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LENDAS SOBRE ORI

Itans e seus Mitos LENDAS SOBRE ORI Orí é a denominação dada à cabeça física. Entre os povos bini, da Nigeria, a cabeça é considerada o receptaculo das ideias, opiniões, emoções e sofrimento do individuo, e está ligada ao destino e à sorte. Orí é todo o Asè que uma pessoa tem, e sua sede é na cabeça. É ela que, geralmente, vem primeiro ao mundo e abre o caminho para trazer o resto do corpo. Ela é a sede da consciencia e dos principais sentidos fisicos. ORÍ ÒDE e ORÍ INÚ Orí Òde é a denominação da cabeça fisica e Orí Inú é a cabeça interior. A primeira é confiada a Osanyin e a Ogun, ou seja, ao saber médico. A segunda é ligada a Ifá e aos Orisa, ou seja, ao saber divino. Orí Òde é que se presta para o suporte das obrigações iniciaticas. Orí Inú é a essencia da personalidade, a personalidade da alma do homem e deriva diretamente de Olodumare. É ele quem a coloca no homem, mas que, apos a morte, a ele retorna. Todo Orí possui uma individualidade, está relacionada com a qualidade que possui. Uma pessoa prospera é chamada de Olori Rere '' O que possui cabeça boa '', enquanto aquele que é desafortunado é descrito como Olori Buruku '' O que possui cabeça ruim ''. Isto está relacionado com o destino das pessoas. Nem um Orí é essencialmente mau, mas o destino é o fator que pode afeta-lo. Orí Inú é o ser interior ou ser espiritual do homem e é imortal. Orí Òde é a cabeça fisica propriamente dita ou a materia. Ela é mortal e oposição a Oro Inú, que foi criado por Ajala, um antigo Orisa. Sendo assim o Orí se torna a parte mais importante do corpo, é concedido à cabeça muito respeito como elemento principal nos atos iniciatorios: Pelo o uso das tinturas de encantamento, efun, osun e waji; a fixação do Ikodide os banhos de infusão de ervas e o Eje. No ato de consulta à Ifá é provocada a participação do Orí no jogo, tocando os buzios na testa do consulente. E é o Orí Inú que fala e determina as suas condições, que muitas vezes pode ser contraria às do Orisa da pessoa como rege a frase: Òtò ni orí, òtòni òrìsà. 'Orí é diferente de Orisa'. Se o ser interior for negativo, o exterior terá como consequencia a perdição e desajustes constantes. Orí Inú e Orí Òde são dois fatores contraditorios em sua natureza e que influenciam o homem. Restaurar esse equilibrio entre as duas partes é o objetivo dos ritos, em especial o Borí. Para essa sobrevivencia é necessario observar quem irá desempenhar a função de colocar a mão em seu Orí. Pois a pessoa pode ter mão ruim Owo Buruku, mão de feitiço Owo Aje. Saber distinguir quem tem mão de sorte ou mão boa Owo Rere, é tarefa do jogo. Somente uma pessoa deve mexer em nosso Orí, isso depois da propria divindade dizer se aceita, atravez da cabeça ou da pratica divinatoria, ou o propio Orí dizer o mesmo, atravez da pratica divinatoria. Orí é o mesmo que um Orisa e se comporta como tal, inclusive fala na pratica divinatoria. Em nosso Orí vive nosso Orisa, que é '' Lavado, assentado e feito''. Só existe um caso em que de forma nem uma que se coloca a mão em um Orí e muito menos Santo em uma pessoa, é quando a pessoa é de Olori Merin, por que esse Orí pertence a quatro donos, em pé de igualdade. Esses quatro Orisa juntos formam um só Orisa, mesmo assim cada um mantem sua individualidade. Esse é um breve conceito de Orí onde pude ter essa concepção ao ler o livro do Prof. Beniste Orun Aiye que recomendo a todos. ITAN SOBRE ORI Afuwape - filho de Ò rúnmìlá, que viviam no Òrun (céu), um dia foram consultar seus adivinhos, pois nada dava certo para eles, a negatividade era muito grande. Como eles queriam ir para o Àiyé (terra, mundo), foram perguntar o que deveriam fazer para escolherem o seu destino na casa de Àjàlà. (moldador de

eles responderam que vieram escolher o seu Orí para poderem continuar a viagem até o Àiyé. onde ficava a casa de Àjàlà. sal e búzios. Quando estavam indo para casa de Àjàlà. que seguiu para a terra e chegando encontrou seus amigos. contudo o que diferenciava os Orís. Chegando a casa de Àjàlà. e estes quebravam. e este estava temperando sua comida com cinzas. ficou com vontade de visita-lo mas não o fez. o qual explicou que foi no mesmo lugar que eles. assim teriam que esperar 3 dias. Quando Àjàlá apareceu. Enquanto isso na casa de Ò rúnmìlà. encontraram um senhor que socava no pilão Inhame com agulhas. Obs. Os adivinhos falaram que quando estivessem ido para casa de Àjàlà. ao passar perto da casa de seu pai. o seu filho contou que havia desrespeitado os conselhos de seus adivinhos. e o filho de ògún quis ir visita-lo. INTRODUÇÃO SOBRE ORI Um dia Òlorun convocou os Irúmonle para transmitir o Àse do destino a cada um . pois o mesmo tinha viajado. Quando estavam se aproximando da casa de Ò rúnmìlà seu filho ouviu o sino tocar. antes do filho de Ò rúnmìlà. Afuwape ficou intrigado com este tempero então. no que foi acatado. na esperança de escolherem o melhor Orí. Ò rúnmìlà convocou seus adivinhos para fazerem Ebó para seu filho. mas Àjàlá não tinha como pagá-los. Afuwape entrou na casa e perguntou quanto era a divida de Àjàlá. com a bengala batia nos Orís. ele pode ser tratado mas nunca mudado. Para os Orís cada preceito é diferente um do outro. no entanto os outros dosi alertaram para que os adivinhos falaram. A partir daí. foi visita-lo enquanto os outros 2 amigos seguiram para a casa de Àjàlà. Ao seguirem viagem entre os dois mundos. houve uma chuva muito forte e os Orís se estragaram. modificando o gosto. pois era parada obrigatória. Os dois escolheream os Orís mais bonitos e maior que encontraram. pode dizer que basicamente são iguais. Conforme foi instruído. o senhor disse a eles que deveriam encontrar Oníbodé (porteiro) da casa de Àjàlà. assim deu a Afuwape. não respeitou o que os adivinhos falaram. não deveriam parar na casa de seus pais. pois queria se despedir de seu pai. que quiseram saber onde ele tinha escolhido seu Orí. foi comunicado que o pagamento tinha sido feito por ele que tinha ido a sua casa para escolher o seu Orí. e como forma de agradecimento explicou como chegar a casa de Onibode. Ao sair de casa para seguir viagem Afuwape parou em um lugar onde encontrou um Olobe (fazedor de Obe=faca). pode não ser para o outro). mas o senhor disse que não poderia explicar enquanto não terminasse de trabalhar. ou seja não podiam parar. cada um tem o seu e são diferentes entre si. não o encontraram. filho de Ifá disse que iria ajudalo. e perguntaram a ele. no que os cobradores responderam que era de 16 Kaurins (Búzios) e assim o filho de Ò rúnmìlà pagou e os cobradores foram embora. o que foi feito. recebendo de tais adivinhos um conselho ou seja que deveria levar até a casa de Àjàlá duas coisas muito importantes.destinos). O preceito do Borí (dar comida a cabeça). em um determinado Orí Àjàlá bateu e o mesmo não quebrou. acompanhou o filho de Òrúnmìlà para escolha. colocou uma pitada de sal. era o Kàdárà (destino do homem). Durante o caminho Oriseku em um determinado momento ouviu o som da forja. mas não conseguiram alcançar prosperidade. no que Olobe ficou muito satisfeito. Orileenere. Cada ser humano tem o seu Ayamino (destino fixado ao homem). as pessoas da casa perguntaram o que eles queriam. Esta lenda é para mostrar que não se pode dar a mesma receita de como encontrar (ter) um bom Orí. Também Orileenere. Afuwape cumpriu ao perguntar por Àjàlá a Onibode. mas não idêntico a cada Orí (o que é bom para um. este contou que Àjàlá estava escondido no teto pois cobradores estavam em sua casa para receberem um pagamento. Àjàlá juntamente com sua bengala de ferro. assim ao chegarem na terra tiveram que trabalhar bastante.

