O Resgate

Srta Deka

-- Anda Nemo, senão a gente vai perder o ônibus! Sabe aqueles momentos em que você gostaria de voltar no tempo para mudar uma atitude errada? Eu sinto essa vontade toda vez que me chamam de Nemo. Maldita hora que eu decidi colocar aquela camisa listrada laranja e branca. Não! Maldita hora que eu tive que parar pra amarrar meu cadarço e o chato do meu irmão gritou: ANDA LOGO NEMO. Pra quê? O apelido pegou e eu nunca mais fui chamado pelo meu nome: Arthur. -- Planeta Terra chamando! Você quer que a gente perca a excursão? -- É claro que não. Principalmente depois de o John dizer para eu não ir. -- Você adora irritar o seu irmão. -- Ele vive pegando no meu pé. Desde que o papai morreu que ele resolveu assumir o lugar de homem da casa e fica querendo mandar na minha vida. -- É, tem horas que ele é bem irritante, mas ele acaba sempre estando certo. -- E o que poderia dar errado em uma excursão escolar? -- Sei lá. O ônibus podia explodir ou sofrer um seqüestro... A mente do seu irmão é bem criativa. -- KKKKKK Ele disse que eu poderia passar por algum trote na Universidade de Yale. -- E é justamente para lá que você quer ir. -- Claro! Você disse que ele sempre está certo. Vamos ver.

***

-- Nós já estamos aqui há 30 minutos e eu ainda não sofri nenhum seqüestro. Acho que dessa vez o John errou. -- E você realmente deveria ficar feliz por isso. Sabia que nós estamos no lar da Skull & Bones? -- Você acha o que? Que um futuro presidente da república vai me seqüestrar? -- Você não devia fazer piada desses caras, eles são perigosos.

-- Ok. Já entendi. O John fez lavagem cerebral em você antes da excursão. -- Nemo... -- Uau! -- Hã? Que foi? -- Não viu aquela gata universitária passar? -- Gata? Se liga Nemo, não adianta perder tempo paquerando as garotas daqui, nenhuma delas vai querer perder tempo com um peixinho do colegial. Hahaha. -- Vai rindo. Enquanto você fica aqui com medinho eu vou conquistar uma namorada universitária. -- Vai macho Alfa, mas toma cuidado. Mal sabia Nemo o que lhe aguardava. Ele já tinha perdido a garota de vista, mas continuou andando talvez encontrasse alguma pista dela. Nada. Quando viu que estava perdido começou a gritar. -- Oi, olá. Tem alguém aí? Eu to meio perdido. Preciso de ajuda. Mas já era tarde. A única coisa que conseguiu ver depois disso foi um saco enorme o envolvendo. -- Socorro! Socorro! E os três caras o carregaram para longe.

***

-- Scott, cadê o Arthur? -- Não sei professora, ele já devia estar aqui. -- Liga para ele e avisa que o ônibus vai sair em cinco minutos. Se ele não se apressar nós vamos partir sem ele. Esse era o problema, todas as ligações iam direto para a caixa postal. Será que ele conseguiu ficar com a garota? Não, não conseguiu, ali está ela. Mas se ele não está com ela, onde é que ele se enfiou? -- Anda Scott, vem pro ônibus, não fica dando sopa pros caras da Skull & Bones. SKULL & BONES. Não! Eles pegaram o Nemo. O que eu faço? Trimmmmm -- Casa dos Hawkins. -- John?

-- Scott? Aconteceu alguma coisa? -- A Skull & Bones pegou o Nemo.

