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Apostila SEED Química

Apostila SEED Química

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QUÍMICA

ENSINO MÉDIO

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Este livro é público - está autorizada a sua reprodução total ou parcial.

Governo do Estado do Paraná

Roberto Requião

Secretaria de Estado da Educação

Mauricio Requião de Mello e Silva

Diretoria Geral

Ricardo Fernandes Bezerra

Superintendência da Educação

Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde

Departamento de Ensino Médio

Mary Lane Hutner

Coordenação do Livro Didático Público

Jairo Marçal

Depósito legal na Fundação Biblioteca Nacional, conforme Decreto Federal n.1825/1907,

de 20 de Dezembro de 1907.

É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte.

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO

Avenida Água Verde, 2140 - Telefone: (0XX) 41 3340-1500

e-mail: dem@seed.pr.gov.br

80240-900 CURITIBA - PARANÁ

Catalogação no Centro de Editoração, Documentação e Informação Técnica da SEED-PR

Química / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2006. – p. 248

ISBN: 85.85380-40-3

1. Química. 2. Ensino médio. 3. Ensino de química. 4. Biogeoquímica. 5. Matéria. I. Fo-

lhas. II. Material de apoio pedagógico. III. Material de apoio teórico. IV. Secretaria de Estado

da Educação. Superintendência da Educação. V. Título.

CDU 54+373.5

2ª. Edição

IMPRESSO NO BRASIL

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Autores

Anselma Regina Levorato
Arthur Auwerter
Belmayr Knopki Nery
Elisabete Soares Cebulski
Jussara Turin Politano
Maria Bernadete P. Buzatto
Miriam Goretti Stingelin Nepomoceno
Zecliz Stadler

Equipe técnico-pedagógica

Belmayr Knopki Nery
Jussara Turin Politano
Miriam Goretti Stingelin Nepomoceno

Assessora do Departamento de Ensino Médio

Agnes Cordeiro de Carvalho

Coordenadora Administrativa do Livro Didático Público

Edna Amancio de Souza

Equipe Administrativa

Mariema Ribeiro
Sueli Tereza Szymanek

Técnicos Administrativos

Alexandre Oliveira Cristovam
Viviane Machado

Consultor

Claudio Antonio Tonegutti - UFPR

Leitura crítica

Marcelo Pimentel da Silveira - UEM/PR

Consultor de direitos autorais

Alex Sander Hostyn Branchier

Revisão Textual

Renata de Oliveira

Projeto Gráfco e Capa

Eder Lima / Ícone Audiovisual Ltda

Editoração Eletrônica

Ícone Audiovisual Ltda

2007

Carta do Secretário

Este Livro Didático Público chega às escolas da rede como resultado
do trabalho coletivo de nossos educadores. Foi elaborado para atender
à carência histórica de material didático no Ensino Médio, como uma
iniciativa sem precedentes de valorização da prática pedagógica e dos
saberes da professora e do professor, para criar um livro público, acessível,
uma fonte densa e credenciada de acesso ao conhecimento.

A motivação dominante dessa experiência democrática teve origem na
leitura justa das necessidades e anseios de nossos estudantes. Caminhamos
fortalecidos pelo compromisso com a qualidade da educação pública e
pelo reconhecimento do direito fundamental de todos os cidadãos de
acesso à cultura, à informação e ao conhecimento.

Nesta caminhada, aprendemos e ensinamos que o livro didático não é
mercadoria e o conhecimento produzido pela humanidade não pode ser
apropriado particularmente, mediante exibição de títulos privados, leis
de papel mal-escritas, feitas para proteger os vendilhões de um mercado
editorial absurdamente concentrado e elitista.

Desafados a abrir uma trilha própria para o estudo e a pesquisa,
entregamos a vocês, professores e estudantes do Paraná, este material de
ensino-aprendizagem, para suas consultas, refexões e formação contínua.
Comemoramos com vocês esta feliz e acertada realização, propondo,
com este Livro Didático Público, a socialização do conhecimento e dos
saberes.

Apropriem-se deste livro público, transformem e multipliquem as suas
leituras.

Mauricio Requião de Mello e Silva

Secretário de Estado da Educação

Aos Estudantes

Agir no sentido mais geral do termo signifca tomar ini-

ciativa, iniciar, imprimir movimento a alguma coisa. Por

constituírem um initium, por serem recém-chegados e ini-

ciadores, em virtude do fato de terem nascido, os homens

tomam iniciativa, são impelidos a agir. (...) O fato de que o

homem é capaz de agir signifca que se pode esperar de-

le o inesperado, que ele é capaz de realizar o infnitamente

improvável. E isto, por sua vez, só é possível porque cada

homem é singular, de sorte que, a cada nascimento, vem

ao mundo algo singularmente novo. Desse alguém que é

singular pode-se dizer, com certeza, que antes dele não

havia ninguém. Se a ação, como início, corresponde ao fa-

to do nascimento, se é a efetivação da condição humana

da natalidade, o discurso corresponde ao fato da distinção

e é a efetivação da condição humana da pluralidade, isto

é, do viver como ser distinto e singular entre iguais.

Hannah Arendt

A condição humana

Este é o seu livro didático público. Ele participará de sua trajetória pelo
Ensino Médio e deverá ser um importante recurso para a sua formação.

Se fosse apenas um simples livro já seria valioso, pois, os livros re-
gistram e perpetuam nossas conquistas, conhecimentos, descobertas, so-
nhos. Os livros, documentam as mudanças históricas, são arquivos dos
acertos e dos erros, materializam palavras em textos que exprimem, ques-
tionam e projetam a própria humanidade.

Mas este é um livro didático e isto o caracteriza como um livro de en-
sinar e aprender. Pelo menos esta é a idéia mais comum que se tem a res-
peito de um livro didático. Porém, este livro é diferente. Ele foi escrito a
partir de um conceito inovador de ensinar e de aprender. Com ele, como
apoio didático, seu professor e você farão muito mais do que “seguir o li-
vro”. Vocês ultrapassarão o livro. Serão convidados a interagir com ele e
desafados a estudar além do que ele traz em suas páginas.

Neste livro há uma preocupação em escrever textos que valorizem o
conhecimento científco, flosófco e artístico, bem como a dimensão his-
tórica das disciplinas de maneira contextualizada, ou seja, numa lingua-
gem que aproxime esses saberes da sua realidade. É um livro diferente
porque não tem a pretensão de esgotar conteúdos, mas discutir a realida-
de em diferentes perspectivas de análise; não quer apresentar dogmas,
mas questionar para compreender. Além disso, os conteúdos abordados
são alguns recortes possíveis dos conteúdos mais amplos que estruturam
e identifcam as disciplinas escolares. O conjunto desses elementos que
constituem o processo de escrita deste livro denomina cada um dos tex-
tos que o compõem de “Folhas”.

Em cada Folhas vocês, estudantes, e seus professores poderão cons-
truir, reconstruir e atualizar conhecimentos das disciplinas e, nas veredas
das outras disciplinas, entender melhor os conteúdos sobre os quais se
debruçam em cada momento do aprendizado. Essa relação entre as dis-
ciplinas, que está em aprimoramento, assim como deve ser todo o pro-
cesso de conhecimento, mostra que os saberes específcos de cada uma
delas se aproximam, e navegam por todas, ainda que com concepções e
recortes diferentes.

Outro aspecto diferenciador deste livro é a presença, ao longo do tex-
to, de atividades que confguram a construção do conhecimento por meio
do diálogo e da pesquisa, rompendo com a tradição de separar o espaço
de aprendizado do espaço de fxação que, aliás, raramente é um espaço de
discussão, pois, estando separado do discurso, desarticula o pensamento.

Este livro também é diferente porque seu processo de elaboração e
distribuição foi concretizado integralmente na esfera pública: os Folhas
que o compõem foram escritos por professores da rede estadual de en-
sino, que trabalharam em interação constante com os professores do De-
partamento de Ensino Médio, que também escreveram Folhas para o li-
vro, e com a consultoria dos professores da rede de ensino superior que
acreditaram nesse projeto.

Agora o livro está pronto. Você o tem nas mãos e ele é prova do valor
e da capacidade de realização de uma política comprometida com o pú-
blico. Use-o com intensidade, participe, procure respostas e arrisque-se a
elaborar novas perguntas.

A qualidade de sua formação começa aí, na sua sala de aula, no traba-
lho coletivo que envolve você, seus colegas e seus professores.

Ensino Médio

Sumário

Texto de Apresentação do LDP de Química............................................10

Conteúdo Estruturante: Matéria e sua Natureza

Apresentação.do.Conteúdo.Estruturante.Matéria.e.sua.Natureza.............12

1 – Lioflizados,.desidratados,.dessalinizados......................................14

2 – A.Química.do.cabelo.elétrico....................................................26

3 – A.Química.de.todo.dia.............................................................40

4 – Ligue.e.fque.ligado................................................................56

5 – A.fórmula.do.corpo.humano.....................................................72

6 – Radiação.e.vida.....................................................................82

7 – Órgão.elétrico.artifcial.............................................................94

Conteúdo Estruturante: Biogeoquímica

.

.Apresentação.do.Conteúdo.Estruturante..
Biogeoquímica...........................................................................110

Química

8 – Água.Dura.............................................................................112

9 – Qual.o.melhor.remédio?...........................................................124

10 – A.energia.do.açúcar................................................................134

11 – A.química.irada.......................................................................146

12 – Bomba.de.chocolate................................................................162

13 – Vidro.ou.cristal?......................................................................172

Conteúdo Estruturante: Química Sintética

.

.Apresentação.do.Conteúdo.Estruturante..
Química.Sintética........................................................................182

14 – Combustíveis..........................................................................184

15 – Remédio:.uma.droga.legal?......................................................198

16 – Fermentadas.ou.destiladas:.há.restrições?....................................212

17 – A.vida.sem.elas.não.tem.graça..................................................228

10 Apresentação

Ensino Médio

Apresentação

A você, estudante:

Na maioria das vezes você acha que aquilo que está aprendendo na
escola não tem “nada a ver” com a sua vida.

E você se pergunta:

“O que estou fazendo aqui”?

“Para que e por que, preciso disso”?

Nós, da Equipe de Química, pretendemos que você estude de uma
maneira mais empolgante, para que perceba e compreenda que no
mundo a sua volta há muito de Química.

Assim, estamos propondo este material que procura abordar os con-
teúdos escolhidos de uma forma diferenciada e inovadora em relação a
outros materiais de ensino, geralmente disponíveis para os estudantes.

Os textos não estão organizados na seqüência que tradicionalmen-
te se encontram nos livros didáticos usuais. Os professores podem es-
colher o texto conforme a necessidade do momento.

Pretendemos que você se aproprie de conhecimentos de um modo
mais crítico e, também, produza novas idéias que o ajudem a articular
aquilo que você aprende na sala de aula com o que vive lá “fora”.

Você precisa participar junto com o professor, usando sua criativi-
dade, expondo suas idéias, trazendo para sala de aula as novidades
que você ouve e lê.

Estamos lhe propondo estudar Química sem perder de vista os co-
nhecimentos trabalhados nas outras disciplinas, buscando uma visão
ampla do conhecimento químico.

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11

Química

O diálogo com as outras áreas do conhecimento leva você a refetir
sobre o seu modo de pensar, sobre os saberes que você já traz consi-
go, frutos da sua realidade social, cultural e econômica.

Pensando em interagir os conteúdos de química com outras disci-
plinas e com a sua realidade, vamos lhe apresentar algumas situações
problema que o levem a refexão através de leituras, atividades, deba-
tes, discussões.

A experimentação será uma ferramenta para auxiliá-lo na investiga-
ção, na elaboração e na compreensão dos conceitos.

Os conteúdos escolhidos representam o resultado de uma seleção
feita a partir da “experiência” de um grupo de professores da rede pú-
blica do Estado do Paraná, abordados de forma a conectá-los com ques-
tões relevantes da nossa sociedade ou do cotidiano do estudante.

Trata-se de uma delimitação de conteúdos e temas dentro de uma to-
talidade que é a ciência Química. Outros professores poderiam escolher
um outro conjunto de conteúdos. Isto não signifca que o que foi esco-
lhido é mais importante do que um conteúdo que não foi. Entretanto, a
forma de abordagem escolhida marca um diferencial importante.

Acreditamos que os conteúdos selecionados representam o alicerce
para construir uma visão mais ampla para a Química. Eles são um “re-
corte” importante de cada assunto, mas apenas um “recorte”. Há mui-
to a investigar, há muito a estudar.

Com esta nova proposta esperamos oferecer-lhe um material de
apoio que facilite o seu relacionamento com o mundo, que o ajude a
continuar seus estudos e que subsidie a defesa dos seus direitos de su-
jeito transformador.

Este material representa somente o primeiro de muitos degraus que
você irá subir em seu estudo do mundo químico que o cerca.

A você, uma boa escalada.

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12 Introdução

Ensino Médio

Matéria e sua Natureza

Desde a antiga Grécia que o homem tenta explicar o mundo em

que vive.

Ele observa o mundo em sua volta, levanta hipóteses e elabora teo-

rias para ajudar a compreender as coisas presentes em sua vida.

A matéria que encontramos diariamente em nossas atividades é for-

mada por substâncias ou misturas de substâncias usadas para produ-

zir objetos ou para provocar transformações.

Esses materiais podem ser diferenciados através de suas proprieda-

des, como cor, cheiro, maleabilidade, ponto de fusão, ponto de ebuli-

ção, densidade, solubilidade, condutividade elétrica.

Algumas propriedades desses materiais podem ser explicadas pe-

las forças que mantém os átomos unidos formando uma molécula de

uma dada substância. As interações entre as moléculas também são

responsáveis por outras propriedades. Algumas ainda decorrem da

própria constituição dos átomos dos elementos químicos e outras do

enorme conjunto de átomos ou moléculas que formam o conjunto de

um dado material.

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13

Química

Na natureza existem elementos químicos instáveis, cujos átomos

se modifcam formando átomos de outros elementos químicos e, nes-

te processo chamado de decaimento radioativo emitem energia sob a

forma de radiação. A radioatividade tem inúmeras aplicações nos mais

variados campos da atividade humana, desde a área de saúde, no diag-

nóstico e tratamento de doenças até na arqueologia, na determinação

da época em que ocorreram determinados eventos (datação).

Pilhas ou baterias são exemplos de como as reações químicas po-

dem ser utilizadas para gerar energia, no caso energia elétrica, pa-

ra utilização cotidiana, como em nossos relógios digitais e aparelhos

CD portáteis.

Entre os conceitos estudados estão os ácidos e as bases. A partir

deles podemos entender o comportamento de muitas substâncias pre-

sentes no nosso cotidiano. Essas substâncias são comuns em várias si-

tuações importantes. Uma dessas situações ocorre no corpo humano,

onde as células produzem ácidos e bases por meio de reações essen-

ciais para nosso organismo, seja auxiliando a digestão dos alimentos,

ou no controle do pH sanguíneo. Outras situações são o controle da

acidez do solo, o tratamento da água, os conservantes (aditivos) usa-

dos na indústria de alimentos para evitar a ação de microorganismos,

as questões ambientais como chuva ácida, dentre outras.

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14 Matéria e Sua Natureza

Ensino Médio

Foto: Icone Audiovisual

15

Lioflizados, Desidratados, Dessalinizados

Química

1

LIOFILIZADOS,
DESIDRATADOS,
DESSALINIZADOS...

Elisabete Soares Cebulski1

erá que a água dessalinizada

tem o mesmo gosto da água

potável?

Fonte: http://www.sxc.hu

1

Colégio Estadual Avelino Antônio Vieira - Curitiba - PR

16 Matéria e Sua Natureza

Ensino Médio

Você lembra do navegador solitário, Amyr Klink? Em suas viagens,
por meses a fo, Amyr leva consigo um aparelho para dessalinizar a
água, chamado dessalinizador e, como no meio do oceano não pode
contar com uma fonte fxa de energia, utiliza a energia solar, bastante
abundante, para fazer esse equipamento funcionar.

Você gostaria de embarcar na aventura dele?

Como sobreviver em condições extremas,
com frio, calor, chuva, vento, alimentos liofli-
zados, desidratados, água dessalinizada?

Quando falamos em quente, frio, sólido, lí-
quido, podemos lembrar das propriedades dos
materiais.

Você alguma vez já deve ter queimado a
língua com um alimento quente. Imagine-se
tomando uma xícara de chocolate bem quente,
“pelando” a língua! Com certeza, quando vo-
cê tomar o segundo gole de chocolate, o gos-
to (ou paladar) não será o mesmo!

O que acontece quando você sente o cheiro de alguma coisa e, no
entanto, está comendo outro alimento que não tem nada a ver com
as substâncias relativas ao cheiro que você está sentindo? Ou, se você
morde algum alimento apimentado ou muito salgado, sem estar avisa-
do disso?

Provavelmente, algumas dessas duas situações já devem ter aconte-
cido, e talvez você nem se lembre disso!

Faça o seguinte experimento:

Sinta o cheiro de uma laranja e depois prove um pedaço de pão.

Preste muita atenção no que acontece quando você come algum alimento doce, salgado, apimen-

tado ou azedo.

ATIVIDADE

Fonte: http:www.sxc.hu

Converse com os colegas e verifque se as sensações que eles tive-
ram foram parecidas com as que você teve; anote as suas sensações e
depois, leia o texto seguinte para compreender melhor porque as pes-
soas têm percepções diferentes de paladar e olfato!

Há regiões e pontos na língua específcos para cada percepção. Es-
sas regiões e pontos, onde você sentiu os sabores são as chamadas pa-
pilas gustativas.

17

Lioflizados, Desidratados, Dessalinizados

Química

As papilas gustativas são constituídas por células epilteliais loca-
lizadas em torno de um poro central na membrana mucosa basal da
língua. Na superfície de cada uma das células gustativas, observam-se
prolongamentos fnos como pêlos, projetando-se em direção da cavi-
dade bucal; são chamados microvilosidades. São essas estruturas que
favorecem a superfície receptora para o paladar. Na superfície da lín-
gua existem dezenas de papilas gustativas, que podem distinguir os
quatro sabores primários: amargo, azedo ou ácido, salgado e doce. Da
combinação destes quatro, resultam centenas de sabores diferentes.

Assim cada tipo de comida ativa uma diferente combinação de sa-
bores elementares, ajudando a torná-lo único.

A língua também é o órgão responsável por outras modalidades
sensoriais que contribuem na experiência gustativa, por exemplo a
textura e a temperatura dos alimentos.

Mas, qual a relação entre olfato e paladar?

Para que possamos sentir os diferentes sabores dos alimentos há
uma interação entre os receptores gustativos e olfativos.

Os receptores gustativos são excitados por substâncias existentes
nos alimentos e os receptores olfativos são excitados por substâncias
presentes no ar, sendo que o centro do cérebro combina as informa-
ções sensoriais e olfativas “traduzindo-as”.

Áreas gustativas da língua

docesalgadoácidoamargo

odor

epitélio
olfativo

Detecção dos odores

bulbo olfatórionervo olfativo

sinal do sabor

sinal de odor

Centro do olfato
e do gosto

18 Matéria e Sua Natureza

Ensino Médio

Possuímos cerca de 25 milhões de células olfativas, e isso faz com
que qualquer cheiro que possamos sentir seja capaz de interferir em
nosso apetite, em nossas lembranças e em nossos sentimentos.

Quem nunca sentiu o cheirinho da comida da vovó ou o perfume
de bebê, bastante típico nas casas onde há um bebê recém-nascido?

O olfato e o paladar trabalham juntos, e é por isso que, quando es-
tamos resfriados, não sentimos o cheiro das coisas, como também
não sentimos o gosto.

Isto é bastante frustrante, concorda?

Já imaginou você frente a frente a uma pizza super recheada e não
conseguir sentir o cheiro? Ou então, comer essa pizza deliciosa e não
sentir seu gosto?

Doce e salgado, assim como azedo, amargo ou “amarrento”, são algu-
mas das propriedades sensoriais da matéria, mais apropriadamente cha-
madas de propriedades organolépticas, que são todas as propriedades
que podem impressionar, pelo menos, um de nossos cinco sentidos.

Quem nunca chupou gelo?

A sensação não é um misto entre dor e frio?

Como o fato de estar quente ou frio pode modifcar tanto o gosto
das coisas? E afnal o que é temperatura?

Podemos perceber o aumento de temperatura quando nos agita-
mos; é isso mesmo! Quando você corre ou faz exercícios físicos, vo-
cê não sente calor?

Com a matéria acontece a mesma coisa. Quando os átomos ou molé-
culas se agitam, a temperatura aumenta, assim como em nosso corpo.

Imagine um cubo de gelo e uma represa onde a água escorre por

entre as rochas.

No cubo de gelo as moléculas de água estão muito próximas umas
das outras, difcultando assim a sua movimentação.

Já, quando vemos a água escorrendo en-
tre as rochas, as moléculas de água encontram
uma possibilidade de se espalhar muito maior
que no gelo, o que permite que as moléculas
estejam em movimento maior do que na água
no estado sólido; portanto, a temperatura está
intimamente ligada à idéia de movimentação
das moléculas.

Agora, vamos nos imaginar participando de
uma pescaria em alto mar, dia ensolarado, pro-
tetor solar, boné na cabeça, e todos os apetre-
chos (vara, anzol, molinete...) xiiii... Acabou a
água potável! E agora? Tanta água ao redor e

Foto: Icone Audiovisual

19

Lioflizados, Desidratados, Dessalinizados

Química

nós com a maior sede! Aquele calor... Ah, a temperatura continua a su-
bir... O que vamos beber? Será que é possível retirar o sal da água do
mar?

Que tal tentarmos realizar esse experimento?

Um método que pode ser utilizado é a destilação comum, onde a água é aquecida até seu ponto

de ebulição (100º no nível do mar), condensando em seguida. Para isso você vai precisar de: sal, água

, recipiente de vidro, plástico flme e... um dia ensolarado.

Coloque um quarto de água num recipiente

Dissolva uma colher de sopa de sal na água

Cubra o recipiente com o plástico flme

Coloque o recipiente no sol

Após um tempo retire o plástico flme e experimente tanto a água do fundo do recipiente como a

existente no plástico flme.

ATIVIDADE

Mas, será que a água dessalinizada tem o
mesmo gosto da água potável?

Quando Amyr está em alto mar, como ele mesmo narra em seu
livro “Cem dias entre céu e mar”, conta com uma dieta preparada
com a ajuda da lioflização, da desidratação e outras formas de
conservação de alimentos.

Comidas “salgadas” e desidratadas podem ser preparadas com a
água do mar, economizando assim o estoque de água doce, que é uti-
lizada apenas para beber e na preparação de doces.