eu não serei '' '' Se meu Orí não permitir que meu Òrisà receba oferenda. mesmo que seja para Um simples carinho ou ritual. e fez o que havia sido prescrito.Alma e Personalidade Ori tem a propriedade de ser controlador. a personalidade e o destino. e Orí já se encontrava diante de Òlorun aprendendo a manipular o destino. algo que é individual. Tudo se realiza com sua permissão. É Orí que detém o poder antes do Ser tomar forma. Ori guarda todas a s chaves para o êxito da vida do homem. OBS: Uma frase sempre é utilizada por sua verdade. Ele é a alma. para que a alma ou o espírito possa seguir seu caminho no Plano astral.pessoa de boa cabeça Olori Buruku pessoa possuidora de cabeça ruim. a Oya. Orí é importantíssimo. Ori e Eledá (alma) se juntam e. ao levantar antes do sol nascer. ou seja. comanda todas as atividades. Então chamou Orí e juntos transmitiram o Àse aos Òrisà. realizam rituais como: Asese (vigília): para que possa haver a separação." A hierarquia do candomblé Ketu: .Diz o Oriki: Nada se faz se Ori não permitir! Ori . No caso de morte. as riquezas. Ori recebeu três coisas essenciais para sua existência: A preparação para a vida na Aiye (terra) A preparação para a Iku (morte) e A preparação para a vida no Orum (céu) Isto possibilita que no Aiye exista a união Ori + Ara (corpo + cabeça). Ele armazena em um só local todas as informações necessárias para a existência do homem. que a partir de então passaram a ser cultuados como Òrisà e assim como até hoje. Mas atenção: mesmo que haja separação. Lembrem-se que o sucesso ou fracasso depende do Ori e suas qualidades. raios e ventanias. Ori é independente do ser (corpo físico) e embora esteja ligado a ele. CRENÇA AFRO-BRASILEIRA SOBRE ORI Ori é a massa elementar que comanda o ser humano como um todo. as tempestades. transformando-os ou aprimorando toda e qualquer idéia que passe Por ele. inteligência. físicas ou não. Os outros Òrisà ficaram inconformados e foram procurar Olodunmare e este concordou em transmitir o mesmo Àse a eles também. '' Se meu Orí não permitir que eu seja ajudado(a). Orí transmitiu seu Asé à cabeça de cada Imonle. Estas são qualidades do homem que integram Ori. ele amadurece todos os Pensamentos. caso necessário. deve-se Ter todo cuidado ao deixar o Ori na mão de estranhos. dos metais e dos caminhos e assim por diante. a Ògun o domínio das guerras. Orisá Olori (senhor da Cabeça) e Ori. Ficou assim. o primeiro a ser cultuado. Por ser uma parte concentradora de energias benéficas e maléficas. o único detentor de todos os poderes inclusive o de manipular o destino. seu destino. Todos os dias pela manhã devemos segurar nossa cabeça e recomendar a nosso Orí que nos permita realizar nossos intentos. Nele encontramos o Asé (força) que forma a personalidade do ser e faz com que cada um pense e haja de forma diferente.. tornando-se o Òrisà mais importante em relação aos outros Òrisà...deles. Os outros Òrisà só conseguiram acordar depois que o sol havia nascido. Orí. cada um deveria oferecer um Obi e com ele jogar. as águas. " Se o Ori não quiser. suas funções comandam todas as outras. a Osun a fertilidade. é como a impressão digital de cada ser.Ekedi e Àjòiès: Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em . Além de guiar a vida. Todos os Òrisà queriam o Àse e foram procurar seus adivinhos para saber como fariam para obter esta força. ele não receberá '' '' Se meu Orí não permitir que eu trilhe determinado caminho. Então foi recomendado que. é ele o primeiro a vir ao mundo quando no momento do nascimento e que o acompanha até após a morte. Algumas saudações: Olorire . bons pensamentos e memória. Ori tem a função de gestar o Asé do homem. eu não o farei '' Assim sendo. Ori nunca morre. nem o Òrìsà pode. no caso de morte. A Sàngó ficou o domínio dos Trovões e ventos. O únicp que conseguiu acordar antes do sol foi Orí. A partir deste Itan entedemos que cada ser criado por Olodunmare possui o seu Orí. ou seja.

Titulo feminino usado no culto de Oya e Geledé. o preferido do rei. Se um autoridade de outro Axé chegar ao Ilê. Junto com a Agimuda.transe). . (em edição) . . . depois Odé e Oluwaiyê.Mayê: Mexe com as coisas mais secretas do Axé. despacha os Ebós das grandes obrigações. Não pode errar. transmitindo à Iyalaxé as respostas e mandamentos.Iyalorixá/Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. é quem se comunica com o Orixá para quem se destina a obrigação. . .Ològun: Cargo masculino.Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. . .Iyasíhà Aiyabá: é quem segura o estandarte de Oxalá.Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos em obrigações de "cantar folhas".Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé. .Iyaegbé/Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Geralmente filhas de Oxun. .Agbeni Oyê: Posto paralelo a Mayê. . Posto paralelo ao da Iyalorixá ou Babalorixá. . .Babalossayn: Responsável pela colheita das folhas.Kólàbá: Responsável pelo Làbá. No Gantois. simbolo de Xângo. Sendo o mais importante e atraente. conservação e preservação dos Ilùs. Orô e compras. .Sarapegbé: Mensageiro de coisas civis e de awo. Também possui subposto Otun e Osi. a que distribui o axé. sendo ela a única responsável por qualquer falha eventual.Iyaefun/Babaefun: Responsável pela pintura dos Iyawos. Traz axé de Ogun. Ekédi.Ojuoba: Posto de honra no Ilê Xangô e possui sub-posto Otun e Osi. . Responsável direto pelos sacrifícios do ínicio ao fim do ato. . .Iyamoro: Responsável pelo Ipadê de Exú. .Alagbá: Ambito civil do Axé. . divide a mesma causa. E também possui sub-posto Otun e Osi. possui sub-posto Otun e Osi. . . Alagbê: Responsável pelos toques rituais.Oyê: Se relaciona com a Yaefun/Babaefun. cânticos e danças.Sobalóju: Título masculino e feminino. é o posto mais elevado do ILê. Na Casa Branca do Engenho Velho. despacha aos Ebós das grandes obrigações. . .Akòwé Ilê Xangô: É a Secretária da casa de Xângo. . a preferência é para os filhos de Ogun. tem a função de iniciar e completar o ato de iniciação dos olorixás. "ekedi" é nome de origem Jeje. Oloyês e Ogans. Trabalha em conjunto com Iyalorixá/Babalorixá. . .Agimuda: Relação com o Ipadê de Exú. ligadas a iniciação do Adoxú.Olopondá: Grande responsabilidade na inicição. Soberano nestas obrigações. ou seja. de "Iyárobá" e na Angola. Agba e Igèna.Iyakekere: Mãe pequena do axé ou da comunidade.Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe). as ajoiés são chamadas de ekedis. Teololá: Aquela que acompanha os Obas de Xangô. coisas de AWO para iniciação. tem de lhe prestar as devidas homenagens "dobrar o Ilù" oferecer até sua própria cadeira. Tradição e Hierarquia. Deve ser chamado de Pai. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a ALVORADA mais ou menos 40 min. . .Iyabassé: Responsável no preparo dos alimentos sagrados.Oloya: Cargo feminino. na falta de Ològun. Zelo. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos no Ilê. Aquela que carrega a espada. no âmbito altamente secreto. . . .Àjòiè: Camareira do Orixá. enquanto o mesmo se encontrar de obrigação. . É quem escolhe os Oloyes de acordo com as determinações superiores. Todos Olorixás podem auxilia-la.OgaláTebessê: Dono dos toques.Axogun: Responsável pelos sacrifícios. os instrumentos musicais sagrados. E usa toalha de Orixá no ombro. São filhas de Oya. . Conselheira. responsável pela manutenção da Ordem.Mawo: Grande . Tem sub-posto Otun e Osi.Ojubonã: É a mãe criadeira.Omolàra: Posto de confiança. Cargo de extrema importância. é chamada de "makota de angúzo". Trabalha em conjunto com o Alagbê. o Alagbê. Iyadagan: Auxilia a Iyamoro e vice-versa. alimentação. Também possui sub-postos Otun-Dagan e Osi-dagan.Iyalaxé: Mãe do axé.Aiybá: Bate o ejé em grandes obrigações. .Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado.