***

Meu único irmão preciso salvá-lo. O problema é que John chegou à Universidade de Yale bem na hora de uma festa de confraternização. Traduzindo: música alta, multidão, jovens caindo de bêbados. Como passar por aquilo e como achar uma pista da irmandade. O jeito era enfrentar a multidão. - Com licença. Com licença. Por mais educado que fosse, o álcool e a música não permitiam que eles entendessem alguma coisa. Cansado de ser ignorado, John continuou a andar sem se importar com quem estivesse na frente. -- Aiiiii! Não olha por onde anda não? John acabou esbarrando feio em uma garota de cabelo azul. -- Desculpa, não foi minha intenção. -- Nossa! Se tivesse sido eu tinha perdido um braço. John começou a juntar os livros que ela tinha derrubado. -- Eu posso te ajudar em alguma coisa? Pra onde você estava indo? -- Indo? É... Não lembro. -- Não? -- Eu me esqueci... de novo. Oi! Meu nome é Polly. E o seu? -- Me chamo John. -- John? Bonito nome. Você estuda aqui? Porque eu nunca te vi... ou pelo menos não me lembro. -- Eu só estou aqui para encontrar o meu irmão. -- E onde ele está? -- Não sei se deveria te dizer isso... ele foi seqüestrado pela Skull & Bones. -- Coitado. E como você vai encontrá-lo? -- Não sei, mas preciso encontrar o Nemo. -- Seu irmão tem nome de peixe? Que engraçado. -- Na verdade o nome dele é Arthur, Nemo é o apelido que eu coloquei nele.

-- Legal. Você vai viver seu próprio Procurando Nemo. Posso te ajudar? -- Não quero te causar problemas. -- Já causou. Me fez esquecer para onde eu ia. Agora eu não tenho para onde ir. -- Mas... -- Sem mas. Eu vou com você.

***

Nemo acordou com a cabeça doendo. Um dos caras que o seqüestrou lhe deu um pancada na cabeça quando ele tentou escapar. Agora estava vendado e amarrado a uma cadeira. -- Onde eu tô? -- No porão do covil da Skull & Bones esperando para servir de sacrifício em algum trote da irmandade assim como nós. -- Você tá falando sério? -- Eu não brincaria com isso, principalmente estando vendado e amarrado. -- Você também? -- Todos nós estamos. -- Há quantas pessoas aqui? -- Você sempre faz tantas perguntas assim? -- Eu nunca fui seqüestrado antes não sei como devo me comportar. Bom, eu me chamo Nemo... quer dizer Arthur. -- E ele ainda se apresenta. Aff. -- Liga pra ele não Nemo. Esse é o Neal, o popular chefe de torcida. Eu sou a Sally, presidente do clube de teatro. -- Eu sou o Tim, calouro de Psicologia. -- Brandon, redator do jornal da universidade. -- Daniel, afilhado do decano do departamento de Letras. -- Megan, estagiária do necrotério da escola de Medicina. -- Humhumhum. -- Essa é a minha irmã gêmea May. Ela é muda. Trabalha comigo. -- Tanta gente aqui e vocês não pensaram em fugir?

-- Deveriam ter vedado a boca desse garoto também. É claro que nós já pensamos em fugir, só que amarrado fica difícil. -- Também não precisa falar assim Phil, esse seu mau humor ofusca a sua mente brilhante. -- Ok. Qual a idéia do peixinho para nos tirar daqui? – perguntou Phil. -- Unir forças pra derrotar o inimigo.

***

John e Polly seguiram em direção a biblioteca, pois com a quantidade de livros que Polly estava carregando ela só poderia estar indo pra lá. A idéia de John era deixar Polly por lá e continuar sua busca sozinho. O problema é que no caminho eles foram abordados por um trio de jogadores de futebol aparentemente perigoso. -- Para onde vocês estão indo crianças? -- A gente tá procurando... o que a gente tá procurando mesmo? -- O meu irmão. -- Nós podemos ajudar. -- Não é necessário. – disse John se afastando do trio. -- É claro que é. Faz parte do tratamento. – disse o líder do grupo enquanto segurava John. -- Que tratamento? – perguntou Polly. -- O tratamento para combater a prática do bullying. -- Eu nunca pratiquei bullying. -- Que maravilha! Você deveria dar o seu depoimento na próxima reunião do nosso grupo. -- Adoraria. -- Vocês poderiam discutir isso depois? Eu preciso encontrar o meu irmão o mais rápido possível. -- Onde está o seu irmão? -- Ele foi seqüestrado pela Skull & Bones. -- Skull & Bones? Então é melhor vocês correrem. Andem naquela direção, quando encontrarem uma porta verde peçam informação.

