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FÍSICA

ELETRIZAÇÃO E LEI DE COULOMB

1. CARGA ELÉTRICA

Na Antiga Civilização Grega, há cerca de 2.500 anos, descobriu-se que uma pedra de cor ama- rela originada da resina de certas árvores, denomina- da âmbar, quando atritada com pele de animais, passava a atrair pequenos pedaços de palha, penas e outros objetos leves. As explicações dadas para essas atrações diziam que os corpos atraídos pelo âmbar serviam-lhe de alimento. Somente mais tarde, com o médico inglês Wil- liam Gilbert (1544-1603), é que a eletricidade foi ob- jeto de investigação científica. Foi Gilbert que, em 1600, apresentou os primeiros resultados experimen- tais e as primeiras tentativas de explicação das atra- ções observadas pelos gregos. Ele chamou os corpos que, depois de atritados, passam a atrair outros cor- pos, de corpos eletrizados. Essa palavra vem do gre- go elektron, que significa âmbar. Charles Dufay (1698-1739) observou que, en- quanto o âmbar eletrizado atraía objetos não eletriza- dos, dois pedaços de âmbar eletrizados se repeliam. Concluiu então que existiam dois tipos de eletricida- de (cargas elétricas), denominadas por Benjamin Franklin como positiva e negativa. Assim, a Proprie- dade Fundamental da carga elétrica é sua existência em duas espécies. Como você sabe, o átomo é composto de cen- tenas de partículas, entre as quais estão as que inte- ressam ao estudo desenvolvido neste capítulo: os prótons, nêutrons e os elétrons.

Os nêutrons não se manifestam eletrica- mente. Carga Elétrica Elementar Cada próton possui uma unidade de carga posi- tiva; cada elétron, uma unidade de carga negativa. As cargas do elétron e do próton, iguais em valor absolu- to, são conhecidas como cargas elementares e, trata- se, por enquanto, da menor carga elétrica encontrada na natureza. Sua intensidade é:

e = 1,6 . 10 - 19 C,

Onde C (coulomb) representa, no Sistema in- ternacional (SI) a unidade de carga elétrica. A
Onde C (coulomb) representa, no Sistema in-
ternacional (SI) a unidade de carga elétrica.
A quantidade total de carga de um corpo (Q) é
dada por:
Q = ± n . e
n → número de partículas do corpo.
Subunidades
1mc (milicoulomb) = 10 -3 C
1µc (microcoulomb) = 10 -6 C
1nc (nanocoulomb) = 10 -9 C
1pc (picocoulomb) = 10 -12 C
A carga elétrica é quantizada. Quantizada
quer dizer que a quantidade de carga não pode ser
qualquer valor, mais sim múltiplos inteiros da carga
elementar (e).
Assim, podemos encontrar uma partícula com
carga +6e ou –8e, mas é impossível acharmos uma
partícula com carga 4,32e.
Princípio da atração e repulsão
Verifica-se, experimentalmente, que corpos e-
letrizados com cargas de mesmo sinal se repelem e
corpos eletrizados com cargas de sinais contrários se
atraem.
Sinais opostos
atração
A
B
F AB
F BA
núcleo com carga positiva elétron
núcleo com
carga positiva
elétron

figura 1

Vamos retomar o modelo da estrutura do áto- mo, que é semelhante ao nosso sistema planetário. Os prótons e os nêutrons constituem o núcleo do átomo. Ao redor deste núcleo giram, na eletrosfera, os elé- trons. Convencionou-se que:

figura 2 - A

Mesmo sinal

Mesmo sinal repulsão

repulsão

A F AB
A
F AB

B

A

figura 2- B
figura 2- B
B F BA
B
F BA

Os prótons têm carga elétrica positiva; Os elétrons têm carga elétrica negativa;

2. ELETRIZAÇÃO DOS CORPOS

Corpo Neutro – Um corpo neutro apresen- ta o mesmo número de prótons e de elé- trons. Corpo Eletrizado – Em algumas substân- cias, como nos metais, os elétrons das últi- mas camadas ou da periferia do átomo podem se liberar, tornando-se elétrons li- vres. Os átomos que perdem elétrons pas- sam a ser íons positivos. Os que recebem, passam a ser íons negativos. Quando um corpo está eletrizado, significa que ele tem excesso ou falta de elétrons:

Série Tribo Elétrica

Material

Regra Prática

vidro

 

mica

lã pele de gato

seda

algodão

ebonite

 
Excesso de elétrons → corpo negativamente carregado. Falta de elétrons → corpo positivamente car- regado.
Excesso de elétrons → corpo negativamente
carregado.
Falta de elétrons → corpo positivamente car-
regado.
Algodão
figura 5
3. CONDUTORES E ISOLANTES
Em princípio, é sempre possível deslocar car-
gas elétricas através de um meio material. Mas esta
possibilidade de movimento varia com a natureza do
meio. Meios em que as cargas elétricas se deslocam
com facilidade são chamados condutores (os metais,
água contendo ácidos, bases ou sais em solução, o
corpo humano etc). Os meios que não permitem o
deslocamento de cargas elétricas são chamados iso-
lantes ou dielétricos (vidro, plásticos usuais, água
destilada, óleos minerais etc). Quando os átomos se
unem para formar as substâncias, eles o fazem de di-
ferentes maneiras. Do ponto de vista da condução e-
létrica, a maneira mais importante é a ligação
metálica. Em um átomo metálico, os elétrons das ca-
madas mais externas não permanecem intimamente
ligados aos respectivos átomos, formando os chama-
dos elétrons livres, que se deslocam aleatoriamente
por entre a rede cristalina do metal, facilitando a con-
dução elétrica nessas substâncias.
4.2. Contato
Neste processo, um corpo previamente eletri-
zado é colocado em contato com um corpo neutro. Se
o corpo estiver eletrizado positivamente, atrai elé-
trons do neutro e ambos ficam carregados positiva-
mente. Se o corpo estiver negativamente eletrizado,
cede elétrons ao neutro e ambos ficam carregados
negativamente. Quando os corpos forem condutores,
a carga espalha-se por todo o corpo.
Se os corpos forem isolantes, a carga fica res-
trita à região onde ocorre o contato. Lembre-se de
que a quantidade de carga do sistema se conserva. A
proporção de carga elétrica existente no final, em ca-
da condutor, depende da forma, das dimensões e do
meio que envolve esse condutor. No caso particular
de dois condutores idênticos, por exemplo esferas de
mesmo raio, a redistribuição é feita de tal forma que,
no final, os condutores terão cargas iguais. Assim,
poderíamos escrever, (veja figura 6):
bastão de vidro
4. PROCESSOS DE ELETRIZAÇÃO
Figura 6
São processos através dos quais transformamos
corpos neutros em corpos eletrizados.
São eles:
A
B
A
B
,

4.1. Atrito Ao atritarmos dois corpos feitos de materiais diferentes, permitimos que ocorra entre eles uma tro- ca de elétrons. O corpo que cede elétrons, fica carre- gado positivamente e o que recebe elétrons, fica carregado negativamente. Para sabermos qual dos corpos se eletrizará positivamente, consultamos a chamada série tribo elétrica. Na tabela abaixo, o ma- terial mais superior cede elétrons para o inferior, as- sim, ao atritarmos, por exemplo, um bastão de vidro e algodão, o algodão fica carregado negativamente.

Q Q , A Q B Q A B Antes do contato Depois do contato
Q
Q ,
A Q
B Q
A
B
Antes do contato
Depois do contato
,
,
Q = Q
_
Q = Q
_
B
A
B
2
2

Q = Q

A

Q = 0

+ antes depois + + + + + + + + + + +
+ antes
depois
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+

O

induzido adquire carga de sinal oposto ao do

indutor.

5. LEI DE COULOMB

+ + + + + + + + neutro + + Figura 7 4.3. Indução
+
+
+
+
+ +
+
+ neutro
+
+
Figura 7
4.3. Indução
A indução tem como base o fato de que, num
condutor metálico, os elétrons livres podem movi-
mentar-se sob influência de forças externas. Acom-
panhe a explicação das figuras abaixo, onde
representamos um bastão carregado e uma esfera
neutra.
Figura 8
+ +
+ +
+
+
+
+ Indutor
A força de atração ou de repulsão que age en-
Induzido
elétrons
(a)
(b)
(c)
tre dois corpos puntifomes eletrizados é diretamente
proporcional ao produto das quantidades de eletrici-
dade Q 1 e Q 2 que esses corpos possuem, e inversa-
mente proporcional ao quadrado de sua distância d.
Sua intensidade é dada pela expressão:
Na figura 8(a), o bastão carregado positiva-
mente, ao aproximar-se da esfera condutora, faz com
que ocorra uma separação de cargas com o movimen-
to dos elétrons livres para o lado mais próximo do
bastão. Observe, no entanto, que a esfera continua
neutra, apenas houve separação de cargas. Na figura
8(b), a esfera é ligada à Terra e há um fluxo de elé-
trons da Terra para a esfera; finalmente, em 8(c), a
conexão com a Terra foi desfeita e o bastão afastado.
Temos, então, que a esfera fica eletrizada com carga
negativa. Vale lembrar que não houve contato entre o
bastão e a esfera, por isso esse processo é também
chamado de eletrização por influência.
Se o bastão estivesse carregado negativamente,
a esfera se eletrizaria com carga positiva.
Q
Q 1
2
F = k
2
d
onde
2
N⋅m
k = 9 x 10 9
(Vácuo)
2
C
Q 1
Q 2
+ + + + +
F 21
F 12
d
=
F
12
F 21
Figura 1
A constante de proporcionalidade k depende
+ + + + +
Figura 9 Indutor elétrons - - - - - - - - - -
Figura 9
Indutor
elétrons
- -
-
-
-
- -
-
-
-

do meio onde as cargas se encontram e do sistema de

unidades escolhido. No vácuo

chamado de k o .