onde as cores são o azul claro e branco. . O Merindilogun (Jogo de búzios) é franqueado somente aos Obaoriates e os Awófakans (Aqueles que receberam a "primeira mão")são chamados também de Olwós. babá significa pai. em yorubá). É o posto mais elevado na tradição afro-brasileira. que são da rama brasileira.Elémòsó: Ogan ou Àjòiè de Oxaguian. Babálawó ou Iyánifá Sacerdote do Orixá Orúnmilá-Ifá do Culto de Ifá. . Atokun (ojê que guia de Egum).Alajopa: Pessoa de Odé. . e sob a obediência a rígidos códigos morais. vai depender do Orixá pedir a iniciação. . Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos iniciados. segundo sacerdote do axé ou da comunidade. Sempre pronto a ajudar e ensinar a todos iniciados. Iyá egbé (lider de todas as mulheres).Apokan: Ligado ao Ilê Omolú. que cuida de tudo que se relaciona a Omolu. Exorun. Alagbê (tocador de atabaque).Alugbin: Ogan de Oxalufan e Oxaguian que toca o Ilù dedicado a Oxalá.Balóde: Ogan de Odé. Poderá ser iniciada ou não. Ojé labi. erelu (cantadora). que leva a caça para ele.Abiã ou abian: Novato. Faboun.Kaweó: Ligado ao Ilê Ossaiyn. [editar]Hierarquia no candomblé Ketu Iyá / Babá: significado das palavras iyá do yoruba significa mãe. . . Iyá moro. Iyá monyoyó. Femininos: Iyalode (responde pelo grupo feminino perante os homens). Iyaegbé / Babaegbé: É a segunda pessoa do axé.Alabawy: Pessoa que trabalha na área jurídica e que cuida dos interesses civis do Axé. Babakekerê (homem): Pai pequeno. Iyalaxé (mulher): Mãe do axé.Alagada: Ogan que cuida das ferramentas de Ogun. ligados ao Ilê Oxalá. segunda sacerdotisa do axé ou da comunidade. . geralmente Ogan confirmado para o orisa Ogun Iyabassê: (mulher): Responsável no preparo dos alimentos sagrados as . Iyadagan e Ossidagã: Auxiliam a Iyamorô.Balógun: Título ligado ao Ilê Ogun. Alagbá Sacerdote (Chefe de um terreiro).Ebômi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho). Chefe dos alagbás). Iyá agan (recruta e ensina as ató). . Iyá erelu (cabeça das cantadoras). Iyakekerê (mulher): Mãe Pequena. o Babálawó recebe o direito de utilizar o Opele-Ifá (ou Rosário de Ifá) e os ikins (sementes de dendezeiro .Assogbá: Ogan ligado ao Ilê Omolú e cultos de Obaluaiye.Leyn: Pessoa do Ogun ou Odé. Alguns oiê dos ojê agbá: Baxorun. . a que distribui o axé e cuida dos objetos ritual. Ojenira. Iyá elemaxó.Oba Odofin: Ligado ao Ilê Oxalá. supervisiona e ajuda na iniciação. Nanã e Ossany. . Amuixan (iniciado com ritos incompletos). Ojê (iniciado com ritos completos). Outros oiê: Iyale alabá. Às Iyápetebis (Mulheres iniciadas a Ifá) usam o jogo de buzios chamados Ekuró. Os BabaIfas.Iwin Dunse: Ligado ao Ilê Oxalá.Aficodé: Chefe do Aramefá (6 corpos) ligado ao Ilê Odé. Ojubonã ou Agibonã: É a mãe criadeira. Iyá kekere. As omoIfas também usam. Ojê agbá (ojê ancião). . Iyá monde (comanda as ató e fala com os Babá). Alagbede: Pessoa que trabalha no ramo de ferro e metais e forja as ferramentas do Axé.Gymu: Àjòiè de Omolu. Akere. Olopondá. . .igui ope. Assogba Supremo sacerdote do culto de Obaluaiyê Babalosanyin: Responsável pela colheita das folhas.Iaô: filho-de-santo (que já incorpora Orixás). Alaran.Ogòtún: Ligado ao Ilê Oxun. Iyaefun ou Babaefun: Responsável pela pintura branca das Iaôs. . Nanã. responsável pela manutenção da Ordem. Ogogo. Axogun responsavel pelo imolamento de animais. Iyamorô: ou BabamorôResponsável pelo Ipadê de Exu. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori.confiança. . . ató (adoradora de Egun). Egun e Exú. que zela Ogun. Após duas iniciações ("Mãos").Ypery: Ogan ou Àjòiè de Odé . . Conselheira. Iyalorixá / Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo. Tradição e Hierarquia. . . [editar]Hierarquia no Culto aos Egungun Masculinos: Alapini (Sacerdote Supremo. Ojê ladê. Abogun: Ogan que cultua Ogun.

Ajoiê ou ekedi: Camareira do Orixá (não entram em transe). Otun e Osy Axogun são os auxiliares do Axogun Apokan responsavel pelo culto de Olwuaye e o Olugbajé O Candomblé e Família Bamgbose A ORIGEM DO CANDOMBLÉ NO BRASIL A guerra contra os daomeanos fora. Pejigan: O responsável pelos axés da casa. do terreiro. Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado. vai depender do Orixá pedir a iniciação. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a alvorada. Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. nem todo Iaô será um pai ou mãe de santo quando terminar a obrigação de sete anos. "ekedi" é nome de origem Jeje. Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé. Se uma autoridade de outro Axé chegar ao terreiro. as nobres matriarcas foram reconhecidas e veneradas pelos seus conterrâneos. escravizadas durante a guerra contra os daomeanos. em Salvador. Mas já durante a longa travessia do Atlântico. No Candomblé Ketu. na falta de Ològun. No Terreiro do Gantois. (não entram em transe). acorrentadas como animais. É considerada abiã toda pessoa que entra para a religião após ter passado pelo ritual de lavagem de contas e o bori. (em edição) Iaô: filho-de-santo (que já foi iniciado e entra em transe com o Orixá dono de sua cabeça). Ològun: Cargo masculino. Com sua sabedoria ancestral. literalmente. Caso não tenha que abrir casa o mesmo jogo poderá dizer se terá cargo na casa do pai ou mãe de santo além de ser um egbomi. Os traficantes e senhores talvez não soubessem. no século XVIII. o Alagbê tem de lhe prestar as devidas homenagens. na Bahia. Abiã ou abian: Novato. Primeiro Ogan na hirarquia. e também ao desembarcar nas águas santas da baía.Matriarcado ancestralPrincesas e sacerdotisas africanas plantaram na Bahia o axé do terreiro mais antigo do Brasil. conservação e preservação dos instrumentos musicais sagrados. o mais antigo templo de culto africano do país. a mãe Tatá . Há também outros Ogans como Gaipé. etc. Escravizadas na terra-mãe. Hoje. o terreiro comandado por Altamira Cecília dos Santos. fora da África. Começava assim. Poderá ser iniciada ou não.comidas-de-santo. dos reinos de Ketu e Oyó. fundariam. do país iorubá. Na Casa Branca do Engenho Velho. as ajoiés são chamadas de ekedis. enquanto o mesmo se encontrar recolhido. teriam migrado para o Brasil. Runsó. Aiybá: Bate o ejé nas obrigações. viriam verdadeiras princesas e as mais importantes sacerdotisas africanas do país iorubá. a religião dos orixás. princesas e sacerdotisas africanas. São filhas de Oya. Despacha os Ebós das obrigações. a Casa Branca. elas iriam . que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil. depois Odé e Obaluwaiyê. Arrow. Iyá Adetá e Iyá Nassô. longe demais. nomes preservados pela tradição oral. Mais tarde. Ifá ou o jogo de búzios é que vai dizer se a pessoa tem cargo de abrir casa ou não. Oloya: Cargo feminino. primeira capital da colônia portuguesa. Sarepebê ou sarapebê é responsável pela comunicação do egbe (similar a relações públicas). Foi assim que Iyá Akalá. alimentação. de "Iyárobá" e na Angola. acabaram indo parar na santa baía. Arrontodé. Iyatebexê ou Babatebexê: Responsável pelas cantigas nas festas públicas de candomblé. Alagbê: Responsável pelos toques rituais. Gaitó. no bairro da Barroquinha. Ebômi: Ou Egbomi são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: meu irmão mais velho).é símbolo de resistência. Despacha os Ebós das obrigações. mas naqueles navios negreiros. acorrentadas como animais. os atabaques são chamados de Ilú. é chamada de "makota de angúzo". Ogâ ou Ogan: Tocadores de atabaques (não entram em transe). preferencialmente os filhos de Ogun. Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos e obrigações de "cantar folhas. A Casa Branca representa o ponto de partida da fascinante história sobre a origem do candomblé no Brasil.