E eles andaram um bom tempo no caminho indicado até encontrar a porta verde. Abriram a porta. A sala estava cheia de objetos antigos dando ao local a aparência de um antiquário. -- Oláa tem alguém aqui? Surgiu um chinês de trás do balcão. -- Hi! -- Oi, me disseram que você poderia me dar informações sobre onde encontrar o meu irmão. O chinês começou a falar em mandarim e John ficou chateado achando que os jogadores estariam rindo da cara dele agora. -- Deixa que eu falo com ele. -- Você fala mandarim Polly? -- Claro. Polly se virou para o chinês e começou a falar. -- Hi. Xocê xabe londe encontrá Nemo? O chinês se virou e entrou em uma salinha nos fundos da sala. John ficou feliz achando que teria informações sobre seu irmão. Quando o chinês voltou estava trazendo o DVD de Procurando Nemo. Irritado John derrubou uma caixa de cima do balcão e dela caiu um peso de papel com a logomarca da Skull & Bones. John pegou o peso de papel e mostrou ao chinês o que ele queria. O chinês pegou embaixo do balcão um mapa com a localização do covil e entregou a John. Saindo da sala John analisou melhor o mapa. -- Legal, um mapa... com as instruções em mandarim. -- Deixa que eu leio. – disse Polly pegando o mapa. -- Não precisa Polly. Eu já vi como você domina o mandarim. – disse John pegando o mapa de volta. – Vamos seguir as imagens. O caminho indicado é pra lá. Os dois seguiam pelo caminho indicado, porém tiveram que se desviar dele para fugir de manifestantes furiosos que gritavam: Abaixo a opressão, nós queremos respeito, abaixo as fraternidades gregas! Esse pequeno desvio fez com que eles se perdessem na floresta. -- Que lugar lindo! Nunca tinha vindo aqui. -- Polly, nós estamos perdidos será que dá pra manter o foco? Você lembra porque nós estamos aqui?

-- Nós? Nós estamos juntos? Eu nem te conheço. Como é que você sabe o meu nome? Tudo o que John menos precisava agora era de uma crise de amnésia da Polly. -- Polly, meu nome é John nós nos esbarramos há umas duas horas e você disse que ia me ajudar a encontrar o meu irmão que foi seqüestrado pela Skull & Bones. -- Skull & Bones? Coitado. E como é que eu vou ajudar se eu nem sei onde eles se escondem? -- Nós estamos seguindo o mapa. -- Ah é, para achar o Nemo... Você tá ouvindo essa música? Eles seguiram o som e encontraram um grupo de hippies cantando músicas dos anos 70. -- Aí bicho chega mais vamo senti a melodia da canção. -- Vamos. – e Polly começou a se sentar. -- Polly, eu tenho que encontrar o meu irmão. Temos que ir agora. -- Paz e amor ae. Deixa a mina curtir o som. -- Não tenho tempo. Tenho que encontrar o meu irmão antes que a irmandade faça alguma coisa com ele. -- Maluco tu ta falando da irmandade dos ossos? John confirmou com a cabeça. -- Nós temos um mapa. – disse Polly animada. -- Então eu levo os dois de Kombi. -- Mas o mapa está em mandarim. – avisou John desanimado. -- Beleza brou, eu entendo mandarim. Pessoal, eu tenho que ajudar os bichos num resgate. Fiquem aí curtindo a natureza. -- Oba! Vamos resgatar o Nemo. – comemorou Polly. E os três entraram na Kombi e partiram. Um dos membros do grupo de hippies disse: -- O cara tem um irmão com nome de peixe. Isso merece um tweet. “Meu brou foi ajudar uns bichos a #resgatarNemo” O que ninguém esperava é que esse tweet fosse render muitos comentários e entrasse para os Treding Topics.

