Arbitragem

Introdução, espécies de arbitragem, convenção e seus efeitos, procedimentos e sentença.
25/dez/2006

Conceito: As partes envolvidas em um conflito podem escolher uma pessoa, física ou jurídica, para solucionar a lide, deixando de lado a prestação jurisdicional estatal. A arbitragem só poderá ser instituídas para os conflitos que envolvam direitos disponíveis e partes capazes. A arbitragem é chamada de “arbitragem institucional” quando as partes optam por escolher uma pessoa jurídica de direito privado constituída para esse fim. Em regra, essa pessoa jurídica é denominada de “câmara de arbitragem”. A câmara de arbitragem funciona como um pequeno juízo, possuindo regulamento próprio ao qual as partes estarão submetidas. Possuem, também, secretaria, sistema de intimação, sala de audiências, etc. Podem as partes optar pela arbitragem ad hoc, ou seja, podem escolher uma pessoa física como árbitro e acordar sobre todo o procedimento arbitral ao qual se submeterão. Previsão legal: A arbitragem vem prevista na Lei 9.307/96, que dispõe em seus dois primeiros artigos: “Art. 1º - As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragern para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis. Art. 2º - A arbitragem poderá ser de direito ou de eqüidade, a critério das partes.

as partes convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito. Essa forma de arbitragem pode contar de uma cláusula de um contrato entre as partes sobre outro objeto ou constituir um contrato autônomo.§ 1º . que diligentes. 9º. podendo ser judicial ou extrajudicial. O compromisso arbitral judicial celebrar-se-á por termo nos autos. Assim. ou por instrumento público (art. O compromisso arbitral extrajudicial será celebrado por escrito particular. 4º. perante o juízo ou tribunal. § 2º . O compromisso arbitral dar-se-á das seguintes formas: 1) Cláusula compromissória: A cláusula compromissória é a convenção por meio da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. relativamente a tal contrato (art. 2) Compromisso arbitral: O compromisso arbitral é a convenção por meio da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. onde tem curso a demanda. a cláusula compromissória é anterior ao surgimento do conflito entre as partes. Lei 9. assinado por duas testemunhas.Poderão. desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública.307/96). Lei 9.Poderão as partes escolher. também. livremente. já pactuaram sobre a adoção da arbitragem para a solução de eventuais litígios. as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem.307/96). Convenção de arbitragem: A convenção de arbitragem é o instrumento pelo qual as partes manifestam a vontade de suprimir o Poder Judiciário da apreciação do mérito de um litígio que envolva direitos patrimoniais disponíveis para entregá-lo ao juízo de um árbitro escolhido por elas [1]. nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio”. .

médicos. 1) Instituição do juízo arbitral: O juízo arbitral deve ser instituído pelas partes por meio de cláusula compromissória ou compromisso arbitral. da imparcialidade do árbitro e de seu livre convencimento. por exemplo. inclusive. Árbitro: O árbitro é uma terceira pessoa. da igualdade das partes. Assim. nos próprios autos do processo em que as partes litigam. sempre. podendo ser instituído. As partes envolvidas no conflito podem escolher os árbitros que irão atuar. o compromisso surge quando já há um litígio pendente. a faculdade de designar quem as represente ou assista no procedimento arbitral. Procedimento: No procedimento do juízo arbitral serão. entre outros. contadores. dentistas. O árbitro não precisa ter formação jurídica. pois este possui conhecimentos técnicos na área e poderá melhor conduzir o litígio à uma solução mais justa. pedagogos e professores. As partes poderão postular por intermédio de advogado. engenheiros. se as partes pretendem resolver um conflito gerado por uma construção mal feita. Esses árbitros especialistas estão presentes em todas as fases do processo arbitral. diferentemente da cláusula arbitral. o Corpo de Árbitros do Tribunal Arbitral de São Paulo é composto por advogados. As partes podem escolher o árbitro de acordo com a especialidade técnica que seja mais útil à solução da questão em concreto. de confiança das partes e escolhida por estas para conduzir a solução do conflito. de acordo com a natureza do processo. agilizando a resolução dos conflitos [2]. psicólogos. mais adequado é que escolham um engenheiro civil para atuar como árbitro. respeitados os princípios do contraditório. .Percebe-se que. respeitada. sempre. Partindo dessa concepção.

caberá ao juiz. a parte interessada manifestará à outra parte sua intenção de dar início à arbitragem. em dia. hora e local certos. originariamente. Não comparecendo a parte convocada ou. importará a extinção do processo sem julgamento de mérito. respeitadas as disposições da cláusula compromissória. estatuir a respeito. A ausência do autor. poderá a outra parte propor a demanda perante o órgão do Poder Judiciário a que. firmar o compromisso arbitral. recusar-se a firmar o compromisso arbitral. após ouvir o réu. Se a cláusula compromissória nada dispuser sobre a nomeação de árbitros. tentará o juiz conduzir as partes à celebração. Não obtendo sucesso. A sentença que julgar procedente compromisso arbitral (art. ouvido o autor. decidirá o juiz. estatuir a respeito do conteúdo do compromisso. poderá a parte interessada requerer a citação da outra parte para comparecer em juízo a fim de lavrar-se o compromisso. podendo nomear árbitro único para a solução do litígio. Comparecendo as partes à audiência. Não concordando as partes sobre os termos do compromisso. do compromisso arbitral. de comum acordo.Não havendo acordo prévio sobre a forma de instituir a arbitragem. tocaria o julgamento da causa (art. previamente. na própria audiência ou no prazo de dez dias. a conciliação acerca do litígio. designando o juiz audiência especial para tal fim. sem justo motivo. o pedido valerá como . ouvidas as partes. sobre seu conteúdo. 7º). caberá ao juiz. por via postal ou por outro meio qualquer de comunicação. comparecendo. Não comparecendo o réu à audiência. Existindo cláusula compromissória e havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. nomeando árbitro único. mediante comprovação de recebimento. à audiência designada para a lavratura do compromisso arbitral. 6º). o juiz tentará. convocando-a para.