Nutricionistas montaram um cardápio a pedido de Amyr, de acordo
com suas necessidades para a viagem, à base de carboidratos, e que
atendiam a alguns detalhes importantes: a conservação
dos alimentos em condições extremas de temperatura e
umidade, que tivessem pouco peso e pequeno volume,
balanceados com grande facilidade de preparo e consis-
tência, aspecto e sabor iguais aos da comida caseira.

Amyr cozinha com água do mar, poupando o estoque
de água potável e economizando espaço e peso.

Foto: Icone Audiovisual

20 Matéria e Sua Natureza

Ensino Médio

A desidratação consiste na remoção da água do alimento por seca-
gem ao sol e ao ar ou através da aplicação de calor (por exemplo, den-
tro de uma estufa).

A lioflização ou desidratação a frio (freeze dry) é um processo de
conservação de produtos orgânicos que envolvem dois métodos de
conservação de produtos biológicos: superfrio e secagem; não utili-
zam conservantes ou produtos químicos e é o processo mais adequa-
do para preservar células, enzimas, vacinas, vírus, leveduras, soros,
derivados sanguíneos, algas, bem como frutas, vegetais, carnes, pei-
xes e alimentos em geral. Na lioflização o produto é congelado a uma
temperatura bem baixa (abaixo de – 20ºC), é submetido a uma pres-
são muito baixa (alto vácuo), fazendo com que a água presente nesses
produtos e que foi transformada em gelo, sublime, ou seja, passe dire-
tamente do estado sólido para o estado gasoso, resultando em um pro-
duto fnal com uma estrutura porosa livre de umidade e capaz de ser
reconstituída pela simples adição de água. Desta forma, os produtos
lioflizados não sofrem alteração de tamanho, textura, cor, sabor, aro-
ma, teor de vitaminas, sais minerais, proteínas, etc,. Quando conserva-
dos adequadamente, mesmo à temperatura ambiente resistem muito
bem. Produtos lioflizados têm baixo peso, pois a maioria dos produ-
tos naturais possui mais de 80% de água, se conservam mesmo à tem-
peratura ambiente e, quando reconstituídos, retomam suas proprieda-
des originais como nenhum outro produto desidratado.

Junte embalagens de alimentos modifcados (em pó, desidratados, lioflizados, congelados, etc) en-

contrados no mercado e que são consumidos diariamente.

Depois, confeccione cartazes com a turma e faça uma exposição na escola, colocando ao lado do

tipo de alimento o processo pelo qual ele é modifcado.

ATIVIDADE

Cada material tem um comportamento diferente quando são varia-
das as condições de temperatura e pressão às quais estão submetidos.
Esse comportamento é caracterizado por propriedades físico-químicas
desses materiais. Essas propriedades servem para identifcá-los. Para
evitar que em cada trabalho tenhamos que calcular propriedades como
essas, elas são, em geral, encontradas em tabelas. Solubilidade, densi-
dade, ponto de fusão e ponto de ebulição, etc, são exemplos de pro-
priedades físico-químicas dos materiais. Com o conhecimento das pro-
priedades físico-químicas, podemos prever o comportamento de vários
materiais usados na construção civil, nas aeronaves, navios, equipa-
mentos médicos e odontológicos e muito mais!

Você sabe a diferença entre alimentos
desidratados e lioflizados?

21

Lioflizados, Desidratados, Dessalinizados

Química

Vamos experimentar:

Coloque em um recipiente, de preferência feito de vidro transparente, um pouco de água e sal, e em ou-

tro recipiente um pouco de água e areia. Observe esses dois recipientes e perceba suas diferenças.

ATIVIDADE

A partir do que você já estudou sobre soluções, diferencie soluto e solvente.

ATIVIDADE

Vamos caracterizar essas propriedades físicas!

Quando dissolvemos açúcar em água temos um exemplo de So-
lubilidade (uma propriedade física) que é a capacidade de uma subs-
tância de se dissolver em outra. Esta capacidade, no que diz respei-
to a dissolução de um sólido em um líquido é limitada, ou seja, existe
um máximo de soluto que podemos dissolver em uma certa quantida-
de de um solvente.

Você já observou que quando misturamos óleo e vinagre para sala-
das, o óleo fca em cima do vinagre? Isso acontece porque o óleo tem
uma densidade menor que o vinagre. A “Densidade” é uma outra pro-
priedade física, e informa se a substância de que é feito um corpo é
mais ou menos compacta: os corpos que possuem muita massa em pe-
queno volume, como os de ouro e de platina, apresentam grande den-
sidade. Os corpos que possuem pequena massa em grande volume,
como é o caso do isopor, da cortiça e dos gasosos em geral, apresen-
tam pequena densidade. A densidade de um corpo é o quociente de
sua massa pelo volume delimitado por sua superfície externa.

E o gelo derretendo, já observou?

É a “Fusão”, outra propriedade física, que é a passagem do esta-
do sólido para o líquido. Cada material tem seu ponto de fusão ca-
racterístico.

E a água da chaleira fervendo?

É a “Ebulição”, que é a passagem do estado líquido para o gasoso. Ela
ocorre quando fornecemos calor ao líquido. A água entra em ebulição a
100º C, quando estamos no nível do mar (onde a pressão é de 1,0 atmos-
fera). As demais substâncias têm pontos de ebulição característicos.

Interessante, não?

Que tal verifcarmos essas propriedades!

22 Matéria e Sua Natureza

Ensino Médio

Repita a mesma atividade, agora usando em um recipiente, água e açúcar; em outro, água e óleo;

em outro, água e vinagre e em outro, óleo, vinagre e areia. Verifque em quais deles você encontra-

rá uma mistura homogênea e em quais será encontrada uma mistura heterogênea. Anote os resulta-

dos e depois verifque com seus colegas e com o professor outras ocorrências de misturas em nos-

so dia-a-dia, fazendo assim uma tabela com as misturas mais utilizadas.

Que tal fazer uma lista com produtos que você utiliza diariamente, por exemplo, produtos de higie-

ne, limpeza, alimentos e bebidas?

Depois de concluir a lista, verifque se os produtos que você escolheu são formados por misturas

homogêneas ou heterogêneas. Juntamente com seu professor e colegas, compare as listas da tur-

ma verifcando quais os tipos de misturas são mais utilizados por nós diariamente.

ATIVIDADE

Provavelmente, você percebeu que em um dos recipientes pode-
mos facilmente saber o que está misturado, enquanto que no outro
não. Só será possível descobrir se é só água ou é uma mistura de água
com alguma outra substância se eu provar ou fzer alguns testes! Mas,
como sabemos que provar coisas que não conhecemos, sem ao menos
ter noção de que se trata é algo extremamente perigoso, é melhor re-
alizar alguns testes!

Bem, podemos verifcar experimentalmente alguma propriedade!

No caso da água salgada em relação à água que normalmente be-
bemos (água potável) podemos observar que a água salgada é boa
condutora de corrente elétrica enquanto a água potável não é.

Quando se fala de pureza de um material, implicitamente está se
falando de uma comparação entre uma situação ideal (uma amos-
tra composta de 100% de uma única substância) e a real (quando re-
almente temos a substância de interesse na amostra do material do
qual estamos falando). A pureza de uma substância química depende
dos procedimentos de purifcação que foram utilizados em sua pre-
paração, bem como a sua determinação está sujeita aos limites de de-
tecção dos métodos de análise química disponíveis.

No caso da água e sal, temos uma mistura homogênea, pois es-
sa mistura resulta na formação de apenas uma fase (temos aqui o que
chamamos de solução). No caso da água e areia, pela observação visu-
al do sistema já podemos verifcar a existência de duas fases (uma só-
lida e uma líquida, com uma superfície de separação visível) e temos
então uma mistura heterogênea.

23

Lioflizados, Desidratados, Dessalinizados

Química

Você já percebeu as mudanças que ocorrem com a água quando
tratamos de mudanças de estado físico de substâncias puras? O ge-
lo, que é água no estado sólido, em uma temperatura abaixo de ze-
ro, apresenta ponto de fusão de 0º C quando submetido à pressão
de 1 atm. A partir do momento em que a temperatura começa a su-
bir e chega a 0º C, o gelo começa a mudar de fase e continua a 0º
C até derreter totalmente, transformando-se em água líquida a 0º C.
Se mantivermos a pressão de 1 atm e aumentarmos a temperatura,
a água continuará no estado líquido até atingir 100º C, temperatura
chamada ponto de ebulição.

Após os 100º C, a água líquida passa por outra mudança de fase,
chegando assim à fase gasosa (vapor).

Mas, para as misturas, o processo de mudança de fase é um pouco
diferente: as misturas comuns não apresentam pontos de fusão e ebu-
lição defnidos, são variáveis.

Ocorre que, normalmente encontraremos problemas quando preci-
samos separar uma mistura.

Um exemplo bastante normal em nosso dia-a-dia é quando va-
mos escolher arroz, feijão ou até mesmo lavar uma verdura; nesse ca-
so, usamos um método de separação de misturas chamado CATAÇÃO,
onde, com as próprias mãos, conseguimos retirar as “sujeirinhas” que
vem junto com o alimento.

Existem outros métodos de separação de misturas heterogêneas,
tais como a ventilação, levigação, a fotação, a dissolução fracionada,
a peneiração ou tamisação, a separação magnética, a fltração comum,
a fltração a vácuo, a decantação, a sifonação, a centrifugação, e a de-
cantação em funil de bromo.

E quando temos aquele caso onde não fazemos noção das substân-
cias que estão misturadas? É, são aqueles casos de misturas homogêne-
as que já discutimos anteriormente! O que deveremos fazer para con-
seguimos separar os componentes dessas misturas?

Naquele caso da água e sal, poderemos usar um método chamado
DESTILAÇÃO SIMPLES, que é utilizado quando temos um componente
sólido e outro líquido, formando uma mistura. Consiste em aquecer a
mistura, em aparelhagem adequada, sendo que o líquido evapora e em
seguida condensa, sendo recolhido em um outro recipiente, e o sóli-
do não se altera. Assim, pode-se afrmar que a água dessalinizada tem
o mesmo gosto da água potável.

Agora todas as águas potáveis têm o mesmo gosto? E a água desti-
lada pode ser consumida?

24 Matéria e Sua Natureza

Ensino Médio

Obras Consultadas

CHASSOT, A. Ciência através dos tempos. São Paulo: Editora Moderna,

1994.

KLINK. A. Cem dias entre céu e mar. São Paulo: Editora Companhia das

Letras, 1995.

MENEZES. L.C. A Matéria - uma aventura do espírito - fundamentos

e fronteiras do conhecimento físico. São Paulo: Editora Livraria da Física,

2005.

MONTANARI. V. Viagem ao interior da matéria. São Paulo: Editora Atual,

1993.

SANTOS. W.L.P.E SCHNETZLER. R. Educação em Química. Ijuí: Editora

Unijuí, 2003.

VANIN J.A. Alquimistas e Químicos. O passado, o presente e o futuro. São

Paulo: Editora Moderna, 1994.

Documentos Consultados ONLINE

Anatomia e fsiologia humanas. O olfato. Acesso em

27 jun. 2006.

ANOTAÇÕES

25

Lioflizados, Desidratados, Dessalinizados

Química

ANOTAÇÕES

Matéria e sua Natureza

26

Ensino Médio

A Química do Cabelo Elétrico27

Química

2

A QUÍMICA DO
CABELO ELÉTRICO

Elisabete Soares Cebulski1

, Jussara Turin Politano2

, Zecliz Stadler3

rovavelmente, você já deve

ter vivido situações curiosas

como estas: ao pentear os ca-

belos, os fos são atraídos pelo

pente, e o cabelo fca todo “espetado”;

e ao tocar na porta de um automóvel,

você, às vezes, leva um choque.

O que acontece nesses casos?

Há muitos anos, século

V e IV a. C., os flósofos

buscavam respostas para

suas dúvidas querendo

saber sobre a origem

do universo e de si pró-

prios, sobre o porquê

do sofrimento e da morte,

sobre a geração e a corrup-

ção da vida e, além disso,

queriam desvendar os mis-

térios da matéria.

1

Colégio Estadual Avelino Antônio Vieira - Curitiba - Pr

2

Colégio Estadual Angelo Gusso - Curitiba - Pr

3

Colégio Estadual Presidente Lamenha Lins - Curitiba - Pr

Matéria e sua Natureza

28

Ensino Médio

“...Prometeu era um dos titãs, uma raça gigantesca, que habitou a Terra antes do homem. Ele e seu

irmão Epimeteu foram incumbidos de fazer o homem e assegurar-lhe, e aos outros animais, todas as

faculdades necessárias à sua preservação. Epimeteu tratou de atribuir a cada animal seus dons varia-

dos, de coragem, força, rapidez; asas a um, garras a outro, etc. Quando, porém chegou a vez do ho-

mem, que tinha de ser superior a todos os outros animais, Epimeteu gastara seus recursos com tan-

ta prodigalidade que nada mais restava. Perplexo, recorreu a seu irmão Prometeu que, com a ajuda de

Minerva, subiu ao céu, trazendo o fogo para o homem. Com esse dom, o homem assegurou sua su-

perioridade sobre todos os outros animais. O fogo lhe forneceu o meio de construir armas, aquecer sua

morada, cozinhar alimentos, cunhar moedas, etc.

A mulher não fora ainda criada. A versão é que Júpiter a fez e enviou-a a Prometeu e a seu irmão

para puni-los pela ousadia de furtar o fogo do céu, e ao homem, por tê-lo aceito. A primeira mulher cha-

mava-se Pandora. Foi feita no céu, e cada um dos deuses contribuiu com alguma coisa para aperfei-

çoá-la. Assim dotada, a mulher foi mandada à Terra e oferecida a Epimeteu, que, de boa vontade, acei-

tou, embora advertido pelo irmão para ter cuidado com Júpiter e seus presentes. Epimeteu tinha em

sua casa uma caixa, na qual guardava certos artigos malignos. Pandora foi tomada por intensa curiosi-

dade de saber o que ela continha. Certo dia, destampou-a para olhar. Assim, espalhou por toda a par-

te uma multidão de pragas para o corpo e para o espírito, que atingiram o desgraçado homem. Pando-

ra apressou-se em colocar a tampa na caixa. Infelizmente, escapara todo o conteúdo da mesma, com

exceção de uma única coisa que fcara no fundo: a esperança. Assim, sejam quais forem os males que

nos ameacem, a esperança não nos deixa só e, enquanto a tivermos, nenhum mal nos torna inteira-

mente desgraçados.” (adaptado do ”livro de ouro da mitologia” , p.19 –26)

BULFINCH, Thomas. Livro de ouro da mitologia. São Paulo: Ediouro, 1999.

O que havia, naquela época, era a observação dos fenômenos e a
busca do homem por uma explicação a respeito desses fenômenos. E
a partir dos dois a busca de uma explicação para o que acontecia. Uma
das maneiras que os gregos utilizavam para explicar a origem do Uni-
verso, ou para justifcar comportamentos, ou para compreender o mo-
tivo dos sentimentos e das paixões era a mitologia.

Mas, o que é um MITO?

O texto a seguir que apresenta uma explicação mitológica entre os
gregos: O mito de Prometeu e Pandora.

Do que são feitas

todas as coisas que

conhecemos?

Do que são

feitos os materiais

ao nosso redor?

A Química do Cabelo Elétrico29

Química

Cosmogonia: “É a
narrativa sobre o nascimento
e a organização do mundo a
partir de forças geradoras.”

(Chauí, 2003, p.36)

Após a leitura do texto sobre este mito, leia o texto de uma lenda
e diferencie lenda de mito.

A partir do desenvolvimento da flosofa, a explicação sobre a ori-
gem do mundo passou a ser racional, denominada cosmologia.

Vamos nos ater neste momento à flosofa na Grécia – período pré-
socrático ou cosmológico – fnal do século VII e início do século V a.
C., onde a preocupação era com a origem do mundo, a sua ordem.

Tales de Mileto (640 – 548 a. C), astrônomo, flósofo e matemático,
conhecido como “o pai da flosofa”, procurava fugir das explicações
mitológicas sobre a criação do mundo (cosmogonia), tentando desco-
brir algo que fosse constante em todas as coisas e que seria o princí-
pio unifcador de todos os seres (cosmologia).

Tales de Mileto foi o primeiro flósofo grego a observar que um pe-
daço de âmbar, depois de ser passado várias vezes sobre um pedaço
de pele de animal, adquiria a propriedade de atrair corpos leves, como
pedaços de palha e sementes.

Cosmologia: com-
posta por duas palavras:
cosmos que signifca or-
dem e a ordenação no mun-
do e logia, derivada de lógos,
pensamento racional, discur-
so racional”.

(Chauí, 2003, p.38)

Âmbar é uma resina
fóssil muito dura que se pa-
rece com uma “pedra ama-
relada”.

Denominada em grego de

eléktron

Os fenômenos elétricos e luminosos exerceram enorme fascínio nos
estudiosos daquela época. Então, eles começaram a investigá-los.

Leucipo de Mileto (500 – 430 a .C.) e seu discípulo Demócrito de
Abdera (460 – 370 a . C), também flósofos da Grécia Antiga, propuse-
ram outra explicação (teoria).

Segundo eles, a matéria poderia ser dividida até chegar a um ponto
onde não existiria mais a possibilidade de dividi-la. Essa partícula indi-
visível seria a unidade fundamental, o princípio primordial da matéria,
e recebeu, dos gregos, o nome de ÁTOMO.

Você sabia que a palavra
eletricidade, vem do

grego eléktron?

ÁTOMO:

a= não; tomo= divisível.

Matéria e sua Natureza

30

Ensino Médio

Demócrito foi o responsável pelo surgimento de uma teoria conhe-
cida como ATOMISMO. Para ele, além dos átomos, também, deveria
existir o vazio, o vácuo.

No pensamento de Demócrito, a atração ou repulsão de certos átomos
eram atribuídas ao acaso. E esse agrupamento de átomos, imprevisível,
seria a explicação para os diversos materiais diferentes conhecidos.

Mas afnal, o que tudo isso tem a ver com o cabelo elétrico?

Você consegue colar um canudinho na parede
sem usar qualquer tipo de cola?

Você sabe o que é eletrização por atrito?

Tudo que existe no Universo desde um grão de milho até o próprio
Universo é formado por minúsculas partículas chamadas de átomos.

Em 1808, John Dalton, cientista inglês, apresentou sua teoria,
seu modelo de átomo. Segundo ele, o átomo é uma partícula indi-
visível e indestrutível. Para Dalton os materiais são formados pela
combinação de diferentes átomos.

O cientista inglês, Willian Crookes, ao usar ampolas (tubos) conten-
do gás, observou que descargas elétricas saíam da extremidade negativa
e “caminhavam” para a extremidade positiva da ampola. Esses raios lu-
minosos (descargas elétricas) foram denominados de raios catódicos.

Em 1898, Joseph John Thomson, cientista inglês, ao realizar expe-
riências com as ampolas de Crookes, fez importantes descobertas. Ele
observou que os raios catódicos eram constituídos de partículas nega-
tivas menores que o átomo, que foram denominadas elétrons.

As observações feitas por Thomson,
e outras como a eletrização por atrito,
permitiram que ele elaborasse um mo-
delo para o átomo, pois estava compro-
vado que o átomo não era indivisível
como os gregos pensavam.

Thomson sugeriu que os elétrons, cargas negativas, estariam incrus-
tados na superfície de uma esfera de carga positiva, como ameixas
em um pudim. E, também, a carga elétrica total de um átomo se-
ria nula, pois o número de cargas positivas seria igual ao de car-
gas negativas. Esse modelo fcou consagrado como o modelo
atômico de Thomson.

O modelo atômico de Thomson representava um grande
avanço, pois identifcava o elétron como partícula constituin-
te do átomo.

Modelo: “Descrição de
situação com as quais difcil-
mente interagiremos, e das
quais conhecemos apenas
os efeitos.” (Chassot, 2003,
p.252)

Modelo atômico:
Esfera maciça

Modelo atômico:
Pudim com passas

ânodo

cátodo

A Química do Cabelo Elétrico31

Química

O físico Ernest Rutherford, alguns anos mais tarde, ao trabalhar
com a radiatividade (fenômeno descoberto por Henry Becquerel e de-
senvolvido pelo casal Marie e Pierre Curie), fez sua maior descoberta.

Rutherford realizou experimentos com uma pequena amostra do
elemento químico polônio (material radioativo emissor de partículas
alfa). Esse material foi colocado dentro de uma caixa de chumbo com
um pequeno orifício, tendo à sua frente uma fníssima folha de ouro,
envolvida por uma placa de material fuorescente (material com capa-
cidade de brilhar quando exposto a raios luminosos), como mostra o
desenho ao lado.

Assim, Rutherford, ao colocar a folha de ou-
ro entre a placa de material fuorescente e a caixa
com o material radioativo, esperava que a folha
de ouro bloqueasse a passagem da radiação (luz)
de partícula alfa, positiva. Porém, para surpresa
de Rutherford, a luz (eram partículas do átomo
de hélio duplamente ionizado) apareceu do ou-
tro lado da folha de ouro. Isto é, a partícula al-
fa, “luz”, atravessou a folha de ouro como se ela
não existisse. Ele, também, observou que outras
partículas, em menor número, não passavam pe-
la folha de ouro e então voltavam e, outras, ain-
da, passavam e sofriam desvio.

A partir dessas observações, Rutherford sugeriu que as partículas
alfa que conseguiam atravessar a folha de ouro e não sofriam desvio,
provavelmente, passavam por algum lugar vazio; as partículas que so-
friam desvio depois de atravessarem a placa, batiam em “algo” que es-
taria bloqueando a sua passagem. E sugeriu, ainda, que a carga elétrica
desse “algo” deveria ser positiva tal como a carga da partícula alfa.

O modelo atômico de Rutherford seria formado por uma região
central denominada de núcleo, contendo os prótons com carga po-
sitiva e partículas sem carga - os nêutrons - que dariam estabilidade
ao núcleo e por uma região ao redor do centro, a eletrosfera, forma-
da por partículas de cargas negativas, denomina-
das de elétrons.

O modelo atômico de Rutherford fcou famo-
so com o nome de Modelo Planetário, uma vez
que nele o átomo se assemelha ao Sistema Solar.
Os elétrons giram ao redor do núcleo como os
planetas giram ao redor do Sol, em órbitas fxas
ou trajetórias fxas.

Modelo atômico:
Planetário

fonte de partículas alfa

partículas alfa

partículas alfa
espalhadas

Folha
de ouro

anteparo

Matéria e sua Natureza

32

Ensino Médio

Releia o texto a partir do trabalho de Dalton, Thomson e Rutherford. Proponha uma explicação (teo-

ria) que mostre o motivo pelo qual os modelos atômicos de Dalton e de Thomson devam ser substituí-

dos pelo modelo atômico de Rutherford.