***

No porão da Skull & Bones os prisioneiros pensam em uma alternativa para escapar. -- Preparados para o sacrifício crianças? – debocha um dos membros da irmandade – Logo Gabriel vai chegar pra brincar com vocês. -- Luke! Não acabe com o fator surpresa. – disse ironicamente outro membro da irmandade. O celular de Luke soou um alarme. Novo tweet. -- Primeira HashTag do Treding Topics de hoje #resgatarNemo. Hahaha acho que tá todo mundo assistindo Procurando Nemo. -- É bom mesmo que todo mundo esteja distraído. Assim ninguém interrompe a nossa cerimônia. Vamos nos preparar. Os dois saíram da sala sem perceber que tinha repassado uma informação muito importante. -- Não sei do que esse cara gosta mais: de tortura ou de Twitter. – disse Sally. -- E qual das duas opções fez você se apaixonar por ele no ano passado? – gracejou Neal. -- Cala a boca Neal! -- Nós vamos ser sacrificados e vocês ainda ficam gastando energia brigando. Fala sério. – repreendeu-os Brandon aflito. -- O que será que eles vão fazer conosco? – perguntou Tim. -- Será que vão nos jogar pros cachorros? Nos amarrar de cabeça para baixo? Humhumhum? Nos esquartejar? Nos queimar na fogueira como na Idade Média? Humhumhum? – especulavam Daniel, Megan e May alternadamente. -- Eles vão apenas nos humilhar na frente de todos os membros da irmandade. – falou calmamente Phil. -- E você fala isso assim tão calmamente? – perguntou Tim. -- Pelo menos eu falo o que penso. Pior é o peixinho ali que não fala nada. Tá com tanto medo assim? Mas Nemo não estava mais assustado, ele estava surpreso com a notícia que recebeu sem querer. Seu irmão estava indo lhe resgatar. -- Ele tá vindo me salvar. – sussurrou Nemo. -- Surtou de vez. Está achando que alguém vai vir te salvar?

-- O meu irmão tá vindo me salvar. O cara disse: “resgatarNemo”. Só pode ser o meu irmão, ele disse que ia sempre me proteger. E eu não acreditei. -- Você tem certeza Nemo? – perguntou Sally. -- Tenho sim. -- Então nós temos uma chance garoto – afirmou Phil – qual o plano do seu irmão? -- Conhecendo o meu irmão, ele vai dar um jeito de se infiltrar aqui na hora que eles vierem nos buscar pro sacrifício e vai bater em todos eles, assim nenhum deles vai conseguir fugir e chamar reforço. Depois vai nos levar pra fora daqui. -- O seu irmão vai conseguir bater em todos aqueles caras? – perguntou Neal. -- Não, mas vai tentar. E é aí te nós entramos em ação. -- Peraí. Você tá insinuando que a gente vai bater nos caras também? Eu nunca bati em ninguém, eu sempre apanho de todo mundo. – afirmou Tim. -- Então você se abaixa durante a briga. – ordenou Daniel. -- Vai ser uma boa briga. Eles não estão esperando por isso. – lembrou Brandon. -- Vamos nos preparar. – ordenou Nemo.

***

Já era noite quando a Kombi chegou a um local sombrio e assustador. John e Polly saíram do carro. Polly estava um pouco assustada, mas tentava disfarçar até que um barulho a fez se agarrar ao corpo de John. Detrás de uma árvore surgiu um vulto misterioso. -- Ae brou, tudo belê? -- Tu certo parceiro. – disse o jovem misterioso. -- Brou, esses são os bichos que eu to ajudando. Bichos, esse é meu brou que vai ajudar vocês a entrar na irmandade. – disse o hippie fazendo as apresentações. -- Prazer, eu sou o Spyke. – disse o jovem se aproximando da Kombi e estendendo a mão em direção a John e Polly. – Vocês não precisam ter medo de mim. -- Eu sou o John. E essa aqui é a Polly. -- Oi. – disse Polly ainda agarrada a John. -- Polly, você já pode me soltar. Nós não vamos conseguir agir rápido se eu tiver que carregar você.

