquela região ártica veio flutuando o enorme iceberg que rasgou o casco do navio e o levou para o seu túmulo no oceano. “Pelo sopro de Deus se dá a geada, a as largas águas se congelam” (Jó 37.10). O iceberg estreitou a extensão do Atlântico, e o grande navio foi lançado para o fundo do mar. O fato do Sr. Har-

12 • O Último Herói do Titanic per ter sido levado no auge da sua carreira deixou muitos perplexos. Aventuramo-nos muitas vezes nos últimos anos a prever para ele um futuro de grande utilidade, mas “Não sabemos o que nos espera. Deus encobre nossos olhos com bondade”. Prostramos nossas cabeças com reverência sob a sombra dessa grande calamidade que roubou alguém que viveu não para si mesmo, mas para a glória dAquele que o redimiu com Seu próprio sangue precioso. Espera-se que esta pequena recordação de uma vida dedicada a Deus e ao bem do seu próximo leve bênçãos consigo, e seja um incentivo para muitos. Nesta esperança, ela é lançada. John Climie 197 St. Andrew’s Road, Glasgow

John Harper

À medida em que as chamas de outras ambições se apagavam e extinguiam, a de John Harper ardia com mais intensidade mesmo enquanto ele afundava num túmulo de água. Quando a morte forçava outros a encararem a insensatez das ambições de suas vidas, o objetivo de John Harper de ganhar homens para Jesus Cristo se tornava mais vital ao mesmo tempo em que ele dava os seus últimos suspiros.

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Morrer com Honra

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nquanto as águas escuras e geladas do Atlântico enchiam lentamente o convés do Titanic, John Harper gritava: “Deixem as mulheres, crianças e descrentes subirem nos barcos salva-vidas.” Harper tirou seu salva-vidas – a última esperança de sobrevivência – e o entregou a outro homem. Depois que o navio desapareceu sob a água escura, deixando Harper se debatendo nas águas geladas, ouviram-no incentivando os que estavam à sua volta a confiar em Jesus Cristo. Era a noite de 14 de abril de 1912, uma noite de heróis, e John Harper foi um deles. Apesar das águas que o tragavam serem extremamente frias e do mar à sua volta estar escuro, John Harper deixou este mundo numa resplandecente glória. Os atos de coragem de Harper foram espontâneos. Ele não tinha motivo para imaginar que o Titanic afundaria, nem tempo para escrever um roteiro. Uma revista comercial, The Shipbuilder, descreveu o Titanic como “praticamente insubmergível”. No dia 31 de maio de

16 • O Último Herói do Titanic 1911, um empregado da Companhia de Construção Naval White Star disse: “Nem mesmo o próprio Deus pode afundar esse navio”. O Titanic representava toda a segurança, elegância e confiança da era vitoriana-edwardiana. A Associated Press era entusiasta do navio, declarando: “Tudo que a riqueza e a habilidade modernas podiam produzir estava incorporado no Titanic, o navio mais longo já construído, com mais de 4 quadras de comprimento... com acomodações para uma tripulação de 860 pessoas e capacidade para 3.500 passageiros, ele foi construído com o mesmo cuidado dedicado aos melhores cronômetros”. A ostentação e o tamanho recorde do Titanic impressionaram a era dourada da construção naval. Seus motores de 50.000 HP que produziam a velocidade de 24 nós por hora eram protegidos por dezesseis compartimentos estanques. Cada um era protegido por estruturas de aço. Na época do seu lançamento, o Titanic era o maior objeto móvel manufaturado do mundo. Depois de fazer as duas primeiras paradas para passageiros e correio em Cherbourg e Queenstown, Irlanda, os passageiros se sentiram ainda mais seguros. Harper escreveu numa carta para seu amigo Charles Livingstone antes de atracar em Queenstown, dizendo: “Até agora a viagem é tudo que se pode desejar.” Às 11:40 da noite de 14 de abril de 1912, um iceberg rasgou o lado estibordo do navio, jogando gelo por todo o convés e arrebentando seis compartimentos estanques. O mar se infiltrou. A maioria dos passageiros não acreditava que o Titanic afundaria até que a tripulação começou a lançar foguetes de sinalização para o alto. Charles Pellegrino disse: “A água brilhou por todos os lados. Barcos salva-vidas podiam ser vistos nela... Naquele enorme facho de luz artificial, as mentes também

Morrer com Honra • 17 foram iluminadas. Todos entenderam a mensagem dos foguetes por si próprios”. Depois dos foguetes, ninguém precisava ser convencido a entrar nos barcos salva-vidas. De repente, quando a água alcançou a metade da ponte de comando, um estrondo que parecia um milhão de pratos quebrando, cortou a noite. Enquanto a popa do Titanic subia alto no céu para se preparar para seu mergulho ao fundo do mar, um barulho terrível como uma explosão abalou o ar da noite. Passageiros davamse as mãos e se jogavam na água. Às 2:20 da manhã o Titanic começou sua descida lenta para o fundo do mar, deixando uma nuvem emergente de fumaça e vapor acima do seu túmulo. Nas águas geladas do Atlântico Norte, na calada da noite, o navio mais famoso do mundo terminou sua primeira e última viagem, mas alcançou uma mística náutica que só perde para a da arca de Noé. Tudo aconteceu tão rápido, que Harper só pôde reagir. Sua reação deixou um exemplo histórico de coragem e de fé. “Os heróis da humanidade”, disse A. P. Stanley, “são como as montanhas, como os planaltos do mundo moral”. John Harper foi um desses heróis.

A Parte Mais Difícil do Seu Heroísmo
Nunca é fácil assumir tais ações heróicas, e para John Harper foi excepcionalmente difícil. Sua filha pequena, Nana, estava viajando com ele. Quatro anos antes, a mãe dela adoeceu e morreu. Agora, Harper sabia, Nana ficaria órfã aos seis anos de idade. Quando o alarme indicou o fim do Titanic, Harper imediatamente entregou Nana a um capitão do convés com ordens para colocá-la num barco salva-vidas. Então ele saiu para socorrer os outros. Nana foi resgatada

18 • O Último Herói do Titanic e mandada de volta à Escócia, onde cresceu, casou-se com um pastor, e dedicou toda a sua vida ao Senhor a quem seu pai tinha servido. Certa vez, depois de Harper escapar por pouco de se afogar aos 26 anos, ele disse: “O medo da morte não me preocupou em momento algum. Eu acreditava que a morte súbita seria glória súbita, mas havia uma menininha sem mãe em Glasgow”. Agora, essa menininha ficaria sem mãe e sem pai. Com certeza essa foi a parte mais difícil para Harper.

O Herói em Contraste
O heroísmo altruísta desse escocês é acentuado pela conduta contrastante de muitos colegas passageiros nessa viagem mortal. Enquanto Harper entregava seu colete salva-vidas, um banqueiro americano conseguiu colocar um cachorro de estimação num barco salva-vidas, deixando 1.522 pessoas sem ajuda. Não havia um espírito de “afundar com o navio”. Dos 712 salvos, 189 eram, inclusive, homens da tripulação. O coronel John Jacob Astor tentou escapar com sua mulher num barco salva-vidas e foi detido pelo segundo-oficial Charles Lightoller. Astor era o homem mais rico do mundo, mas isso foi insuficiente para forçar a sua entrada num simples barquinho salva-vidas. Daniel Buckley se disfarçou de mulher na tentativa de conseguir um lugar no barco. Os passageiros da primeira classe, no primeiro barco salva-vidas a ser baixado, se recusaram a voltar e recolher pessoas que estavam se afogando, apesar de haver espaço para muitos outros serem salvos. A Sra. Rosa Abbott, a única mulher a afundar com o navio e sobreviver, disse que um homem

Morrer com Honra • 19 tentou subir nas suas costas forçando-a para baixo da água e quase afogando-a. O Sr. Bruce Ismay, um dos donos do Titanic, diretor administrativo da Companhia White Star e o responsável por não haver barcos salva-vidas [suficientes] a bordo, tornou-se o marinheiro mais infame desde o Capitão Bligh. Ele subiu num barco salva-vidas enquanto centenas de mulheres permaneceram no navio condenado. O Capitão Smith ordenou a seus homens: “Façam o melhor que puderem para as mulheres e crianças, e cada um cuide de si”. Ao mesmo tempo, John Harper mandava os homens fazerem o que podiam para as mulheres e crianças e cuidarem dos outros.

Uma Ambição Inabalável
Quando o monstruoso iceberg partiu as ambições dos outros em pedaços, Harper demonstrou sua ambição inabalável que nem a morte podia afetar. Ele declarou Jesus Cristo como a esperança do homem até o fim, ao contrário de outros que foram forçados a encarar a insensatez de suas ambições. Um certo Sr. Hoffman raptou seus filhos, Lolo e Momon, que ficaram conhecidos como as “crianças abandonadas do Titanic”. Seu único desejo fora tirar suas crianças de perto da mãe. Mas, diante da morte, ele as colocou num barco salva-vidas, certificando-se de que elas voltariam para a mãe delas em Nice, França. John Phillips, um tripulante presunçoso, mandou o navio The Californian “calar a boca” depois que este enviou pelo rádio o sexto aviso de icebergs no trajeto do Titanic. Ao encarar a morte, sua presunção desapareceu e ele clamou: “Deus me perdoe... Deus me

20 • O Último Herói do Titanic perdoe”. O pai de Michel e Edmond Navratil levou seus dois meninos a bordo do Titanic numa viagem sem volta para a América a fim de escapar para sempre da esposa, que ele tinha pego tendo um caso com um oficial de cavalaria italiano. Abandonando sua ambição, Navratil colocou seus meninos num barco salva-vidas. Suas últimas palavras foram: “Digam à sua mãe que serei sempre dela”. O projetista do Titanic passou os momentos finais da sua vida no salão de fumar, observando um painel na parede que dizia: “O Novo Mundo Por Vir”. Seu colete salva-vidas foi deixado de lado, demonstrando o fim do que fora um belo sonho por parte dele, dos donos do navio e do público. A Sra. Isador Straus, cujo marido era dono da Loja de Departamentos Macy’s, não entrou num barco salvavidas. Ela disse ao seu marido: “Onde você for, eu vou”; ajudou sua criada a entrar no barco número oito e colocou seu casaco de pele nos seus ombros, dizendolhe: “Mantenha-se aquecida. Eu não vou precisar dele”. Benjamin Guggenheim e seu criado Victo Giglio apareceram no convés em trajes de gala como dois comediantes orgulhosos, dizendo: “Nos vestimos com o melhor e estamos preparados para afundar como cavalheiros”. Jogadores de cartas trapaceiros, que viajavam com identidades falsas e tinham roubado $30.000 dos passageiros, pararam com suas trapaças. O instrutor T. W. McCawley, que estava ensinando pessoas a montar em cavalos e camelos mecânicos, interrompeu suas aulas. O fascínio das camas luxuosas, lareiras, banhos turcos com câmaras refrigeradas douradas e da primeira piscina construída num transatlântico terminou. Passageiros

Morrer com Honra • 21 no salão da primeira classe cessaram as suas festas e desfilaram no convés com coletes salva-vidas sobre os trajes de gala. As reuniões de negócios pararam. O falatório das socialites cessou. Mas, com o seu último suspiro, John Harper, sem desanimar, continuou o trabalho da sua vida: convencer homens a “crer no Senhor Jesus Cristo”.

Harper Conhecia Bem os Terrores do Afogamento
A coragem de Harper não vinha da ignorância. Provavelmente ninguém no Titanic conhecia tão bem os terrores do afogamento como John Harper. Aos dois anos de idade ele caiu num poço e foi ressuscitado a tempo por sua mãe. Aos vinte e seis anos, Harper foi levado a alto mar por um correnteza e sobreviveu por pouco. Aos trinta e dois anos ele encarou a morte num navio com vazamento no Mediterrâneo. Talvez essa fosse a maneira de Deus testar esse servo para a sua missão de último aviso no Titanic. Harper já sabia o que centenas de pessoas descobriram naquela noite trágica – afogamento é uma morte terrível. Will Murdoch, o primeiro-oficial do Titanic, foi incapaz de enfrentar uma morte lenta na água e se matou com um tiro quando a ponte de comando afundou. Muitos dos 1.522 homens, mulheres e crianças abandonados a bordo gritaram até ficar num silêncio terrível. Em contraste, um John Harper confiante encarou a morte com segurança absoluta de que Jesus derrotou a morte e deu-lhe a dádiva da vida eterna. Essa segurança ultrapassou os terrores do afogamento.

22 • O Último Herói do Titanic

A Paixão de Toda a Sua Vida
O heroísmo de Harper não foi apenas um momento glorioso de uma vida sem atos heróicos. Ele amou, chorou, orou e trabalhou pelos outros durante toda a sua vida. Harper recuperou alcoólatras, jogadores, e brigões. Como pastor, às vezes, passava a noite inteira na sua igreja orando pelas suas centenas de membros individualmente. Harper trabalhava dia e noite, nos lares e nas ruas, indicando uma vida melhor para os desamparados. Ele trabalhava sem cessar entre os pobres, procurando ajudá-los. A labuta fatigante de Harper era realizada apesar de sua má saúde. No verão de 1905, a enfermidade o incapacitou por seis meses, acabou com sua saúde e roubou sua bela e ressonante voz. Seu corpo nunca mais foi o mesmo, restando apenas um esqueleto do homem que fora. A pele pálida, o corpo frágil e as enfermidades constantes de Harper eram as marcas de alguém que se recusava a parar para descansar. Porém, apesar da má saúde e do corpo cansado, Harper era sagaz e alegre. Esse servo dedicado era conhecido por ser “glorificado na sua fraqueza”. Na noite anterior ao naufrágio do Titanic, enquanto os outros jogavam e descansavam, John Harper foi visto no convés do navio tentando com todo zelo levar um rapaz a crer em Cristo.

Harper Teve uma Oportunidade de Escapar do Titanic
Os atos heróicos de John Harper no Titanic assumem uma dimensão maior quando se considera sua oportunidade de ter evitado o desventurado navio. A princípio estava marcado que Harper iria no navio Lusitania para

Morrer com Honra • 23 pregar na Igreja Memorial Moody em Chicago. Ao invés disso, ele se levantou e informou aos homens da Missão Seaman’s Center em Glasgow que os planos foram mudados e ele partiria no Titanic para a Igreja Memorial Moody de Chicago. Em 1911, ele havia tido as melhores conferências desde os dias do grande D. L. Moody, e a igreja o convidou novamente para três meses de reuniões. O Sr. Robert English levantou-se numa reunião no Seaman’s Center e suplicou que Harper não viajasse para Chicago. English disse a Harper que estava orando e teve um pressentimento de que aconteceria um desastre se ele fizesse essa viagem. Ele se ofereceu para pagar a passagem se Harper adiasse a sua viagem. Vários outros testemunharam o fato de que English insistiu com Harper, inclusive Willie Burns, que estava presente na reunião em Glasgow, e as duas netas de English, Mary Whitelaw e Georgina Smith, ambas membros da Igreja Memorial Harper. As palavras de English foram muito semelhantes às palavras ditas ao apóstolo Paulo por um profeta chamado Ágabo 1.900 anos antes. Ágabo atou suas mãos e seus pés, dizendo: “Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios”. A recusa de Harper de voltar atrás foi muito parecida com a reação de Paulo: “Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (Atos 21.10-13). Ambos, Paulo e Harper, tinham um senso de propósito divino com relação às suas viagens, e ambos estavam dispostos a morrer para realizar esse propósito.

24 • O Último Herói do Titanic As advertências proféticas dadas a esses dois homens de Deus indicam que o Senhor aprovou seu sacrifício. A advertência de Ágabo deu um senso de propósito divino a Paulo quando ele viajou a Jerusalém onde pregaria o Evangelho, seria preso e condenado à morte. A advertência do Sr. English deu a Harper o mesmo senso de propósito divino quando ele se tornou a testemunha final num navio da morte.

No Final só Havia Duas Classes de Passageiros
Depois que o Titanic afundou, o escritório da White Star em Liverpool, Inglaterra, colocou um grande painel de cada lado da entrada principal. Em um deles escreveram com letras grandes: “Identificados como Salvos”, e no outro: “Identificados como Desaparecidos”. Quando a viagem do Titanic começou havia três classes de passageiros. Mas, quando ela terminou o número foi reduzido a duas – os que foram “salvos” pelos barcos salva-vidas e os que ficaram “perdidos” nas águas profundas. Parentes e amigos dos passageiros do navio esperavam do lado de fora do escritório da White Star. Quando notícias sobre um passageiro chegavam, seu nome era escrito num pedaço de papelão. Então um empregado levava o nome até o portão. De frente para a multidão ele levantava o papelão; a multidão ficava num silêncio mortal. Todos observavam ansiosamente para ver em qual dos painéis o nome seria colocado. John Harper mergulhou na morte com desprendimento total, sabendo que estaria entre os passageiros perdidos. Mas ele tinha certeza absoluta de que seu nome es-

Morrer com Honra • 25

26 • O Último Herói do Titanic taria na lista dos “salvos” diante do trono de Deus. Lorde Mercer expressou assim a atitude de Harper com relação à morte: “Numa única noite, entre o anoitecer e o amanhecer, durante algumas poucas horas de inconsciência de muitos que dormiam tranqüilamente, partiram desta terra centenas de vidas, algumas ricas em promessas e futuros aparentemente felizes, levando com elas todas as esperanças de outras pessoas. Mas a constância e a coragem cristãs, a renúncia absoluta e o heroísmo inabalável com que tantos encararam seu fim, nos ajudam a perceber que a morte não é o fim de todas as coisas e que esta vida é apenas a entrada para a vida verdadeira, que ela é apenas o portal da eternidade”.

O Último Convertido de John Harper
Duas horas e quarenta minutos depois do Titanic colidir com o iceberg, ele afundou nas águas geladas. Centenas se ajuntaram em barcos e botes salva-vidas, e outros se agarraram a pedaços de madeira esperando sobreviver até que chegasse socorro. Durante cinqüenta minutos horríveis os gritos de socorro encheram a noite. Eva Hart disse: “O som das pessoas se afogando é algo que não posso descrever para você. E ninguém mais pode. É um som horrível. E há um silêncio terrível que o segue”. O sobrevivente coronel Archibald Gracie chamou isso de “a cena mais lastimável e horrível de todas. Os gritos comoventes dos que estavam à nossa volta ainda soam nos meus ouvidos, e eu me lembrarei deles para o resto da minha vida”. Durante aqueles 50 minutos, um homem agarrado a uma tábua chegou perto de John Harper. Harper, que estava se debatendo na água, gritou: “Você é salvo?” A

Morrer com Honra • 27 resposta foi: “Não”. Harper gritou as palavras da Bíblia: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Antes de responder, o homem sumiu na escuridão. Mais tarde, a correnteza os aproximou novamente. Mais uma vez Harper, que estava morrendo, gritou a pergunta: “Você é salvo?” Mais uma vez ele recebeu a resposta: “Não”. Harper repetiu as palavras de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Harper, que estava se afogando, soltou, então, as mãos do objeto em que se segurava na água gelada e desceu para seu túmulo no oceano. O homem que ele tentou evangelizar confiou em Jesus Cristo. Mais tarde ele foi socorrido pelos barcos salva-vidas do navio S.S. Carpathia. Em Hamilton, Ontario, este sobrevivente testemunhou que foi o “último convertido” de John Harper. O último convertido de Harper foi alcançado pelas últimas palavras de Harper: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Houve muitos heróis no Titanic, mas ajudando os outros enquanto se afogava, John Harper foi o último.