Já Vivaldo da Costa Lima.SucessãoIyá Akalá pode ter vindo junto com o clã dos Arôs para a Bahia. a mãe de Iyá Nassô havia sido escrava no Brasil e depois de alforriada voltou para a África. era uma das figuras mais nobres do império de Oyó. sugeriu que iyá Akalá era mais um título. no Matatu de Brotas. inspirado pelo depoimento da célebre mãe Senhora. Por fim. A tradição oral preservada pelos iorubás aponta o nome de algumas mulheres como sendo as criadoras da Casa Branca. gêmeas. revela o nome das três mulheres. em pleno centro da capital baiana. Iyá Nassô. Akibiohu.Após 21 anos de pesquisas. com a missão de fundar um candomblé em Salvador. Uma delas. Eram netas do Alaketu. iyá Adetá e iyá Nassô são os mais citados. fundariam a mais antiga casa de culto africano do Brasil. um "oiê". ao atingir a maioridade. ou chegado logo depois. com cerca de 9 anos de idade.reconstituir na Bahia os locais sagrados destruídos na terra-mãe. Otampê Ojarô .E. foi a fundadora do Terreiro do Alaketu. outro etnólogo estudioso das religiões africanas.Conforme Silveira. iniciando a soberania de Ketu na Bahia. em um culto quase que doméstico a Odé (o caçador. Tudo teria começado ainda no país iorubá. uma das qualidades de Xangô. De lá vieram alguns integrantes da família real Arô. responsável pelo culto ao orixá do rei. onde a concebeu. durante o governo do Alaketu. por sua vez. No entanto. sua sucessora na Casa Branca. alguns depoimentos de velhas senhoras do candomblé. Mas.Isso teria acontecido não nos fundos da Igreja da Barroquinha. há a versão de Roger Bastide. autor de artigos sobre a fundação dos terreiros mais antigos da Bahia (e com um livro no prelo sobre a Casa Branca). uma das travessas do bairro próximo à região central de Salvador. entre 1780 e 1795. Ela deve ter sido a fundadora do culto a Airá Intile. com base no depoimento de mãe Menininha do Gantois (fundado em 1890).que recebeu o nome cristão de Maria do Rosário Francisca Régis -. estavam importantes sacerdotes e também duas princesas. mas na Rua da Lama (atual Visconde de Itaparica). Anos mais tarde. aprisionados pelos daomeanos na cidade de Iwoye (Iuó-iê). Iyá Nassô teria vindo da Nigéria acompanhada de Marcelina Obatossí. que seria substituída por iyá Nassô. o antropólogo Renato da Silveira. do Ilê Axé Opô Afonjá (fundado em 1910). não cita o nome de Iyá Adetá e se refere a iyá Akalá como sendo a primeira mãe-de-santo da Bahia. lança um pouco de luz nessa história até então bastante obscura. registrados por pesquisadores que se dedicaram ao estudo das religiões africanas na Bahia. mas é provável que ela .Reza a lenda que.O etnólogo Edison Carneiro. no entanto. a princesa foi alforriada pelo próprio Oxumarê. identificar qual delas de fato foi a fundadora do terreiro e se atuaram ao mesmo tempo ou se sucederam no poder. Entre eles. de iyá Nassô. iyá Adetá teria sido a sacerdotisa da linhagem Arô a fundar a primeira versão do candomblé baiano. segundo Renato da Silveira. ela era ainda muito jovem quando o terreiro da Barroquinha foi fundado e uma outra sacerdotisa deve ter iniciado os fundamentos de Oxóssi. junto com um grupo de cerca de 200 escravos. no reino de Ketu. que conviveu com antigas mães de santo da velha tradição iorubá. um dos nomes de Oxóssi) e Exu (o orixá mensageiro).Mas alguns detalhes se perderam com o passar dos séculos e nem mesmo os atuais representantes da casa sabem ao certo quem de fato foi o principal personagem dessa história.iyá Akalá.Para complicar ainda mais. onde mais tarde seria criada a Casa Branca.Pierre Verger. Segundo ele. na figura de seu proprietário. deixaram pistas que podem contribuir para a revelação do mistério que envolve a fundação do terreiro. Iyalussô Danadana. sem. hoje situada no Engenho Velho da Federação. que teria vindo de Ketu para introduzir o culto a Oxóssi na Bahia. Verger cita um novo nome. e certamente participou dos rituais de fundação da Casa Branca.

Iansã. O barracão. Também por questões de preeminência. Xangô. lendas e mitos que narram a história de mulheres soberanas.Vegetação ritualAbraçando e acolhendo as divindades . Oxóssi. e uma quartinha de barro. Em homenagem a esta matriarca ancestral. minerais e animais necessários nas cerimônias religiosas. a matriz dos fatos.Reza a tradição iorubá que iyá Nassô retornaria mais tarde à Nigéria. as diversas casas de santo. a edificação principal que deu nome ao templo religioso. estão dispostos os ilês orixás. De acordo com o antropólogo Raul Lody. eles formam o berço do candomblé de origem iorubá na Bahia. culminada por uma coroa de madeira em dimensão monumental. com a missão de comandar a união das diversas divindades africanas em um único templo religioso. que ajudariam a compor na Bahia o cenário dos antigos rituais africanos. Maximiana Maria da Conceição (tia Massi). se mantiveram fiéis às tradições plantadas pelos ancestrais nagôs. para reconstituir alguns elementos do culto e provavelmente para adquirir tipos vegetais. na roça do São Gonçalo do Retiro. domina o cenário que compõe a "roça" e centraliza os cultos mais importantes. o terreiro da Casa Branca foi o primeiro monumento negro das Américas a ser considerado patrimônio da nação. hoje reconhecida como o candomblé mais antigo do Brasil. Maria Deolinda. a história da fundação do candomblé. duas mulheres disputaram o trono do terreiro: Maria Julia Figueiredo e Maria Júlia da Conceição Nazaré. apesar da opressão policial. Em seguida. Com ela levou sua sobrinha Marcelina Obatossí. O monumento a Oxum foi idealizado por Oscar Niemeyer e tem escultura de CarybéTestemunho da história de fé e resistência de um povo. ao lado. ao longe se vê a casa branca. uma pequena sala ocupada pelos ogãs. uma espécie de útero do candomblé que vai gestando suas novas filhas-de-santo. construídas em alvenaria. a morada dos orixás. a casa de iyá Nassô. chamada ixê. mãe Aninha deixaria a Casa Branca anos mais tarde para fundar o Ilê Axé Opô Afonjá. Completando os espaços do prédio estão a cozinha. que para os africanos representa o céu.Em sua volta. um elo permanente com o terreiro e o Orum. desde que todos os orixás passaram a ocupar o mesmo espaço sagrado. por volta de 1830. Muitos adeptos da casa começam a contar. com a bênção de seus Orixás. que deixaram seus impérios africanos como escravas para reinarem absolutas na Bahia de todos os santos.o machado duplo. de sobrenome Gantois. Iemanjá. Ogum. onde sobrevive a riquíssima tradição dos reinos de Oyó e de Ketu. o ixê funciona como uma espécie de cordão umbilical. como é chamado pelos adeptos do candomblé. dedicada ao orixá Xangô. O oráculo de Ifá elegeu a primeira e Maria da Conceição partiu com sua família e aliados para as terras de um antigo casal estrangeiro.tenha chegado em terras baianas somente mais tarde. as camarinhas onde ficam confinadas as noviças no período de iniciação. Em espaço contíguo está o peji de Oxalá e. Monumento negro das AméricasCasa Branca é símbolo vivo da história de resistência de um povo.No topo do terreno em declive.Junto ao Alaketu.Marcelina Obatossí sucedeu sua tia. e retornou com outras figuras eminentes. No centro do barracão há uma grande coluna. Depois de Maria Júlia Figueiredo viriam Ursulina Figueiredo (mãe Sussu). Mas para compreender seus espaços sagrados é preciso levar em conta os rituais desenvolvidos há mais de 150 anos no local. o título africano da Casa Branca ainda hoje é Ilê Iyá Nassô Oká. ficam os aposentos da ialorixá. Cerimônias religiosas que. atual ialorixá da Casa Branca. Omulu. os banheiros e o roncó. é o cérebro do terreiro. O limite da coroa é exteriormente marcado com um oxê . Obá e outras divindades que regem o destino do terreiro. Marieta Vitório Cardoso e Altamira Cecília dos Santos (mãe Tatá). com seus assentamentos a Exu. principal símbolo do orixá da justiça -. a partir daí.