ATIVIDADE

Que tal realizar um experimento bastante fácil e interessante?

Você vai precisar de:

Um grampo de roupa de madeira, ou uma pinça de madeira; um clipe metálico; um bico de gás ou

uma lamparina; solução de ácido clorídrico; sais de bário, cálcio e estrôncio (na forma de cloreto); um

copo de béquer.

Abra o clipe metálico e forme com uma de suas extremidades um anel, enquanto que a outra pon-

ta deve fcar fxada em um grampo de roupa de madeira ou em uma pinça de madeira.

Coloque no copo de béquer a solução de ácido clorídrico; molhe a haste que você confeccionou

nesse ácido e, com ela, encoste num pouquinho de um dos sais e leve à chama do bico de gás ou

lamparina.

Repita esse procedimento para as outras duas substâncias, sempre anotando o que você observa.

Anote as suas observações na tabela 01:

ATIVIDADE

Tabela 01

Substância

Cor Inicial

Cor de chama

Elemento Químico

E aí, você já descobriu por que seu cabelo fca elétrico? Ou como colar um canudinho de plástico

na parede sem usar cola?

Você já derrubou sal de cozinha na chama do fogão? O que aconteceu?

Provavelmente, além de ouvir uma crepitação, isto é, um barulhinho de estalo, ocorreu
também uma mudança na cor da chama do fogão, que de azul passa a amarela.

A Química do Cabelo Elétrico33

Química

Cada substância quando aquecida emite luz de cor diferente. Essa
cor é característica para cada substância, o que torna esse teste bastan-
te útil no reconhecimento de substâncias desconhecidas.

A emissão de luz, na queima de sais metálicos
pode ser explicada pela emissão de fótons quando
os elétrons excitados do metal (isto é, que ganharam
energia e que, portanto, passaram para um nível de energia maior do
que o fundamental) retornam a seu estado fundamental (nesse retor-
no, emitem fótons de energia correspondente àquela que ganharam
para passar ao estado excitado).

E, no caso do modelo de Rutherford, será que os elétrons girando ao
redor do núcleo ao perder energia cairiam no núcleo? O que você acha?

Por que os átomos emitem luz de cores diferentes?

A resposta a essas perguntas fez com que o modelo atômico de Ru-
therford fosse superado.

Quanto à natureza da luz, até o começo do século XIX prevalecia, a
teria corpuscular da luz, proposta por Isaac Newton, físico inglês, que
considerava a luz como um feixe de pequenas partículas emitidas por
uma fonte de luz que atingia o olho estimulando a visão.

Entretanto, em meados do século XIX, James Clerck Maxwell pro-
pôs uma teoria que unifcou a compreensão dos fenômenos elétricos e
magnéticos (teoria do eletromagnetismo). Uma das conseqüências des-
sa teoria é que a luz passou a ser considerada como uma onda eletro-
magnética e que sua velocidade não depende do observador.

No início do século XX, com os trabalhos de Max Planck e Albert
Einstein, a luz também passou a ser interpretada de forma corpuscular
(como pacotes de energia). A energia desses “pacotes de energia” (fó-
tons) é diretamente proporcional à sua freqüência de oscilação.

Em meados de 1920, Louis Victor de Broglie, com base nos traba-
lhos de Einstein, propôs que elétrons (que possuem massa muito pe-
quena) apresentam propriedades tanto ondulatórias quanto corpuscu-
lares (dependendo do fenômeno, se comportam como onda ou como
partícula). Isto é conhecido como dualidade onda-partícula, ou duali-
dade matéria-energia e naturalmente aplica-se ao fóton (que é consi-
derada uma partícula sem massa) e à base da mecânica quântica e do
modelo quântico do átomo, que é bem aceito na atualidade.

Você sabia que os fogos de artifício são

misturas de explosivos com certos sais, que

produzem luz em cores características?

Matéria e sua Natureza

34

Ensino Médio

1. Encha uma assadeira com água e corante preto. Deixe em repouso.

2. Pingue algumas gotas de água bem perto do centro da assadeira. O que acontece?

3. Agora coloque uma bolinha de isopor pequena na assadeira com água. Bata na água da assadeira com

um lápis. O que acontece?

ATIVIDADE

Uma onda pode ser representada pelo esquema:

A distância entre duas cristas ou entre dois vales é denominada de
comprimento de onda e representado pela letra grega lambda ().

E o que é freqüência de onda?

Quando você sintoniza um rádio ou o televisor, você está procuran-
do a freqüência da onda eletromagnética daquela rádio ou estação de
televisão.

Podemos dizer que freqüência é o número de vezes que uma cris-
ta ou um vale passa por um determinado ponto, ou o quanto o sistema
está oscilando.

A cor da luz emitida corresponde a uma freqüência de onda específca.

Nossos olhos percebem apenas uma determinada gama de cores,
que são faixas de freqüência de ondas específcas. O ser humano per-
cebe apenas a região visível do espectro eletromagnético, que apresenta
as sete cores do arco-íris, sendo que cada cor possui um comprimento
de onda determinado. As ondas de rádio, microondas, o infravermelho
possuem freqüência menor do que as da região visível e, conseqüen-
temente, suas energias são menores; já as freqüências de ondas meno-
res correspondem ao raio ultravioleta, raios-X, raios gama, cuja energia
é maior e que também não conseguimos enxergar.

Mas o que é onda?

Faça o experimento a seguir que você entenderá:

vale

amplitude

comprimento de onda ()

altura

crista

crista

A Química do Cabelo Elétrico35

Química

Voltando a discutir o modelo atômico proposto por Rutherford, que
estabelecia que os átomos eram compostos de um núcleo denso e car-
regado positivamente, circundado por elétrons carregados negativa-
mente, podemos apontar que este modelo possuía um grande proble-
ma, identifcado por alguns cientistas da época.

O problema de um modelo do tipo planetário (elétrons em órbita
do núcleo tal como planetas em órbita do sol) é que ele não leva em
conta a perda de energia dos elétrons nessa situação. Uma partícula
carregada eletricamente e acelerada emite radiação eletromagnética e,
portanto, perde energia nesse processo. Em conseqüência os elétrons
não poderiam manter uma “órbita estável” e deveriam gradativamen-
te se aproximar do núcleo, em uma “órbita em espiral” até, no fnal, se
chocarem com ele.

Como o “colapso atômico” descrito acima não se verifca no mundo
real, Niels Henry David Bohr, em 1913, propôs um novo modelo pelo
qual, além de resolver essa difculdade básica do modelo de Ruther-
ford, permitiu explicar teoricamente o espectro eletromagnético emiti-
do pelo elemento químico hidrogênio, determinado experimentalmen-
te. Um modelo teórico permite explicar, ou prever uma observação
experimental de forma consistente, é de grande valor, e em vista disso,
a proposta de Bohr teve um grande impacto na época.

O modelo de Bohr é constituído pelas seguintes idéias básicas, que
se fundamentam em idéias já trabalhadas por Planck e Einstein em ou-
tros contextos:

1. Os elétrons ao redor do núcleo atômico se situam em níveis quan-
tizados de energia;

2. As leis da mecânica clássica (leis de Newton) não são válidas para
a passagem do elétron de um nível para o outro;

3. Quando ocorre a passagem (ou o salto) de um elétron entre ní-
veis diferentes de energia, o elétron deve absorver ou emitir ener-
gia (o elétron absorve energia se ele passa de um nível mais baixo
de energia para um mais alto e emite energia no caso contrário) co-
mo um fóton que deve ter energia exatamente igual à diferença de
energia entre os respectivos níveis.

4. Os níveis permitidos de energia dependem de valores inteiros para
o chamado número quântico principal n (n = 1, 2, 3, 4...).

Segundo a equação L = n.(h/2) onde L é chamado de momento
angular orbital, n é o número quântico principal, h é o constante de
Planck e é o número pi.

O modelo de Bohr explica de maneira razoável o sistema contendo
um elétron (o átomo de hidrogênio), mas não permite explicar átomos
com mais de um elétron.

Matéria e sua Natureza

36

Ensino Médio

Ele agrega idéias de quantização com princípios da mecânica clás-
sica. Apesar de representar um grande avanço em relação aos mode-
los anteriores, possui problemas evidentes como:

Ao assumir que a mecânica clássica não é válida no caso de transição
eletrônica não propõe outras leis para explicar o processo.

Não explica o porquê da quantização estabelecida no item 4 ante-
riormente.

Estes problemas do modelo de Bohr vão ser superados a partir dos
anos de 1920 por meio dos trabalhos de Erwin Schrödinger, Louis de
Broglie e Werner Heisenberg, dentre outros, que resultam no apareci-
mento da Mecânica Quântica (que é uma área de estudos da física que
trata do estudo do estado de sistemas em que não são válidos os prin-
cípios da mecânica clássica) e de modelos de estrutura do átomo ba-
seados em seus princípios.

Para você entender um pouco mais sobre modelos atômicos, construa um modelo segundo a teo-

ria de Rutherford - Bohr usando: cartolina colorida (duas cores diferentes), massa de modelar, tubo de

látex, pedaço de papelão de mais ou menos 50cm, cola e tesoura.

1. Faça círculos nas cartolinas com diâmetros de 5cm e 25cm na mesma cor e 15cm e 35cm em ou-

tra cor.

2. Recorte com a tesoura e cole no papelão alternando as cores, conforme o esquema 02:

Pedaço de papelão

Círculos de cartolina em cores
e tamanhos diferentes

Foto: Icone Audiovisual

3. Corte o tubo de látex em anéis fnos. Cole os anéis de látex nas linhas de cada círculo. Coloque um

anel no centro para o núcleo; dois anéis na linha do primeiro círculo; oito anéis na linha do segundo

círculo; dezoito anéis no terceiro e 32 anéis no quarto. Divida os espaços de modo que os anéis f-

quem distribuídos de maneira simétrica.

4. Faça bolinhas com a massa de modelar no tamanho necessário para encaixar nos anéis de látex.

Coloque uma bolinha no centro para o núcleo de cor diferente das demais. Coloque as demais boli-

nhas para representar os elétrons. Lembre-se de que o número de bolinhas (elétrons) em cada cír-

culo depende do tipo de átomo que você irá representar.

ATIVIDADE

A Química do Cabelo Elétrico37

Química

O modelo quântico (modelo atômico atual) é um modelo matemá-
tico - probabilístico que, em linhas gerais, tem por base:

O princípio da incerteza de Heisenberg: não é possível determinar
com precisão a posição e a velocidade de um elétron num mesmo
instante.

O princípio da dualidade de Louis de Broglie: o elétron apresenta
característica dual, ou seja, comporta-se como partícula-onda.

Você sabia que no átomo não há somente

prótons, nêutrons e elétrons? Há outras par-

tículas já identifcadas como os neutrinos, o

pósitron e o méson (pi). Você sabia que a

partícula méson foi descoberta em 1947,

pelo brasileiro, curitibano, César Lattes, hoje

reconhecido internacionalmente?

O modelo quântico permite por exemplo, explicar o funcionamento
dos raios laser utilizados em cirurgias, em indústrias e em leitura óptica.

Estamos tão acostumados a conviver com uma série de aparelhos que
nos ajudam a ter conforto que raramente paramos para nos perguntar: co-
mo será que o televisor funciona? Ou o forno de microondas, o rádio?

Será que esses equipamentos possuem algo em comum?

Em nosso dia-a-dia, estamos interagindo o tempo todo com dife-
rentes tipos de radiação. Quando fcamos expostos ao sol, estamos re-
cebendo radiação ultravioleta, uma forma de radiação eletromagnéti-
ca, e que não é visível. Se você quebrar um dedo e precisar de uma
radiografa para verifcar a gravidade do caso, estará se expondo a ou-
tro tipo de radiação eletromagnética (os raios x). Ao assistir a um pro-
grama de televisão ou ao usar o celular, as radiações eletromagnéticas
continuarão a acompanhá-lo.

E agora, já descobriu por que seu cabelo fca
elétrico?

Conseguiu colar o canudinho de plástico na
parede sem usar cola?

Por que o “choque” ao tocar no automóvel?

Matéria e sua Natureza

38

Ensino Médio

Um corpo, em seu estado normal, isto é, não eletrizado, estará neu-
tro, ou seja, terá o mesmo número de cargas positivas (prótons) e car-
gas negativas (elétrons).

Se este corpo perder elétrons, fcará com excesso de prótons (cargas
positivas) e fcará eletrizado positivamente.

Se ele receber elétrons, fcará com excesso de elétrons (cargas nega-
tivas) e fcará eletrizado negativamente.

Agora é só se lembrar: cargas opostas se atraem enquanto cargas
iguais se repelem. É isso o que acontece com o cabelo “elétrico” e com
o automóvel que dá choque.

E se você ainda não conseguiu colar um canudinho de plástico em
uma parede sem usar cola, basta atritá-lo em seu cabelo, por exemplo.

Elabore uma pesquisa sobre o espectro eletromagnético. Procure identifcar os vários tipos de radia-

ção que você está exposto diariamente. Explique:

a) Por que não devemos nos expor a grandes quantidades de radiações, como raios-X, radiações de

microondas, etc?

b) O sol emite vários tipos de radiações sob forma de ondas eletromagnéticas. Elabore um texto em

que você defenda o uso de protetor solar.

ATIVIDADE

Obras Consultadas

CHASSOT, A. A ciência através dos tempos. 2. ed. São Paulo: Editora

Moderna, 1997.

CHASSOT, A. Alfabetização científca: questões e desafos para a

educação. Ijuí :Ed. Unijuí, 2003.

CHAUÍ, M. Convite à flosofa. São Paulo: Ática, 2003.

CHRÉTIEN, C. A ciência em ação: mitos e limites. Campinas: Papirus,

1994.

EISBERG, R.; RESNICK, R. Física quântica – átomos, moléculas, sólidos,

núcleos e partículas. Rio de Janeiro: Campus, 1979.

HALL, N. (Org). Neoquímica. Tradução de: Paulo Sérgio Santos et al. Porto

Alegre: Bookman, 2004.

HENRY, J. A revolução científca e as origens da ciência moderna.

Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

MENEZES, L.C. A matéria – uma aventura do espírito – fundamentos e

fronteiras do conhecimento físico. São Paulo: Editora Livraria da Física,

2005.

A Química do Cabelo Elétrico39

Química

MONTANARI, V. Viagem ao interior da matéria. São Paulo: Editora Atual,

1993.

QUAGLIANO, J.V. ; VALLARINO, L. M. Química. Tradução de: Aïda Espinola.

3.

ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1979.

REALE, G. ANTISERI, D. História da Filosofa. São Paulo: Paulus, 2003.

ROCHA, J. F. M. José. Origem e evolução das idéias da física. Salvador:

Edufba, 2002.

SANTOS, W.L.P. ; SCHNETZLER, R. Educação em Química. Ijuí: Editora

Unijuí, 2003.

VANIN, J.A. Alquimistas e Químicos: o passado, o presente e o futuro.

São Paulo: Moderna, 2002.

WOLKE, R.L. O que Einstein disse a seu cozinheiro – 2. Mais ciência

na cozinha. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2005.

ANOTAÇÕES

Matéria e sua Natureza

40

Ensino Médio

Foto: Icone Audiovisual

A Química de Todo Dia41

Química

3

A QUÍMICA DE
TODO DIA

Zecliz Stadler1

ocê já sentiu um “dragão” cus-

pindo fogo em seu estômago?

Como dominar esse “dragão”?

1

Colégio Estadual Presidente Lamenha Lins - Curitiba - PR

Matéria e sua Natureza

42

Ensino Médio

Você sabia que o nosso corpo funciona graças a uma série de rea-

ções químicas?

Na digestão os alimentos sofrem ação de enzimas, como a pepsina,
que quebram as moléculas de proteínas, muito grandes, em moléculas
menores, os aminoácidos.

As células que revestem internamente a parede do estômago hu-
mano produzem constantemente o suco gástrico, que também contém
ácido clorídrico, com a fnalidade de facilitar a ação das enzimas na di-
gestão e eliminar o crescimento de bactérias.

Mas para evitar que a própria parede do estômago seja destruída,
as células também produzem um muco protetor.

A produção de ácido clorídrico (HCl) aumenta quando ingerimos
alimentos como: café, refrigerantes, frutas cítricas (laranja, abacaxi), fri-
turas, etc., ou quando sentimos o cheiro de algumas comidas ou, ain-
da, quando mastigamos chicletes.

Quando mastigamos chicletes o organismo entende que deve dar iní-
cio ao processo de digestão. Então as células estomacais preparam-se
aumentando a quantidade de suco gástrico mas sem que haja alimentos
para a digestão. Esse aumento na acidez produz uma sensação de “quei-
mação” causada pela ação do suco gástrico no estômago. É a azia.

Você sabe por que as frutas cítricas aumentam a sensação de quei-
mação no estômago?

Atualmente, sabe-se que alterações na produção de ácido clorídri-
co e nas enzimas digestivas são extremamente importantes, pois po-
dem favorecer a infecção pela ação da bactéria - Helicobacter pylori,
considerada como a principal responsável pela ocorrência de úlceras.

O que você sente quando come

em excesso, quando fca horas sem

comer ou, ainda, quando não mastiga

corretamente?

Hum... Pode ser o “dragão”...

Para combater o “dragão” em seu

estômago você precisa conhecê-lo,

saber como ele funciona.

A Química de Todo Dia43

Química

Para auxiliá-lo a conhecer esse “dragão” realize o experimento:

Triture algumas folhas de repolho roxo em um recipiente com água. Filtre e

coloque num béquer com uma pequena quantidade de sagu, deixando em

repouso por cerca de 10 minutos.

Adicione um pouco mais de água e leve ao fogo para cozinhar, sem mexer.

Separe quatro béqueres.

a) No primeiro béquer coloque 50 mL de solução de cloreto de cálcio CaCl

2 a 1% (etiquete).

b) No segundo béquer coloque 20 mL de solução ácido clorídrico HCl a 0,10mol/L (etiquete).

c) No terceiro béquer coloque 30 mL de solução de hidróxido de sódio NaOH a 0,10 mol/L (etiquete).

d) E no quarto béquer coloque 20 mL de solução ácido clorídrico e acrescente 30ml de solução hidró-

xido de sódio (etiquete).

ATIVIDADE

Observe os desenhos:

Repita com cada béquer (não coloque o sagu em todos os béque-
res ao mesmo tempo).

Você pode fazer este experimento substituindo o repolho roxo por
outros indicadores (suco de amora, vinho, pétalas de fores, etc.).

O que aconteceu com as bolinhas de sagu em cada solução? Por quê?

O que aconteceu quando você colocou HCl e NaOH no mesmo béquer?

Como funcionam os indicadores? Como o nome diz, eles indicam o
meio onde se encontram, adquirindo uma coloração diferente depen-
dendo se estão em presença de substância com caracte-
rística ácida ou básica. Por exemplo, a fenolftaleína, um
indicador muito utilizado, fca incolor em meio ácido e
vermelho em meio básico.

Afnal, como é o comportamento de

substâncias que agem como ácido ou

base? E o que tudo isso tem a ver

com o “dragão” em seu estômago?

01
CaCl

2

02
HCl

03
NaOH

04
HCl/NaOH

Sagu

Matéria e sua Natureza

44

Ensino Médio

Lembre-se que:

aq. = aquoso (dissolvido em água) l = líquido

s = sólido

g = gasoso

Você já mastigou um pedaço de banana ou caqui verdes? O que
sentiu? E que tal o “gostinho” de um limão?

Algumas substâncias nos dão a sensação de “amarrar” a boca. Isto
se deve à característica adstringente da substância, uma vez que inibe
a produção de líquidos (saliva) provocando tal sensação. Substâncias
que apresentam característica adstringente se comportam como base.
Outras substâncias que têm gosto azedo se comportam como ácido.

Através de observações experimentais, baseadas no comportamento
semelhante entre as substâncias, como: gosto azedo (ácido) ou amargo
(adstringente), condução da corrente elétrica, etc., os cientistas procu-
raram explicar quimicamente esse comportamento, ou seja, procura-
ram responder à questões como esta: “por que um grupo de substâncias
apresentava certas características e outro características diferentes?”.

Assim, têm-se as várias teorias para conceituar ácidos e bases.

A primeira teoria foi proposta, em 1884, por Svante Arrhenius, quí-
mico sueco. O problema que intrigava o químico Arrhenius era: a má
condução de corrente elétrica da água destilada. O sal de cozinha (clo-
reto de sódio), quando sólido, também não conduz eletricidade. En-
tão, por que quando se dissolve cloreto de sódio em água, a solução
conduz a eletricidade?

Após pesquisar, Arrhenius observou que ácidos e bases, dissolvidos
em água (soluções aquosas), ionizavam-se (ácidos) e dissociavam-se
(bases), produzindo soluções que conduzem a corrente elétrica devido
à formação de cátions hidrogênio H+

e ânions hidroxila OH-
.

Atualmente, sabemos que os íons hidrogênio H+

em solução aquo-
sa são cercados por moléculas de água (devido à alta relação entre a
carga e o raio desse íon), dando origem ao íon hidrogênio hidratado,
freqüentemente chamado de hidrônio.

O íon hidrônio pode ser representado por H+

(aq.), H

3O+

(aq.), H+

(H

2O)

n.

Mas o que signifca ionizar?

Quando uma substância é dissolvida em água ou em qualquer ou-
tro solvente (álcool, éter, etc.) ocorre a formação de íons, essa subs-
tância ioniza-se. Observe como se representa a reação de ionização do
ácido sulfúrico (H

2SO

4):

H

2SO

4(l) H

2O

(l)

2 H

3O+

(aq) + SO2
4

-
(aq)

ácido sulfúrico

cátion hidrônioânion sulfato

A Química de Todo Dia45

Química

Que tal você realizar um experimento para observar a condutividade da corrente elétrica em solu-

ções aquosas, como Arrhenius pesquisou?

Para isso você precisa construir o aparelho de condutividade elétrica esquematizado abaixo.

Esquema do aparelho de condutividade elétrica

Foto: Icone Audiovisual

E o professor deverá preparar as seguintes soluções a serem testadas:

a) 0,9mL de HC para 10mL de água;

b) 0,6mL ácido acético para 10mL de água;

c) 0,7mL de NH

4OH para 10mL de água;

d) 0,4g de NaOH para 10mL de água;

e) água destilada;

f) sal de cozinha (cloreto de sódio).

Coloque 10m de cada solução em béquer separadamente e etiquete para identifcação.

Coloque em um béquer seco um pouco de cloreto de sódio. Coloque em outro béquer água (se

possível destilada) para usar na limpeza dos pólos (pontas dos fos desencapadas) do aparelho.

Observe o esquema:

A

B

C

D

E

F

Coloque os pólos do aparelho no béquer com cloreto de sódio. Observe a intensidade luminosa.