A pequena Nana

Uma coisa ele fazia, e a fez até o fim – ele se esforçou para trazer os homens do pecado até Deus.

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A Formação de um Herói
John Climie

F

az cerca de vinte anos, talvez um pouco mais, que conhecemos o Sr. Harper pela primeira vez. Nossa lembrança mais antiga dele era dos seus trabalhos no Evangelho em Bridge-of-Weir. Na época ele só parecia um rapaz crescido. Mas naquele tempo, como durante toda a sua carreira pública, a chama do Senhor ardia intensamente no seu coração.

A Conversão de John Harper
Ele nasceu em Houston, Renfrewshire, no dia 29 de maio de 1872, e foi no último domingo de março de 1886, quando tinha treze anos e dez meses de idade, que aceitou Jesus. Ele nunca foi um rapaz de confusão. Sua juventude desde a pré-adolescência foi moldada e protegida por sua fé no Senhor Jesus Cristo. O amor de Deus foi derramado no seu coração, e permeou sua vida com-

30 • O Último Herói do Titanic pletamente, formando seus pensamentos, induzindo à ação no momento certo, e preservando-o do mal que está neste mundo. Foi através de João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, que o caminho da salvação ficou claro no seu coração e na sua mente. Esse tem sido o meio de iluminar multidões. Foi o que o iluminou, e o libertou do medo. “O perfeito amor lança fora o medo”. Ele recebeu a verdade por amá-la, e a verdade o libertou. Nas palavras esclarecedoras daquele texto, ele viu Jesus como a dádiva de Deus oferecida ao mundo inteiro, e, portanto, para ele como habitante deste mundo. Ele recebeu essa dádiva com ações de graça, e uma nova vida começou. Aqueles que dirigiam o culto em que ele aceitou o Salvador foram abençoados com muitas conversões, mas convertidos como John Harper são raros. Às vezes há grande júbilo e muitos aleluias quando um pecador notório se converte, mas, infelizmente, muitas vezes a alegria dura pouco. Algumas pessoas por quem houve muito regozijo, mais tarde provaram ser pouco confiáveis. Não se sabe se houve alegria especial quando o menino do interior aceitou Jesus naquela noite, mas depois que recebeu a Palavra, ele a guardou num coração sincero, e mais adiante deu frutos com paciência. A palavra de João 15.16 poderia se referir a ele: “eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”. Não é necessário que os homens tenham se afundado no pecado para terem utilidade especial para Cristo depois que a graça redentora de Deus os tenha alcançado. No exercício do seu ministério público, o Sr. Harper ja-

A Formação de um Herói • 31 mais se afastou de Deus caindo profundamente em pecado. Contudo, ele foi o instrumento de Deus para levar ao Salvador muitos que estavam totalmente extraviados. Desde o começo ele foi claramente, pela vontade de Deus, “um vaso para honra, santificado, e adequado para o uso do Mestre”. É para o louvor do Senhor que Deus pode e consegue mudar as vidas de homens degradados e infames, dando-lhes um lugar de honra e distinção na Sua obra. Mas as ações malignas deles antes da conversão, às vezes, são uma armadilha para eles depois da conversão, ao invés de um auxílio no serviço para Cristo. Uma vida pura antes da conversão é um recurso valioso.

A Herança de Pais Tementes a Deus
John Harper nasceu e foi criado num lar cristão, como será relatado mais tarde neste livro. Seus pais, pobres neste mundo, eram herdeiros do Reino que Deus prometeu aos que O amam. Quanto mais lares cristãos, melhor, não só para a igreja, mas para a nação também. Ser criado no cuidado e conselho do Senhor, num ambiente de oração e de reverência à Palavra de Deus, é ser selado na juventude com marcas que são de grande valor, apesar de ocasionalmente os resultados esperados demorarem a aparecer. Ser criado no temor de Deus é uma herança de valor inestimável. Apesar de ter sido num domingo à noite em março de 1886 que o menino de quase quatorze anos aceitou a Cristo, havia todas as marcas dos anos anteriores guardadas na sua mente jovem. Não foi em vão que ele ouviu durante esses anos marcantes as orações e súplicas de seu pai e a exposição da Palavra de Deus na-

32 • O Último Herói do Titanic quele lar simples. A lenha foi colocada na lareira do seu coração, e eis que naquela noite de domingo uma fagulha de amor divino caiu sobre ela, e a chama se acendeu.

Uma Experiência Marcante na Vida de Harper
Durante os quatro anos que se seguiram não houve nada de especial sobre ele, pelo menos nada que previsse a grande utilidade que marcaria sua vida futura. Ele ia freqüentemente às reuniões bíblicas que eram realizadas com entusiasmo por alguns jovens da vila, com a ajuda de pastores de outros lugares. Ele ficou livre de amizades comprometedoras, e firmou-se na fé moderadamente e sem ostentação. Mas depois de quatro anos e quatro meses, quando tinha acabado de fazer dezoito anos de idade, ele passou por uma experiência maior. O crescimento é uma lei do Reino de Deus. Às vezes é bem devagar e quase imperceptível. Outras vezes é espantosamente rápido. Alguns homens crescem mais numa hora de temor perante as coisas de Deus do que outros que levam anos para crescerem. Seja qual for a nova experiência, é sem dúvida o Espírito de Deus agindo para o crescimento em graça, levando a alma a um espaço mais extenso, ampliando o horizonte, clareando a visão, implantando ideais mais nobres.

Uma Visão de Esperança
Foi no ano de 1890 que John Harper teve a conscientização que o selou para o ministério público. Ele estava em casa sozinho num sábado à tarde no mês de junho.

A Formação de um Herói • 33 Ao redor da sua casa na vila, a natureza estava exuberante. Junho é o rei dos meses de verão na Escócia. As flores desabrochavam. Os pássaros cantavam. O sol brilhava. Mas enquanto outros jovens deviam estar passeando nos campos verdes ou pelos riachos, dentro daquela casa na vila o Espírito de Deus levava um jovem a pastos verdejantes e águas de descanso. Uma clareza arrebatadora foi dada a ele, quase devastadora na sua intensidade, na qual ele viu e sentiu como nunca havia sentido antes o propósito de Deus na Cruz de Cristo. No amor de Cristo pelos homens como visto no Calvário ele admirou, de forma mais completa, uma porta de esperança aberta para um mundo pecador, e juntamente com essa revelação nova ele sentiu que Deus o chamava, e entregava-lhe uma parte no ministério de reconciliação. No dia seguinte seus lábios estavam abertos. Assumindo sua posição na rua da sua cidade natal, ele começou a compartilhar um apelo fervoroso para que os homens se reconciliassem com Deus.

Um Pastor Sem Curso Teológico
Toda instrução que ele recebeu foi obtida no colégio na sua cidade natal, e como muitos outros rapazes ele não se entusiasmava com a escola. Ele estava ansioso por trabalhar, pensando como outros da sua idade que o trabalho é sinal de maturidade. Além disso, tudo que podia ganhar era necessário em casa. Logo que pôde sair da escola, suas mãos estavam ocupadas com o trabalho. Ele trabalhou com jardinagem por um tempo, mas estava empregado numa fábrica de papel quando teve a maravilhosa experiência e o chamado para o ministério.

34 • O Último Herói do Titanic Nenhuma universidade jamais teve a oportunidade de moldá-lo. Ele foi treinado pela mão de Deus para o ministério, não tendo freqüentado curso teológico formal. Talvez isso tenha diminuído seu “status” aos olhos de alguns, mas não diminuiu seu zelo pelo bem-estar moral e espiritual do seu próximo. E, afinal, não é o que o homem adquire com a escolaridade, mas o que o homem realiza que tem valor entre homens justos.

A Palavra de Deus era Sua Doutrina
Ele tinha uma mente organizada, o que ficou mais evidente com o passar do tempo, e era um estudante dedicado de obras teológicas. Quando jovem, absorveu muito da doutrina calvinista, mas do tipo muito rígido e restrito. Porém, à medida em que cresceu em graça e conhecimento, sua mente se expandiu, e não teve dificuldade em crer em qualquer verdade ou sistema de doutrina que tivesse base bíblica. Ele adotou e seguiu a Soberania Divina e o Livre Arbítrio como esses termos são entendidos popularmente, acreditando que eram baseados na Palavra de Deus. Dizia não saber explicar como eles co-existem, e não discutia sobre esses termos, reconhecendo, como os homens mais sábios e dedicados de todas as gerações, que eles são assuntos de fé e não de debate. Ele era um estudante zeloso da Bíblia. Lia a Escritura Sagrada. Meditava nela. Usava qualquer comentário que pudesse esclarecê-la, ou que o ajudaria a aprender com ela. Submeteu-se à sua autoridade. Interpretou-a. Poucos podiam usá-la melhor que ele “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Aceitava qualquer forma de doutrina en-

A Formação de um Herói • 35 contrada nela. Fazia isso com persistência. Apegava-se a toda instrução que ela lhe dava. Ele a amava como à sua própria vida. Toda doutrina que não se encontrava nas Escrituras Sagradas, não importava quão bem apresentada, nem por quem fosse proclamada, não era aceita por ele. “Assim diz o Senhor” era o seu lema. Ele se firmava na rocha da revelação. As teorias dos homens eram areia para ele. A Palavra de Deus era rocha. Sempre provava seu valor, e não se envergonhava de declarar sua fé nela. Sempre citava textos de forma impressionante, e os homens lembrariam do texto sobre o qual tinha pregado mesmo que não se lembrassem de mais nada. Um homem de negócios em Glasgow lembra-se de vê-lo num salão em Kilbarchan há cerca de vinte anos atrás citando 1 João 1.7: “E o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. As palavras “todo pecado” foram repetidas por ele três vezes, cada vez com maior ênfase. “Há algo nisso, rapaz”, o senhor disse para si mesmo. Certamente havia, e no tempo determinado esse “algo” foi visto.

Qualquer Esquina Era Seu Púlpito
Quando Deus precisa de um homem para o Seu serviço Ele sabe onde procurá-lo. Ele observa o campo. Ele vê a necessidade. Ele escolhe o homem. Ele chamou Eliseu do arado, Amós do rebanho, Pedro do barco de pesca nas margens do Mar da Galiléia, e John Harper da indústria de papel. E quando Deus coloca um homem num cargo, ninguém pode “demiti-lo”. Um lugar será encontrado para ele quando o dom e o chamado de Deus se manifestarem, e se não houver lugar para ele na

36 • O Último Herói do Titanic igreja até que seja provado, testado e confirmado, Deus encontrará para ele um local de serviço para manifestar Seu chamado divino. No serviço de Deus os cooperadores são sempre necessários, homens que estejam dispostos a trabalhar e sofrer, gastar e serem gastos, suportar repreensão e passar por dificuldades como bons soldados de Jesus Cristo. John Harper era um cooperador – um cooperador de Deus (1 Coríntios 3.9), um homem que se dedicava de coração, alma, força e mente a todo serviço que prestava. No início da sua carreira não sonhava com o púlpito da igreja. Se visse uma esquina vazia, seja qual fosse o lugar, ele a enchia de ouvintes. Esse era o seu púlpito, e fazia proveito dele. Por toda a região onde vivia, depois de receber o revestimento especial de poder do alto, saiu pregando a história da graça redentora. Bridge-ofWeir, Kilbarchan, Elderslie, Johnstone, Linwood, e outros lugares o encontravam à noite depois do dia de trabalho terminar, proclamando com esperança vigorosa a história do amor de Deus aos homens. Seu coração estava incandescente. Uma coisa ele fazia então, e a fez até o fim – ele se esforçava para trazer homens do pecado para Deus. Essa é uma obra que deve continuar, “a história deve ser proclamada.” Os que estão afastados do Senhor devem ser encontrados, avisados, convidados, e convencidos a abandonar o pecado e seguir a Cristo. Se um dos servos de Deus é levado, alguém deve estar atento ao chamado divino para se apresentar e preencher o espaço vazio. Não para servir necessariamente na mesma área, mas para manter o testemunho vivo. O número de testemunhas não deve diminuir. Hoje o mundo precisa do Evangelho tanto quanto antes. O co-

A Formação de um Herói • 37 ração de Deus bate tão forte quanto antes. O sangue de Jesus é tão eficaz quanto antes. O Espírito de Deus está tão presente quanto antes, mas infelizmente deve estar tão entristecido que o Seu poder é menos evidente do que deveria ser. Haverá trabalho enquanto é dia. Este é o dia da salvação. A noite vem, em que nenhum homem poderá trabalhar.

“É Maravilhoso Ser Enviado de Deus”
Depois de cinco ou seis anos de dedicação, serviço evangelístico constante, esforço na fábrica durante o dia e à noite nos distritos rurais em redor convidando homens a se prepararem para o encontro com Deus, o reverendo E. A. Carter da Missão Pioneira Batista de Londres “descobriu” o jovem pregador e o liberou para dedicar todo o seu tempo e toda a sua energia à obra que tanto amava. Com o patrocínio da Missão, uma obra batista foi iniciada em Govan, um dos subúrbios de Glasgow, onde havia bastante espaço para um trabalho ativo. Durante algum tempo, cultos evangelísticos foram realizados, depois uma igreja foi formada. O culto de inauguração foi dirigido pelo pastor J. B. Frame, e no dia seguinte um sermão foi pregado pelo Reitor MacGregor da Faculdade Dunoon sobre as palavras: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João” (João 1.6). A passagem deve ter provocado sorrisos, mas era muito adequada à ocasião. Naquele salão estava um homem que sem dúvida alguma, como resultados futuros provaram, foi enviado por Deus, e seu nome era João (John). É maravilhoso ser enviado de Deus. As referências que tinha consigo eram os sinais

38 • O Último Herói do Titanic de que Deus já o moldara. Ele não tinha outras. Mas essas eram suficientes para incentivar a certeza de que Deus o enviara. Apesar de jovem na idade, ele já tinha um histórico confiável. O selo de Deus foi colocado na sua obra nos diversos lugares onde ele deu um bom testemunho, e agora em meio a uma multidão acreditava-se que seria mais útil do que nunca. Essas esperanças não foram desmentidas. Quando Deus envia um homem Ele proporciona toda a graça necessária. Ele não deixa nada de bom faltar para aqueles que andam corretamente no caminho da obra à qual Ele os chama. Homens enviados por Deus com uma mensagem do Evangelho são guardiões de um poder que converte pecadores do erro dos seus caminhos. Mas se os homens saem antes de Deus enviá-los, tais resultados não aparecem. Na época de Jeremias, Deus reclamou através dele daqueles que “falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (Jeremias 23.16). Sobre eles disse: “Não mandei esses profetas; todavia, eles foram correndo, não lhes falei a eles, contudo, profetizaram. Mas, se tivessem estado no meu conselho, então, teriam feito ouvir as minhas palavras ao meu povo e o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações” (Jeremias 23.21-22). Essa é uma descrição dos homens que não são enviados. Eles não estão no conselho de Deus. Não afastam as pessoas dos seus maus caminhos, e das suas ações malignas. Um homem enviado por Deus proclamará a Palavra de Deus. Não declarará uma visão do seu próprio coração. O resultado será que os homens abandonarão seus caminhos maus, e se prostrarão em arrependimento e

A Formação de um Herói • 39 adoração aos pés dEle, que foi crucificado, mas que agora é o Salvador glorificado. Sob John Harper os homens abandonaram seus caminhos maus e suas obras más. Eles renegaram a impureza e seguiram a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor. Poderia parecer um evento sem importância para alguns a consagração daquele jovem para o ministério de Deus naquele dia. Mas centenas e centenas de pessoas têm razão para agradecer a Deus por terem visto sua face, ou ouvido sua voz. Durante cerca de dezoito meses ele se esforçou sem cessar em Govan, trabalhando, orando, pregando, convidando, tocando os corações e as vidas de alguns com seus apelos sinceros, e reunindo à sua volta um pequeno grupo de homens e mulheres que viram nele as marcas de um homem enviado por Deus.

“Pregando Tudo o que Tinha Direito”
No início do seu trabalho em Govan um dos membros de um conjunto evangelístico foi enviado como representante da cidade para falar num culto missionário em Govan. Quando chegou no cruzamento de Govan, ele viu um jovem de pé “pregando tudo o que tinha direito”. “Quem é?”, perguntou a um homem que estava com ele. “Esse é o pastor da Missão Batista”, foi a resposta. A impressão que ficou naquela noite, reforçada mais tarde com conhecimento maior do jovem que estava “pregando tudo o que tinha direito”, segundo ele, levou-o a participar da igreja quando ela foi formada, e fez dele um dos amigos mais leais do Sr. Harper. Depois de um ano e meio de trabalho em Govan, Harper mudou-se para Gordon Halls, na rua Paisley.

40 • O Último Herói do Titanic Neste lugar, no dia 5 de setembro de 1897, formou-se uma igreja com 25 membros, alguns dos quais vieram com ele de Govan. A igreja foi chamada de Igreja Batista de Paisley Road, o nome que ainda tem. Mas foi sugerido que deveria chamar-se Igreja Memorial Harper (e agora ela é conhecida assim). Homens e mulheres de todas as idades juntaram-se ao jovem pastor, e sob a sua liderança, a obra foi feita sem formalidades. Em todos os cultos na igreja faziase o máximo para ganhar homens para Cristo. Do lado de fora, eram feitas pregações nas esquinas, nos portões de prédios públicos durante as refeições, e sempre que houvesse alguém para ouvir. A rede era lançada para todos os lados. O zelo e o entusiasmo dos obreiros pareciam ilimitados. Almas foram ganhas, a causa prosperava, o número de membros aumentava. A fé que age pelo amor e é radiante de esperança, animou os obreiros, e os levou de vitória em vitória sobre as forças da incredulidade. Depois de quatro anos em Gordon Halls, um terreno foi adquirido no distrito de Plantation, e um galpão de ferro, com capacidade para quinhentas ou seiscentas pessoas, foi erguido. A obra foi transferida, tendo esse local como centro, e do lado de dentro foram vistas maravilhas do poder redentor de Deus. Uma fonte contínua de misericórdia para perdoar jorrava nos cultos, e há seis anos atrás o prédio teve que ser ampliado para dar espaço para as exigências crescentes da obra. Ele fica no meio de uma população densa de trabalhadores. Ninguém, por mais próximo da obra realizada jamais poderá saber completamente quanto bem foi realizado pelo ministério de John Harper.

A Formação de um Herói • 41

“Aquele Homem, o Sr. Harper, Estava Pregando na Esquina, e Eu Aceitei Jesus”
O superintendente de um grande salão evangelístico em Glasgow estava visitando há algum tempo atrás um homem idoso em High Street, a duas milhas de distância da Igreja de Paisley Road. Perguntaram ao homem, que tinha 80 anos, se ele confiava em Jesus. Imediatamente ele respondeu que sim. Quando perguntaram há quanto tempo ele confiava no Salvador, ele disse: “Nove anos”. “Quantos anos você tinha, então?” “Tinha acabado de fazer 70 anos”. “E como isso aconteceu?” “Bem, eu estava passando em Plantation, e aquele homem, o Sr. Harper, estava pregando na esquina, e eu aceitei Jesus ali mesmo”. Dentro e nos arredores do distrito onde a igreja se situava, muitas casas foram abençoadas, iluminadas, transformadas, pela pregação do servo do Senhor, cujo fim tantos lamentam. A igreja que foi formada com 25 membros tinha quase 500 membros quando, depois de 13 anos de trabalho, ele foi, em setembro de 1910, assumir os deveres do pastorado na Igreja de Walworth Road em Londres. O culto de despedida foi inesquecível. O galpão de ferro, que tinha lugar para 900 pessoas, fora muito pequeno para acomodar todos os que queriam assistir ao culto, e o espaço de uma grande igreja na vizinhança foi graciosamente cedido para a ocasião. Ela ficou lotada.