ao proferir sua sentença. se a ausência for de testemunha. O depoimento das partes e das testemunhas será tomado em local. desde que as partes tenham declarado. as questões acerca da existência. e pelos árbitros. Essa é a chamada competência-competência. podendo tomar o depoimento das partes. ou por provocação das partes. 3) Conciliação das partes perante o juízo arbitral: Competirá ao árbitro ou ao tribunal arbitral. Cabe ao árbitro decidir de ofício. validade e eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula compromissória. 21). tentar a conciliação das partes (art. este será extinto se qualquer dos árbitros escolhidos pelas partes escusar-se do ofício antes de aceitar a nomeação. não aceitar substituto. extinguindo o processo com julgamento do mérito e valendo a decisão como título executivo judicial. nas mesmas circunstâncias. para que o juízo arbitral seja instalado. por escrito. e reduzido a termo. expressamente. uma vez que o árbitro tem competência para decidir se é competente ou não para solucionar o litígio. no início do procedimento. 4) Instrução: Não havendo acordo. poderá o árbitro ou o presidente do tribunal arbitral requerer à autoridade judiciária que conduza a testemunha . o árbitro poderá determinar a produção de provas. da convocação para prestar depoimento pessoal. ou a seu rogo. mediante requerimento das partes ou de ofício. assinado pelo depoente. Havendo acordo. o árbitro ou o tribunal arbitral levará em consideração o comportamento da parte faltosa. Em caso de desatendimento.2) Aceitação do árbitro: O árbitro deve aceitar a nomeação. dia e hora previamente comunicados. sem justa causa. o árbitro deverá homologá-lo por sentença. ouvir testemunhas e determinar a realização de perícias ou outras provas que julgar necessárias. Tratando-se de compromisso arbitral.

declarar seu voto em separado (art. IV do Código de Processo Civil. de comum acordo. 22). Se não houver acordo majoritário. terá normal seguimento a arbitragem (art.renitente. As partes e os árbitros. .for nulo o compromisso. 32. A sentença arbitral será nula se (art. suspendendo o procedimento arbitral. competente para julgar a causa. Nada tendo sido convencionado. comprovando a existência da convenção de arbitragem (art. 5) Medidas cautelares: Havendo necessidade de medidas coercitivas ou cautelares. Sobrevindo no curso da arbitragem controvérsia acerca de direitos indisponíveis e verificando-se que de sua existência. a sentença arbitral é título executivo judicial. Lei 9. 24). Resolvida a questão prejudicial e juntada aos autos a sentença ou acórdão transitados em julgado. contado da instituição da arbitragem ou da substituição do árbitro. De acordo com o art. podendo a parte interessada pedir diretamente seu cumprimento no Poder Judiciários. originariamente. querendo. o prazo para a apresentação da sentença é de seis meses. A decisão do árbitro ou dos árbitros será expressa em documento escrito. 475-N. 475-J e seguintes do CPC. 6) Sentença: A sentença arbitral será proferida no prazo estipulado pelas partes. prevalecerá o voto do presidente do tribunal arbitral. Quando forem vários os árbitros. 25). dependerá o julgamento. 23). os árbitros poderão solicitá-las ao órgão do Poder Judiciário que seria. poderão prorrogar o prazo estipulado (art. ou não. a decisão será tomada por maioria. O árbitro que divergir da maioria poderá.307/96): I . o árbitro ou o tribunal arbitral remeterá as partes à autoridade competente do Poder Judiciário. nos termos dos arts.

21. V . A demanda para a decretação de nulidade da sentença arbitral seguirá o procedimento comum. concussão ou corrupção passiva. III.emanou de quem não podia ser árbitro.Il . A parte interessada poderá pleitear ao órgão do Poder judiciário competente a decretação da nulidade da sentença arbitral. III . 26 da Lei de Arbitragem.306/96. 12.for proferida fora dos limites da convenção de arbitragem. nos casos previstos na Lei 9. IV .306/96.não contiver os requisitos do art.comprovado que foi proferida por prevaricação. da Lei 9. VI . 33). da Lei de Arbitragem.proferida fora do prazo. . previsto no Código de Processo Civil. e VIII . e deverá ser proposta no prazo de até noventa dias após o recebimento da notificação da sentença arbitral ou de seu aditamento (art. VII .forem desrespeitados os princípios de que trata o art. respeitado o disposto no art.não decidir todo o litígio submetido à arbitragem. § 2°.

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