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História da gata Borralheira - diferenças entre o conto tradicional e o conto de sophia

História da gata Borralheira - diferenças entre o conto tradicional e o conto de sophia

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Conto popular

A gata borralheira Conto de autor
 A simplicidade linguística prende-se com a tentativa de captar o real, aproximando-se dos textos orais.

 A clareza de linguagem facilita a compreensão do conteúdo enunciado pelos contadores de histórias.

 No conto oral/ tradicional deparamo-nos com uma
rapariga pobre e maltratada pela madrasta que a obrigava a fazer as tarefas domésticas enquanto ela e as filhas descansavam e se divertiam. A rapariga vestia-se pobremente enquanto as filhas da madrasta se vestiam com aprumo e algum luxo. Deparamo-nos, igualmente, com um elemento sobrenatural: a fada. A fada encanta a rapariga pobre oferecendo-lhe um vestido adequado, um par de sapatos e uma carruagem para que se pudesse deslocar ao baile, no Palácio, sem correr perigos. Avisa-a que o encanto cessará à meia-noite.

 A Gata borralheira de Sophia vive com o pai falido
e os irmãos, uma existência feliz mas modesta. A jovem tem de optar entre uma juventude sossegada, sem vida social, e viver em casa da madrinha e ter acesso a um mundo a que sempre sonhou pertencer. O primeiro contacto que teve com esse universo foi num baile na casa de um casal amigo da madrinha. Foi de vestido emprestado e com uns sapatos rotos. Fizeram-lhe perceber que ela não pertencia àquele mundo. Foi gozada e humilhada. A sua escolha havia sido feita nessa altura: “Tenho de escolher outro caminho. Um dia hei-de voltar aqui com um vestido maravilhoso e com sapatos bordados de brilhantes." Na verdade, a sua vida mudou radicalmente a partir do momento em que decidiu ir viver com a tia. Casou com um homem abastado, o tempo parecia não a afetar já que não envelhecia e até parecia estar cada vez mais bela. As amizades eram cada vez mais e tinha sucesso em tudo o que fazia. Haviam já passado vinte anos desde o momento em que havia decidido não continuar a ser humilhada. Recebeu um convite para um baile precisamente na mesma casa e na mesma noite de Junho. Aceitou o convite e resolveu apagar, com a riqueza que possuía agora, a humilhação do passado. Encomendou uns sapatos de brilhantes verdadeiros, talvez por terem sido os sapatos uma das principais causas da humilhação sofrida. Na noite do baile todas as atenções se viraram para ela. Voltou à sala onde se havia refugiado 20 anos antes e do espelho saiu um homem. Também ele "ostentava inteligência, poder, posse e domínio". Este pediu o sapato do pé esquerdo à Gata Borralheira, que não lho quis dar. Perante a recusa, apresentou-se como sendo "o outro caminho" que ela havia escolhido vinte anos atrás. Lembrou-lhe que desde há vinte anos ela só conhecia a glória e o sucesso enquanto os outros haviam conhecido humilhações e outras espécies de privações, razão pela qual queria o sapato do pé esquerdo dela e concluiu com uma expressão enigmática " é o preço do mundo". De manhã foi encontrada morta e a causa apontada foi uma síncope cardíaca. Para o sapato de seda azul, roto e manchado é que não havia explicação. Ficará implícito que o preço do mundo que este ser sobrenatural lhe pede será uma alusão à expressão "vender a alma ao Diabo?". Haveria uma espécie de pacto com as forças do mal em que se trocaria a alma por uma vida de sonho?

Ao aperceber-se de que é quase meia-noite, sai rapidamente do baile e perde um sapato. O Príncipe, que não havia esquecido os encantos da rapariga, convida todas as jovens do reino a dirigirem-se ao palácio e a experimentarem o sapato que havia sido encontrado no jardim. A madrasta e as suas filhas gozam com a rapariga e obrigam-na a ficar em casa enquanto elas se dirigem ao Palácio para experimentarem o sapato. O Príncipe, desiludido por nenhuma das jovens conseguir calçar o sapato, ordena que todas as raparigas do reino venham ao Palácio sob pena de serem sancionadas. Ao ver a Gata Borralheira calçar o sapato, o príncipe fica hilariante por ter encontrado, finalmente, a sua amada e pede-a, de imediato, em casamento. A madrasta e as filhas ficam furiosas e não compreendem como pode ser a Gata Borralheira a donzela dos sonhos do Príncipe.

 O bem vence o mal no final da narrativa o que é,
aliás, usual na literatura oral/ tradicional. A heroína, sofredora devido aos maus tratos da madrasta e das filhas desta, acaba por ser recompensada, ao invés das personagens maléficas que acabam exemplarmente castigadas.

 No conto de Sophia Mello Breyner assistimos a um

percurso interior da personagem mais complexo. A menina pobre é assediada pelos requisitos de um mundo aliciante pelo qual se sente atraída. Opta entre uma vida modesta, com o pai e os irmãos, e a riqueza. Deslumbra-se e escolhe a segunda opção.

html . adaptado de http://www. talvez numa tentativa de encontrar forças para se manter fiel à opção que havia tomado. mas necessitava de olhar o vestido que guardara da noite em que havia sido humilhada.redem. no auge da glória.org/boletin/boletin301107c. O sucesso foi-lhe cobrado e. Sophia finaliza o seu conto penalizando a personagem que optou pelo materialismo em detrimento do valor da família. ostentando riqueza e poder. Sophia deu liberdade de escolha à personagem que construiu e sugere-nos através do seu exemplum de vida o facto de não podermos escapar às consequências de determinadas opções que fazemos. pagou-o com a própria vida.Durante vinte anos vive confortável.

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