-- Desculpa. Eu devo assistir muito filme de terror. – disse Polly soltando John e indo em direção ao hippie que os ajudou. -- Hã. -- A Polly tem problema de memória. Tem dificuldade de lembrar eventos recentes. Por isso ela não sabe se assiste muito filme de terror ou não. -- A sua garota é bem maluquinha. – disse Spyke de maneira divertida. -- Ela não é a minha garota. – disse John rapidamente. -- Será?... – disse Spyke indo em direção ao amigo hippie. John ficou pensativo por alguns segundos. -- Se não quiser perder a garota de vista é melhor andar rápido porque a maluquinha tá indo em direção ao alçapão sem a gente. Os dois foram rapidamente ao encontro de Polly. Seguindo a direção indicada por Spyke eles chegaram ao alçapão. Antes de entrar, Spyke repassou o plano. -- Nós vamos fazer o seguinte: Descer pelo alçapão, seguir o caminho até a barreira de pedras, remover algumas pedras para abrir um buraco, passar pelo buraco, entrar no depósito, checar se há algum membro da irmandade lá (se tiver, bater nele antes que ele abra a boca), sair do depósito, subir as escadas, verificar se não tem ninguém na área, entrar no closet e se disfarçar, se misturar aos convidados, chegar ao porão, se esconder e me esperar enquanto eu vou à outra sala pegar os celulares deles de volta, bater nos carcereiros quando eles forem buscar os prisioneiros, pegar os prisioneiros e discretamente sair de lá pelo mesmo caminho pelo qual entramos sem esquecer de fechar o buraco que abrimos, e quando chegarmos aqui, entrar na Kombi do Led e vazar da área. Entenderam o plano. Alguma pergunta? Polly levantou a mão. – Quem é Led? -- O cara que deu carona para vocês. -- Ah tá! -- E como você sabe que esse alçapão vai dar no depósito da Skull & Bones? – perguntou John. -- Porque foi por ele que eu consegui fugir da última vez. -- Você já esteve preso lá? -- Sim. Peguem essas lanternas nós não temos muito tempo. Eu conto a minha história a vocês no caminho.

O caminho parecia com uma mina subterrânea igual ao que se vê nos filme de caça ao tesouro. Havia pedras e raízes por todos os lados e aparentemente não era 100% estável. -- Então, quando você foi seqüestrado? – perguntou John. -- Há um ano e meio. Eu meu amigo Phil e mais seis pessoas. -- Peraí, você tá dizendo que tem mais gente com o meu irmão. -- Costuma ter uma média de oito pessoas por cerimônia. -- E o que acontece nessas cerimônias? – perguntou Polly. -- Não sei. Eu não fiquei pra descobrir o que ia acontecer na minha. Quando os carcereiros estavam nos levando pro “sacrifício” eu e Phil pulamos em cima deles e os dominamos. Depois nos livramos das cordas e das vendas. Íamos procurar uma forma segura de sair de lá, mas alguns estavam assustados demais e começaram a correr, o que chamou atenção de alguns membros da irmandade e nós tivemos que correr também. Acabamos nos escondendo no depósito onde encontramos sem querer esse caminho e saímos de lá. -- E o que aconteceu com os outros? – perguntou Polly temendo pelo pior. -- Eles conseguiram fugir. Durante a confusão um dos garotos reconheceu entre os membros da irmandade um candidato a reeleição. Para não perder eleitores ele os salvou. Eu descobri isso uma semana depois. -- No seu plano não há nada sobre o fator medo. Se nós vamos disfarçados até o porão eles podem pensar que nós somos os inimigos. E não conseguiríamos salvar todos. E ainda corremos o risco de ficar presos. – disse John preocupado. -- Não se preocupe! O seu irmão já sabe que você está indo resgatá-lo. -- Como assim? -- Um dos amigos do Led twittou sobre a missão de resgate. Ele usou a HastTag #resgatarNemo que atualmente é a número um dos Trending Topics. E se o carcereiro que tá vigiando o seu irmão for o mesmo que eu encontrei durante a minha fuga ele tem muito corpo e pouco cérebro. Passa tempo demais checando o Twitter e esquece-se do resto. O que é ótimo pra gente. Com certeza ele já deve ter comentado sobre a HastTag e se o seu irmão for inteligente ele entendeu o recado. -- Espero que você esteja certo. -- Também espero. Agora vamos fazer silêncio. Preciso ouvir se tem alguém no deposito. Spyke encostou a orelha em uma fresta da parede de pedra.