Uma Dedicação Intensa
Ele sempre foi um pregador fervoroso. Nunca foi superficial. Nunca foi um mero falador. Ele sempre foi um homem que fixava seu olhar na necessidade de al-

42 • O Último Herói do Titanic mas preciosas. Mas durante os últimos anos do seu ministério em Glasgow, a sua pregação parecia alcançar um novo patamar. Havia uma dedicação intensa que crescia com o passar dos anos. Seu poder de pregação certas vezes tinha algo extraordinário. Não era simplesmente quando fazia o apelo para os incrédulos se reconciliarem com Deus, mas também quando exortava os filhos de Deus a coisas maiores. Sem dúvida, como aqueles dentre nós que o conheciam podem testemunhar, o desejo fervoroso e impetuoso que se expressava nas suas pregações públicas brotava das horas prolongadas de oração a que ele se dedicava. Ele era antes de mais nada um homem de oração. Quase um mês antes da sua morte, quando estava em Glasgow para uma visita, ele passou meia hora tomando chá com alguns de nós, e a última palavra que lembramos ter dito foi que a necessidade de hoje era uma vida de oração mais intensa. Seu breve ministério em Walworth Road foi claramente abençoado por Deus. Melhoras foram feitas. O número de membros da igreja aumentou. Tudo parecia prometedor. Novos laços de interesse se formaram. Novas amizades foram feitas. Então veio o convite para dirigir cultos especiais na Igreja Moody em Chicago durante o inverno passado. Referências ao trabalho notável aparecem nas últimas páginas deste livro. Quando voltou para Londres em janeiro, não se achava que ele concordaria em fazer outra visita tão cedo como programou. Mas ele iria “no começo de abril”, nos disse duas semanas antes de partir. “Por que vai voltar já? Certamente não é para dirigir cultos especiais novamente?”... “Oh, não”, ele disse: “eu vou dirigir os cultos normais na Igreja Moody, e falar em conferências e outras reuniões em outros lugares”. Cheio de es-

A Formação de um Herói • 43 peranças ele embarcou no desventurado navio, e no caminho encontrou o seu fim. É isso que devemos dizer? Não é melhor dizermos que ele encontrou o seu Senhor no caminho? Naquela noite de domingo, apenas uma hora ou duas antes do Titanic colidir com o iceberg, ele olhou para o céu e vendo um brilho vermelho no oeste, disse: “Vai fazer um belo dia amanhã”. Sim, faria, mas a beleza que ele veria não era aquela à qual se referia quando disse essas palavras. Ele veria a beleza do Salvador. Depois de pouco tempo de casado, ele perdeu a sua esposa no começo de 1906. Sua filhinha, Nana, agora tem seis anos e alguns meses. A bênção do Senhor certamente estará sobre aquela menininha órfã. “Pai dos órfãos... é Deus em sua santa morada” (Salmo 68.5).

Pastor George Harper

O medo da morte não me preocupou por um só momento. Eu cria que morte súbita seria glória súbita. John Harper, depois de quase ter se afogado aos 32 anos.

3
Meu Irmão Como eu o Conhecia
Pr. George Harper, Edinburgh
ara mim, o pastor John Harper, que afundou com as outras mil e quinhentas e vinte uma pessoas na inesquecível catástrofe do Titanic no dia 15 de abril de 1912, era meu irmão nos dois sentidos, na carne e no Senhor. Além disso, ele era meu único irmão na carne. Fomos criados juntos, nos prostrávamos juntos em família, enquanto nosso pai temente a Deus
“...santo, pai, e marido orava de joelhos diante do Rei eterno dos céus”.

P

Quando pequenos, dormíamos juntos no mesmo quarto, íamos para a escola juntos, pescávamos juntos no pequeno riacho que passava perto da nossa cabana. Sentávamos juntos na igreja da vila, e com apenas três meses de diferença nos convertemos na mesma época, e com o passar dos anos mantivemos nossas crenças e convicções em assuntos espirituais, compartilhando nossas alegrias e tristezas de todas as maneiras. A gran­

46 • O Último Herói do Titanic de colheita de almas preciosas para o Reino do Senhor, que meu querido irmão testemunhou em Chicago no in­ verno passado, me encheu de alegria. Certamente, pois, não me será levado a mal se eu citar o texto: “Angustia­ do estou por ti, meu irmão John, tu eras amabilíssi­ mo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultra­ passando o amor de mulheres” (palavras de tristeza de Davi pela morte de Jônatas, 2 Samuel 1.26).

Salvo de Afogamento aos Dois Anos de Idade
A primeira lembrança da minha infância está associa­ da a um acidente que aconteceu com meu irmão. Está­ vamos brincando perto de um poço bastante fundo em nosso quintal, quando John tropeçou e caiu no poço. Na época ele tinha dois anos e meio. O que eu poderia fa­ zer? Só uma coisa, subir a escada e gritar: “Mãe, mãe”, com toda minha força. Mamãe veio ao resgate a tempo de salvar a vida de John. Eu lembro bem como ela levantou os pés dele no ar, e como a água saia de sua boca. Confesso que foi um mé­ todo um tanto primitivo de reanimação, mas foi o méto­ do de mamãe, e funcionou. Quase que John se afogou aos dois anos e meio de idade!

Salvo de Afogamento aos 26 Anos de Idade
Vinte e quatro anos depois estávamos trabalhando juntos numa missão especial como “Os Har per Bro­ thers” (“Os Irmãos Har per”). O dia estava bom, estáva­ mos a algumas milhas de Barrow­in­Furness, no litoral. Sem considerar a possibilidade de uma correnteza forte, entramos na água para nadar. Eu sabia nadar um pouco,

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 47 John não nadava nada. Logo ficamos em apuros, e se não fosse o Poder de Deus que controla todas as coisas, a história da vida do meu irmão e da minha teria termi­ nado no mar naquela ocasião. Quando estávamos sãos e salvos, sentimos, mesmo exaustos, a certeza de que nos­ so Pai Celeste nos tinha salvo pela Sua misericórdia, e juntos O louvamos.

Salvo de Afogamento aos 32 Anos de Idade
Seis anos depois, numa viagem para a Palestina, John junto com um amigo, o Sr. Wylie de Glasgow, estavam a bordo de um navio no Mediterrâneo que começou a fa­ zer água subitamente. Depois de horas de suspense, quando ficaram face a face com a morte, foram resgata­ dos. Meu irmão, numa palestra mais tarde, descreveu detalhadamente esse incidente. Ele disse: “O medo da morte não me preocupou em momento algum. Eu acre­ ditava que morte súbita seria glória súbita, mas havia uma menininha sem mãe em Glasgow e eu pensei que deveria tê­la deixado sob a proteção do meu querido ir­ mão, George, antes de partir”. Não é necessário dizer que seu irmão teria aceitado a responsabilidade sem he­ sitar, quer obrigado quer não; uma responsabilidade que ele consideraria sagrada. Desse modo, em três ocasiões, que eu saiba, antes da última no dia 15 de abril de 1912, meu irmão enfrentou face a face a morte nas águas.

“Um Aluno Dedicado”
Nossos pais eram pessoas simples. Meu pai tinha um negócio de tecidos na vila de Houston, que não rendia um salário muito bom, mas apesar do problema de criar

48 • O Último Herói do Titanic uma família de seis pessoas, ele se esforçava para nos dar a melhor educação possível. Meu pai era um homem de bom nível escolar e lia muito. No entanto, John não era muito responsável nessa época, e deixou de aprovei­ tar muitas coisas que seriam proveitosas para ele mais tarde, o que sempre admitia. O incrível é como se de­ senvolveu tão bem. Muitas vezes, a habilidade que ele tinha de se comunicar tanto verbalmente como por es­ crito era, para mim, simplesmente encantadora. Contu­ do, a partir do final da adolescência ele estudava muito, poucos homens preparavam tão bem suas mensagens como ele. Isso, talvez seja, pelo menos, uma explicação do desenvolvimento do meu irmão.

“Ele me Elogiou por Proteger John”
Eu me lembro bem do nosso professor chamando John para o castigo. Deve ter sido por causa da lição mal feita. Eu acho que era. Mas a varinha estava sendo usada com muita força. Fiquei sentado por algum tem­ po, contudo o meu lado mais forte se impôs. Naquela época, como em todos os anos de infância, meu irmão era muito precioso para mim. Na minha opinião, aquilo não estava certo, com ou sem lição, esse homem não ia bater no meu irmão assim. Eu me levantei segurando minha lousa sobre a cabeça, e dizendo ao mesmo tem­ po: “Se você não parar de bater no meu irmão, eu vou fazer você parar”. Ele parou na mesma hora, veio ao meu encontro, e diante de todos me elogiou por prote­ ger John. Claro, ele era o meu irmão! Os tempos de escola logo se acabaram, e como foi re­ latado por outros, John começou a trabalhar cedo. Na época não se achava ruim mandar um menino de qua­

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 49 torze ou quinze anos trabalhar. Ele só precisava ter uma escolaridade razoável, e ser esforçado o bastante. Du­ rante cinco anos ou mais, ele teve vários empregos. Foi no começo desse período da sua vida que ele aceitou Je­ sus. Eu me lembro bem daquela noite. Foi no último do­ mingo de março de 1886, que o querido John nasceu do Espírito. O caminho foi bem preparado para isso.

Nosso Pai Zeloso
Meu pai era um homem especial, como meu amigo Sr. Hugh Mor ris diz no seu testemunho. Ele era um pu­ ritano na teologia e na prática, um homem que amava o seu Senhor e sua Bíblia. Um grande admirador de C. H. Spurgeon, cujos sermões ele lia sempre, até mesmo em voz alta, e que, às vezes, todos nós tínhamos que ouvir, quer gostássemos ou não. O culto doméstico com a lei­ tura cuidadosa das Escrituras e a oração, juntamente com cânticos dos Salmos de Davi, era normal em nossa casa. Toda a família foi educada nesse ambiente purita­ no. Logo John estava pronto de maneira bem real e prá­ tica para o grande evento na sua vida, ou seja, sua entre­ ga a Cristo. O Sr. Walter B. Sloan, e o Sr. Archibald Orr Ewing, ambos agora da Missão do Interior da China, li­ deravam a Igreja Livre da vila naquela noite. Meu irmão sentou­se ao meu lado no banco da nossa família.

“Nos Tornamos Um na Fé”
No final do culto foi feita uma reunião de acompa­ nhamento, John ficou com outras pessoas, e com base em João 3.16 lhe mostraram a rica provisão de Deus em Jesus para sua salvação. Três meses antes, eu tinha acei­

50 • O Último Herói do Titanic to Jesus como meu Salvador pessoal. Agora éramos um na fé que está em Cristo Jesus. Sim, e graças a Deus, essa união em comunhão espiritual jamais foi quebrada durante os vinte seis anos do nosso companheirismo cristão. Eu me lembro bem de como meu querido pai se alegrou quando viu que Deus respondera as suas ora­ ções com a conversão dos seus dois filhos, seguida logo após pela certeza de que também algumas de suas filhas aceitaram a Cristo. A subseqüente história da vida do meu irmão é con­ tada principalmente pelos outros neste livro, a revelação adicional e o chamado que ele recebeu no ano de 1890, seu começo com a entrega total ao ministério do Senhor na vila de Houston (sua Jerusalém), e as vilas circunvi­ zinhas. Portanto, é suficiente dar apenas alguns detalhes do seu caráter e ministério cristão. No decorrer do tem­ po, a missão na vila de Houston, descrita tão bem em outra parte pelo Sr. W. B. Sloan, fechou. Essa missão te­ ve início pelo próprio Sr. W. B. Sloan no verão de 1885 e continuou por alguns anos. Seu fechamento ocor reu no começo da década de 1890. Na época, eu ficava fora a negócios e só voltava uma vez a cada duas semanas. Meu irmão, com alguns outros, liderava cultos ao ar li­ vre todos os domingos à tarde. Quando estava em casa, eu ajudava com prazer. Numa dessas ocasiões um homem grande, que sem­ pre tinha deixado claro a sua intenção de acabar com aqueles cultos, apareceu. Mas nessa ocasião só havia dois de nós – meu irmão e eu. Fizemos um dueto, de­ pois nos revezamos na pregação. O homem podia ter feito o que declarava. Ele tinha mais de dois metros de altura e era muito forte. Colocou seu punho na frente de nossos rostos e ameaçou nos deformar se continuásse­

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 51 mos pregando, mas o espírito indomável do meu irmão não estava nenhum pouco amedrontado. Continuamos a pregar e cantar para Jesus, apesar das suas ameaças. De­ pois de certo tempo ele nos deixou, ficamos em paz e concluímos aquele tumultuado culto ao ar livre. Seria necessário um livro inteiro para descrever a obra em Gryffe Grove Hall, Bridge­of­Weir, em Johns­ tone, e outras cidades vizinhas, com as quais meu irmão se identificava tanto. Esses foram anos de zelo intenso por Cristo e Seu Reino. Muitos foram levados a Cristo através do ministério evangelístico fiel do meu irmão, e o povo de Deus foi animado e vivificado. Eu tive o pra­ zer indescritível em ajudá­lo sempre que podia nesses primeiros anos, e acompanhei sua vida íntima, que era transparente, pura e verdadeira. Eu testemunho com ale­ gria sobre isso. Não vou dar detalhes da história de co­ mo John foi levado a começar o ministério batista. Essa época da sua vida tem três capítulos diferentes, que são: Govan, Paisley Road, Glasgow, e Walworth Road, Lon­ dres. Em cada ambiente a mão de Deus estava clara­ mente sobre Seu servo em poder. Mas especialmente is­ so aconteceu em Paisley Road, Glasgow.

“Poderoso na Oração”
Durante seus treze anos de ministério ali, centenas e centenas de pessoas foram conduzidas ao Reino de Cris­ to. Mais uma vez permitam­me dar detalhes de tudo is­ so. Outros contarão a história como espectadores. Meu querido irmão era um homem poderoso na oração. Ele era um mestre nessa arte sagrada. Em outubro de 1899 vim de Bradford, onde era pas­ tor, para Paisley Road, para liderar uma missão de um

52 • O Último Herói do Titanic mês. Noite após noite, quando estava prestes a anunciar meu texto bíblico, John descia do palco, ia para uma pequena sala, e se ajoelhava em oração. Ali ele suplica­ va a Deus, enquanto eu fazia o apelo para os homens. Não é necessário dizer que os resultados daquela mis­ são permanecem até hoje. Eu orava com meu querido irmão, vez após vez, e todo o seu cor po tremia muito, tamanha era a sinceridade das suas súplicas a Deus pe­ lo mundo perdido. Muitas vezes ele chorava em oração. Como seu Senhor, ele oferecia suas súplicas com “for­ te clamor e lágrimas” (Hebreus 5.7). Não é de se ad­ mirar que corações endurecidos e teimosos se rendiam sob seu ministério. Enquanto o ouvia orando, eu costumava dizer: “O querido John está muito próximo de Deus”. Ele parecia viver na maior intimidade com seu Senhor. Não havia nada falso em sua espiritualidade. Ele jamais tentou convencer alguém de que era mais santo que os outros, mas sabia­se por instinto que ele era um homem de Deus, cuja alegria suprema estava na comunhão com seu Senhor e Redentor.

Tristezas Moldaram Sua Vida
A história completa daqueles treze anos de trabalho cristão consagrado jamais poderá ser contada. Para meu querido irmão houve anos de alegria e tristeza. Nem to­ do convertido se tornou uma “coroa de alegria” para o servo do Senhor. Os fracos e incapazes causavam muita dor ao meu irmão, e os desviados quase partiam seu co­ ração. Mas as alegrias desse período mais do que com­ pensavam suas tristezas. Muitos buscaram e encontra­ ram a Cristo, e sempre continuaram a seguir o Senhor.

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 53 Foi durante essa época que duas coisas muito tristes aconteceram com meu irmão. No verão de 1905 sua saúde falhou, sua voz, que em sua juventude era bela e ressonante, acabou completa­ mente. Durante seis meses ele não pôde trabalhar. Essa foi uma provação muito dura para ele. Ele chorava co­ migo e eu com ele por causa dessa provação. No entan­ to, uma viagem no mar e repouso absoluto com trata­ mento especial, com o tempo recuperaram pelo menos parte da sua força e energia. Mas ele nunca mais teve a mesma saúde que antes. Quem o conheceu apenas nos seus últimos anos viu só o esqueleto do seu passado, is­ to é, da força física e da boa aparência. É verdade que durante os últimos cinco ou seis anos da sua vida houve um amadurecimento maravilhoso que os mais íntimos não deixaram de perceber. Víamos o homem exterior ficando mais fraco, e o homem interior mais forte sempre que nos encontrávamos.

“Annie está Morrendo”
Mas a maior tristeza ainda estava por vir. No come­ ço de 1906, sua esposa foi levada. A Sra. Har per era um grande auxílio para ele. Ela era um pouco mais velha, e muito animada. Meu irmão e ela, na época Srta. Bell, se conheceram durante uma obra missioná­ ria em Bridge­of­Weir. Durante dez anos esperaram um pelo outro. Eu me alegrei muito com o casamento do meu irmão com a Srta. Bell. Mas, infelizmente seu casamento durou pouco. Durou pouco mais que dois anos. Uma menininha nasceu no Ano Novo de 1906 e poucos dias depois o espírito da Sra. Har per “subiu nos ares até o céu”.

54 • O Último Herói do Titanic Jamais me esquecerei desse evento. Na época eu era pastor da Igreja Batista de Bellshill. Era um domingo à noite, tinha acabado de ler minha passagem, Isaías 28.15­18, “Aliança com a morte”, quando fui chama­ do para uma sala, pois um policial queria falar comigo. Ele recebeu o recado por telegrama do meu irmão. Di­ zia o seguinte: “Querido George, por favor venha ime­ diatamente, Annie está morrendo. Eu quero que Mary e você estejam do meu lado”. A Mary aqui mencionada era minha esposa. Voltei para meu culto, chamei dois dos nossos obrei­ ros para o palco, e os deixei responsáveis pelo culto. Chamaram um taxi, e minha esposa e eu fomos o mais rápido possível para perto do meu querido irmão na sua tristeza profunda. Ah, ele era meu irmão, e nada me im­ pediria de estar com ele na sua provação. Ficamos do lado da cama da Sra. Har per durante doze horas fazen­ do tudo que podíamos para confortá­la, e aliviar a sua dor, e depois, quando o seu espírito entrou no lar celes­ te, fechamos seus olhos cuidadosamente. Essa provação, acrescentada assim àquela que tinha sofrido um ano antes, o deixou arrasado. Foi seu Getsê­ mani, seu batismo de fogo. O cálice era amargo, mas ele o bebeu, dizendo: “Não seja como eu quero, e, sim, como tu queres”.

Cuidando do seu Bebê
Logo depois disso, minha querida esposa o conven­ ceu a nos deixar cuidar da pequena Nana para ele, o que permitiu apenas durante uns seis meses. Nós teríamos prazer em cuidar da pequena durante os anos seguintes para o bem do seu pai e o bem dela, mas essa alegria

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 55 não foi dada a nós. Meu irmão sentia muito a falta da sua querida esposa. Seu lar jamais fora o mesmo para ele depois. Ele tinha uma personalidade que necessitava de companhia. Somente alguns meses antes de ser leva­ do, estivemos juntos por alguns dias. Era como uma vi­ da nova para ele. Oramos, cantamos, andamos, e con­ versamos muito juntos. Ele falou muito sobre assuntos relacionados ao seu futuro, assegurando­me que não ti­
Uma razão porque o “Titanic” estava equipado com somente 20 botes salva-vidas: não se queria bloquear a vista dos passageiros...