Anote. Limpe os pólos do aparelho de condutividade e teste a água destilada. Observe. Anote. Limpe

os pólos do aparelho de condutividade e teste as demais soluções. Anote.

ATIVIDADE

Matéria e sua Natureza

46

Ensino Médio

A teoria de Arrhenius era tão revolucionária para o pensamento da
época, que seus professores concederam-lhe o título de doutor com a
qualifcação mais baixa possível, sem reprová-lo. Porém, com sua per-
sistência e como sua teoria “sobre a dissociação das substâncias nas
soluções aquosas” conseguia explicar muitos fenômenos conhecidos
da época e lentamente ganhou aceitação na comunidade científca. E,
em 1903, Arrhenius ganhou o Prêmio Nobel de Química pela Teoria
da Dissociação Iônica.

Embora o conceito de Arrhenius para ácidos e bases tenha sido im-
portante, ele tem limitações. Pois, para Arrhenius, as substâncias se com-
portam como ácido ou base apenas quando estão dissolvidas em água.
E, ainda, segundo Arrhenius, as substâncias se comportam como ácido
se apresentarem o íon hidrogênio, H+

(aq), ou se comportam como base se

apresentarem o íon hidróxido, OH-

(aq) em sua composição.

Assim, o conceito de ácido e base, segundo Arrhenius, não se apli-
ca à reação entre o HCl

(g) e a amônia NH

3(g), pois não estão em solução

aquosa e a amônia não apresenta o íon OH-

. Observe a reação:

HCl

(g) + NH

3(g)

NH

4Cl

(s) .

Porém, quando HCl

(g) reage com NH

3(g), ocorre a formação de uma
névoa branca que é o cloreto de amônio, um sólido iônico chamado
de sal.

O que é necessário para que a lâmpada acen-

da? Qual a diferença entre as substâncias que

conduzem eletricidade e as que não conduzem?

Qual a sua conclusão sobre a condutividade elé-

trica em soluções aquosas?

Agora, preencha a tabela com as observações.

Substância

Lâmpada 2,5 W

Cloreto de sódio

Água

HCI

Ácido acético

NaOH

NH

4OH

A Química de Todo Dia47

Química

Veja como isso ocorre: coloque com uma pinça um chumaço de
algodão embebido em ácido clorídrico (HCl) concentrado em um tu-
bo de ensaio (feche o tubo com rolha). Coloque com uma pinça um
chumaço de algodão embebido em amônia NH

3 (hidróxido de amônio
concentrado) em outro tubo de ensaio. Retire a tampa do primeiro tu-
bo e aproxime a boca dos tubos de ensaio.

Em 1923, Johanes Nicolaus Brönsted, trabalhando em Copenha-
gue (Dinamarca), e Thomas Martin Lowry, trabalhando em Cambrid-
ge (Inglaterra), apesar de pesquisarem de forma independente, pro-
puseram outra defnição mais geral para ácidos e bases, conhecida
como Teoria Protônica.

Observe a reação do ácido clorídrio HCl

(aq.) com a água H

2O

(l.):

O HCl

(aq.) age como ácido ao doar um próton H+

para a água H

2O

(l).

A água H

2O

(l) age como base ao receber o próton do HCl

(aq).

Observe, também, a reação entre a amônia NH

3(g) e a água H

2O

(l):

Afnal, você já sabe como dominar o

fogo do “dragão”? Ou será que esse

“dragão” vai te dominar?

HCl

(aq) + H

2O

(l)

H

3O+

(aq) + Cl-

(aq)

ácido 1

base 1

cátion
hidrônio

ânion
cloreto

doa prótonH+

H

2O

(l) + NH

3(g)

NH

4

+
(aq) + OH-

(aq)

ácido 1

base 1

cátion
amônio

ânion
hidróxido

doa prótonH+

Matéria e sua Natureza

48

Ensino Médio

Nessa reação a água age como ácido ao doar um próton H+

para a

amônia NH

3(g). E a amônia age como base ao receber o próton.

Uma substância pode agir como ácido em uma reação e, em outra
reação, agir como base dependendo da espécie química (íon ou molé-
cula) que estiver reagindo com ela.

Veja, agora, a reação entre a amônia NH

3(g) e a água, no sentido

contrário:

Nesta reação, o cátion amônio NH

4

+

(aq.) age como ácido ao doar um

próton para o OH-

(aq.). O hidróxido OH-

(aq.) age como base ao receber o

próton do NH

4

+

(aq.). Você pôde observar que, sempre que um ácido de
Brönsted-Lowry doa um próton, forma uma base. E sempre que uma
base de Brönsted-Lowry recebe um próton, forma um ácido.

Portanto, sempre que um ácido reage com uma base forma-se o
ácido e a base correspondentes que são chamados de par conjugado.

Assim, na reação entre a amônia NH

3(g) e a água H

2O

(l) temos:

Você percebeu que na teoria de

Brönsted-Lowry as substâncias são

classifcadas como ácido ou base

dependendo com quem estão?

NH

4

+

(aq) + OH-

(aq)

H

2O

(l) + NH

3(g)

ácido

base

doa prótonH+

H

2O

(l) + NH

3(g)

NH

4

+
(aq) + OH-

(aq)

ácido 1

base 2

doa prótonH+

ácido 2

base 1

doa prótonH+

pares ácido-base conjugados

A Química de Todo Dia49

Química

Você observou que numa reação entre um ácido e uma base ocorre
uma transferência de prótons de Brönsted-Lowry?

Alguns exemplos de ácido segundo Bronsted-Lowry são: HCl, H

3O+

,

NH

4

+

, HSO

4

-

e H

3CCOOH. Alguns exemplos de base segundo Bronsted-

Lowry são: OH-

, H

3CCOO-

, NH

3 e H

2O.

A teoria de Brönsted-Lowry estende o conceito de ácido e base para
outras substâncias além daquelas que apresentam H+

e OH-

, porém
ainda depende da presença de um solvente (água, álcool, éter, etc.).
Também depende da troca de prótons H+

, ou seja, depende da presença

de hidrogênio.

Ainda em 1923, um cientista americano, Gilbert Newton Lewis
propôs uma teoria mais ampla (independente de Brönsted-Lowry): a
Teoria Eletrônica de Lewis.

Observe o exemplo da reação química entre a amônia (NH

3) e o

trifuoreto de bório (BF

3) onde aparecem os elétrons de valência (últi-

ma camada):

A molécula de amônia ao doar um par de elétrons age como base
de Lewis. A molécula de BF

3 ao receber um par de elétrons age como

ácido de Lewis.

Segundo a teoria de Lewis, a reação entre um ácido e uma base
sempre dá origem a uma ligação covalente através da doação de um
par de elétrons de valência (última camada) não compartilhado a ou-
tra espécie química (íon ou molécula).

Alguns exemplos de ácido segundo Lewis são: BCl

3, H+

, SO

3, AlCl

3 e

SO

2. Alguns exemplos de base segundo Lewis são: :NH

3, :OH

2, :CN-

, :OH-

e :F-

(onde (:) representa o par de elétrons que podem ser doados).

Afnal, qual é o comportamento de

uma substância que age como ácido

ou base de Brönsted-Lowry?

H N

o N doa um
par de elétrons

H

B F

F

F

+

H

o B aceita um
par de elétrons

H

3N

B F

F

F

molécula com
ligação covalente

Matéria e sua Natureza

50

Ensino Médio

Eletronegatividade é
a tendência que um áto-
mo tem de atrair elétrons
para si.

Será que poderíamos substituir o limão ou o vinagre por ácido clorí-
drico para temperar uma salada?

O ácido cítrico do limão e o ácido acético do vinagre são ácidos
mais fracos que o ácido clorídrico, por isso podemos usá-los como
temperos.

Elabore uma pesquisa sobre o tema: “intoxicação causada por produtos domésticos”. Depois expo-

nha para os colegas por meio de cartazes, fotos, faixas, etc., os cuidados necessários para evitar es-

se tipo de intoxicação.

ATIVIDADE

Segundo a teoria de Lewis, a força de um ácido está diretamente
ligada a eletronegatividade dos elementos.

Vamos comparar a amônia (NH

3) e a água (H

2O). A eletronegativi-
dade do nitrogênio é menor que a do oxigênio (consulte a tabela peri-
ódica). Por isso o nitrogênio tem mais facilidade para receber o par de
elétrons que o oxigênio. Portanto, a amônia (NH

3) tem comportamen-

to mais básico que a água (H

2O).

E aí, você já sabe como dominar o

“dragão” em seu estômago? Não! Então,

vamos conhecer ainda mais sobre ácido-

base que com certeza você encontrará

uma maneira de dominar esse “dragãooo”!

A teoria de Lewis é mais ampla, pois não depende de meio aquo-
so ou outro solvente. Ela abrange a teoria de Arrhenius e de Brönsted-
Lowry. A teoria de Arrhenius depende do meio aquoso e da presença
de íons H+

no ácido e íons OH-

na base. A teoria de Brönsted-Lowry
abrange substâncias que não se encontram em meio aquoso, mas ain-
da depende da presença de prótons H+
.

Portanto, cada uma das teorias que procuram explicar o comporta-
mento ácido e básico das substâncias tem seu valor, pois cada uma é
adequada à determinada situação.

A Química de Todo Dia51

Química

Segundo Brönsted-Lowry um ácido é forte quando doa com faci-
lidade prótons. Uma base é forte quando recebe com facilidade pró-
tons. Assim podemos determinar a força de ácidos ou de bases testan-
do a capacidade destes em transferir prótons para a água. A força será
medida pela constante de dissociação do ácido (K

a) ou pela constante

de dissociação da base (K

b).

Para auxiliá-lo nessa questão, realize o experimento: coloque em um béquer (ou erlenmeyer) 30mL

de água e acrescente 2mL de vinagre. Adicione 10 gotas de fenolftaleína e vá acrescentando, gota a

gota, agitando sempre, leite de magnésia (hidróxido de magnésio) até obter mudança de cor.

Qual a cor da fenolftaleína no vinagre? Qual a cor obtida após adição do leite de magnésia? Por que

ocorreu mudança de cor?

ATIVIDADE

O que acontece quan-

do um ácido e uma ba-

se estão juntos?

Segundo a teoria de Arrhenius, quando misturamos soluções aquo-
sas de um ácido com uma base em quantidades equivalentes (exata-
mente sufciente) ocorre uma reação chamada de neutralização. Os
íons H+

(aq.) do ácido e os íons OH-

(aq.) da base formam água. Os outros
íons presentes na solução formam, após a evaporação da água, um
composto iônico chamado de sal.

Veja a reação do ácido clorídrico (HCl-1mol/L) com o hidróxido de
sódio (NaOH-1mol/L):

H+

(aq) + Cl-

(aq) + Na+

(aq) + OH-

(aq) H

2O

(l) + Na+

(aq) + Cl-

(aq)

Somente após a evaporação da água, o cátion Na+

(aq) e o ânion Cl-

(aq),
formam um sólido iônico chamado de sal, com o nome de cloreto de
sódio (NaCl).

Segundo a teoria de Arrhenius, quando misturamos solução aquo-
sa de um ácido forte (HCl, HBr, HI, HNO

3) em solução aquosa de uma

base forte (NaOH, KOH, RbOH, Ba(OH)

2), a reação será sempre uma

neutralização de íons H+

(aq) do ácido pelos íons OH-

(aq) da base, por-
que, tanto o ácido, quanto a base, estão fortemente dissociados (sepa-
rados em íons).

Matéria e sua Natureza

52

Ensino Médio

Segundo a teoria de Arrhenius, o hidróxido de alumínio Al(OH)

3 age como uma substância bá-
sica. Como o químico Lewis consideraria o comportamento dessa substância na reação química

Al(OH)

3(s)+ OH–

(aq) Al (OH)

3(s) + OH–

[Al(OH)

4]-

? E Brönsted-Lowry considerariam o mesmo com-

portamento que Lewis para essa substância?

ATIVIDADE

Há várias situações do cotidiano onde as palavras ácido, base e sal
são utilizadas. Por exemplo, um agricultor convive com essas palavras
diariamente, pois na produção de alimentos, o solo, após vários plan-
tios e colheitas, precisa de uma reposição de nutrientes (substâncias
químicas que as plantas necessitam para o desenvolvimento, como: ni-
trogênio, fósforo, potássio, ferro, cálcio, etc.).

Porém, não podemos generalizar: “ácido reage com base resultan-
do sal e água”. Quando reagimos um ácido fraco (HCN) com uma ba-
se forte (NaOH), a maioria das moléculas do HCN não está dissociada
em íons H+

(aq) e CN-

(aq). Está como HCN

(aq), ou seja, não dissociado.

Assim, teremos a reação representada por:

HCN

(aq) + NaOH

(aq) H

2O

(aq) + Na+

(aq) + CN-

(aq) + HCN

(aq)

(observe que não há formação de sal).

Você sabia que: apenas 10% do tratamento para azia

precisa de medicamentos e os outros 90% consiste em

mudança nos hábitos alimentares; os remédios usados no

tratamento estimulam a contração estomacal fazendo com

que os alimentos “saiam” mais rápido do estômago evitan-

do a azia; os populares antiácidos produzem apenas um alí-

vio temporário em vez de tratar a causa do problema.

Rocha

Solos jovens

Solo maduro

rocha

camada rica
em húmus

A Química de Todo Dia53

Química

Os agricultores sabem que a acidez e alcalinidade (basicidade) dos
solos são fatores importantes para o desenvolvimento das plantas. A
acidez ou alcalinidade do solo depende de sua composição. O solo
se forma como resultado da fragmentação de rochas, através da ação
exercida pelo clima como chuva e vento e, pelos microorganismos.
Dependendo desses fatores formam-se solos com características mais
férteis e mais pobres em nutrientes. Por exemplo, solos arenosos re-
tém pouca água e secam facilmente, são os solos encontrados em al-
gumas áreas do litoral do Paraná (Paranaguá, Antonina). Solos argilo-
sos retém muita água, como alguns dos solos do cerrado brasileiro. Há
também os solos escuros que são ricos em nutrientes; um exemplo é o
tchernozion encontrado na Polônia. Solos orgânicos são de alta fertili-
dade, um exemplo é a terra roxa, solo encontrado em algumas regiões
de São Paulo e norte do Paraná. De origem vulcânica, a terra roxa foi
o solo que propiciou a expansão da cultura do café no Paraná.

O Brasil, por constituir um território onde predomina o clima tropical,
com chuvas e temperaturas altas o ano inteiro, possui solos mais ácidos.
Para corrigir a acidez do solo usa-se um processo denominado de cala-
gem. O agricultor aplica o calcário em solo úmido. O calcário (CaCO

3 )se
incorpora ao solo e pela ação da água da chuva produz hidróxido de cál-
cio , Ca(OH)

2 , que vai neutralizar a acidez do solo. Cada planta precisa
de um tipo de solo, ácido ou alcalino, para se desenvolver melhor.

No jardim, também há a necessidade de conhecermos a acidez do
solo, pois várias fores como, dálias e hortênsias, mudam de cor de
acordo com acidez. As hortênsias são azuis em solo ácido, lilases em
solo levemente ácido a neutro e rosas em solo alcalino.

A chamada água sanitária é uma solução diluída de hipoclorito de sódio (NaClO). Ela é usada como

germicida, alvejante, etc. Realize o experimento a seguir para identifcar como essa substância age. Co-

loque em um copo um pouco de refrigerante (sabor uva, laranja ou guaraná, etc.). Adicione uma colher

(sopa) de água sanitária (hipoclorito de sódio). Mexa e observe. Analise o experimento e explique-o sob

o ponto de vista do comportamento de substâncias ácidas ou básicas. O que acontece com o refrige-

rante? A que se deve a cor desses refrigerantes?

ATIVIDADE

Como já vimos, usamos a palavra ácido para indicar o sabor azedo
de algumas frutas, como: laranja, abacaxi, morango. Há outras frutas,
como: caju, banana e caqui verdes que “amarram” a boca porque têm
características adstringentes (básicas). Assim, nós empregamos as pala-
vras ácido e base relacionadas ao nosso paladar.

Para saber mais: www.cnpab.embrapa.br

Foto: Icone Audiovisual

Fotos: acervo pessoal da autora

Matéria e sua Natureza

54

Ensino Médio

A mucosa que recobre a língua possui pequenos órgãos (às
vezes em forma de cogumelos avermelhados), volumosos e
ásperos, chamados papilas gustativas, que nos permitem apre-
ciar o sabor dos alimentos que ingerimos. Quando colocamos
uma comida na boca e mastigamos, espalhamos suas molécu-
las na saliva. As papilas gustativas capturam os diferentes gos-
tos e mandam essas sensações para o cérebro, via uma rede de
neurônios. Só podemos perceber quatro sabores: o amargo, o
doce, o ácido e o salgado. Cada parte da língua é responsável
por sentir um gosto. O amargo como o café sem açúcar é sen-
tido na base (fundo) da língua; o doce na ponta, o ácido na
ponta e nas bordas; e o salgado em toda a superfície. Alguns
sabores de alimentos, como o sabor de peixe, alho, vinho, etc.,
são considerados complexos, resultado da união das sensações
gustativas com as olfativas. Por isso a comida nos parece insí-
pida (sem gosto) quando estamos resfriados.

Para saber mais: http://boasaude.uol.com.br

Grandes empresas multinacionais estão trabalhando em parceria
com uma empresa de biotecnologia para desenvolver substâncias
químicas que enganem as papilas gustativas, fazendo-as sentir o sa-
bor de açúcar ou sal, mesmo quando eles não estão lá. Com isso, os
fabricantes podem, por exemplo, reduzir pela metade o teor de açú-
car numa bolacha ou de sal numa sopa, conservando o sabor doce
ou salgado original.

Será que suas papilas seriam enganadas?

Para saber mais:

www.anvisa.gov.br/alimentos/

www.biotecnologia.com.br

www.geomagna.com.br

Foto: Icone Audiovisual

Você sabe o que são papilas gus-

tativas e por que algumas empre-

sas estão tentando enganá-las?

A Química de Todo Dia55

Química

Obras Consultadas

MAHAN, B.H. MYERS, R. J. Química um curso universitário. Tradução

de: Koiti Araki, Denise de Oliveira Silva e Flavio Massao Matsumoto. São

Paulo: Edgard Blücher Ltda, 1972.

O’CONNOR, R. Fundamentos de Química. Tradução de: Elia Tfouni. São

Paulo: Harper&Row do Brasil, 1977.

RUSSELL, J.B. Química Geral. Tradução e revisão técnica de: Márcia

Guekesian et al. 2. ed. São Paulo: Pearson Makron Books, 1994.

GRAHAM SOLOMONS, T. W. Química Orgânica. Tradução de: Robson

Mendes Matos. Rio de janeiro: LTC, 2005.

Documentos Consultados ONLINE

MATOS, R.M....[ et al.] Fungos e micorrízicos e nutrição de plantas. Embrapa
Agrobiologia
. Rio de Janeiro:Seropédica, 1999. Disponível em:

www.cnap.embrap.br. Acesso em: 07 set. 2005.

QMCWEB.ORG. Florianópolis: UFSC, ano 5, 2000. Disponível em: http://

qurak.qmc.ufsc.br/qmcweb/index.html. Acesso em: 11 ago. 2005.

ANOTAÇÕES

Matéria e sua Natureza

56

Ensino Médio

Ilustração: Icone Audiovisual / Antonio Eder

Ligue e Fique Ligado57

Química

4

LIGUE E
FIQUE LIGADO

Maria Bernadete P. Buzatto1

s átomos fazem rapel?

Quais são as âncoras desse

“rapel”?

Como os átomos se “amarram”?

1

Colégio Estadual Unidade Polo - Maringá - PR

Matéria e sua Natureza

58

Ensino Médio

Para começar vamos observar as características de alguns materiais: sal de cozinha, açúcar, palha

de aço, água e plástico.

Antes copie e complete a tabela com as observações.

O rapel consiste no uso de uma série de procedimentos e equi-
pamentos visando uma transformação gradativa de energia potencial
(energia armazenada) do nosso organismo em energia cinética (ener-
gia relacionada com movimento), de maneira controlada, na passagem
vertical do ser humano entre duas alturas diferentes como o pico de
uma montanha e a sua base no solo. Em outras palavras, são técnicas
de descida vertical em corda.

A prática do rapel só é possível, de forma segura, a partir da anco-
ragem e amarração, além de seguir alguns critérios e obedecer às ins-
truções de uma pessoa experiente.

Os átomos também praticam “esporte” semelhante, participando de
vários fenômenos, mudam suas posições, seus vizinhos combinam-se,
até chegarem em uma situação mais favorável, isto é mais estável, me-
nos energética, um composto químico.

Venha! Vamos participar e ver

como funciona o “Rapel”.

Tabela 01 - Resultado obtido dos experimentos.

MaterialEstado Físico
25o

C (ambiente)

Solúvel / Insolúvel

(água)

Queima na chama

GLP / Muda o Estado

Físico ou a cor

Conduz Corrente

Elétrica / Não

Conduz

ATIVIDADE

É preciso conhecer os critérios e obedecer algumas instru-
ções, para que possamos seguir com segurança, conquistan-
do gradativamente o conhecimento desejado.

Ligue e Fique Ligado59

Química

Escreva na primeira coluna o estado físico de cada material e a cor.

Faça com papel alumínio cinco recipientes, levan-

tando as laterais do papel, deixando – o no forma-

to de um pequeno copo, um para cada substân-

cia. Numere os recipientes e anote o nome dos

respectivos materiais.

Em uma tampa metálica distribua de modo regular

os recipientes, a qual deverá conter uma porção

do material que será observado.

Leve para aquecer na chama do gás de cozinha,

deixando a chama no centro da tampa.

Observe os materiais durante o aquecimento e anote na tabela 01 a ordem que os materiais mudam

de estado físico e as transformações que ocorrem.

Coloque a mesma quantidade de água em cinco copos iguais e a mesma porção de material em

cada copo, mexa com uma colher, espere alguns minutos. Observe quais materiais se dissolveram

em água. Anote o resultado na tabela 01.

Em seguida, utilizando um aparelho que indica a passagem de corrente elétrica (veja o folhas “A

Química de todo dia”), coloque os eletrodos em contato com todos materiais do copo e verifque se

há passagem de corrente elétrica. Observe e anote na tabela 01.

Organize grupos com os materiais que apresentaram o mesmo comportamento para cada teste.

Relacionando estas questões ao rapel é preciso saber quais são as
âncoras e as amarrações necessárias dos átomos para encontrar a sua
forma mais estável.

As forças atrativas (ligações químicas) que atuam entre os átomos
são responsáveis pela formação de moléculas, agrupamentos de áto-
mos ou sólidos iônicos, os quais resultam do novo rearranjo de seus
elétrons de valência.