-- Tudo limpo. Ajudem-me a tirar as pedras, nós vamos entrar. Lembrem-se de seguir o plano. Tudo estava indo como o planejado. Não havia ninguém no caminho até o closet. Já disfarçados só precisavam chegar ao porão em segurança. -- Por aqui, vamos. – ordenou Spyke. Eles estavam diante da porta de acesso ao porão. John estranhou a falta de guardas vigiando a entrada, nem câmeras havia. Por quê? Ora, uma fuga animaria a cerimônia, seria aberta a temporada de caça aos “carneirinhos” assustados. O que os membros da irmandade nunca esperaram era missão de resgate bem embaixo dos seus narizes. -- Se escondam aqui até eu voltar. – disse Spyke indicando uma cortina preta. Vinte minutos se passaram e Spyke não apareceu. -- Onde será que ele foi? Se ele não voltar até os guardas chegarem eu vou dar continuidade ao plano. -- Será que o capturaram? – disse Polly apreensiva. Um barulho os fez se esconder ainda mais na cortina. -- Chegou à hora de buscar as crianças. – disse Luke animado. Ele vinha acompanhado de Jason, outro membro da irmandade. -- Mantenha o foco Luke. Nada de Twitter. Gabriel confiou em nós para levá-los à cerimônia. John se preparava para pular em cima de Luke quando ouviu uma voz dizer: Faltou um. John pensava que a voz se referia a ele. Nessa hora Spyke caiu aos pés de Luke. -- Quem é esse? – perguntaram Luke e Jason. Pela voz percebia-se nitidamente que eles tinham medo de Gabriel. Gabriel: o belo rapaz a frente deles possuía uma voz tranqüila. Então por que todos o temiam? Por causa de sua cicatriz no pescoço. Não propriamente pela cicatriz, mas pela história por trás dela. -- É só um carneirinho fujão. Polly olhou Spyke no chão. Ele estava com muitos hematomas pelo corpo, mas estava consciente. John ia sair do esconderijo quando Spyke lançou um olhar significativo para Polly: espere o meu comando. Ela segurou John no lugar. -- Abram a porta. Busquem os carneirinhos.

Luke e Jason entraram no porão. Era hora dos seqüestrados colocarem o seu plano em ação. Quando os carcereiros terminaram de soltar o último deles da cadeira e começaram a conduzi-los a porta eles se rebelaram. Brandon, Daniel e Phil se jogaram em cima dos membros da irmandade enquanto Sally e os outros se soltavam. O som da briga chamou a atenção de Gabriel que entrou no porão. Quando o vulto de Gabriel sumiu Spyke se levantou e foi em direção aos amigos. -- O seu irmão tava realmente preparado. -- O que ele fez com você? – perguntou Polly. -- Ele só descontou o soco que eu dei nele quando fugi. Só que com juros. Ai. -- Você consegue correr? – perguntou John. -- Se for pra fugir daqui eu aprendo até a voar. -- Então vamos pegar meu irmão. Quando eles entraram no porão a situação dos seqüestrados não estava nada boa. Gabriel já tinha batido em Brandon e Daniel e agora tinha partido pra cima de Phil. Tim estava encolhido num canto como tinham ordenado. Neal no chão tentando se recuperar de um soco no estômago. Nemo havia quebrado uma cadeira na costa de Luke, mas ele continuava de pé. A história do muito corpo e pouco cérebro estava certa. Sally e Megan mordiam e chutavam Jason. Spyke foi ajudar Phil, John foi salvar o irmão de um soco de Luke e Polly começou a puxar o cabelo de Jason. Eram dez contra três, eles tinham que vencer e o mais rápido possível. A situação era desesperadora. Gabriel era ótimo lutador, conseguia dominar perfeitamente Phil, Spyke, Brandon e Daniel que tinham voltado à luta. John e Nemo usavam todo o conhecimento de artes marciais dos filmes de Jackie Chan contra Luke. Neal jogava os pedaços da cadeira quebrada em Luke para distraí-lo. E as meninas continuavam a se engalfinhar com Jason. Só um milagre acabaria com a briga e os tiraria dali. E o milagre aconteceu. Enquanto Jason jogava Polly e Megan no chão, Sally aproveitou para arranhar seu rosto. Enfurecido ele deu um soco em Sally que a fez voar longe.