56 • O Último Herói do Titanic nha revelado isso a mais ninguém. Infelizmente não foi da vontade de Deus preservar a sua vida para realizar alguns desses planos e propósitos.

A Mudança Para Londres
Quando aceitou o convite para pastorear a Igreja em Walworth Road, Londres, ele me escreveu contando so­ bre seus cultos de despedida em Paisley Road. Ele me pediu com urgência para ir ao seu chá de despedida. Eu fiz isso sem reclamar. Eu estava no seu primeiro culto de apresentação em Govan, e sentei, a pedido dele, ao seu lado nessa última ocasião. Que reunião! Lágrimas foram derramadas e homenagens foram dadas em sua honra, mas nenhuma frase pareceu exagerada. Em Londres, co­ mo em Glasgow, Deus abençoou a obra do Seu servo. Em um ano a velha igreja, com muitas tradições liga­ das à sua história, passou por um reavivamento impres­ sionante. É possível que, sob o ministério do meu esti­ mado amigo e irmão pastor A. Moncur Niblock, que era co­pastor com meu querido John, ela concorresse com Paisley Road. Essa foi minha convicção durante uma vi­ sita recente que lhe fiz. Depois veio Chicago!

Chicago Lamenta a Morte de Harper
Quem pode falar da grande obra realizada através do trabalho do meu precioso irmão na famosa Igreja Moody naquela cidade durante os meses de inverno de 1911­1912? O reverendo E. Y. Woolley, pastor assisten­ te daquela grande igreja, numa carta que me escreveu no dia 11 de maio, diz: “Voltei para Chicago para en­ contrar, como esperava, nosso povo entristecido pela

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 57 morte do Sr. Harper. Nossa reunião semanal ontem à noite estava lotada. Tínhamos um total de trezentas pes­ soas a mais que o normal, e centenas estavam chorando enquanto os detalhes da sua morte foram relatados. Eu jamais conheci um homem que tenha conquistado os corações do povo dessa maneira em apenas três meses de comunhão. No domingo que vem haverá um culto memorial para ele, mas é fácil ver que todos os nossos cultos serão em grande parte memoriais. Deus o usou enquanto estava aqui como nunca vi um homem ser usa­ do antes”. Este é o testemunho do Sr. Woolley. Tenho várias cartas de Chicago escritas para mim pe­ lo querido John. O desejo mais forte descrito em todas essas cartas é que eu orasse por ele. “Ore por mim, ore por mim a cada minuto”, ele escreveu. Meu irmão nun­ ca mediu esforços, mas com o passar dos anos ele pare­ cia sacrificar­se mais e mais pelos outros, e especial­ mente pelo seu Senhor.

Colheita em Chicago
A revista Vida de Fé, referindo­se à sua obra maravi­ lhosa em Chicago, disse: “Seus cultos produziam tantas ricas bênçãos que a visita se prolongou para três meses, e a Igreja Moody estava passando por um dos reaviva­ mentos mais marcantes da sua história. O povo do Se­ nhor também teve um reavivamento espiritual. Uma ilustração prática disso foi o fato de que uma dívida de 1.000 libras foi paga em quatro dias”. Ao voltar de Chicago ele fez uma visita rápida à Es­ cócia, passando primeiro por Edinburgh, onde dirigiu dois cultos, ambos realizados em nossa igreja em Gor­ gie. Sua palavra era poderosa. De Edinburgh ele viajou

58 • O Último Herói do Titanic para Glasgow, depois para Paisley, Denny, e Cumnock em Ayrshire. Em todos esses lugares seu ministério era “no Espírito Santo e com muita confiança”, apesar de seu corpo estar desgastado.

O Convite para Voltar a Chicago
Devido ao pedido urgente e muito cordial da Igreja Moody em Chicago ele concordou em voltar por mais três meses. Numa carta para mim, do dia 1º de abril, ele escreveu de Londres: “Vamos zarpar de Liver pool no sábado no navio Lusitania”. Infelizmente, ao invés dele ter ido naquele barco, uma semana mais tarde ele em­ barcou no desventurado Titanic. O Titanic zar pou de Southampton para Nova York no dia 10 de abril. No dia 15 de abril ele estava no fundo do oceano, levando consigo 1.522 vidas preciosas, en­ tre elas meu próprio irmão querido e companheiro, John Har per. Não preciso relatar novamente aqui os detalhes desse triste desastre. Eu acho que eles são mais ou menos co­ nhecidos por todos, e suponho que a próxima geração saberá dessa terrível catástrofe em mar tranqüilo, quan­ do o supra­sumo da competência humana em engenha­ ria naval afundou na sua primeira viagem. Não posso tentar explicar o Propósito que leva tal homem de Deus em plena atividade.

A “Entrada Triunfal” de Harper
Só posso dizer que minha confiança está na sabedo­ ria suprema de Deus. “Um dia entenderemos”. Acho que Keble descreve isso muito bem quando diz:

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 59
“Teu Deus te diz que bom te é por vista não andar, e sim por fé, confia então enquanto aqui, pois breve as nuvens passarão quando Seu belo rosto brilhar sobre ti.”

Realmente isso é tudo que se pode fazer diante de tal Poder. Nenhuma mensagem de despedida foi en­ viada a nós do navio que afundava, nem um beijo de despedida, pelo que se sabe, foi dado na sua peque­ na filha. Calmo e controlado ele a entregou a um dos oficiais do navio no convés superior, enquanto ele mesmo obedeceu às ordens do capitão de ficar no segundo convés. Isso foi apenas meia hora antes do grande navio afundar. Ninguém saberá quais foram seus pensamentos du­ rante aquela última meia hora na ter ra. Temos certe­ za de uma coisa: não houve reclamações quando ele “zar pou”. Ele teve uma “entrada triunfal”.
“Ainda que por quem morreu, minha alma eu não darei à dor como se fora a morte pura divisão. Por ti não se vê pranto meu pois és como a cultivada flor que brota além do muro e da visão. A morte esconde o que se vê, mas não divide quem crê. Além do muro estás com Cristo e em sua paz, e se Ele aqui me tem em Sua mão, em Cristo estamos, dois, ainda em união.”

60 • O Último Herói do Titanic

“Pense Mais na Vida de Agora do que na Vida do Passado”
Dentre vários outros, um irmão querido me escre­ veu: “Não reclame do que seu Pai Celestial fez com você. Ele o honrou, e ao mesmo tempo cumpriu Sua própria promessa, ‘onde eu estou, ali estará também o meu servo’. Os anjos devem ter dado calorosas boas­vindas ao seu irmão. Pense mais na vida de ago­ ra, do que na vida do passado. Mais na ‘entrada triun­ fal’ do que na saída estranha e repentina. Amor e sabedoria estão no trono – amor perfeito e sabedoria perfeita. Às vezes tudo pode parecer muito estranho, mas deve ser o melhor. Tente cavar um poço no seu Vale de Baca”. Obrigado, querido irmão, é isso que estou tentando fazer, e à medida em que meu poço fica mais fundo, mi­ nha alma anseia ainda mais e mais pela manhã gloriosa e vindoura, quando os enigmas da vida serão esclareci­ dos na Sua luz. Gostaria de dizer aqui quão profundamente valorizo todas as mensagens carinhosas de compaixão que re­ cebi nessa minha hora de tristeza e lamento. Peço que meus amigos tenham certeza da minha gratidão pes­ soal. Não estou sozinho na minha tristeza. Minha que­ rida esposa ficou com o coração partido por causa da perda do seu cunhado. E as minhas irmãs – Sra. Sin­ clair e Sra. Given em Johnstone, Sra. Balloch em St. Boswell’s, e Sra. Auckland em Govan, todas choram comigo por causa da nossa perda ir reparável. Nosso ir­ mão era muito querido por nós como família. Para ca­ da membro da família seu “amor era maravilhoso” e retribuído por nós (irmãs e irmão).

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 61

“Ah, se a Sua Voz Arrebatadora Pudesse Alcançar Nossos Corações Endurecidos”
Sua filhinha, Nana, ainda não percebe a grande per­ da. Que o Deus do seu pai coloque Seu manto sobre ela e a proteja do vento de um mundo frio e pecador! Que a vontade do nosso Pai Celeste para ela seja cumprida, e que pelo menos o espírito terreno de devoção do seu pai ao seu Senhor seja encontrado nela na hora certa. Multidões lamentam a perda do meu querido irmão. Ele era um grande pescador de almas, um verdadeiro pastor. Ele levou multidões aos pés de Cristo, e depois as alimentou com o melhor pão. Seus dons analíticos e homiléticos eram de alto nível, como será visto em ou­ tra parte deste livro, e já que outros irmãos testemu­ nham com prazer sobre esse fato eu só o menciono. Numa carta a uma de suas irmãs, no dia 27 de junho de 1892, quando ainda era um jovem pastor, ele escre­ veu: “Ah, se pudéssemos ter mais fé num Salvador amo­ roso e vivo, e se pudéssemos abrir nossos corações o su­ ficiente para receber mais do Seu amor terno, consumi­ dor, constrangedor, penetrante, ah, se abríssemos nossos ouvidos para ouvir a doce voz do Noivo quando Ele sussurra para nossas almas: ‘Levante­se, meu amor, mi­ nha querida, venha, deixe as ilusões passageiras deste dia transitório’. Ah, se a Sua voz arrebatadora pudesse alcançar nossos corações endurecidos para que tivésse­ mos sede e clamássemos por um relacionamento mais íntimo com o Salvador crucificado”. Essa é apenas uma citação curta de uma carta que es­ tá diante de mim, muitas partes da qual são muito sa­ gradas para serem publicadas. Ah, sim! a mensagem da Cruz foi a mensagem do seu ministério fervoroso do co­

62 • O Último Herói do Titanic meço ao fim. Mas talvez de maneira muito especial a Cruz encheu sua visão durante o final do seu ministério. Sua intenção era escrever e publicar num livro alguns dos sermões que Deus usou na conferência em Chicago, mas Deus quis escrevê­los de outra maneira, permanen­ temente nos corações e nas vidas dos pecadores resgata­ dos e santos reavivados. Algumas centenas desses esbo­ ços preciosos e sugestivos estão no fundo do oceano. No entanto, podemos dizer verdadeiramente sobre seu testemunho e sua obra: “Mesmo depois de morto, ain­ da fala”.

A Fraqueza do Meu Irmão
Havia um lado do caráter do meu irmão que parecia estar fora de sintonia com o lado que descrevi com de­ talhes. Ele era facilmente enganado. Muitas vezes eu o adverti com relação a isso. Eu poderia citar vários ca­ sos de que tenho conhecimento, em que ele sofreu, às vezes ter rivelmente e por muito tempo, nas mãos da­ queles que eram praticamente impostores. Mas ele ape­ nas respondia quando eu o advertia: “Tudo bem, o Se­ nhor os conhece, Ele cuidará deles”. Com exceção des­ sa pequena fraqueza, para alguns de nós que o conhecíamos intimamente, ele seria quase nosso ideal em perfeição humana. O leitor pode ter certeza de que procuro, em tudo que escrevo sobre meu querido irmão, magnificar a graça de Cristo que se manifestava tão maravilhosa­ mente no Seu servo. Acho que este mundo pobre, mise­ rável e condenado, atolado no pecado, e que rejeita a Cristo abertamente, sofre grande prejuízo ao perder um homem de Deus como meu irmão, que sempre chorava

Meu Irmão Como eu o Conhecia • 63 por ele, e der ramava a força da sua vida por ele. Tam­ bém acho que a Igreja de Cristo, que infelizmente é tão apática, não pode se dar ao luxo de dizer adeus a um ministério tão animador, tão necessário. Mas pode ser que Deus esteja dessa forma chamando alguns outros servos Seus para maior consagração, obras mais signi­ ficantes, para o preenchimento de um espaço vazio criado pela partida de John. “Enquanto chamas, Se­ nhor, chama a mim”. Que as multidões sejam batizadas com o mesmo espírito, zelo e entusiasmo pela glória de Cristo, pela conversão dos perdidos, e para que se apresse o dia da tão esperada vinda do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Pr. John Dick

Alcoótras, jogadores, e brigões recuperados, agora são servos entusiasmados de Deus, todos louvam o Salvador a quem amam por causa do dia em que conheceram John Harper.

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Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores
Homenagem do Pastor John Dick, Igreja Batista de Paisley Road, Glasgow

E

screver uma homenagem a John Harper não é fá­ cil, pois quando escrevemos no superlativo, senti­ mos que não fizemos jus à obra e ao caráter desse obreiro dedicado de Deus. Eu conheci o Sr. Har per há doze anos, e sete anos atrás passei dez dias com ele enquanto liderava uma missão especial em Paisley Road. Na época aprendi a amá­lo, e conhecer John Har per melhor era amá­lo mais. Éramos homens diferentes, mas havia uma afini­ dade entre nós que se fortaleceu com os anos, e seu grande desejo era que eu o substituísse em Paisley Road, se um dia ele saísse de lá. Agora isso aconteceu,

66 • O Último Herói do Titanic mas jamais pensamos que a sua corrida aqui na terra terminaria aos trinta e nove anos.

Ele Foi um Homem Treinado por Deus
Ao perder nosso querido irmão, perdemos um grande pregador. Vindo da classe dos trabalhadores, ele apare­ cia diante dos seus companheiros como um homem trei­ nado por Deus. Nenhuma faculdade pode reivindicar tê­ lo formado, ele se tornou pastor através de Deus. A pai­ xão da sua vida era ganhar almas. Não era anormal para ele deixar de dormir no sábado à noite, orando pelas al­ mas, e clamando por Poder Divino para capacitá­lo a pregar para a glória de Deus. Foi esse amor intenso pe­ las almas que o fez literalmente viver entre o povo.

Será este o sentido da vida: riqueza, fama e beleza?

Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores • 67

Harper Conquistou os Corações das Pessoas Simples
Com orgulho o povo da região conta­me como ele costumava chegar para o jantar ou chá, e sentar­se com eles para tomar uma refeição simples, servida numa mesa sem toalha. Ele era como um deles, envolvendo­ se nas suas tristezas e alegrias – aconselhando e ad­ vertindo, regozijando­se e chorando – e dessa maneira valorosa e amorosa ele conquistou as pessoas simples que hoje lamentam a sua morte como se ele fosse par­ te da família. Seu amor e sua compaixão eram fenomenais, por causa da influência compassiva e atraente que sempre emanava dele. Não é de se admirar que católicos e pro­ testantes, pobres e miseráveis, derramaram muitas lágri­ mas com a menção da sua morte! Todo o povo da região o amava e admirava os esforços herculéos desse grande e compassivo obreiro de Deus.

Vidas Foram Mudadas para Sempre
Ele era um grande estudante da Bíblia, e seu ensina­ mento eficiente é manifesto nos vários jovens na con­ gregação que têm um conhecimento profundo do Livro dos Livros, e que absorveram o entusiasmo do pastor Har per pelo estudo da Bíblia. Em Paisley Road e Wal­ worth Road, Londres, o seu domínio impressionante das verdades bíblicas foi essencial para trazer de volta à verdade muitos que estavam afastados. Um homem importante de Londres testemunhou que devia sua po­ sição atual a John Har per que, com sua exposição inte­ ligente da Palavra Viva, o convenceu do er ro doutriná­

68 • O Último Herói do Titanic rio. Outro obreiro importante de Deus disse que se não fosse por John Har per, hoje ele estaria envolvido na confusão da infidelidade. Alcoólatras, jogadores, e brigões recuperados, agora são servos entusiasmados de Deus, todos louvam o Sal­ vador a quem amam, por causa do dia em que conhece­ ram John Harper. Aconselhamento pessoal era seu forte, seu tato e sua grandeza de espírito o tornavam talhado para esse trabalho. Ele conhecia as dificuldades e tentações do trabalha­ dor, ele conhecia sua literatura e seu modo de pensar, pelo fato de ser um deles, e apesar de alguns se ressenti­ rem com o que chamavam de sua atitude extrema, eles o amavam e foram os primeiros a reconhecer sua sinceri­ dade intensa. Ele era um grande pregador de cultos ao ar livre, e sabia dirigir grandes platéias que o apreciavam. As pessoas falavam com orgulho do efeito da sua voz magnífica ao ar livre, e contavam como ele lidava sábia e firmemente com todo tipo de inter­ rupção. Ninguém podia detê­lo, pois seu conheci­ mento extenso e profundo das verdades bíblicas o capacitava para combater com sucesso todos os ata­ ques. Era muito comum ver almas constrangidas ao ar livre, e alguns até se ajoelhavam no local e confes­ savam seus pecados. Hoje alguns desses frutos da graça são diáconos e membros respeitados da Igreja Batista de Paisley Road, construída no lugar onde muitos dos seus membros costumavam jogar e brigar! Que testemunho do poder do Evangelho, atuando atra­ vés de um homem completamente dedicado à grande obra de ganhar almas!

Ele Saiu da Classe dos Trabalhadores • 69

Uma Inspiração para Milhares
Ele era um orador espetacular! Sua habilidade em ho­ milética era incrível! Seus sermões doutrinários cres­ ciam sob seu tratamento até parecerem uma árvore grande e vistosa, que dá sombra e proteção a muitos viajantes cansados. Seu conhecimento amplo da litera­ tura puritana, teológica e de avivamento o capacitou pa­ ra adornar seus discursos de tal maneira que o ouvinte saía com uma sensação de satisfação. Como é difícil compreender que esse grande prega­ dor entusiasmado, dedicado, inteligente e ganhador de almas partiu! Todas as denominações lamentam sua morte, pois as suas energias eram dadas livremente para todos, porque ele não conhecia a inveja ministerial. Sua vida será uma inspiração para milhares, sua influência será inesquecível, seu exemplo contagiante, e apesar de ter sido apagado no auge da sua carreira, não reclama­ mos da sua passagem para um serviço maior. Tentar substituí­lo é tentar o impossível, mas estar no seu lugar é uma inspiração. Ele foi para a sua recompensa, e cabe aos que o conheciam e amavam beneficiar­se do seu exemplo e tentar preencher o espaço vazio da melhor maneira possível. Adeus, meu querido irmão! Que seu manto de pas­ tor caia sobre seu sucessor indigno, e que a paixão que encheu sua alma controle o autor desta homenagem inadequada.

Pr. Hugh Gunn

No meio da massa confusa de homens, mulheres e crianças se afogando, ele não deixaria de indicar a Cruz, e assim como vivia, morreria com esse nome nos lábios – Jesus! Jesus!! Jesus!!!

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“Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas”
Homenagem do Pr. Hugh Gunn, Igreja Batista John Street, Glasgow
osso querido irmão, Sr. Harper, era um homem em Cristo. Ele era totalmente dedicado a Deus. Eu o conhecia bem, e nunca vi nele nada desfa­ vorável. Ele não tinha nenhum passatempo, e não pro­ curava nenhum entretenimento além de aprofundar o seu prazer em Deus. Todo poder e toda paixão de seu ser pareciam se alegrar com a vida de Deus. Ele estava continuamente perante o altar.