tributos a Xangô e a Oxum. uma aliança entre intelectuais e adeptos do candomblé. depois de um esforço conjunto. as mulheres voltam. onde a orixá das lagoas e rios se encontra com Iemanjá. Após encher os vasos de água. as filhas-de-santo seguem vestidas de branco em procissão até a fonte dedicada a Oxum. do Matatu de Brotas. uma das ialorixás mais respeitadas do Brasil. a mãe Nitinha D''Oxum. em fila. acontece a festa de Xangô. na segunda seguinte. como é chamada. dedicado a Oxum. Vale destacar que a Praça de Oxum. Que representa 200 anos de resistência e tradição. O antropólogo Ordep Serra explica que é o simbolismo dos elementos que formam o conjunto e as características do culto que devem determinar as diretrizes da preservação do templo matriz do rito nagô no Brasil. ainda madrugada. E de orgulho para toda uma civilização. o orixá Ogum é celebrado. e. reunindo os mortais aos espíritos ancestrais. é realizada uma das mais belas cerimônias: as Águas de Oxalá.Depois da Casa Branca. a iyalorixá Altamira dos Santos. rito de purificação que prepara a casa para as cerimônias de todo o período festivo que se intensifica a partir de setembro. e o Bate-Folha . Por fim. pelo artista plástico Carybé. o Ilê Axé Opô Afonjá. onde são depositados as iguarias africanas em oferenda à orixá.A Casa Branca foi tombada em 1984 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). com uma longa festa no terreiro. a rainha do mar. com seus potes nos ombros. que hoje é também ogã (uma espécie de protetor civil) e ex-presidente da Sociedade Beneficente São Jorge do Engenho Velho.Nas primeiras horas da manhã. o Terreiro do Gantois. compartilhando matas.também já foram tombados como patrimônio da nação.africanas. por ordem expressa de sua governante. foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. riachos e demais marcos naturais que se integram à proposta religiosa e às festas do candomblé. onde impera uma sereia prateada. Uma linhagem de mais de dois séculos.Águas de OxaláAs festas da Casa Branca se iniciam no fim de maio ou início de junho. com várias cerimônias de iniciação.que reservam outros assentamentos. árvores. Depois. O profundo elo da natureza e sua ocupação espacial pelo imaginário religioso cria um perfeito equilíbrio entre paisagem e arquitetura. As sacerdotisas carregam vasos.este de nação Angola . a vegetação ritual e as imensas árvores sagradas . Já na última sexta-feira de agosto.como jaqueiras e gameleiras brancas . o ogã Léo. filha de Oxum que representa a mais antiga linhagem de mães-de-santo. como o do orixá Irôco. do São Gonçalo do Retiro. O ciclo de festividades termina no final de novembro. sob a liderança do antropólogo Ordep Serra. Os três domingos seguintes às Águas de Oxalá são dedicados a Oduduá (orixá da criação).Perseguição e mudançasAfricanos da Casa Branca foram expulsos do centro da capital e se mudaram para a roça do Engenho . de famílias que há mais de um século ocupam o candomblé. Atualmente.Na primeira segunda-feira após esse ciclo. se vê as habitações da comunidade local. O povo da Casa Branca gosta de lembrar que a água da fonte de Oxum. dono do barracão. No dia de sua celebração. e a sereia.Na parte baixa da colina. Omolu. potes e outros artefatos de barro. feito de alvenaria. se vê o mato. o Alaketu. enquanto cantam e dançam ao som dos atabaques. pai do terreiro. entidade que dá conta de alguns procedimentos administrativos e projetos sociais. com a celebração a Oxóssi. filho de Aeronithes Conceição Chagas. O ritual tem uma pausa e depois continua à noite. corre até o oceano. o onilé. Oxalufan (Oxalá velho) e Oxaguian (Oxalá jovem). Nenhuma dessas festas pode ser fotografada ou filmada no interior do candomblé. o visitante se surpreende com uma construção imitando um barco. o grande barco é enfeitado de amarelo e dourado. um dos principais santuários ao ar livre da Bahia. a associação é dirigida por Arielson Chagas.

tida ainda hoje como a principal matriarca da história do terreiro. ou pelo menos disfarçados pelo sincretismo religioso que ganhava força na Velha Bahia. um ano antes de iniciar as obras na região. vários levantes de escravos foram deflagrados em Salvador. as sacerdotisas arrendaram as terras do Engenho Velho. quando o terreno foi aplainado e as árvores sagradas extraídas. organizada pelos negros muçulmanos. os rituais religiosos eram praticados em segredo absoluto para escapar da repressão. Seria preciso reconstituir um novo templo longe dali. Nasceria a Casa Branca do Engenho Velho da Federação. avô do saudoso Felizberto Sowzer. durante a reforma da área. até que em 1835 se deu a sangrenta Revolta dos Malês. que os negros da Casa Branca seriam de uma vez por todas expulsos da Barroquinha. a exemplo do temido Conde da Ponte. longe do governo central.VelhoA Bahia estava passando por profundas transformações naquele meado de século XIX. Dizem que foi o lendário babalaô Bamboxê Obticô. o terreiro mudou-se por diversas vezes. e a segunda no dia de São Pedro. "modernizar" era a palavra de ordem entre os governantes. Profanaram os locais sagrados e expulsaram de vez os africanos e seus orixás do centro da capital.Quando as festas para os orixás não eram mascaradas pelo sincretismo. atingida por um raio. Era mais um pretexto para desmobilizar os encontros entre os africanos na Bahia. o terreiro ficava próximo ao Palácio dos Governadores. por onde esgotos corriam a céu aberto. e Xangô. datas em que não seriam necessários maiores pretextos para os banquetes africanos e a batida dos tambores. na época residência de um dos desembargadores do Tribunal da Relação.Depois desse episódio. Alguns anos antes. Temendo um ataque policial.Ataque policialNo centro da cidade. onde ainda se encontra.a presença do candomblé na Barroquinha conviveu com a passagem de alguns governos. Em 1976 . tão próximas da sede do poder local. Segundo contam. as autoridades decidiram acabar com aquelas reuniões tidas como "bárbaras" e "primitivas".Embora os cultos africanos fossem terminantemente proibidos na Bahia de outrora . Reza a tradição iorubá que.Mas. onde os atabaques pudessem clamar por suas divindades distante dos ouvidos e olhares opressores das autoridades vigentes. entre 1848 e 1852. ao Mosteiro de São Bento e ainda do Solar do Berquó. a Barroquinha não seria a mesma. Era preciso fazer uma limpeza geral. antes de chegar na Avenida Vasco da Gama. o subterrâneo secreto deixou de existir.Em 1851. assim como outros que haveria por ali. "passando inclusive pelo Calabar. As duas principais festas comemorativas da fundação do candomblé fazem referências aos orixás mais venerados: Oxóssi. antiga Rua da Vala. segundo Pierre Verger. uns mais permissivos. na Baixa de São Lourenço". para realizar o culto de Xangô em sigilo. Em qualquer caso. todos os rituais eram feitos às escondidas. outros mais intransigentes.a liberação definitiva só foi assinada pelo governador Roberto Santos. Por volta de 1850. os adeptos da Casa Branca construíram uma passagem secreta sob uma árvore oca. "no Rio Vermelho de baixo". Iyá Nassô. com a urbanização da área e pavimentação da Baixa dos Sapateiros. como o do famoso Conde dos Arcos. Desde então. passaria por reformas. estudioso do assunto. todos os templos africanos seriam construídos nos arredores da antiga Salvador. uma . os altares sagrados poderiam ser cultuados e as oferendas realizadas de maneira discreta e preservada. onde as cerimônias poderiam ser realizadas de maneira mais discreta. a "modernidade" chegou à capital. partiu com os seus súditos para plantar o axé na então distante roça do Engenho Velho. o regente da casa. e não haveria mais espaço para as comunidades negras ali instaladas.Lá.Foi durante o governo do Visconde de São Lourenço. A primeira acontece no dia de Corpus Cristhi. o senhor da terra.

A sociedade Ogboni era dirigida por um conselho de seis êssas. Sobre Yá Nassô. Joana Francisca. por ignorância ou preconceituosa má vontade. inaugurando as chamadas "sociedades secretas". o conselho de ministros do alto escalão do império de Oyó e de outros reinos iorubás. mulato. o candomblé mais antigo do Brasil passaria a constituir uma espécie de organização paralela à dos brancos do Novo Mundo. africano emancipado. Sociedade paralelaHomens proeminentes e `mulheres do partido alto´ criaram organizações secretas de negros na BahiaO culto a Babá Egum é um traço da presença do Estado paralelo criado pelos iorubásDepois de criar as irmandades e confrarias religiosas. como o arrendamento das terras da Barroquinha na virada do século XVIII. Antônio Agnelo Pereira.. Com a chegada de mais e mais líderes nagôs à Bahia escravocrata.. na Bahia.Ela representava. Era uma espécie de corte de justiça do país iorubá. as palavras do elemaxó do terreiro. filho da célebre mãe Senhora. tratando-a. crioulos livres. A sociedade Ogboni estava acima das demais associações e até mesmo dos clãs. os escravos Rodolfo Araújo Sá Barreto. podem ter sido de sua responsabilidade. mas resistimos. Até há pouco nosso culto era perseguido com cruel violência.Pierre Verger destacou o nome de Escolástica Maria da Conceição. revelam o sentimento de orgulho comum aos filhos e filhas do candomblé mais antigo do Brasil:"Sim.figura importante na reconstituição dos cultos e rituais perdidos no tempo. Adaptadas aos rigores da clandestinidade. nossa religião. Algumas decisões importantes. se refere à presença do Aramefá como um conjunto composto por homens consagrados "com postos na Casa de Oxóssi". a mais importante foi a Ogboni. Melônio. Isto não nos impede de manter a herança divina que recebemos". os africanos ligados à Casa Branca seriam ainda mais audaciosos. numa reunião que chamavam de candomblé". com o qual seria batizada. E em tom de discurso. na visão do antropólogo Renato da Silveira. Mas o fato é que os adeptos da Casa Branca resistiram a mais de dois séculos de vigilância repressora. já no Engenho Velho. e era comerciante de carnes no Mercado de Santa Bárbara. por exemplo. que estavam no local chamado Engenho Velho. defendendo o interesse da sociedade e servindo como poder moderador do Alafin (imperador). não muito comum. faz alusão a uma reunião na casa de Yá Nassô que teria sido interrompida por uma diligência policial: "Foram presos e colocados à disposição da polícia Cristovão Francisco Tavares.Mestre Didi. cargo que na Bahia foi ocupado por Bamboxê Obticô. Isso indica que provavelmente os pais de Menininha também faziam parte ou pelo menos freqüentavam a Casa Branca no período em que ocorreu a ação policial. chamados de Aramefá na Bahia. há quem despreze nossas tradições. crioulo. se sabe que ela morava na Rua das Flores. Uma reportagem publicada no antigo Jornal da Bahia. da ordem e pela determinação do consenso nas decisões políticas. Benedita. O líder da Ogboni era o Oluô. no Pelourinho. Mas. Ainda hoje. do Ilê Axé Opô Afonjá. sempre com dignidade. Escolástica Maria da Conceição. . Leopoldina Maria da Conceição. as autoridades novamente tentaram calar os tambores e cânticos africanos da Casa Branca. e as africanas Maria Tereza. a famosa mãe-de-santo Menininha do Gantois. existente ainda nos anos 30. nossa gente tem sofrido muito. e de incorporar novos rituais proibidos pelas autoridades locais. mais de três décadas depois. de 3 de maio de 1855. Silvana. Lutamos contra o cativeiro e continuamos lutando contra outras injustiças. as sociedades secretas representavam o poder ancestral exercido pelos soberanos da mãe África sobre seus súditos baianos.Entre as sociedades secretas criadas pelos negros ligados à velha Casa Branca. responsável pela manutenção da paz. Maria Salomé. como simples folclore.