Como os átomos se arranjam

para formar as moléculas?

Quais são as forças que mantém

os átomos unidos?

Foto: Icone Audiovisual

Matéria e sua Natureza

60

Ensino Médio

Potencial de ionização:
Energia requerida para tirar
um elétron do átomo.

Afnidade Eletrônica:
Energia liberada quando um
átomo recebe um elétron.

Fonte:Russel, 1994, 187-191

Conseqüentemente, as forças que atuam entre os átomos estão rela-
cionadas com duas propriedades periódicas, (signifca que se repetem
regularmente): o potencial de ionização e afnidade eletrônica, e de-
pendem da organização dos elétrons dos átomos na nova substância.

Metal

Metal+

+ e–

(perde elétron formando um íon positivo ao receber energia.)

Ametal + e–

Ametal (ganha elétron formando um íon negativo liberando energia.)

Tabela 02 – Afnidade eletrônica (AE) e potencial de ionização (PI) de elementos

do nosso dia-a-dia (Dados em K J. mol-1
)

Elementos

Na

Fe

Al

Cu

Ag

Au

F

Ne

AE (libera energia;
ganha elétron)

53

16

43

118

126

223

328

-29

PI (recebe energia;
perde elétron)

494

759

577

785

731

890

1681

2080

Na tabela 02 você vai conhecer a quantidade de energia que os áto-
mos relacionados precisam para conseguir ganhar e perder elétrons.

Quando um átomo tem um valor alto de energia de ionização signi-
fca que é preciso receber uma grande quantidade de energia para reti-
rar um elétron da sua última camada, portanto difcilmente ele irá per-
der seus elétrons e sua afnidade por elétrons será baixa.

Consequentemente há formação de íons positivos (cátions) e íons
negativos (ânions) que se ligam devido às forças de atração de cargas
opostas originando um novo composto.

Qual dos átomos da tabela 02

apresenta mais difculdade em

perder ou receber elétrons?

Ligue e Fique Ligado61

Química

Você já conseguiu identifcar uma das âncoras
e/ou uma das amarrações dos átomos para que
eles fquem mais estáveis?

Um átomo se une com outro formando um novo composto se a no-
va organização entre os núcleos de seus átomos e seus elétrons tiver me-
nos energia que a energia total dos átomos separados.

Quando a energia mais baixa for obtida por transferência de um ou
mais elétrons de um átomo para outro, o composto é mantido pela atra-
ção entre os íons e essa atração é chamada de força eletrostática ou li-
gação iônica.

Se o composto conseguir baixa energia compartilhando elétrons, isto
é o elétron pode ser usado por dois átomos ao mesmo tempo formando
pares de elétrons, os átomos vão se unir por meio de forças mais fracas,
ligações covalentes formando compostos moleculares.

As novas ligações formadas apresentam menos energia do que a or-
ganização anterior, conforme as mudanças na posição dos elétrons de
valência (elétrons da última camada) dos átomos.

Conhecendo a família e o período que o átomo está localizado na
tabela periódica dos elementos químicos é possível prever o tipo e a
quantidade de ligações que um átomo pode formar. Isto possibilita pre-
ver as fórmulas dos novos compostos e explicar algumas de suas pro-
priedades como, por exemplo, a condutividade elétrica.

Vamos analisar os resultados da condutividade elétrica das substân-
cias que você testou? Observe que a palha de aço, aquela usada para
limpar as panelas, se encontra no estado sólido na temperatura ambien-
te e conduz eletricidade.

Por outro lado, o sal de cozinha também é um sólido, não conduz cor-
rente elétrica, mas em solução aquosa tem alta condutividade elétrica.

Outras substâncias sólidas como o açúcar e o plástico não conduzem

corrente elétrica.

Além disso, a passagem de corrente elétrica por meio
do sal dissolvido provoca alterações na estrutura da
matéria, isto é uma reação química da substância, e
no metal apenas ocorre um aquecimento.

Imagine o que leva essas substâncias

a ter comportamento diferente?

São as âncoras ou as amarrações?

Matéria e sua Natureza

62

Ensino Médio

Vamos procurar a resposta, examinando algumas propriedades das
substâncias, como as do sal de cozinha (NaCl).

Considerando a formação do sal de cozinha por meio de três eta-
pas, as quais não ocorrem na natureza pois as etapas acontecem ao
mesmo tempo, os experimentos mostram que:

1. Um mol de átomos de sódio para se transformar em um mol de
íons sódio +1 (Na+

) precisa de 494 KJ/mol de energia para perder

um mol de elétrons.

2. Um mol de átomos de cloro para se transformar em um mol de
íons cloreto –1 (Cl¯) precisa de 349 KJ/mol de energia para rece-
ber um mol de elétrons.

Nesta etapa a quantidade de energia que um mol de átomos de só-
dio precisa é maior do que a quantidade de energia que um mol de
átomos de cloro libera, portanto temos uma diferença (494 – 349 =
+ 145 KJ/mol) de + 145 KJ/mol.

Observe que para formar os íons cloreto a energia liberada não é
sufciente para formar os íons de sódio. Com esta defciência de
energia não é possível a formação do composto NaCl.

3. Nesta etapa a força de atração eletrostática (coulômbicas) entre os
íons de cargas opostas fazem esses íons se aproximar para formar
um sólido, liberando uma grande quantidade de energia (o valor
medido experimentalmente é de cerca de 787 KJ/mol).

Ocorreu uma mudança de energia na última etapa, pois a energia
passou de + 145 KJ/mol para 787 KJ/mol, a defcit de energia foi com-
pensada com a liberação de uma grande quantidade de energia.

No balanceamento fnal (145 – 787= – 642 KJ/ mol), ocorreu uma
grande diminuição de energia. Sendo assim, o sólido formado pelos
íons Na+

e íons Cl¯ tem energia menor que o gás de Na e Cl.

Quanto mais energia é necessária para for-
mar íons, menor será a energia de atração entre
os íons, menor estabilidade.

ATENÇÃO

mol = quantidade
de matéria

1Kcal = 1000 cal

1 cal= 4,186 J

1 KJ = 1000 J

1 Kcal = 4.186 J

Estas propriedades das substâncias, como por exemplo, altos
pontos de fusão, fragilidade, condutividade elétrica quando se
encontra em solução (líquido) podem ser explicadas a partir da
forte atração entre os íons.

Devemos considerar que um íon liga-se a todos os seus vizi-
nhos pelas atrações de cargas opostas formando um sólido orga-
nizado, como o da fgura 1.

Lembra das propriedades das

substâncias que você testou

e registrou na tabela 01?

íon negativo

íon positivo

Figura 1

Ligue e Fique Ligado63

Química

Não pare! Atenção, ligue e fque ligado.

Como montar as fórmulas de alguns compostos a partir destas
“amarrações” e “ancoragens”?

Existe uma regra útil para montar a maioria das fórmulas das
substâncias, que é conhecida como regra do octeto.

Este nome se deve ao fato do átomo fcar com 8 elétrons na camada
de valência (última camada) ao perder, receber ou compartilhar um ou
mais elétrons, fcando semelhante a um gás nobre.

Os íons formados não perdem mais seus elétrons internos e nem
ganham mais elétrons, porque precisam de uma grande quantidade de
energia, pois diminui o tamanho do átomo e os elétrons mais externos
fcam fortemente atraídos pelo núcleo do átomo.

Usando a regra do octeto dois átomos, um metal (Na) e outro ametal
(Cl), reagem entre si para formar um novo composto.

O átomo do metal (Na) perde todos os elétrons da última camada
(camada de valência), formando íons Na+

(cátions), e o não-metal (Cl)
recebe elétrons sufcientes para completar sua última camada, formando
íons Cl¯ (ânions).

Igualando a quantidade de cargas positivas (cátions) e cargas negativas
(ânions) encontramos a fórmula química (NaCl) para o composto.

Os átomos se unem pela atração entre os íons de cargas opostas.
Você se lembra de que para se manterem unidos eles precisam de uma
certa quantidade de energia?

Discuta com um colega por que os sólidos

se quebram diante de uma batida (golpe)?

Você já sabe quais são as âncoras e
as amarrações do “rapel químico” que
deixam os átomos mais estáveis!

1
(s1
)

18
(p6)

H

2
(s²)

13
(p¹)

14
(p²)

15
(p³)

16
(p4 )

17
(p5 )He

Li

Be

B

C

N

O

F

Ne

NaMg

3
(d1
)

4
(d2
)

5
(d3
)

6
(d4
)

7
(d5
)

8
(d6
)

9
(d7
)

10
(d8
)

11
(d9
)

12
(d10

)Al

Si

P

S

Cl

Ar

K

Ca

Sc

Ti

V

CrMn

Fe

Co

NiCu

Zn

GaGe

As

Se

Br

Kr

Rb

Sr

Y

ZrNb

Mo

Tc

Ru

Rh

Pd

Ag

Cd

In

Sn

Sb

Te

I

Xe

Cs

BaLa(f)Hf

Ta

W

Re

Os

Ir

Pt

Au

Hg

TlPb

BiPo

At

Rn

Fr

RaAc(f)RfDb

Sg

Bh

Hs

MtUunUuuUub

-Uuq

-

Uuh

-

Uuo

Perde elétron com mais facilidade

Propriedade periódica: Afinidade eletrônica Fig. 2

Perde elétron com mais facilidade

Matéria e sua Natureza

64

Ensino Médio

A tabela periódica fgura 2 mostra os átomos que terminam nos

subniveis s, p e d.

Os átomos que terminam com os subníveis s e p perdem somente
seus elétrons de valência (últimos elétrons).

Já nos átomos que terminam com os subníveis d, os primeiros elé-
trons perdidos são do subnível s, seguido de uma certa quantidade de
elétrons do subnivel d para resultar nos respectivos cátions.

Os elementos químicos não-metais (carbono, nitrogênio, fósforo,
oxigênio, enxofre, selênio, fúor, cloro, bromo, iodo, astato) geralmente
não perdem elétrons, porque é preciso fornecer grande quantidade de
energia para ser retirado um de seus elétrons, mas podem ganhar elé-
trons em quantidade sufciente de modo que sua última camada fque
com oito elétrons (regra do octeto), liberando energia, se tornando mais
estável.

O recebimento de uma maior quantidade de energia não é possí-
vel porque os elétrons vão se localizar em uma região (camada ou ní-
vel) de energia mais alta.

Como se unem os átomos não-metálicos?

Os átomos não-metálicos têm a mesma tendência, isto signifca
que difcilmente liberam seus elétrons da última camada. Geralmen-
te recebem elétrons, portanto não formam íons positivos para man-
ter os átomos unidos.

Mas existe uma força repulsiva entre as cargas negativas dos elé-
trons dos átomos e as cargas positivas dos dois núcleos de cada áto-
mo, que os afastam quando eles estão muito próximos.

É uma força de atração entre os núcleos de cada átomo (prótons-
cargas positivas) e os elétrons (carga negativa) de cada átomo que os
mantém unidos.

Quando as forças atrativas e repulsivas se igualam os elétrons são
igualmente compartilhados formando um, dois ou três pares de elé-
trons entre dois átomos.

Esta força de atração que mantém os átomos não - metálicos uni-
dos é conhecida como ligação covalente.

Você percebe como se dão

essas amarrações e onde os

átomos se ligam?

Ligue e Fique Ligado65

Química

Convide um amigo, pegue um pedaço de corda e combine quem vai movimentar a mão para baixo

e para cima, várias vezes, enquanto o outro segura frme a outra ponta da corda. Observe o movimen-

to e a ponta da corda.

A perturbação que você provocou se deslocou sobre uma linha, portanto deslocamento unidimen-

sional, isto é, se propagou em uma reta.

Agora com a mesma corda, cada um segurando em uma ponta, combine quem vai movimentar a mão

para cima vária vezes, enquanto que o outro movimenta para baixo, para provocar duas perturbações.

Não esquecendo que uma fórmula, um desenho, uma fgura representa uma realidade, e isso nos

ajuda a explicá-la.

Qual desenho representa cada movimento que você produziu com a corda?

Como toda regra pode ter exceções, com a regra do octeto
não é diferente, e portanto, existem compostos químicos cuja
formação não pode ser explicada por essa regra.

ATIVIDADE

A ligação covalente é um outro tipo de amarração e/ou

âncora do rapel dos átomos!

Podemos usar a regra do octeto para todos os átomos?

Duas ondas

Ventre

Duas ondas em sentidos contrários

Uma onda em uma linha

Crista

Vale

Matéria e sua Natureza

66

Ensino Médio

As duas perturbações são ondas mecânicas (precisam de um meio
material para se propagar) que ao se deslocar na mesma linha em sen-
tido contrário, se encontram e uma sobrepõe a outra, ocorrendo a su-
perposição entre elas.

As ondas sobem e descem, se movimentam, mas a corda não se
desloca. É o que se observa com qualquer objeto nas águas do mar, a
onda passa por ele sem retirá-lo do lugar.

Um elétron em um átomo se comporta de maneira semelhante a
esta corda, descreve movimento ondulatório transformando a energia
potencial (armazenada) em energia cinética (movimento), mas uma
onda eletromagnética (não é necessário um meio material) se propaga
no espaço, inclusive no vácuo e em várias direções.

Essas ondas também se sobrepõem, vibram num mesmo intervalo
de tempo em torno de um ponto de equilíbrio, com alturas (amplitude)
que variam, conforme a energia transportada.

O ponto onde as ondas se encontram é chamado de “nó” e a al-
tura máxima que alcançam, de “ventre”. Nas distâncias entre os nós
e os ventres, as ondas, vibram com amplitudes menores que o valor
máximo.

Em cada ponto ocorre transformação da energia potencial em energia
cinética e vice-versa, a energia se mantém, pois pelos nós não há passa-
gem de energia, semelhante às ondas que você provocou na corda.

Após a superposição as ondas continuam a caminhar como antes,
com as mesmas características.

Você percebeu que ao movimentar a sua mão apareceu uma onda
que se propagou ao longo da corda (onda mecânica). Essa onda preci-
sou da corda (meio) para se propagar; o mesmo acontece com a pro-
pagação do som que ocorre no ar.

Já as ondas provocadas pelos elétrons (ondas eletromagnéticas) se
propagam em qualquer meio (ar, água) e também no vácuo.

Qual a diferença entre as on-

das formadas na corda que

você movimentou e a onda

formada pelos elétrons?

Ligue e Fique Ligado67

Química

Para explicar como se dá uma ligação química é preciso
recorrer à química quântica, aquela que nos explica a energia
envolvida nos átomos e nas moléculas de uma substância.

As regiões onde se tem maior probabilidade para encontrar elé-
trons são conhecidas como “orbitais”.

Quando dois átomos compartilham elétrons, seus orbitais se combi-
nam formando um novo orbital, conhecido como orbital molecular.

Essa nova região (orbital molecular) alcança todos os átomos e os
elétrons da última camada da molécula.

Os elétrons são redistribuídos nestas novas regiões energéticas (or-
bitais moleculares) de modo que no máximo dois elétrons com movi-
mento contrário vão ocupar a mesma região.

Um elétron que está em um orbital molecular é atraído pelos dois
núcleos de cada átomo e possui uma energia cinética menor do que
quando está em um orbital atômico. Daí, a maior estabilidade da
molécula em relação aos átomos isolados.

ATENÇÃO

A palavra órbita nos leva a
pensar em “órbita” de um
elétron em volta do núcleo.

Sabe que os orbitais se comportam de maneira
semelhante à corda?

Dois orbitais atômicos são como ondas que têm
seu centro em núcleos diferentes, sendo assim os orbitais sobrepõem-se,
como as duas ondas que você fez com a corda.

Cada orbital pode ser representado por uma equação matemática (fun-
ção de onda) que descreve uma distribuição possível do elétron no espaço
e os valores das equações nos mostram a amplitude máxima da onda.

É a sua vez, compare o movi-

mento de onda com o rapel.

Qual a semelhança que existe

entre a onda formada e o rapel?

Lembra do movimento de

onda da corda?

Matéria e sua Natureza

68

Ensino Médio

Essa amplitude máxima quer dizer grande probabilidade de se en-
contrar elétrons nesta região.

Se um orbital sobrepõe o outro, em sentidos opostos, eles se can-
celam originando um nó entre os dois núcleos dos átomos, semelhan-
te àquele observado pelas duas ondas da corda no sentido contrário,
no qual não há probabilidade de se encontrar elétron.

As soluções das equações de onda explicam matematicamente a
estrutura, reatividade e propriedades dos compostos.

Os orbitais são outro tipo de ancoragem?
As amarrações se fazem utilizando o mesmo
princípio?

Nas moléculas que são formadas por átomos iguais, o par de elé-
trons é compartilhado entre os dois átomos e dizemos que a ligação é
não-polar ou apolar.

Entretanto as moléculas podem ser formadas por átomos diferentes
e neste caso não acontece o mesmo, pois seus núcleos e a quantida-
de de elétrons na última camada são diferentes.

A maior probabilidade de se encontrar o par de elétrons é no orbi-
tal do átomo que tem maior atração pelo par de elétrons, fcando este
átomo com uma carga parcialmente negativa, deixando o outro átomo
parcialmente positivo; esta ligação é considerada polar.

Os átomos que se “amarram”

para formar as moléculas são

iguais ou diferentes?

Sabia que são as ligações químicas

que mantém o bom funcionamento

do nosso organismo?

As moléculas de proteínas são forma-
das por uma seqüência de alfa aminoáci-
dos, compostos que apresentam o grupo
de átomos representado ao lado:

R C C

NH

2

H

O

O H

Ligue e Fique Ligado69

Química

Os aminoácidos são diferenciados conforme a substituição do gru-
po R por outros grupos de átomos.

A seqüência dos aminoácidos em uma proteína é responsável pelo
comportamento químico e físico-químico dessa substância.

As proteínas apresentam quatro tipos de estruturas as quais se for-
mam por causa das ligações químicas que ocorrem entre seus átomos
e moléculas.

A ligação covalente (ligação peptídica) entre o átomo de carbono
do grupo carbonila (–CO) de uma molécula de aminoácido com o áto-
mo de nitrogênio (N) do grupo (–NH

2) de outra molécula de aminoá-
cido é que mantém a estrutura primária das proteínas, a seqüência de
aminoácidos.

As estruturas secundária, terciária e quaternária são mantidas por
ligações iônicas (atração entre íons de carga oposta), de hidrogênio
(próton H+

é compartilhado com átomo de oxigênio ou de nitrogênio
que estão próximos) e força de Van der Waals (ligação entre as mo-
léculas a partir do deslocamento de seus elétrons), as quais garantem
que a proteína desempenhe efetivamente sua função.

As proteínas são substâncias que desempenham funções importantes
no nosso organismo.

Proteínas específcas como a hemoglobina, que ao passar pelos
pulmões, une-se ao oxigênio, tem a função de transportar para outras
regiões íons e moléculas liberando-os para participar de novos pro-
cessos metabólicos.

As enzimas são proteínas especializadas que atuam como catalisa-
dores em quase todas as reações químicas nos sistemas biológicos, au-
mentando a velocidade de reações.

Muitos hormônios são proteínas que ajudam a regular a atividade ce-
lular ou fsiológica. A insulina, por exemplo, é uma proteína que regula
o metabolismo dos açúcares e o hormônio de crescimento da hipófse.

Outras proteínas são responsáveis pela proteção ou resistência: as
estruturas biológicas, como por exemplo o colágeno presente na pele,
a fbroína encontrada na seda e na teia das aranhas.

Continue ligado. Sabe que o fo do seu cabelo é
formado principalmente por proteínas que contém
aminoácidos de cadeias longas e paralelas?

A queratina é uma proteína resistente encontrada nos cabelos, nas
unhas e nas penas. São as ligações entre átomos de enxofre (pontes
dissulfeto) que geralmente determinam se os fos do seu cabelo vão
ser lisos ou ondulados.

Matéria e sua Natureza

70

Ensino Médio

Procure na biblioteca da sua escola o livro Química na Cabeça, autor Alfredo Luis Mateus, Belo

Horizonte, 1ª ed.,ed. UFMG, 2001, p.92-93, o experimento “Cristais Invisíveis”, faça o experimento após

a leitura e discuta com um colega as observações, o resultado obtido, relacionando – o com as consi-

derações trazidas pelo texto em “O que acontece”.

ATIVIDADE

As estruturas eletrônicas fornecem muitas informações como, a geo-
metria da molécula, a energia, as propriedades, relacionadas com os ti-
pos de ligações químicas.

Consequentemente, a estabilidade das moléculas depende de sua
energia, a qual resulta do equilíbrio entre as forças atrativas entre elétrons
e núcleos e a força repulsiva entre os núcleos ou entre os elétrons.

Depois destas discussões você pode dizer que conhece como se dá
o “rapel dos átomos”.

Então responda: quais são as amarrações e
as ancoras necessárias para um átomo ou
molécula chegar seguro no final do rapel,
isto é se estabilizar?

Segure nas mãos algumas

ligações de hidrogênio.

Sendo a estrutura do cabelo de natureza protéica, a partir de um
aquecimento suave e úmido pode ser modifcada (desnaturada). Isto
signifca que o cabelo pode ser esticado até duas vezes mais o seu
comprimento, rompendo assim as ligações entre os átomos de enxofre,
fcando mais liso por algumas horas.

Ligue e Fique Ligado71

Química

Obras Consultadas

ALMEIDA, W. B.; SANTOS, H. F. Modelos Teóricos para a Compreensão da

Estrutura da Matéria - Caderno Temático de Química Nova na Escola,

São Paulo: n. 4, maio, 2001.

ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química: questionando a vida

moderna e o meio ambiente. Tradução de: Ignes Caracelli...[et al...], Porto

Alegre: Ed. Bookman, 2001.

CUSTÓDIO, R....[et. al...]. Quatro Alternativas Para Resolver A Equação de

Schrödinger para o Átomo de Hidrogênio. Química Nova, São Paulo, v.

25, n.1, p. 259-269, 2002.

DUARTE, H. A. Ligações Químicas: Ligação Iônica, Covalente e Metálica –
Caderno Temático de Química Nova na Escola, São Paulo, n. 4, p.

14-23, 2001.

KOTZ, J.C.; TREICHEL, P. Jr. Química e Reações Químicas. Tradução de:

José Alberto Portela e Oswaldo Esteves Barcia, v. 1, 4. ed. Rio de Janeiro:

Ed. LTC, 2002.

_____. Química e Reações Químicas. Tradução de: José Alberto Portela e

Oswaldo Esteves Barcia, v.2 4. ed, Rio de Janeiro: Ed. LTC, 2002.

LIMA,M. B.; LIMA-NETO, P. LIMA. Construção de Modelos de Estruturas

Moleculares em Aulas de Química. Química Nova. São Paulo, 22, n. 6,

p.903-905,1999.