N

Uma Paixão por Santidade
Ele era um homem de zelo intenso. Esse zelo foi ge­ rado por sua consciência de Deus. O poder da eternida­

72 • O Último Herói do Titanic de parecia repousar sobre ele o tempo todo. Isso o ca­ racterizava continuamente, na oração, na pregação, no aconselhamento pessoal de indivíduos com relação à salvação. Ele era um homem de oração. Jamais me esquecerei das reuniões de oração com ele. Logo que começava a orar em voz alta, todos percebiam que ele tinha intimi­ dade com Deus. Ao ouvi­lo orar, sentíamos o desejo de ficar sozinhos e abrir o coração perante Deus. A oração exigia muito dele. Ele buscava orar no Espírito Santo. Era comum passar noites inteiras sozinho orando. Lite­ ralmente vinha da presença de Deus para seu povo. Seus sermões eram ricos pela oração, por isso tinham grande poder para reavivar e santificar o povo de Deus, e levar pecadores chorando à Cruz.

A Mão de Deus Estava Sobre Ele
Ele era um homem de Deus. Um homem santo de Deus. O Senhor era tudo para ele, tanto que sempre bus­ cava a comunhão com Deus. Ele deleitava­se na fraque­ za em Cristo. A mão poderosa de Deus estava sobre ele. E sem dúvida, esse era o segredo de sempre ter o que indescritívelmente chamamos de unção. Jamais o ouvi falar sem ela. Como pastor, ele tinha muito cuidado na preparação para o púlpito. Ele lembrava as palavras de M’Cheyne: “óleo batido para o santuário”. Parecia que ele com­ preendia completamente os santos e pecadores, e cada um recebia sua porção perante Deus. Ele buscava ansio­ samente levar o povo de Deus à plenitude de uma vida abençoada em Cristo, e não queria que ficasse satisfeito com algo menos que a vida abundante que enchia sua

“Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas” • 73 própria alma. John era muito abençoado ao levar crentes à obra de Deus. Nunca os incentivou a ser ou fazer algo que ele próprio não era ou não fazia. Ele mostrava o ca­ minho.

Sua Paixão pelas Almas
Nosso querido irmão possuía um zelo intenso pelas almas. Essa era realmente a característica marcante da sua vida consagrada. Ele parecia ser incapaz de viver sem ganhar almas para Cristo. Almas! Almas!! Almas!!! preenchiam toda a sua vida. Ele era leal à Palavra de Deus. Nunca seguia os cami­ nhos duvidosos da crítica, pois a Palavra de Deus era o seu guia. O pastor John não tolerava alguns dos métodos mo­ dernos de realizar a obra cristã. Para ele era quase blas­ fêmia oferecer aos homens, que estão morrendo, entre­ tenimentos e diversões ao invés do Evangelho glorioso que traz salvação a todas as pessoas. Seu próprio minis­ tério era um exemplo vivo daquilo que somente o Evan­ gelho pode alcançar.

“Suba Mais”
Tendo sido uma bênção para a Igreja Moody em Chi­ cago, ele foi convidado a voltar para uma segunda mis­ são, e na ida para lá, Cristo veio até ele e disse: “Suba mais”. Que encontro com seu Senhor! Tenho muita cu­ riosidade em saber como ele agiu nos últimos momen­ tos da sua vida. Como de costume, ele não deixaria de secar as lágrimas, confortar, e ajudar até o último minu­ to da sua vida. No meio da massa confusa de homens,

74 • O Último Herói do Titanic

Pr. A. Moncur Niblock Acima: um braço de guindaste dos botes salvavidas lembra que havia espaço para salvar somente 1.178 passageiros. Mas alguns dos barcos só foram ocupados pela metade por puro medo, nervosismo e egoísmo. Das mais de 1.500 vítimas, aproximadamente 500 afundaram com o navio e as outras morreram nas águas geladas. O relógio foi encontrado com uma pessoa afogada e parou na hora da catástrofe.

“Ele não Podia Viver sem Ganhar Almas” • 75 mulheres e crianças se afogando, ele não deixaria de in­ dicar a Cruz, e assim como vivia, morreria com esse no­ me nos lábios – Jesus! Jesus!! Jesus!!!

Só houve um John Harper e não haverá outro; ninguém jamais o substituirá. Ele se foi, nós ficamos para trás! Para quê? Para chorar e deixar nossas mãos desocupadas? Não, certamente não! Mas, sim, para trabalhar, vigiar, esperar, pregar a Cristo, e este crucificado, para salvar aqueles que estão clamando a nós: “Salvem nossas almas”.

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Nunca Mais Haverá Outro
Homenagem do Pr. A. M. Niblock, feita na Igreja Batista de Walworth Road, Londres
com sentimentos indescritíveis que estou aqui nesta manhã. A grande calamidade que caiu so­ bre nós, com a perda do nosso querido pastor, o reverendo John Harper, nos lançou numa escuridão de onde nossos corações e nossas mentes ainda não conse­ guem sair. Na noite de segunda­feira passada, saímos da reunião de oração para nossas casas cheios de louvor a Deus pela preservação do nosso querido amigo.

É

A Promessa Falha de um Navio Insubmergível
Os jornais nos disseram que ele estava num navio in­ submergível, que tudo era seguro, e que não havia razão para temer, mas infelizmente a palavra do homem não é como a Palavra de Deus – imutável, constante e certa. E

78 • O Último Herói do Titanic as obras do homem não são como as de Deus, pois pala­ vras e obras falharam, como vimos nesse triste desastre. O navio era insubmergível, e afundou; levou consigo às escuras profundezas o cor po daquele que amávamos tanto, mas, graças a Deus, sabemos que ele foi para o céu para estar com o Senhor. Sofremos uma grande perda, e não somente nós, mas toda a Igreja de Deus, uma perda que não pode ser subs­ tituída. Só havia um John Harper, e nunca mais haverá outro, ninguém jamais o substituirá. Ele se foi, nós fica­ mos para trás! Para quê? Para chorar e deixar nossas mãos desocupadas? Não, certamente não! mas para tra­ balhar, vigiar, esperar, pregar a Cristo, e este crucifica­ do, e assim salvar aqueles que estão clamando a nós: “Salvem nossas almas”. Meu coração sente o mesmo que os seus, sim, esta­ mos sofrendo juntos, e só Deus sabe quão grande é o vazio que está nos seus corações nesta manhã.

Nossa Fornalha de Aflição
Deus ama esta igreja, Ele a honrou ao ceder, por um tempo, esse homem de oração para levá­la aos pastos verdejantes da verdade e às águas tranqüilas da comu­ nhão com Deus. O próprio fato dele ter estado aqui pro­ va o amor de Deus por vocês, e que Deus escolheu esse povo para Si, para que Ele mostrasse a Sua glória e vir­ tude através de vocês. Hoje vocês estão na fornalha da aflição. Mas não é isso que Deus quer para Seu povo? Isaías diz: “Provei­te na fornalha da aflição”, e nisso que aconteceu conosco, Deus está nos provando para Si. A Inglaterra hoje é uma ter ra de lamentação. Há mui­ tas viúvas e muitos órfãos que, há pouco tempo atrás,

Nunca Mais Haverá Outro • 79

A coluna do le­ A coluna do le­ me do Titanic. O me do Titanic. O que era de ma­ que era de ma­ deira, como a deira, como a roda do leme, roda do leme, desapareceu. O desapareceu. O mesmo aconte­ mesmo aconte­ ceu nos demais ceu nos demais destroços destroços do do navio. Que mo­ navio. Que mo­ mentos trágicos mentos trágicos foram vividos foram vividos exatamente nes­ exatamente nes­ ta ponte de co­ ta ponte de co­ mando! mando!

80 • O Último Herói do Titanic estavam contando os dias, as horas quando teriam a ale­ gria de ver os seus queridos de volta. Hoje seus cora­ ções estão partidos. A tristeza entrou nos seus espíritos, e estão sozinhos, seu futuro é duvidoso, e o espírito da solidão tomou conta deles. Agora não têm ninguém para abraçar, confiar, compartilhar; seu parceiro se foi, aque­ le que era a sua outra metade, a quem amavam, de quem faziam parte.

“Ele orava por vocês. Como orava”
Deus nos ajude, então, a fazer a parte de um verda­ deiro cristão e a lembrar dessas pessoas em nossas ora­ ções perante o trono eterno. Eu já disse que perdi um amigo, um irmão e um pastor. Isso é verdade, não é mesmo? Ele realmente era um amigo. Podíamos chegar para ele e abrir nossos corações, sabendo que ele valori­ zaria nossa confiança, seria gentil conosco lidando com toda delicadeza, e seja qual fosse o conselho ele poderia ser seguido. Ora, John era um pastor, um pastor de ovelhas. O que mostra que era um homem consciente de suas pres­ tações de contas ao grande Pastor do rebanho de que cuidava. Ele orava por vocês. Como orava! Alguns de nós tive­ mos o privilégio de nos reunirmos com ele em oração a Deus, e nessas horas ele se entregava completamente; muitas vezes nos maravilhamos com a sua ousadia, pe­ dindo a Deus grandes coisas, e falando com Ele com in­ timidade. Eu nunca conheci um homem como ele na oração. Eu vi seu suor literalmente escorrendo enquanto suplicava em oração.

Nunca Mais Haverá Outro • 81 Às vezes ele parecia ter subido com asas de águia e estar longe de nós, longe naquele céu azul onde Deus está, mas ao mesmo tempo percebemos que ele trazia o céu para a ter ra. Quando John Har per orava, o céu e a terra se encontravam, e os que estavam perto dele sa­ biam disso, porque o sentiam. Ele era um Brainerd, um Edwards, um M’Cheyne, um William Burns, um Finney, e um Caughey, todos ao mesmo tempo. Como ele orava pelas ovelhas do rebanho! Ó amigos, devemos muito ao nosso Senhor Jesus por permitir que ele entrasse nas nossas vidas. Somos hoje mais ricos espiritualmente por causa das suas orações, e nos dias vindouros quando recebermos bênçãos espirituais, lembrem­se de que em grande par­ te muitas delas serão as respostas das orações do nos­ so irmão ausente.

Ele Viveu Praticamente sem Teto e Morreu sem um Túmulo
Nosso amigo, irmão, e pastor foi para seu lar. Quan­ do sua querida esposa foi tirada dele há uns seis anos atrás, ele ficou, de certa forma, sem teto. Era sua esposa que cuidava da casa, nos arredores de Glasgow, seu “lar”. Agora ele está com ela, e além disso, está com seu Senhor e Salvador, a quem ele adorava, amava e ser­ via... Quando o Titanic afundou, levou consigo seu pobre frágil cor po, mas não o seu espírito, pois este foi para seu lar com Deus. Então não devemos nos lembrar dele como era na carne, mas como é agora com Cristo. Se lembrarmos do homem na carne, veremos o pobre cor­ po no fundo do mar, e imaginaremos que ele está frio e

82 • O Último Herói do Titanic

A madeira, o estofamento e as almofadas sumiram, e a areia do mar poliu a estrutura metálica. Ninguém mais senta-se neste banco numa profundidade de mais de 3.800 metros!

Nunca Mais Haverá Outro • 83 sozinho, o que não é verdade. Não, amigos, não nos en­ tristecemos como os demais. Aquele corpo era apenas a morada terrena de um nobre homem de Deus. O homem se foi, e o tabernáculo terreno agora não tem morador. Se pudéssemos, o cobriríamos e guardaríamos, e colo­ caríamos seu corpo no túmulo com amor, por causa da alma que viveu nele, mas não o podemos, e, por isso, nos submetemos e prostramos à vontade de Deus. Pois Deus se agradou em levar nosso irmão para Si dessa forma, não sabemos por quê. Mas uma coisa sabemos, Deus fez o que é certo, e à Sua vontade dizemos, Amém!

Sr. Hugh Morris, Evangelista

Com uma pele pálida e um corpo frágil ele não parecia ser muito forte: Ninguém poderia imaginar que ele viveria durante aqueles anos para realizar a grande obra que realizou, pois como obreiro na vinha do Mestre ele trabalhava sem cessar, como todos que o conheciam sabiam.

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“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem”
Homenagem do Sr. Hugh Morris, Evangelista

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oi privilégio meu ter a amizade do Sr. John Harper por vinte cinco anos, e ao ler as notícias sobre seu triste fim nos jornais, depois do terrível desastre do Titanic, mal podia acreditar que esse seria o destino do homem de quem me despedi pouco tempo antes, que, desde que o conheci, nunca pareceu tão preparado para o trabalho física, intelectual, e espiritualmente. Eu o ouvia pregar com freqüência, mas o sermão que pregou na Reunião do Meio-Dia em Bothwell Street, Glasgow, no dia do nosso último encontro sobre a terra, na

86 • O Último Herói do Titanic quarta-feira, dia 20 de março, ficou marcado na minha mente por sua lucidez, sinceridade e força espiritual, que dava certeza de que seus dons como proclamador das Boas Novas de Deus não se acabaram, mas aumentaram e se fortaleceram desde nosso encontro anterior. Há vinte cinco anos atrás, como um menino de quatorze anos, ele começou a trabalhar nos jardins de Barochan House, Houston, Renfrewshire. Com uma pele pálida e um corpo frágil, ele não parecia muito forte. Ninguém poderia imaginar que ele viveria durante aqueles anos para realizar a grande obra que realizou, pois como obreiro na vinha do Mestre, ele trabalhou sem cessar, como todos que o conheciam sabiam. Uma característica marcante daqueles primeiros anos, que deixava radiante sua vida de jovem, era sua reverência pelas coisas de Deus. Tive o privilégio de conhecer os pais de John, e quem pode subestimar a influência benigna de um lar onde Cristo é Senhor e Mestre, numa vida jovem que cresce no seu meio? Seu pai era um homem muito modesto, mas também um homem marcante, pois o amor de Deus, que enchia seu coração, o fazia pensar, falar e agir de modo a declarar com clara voz que ele era um “servo de Jesus Cristo” como o seguinte incidente demonstrará.

George Harper Sabia Lidar com Humilhações
Um dia numa fazenda, onde os trabalhadores estavam juntando feno em montes, o fazendeiro começou a provocá-lo e zombar da sua religião enquanto ele passava. Os trabalhadores riram. George Harper não disse nada a

“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” • 87

O navio de pesquisas “Atlantis II”, com o submarino “Alvin” no guindaste da popa. Em 9 de julho de 1986, Robert D. Ballard e sua equipe de 9 pessoas iniciaram a expedição ao “Titanic”. Com a ajuda de satélites, depois de 3½ dias chegaram exatamente ao local onde haviam descoberto os destroços há um ano. Depois de onze mergulhos com o submarino “Alvin” e com o robô-filmador “Jason”, acabavam de ser feitas as fotografias mais espectaculares dos restos desse “rei dos mares”, tiradas na escuridão total das profundezas.

princípio, mas depois virou-se para o fazendeiro e citou Apocalipse 21.8: “Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte”, e alguns outros textos semelhantes. O riso cessou, o velho fazendeiro ficou tremendo, depois se voltou e fugiu para dentro de casa. Daquele dia

88 • O Último Herói do Titanic em diante, ninguém da fazenda sequer tentou ridicularizar George Harper ou a sua religião. Um homem de verdadeira santidade, poderoso nas Escrituras e poderoA proa do “Titanic” abriu uma verdadeira cratera no fundo do mar. Isso nos traz à lembrança passagens bíblicas que dizem: “...descerá a soberba de seu poder” (Ez 30.6), ou: “...serei semelhante ao Altíssimo. Contudo levado serás ao Seol, ao mais profundo abismo! (Is 14.14 e15), ou alguns trechos de Ezequiel 28.15-19: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado... Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura... Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; chegaste a um fim horrível...!”

“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” • 89 so na oração. Quantas vezes na hora da refeição senteime com a minha Bíblia na mão e ouvi com grande proveito esse “Mestre de Israel” abrir as Escrituras. Ninguém conseguia ouvi-lo orar e não ficar comovido pelo comovente zelo e pela dedicação do homem. Não se pode duvidar que ele conhecia o caminho direto para o trono da graça. Eu saí daquela região e fui morar em Largs. John Harper foi trabalhar no comércio de carpetes em Elderslie, depois, na fábrica de papel em Kil-barchan. Veio o chamado para pregar o Evangelho, e ele obedeceu. Em toda a região, Johnstone, Kil-barchan, Linwood, Elderslie e Bridge-of-Weir, John foi pregando com poder. Primeiro a escola e depois um salão foram usados para reuniões em Bridge-of-Weir. Várias vezes pediram para mim passar um fim-de-semana ali.

Há Cinco Pessoas Aqui que Ainda não Aceitaram a Cristo
Uma reunião ficou marcada em minha memória. Aquele domingo estava violentamente chuvoso. Na hora da reunião à noite, o tempo não tinha melhorado. Estávamos esperando pouca gente, porque a estrada para o local era longa, escura e cercada de árvores. No palco, depois de dizer o hino, eu perguntei se ele achava que havia algum incrédulo presente. Ele conhecia bem os trabalhadores, e depois de um minuto ele sussurrou para mim: “Há cinco pessoas aqui que ainda não aceitaram a Cristo”. Eu pedi que John orasse pela conversão daqueles cinco, enquanto eu pregaria para a conversão deles. “Estou de acordo”, ele disse com um sorriso. Quando a primeira reunião terminou, ninguém se mexeu para ir

90 • O Último Herói do Titanic embora. Não fizemos pressão sobre ninguém, nem usamos estratégias para segurá-los. Todos ficaram sentados voluntariamente, e quando perguntamos se as cinco pessoas queriam aceitar a Cristo, elas disseram que sim, e todas as cinco fizeram a profissão de fé em Jesus antes de ir embora. Ele costumava falar sobre essa reunião quando nos encontrávamos depois disso.

Aos 20 Anos Ele Era o Líder
Outra reunião que organizou foi uma conferência para obreiros cristãos em Brae of Ran-furly, Bridge-ofWeir, numa tarde de sábado no verão. Eu dei uma palestra naquela conferência, e ainda me lembro da grande reunião e da vida espiritual sadia que todos demonstravam. Quando lembramos que naquela época ele não tinha nem 20 anos de idade, e que já era o líder de toda a obra, isso nos mostra que, junto com os anos seguintes de trabalho duro e zelo ilimitado para ganhar os perdidos para Cristo, ele não estava trabalhando pela força da carne, mas através do “poder do Espírito”, depois de receber ordens do “Líder e Comandante” para ir. Agora pode-se dizer que sua obra está terminada, tendo colocado “suas mãos no arado” ele nunca mais olhou para trás. Na época em que estava trabalhando com força total no distrito mencionado acima, ele me escreveu dizendo que viu, e estava convencido pela Palavra de Deus, que deveria se batizar por imersão, e pediu para que eu realizasse a cerimônia. Eu não era pastor, e na época nem tinha o título de “evangelista”, mas como ele insistiu que eu o batizasse, num sábado de manhã fomos juntos para Noddle Burn

“O Comovente Zelo e a Dedicação do Homem” • 91 no norte de Largs, e ali, no lago sob a ponte da estrada de Wemyss Bay, John Harper, por obediência ao seu Senhor, foi batizado na forma do Novo Testamento.

As Últimas Palavras de John e de Seu Pai Para Mim
A última vez que vi o piedoso pai de John vivo, tivemos uma conversa sobre as “coisas relativas ao Rei”. E apesar dele, na época, estar trabalhando normalmente, me assegurou com muita calma e com ênfase que sabia que estava perto do fim da sua jornada aqui. Sua saúde estava normal, mas ele me disse que as orações de muitos anos foram respondidas, e a chamada para o lar viria em breve. Era verdade, pois duas semanas depois eu estava em Houston no seu velório. No fim de março deste ano me encontrei com John. Ele partiria em breve para Chicago. Ele disse: “Talvez ainda o veja lá”. “Sim, tenha fé”, foi minha resposta. Não. Não, Chicago, mas “a Cidade que tem fundamentos”, onde não há campanhas evangelísticas, pecado, catástrofes, tristezas. Com Cristo, com Ele para sempre, nos encontraremos. Glória a Deus.