O antropólogo Pierre Verger cita o nome dos demais êssas: Assiká (ou Axipá. e assim conseguiram fama e dinheiro depois de alforriadas. Na Velha Bahia. além de máscaras e outros objetos de culto. servidores de outros orixás importantes presentes no candomblé e também do culto de Babá Egum. êssa Kayodé (Oxóssi). a principal instituição das mulheres iorubás. observou Renato da Silveira. significando "senhora encarregada dos negócios públicos". Único panteãoAncestrais africanos foram cultuados no mesmo templo pela primeira vez na BahiaNo Terreiro da Casa Branca eles se encontrariam pela primeira vez. E sua existência está intimamente ligada ao mito da criação do candomblé mais antigo do Brasil. esses títulos mantiveram a solenidade e a legitimidade. sobretudo a de Bom Jesus dos Martírios.africano que desempenhou papel fundamental na criação da Casa Branca e na história dos chamados "terreiros de tradição Ketu". alguns rituais se mantiveram até os dias de hoje. Silveira revela que os êssas baianos eram ex-escravos alforriados que chegaram a prosperar na sua atividade e conquistar prestígio e destaque nas irmandades religiosas. Cultuados separadamente em seus reinos de origem. os adeptos do candomblé criaram na Bahia um novo estado iorubá. que começava a tomar consciência de si como nacionalidade". defendiam os interesses das negras que se tornaram comerciantes. preceitos. o espírito dos mortos. e ainda os êssas Ajadi. As iyalodês baianas. recebendo ainda títulos honrosos no candomblé da Barroquinha. extinto após longo período de repressão. reconhecidos e praticados pela diáspora nagô-iorubá.Durante alguns anos. explica Silveira. ficaram apenas vagas lembranças. filho de Oxóssi ou Ogum). Na Bahia. Era Maria Júlia Figueiredo. No terreiro na Barroquinha. adaptados às condições locais.As iyalodês.Reverenciar os poderes unicamente femininos era a missão da Sociedade das Gueledés. sobretudo. êssa Oburô (filho de Xangô). para não atrair os olhares vigilantes e repressivos das autoridades locais. originárias do reino de Ketu. Através dos ritos misteriosos das sociedades secretas. portanto. elas faziam os chamados Festivais gueledés. elas ficariam conhecidas como "as mulheres do partido alto". em seguida no Engenho Velho. discretamente. de ialorixá da antiga Casa Branca e ainda de provedora-mor da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. como o culto a Babá Egum. com o objetivo de ridicularizar a violência e exaltar a paz entre as nações. No entanto. pois. as gueledés tinham as mesmas funções de origem. sobretudo nos anos 20 e 30 do século que passou. a representante suprema das matriarcas africanas. exaltando a fecundidade e a magia dos rituais matriarcais. os orixás . ativa ainda hoje na cidade de Cachoeira. pertencente à coleção do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. de ialaxé das gueledés. Adirô e Akessan. alguns apreendidos durante a repressão policial que se deu na Bahia. ritos e costumes tradicionais.GueledésJá as sociedades Iyalodê e Gueledé eram formadas apenas por mulheres e representavam a influência feminina nas organizações africanas reconstituídas na Bahia. foram atribuídos de acordo com méritos. Do Estado paralelo criado pelos iorubás. cânticos cerimoniais e alguns títulos ainda hoje usados. a mãe-de-santo Maria Júlia Figueiredo (Omonikê) acumulou os títulos de iyalodê. e mais tarde em outros pontos da cidade. revela o caráter carnavalesco das festas promovidas pela associação."Embora tenham perdido o grande poder que representavam na África. foram originárias dos reinos de Ibadan e Abeokuta. Um par de máscaras usadas pelas mulheres da sociedade secreta. em candomblés da Ilha de Itaparica. com presença marcante. portanto. O título era o mais elevado que uma mulher poderia alcançar nessas cidades. e provavelmente apreendido durante uma diligência policial.

como êssa Obticô. milhares deles viriam para Salvador. seria seguida pelos seus filhos e filhas. homens e mulheres africanos pertencentes às irmandades negras do Bom Jesus dos Martírios e de Nossa Senhora da Boa Morte plantariam os fundamentos de cada orixá na terra de todos os santos.Enquanto o povo de cada reino iorubá mantinha seus cultos orientados às diversas qualidades de um único orixá. além de ter sido um dos . Os dois têm o título de êssas (ou uêssas). O primeiro a chegar foi Oxóssi. dois homens entre muitas mulheres. inaugurou a roda dos orixás. Em pouco tempo.Em segredo absoluto. cada povo trazia na lembrança os rituais sagrados do orixá protetor de seu reino. a principal novidade de culto fundada pelo terreiro baiano. Iansã. à medida que os daomeanos avançavam sobre os iorubás. reino devastado pela guerra a partir dos anos 1830. os prisioneiros iorubanos eram feitos cativos e vendidos em um dos movimentados portos da Costa da Mina (também conhecida como Costa dos Escravos). um príncipe de Oyó. quando esta ainda funcionava nos fundos da Barroquinha. Oxum e Oxalá.Anos depois Oxum e Oxalá também ganhariam assentos privilegiados. Por razões de proeminência. foi criado o xirê .cultuado no reino de Shabé e Oyó . Ao passo que os daomeanos invadiam e saqueavam as cidades. os quatro pilares de sua fé. do barracão principal.No Brasil recebeu o nome "branco" de Rodolpho Martins de Andrade e. que revelam serem ministros do conselho de Ketu. A esposa de Xangô. profanando os locais sagrados e deixando seu rastro de destruição por onde passavam. altos oficiais iniciados no culto a Oxóssi. novos povos iam chegando. recebendo por isso o título de onilé.tomaria conta da casa.Panteão sagradoNão se sabe ao certo quem foi o responsável direto pela união de todos os orixás em um único panteão sagrado. na Casa Branca. na Bahia. os fundadores do candomblé mais antigo do Brasil implantariam em Salvador os cultos a Oxóssi. Mas não por acaso. recebendo o título de onilê. dois grandes sacerdotes que vieram para Salvador exclusivamente para participar da reconstituição religiosa que se daria na Barroquinha. em um meticuloso acordo político e espiritual.O início dessa história começa ainda na África. Ambos vieram da África para ajudar na fundação do terreiro. Com a fundação do primeiro candomblé do Brasil. que ele representasse as diferentes nações que a partir de então passaria a integrar. representando os quatro cantos do país iorubá. com novas características religiosas. pelos negros escravos trazidos para o recôncavo. Invocado por seus súditos. Um deles. e que. permitindo que as santidades fossem reunidas em um único panteão. Bamboxê significa "ajuda-me a segurar o oxê". Mas dois nomes despontam como os mais prováveis. também viria com os oyós. De lá. portanto. anos passados. do reino de Ketu. Na tradição oral dos seguidores da Casa Branca se perdeu esse importante detalhe histórico.a roda dos orixás -. a ferramenta ritual de Xangô.Mais do que saudades do seu canto. Ainda hoje sua memória é exaltada no Padê. em meados do século XVIII. Xangô . sendo oxê o machado duplo. representando a nação Ijexá e o povo de Ifé. capital espiritual dos iorubás. A tradição afirma que Bamboxê era um membro da família real. data em que muitos afirmam ter sido fundado "oficialmente" o terreiro na Barroquinha. Mais tarde. Xangô.Os protagonistas dessa história são Babá Assiká (ou Axipá) e Bamboxê Obticô. Assim. seria necessário. possivelmente criou o xirê. a cerimônia de abertura do candomblé da Casa Branca. o litoral da velha Bahia se transformaria num espelho demográfico da Costa da Mina. ele veio e ocupou a terra.De acordo com o pesquisador Vivaldo da Costa Lima.E foi o que fizeram os criadores da Casa Branca.africanos seriam invocados em um só lugar. quando o reino do Daomé (atual República do Benin) inicia sua expansão sobre o território iorubá.