MATEUS, A. L. Química na Cabeça. Belo Horizonte: Ed.UFMG, 2001.

MORGON, H. N. Computação em Química Teórica: Informações Técnicas.
Química Nova. São Paulo, v. 24 n. 05, p.676-681, 2001.

MORTIMER, E. F. MOL, G.; DOARTE, L. P. Regra do Octeto Ligação Química

no Ensino Médio: Dogma ou Ciência? Química Nova. São Paulo: nº 17, p

243-252,1994.

RUSSEL, J.B. Química Geral – trad. Márcia Guekezian...[et al...], 2. ed,

São Paulo: Makron Books, v. I, 1994.

SHRIVER D. F. ; ATKINS, P. W. Química Inorgânica. Tradução de: Maria

Aparecida Gomes, Porto Alegre: Ed. Bookman, 3. ed., 2003.

SUBRAMANIAN, N. et al. Tópicos em ligação química – II – Sobre o mérito

da regra do octeto. Química Nova. São Paulo, n. 12, p. 285-291,1990.

TOMA, H. E. Ligação Química: Abordagem Clássica ou Quântica? Química
Nova
. São Paulo, n. 6, p.10-12, novembro, 1997.

UCKO, D. Química para as Ciências da Saúde: Uma introdução a Química

Geral, Orgânica e Biológica. Tradução de: José Roberto Giglio. 2. ed. São

Paulo: Ed. Manole, 1992.

Matéria e sua Natureza

72

Ensino Médio

A Fórmula do Corpo Humano73

Química

5

A FÓRMULA DO
CORPO HUMANO

Miriam Goretti Stingelin Nepomoceno1

possível determinar a fórmula do

corpo humano?

1

Colégio Estadual Elias Abrahão - Curitiba - PR
Colégio Estadual Loureiro Fernandes - Curitiba - PR

Iodo

Fósforo

Magnésio

Zinco

Nitrogênio

Oxigênio

Cloro

Molibdênio

Selênio

Cobre

Potássio

Cálcio

Flúor

Estanho

Ferro

Boro

Silício

Sódio

Alumínio

Carbono

Enxofre

Manganês

Cromo

Cobalto

Hidrogênio

Vanádio

Matéria e sua Natureza

74

Ensino Médio

Do lado de fora, somos bastante diferentes no que se refere à cor
da pele e dos cabelos, à estrutura física, à altura. Internamente parece-
mos verdadeiros gêmeos. Se você pudesse embarcar numa micronave
e entrar no corpo humano, como no flme Viagem Insólita, o que vo-
cê veria? Centenas de ossos, quilômetros de veias e trilhões de células,
trabalhando em conjunto para pôr em funcionamento essa máquina.

A composição química do corpo humano é de vital importância
para o seu bom funcionamento. Muitas substâncias comuns que inge-
rimos como: água, sal, e alimentos como azeite de cozinha têm papel
essencial na manutenção das nossas vidas.

Nosso corpo é constituído de matéria, que é tudo que tem massa
(a quantidade de matéria que uma substância contém). A matéria po-
de existir como um sólido, líquido ou gás. Todas as formas de maté-
ria são compostas de um número limitado de unidades básicas chama-
das de elementos químicos, os quais não podem ser desdobrados em
substâncias mais simples. Por hora, a IUPAC (União Internacional de
Química Pura e Aplicada) reconhece 109 elementos químicos diferen-
tes. Os elementos químicos são designados abreviadamente por letras
chamadas de símbolos químicos.

Veja o que diz Eduardo Galeano em poema de seu livro Palavras

Andantes:

“A Janela sobre o corpo

A Igreja diz: O corpo é uma culpa.

A ciência diz: O corpo é uma máquina.

A publicidade diz: O corpo é um negócio.

O Corpo diz: Eu sou uma festa.”

O que é, então, o corpo humano? Quais são os ingredientes que
compõem este corpo que é defnido de formas tão diferentes?

Quimicamente falando, esta é a receita do corpo humano: selecio-
namos 26 elementos químicos da tabela periódica. Carregamos nas
porções de 4 desses elementos: oxigênio, nitrogênio, hidrogênio e car-
bono e adicionamos uma pitadinha dos 22 elementos químicos que
faltam. Assim é preparado o corpo humano, uma combinação metabó-
lica feita na medida certa. Mas, cuidado: se faltar algum item nessa re-
ceita, a mistura pode desandar.

Retomando a observação da fgura do casal da página anterior, no-
tamos que: 65% do nosso corpo é oxigênio. Se adicionamos carbono,
hidrogênio e nitrogênio, temos 96% da massa total do ser humano, que
inclui os 42 litros de água que circulam em um organismo adulto. São
os átomos desses quatro elementos combinados que formam as molé-
culas de proteína, gordura e carboidrato, os tijolos que constroem to-
dos os nossos tecidos. Por isso, os quatro são chamados de elemen-
tos constituição. Mas tudo não passaria de um grande amontoado de

A Fórmula do Corpo Humano75

Química

Alumínio, Boro, Estanho, Silício e Vanádio:
Elementos traços em menor concentração.

Esses 21 elementos químicos (não contando com os elementos tra-
ços) são a chave que regula todo o processo da vida. Alguns aparecem
em pequeníssimas porções. Durante a segunda Guerra Mundial, a medi-
cina demonstrou que problemas eram causados pela carência de alguns
elementos químicos no organismo humano e descobriu que, através do
soro, era possível fazer a reposição destes elementos.

Muitos dos soldados, naquela época, sofreram ferimentos graves
na região do abdômen, afetando o aparelho digestivo. Então, injetava-
se, pela veia, soro misturado com elementos químicos importantes. Foi
possível assim, identifcar que tipo de sintoma ocorria quando havia
defciência de alguns deles. Usando o elemento ferro, como exemplo
no corpo de uma pessoa que pesa 70 quilos, não passa de 5 miligra-

moléculas sem os outros 4%. Dos 92 elementos químicos existentes na
natureza, vinte e seis entram na composição de nosso corpo, mas ape-
nas vinte e dois são responsáveis por todas as reações que acontecem
dentro de nós, desde a respiração e a produção de energia até a eli-
minação dos radicais livres, moléculas acusadas de nos levar ao enve-
lhecimento, entre outras coisas. Os outros quatro aparecem em menor
concentração, fcam apenas alguns dias em nosso organismo, sendo
eliminados em seguida, e por essa razão chamados elementos traços.

Porcentagem de Elementos Químicos
no Corpo Humano

Oxigênio

Carbono

Hidrogênio

Potássio

Cobre

Flúor

Sódio

Cálcio

Manganês

Molibdênio

Nitrogênio

Selênio

Ferro

Zinco

Fóforo

Cobalto

Enxofre

Cromo

Magnésio

Cloro

Iodo

s

Matéria e sua Natureza

76

Ensino Médio

Todos os brasileiros têm uma

dieta equilibrada? Isso interfere

na química do corpo? Que do-

enças pode causar a carência

desses elementos químicos?

Faça uma pesquisa na sua escola e procure saber se existem pessoas com problemas de cresci-

mento. Quais as conseqüências que isso traz à saúde?

ATIVIDADE

mas. É pouco mas fundamental para o bom funcionamen-
to do organismo. A carência de ferro provoca na pessoa
os sintomas de uma doença chamada anemia.

Uma pessoa que tem uma alimentação saudável, isto
é, uma dieta equilibrada entre carnes, vegetais, ovos e lei-
te, não precisa se preocupar com a falta desses ingredien-
tes químicos. Alguns estão presentes em maior quantida-
de, por exemplo, nos vegetais verdes, outros na carne,
mas todos são comuns na maioria dos alimentos.

Na atualidade, sabe-se que os elementos químicos são distribuídos
em nosso corpo nas seguintes porcentagens:

Nitrogênio – 3,2% - componente de todas as proteínas e ácidos nucléi-

cos: O ácido desóxiribonucleico (DNA) e o ácido ribonucléico (RNA).

Hidrogênio – 9,5% - constituição da água, de todos os alimentos e da

maior parte das moléculas orgânicas.

Carbono – 18,5% - encontrado em toda a molécula orgânica.

Oxigênio – 65% - constituinte da água e das moléculas orgânicas (que

contém carbono e hidrogênio, produzidos por um sistema vivo). É neces-

sário para a respiração celular, que produz trifosfato de adenosina (ATP),

uma substância química muito rica em energia.

Desnutrição no Nordeste
Brasileiro

Fonte: Brasilindy media.org/image2006

A Fórmula do Corpo Humano77

Química

Ferro – 0,1% - Na forma de cátions (Fe+2

e Fe+3

) são componentes da

hemoglobina (proteína carregadora do oxigênio do sangue) e de algu-

mas enzimas necessárias para a produção de ATP, capta oxigênio dos

pulmões e carrega para o restante do corpo, através do sangue. Encon-

trado em carnes, aves, músculos e leguminosas (feijão).

Selênio – inferior a 0,000003%, faz parte das enzimas destruidoras de

radicais livres.

Molibdênio – 0,00002% - cria a boa gordura e auxilia na eliminação de

radicais livres.

Manganês – 0,0001% - auxilia no crescimento e “ajuda” o selênio a ex-

pulsar os radicais livres (que promovem o envelhecimento).

Cálcio – 1,5% - contribui para a rigidez de ossos e dentes; necessá-

rio para muitos processos corporais, por exemplo, coagulação sanguí-

nea e contração muscular. Ele fca na membrana e “decide” o que entra

nos ossos e o que sai deles. Encontrado no queijo, leite, iogurte, vege-

tais verdes folhosos e peixe.

Sódio – 0,2% - é o controlador das águas mantendo o volume do sangue

em circulação no organismo. Na forma de cátion (Na+

) mais abundante fora

das células; essencial no sangue para manter o equilíbrio de água; necessá-

rio para a condução de impulsos nervosos e contração muscular. Encontra-

do em carnes, peixes, leguminosas (lentilha), cereais integrais e vegetais.

Flúor – 0, 00001% - dá boas mordidas, pois protege os dentes. En-

contrado na água, frutos do mar, peixes e chá.

Cobre – 0,0003% - não deixa você derreter, pois regula a liberação de

energia, produzida pelo nosso organismo. Produção de melanina e for-

mação de glóbulos vermelhos do sangue. Encontrado no fígado, cere-

ais integrais, legumes e frutas (pêra).

Potássio – 0,4% - Na forma de cátion (K+

) mais abundante dentro das cé-

lulas; importante na condução de impulsos nervosos e na contração muscu-

lar. Sua falta ou excesso pode fazer o coração parar. Encontrado nas frutas e

vegetais frescos, especialmente banana, couve, batata e pão integral.

Matéria e sua Natureza

78

Ensino Médio

Pesquise quais elementos químicos são usados para fabricar os hormônios do crescimento.

ATIVIDADE

Alumínio, Boro, Estanho, Silício e Vanádio – São elementos traços

em menor concentração. (Não encontrada a utilidade no corpo humano).

Iodo – 0,1% - controla o fuxo de energia do corpo, ligando-se aos hor-

mônios produzidos pela tireóide.

Cloro – 0,2% - o do contra. Neutraliza as cargas positivas dos fuidos,

que sempre devem ser neutros. É o ânion mais abundante (partícula ne-

gativamente carregada, Cl–

) fora das células.

Magnésio – 0,1% - sem ele o ATP não poderia guardar energia na

célula. Necessário para muitas enzimas funcionarem apropriadamente.

Atua na formação de anticorpos e alívio do estresse. Encontrado nos

cereais integrais, soja, legumes e frutas (maçã e limão).

Cromo – 0,000003% - “ajuda” a insulina, hormônio produzido pelo pân-

creas, que metaboliza o açúcar no corpo.

Enxofre – 0,3% - elimina metais pesados, como mercúrio ou chumbo,

altamente prejudiciais ao organismo. Componente de muitas proteínas.

Cobalto – 0,0004% - componente da vitamina B

12, uma das formado-

ras das células vermelhas do sangue.

Fósforo – 1,0% - é o guardião dos genes e forma a proteína que esto-

ca energia no corpo. Componente de muitas proteínas, ácidos nucléi-

cos e trifosfato de adenosina (ATP),necessário para a estrutura normal

de ossos, dentes e produção de energia. Encontrado em laticínios, pei-

xes, carnes vermelhas e cereais integrais.

Zinco – 0,0025% - ele contribui para que o gás carbônico fque no esta-

do liquido, não permitindo a entrada de gás no sangue, o que seria fatal.

Responsável também pela cicatrização e atividade das enzimas.

A Fórmula do Corpo Humano79

Química

O corpo humano é um mistério e está em constante estudo. Como
na ciência todos os dias acontecem novas descobertas, é possível que
em breve encontrem a composição química exata do corpo humano.

Atualmente, uma aplicação importante do conhecimento da com-
posição química do corpo humano é a nutrição para atletas. Par-
te das pesquisas realizadas sobre o papel das vitaminas, proteínas e
carboidratos na alimentação humana deve-se à medicina esportiva.
Foi ela que descobriu, por exemplo, que os carboidratos têm papel
fundamental na recuperação dos atletas, entre os intervalos de exer-
cícios físicos. Também foi descoberto que os carboidratos não utili-
zados para produzir energia, tendem a fcar estocados e tornar obe-
so quem abusa deles.

Outra idéia que surgiu com o esporte, foi o uso de suplementos ali-
mentares, adotados no dia-a-dia das pessoas. A princípio, uma maior
concentração de aminoácidos era só para atletas de alto nível. Agora,
em qualquer farmácia se podem comprar cápsulas, cujo objetivo é su-
prir necessidades de que a dieta cotidiana não dá conta.

a) A partir de rótulos de alimentos que servem como complementos alimentares, à venda em super-

mercados e drogarias, analise sua composição e seus reais (ou irreais!!) benefícios para o organis-

mo humano;

b) Faça a leitura de um rótulo de bebida energética, avaliando o valor nutricional e constatando a quan-

tidade de substâncias químicas que os atletas ingerem quando bebem aquela quantidade da bebi-

da. Verifcar se a quantidade é necessária ou não. E também verifcar se há necessidade ou não de

ingerir bebidas energéticas.

ATIVIDADE

Um dos principais fatores que limitam o desempenho durante o
exercício intenso e prolongado é a diminuição dos estoques de car-
boidratos (açúcares), juntamente com a queda da glicemia (concentra-
ção de açúcares no sangue) e a desidratação. A maioria das reações
químicas que ocorrem no nosso organismo dependem do balanço de
água e eletrólitos (sódio, cloreto, potássio, magnésio), e esse balanço
é de suma importância para a manutenção da vida.

Durante o treinamento intenso no calor, a necessidade diária de
água de um atleta pode fcar em torno de 10 e 12 litros. Não perde-
mos apenas água quando suamos. O nosso suor é composto principal-
mente de água e quantidades signifcativas de eletrólitos (sódio, clo-
reto, potássio e magnésio), sendo que a maior concentração de íons
presentes no suor é atribuída ao sódio (Na+

), e a segunda atribuída ao

cloreto (Cl–

), ao contrário do potássio (K+

) e magnésio (Mg+2

) que se

encontram em quantidades menores.

Matéria e sua Natureza

80

Ensino Médio

A composição química do corpo humano também pode refetir
no crescimento das crianças. Em situações normais ela é regular, po-
rém pode sofrer alterações pela faixa etária, doenças ou até estações
do ano. Nisso se incluem aspectos como alimentação, situação emo-
cional, variações hormonais, atividade física e doenças. Em decorrên-
cia de anormalidades nesses fatores, a criança pode ter altura fnal di-
ferente da que deveria ter.

O sistema endócrino (formado por todas as glândulas do nosso corpo)
participa de forma crucial no crescimento normal do ser humano. As glân-
dulas produzem diferentes hormônios que regulam a atividade do corpo
e também o crescimento. Nesse caso, são importantes a tiroxina produzi-
da pela tireóide, o hormônio do crescimento produzido pela hipófse, os
hormônios adrenais e os hormônios gonadais (testículos e ovários).

Quando, por alguma razão, o organismo apresenta sintomas de de-
fciência ou excesso de hormônios, podemos proporcionar a correção
desta ausência ou excesso através de processos químicos. Nestes casos
é muito importante o diagnóstico precoce.

Graças ao estudo da composição química do corpo humano, hoje
já é possível alterar o processo de crescimento especialmente para cor-
rigir problemas de baixa estatura.

O corpo humano é composto de substâncias químicas, e todas as
atividades destas substâncias têm uma natureza química. Portanto, não
é possível estudar o corpo humano sem conhecer sua composição quí-
mica, mesmo que esteja sempre em estudo e sofrendo alterações.

Imagine esta situação: Alguém, por qualquer razão, fca 5 dias sem beber água ou qualquer outro ti-

po de líquido. À luz do que estudamos até agora, que reações químicas acontecem no organismo des-

ta pessoa? Que conseqüências esta situação vai gerar? Pesquise e elabore um texto em favor da in-

gestão de água.

ATIVIDADE

Descobriu a fórmula

do corpo humano?

A Fórmula do Corpo Humano81

Química

ANOTAÇÕES

Referências Bibliográfcas

GALEANO, E. Palavras andantes – trad. Eric Nepomuceno. Porto Alegre:

L&PM,1994.

Obras Consultadas

ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química: questionando a vida mo-

derna e o meio ambiente. Tradução de: Ignes Caracelli... [et al...], Porto Ale-

gre: Ed. Bookman, 2001.

HALL, N. (Org). Neoquímica. Tradução de: Paulo Sérgio Santos et al. Por-

to Alegre: Bookman, 2004.

JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. Rio

de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

RUSSEL, J. B. Química Geral. Tradução e revisão técnica de: Márcia

Guekesian et al. 2. ed. São Paulo: Pearson Makron Books, 1994.

Documentos Consultados ONLINE

ALDRIDGE, S. Bioquímica. Disponível em:

br/professores/machado/Interessante/Bioquimica.doc> Acesso em: 12 abr.

2006.

Matéria e sua Natureza

82

Ensino Médio

Foto: Icone Audiovisual

Radiação e Vida!83

Química

6

RADIAÇÃO
E VIDA!

Arthur Auwerter1

, Miriam Goretti Stingelin Nepomoceno2

m mal, um bem necessário...

um bem, um mal necessário?

1

Colégio Estadual João Bettega - Curitiba - PR

2

Colégio Estadual Elias Abrahão - Curitiba - PR
Colégio Estadual Loureiro Fernandes - Curitiba - PR

Matéria e sua Natureza

84

Ensino Médio

Conhecido, sobretudo, pelo comportamento audacioso, pelos tre-
jeitos e pela voz aguda, Ney Matogrosso, quando integrante dos Secos
e Molhados, sempre criou polêmica. Quando cantou “ROSA DE HI-
ROSHIMA”, em 1979, ele trouxe novamente a polêmica para a mídia.
Só que desta vez as atenções não estavam voltadas para pessoa dele e
sim para a possibilidade de um holocausto nuclear.

*holocausto: sacrifício em que a vítima é inteiramente queimada.

No ano de 1945 o mundo estava em guerra. De um lado estavam
os países do chamado eixo: Alemanha, Itália e Japão. Do outro lado,
lutando contra os países do eixo, estavam os Estados Unidos, Inglater-
ra, França e demais aliados.

Em 6 de agosto, às 2h30min, hora local, as condições meteorológi-
cas da cidade de Hiroshima, sudoeste do Japão, eram satisfatórias. O
avião bombardeiro B29 batizado de Enola Gay (em homenagem à mãe
do comandante da missão), decolou do aeroporto militar norte-ame-
ricano Tinian, nas Ilhas Marianas, sob o comando de Paul W. Tibbets.
O comandante Tibbets era o único da tripulação que conhecia os efei-
tos da bomba de 4,5 toneladas que transportava no porão do avião. Às

Rosa de Hiroshima

Vinícius de Morais e Gerson Conrad,1974.

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas, alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas...

[...]

Da rosa de Hiroshima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A anti-rosa atômica...

[...]

Explosão da bomba atômica em Nagasaki – Japão..
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bomba_at%C3%B4mica

Radiação e Vida!85

Química

8h09min, Hiroshima aparece entre as nuvens. Às 8h15min17s a bomba
é lançada. Quarenta segundos depois, a 580m de altura, a bomba de-
tonou. A bomba contendo 60 Kg de urânio-235 gerou uma explosão
equivalente a 20.000 toneladas de TNT (trinitrotolueno, um explosivo),
provocando a morte instantânea de 66.000 civis.

Quando lançaram a bomba atômica sobre Hiroshima, os norte-ame-
ricanos já sabiam os resultados que ela iria provocar. Tanto que Robert
Oppenheimer, diretor do programa nuclear à época, exclamou quando
fzeram o primeiro teste no deserto de Alamogordo (EUA): “..agora, me
transformei num companheiro da morte, um destruidor de mundos”
.

As primeiras conseqüências desastrosas e imediatas são os efeitos
físicos da explosão radiativa:

O efeito térmico: nos primeiros milésimos de segundo após a ex-
plosão, a energia térmica liberada na atmosfera transformou o ar
em uma bola de fogo. Num raio de 1 km, tudo foi instantaneamen-
te reduzido a cinzas. No solo, logo abaixo onde a bomba explodiu,
a temperatura atingiu milhares de graus centígrados.

A onda de choque: o calor provocou uma expansão violenta dos
gases. Essa onda de choque progrediu a uma velocidade de 1.000
km/h derrubando 62 mil dos 90 mil prédios da cidade.

Os efeitos fsiológicos: a explosão nuclear espalhou material radiativo
provocando queimaduras e câncer em mais de 300.000 sobreviventes.
A emissão de grande quantidade de raios X, raios ultravioleta e outras
radiações eletromagnéticas cegou as pessoas que estavam nas proxi-
midades que olharam diretamente para a posição da explosão.

Uma outra conseqüência é que a bomba se transformou numa po-
derosa “arma” diplomática: um mecanismo de coação sobre qualquer
país que se opusesse aos Estados Unidos.

Por causa disso, 1945 pode ser considerado o ano do início da corri-
da armamentista, especialmente o armazenamento de armas nucleares.

Entre 1940 e 1990, os Estados Unidos produziram 60 mil ogivas nu-
cleares. O arsenal da extinta União Soviética era da mesma propor-
ção e o das demais potências nucleares (China, França e Reino Unido)
eram menores.

Em 1991, os Estados Unidos e a ex-União Soviética assinaram o Tra-
tado de Redução das Armas Estratégicas. Mesmo com a redução, ainda
há mais de 31 mil armas nucleares em poder de 8 nações. A guerra nu-
clear, portanto, ainda é uma das maiores ameaças à civilização. Em um
cálculo estimativo, o astrônomo britânico Martin Rees, afrmou que se
dividíssemos o poder de fogo dos arsenais nucleares e convencionais
dos Estados Unidos e da Rússia, sobraria para cada habitante do plane-
ta uma bomba convencional com 33 toneladas de explosivos.