Sr. W.D. Dunn, Evangelista

E agora o corpo precioso do soldado valente está sob as ondas do oceano, e seu espírito lavado pelo sangue está na presença do Senhor lá na terra de luz e glória, a pátria de todos os que amam e servem ao Cristo de Deus. Adeus, querido soldado, nos encontraremos na manhã sem nuvens.

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Um Soldado Valente Dedicado a Deus
Homenagem do Sr. W. D. Dunn, Evangelista

ou com prazer meu testemunho carinhoso sobre a fidelidade e o genuíno valor do falecido pastor John Harper. Eu o conhecia há vinte anos, e durante todo esse período tivemos uma amizade íntima, buscando a santificação dos santos de Deus, e a salvação das almas perdidas. Durante minha longa experiência na obra cristã tive contato com os melhores obreiros do Senhor, e sem reserva, posso dizer que nenhum pastor, professor, ou evangelista jamais tocou minha alma mais que os apelos e as pregações do pastor John Harper, porque ele sempre fora dedicado a Deus e às almas.

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94 • O Último Herói do Titanic

“Dá-me Almas ou Morrerei”
John Welch, na beira da sua lagoa, à meia-noite, disse: “Oh Deus, dá-me a Escócia, ou morrerei”, e muitas vezes ouvi o pastor Harper dizer, enquanto se prostrava perante Deus, coberto de suor: “Oh Deus, dá-me almas, ou morrerei”. Então ele soluçava e chorava, como se seu coração fosse explodir. É de admirar que Deus lhe tenha dado almas para Cristo às centenas? Nosso querido irmão era um estudante aplicado da preciosa Palavra de Deus – ele cria que ela foi inspirada por Deus do Gênesis ao Apocalipse, e ele a pregava com uma visão clara. Muitas vezes assisti aos cultos na Igreja Batista de Paisley Road que mais pareciam um campo de batalha, santos chorando por não serem como Cristo, e pobres pecadores perdidos clamando por salvação.

Harper “Morava ao Lado do Céu”
Que vitórias gloriosas da graça foram conquistadas através do seu ministério no Espírito Santo naquela parte da cidade! E por onde ele passou, tanto em público quanto em particular, levava consigo o perfume santo do seu Senhor. Muitas vezes senti, depois de estar com ele no Evangelho ou no Santo Lugar do Senhor, que ele estava amadurecendo rapidamente para uma obra maior. Ele morava ao lado do céu, portanto sua alma estava aspirando constantemente o ar do céu. A bênção de alma que nosso irmão tinha o livrou de qualquer vestígio de partidarismo, e por isso ele pregava em perfeita harmonia com todas as outras denominações da Igreja Cristã. Ele aprendeu através da graça que

Um Soldado Valente Dedicado a Deus • 95 a Igreja e a obra da Igreja são uma, e estava pronto para ajudar qualquer ministro irmão que precisasse dos seus serviços.

Ele Vivia Sob Pressão Suficiente Para “Destruir o Mais Poderoso dos Homens”
Muitos de nós imaginamos como ele vivia sob uma tensão tremenda, provocada pela quantidade de pregações que fazia, e por noites gastas em oração, que pareciam suficientes para destruir o mais forte de todos os homens, mas ele continuava como um trem expresso, determinado a alcançar seu destino sem demoras, seus olhos fixados no Senhor, crucificado, sepultado, ressurreto, que subiu ao céu, intercede por nós e está para voltar. E todos os poderes do inferno não poderiam removê-lo do centro da determinação de sua alma. E agora o corpo precioso do soldado valente está sob as ondas do oceano, e seu espírito lavado pelo sangue está na presença do Senhor lá na terra de luz e glória, a pátria de todos os que amam e servem o Cristo de Deus. Adeus, querido soldado, nos encontraremos na manhã sem nuvens.

Sr. John Paton

Alguns de nós podem muito bem imaginá-lo nesses últimos minutos agonizantes a bordo do Titanic condenado, no meio de um grupo de almas feridas e arrependidas, indicando-lhes o Salvador que amou e serviu tão bem, e ajudando-as a agarrar a sua última chance.

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Deus o Encarregou a Ser a Última Testemunha do Titanic
Homenagem do Sr. John Paton, de Carmyle

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ico agradecido pela oportunidade de registrar o quanto devo na minha vida cristã à amizade com o querido John Harper. Acho que a palavra de Provérbios 17.27: “O sereno de espírito é homem de inteligência”, é realmente verdadeira, e os dois amigos que agora estão com o Senhor e que mais “afiaram” a minha vida foram Matthew Colquhoun e John Harper.

Reconstituição artística da proa do “Titanic” no fundo do mar com base nas fotos tiradas. Ao seu redor se encontram grandes quantidades de destroços e restos do navio.

Deus o Encarregou a Ser a Última Testemunha... • 99

Zelo Ardente
Ambos eram amigos íntimos, não só meus, mas um do outro, e antes de morrer no dia 6 de maio de 1909, Matthew serviu muitas vezes ao Senhor em Paisley Road durante o pastorado de John Harper. Um deles me impressionava muito pela doce e transparente santidade da sua vida, o outro, da mesma forma pelo seu zelo ardente e dedicado, ambas qualidades nascidas do amor fervoroso deles pelo Salvador. Quando vemos como é fácil deixar a lâmina da vida espiritual ficar sem fio, damos mais valor ao privilégio de amizades como essas, e só a eternidade revelará quantas pessoas comuns da comunidade cristã, como eu, devem ter sido abençoadas através do contato com essas duas vidas.

Gastar e Ser Gasto
Estar na companhia de John Harper era renovar no coração o desejo de “gastar e ser gasto” na obra do Mestre. Alguns de nós podem muito bem imaginá-lo nesses últimos minutos agonizantes a bordo do Titanic condenado, no meio de um grupo de almas feridas e arrependidas, indicando-lhes o Salvador que amou e serviu tão bem, e ajudando-as a agarrarem a sua última chance. Deus não tem muitos servos a quem Ele confiaria tal obra, e isso para mim é pelo menos a explicação do nosso irmão estar a bordo do Titanic, ao invés de viajar no Lusitania, como havia planejado. Que todos nós sigamos John Harper da mesma forma que ele seguiu Jesus.

Sr. Robert Logan, Evangelista

Oh! Como ele inflamava-se, orava, trabalhava e chorava pela conversão dos pecadores, e, graças a Deus, muitos foram levados aos pés do Salvador através dos seus esforços consagrados.

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Uma Visão Impressionante
Homenagem do Sr. Robert Logan, Evangelista
fim repentino e inesperado do nosso querido irmão, Sr. Harper, foi como uma bofetada para aqueles dentre nós que o conheciam e amavam, e ainda achamos difícil pensar que ele deixou o local das suas zelosas, altruístas e frutíferas obras.

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A Força da Sua Vida Pessoal
O Sr. Harper era um homem forte. Ele era forte no seu amor pelos irmãos. O seu aperto de mão bondoso e seu cumprimento de irmão eram sempre animadores. Ele era forte no seu amor e na sua reverência pela Bíblia. O seu desenvolvimento no estudo da Bíblia e o conhecimento bíblico adquirido eram muito impressionantes.

102 • O Último Herói do Titanic Ele era forte no seu amor pela oração. Ele sabia como poucos parecem saber que o poder verdadeiro entre os homens deve ser precedido de comunhão com Deus. Por isso, ele não praticava os dez ou quinze minutos normais de oração a Deus. Ele passava horas em oração persistente diante de Deus pela salvação das almas perdidas. Ah, se tivéssemos mais intercessores assim!
Em meio à montanha de destroços foi descoberto também este cofre. Quantos não teriam desejado dar tudo o que possuíam para salvar suas vidas e as de suas famílias?

Uma Visão Impressionante • 103

A Força da Sua Preocupação com os Outros
Ele era forte no seu amor pelos perdidos. Ele tinha um amor intenso pelas almas! Ele ficava ansioso pela santificação dos santos. Oh! Como ele inflamava-se, orava, trabalhava e chorava pela conversão dos pecadores, e, graças a Deus, muitos foram levados aos pés do Salvador através dos seus esforços consagrados.

A Fonte da Sua Força
Ele amava fortemente o Salvador que morreu por ele. John vivia, andava, orava e pregava com a consciência de uma visão impressionante do Calvário. Portanto, Cristo, o Crucificado, era sempre o seu tema. Para ele o nome de Jesus era doce, sagrado e precioso. Que seu manto caia sobre muitos de nós para que possamos completar com sucesso a carreira que nos está proposta até o dia raiar, quando nos encontraremos para nunca mais dizer adeus.

O conteúdo da carta (de Harper) era principalmente de incentivo à atividade incessante para alcançar os perdidos e de fortalecimento dos santos, e para encorajar-me pessoalmente a continuar na obra entre os pecadores e desprezados.

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Um Homem de Conselho Terno e Encorajador
Homenagem do Sr. Alex Galbraith, missionário entre marinheiros, Glasgow

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inha amizade e comunhão com o querido irmão John Harper, a quem eu amava no Senhor, começou há uns doze ou quatorze anos. Eu o vi desenvolver-se e crescer espiritualmente no zelo pelas almas dos homens e na lealdade a Cristo e à Sua verdade. Recebi as últimas notícias dele cerca de uma semana antes dele ter se apresentado, pela última vez, na Reunião do Meio-Dia em março, e o conteúdo da sua carta era principalmente de incentivo à atividade incessante para alcançar os perdidos e de fortalecimento dos santos, e para encorajar-me pessoalmente a continuar na obra entre os pecadores e desprezados; e ainda me lembro da ternura das suas palavras de conselho e incentivo.

Pastor Malcolm Ferguson

Depois da morte da Sra. Harper, muitas vezes ele passava a noite na igreja e orava pelas pessoas que ocupavam cada assento, e, no domingo, buscava e esperava que almas fossem salvas. Ele era uma luz ardente e brilhante.

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Quando Ele Falava, Almas Clamavam por Misericórdia
Homenagem do pastor M. Ferguson, Armiesland

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oi meu privilégio e minha alegria conhecer o falecido pastor John Harper durante mais de doze anos. Eu ouvi falar dele pela primeira vez em New Cumnock, onde tinha dirigido alguns cultos. A igreja formada ali pelo Sr. James Adair estava procurando um pastor e queriam muito ficar com o Sr. Harper. Eu vi os frutos da sua missão, e senti que qualquer igreja teria razão em ficar com tal homem de Deus. Mais tarde o conheci em Gordon Halls, Paisley Road, e quando vi o espírito e entusiasmo das reuniões, disse

108 • O Último Herói do Titanic a um dos obreiros: “Não vão conseguir manter o Sr. Harper aqui por muito tempo”.

Reavivamento Constante
Bem, ele não foi levado de Paisley Road tão facilmente. Ele ficou ali por muitos anos, e centenas agradecerão a Deus por toda a eternidade pelo seu fiel ministério naquele lugar. Outros contarão a história da igreja, seu crescimento, seus reavivamentos constantes, as multidões, e as centenas de almas salvas e abençoadas.

Grandes Multidões e Grande Convicção
Eu estive lá com freqüência em 1905, quando as notícias do reavivamento de Gales se espalharam. Não fui para Gales, mas muitas vezes vi cenas na Igreja de Paisley Road semelhantes ao que tinha ouvido que estava acontecendo lá. As multidões eram tão grandes que se tornava difícil entrar, e depois de entrar, era ainda mais difícil chegar ao palco. Então, antes de alguém conseguir falar por dez minutos, almas estavam clamando por misericórdia sob o grande poder de Deus. Não era emoção. Era o Espírito Santo convencendo do pecado. Eu me perguntava muitas vezes: Qual é o segredo dessa bênção perene em Paisley Road? Mas quando estava com o pastor na sua sala ou na sua casa, o segredo era logo revelado.

“Íntimo com Deus”
Ninguém podia ficar perto do Sr. Harper muito tempo sem descobrir que ele era um poderoso homem de

Quando Ele Falava, Almas Clamavam... • 109

Na presença da morte se impõe a questão do sentido da vida. Jesus é a “âncora segura para as nossas almas” e em meio a um mundo maduro para o juízo é o bote salva-vidas que nos leva à maravilhosa eternidade na presença de Deus.

110 • O Último Herói do Titanic Deus, especialmente na oração. Ele conhecia a Deus e a sua Bíblia, e por experiência própria o poder interior do Espírito Santo lhe era também familiar. Tinha um amor ardente por Cristo e pelas almas. Eu ficava impressionado com a quantidade de trabalho que o Sr. Harper tinha. Seu modo de estudar e de se preparar para os sermões maravilhosos que fazia, eram um assombro para muitos. Mas enquanto a maioria de nós dormia, ele estava no esconderijo do Altíssimo, íntimo com Deus e com a Sua Palavra durante a noite inteira numa pequena sala na igreja de Paisley Road.

Noites Inteiras de Oração
Depois da morte da Sra. Harper, muitas vezes ele passava a noite na igreja orando pelas pessoas que ocupavam cada assento, e, no domingo, ele buscava e esperava que almas fossem salvas. Ele era uma luz ardente e brilhante. Alguns ardem mas não brilham, outros brilham mas não ardem. Quando ele falava pode-se dizer o que disse o homem que foi ouvir Rowland Hill: “As palavras saiam queimando do seu coração”. Ele acreditava no que pregava, e pregava o que acreditava. Cristo e as coisas eternas eram tão reais para ele. Ele vivia e pregava “como se Cristo tivesse morrido ontem, ressuscitado hoje, e voltasse amanhã”.

Ele Sentia a Presença de Deus
Se um pregador já teve consciência da presença de Deus, era o Sr. Harper, e ele fazia seus ouvintes sentirem o mesmo. Uma vez o ouvi dizer numa conferência: “Não vamos convencer e converter muitos peca-

Quando Ele Falava, Almas Clamavam... • 111 dores com risadas e piadas. Alguns já expulsaram o Espírito Santo dos cultos evangelísticos com risadas, e uma coisa que vemos claramente em muitas reuniões é a falta de consciência profunda da presença e do poder de Deus”.

“Sentiremos Sua Falta”
Dizemos dele o que Jônatas disse de Davi: “Perguntar-se-á por ti, porque o teu lugar estará vazio”. Como alguns de nós sentimos sua falta! Sua palavra animadora, suas mensagens auxiliadoras, e acima de tudo a inspiração da sua presença atraente. Sempre que me despedia dele, ia para casa orar. Esse era o efeito que a presença do Sr. Harper tinha em mim. Que pelo seu exemplo piedoso, totalmente consagrado, sejamos incentivados a estarmos alertas não só para “guardar a fortaleza”, mas para invadir as fortalezas das trevas como nosso irmão gostava de fazer.

Nossa despedida perto da estação em Old Cumnock em março passado, foi um incidente inesquecível. Concordamos em dar uma passagem bíblica um ao outro... A passagem que me deu foi uma em que ele pensava muito há algum tempo: “Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2.17b)

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A Passagem de Despedida de John Harper
Homenagem do pastor Wm. Wright
enny e o distrito circunvizinho devem muito a Deus pelo presente que foi o Sr. John Harper. Senti que havia uma manifestação de Cristo na sua vida que ainda não conhecia. Certa vez tivemos uma conversa sobre Cristo habitando em nós, e ele sugeriu a nossa necessidade de ser “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior”, para que Cristo possa habitar em nossos corações pela fé. Ainda jovem ele passou por esse processo de fortalecimento, e quando veio para Denny isso foi visto de maneira espetacular. Ele acreditava em receber de Deus o texto sobre o qual iria pregar, e vi sua alma em grande angústia até que tivesse o testemunho do Espírito Santo com relação

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114 • O Último Herói do Titanic à passagem das Escrituras que iria expôr. Os títulos de seus sermões também tinham a marca divina, e seus tópicos eram muito bem elaborados.

Denny, Escócia, é Sacudida para Deus
Denny não é sacudida facilmente, mas quando mandou encher a cidade com placas que diziam: “O inferno existe?”, alguns pararam para pensar. Ele anunciou um assunto que não esqueço: “A coisa mais difícil do mundo”, que era ir para o inferno, com base em 2 Pedro 3 e 9, porque o pecador tem que ir contra a vontade de Deus.
O robô-fotógrafo “Jason” filma através de uma janela dos alojamentos vazios da tripulação.

A Passagem de Despedida de John Harper • 115

Campos Verdes e Campos Brancos
Em setembro de 1910, John pregou um dos sermões mais agradáveis e animadores que jamais ouvi. O título era “Campos Verdes e Campos Brancos”. Os campos estavam verdes aos olhos dos discípulos, estavam brancos para a colheita aos olhos de nosso Senhor. Ao pregar essa mensagem poderosa de Deus durante a mesma missão, ele fez a seguinte pergunta para os evolucionistas responderem: “Se a condição do caráter humano está sempre evoluindo, como é que Aquele que é reconhecido por quase todos como o homem perfeito, Jesus, existiu há quase mil e novecentos anos atrás?”

Lutando Contra as Forças do Inferno
Harper tinha uma convicção firme de que Satanás o teria matado se pudesse. Ele estava sempre ciente, especialmente nos últimos anos do seu ministério, do conflito que se passava em cada culto entre os poderes da luz e os poderes das trevas. Ele deu-me pessoalmente um pequeno conselho em setembro passado em Londres que tem ajudado muito minha alma em relação a isso: “O diabo não pode lhe tocar no território da ressurreição”. Apesar de ser atacado por Satanás com freqüência, ele descansava em Deus. Nove anos atrás perguntei-lhe: “No Evangelho, o que substitui o quarto mandamento?” Sua resposta imediata foi: “O descanso do Senhor”. Para os menos informados, a sua mudança de Glasgow para Londres pareceu um erro, mas uma igreja reavivada em Londres, e outras igrejas influenciadas posi-

116 • O Último Herói do Titanic

Reconstituição fotográfica da popa do “Titanic”. Um “cadáver de navio” que agora poderia descansar em paz. Mas parece que por trás da catástrofe do “Titanic” há algo mais: uma advertência de Deus às pessoas de hoje!!

tivamente, provaram que ele seguiu a vontade do Espírito ao trocar Paisley Road por Walworth Road.

Palavras de Despedida de John Harper
Nossa despedida perto da estação em Old Cumnock em março passado foi um incidente inesquecível. Concordamos em dar um texto bíblico um ao outro. Eu lhe dei: “Apascenta minhas ovelhas”, que o levou a fazer esta afirmação marcante: Quando estava em Chicago concentrado em oração, Deus, através do Seu Espírito Santo, lhe deu a certeza de que sua filhinha, de seis anos de idade, já era salva. Eu agradeci a Deus e a ele com sinceridade pela bela história, e muito mais porque estou convencido de que, nessa área, muitos estão fora

A Passagem de Despedida de John Harper • 117 da vontade de Deus hoje, pois não reconhecem que as crianças que creram são ovelhas do rebanho. A passagem que me deu foi uma em que ele pensava muito há algum tempo: “Aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2.17b).

Sr. William R. Andrew

Na vida particular em Chicago, o Sr. Harper era radiante e alegre, e apesar de, às vezes, ficar doente e sofrer muita dor, que piorava com o trabalho excessivo, ele era enaltecido na sua fraqueza, porque assim o poder de Cristo se manifestava nele.