Nessa hora Gabriel, que já havia se livrado de seus quatro oponentes, se deu conta de que Ela também tinha sido seqüestrada. Sim, Gabriel tinha um amor platônico por Sally. Gabriel voou pra cima de Jason e o imprensou contra a parede. -- Não ouse tocar nela de novo. Jason e Luke queriam questioná-lo, porém o medo era maior. -- Se você não quer que ela se machuque nos ajude a sair daqui. – disse Nemo. Gabriel fechou os olhos e pensou. E assim um antigo inimigo se tornou um aliado. -- Por onde vocês entraram? -- Sigam-me. – disse Spyke. E todos os sequestrados seguiram Spyke. Gabriel se virou para os companheiros de irmandade e disse: -- Se perguntarem digam que fui eu que os liberei. – Ninguém na irmandade teria a coragem de questionar uma decisão de Gabriel. Os seqüestrados chegaram ao depósito sem serem notados. Phil coordenou a passagem pelo buraco. -- Primeiro as damas. Sigam esse caminho até o alçapão. -- Nemo, você fica junto da Polly. – ordenou John. -- Vamos pessoal, corram! Todos os seqüestrados correndo em direção ao alçapão. -- Continuem a correr. Continuem a correr. – dizia Polly. Gabriel olhava intrigado para o buraco na parede. -- Como é que eu nunca vi isso? -- Ainda bem. Senão não teríamos conseguido fugir. – falou Spyke. -- Eu sei que vocês gostam daqui, mas eu gostaria voltar pro meu dormitório – comentou Phil. Quando os três chegaram ao alçapão os outros já estavam dentro da Kombi. Led ligou a Kombi ao avistar Gabriel. Para acalmá-lo Polly colocou a mão em seu ombro e garantiu que Gabriel era um aliado. Nessa hora Nemo olhou ao seu redor e se deu conta de que faltava uma pessoa. Sally entendeu o seu olhar e sussurrou ao seu ouvido: -- A May não existe. É apenas uma amiga imaginária da Megan. É ela quem faz o humhumhum. -- Hã? Eu realmente não deveria ter saído de casa hoje.

-- Hihihi. E deixar de viver essa aventura? Jamais. -- Agora que vocês já viveram uma aventura podem ir para casa antes que eu mude de idéia. – disse Gabriel. -- Você faz essa cara de mal, mas no fundo é um cara legal. – disse Spyke com a mão no ombro de Gabriel. -- Não força Spyke. Nós não somos amigos. Vão pra casa. Eu tenho que ir vedar uma rota de fuga. -- Mas... -- Vamos embora Spyke. – disse John puxando Spyke para dentro da Kombi. Gabriel já estava perto do alçapão quando Sally o abordou. -- Se você quiser sair pra comer uma pizza eu to livre na sexta. – disse isso e voltou correndo para a Kombi. Gabriel ficou com um sorriso largo no rosto, hoje iria sonhar com sua amada.

***

-- Ae bichos, tão entregues. -- Valeu a carona Led. – agradeceu Polly. Todos foram para os seus dormitórios. John e Nemo se despediram de Polly. Ela se sentou na praça e ficou vendo-os ir embora. -- Você vai deixar mesmo ela escapar, mané? Se fosse eu... -- Do que você tá falando Nemo? -- Da Polly. Eu senti que tá rolando um clima entre vocês. -- Você tá imaginando coisas. Ela só me ajudou a te resgatar. Nada mais. -- Sei. Então por que você ficou com ciúme quando ela passou a mão no rosto machucado do Spyke. -- Eu... eu... não fiquei com ciúme. -- Você é um péssimo mentiroso. O que seria de você sem mim? Nemo se virou em direção a Polly. -- Polly, o John tava pensando se você não quer ir jantar com a gente. Depois dessa aventura você também deve tá com fome. -- Adoraria. – disse Polly super feliz indo ao encontro dos irmãos Hawkins.

E os três foram andando até o restaurante. Nemo se distanciou dois passos para deixar o casal mais a vontade. E quando olhou pelo retrovisor de um carro estacionado viu o irmão segurando timidamente a mão de Polly.

FIM

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