Itexá. Assiká teria sido o fundador propriamente dito do terreiro. existem pouquíssimos registros. duas sociedades perpetuam essa tradição religiosa. no Engenho Velho da Federação. zelando pelo seu povo fiel. ou seja. entre outras coisas. principalmente os masculinos. a grande mãe. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Iami Oxorongá. de forte tradição.(1 . Na sua lápide é possível ler: "Jazigo perpétuo . com a autoridade de babá Assiká e Bamboxê Obticô. os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas. os orixás enfim tomariam assento nas terras sagradas da Bahia. o outro homem que deixou seu nome na lembrança da tradição oral que narra a fundação da Casa Branca. passando por seu escravo para aqui cumprir sua missão. mas não são cultuados individualmente. Nos cânticos do Padê da Casa Branca. Em Itaparica (BA).: orisá = orixá. magia e tradição ancestral. e com a ajuda de muitos outros africanos anônimos. quando são saudados os seis êssas fundadores do axé. onde permanecem ainda hoje.um dos grupos étnicos da Nigéria. de acordo com Juana Elbein dos Santos. babá Assiká formou todos os demais.nos enriqueceram com o culto de divindades denominadas genericamente de orixás. é o fato terrível e angustiante para eles não reencarnar. Para o antropólogo Renato da Silveira.Os cultos de origem africana chegaram ao Brasil juntamente com os escravos. resultado de vários agrupamentos tribais. Bastide afirma que babá Assiká veio à Bahia em companhia de iyá Nassô. babá Assiká é o primeiro a ser lembrado. onde foi sepultado primeiramente.Os mortos do sexo feminino recebem o nome de Iami Agbá (minha mãe anciã). Esta imensa massa energética que representa o poder de ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Geledê". em definitivo. outra estudiosa do assunto. considerada a fundadora de fato do terreiro que hoje leva seu nome. a pessoa renasce no mesmo seio familiar ao qual pertencia.Asesè . os termos em língua yorubá foram aportuguesados. . A morte não é o ponto final da vida para o iorubano. Uma mudança feita em sigilo.Por motivos gráficos e para facilitar a leitura. chamada também de Iá Nlá. A reencarnação acontece para ambos os sexos. inclusive Bamgbose. Os iorubanos . mas também seus ancestrais. Egun . fundadora do Ilê Axé Opô Afonjá. e sua missão era organizar a mudança que estava por ser feita a partir de 1830. Dois etnólogos franceses.Rodolpho Bambocher.Atualmente seu corpo descansa em um jazigo na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder. Ifan e Ifé. O medo da ira de Iami nas comunidades é tão grande que. Com a sabedoria das lendárias iya Nassô e Marcelina Obatossí. dançam para acalmar a ira e manter.possíveis criadores da roda dos orixás. nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral. compostas exclusivamente por mulheres. E essa mudança chegaria para valer. Oyó.)Esses negros iorubanos não apenas adoram e cultuam suas divindades. Ex.Iyami EGUNGUN Os negros iorubanos originários da Nigéria trouxeram para o Brasil o culto dos seus ancestrais chamados Eguns ou Egunguns. tais como Keto. principalmente religiosa . sugerindo sua maior antiguidade.1926". Para Verger. pois ele acredita na reencarnação (àtúnwa). a harmonia entre o poder masculino e o feminino (veja a lenda sobre Odu). participou da iniciação de importantes mães-de-santo da Bahia. estudiosos dos candomblés da Bahia. com coragem. como a de Aninha. "os senhores do rito".Felizberto Sowzer e família . depois de ter sido transladado do Cemitério Quinta dos Lázaros. de onde foram expulsos pelas autoridades. RegistrosSobre babá Assiká.. primeiro na Barroquinha. fazem referência ao seu nome: Roger Bastide e Pierre Verger. ela revive em um dos seus descendentes. Mas depois.

o conjunto forma uma só religião: a iorubana. talvez.No Brasil existem duas dessas sociedades de Egungum.característica de Egum. Pelo sim ou pelo não. A roupa do Egum . As tradições religiosas dizem que sob a roupa está somente a energia do ancestral. e não se pode negar sua presença. São invisíveis e representam a coletividade. existe também na Nigéria a Sociedade Oro. denominada Egum ou Egungum. e o Egungum ancestral individualizado está de novo "vivo". contradizendo a lei do culto. que. como é dito nas falas populares dessas comunidades.Outra forma. os mariwo não podem cair em transe. o Ilê Oyá. faz com que a "morte se torne vida". rouca. diferente do culto aos orixás. fiéis e iniciados. pois. O Egum é a morte que volta à terra em forma espiritual e visível aos olhos dos vivos. a mais antiga. metálica e estridente . outras correntes já afirmam estar sob os panos algum mariwo (iniciado no culto de Egum) sob transe mediúnico. Esse mortos surgem de forma visível mas camuflada.Ora. quando tocado na terra por três vezes e acompanhado de palavras e gestos rituais. e mais importante de culto aos ancestrais masculinos é elaborada pelas "Sociedades Egungum". Tanto Iami quanto Oro são manifestações de culto aos mortos. Mas. Eles e a assistência não devem tocar-se.Esses Eguns são cultuados de forma adequada e específica por sua sociedade. Egum está entre os vivos. de qualquer tipo que seja. Somente os mortos do sexo masculino fazem aparições.Fala com uma voz gutural inumana. chamada de séègí ou sé. e o perigo a rondará. ambas em Itaparica. sendo considerado o representante geral dos antepassados masculinos e cultuado somente por homens. mais controlado. Bahia (veja quadro histórico). que caem da parte superior da cabeça formando uma grande massa de panos.A aparição dos Eguns é cercada de total mistério. Embora todos os sistemas de sociedade que conhecemos sejam diferentes. por dogma. a pessoa que for tocada por Egum se tornará um "assombrado". pois só os homens possuem ou mantém a individualidade.chamada de eku na Nigéria ou opá na Bahia -. portanto. Oro é uma divindade tal qual Iami Oxorongá. em que o transe acontece durante as cerimônias públicas. em Ponta de Areia. mas o poder de Iami é maior e. é altamente sacra ou sacrossanta e. nenhum humano pode tocá-la. ou o Egungum propriamente dito. Ele "nasce" através de ritos que sua comunidade elabora e pelas mãos dos Ojé (sacerdotes) munidos de um instrumento invocatório. a própria morte. energética ou mediúnica. e que está relacionada com a voz do macaco marrom.Além da Sociedade Geledê. o Egum é a materialização da morte sob as tiras de . causando impacto visual e usando a surpresa como rito. Todos os mariwo usam o ixã para controlar a "morte". Estas têm como finalidade celebrar ritos a homens que foram figuras destacadas em suas sociedades ou comunidades quando vivos. às mulheres é negado este privilégio. pois as roupas ali estão e isto é Egum. em locais e templos com sacerdotes diferentes dos dos orixás. a verdadeira resposta religiosa da vida pós-morte. e uma mais recente e ramificação da primeira. ou às vezes aguda. Apresenta-se com uma forma corporal humana totalmente recoberta por uma roupa de tiras multicoloridas. chamado ijimerê na Nigéria (veja lendas de Oyá). inclusive. assim como o de participar diretamente do culto. O Egungum simplesmente surge no salão. ali representada pelos Eguns. da qual não se vê nenhum vestígio do que é ou de quem está sob a roupa. cujo tronco comum remonta ao tempo da escravatura: Ilê Agboulá. Este é o nome dado ao culto coletivo dos mortos masculinos quando não individualizados. mantendo na morte a sua individualidade. pela Sociedade Oro. perante olhares profanos. Ela então deverá passar por vários ritos de purificação para afastar os perigos de doença ou. um bastão chamado ixã. para que eles continuem presentes entre seus descendentes de forma privilegiada.