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Os Três Temas de um Herói
Homenagem do Sr. Wm. R. Andrew, de Glasgow

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difícil compreender que um amigo e irmão que significava tanto para nós foi retirado do local da sua obra, e que nunca mais estaremos juntos com ele para proclamar o amor de Jesus para esse pobre mundo pecador. A pregação do nosso irmão era uma demonstração de Espírito e poder. Seus temas eram a Cruz de Cristo, a graça maravilhosa de Deus ao homem, e a vinda iminente do nosso Senhor Jesus Cristo. Suas mensagens sobre graça deixavam seus ouvintes totalmente atentos. Enquanto o Espírito de Deus tocava os corações dos seus ouvintes, ele pedia para que se abrissem, repetindo vez após vez as palavras de um coro favorito:

120 • O Último Herói do Titanic
“Não posso mais, e cedo, abandono o próprio medo, caio constrangido pela morte do Amor, e Te confesso meu Conquistador.”

A mensagem de Gálatas 2:19b-20: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim, e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”, era outra que meu querido irmão enfatizava. Muitas vezes ele pedia para os ouvintes repetirem as palavras dessa passagem com cuidado e em espírito de oração, e, assim, muitos passaram a ter um novo conceito do seu significado, e uma nova experiência da sua verdade, aceitando “apenas a vontade de Deus”.

A Canção dos Lábios de John Harper
As palavras seguintes de um hino, muitas vezes, estavam nos seus lábios:
“Com Cristo sepultado e junto a Ele ressurreto, que mais me resta senão a paz tão linda, cessar a luta e desfrutar o Seu afeto, e andar em vida nova, que é infinda.”

Na vida particular em Chicago, o Sr. Harper era radiante e alegre, e apesar de, às vezes, ficar doente e sofrer muita dor, que piorava com o trabalho excessivo, ele era enaltecido na sua fraqueza, porque assim o poder de Cristo se manifestava nele.

Os Três Temas de um Herói • 121

Um Ouvinte Compassivo
No tempo livre ele sempre estava às ordens daqueles que vinham, como muitos diariamente, confessar pecados, pedir ajuda, conselhos e oração. Ele era um ouvinte amoroso e compassivo das muitas histórias de tristeza e injustiças, e nada era um incômodo ou sacrifício se pudesse, de alguma forma, salvar alguns. Seu preparo para toda sua obra estava em sua vida de oração. O que testemunhamos e compartilhamos disso foi um privilégio inesquecível. Muitas vezes, depois de um dia de trabalho duro, ele chegava ao seu quarto exausto e precisando de descanso e sono, mas outras coisas o chamavam. Ao invés de descansar, ele caía de joelhos ao lado da cama, e abria sua alma em oração agonizante a Deus para que salvação e bênção viessem para aqueles que recusavam a mensagem do Espírito em Chicago, Londres e na Escócia. Os amigos eram mencionados pelo nome – aqueles com quem ele trabalhou na obra do Evangelho durante os anos do seu ministério, e também muitos cuja salvação o preocupava.

Uma Voz com “Tons” de Amor
Havia um toque de suavidade, amor e intimidade no próprio tom da sua voz enquanto, em oração, ele usava o querido nome “Senhor Jesus”. Era evidente que nosso irmão já tinha chegado à presença íntima do seu Senhor. Então, deixando um pouco a oração, ele passava para a Palavra. O ensinamento que saía dos seus lábios era maravilhoso quando ele expressava um novo esclarecimento da verdade que acabava de receber do “Senhor Jesus”. O Senhor, o Espírito, realmente falava através dele.

122 • O Último Herói do Titanic John Harper foi antes de nós para a obra maior. Que o nosso Deus nos faça fiéis como ele era enquanto ainda trabalhamos aqui.
Surpreendentemente, a ferrugem corrói os destroços no fundo do mar, apesar da escassez de oxigênio. Na foto, a proa do navio que já foi majestoso e o auge da tecnologia da época.

Os Três Temas de um Herói • 123 “Ninguém tem maior amor que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (João 15.13).

Devemos tudo que somos, humanamente falando, à inspiração que vinha da sua vida consagrada, e nosso único desejo é continuar a conhecer o Senhor, andando com humildade e oração perante nosso Deus, para que Ele seja honrado e glorificado pela nossa vida diária.

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“John Harper Levou a Mim e a Minha Esposa a Cristo”
Testemunho 1
sábado, dia 9 de agosto de 1902, foi um dia de grande alegria na terra, porque naquele dia nosso falecido Rei Edward foi coroado com pompa e cerimônia, e Londres foi o centro em que centenas de representantes de outras nações estavam presentes para o magnífico evento. O dia seguinte, domingo, 10 de agosto de 1902, foi um dia de grande alegria para mim, porque nessa data minha esposa e eu reconhecemos Jesus Cristo como Salvador e Senhor das nossas vidas. A obra vinha acontecendo cerca de um ano antes disso, na pequena “igreja de ferro”, como era conhecida a

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126 • O Último Herói do Titanic igreja de chapas onduladas (onde se realizavam os cultos da Igreja Batista de Paisley Road, sob o ministério do pastor John Harper). A igreja ficava cheia nos cultos, e um trabalho dinâmico ao ar livre era feito logo antes da nossa conversão. Nunca tínhamos entrado numa Igreja Batista antes, mas vimos o Sr. Harper no meio dos seus obreiros no culto ao ar livre na esquina da ruas Plantation e Paisley várias vezes quando subimos até a Rua Paisley. Na sexta-feira à noite, 7 de agosto de 1902, dois obreiros da Igreja Batista bateram à porta da casa da mãe da minha esposa (na época ainda não éramos casados) e a convidaram para o culto evangelístico na igreja de ferro no sábado à noite, às 6:30. Quando fui vê-la no sábado à noite, ela me falou da visita, e perguntou se eu queria ir com ela. Eu geralmente freqüentava outra igreja, e não queria deixar a nossa igreja nem por uma noite e ir para outra. Mas concordei, e na noite seguinte me encontrava pela primeira vez dentro de uma Igreja Batista. Ela estava lotada. Recebemos um aperto de mão caloroso de dois diáconos na porta, e um hinário. O louvor era entusiástico, sem formalidades. Mas o sermão – bem, eu não sei o que o pregador disse, mas lembro desta passagem: “Tal homem se apascenta de cinza” (Isaías 44.20).

“Toda Palavra Penetrava, e me Senti Culpado por Causa dos Meus Pecados”
O pastor Harper era o pregador, e como ele pregava! Toda palavra penetrava, e me senti culpado por causa dos meus pecados, e então soube que precisava de salvação. Não lembro nenhuma palavra do sermão, mas a sinceridade e a paixão do pregador me cativaram. Nun-

“John Harper Levou a Mim... a Cristo” • 127 ca tinha ouvido uma pregação assim, tão poderosa e suplicante. Quando o sermão terminou, um rapaz e uma moça levantaram e cantaram o doce dueto “Coberto pelo Sangue de Jesus”, eu absorvi as palavras do hino como um viajante sedento debaixo de um sol escaldante bebe água fresca da fonte na beira do caminho. O que não sabia era que estava começando a beber daquela Água Viva da Fonte Eterna, da qual, se um homem beber, nunca mais terá sede. O dueto acabou, e foi seguido por um período de oração. Depois o Sr. Harper pediu que todos aqueles que quisessem confiar em Jesus Cristo como seu Salvador pessoal levantassem a mão, e eu levantei a minha. Eu sabia que era um pecador. Sabia que precisava de Cristo. Conhecia a Bíblia o suficiente para estar ciente do fato de que precisava me converter para entrar no Reino dos Céus. Nesse memorável dia 10 de agosto fiquei perante Deus com a alma quebrantada, e pronta para a salvação. Depois que levantei a minha mão, resolvi a questão da salvação da minha alma ao aceitar Jesus Cristo como meu Salvador. Ninguém falou comigo. Ninguém orou comigo. Ninguém leu passagens comigo. O acordo que aconteceu foi entre meu Senhor e eu, e foi uma grande bênção real. Eu sabia que naquela noite de domingo, sentado no antepenúltimo banco da igreja, do lado direito do pastor, meus pecados foram perdoados, e nasci de Deus. Jesus pode dar paz a uma alma.

“Minha Esposa Quase Teve um Ataque”
Na reunião a seguir, um irmão querido que agora está na glória chegou para minha esposa e perguntou se ela

128 • O Último Herói do Titanic confiava em Jesus. Ela disse: “Não”. Então ele disse a ela as Palavras da Vida, mas ela ainda não entendia a verdade da salvação. Ele parou de falar com ela um pouco e voltou-se para mim e perguntou se eu era salvo. Eu disse: “Sim”, e minha esposa quase teve um ataque. “Isso não é verdade”, disse ela. Ela achava que eu só queria me livrar do homem. Ela não conseguia entender como eu podia ser salvo se ninguém tinha falado comigo, nem lido a Bíblia para mim. Mas o Espírito de Deus havia falado comigo. O irmão perguntou quando eu confiei em Cristo, e eu disse: “Quando eu levantei minha mão na reunião anterior”. Então ele voltou-se para minha esposa, testemunhou sobre sua salvação, e enquanto contava a respeito, ela compreendeu e também foi salva. Graças a Deus por Seu amor maravilhoso e Sua graça. Ambos fomos salvos na mesma noite. Isso foi há mais de nove anos atrás, e desde então vivemos “guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para salvação”. Três meses depois fomos batizados, por ocasião de nossa profissão de fé no Senhor Jesus Cristo, pelo pastor Harper, recebidos pela comunidade, e continuamos em comunhão com a Igreja de Paisley Road desde então.

Devemos Tudo que Somos à Sua Inspiração
Sempre agradecemos a Deus por nos levar à Igreja Batista de Paisley Road, e pelo privilégio de ter conhecido o Sr. Harper. Como ele cuidou de nós, orando por nós, nos sustentando “com o trigo mais fino, e ...com o mel que escorre da rocha”, e cuidadosa e sabiamente nos aconselhando. Devemos tudo que somos, humana-

“John Harper Levou a Mim... a Cristo” • 129

John Harper morreu preparado e com a certeza da sua salvação em Jesus Cristo - Isso lhe deu a força para ceder seu colete salva-vidas para que outra pessoa tivesse a chance de sobreviver ao trágico naufrágio.

130 • O Último Herói do Titanic mente falando, à inspiração que vinha da sua vida consagrada, e nosso único desejo é continuar a conhecer o Senhor, andando com humildade e oração perante nosso Deus, para que Ele seja honrado e glorificado pela nossa vida diária. Nossos corações ficaram quebrantados quando ouvimos sobre seu trágico fim, mas achamos que ele preferia ser levado de repente do que numa cama com uma doença crônica. Agora ele foi para o seu descanso, e suas obras o seguem. Mas a memória da sua vida será uma inspiração para todos que o conheceram, e seu zelo fervoroso, sua paixão ardente, devoção leal, e sinceridade intensa só podem ter deixado sua marca naqueles que estavam sob seu ministério. Adeus, querido pastor, e pai no Evangelho, que seus filhos procurem andar dignos da vocação à qual foram chamados. Que as verdades que você pregou tantas vezes dêem frutos nas suas vidas. Que seu exemplo de entrega santa à Vontade de Deus incentive outros a seguir a Cristo como você seguiu. E que nós todos busquemos fazer a Vontade de Deus, em direção à perfeição. Não é “adeus”, mas apenas “boa noite”. Mais alguns dias e nos encontraremos, e nunca mais diremos adeus na terra de cânticos e alegria, onde não há despedidas, nem lágrimas, nem dor, nem tristeza, nem morte, e nem pecado. Graças a Deus, nem mais pecado,
“Até que rompa o dia, e fuja a sombra envergonhada.” “Sobre o meu peito, amado, dorme, e bem de manso recosta a fronte e sorve o teu descanso, pois, se te amo, por Cristo és muito mais amado.”

“John Harper Levou a Mim... a Cristo” • 131 “Os que forem sábios, pois, resplandecerão, como o fulgor do firmamento; e os que a muitos conduzirem à justiça, como as estrelas sempre e eternamente” (Daniel 12.3). P. C. M.

Pela primeira vez na minha vida, alguém se importou com a minha alma, e naquela noite me levou ao conhecimento da verdade.

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Um Alcoólatra Encontrou Libertação
Testemunho 2
omo convertido, sou grato a Deus pela sua longanimidade e misericórdia, pelo fato de não ter me abandonado nos meus pecados. Fui até onde um homem pode ir nos prazeres e nas loucuras do pecado, da bebida e do jogo, e várias vezes destrui meu lar e quase fui à falência. Foi quando estava nessa vida louca que fui alcançado pela graça de Deus. No sábado à noite, 6 de novembro de 1897, eu estava totalmente bêbado, e no domingo seguinte à noite estava sofrendo as conseqüências disso. Para passar o tempo fui passear na Rua Paisley com um amigo que me apresentou a dois membros da Igreja Batista que tinha sido formada há cerca de dois meses antes, tendo o Sr. Harper como pastor.

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134 • O Último Herói do Titanic Pela primeira vez na minha vida, alguém se importou com a minha alma, e naquela noite me levou ao conhecimento da verdade, e pude dizer de coração: “Confiarei, e não temerei”. Desde então tenho sido motivo de surpresa para muitos. O próprio Deus fez a transformação. Naquela noite minha esposa também pôde experimentar a misericórdia oferecida, e daí em diante temos peregrinado juntos para Sião. Ao invés de buscar a bebida forte, estou satisfeito com a água viva que jorra para a vida eterna.

Ao invés de jogar e me preocupar com o que vou ganhar, encontrei, pela graça de Deus, a vitória em Jesus Cristo. Ao invés de blasfemar e falar palavrões, tenho uma nova canção em minha boca.

Um Alcoólatra Encontrou Libertação • 135 Deus tem cuidado de mim pela graça durante quatorze anos e meio. A Ele seja toda glória. Sou salvo pela graça mediante a fé em Jesus, que completou a obra de redenção na Cruz. Há um Mediador entre Deus e o Homem, o Homem Cristo Jesus, e eu creio nEle. Louvado seja Seu Santo nome. J.B.

Devo tudo que sou, abaixo de Deus, ao nosso falecido, muito querido e muito lamentado pastor John Harper, que foi para mim um pai e irmão, cuidando de mim, orando por mim, e instruindo-me na nova vida.

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“John Harper Foi um Pai Para Mim”
Testemunho 3
desejo do meu coração e minha oração a Deus é que alguém que passou pela experiência amarga e humilhante de inúmeros fracassos e provações como eu, liberte-se do pecado. Que ao ler este testemunho humilde, confie em Jesus Cristo, o único Salvador, e una-se a mim no Seu louvor. Eu era católico de nascimento, educação, treinamento e profissão; aprendi a beber e a satisfazer outros desejos também. Quando ainda era bem jovem, alistei-me no exército onde o vício da bebida aumentou, e onde levei uma vida muito desregrada. Cumpri meu tempo; voltei para casa com o vício mais forte que nunca, tanto no serviço quanto na vida civil.

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138 • O Último Herói do Titanic Fiz várias tentativas para largar da bebedeira e de outros pecados, procurando a confissão, fazendo promessas, fazendo votos, etc., mas nada adiantou. Eu não conseguia me libertar, e muitas vezes pensei: “O que adianta fazer todas essas confissões, etc., se cada vez fico pior que antes?”, até que num sábado à noite, 14 de janeiro de 1905, fui para a Igreja de Ferro, na Rua Plantation, novamente sob a influência do álcool. Era um tempo de reavivamento, e todo mundo parecia estar muito alegre. O culto continuou, mas não sei dizer bem o que se passava, apenas que fiquei muito triste, convencido de que era um grande pecador e levava uma vida ruim.

“John Harper Foi um Pai Para Mim” • 139 Graças a Deus, um homem crente me notou e veio sentar do meu lado. Ele foi o instrumento na mão de Deus para me levar ao Salvador. Mas não sem um conflito doloroso. Satanás deu todas as razões possíveis e imagináveis para que eu não confiasse em Cristo como meu Salvador. Mas quando confiei nEle, a alegria, a paz e o senso de um novo poder valeram a pena. Sem a menor dúvida e sem medo, senti e soube que fora salvo, e graças a Deus tenho certeza disso agora. “Não sou como deveria ser, mas não sou como era antes”. Devo tudo que sou, abaixo de Deus, ao nosso falecido, muito querido e muito lamentado pastor John Harper, que foi para mim um pai e irmão, cuidando de mim, orando por mim, e ensinando-me na nova vida. Quatro dias depois da minha conversão, minha esposa aceitou o Salvador. Passaram-se três meses, nos batizamos e nos tornamos membros da igreja. Agora sou um dos diáconos, e fui escolhido para o cargo alguns meses atrás. H.P.

Devo muito ao meu querido e falecido pastor Sr. Harper, por seu ensinamento e sua inspiração, e pelo incentivo que me deu para dar o máximo para Deus. Louvo a Deus pelo privilégio de aprender com ele durante 12 anos, e por ter estado envolvido na obra do Senhor com ele durante esse período.

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Uma Dívida de um Pobre Pródigo a John Harper
Testemunho 4

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u era um pecador indefeso, preso pelo poder da bebida e de uma língua blasfema. Tentei me arrepender indo à igreja e fazendo promessas, mas isso não adiantou nada. Estavam realizando uma missão especial na Igreja Batista, em Gordon Halls. Eu tinha um irmão que era membro da igreja. Fizeram uma oração especial para mim. Deus ouviu e respondeu a oração. Fui convidado e fui a um dos cultos. No final, um dos diáconos falou comigo e perguntou se eu era salvo, ou se gostaria de ser. Ele leu João 3.16 e me mostrou que “todo aquele” significa qualquer um e se referia a mim. Confiei em Cristo naquela noite, 11 de outubro de 1898.

142 • O Último Herói do Titanic O Sr. Harper veio para minha casa no dia seguinte para ver se eu tinha crido em Cristo, o que eu já tinha feito, e creio até hoje. Sou o que sou pela graça de

Uma Dívida de um Pobre Pródigo a John Harper • 143 Deus. Devo muito ao meu querido e falecido pastor Sr. Harper, por seu ensinamento e sua inspiração, e pelo incentivo que me deu para dar o máximo para Deus. Louvo a Deus pelo privilégio de aprender com ele durante 12 anos, e por ter estado envolvido na obra do Senhor com ele durante esse período. Agora tenho o cargo de diácono. Eu, que era um pobre bêbado e um blasfemo. Mas encontrei misericórdia através do Senhor Jesus Cristo. “A Deus seja toda glória, porque ele tem feito grandes coisas”. A.M.L.

Oh! que graça que transforma um pobre bêbado, vendedor de uísque, e um pecador atolado na lama, como eu era, em um filho de Deus e do Seu amor. Devo tudo na minha vida espiritual à influência e ao ensinamento do Sr. Harper, que me ensinou as coisas de Deus, e cuja vida foi uma inspiração para mim.