Matéria e sua Natureza

86

Ensino Médio

A partir das informações anteriores pesquise e discuta com seus colegas se o Brasil deve utilizar a

tecnologia nuclear para produzir armas atômicas.

ATIVIDADE

Você saberia dizer o que tudo isso tem em comum com o

problema: a radiação é “Um mal, um bem necessário...

Um bem, um mal necessário?

Ainda não tem resposta? Continue lendo o texto!

Você já imaginou como uma única bomba atômica conse-
gue causar tanta destruição? De onde vem tanta energia ?

Por que a diferença é tão acentuada entre a quantidade de energia obtida do carvão e a quantida-

de de energia obtida do urânio?

ATIVIDADE

A energia que obtemos da queima do carvão numa churrasqueira,
por exemplo, vem da combinação dos átomos de carbono e oxigênio
e do instantâneo reagrupamento de seus elétrons externos em novas
combinações, dando origem ao novo composto.

A energia proveniente da queima do urânio num reator nuclear
vem da reorganização das partículas do núcleo do átomo (prótons e
nêutrons), quando acontece a “saída” de uma partícula nuclear.

Comparando Energia

1 Kg de carvão libera energia sufciente para manter uma lâmpada
de 100 watts acesa por 8 horas.

1 Kg de urânio-235 libera energia sufciente para manter a mesma
lâmpada acesa por 30.000 anos.

Radiação e Vida!87

Química

Você sabia que: a energia necessária para arrancar uma partícula do
núcleo é muito maior que a energia utilizada para deslocar um elétron
para fora do átomo?

É por esse motivo que o urânio fornece muito mais energia do que o
carvão. A radioatividade constitui um fenômeno ligado ao núcleo do áto-
mo, enquanto que as reações químicas estão relacionadas à eletrosfera.

É importante saber, que tanto no caso da queima do carvão quan-
to na reação nuclear do urânio, está associado o conceito de estabili-
dade. A estabilidade está relacionada ao equilíbrio. Vamos exemplif-
car com situações comuns: - como uma chaleira de água quente que,
ao ser retirada do fogo, vai aos poucos perdendo calor para o meio até
um certo ponto em que entra em equilíbrio térmico com o ambiente.
Ou, quando se dá um tiro n’agua: o projétil vai rapidamente desacele-
rando, enquanto perde energia cinética, até zerar sua velocidade.

Ao contrário, quando o fuxo de energia entre o corpo e o meio
não cessou, podemos dizer que o sistema está instável.

Existem na natureza alguns elementos químicos fsicamente instá-
veis, cujos átomos ao se desintegrarem, emitem energia sob a forma
de radiação. Radiação é um termo muito genérico e inclui fenômenos
como luz, ondas de rádio, microondas e partículas carregadas eletrica-
mente. Não esquecendo que radiatividade é a propriedade que alguns
átomos têm de emitir radiação.

Tentando esclarecer a natureza da radiatividade, o físico neozelan-
dês Ernest Rutherford, estudando a emissão de radiações pelo urânio
e pelo tório, em 1897, observou que haviam dois tipos diferentes de
radiação: uma que era rapidamente absorvida, que ele denominou de
raios alfa (e outra com maior poder de penetração, denominada de
raios beta .

Em 1900, o físico francês Paul U. Villard identifcou uma terceira es-
pécie de radiação, a qual chamou de raios gama .

As três modalidades de radiação; alfa, beta e gama, se comportam
de maneira diferente quando submetidas a um forte campo elétrico ou
magnético.

núcleo instável
(com excesso de energia)

emite ondas
e/ou partículas

núcleo estável

Matéria e sua Natureza

88

Ensino Médio

O invólucro de chumbo permite que as radiações emanadas do ma-
terial radiativo saiam numa única direção.

Ao passar pelas placas eletrizadas o feixe de radiações, sob efeito
das cargas elétricas, é separado em três partes.

A radiação alfa () é atraída pela placa negativa do aparelho. Por-
tanto deve ter carga contrária à carga da placa, isto é, positiva. Atual-
mente sabe-se que as partículas alfa são constituídas por dois prótons
e dois nêutrons, iguais ao núcleo de um átomo de hélio.

A soma de prótons e nêutrons em um núcleo resulta no número de
massa (A), enquanto que o conjunto formado pelos nêutrons e prótons
de um átomo é denominado de nuclídeo.

Utilizando o elemento químico hélio como exemplo:

Os nuclídeos emissores de radiação podem ser chamados de radio-
nuclídeos
ou radioisótopos. A representação dos nuclídeos é feita por
meio do símbolo do elemento químico e do número de massa. Vamos
usar o exemplo do elemento químico ouro, aquele mesmo que utiliza-
do na fabricação das jóias: 197

Au (símbolo Au, do latim aurum).

núcleo

nêutrons

elétrons

prótons

(, , , )

o conjunto, nuclídeo

a quantidade, 4, número de massa

+ + +

– – –

tela
fuorescente

o sistema fca
dentro de um
recipiente à
vácuo

placas carregadas
eletricamente

material
radioativo

invólucro
de chumbo

Radiação e Vida!89

Química

Consultando a tabela periódica, observamos que o número atômico
do ouro é 79. Assim, para determinar o número de nêutrons do ouro
fazemos a seguinte subtração: N=A-Z, N=197-79, N=118. Os nuclíde-
os que possuem o mesmo número de prótons (Z), mas números di-
ferentes de nêutrons (n), são denominados de isótopos. O ouro, por
exemplo, tem 30 isótopos, que vão desde o 175

Au até o 204

Au. Somente

o 197

Au é estável. Os outros isótopos restantes são radiativos.

Sempre que aparece a palavra radiação, observamos uma manifes-
tação de receio por parte das pessoas. A maior parte das pessoas não
sabe que está exposta diariamente aos mais diversos tipos de radiação,
desde as naturais até aquelas produzidas pelo homem como os raios-
X e as chuvas de partículas radiativas produzidas pelos testes nuclea-
res, que são artifciais.

O homem sempre esteve exposto à radiação natural. Essa exposi-
ção pode ocorrer de várias fontes, como os elementos radiativos pro-
venientes do solo, das rochas, raios cósmicos, água, etc. Podem tam-
bém chegar ao homem por meio da alimentação e da respiração. Os
efeitos da radiatividade no ser humano dependem da quantidade acu-
mulada no organismo e do tipo de radiação. A radiatividade é inofen-
siva para a vida humana em pequenas doses, mas, se a dose for exces-
siva pode provocar lesões no sistema nervoso, no sistema digestório,
na medula óssea, etc, ocasionando a morte.

O efeito biológico da radiação está relacionado com a proprieda-
de de provocar ionização da matéria com a qual interage, isto é, com
a sua capacidade de arrancar elétrons da matéria produzindo íons. A
propriedade de provocar ionização, é diferente para os três tipos de ra-
diação, com a seguinte ordem decrescente: > > .

Radiações são ondas ou partículas com grande quantidade
de energia provenientes de fontes naturais ou artifciais (criadas
pelo homem). As lesões nos tecidos são provocadas por uma
breve exposição à taxas altas de radiação e também por uma
exposição prolongada a baixos níveis. Muitos efeitos da radiação
duram pouco, enquanto que outros provocam doenças crônicas.
Quando recebemos doses elevadas, os efeitos passam a ser visíveis em
minutos ou dias após a exposição. Mas existem outros efeitos que só
aparecem semanas, meses e até anos depois da exposição. Algumas
conseqüências só aparecerão se a pessoa exposta tiver flhos.

A radiação, atingindo as células reprodutoras, pode causar uma al-
teração na informação genética codifcada provocando uma mutação

Certamente você ouviu falar que radiação traz conseqüências

graves a nossa saúde! Vamos fazer uma breve explicação.

Matéria e sua Natureza

90

Ensino Médio

Pesquise como a radioterapia é utilizada no tratamento de câncer. Quais são os prejuízos que ela

causa e como ela age no organismo humano?

ATIVIDADE

genética. Se o espermatozóide que sofreu a mutação participar, fu-
turamente da concepção, a alteração será incorporada ao óvulo
fertilizado, e na gravidez, quando o zigoto se reproduzir milha-
res de vezes, essa alteração será fatalmente reproduzida. As cé-
lulas do recém-nascido conterão informações genéticas mo-
difcadas, incluindo também células que anos mais tarde irão
se transformar em espermatozóides ou óvulos.

Isso quer dizer que, se o indivíduo atingir a fase fértil e
se reproduzir poderá transferir a informação genética altera-
da, continuando assim por muitas gerações. Acontecem mu-
tações no feto que podem ser letais. Outras provocam altera-
ções físicas e mentais; aumentam a suscetibilidade a algumas
doenças crônicas, ou ainda provocam anormalidades bioquímicas.

Você já ouviu falar do acidente na usina nuclear de Chernobyl?

Os técnicos pretendiam fazer um teste de um novo mecanismo de
emergência. O sistema de resfriamento de emergência foi desligado e
o reator continuou em funcionamento. O teste não estava previsto pelo
sistema automático do controle. Houve um desequilibro no sistema de
vapor, soando os alarmes: mensagem de desligamento urgente do rea-
tor. O operador em vez de tomar essa atitude, desligou o sistema de alar-
me. Como conseqüência a experiência durou 24 horas.

As conseqüências foram a destruição parcial do núcleo do rea-
tor e a destruição total do sistema de resfriamento, liberando diver-
sos produtos voláteis. No controle dos incêndios, os bombeiros re-
ceberam altas doses de radiações. Foram 31 vítimas fatais, outras 32
foram hospitalizadas.

Esse acidente causou a morte de milhares de pessoas (aproximada-
mente 28 mil), deixando outras sofrendo conseqüências graves ocasio-
nadas pelo efeito da radiação. Várias pessoas morreram imediatamente
após o acidente. Outras morreram dias depois. Muitas crianças e adul-
tos contraíram leucemia após lesões na medula óssea. Mulheres grávi-
das de até quatro meses tiveram flhos com malformação genética.

Radiação e Vida!91

Química

No Brasil, em 1987, ocorreu um acidente na cidade de Goiânia.
Uma cápsula contendo resíduos radioativos foi manipulada por pes-
soas que não sabiam o perigo que corriam, provocando a morte de 4
delas e contaminando mais de 200.

Procure em livros, jornais e revistas informações de como e por quê aconteceu o acidente em

Goiânia com o césio 137. Questione com seus colegas a importância do conhecimento a respeito

do perigo da utilização de um material que não se conhece. O que fazer quando se deparar com

situação parecida?

ATIVIDADE

E retomando o problema a radiação é

“Um mal, um bem necessário...

Um bem, um mal necessário?

Continue! Logo encontrará a resposta!

As radiações alfa, por terem massa e carga elétrica maio-
res que as radiações beta e gama podem ser facilmente deti-
das. Elas, em geral, não conseguem ultrapassar as camadas ex-
ternas de células mortas da pele de uma pessoa, sendo praticamente
inofensivas.

As emissões gama são ondas eletromagnéticas que não possuem
carga e nem massa. Isto justifca o fato delas passarem diretamente pe-
lo campo elétrico sem serem atraídas pelo pólo positivo ou negativo.

Provavelmente você já ouviu falar que as emissões gama são extre-
mamente penetrantes, podendo atravessar o corpo humano sem serem
detidas. Sendo assim, essas emissões gama representam um grande pe-
rigo para os órgãos humanos. São representadas por: .

A primeira Lei da Radioatividade é também conhecida como Lei

de Soddy: Quando um radioisótopo emite uma partícula , seu número

atômico diminui de duas unidades e seu número de massa diminui de

quatro unidades. Abaixo veremos um exemplo:

232

90Th

228

88Ra + 4
2

232 = 228 + 4

90 = 88 + 2

Matéria e sua Natureza

92

Ensino Médio

Procure em livros, revistas, jornais e sites informações que respondam como controlar a produção,

uso e o descarte de materiais radiativos.

ATIVIDADE

As emissões beta são capazes de penetrar cerca de um centímetro
nos tecidos, ocasionando danos à pele, mas não aos órgãos internos,
a não ser que sejam engolidas ou respiradas.

A partícula beta desvia-se para o lado positivo do campo elétrico.
Este fato comprova que a radiação beta tem carga negativa. Na realida-
de, as partículas são elétrons emitidos pelo núcleo quando um nêu-
tron instável se desintegra transformando-se em um próton. Além do
próton e da partícula beta, também são gerados raios gama e um neu-
trino (partícula sem carga e de massa desprezível).

E agora que você já recebeu todas essas

informações, já consegue responder a pergunta:

radiação é “Um mal, um bem necessário...

Um bem, um mal necessário?

Segunda Lei da Radiatividade ou Lei de Soddy-Fajans: Quando um ra-

dioisótopo emite uma partícula beta, seu número atômico aumenta de uma

unidade e o seu número de massa não se altera.

1
0n

1
1p + 0

-1 + 0

0 + 0
0

32 = 32 + 0

32
15P

32
16S + 0

-1 + 0

0 0
0

15 = 16 – 1

Radiação e Vida!93

Química

Obras Consultadas

ATKINS, P.; JONES, L. Prinicipios de Química: questionando a vida mo-

derna e o meio ambiente. Tradução de: Ignes Caracelli...[et al...]. Porto Ale-

gre: Ed Bookman, 2001.

BIBLIOTECA EDUCAÇÃO É CULTURA. Energia nuclear. Brasília: Ministério

das Minas e Energia, 1980.

HALLIDAY, D. et alli. Fundamentos de física. Tradução de: Antonio Máxi-

mo. 4. ed. São Paulo: LTC, 1993.

HELENE, M. E. M. A radioatividade e o lixo nuclear. São Paulo: Scipio-

ne, 1996.

OKUNO, E.; CALDAS, I. L.; CHOW, C.Física para as ciências biológi-
cas e biomédicas
. São Paulo: Harper e Row do Brasil, 1982.

Documentos Consultados ONLINE

Exposição gepeq. Disponível em:

Acesso em: 22 set. 2005.

Quimica geral nuclear. Disponível em:

nuclear > Acesso em: 10. nov 2005.

Matéria e sua Natureza

94

Ensino Médio

Foto: Icone Audiovisual

Órgão Elétrico Artifcial95

Química

7

ÓRGÃO ELÉTRICO
ARTIFICIAL

Maria Bernadete P. Buzatto1

or que há pessoas que sentem
“choque” no dente obturado, e
outras não?

Fotos: Icone Audiovisual

1

Colégio Estadual Unidade Polo - Maringá - PR

Matéria e sua Natureza

96

Ensino Médio

Vamos experimentar o que sentimos!

Coloque um pedaço de papel alumínio em cima de um dente ob-
turado. Dê uma mordida.

O que você sentiu?

Foi uma sensação de dor, como se fosse um pequeno choque?

Ao mastigar um chiclete ou chupar uma bala que “grudou” um pe-
daço de papel alumínio ou quando duas obturações entram em conta-
to, você poderá ter a mesma sensação, ou não.

Você sabe qual foi o material que o dentista usou para fechar seu

dente?

Abrindo a boca você pode tirar suas dúvidas.

Há dois tipos de materiais conhecidos: os amálgamas, liga do metal
mercúrio com outros metais, e as resinas poliméricas (porcelanas).

Você pode identifcar se os seus dentes são obturados com amálga-

ma ou com resina.

Saiba que os amálgamas têm cor diferente da cor natural do seu
dente. Enquanto que, na obturação de resina, a cor é semelhante a dos
seus dentes.

As longas moléculas da resina polimérica são formadas por átomos
de carbono, oxigênio e hidrogênio.

Mas qual dos dois materiais provoca uma
sensação de dor, um “choque”?

Lembrando que o choque elétrico é causado por uma corrente elé-
trica (movimento de elétrons) que passa por meio do nosso corpo.

As sensações e as conseqüências do choque elétrico dependem da
intensidade da corrente elétrica, relação entre a quantidade de carga
que passa por unidade de tempo, em uma parte do condutor.

A sensação de “dor”, isto é o “choque” que alguns sentiram, indica
a passagem de corrente elétrica entre o papel alumínio e o seu den-
te obturado. A quantidade de cargas elétricas (elétrons) envolvidas foi
muito pequena, pois o choque que alguns levaram não apresentou ne-
nhum risco de vida.

Como se formou esta corrente elétrica? De onde vieram os elétrons
necessários para que alguns de vocês sentissem o “choque” ?

Inúmeros metais são utilizados no seu dia-a-dia; por exemplo o

cobre e o zinco.

O metal cobre é encontrado nos cabos elétricos e o metal zinco é en-
contrado nas calhas de escoamento das águas da chuva dos telhados.

Órgão Elétrico Artifcial97

Química

Coloque em um béquer solução aquosa de sulfato de Zinco (ZnSO

4), mergulhe um pedaço de fo

de cobre lixado com uma palha de aço.

Observe e anote as mudanças ocorridas.

Fique atento aos aspectos dos materiais.

Em outro béquer, coloque solução de sulfato de cobre (CuSO

4) e mergulhe um prego zincado ou um

pedaço de calha zincada; antes, lixe os objetos com palha de aço.

Observe e anote as mudanças ocorridas.

O que signifca a mudança de cor na solução e na superfície do metal?

Por que ocorreu um leve aquecimento em um dos béqueres?

Placa de
zinco

Solução
de sulfato
de cobre

Placa de
cobre

Solução
de sulfato
de zinco

Fotos: Icone Audiovisual

Zn+2

Cu+2

Você montou dois sistemas separados: um formado pelo metal (fase sólida) cobre mergulhado na

solução aquosa de zinco (fase líquida) e o outro pelo metal zinco (fase sólida) mergulhado na solução

aquosa (fase líquida) de sulfato de cobre.

De onde veio a cor “avermelhada” que aparece na superfície da placa de zinco?

Por que “desapareceu” a cor azul da solução aquosa de sulfato de cobre?

Será que este experimento tem alguma relação com o dente obturado?

ATIVIDADE

Entretanto, você não conseguiu comprovar ou medir se realmente ori-
ginou uma corrente elétrica neste experimento, porque os elétrons trans-
feridos não foram aproveitados para acender uma lâmpada ou para colo-
car em funcionamento qualquer aparelho como, um relógio, um celular,
uma calculadora, um computador portátil, uma lanterna, um carro.

Pode-se observar mudanças no aspecto externo,
na solução no bequer e nos objetos de metal.
O que acontece internamente, em nível atômico?

Matéria e sua Natureza

98

Ensino Médio

Lave bem a casca de uma lingüiça (tripa seca bovina) de 13 cm de comprimento, com água e de-

tergente.

Corte uma garrafa plástica de refrigerante (2L) a uma altura de 15 cm da base (formando um reci-

piente) e corte o bocal, encaixando uma das extremidades da tripa de boi no bocal.

Faça um suporte com um pedaço de madeira ou isopor, com dois orifícios (3,5 cm de diâmetro) se-

parados por 1,5 cm (essa peça serve somente para suporte).

Neste suporte de madeira ou isopor apóie o bocal da garrafa já com a tripa de boi presa.

Amarre com um elástico, de amarrar dinheiro, a outra ponta da tripa de boi.

Coloque, pelo bocal, solução aquosa de sulfato de cobre (CuSO

4) e reserve.

Na outra parte da garrafa plástica com o formato de um recipiente adicione uma solução aquosa sa-

turada de sal de cozinha (NaCl).

Mergulhe o sistema que você montou com a tripa de boi no recipiente plástico, em seguida mergu-

lhe uma placa de cobre (fo de cobre) na solução aquosa de sulfato de cobre (CuSO

4), contida na tri-
pa de boi, e a placa de zinco (prego ou calha), usando o outro orifício do suporte, na solução aquo-

sa de sal de cozinha, contida no recipiente de plástico.

Ligue os fos da lâmpada de 1,5 V (farolete pequeno) aos metais, zinco e cobre, com fta adesiva.

ATIVIDADE

Após um tempo, observe, anote as mudanças nos dois sistemas e
compare com as observações do primeiro experimento:

Esquema 01

Suporte

Metal Zinco

Recipiente

Cu+2

+ SO

4

–2

Metal Cobre

Tripa de boi

Cl–

Cl–

Na+

Na+

CÁTODO
PÓLO POSITIVO
(REDUÇÃO)

ÂNODO
PÓLO NEGATIVO
(OXIDAÇÃO)

Órgão Elétrico Artifcial99

Química

Quais são as mudanças que você observou?

São as mesmas do primeiro experimento?

Qual a diferença entre este experimento e o outro que você realizou?

Neste experimento, o metal de cobre estava em contato com a so-
lução do próprio metal (CuSO

4(aq)) e o metal de zinco em contato com

uma solução de cloreto de sódio (NaCl

(aq)), de modo que os metais fo-
ram separados em dois recipientes (tripa de boi + recipiente plástico).

Você observou que os dois recipientes que contém as substâncias e
os metais unidos por um fo elétrico, estavam ligados a uma lâmpada
que se acendeu, indicando a passagem de corrente elétrica.

Vocês montaram uma pilha!

E de onde veio a corrente elétrica que acendeu
a lâmpada?

No outro recipiente você usou os metais no estado sólido mergu-
lhados na solução de um outro metal.

O que aconteceu com a placa de zinco? E com a placa de cobre?

O que isto signifca?

No experimento que você acabou de realizar, a placa de zinco (ca-
lha/prego) perde elétrons da última camada espontaneamente; dize-
mos que o metal zinco se oxida (região do ânodo, pólo negativo).

Enquanto que a placa de cobre (fo elétrico) recebe os elétrons que
vieram pelo fo que liga as placas dos metais; dizemos que o metal de
cobre se reduz (região do cátodo, pólo positivo).

O que você presenciou? Uma transferência de elétrons numa reação

química.

Essas reações químicas são chamadas de reações de oxi-redução,
são espontâneas e podem produzir energia elétrica se as duas semi-re-
ações (a reação de redução e a de oxidação), ocorrerem em recipien-
tes separados.

Cada recipiente em que ocorrem as reações químicas é chamado de
meia célula ou semicélula.

A reação que ocorre em cada recipiente é chamada de semi-reação

ou meia–reação.

Cada meia célula (semicélula) é formada por um metal mergulhado
em uma solução aquosa do mesmo metal, como por exemplo a placa de
cobre (fo elétrico) mergulhada na solução aquosa de sulfato de cobre
(CuSO

4(aq)); esse conjunto (metal + solução) chamamos de eletrodo.

Matéria e sua Natureza

100

Ensino Médio

Como descobriram qual é o metal que perde elétron com mais

facilidade?

Utilizando o gás hidrogênio como um eletrodo padrão.