como os ojé atokun. para evitar que alguns Babá ou os perigosos Apaaraká que escapem aos olhos atentos dos ojés saiam do espaço delimitado e invadam as redondezas não protegidas.Os ancestrais são invocados e eles rondam os espaços físicos do terreiro.a única divindade feminina venerada e cultuada. como se fosse um chapéu que cobre totalmente a extremidade superior do Babá. os quais.. e o contato. Oyá Igbalé . o salão público não tem janelas. Vários amuxã (iniciados que portam o ixã) funcionam como guardas espalhados pelo terreiro e nos seus limites.No balé os ojê atokun vão invocar o Egum escolhido diretamente no assentamento. é prejudicial. delimitam o local. como Babá e Apaaraká. Esses Eguns ainda estão em processo de elaboração para alcançar o status de Babá. Nestes casos. e é neste local que o awo (segredo) o poder e o axé de Egum . único local de união com o mundo externo. de pé. e incorporá-lo. alguns Babá carregam na mão o opá iku e. que foi previamente preparado e impregnado de axé (força. e o ojubô-babá. é usado pelo Babá quando está falando e abençoando os fiéis. e • o banté.desempenham todas essas atribuições substituindo as mãos pelo ixã. este ato é altamente benéfico. ou seja. e entre os Agbá. No ilê awo também está o assentamento da divindade Oyá na qualidade de Igbalé. na Bahia. ainda que um simples esbarrão nessas tiras. que é uma armação quadrada ou redonda. quando o dia já está clareando. As classificações. na Nigéria. Nos ojubô são colocadas oferendas de alimentos e sacrifícios de animais para o Egum a ser cultuado ou invocado. conforme suas roupas. Na Nigéria. são traquinos e imprevisíveis. Os Eguns entram no salão através de uma porta secundária e exclusiva. são Eguns que já tiveram os seus ritos completos e permitem. a porta principal é fechada e somente aberta no final da cerimônia. chamada de ilê awo (casa do segredo). e. o ixã. individualizam e identificam o Egum ali cultuado . A roupa é . perto mas separada do grande salão. Os Apaaraká são Eguns mudos e suas roupas são as mais simples: não têm tiras e parecem um quadro de pano com duas telas. paramentos e maneira de se comportarem.nasce através do conjunto ojê-ixã/idi-ojubô.Nas festas de Egungum. e pernas que acabam igualmente em sapatos. Ao contrário do toque na roupa. que é um buraco feito diretamente na terra.pano. e o lèsànyin ou ojê agbá entram. assustam e causam terror ao povo. são extensas. os assentamentos . E mesmo os mais qualificados sacerdotes . entre os alabá e o kafô. formando uma espécie de franjas ao seu redor.Os Egum-Agbá (ancião). simultaneamente. mas com alguns apetrechos adicionais: uns usam sobre o alabá mascaras esculpidas em madeira chamadas erê egungum. os AgbáEgum portam o mesmo tipo de roupa. por isso. onde somente os ojé podem entrar. às vezes. Balé é o local onde estão os idiegungum. também chamados de Babá-Egum (pai). no caso o axé. O banté. guiam e zelam por um ou mais Eguns . que suas roupas sejam mais completas e suas vozes sejam liberadas para que eles possam conversar com os vivos. logo após os fiéis entrarem. uma na frente e outra atrás. conforme sus ritos. • o kafô.estes são elementos litúrgicos que.O eku dos Babá são divididos em três partes: • o abalá. Ele sacode na direção da pessoa e esta faz gestos com as mãos que simulam o ato de pegar algo. a ira dos Babás é representada por esses instrumentos litúrgicos. uma túnica de mangas que acabam em luvas. em verdade. pelos adeptos e pelos próprios Eguns (veja Mitos Oyá-Egum). que é uma tira de pano especial presa no kafô e individualmente decorada e que identifica o Babá.Os Eguns são invocados numa outra construção sacra. poder. e igbo igbalé (bosque da floresta). rodeado por vários ixã. que invocamm. usam peles de animais.Existem várias qualificações de Egum. em Itaparica. outros. energia transmissível e acumulável). e da qual caem várias tiras de panos coloridas. O ilê awo é dividido em uma ante-sala. associados.

após esta saudação elas permanecem sentadas junto com as outras mulheres.Após saírem do ilê awo. respondendo a todos os cânticos ou puxando alguns especiais. fazendo assim uma divisão simbólica e ritual dos espaços. Este é o objetivo principal do culto: unir os vivos com os mortos. e dançará ao som dos tambores e das palmas entusiastas e excitantemente marcadas pelo oiê femininos. e sabem como agradá-los(ver quadro: oiê femininos).Babá também dançará e cantará suas próprias músicas. pelos outros e finalmente será apresentado às pessoas que ali chegaram pela primeira vez. elas fazem uma roda para dançar e cantar em louvor aos orixás. Elas conhecem todos os Babá.Este espaço sagrado é o mundo do Egum nos momentos de encontro com seus descendentes. descansam por alguns momentos na companhia dos outros. Babá-Egum começará perguntando pelos seus fiéis mais freqüentes. os Eguns são conduzidos pelos amuxã até a porta secundária do salão. Como diz a religião. como se fosse a própria Oyá. Nesta parte sacra. que também é o ritmo preferido de Xangô. principalmente pelos oiê femininos. pois eles ali chegaram levados pelas vozes dos ojê. quando morto e vindo com Egum. mas sempre unidos. Elas funcionam como elo de ligação entre os atokun e os Eguns ao transmitir suas mensagens aos fiéis. porque cada Egum em vida pertencia a um determinado orixá.estas posições de grande relevância causam inveja à comunidade feminina de fiéis. depois. pois o culto é totalmente restrito aos homens. causando espanto e admiração. Portará um oxê (machado de lâmina dupla). Por exemplo: se alguém em vida pertencia a Xangô. confeccionando as roupas. Após Babá entrar no salão. fora dos mistérios. que é sua insígnia. elas são geralmente iniciadas no culto dos orixás e possuem simultaneamente oiê (posto e cargo hierárquico) no culto de Egum . sentados ou andando. o próprio atokun ter de intervir rápida e rispidamente.preenchida e Egum se torna visível aos olhos humanos. O espaço profano é dividido em dois lados: à esquerda ficam as mulheres e crianças e à direita. Mas existem raras e privilegiadas mulheres que são exceção. nas quais os Eguns. Antes de iniciar os rituais para Egum. toda pessoa tem seu próprio orixá e esta característica é mantida pelo Egum. sendo preciso. que também responderão aos cânticos e exigirão a mesma animação das outras pessoas ali presentes. pelo som dos amuxã. falará em um possível iorubá arcaico e seu atokun funcionará como tradutor. após ter louvado a todos e ser bastante reverenciado. ele começa a cantar seus cânticos preferidos. pois é o ojê que por ele zela e o invoca. às vezes. O clima é realmente perfeito. o maior tempo possível. abençoando e punindo. seu jeito e suas manias. tal é a volúpia e a tendência natural de ele tentar ir ao encontro dos vivos. O sacro é a parte onde estão os tambores e seus alabê e várias cadeiras especiais previamente preparadas e escolhidas. que somente elas têm o direito de cantar para os Babá. se . Ele conversará com os fiéis. brandindo os ixã pelo chão e aos gritos de saudação e repiques dos tambores dos alabê (tocadores e cantadores de Egum). puxando pelas cores vermelha e branca. Babá estará orientando. São estas mulheres que zelam pelo culto. mulheres não podem entrar nem tocar nas cadeiras. pedirá aos alabês que toquem o alujá. após dançarem e cantarem. separando a "morte" da "vida". os homens. os mariwo são obrigados a segurar o Egum com o ixã no seu peito. vez ou outra. é o instrumento que o invoca e o controla. ele terá em suas vestes as características de Xangô. É através do ixã que se evita o contato com o Egun: ele respeita totalmente o preceito. mantendo a ordem no salão. entrando no local onde os fiéis os esperam. com sua comunidade.O espaço físico do salão é dividido entre sacro e profano. Assistência está separada deste mundo pelos ixã que os amuxã colocam estrategicamente no chão. pelo qual ele tem grande respeito.

Finalizando a conversa com os fiéis e já tendo visto seus filhos. Esta é uma breve descrição de Egungum. cultural e religiosa dos iorubanos da Nigéria. E também para se compreender a morte e a vida através das ancestralidades cultuadas nessas comunidades de Itaparica. presente entre seus descendentes para aconselhá-los e protegê-los. fazendo o papél de um verdadeiro pai. mas o suficiente para um primeiro e simples contato com este importante lado da religião.necessário. de uma festa e de sua sociedade. mas continuará protegendo e abençoando os que foram vê-lo. a festa termina e a porta principal é aberta: o dia já amanheceu. Babá partiu. mantendo assim a moral disciplina comum às suas comunidades. funcionando como verdadeiro mediador dos costumes e das tradições religiosas e laicas. Babá-Egum parte. não detalhada. como um reflexo da sobrevivência direta. .

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