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Um Pecador “Atolado na Lama” é Purificado
Testemunho 5
raças a Deus pela Sua graça redentora que tirou um pobre pecador como eu do lamaçal, e me colocou entre príncipes. Cresci numa igreja evangélica, mas não conhecia a salvação de Deus. Ainda jovem, quando morava em Greenock, entrei no comércio de bebidas decidido a evitar qualquer bebida, e não prová-la. Mas logo caí sob seu poder e domínio, e me transformei num alcoólatra convicto. Fiquei tão acostumado que podia beber o dia inteiro, e ninguém notava. Vendi aquela coisa maldita por doze anos atrás do balcão de um bar, e em todos esses anos não fui para

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146 • O Último Herói do Titanic casa sóbrio nenhuma vez. Deixei o comércio de bebidas e fui para uma fábrica de limonada. Mas não adiantou, porque eu fornecia água com gás para bares, e também ficava bêbado lá. Aos 25 anos vim para Glasgow e fui contratado pela empresa P. & W. M’Lellan, a Metalúrgica Clutha. Mas mesmo assim era uma vítima da bebida. Fui aprisionado pelo mal gigante, e não conseguia me libertar do seu poder. Certa noite, no Ano Novo de 1901, fiquei muito doente, e chamaram o médico. Ele disse que eu só tinha três horas de vida. Então esse seria o resultado da minha bebedeira, três horas – e depois o inferno. Eu sabia que era para lá que iria. Sabia que não tinha esperança, mas orei para que Deus me livrasse, e eu deixaria de beber e teria uma vida melhor. Ele me livrou, e durante dois anos lutei contra a minha paixão pelo uísque e pela cerveja, mas ainda bebia vinho.

Harper Mostrou Que Eu Precisava de Cristo
Eu resolvi visitar todas as igrejas em Glasgow, para ver se ouvia algo que me trouxesse descanso e paz. Num domingo à noite, 1º de novembro de 1903, fui para a Igreja Batista, na Rua Plantation, e ouvi o Sr. Harper pregar. Uma jovem cantou “Para o Além”, e senti que se não aceitasse Jesus Cristo eu passaria para o além e estaria perdido. Ninguém falou comigo. Eu estava tão ciente que precisava de Cristo, que sabia que tudo que tinha a fazer era aceitá-lO como meu Salvador. Fiz isso, e agora, depois de oito anos e meio de vitória sobre a bebida e o pecado, posso dizer que a Palavra de Deus é verdadeira:

Um Pecador “Atolado na Lama” é Purificado • 147 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Co 5.17).

Um Novo Mundo
Eu estava num mundo novo. O desejo de beber sumiu. A paz encheu minha alma. Eu soube que fora salvo desde o momento em que disse: “Senhor, confiarei em Ti, mesmo sozinho, confiarei em Ti” e, graças a Deus, Seu poder e Sua graça têm me sustentado. Cerca de um ano depois, fui batizado, e me tornei membro da igreja.

O Impacto da Vida do Sr. Harper
Agora sou diácono na igreja. Oh! que graça que transforma um pobre bêbado, vendedor de uísque, e um pecador atolado na lama, como eu era, num filho de Deus e do Seu amor. Devo tudo na minha vida espiritual à influência e ao ensinamento do Sr. Harper, que me ensinou as coisas de Deus, e cuja vida foi uma inspiração para mim. Que Deus ajude algum pobre alcoólatra a confiar no meu Salvador, e descobrir que “Por isso também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7.25). J.C.

O que somos na vida cristã devemos a nosso falecido e querido pastor, Sr. Harper, cuja vida de temor a Deus e exemplo santo foi um grande auxílio para nós. Ele que cuidou de nós como um pai cuida dos seus filhos, e nos fez apreciar o estudo das Escrituras e a nos alegrar em esperar por Deus através da oração.

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Harper Derrotou o “Poder de Rebelião”
Testemunho 6

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uero dar meu testemunho simples do poder redentor e protetor do Senhor Jesus Cristo, que experimentei há 15 anos. Foi no dia 27 de outubro de 1897, minha mãe estava realizando um encontro no dia de “Halloween”, e me pediram para levar minha namorada para o chá. Nem desconfiava que fizeram a festa para que eu conhecesse o Sr. Harper. Quando a noite chegou e nos reunimos todos na sala, para minha surpresa vi o Sr. Harper na sala com vários membros da igreja (agora um deles é o diácono principal da igreja).

150 • O Último Herói do Titanic Minha mãe era membro da igreja, e estava entre os primeiros que deram início à igreja em Gordon Halls. É claro que eu sabia o que aconteceria depois do chá – eles conversariam comigo sobre a minha alma. Bem, tomamos nosso chá, e depois de conversar um pouco achei que era hora de sair. Estava ficando muito quente para mim, então levantei para pegar meu chapéu, mas não conseguia encontrá-lo. Ele foi tirado do seu lugar. Saí sem chapéu, mas logo parei porque era uma noite fria, e tive que voltar para casa para pegar algo a fim de cobrir minha cabeça. Nem sabia que receberia algo para cobrir os meus pecados.

“Quebrei as Minhas Defesas”
Quando cheguei em casa, um irmão idoso se aproximou e falou comigo sobre Cristo. No canto da sala o Sr. Harper estava conversando com a minha namorada sobre sua alma. Logo depois, o Sr. Harper começou a orar, agradecendo a Deus pela decisão dela. Então me rendi e também aceitei a Cristo como meu Salvador e Senhor. Ficaram claras para nós as escrituras de Isaías 53.6: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas”, etc., e Romanos 10.9: “Se, com tua boca, confessares a Jesus como Senhor e, em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo”. Jamais esqueceremos aquela noite memorável, logo depois fomos batizados e nos tornamos membros da igreja. Depois de mais de 14 anos provando o amor e a salvação de Cristo, podemos dizer que a Sua graça é suficiente para nós, e Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza.

Harper Derrotou o “Poder de Rebelião” • 151

“O Sr. Harper Cuidou de Nós Como Um Pai Cuida dos Seus Filhos”
O que somos na vida cristã devemos a nosso falecido e querido pastor Sr. Harper, cuja vida de temor a Deus e exemplo santo foi um grande auxílio para nós. Ele que cuidou de nós como um pai cuida dos seus filhos, e nos fez apreciar o estudo das Escrituras e a nos alegrar em esperar em Deus através da oração. Como gostaria de orar como ele, e agora que ele está na presença do Senhor que tanto amava e que serviu com tanta lealdade, nosso único desejo é seguir os seus passos como ele seguiu a Cristo. C. B. e Sra. B.

Enquanto o Sr. Harper prosseguia, minha convicção de culpa crescia, e vi que precisava de um Salvador. Ali me entreguei completamente, e tenho vivido com alegria desde então.

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As Palavras de Harper Deram Plena Convicção de Minha Culpa
Testemunho 7

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a noite de domingo do dia 4 de julho de 1897, fui ouvir o Sr. Harper. O texto sobre o qual pregou foi Apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta e bato”. Eu tinha convicção de culpa há algum tempo e, enquanto o Sr. Harper continuava a sua pregação, minha convicção crescia, e vi que precisava de um Salvador. Ali me entreguei completamente, e tenho vivido com alegria desde então. Nem tudo é um mar de rosas, mas Cristo é tudo que preciso. Sou membro da Igreja Batista Paisley Road, e minha esposa também. S. M. K.

Reconheci o meu pecado, reconheci que precisava de um Salvador, e ali mesmo me entreguei a Cristo.

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“Harper Mostrou-me que Precisava de Cristo”
Testemunho 8

a noite de domingo de 27 de junho de 1897 fui para Boilmaker’s Hall, Govan, onde o pastor Harper estava pregando, e a passagem de que tratava era João 3.36: “Por isso quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Reconheci o meu pecado, reconheci que precisava de um Salvador, e ali mesmo me entreguei a Cristo.

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John Harper

Em breve Ele virá, a porta será fechada, a porta do Reino será lacrada. É possível que só nos reste pouco tempo. Mas imagine o que se pode fazer na efemeridade destes últimos dias!

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Uma Mensagem de John Harper
Proferida em 1911 na Igreja Moody em Chicago
isão, compaixão, intercessão – esses são os três grandes elos na corrente da obra redentora. Quão claramente podemos vê-los no ministério salvador e na obra da vida do nosso Próprio Senhor Jesus. Ele viu as multidões como ovelhas sem um pastor – espalhadas, cortadas, machucadas, e ensangüentadas – e se essa foi a visão diante dos Seus olhos quando observou uma multidão das pequenas vilas religiosas da Galiléia, onde o povo tinha alto nível moral nos seus hábitos diários, e não era preso à bebida e a maldades diversas, qual seria Sua impressão se visse Chicago hoje?

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“Orem”
Com aquela visão Seu coração ficou comovido por compaixão, agitado com um sentimento profundo – ou

158 • O Último Herói do Titanic melhor, agonizando por dentro. Ele teve compaixão deles, tomando suas dores e tristezas sobre Seu próprio coração de amor, e com esse espírito cheio de amor Ele se voltou para Seus discípulos e disse: “orem”, e sempre que possível Se retirava para um monte isolado para passar a noite ou a madrugada em oração.

Dá-Nos “Vigilantes Homens de Oração”
Queridos, poucos entre nós têm a visão do Mestre, e portanto, poucos entre nós têm o coração cheio de compaixão, o ministério conseqüente da intercessão! Se alguma convicção ocupou o meu espírito mais do que qualquer outra, e se apoderou dele há alguns anos de maneira solene como a eternidade, foi que a necessidade urgente da igreja e do mundo perdido é de intercessores – não de pastores, por mais que sejam necessários, mas de vigilantes homens de oração que sabem como se colocar entre Deus e as pessoas, em jejum e intercessão, e que não deixarão o trono da graça até que recebam da Sua presença refrigério e salvação que glorificarão Seu nome na terra. Então a igreja receberá pregadores inflamados, obreiros cobertos com Seu poder, e a igreja reavivada pelo Espírito se tornará o instrumento do nosso Senhor glorificado para despertar num mundo incrédulo a convicção do pecado e a necessidade do sangue redentor, e o temor do juízo vindouro.

“A Porta Será Fechada”
Em breve Ele virá, a porta será fechada, a porta do Reino será lacrada. É possível que só nos reste pouco

Uma Mensagem de John Harper • 159 tempo. Mas imagine o que se pode fazer na efemeridade destes últimos dias! Que reuniões de oração e intercessão podemos ter! Que sacrifícios para Ele podemos fazer! Que poder do trono podemos receber! Que bênçãos podemos testemunhar na separação dos últimos membros do corpo de Cristo deste mundo perdido em trevas, enquanto se aproxima o julgamento final!

Deus quer que a nossa luz seja vista pelos homens. Será que carregamos o peso deste mundo perdido nas nossas intercessões diante de Deus, ou a nossa comunhão com o Senhor se parece com esta lamparina quase apagada e fumegante?

Depois desse breve tempo, haverá a glória da Sua presença, a reunião alegre com os amados, o “muito bem” vibrante do Mestre no Seu trono de julgamento [do galardão] – a entrada para nunca mais sair. Mas não haverá mais oportunidade de orar para que almas perdidas se prostrem aos Seus pés nem de ganhálas para Ele eternamente.

Vede, fiéis, ao Senhor nosso Mestre, olhos fitos em nossa missão, mesmo em face de pronto desastre, proclamamos, leais, Seu perdão. Se o sol, em luz pura, se fôr, nascerá inda com mais fulgor.

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Bela Manhã
Na noite anterior ao naufrágio do Titanic, o Sr. Harper foi visto tentando com zelo levar um rapaz a Cristo. Depois, no convés, ao ver um raio de luz vermelha no poente, ele disse: “Vai fazer uma bela manhã”.
Sim, nossa manhã será bela quando o sol se inclinar no poente e as nuvens qual rósea janela se fecharem aos olhos da gente! Na esperança da aurora sonhamos, que gloriosa virá, confiamos. O que conta a manhã é precioso, quando é forte o embate do mar, quando o rei do oceano furioso, nossos barcos fizer naufragar, e no fundo do mar, tenebroso, multidões forem morte encontrar. Mesmo assim a manhã será bela quando em glória rompermos o véu já vencida a tormenta, a procela, a coroa ganharmos no céu. Onde está, ó Morte, o teu aguilhão? Grande é Deus que nos dá salvação!

162 • O Último Herói do Titanic
Vede, fiéis, ao Senhor nosso Mestre, olhos fitos em nossa missão, mesmo em face de pronto desastre, proclamamos, leais, Seu perdão. Se o sol, em luz pura, se fôr, nascerá inda com mais fulgor. A partida do crente, na morte, é a entrada na vida eternal; bem melhor lá será sua sorte na presença de Deus, imortal. Prá quem é, em Jesus, vencedor, a manhã será bela... e sem dor.

Horace E. Govan

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“Os Escolhidos de Cristo”
Esboço de um Sermão de John Harper
“Eles não são do mundo, como também eu não sou” (João 17.16). 1. Ele recebeu Seus escolhidos do Pai – versículo 6. 2. Ele roga por eles – não pelo mundo – versículo 9. 3. Eles são odiados pelo mundo – versículo 14. 4. Ele quer guardá-los do mal do mundo – versículo 15. 5. Ele os envia como foi enviado ao mundo – versículo 18. 6. Ele deseja sua união para convencer o mundo – versículo 21. 7. Ele mostra que o mundo não conhece o Pai – versículo 25. As palavras do texto (versículo 16) nos mostram: I. Uma Verdade Distinta da Fé Cristã. 1. Crentes não são do mundo na origem da sua vida – Eles nasceram do alto.

164 • O Último Herói do Titanic 2. Não são do mundo no caráter do seu serviço – A vida cristã consiste em fazer a vontade de Deus. 3. Não são do mundo na natureza da sua conduta – Eles buscam a santidade. Eles detestam o pecado. 4. Não são do mundo na fonte da sua alegria – Sua alegria está em Deus, o mundo se alegra com o pecado. 5. O assunto das suas conversas não é do mundo – Seu desejo é saber mais de Jesus. As palavras do texto nos mostram: II. Uma Avaliação Para o Coração Cristão. Se não são do mundo, isso se verá: 1. Na hora da angústia e da aflição. 2. Em meio à provação e à perplexidade. 3. Nas decisões e escolhas feitas. 4. Nas horas de prosperidade e sucesso. As palavras do texto sugerem para nós: III. Que Certamente Haverá Provações na Vida Cristã. 1. O mundo nos rejeitará. 2. O mundo não nos amará.

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“Quem é o Tolo?”
Esboço de um Sermão de John Harper
“Pequei... tenho procedido como louco” (1 Samuel 26.21). O texto indica claramente que: I. Tolo É o Homem que Sacrifica sua Vida no Templo do Prazer Imoral. “Os loucos zombam do pecado” (Provérbios 14.9). Outra versão é, “O pecado zomba dos loucos”. Ele zomba dos homens ao prometer o que nunca faz. Os homens sacrificam tudo e não ganham nada. 1. O pecado rouba a paz de consciência. 2. O pecado rouba a pureza da mente. 3. O pecado rouba a saúde do corpo. 4. O pecado rouba a esperança do céu. II. Tolo é o Homem que se Cobre de Infidelidade. “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus” (Salmo 14.1). 1. Não é tolo aquele que troca a luz pela escuridão? 2. Não é tolo aquele que troca a esperança pelo desespero? 3. Não é tolo aquele que troca o conforto do Evangelho por uma filosofia morta?

166 • O Último Herói do Titanic III. Tolo é o Homem que Adia a Decisão por Cristo até a Hora da Morte. Ele é um tolo porque é um perdedor presente. 1. Ele perde a verdadeira alegria do coração. 2. Ele perde a consciência tranqüila. 3. Ele perde a vitória sobre o pecado. 4. Ele perde a capacidade de apreciar a vida. Ele pode ser um perdedor para sempre. Ele pode acabar perdendo a oportunidade.

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“Amor Inesquecível”
Esboço de um Sermão de John Harper
“Leva-me após ti, apressemo-nos. O rei me introduziu nas suas recâmaras. Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho” (Cantares de Salomão 1.4). Neste versículo temos as três decisões do amor: I. A Decisão de Seguir. 1. Ele segue com ansiedade: “Apressemo-nos”. 2. Ele segue de perto. Não como Pedro, de longe. Mas como Davi: “A minha alma apega-se a ti”. Note que ela vem após, não antes dEle. “Leva-me após ti”. II. A Decisão de Ser Feliz e se Regozijar. 1. Note a fonte da alegria do crente. É “em ti”. 2. Não nos “ungüentos” (versículo 3) – símbolos das graças que Ele dá. 3. Não nas “recâmaras” (versículo 4). Símbolos dos privilégios e dos bons momentos que Ele dá. 4. Mas “em ti”. Toda nossa alegria, tanto passiva quanto ativa, deve estar nEle.

168 • O Último Herói do Titanic III. A Decisão de Lembrar. Que memória! Nos lembraremos de toda ocasião em que Ele demonstrou Seu amor por nós. 1. Nos lembraremos do fato do Seu amor. Nos atrevemos a esquecer desse fato? 2. Ainda nos lembramos da extensão do Seu amor. Ele nos resgata do nosso pecado. 3. Nos lembraremos da eternidade do Seu amor. Não podemos saber quando começou. Não podemos alcançar o seu fim. É eterno. Quando estamos no Seu amor estamos num círculo. 4. Nos lembraremos do propósito do Seu amor. Ele nos amou para nos salvar dos nossos pecados, e nos salvar para Si. Note alguns dos resultados de nos lembrarmos do Seu amor: 1. Isso nos dá um banquete celestial. Obtemos bebida melhor que o vinho. 2. Isso nos dá um antídoto contra o medo que Joseph Irons descreve assim: “Tenho sede de Ti, Tua Presença é minha vida, minha alegria, meu céu, E tudo sem Ti está morto para mim”.

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“Tão Grande Salvação”
“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hebreus 2.3)
A salvação é a maior obra de Deus. A salvação de um mundo perdido é maior que a criação de um mundo novo. A salvação é grande quando consideramos: I. A Grandeza do Perigo do Qual Ela Livra. As almas correm perigo de serem perdidas. II. A Grandeza do Preço Pago para Oferecê-la. O precioso sangue de Cristo é de valor incalculável. III. A Grandeza do Poder Que Ela Representa 1. Ao salvar da impureza do pecado. 2. Do desejo do pecado. 3. Do domínio do pecado. IV A Grandeza da Posição à Qual Ela Exalta. . Ela nos faz filhos de Deus, herdeiros da glória. V A Grandeza da Esperança que Ela Proporciona. . Nos garante o céu.

As Reações dos Leitores a Este Livro Poderoso São Impressionantes:

“Fascinante...” – Arno Froese – Arno Froese
“Você certamente derramará lágrimas de “Você certamente derramará lágrimas de compaixão e tristeza ao assimilar o impacto desse compaixão e tristeza ao assimilar o impacto desse livro. Mas tenho certeza de que a sua vida ainda livro. Mas tenho certeza de que a sua vida ainda será mudada para sempre pelo poder das será mudada para sempre pelo poder das palavras nestas páginas.” palavras nestas páginas.” – James Rizzuti – James Rizzuti

“O Titanic morreu, mas o heroísmo de John Harper viverá para sempre!”
O naufrágio do Titanic é mais que uma tragédia histórica. O naufrágio do Titanic é mais que uma tragédia histórica. É heroísmo corajoso e fé inabalável que inspiram todos que É heroísmo corajoso e fé inabalável que inspiram todos que conhecem a história completa. Os filmes de Hollywood conhecem a história completa. Os filmes de Hollywood sobre o Titanic proporcionam grande drama. A exposição sobre o Titanic proporcionam grande drama. A exposição de artefatos recuperados do navio desperta muita de artefatos recuperados do navio desperta muita curiosidade. Mas a história de John Harper causa curiosidade. Mas a história de John Harper causa um impacto que pode transformar vidas. um impacto que pode transformar vidas.

O Último Herói do Titanic
Uma Realidade Que Você Não Pode Ignorar.
Obra Missionária

Chamada da Meia-Noite
Caixa Postal, 1688 · 90001-970 Porto Alegre-RS · Brasil Fone: (51) 3241 - 50 50 · FAX: (51) 3249-73 85 www.Chamada.com.br

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