é

9 N.m

2

C

2

k

=

9.10

(SI)

ESTUDO DIRIGIDO

1 Qual o valor da carga elementar?

2 Explique o princípio da atração e repulsão.

3 O que é um corpo neutro?

4 O que é um corpo eletrizado?

3333

Após a eletrização por contato, os corpos ad- quirem cargas de mesmo sinal.

4444

Na eletrização por indução, é necessária a uti- lização de um fio-terra ou algum dispositivo que funcione como tal.

A carga do elétron é, por convenção, negativa.

A carga do próton é, por convenção, positiva. Em módulo, o próton e o elétron possuem mesma carga elétrica. A unidade de carga elétrica, no sistema inter- nacional, é o Ampère. A carga elétrica é uma grandeza quantizada.

5 Cite os processos de eletrização.

2 Julgue os itens:

1111

2222

3333

4444

5555

6 Escreva a expressão matemática da Lei de Cou- lomb explicando o significado de cada símbolo.

3 Sabendo que um determinado corpo tem 5 tri- lhões de prótons e 4,9 trilhões
3 Sabendo que um determinado corpo tem 5 tri-
lhões de prótons e 4,9 trilhões de elétrons, julgue
os itens abaixo:
EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
1111
Se adicionarmos 0,1 elétrons ao corpo, ele fi-
ca neutro.
1 Uma carga elétrica de 6µc está distante de 20cm
2222
O corpo está carregado positivamente.
de outra carga de 4µc
no vácuo. Calcule a força
3333
O corpo certamente foi carregado por contato.
2
4444
O corpo tem uma carga de 0,1 trilhões de
9 Nm
elétrica entre elas. Dado:
K =
9.10
2 .
Coulombs.
C
Resolução:
Para trabalhar com a equação de Coulomb, de-
vemos utilizar a distância em metros e as cargas
em Coulomb. Então, primeiro vamos transformar:
4 Baseado em seus conhecimentos de força elétrica
e leis de Coulomb, julgue os itens:
1111
1m
100cm
Quanto maior a distância entre duas cargas,
maior a força elétrica entre elas.
x
20cm
2222
100
x =
20
É impossível um nêutron sentir uma força elé-
trica.
20
x
= = 0,2
x
m
3333
100
A força elétrica existente entre cargas de si-
nais iguais é de repulsão.
-6
1µc
10
c
4444
A força elétrica existente entre duas partículas
6µc
é proporcional ao produto de suas cargas.
X
6
x
= 6.10 c
-6
1µc
10
c
5 Duas cargas positivas idênticas de 1.10 -3 C estão
4µc
X
separadas por uma distância de 3m. Calcule a
força elétrica trocada por elas. (k = 9.10 9 Nm²/C²)
− 6
x
= 4.10
c
9
6
6
K Q
.
q
9.10 .6.10 .4.10
F = →
F =
2
2
d
(
0,2
)
3
3
9.6.4.10
216.10
F
=
F
=
( 0,2 ) − 3 − 3 9.6.4.10 216.10 F = → F = 0,04 0,04

0,04

0,04

-2

lembre-se que 0,04 = 4.10 , então

F

=

216.10

3

4.10

2

F

=

54.10

1

N

.

EXERCÍCIOS

1 Julgue os itens:

1111

Após a eletrização por atrito, os corpos eletri-

zados têm cargas de mesmo sinal.

2222

Após a eletrização por atrito, os corpos ten- dem a se repelir.

GABARITO

Estudo dirigido

1 O valor da carga elementar é

2 Segundo esse princípio, cargas de mesmo sinal se repelem enquanto cargas de sinal contrário se a- traem.

e

= ±

1,6.10

19

C

3

É aquele que possui o mesmo número de prótons e elétrons.

4

É aquele que possui um excesso ou falha de elé- trons. Positivo – falta de elétrons. Negativo – excesso de elétrons.

5

Atrito, contato e indução.

6

F

F

d

K Q . q = , onde 2 d = força – Newton (N)
K
Q
.
q
=
, onde
2
d
= força – Newton (N)

= distância – metros (m)

Q e q = carga elétrica – Coulomb (C) 2 9 Nm K = constante
Q
e
q
= carga elétrica – Coulomb (C)
2
9 Nm
K
= constante elétrica
9.10
(vácuo)
2
C
Exercícios
1 E, E, C, C
2 C, C, C, E, C
3 E, C, E, E.
4 E, C, C, C.
5 1000N.