Quando temos dois eletrodos ligados a partir de um circuito elé-
trico, ligação entre o pólo positivo e o pólo negativo por meio de um
fo elétrico, chamamos de célula galvânica, célula voltaica ou simples-
mente pilha ou bateria.

Lembra que a tendência dos metais é perder os elétrons da última

camada?

Será que todos os metais têm a mesma facilidade de perder seus
elétrons de valência?

Evidente que não, você viu que os metais, cobre e zinco, tiveram
comportamento diferente nos experimentos realizados.

Isto signifca que é preciso saber qual dos metais (cobre ou zinco)
tem mais facilidade de perder seus elétrons, portanto menos afnida-
de por elétrons.

Observe o esquema 2: você pode visualizar o que acabou de mon-

tar, uma pilha.

Os metais têm facilidade de perder elétron.

Como os metais ZINCO e COBRE.

Mais facilidade:

METAL ZINCO

Menos afnidade por elétron:

ZINCO

Mais Reativo

ZINCO

Sofre Oxidação:

Está na placa –
perde elétron

Zn

(s)

0

Zn

(aq.)

2+

+ 2e–

ÂNODO - PÓLO NEGATIVO

Menos facilidade:

METAL COBRE

Mais afnidade por elétron:

COBRE

Menos Reativo

COBRE

Sofre Redução:

Está na solução –
recebe elétron

Cu

(aq.)

2+

+ 2e–

Cu

(s)

0

CÁTODO - PÓLO POSITIVO

PILHA OU BATERIA
(ÓRGÃO ELÉTRICO)

Esquema 2

Órgão Elétrico Artifcial101

Química

Fazendo vários experimentos, semelhantes ao que você fez, desco-
briram que os íons não têm a mesma mobilidade, quer dizer, não che-
gam no mesmo tempo aos seus destinos.

Qual será o resultado fnal desta competição?

Sendo os íons partículas carregadas eletricamente, positiva ou ne-
gativa, geram em torno de si um campo de forças elétricas.

Essas forças elétricas tendem a atraírem ou repelirem outras cargas
que se encontram sob o efeito desse campo.

Dizemos que cada ponto escolhido no campo tem um “poder”, ou se-
ja, um potencial para movimentar outras cargas fazendo-as irem no senti-
do contrário ou atraindo-as em direção das forças que atua sobre elas.

Como a quantidade de cargas de um recipiente é maior que a quan-
tidade de cargas do outro recipiente, ocorre o aparecimento de uma
diferença de potencial (ddp) dentro da solução, que possibilita o movi-
mento dos elétrons livres no fo, isto é, há uma corrente elétrica no fo
que se desloca, no caso de correntes produzidas pelas pilhas, as cha-
madas correntes contínuas, sempre no mesmo sentido.

Quando os dois recipientes estão ligados por meio de um condutor
(fo elétrico + ponte salina) se estabelece a neutralização das cargas.

Para medir a diferença de potencial usa-se um aparelho chamado
voltímetro e a unidade de medida é o volt (V).

A diferença de potencial é uma medida que indica a capacidade
de um gerador, no caso a pilha, deslocar elétrons através de um cir-
cuito externo.

Foi atribuída ao gás hidrogênio o potencial de redução igual a ze-
ro, assim os valores de potenciais (ddp) medidos pelo voltímetro cor-
responderam à outra reação, de oxidação.

Estes valores foram medidos para os íons que estão nas mesmas
condições isto é, contidos em uma solução de concentração 1 mol/L,
na pressão de 1 atm e na temperatura de 25ºC (condição padrão) e
montada uma tabela em que os valores encontrados são chamados de
diferença de potencial padrão (Eº).

Com os valores dos potenciais para cada semi-reação
pode-se calcular a diferença de potencial total (Eºtotal)
da pilha naquelas condições de concentração, pressão e
temperatura. Isto é, o potencial padrão do cátodo menos
o potencial padrão do ânodo. Além disso, você pode prever se
uma reação de oxi-redução ocorre ou não espontaneamente através do
valor da diferença de potencial total.

Você sabe para que serve a tabela de potenciais de
redução padrão, a 25ºC, que está no
fnal do livro?

O que tudo isso tem a ver com o dente obturado?

Matéria e sua Natureza

102

Ensino Médio

Aproveite a oportunidade e consulte uma tabela de potenciais pa-
drão de redução do metal cobre (Cu

(s)) e do metal zinco (Zn

(s)). Vo-
cê vai observar que o metal cobre tem mais afnidade por elétrons do
que o metal zinco.

Isso signifca que os átomos de zinco (Zn

(s)) perdem os elétrons da
última camada com mais facilidade se transformando em íons zinco
(Zn2+

), os quais passam para a fase aquosa, essa transformação é cha-
mada de reação de oxidação.

Os elétrons se movimentam pelo fo até a placa metálica de cobre
onde os íons cobre (Cu

()

2+

), que estão na fase aquosa (líquida) ao rece-
ber esses elétrons, se depositam na superfície da placa metálica como
cobre metálico (Cu

(s)), chamada de reação de redução.
A tripa de boi (celulose regenerada) usada neste experimento subs-
tituiu um tubo de vidro em forma de U, usado para estabelecer conta-
to entre os dois recipientes da pilha, chamado de ponte salina.

A ponte salina possibilita o movimento dos íons de um recipiente para
outro, para manter o equilíbrio de carga entre as duas meias células.

Se o material utilizado como ponte salina (tripa de boi) possibilita
a passagem de íons com mais facilidade, vamos obter correntes maio-
res (fuxo de elétrons), capazes de acender uma lâmpada ou funcio-
nar um objeto.

E o dente obturado é uma pilha?

Galvani e Volta, após vários experimentos, tinham diferentes pontos
de vistas, os quais contribuíram muito para o avanço científco e tecno-
lógico da nossa época. Saiba mais lendo o artigo, Os 200 Anos da Pilha
Elétrica, da Revista Química Nova, volume 23, no

03.

Pilha Galvânica em ho-
menagem ao Dr. Luigi Galva-
ni (1737-1798), um biólogo
italiano que estudou sobre
eletricidade com rãs, desco-
brindo que choques elétricos
podem contrair os músculos.

Pilha Voltaica em ho-
menagem ao Alessandro
Volta (1745-1827) cientis-
ta italiano que estudou as
reações químicas que pro-
duzem corrente elétrica. In-
ventor da pilha, na época
(1799) a chamou de “Órgão
Elétrico Artifcial”.

Por que “órgão elétrico artifcial”?
E hoje simplesmente chamamos de pilha?

Se o resultado deste cálculo (ddp padrão total (Eº

total) é positivo a

reação ocorre espontaneamente, caso contrário (sinal __

) a reação não

é espontânea.

Somando as meias reações representadas no esquema 02 vamos
obter a reação global desta pilha e seu potencial:

Zn

(s)

0

Zn2+

+2e–

E0

= + 0,76 volts

Cu2+

(aq) +2e–

Cu

(s)

0

E0

= + 0,34 volts

Zn

(s)

0

+ Cu

(aq.)

2+

Zn

(aq.)

2+

+ Cu

(s)

0

E0

(TOTAL) = 1,10 volts (valor teórico)

Órgão Elétrico Artifcial103

Química

Monte a pilha de Volta seguindo a seqüência: uma placa de cobre, feltro (tecido, medindo 10 cm x

2 cm) encharcado com a solução de sulfato de cobre (CuSO

4 - 6,5 g de sal em 25 mL de água);
papelão medindo 10 cm x 2 cm encharcado com a solução saturada de sal de cozinha (NaCl),feltro

encharcado com a solução sal de cozinha, uma placa de zinco.

Repetindo a mesma seqüência duas vezes. Ligue os fos a uma lâmpada e às placas (de cobre e de

zinco). Observe, anote e compare o efeito obtido com os outros experimentos.

ATIVIDADE

Com um experimento semelhante, Volta comprovou que a contra-
ção muscular da rã foi provocada pelo contacto entre os dois metais.

Os diversos materiais presentes em nosso dia-a-dia possibilitam
construir muitas pilhas, aproveitando a energia elétrica produzida pa-
ra funcionar alguns objetos como relógio, calculadora, lanterna, brin-
quedos.

Qual a relação existente entre a pilha e a sen-
sação estranha (choque) provocada pelo papel
de alumínio?

Sabe que você pode ter uma pilha, semelhante a estas, dentro da

boca?

Você construiu pilhas que diminuíram rapidamente os seus poten-
ciais, conforme as quantidades de substâncias consumidas. A intensi-
dade de luz da lâmpada foi diminuindo até se apagar.

Você certamente conhece pilhas de vários tamanhos com as mes-
mas indicações: pólo positivo (potencial maior) e pólo negativo (po-
tencial menor), a voltagem impressa 1,5V. Essa ddp entre os pólos é
mantida pelas reações químicas que ocorrem dentro das pilhas.

O choque no dente obturado por amálgamas provoca uma sensa-
ção de “formigamento” porque a voltagem é baixa.

Matéria e sua Natureza

104

Ensino Médio

Mas como fazer para funcionar um aparelho elétrico que precisa de
uma voltagem maior que 1,5 V?

A bateria dos automóveis é uma associação de seis pilhas de chum-
bo, colocadas uma ao lado da outra, revestidas por um material resis-
tente. Como cada pilha aumenta a soma do potencial em 2 V, as seis
pilhas fornecem uma voltagem de 12 V.

Lembre que ligando o pólo positivo, por meio de um fo, ao pólo
negativo você monta um circuito elétrico e aparece nas extremidades
do fo uma diferença de potencial (ddp) dos pólos (um dos lados tem
maior quantidade de carga elétrica).

Como a intensidade da corrente elétrica depende da quantidade
de elétrons que essas reações podem fornecer e a quantidade de elé-
trons depende da quantidade de substâncias químicas dentro da pilha,
quanto maior for o tamanho de uma pilha mais substância química es-
tá no seu interior, portanto a corrente elétrica é mais intensa.

Você sabe que os amálgamas são produzidos pelas reações entre
metais de prata, estanho, cobre e zinco com uma pequena quantida-
de de mercúrio.

Sendo assim os átomos do amálgama usado no dente podem so-
frer transformação elétrica e química em contato com outro metal co-
mo por exemplo, o alumínio metálico presente no papel da bala ou
chicletes.

O alumínio metálico tem o potencial de redução menor que o zin-
co, cobre, mercúrio, prata, portanto, sofre oxidação com qualquer uma
das composições de amálgamas.

Signifca que o alumínio perde elétrons com mais facilidade que os
amálgamas, os quais recebem estes elétrons.

A gengiva e a saliva, por sua vez, funcionam como ponte salina que
no experimento foi substituída pela tripa de boi (celulose regenerada).

A corrente elétrica (movimento de elétrons) produzida é pequena,
causando a sensação de dor (choque) sentida pelos nervos dos dentes.

Até agora vimos que nas pilhas a energia química é transformada
espontaneamente em energia elétrica.

Com a inversão do processo, a reação química não é espontânea,
os elétrons têm que ser forçados a se movimentar através de uma
fonte externa (pilha, eletricidade) para o outro lado (eletrodo).

Será que é possível?

Lembra do “choque” provocado espontaneamente pe-

lo papel alumínio? O que acontece se invertermos o pro-

cesso? Isto é, tentarmos obter um composto através da

corrente elétrica gerada por uma pilha ou bateria?

Órgão Elétrico Artifcial105

Química

Tente e veja o que acontece:

Providencie um cabo elétrico, dois graftes retirados de um lápis de carpinteiro e uma pilha ou bateria.

Coloque solução aquosa de iodeto de potássio (K) a 0,5 mol/L em um béquer ou copo (pode ser

substituído pelo sal de cozinha – NaCl).

Mergulhe os graftes na solução aquosa de iodeto de potássio.

Não esqueça de anotar a cor dos materiais no inicio e no fnal do experimento e os pólos da pilha

onde está sendo observada a(s) mudança(s),

Siga o esquema 03 para saber quais foram as substâncias que você produziu.

Compare com o esquema da pilha que você montou:

ATIVIDADE

No recipiente tem íons de potássio (K+

) e íons de iodo (I¯) , íons hi-

droxônio (H

3O+

= H+

) e íons hidroxila (OH¯). Os dois últimos íons re-

sultam da ionização da água.

Qual desses cátions (K+

ou H

3O+

= H+

) vai se reduzir (ganhar elétrons)?

Qual desses ânions (I¯ ou OH¯) vai se oxidar (perder elétrons)?

BATERIA OU PILHA

POLO POSITIVO

ÂNODO

OXIDAÇÃO

(perde elétrons)

Qual dos ânions perde
elétrons com mais
facilidade?

(I–

ou OH–
)

2 I

(l)

I
2 + 2e–

POLO NEGATIVO

CÁTODO

REDUÇÃO

(ganha elétrons)

Qual dos cátions ganha
elétrons com mais
facilidade?

(K+

ou H

3O+

)

H

2O

(l) + 2e–

H

2(g) + 2OH-

2I

(l) + H

2O

(l)

I
2 + H

2(g)

REAÇÃO TOTAL

Esquema 03

Matéria e sua Natureza

106

Ensino Médio

Recorrendo a uma tabela de potenciais padrão você pode obser-
var que o valor do potencial de redução da água é maior, portanto tem
mais facilidade de ganhar elétron, se reduz antes formando gás hidro-
gênio na região do cátodo, pólo negativo (INVERSO DA PILHA).

Isso pode ser observado no experimento com a liberação de bolhas,
indicando a presença de um gás (H

2) no pólo negativo da pilha.

O potencial padrão de redução da água é maior do que o potencial
do íon de iodo, portanto a água tem mais facilidade de se reduzir, não
perde elétron com facilidade.

Sendo assim, no outro lado do sistema o íon iodeto se oxida antes
que a água, perde elétron com mais facilidade.

Isso pode ser facilmente reconhecido no experimento pela cor mar-
rom, característica do iodo (I

2), que aparece do outro lado do sistema

(eletrodo).

Comprove a presença de iodo com o teste da batata.

Recolha delicadamente com uma pipeta uma pequena quantidade da substância marrom que está

se formando no pólo positivo da pilha. E pingue-a em uma batata.

Observe o que ocorreu na massa amarela da batata.

ATIVIDADE

Você sabe que a corrosão (reação de oxidação)
dos metais também é uma pilha?

A corrosão dos metais é um grande problema para o homem desde
o momento que conseguiram retirá-los dos seus minérios.

Corrosão é a reação de um metal com substâncias do meio ambien-
te, como o oxigênio, e a umidade do ar.

Constantemente estamos presenciando a corrosão de objetos pro-
duzidos com o metal ferro e com aço (liga de átomo ferro + átomo de
carbono), a qual é mais conhecida pelo nome de ferrugem.

A ferrugem é uma substância obtida por uma reação semelhante a
do papel alumínio com a obturação de amálgama do dente.

Procure conhecer a reação química que dá origem à ferrugem e o processo nela envolvido.

ATIVIDADE

Órgão Elétrico Artifcial107

Química

O ferro, o aço e outros metais podem ser protegidos da corrosão
cobrindo a superfície do metal com uma camada fna de tinta, isolan-
do-o da umidade e do oxigênio ou com uma camada de outro metal
(cromo, níquel, cobre, prata, zinco, estanho).

Se o metal utilizado for mais reativo que o metal que vai ser pro-
tegido ele irá se oxidar antes. Por exemplo: nos cascos de navios, co-
locam-se placas de zinco, que se oxida mais facilmente que o ferro.
O zinco, no caso, é chamdo “metal de sacrifício” e a técnica funciona
desde que o metal que se oxida antes seja reposto à medida que vai
sendo consumido.

Como por exemplo, o ferro ou aço podem ser protegidos pelo zin-
co (zincagem) porque se a superfície sofrer rachaduras, o metal zin-
co sendo mais reativo (potencial de oxidação é maior que o átomo de
ferro ou aço) vai reagir primeiro formando uma película de Zn(OH)

2

sob a superfície.

Esse composto, que não se dissolve em água, funciona como âno-
do (pólo –) e o metal neste exemplo é o cátodo (pólo +).

A proteção de uma superfície metálica com outro metal é um pro-
cesso conhecido por Galvanização.

As obturações também protegem o dente que foi corroído pelos
ácidos produzidos pela ação de bactérias sob os restos de alimentos
presente na boca.

Os amálgamas, as pilhas e acumuladores não causam problemas
ambientais quando estão sendo utilizados ou guardados em nossas ca-
sas, mas originam um sério problema quando se tornam resíduos e vão
parar nos lixões de nossas cidades.

Esses objetos causam problemas ambientais porque os materiais
usados em sua composição são metais pesados (densidade alta), mer-
cúrio (Hg), chumbo (Pb), cádmio (Cd) e arsênio (As), que acabam
sendo retidos no solo e embaixo das águas de nossos rios, contami-
nando-os, consequentemente, acarretando problemas de saúde para
os seres vivos.

Como elementos livres não é tóxico mas na forma de íons positivos
(cátions), em solução, e quando estão ligados às longas seqüências de
átomos de carbono (compostos orgânicos) o são.

O mercúrio é usado em alguns tipos de pilhas como as dos apare-
lhos de audição e nos fashes. No descarte, elas podem ser queimadas
como lixo e o gás de mercúrio vai para atmosfera.

Não se esqueça que o dente obturado com amálgamas também tem

mercúrio.

A maior parte do mercúrio encontrado no ar está na forma de íon

Hg+2

, seus vapores são perigosos, atacam o sistema nervoso central,
também podem prejudicar os rins e o fígado e também o desenvolvi-
mento de fetos.

Matéria e sua Natureza

108

Ensino Médio

A contaminação por mercúrio pode ocorrer também com o uso da
água e/ou comida, causando irritabilidade, tremores, distorções da vi-
são e da audição, problemas de memória, pulmões, náuseas, vômitos,
diarréia, aumento da pressão arterial, irritação nos olhos, pneumonia,
dores no peito, tosse.

Na água potável há pequenas quantidades de metais que não cau-
sam problemas à saúde dos seres vivos, mas eles podem se acumular
com o tempo, principalmente o mercúrio e cádmio, que podem estar
no organismo dos seres vivos aquáticos em alta quantidade.

Os amálgamas utilizados nas obturações podem
contaminar o ser humano?

O chumbo é mais utilizado nas baterias dos automóveis para for-
necer energia elétrica à partida do motor, mas os íons de chumbo são
transformados nas substâncias reagentes durante o processo de recar-
ga que ocorre após seu funcionamento.

A contaminação pelo chumbo usado nas baterias dos automóveis
pode ocorrer durante a reciclagem das baterias se não forem mantidos
os cuidados necessários.

Quando em excesso no nosso organismo, o chumbo penetra nos
tecidos, depositando-se nos ossos, substituindo os íons de cálcio, po-
dendo ocorrer nos idosos e enfermos a “dissolução” dos ossos (osteo-
porose). O cádmio é muito usado nas pilhas recarregáveis níquel-cád-
mio (nicad) para o funcionamento de calculadoras, aparelhos celulares
e outros aparelhos.

Quando esta pilha é queimada, seus gases acabam na atmosfera
mas nós inalamos pequena quantidade de cádmio que vem pelo ar.

A maior parte do cádmio vem da nossa dieta alimentar como por
exemplo: da batata, do trigo, do arroz e de outros cereais. O cádmio
em excesso no nosso organismo se acumula nos rins e no fígado, po-
dendo causar doenças crônicas renais.

Os metais pesados acabam sendo retidos na camada superior do
solo, sendo também acessíveis para as raízes das plantas, conseqüen-
temente, participando no nosso metabolismo.

O consumo de pilhas e baterias tem crescido com o desenvolvi-
mento de novos aparelhos eletrônicos.

Procure no comércio os tipos de pilhas disponíveis ao consumidor, registre sua composição quími-
ca. Entreviste um dentista e conheça os tipos e o destino das amálgamas e resinas utilizadas.

Convide um colega para discutir o uso e o destino de cada tipo de pilha encontrada, registre o re-

sultado das discussões e proponha uma ação para diminuir esses resíduos nos lixos domésticos.

ATIVIDADE

Órgão Elétrico Artifcial109

Química

Obras Consultadas

AMBRÓSIO, R.C.; TICIANELLI, E.A. Baterias de Níquel-Hidreto Metálico:

Uma Alternativa para as Baterias de Níquel-Cádmio. QUÍMICA NOVA. São

Paulo, v.24, n. 3, p 243-246, 2001.

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Luis Carlos Marques Carrera, 2. ed. Porto Alegre: Bookman,2002.

BRADY, J. E; RUSSEL, J.W.; HOLUM, J.R. A matéria e suas
transformações
. Tradução de: J.A. Souza, 3 ed. Rio de Janeiro: LTC,v.2,

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CHAGAS, A.P. Os 200 anos da Pilha Elétrica. QUÍMICA NOVA. São

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HALL, N. Neoquímica: a química moderna e suas aplicações. Tradução

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HENEINE, I. F. Biofísica Básica. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 1996.

HIOKA, N.; MALONCHI, F. et al .Pilhas e a Composição dos Solos. QUÍMICA
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. São Paulo: n.8, p. 36-38, 1998.

HIOKA, N.; SANTI, O. F. ET AL. Pilhas de Cu / Mg – Construídas com

materiais de fácil obtenção. QUÍMICA NOVA NA ESCOLA. São Paulo, nº

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KOTZ, J.C.; TREICHEL JR, P. Química e Reações Químicas.Tradução

de: José Alberto Portela; Oswaldo Esteves Barcia. 4. ed. Rio de Janeiro:

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MACEDO, H. Físico-Química: I,m estudo dirigido sobre eletroquímica,

cinética, átomos, moléculas, núcleos, fenômeno de transporte e de superfície.

Rio de Janeiro: Guanabara, 1988.

MASTERTON, W.; SLOWINSKI, E.J.; STANITSKI, C.L. Princípios de
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UCKO, D. Química para as Ciências da Saúde: uma introdução a

Química Geral, Orgânica e Biológica. Tradução de: José Roberto Giglio. 2.

ed. São Paulo: Manole,1992.

Introdução

110

Ensino Médio

I
n
t
r
o
d
u
ç
ã
o

A Biogeoquímica trata dos conhecimentos químicos relacionados aos
processos que ocorrem com os seres vivos e com o nosso planeta.

Um dos conceitos abordados é o de soluções. A palavra solução,
para quem nunca estudou Química, pode signifcar decisão, conclu-
são, ou até mesmo o resultado de um problema.

Em um refresco, numa xícara de café, no soro fsiológico e até mes-
mo em um copo de água ou na água do mar encontramos várias subs-
tâncias formando uma mistura homogênea que chamamos de solução.

As soluções como: urina, suor, água, saliva, estão presentes no nos-
so organismo e são importantes para manter o equilíbrio e eliminar as
impurezas.

Fonte: http://www.sxc.hu

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